sábado, 5 de janeiro de 2008

Eleições nos EUA

Hillary Clinton vai usar medo contra Barack Obama

Em 2002, no segundo turno das eleições presidenciais, antevendo sua iminente derrota, José Serra, então candidato tucano, pregava a tática do medo numa tentativa desesperada de virar o jogo e conseguir vencer o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. Até a atriz Regina Duarte foi para a TV dizer que tinha medo do Lula. O resultado dessa história nós conhecemos. Lula foi eleito presidente sob o lema "a esperança venceu o medo".

Mais tarde, em 2006, foi a vez de Lula usar o medo na sua campanha de reeleição contra seu então opositor, novamente um tucano, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O lema da campanha lulista foi "não troco o certo pelo duvidoso". Desta vez, o truque do medo funcionou e Lula foi reeleito presidente.

Em 2008, os Estados Unidos vão escolher seu novo presidente, após oito longos anos do comando nefasto de George W. Bush na Casa Branca. Estas eleições americanas têm um significado ainda mais importante, dado o seu caráter de ineditismo sob alguns aspectos, além das questões políticas e econômicas. Pela primeira vez, a nação mais poderosa do mundo poderá ser governada por uma mulher ou por um negro.

A ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton e o também senador Barack Obama disputam a indicação do Partido Democrata para concorrer à Presidência dos EUA. No sistema eleitoral americano, os pré-candidatos têm que disputar prévias nos 50 estados, além do distrito de Colúmbia. Aquele que conquistar o maior número de delegados nos estados é oficializado candidato no congresso nacional do seu partido.

A corrida começou ontem (04/01), no estado de Iowa, região central dos EUA, cujas prévias foram vencidas pelo democrata Barack Obama e pelo republicano Mike Huckabee. Hillary Clinton ficou apenas em terceiro lugar entre os democratas. O segundo lugar ficou com John Edwards.

As próximas prévias acontecerão em New Hampshire, terça-feira que vem (08/01). De acordo com o portal G1, Obama está páreo a páreo nas pesquisas de New Hampshire com Hillary Clinton.

A vitória de Obama em Iowa fez surgir o sinal amarelo no comando da campanha de Hillary. As estratégias de Obama e Hillary são muito parecidas com as estratégias de Lula e Serra em 2002, aqui no Brasil.

Obama se apresenta como o candidato da "esperança de mudanças", enquanto Hillary posa de experiente e aposta no medo da inexperiência do jovem senador negro para vencer a disputa democrata.

Diante da tática da ex-primeira-dama, Obama responde que "a esperança vai vencer o medo" - assim como fez Lula no Brasil em 2002. "Estamos escolhendo a esperança em vez do medo", disse Obama após a vitória em Iowa.

Este é apenas o primeiro capítulo de uma emocionante disputa que se arrastará até fevereiro, quando a maioria dos estados americanos já terá realizado suas prévias e nós poderemos saber se, lá como cá, a esperança terá mesmo vencido o medo.

Com informações do G1 e da Folha de São Paulo

Especulação imobiliária no RN vira assunto nacional

Primeiro foi o "Jornal Hoje" da Globo e agora foi a Folha de São Paulo que destacou a questão da especulação imobiliária no Rio Grande do Norte.

Na quinta-feira passada (03/01), o JH exibiu a matéria "Paisagem Comprometida", do jornalista Francisco José, mostrando que as dunas do Rio Grande do Norte estão sendo ameaçadas pela especulação imobiliária e "invadidas por condomínios de luxo, hotéis e casas de veraneio."

A matéria mostrou a área de 2.200 hectares onde os espanhóis do Grupo Sánchez pretendem construir um grande condomínio habitacional. O professor Aristotenino Ferreira, coordenador do curso de Ecologia da UFRN, disse ao JH que com esse empreendimento "vamos perder boa parte dessa paisagem maravilhosa que nós temos aqui”.

O presidente da associação dos bugueiros, Paulo Henrique Severo, disse na matéria que a Lei Federal Nº 4.471 estabelece que "a duna é uma área de preservação permanente e jamais pode ser edificada."

A matéria também mostrou o avanço das edicações de casas e hotéis na praia de Ponta Negra e na Via Costeira.

Na Folha de hoje, uma matéria assinada pelo repórter João Carlos Magalhães volta ao tema da especulação imobiliária no RN e destaca que a "construção de um megaresort, com 35 mil casas, perto de Natal" ameaça as dunas potiguares, principalmente a "Duna Dourada" na praia de Pitangui. A Folha se baseia numa denúncia do Ministério Público de Extremoz.

A "Duna Dourada" é o local onde o Grupo Sánchez escolheu para construir o "Grand Natal Golf", que, segundo o jornal, "é considerado pelo governo federal o maior projeto imobiliário-turístico do país."

De acordo com a denúncia do Ministério Público, além da perda da paisagem natural, o empreendimento poderá provocar "o esgotamento da infra-estrutura local e o acirramento das diferenças sociais."

A Folha informa que o projeto já ganhou a licença prévia do Idema e as obras devem começar em março. As casas já começaram a ser vendidas na Espanha.

A promotora de Extremoz, Ethel Ribeiro, disse à Folha que a "Duna Dourada" poderá desaparecer, caso o megaresort seja mesmo construído.

A promotora disse ainda que "haverá também uma perda da fauna e da flora, além do risco de estragar um cenário que hoje é considerado paradisíaco."

Segundo a matéria, os representantes do Grupo Sánchez asseguraram que a duna não será atingida pelo empreendimento. A matéria informa ainda que o Idema criou uma comissão para acompanhar a construção da obra.

A promotora Ethel Ribeiro alerta também para a necessidade de "avaliar bem como serão criadas as condições sanitárias e sociais para prover a população que passará a viver, gradativamente, ali." Ela alerta ainda para o risco de que o empreendimento venha a sobrecarregar o saneamento básico da área - apenas 33% de Natal tem rede de esgoto.

O governo estadual, por sua vez, destaca que as obras do megaresort vão levar desenvolvimento à região, com a criação de 100 mil postos de trabalho na área hoteleira e da construção civil.

A Folha lembrou ainda o caso dos vereadores acusados de trocar votos por dinheiro na votação do Plano Diretor de Natal. Os vereadores foram acusados pelo Ministério Público da capital de favorecer as empreeiteiras quando derrubaram os vetos do prefeito Carlos Eduardo (PSB) ao PDN.

A "barriga" do blog

No jargão jornalístico, barriga quer dizer publicar um fato falso, mas sem intenção de enganar o leitor.

Foi isso que aconteceu aqui no blog, no dia 31/12 passado, quando dei a seguinte notícia: "Morre Marshall McLuhan, precursor da aldeia global".

Um leitor anônimo mandou comentário avisando do erro e tirando onda com minha cara. O comentário dizia o seguinte: "Copiou o JB e deu nisso. McLuhan morreu em 1980!!! Dia 31.12 foi aniversário de morte e não a morte propriamente dita, como foi noticiado no blog. Que falta de atenção..."

Mas ele tem razão mesmo. Foi pura falta de atenção. Transcrevi a notícia do Blog do Noblat (não foi do JB, caro leitor) tal qual estava postada lá e deu no que deu.

O mico está devidamente registrado, assim como a devida correção. A notícia errada será excluída.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Sobre tanta nostalgia

Feliz 2008

Frei Betto, em "Tendências e Debates", na Folha, hoje:

O QUE há de especial em trocar de ano? Nada, exceto a convenção numérica, invenção indo-arábica, que nos permite codificar o tempo em horas, minutos e segundos e estabelecer, segundo o movimento de nosso planeta em torno do Sol e as fases da Lua, calendários que repartem o tempo em ano de 12 meses, mês com cerca de 30 dias e dia com exatas 24 horas.

Ocorre que não somos trilobitas, e sim humanos, dotados da capacidade de imprimir ao tempo caráter histórico e, à história, sentido. Mudar de ano é rito de passagem. Ressoa em nosso inconsciente o alívio por terminar um ano de tantos reveses, perdas, sofrimentos; e celebrar conquistas, avanços e vitórias. Vivemos premidos pelo mistério.

Como as partículas subatômicas, somos regidos pelo princípio da indeterminação. Essa impossibilidade de prever o futuro suscita angústia, o que nos induz a tentar decifrá-lo por via da leitura dos astros e das cartas, da sabedoria de videntes, dos búzios de pais e mães-de-santo, da rogação aos nossos santos protetores.

Esta é uma paradoxal característica da pós-modernidade: em plena era da emergência da física quântica e da falência do determinismo histórico como ideologia, acreditamos que o nosso futuro está escrito nas estrelas. Daí a inércia, a indignação imobilizadora, a impotência diante dos escândalos éticos e do descaramento com que corruptos são absolvidos por seus pares, essa letargia que em nada lembra o que se deveria comemorar neste ano: os 40 anos de Maio de 1968.

Nos países industrializados, Maio de 68 é o paradigma da rebeldia, o grito parado no ar enfim sonorizado nas manifestações estudantis, os EUA derrotados pelos vietnamitas, os Beatles reinventando a canção, a moda subvertendo parâmetros, as mulheres a conquistar o direito de se apaixonar pela primeira vez inúmeras vezes, a castração do machismo, a emergência esotérica.

Do lado sul do planeta, os anos de chumbo, os generais metendo no coldre as chaves dos Parlamentos, a utopia dependurada no pau-de-arara, as rotas do exílio se multiplicando, os mortos e desaparecidos enterrados nos arquivos secretos das Forças Armadas. Ainda assim, havia sonho, e não era motivado pela ingestão química, brotava da fome de liberdade e justiça, fomentava o desejo irrefreável a adjetivar de novo a criatividade incensurável -o cinema, a bossa, a literatura, o tropicalismo. No passado, o futuro era melhor.

Hoje, imersos nessa sociedade da hiperestetização da banalidade, na qual as imagens contraem o tempo e a "web" virtualiza o diálogo na solidão digital, andamos em busca de uma razão de viver. Perdemos o senso histórico, trocamos os vínculos de solidariedade pela conectividade eletrônica, vendemos a liberdade por um punhado de lentilhas em forma de segurança. Em 2008, seremos chamados às urnas municipais. Haveremos de tentar discernir os idealistas dos arrivistas; os servidores públicos dos que se afogam no ego destilado na embriaguez dos aplausos; os movidos pela intransigência dos princípios éticos dos que miram os recursos do Estado como carniça fresca ofertada à sua gula insaciável.

Ano também de comemorar o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, para vergonha de nós, católicos, até hoje não mereceu a assinatura do Estado do Vaticano.

No Brasil, é hora de a declaração ser transferida do papel à realidade social. Em que pese a atuação corajosa da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, é impossível celebrar conquistas em direitos humanos enquanto a polícia estigmatiza como suposto traficante o morador de favela; o Judiciário promove a orgia compulsória ao trancafiar mulheres em celas repletas de homens; indígenas e quilombolas são condenados à miséria por descaso das autoridades; a frouxidão da lei cobre de imunidade corruptos e de impunidade bandidos e assassinos.

Não basta o propósito sincero de fazer novo em nossas vidas o ano de 2008. É preciso mais: fazer novas as realidades que nos cercam, de modo que ocorram mudanças efetivas e a paz floresça como fruto da justiça. Feliz 2008, Brasil!

E lá vem mais uma eleição...

Este é ano de eleições municipais. O assunto, com toda certeza, vai dominar a pauta midiática daqui pra frente. Os articulistas dos grandes jornais começaram a fazer suas previsões e projeções para a batalha de outubro.

Alguns dizem que 2008 será um teste para 2010, quando teremos eleições presidenciais. Outros não enxergam nenhuma relação entre os dois pleitos.

Eliane Cantanhêde, minha anta preferida da Folha, escreveu na "Pensata" da Folha Online que as eleições dete ano serão "um teste de força dos dois principais partidos [PT e PSDB], além de uma ocupação de espaços eleitorais que poderão ser bastante úteis na partida decisiva, em 2010."

Melchiades Filho, na Folha de hoje, diz que "Arrisca-se a quebrar a cara quem projeta efeitos das eleições municipais sobre a sucessão presidencial."

Um rápido olhar para as últimas eleições dá razão a Melchiades. Mas eleição nem sempre é uma equação simples. Há muitas variáveis difíceis de se prever e que podem interferir no processo, mudando definitivamente o rumo das coisas.

E enquanto esperamos outubro chegar, o melhor é nos divertirmos com a briga de ego dos analistas políticos. Cada um que quer ter mais razão do que o outro. No final, dá até pra brincar de jogo dos sete erros.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

"Ninguém pode explicar a vida num samba curto"

A Folha de hoje traz uma entrevista curta com o cantor e compositor Paulinho da Viola. Ele foi vítima de um assalto domingo passado (30/12), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

O sambista respondeu às perguntas de Maria Luiza Rabello com a tradicional serenidade que lhe é peculiar.

A repórter quis saber quem Paulinho da Viola responsabilizava pelo cenário de insegurança.

"Olha, eu tenho pensado muito sobre isso e já me fizeram essa pergunta várias vezes. Há anos, leio, ouço e participo de inúmeras discussões sobre a questão da violência. Hoje eu não falo nada porque já se falou tudo. A gente bate na mesma tecla, é aquilo que todo mundo já sabe, tem vários especialistas debruçados sobre isso. Eu vou falar o quê? No que acrescentaria? Vou engrossar qual coro? Está tudo escancarado", respondeu ele.

Paulinho disse ainda que o pior é essa sensação de "uma certa descrença" diante de um "sistema viciado de todas as formas". "O que dizer quando você abre o jornal e vê, todo dia, uma parte da classe política da sua cidade envolvida em uma série de denúncias? Você vai falar o quê, para quem? Essa é que a sensação pior: uma certa descrença."

Por fim, o sambista disse que "o país não acabou". " Tenho um samba que diz "ninguém pode explicar a vida num samba curto". (...) Mas você percebe que há perplexidade, há um sentimento de insegurança, de desconforto, de impotência para alguns. Há quem diga que o país acabou, mas a gente sabe que não é assim."

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Listinha para 2008

Todo mundo faz planos para o ano novo. Eu também fiz minha listinha para 2008:


Ler os livros que deixei pela metade;

Terminar de escrever minha monografia;

Comprar os dois cd's da Roberta Sá;

Ir ao teatro;

Assistir "A Bússola de Ouro" e "As Crônicas de Nárnia - O Príncipe Caspian";

Ir mais vezes à praia para caminhar na areia molhada e sentir a brisa que vem do horizonte distante;

Fazer caminhada;

Entrar na academia;

Pelo menos uma vez no ano, tomar vinho em noite de lua cheia;

Aprender a fazer outras sobremesas, além de mousse de maracujá;

Aprender a fazer outros pratos, além de lasanha de frango;

Exercitar a esperança, em busca da fé quase esquecida;

Ir à igreja mais vezes;

Falar menos - muito menos;

Ter menos expectativas em relação às pessoas;

Ler mais poesias;

Valorizar os momentos despretenciosos da vida;

Ouvir boa música;

Assistir menos televisão;

Refazer alguns laços perdidos;

Aproveitar mais o tempo ao lado da minha avó materna;

Gastar menos, economizar mais;

Rever velhos amigos;

Rir despretenciosamente;

Fazer um curso de inglês - outro de informática (photoshop, corel draw, entre outros);

Organizar minha agenda;

Dormir e acordar mais cedo;

Não postergar tarefas;

Viajar para Belo Horizonte;

Tomar banho de chuva;

Comer mais chocolate branco;

Comprar um chinelo novo;

Deixar meu cabelo crescer;

Jogar dominó;

Comer tapioca recheada de chocolate com uma bola de sorvete de creme;

Distribuir mais abraços;

Pagar as dívidas pendentes;

Pintar a casa;

Comprar um sofá pra sala e um armário pra cosinha;

Escrever aquele roteiro que tá na minha cabeça faz tempo;

Subir a Serra Barriguda (Alexandria);

Limpar as gavetas;

Reunir a turma pra ver um filme lá em casa e comer pipoca com guaraná;

Assinar a "Carta Capital";

Fazer natação;

Ir a um jogo do ABC no Frasqueirão;

Comprar uma camisa do Mengão;

Escrever um livro;

Plantar uma árvore.


O difícil é conseguir fazer tudo isso aí...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Mídia dará trégua a Lula em 2008?

Do blog do Luis Nassif:

Ano Novo, jornalismo novo?

Para um dia 30 de dezembro, a edição da “Folha” está muito boa. Independentemente da qualidade dos artigos, a edição da "Folha", assim como do "Estadão" e da "Veja", mostra a inflexão da mídia em relação a Lula e, principalmente, ao estilo tendencioso de fazer jornalismo.

O resultado desse estilo, pela grande mídia em geral, foi a total perda da credibilidade e da eficácia da crítica.

Depois da “Folha” e, agora, da “Veja” acenar com a “détente” vai ser interessante acompanhar o movimento pendular de alguns comentaristas.

Resta saber qual será o passo seguinte: se aprofundar a crítica não-tendenciosa (fundamental para aprimorar um governo cheio de defeitos e fragilidades), e voltar a fazer jornalismo, ou apenas jogo-de-cena para a próxima guerra santa ou ainda, se curvar à nova onda da opinião pública, e deixar de lado o viés crítico necessário.

Como a auto-crítica não é matéria prima abundante, não se espere uma avaliação isenta (ainda que interna) dos jornais sobre os profundos erros que comprometeram a imagem da mídia junto aos segmentos mais esclarecidos da população.

Não se espere que o “Globo” avalie como o estilo Ali Kamel jogou fora anos e anos de trabalho de Evandro Carlos de Andrade, para recuperar a credibilidade jornalística das organizações Globo. Ou a Abril se dê conta de como a indicação de diretores inescrupulosos e jornalisticamente desaparelhados para a Veja, assim como essa decisão inédita – para um órgão de grande imprensa – de contratar êmulos de Giba Um para fazer o trabalho sujo nos blogs, afetou profundamente a imagem da revista. Ou caia a ficha da “Folha” de como jogou fora todo um ativo de leitores de centro-esquerda, que levou décadas para ser formado.

Vamos ter jornalismo, daqui para frente? Lá sei eu. Em todo caso, ano novo, vida nova. E que se crie um jornalismo à altura dos desafios do Brasil.

Lula deveria ser escolhido personalidade do ano

Da seção “TENDÊNCIAS/DEBATES”, na Folha de hoje:

Lula pode fazer de 2008 um ano muito bom

ROGER NORIEGA*

A CADA ano, a venerável revista norte-americana "Time" escolhe um importante protagonista dos acontecimentos mundiais como "pessoa do ano". Ao explicar a seleção do presidente russo Vladimir Putin para essa distinção, em 2007, os editores de "Time" apontaram para o impacto dramático que o controverso líder exerceu ao restaurar a auto-estima de um país importante. Antecipando críticas à escolha do autocrata, eles admitem que Putin "representa, acima de tudo, estabilidade -estabilidade acima da liberdade, estabilidade acima da escolha...".

Nos termos dessa definição, uma seleção muito melhor como pessoa do ano teria sido Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Federativa do Brasil. Ao escolher Lula, "Time" não precisaria se desculpar por ter selecionado um autocrata, porque Lula é o "democrata" definitivo. Tendo em vista suas origens notavelmente humildes, ele fez uma contribuição à humanidade simplesmente por ter sido eleito.

Ao contrário do voluntarioso Putin, Lula conquista o sucesso ao provar que não é necessário sacrificar a liberdade em nome da estabilidade e que não existe motivo para ceder a liberdade política em troca de oportunidades econômicas. (...) O Brasil é um país respeitado e influente e serve de força propulsora à auspiciosa meta de integração sul-americana. Ainda que suas instituições não sejam perfeitas, ao contrário do que acontece na Rússia, elas vêm sendo reforçadas a cada dia.

O Brasil é uma das mais estáveis democracias mundiais, uma realização notável dado seu caráter multiétnico, sua diversidade geográfica e a grande proporção de sua população que continua vivendo na pobreza -motivos suficientes para que concedamos certa dose de respeito aos seus líderes.

Lula trabalhou nos limites de um processo livre e pluralista a fim de atingir sua meta de romper o ciclo de expansão e contração que afligia a economia brasileira havia gerações. Ainda que seja elogiado por ter mantido as políticas macroeconômicas "ortodoxas", sua maior contribuição está no reconhecimento de que o crescimento econômico e a justiça social são metas indispensáveis e complementares. Em lugar de recorrer a uma retórica populista vazia e divisiva, Lula está implementando programas práticos de combate à fome e à pobreza que vêm se tornando exemplos concretos para o resto do mundo.

Dados seus antecedentes como negociador sindical, Lula consegue observar a pessoa do lado oposto da mesa, avaliá-la e obter o melhor acordo para seu povo. O relacionamento pessoal inexplicável que estabeleceu com o presidente Bush pôs o Brasil como parceiro igual de Washington. Talvez o ponto mais forte de Lula seja que, diferentemente de Putin e de alguns dos líderes do setor de política externa do governo brasileiro, ele não considera que o relacionamento com os Estados Unidos seja uma questão definida em branco e preto. E sua persistência e autoconfiança representam o Brasil com perfeição.

Lula pode tornar a economia brasileira inabalável caso liberalize o mercado de trabalho, reforme o antiquado sistema tributário, dê incentivos ao setor de alta tecnologia e proteções dignas de um país de Primeiro Mundo à propriedade intelectual.

Ao fazê-lo, pode garantir que o Brasil concorra efetivamente pelo capital mundial necessário para sustentar um ritmo elevado de crescimento, gerar os milhões de empregos que representam a cura da pobreza e conduzir a economia brasileira a uma órbita mais elevada. Isso fará do Brasil um gigante industrial por direito próprio, em vez de um simples armazém de matérias-primas para a China.

Lula também pode resgatar sua política de comércio internacional das garras dos burocratas. Ele ocupa posição ideal para salvar um acordo mundial de comércio baseado em regras comuns, a fim de proteger os interesses das pequenas economias, pôr fim aos subsídios agrícolas que prejudicam os agricultores do Terceiro Mundo e gerar ampla prosperidade.

Por fim, Lula precisa encontrar uma maneira de domar os vestígios de corrupção que ainda afetam a maioria dos países da região. Um Estado de Direito é essencial a um governo responsável, à estabilidade política e a uma economia de mercado florescente. Não é tarde demais para enfrentar a praga da corrupção. Lula pode não ser um homem perfeito, mas é um bom homem. E mesmo a revista "Time" deveria reconhecer que um verdadeiro democrata e reformista é melhor que um autocrata superlativo -em qualquer lugar, em qualquer ano.

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ROGER NORIEGA , diretor do escritório de advocacia Tew Cardenas e pesquisador visitante do American Enterprise Institute, foi secretário-assistente do Departamento de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental (2001-2005) e embaixador na Organização dos Estados Americanos.

Folha acusa universidades públicas de "perda de eficiência"

A Folha fez as contas e concluiu que enquanto o número de matrículas vem crescendo nas últimas décadas, houve queda de quase 10% no número de formados nas universidades públicas nos últimos dois anos. Os dados utilizados na matéria são do próprio Ministério da Educação.

De posse desses números, a Folha sentencia: "O resultado representa uma perda na eficiência nessas instituições, que são financiadas com recursos públicos."

A matéria aponta algumas causas da evasão: a necessidade de o aluno começar a trabalhar e o descontentamento com os cursos.

Para a Folha, a queda do número de formados nas universidades públicas representa um "prejuízo financeiro para o Estado". A preocupação da Folha é com o montante de recursos destinados às instituições públicas de ensino superior - R$ 1,7 bilhão para custeio em 2008.

A Folha ouviu um aluno da USP, que está ameaçado de ser jubilado, caso não se forme até dezembro de 2008. "Tem um pouco de relaxo, também. Como não pagamos mensalidade, ficamos menos pressionados a terminar rapidamente. Vejo que meus colegas em faculdade particular se esforçam mais", disse o rapaz.

Pelo que se infere do depoimento do aluno, a solução é cobrar mensalidade nas universidades públicas - que automaticamente deixariam de ser públicas.

A Folha também ouviu o presidente da Andifes (associação que reúne as universidades federais), Arquimedes Diógenes Ciloni, para quem a diminuição do número de formados tem a ver também com o aumento do número de pobres que ingressaram na universidade.

"Mesmo que o curso seja gratuito, há gastos com transporte, livros, alimentação. Fica pesado, principalmente para os que precisam mudar de cidade. Muitos desistem", concluiu.

Então, a solução é combinar a cobrança de mensalidade com o impedimento da entrada de pobres na universidade.

A Folha ouviu ainda o ex-ministro da Educação no governo FHC, Paulo Renato Souza, que negou que tenha havido falta de investimento nas universidades na sua gestão à frente do Ministério.

A matéria não fala nada sobre a proposta de reforma do ensino superior do governo federal, que está parada nas gavetas do MEC e foi duramente combatida pela mídia e pelas universidades particulares.

sábado, 29 de dezembro de 2007

O câncer da Veja

Comentário postado por Weden, no blog do Luis Nassif:

"Você lê uma Exame, uma revista Nova Escola, você percebe que não há problema ético nenhum nestas revistas.

Portanto, não: a política da difamação e a prática de jornalismo marrom não são uma marca do grupo Abril.

Os Civitas mantém o padrão de bom jornalismo nos outros produtos do grupo Abril, e devem ser admirados por isso.

Conversando com alguns jornalistas da revista, você também percebe que há diferenças de posição, há gente digna por ali, na Veja.

O câncer, Nassif, o câncer está na Veja. Mas, mais especificamente, o câncer está na cabeça da Veja.

A revista tem uma história a zelar. O grupo Abril tem uma história a zelar.

Quem não tem nada a zelar é o câncer na cabeça da Veja.

Porque o câncer só tem zelo com sua própria expressão maligna, seu verbo mortal, odioso pelo que circunda.

O câncer só conhece adjetivos podres, advérbios doentes, artigos indefinidos e interjeições chulas. O câncer vive da sintaxe maligna, da articulação dos ruins.

O câncer da Veja não tem classe, nem gramatical, nem civilizacional.

Ele sobrevive da morte dos órgãos, das células sãs. Pulsão de morte.

A propósito, o câncer não pulsa, ele paralisa. Não viceja, degenera.

O câncer da Veja mata o corpo da Veja, aos poucos; mata porque é um avanço às avessas, um progresso negativo.

O câncer que acomete a Veja quer levá-la embora.

Como todo câncer não tem consideração pelo corpo que habita, mas apenas pela própria possibilidade de crescer para fora, corroendo o que há por dentro."

Em Tempo

Não convidem Nassif e Eurípedes Alcântara, diretor de redação da "Veja", para a mesma mesa. Nassif, em seu blog no IG, acusa Eurípedes de manter ligações com o publicitário Eduardo Fischer e também com o banqueiro Daniel Dantas.

O diretor da "Veja" respondeu chamando Nassif de "turco ladrao, mascate, rato", num ataque pra lá de agressivo no próprio blog do Nassif.

Eurípedes Alcântara é o câncer da "Veja"?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Os segredos da Islândia: a campeã do mundo em IDH

De acordo com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Islândia superou a Noruega e é a nova campeã do mundo em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). No site Conciência.Net, encontrei um artigo falando sobre as razões que tornaram a pequena ilha no Atlântico Norte a número 1 em desenvolvimento humano.

O país, conhecido como "Terra do Gelo", tem 312.851 habitantes distribuídos em 103 quilômetros quadrados (pouco mais que a área de Pernambuco).

Em relação à economia, a Islândia tem o 126º PIB (Produto Interno Bruto) do mundo. O país depende da indústria pesqueira, que responde por 70% das exportações.

Apesar de não ser uma potência econômica mundial, a situação se inverte quando analisamos seus índices sociais.

Os gastos com saúde equivalem a 8,3% do PIB — bem mais que a iniciativa privada (1,6%) e quase o dobro do Brasil (4,8%), como mostram os dados do relatório do PNUD.

Os gastos são feitos com eficiência. A expectativa de vida é a terceira maior do mundo: 81,5 anos, só atrás de Japão e Hong Kong. Entre os homens, os islandeses são os que mais vivem (79,9 anos). A taxa de mortalidade infantil é a menor do planeta (2 mortes para cada mil nascimentos).

Os investimentos públicos em educação correspondem a 8,1% do PIB, a oitava maior proporção do mundo, só superada por outras ilhas — incluindo a campeã Cuba (9,8%) —, por Iêmen (9,6%) e Dinamarca (8,5%). O relatório aponta que os gastos do governo são aplicados sobretudo nos estágios iniciais: 40% vai para o pré-primário e o primário, 35% para o secundário e 19% para o ensino superior.

No país gelado, o analfabetismo beira zero, a taxa bruta de matrícula é de 99% no ensino primário e 88% no secundário. Não há evasão no ciclo escolar inicial: 100% das crianças que entram na primeira série chegam à quinta.

O curioso é que a Islândia não tem Forças Armadas e, como conseqüência, gasta-se muito pouco com armamentos.

A taxa de desemprego é de 2,9%, a menor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade internacional de 30 países comprometidos com os princípios da economia de livre mercado).

Em tempo

O senador Eduardo Sulicy (PT-SP) foi à Islândia conhecer o programa de renda mínima que o país instituiu para seus cidadãos. Suplicy vem lutando há anos para que o programa seja implantado no Brasil. Pelo projeto, cada brasileiro teria direito a uma chamada renda básica de cidadania. O projeto foi aprovado e sancionado pelo preidente Lula, mas não há previsão de quando entrará em vigor.

A Bússola de Ouro

Igreja Católica quer boicotar filme por "promover o ateísmo"

"A Bússola de Ouro", que estreou no Brasil terça-feira passada (25), irritou líderes católicos. O portal G1 informa que a Liga Católica dos Estados Unidos laçou uma campanha contra o filme, que é baseado na trilogia “Fronteiras do universo”, do escritor inglês Phillip Pullman. Os católicos acusam o filme de “levar as crianças ao ateísmo”.

O filme tem Nicole Kidman entre suas estrelas. A história retrata um mundo paralelo no qual criaturas chamadas “daemons” levam a alma das pessoas. Nesse mundo imaginário, tudo é controlado pelo Magistério – uma ordem religiosa que tira o livre-arbítrio e controla as almas das crianças. A heroína adolescente de 12 anos, Lyra Belacqua, vivida pela atriz Dakota Blue Richards, se revolta contra a ordem e utiliza a bússola dourada para encontrar outras crianças que foram capturadas.

Para a Liga Católica, o Magistério é uma referência à Igreja. Segundo o G1, o presidente da organização religiosa, Bill Donohue, afirmou que o filme é uma tentativa de "promover o ateísmo e denegrir os cristãos aos olhos das crianças". A liga pediu aos católicos que se afastem do filme.

Para o crítico Christy Lemire, o mal que tenta manipular a mente dos jovens não é nenhuma igreja específica, mas sim o ensino autoritário e imposto da doutrina religiosa.

Estou ancioso para ver o filme. O boicote da Igreja Católica só fez aumentar meu interesse. É como se tivesse despertado aquele conhecido efeito do "é proibido? hummm...".

A Igreja (qualquer igreja) reage sempre do mesmo jeito, com boicotes e proibições, quando alguma coisa questiona seus dogmas e suas práticas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Glória Maria está fora do "Fantástico"

A notícia está na edição de hoje da Folha de São Paulo:

"A apresentadora Gloria Maria deixou a apresentação do "Fantástico", da TV Globo. De acordo com uma nota da Central Globo de Comunicação, ela pediu um período sabático de dois anos para se dedicar a projetos pessoais, como escrever um livro, viajar a lazer e se dedicar às aulas de canto.Gloria estava à frente da atração havia dez anos. Neste domingo, ela será substituída por Renata Ceribelli. Patricia Poeta assume o posto a partir de 6 de janeiro."

Em 2003, se não me engano, assisti uma palestra de Glória Maria sobre empreendedorismo jovem, no auditório da reitoria da UFRN. Depois da palestra, Glória respondeu algumas perguntas da platéia.

Alguém lhe perguntou sobre "como ela se sentia apresentando o Fantástico". A pergunta foi bem babaquinha, mas a resposta é digna de nota: "Estou lá apenas enquanto eles não arranjam um rostinho bonito pra colocar no meu lugar", disse Glória.

Glória tinha razão. Patrícia Poeta tem um rostinho lindo - além de ser mulher do diretor da Globo Internacional, Amauri Soares.

O que é ser de esquerda

"O acriticismo militante foi nefasto para a esquerda. Sem ser crítico, não se pode ir a nenhum lado, se reproduz o pior. Para mim, ser de esquerda não significa estar contra a direita, mas contra o poder, seja quem for que o exerça".

[Canek Sánchez Guevara, neto do líder revolucionário Che Guevara, em entrevista ao jornal espanhol "El País"]

José Agripino: o mala sem alça de 2007

Ailton Medeiros elegeu o senador potiguar José Agripino, líder dos "demos", "o mala sem alça de 2007".

"Este homem que costuma tratar amigos, correligionários e jornalistas - os daqui, diga-se de passagem - com desprezo e arrogância, é idolatrado pelos nossos jornais como se fosse um Picasso, um Victor Hugo, um Balzac", afirma Ailton.

Ailton, eu também tô nessa: Agripino é minha anta!

Repensando o Natal

Artigos questionam tradição do Natal

O Natal já passou. Papai Noel regressou ao Pólo Norte e ficará por lá, coçando o saco, até dezembro do ano que vem.

Agora é hora das mensagens de ano novo. Os jornais vão falar das simpatias pra virada do ano, o significado das cores das roupas, o cardápio da festa, a queima de fogos na praia de Copacabana e outras baboseiras do tipo.

Recebi por e-mail dois artigos muito bons questionando a tradição natalina. Os dois podem ser acessados no site do Fazendo Media (www.fazendomedia.com). O primeiro artigo é de Marcelo Salles: "Pro inferno a mídia e seu Natal!".

Marcelo começa seu artigo dizendo que o Natal "é uma boa oportunidade para pensarmos e repensarmos nossas próprias vidas", mas ele chama a atenção para a necessidade de refletirmos em profundidade primeiro sobre a realidade em que vivemos, antes de "divagar sobre o significado da existência humana num plano filosófico distante".

"Estou falando de uma realidade em que 2,8 bilhões de pessoas sobrevivem com dois dólares por dia e 1 bilhão de seres humanos não têm acesso à água potável, de acordo com o relatório da WorldWatch de 2004. Trata-se de uma situação alarmante, escandalosa, mas que parece não sensibilizar aqueles que governam o mundo, a não ser quando promovem campanhas que apenas remedeiam a situação com dinheiro deduzido do Imposto de Renda. Pra poderem dormir com a consciência tranqüila", diz um trecho do artigo.

Marcelo fala ainda sobre a desigualdade social, que condena milhões de seres humanos à exclusão e expõe essa imensa parcela da população à violência urbana. Marcelo culpa os governos e as organizações capitalistas do mundo por essa situação camitosa. A face mais perceptível desse sistema de exploração é o rosto de cada pessoa faminta nos quatro cantos do planeta.

"Que sentido pode haver num planeta onde habitam 6,5 bilhões de pessoas, cuja produção de comida é suficiente para alimentar 11 bilhões de seres humanos, mas que ainda assim 1,3 bilhão desses passam fome, segundo dados da ONU? Que sentido pode haver num país como o Brasil, dono de uma das maiores riquezas naturais do mundo, se a cada 12 minutos uma criança morre por desnutrição?", questiona Marcelo.

Depois de falar sobre desigualdade, violência e fome, Marcelo chama nossa atenção para a atualidade da mensagem de Jesus, que pregava o combate às injustiças, à desigldade e à exploração. "Jesus Cristo também nos ensinou a solidariedade, que depois a Igreja capitalista tentou transformar em caridade. São coisas diferentes. A caridade é vertical, ela humilha quem recebe. Por outro lado, solidariedade é estar ao lado de quem precisa. É pegar chuva, sentir fome, frio, medo, apenas para confortar alguém com sua presença. E se a caridade pode ser cotada pelo mercado, além de aliviar consciências em troca de moedas, a solidariedade desconhece tais valores."

Por fim, Marcelo responsabiliza a mídia corporativa pela tentativa de "reduzir o significado do Natal a uma corrida maluca por presentes" e por "impor um comportamento alienado". Por tudo isso, ele diz: "pro inferno esse sistema e sua mídia que incentivam o consumo desenfreado enquanto milhões passam fome."

O Natal tem Espírito?

O segundo artigo é do teólogo batista Eduardo Gomes. Segundo ele, o Natal foi comemorado em várias datas diferentes ao longo dos anos, até que o dia 25 de dezembro fosse oficializado como o dia de Natal, para se contrapor às antigas festas pagãs que celebravam a Saturnália e o sostício de inverno.

Os séculos se passaram e os cristãos foram incorporando outras tradições e símbolos pagãos ao Natal. Mas, para Eduardo Gomes, o mais importante a se destacar sobre a data natalina "é o nascimento do Salvador da humanidade". "Porém, como imaginar uma data tão festiva e que propõe tantas possibilidades de alegria, diante de uma carta de uma criança enviada ao Papai Noel, em cujo conteúdo encontra-se o pedido de um presente no mínimo curioso: um pão com manteiga e um copo de leite?", questiona ele.

Em seguida, Eduardo pega carona no significado em hebraíco de Belém, cidade onde Jesus nasceu, para dizer que o verdadeiro significado do Natal é "alimentar os que têm fome". Belém significa "Casa de Pão".

"Não é sugestivo que aquele que é motivo da comemoração do dia 25 de dezembro e que multiplicou pães para alimentar multidões tenha nascido justamente numa “Casa de Pão”? Não é, da mesma forma sugestivo, que o que nasceu em uma “Casa de Pão” tenha dito em um dos seus momentos de embates com os religiosos e políticos de sua época: “Eu sou o pão da vida”? Também não é curioso que aquele que nasceu em uma “Casa de Pão” e se colocou como o “pão da vida” tenha feito um último discurso para os seus discípulos na Ceia comparando o seu corpo com um pão, do qual todos deveriam comer, sob pena de não ter comunhão com Ele? E ainda, como podemos relacionar o “pão da vida” com as muitas pessoas que pedem de presente ao Papai Noel, no dia do Natal, um pão com manteiga e um copo de leite? O que aconteceu com o espírito do Natal? Se é que existe esse tal espírito! Mas se existe, será que ele não se equivocou assumindo em sua trajetória histórico-afetiva um compromisso maior com a tradição religiosa, quando deveria assumir tal compromisso com a humanidade em suas reais necessidades?"

Para Eduardo, a "tradição do Natal", tal qual a conhecemos nos dias atuais, interessa "somente aqueles cuja força é capaz de transformar um espírito natalino em espectro fantasmagórico que leva terror ao invés de segurança pública; aqueles que já perderam de vista as necessidades do próximo em detrimento de seus próprios interesses; aqueles que, a exemplo do rei Herodes que mandou matar todas as crianças de dois anos para baixo, quando do nascimento de Jesus, com medo de perder o trono, destroem sonhos e até mesmo pessoas com medo de perder o poder; aqueles que capitalizam votos nas campanhas eleitorais coronelificando (se me permitem o neologismo) o nepotismo. A estes interessa manter a tradição, pois para eles a tradição é a estrutura ideológica do poder."

Eduardo finaliza seu artigo com um pequeno alerta: "Lembre-se: o Natal é dia de gente e não de estruturas!"

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O que me irrita no natal

Muitas coisas me irritam no natal.

Em primeiro lugar, fico irritado com a exploração comercial da data. Tudo é comércio. A publicidade explora a compulsão consumista das pessoas e as estimula a consumir mais ainda quando vem chegando o natal.

Não suporto os comerciais de natal. As Mensagens, músicas, sorrisos... Tudo artificial. Tudo ensaiado. Tudo feito para comover os trouxas. Os bancos, que passam o ano todo assaltando o bolso da gente com taxas exorbitantes, se transformam na fantástica fábrica de felicidade nos comerciais.

Os telejornais também conseguem me irritar ainda mais no natal. Todo ano é a mesma coisa. As mesmas matérias sobre "solidariedade e espírito natalino", as mesmas pautas sem nenhuma criatividade. Haja história de Papai Noel! Como dizem uns conhecidos meus, "ninguém merece". Além disso, só mostram as comemorações e tradições católicas. A mensagem do Papa também merece destaque.

A religiosidade com cheiro de naftalina e os discursos sem nenhuma novidade também me irritam. Ontem, véspera de natal, fui à igreja que freqüentei na minha adolescência e parte da minha juventude na cidade onde nasci, na esperança de ouvir alguma mensagem revigoradora. Não passou de esperança. Ouvi um discurso velho, o mesmo relato do nascimento do menino Jesus, algumas metáforas batidas, palavras que não empolgavam, não levavam a nenhuma reflexão nem incomodavam. Porque eu acho que as palavras têm que provocar e incomodar, para que saíamos da pasmaceira habitual.

Esse tipo de discurso e esse tipo de religiosidade, além de me irritar, me cansam. O natal perdeu, há muito tempo, seu sentido original. De que adianta falar no natal, no nascimento de Cristo, se esse Cristo do natal não faz nenhuma diferença em nós?

Acho que é justamente isso o que mais me irrita no natal. Essa é apenas uma data festiva como outra qualquer para a maioria das pessoas. É uma data que não faz a menor diferença.

O natal não faz o menor sentido se o Cristo do natal não nascer e renascer todos os dias para cada um de nós.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Manual prático para se manipular uma pesquisa eleitoral

Do Blog do Luís Nassif:

"Se alguém tinha dúvidas sobre como as pesquisas eleitorais podem ser manipuladas, uma pequena matéria da “Folha” (que merecia destaque maior) demonstra.

A matéria fala de duas pesquisas do IBOPE sobre as eleições municipais de São Paulo. Em um dos levantamentos, divulgado pela TV Globo, Martha vence por 46% a 35%. Em outro, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo (ligada a Kassab) ele vence por 47% a 38%. A diferença entre as pesquisas é de menos de um mês. [ A pesquisa em que Marta venceria foi realizada entre os dias 15 e 18 de dezembro, enquanto a outra, em que Kassab seria vencedor, foi realizada entre os dias 10 e 14 de novembro]

Qual o truque? No caso da pesquisa da ACSP, antes de perguntar sobre as intenções de voto, a pesquisa tinha oito questões sobre as obras de Kassab na cidade. Depois de lembrar (ou informar ) o leitor sobre as boas obras, sapecava a pergunta: em quem votaria?"

Em relação à pesquisa que deu Kassab à frente de Marta, A Folha informa que o Ibope afirmou ontem, por meio de nota, que as questões iniciais "podem ter influenciado os resultados obtidos nas perguntas sobre intenção de voto, principalmente nas simulações de segundo turno, dado o caráter plebiscitário dessas questões".

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Ibope diz que Marta lidera em São Paulo; Folha de S.Paulo diz que "Marta empata com Alckmin"

O Ibope divulgou nesta quarta-feira (19) uma pesquisa sobre a intenção de votos para a Prefeitura de São Paulo. De acordo com o instituto, a ex-prefeita e ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) aparece na liderança com 27%, seguida do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que aparece com 24%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais. Dessa forma, Marta tem entre 23% e 31%, enquanto Alckmin tem entre 20% e 27%. O Ibope ouviu 602 eleitores, entre os dias 15 e 18 de dezembro.

Eu já comentei outras pesquisas que saíram para presidente e, em relação a essa para prefeito, digo o mesmo: pesquisa eleitoral agora e nada, dá no mesmo. Apesar das eleições para prefeito estarem mais próximas, ainda falta muita água pra passar debaixo da ponte.

Mas, o que chama a atenção agora não é nem a pesquisa em si, mas a repercussão da mesma. O Ibope mostra Marta à frente de Alckmin. A Folha dá na manchete que Marta apenas empata com o tucano.

Estranho, né?