quinta-feira, 17 de abril de 2008

Caça às bruxas

A mídia reacionária intensificou agora em abril os ataques aos movimentos sociais na tentativa de criminalizar a luta dos pequenos e passar uma imagem manipulada destes para a sociedade.

O principal alvo da ira da mídia conservadora é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A Globo disse que militantes do MST fizeram um protesto na quarta-feira da semana passada (dia 9) e ameaçaram interditar a Estrada de Ferro Carajás. Os manifestantes, na verdade, eram do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração (MTM).


Em nota, o MST disse que "o
fechamento da portaria que dá acesso à mina do grande projeto de exploração de ferro Carajás foi realizado por operários da Vale e das empresas terceirizadas prestadoras de serviço, que cobram melhores condições de trabalho da maior empresa privada da América Latina".

"
A Vale atribuiu ao MST esses protestos para esconder da sociedade que diversos setores populares fazem manifestações contra a diretoria da mineradora e pela reestatização da empresa, que trabalha com recursos naturais que pertencem ao povo brasileiro", diz outro trecho da nota.

A Vale contou com a colaboração da Globo pra ocultar os protestos dos seus funcionários e atribuí-los ao MST.

Mesmo quando a verdade veio à tona, a emissora achou um jeitinho de sair pela tangente e deu a seguinte 'notícia': "Para escapar da Justiça, militantes do MST vestiram camisas do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração".

Mas a perseguição não é exclusividade da Globo. A Folha de São Paulo também mira no MST. Na edição de hoje (quinta-feira, 17), o jornal chama a "Jornada Nacional de Lutas", deflagrada tradicionalmente pelo MST no mês de abril, de "abril vermelho".

O jornal perguntou ao ministro
do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, o que ele achava das ações dos movimentos sociais. Esperava ouvir dele uma condenação. Mas, como resposta, o ministro disse que os movimentos sociais "têm as suas agendas e cada um tem que se responsabilizar por suas atitudes" e que eles são essenciais para o "fortalecimento da democracia" no Brasil.

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