sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Manual prático para se manipular uma pesquisa eleitoral

Do Blog do Luís Nassif:

"Se alguém tinha dúvidas sobre como as pesquisas eleitorais podem ser manipuladas, uma pequena matéria da “Folha” (que merecia destaque maior) demonstra.

A matéria fala de duas pesquisas do IBOPE sobre as eleições municipais de São Paulo. Em um dos levantamentos, divulgado pela TV Globo, Martha vence por 46% a 35%. Em outro, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo (ligada a Kassab) ele vence por 47% a 38%. A diferença entre as pesquisas é de menos de um mês. [ A pesquisa em que Marta venceria foi realizada entre os dias 15 e 18 de dezembro, enquanto a outra, em que Kassab seria vencedor, foi realizada entre os dias 10 e 14 de novembro]

Qual o truque? No caso da pesquisa da ACSP, antes de perguntar sobre as intenções de voto, a pesquisa tinha oito questões sobre as obras de Kassab na cidade. Depois de lembrar (ou informar ) o leitor sobre as boas obras, sapecava a pergunta: em quem votaria?"

Em relação à pesquisa que deu Kassab à frente de Marta, A Folha informa que o Ibope afirmou ontem, por meio de nota, que as questões iniciais "podem ter influenciado os resultados obtidos nas perguntas sobre intenção de voto, principalmente nas simulações de segundo turno, dado o caráter plebiscitário dessas questões".

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Ibope diz que Marta lidera em São Paulo; Folha de S.Paulo diz que "Marta empata com Alckmin"

O Ibope divulgou nesta quarta-feira (19) uma pesquisa sobre a intenção de votos para a Prefeitura de São Paulo. De acordo com o instituto, a ex-prefeita e ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) aparece na liderança com 27%, seguida do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que aparece com 24%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais. Dessa forma, Marta tem entre 23% e 31%, enquanto Alckmin tem entre 20% e 27%. O Ibope ouviu 602 eleitores, entre os dias 15 e 18 de dezembro.

Eu já comentei outras pesquisas que saíram para presidente e, em relação a essa para prefeito, digo o mesmo: pesquisa eleitoral agora e nada, dá no mesmo. Apesar das eleições para prefeito estarem mais próximas, ainda falta muita água pra passar debaixo da ponte.

Mas, o que chama a atenção agora não é nem a pesquisa em si, mas a repercussão da mesma. O Ibope mostra Marta à frente de Alckmin. A Folha dá na manchete que Marta apenas empata com o tucano.

Estranho, né?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O poder da amizade

Tenho dormido tarde nos últimos dias e, para compensar a falta de sono, aproveito para ler e assistir bons filmes. Na madrugada de ontem para hoje assisti "Reine Sobre Mim" (Reign Over Me), do diretor Mike Binder, com Adam Sandler, Don Cheadle e Liv Tyler. Talvez a sua reação ao se deparar com o nome de Adam Sandler tenha sido de desconfiança, igual a minha, como se dissesse "xiii, lá vem mais uma daquelas comédias americanas estilo pastelão", afinal de contas Sandler é conhecido pelo grande público por suas atuações nesse tipo de filme.

"Reine Sobre Mim" nada tem a ver com o gosto duvidoso daquelas comédias. Primeiro porque é um drama, que conta uma história de conteúdo profundamente humano e emocionante, sem ser piegas. Depois porque você vai se surpreender com uma interpretação tocante de Adam Sandler, como provavelmente você não o viu em nenhum outro momento.

No filme, Sandler é Charlie Fineman, um homem perturbado pela tragédia de ter perdido a mulher e as três filhas num dos aviões seqüestrados pelos terroristas da Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001. Fineman não consegue lidar com a perda e isola-se de tudo e de todos. Tranca-se em seu apartamento e só sai a bordo do seu patinete motorizado para ir a uma loja de antiguidades que vende discos de vinil. O apartamento onde mora é um lugar sombrio. Ele reforma a cozinha à cada duas semanas. Os quadros estão pelo chão. Não há moveis; apenas um velho sofá na sala, um projetor de imagens e uma tv de plasma gigante, que ele só liga pra jogar video-game. Nunca vê os noticiários. É uma forma de estar no mundo, mas ao mesmo tempo não se sentir parte dele.

Fineman tenta fugir das lembranças da esposa e das filhas. As lembranças são dolorosas demais e ele não consegue conviver com isso. Ele já tem que suportar a ausência delas, o vazio infinito advindo dessa ausência, a absoluta sensação de estar perdido num universo gigantesco, a vertiginosa percepção de gravitar em torno do invisível, do intangível.

Um dia, por acaso, Fineman reencontra um antigo amigo de faculdade, Alan Johnson (vivido por Don Cheadle). É quando sua pobre vida triste começa a mudar. Johnson é um dentista que vive para a família e o trabalho, mas sente-se frustrado por ter que se anular o tempo todo. O reencontro de Fineman e Johnson reascende a amizade esquecida e essa nova relação vai ensinar muita coisa aos dois.

A partir desse reencontro, o tema da amizade é explorado com muita sensibilidade e filme mexe com algo que é comum a todos nós: a estranha necessidade de não nos sentirmos sós. Fineman descobre que não está só, enquanto Johnson começa a intuir que aquela amizade pode trazer à tona um lado seu que nem ele mesmo conhecia.

Em tempos difíceis como os nossos, quando as relações são, muitas vezes, movidas por interesses egoístas, é sempre bom ver histórias como essa, que mostram a força da verdadeira amizade. Não importa que seja um pouco idealizado. É bom sonhar de vez em quando.

"Coisa mais linda é você..."



Fernanda Tavares no mar da Grécia, em ensaio para o perfume

"Davidof Cool Water"

Vereador quer censurar Rita Lee

Li a seguinte nota no blog "Panorama Político" da jornalista Ana Ruth Dantas:

Vereador defende que Prefeitura “vete” Rita Lee

"O vereador Carlos Santos se revoltou com a cantora Rita Lee, que se apresentou na última quinta-feira no projeto Natal em Natal. O parlamentar do PR se mostrou indignado pelo fato da roqueira ter testado a popularidade do senador potiguar Garibaldi Filho, no momento em que disse, durante o show, “se o senador for bom aplaudam, se for ruim vaiem”.

“Ela (Rita Lee) orquestrou uma vaia para o senador Garibaldi Filho. Entendo que nós do Rio Grande do Norte não podemos aceitar isso. Garibaldi Filho não é uma questão do PMDB é do Rio Grande do Norte. Ele é o presidente do Senado do Rio Grande do Norte. Não admito que ela incentive a vaia”, disse Carlos Santos.

O vereador ponderou que “Rita Lee é uma boa cantora, fez bom show, mas não pode ferir algo que é nosso”."

Deixei o seguinte comentário no blog da jornalista:

O vereador Carlos Santos deveria se preocupar com outras coisas. Agora ele quer ser censor? Deveria se ocupar em legislar em favor do município pelo qual foi eleito. Desconheço qualquer coisa relevante feita pelo nobre vereador na Câmara Municipal - a não ser que ele considere relevante conceder honrarias às musas do axé baiano.

O verdadeiro artista, vereador, é um vanguardista, um visionário. Ele se move por entre as intermitências do tempo presente e escapa do pensamento único e do senso comum. Quando todos olham para os lados, o artista mira para cima, porque a "novidade" pode estar pairando sobre nossas cabeças. E antes que se precipite a "chuva", ele a traduz em arte, em protesto, em contestação. A verdadeira arte não se alinha à vontade nem dos velhos nem dos novos coronéis.

Deixem o (a) artista livre.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Mais brasileiros na rede mundial de computadores

Em um ano, Brasil tem 1,8 milhão de novos internautas de banda larga

O número de conexões à internet por meio de banda larga no Brasil cresceu 36% entre setembro de 2006 e setembro de 2007, registrando 1,870 milhão de novas conexões. É o que mostra a sétima edição do estudo Barômetro Cisco de Banda Larga, realizado pela IDC Brasil e divulgado nesta terça-feira.

Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o aumento foi de 8,3%. Uma das razões das adesões, segundo o estudo, é a queda no preço desses serviços. O crescimento na venda de PCs também estaria ajudando no crescimento da banda larga.

Quase metade das conexões, no entanto, concentra-se no estado de São Paulo (40,1%). O estado também detém 36% das conexões discadas à rede.

O preço das conexões entre 1 e 2 Mbps caiu 30% de setembro deste ano a setembro de 2006, informou o relatório.

Fonte: Folha Online

Quem tem medo da TV Pública?

Em discurso na Câmara Federal, a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) defende a TV Brasil e afirma que a oposição critica a nova rede porque tem o apoio de "grandes grupos privados de comunicação brasileiros, que não se conformam com a aparição de uma alternativa de televisão para o público brasileiro, insatisfeito com os padrões atuais da TV comercial".

Leia abaixo a íntegra do discurso de Manuela na Câmara dos Deputados e reproduzido no site "Vermelho":

Nosso país viveu um ano de profundas transformações, este fato é reconhecido por todas as forças políticas desta Casa. Uma destas grandes transformações foi o início das operações da TV Brasil. Início este ofuscado pela estréia das transmissões da TV digital brasileira. Apesar da estréia tímida, resumida à cidade de São Paulo, a tv digital concentrou todas as atenções, enquanto o verdadeiro salto está sendo dado com o lançamento de um novo veículo de comunicação, que pode vir a cumprir um papel previsto pelos constituintes de 1988 mas nunca concretizado, o de democratizar o acesso às informações.

Ouvi aqui, diversos discursos acusando a iniciativa do governo Lula de se criar uma TV chapa-branca. Mas todos estes ataques caem por terra quando conversamos com a nova presidente da TV, jornalista Tereza Cruvinel.

Um profissional respeitada, tratada com muita deferência por todos os partidos, certamente empresta além de sua competência sua seriedade e sua credibilidade a este novo veículo.

Em entrevista publicada na semana passada, a jornalista afirmava que ''a TV Brasil fará um jornalismo sem adjetivos cromáticos, guiado pelos fatos, pelo equilíbrio e isenção. E independente da boa intenção ou das virtudes de seus dirigentes, a vigilância da sociedade deve prevalecer''.

Não há dúvida de que a TV Brasil será fiscalizada diuturnamente pelos mais diversos segmentos da sociedade. Então qual a razão para tanto temor, o que justifica que um partido entre com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória que criou a TV Brasil?

O que teme este partido e os ácidos críticos à nova TV é que ela seja um instrumento da sociedade. A mesma insegurança que move setores da mídia contra o governo Lula, não pelos seus atos administrativos mas pela sua origem popular. Senhor presidente, senhoras e senhores deputados, eu pergunto quem tem medo da TV Brasil?

Os mesmos setores que têm medo do nosso povo e da nossa cultura.

Segmentos que buscam desesperadamente se sentirem mais cultos e urbanos voltando suas vidas para os exemplos norte-americanos de cultura e consumo.

Pessoas que se sentem mais à vontade em Nova York do que no Rio de Janeiro.

Estes setores irão descobrir a riqueza da alma e da cultura de nosso país.

O surgimento de mais uma rede de televisão, e de natureza pública, pode contribuir para o aumento da diversidade na oferta de oportunidades de informação ao cidadão. Quanto maior a diversidade do sistema de radiodifusão, mais democrático ele se torna, permitindo que a sociedade possa formar seus juízos a partir do acesso a um conjunto variado de mensagens que expressem o pluralismo da própria sociedade.

Concluo saudando a nova rede de TV Brasil e afirmando que meu mandato e minha atuação política serão voltados para o sucesso desta iniciativa, que não é iniciativa de um governo, mas é uma conquista para todo o país.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Entrevista Roberta Sá



Roberta Sá falou com exclusividade ao blog após o show no "Auto de Natal", domingo passado (16), no Machadão. Mais de 10 mil pessoas assistiram a apresentação impecável da cantora potiguar radicada no Rio de Janeiro. "Foi o meu maior público", disse uma Roberta visivelmente emocionada.

Nem o probleminha com o retorno atrapalhou o show. No repertório, 12 músicas do segundo cd e sete do "Braseiro", seu primeiro trabalho profissional. A enorme estrutura do palco ficou pequena frente à desenvoltura de uma Roberta Sá supreendentemente desenvolta, levando-se em consideração sua conhecida timidez. Pois nessa noite, ela esqueceu a timidez e tomou conta do pedaço: sem deixar a elegância de lado, caiu no samba e fez todo mundo sambar também.
Particularmente, considero o momento mais marcante quando ela cantou "Samba de Amor e Ódio", faixa do "Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria". A voz marcante, a força do olhar, a perfeição dos movimentos, imprimiam ainda mais personalidade ao canto e davam mais amplitude a cada verso.

Nessa rápida entrevista, concedida em seu camarim, Roberta falou da emoção de se apresentar em Natal, comentou o prêmio de melhor cantora de 2007 da APCA, disse que gostaria de ter contato com os compositores potiguares e revelou que já está pensando no próximo cd.

Confira o papo na íntegra:

Contraponto: É a primeira vez que você canta no “Auto de Natal”. Como é que foi essa experiência de ver essa multidão te aplaudindo?

Roberta: Foi maravilhosa a experiência, foi um presente mesmo pra mim, presente de aniversário e de natal, porque eu fazer aniversário daqui a pouquinho, daqui a três dias... Três dias? Eu sou ruim de matemática à beça... Foi um presente, como eu já falei... A gente adorou; eu acho que nunca cantei pra tanta gente; assim, nunca tive um show meu, pelo menos, pra tanta gente. Foi emocionante ver todo mundo curtindo o show, curtir junto com todo mundo. Foi muito bacana.

Contraponto: Os seus fãs de Natal sempre reclamam que você faz poucos shows aqui. Por que isso?

Roberta: Não tem um por que; a gente vem, quando as pessoas chamam a gente ta aqui; é simples assim. Eu vim três vezes esse ano. Vim à beça.

Contraponto: Você foi eleita pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) a melhor cantora do Brasil em 2007. O que é que passa pela sua cabeça quando você recebe um título desses? Hoje você é quase uma unanimidade de crítica, então como é que você encara essa responsabilidade?

Roberta: A gente fica contente. Quando eu falo a gente, digo eu e a minha equipe toda, todo mundo que trabalha, porque a gente trabalha pra caramba. E um prêmio desses é um carinho pra gente que realiza esse trabalho com tanto amor. Então, eu fico muito feliz e, ao mesmo tempo, é uma grande responsabilidade, porque [a APCA] é uma associação super séria. Todo ano os premiados são os maiores da nossa música brasileira. Eu fiquei muito surpresa e não esperava mesmo. Quando eu vi, eu achei até que fosse mentira. Eu falei: “Não, mentira. Não, não fui eu não. Vocês não confundiram o nome não?” (risos). Foi uma surpresa muito boa. Eu tô cheia de presente de natal e de aniversário. O povo não pára de me dar presente, graças a Deus.

Contraponto: Eu queria falar um pouco do “Braseiro”, que foi seu cd de estréia. Quando esse cd foi lançado, a crítica do sul e sudeste o comparou ao cd de estréia da Marisa Monte, dizendo que em termos de estréia, o “Braseiro” foi melhor que o da Marisa Monte. Como você recebeu essa comparação? Há alguma competição?

Roberta: Claro que não, imagina. Imagina gente, não há competição com ninguém. Tem espaço pra todo mundo. A Marisa é uma grande cantora...

Contraponto: É possível uma parceria Marisa-Roberta?

Roberta: Talvez, quem sabe... Eu adoraria. Eu acho que as comparações são inevitáveis. Qualquer pessoa, qualquer artista novo que se lança no mercado, ele logo é encaixado numa categoria, como se fosse numa prateleira. Eles querem te colocar numa prateleira, numa fôrma. Mas depois isso vai acabando e morrendo.

Contraponto: Você acompanha as discussões sobre você e seu trabalho na internet e nas comunidades do Orkut?

Roberta: Olha, quando dá tempo, eu até dou uma olhadinha. Mas na verdade eu acho que a internet é um espaço tão democrático que eu prefiro deixar as pessoas à vontade pra elas discutirem o que elas quiserem. É o espaço que as pessoas têm pra falar o que elas quiserem, pra reclamar se não gostaram de alguma coisa. Então eu não fico vendo muito não. Eu deixo as pessoas livres e à vontade.

Contraponto: Você tem algum contato com compositores potiguares?

Roberta: Infelizmente não tenho nenhum contato com os compositores potiguares. Adoraria que eles me mandassem músicas, mas simplesmente não aconteceu, por incrível que pareça. Eu nunca recebi músicas de compositores potiguares. Engraçado, né?

Contraponto: “Que Belo Estranho Dia” é recente ainda. Mas você já ta pensando em alguma coisa pra um novo trabalho?

Roberta: Cara, sempre que eu termino um disco, eu já to pensando no outro. Eu gosto muito de fazer disco, de pensar o disco. E pra ele sair sempre do jeito que eu quero, eu tenho que pensar durante muito tempo. Esse segundo, quando eu lancei o “Braseiro”, eu já tinha idéia mais ou menos do que eu queria fazer. E aí eu já tenho idéia mais ou menos pro próximo. Mas muda muito. Daqui pra lá, daqui pra fazer muda tudo.

Contraponto: Há pouco tempo havia uma discussão na sua comunidade no Orkut que perguntava assim: Roberta Sá é do samba ou da moda? A chance agora é sua de responder.

Roberta: Eu sou da Música Popular Brasileira, incluindo o samba. Eu não sou nem do samba nem da moda. Eu faço o que eu escuto e a música brasileira que eu amo e acredito.

Contraponto: Você ta feliz com a repercussão do seu trabalho?

Roberta: Poxa, como não, né? (risos) Tô muito feliz com a repercussão do trabalho, tô feliz em ta trabalhando com as pessoas que eu gosto e que eu quero. Aquilo ali que eu falei no show procede, a minha equipe, os meus músicos, eles são uma família pra mim. Sabe quando o trabalho tem uma energia boa? Tá todo mundo trabalhando pro bem; isso é o que importa de verdade. Acho que o público sente e devolve essa energia.


Correção


O show de Roberta Sá foi no "Festival de Música de Natal", não no "Auto de Natal", como escrevi acima.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Tucanos descem do salto e ameçam atacar novamente

Arthur Virgílio diz que "o presidente [Lula] vai ver com quantos paus se faz uma jangada”

O presidente Lula disse ontem (14), num evento em São Bernardo do Campo (SP), que a oposição teria que explicar ao povo "por que a saúde não terá R$ 24 bilhões a mais nos próximos quatro anos”. Lula disse mais: "Quem votou contra a CPMF não usa o SUS. Porque se usassem, não votariam contra."

Os tucanos, principais responsáveis pela derrubada da CPMF, juntamente com os parceiros de alma, os "demos", pegaram ar, como se diz na gíria popular. Eles não gostaram do que o presidente falou e ameaçaram partir para a guerra. A promessa de guerra partiu, vejam só, do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra.

Guerra disse que Lula estava com "conversa fiada" e que "o governo do presidente Lula arrecada demais e gasta demais. Desperdiça. O governo tem que gastar menos e honrar todos os seus compromissos, inclusive com a saúde."

Caro leitor, cuidado quando tucanos e "demos" disserem que o governo "gasta demais" e que é preciso "cortar custos". Quando eles falam em cortar gastos, estão se referindo aos programas sociais do governo, porque, repito, investir no social, para eles, é um "gasto".

O galo de briga dos tucanos, senador Arthur Virgílio (AM), chegou a dizer que "o presidente [Lula] vai ver com quantos paus se faz uma jangada". A declaração demonstra, mais uma vez, a elegância de Virgílio, que já prometeu até dar uma surra em Lula.

Entrando no clima

Amanhã (16), é o tão esperado dia do show da Roberta Sá no Auto de Natal, que este ano acontece no Machadão. Antes disso, à tarde, os fãs da melhor cantora do Brasil em 2007, segundo a APCA, se reúnem num pic-nic no Parque das Dunas, às 14h30, para se conhecerem, trocarem informações e impressões sobre a musa e, como não poderia deixar de ser, aquecer os tamborins e os gogós para mais tarde.

Então, pra entrar no clima, curtam aí Roberta cantanto "Alô, fevereiro" no Programa do Jô.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"FHC tem inveja do Lula", afirma ministro Tarso Genro

O ministro da Justiça, Tarso Genro, ao comentar a derrota do governo na votação que extinguiu a CPMF no Senado, disse que "a sombra do Fernando Henrique Cardoso" está por trás "desse movimento contra a CPMF". Para o ministro, o ex-presidente "não admite que o Lula é melhor presidente do que ele. E que o governo [petista] tirou o país da estagnação e o presidente Lula é muito mais respeitado internacionalmente do que ele [FHC]".

As declarações de Tarso Genro foram feitas hoje (14), no final de cerimônia de formatura de novos policiais federais. As informações são da Folha Online.

O ministro também disse desconfiar que o ex-presidente tucano é movido por uma "angústia interior". Tarso disse que o Lula "tirou o país do atoleiro que ele [FHC] deixou" e isso "dói muito nele [FHC]."

Em Tempo

Segundo a Folha Online, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) admitiu ontem (13) que seguiu orientação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante a tramitação da proposta de prorrogação da CPMF no Congresso.

Na coluna "Painel" da Folha de São Paulo, a jornalista Renata Lo Prete diz que FHC foi "grande articulador do "não" tucano" à prorrogação da CPMF, mas, segundo ela, o ex-presidente "procurou diminuir seu papel" e "atribuiu o resultado ao líder da bancada, Arthur Virgílio, que estaria "fora de controle".

Agora é salve-se quem puder.

O que na verdade eles querem

Tucanos e "demos" querem sangrar Lula, diz Folha de São Paulo

"Traições, base aliada rebelada, questões paroquiais, erros de negociação e desejo de sangrar o presidente Lula para enfraquecê-lo no jogo de 2010.

Essa confluência de fatores, reunidos de uma forma improvável num mesmo momento, levou o governo Lula a sofrer uma das principais derrotas no Congresso na madrugada de ontem, quando a CPMF perdeu sua sobrevida no próximo ano.

Democratas e tucanos, tidos como votos certos no início do ano para renovar a CPMF, viram na votação o momento apropriado para minar Lula numa fase de boa avaliação e economia crescendo, com inflação baixa, reservas perto de US$ 200 bilhões e investimentos em alta. Um cenário que pode transformar o petista no grande eleitor de 2010.

Sem os R$ 40 bilhões da CPMF, a oposição reduz o poder de fogo do petista em suas duas principais frentes: vitaminar os programas sociais e acelerar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)."

Aumenta o número de crianças escolarizadas no ensino primário

O número de crianças escolarizadas no ensino primário aumentou de 647 para 688 milhões entre 1999 e 2005. Apesar disto, as políticas de educação seguem prestando uma atenção mínima ao analfabetismo: um de cada cinco adultos (e uma de cada quatro mulheres) são mantidos na ignorância. Os dados são do sexto Informe de Seguimento da Educação Para Todos (EPT) no Mundo, apresentado pela UNESCO.

A taxa total de escolarização no primário aumentou de 83% para 87% entre 1999 e 2005, isto é, mais rapidamente que no período 1991-1999. O número de meninos escolarizados aumentou com maior rapidez na África Subsahariana (23%) e Ásia Meridional e Ocidental (11%). Entre 1999 e 2005, o número de crianças sem escola foi reduzido em 24 milhões e passou a ser de 72 milhões. Cerca de 37% do conjunto de crianças sem escola se concentra em 35 Estados frágeis.

De outro lado, o Índice de Desenvolvimento da EPT (IDE) mostra que só 51 países, sobre um total de 129, conseguiram ou estão a ponto de conseguir os quatro objetivos mais quantificáveis da EPT: a universalização do ensino primário, a alfabetização dos adultos, a paridade entre os sexos e a qualidade da educação. Outros 53 países se encontram em uma posição intermediária e 25 distam muito de alcançar os objetivos da EPT em seu conjunto.

Para os governos que não alcançaram seus objetivos, o custo da escolaridade segue sendo um obstáculo importante para o acesso à educação de milhões de crianças e jovens, apesar da supressão dos direitos de matrícula no primário decretada em 14 países depois do ano 2000. Entre 2000 e 2004, multiplicou-se mais de duas vezes a ajuda prestada à educação básica nos países de baixa renda, mas em 2005 diminuiu consideravelmente.

Sobre a universalização do ensino primário, 23 países que no ano de 2000 careciam de disposições legais relativas à obrigatoriedade do ensino primário, a instauraram desde então. Hoje em dia, 95% dos 203 países e territórios estudados contam com leis que impõem o ensino obrigatório.

Apesar de haver mais crianças escolarizadas hoje em dia que no ano de 2000, o Informe chama atenção para o esforço que deve ser desprendido para os 72 milhões de crianças sem escola, para esse 20% da população adulta mundial que carece de competências básicas em leitura e escritura e para o grande número de alunos que saem da escola sem ter adquirido conhecimentos e competências práticas essenciais.

Fonte: Fórum

Sábado tem Seu Zé

Neste sábado (15), a banda potiguar Seu Zé lança o segundo cd da carreira: “A Comédia Humana: Solidão”.

O lançamento vai ser no Galpão 29 (antigo Blackout, na Rua Chile), com início às 22h e presença também das bandas Uskaravelho e Jane Fonda.

Mais informações por telefone ou e-mail: 8834-1677/producao@seuze.net

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Oposição derruba CPMF no Senado

A oposição conservadora e golpista conseguiu o que queria: derrubou a proposta de prorrogação da CPMF. O placar foi de 45 a favor e 34 contra a prorrogação. Eram necessários 49 votos para que a CPMF fosse prorrogada.

Trata-se de uma derrota sem precedentes para o Governo Lula. Talvez agora o presidente acorde e veja que não está lidando com cordeiros, mas com feras famintas.

Eu senti náuseas ao ver o sorriso cínico do senador potiguar José Agripino, líder dos "demos". Agripino, que apoiou ferrenhamente a criação da CPMF no governo tucano-pefelê de FHC, agora brada contra a contribuição. Nunca vi tanto proselitismo num político só.

A oposição não votou no fim CPMF; votou contra a saúde e o Bolsa Família. É preciso que isso fique bem claro. A oposição quer, com isso, inviabilizar o governo petista. Eles não se conformam até hoje com as duas derrotas que sofreram nas urnas nem com a popularidade de Lula e de seu governo.

Concordo plenamente com Paulo Henrique Amorim quando ele diz que a derrota do governo significa que a oposição "conseguiu interromper a marcha do Governo Lula em direção ao sucesso" e que "o que estava em jogo não era a CPMF – era o sucesso de um governo trabalhista."

A direita e seus conservadores ganharam.

O assessor de um político local comemorou o fim da CPMF porque, segundo ele, é o fim também dos programas sociais dos governos Federal e do RN. O argumento do assessor é que sem o dinheiro da CPMF os governos não têm como manteros programas sociais e, portanto, Lula e Wilma não terão o que dar ao povo no ano eleitoral. Esse é o jogo. O povo que se exploda.

Lula, descupem a expressão que usarei a seguir, abriu as pernas e fez todas as concessões que a oposição queria. O presidente mandou uma carta ao presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), se comprometendo a aplicar 100% dos recursos da CPMF na saúde. A oposição fez ouvidos de mercador.

Mas não era isso que eles queriam, que a CPMF fosse toda pra saúde? Como explicar que o governo tenha cedido e, mesmo assim, eles tenham votado contra?

Não se engane com o discurso fajuto da oposição. Eles falam que o governo tem que cortar gastos. Por "cortar gastos" leia-se "parar com os programas sociais", porque para eles, investir no social é "gasto".

Neste país, sempre que se fala em tirar dos mais ricos para dar aos mais pobres, é uma chiadeira geral. Para os conservadores, isso não pode acontecer no Brasil. "Parem de transferir renda pra esses pobres", dizem eles - só que subliminar e eufemisticamente.

E é isso que a CPMF faz: cobra de quem tem tudo para dar a quem não tem nada. É só ver quem paga a CPMF: 72% dos recursos da CPMF saem das empresas; 28% saem das pessoas físicas. Desses 28%, 17% são pagos pelos que ganham mais de R$ 100 mil por ano. Você não leu errado: os que ganham mais de R$ 100 mil por ano mesmo.

Subscrevo mais uma vez o que diz Paulo Henrique Amorim: quem paga a CPMF pode pagar.

O governo agora está de joelhos. O presidente e o PT precisam dizer com todas as letras ao povo: a oposição votou contra a saúde e o Bolsa Família, porque querem voltar ao poder de qualquer jeito, nem que para isso tenham que tirar o leite das crianças.

Miséria S.A.

O título acima é emprestado da música homônima do grupo O Rappa, que em seu cd de estréia [Mundi] cantava assim a pobreza nossa de cada dia:

"Senhoras e Senhores estamos aqui
pedindo uma ajuda por necessidade
pois 'temo' irmão doente em casa
qualquer trocadinho é bem recebido
vou agradecendo antes de mais nada
aqueles que não puderam contribuir
deixamos também o nosso muito obrigado
pela boa vontade e atenção dispensada
vamo agradecendo antes de mais nada

bom dia passageiros
é o que lhes deseja
a miséria s.a.
que acabou de chegar"

É esse mesmo discurso, apenas com palavras diferenciadas, que escuto quase todos os dias quando entro num busão e me locomovo pela cidade rumo ao trabalho, à universidade, ao cinema, à praia e na volta para casa.

A foto que vocês estão vendo foi tirada com meu celular numa dessas idas e vindas pela cidade. O menino pedia ajuda para comprar comida para seus irmãos mais novos que teriam ficado em casa. Ele dizia que seu pai estava preso e sua mãe desempregada. Vendia jujubas por um real. Muitos passageiros se sensibilizaram com sua história e compraram o saquinho com as jujubas.

O menino era falante, se comunicava bem e tinha um jeito que cativava mesmo. Era, como se diz na gíria, desenrolado. Não sei o nome dele. Pensei em perguntar, mas desisti, por medo de que ele se sentisse intimidado. Não sei onde ele mora, quantos irmãos tem, como é sua casa (se é que ele vive numa casa de verdade), não conheço sua mãe e também desconheço motivo do pai dele estar preso.

Aquele menino, ali naquele ônibus, vendendo jujubas, é para mim o retrato de uma tragédia. A tragédia do abandono das nossas crianças. A tragédia da banalização da miséria. A tragédia da indiferença de todos nós, que faz de cenas como essa da foto uma coisa cotidiana, que não choca nem nos deixa mais indignados.

Há muitos deles pela cidade. Já encontrei vários em outras viagens; alguns, mais de uma vez. Apesar de me sentir profundamente triste com a situação, evito dar qualquer trocado ou comprar as canetinhas e as guloseimas que eles oferecem.

É preciso manter a razão no lugar num momento assim e discernir as coisas. Não é dando trocados nem alimentando a exploração do trabalho infantil que vamos tirá-los da miséria. Não me pergunte o que fazer, porque também não sei.

Hoje (quarta-feira, 12 de dezembro), nossos senadores em Brasília discutem se devem aprovar ou não a prorrogação da CPMF. Assisto discursos acalourados de aliados do governo e da oposição, respectivamente a favor e contra a prorrogação do tributo. Espero um dia ver esses mesmos senadores discursando em busca de um consenso sobre como acabar com a miséria no Brasil, para que eu não tenha que encontrar mais meninos vendendo jujubas nos ônibus, quando eles deveriam estar na escola.

Roberta Sá é eleita a melhor cantora do Brasil

A Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) elegeu Roberta Sá como a melhor cantora do ano por conta do CD Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria, o segundo da carreira da cantora potiguar. O resultado foi divulgado hoje (12) e a cerimônia de entrega vai acontecer no dia 25 de março, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (SP).

O prêmio é a confirmação do talento da jovem cantora, que com sua voz afinada e o cuidado na seleção do repertório, revigorou o samba e a música popular brasileira. Roberta consegue cantar com lirismo e suavidade, mesmo que sua praia musical seja o canto popular.


O samba fica mais cadenciado e a bossa parece mais nova quando ela canta. É como diz uma de suas músicas: "É como vento leve em seu lábio a assobiar..."


Outros premiados


Melhor cantor do ano: Paulinho da Viola


Melhor disco de 2007: Onde brilhem os olhos seus (Fernanda Takai)


Melhor grupo: Orquestra Imperial


Revelação Feminina: Marina de la Riva


Revelação Masculina: Edu Krieger


Grupo Revelação: Fino Coletivo

Presidente do Ipea defende jornada de trabalho de 12h por semana

O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, defendeu a adoção de jornada semanal de trabalho de três dias com expediente de quatro horas. Disse ainda que o Brasil deveria preparar seus cidadãos para começar a trabalhar depois dos 25 anos de idade.

Para Pochmann, o aumento da expectativa de vida no Brasil --que hoje é de 72,3 anos-- justifica a entrada tardia no mercado de trabalho. "Não há razão técnica para alguém começar a trabalhar no país antes dos 25 anos de idade. Especialmente porque estamos para entrar na fase em que a expectativa de vida ultrapassará os cem anos."

Seu argumento para reduzir a jornada é o acúmulo de capital pelo sistema financeiro internacional, que ele chamou de "produtividade imaterial". "Essa produtividade justifica a razão pela qual não há, do ponto de vista técnico, [motivo para] alguém trabalhar mais do que quatro horas por dia durante três dias por semana."

A Constituição permite a livre negociação da jornada de trabalho, com limite máximo semanal de 44 horas. Na semana passada, centrais sindicais se reuniram com o presidente Lula para reivindicar redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução do salário.

"Pode ser estranho ouvir isso neste momento, ou talvez devessem ter sido mal compreendidos aqueles que, em 1850, justificavam o trabalho de oito horas por dia, começando a partir dos 15 anos, embora [naquela época] a indústria no mundo todo empregasse crianças de cinco, seis anos fazendo jornada de 16 horas diárias."

Fonte: Revista Fórum

Ministério da Justiça não acredita em explicações fajutas da Globo

Aquele papo furado da Globo de que as cenas da atriz Flávia Alessandra dançando seminua no bastão (pole dancing) na novela "Duas Caras" era apenas um "modismo" e a novela apenas retratava "a sociedade contemporânea" não convenceu o Ministério da Justiça. Segundo a coluna "Zapping" da Folha Online, a Globo foi advertida de que parte do conteúdo da novela das oito é impróprio para menores de 16 anos.

Governo Lula em alta

Pesquisa CNI/Ibope: aprovação do governo chega a 51%

A avaliação positiva do Governo Lula subiu três pontos percentuais em relação à última pesquisa feita em setembro e atingiu agora 51% de "ótimo" e "bom". O índice de aprovação de dezembro é o mais alto do ano. A informação é do UOL Últimas Notícias.

A avaliação negativa atingiu 17% de "ruim" e "péssimo" - um ponto percentual a menos que o registrado em setembro.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas (com 16 anos ou mais), em 141 municípios, entre os dias 30 de novembro e 5 de dezembro. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Em relação ao desempenho do presidente Lula, a aprovação é ainda maior que a do seu governo e atingiu 65% - dois pontos a mais que o levantamento anterior. A desaprovação ao presidente recuou três pontos percentuais: de 33% em setembro para 30% neste mês.

A pesquisa também mostra que 60% da população confia no presidente Lula, contra 35% que não confia. O contingente dos que dizem não confiar teve baixa de dois pontos percentuais em relação a setembro.