quinta-feira, 26 de junho de 2008

Quem matou os jovens da Providência?




Na semana passada, o episódio do assassinato de três rapazes do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, trouxe à tona a discussão sobre a atuação do Exército na Segurança Pública.


Os três jovens foram presos e entregues pelo tenente Vinícius Ghidetti, 25 anos, para serem torturados e mortos pela gangue Amigos dos Amigos - facção rival do Comando Vermelho, que domina a Providência. David, Marcos e Wellington, os rapazes assassinados, tinham, respectivamente, 17, 19 e 24 anos. Além do tenente, participaram da operação três sargentos e sete soldados.


Duzentos homens do Exército ocupavam a favela carioca desde 12 de dezembro do ano passado graças a um acordo entre os ministérios da Defesa e das Cidades para garantir a reforma de 780 casas, um projeto de R$ 16,6 milhões batizado de "Cimento Social" e idealizado pelo senador Marcelo Crivella (PRB). O ex-bispo da Igreja Universal é o líder nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições de outubro deste ano.


A cobertura da mídia sobre este caso se pautou pelo costumeiro cinismo. A mídia sempre defendeu a ocupação das favelas pelo Exército como única forma de combater o crime organizado nos morros. Depois da tortura e assassinato dos três jovens, a mídia descobriu que os militares, como denuncia Marcelo Salles do Fazendo Média, agridem, seqüestram, torturam e matam moradores daquela favela.


O cunho eleitoreiro do programa do senador Marcelo Crivela é tão flagrante que chega a ser constrangedor. A mídia se apegou a isso para justificar sua súbita mudança de postura e disfarçar o cinismo covarde.


Aproveitaram o episódio para atacar as obras que o PAC realiza nas favelas do Rio e do Brasil. Como diz Paulo Henrique Amorim, a mídia e a elite "preferem a remoção das favelas, ou, em última instância, que se ponha fogo nelas."


O que a mídia não disse, o cartunista Carlos Latuff sintetizou na imagem acima, que os moradores da Providência exibiram em forma de protesto.

Debate no Rio

Chico x Gabeira

Do Blog do Fazendo Média:

Os deputados federais Chico Alencar e Fernando Gabeira protagonizaram interessante debate na UNIRIO, quinta-feira passada. Os candidatos à Prefeitura do Rio conversaram durante duas horas com cerca de 100 estudantes e professores e expuseram suas propostas para administrar a cidade.

Entre os temas divergentes encontra-se o sistema de governo. Chico não acredita na possibilidade de implantar o socialismo em apenas uma cidade, mas promete fazer um governo socializante, em que a pressão popular seja determinante para a conquista dos avanços de que o Rio precisa. O candidato do PSOL quer o poder público nas rédeas da administração municipal.
Já Fernando Gabeira promete um choque de capitalismo. O candidato da coligação PV-PSDB-PPS disse que a única saída para o Rio é aproveitar a dinâmica do capitalismo e desenvolver a tecnologia, as comunicações, a ciência e etc.


O discurso sedutor de Gabeira não encontrou respaldo no público presente. Enquanto falava, uma das estudantes gritava: “Abaixo o capitalismo!”, ao que ele ignorava para logo em seguida depreciar a experiência cubana e os ídolos da Revolução de 1959. O candidato verde-tucano esquece que o capitalismo é violento em sua própria essência, pois é sustentado pela mais-valia, ou seja, pela exploração do trabalhador. E, convenhamos, se esse sistema funcionasse, a humanidade já teria resolvido seus problemas faz tempo.

Chico, por sua vez, reafirmou a importância de se democratizar os meios de comunicação. É até agora o único candidato a levantar essa bandeira, assim como nas eleições de 2006 para presidente Heloísa Helena, também do PSOL, foi a única candidata a tocar no assunto durante entrevista no Jornal Nacional.

Há pelo menos duas outras candidaturas que podem defender a democratização da mídia: Jandira Feghali (PCdoB) e Paulo Ramos (PDT). Crivella, Molon, Eduardo Paes, Solange e o próprio Gabeira estão engessados pelos acordos que seus partidos possuem com os oligopólios que controlam os meios de comunicação no país.

A partir de julho, com o início da campanha eleitoral, vamos acompanhar de perto as movimentações políticas, a cobertura das corporações de mídia e as manipulações que vem por aí. Aqui o leitor vai ficar sabendo dos fatos que foram publicados, outros que foram omitidos e também os que foram distorcidos.


Comentário

Algum dos candidatos à Prefeitura de Natal teria algo a dizer sobre o tema da democratização dos meios de comunicação?

A função do jornalismo

O observador Alberto Dines ofereceu uma definição concisa sobre qual é a função do jornalismo: fazer pensar.



"O que distingue o jornalista não é o diploma, é a capacidade de estimular o intelecto da sua audiência. O resto é almanaque ou espetáculo."



Perfeito.

Santa hipocrisia, Batman!


O deputado federal Ciro Gomes disse que Fortaleza "é um puteiro a céu aberto". A prefeita Luizianne Lins (PT) não gostou e disse que ele ofendia as mulheres e as prostitutas da cidade.

A verdade dói e os hipócritas sempre querem escondê-la. Em Natal é a mesma coisa. A prostituição, com perdão do trocadilho, come solta. A cidade do sol também é o paraíso do turismo sexual. Îsso não é novidade para ninguém.

Ele vai voltar


Por falar em futebol, eis que a Tribuna do Norte traz a boa notícia para os alvinegros potiguares: Rodriguinho vai voltar a entrar em campo pelo ABC. O técnico Ferdinando Teixeira disse ao jornal que Rodriguinho joga já na rodada de sábado, contra o Fortaleza, lá no Ceará.

O novo time de Wilma

Não são só os times potiguares que estão renovando o elenco. A governadora Wilma de Faria (RN) também deu uma mexida no time do secretariado e anunciou ontem (quarta-feira, 25) quatro novos nomes para compor a sua equipe.

Os novos escalados são: Gustavo Carvalho (PSB) para a Casa Civil; Ruy Pereira (PT) para a Educação; o agrônomo Francisco das Chagas Azevedo para a Agricultura; e o adjunto George Antunes de Oliveira sai da reserva para comandar a Saúde.

Wilma ainda vai mexer em outras pastas: Segurança Pública, Articulação com os Municípios, Esportes e Lazer, e Assuntos Institucionais.

Time renovado e reforçado, a governadora espera que no segundo tempo de governo sua equipe tenha mais ritmo e deslanche com vistas a 2010.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Território Livre?

A praça que fica em frente ao CEI - o colégio dos filhos da elite da elite da elite natalense - é atualmente o reduto dos adolescentes gays e lésbicas de Natal.

Na sexta-feira passada, dia 20, fui ao local fazer umas entrevistas para um documentário que vai se chamar "A praça é nossa" e vai mostrar como essa turma se apropriou daquele espaço e o transformou num território próprio.

É comum ver casais de meninas e meninos dando os maiores amassos em público sem nenhum constrangimento. Na verdade, não há motivos para constrangimentos, porque todos os que frequentam a praça ou são alternativos ou têm a mente aberta.

Entrevistei algumas meninas e meninos. Fiz a mesma pergunta a todos, se eles se sentiam seguros ali, longe do olhar repressor das outras pessoas. As respostas também foram as mesmas. Eles disseram que aquele é um território onde podem "fazer o querem" sem medo de serem discriminados.

O problema é que a maioria dos frequentadores da praça é formada por adolescentes. Todos os meus entrevistados eram adolescentes e todos disseram que estavam ali sem o conhecimento dos pais. Além dos amassos, rola muita bebida, cigarros e drogas ilícitas.

Também vi crianças de 7, 8, 9 anos sendo aliciadas.

Há conflitos com os moradores do bairro, principalmente das casas na rua da praça, que se incomodam com a presença desse pessoal por lá. Eles reclamam que os jovens perturbam a ordem do bairro e têm um comportamento inconveniente.

Na quadra de futsal, alguns rapazes batem bola sem se importar com aquela galera meio diferente que circula pela praça.

Enquanto fazia algumas imagens, um rapaz perguntou do que se tratava. Expliquei que era um trabalho acadêmico. Desconfiado, ele sugeriu um título: "Olha como eles vivem!". Agradeci a sugestão e disse que o documentário já tinha nome.

Não sou a favor de repressão nem sou um hipócrita que não quer enxergar a realidade das coisas. Essa geração de adolescentes e jovens pós-modernos experimentam coisas novas cada vez mais cedo. A descoberta da sexualidade está acontecendo muito prematuramente, em grande parte devido aos estímulos e apelos midiáticos, que sempre colocam em xeque os valores morais tradicionais.

Os jovens reclamam que são discriminados e que somente na praça se sentem à vontade para dar vazão aos seus sentimentos. Eles são cheios de certezas inabaláveis, dizem que sabem o que querem da vida e que são incompreendidos.

Talvez tudo não passe de um apanhado de clichês. Mas não sei o que pensar direito sobre isso. Num primeiro momento, eu os vejo como um bando de jovens inconsequentes e idiotizados que só querem chocar e chamar a atenção das pessoas. Depois, mais desarmado, eu os enxergo como sobreviventes desse grande teatro de vampiros, numa referência à música da Legião Urbana, que é a nossa sociedade.

E no mundo da fofolítica...

Eu até que tento, mas é irresistível. É como pecado. Por mais que a gente lute contra as concupiscências da carne, sempre damos umas escorregadinhas.

Não consigo não rir quando leio o blog de Thaisa Galvão. Aquela senhora escreve cada coisa pictórica que às vezes eu chego a acreditar que nem ela se leva a sério.

Thaisa está quase ficando biruta por causa da reforma do secretariado que a governadora disse que vai fazer, mas ainda não resolveu quando fará o anúncio.

A blogueira resolveu então exercitar ao máximo a arte de testar hipóteses: atira para todo lado tentando prever quem serão os novos secretários. Na cotação de Thaisa, tem neguinho que já sentou e levantou da cadeira de secretário várias vezes.

Desse jeito é fácil. Depois é só dizer: 'Eu não disse?'.

domingo, 22 de junho de 2008

Mais gozação sobre meus 30 anos

Meus 'amigos do peito' continuam tirando sarro com meus recém completados 30 anos. Numa conversa com um deles no msn, olha só o que o sacana me perguntou:

- Como foi de data que deixa bem emblemático q vc está mais proximo da morte?

E continuou:

- Afinal, chegar aos trinta e morrer pra sociedade da juventude é a mesma coisa.

Mas não parou por aí:

- Portanto morrer é mais poético... as pessoas só terão fotos com você com roupas descoladas... cara de futuro...

Eu ainda tente argumentar, dizendo qua aos 30 você começa a descobrir outros encantamentos. É quando Saturno completou a sua rotação e você decide começar a viver de verdade.

Meu amigo não deixou por menos:

- Saturno é muito escroto... decide dar vontade de viver justamente na época em que a vida começa a descer a ladeira.

Faz parte.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pintando na área

Tem sido muito difícil conseguir tempo para postar. Final de semestre na universidade, trabalhos atrasados, correria e mais correria. Precisaria que o dia tivesse mais algumas horas.

Para piorar, ontem fiz 30 anos. Estou entrando em crise existencial. Os amigos já estão me chamando de trintão. Para as meninas, agora sou o tio. Estou em franca decadência.

E um amigo ainda veio me sacanear: "Você é do tempo do mundo em preto e branco, né?".

Assim já é covardia, pô.

Mas fazer o quê? O jeito é levar na esportiva.

Então, amanhã tem jornada dupla de trabalho, roteiro pra fazer, vídeo pra filmar... Por isso ainda não vai dar pra comentar nada do que tá acontecendo por aí. Preciso dormir pelo menos sete horas hoje, se não não aguento o tranco.

Assim que as coisas se normalizarem, a gente recupera o tempo perdido.

Até.

domingo, 15 de junho de 2008

Quem é ela?

Roberta Sá cantando com Dudú Nobre na Roda de Samba, no Circo Voador-RJ.



Ele não merecia


O ABC jogou mal ontem e ficou no empate com o Criciúma (SC). É o segundo empate do Mais Querido no Frasqueirão.

A torcida tem razão de reclamar. É consenso que falta um matador no time e que Ferdinando Teixeira arma mal a equipe. Não sei o que se passa na cabeça dele para desperdiçar Rodriguinho. Além disso, Jean Carioca merece uma vaga de titular.

Mas, daí a se exceder nas críticas e partir para a agressão, não dá para aceitar. Foi o que fez um grupo de torcedores ontem, no final da partida. Os vândalos jogaram cerveja e laranja em Ferdinando Teixeira quando ele estava indo para o vestiário. Atitude deplorável.

Esse pessoal se esquece que foi Ferdinando Teixeira que tirou o ABC do sufoco ano passado e classificou o time para a Série B. É claro que a gente quer mais e sonha com a Série A. temos o direito de cobrar e reclamar, mas não temos o direito de perder a razão.

Enquanto isso, no blog da piada pronta...

Manchete do Blog de Thaisa Galvão:



"Convocado pelo PSDB, Geraldo Melo chega a Porto Alegre para tentar resolver crise política no RS".



É ou não é uma piada?!

sábado, 14 de junho de 2008

Não deixe o samba morrrer...



Homenagem do blog a Jamelão, o mais famoso intérprete de samba-enredo do Brasil, que faleceu neste sábado, aos 95 anos, no Rio de janeiro.

Partilha de propina teria ocorrido na residência oficial do governo

A partilha da propina

Da Folha de São Paulo:

"Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal na Operação Hígia, que prendeu ontem 13 pessoas no Rio Grande do Norte e na Paraíba, revelam uma suposta partilha de propina dentro da residência oficial da governadora Wilma de Faria (PSB-RN).

A PF, em seu relatório, não aponta indícios da participação da governadora.

Segundo a Folha apurou, policiais federais monitoraram um pagamento, em duas parcelas, feito por João Henrique Lins Bahia Neto, secretário-adjunto de Esportes do Rio Grande do Norte, a Lauro Maia, filho da governadora Wilma de Faria, ex-assessor do pai, o deputado estadual Lavoisier Maia (PSB), e do deputado federal Rogério Marinho (PSB-RN).

Em março, Bahia Neto viajou a João Pessoa, onde esteve na empresa Líder, acusada de integrar esquema que desviava recursos públicos. Segundo a investigação, Bahia Neto entrou e saiu da empresa com uma pasta debaixo do braço. Os policiais chegaram a parar o secretário-adjunto e questioná-lo sobre o dinheiro na pasta (supostamente recebido na empresa), mas ele foi liberado em seguida. No dia seguinte, já em Natal, ele conversa por telefone com Lauro Maia e diz que precisa entregar "algo" a ele.

O encontro aconteceu na residência oficial da governadora (Maia não mora com a mãe), onde o secretário Bahia Neto adentrou com a mesma pasta nas mãos. A suspeita é que a primeira parcela do pagamento, de R$ 35,9 mil, tenha ocorrido ali. A segunda, estimada no mesmo valor, foi paga em abril, mas, dessa vez, segundo a PF, o encontro entre os dois teria ocorrido na casa de Bahia Neto.

No relatório da PF, contudo, não há prova nem indício da participação de Wilma de Faria e do deputado estadual Lavoisier Maia no esquema, mas suspeita-se que um deputado estadual (que não teve o nome revelado) teria se reunido com um dos presos na operação para conversar sobre o esquema. A investigação continuará com base nos documentos e computadores apreendidos.

A PF também apreendeu veículos de luxo (15 carros e duas motos), como um Jaguar e uma moto Yamaha R1, além de R$ 260 mil em espécie. Do total, R$ 120 mil estavam escondidos numa parede falsa na empresa Prest-Service, em Natal."

Prisão do filho da governadora é destaque nacional


A imprensa nacional destacou a prisão do advogado Lauro Maia, filho da governadora do RN, Wilma de Faria (PSB), durante a "Operação Hígia" realizada ontem (sexta-feira 13) pela Polícia Federal. Além de Lauro, outras doze pessoas foram presas. O objetivo da operação era desarticular o suposto esquema criminoso que teria desviado R$ 36 milhões de contratos de prestação de serviços terceirizados na área de saúde.

A Folha de São Paulo deu o caso em manchete na capa. O Estadão e O Globo também destacaram a operação que levou à prisão de Lauro Maia.

Nos jornais locais, houve diferenças na ênfase dada ao caso. A Tribuna do Norte deu uma manchete sem sal, como se não quisesse se comprometer: "Lauro Maia e mais doze pessoas presas sob suspeitas de fraude".

O Diário de Natal foi mais incisivo e parece ter assumido posição usando um tom francamente acusatório: "Esquema desmantelado por PF no RN usava tráfico de influência".

O Jornal de Hoje foi mais malicioso: "Apareceu a ponta do iceberg - PF prende o filho da governadora e outras doze pessoas acusadas de desviar R$ 36 milhões".

Eu quero só ver a merda que vai dar quando aparecer o iceberg inteiro. Será que é dessa vez que cai a República do RN?

No Rio Grande do Norte...

Justiça nega habeas corpus a filho da governadora

Da Folha Online:

O TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região), com sede em Recife, negou na noite desta sexta-feira o habeas corpus pedido pela defesa de Lauro Maia, filho da governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB).

Também negou a soltura de Maria Eleonora Castim, responsável pelas finanças da Secretaria da Saúde, da procuradora Rosa Caldas e do secretário-adjunto de Esportes do Estado, João Henrique Bahia.

Eles foram presos hoje durante a Operação Hígia, da Polícia Federal, contra desvios de verba pública, por meio de fraude a processos licitatórios.

A operação cumpriu os 13 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte e Paraíba. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal do RN.

Leia mais aqui.

Enquanto isso, no Rio Grande do Sul...

O vice-governador gaúcho, Paulo Feijó (DEM), responsável pelo furacão que assola o governo da tucana Yeda Crusius, deu entrevista à Terra Magazine e disse, entre outras coisas, que a governadora sabia e ignorou as denúncias de irregularidades no Detran e no Banrisul.

Leia a íntegra da entrevista com o vice-governador:

Terra Magazine - O senhor se arrepende de divulgar essa gravação?

Paulo Feijó - De forma alguma. Eu tenho muita confiança e convicção no que fiz, entendo que é de extrema importância para a sociedade gaúcha e compreendo o resultado que isso trará para a sociedade como um todo.

E o que o senhor achou da decisão do partido e do pedido do senador Heráclito (Fortes) de solicitar sua expulsão?

Eu acho que é normal. O senador não me conhece, nunca falou comigo e nem eu com ele. Não conhece os fatos e a realidade do que ocorre no Rio Grande do Sul. Tive a oportunidade de ir a Brasília na última quarta-feira (11), fui recebido pela bancada federal e expus em 10 minutos a realidade, o que ocorre aqui e tive total apoio, unânime, de toda a bancada (gaúcha), do deputado Onyx (Lorenzoni), (Germano) Bonow e do suplente Matteo Chiarelli. Então eu entendo perfeitamente, claro, que as pessoas lá do centro do País, ou do norte e nordeste não conheçam a realidade daqui, assim como nós não conhecemos a realidade daquilo que ocorre localmente lá em cada estado. Após eles ouvirem, aceitaram perfeitamente e me deram integral apoio. E da mesma forma, fui falar com o presidente do partido, Rodrigo Maia (RJ), expus para ele e ele aceitou perfeitamente. Acho que faz parte de um processo de partido, a questão política e tudo mais. Mas aceito como natural e normal aquilo que aconteceu.

Como está sua relação com o governo de Yeda Crusius? Existe algum constrangimento?

Desde o primeiro turno é a pior possível e continua igual, não mudou nada. Desde antes do segundo turno, desde a campanha eleitoral. Pela Constituição do Estado, o papel do vice-governador é substituir a governadora em suas viagens. Em outros governos do RS, quando o governador deixava a fronteira do Rio Grande para outros estados, todos os governadores passavam o cargo pelo período em que saíam do Estado. Até no mesmo dia, se ele saísse de manhã e voltasse à noite. O (Germano) Rigotto era um que sempre fazia isso. Enquanto a governadora nunca passou o cargo, desde o dia que assumimos. Só passou quando foi para o exterior, porque aí é obrigada, porque senão é abandono de cargo. Então ela passou 1 ano sem sair do País exatamente para não me passar o cargo. Então isso já demonstra bem qual é a relação entre a governadora e o vice desde antes da posse.

Mas se isso vem desde o processo eleitoral, por que o senhor insistiu na chapa?

Esse racha ocorreu depois do primeiro turno. Nós passamos o primeiro turno e 3 dias depois a governadora me pediu que renunciasse. Porque eu fiz uma crítica ao Banrisul, na época dizendo que havia irregularidades naquela gestão. Daí houve uma pressão do PMDB, que estava entrando no segundo turno, porque até então eles eram oponentes, pedindo que eu me calasse. Foi isso que aconteceu.

E desde então as relações passaram a ter arestas?

A partir do momento que a governadora chama o PFL (na época) e pede que eu renuncie, ali rachou. E a partir daquele momento ela não quis a participação minha nem do PFL na campanha nem na constituição do governo.

Ela não pode alegar que, depois de esse escândalo vir à tona, foi uma forma de vingança do senhor?

De forma nenhuma. Antes de sermos eleitos, como eu disse, no primeiro turno, fiz uma crítica à gestão do Banrisul, o PMDB não gostou, cobrou dela e ela resolveu naquele momento trocar o PFL, que era parceiro desde o início, pelo PMDB, que tinha sido eliminado nas urnas. Era governo e foi eliminado, mas queria entrar no segundo turno a nos apoiar. E depois disso eu encaminhei ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas as denúncias que existiam e agora, um mês atrás, o MP concluiu a investigação num relatório de auditoria extraordinário e foram confirmadas as irregularidades no Banrisul. E até o momento a governadora não tomou medida nenhuma em relação a isso.

Sobre tudo isso que o senhor denunciou, a conversa com o ex-secretário Cézar Buzzato, e mesmo nesse caso do Banrisul, a governadora foi conivente ou omissa?

Não cabe a mim avaliar isso...

...mas se o senhor, como vice-governador estava fazendo as denúncias e a governadora não toma providência nenhuma...

Eu, como vice-governador, entendo que sou mais responsável pela coisa pública do que se fosse meu, privado. Se eu sei de uma denúncia contra o dirigente de uma estatal, ou de um órgão público, ou de um secretário, eu tomo medida imediata. A governadora deixou passar 1 ano e não tomou essas medidas. Depois disso, quando veio o relatório (do MP), eu fui a uma audiência com ela para entregar o relatório e ela não quis receber o relatório. Pediu que eu protocolasse e mandasse de forma oficial. E assim o fiz. E uma semana depois foi assinado um Termo de Ajuste de Conduta entre o MP e o Banrisul, reconhecendo os erros e começando a transformação do que estava errado para o que é certo. Então essa é a realidade. Agora, se ela prevaricou ou não, cabe ao MP, às instituições, fazer essa análise e tomar as medidas que se entendam necessárias. Não cabe a mim como vice-governador. O meu objetivo foi sempre contribuir, o meu e do partido. Contribuir com o governo. Nós é que elegemos a governadora. Fomos eleitos junto com ela.
Portanto, ela sabia das denúncias, até porque elas eram públicas.

E não tomou providência nenhuma, é isso?

Até hoje o presidente está lá, do Banrisul. Não foi trocado ainda.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Filme Antigo

"Eu vejo o futuro repetir o passado / Eu vejo um museu de grandes novidades...".

Cazuza, como todo artista, tinha a capacidade de estar à frente do seu tempo, a sensibilidade para perceber coisas que passam despercebidas aos demais e traduzir isso em poesia e música.

A idéia de que o futuro repete o passado e a vida se resume a um "museu de grandes novidades" parece perfeita para descrever essa profusão de escândalos políticos que estão vindo à tona.

A gente olha para tudo, lê as manchetes dos jornais e fica com aquela sensação de já ter visto esse filme antes.

Na belíssima canção "Belo Estranho Dia de Amanhã", Roberta Sá fala do dia quando "os políticos amanhecerão sem voz".

Mas enquanto esse dia não chega, a gente se contenta com o vídeoclipe da música:



Quem se lembra dessa quadrilha?



O blog aproveita a onda da "Operação Hígia" para lembrar a todos da "Operação Impacto" e mostrar a cara dos envolvidos no escândalo da Câmara Municipal. Neste ano, todos os integrantes da quadrilha tentarão se reeleger.