quinta-feira, 22 de maio de 2008

Nóis sofre, mas nóis goza

Ótima tirada do impagável José Simão, na Folha desta quinta-feira (22):

"E mais um feriadão! Quem tá indo à praia não se anime, o Lula criou mais um imposto, o Ipod: Imposto sobre Praias, Ondas e Derivados."

O episódio entre os caipós e o engenheiro da Eletrobrás

A mídia repercutiu com grande estardalhaço o episódio de Altamira (PA), ocorrido na terça-feira passada (20), quando um grupo de caiapós agrediu o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernandes Rezende, coordenador do estudo para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Em editorial nesta quinta-feira (22), a Folha de São Paulo diz que o fação índigena "é um símbolo poderoso da violência primitiva e desumanizadora em várias áreas do mundo" e reclama que é "imperativo identificar e responsabilizar criminalmente o agressor, ou agressores."

Em artigo publicado hoje no Observatório da Imprensa, Luciano Martins Costa chama a atenção para a construção da "imagem do índio na imprensa" e registra que nenhum jornal ou televisão informou que a agressão dos caipós ao engenheiro se deu após Paulo Fernandes Rezende, ao defender a construção da usina, ter dito a seguinte frase: "Olha, eu moro no Rio de Janeiro. Quem vai ficar sem luz são vocês".

Não se trata de defender ou justificar a agressão, mas o dever de qualquer veículo de comunicação é dar a informação completa. Nesse caso, o que vemos, mais uma vez, é uma tentaiva de manipulação dos fatos com o objetivo de criminalizar uma das partes envolvidas.

"A tentativa de criminalizar os protestos contra obras que ameaçam o meio ambiente mostra a incapacidade da imprensa de entender a necessidade de se buscar uma estratégia sustentável para as obras de infra-estrutura de que o Brasil precisa", afirma Costa.

O Globo classificou o caso como "incivilidade" e a Folha chamou o mesmo episódio de "barbárie".

"Não há registro de a imprensa ter usado essas expressões para qualificar os massacres de índios por posseiros, ou mesmo o assassinato de ambientalistas e outros protagonistas do conflito que há anos se desenrola na Amazônia", contrapõe Costa.

Clique aqui e leia o artigo de Luciano Martins Costa na íntegra no Observatório da Imprensa.

'Veja' perde leitores

Em quase 10 anos, a revista Veja perdeu cerca de 83 mil assinantes. A informação é do jornal Meio & Mensagem, que na edição desta semana traz uma matéria sobre os 10 anos da Época e publica uma tabela comparando a circulação das três maiores revistas semanais do país.

A perda da Veja não foi suficiente para abalar a revista, que se mantém confortavelmente acima de um milhão de assinantes. Não dá para dizer que a revista esteja minguando, como afirmam muitos críticos.

Mas, enfim, pelo menos indica que o número de pessoas manipuladas pelo jornalismo reacionário praticado por Veja está diminuindo.

Confira os dados com base na circulação do IVC (Instituto Verificador de Circulação):




Título - Dez/1998 - Dez/2007

Época - 242,8 mil - 406,4 mil

Veja - 1,156 milhão - 1,073 milhão

Isto é - 301,6 mil - 340,2 mil

Além do que os olhos podem ver



A peça acima é uma criação da Euro para o Centro de Referência Contra o Abuso Infantil (Cerca) para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil, comemorado no último 18 de maio.

O objetivo é conscientizar todas as classes sociais sobre o problema da pedofilia. A peça mostra situações diferentes quando o leitor acende ou apaga a luz. Na imagem de cima, aparece uma criança com medo do escuro e a frase "Apague as luzes e ajude a acabar com o medo de escuro que a Bia tem". Na imagem de baixo, com a luz apagada, surge a silhueta da criança e do agressor, com o aviso: "Pedofilia. Você pode não ver, mas pode estar acontecendo".

Os anúncios foram veiculados em revistas, encartes de jornal e pôsteres.

Fonte: Meio & Mensagem

Qual é a boa para o feriadão?

Então, já pensou o que vai fazer no feriadão?

Meus planos não são nada atrativos: dar uma geral na casa, pôr o trabalho em dia, estudar...

Enquanto isso, o sol insiste em me contrariar, como que me lembrando que o mar está para todos.

Putzs.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

IBGE: desemprego cai para 8,5% em abril

O IBGE divilgou nesta quarta-feira que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 8,5% em abril, uma queda em relação aos 10,1% registrados no mesmo período do ano passado. O número é 0,01 ponto percentual menor que o registrado em março (8,6%).

Em abril deste, o IBGE registrou que há 21,4 milhões de pessoas trabalhando nas seis regiões metropolitanas do país pesquisadas, número 4,3% maior que o verificado um ano atrás. Os desempregados somam 1,991 milhão de trabalhadores, número 13,9% menor que em abril do ano passado.

O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 1,5% em relação a março e 9,9% em relação a abril de 2007, para 9,5 milhões.

O rendimento médio real habitual dos ocupados também teve alta nas comparações mensal (1%) e anual (2,8%), indo para R$ 1.208,10.

As informações são do Uol Últimas Notícias e Terra Últimas Notícias.

Barack Obama sofre "rejeição racial"

Luiz Carlos Azenha revela no Blog das Américas da Terra Magazine que o maior desafio a ser vencido pelo senador Barack Obama, pré-candidato a presidente dos EUA pelo Partido Democrata, é a "rejeição racial" - o novo nome do preconceito e da intolerância.

O senador venceu ontem (terça-feira, 20) a prévia democrata no estado do Oregon e atingiu 1.627 delegados para a Convenção Nacional Democrata, marcada para a última semana de agosto em Denver, no Colorado.

Hillary Clinton, que disputa a indicação do Partido Democrata com Barack Obama, não tem praticamente mais chances de superar o senador. No mesmo dia, ela venceu a prévia em Kentucky com 65% dos votos, contra 35% de Obama.

Segundo Azenha, 55% dos participantes brancos da prévia de Kentucky disseram que não votam em Obama se ele for o candidato do partido. Alguns preferem o republicano John McCain, outros ficariam em casa.

Ainda segundo Azenha, esse não é um dado isolado. "É a reprise do que aconteceu em outros estados da região dos Apalaches: Ohio, Virgínia Ocidental e Pensilvânia, onde Hillary recebeu o voto maciço de brancos de classe média baixa", informa.

Azenha revela os motivos dessa rejeição a Barack Obama.

Para ler mais, clique aqui.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Mais Cora Coralina


Este é um poema de amor

tão meigo, tão terno, tão teu...

É uma oferenda aos teus momentos

de luta e de brisa e de céu...

E eu,

quero te servir a poesia

numa concha azul do mar

ou numa cesta de flores do campo.

Talvez tu possas entender o meu amor.

Mas se isso não acontecer,

não importa.

Já está declarado e estampado

nas linhas e entrelinhas

deste pequeno poema,

o verso;

o tão famoso e inesperado verso que

te deixará pasmo, surpreso, perplexo...

eu te amo, perdoa-me, eu te amo...

À la Lavoisier

O francês Lavoisier, o pai da Química, disse que "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". No jornalismo também não. Que o diga Ailton Medeiros.

O cara, na maior cara de pau (perdoem o trocadilho), não perdeu a oportunidade e, sem nenhum pudor, colocou em seu blog um post do blog do Tutty Vasques (leia aqui) sem dar o crédito.

Ailton transformou somente o título do post, que no blog dele ficou "Os negócios do tráfico - Seu nome é sua marca".

No blog do Tutty Vasques, o título é "O nome dele é...".

O post é este aí abaixo:

O chefe do tráfico de drogas na Região dos Lagos e Norte Fluminense atende pelo apelido Rupinol.

Boa Noite Cinderela, para os íntimos.


Coisa feia, hein Ailton Medeiros.

TV Tropical: concessão pública ou palanque eleitoral?

O senador José Agripino Maia (DEM-RN) sempre usou a TV Tropical (uma concessão pública, vale ressaltar) como bem quis. A emissora é retransmissora da TV Record no Rio Grande do Norte. Faça chuva ou faça sol, todo dia tem pronunciamento do senador no canal. O pior é que agora é em dose tripla. Pela manhã, na edição matutina do Tropical Notícias, Agripino está lá discursando. À tarde, no Jornal da Tropical, Agripino em outro discurso. À noite, na segunda edição do Tropical Notícias, ele novamente. A gente toma café, almoça e janta ouvindo Agripino.

Não vejo ninguém ficar indignado com essa vergonha, a deturpação de uma concessão pública cinicamente transformada em instrumento de promoção pessoal e eleitoral.

Mas Agripino é generoso. Ele também coloca sua emissora a serviço dos aliados de plantão. Ontem (segunda-feira, 19), o Jornal da Tropical fez uma longa matéria promovendo o prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rêgo, filho do deputado estadual Getúlio Rêgo, ambos filiados ao partido do senador - o DEM.

Outro que tem uma boquinha para se promover na tevê do senador é Ney Lopes Junior, filho do ex-deputado federal Ney Lopes, também do DEM. Ney Junior vai se candidatar a vereador em Natal e, enquanto não começa a propaganda eleitoral, usa a TV Tropical como palanque.

E fica tudo por isso mesmo.

Os fabulosos caminhos do coração




Fiz várias tentativas de assistir "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, França, 2001). Começava a ver o filme após às 24h e o sono sempre acabava me vencendo. Nenhuma culpa da história. Mas ontem, finalmente, consegui. Foi o primeiro filme que assisti fatiado.


"Amélie" não é tão fabuloso como o título anuncia, mas é um bom filme. A narrativa é original, a fotografia é bem feita e a trilha sonora é cativante, pontuada com uma leve nostalgia que tem tudo a ver com o clima de fantasia do filme.


Além dos detalhes técnicos, a história da jovem Amélie, vivida pela atriz Audrey Tautou, nos atrai pela simplicidade e, mais ainda, porque explora uma coisa que é comum a todos nós: a busca de uma razão para a vida. No caso de Amélie, essa razão é a descoberta de um grande amor.


Amélie não teve uma infância das mais normais. O peixinho de estimação tentou suicídio várias vezes. A mãe teve uma morte, digamos, pouco convencional. O pai, médico, não era dado a demonstrações de afeto e só se aproximava de Amélie para examiná-la. A menina ficava tão emocionada que os batimentos cardíacos aceleravam. Por isso, o pai acreditava que a menina tinha um grave problema no coração.


Amélie, então, cresceu sem experimentar emoções fortes e, quando jovem, continuou no isolamento voluntário do mundo dos sentimentos. O coração de Amélie perigava secar e estilhaçar-se, como os ossos de vidro do velho Dominique Bretodeau.


É quando o destino lhe apronta uma surpesa, uma dessas imprevisibilidades que vêm e fazem redemoinho em nossas vidas. Foi Rousseau que disse que "nada está mais sob o nosso domínio que o coração, mas longe de podermos comandá-lo, somos forçados a obedecer-lhe".


"Amélie" traz de volta esta sensação às vezes esquecida de como é bom sermos surpreendidos pelas desconhecidas escolhas do nosso coração.


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Forças Armadas na Amazônia

Carlos Minc (PT), indicado para o ser o novo ministro do Meio Ambiente, defendeu o uso das Forças Armadas para ajudar na proteção dos parques nacionais e reservas extrativistas da Amazônia. Minc disse que vai apresentar a proposta ao presidente Lula nesta segunda-feira (19), na audiência que os dois terão em Brasília. Após a audiência, Minc deverá ser oficializado no MMA.

A mídia, que sempre encampou a idéia de usar as Forças Armadas no combate à violência das grandes cidades, reagiu com fúria à proposta do futuro ministro. Alexandre Garcia disse hoje de manhã no Bom Dia Brasil que Carlos Minc "deve estar confundindo as coisas".

O comentarista desdenhou da medida adotada por Minc, atual secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, que transformou bombeiros em guarda-parques em áreas protegidas do Rio.

"No Rio de Janeiro, os bombeiros cuidam de parques florestais. Para eles, a palavra “fogo” tem um sentido e um resultado diferentes que a ordem de fogo para um soldado do Exército. Converter o Exército em guarda florestal teria que ir muito além de uma mudança na Constituição, numa cláusula historicamente pétrea", disse Garcia.

É o mesmo Alexandre Garcia que, sem se preocupar com os "impedimentos constitucionais", prega que o Exército ocupe as favelas do Rio e São Paulo para "conter a violência". Contra pobre e preto, pode.

domingo, 18 de maio de 2008

Faustão: mil vezes no ar


Ele consagrou o bordão "Ô 'loco', meu" e faz parte da história da televisão brasileira. Fausto Silva e seu Domingão do Faustão completam neste domingo (dia 18) mil edições no ar pela TV Globo e, com raras excessões, sempre liderando a audiência.

Faustão tem um estilo falastrão e rasgador de seda que irrita muita gente (inclusive a este blogueiro aqui), mas é inegável que ele e seu programa são um grande sucesso de público - o que não é garantia nenhuma de qualidade. Muito pelo contrário. O Domingão do Faustão é responsável por vários episódios lamentáveis, para ser bem ameno, da televisão brasileira.

Lembram do sushi erótico, quando o programa mostrou ao vivo homens se servindo do prato japonês no corpo de uma mulher nua? Fora isso, o programa sempre foi recheado de quadros que expunham pessoas comuns ao ridículo, como as famosas Pegadinhas e as Olimpíadas do Faustão.

No artigo "A construção do herói: a glamourização do popular no Domingão do Faustão", Renné Oliveira França, mestrando em Comunicação Social pela UFMG, tenta entender o sucesso do programa pela possibilidade que a atração oferece de aproximar celebridades de pessoas comuns e, ao mesmo tempo, de tornar pessoas comuns em celebridades instantâneas. O artigo faz parte do livro "Narrativas Televisivas: programas populares na TV" (Ed. Autêntica).

Renné chama essas celebridades de "olimpianos" ou "os famosos que fazem as vezes de deuses modernos".

" 'Monte Olimpo' na televisão brasileira, lar de deuses e deusas da nossa cultura midiática, o Domingão do Faustão passou a atuar como um momento único em que os mortais se encontram com o divino e os anônimos podem brincar de ser estrela", escreve ele.

As onomatopéias da Vovó Socialista

Dizem que quanto mais a gente luta contra um apelido, mais fácil ele gruda na gente. Eu já tive vários. Meus ex-alunos do Senac, quando queriam me tirar do sério, diziam que eu era o professor mais "cabeça" que eles já tiveram na vida. Deixei de ser professor e muitos deles viraram meus amigos. Não me chamam mais de professor. Abreviaram para "cabeça".

Ailton Medeiros, com a ironia que lhe é peculiar, resolveu batizar Thaisa Galvão de "Vovó Socialista". O negócio pegou e todo mundo só chama a blogueira agora por esse apelido pouco honroso. É óbvio que Thaisa não é tão velha assim pra ser chamada de "vovó" - nem tão pouco é socialista, para que mereça esse tratamento.

Mas deixemos o apelido pra lá. Eu quero falar mesmo é do blog dela. Não aguento mais ler tantas onomatopéias. É tanto "huuummm", "vixiii", "ahhh", xiii", "ixeee", que tá ficando insuportável. Parece que a moça não tem o que falar, aí tasca uma dessas expressões. Parece também que tá tendo um orgasmo quando escreve, aí solta esse "huuummm".

Tá ficando um blog 'pornomatopéico'.

RN é sexto em denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes

Em entrevista ao portal Nominuto.com, o promotor da Defesa da Infância e da Justiça, Manoel Onofre Lopes, falou sobre o problema do abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na capital e no interior, destacando que o RN ocupa a sexta coloção no país em número de denúncias contra esses casos.

O promotor esclareceu que a maior parte dos casos registrados no RN é de abuso sexual, praticado, quase em sua totalidade, no universo da família. Isso significa que, geralmente, o abusador é alguém muito próximo da criança e do adolescente. Para ele, isso dificulta muito o combate à agressão. "A gente está falando de uma família que vai ser desestruturada (...). Qual é a alternativa que eu tenho para uma menina que está sendo vítima de processo de abuso dentro de casa e você tem que afastar o pai que paga todas as contas da casa?", questionou.

Em relação à exploração sexual, que se caracteriza quando alguém obtém alguma espécie de lucro (financeiro ou em relação ao favor sexual em si), Manoel Onofre disse que o problema tem ligação com as desiguladades sociais. Para ele, isso gera um quadro de "vulnerabilidade" social e, por isso, crianças e adolescentes, mesmo não tendo conhecimento do que isso representa, se submetem à exploração como "alternativa de vida". (Eu não chamaria de "alternativa" uma coisa dessa. "Imposição" talvez fosse o nome mais correto)

O promotor também ressaltou que, além dessa questão socioeconômica, contribui para o agravamento da situação o fato de Natal ser uma cidade com intenso fluxo turístico. Ele defendeu o combate a essa figura do turista explorador e disse que, para isso, é preciso conversar com a própria rede turística.

Manoel Onofre defendeu ainda a necessidade de se oferecer um projeto de "alternativa de vida e auto-estima", com inserção no mercado de trabalho e acompanhamento psicológico, às vítimas de abuso e exploração sexual.

Em Tempo

A Folha de São Paulo deste domingo (18), traz uma reportagem sobre o aumento dos casos de exploração sexual infantil e adolescente em locais onde estão sendo realizadas grandes obras de infra-estrutura pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal.

O problema é que o jornal responsabiliza o PAC pelo problema, numa clara inversão dessa lógica perversa da exploração sexual infanto-juvenil. A manchete da reportagem, "PAC pode agravar exploração sexual infantil", é infeliz e induz o leitor a uma interpretação errada.

Não foi o PAC que criou o problema. Existe, como disse o promotor Manoel Onofre Lopes na entrevista ao Nominuto.com, uma conjuntura de desiguldades sociais que favorece o contexto da exploração. Portanto, em vez de atacar o PAC, deveríamos denunciar a mazela da injustiça social que se impõe e expõe nossas crianças e adolescentes ao algoz explorador.

Voltando à reportagem da Folha, segundo o jornal, o aumento de casos de exploração sexual nos canteiros das obras do PAC levou o governo a lançar um "plano de combate à exploração sexual infantil à margens da megaobra de asfaltamento da BR-163, que liga Santarém (PA) a Cuiabá (MT)."

O projeto foi lançado há um ano e é coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. O projeto é composto de atividades preventivas como divulgação do número de telefone para denúncias e fortalecimento da rede de atendimento local e das políticas sociais.

A socióloga Marlene Vaz, ouvida pela Folha, disse que o problema da exploração sexual tem a ver também com o nosso modelo de sociedade consumista. Ela estuda há quase 35 anos a exploração sexual de crianças e adolescentes. "É uma sociedade de consumo onde o tempo todo se destaca a importância de ter um celular, uma boa roupa, perfumes caros. Não há como essas meninas ignorarem isso."

sábado, 17 de maio de 2008

As eleições e a TV

Luis Nassif comenta as alianças que estão se formando em São Paulo (SP) para as eleições deste ano, todas focadas na tentativa de conseguir mais tempo na TV. O pensamento geral é que mais tempo na TV significa mais votos. Fosse essa uma verdade absoluta, Wilma de Faria não teria sido eleita governadora do RN em 2002, quando seu tempo na TV era ínfimo - não chegava a dois minutos.

Leia o comentário do Nassif:

Não consigo entender essa briga maluca por alianças, para conseguir tempo em TV. Obviamente, com um minuto de tempo por dia, ninguém consegue passar recado algum. Mas sabe a diferença entre 5 e 8 minutos de tempo no horário gratuito: quem tem 8 minutos sai com desvantagem de 3 minutos a mais de aporrinhação sobre os telespectadores.

Campanha eleitoral em TV não é para aprofundar idéias, é para fixar mensagens – em geral mensagens simples. A objetividade é fundamental, ainda mais nesses tempos de falta de idéias e de propostas inovadoras, em que as promessas tradicionais não têm a menor credibilidade.

Geraldo Alckmin tem toda razão ao dizer que cinco minutos é mais que suficiente para a campanha.

Na campanha eleitoral para presidente, por exemplo, conferiu a parte mais importante da campanha – o conteúdo – ao seu ex-Secretário de Ciência e Tecnologia João Carlos de Souza Meirelles. Em plena campanha, Meirelles não havia conseguido produzir uma síntese sequer. Foi necessário Yoshiaki Nakano passar cinco dias enfurnado em casa para produzir um documento de 50 páginas. Assim são feitos programas de governo para consumo eleitoral.

Imagine o que aconteceria se a campanha tivesse mais que cinco minutos diários.

Por isso mesmo, a aliança Kassab-Quércia deve ser analisada sob a ótica do que agregou ao candidato em termos de densidade eleitoral, não em termos de tempo na TV.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Fraude no Metrô de São Paulo

De acordo com um levantamento realizado pela bancada do PT na Assembléia Legislativa de SP junto ao TCE (Tribunal de Contas do Estado), o governo estadual assinou 139 contratos com a empresa francesa Alstom, totalizando R$ 7,6 bilhões, entre 1989 e 2008.

O TCE, conforme o levantamento do PT, considerou seis desses contratos irregulares, no valor de R$ 1,378 bilhão (a soma se refere a cinco contratos apenas, porque um deles não teve o valor declarado).

Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, o líder da bancada do PT, deputado Roberto Felício, disse que a Alstom firmou contratos com o Estado de São Paulo durante os governos Quércia, Fleury, Covas e Alckmin.

O deputado disse ainda que 77 contratos, no valor de 3,1 bilhões, foram firmados no período de 2001 a 2006, no governo Geraldo Alckmin (PSDB). Parte desses contratos, acrescenta Roberto Felício, foi prorrogada já na gestão do atual governador José Serra (PSDB).

O líder da bancada do PT disse que os contratos do governo de São Paulo com a Alstom "tem serviços de toda ordem", mas, segundo ele, os mais importantes foram aqueles firmados com o Metrô de São Paulo.

O TCE considerou irregulares contratos de R$ 556 milhões entre o Metrô de São Paulo e a Alstom.

A empresa, segundo matéria do Wall Street Journal do último dia 06, está sendo investigada na França e na Suíça, sob suspeita de ter pago propina de US$ 6,8 milhões a políticos brasileiros para obter negócios de US$ 45 milhões do Metrô.


P.S.: O Jornal Nacional desta sexta-feira (16) abordou o caso da Alstom, mas, como era de se esperar, tratou de blindar os tucanos. Em nenhum momento a matéria citou os ex e o atual governador tucano.

A volta do Xeleleu

O Xeleleu News voltou ao ar com o seguinte post:

Sem Censura

Calma aí minha gente.
Eu não sou Rogério pra desistir fácil.
Ninguém me calou não senhor.

Foi só uma merda que eu fiz quando
fui mexer no programa de editoração
e tirei a porra do blog do ar.

Tô de volta e se segurem na cela.


Eu achei essa história muita estranha. Que 'merda' difícil de resolver é essa? O blog ficou fora do ar vários dias e, quando volta, os arquivos sumiram e há apenas uma postagem mixuruca dessa?!

A formação da idéia única

Ricardo Kauffman, em artigo na revista eletrônica Terra Magazine, comenta a reportagem do New York Times, publicada semanas atrás, que denunciou a estratégia do Pentágono para manipular a opinião pública norte-americana a seu favor na questão da guerra do Iraque.

A estratégia consistia em beneficiar com informação privilegiada analistas militares com grande espaço na mídia, em troca de opiniões favoráveis às suas posições.

Para Kauffman, a mídia aproveita ocasiões de forte impacto, como no pós-11 de setembro nos EUA, para propagar a formação da "idéia única", quando a sociedade (ele cita a norte-americana, especificamente, mas essa conclusão pode pode ser estendida a qualquer sociedade) parece mais "suscetível a engolir um discurso maciço que dispensa o contraditório."

"No Brasil", diz Kauffman, "em vários segmentos do noticiário não basta mudar de canal para encontrar visões diversas entre si. De forma geral, a análise política na grande mídia é muito uniforme e bebe das mesmas fontes."

Clique aqui e leia o artigo de Ricardo Kauffman na íntegra.

Querida Marina

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo desta sexta-feira, Frei Betto lamenta a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e afirma: "Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis."

Leia o artigo na íntegra:

CAÍSTE DE pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudaloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoram o teu valor e o significado de sustentabilidade.

Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias. Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis.

Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.

Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?

Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e a transformação do país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.

Não te muniram de recursos necessários à execução do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, aprovado pelo governo em 2004.

Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano. Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta.

É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados.

Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.

Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das motosserras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.

Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que "índio atrapalha o progresso".

Defendeste com ousadia nossas florestas, nossos biomas e nossos ecossistemas, incomodando quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas para os direitos das futuras gerações. Teus passos, Marina, foram sempre guiados pela ponderação e pela fé.

Em teu coração jamais encontrou abrigo a sede de poder, o apego a cargos, a bajulação aos poderosos, e tua bolsa não conhece o dinheiro escuso da corrupção.

Retorna à tua cadeira no Senado Federal. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum.

Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia.

Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?"

Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.