sábado, 29 de março de 2008

A crise do jornalismo latino-americano

O professor boliviano Erick Torrico Villanueva, diretor da pós-graduação em Comunicação e Jornalismo da Universidade Andina Simon Bolívar, concedeu entrevista ao portal do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) e falou sobre a crise do jornalismo na América Latina.

O professor também é presidente da Associação Latino-americana de Pesquisadores da Comunicação e colunista do jornal La Prensa, de La Paz, na Bolívia.

Estas são algumas conclusões do boliviano sobre o jornalismo na América Latina:

- O jornalismo está, efetivamente, numa crise, pois o sistema está alentando uma desconfiguração não somente de suas práticas, mas de seus princípios;

- O jornalismo está deixando de ser uma ocupação dos jornalistas;

- muitos novos jornalistas sabem cada vez menos de jornalismo;

- a informação de interesse do público está desaparecendo dos espaços de notícias na televisão e no rádio;

- as notícias estão sendo esvaziadas de seu conteúdo básico: a informação;

- a informação, em negação a sua própria natureza, tende agora a gerar incerteza e alarme;

- a imprensa busca assimilar em forma e conteúdo os padrões dos meios audiovisuais que desvirtuam a atividade jornalística.

Erick Torrico Villanueva falou ainda sobre as relações entre comunicação e política e das mídias com os governos na América Latina.

Para ler a entrevista completa, clique aqui.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O deboche de FHC

O Ibope divulgou ontem que a aprovação ao governo Lula bateu recorde. A popularidade do presidente também está nas alturas.

O sucesso do governo Lula deixa os tucanos e "demos" desnorteados. Toda vez que eles armam algum plano de sabotagem, a popularidade do petista só faz aumentar.

O ex-presidente FHC não esconde a inveja que tem do presidente Lula. A "Terra Magazine" disse que FHC debochou do PAC.

Durante uma palestra realizada ontem (quinta-feira, 27) em São Paulo, FHC arrancou risos da platéia tucana ao se referir ao PAC:

- O PAC não é nada. O PAC é dinheiro do Orçamento que Lula fica falando: "PAC, PAC, PAC..."

Aí eu me lembrei daquela música:

"Quanto riso, ah, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão... "

A mídia e a "escandalização do nada"

Foi só o presidente Lula dizer que a ministra Dilma Roussef da Casa Civil era a "mãe do PAC" para a oposição e a mídia (tucana, por excelência) deflagrarem a temporada de caça às bruxas.

Primeiro foi a "Veja" que disse que o governo havia montado um dossiê com os gastos do ex-presidente FHC e da sua esposa, Ruth Cardoso, para chantagear a oposição. De acordo com a revista, o dossiê foi elaborado a mando da Casa Civil. Logo, a "Veja" não afirma isso claramente, mas sugere implicitamente que deve ter o dedo da ministra aí no meio.

Pautados pela "Veja", a oposição queria que a ministra fosse depor na CPI dos Cartões Corporativos. O governo, que tem maioria por lá, impediu a convocação. A oposição queria constranger Dilma Roussef e usar as imagens de arquivo futuramente caso ela viesse a ser candidata a sucessão de Lula em 2010.

Após a divulgação do dossiê pela "Veja", o restante da mídia tratou de repercutir o assunto, sempre com manchetes acusatórias e desmentidos em cantos de página. A "Folha", por exemplo, dedicou bastante espaço à versão da "Veja" sobre o dossiê e pouca atenção ao outro lado da história. Além disso, distorceu informações para tentar constranger ainda mais o governo.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a Casa Civil estava realizando um levantamento de dados que não eram sigilosos para fornecer à CPI dos Cartões Corporativos, quando esta assim solicitasse. Tarso Genro disse também que a Casa Civil estava melhorando a organização dos dados para dar maior transparência, seguindo orientação do Tribunal de Contas da União (TCU).

A "Folha", erroneamente, disse que Tarso Genro havia afirmado que o TCU tinha solicitado o levantamento de dados à Casa Civil. O TCU, em seguida, negou que tivesse feito esse pedido. A "Folha" disse que o TCU havia "desmentido" o ministro.

Na edição de hoje do jornal, mais um capítulo da "caça à ministra". O jornal denuncia que o dossiê foi feito pelo braço direito da ministra Dilma Roussef, Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da Casa Civil. O jornal conclui que, se a ministra não agir rapidamente, corre o risco de cair.

Em seu blog, Luis Nassif diz que a matéria da "Folha" é mais um factóide e comenta o "furo" do jornal:

"Em qualquer ministério, é o Secretário Executivo quem comanda o dia a dia. "Furo" seria se o pedido tivesse sido por alguém de fora da Casa Civil.

Depois, para “esquentar”a matéria, os procedimentos de sempre, afirmações colhidas com uma fonte chamada Planalto.

A cúpula do governo avalia que a situação política da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se agravou e que ela precisa dar uma resposta rápida. Do contrário, corre risco de cair [trecho da matéria da "Folha"].

Tenha-se a santa paciência! Que mané cúpula! Imaginar que a peça central do segundo governo Lula, a maior unanimidade que se tem nesse governo, “corre risco de cair” por conta dessa notícia é exagerar na auto-louvação do furo. Até se aceita esse tipo de liberdade poética do senador Arthur Virgílio. Supor que a "cúpula do governo" admitiu, é demais."

Dilma Roussef respondeu afirmando que estão tentando "escandalizar o nada". "Essa tentativa de banalizar as investigações, escandalizando o nada, é algo que não contribui para o país", disse a ministra à "Folha".

A ministra já deveria ter aprendido que o que interessa à mídia é a espetacularização da notícia. A "escandalização do nada" faz parte do show.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Almodóvar na blogosfera

Li a notícia no Blog do Aílton.

O diretor Pedro Almodóvar também foi picado pela mosca da blogosfera.

No post de estréia, ele escreve suas "Notas sobre 'LOS ABRAZOS ROTOS' ", que é o título da sua próxima película.

Além do "guión", o blog também tem fotos e vídeos.

Clique aqui e acesse o Blog do Almodóvar.

CNI-IBOPE: Aprovação de Lula é recorde

A oposição vai ter que amargar mais um revés. É que acaba de ser divulgada a mais nova pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade do presidente Lula (PT).

A avaliação positiva do governo chegou a 58% em março. É a maior taxa de aprovação registrada desde março de 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República pela primeira vez.

Apenas 11% dos entrevistados disseram que o governo federal é "ruim ou péssimo". Para 30% deles, o governo é somente "regular".

A aprovação do governo subiu 7% em relação à última pesquisa CNI-Ibope, divulgada em dezembro de 2007, quando o índice foi de 51%.

A aprovação pessoal ao presidente Lula também cresceu em março deste ano. No total, 73% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país. O índice também foi o segundo melhor registrado pela pesquisa.

Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em março do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por 55% dos entrevistados.

A confiança do brasileiro no presidente Lula também está nas alturas, com índice de 68%. Os que não confiam em Lula são apenas 28%.

Durmam com uma dessa, José Agripino e Arthur Virgílio.

Com informações da Folha Online.

O cartaz da discórdia

Prefeito do RJ implica com cartaz do Ministério da Saúde

César Maia (DEM), prefeito do município do Rio de Janeiro, pelo visto, não está nem aí pra epidemia de dengue que assola a capital fluminense.

Em vez de dedicar tempo e esforço pra resolver esse problema, o prefeito resolveu implicar com um cartaz criado pelo Ministério da Saúde para a campanha de conscientização contra a AIDS voltada ao público homossexual.

Em seu Ex-Blog, distribuído por e-mail, César Maia provoca o presidente Lula e a CNBB a se pronunciarem e diz que o cartaz parece propaganda de inferninho gay:


MAIS UMA DO TEMPORÃO ! LULA: QUANTO TEMPO VAI DEIXAR ESTE CARTAZ???????? E A CNBB? O QUE DIZ?

Uma campanha de conscientização relativa à AIDS, direcionada aos que tem relações homossexuais, não pode ser transformada numa capa de Revista Sexy-Gay. E ainda plagiando o final da novela das 7 (que plagiou Beleza Americana), substituindo a mulher com folhas vermelhas, por um homem que mais parece propaganda de inferninho gay. O que se consegue com uma publicidade dessas é desrespeitar os homossexuais. A foto insinua uma relação de "programa" como se fosse essa a característica geral.

O cartaz, ao contrário do que afirma César Maia, não tem nada de desrespeitoso nem insinua nada. A mensagem é bastante clara: "Faça o que quiser. Mas faça com camisinha".

Só mesmo alguém conservador e reacionário como o "democrata" (acredite se quiser...) César Maia pra ser contra a campanha.

Veja aqui o cartaz e tire suas próprias conclusões.

Leituras do jornalismo potiguar

Mino Carta, editor da "Carta Capital", disse há pouco tempo que o colunismo social é o "provincianismo, na sua manifestação mais medíocre, ou mesmo ridícula".

Eliana de Lima é uma prova disso. Na coluna que mantém na "Tribuna do Norte", ela deu hoje a seguinte nota:

Chegando Lá

Nos EUA, Hilneth Correia ainda não chegou a Barack Obam, maass... já ganhou até legal do ator-governador Arnald Schwarzenegger, da Califórnia, com o filho Raphael.

É ou não provincianismo em seu estado mais latente?!

É prática nos jornais daqui colunistas levantarem a bola uns dos outros. A troca de gentilezas, obviamente, esconde interesses que a plebe rude desconhece.

A propósito, Hilneth Correia é aquela que fez uma festança pra comemorar seus 40 anos de colunismo social num hotel da Via Costeira com dinheiro da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado.

Um escândalo que não mereceu nenhuma nota ou questionamento por parte dos seus pares.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Às voltas com o tempo

O dia hoje foi curto e corrido. Acordei tarde porque fiquei assistindo um filme até às 3h da manhã. O filme era "Má Educação", do diretor espanhol Pedro Almodóvar.

Eu o classificaria como um filme impactante, para dizer o mínimo. É Almodóvar em plena forma e Gael Garcia Bernal mostrando por que é um dos atores mais promissores da atualidade.

Mas, para mim, o melhor filme de Almodóvar continua sendo "Fale com Ela", verdadeira obra-prima cinematográfica.

Mas deixemos os filmes, por ora, pra lá...

À tarde, tive compromissos de trabalho. Meu gravador me deixou na mão e resolveu descarregar no meio de uma entrevista. Acontece com os melhores e os piores jornalistas.

À noite, mais afazeres que me deixaram longe das notícias e sem poder postar.

Escrevo agora quando já são 23h20. Li algumas coisas que gostaria de comentar, mas o cansaço físico está vencendo minha mente.

[Pausa... vou tomar meia taça de vinho e volto em alguns minutos]

Voltei. Já passa da meia noite. Demorei mais que o previsto porque estava assistindo a minissérie "Queridos Amigos".

Eu dizia antes que havia lido algumas notícias que desejaria comentar.

A primeira é o discurso que o candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, o senador John McCain, fez em Los Angeles.

McCain defendeu a entrada do Brasil e da Índia no G8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia) e a saída da Rússia.

O candidato republicano chamou a Rússia de "revanchista" e disse que o destino dos EUA dependia do destino da América Latina.

A outra notícia é sobre a CPMI dos Cartões Corporativos. Parece que teve bate-boca na sessão desta quarta-feira e, só pra variar, o senador tucano Arhur Virgílio (AM) posou de valentão.

Por falar em cartões corporativos, o ex-presidente FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos e da sua esposa, Ruth Cardoso, referentes ao período em que ele ocupou o Palácio do Planalto.

É um farsante esse FHC. Ele pode "autorizar" quantas vezes quiser, mas isso não depende da vontade dele. A lei proíbe a divulgação desses dados por considerá-los sigilosos e importantes para a segurança do presidente e da sua família.

FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos porque sabe que isso não pode e não vai ser feito. Até o STF (Supremo Tribunal Federal) já se manifestou sobre o assunto.

A terceira notícia é sobre a epidemia de dengue no município do Rio de Janeiro. O prefeito César Maia (DEM), que andava longe dos holofotes midiáticos, deu as caras e negou a existência de uma epidemia.

A Folha de quarta-feira trouxe uma matéria informando que o Estado e Prefeitura reduziram os gastos para combate e prevenção da dengue nos últimos anos.

No Estado, as verbas passaram de de R$ 39,5 milhões (valores atualizados) em 2007 para R$ 20,3 milhões em 2008.

Na Prefeitura, os valores aplicados no controle da dengue passaram, segundo o jornal, de R$ 48,2 milhões (2003) para R$ 23,9 milhões (2006), em valores atualizados.

E agora, César? Vai dizer o quê?!

Finalmente, meu último comentário desse post é sobre a coluna de Eliane Cantanhêde na Folha de terça-feira.

Eliane foi a colunista que disse aos quatro cantos que havia uma epidemia de febre amarela no Brasil, contribuindo para a desinformação e ajudando a disseminar o pânico entre a população.

Pois em sua coluna, ela teve a desfaçatez de dizer a mídia prestou um grande serviço ao país.

"A mídia teve um papel fundamental ao alertar a população para o aumento da incidência da febre amarela, seus riscos, o combate ao mosquito e a vacinação. Nunca vai se saber quantas centenas de vidas foram salvas neste país pela ação diligente de jornais, rádios, TVs", escreveu.

Ai, ai, ai... essa moça tem algum problema.

No Blog do Mello, fiquei sabendo que Eliane é casada com o marqueteiro do tucano Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo.

Deixo que vocês tirem suas conclusões...

Por mi mim chega. Eu agora vou ler alguns sonetos de amor de Neruda e depois dormir.

terça-feira, 25 de março de 2008

Entrevista com Ivana Bentes

A passagem do Jornalismo à Comunicação

A professora, pesquisadora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, deu uma excelente entrevista ao Instituto Humanistas Unisinos (IHU).

Tomei conhecimento da entrevista no Blog do Nassif, que postou apenas um trecho curto. Fiquei curioso e fui atrás do restante na página do IHU na internet.

Logo na primeira resposta, ao analisar a grande imprensa brasileira, Ivana Bentes fala da redundância e homogeneidade de pauta dos grandes jornais.

Para ela, é preciso romper com esse modelo tradicional de jornalismo e fazer prevalecer a diversidade.

Mas de que forma isso é possível? A professora aposta principalmente na internet para furar o bloqueio da grande mídia. "Qualquer sujeito, hoje, pode se tornar um produtor de mídia", afirmou.

Ivana disse que a produção de informação, análise e interpretação, antes pensada como uma atividade apenas de especialistas, é nos dias atuais uma "demanda de cidadania". Por isso é tão importante que se tenha "diversidade em relação ao que é produzido", sugeriu.

Ela também analisou o papel da mídia independente, que ganhou mais visibilidade com a internet. Esse papel vai além do "observatório neutro da mídia", chegando a expressar e representar "uma militância, um engajamento".

Mas a mídia independente ainda enfrenta dificuldades. "Nós temos uma concentração não só econômica, mas alimentada pelo próprio campo público, com a má distribuição das verbas publicitárias que não incentiva a mídia independente", observou.

A professora também deu sua opinião sobre os cursos de comunicação no Brasil. Ela diferenciou o "fazer jornalístico" do "pensar jornalístico", mas disse que os cursos de jornalismo ou de comunicação raramente interferem politicamente na realidade, porque não têm a capacidade de interpretar os fatos quando eles acontecem.

"Há uma tendência, nos cursos de jornalismo e comunicação, àquilo que chamamos de Profeta do Dia Seguinte, ou seja, de esperar que os fatos aconteçam, passem e só depois sejam comentados".

É necessário, analisou ela, "fazer a passagem da velha questão do jornalismo para a questão da comunicação, que é muito mais ampla".

Ivana não se esquivou de opinar também sobre a revista "Veja", que é objeto de uma série de reportagens de Luis Nassif no blog dele.

"O jornalismo da Veja já virou motivo de piada nos cursos de Jornalismo e comunicação. E é ótimo para dar exemplo porque é de tal forma deformado, repensado, direcionado que acaba se tornando uma caricatura do antijornalismo. Não existia isso no Brasil. A Veja veio para explicitar um pensamento conservador reativo que existia sem visibilidade porque as pessoas tinham vergonha de se posicionar dessa forma. Ela apresenta um jogo forte sendo feito e para isso lança mão de manchetes sensacionalistas, de uma constante criação de pautas. O que Nassif faz, em sua análise, é indicar a explicitação de uma linha editorial que existia de uma forma velada", comentou.

A entrevista completa você lê aqui.

União Difícil

"É difícil superar as diferenças", diz Jaques Wagner sobre PT e PSDB

Em entrevista à "Terra Magazine", o governo petista da Bahia, Jaques Wagner, opinou sobre as especulações em torno da possibilidade de um acordo entre PT e PSDB.

A hipótese de uma aliança entre petistas e tucanos vem sendo cogitada desde que o governador Aécio Neves (PSDB) de Minas Gerais e o prefeito Fernando Pimentel (PT) de Belo Horizonte afirmaram que têm interesse num acordo para disputar a Prefeitura de BH.

Aécio e Pimentel querem lançar uma candidatura única para a eleição na capital mineira. Os dois líderes defendem o nome do secretário de Desenvolvimento Econômico de MG, Márcio de Araújo Lacerda (PSB) como candidato de consenso.

Em resposta aos rumores de que essa ainda incerta aliança tucano-petista poderia ocorrer também "para além das montanhas mineiras", o governador baiano disse que considera "difícil superar a realidade das diferenças do que são hoje PT e PSDB, do que significaram e significam".

O governador deu como exemplo dessas diferenças a forma como o PSDB atuou para a derrubada da CPMF. "A maneira como aquilo foi tratado mostra que a luta político-eleitoral superou a racionalidade e mostrou o tamanho da diferença de caminhos", disse.

Jaques Wagner disse também que o PT amadureceu e aprendeu com erros dos passado e que a oposição de hoje é "bem mais madura" e deveria agir de maneira diferente.

Leia a íntegra da entrevista do governador Jaques Wagner aqui.

'Folha' é Serra

A Folha é contra o PAC porque diz que as obras que vão melhorar a vida de milhões de pessoas são "eleitoreiras".

O governador tucano José Serra, que é o candidato da Folha a presidente em 2010, vai anunciar hoje o novo salário mínimo de São Paulo.

A Folha Online destacou: "Serra anunciará mínimo maior que o de Lula em São Paulo".

"Mais uma vez, Serra estabelecerá um valor maior que o salário mínimo determinado pelo presidente Lula para todo o país", escreve a colunista Mônica Bergamo.

Segundo a jornalista, o novo salário mínimo de São Paulo, que na Folha Online virou o "mínimo do Serra", vai passar para cerca de R$ 450.

Na Folha e na Folha Online, as ações do governo Lula são "eleitoreiras", mas as ações do governo Serra são festejadas.

Essa comparação entre o "mínimo do Serra" e o "mínimo do Lula" é uma demonstração clara que o jornal já escolheu o seu candidato a presidente em 2010 e já está em campanha.

Por que a Folha não fala no "trânsito do Serra" nem na "violência do Serra"?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Capacho

Blogueiro da Veja se esforça para defender factóide da revista

Reinaldo Azevedo, além de reacionário, é o que popularmente se chama de capacho. Aquele tipo de sujeito que faz tudo o que seu mestre mandar, sem questionamentos.

Na edição desta semana, a Veja noticiou que o Governo Federal, através da Casa Civil, preparou um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da sua esposa, Ruth Cardoso, para chantagear a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.

A Casa Civil divulgou nota negando a existência do dossiê que a Veja disse que existe. Na nota, a Casa Civil diz que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse em entrevista coletiva que a Casa Civil está realizando um levantamento de dados públicos que podem vir a ser solicitados pela CPMI dos Cartões Corporativos.

Ainda segundo o ministro, esse levantamento foi solicitado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Então foi assim: a revista se utilizou de dados públicos disponíveis no sistema e disse que se tratava de um dossiê criminoso montado pela Casa Civil.

Mas Reinaldo Azevedo não arreda o pé e afirma que o dossiê existe e que a Veja não fez nada além de noticiar a sua existência. Parece menino teimoso quando é pego na mentira. É a faca entrando e ele não admite que mentiu.

Para defender a revista, ele faz uma verdadeira patinação argumentativa. Em tom pretensamente professoral, convida o leitor, em seu blog no site da revista, a "pensar".

Disse que o levantamento de dados públicos, que o ministro Tarso Genro afirmou que a Casa Civil está fazendo, a pedido do TCU, "é um dossiê".

Pois que seja. Pode chamar de dossiê, levantamento ou qualquer outro nome. Isso é o que menos importa.

O que se deve distinguir é que há uma enorme diferença entre um dossiê com dados públicos e um dossiê criminoso, com dados que deveriam ser sigilosos.

A intenção da Veja e de Reinaldo Azevedo é confundir tudo e fazer crer que as duas coisas são, na verdade, uma só. É a fórmula do "testando hipóteses".

A obsessão de Arthur Virgílio

Arthur Virgílio, o senador tucano que teve 3% dos votos pra governador do Amazonas, tem obsessão pelo presidente Lula.

Ele agora quer porque quer que o presidente Lula divulgue os gastos sigilosos da Presidência da República com os cartões corporativos.

Mas, se são sigilosos, não podem e não devem ser divulgados, não é isso?!

Virgílio quer saber dos gastos pessoais do presidente Lula e da primeira dama, Marisa Letícia.

É um completo idiota. Além de votos, lhe faltam miolos e coisa mais interessante pra fazer.

Ele já ameaçou dar uma surra no presidente, já disse que a Amazônia estava sendo vendida pra empresas estrangeiras e já mandou o Brasil se danar.

Quando a gente pensa que o repertório de insanidades do senador sem votos acabou, ele vem e nos surpreende.

Virgílio disse que se o presidente Lula se recusar a repassar as informações sigilosas, "é porque está com medo, porque comprou até carro de luxo com o cartão."

Arthur Virgílio precisa provar sua acusação. Ninguém diz que o presidente da República comprou carro de luxo com dinheiro público sem provas e fica por isso mesmo. Ele não pode sair por aí dizendo suas sandices sem arcar com as conseqüências. O presidente Lula tem que interpelá-lo. Não sei como se faz pra processar um senador, mas que ele tem que dar explicações, isso ele tem.

O senador ficou ainda mais assanhado com a matéria da revista "Veja" desta semana, que afirma que o Governo Federal preparou um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso para pressionar a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.

A Casa Civil desmentiu a Veja e disse que não há nenhum dossiê. Em nota, a Casa Civil disse que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".

A propósito disso, o comentário de Alberto Dines no Observatório da Imprensa é interessante. Diz ele: "Ora, se a revista acusa o governo de estar preparando uma chantagem, por que razão publicou dados sigilosos e aparentemente falsos, conforme declarou a ministra Dilma Roussef? Na corrida sensacionalista, inverteram-se os papéis: ao divulgar os dados, Veja inocenta automaticamente o governo e converte-se, ela própria, em agente e beneficiária da chantagem."

Foi só o presidente Lula chamar a ministra Dilma Roussef da Casa Civil de "mãe do PAC" para a Veja aparecer com um dos seus dossiês tentando queimá-la.

Arthur Virgílio, que adora um factóide, não perdeu tempo.

Mas é isso aí. Arthur Virgílio e Veja não são a Globo, mas têm tudo a ver.

A direita e o lulismo

O artigo abaixo é de Fernando de Barros e Silva na Folha de hoje. Trata daquilo que ele chama de "nova direita no país", que é "um fenômeno de expressão midiática".

Esse "fenômeno" é disseminado, principalmente, pelos "falcões do colunismo" de perfil "estupidamente reacionário".

É uma peça arrasadora e com endereço certo.

Leia a íntegra do artigo:

A chegada de Lula ao poder seguida da ruína moral do petismo serviu de trampolim para impulsionar uma nova direita no país. É um fenômeno de expressão midiática, mais do que propriamente político. Está disseminado em jornais, sites, blogs, na revista. E deve sua difusão aos falcões do colunismo que se orgulha de parecer assim, estupidamente reacionário.

Mesmo que a autopropaganda seja enganosa e oculte que até ontem o conservador empedernido de hoje comia no prato da esquerda, que é só um "parvenu", um espertalhão adaptado aos tempos -ainda assim, temos aqui uma novidade.

Essa direita emergente já formou patota. Citam uns aos outros, promovem entrevistas entre si, trocam elogios despudorados. Praticam o mais desabrido compadrio, mas proclamam a meritocracia e as virtudes da impessoalidade; são boçais, mas adoram arrotar cultura.

É uma direita ruidosa e cínica, festiva e catastrofista. Serve para entreter e consolar uma elite que se diz "classe média" e vê o país como estorvo à realização de seu infinito potencial. Seus privilégios estão sempre sob ameaça e agora a clientela de Lula veio azedar de vez suas fantasias de exclusivismo social.

Invertemos a fórmula de Umberto Eco: enquanto a direita anuncia o apocalipse, os integrados, sob as asas do lulismo, são testemunhas vivas do fiasco do pensamento de esquerda neste país. Não me lembro de ter visto antes a mídia estampar com tanta clareza os passos da regressão social de que participa.

Do lado oficial, há um ambiente paragetulista de cooptação e intimidação difusas, se não avesso, certamente hostil às liberdades de expressão e de informação.

Na outra ponta, um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.

domingo, 23 de março de 2008

Mídia e Favela

O blog do "Fazendo Media" divulgou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, encomendada pela Cufa (Central Única das Favelas) e realizada com moradores de favelas, que mostrou que para 65,4% dos entrevistados a cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nas favelas é "sensacionalista (distorce os fatos e usa preconceitos)".

Outro dado da pesquisa revelou que 73,2% dos entrevistados afirmaram que "a imagem que a sociedade tem da favela como 'reduto de marginais' é completamente distorcida, pois a grande maioria dos favelados é gente honesta".

Marcelo Salles, editor do blog, comenta que o jornal O Globo, que publicou a pesquisa com exclusividade na edição deste domingo, distorceu e manipulou os números "conforme seus interesses político-econômicos e ideológicos".

"O dado acima, em que os entrevistados identificam a manipulação da mídia, por exemplo, simplesmente não aparecem no texto da reportagem [d'O Globo]", afirma Salles.

Para ler mais, clique aqui.

A 'Folha' contra o PAC


O Governo Federal vai investir R$ 2,5 bilhões em obras de saneamento, urbanização de favelas e construção de moradias para a população de baixa renda em 2008. Obras essas que vão melhorar a qualidade de vida de milhões de brasileiros.

A "Folha de São Paulo" é contra as obras porque elas têm "potencial para influenciar o eleitor".

Num primeiro momento, o leitor tem a impressão que o zelo da Folha é em relação às eleições deste ano. O jornal estaria preocupado com a igualdade de condições da disputa de outubro próximo.

Mas, na verdade, a Folha deixa escapar mais adiante que sua preocupação (ou temor?) é mesmo com 2010, quando haverá eleição para presidente da República.

O jornal afirma que todos os grandes centros urbanos, "nos quais o resultado da disputa [das eleições para prefeito] tem mais peso nas negociações para a sucessão presidencial em 2010", foram incluídos na lista de obras prioritárias do PAC.

No total, o Governo Federal, através de um decreto do presidente Lula, elencou 1.771 obras prioritárias em mais de mil municípios - na maioria, cidades pequenas e, portanto, com reduzido impacto eleitoral.

A manchete da Folha, porém, afirma que são apenas 158 cidades privilegiadas e destaca, na matéria, os grandes centros urbanos que foram contemplados, como Fortaleza e Salvador.

O jornal sublinha que dos "10 municípios mais beneficiados, 7 têm prefeitos de partidos aliados ao Planalto." O governo, dessa forma, estaria jogando a favor dos aliados.

Mesmo admitindo que a maior parte dos recursos vai para cidades governadas pela oposição, como São Paulo e Rio de Janeiro, cujos prefeitos são do oposicionista DEM, o jornal diz que são cidades que têm importância "nas estratégias de votos das eleições de 2010."

A Folha afirma que o governo "driblou" a legislação eleitoral, que proíbe "repasses de recursos federais para obras novas [grifo meu] nos três meses que antecedem a escolha dos prefeitos".

Note que a própria Folha afirma que legislação proíbe repasses para obras novas.

Mais abaixo, o jornal cai em contradição ao dizer que as obras listadas como prioritárias pelo Governo Federal já estavam contratadas:

"O Ministério das Cidades listou 158 municípios com obras contratadas [grifo meu] de habitação, de urbanização de favelas, de abastecimento de água e de esgotamento sanitário."

Afinal, se as obras já estavam contratadas, como admite o jornal, cadê o problema?

A quem interessa essa tentativa de impedir a realização dessas obras, essenciais para milhões de pessoas, associando-as apenas à disputa eleitoral?

O novo factóide

Veja fabrica dossiê e diz que foi governo quem o fez

Do Portal "Vermelho"

A revista Veja soltou em sua edição deste final de semana mais uma de suas "criativas" reportagens, que trazem documentos obtidos de fonte não revelada e que a revista diz, sem apresentar uma mísera prova, ter sido o governo quem preparou. Com a "denúncia" a revista tenta alcançar três objetivos: transformar a corrupção do governo FHC em mera chantagem petista; forçar a CPI dos Cartões a entregar para a imprensa os dados sigilosos da Presidência da República e desgastar a imagem da ministra Dilma Roussef, da Casa Civil.

A revista, famosa por inventar reportagens inverídicas e trabalhar com documentos de origem duvidosa, alega que teve acesso a um suposto dossiê que teria sido preparado pelo governo para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. O suposto dossiê traz informações sobre os gastos com suprimento de fundos durante o governo Fernando Henrique. Cita gastos com caviar, champagne, viagens e outras futilidades que são citadas apenas para escamotear o real objetivo da reportagem: acusar o governo Lula de chantagista.

Como costuma fazer quando o assunto é delicado e pode comprometer a revista, já que as "acusações" carecem de qualquer tipo de prova, a Veja deu apenas uma singela chamada no topo da capa para a reportagem. A capa mesmo foi dedicada a outro assunto --o desmatamento da Amazônia-- que a revista menospreza mas resolveu tratar para defender os interesses empresariais que rondam a floresta.

Já sobre o suposto dossiê, a revista diz com todas as letras que o documento ao qual teve acesso foi "construído dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia de intimidação". Mas não apresenta nenhuma mísera prova ou indício para sustentar estas afirmações.

A revista também mente ao dizer que foi esta suposta intimidação que permitiu a divisão de cargos na CPI, com o PT ficando com a relatoria e o PSDB com a presidência. Além de não ter lógica ---afinal para que o governo cederia um posto à oposição se tinha informações para atacá-la durante a CPI? --- a hipóstese de Veja também esbarra num elemento que no jornalismo sério é fundamental, mas na Veja faz tempo que não é levado em conta: o fato. E o fato concreto é que a negociação dos postos na CPI dos Cartões foi amplamente discutida no Congresso e só permitiu que o PSDB ocupasse a presidência da comissão graças à atuação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

A maior parte das informações "reveladas" por Veja sobre os gastos da gestão FHC já foram divulgadas em outros veículos de comunicação nas últimas semanas. O suposto dossiê pode, portanto, ter sido uma invenção da própria revista com dados colhidos na imprensa, no Portal da Transparência e até mesmo com funcionários do governo que tiveram acesso a estas informações. A Veja sabe, de experiência própria, que informações podem ser compradas. O dossiê, se é que existe, pode ainda ser obra de pessoas interessadas em desgastar o governo.

Infelizmente, a revista usa a legislação que protege suas fontes para esconder quem "vazou" as tais informações que a Veja alega ser um dossiê preparado pelo governo. Esta informação poderia ajudar o Ministério Público a descobrir se houve realmente intenção de chantagear a oposição.

Os dados não batem

Em nota, a Casa Civil disse hoje que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".

O sistema foi criado por orientação do TCU (Tribunal de Contas da União) para que fossem estabelecidos mecanismos que dessem maior transparência ao acompanhamento dos gastos.
O Suprim começou a ser alimentado em 2005. O processo de alimentação retroagiu para 2004 e 2003 e agora estariam sendo digitalizados os documentos dos três anos citados na reportagem da Veja.


A Casa Civil também contesta os valores de gastos apresentados pela revista: "Nos três anos referidos pela matéria, o gasto médio anual em suprimento de fundos da Presidência da República não ultrapassa a R$ 3,6 milhões de reais em valores nominais."

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