terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Novo Mínimo

Lula anuncia novo salário de R$ 465

Da Tribuna do Norte:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou aos dirigentes sindicais com os quais se reuniu ontem que o Executivo está propondo ao Congresso um salário mínimo de R$ 465,00 (ante R$ 415,00 vigentes hoje).

Leia mais aqui.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O ghost writer de Obama

Aos 27 anos, homem é co-autor de discursos de Obama

Do Portal Terra:

Um homem de 27 anos está por trás do discurso mais aguardado desta terça-feira. O escritor Jon Favreau foi o co-autor do texto que será lido por Barack Obama durante a cerimônia de posse como presidente americano, informou o The Guardian.

Para um político reconhecido pelo talento como orador, Obama também encontra facilidades para escrever os próprios discursos. Porém, o texto da posse é um desafio como nenhum outro já enfrentado pelo democrata como escritor.

O tom do discurso de posse pode ser decisivo para um presidente que terá de buscar saídas para a crise economica global e alternativas para pôr fim aos conflitos no Iraque e Afeganistão. O poder de motivação do povo americano é fundamental para que o ex-senador ganhe força política.

Obama descobriu Favreau quase por acaso há quatro anos, quando o escritor trabalhava para a candidatura de John Kerry à presidência. Desde então, "Favs", como é chamado, estudou as características de Obama para que o texto ganhasse a melhor cadência possível.

Os frutos da parceria começaram a se tornar visíveis quando Obama fez um memorável discurso na convenção democrata de 2004, que o colocou no centro das atenções da política americana pela primeira vez.

Durante a campanha presidencial, o talento de Favreau foi colocado à prova diariamente, durante os 18 meses de inúmeros comícios em todo o país. O homem responsável por ajudar Obama a escrever os discursos mais aguardados dos últimos tempos costuma passar noites em claro graças ao cafezinho e bebidas energéticas. A única interrupção, segundo o jornal, é para passar algum tempo no vídeo game.

RN perde mais de 4 mil postos de trabalho em dezembro

Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged): em dezembro de 2008, o Rio Grande do Norte perdeu 4.403 postos de trabalho.

É o pior índice para o mês de dezembro desde 2004, quando o RN fechou com perda de 4.429 vagas.

No país, foram fechadas 654.946 vagas no mercado formal de trabalho no final de dezembro do ano passado.

Micarla, Lula e Obama

Como todos sabem, 2009 é o primeiro ano de uma nova era.

Em Natal, estamos sob o signo da borboleta.

No Brasil, Lula vai bem, obrigado - pra desespero do PIG.

No mundo, Obama representa o signo da esperança.

O que esperar desses novos tempos?

Primeiro, que Micarla de Sousa abandone o "gerundismo". Em toda entrevista, ela tasca um "vou estar analisando", "vou estar determinando", "vou estar observando"... E por aí vai. Dói nos ouvidos.

Se deixar o gerundismo, já "vai estar sendo" um bom começo... rsrsrs

De Lula, espero que seja menos condescendente e tenha coragem de enfrentar os que ainda querem derrubá-lo ou sabotá-lo.

De Obama, torço pra que a esperança não fique só nos slogans nem nos discursos, mas que as mudanças prometidas se tornem realidade.

Enfim, espero não ser traído novamente pela ingenuidade de acreditar que sim, nós podemos.

Galado

Descobri o livro "Verão Veraneio - Crônicas de uma cidade ensolarada", do natalense Carlos Fialho, há poucos dias - apesar da edição ser de 2004.

A leitura é divertidíssima.

"Galado" é a primeira crônica. É hilária.

Confiram:

Morar longe de Natal nos faz sentir saudades de muitas coisas. Saudades da família, das gatations, dos amigos( principalmente dos canalhas, patifes e vigaristas), das praias (Pirangi, Ponta Negra, Redinha, Pipa), da Ribeira, das cachaças e tudo mais. Porém, tem uma coisa da qual tenho saudades mais do que tudo. Tem um detalhezinho que nos faz uma falta imensa: falar galado.

Falar galado nos faz sentir mais natalenses. É como se redescobríssemos nossas raízes cada vez que dizemos tão nobre palavra do nosso vocabulário regional. Aliás, galado é só nossa. Um natalense que nunca falou galado não é digno de confiança. Não o chame para almoçar na sua casa e, em hipótese alguma, deixe este enganador sair com sua filha.

Os cariocas não falam galado. Isto é, em lugar nenhum do mundo além da grande Natal se fala galado. Se você sair daí e cumprimentar alguém com um singelo e bem intencionado “Digaí, galado”, invariavelmente ouvirá um “Como é que é rapá?” como resposta. Eles simplesmente não compreendem a beleza etimológica que define nossa identidade de natalenses.

Aliás, na entrada de Natal deveria haver uma placa com os dizeres “Bem-vindos, Galados”. Os grandes cidadãos natalenses receberiam a condecoração da “Ordem dos Galados” e os poetas potiguares escreveriam odes a este belo vocábulo.

Muito antes de toda esta celeuma em torno de remédios genéricos, nós já tínhamos inventado a primeira palavra genérica da língua portuguesa com conotações positivas e negativas, agradáveis e desagradáveis. Galado combina com tudo:

Para dar parabéns.

-Ei, hoje é meu aniversário.
-Parabéns, galado.

Para definir algo ruim.

-Como é que foi o jogo de society?
-Foi a pelada mais galada que eu já joguei.

Para denunciar um canalha.

-Aquele cara é legal?
-Não. Na verdade é um galado.

Ou o contrário.

-Aquele cara é legal?
-É. Ele é muito engraçado. É um galado.

Grandes teses seriam escritas por historiadores locais sobre a importância da palavra galado na construção da sociedade num contexto geopolítico do pós-guerra. Os lingüistas potiguares abordariam todas as variantes do termo e o impacto sobre o nosso vocabulário.

Galado é uma dessas palavras que nos dá prazer de falar. É quase indescritível. Só sabe quem já falou. Ah, como é bom falar galado! É uma palavra tão... tão... Sei lá, tipo, galada mesmo.

domingo, 18 de janeiro de 2009

De volta

É isso aí, estamos aqui outra vez. O recesso demorou mais que o previsto.

Mas a vida é assim mesmo, cheia de imprevisibilidades.

[Eu e minha vã filosofia...]

Parafraseando Renato Russo em "Metal contra as nuvens", esses foram dias de raios, relâmpagos e trovões.

Perdas, lágrimas, saudades... sinais que servem para relembrar como é tola nossa aspiração à imortalidade.

No prefácio de "Ecce Homo: de como a gente se torna o que a gente é" (L & M Pocket, 2003), Marcelo Bakes comenta como Nietzsche considerava ridícula essa nossa pretenção de não nos submetermos ao tempo:



O homem só se salva pela aceitação da finitude, pois assim se converte em dono do seu destino, se liberta do desespero para afirmar-se no gozo e na dor de existir.

Estaria Caetano Veloso se referindo a esse "gozo" e a essa "dor de existir" quando disse que "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"?

Desculpem as divagações, mas é que, nesse momento, minha mente não consegue se fixar em nada concreto.

Partilho essas impressões, inquietações e dúvidas por absoluta incapacidade de lidar com elas, na vã esperança de que, ao torná-las públicas, elas me deixem em paz.

Mas elas continuam aqui, como memorial da minha fraqueza.

Enquanto isso, o mundo gira, o redemoínho da vida segue veloz e o tempo não espera por ninguém.

Agora é bola pra frente.

sábado, 2 de agosto de 2008

Recesso

Aviso aos navegantes: este blogueiro ainda não foi abdusido. O blog tá de recesso e volta depois das eleições.

Abraços e até lá.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Lula sanciona o piso nacional de R$ 950 para os professores da rede pública

Da Folha Online:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira o projeto de lei que cria o piso nacional do magistério destinado aos professores da educação básica, no valor de R$ 950. Pela lei sancionada, o piso deve estar valendo em todo país até 2010. O valor passa a valer a partir de janeiro de 2009. Ao longo de pouco mais de um ano os governantes dos Estados e municípios deverão buscar alcançar o valor, que também será adotado para o pagamento dos benefícios dos aposentados.

terça-feira, 15 de julho de 2008

DELEGADO PROTÓGENES DEIXA CASO DANIEL DANTAS

Do Conversa Afiada:

. Até sexta-feira o Delegado Protógenes Queiroz deve ser afastado do Caso Dantas.

. O Governo Lula considera que ele se envolveu muito no Caso e sexta-feira concluirá a parte dele, que são as prisões.

. O Governo Lula estuda se os outros delegados que ajudaram Queiroz ficam ou não.

. Dantas venceu.

. O Governo Lula está cercado de Dantas por todos os lados.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Atualizando o drive da novela Daniel Dantas

Dois dias sem postar nada e muitos capítulos novos da novela Daniel Dantas vieram à tona.

A decisão do presidente do STF, Gilmar Mendes, que mandou soltar Daniel Dantas, continuou sendo criticada.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, em entrevista à Folha de São Paulo, domingo, disse que, com a liberdade, é possível que Daniel Dantas fuja do país.

Gilmar Mendes criticou Tarso Genro e disse que o ministro não tinha "competência" para opinar sobre o caso.

Em outro núcleo da trama, um grupo de 154 Procuradores da República prepara o pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes.

Tentando apaziguar os ânimos, Gilmar Mendes recuou e não vai mais pedir a investigação contra o juiz Fausto De Sanctis, o homem que mandou Daniel Dantas duas vezes para a cadeia.

No domingo ainda (13), o homem que é considerado o braço direito de Daniel Dantas, Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, se entregou à PF em São Paulo. Ele é acusado pela PF de tentar subornar policiais a fim de tirar o nome de Dantas das investigações da Operação Satiagraha.

Para muitos, é o "homem bomba" em pessoa.

Nesta segunda-feira, o Jornal Nacional divulgou gravações feitas pela PF mostrando dois emissários de Daniel Dantas, Hugo Chicaroni e Humberto Braz, tentando subornar o delegado Vitor Hugo para que retirasse das investigações da PF sobre crimes financeiros o nome do banqueiro, da irmã e do filho dele.

O núcleo da mídia também anda movimentado. A Veja assumiu a defesa de Daniel Dantas. Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi fazem o papel de francos atiradores, seguindo à risca aquela máxima segundo a qual a melhor defesa é o ataque. Partiram para cima de Luis Nassif.

Nassif, por sua vez, anunciou que vai à Justiça contra os seus detratores, ao mesmo tempo em que expôs em seu blog o motivo da raiva dos dois colunistas do panfleto da Abril:

"O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.

O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis". É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817."



Em outro post, Nassif afirmou que o jornalismo praticado pela Veja representa o "pior jornalismo que este país já conheceu em muitas décadas" e acusou Eurípedes Alcântara e Mário Sabino, diretores da revista, de promoverem um "saque sobre o ativo de imagem da revista".

Ricardo Noblat, quem diria, trouxe o assunto para o campo da política e relembrou da participação de Daniel Dantas nas privatizações do governo tucano de FHC.

Escreveu ele:

"Lembram de Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor da área internacional do Banco do Brasil no governo FHC e arrecadador de recursos para campanhas do PSDB? Ele saiu do banco depois de ter admitido em conversa grampeada pela Polícia Federal que agira no “limite da irresponsabilidade” durante o processo de privatização do sistema de telefonia do país.

O que governo menos desejava na época era a revelação de qualquer indício ou prova capaz de sugerir que Ricardo Sérgio fosse ligado ao presidente. Pois bem: em meados de 2002, um alto executivo do Oporttunity reuniu-se no Rio com um assessor de FHC. E lhe disse que tinha a gravação de uma conversa entre o presidente e Ricardo Sérgio. O assessor deu o recado a FHC. Que então perguntou: “Você ouviu a gravação?” Não, ele lera a transcrição da conversa.

Dali a alguns dias, FHC recebeu Dantas para um encontro a sós no Palácio do Alvorada. E atendeu ao seu pedido de não trocar o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)."

sábado, 12 de julho de 2008

Jornal da Bahia publica foto de ator global como se fosse do banqueiro Daniel Dantas


Do Comunique-se:

Uma reportagem sobre a operação Satiagraha saiu do âmbito jornalístico, se espalhou pela internet e foi parar em sites de humor. O Diário do Sul da Bahia, de Itabuna, publicou na edição da última quarta-feira (09/07), por engano, a foto do ator da Rede Globo Daniel Dantas como sendo o homônimo, dono do Banco Opportunity, preso pela Polícia Federal.

Segundo o editor do jornal, Valdenor Ferreira, o erro foi causado pela equipe de diagramação, que, ao buscar uma imagem do banqueiro na internet, encontrou a do ator e, publicou. Esta foto é a primeira que aparece na busca do Google. Os responsáveis não foram demitidos, mas foram repreendidos pelo fato.

“Nós editamos a matéria, mas o pessoal do design, na hora de captar a foto, cometeu o erro. O pior foi o dia seguinte. Tivemos que montar um plantão para atender os telefonemas dos leitores”, diz.

Na quinta-feira (10/07), o veículo publicou uma nota de esclarecimento, se desculpando com o ator. “Aproveitamos a oportunidade para pedir desculpas ao Daniel Dantas da Globo, um artista de honestidade incontestável e que muito tem contribuído, com seu talento, para o sucesso das telenovelas brasileiras”.

O editorial publicado nesta sexta-feira (11/07) também trata do assunto, falando sobre a repercussão que o erro teve na imprensa. “Os 15 minutos de fama não foram fruto de um furo jornalístico, daqueles com que toda a imprensa nanica sonha para, ainda que momentaneamente, romper a intransponível barreira que a separa da grande mídia. (...) Ô glória inglória!”, diz o editorial, escrito com muito humor. Rir para não chorar.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O vendaval Dantas

Absolutamente impressionante o relato de Bob Fernandes na Terra Magazine.

Bob narra a conversa travada entre Daniel Dantas e o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiróz, coordenador da Operação Satiagraha, numa sala da Superintendência da PF em São Paulo, na noite de quinta-feira (10):

Daniel Dantas parece exausto, rendido, mas não deixou de ser quem é. Obcecado por tudo que foca e toca, brilhante, genial, dizem mesmo os mais empedernidos adversários.

O tempo, pouco tempo, dirá o quanto há de cálculo, quanto há de desabafo no que começa a despejar sobre o delegado Protógenes Queiróz. Primeiro, a senha:

- Eu vou contar tudo! Vou detonar!


O diálogo prossegue e Daniel Dantas dispara:

-...vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004...

- Um milhão e meio? À época da operação Chacal, o caso Kroll...?

Prossegue a torrente de Daniel:

- ...tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso... tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa... (Leia mais aqui)


Não se sabe se Dantas vai cumprir a promessa e contar "tudo" mesmo. Mas nesse breve "desabafo", ele já revelou muita coisa.

Ficou bem nítido agora o porquê da gritaria dos (de) formadores de opinião da grande mídia contra a Operação Satiagraha.

Reinaldo Azevedo e Miriam Leitão que o digam...

A novela de Dantas

Em 48h, Daniel Dantas foi preso, solto, preso novamente e solto mais uma vez.

O dono do Opportunity havia sido preso na terça-feira (8), durante a Operação Satiagraha da Polícia Federal.

Na madrugada de quarta-feira (9), Daniel Dantas deixou a prisão depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acatou o pedido de liberdade feito pelos advogados do banqueiro.

Cerca de 10h depois de deixar a carceragem da Polícia Federal em São Paulo, Daniel Dantas volta para a cadeia por determinação do juiz Fausto De Sanctis da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo a pedido da PF e do Ministério Público Federal.

Para decretar a prisão preventiva do banqueiro, o juiz se baseou em documentos encontrados na casa de Daniel Dantas na terça-feira e no depoimento de Hugo Chicaroni - preso durante a operação pela tentativa de suborno, a mando do dono do Opportunity, ao delegado federal Vitor Hugo.

Gilmar Mendes entra em cena novamente e manda soltar Daniel Dantas pela segunda vez. Às 20h20, Daniel Dantas já está livre de novo.

O ministro não gostou de ter sido desmoralizado pelo juiz De Sanctis, que mandou Dantas de volta à cadeia.

"(A decisão de De Sanctis) revela nítida via oblíqua de desrespeitar a decisão deste Supremo Tribunal Federal anteriormente expedida", justificou Mendes no novo habeas corpus concedido ao banqueiro.

A decisão do presidente do STF recebeu uma avalanche de críticas. Mais de 130 juízes federais assinaram um manifesto protestando contra a decisão do ministro. Quarenta e dois procuradores da República também lamentaram, em uma carta aberta divulgada nesta sexta-feira, o novo habeas corpus concedido por Gilmar Mendes em favor de Daniel Dantas (leia mais aqui e aqui).

Em entrevista à Terra Magazine, o juiz aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Wálter Maierovitch, disse que Gilmar Mendes estava "extrapolando suas funções".

Maierovitch foi mais além e defendeu o impeachment do presidente do STF:

- Para o presidente da Republicas tem impeachment, o ministro Celso Mello considera que pode haver impeachment para ministros do próprio Supremo. Está na hora de se pensar num impeachment do Gilmar Mendes. (Leia a entrevista completa aqui)

Em seu Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim comentou:

"Daniel Dantas conseguiu, de novo, demonstrar o que já se sabia: no Supremo do Supremo Presidente Gilmar Mendes, quem manda é ele, Dantas. Dantas desmoralizou a Justiça brasileira, pela mão de Mendes." (Leia o comentário completo aqui)

O grampo no STF

Em meio a tudo isso, surgiram denúncias de que o gabinete do presidente do STF estaria sendo monitorado pela Polícia Federal a pedido do juiz De Sanctis. A desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, foi quem informou o ministro Gilmar Mendes sobre o suposto grampo.

Segundo a Folha Online, uma varredura realizada nesta sexta-feira no gabinete e nas salas anexas do presidente do STF não encontrou indícios de escutas telefônicas ou ambientais no local. A varredura foi realizada por técnicos do tribunal a mando da administração do STF.

O juiz Fausto De Sanctis divulgou uma nota negando ter mandado monitorar o presidente do STF:

Em face da notícia veiculada nesta data sobre suposto monitoramento pela Polícia Federal do gabinete do Ministro Gilmar Mendes:

Este magistrado federal, atuando na 6ª Vara Federal Criminal desde 17.10.1991, sempre acatou as determinações advindas das instâncias superiores como, aliás, era de se esperar.

O respeito à Constituição e as normas dela decorrentes implica em bem dimensionar o limite jurisdicional de atuação e, evidentemente, em hipótese alguma, poder-se-ia vislumbrar ingerência em esfera alheia de atribuição.

O respeito também se dá em relação aos ocupantes de cargos públicos, sejam eles do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário.

A atuação deste magistrado pauta-se na sua convicção, sem qualquer ingerência ou influência, tendo consciência da importância e do alcance dos atos jurisdicionais que profere em nome da Justiça Federal.

A convicção de um juiz criminal afigura-se fruto de toda uma experiência profissional e ela se dá de forma a atender as expectativas da sociedade em ter, em seu magistrado, a segurança de uma decisão ou de um julgamento legítimo e imparcial, dirigido a qualquer pessoa objeto de investigação ou processo criminal, dentro da estrita legalidade. Não pode ser admitida no funcionamento da Justiça Criminal distinção de tratamento. Diferença física, psíquica ou econômica ensejaria violação do preceito da igualdade já que a todos cabe a sujeição à legislação penal, expressão de um povo, respeitando-se a atividade regular do Estado.

Este magistrado tem consciência de que, como funcionário público, serve ao povo, verdadeiro legislador e juiz, e para corresponder à sua confiança não abre mão dos deveres inerentes ao cargo que ocupa, sempre respeitando os sistemas constitucional e legal.

Jamais foi proferida decisão emanada deste juízo autorizando o monitoramento de pessoas com prerrogativa de foro, como veiculado na matéria jornalística. Convocada, nesta data, a autoridade policial Protógenes Queiroz, esta afirmou perante este magistrado não ser verdadeira a afirmação de ter monitorado a presidência do S.T.F., sendo que todos os dados trazidos ao juízo, originam-se apenas de monitoramento (telemático e telefônico) dos investigados, com a devida autorização judicial.

Desde que identificado qualquer desvio de conduta por parte da Polícia Federal, certamente este magistrado adotará medidas competentes.

A informação veiculada, totalmente inverídica, somente serviu para, mais uma vez, tentar desqualificar as ações da Justiça Federal, notadamente, deste magistrado, que tenta cumprir sua função pública de maneira equilibrada, ponderada e pautada pelos princípios norteadores do legítimo Estado de Direito.

A atuação jurisdicional conforme a Constituição Federal não pode, s.m.j., levar à responsabilização de um magistrado que, tecnicamente, sem ofensa a qualquer Corte de Justiça, decida questões que, por livre distribuição, sejam submetidas à sua apreciação.

Fausto Martin De Sanctis Juiz Federal

Titular da 6ª Vara Federal Criminal especializada em crimes financeiros e em lavagem de valores.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O teatrinho de Reinaldo Azevedo

É incrível como Reinaldo Azevedo, o blogueiro da Veja, consegue se superar em matéria de cinismo. Não tenho conhecimento de alguém mais reacionário que esse moço de chapéu. Desesperado com a prisão de Daniel Dantas, com quem o panfleto da Editora Abril se acoloiou, o rapaz deixou de vez a máscara cair e se revelou como verdadeiramente é: um moralista fajuto e um hipócrita de primeira classe.

"Tio Rei", como adora ser chamado o chapeleiro maluco, chamou a Operação Satiagraha de "teatro do absurdo":

"O teatro do absurdo está aí, diante de todos. Porque Dantas, Pitta e Nahas são quem são, querem aproveitar a sua péssima reputação para avançar sobre direitos coletivos. Sob o pretexto de fazer justiça com “ricos impunes”, começa-se a achar razoável avançar nos direitos constitucionais", escreveu.

Em seguida ele faz média - melhor, faz teatrinho -, dizendo que não endossa "os crimes de que Dantas, Nahas e Pitta são acusados", mas apenas, como ilustre guardião da democracia, se preocupa com o "processo de DESINSTITUCIONALIZAÇÃO do país".

Vou dormir em paz sabendo que Reinaldo Azevedo está zelando pela democracia brasileira.

Dantas está solto

Durou pouco a prisão do banqueiro Daniel Dantas. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, não permitiu que ele dormisse mais alguns dias na cadeia. Às 23h30 desta quarta-feira (9), o magistrado concedeu o habeas corpus impetrado pelos advogados do dono do banco Opportunity. Às 5h30 desta quinta-feira (10), Daniel Dantas, sua irmã e parceira de negócios Verônica Dantas e outras nove pessoas deixaram a carceragem da Polícia Federal em São Paulo.

Dantas e sua organização criminosa são investigados pela Operação Satiagraha da PF, sob a acusação das práticas de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

A prisão preventiva do banqueiro foi decretada porque ele tentou subornar um delegado da PF para excluí-lo das investigações da Operação Satiagraha. Segundo relato do delegado, emissários de Dantas, responsáveis por negociar o suborno, afirmaram que o banqueiro "só temia a Justiça de primeira instância, já que no STJ e no STF ele contava com facilidades".

O ministro Gilmar Mendes mostrou que Dantas estava certo em não temer o STF. Para mandar soltar o banqueiro, Mendes alegou:

"Ainda que tais fundamentos fossem suficientes, o tempo decorrido desde a deflagração da operação policial indica a desnecessidade da manutenção da custódia temporária para garantir a preservação dos elementos probatórios."

Enquanto isso, na Sala de Justiça...

Os superamigos da grande mídia, indignados com a prisão do figurão orelhudo, continuam em defesa de tão proba figura e disparam petardos contra a forma "espetaculosa" como agiu a Polícia Federal.

Supremo descalabro algemar Dantas, Pitta e Najas!!!

Em Brasília, os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Heráclito Fortes (DEM-PI), como o cão das lágrimas de Ensaio Sobre a Cegueira, também lastimaram "a postura da Polícia Federal".

Miriam Leitão, que, como disse Paulo Henrique Amorim, nunca tinha falado de Daniel Dantas, descobriu de repente que o banqueiro existe.

A tática adotada pela grande mídia e seus (de) formadores de opinião é dizer que a origem da Operação Satiagraha é o caso do 'mensalão'. Assim, pretendem esconder o papel de Daniel Dantas como chefão das privatizações do governo tucano de FHC.

Leia um trecho do comentário de Paulo Henrique Amorim sobre o porquê da mídia insistir em atribuir a origem da Operação Satiagraha ao 'mensalão':

. Por que a Miriam e o PiG querem que a origem de tudo seja o mensalão ?

. Miriam, é o contrário: Dantas é que é a origem do mensalão.

. A Miriam quer esconder a origem de Dantas: o Farol de Alexandria.

. Agora, Osmar Serraglio, o relator, e Delcídio Amaral, o presidente da CPI do mensalão, se entronizam no pantheon dos heróis da pátria.

. Na CPI, fugiram de Dantas.

. Acobertaram Dantas e se esqueceram de incluí-lo na lista dos indiciados.

. Foi a senadora Ideli Salvatti que, DEPOIS de concluído o relatório, e de forma irregular, botou o nome do Dantas lá.

. A origem da investigação é outra.

. É o disco rígido que a Polícia Federal apreendeu na sede do Banco Opportunity (*).

. A então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Grace, não deixou a Polícia Federal nem a CPI ter acesso ao disco rígido.

. Com um argumento bizarro: não havia prova de que Daniel Dantas era o Daniel Dantas do Opportunity.

Leia mais no site do Conversa Afiada.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A luta interna na PF

Leia a seguir a excelente reportagem de Bob Fernandes na Terra Magazine, contando a luta interna dentro da própria Polícia Federal para prender Daniel Dantas e como os (de)formadores de opinião da grande mídia saíram em defesa do banqueiro:

Os intestinos do Brasil.

A Polícia Federal trabalhou duramente para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal não queria, de forma alguma, que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas não fosse preso.

A Polícia Federal trabalhou contra a Polícia Federal.

Esse é mais um capítulo do mergulho nos intestinos do Brasil. Estão presos o banqueiro do Opportunity, o megaespeculador Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e outros 17 dos 21 que tiveram a prisão decretada. É quarta-feira, 9 de julho.

Nas telas, ondas, bits e páginas, a futebolização de sempre: aplausos entusiasmados, críticas ferozes à ação da polícia. O que ainda não chegou à tona é a verdadeira história dessa gigantesca ação policial, da encarniçada batalha que se travou nos setores de Inteligência, na Polícia.

O que se narra aqui são cenas, é o contorno dessa batalha, mas antes é preciso lembrar que este é apenas mais um capítulo.

Crucial, decisivo para que se entenda o todo, o que se movia, se move - e se moverá -, mas apenas mais um capítulo no enredo da maior disputa da história do capitalismo brasileiro, disputa essa que carrega em si o esteio, a sustentação do poder. Do Grande Poder.

O delegado Protógenes Queiroz comandou as investigações no último ano. Antes dele, ao tentar seguir a pista da organização comandada por Dantas, outros delegados fraquejaram. Ou desistiram, ou...

Protógenes foi conduzido ao comando da investigação sigilosa pelo então diretor geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, hoje chefe da Agência Brasileira de Inteligência, Abin. Paulo Lacerda queria e autorizou a operação até deixar a direção da PF.

Um dia, convidado pelo presidente Lula, Lacerda foi para a Abin. Em seu lugar assumiu Luiz Fernando Corrêa, que chefiava a Força Nacional de Segurança Pública. Luiz assumiu com fama de amigo de José Dirceu.

Se era ou se não era, se suas relações vinham apenas da proximidade no trabalho de segurança da PF ao candidato Lula em eleição anterior, é uma outra questão, mas o fato é que Luiz Fernando chegou ao cargo com essa fama: amigo de José Dirceu.

Logo ao assumir, o diretor da PF quis mais informações sobre que investigação seria aquela relativa aos negócios e métodos de Daniel Dantas. Normal. Parte das suas atribuições de comando.

O delegado Protógenes, por seu lado, ofereceu explicações genéricas, mas guardou o que era secreto, segredo de justiça.

Normal. Manhas de um tira brilhante, esperto, do policial que prendeu Paulo Maluf, o contrabandista Law Kin Chong, que pôs na marca do pênalti o Corinthians da MSI, Kia Joorabichian e Dualib, que investiga para a FIFA as lavanderias do futebol mundo afora.

Normal, em meio aos rumores sobre vazamentos na investigação e, pior, propinas. Subornos em favor de Dantas.

Na diretoria de Inteligência, um aliado do diretor geral na busca de informações amplas sobre o núcleo das investigações: o delegado Daniel Lorenz.

Protógenes Queiróz é duro na queda. Primeiros embates, e a operação Satiagraha perde estrutura. O comando esvazia parte da logística; retira agentes e peritos, encolhe a sala, asfixia as investigações....o corriqueiro nos jogos de guerra.

O jogo é maior, muito maior. As pedras se movem. Ao diretor da Polícia Federal chega o recado. Suave, mas direto: as investigações devem prosseguir.

Fim do ano. Mídia afora, o festival de plantações, versões. A batalha, que é política, comercial, policial, segue seu leito também nas telas, ondas, bits e páginas. Véspera do Natal. Estranhíssima entrevista do diretor geral.

Luiz Fernando Corrêa escolhe o encarte semanal "Brasília" do jornal mineiro Hoje em Dia para mandar um recado em forma de entrevista. Manchete:

-Cada geração tem um papel a cumprir. Cumpriu, sai fora!

Até o vidro fumê do edifício sede da PF em Brasília captou a mensagem e os destinatários: Paulo Lacerda e antigos delegados que comandaram a Polícia durante 4 anos e 8 meses do governo Lula.

Para não haver dúvidas, a capa do tablóide berrou:

-PF dividida.

Véspera do Natal, peru, nozes, vinhos, poucos civis devem ter lido. Mas a polícia inteira leu. Comentou, discutiu. E mesmo o mais desatento agente sacou que a barca do delegado Protógenes Queiroz, fosse qual fosse, não era uma boa aos olhos da direção.

Parênteses. Daniel Dantas e os seus comemoravam, vibravam a cada boa notícia. Sim, o que não faltou nesse enredo foi notícia. Capas e capas.

O carnaval se foi. E um fato: a repórter quer falar com o delegado Queiroz. Quer informações sobre uma investigação que envolveria Daniel Dantas e o Opportunity. Apreensão, no início de abril - e isso são fatos. Objetivos. Conhecidos desde então: a repórter vai publicar o que tem se não for recebida.

A situação se agrava. Por ordem do comando, o delegado Protógenes Queiroz perde quase toda a logística. Fato registrado, inclusive, em imagens: a sala sendo esvaziada, a tralha tecnológica removida.

Queiroz começa a fingir que a operação faz água. Cede, aceita conversar com a repórter; Andréa Michael, da Folha de S.Paulo. Mas faz uma exigência aos superiores: quer a presença do diretor geral, Luiz Fernando Corrêa, e de Lorenz, o diretor de Inteligência.

Corrêa não vai, manda alguém da comunicação social. Lorenz, presente. Na conversa, o delegado Queiroz contorna, tergiversa, despista, e guarda tudo o que disse e o que não disse.

Sábado, 26 de Abril. Anunciado o acordo das teles, vem aí a BrOi. No caderno "Dinheiro", da Folha, em quase meia página a repórter Andréa Michael relata os contornos de uma operação a caminho, destinada a prender Daniel Dantas.

Domingo, 27 de Abril. A operação está morta. Protógenes Queiroz faz dois movimentos. Primeiro, na véspera, a ligação para Lorenz, que está no Chile. Cobra a conta da conversa com a repórter, quando apenas despistou. Este diálogo, de parte a parte, não é bom.

Segundo movimento: Queiroz, para efeito externo, dá a operação como morta. Para efeito interno, os fatos incendeiam agentes, peritos e delegados envolvidos numa operação cada vez mais secreta.

Segue a semana. Queiroz é comunicado. Não há, não haverá mais logística alguma. Caso encerrado. Caso que o diretor geral e o diretor de Inteligência seguem a desconhecer em sua essência e mesmo os contornos.

O delegado está solto no espaço.

Uma outra rede conecta-se, subterrânea, solidária. O outro lado da polícia trabalha, secretamente, pela Satiagraha, a "firmeza na verdade" de Gandhi.

Notas em colunas, sites. Chutes, bravatas, cascatas, desinformação. A operação é adiada. Uma, duas, três vezes.

O delegado Protógenes Queiroz é monitorado, vigiado. Pela Polícia Federal. E sua equipe contra-ataca: vigia, monitora, flagra e registra, os movimentos dos monitoradores da própria PF.

Daniel Dantas e os seus estão tensos. Em dúvida: acabou, ou não acabou? Na dúvida, encaminham ao Supremo Tribunal Federal um pedido de habeas corpus preventivo, para Dantas e a irmã, Verônica.

Daniel Dantas morde a isca. Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e o amigo Hugo Chicaroni são os intermediários. A oferta é feita ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves.

Na churrascaria El Tranvia, bairro de Santa Cecília, São Paulo, o ensaio para o acordo final: US$ 1 milhão.

Como sinal, duas parcelas, uma de 50 e outra de 80. Pagamento futuro em duas de US$ 500 mil. Encontros e acordos fechados em 18 e 26 de junho. Para livrar a cara dos Dantas.

Há algo no ar. Frases soltas.

Gilmar Mendes é o presidente do STF. No meio da semana, pós-São João, desponta nas telas, um tempão nos telejornais, nas manchetes do dia seguinte. Refere-se a informações vazadas por policiais, uma "coisa de gângsters", e ao "terrorismo lamentável".

A fala ecoa. Cada um entende como quer. Críticas gerais às interceptações telefônicas (mesmo às autorizadas judicialmente).

Julho chegou. Fim de semana. Notas, boatos... Daniel Dantas está em Nova Iorque... Daniel Dantas aguarda o habeas corpus para voltar ao Brasil...

Sete de Julho. O delegado geral, Luiz Fernando Corrêa, que até a véspera nada sabia sobre a verdadeira extensão de Satiagraha, quer agora saber de tudo. De tudo, não saberá. Extrema tensão. Como há um mês, no Rio de Janeiro.

Agentes da equipe de Queiroz seguiam gente dos Dantas, pelas ruas do Rio. A polícia foi chamada, quase um confronto até o esclarecimento "somos da PF" e o despiste numa operação banal qualquer. Mas a queixa subiu.

Chegou ao diretor geral da PF, a Heráclito Fortes (DEM-PI) no senado e ao advogado geral da União, José Antonio Toffoli, adentrou o Supremo Tribunal.

Seis da manhã, 8 de julho. Avenida Viera Souto, Ipanema, Rio de Janeiro. Daniel Dantas está preso.

Furacão na mídia, por todo o dia. À noite nos telejornais e no dia seguinte, este 9 de julho, a repercussão.

Gilmar Mendes, o presidente do STF, ataca a "espetacularização das prisões, incompatível com o Estado de Direito", critica duramente o pedido de prisão, negado, contra a repórter da Folha de S. Paulo:

-...isso faz inveja ao regime soviético...

Frases soltas no ar.

Miriam Leitão, a comentarista econômica, também está no ar. Na rádio CBN, Miriam conversa com Carlos Alberto Sardenberg.

Meio dia e quarenta. Miriam diz não ter entendido direito porque Daniel Dantas foi preso. Afinal, constata, as acusações são inconsistentes, "coisas do passado", e é preciso que a Polícia Federal explique melhor por que fez essa operação "com tamanho estardalhaço..."

Miriam se vai. Sardenberg chama os comerciais, não percebe que o microfone está aberto, e deixa escapar:

-...ela tá esquisita, não?

Frases soltas no ar.

Daniel Dantas está preso. Esse, o policial, é mais um capítulo da operação que chegou aos intestinos do Brasil.

O chefão das privatizações

Esqueça o que a grande mídia diz sobre a Operação Satiagraha. Leia o artigo do jornalista Altamiro Borges no portal Vermelho, que conta como Daniel Dantas começou sua trajetória na Bahia, sob as bençãos de ACM, até se tornar o chefão das privatizações no governo FHC.

Mídia insiste em ligar Operação Satiagraha ao 'mensalão'

A mídia tem insistido na tese de que a Operação Satiagraha é um desdobramento do "escândalo do mensalão". Essa foi a linha do Jornal Nacional de ontem e do Bom Dia Brasil de hoje - ambos da TV Globo.

O que nem o Jornal Nacional nem o Bom Dia Brasil disseram é que o cerne da investigação da Polícia Federal não é o 'mensalão' coisa nenhuma, mas sim a participação de Daniel Dantas no processo de privatizações do governo FHC.

Sobre isso, Bob Fernandes escreve na Terra Magazine:


Entenda-se, uma vez que, na praça, desinformados e desinformadas de vários matizes já excitam-se com "a volta do mensalão".

Não, não é uma investigação que esbarra em maracutaias do "mensalão". É uma devassa que chega a bem antes. E chegará a bem depois. Algo muito maior, muito mais profundo e poderoso do que o mensalão. Que viceja, brota gloriosamente em meio à privatização do sistema Telebras, embora pensado antes ainda. Algo que mira também o presente e o futuro.

Não, não é coisa de pés-rapados, adoradores de penosas, de pobres-diabos que no guichê do Banco Rural - do Brasília Shopping - recebem o "por fora", modalidade esta inédita na história de crimes financeiros. É coisa de uns 2 bilhões. De dólares. É coisa de quem montou, geriu, operou, opera o Sistema.

Miriam Leitão, com cara de choro, criticou "a forma" da operação, "no mesmo estilo-espetáculo e com excessos, como entrada em instituições financeiras com armamento pesado, como se fossem enfrentar bandidos armados."

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), também lamentou a prisão de Daniel Dantas e foi na mesma linha de Miriam Leitão ao criticar a "espetacularização" das operações da Polícia Federal.

Nunca vi nenhum deles criticar ou reclamar da forma como os policiais invadem as casas de pessoas pobres nas favelas. Mas quando se trata de prender figurões como Daniel Dantas, a chiadeira é geral.

Reinaldo Azevedo, o blogueiro da Veja, também saiu em defesa do banqueiro dono do Opportunity. Mas desse aí a gente não podia esperar outra coisa mesmo.

Para entender a organização criminosa de Daniel Dantas e do especulador Naji Nahas, clique aqui.

Para ler mais sobre o "inferno de Dantas" e entender as operações do Opportunity Fund, clique aqui.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Veja tenta relacionar prisão de Daniel Dantas ao mensalão

Foi só estourar a Operação Satiagraha da PF, com as prisões de Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas, entre outros, para a Veja dar um jeito de distorcer os fatos.

Na página on line, a revista resgata uma coluna de Diogo Mainardi de junho/2006, na qual o menino prodígio da Veja afirma que Dantas era o financiador do mensalão e que Lula sabia de tudo. Segundo Mainardi, Lula, que antes queria a todo custo demovê-lo do controle da Brasil telecom, havia feito um acordo com Dantas em troca de dinheiro para financiar a compra de deputados em Brasília.

Com isso, a Veja tenta relacionar as prisões de agora com o caso do mensalão. Mas aí, assim de imediato, surge logo a primeira contradição: se havia um acordo entre Lula e Dantas, como é que o banqueiro foi apanhado pela investigação da PF?

Nem Ricardo Noblat, blogueiro da Globo, caiu nessa lorota. Em seu blog, ele afirma que a Operação Satiagraha não tem nada a ver com o mensalão.

Leia o comentário:

Estão misturando por aí o escândalo do mensalão, o pagamento de propinas a deputados para que em 2005 votassem na Câmara como mandava o governo, com a operação que resultou, hoje, na prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Oportunitty, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, entre outros.

O que havia sido apurado antes sobre o mensalão está na origem da investigação da Polícia Federal que mandou Dantas, Nahas e Pitta para a cadeia. Mas é só. A operação de hoje nada tem a ver com o mensalão, nada avançou em relação a ele, até porque esse não era seu objetivo. Portanto, falando em termos de governo, o anterior , de FHC, é que tem razão para se preocupar.

"O inferno de Dantas"

Por Bob Fernandes e Samuel Possebon para a Terra Magazine:

Para se tentar entender quem é Daniel Dantas, preso hoje junto com Verônica Dantas, Dório Ferman, Carlos Rodenburg, Naji Nahas, Celso Pitta e outras duas dezenas de menos ilustres, é preciso antes entender seu fortim e sua obra principal: o grupo Opportunity.

Em tempo: "Sua" obra principal, o Opportunity, mas sem que se deixe de levar em conta a suspeita do delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal: Daniel Dantas et caterva soam, por vezes, não serem os "donos", ou, os únicos donos do megaconglomerado.

O Opportunity brota de um clã familiar. A hidra tem como principais cabeças visíveis, Daniel Dantas e, degraus abaixo, sua irmã Verônica Dantas. Dório Ferman, por sua vez, é o presidente do Banco Opportunity, instituição financeira comandada por Dantas.

Daniel Dantas é um personagem que age nas sombras. Poucos são os documentos que contam com a assinatura do banqueiro e, constatou a PF na investigação, de tudo ele fez e faz para não deixar rastros mesmo na miríade de estruturas - ao menos 151 detectadas - ligadas ao enorme polvo.

Nas inúmeras empresas ligadas a seu grupo, ele raramente é o responsável legal. Busque-se pelo nome de Daniel Valente Dantas junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cartórios ou juntas comerciais, e quase nada aparecerá. E tanto anota também o delegado Queiroz.

Nas disputas empresariais que travou, Dantas assinou não mais do que três ou quatro contratos. Sempre há prepostos, anteparos cuidadosamente selecionados para escamotear o chefe de fato. No mundo financeiro (fundos, corretoras, bancos etc), Dório Ferman é o homem. No exterior, Verônica Dantas é o anteparo usual.

Trata-se de um grupo empresarial - ou de uma quadrilha, uma organização criminosa, como aposta a Polícia Federal - muito mais complexo do que parece.

Daniel Dantas, que hoje foi para a cadeia, participa da vida política e econômica do País desde o governo Collor. Mas seu papel como protagonista cresceu e se impôs no governo Fernando Henrique Cardoso, especialmente na montagem e no miolo do processo de privatizações.
Dantas é um dos personagens centrais na "mais feroz e encarniçada batalha da história do capitalismo brasileiro."


Batalha tão encarniçada que não deixará de incluir, como se verá em capítulos vindouros, também a jornalistas e publicações.


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