Fui arrumar umas coisas, separar papéis velhos pra jogar no lixo e achei um poeminha que escrevi em 1995, quando estudava na ETFRN - hoje CEFET. Inscrevi os versos num concurso de poesia da escola e fiquei em terceiro lugar. Acho que foi a coisa mais poeticamente significativa que consegui escrever. Encontrei outros poemas também - nenhum se aproveitava e os enviei para um lugar apropriado: o lixo.
O título do poema é "Minutos de Solidão":
Saudade de longe
Acena o olhar
Corpo impuro
Beijo rasgado
Algo atravessa,
em diagonal,
o meu pensamento...
Agora chove sem razão
Palavras põem fogo
O relógio pára
O momento é eterno...
Agora nada acontece
Tudo se extingue
O céu está longe
As estrelas não param de brilhar...
O sorriso
A rua
O vento leva meu corpo
Eu,
só eu...
Eternamente.
sábado, 10 de novembro de 2007
A mídia e o fetiche do terceiro mandato
A obsessão da grande imprensa pelo tema do terceiro mandato do presidente Lula está se transformando em fetiche.
Arnaldo Jabor, em entrevista ontem (9) no Programa do Jô, falou sobre o assunto. Para ele, Lula faz joguinho de cena quando diz que não quer terceiro mandato. "Eu temo quando vejo as pessoas negando demais sobre o que elas não foram perguntadas. O Lula nega o tempo todo que vá ser candidato de novo em 2010, mas não sei não...", disse o temeroso Jabor.
Segundo Jabor, o presidente Lula, assim de uma pra outra, começou a negar que tenha intenção de ser candidato a re-reeleição em 2010 sem que ninguém o tenha perguntado sobre isso.
Agora danou-se tudo mesmo. A mídia não pára de falar nesse assunto, todo dia tem alguma manchete sobre isso, insiste na mesma pauta artificial, aí vem o Jabor dizer que ninguém perguntou nada?! Ahhh, pára com isso!
Na Folha Online tem o César Maia (DEM), prefeito do Rio de Janeiro e menino maluquinho nas horas vagas, dizendo que interceptou uma mensagem trocada por dois dirigentes petistas que estariam tramando um plebiscito em 2008 para aprovar o terceiro mandato para Lula. Maia não diz quem são esses dirigentes "para não prejudicar um técnico parlamentar". Pelo visto, Maia teve ajuda desse técnico parlamentar para fazer a arapongagem e ter acesso à suposta mensagem trocada entre os supostos dirigentes petistas. Isso não é crime?
Maia joga a merda no ventilador e fica só esperando aonde a merda vai parar.
A mídia está fazendo o que recomendou Ali Kamel, todo poderoso do jornalismo da Globo: testando hipóteses. Vai que cola, né.
Arnaldo Jabor, em entrevista ontem (9) no Programa do Jô, falou sobre o assunto. Para ele, Lula faz joguinho de cena quando diz que não quer terceiro mandato. "Eu temo quando vejo as pessoas negando demais sobre o que elas não foram perguntadas. O Lula nega o tempo todo que vá ser candidato de novo em 2010, mas não sei não...", disse o temeroso Jabor.
Segundo Jabor, o presidente Lula, assim de uma pra outra, começou a negar que tenha intenção de ser candidato a re-reeleição em 2010 sem que ninguém o tenha perguntado sobre isso.
Agora danou-se tudo mesmo. A mídia não pára de falar nesse assunto, todo dia tem alguma manchete sobre isso, insiste na mesma pauta artificial, aí vem o Jabor dizer que ninguém perguntou nada?! Ahhh, pára com isso!
Na Folha Online tem o César Maia (DEM), prefeito do Rio de Janeiro e menino maluquinho nas horas vagas, dizendo que interceptou uma mensagem trocada por dois dirigentes petistas que estariam tramando um plebiscito em 2008 para aprovar o terceiro mandato para Lula. Maia não diz quem são esses dirigentes "para não prejudicar um técnico parlamentar". Pelo visto, Maia teve ajuda desse técnico parlamentar para fazer a arapongagem e ter acesso à suposta mensagem trocada entre os supostos dirigentes petistas. Isso não é crime?
Maia joga a merda no ventilador e fica só esperando aonde a merda vai parar.
A mídia está fazendo o que recomendou Ali Kamel, todo poderoso do jornalismo da Globo: testando hipóteses. Vai que cola, né.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Tem playboy na fita
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu ontem (8) nove pessoas que integravam uma quadrilha de traficantes de drogas sintéticas, como ecstasy e LSD. Os integrantes da quadrilha foram identificados como Bruno, Rodrigo, Rafael, Fábio, Maicon, Isabela, Michel e Pedro. Todos são jovens e de classe média alta. Michel foi preso em casa com grande quantidade de maconha e haxixe. Pedro foi preso quando chegava na faculdade Estácio de Sá, no campus da Uruguaiana, Centro da cidade. Ele é estudante do primeiro período de Design Gráfico. Além dos jovens, foi preso também um taxista identificado como Renato, suspeito de fazer serviços de entrega. As informações são do portal Terra.
No site d'O Globo Online, uma matéria entitulada "Crime Por Opção" discute os motivos que levariam jovens de classe média alta a se envolverem com o mundo do crime. O repórter Luiz Felipe Barboza, que assina a matéria, afirma que "as companhias contam muito" e recorre à opninião de psicólogos para defender a tese de que a "influência do grupo" pode levar jovens e adolescentes que tiveram acesso à boa educação e à boa vida ao envolvimento com o crime.
O repórter, sempre fundamentado pelos psicólogos, também aponta a necessidade de se impor limites no relacionamento entre pais e filhos. A falta desses limites e a ausência dos pais poderiam contribuir para a "opção pelo crime".
Não descarto nenhuma das explicações levantadas pela matéria. Chamo atenção apenas para a diferença colossal do tratamento dado pela mídia ao tema da criminalidade envolvendo jovens de classe média e jovens de periferia. Quando se trata dos jovens de classe média, se busca tentar entender o porquê por trás do fato, mas quando se trata dos jovens da periferia, excluídos e socialmente vulneráveis, a linha adotada é a da criminalização pura e simples.
Condenados à invisibilidade social e sem acesso aos direitos básicos de cidadania, os jovens das classes sociais menos abastadas estão mais vulneráveis e expostos ao crime. Não quer dizer que todo jovem pobre vai ser um criminoso, mas negar que o apelo do crime é mais sedutor quando não se tem muitas e melhores perspectivas de vida é querer fechar os olhos para a realidade. Enquanto a periferia (favelas e bairros pobres) e os seus moradores (entre eles, os jovens) continuarem sendo tratados como incômodo e ferida que precisa ser extirpada, a sociedade continuará mandando a esses jovens a mensagem de que eles nasceram para o crime e que é isso que esperamos deles. Aí depois a gente chama a "Tropa de Elite" e o Capitão Nascimento para resolver tudo.
No site d'O Globo Online, uma matéria entitulada "Crime Por Opção" discute os motivos que levariam jovens de classe média alta a se envolverem com o mundo do crime. O repórter Luiz Felipe Barboza, que assina a matéria, afirma que "as companhias contam muito" e recorre à opninião de psicólogos para defender a tese de que a "influência do grupo" pode levar jovens e adolescentes que tiveram acesso à boa educação e à boa vida ao envolvimento com o crime.
O repórter, sempre fundamentado pelos psicólogos, também aponta a necessidade de se impor limites no relacionamento entre pais e filhos. A falta desses limites e a ausência dos pais poderiam contribuir para a "opção pelo crime".
Não descarto nenhuma das explicações levantadas pela matéria. Chamo atenção apenas para a diferença colossal do tratamento dado pela mídia ao tema da criminalidade envolvendo jovens de classe média e jovens de periferia. Quando se trata dos jovens de classe média, se busca tentar entender o porquê por trás do fato, mas quando se trata dos jovens da periferia, excluídos e socialmente vulneráveis, a linha adotada é a da criminalização pura e simples.
Condenados à invisibilidade social e sem acesso aos direitos básicos de cidadania, os jovens das classes sociais menos abastadas estão mais vulneráveis e expostos ao crime. Não quer dizer que todo jovem pobre vai ser um criminoso, mas negar que o apelo do crime é mais sedutor quando não se tem muitas e melhores perspectivas de vida é querer fechar os olhos para a realidade. Enquanto a periferia (favelas e bairros pobres) e os seus moradores (entre eles, os jovens) continuarem sendo tratados como incômodo e ferida que precisa ser extirpada, a sociedade continuará mandando a esses jovens a mensagem de que eles nasceram para o crime e que é isso que esperamos deles. Aí depois a gente chama a "Tropa de Elite" e o Capitão Nascimento para resolver tudo.
Jornalismo da bajulação
Em artigo publicado hoje no "Terra Magazine", o jornalista e roteirista Ricardo Kauffman trata da cobertura midiática sobre o mundo dos negócios. Para Kauffman, falta crítica ao conteúdo e sobra bajulação. Em suas palavras, "via de regra, quando o assunto é empresas e executivos, o negócio é elogiá-los e promovê-los."
Ele afirma que o jornalismo de negócios dedica pouco espaço aos casos de corrupção do setor privado, como nos episódios da Cisco e dos bancos suícos. A Cisco é uma multinacional apontada pela Polícia Federal e pela Receita Federal como integrante de um sistema de fraudes de importação que causou um rombo bilionário aos cofres públicos brasileiros. A multinacional norte-americana é uma das líderes no segmento de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, internet e telecomunicações. No caso dos bancos suícos, a "Operação Kaspar II" da Polícia Federal desbaratou um esquema organizado pelas instituições financeiras e grandes construtoras, responsáveis pelo envio de bilhões para fora do país e prática de lavagem de dinheiro.
Na opinião de Kauffman, a corrupção no setor privado "ganha mais ânimo no noticiário quando ligado a algum possível esquema ilícito do governo (mesmo que até então pouco fundamentado)."
O jornalista também questiona as fontes utilizadas pelos veículos que tratam do mundo dos negócios. Esses veículos, freqüentemente, recorrem a consultores ou economistas para opinar sobre o rumo dos acontecimentos. "Não raro trata-se de consultores de bancos de investimentos que têm interesses próprios sobre o assunto-alvo. Mas a eles é dado o papel de dizer o que é positivo e negativo para o "mercado como um todo". Em outras palavras, para toda a sociedade. Sem que sejam identificados como parte específica do jogo", afirma Kauffman.
Ricardo Kauffman termina lamentando a falta de credibilidade das informações no jornalismo de negócios, comprometido mais com a exaltação dos valores da sociedade capitalista e menos com a pluralidade das opiniões e a verdade dos fatos.
Ele afirma que o jornalismo de negócios dedica pouco espaço aos casos de corrupção do setor privado, como nos episódios da Cisco e dos bancos suícos. A Cisco é uma multinacional apontada pela Polícia Federal e pela Receita Federal como integrante de um sistema de fraudes de importação que causou um rombo bilionário aos cofres públicos brasileiros. A multinacional norte-americana é uma das líderes no segmento de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, internet e telecomunicações. No caso dos bancos suícos, a "Operação Kaspar II" da Polícia Federal desbaratou um esquema organizado pelas instituições financeiras e grandes construtoras, responsáveis pelo envio de bilhões para fora do país e prática de lavagem de dinheiro.
Na opinião de Kauffman, a corrupção no setor privado "ganha mais ânimo no noticiário quando ligado a algum possível esquema ilícito do governo (mesmo que até então pouco fundamentado)."
O jornalista também questiona as fontes utilizadas pelos veículos que tratam do mundo dos negócios. Esses veículos, freqüentemente, recorrem a consultores ou economistas para opinar sobre o rumo dos acontecimentos. "Não raro trata-se de consultores de bancos de investimentos que têm interesses próprios sobre o assunto-alvo. Mas a eles é dado o papel de dizer o que é positivo e negativo para o "mercado como um todo". Em outras palavras, para toda a sociedade. Sem que sejam identificados como parte específica do jogo", afirma Kauffman.
Ricardo Kauffman termina lamentando a falta de credibilidade das informações no jornalismo de negócios, comprometido mais com a exaltação dos valores da sociedade capitalista e menos com a pluralidade das opiniões e a verdade dos fatos.
O Brasil vai virar uma Venezuela
Essa notícia não é sobre a candidatura do presidente Lula ao terceiro mandato, como temem a oposição e a mídia conservadora. A oposição e a mídia são aficionados pela Venezuela e vivem fazendo comparações entre o Brasil e o país de Hugo Chávez. E não é que agora o pior dos temores da oposição e da mídia está perto de se tornar realidade.
Vocês devem estar informados sobre a descoberta de uma gigantesca reserva de gás e petróleo no campo de Tupi, localizado na bacia de Santos, anunciada ontem pela Petrobras. A nova reserva tem de cinco a oito bilhões de barris de petróleo de boa qualidade e gás abaixo da camada. As atuais reservas da Petrobras somam 13 bilhões de barris. Isso significa que a descoberta anunciada ontem pode representar um aumento de 50% nas reservas atuais.
Durante o anúncio da descoberta, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, declarou que com a descoberta do novo campo o Brasil "pode se converter em um exportador de petróleo à altura da Venezuela ou da Nigéria". Jornais internacionais destacam que o Brasil, que antes ambicionava apenas a auto-suficiência na produção de petróleo, agora se situa como futuro grande exportador.
Gabrielli deu a deixa - o Brasil está perto de virar uma Venezuela e ser um grande exportador de petróleo. E agora, o que será que a oposição e a mídia conservadora vão dizer?
Vocês devem estar informados sobre a descoberta de uma gigantesca reserva de gás e petróleo no campo de Tupi, localizado na bacia de Santos, anunciada ontem pela Petrobras. A nova reserva tem de cinco a oito bilhões de barris de petróleo de boa qualidade e gás abaixo da camada. As atuais reservas da Petrobras somam 13 bilhões de barris. Isso significa que a descoberta anunciada ontem pode representar um aumento de 50% nas reservas atuais.
Durante o anúncio da descoberta, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, declarou que com a descoberta do novo campo o Brasil "pode se converter em um exportador de petróleo à altura da Venezuela ou da Nigéria". Jornais internacionais destacam que o Brasil, que antes ambicionava apenas a auto-suficiência na produção de petróleo, agora se situa como futuro grande exportador.
Gabrielli deu a deixa - o Brasil está perto de virar uma Venezuela e ser um grande exportador de petróleo. E agora, o que será que a oposição e a mídia conservadora vão dizer?
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Memória
A essência da vida
A revista "National Geographic Brasil" deste mês vem falando, entre outras coisas, sobre memória. A reportagem de Joshua Foer e as fotos de Maggie Steber estão perfeitas. Maggie também escreveu um pequeno texto falando sobre sua mãe, Madje Steber, que sofre com a falta da memória. Achei o texto tocante e despretenciosamente belo.
As palavras de Maggie sobre sua mãe remeteram meu pensamento para minha avó paterna, D. Celsina, que padece do mesmo mal. Uma estranha melancolia tomou conta de mim e, numa fração de tempo, fechei meus olhos e viajei para outra galáxia, onde eu era só poeira estelar. Nessa galáxia, as memórias eram indeléveis e o tempo não era esse estranho cavaleiro da despedida.
Leia o texto de Maggie Steber:
Quando a memória acaba
"Minha mãe, Madje Steber, está fazendo a melancólica viagem da perda de memória. Ela está no mar. E eu, sua única filha, reservei passagem em outro navio para navegar pelas memórias que descrevem toda a sua vida.
Fotografo minha mãe para ajudar na travessia, criando novas lembranças para mim mesma pelo caminho. Mostro-lhe as fotos, apesar de ela não se reconhecer. Para ela, são cartões-postais de terras distantes. Como ela pode ser tão dolorosamente bela agora, mesmo com o cenho franzido pela confusão? Ela desaparece das minhas vistas bem diante de mim. A cada dia aproxima-se mais do horizonte aonde chegará sozinha, deixando-me apenas memórias, preciosas memórias, dessa sua longa e derradeira jornada."
A revista "National Geographic Brasil" deste mês vem falando, entre outras coisas, sobre memória. A reportagem de Joshua Foer e as fotos de Maggie Steber estão perfeitas. Maggie também escreveu um pequeno texto falando sobre sua mãe, Madje Steber, que sofre com a falta da memória. Achei o texto tocante e despretenciosamente belo.
As palavras de Maggie sobre sua mãe remeteram meu pensamento para minha avó paterna, D. Celsina, que padece do mesmo mal. Uma estranha melancolia tomou conta de mim e, numa fração de tempo, fechei meus olhos e viajei para outra galáxia, onde eu era só poeira estelar. Nessa galáxia, as memórias eram indeléveis e o tempo não era esse estranho cavaleiro da despedida.
Leia o texto de Maggie Steber:
Quando a memória acaba
"Minha mãe, Madje Steber, está fazendo a melancólica viagem da perda de memória. Ela está no mar. E eu, sua única filha, reservei passagem em outro navio para navegar pelas memórias que descrevem toda a sua vida.
Fotografo minha mãe para ajudar na travessia, criando novas lembranças para mim mesma pelo caminho. Mostro-lhe as fotos, apesar de ela não se reconhecer. Para ela, são cartões-postais de terras distantes. Como ela pode ser tão dolorosamente bela agora, mesmo com o cenho franzido pela confusão? Ela desaparece das minhas vistas bem diante de mim. A cada dia aproxima-se mais do horizonte aonde chegará sozinha, deixando-me apenas memórias, preciosas memórias, dessa sua longa e derradeira jornada."
Prostituição
CCJ da Câmara rejeita projeto que legalizava o trabalho das profissionais do sexo
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal rejeitou o projeto do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que regulamenta o exercício da prostituição e concede direitos às chamadas profissionais do sexo, como a possibilidade de contribuição para a Previdência Social e de aposentadoria.
A decisão da CCJ decepcionou a presidente da Rede Brasileira de Prostituição, Gabriela Leite. Ela disse que as prostitutas não são consideradas "cidadãs de primeiro grau".
Independente da disputa entre "conservadores e libertários", o projeto desperta outro debate, pouco mencionado, que é a questão da utilização da mulher como objeto sexual. O discurso de que a prostituição é um trabalho como outro qualquer, além de não ser nada original, é falacioso. Não estou defendendo o ponto de vista dos militantes dos "valores da família", mas considero estranho um projeto que diz ser legal a exploração comercial do corpo da mulher como simples objeto de gozo.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal rejeitou o projeto do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que regulamenta o exercício da prostituição e concede direitos às chamadas profissionais do sexo, como a possibilidade de contribuição para a Previdência Social e de aposentadoria.
A decisão da CCJ decepcionou a presidente da Rede Brasileira de Prostituição, Gabriela Leite. Ela disse que as prostitutas não são consideradas "cidadãs de primeiro grau".
Independente da disputa entre "conservadores e libertários", o projeto desperta outro debate, pouco mencionado, que é a questão da utilização da mulher como objeto sexual. O discurso de que a prostituição é um trabalho como outro qualquer, além de não ser nada original, é falacioso. Não estou defendendo o ponto de vista dos militantes dos "valores da família", mas considero estranho um projeto que diz ser legal a exploração comercial do corpo da mulher como simples objeto de gozo.
A polêmica dos esgostos em Ponta Negra
Ministério Público diz que sistema de esgotamento está saturado e é contra instalação de novas Estações de Tratamento de Esgotos
O Ministério Público (MP) quer impedir a instalação de novas Estações de Tratamento de Esgotos (ETE's) em Ponta Negra e, para isso, encaminhou uma recomendação à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) para anular uma resolução do Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam), que autoriza a instalação das ETE's.
De acordo com o MP, o sistema de esgotamento sanitário do bairro está saturado. A promotora Gilka da Mata acha um contrasenso uma cidade como Natal, abastecida com água subterrânea, permitir o lançamento de esgotos no solo. Para a integrante do MP, a solução para o saturamento do sistema é a ampliação do sistema atual, ao invés de se construir novas ETE's.
A secretária Ana Miriam Machado da Semurb, que também preside o Conplam, ainda não se pronunciou sobre a recomendação do Ministério Público.
Com informações do Diário de Natal
O Ministério Público (MP) quer impedir a instalação de novas Estações de Tratamento de Esgotos (ETE's) em Ponta Negra e, para isso, encaminhou uma recomendação à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) para anular uma resolução do Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam), que autoriza a instalação das ETE's.
De acordo com o MP, o sistema de esgotamento sanitário do bairro está saturado. A promotora Gilka da Mata acha um contrasenso uma cidade como Natal, abastecida com água subterrânea, permitir o lançamento de esgotos no solo. Para a integrante do MP, a solução para o saturamento do sistema é a ampliação do sistema atual, ao invés de se construir novas ETE's.
A secretária Ana Miriam Machado da Semurb, que também preside o Conplam, ainda não se pronunciou sobre a recomendação do Ministério Público.
Com informações do Diário de Natal
Justiça decide que Zona Norte não será adensada
As empreiteiras podem reclamar, mas a construção de grandes prédios na Zona Norte de Natal está suspensa a partir de hoje. A suspensão foi determinada ontem pelo Tribunal de Justiça do Estado, que concedeu liminar à Prefeitura de Natal, autora de uma ação direta de inconstitucionalidade impetrada no TJE. A ação pedia a anulação dos artigos do Plano Diretor que transformavam a Zona Norte em área adensada, permitindo a construção de grandes empreendimentos. Essa foi uma das emendas apresentadas pelos vereadores na votação do PD, que culminou na Operação Impacto do Ministério Público - investigação sobre o possível recebimento de propina pelos vereadores para aprovação das emendas.
O argumento da Prefeitura é que o adensamento permitiria a ocupação desordenada e a conseqüente sobrecarga de infra-estrutura da Zona Norte. Agora, a região volta a ser classificada como área de adensamento básico. O coeficiente de aproveitamento (relação entre a área construída e o tamanho do terreno) ficou estabelecido em 1.2 e os prédios construídos terão altura máxima de 22 andares. A Prefeitura defende que o coeficiente básico vai permitir o desenvolvimento sustentável da área.
Os juízes do TJE ainda vão julgar o mérito da questão e decidir definitivamente sobre o assunto do adensamento. Enquanto isso, a Zona Norte está protegida da pressão das grandes empreiteiras, interessadas somente em explorar a região sem se preocupar com a sustentabilidade da área.
Com informações da Tribuna do Norte e do Diário de Natal
O argumento da Prefeitura é que o adensamento permitiria a ocupação desordenada e a conseqüente sobrecarga de infra-estrutura da Zona Norte. Agora, a região volta a ser classificada como área de adensamento básico. O coeficiente de aproveitamento (relação entre a área construída e o tamanho do terreno) ficou estabelecido em 1.2 e os prédios construídos terão altura máxima de 22 andares. A Prefeitura defende que o coeficiente básico vai permitir o desenvolvimento sustentável da área.
Os juízes do TJE ainda vão julgar o mérito da questão e decidir definitivamente sobre o assunto do adensamento. Enquanto isso, a Zona Norte está protegida da pressão das grandes empreiteiras, interessadas somente em explorar a região sem se preocupar com a sustentabilidade da área.
Com informações da Tribuna do Norte e do Diário de Natal
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
É hoje
O documentário "Ribeira das minhas memórias", que resgata um pouco da história do bairro mais tradicional de Natal a partir das memórias de dois personagens, vai ser exibido hoje à noite, às 19h, no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFRN.
O documentário foi produzido para a disciplina "Introdução à Televisão" do curso de Radialismo, sob orientação da professora Miriam Moema. Além deste blogueiro, fizeram parte do grupo os alunos Kamilla Senna, Geraldo Gabi, Fábio Borges e Beatriz Fernandes. Contamos com a preciosa ajuda de "São" Justino Neto, que fez as imagens e a edição do vídeo.
O nosso objetivo era falar de memória e, para isso, usamos a Ribeira como pano de fundo. Walter Canuto e Nalva Melo, nossos dois personagens, são pessoas que têm uma ligação profunda com o bairro e histórias legais pra contar. O resultado foi emocionante. Fiquei mais feliz ainda porque esse foi o primeiro roteiro que escrevi e o primeiro vídeo que produzi.
Agora, quem quiser conferir, é só aparecer hoje à noite lá na UFRN.
O documentário foi produzido para a disciplina "Introdução à Televisão" do curso de Radialismo, sob orientação da professora Miriam Moema. Além deste blogueiro, fizeram parte do grupo os alunos Kamilla Senna, Geraldo Gabi, Fábio Borges e Beatriz Fernandes. Contamos com a preciosa ajuda de "São" Justino Neto, que fez as imagens e a edição do vídeo.
O nosso objetivo era falar de memória e, para isso, usamos a Ribeira como pano de fundo. Walter Canuto e Nalva Melo, nossos dois personagens, são pessoas que têm uma ligação profunda com o bairro e histórias legais pra contar. O resultado foi emocionante. Fiquei mais feliz ainda porque esse foi o primeiro roteiro que escrevi e o primeiro vídeo que produzi.
Agora, quem quiser conferir, é só aparecer hoje à noite lá na UFRN.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Americanos estudam relação entre hip hop e sexo adolescente
A notícia saiu no "The New York Times". Leia trechos da reportagem abaixo:
"O hip hop, com suas letras sugestivas, vídeos e movimentos de dança, há muito é criticado por pais e especialistas em saúde pública, que temem que possa levar a comportamento sexual de risco entre os adolescentes.
Mas nunca ficou claro se há algo particularmente insidioso no hip hop ou se o problema é simplesmente o fato de pessoas com mais de 40 anos não entendê-lo. Afinal, quase toda geração parece incomodada com as preferências musicais da seguinte; lembre-se, os quadris rebolantes de Elvis já foram considerados como uma influência corruptora sobre a juventude do país. Para solucionar este enigma, pesquisadores de saúde pública estão desconstruindo a cultura hip hop, freqüentando pistas de dança e dissecando as letras do rap. A esperança é de que ao compreender o hip hop, os especialistas possam projetar mensagens de saúde mais eficazes -e talvez até mesmo dar aos pais um entendimento da música freqüentemente desconcertante abraçada por seus filhos."
De acordo com o jornal, os pesquisadores passaram três anos estudando a cena dos clubes do hip hop, conversando com dezenas de adolescentes e os observando dançarem. Os pesquisadores observaram que a maioria dos adolescentes no estudo era sexualmente experiente e que o comportamento sexual tinha pouco a ver com a música que eles ouviam. "Em vez disso, eram os tradicionais álcool, drogas e pressão dos pares que geralmente os levavam aos encontros sexuais", informa o "The New York Times".
A pesquisa concluiu que o hip hop não é apenas música, mas um sistema de apoio e estrutura social que domina a cultura jovem. Outra conclusão é que a linguagem do hip hop também pode ser uma forma mais eficaz de se comunicar com os adolescentes, como na hora de se fazer campanhas de prevenção ao HIV, por exemplo.
A pesquisa também apontou que os adolescentes que eram expostos aos níveis mais elevados de letras sexualmente degradantes apresentavam probabilidade duas vezes maior de ter praticado sexo. Os pesquisadores definiram como letras degradantes aquelas que retratam as mulheres como objetos sexuais, os homens como insaciáveis e o sexo como inconseqüente.
Em linhas gerais, a pesquisa sugere que não é o hip hop que influencia negativamente os adolescentes, mas o conteúdo que as letras transmitem. A reportagem afirma que muitos especialistas acreditam que as chaves para a comunicação com toda uma geração de jovens pode ser encontrada no hip hop. Para eles, o hip hop precisa ser entendido porque trata-se de um "fenômeno de geração que une os jovens".
Comentário
Enquanto a cultura hip hop nos EUA é vista como uma música erotizada, que incita o sexo adolescente e dissemina preconceitos de gênero, o hip hop brasileiro tem um caráter muito mais ligado às questões sociais, se configurando numa música de protesto contra as injustiças sociais, o racismo, a violência urbana (incluindo aí a violência policial) e a situação das favelas, por exemplo.
A impressão que eu tenho é que o hip hop americano é uma música muito alienada. Essa alienação termina sendo refletida nas letras das músicas, que, em sua maioria, só falam de sexo e consumismo.
"O hip hop, com suas letras sugestivas, vídeos e movimentos de dança, há muito é criticado por pais e especialistas em saúde pública, que temem que possa levar a comportamento sexual de risco entre os adolescentes.
Mas nunca ficou claro se há algo particularmente insidioso no hip hop ou se o problema é simplesmente o fato de pessoas com mais de 40 anos não entendê-lo. Afinal, quase toda geração parece incomodada com as preferências musicais da seguinte; lembre-se, os quadris rebolantes de Elvis já foram considerados como uma influência corruptora sobre a juventude do país. Para solucionar este enigma, pesquisadores de saúde pública estão desconstruindo a cultura hip hop, freqüentando pistas de dança e dissecando as letras do rap. A esperança é de que ao compreender o hip hop, os especialistas possam projetar mensagens de saúde mais eficazes -e talvez até mesmo dar aos pais um entendimento da música freqüentemente desconcertante abraçada por seus filhos."
De acordo com o jornal, os pesquisadores passaram três anos estudando a cena dos clubes do hip hop, conversando com dezenas de adolescentes e os observando dançarem. Os pesquisadores observaram que a maioria dos adolescentes no estudo era sexualmente experiente e que o comportamento sexual tinha pouco a ver com a música que eles ouviam. "Em vez disso, eram os tradicionais álcool, drogas e pressão dos pares que geralmente os levavam aos encontros sexuais", informa o "The New York Times".
A pesquisa concluiu que o hip hop não é apenas música, mas um sistema de apoio e estrutura social que domina a cultura jovem. Outra conclusão é que a linguagem do hip hop também pode ser uma forma mais eficaz de se comunicar com os adolescentes, como na hora de se fazer campanhas de prevenção ao HIV, por exemplo.
A pesquisa também apontou que os adolescentes que eram expostos aos níveis mais elevados de letras sexualmente degradantes apresentavam probabilidade duas vezes maior de ter praticado sexo. Os pesquisadores definiram como letras degradantes aquelas que retratam as mulheres como objetos sexuais, os homens como insaciáveis e o sexo como inconseqüente.
Em linhas gerais, a pesquisa sugere que não é o hip hop que influencia negativamente os adolescentes, mas o conteúdo que as letras transmitem. A reportagem afirma que muitos especialistas acreditam que as chaves para a comunicação com toda uma geração de jovens pode ser encontrada no hip hop. Para eles, o hip hop precisa ser entendido porque trata-se de um "fenômeno de geração que une os jovens".
Comentário
Enquanto a cultura hip hop nos EUA é vista como uma música erotizada, que incita o sexo adolescente e dissemina preconceitos de gênero, o hip hop brasileiro tem um caráter muito mais ligado às questões sociais, se configurando numa música de protesto contra as injustiças sociais, o racismo, a violência urbana (incluindo aí a violência policial) e a situação das favelas, por exemplo.
A impressão que eu tenho é que o hip hop americano é uma música muito alienada. Essa alienação termina sendo refletida nas letras das músicas, que, em sua maioria, só falam de sexo e consumismo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
As sete maravilhas do RN
O resultado da eleição promovida pelo Diário de Natal para escolher as sete maravilhas do Rio Grande do Norte foi divulgado ontem (04/11) n'O Poti. Em primeiro lugar ficou a Serra Barriguda, cartão postal da cidade de Alexandria, terra natal deste blogueiro.
A Serra Barriguda teve mais de 16 mil votos e ficou na frente, inclusive, do Morro do Careca, símbolo maior da cidade do Natal, que foi o segundo colocado. Completam a lista das maravilhas o Açude Gargalheiras de Acari, a Fortaleza dos Reis Magos de Natal, o Frasqueirão Natal (estádio do ABC Futebol Clube), o Santuário do Lima em Patú e o trecho de serras Os Apertados em Currais Novos.
Sobre a serra de Alexandria, escrevi uma "Crônica da Barriguda" quando era estagiário no "Jornal Metropolitano" de Parnamirim.
Quando morava lá, costumava escalar a Barriguda com os amigos da Igreja Presbiteriana. No meio do caminho fazíamos uma parada estratégica para retomar o folêgo. Há um trecho bastante verticalizado, onde temos que subir uma rocha apoiado com as mãos. A gente chamava de "pedra de quatro" por causa da posição em que ficávamos.
Antes de alcançarmos o topo da serra, a gente passava por uma abertura entre as rochas que produzia uma sombra agradável. Lá o vento era forte e fazia um frio danado.
Quando chegávamos no cume, a sensação de liberdade tomava conta de nós. O vento era nossas asas. A gente via a cidade diminúncula lá de cima. Imagens de verde rareavam aqui e acolá. Feito meninos bestas, a gente ficava acenando lá de cima achando que alguém responderia lá de baixo.
Aí a gente sentava, alguém sacava o violão e cantarolávamos algumas músicas. A gente aproveitava pra fazer uma boquinha também, afinal de contas ninguém é de ferro. Nosso break fast tinha pão, presunto, mussarela, suco, bolo, tapioca e dindin (acho que aqui em Natal chamam de dadá ou sacolé).
A gente ficava lendo as mensagens que as outras pessoas deixavam nas rochas, pra mostrar que já estiveram ali antes. A poluição visual deixava a gente indignado deixava a gente indignado. Débora, amiga querida, sempre dizia que o nome dos tôlos está em todo lugar (acho que é o versículo bíblico, mas não lembro qual).
Na hora de descer, estava todo mundo exausto. Mas, como diz o ditado, pra descer todo santo ajuda. Todo mundo tinha medo de Janaína nessa hora. Ela costumava vir mais atrás e aprontava com quem ia na frente. Carlinda, nossa saudosa amiga que está nos eperando no céu, era quem mais tinha medo. Uma vez Janaína desceu correndo e arrastou Carlinda serra abaixo. Foi um Deus nos acuda. Depois todo mundo caiu na risada.
Foram muitas as subidas à Barriguda. Faz tempo que não faço essa aventura. A maioria dos amigos não moram mais na cidade e só aparecem lá nas férias. E sem aquela turma, a Barriguda perde um pouco de graça.
É isso aí, essas são algumas das minhas memórias da Barriguda e essa foi a forma que encontrei pra homenagear a nossa maravilha.
A Serra Barriguda teve mais de 16 mil votos e ficou na frente, inclusive, do Morro do Careca, símbolo maior da cidade do Natal, que foi o segundo colocado. Completam a lista das maravilhas o Açude Gargalheiras de Acari, a Fortaleza dos Reis Magos de Natal, o Frasqueirão Natal (estádio do ABC Futebol Clube), o Santuário do Lima em Patú e o trecho de serras Os Apertados em Currais Novos.
Sobre a serra de Alexandria, escrevi uma "Crônica da Barriguda" quando era estagiário no "Jornal Metropolitano" de Parnamirim.
Quando morava lá, costumava escalar a Barriguda com os amigos da Igreja Presbiteriana. No meio do caminho fazíamos uma parada estratégica para retomar o folêgo. Há um trecho bastante verticalizado, onde temos que subir uma rocha apoiado com as mãos. A gente chamava de "pedra de quatro" por causa da posição em que ficávamos.
Antes de alcançarmos o topo da serra, a gente passava por uma abertura entre as rochas que produzia uma sombra agradável. Lá o vento era forte e fazia um frio danado.
Quando chegávamos no cume, a sensação de liberdade tomava conta de nós. O vento era nossas asas. A gente via a cidade diminúncula lá de cima. Imagens de verde rareavam aqui e acolá. Feito meninos bestas, a gente ficava acenando lá de cima achando que alguém responderia lá de baixo.
Aí a gente sentava, alguém sacava o violão e cantarolávamos algumas músicas. A gente aproveitava pra fazer uma boquinha também, afinal de contas ninguém é de ferro. Nosso break fast tinha pão, presunto, mussarela, suco, bolo, tapioca e dindin (acho que aqui em Natal chamam de dadá ou sacolé).
A gente ficava lendo as mensagens que as outras pessoas deixavam nas rochas, pra mostrar que já estiveram ali antes. A poluição visual deixava a gente indignado deixava a gente indignado. Débora, amiga querida, sempre dizia que o nome dos tôlos está em todo lugar (acho que é o versículo bíblico, mas não lembro qual).
Na hora de descer, estava todo mundo exausto. Mas, como diz o ditado, pra descer todo santo ajuda. Todo mundo tinha medo de Janaína nessa hora. Ela costumava vir mais atrás e aprontava com quem ia na frente. Carlinda, nossa saudosa amiga que está nos eperando no céu, era quem mais tinha medo. Uma vez Janaína desceu correndo e arrastou Carlinda serra abaixo. Foi um Deus nos acuda. Depois todo mundo caiu na risada.
Foram muitas as subidas à Barriguda. Faz tempo que não faço essa aventura. A maioria dos amigos não moram mais na cidade e só aparecem lá nas férias. E sem aquela turma, a Barriguda perde um pouco de graça.
É isso aí, essas são algumas das minhas memórias da Barriguda e essa foi a forma que encontrei pra homenagear a nossa maravilha.
domingo, 4 de novembro de 2007
Altas Horas
"Altas Horas, vida inteligente na madrugada". Esse é o slogan repetido por artistas nos intervalos do programa comandado por Serginho Groisman nas madrugadas de sábado na Globo.
O programa realmente é interessante. Conta (quase) sempre com convidados bacanas e atrações musicais de bom gosto. Ontem os entrevistados eram os atores Ney Latorraca e Letícia Sabatela, o jogador do São Paulo Richarlyson e o "Doutor Bactéria" do Fantástico, Roberto Figueiredo. A atração era o cantor Djavan, que estava lançando seu novo cd.
A "vida inteligente" desaparece quando a gente presta atenção na platéia do programa. Serginho não usa mais o velhor bordão "fala, garoto" dos tempos do "Programa Livre" no SBT. Mas os jovens continuam fazendo perguntas. É nessa hora que a coisa desanda. As perguntas quase nunca ultrapassam velhos clichês e esbarram na previsibilidade. Fica nítido o constrangimento do apresentador e dos entrevistados com a burrice da platéia. Uma menina perguntou a Ney Latorraca se ele prefere fazer drama, comédia ou suspense. Original, não?
Os cantores e as cantoras também sofrem com a platéia. Na hora de pedir uma "canjinha", a galera pede as mesma músicas de sempre - geralmente aquelas que tocaram na novela. Djavan teve que cantar "Oceano" pela enésima vez. Em outro programa, uma menina pediu pra Zélia Duncan cantar "Catedral". Contrariada, ela atendeu ao pedido, mas não sem dar seu recado: "A gente tem tantas outras coisas pra mostar".
Mas o momento que os jovens mostram toda sua inteligência é no quadro "Púlpito", quando eles ocupam a tribuna do programa para "protestar" contra o que eles quiserem. É tanta asneira que o jeito é rir. Um menino protestou contra a qualidade das escolas brasileiras. Hein?!
A minha sugestão para que a "vida inteligente" se extenda também à platéia é que o programa pare de contratar modelinhos de agências para fazer figuração e não convide só a turma da classe média, alunos de colégios e faculdades particulares. Encha aquelas arquibancadas com gente que tem o que dizer de verdade e pode contribuir pra tornar as entrevistas mais interessantes. É pedir demais?
O programa realmente é interessante. Conta (quase) sempre com convidados bacanas e atrações musicais de bom gosto. Ontem os entrevistados eram os atores Ney Latorraca e Letícia Sabatela, o jogador do São Paulo Richarlyson e o "Doutor Bactéria" do Fantástico, Roberto Figueiredo. A atração era o cantor Djavan, que estava lançando seu novo cd.
A "vida inteligente" desaparece quando a gente presta atenção na platéia do programa. Serginho não usa mais o velhor bordão "fala, garoto" dos tempos do "Programa Livre" no SBT. Mas os jovens continuam fazendo perguntas. É nessa hora que a coisa desanda. As perguntas quase nunca ultrapassam velhos clichês e esbarram na previsibilidade. Fica nítido o constrangimento do apresentador e dos entrevistados com a burrice da platéia. Uma menina perguntou a Ney Latorraca se ele prefere fazer drama, comédia ou suspense. Original, não?
Os cantores e as cantoras também sofrem com a platéia. Na hora de pedir uma "canjinha", a galera pede as mesma músicas de sempre - geralmente aquelas que tocaram na novela. Djavan teve que cantar "Oceano" pela enésima vez. Em outro programa, uma menina pediu pra Zélia Duncan cantar "Catedral". Contrariada, ela atendeu ao pedido, mas não sem dar seu recado: "A gente tem tantas outras coisas pra mostar".
Mas o momento que os jovens mostram toda sua inteligência é no quadro "Púlpito", quando eles ocupam a tribuna do programa para "protestar" contra o que eles quiserem. É tanta asneira que o jeito é rir. Um menino protestou contra a qualidade das escolas brasileiras. Hein?!
A minha sugestão para que a "vida inteligente" se extenda também à platéia é que o programa pare de contratar modelinhos de agências para fazer figuração e não convide só a turma da classe média, alunos de colégios e faculdades particulares. Encha aquelas arquibancadas com gente que tem o que dizer de verdade e pode contribuir pra tornar as entrevistas mais interessantes. É pedir demais?
sábado, 3 de novembro de 2007
Violência
Leio, entre desorientado e perplexo (acho que já escrevi isso antes), a notícia: "Adolescente é morto a pauladas na Zona Norte".
Aconteceu na madrugada deste sábado num conjunto da Zona Norte de Natal. O adolescente foi assassinado por quatro pessoas não identificadas.
Ninguém sabe o motivo do crime. A polícia ainda busca explicações.
Explicação pode existir - o que não existe é justificativa.
A brutalidade e a banalidade do crime são chocantes. Mas mais chocante ainda é saber que nossos jovens - principalmente os da periferia - continuam sendo assassinados diariamente e alimentando as estatísticas da violência urbana. Apesar de impactante, a morte do jovem da periferia não comove muito. As pessoas comentam o caso e o esquecem em seguida. A cena repete, diz a canção.
Além de viver sob o signo da exclusão social, o jovem da periferia é condenado a morrer cedo. As estatísticas comprovam que a violência urbana escolhe idade, classe, cor e gênero: as vítimas são principlamente jovens, pobres, negros e homens.
Que país é esse que permite a morte dos seus jovens e não faz nada para salvá-los?
É o país que comemora a vinda da Copa do Mundo de 2014 para cá.
P.S.: Depois que escrevi o texto acima, li no site de um jornal da capital que o adolescente foi espancado por "populares" porque "teria praticado assaltos na região". Não sei o que comentar. Há um nó na minha garganta. Não consigo acreditar que isso seja verdade.
Aconteceu na madrugada deste sábado num conjunto da Zona Norte de Natal. O adolescente foi assassinado por quatro pessoas não identificadas.
Ninguém sabe o motivo do crime. A polícia ainda busca explicações.
Explicação pode existir - o que não existe é justificativa.
A brutalidade e a banalidade do crime são chocantes. Mas mais chocante ainda é saber que nossos jovens - principalmente os da periferia - continuam sendo assassinados diariamente e alimentando as estatísticas da violência urbana. Apesar de impactante, a morte do jovem da periferia não comove muito. As pessoas comentam o caso e o esquecem em seguida. A cena repete, diz a canção.
Além de viver sob o signo da exclusão social, o jovem da periferia é condenado a morrer cedo. As estatísticas comprovam que a violência urbana escolhe idade, classe, cor e gênero: as vítimas são principlamente jovens, pobres, negros e homens.
Que país é esse que permite a morte dos seus jovens e não faz nada para salvá-los?
É o país que comemora a vinda da Copa do Mundo de 2014 para cá.
P.S.: Depois que escrevi o texto acima, li no site de um jornal da capital que o adolescente foi espancado por "populares" porque "teria praticado assaltos na região". Não sei o que comentar. Há um nó na minha garganta. Não consigo acreditar que isso seja verdade.
Mulheres poluem menos do que homens
A notícia está no site Terra Magazine. O Ministério do Meio Ambiente da Suécia fez um estudo e concluiu que homens contribuem muito mais para a degradação do planeta.
De acordo com o site, a pesquisa levou em conta fatores como o envolvimento em atividades industriais, consumo de energia e o uso de automóveis para o deslocamento, entre outros semelhantes.
As conclusões da pesquisa indicaram que as mulheres levam vidas mais "sustentáveis" do ponto de vista ecológico. Homens emitem muito mais dióxido de carbono e outros gases-estufa no ambiente. O desenvolvimento sustentável do mundo só será possível com maior igualdade entre os gêneros.
Os dados coletados e o cruzamento de informações do estudo levam à conclusão que se quisermos um ambiente minimamente sustentável no mundo, as mulheres têm que ganhar mais espaço.
De acordo com o site, a pesquisa levou em conta fatores como o envolvimento em atividades industriais, consumo de energia e o uso de automóveis para o deslocamento, entre outros semelhantes.
As conclusões da pesquisa indicaram que as mulheres levam vidas mais "sustentáveis" do ponto de vista ecológico. Homens emitem muito mais dióxido de carbono e outros gases-estufa no ambiente. O desenvolvimento sustentável do mundo só será possível com maior igualdade entre os gêneros.
Os dados coletados e o cruzamento de informações do estudo levam à conclusão que se quisermos um ambiente minimamente sustentável no mundo, as mulheres têm que ganhar mais espaço.
Música
CD de Roberta Sá ganha tiragens ascendentesFirme até o momento no posto de melhor disco brasileiro de 2007, o segundo CD da ótima cantora Roberta Sá, Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria, está vendendo tão bem que suas novas tiragens já estão sendo fabricadas com números sempre ascendentes. A gravadora Universal Music, que distribui o disco, acaba de prensar uma quarta tiragem com mais 10 mil cópias (se a primeira teve três mil cópias, a segunda contabilizou cinco mil e a terceira foi de seis mil cópias). Ao todo, as quatro tiragens totalizam 24 mil exemplares - número bastante expressivo para uma cantora ainda pouco conhecida fora da cena do samba e do eixo Rio-São Paulo.
Fonte: Blog do jornalista Mauro Ferreira (http://blogdomauroferreira.blogspot.com)
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Brasil reduz extrema pobreza em ritmo acelerado
"O Brasil está diminuindo a extrema pobreza em um ritmo quase duas vezes maior que a pobreza, como indica uma análise de dois relatórios que acompanham o desempenho do país nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, uma série de metas socioeconômicas que as nações da ONU se comprometeram a atingir até 2015, abrangendo as áreas de renda, educação, saúde, gênero e meio ambiente). Quanto mais baixa a linha de pobreza adotada, melhor se sai o Brasil.
“O governo federal não focou seus esforços nos extremamente pobres, foi uma conseqüência de várias políticas. Os pobres também estão melhorando sua condição, mas num ritmo mais lento em relação aos primeiros”, diz Sergei Soares, pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). “A meta do governo é acabar com a pobreza geral, mas os mais pobres têm mais urgência de ajuda.”
Pelos critérios do IPEA, é considerado extremamente pobre quem vive diariamente com menos de 1 dólar PPP (paridade do poder de compra, que elimina a diferença de custo de vida entre os países), o mesmo critério usado pelo Banco Mundial. Entre 1990 e 2005, a proporção de brasileiros abaixo dessa linha (equivalente a R$ 40 em 2005) recuou 52%: de 8,8% para 4,2%.
Já a Coleção de Estudos Regionais sobre os ODM 2007, feita em conjunto por cinco universidades do país, também com apoio do PNUD, usa valores um pouco mais altos para classificar extrema pobreza: menos de um quarto do salário mínimo. Sob esse critério, o estudo, lançado na semana passada, conclui que a proporção de brasileiros nesse grupo caiu 44% entre 1990 e 2005: de 19,98% para 11,11%.
Diferentes programas nacionais atingiram diferentes grupos da população, afirma Soares, do IPEA. Entre os extremamente pobres, o Bolsa Família foi fundamental; em relação aos pobres, o aumento do salário mínimo e a Previdência Social; para os que estão um pouco acima dessa linha, a expansão na educação – que permitiram acesso a escolas e universidades e a conseqüente inserção de jovens no mercado de trabalho.
Para o pesquisador do IPEA, o Brasil hoje redistribui renda de uma maneira quase linear. “É, de longe, a maneira mais virtuosa de distribuir renda, que vem sendo elogiada por vários países. Não estamos tirando do meio termo para melhorar a condição social dos mais pobres, estamos tirando dos mais ricos — embora estes estejam ganhando dinheiro também”, diz.
Márcio Salvato, pesquisador e coordenador do Instituto de Desenvolvimento Humano da PUC Minas, uma das universidades responsáveis pela Coleção de Estudos Regionais sobre os ODM 2007, enfatiza a expansão da economia. “O crescimento econômico do país foi importante, porque assim é possível redistribuir essa renda para os mais necessitados. Em programas do governo, como o Bolsa Família, o Bolsa Escola, o Vale Gás, você tributa uma parte da economia e transfere o dinheiro para quem é mais pobre”, aponta. “Mas é a classe média, e não os mais ricos, que está sendo atingida, pois vem sendo mais tributada”.
Salvato afirma que, na última década, a pobreza foi afetada mais pela transferência de renda do que pelo crescimento de renda. E defende políticas de longo prazo, que incluam a educação. “Apenas transferir renda, como o Bolsa Família faz, é uma medida de curto prazo, e ilusória. E se você tira esse benefício do cidadão? Ele volta à situação anterior”, avalia.
Para reduzir a pobreza tanto quanto a extrema pobreza, é necessário combinar crescimento econômico e políticas educacionais, sugere Salvato. “Senão, ocorre o que antes se via no Brasil: crescimento econômico, mas alta concentração de renda. Não vejo problema em focar primeiro nos extremamente pobres, ou indigentes, em quem está lá embaixo. A política correta é uma que consiga reduzir a pobreza e o hiato de pobreza [distância entre a linha de pobreza e a média da renda de quem está abaixo dessa linha].”
Nos últimos anos, quem mais ganhou foram os 10% mais pobres, concorda Sergei Soares. “Quanto mais baixa a média de renda do domicílio, mais esta família está aumentando seu ganho. Quanto mais baixa a linha, maior a quantidade de pessoas que saíram da situação de extrema pobreza”, resume.
Além do estrato da população que vive em condições de pobreza ou extrema pobreza, Márcio Salvato cita o que chama de “enorme contingente de brasileiros que vivem em situação de extrema miserabilidade, à margem da sociedade – eles estão abaixo dos que vivem em extrema pobreza”.
“Eles moram em pequenos municípios de zonas rurais, onde as prefeituras não têm verba, e também em zonas urbanas – são mendigos, moradores de rua, de favelas dominadas pelo tráfico, de prédios invadidos”, enumera. Como não têm moradia fixa nem acesso a informação, não conseguem se cadastrar num sistema para receber os benefícios do governo. “É necessário fazer uma política específica para isso, mais focalizada. Você tem de ir até eles, e não esperar que eles venham atrás dos benefícios”, diz o pesquisador da PUC Minas. Ele calcula que um quarto dos extremamente pobres vive em extrema miserabilidade, ou cerca de 2,5% dos brasileiros."
Fonte: Envolverde
“O governo federal não focou seus esforços nos extremamente pobres, foi uma conseqüência de várias políticas. Os pobres também estão melhorando sua condição, mas num ritmo mais lento em relação aos primeiros”, diz Sergei Soares, pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). “A meta do governo é acabar com a pobreza geral, mas os mais pobres têm mais urgência de ajuda.”
Pelos critérios do IPEA, é considerado extremamente pobre quem vive diariamente com menos de 1 dólar PPP (paridade do poder de compra, que elimina a diferença de custo de vida entre os países), o mesmo critério usado pelo Banco Mundial. Entre 1990 e 2005, a proporção de brasileiros abaixo dessa linha (equivalente a R$ 40 em 2005) recuou 52%: de 8,8% para 4,2%.
Já a Coleção de Estudos Regionais sobre os ODM 2007, feita em conjunto por cinco universidades do país, também com apoio do PNUD, usa valores um pouco mais altos para classificar extrema pobreza: menos de um quarto do salário mínimo. Sob esse critério, o estudo, lançado na semana passada, conclui que a proporção de brasileiros nesse grupo caiu 44% entre 1990 e 2005: de 19,98% para 11,11%.
Diferentes programas nacionais atingiram diferentes grupos da população, afirma Soares, do IPEA. Entre os extremamente pobres, o Bolsa Família foi fundamental; em relação aos pobres, o aumento do salário mínimo e a Previdência Social; para os que estão um pouco acima dessa linha, a expansão na educação – que permitiram acesso a escolas e universidades e a conseqüente inserção de jovens no mercado de trabalho.
Para o pesquisador do IPEA, o Brasil hoje redistribui renda de uma maneira quase linear. “É, de longe, a maneira mais virtuosa de distribuir renda, que vem sendo elogiada por vários países. Não estamos tirando do meio termo para melhorar a condição social dos mais pobres, estamos tirando dos mais ricos — embora estes estejam ganhando dinheiro também”, diz.
Márcio Salvato, pesquisador e coordenador do Instituto de Desenvolvimento Humano da PUC Minas, uma das universidades responsáveis pela Coleção de Estudos Regionais sobre os ODM 2007, enfatiza a expansão da economia. “O crescimento econômico do país foi importante, porque assim é possível redistribuir essa renda para os mais necessitados. Em programas do governo, como o Bolsa Família, o Bolsa Escola, o Vale Gás, você tributa uma parte da economia e transfere o dinheiro para quem é mais pobre”, aponta. “Mas é a classe média, e não os mais ricos, que está sendo atingida, pois vem sendo mais tributada”.
Salvato afirma que, na última década, a pobreza foi afetada mais pela transferência de renda do que pelo crescimento de renda. E defende políticas de longo prazo, que incluam a educação. “Apenas transferir renda, como o Bolsa Família faz, é uma medida de curto prazo, e ilusória. E se você tira esse benefício do cidadão? Ele volta à situação anterior”, avalia.
Para reduzir a pobreza tanto quanto a extrema pobreza, é necessário combinar crescimento econômico e políticas educacionais, sugere Salvato. “Senão, ocorre o que antes se via no Brasil: crescimento econômico, mas alta concentração de renda. Não vejo problema em focar primeiro nos extremamente pobres, ou indigentes, em quem está lá embaixo. A política correta é uma que consiga reduzir a pobreza e o hiato de pobreza [distância entre a linha de pobreza e a média da renda de quem está abaixo dessa linha].”
Nos últimos anos, quem mais ganhou foram os 10% mais pobres, concorda Sergei Soares. “Quanto mais baixa a média de renda do domicílio, mais esta família está aumentando seu ganho. Quanto mais baixa a linha, maior a quantidade de pessoas que saíram da situação de extrema pobreza”, resume.
Além do estrato da população que vive em condições de pobreza ou extrema pobreza, Márcio Salvato cita o que chama de “enorme contingente de brasileiros que vivem em situação de extrema miserabilidade, à margem da sociedade – eles estão abaixo dos que vivem em extrema pobreza”.
“Eles moram em pequenos municípios de zonas rurais, onde as prefeituras não têm verba, e também em zonas urbanas – são mendigos, moradores de rua, de favelas dominadas pelo tráfico, de prédios invadidos”, enumera. Como não têm moradia fixa nem acesso a informação, não conseguem se cadastrar num sistema para receber os benefícios do governo. “É necessário fazer uma política específica para isso, mais focalizada. Você tem de ir até eles, e não esperar que eles venham atrás dos benefícios”, diz o pesquisador da PUC Minas. Ele calcula que um quarto dos extremamente pobres vive em extrema miserabilidade, ou cerca de 2,5% dos brasileiros."
Fonte: Envolverde
TV Pública incomoda emissoras comerciais
De acordo com a coluna "Outro Canal" da Folha de São Paulo de segunda-feira passada (29/10), Globo, Record e SBT articulam nos bastidores políticos contra a TV Brasil - a nova TV pública do país que entrará no ar a partir do dia 2 de dezembro.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que vai administrar a nova rede, foi oficialmente criada na quarta-feira passada (31/10), através de Medida Provisória assinada pelo presidente Lula. No ato de criação, o presidente deu posse à diretoria da TV Brasil: Tereza Cruvinel (diretora-presidente), Orlando Senna (diretor-geral) e mais quatro diretores.
As três emissoras comerciais estão preocupadas com uma possível perda de publicidade oficial e querem modificar a MP que criou a ECB. Globo, Record e SBT decidiram unir forças para fazer lobby e pressionar deputados e senadores a apresentarem emendas à MP definindo o que é publicidade institucional e apoio cultural. Segundo Daniel Castro, que assina a coluna da Folha, a idéia é limitar o financiamento da TV pública com publicidade.
Já foram apresentadas 132 emendas à MP - a maioria delas relacionadas à publicidade. O texto da MP proíbe "anúncios de produtos e serviços" e autoriza apenas "publicidade institucional de entidades de direito público e privado, a título de apoio cultural, admitindo-se o patrocínio de programas, eventos e projetos".
O jornalista Gabriel Priolli, em artigo no "Observatório da Imprensa", afirma que "definições legais precisas" para os conceitos de "publicidade institucional" e "apoio cultural", como querem as emissoras comerciais, na verdade não passam de "interdições". "Querem diferí-los bem da publicidade comercial convencional, para impedir que a TV Brasil ponha as mãos no bolo de R$ 60 milhões que estima obter com a captação de recursos privados", diz ele.
Para Gabriel, o que assusta os opositores da televisão pública é que a nova rede se torne competitiva em termos de audiência e depois passe a disputar anunciantes com as emissoras comerciais.
A ECB nasce com investimento estatal e apoio governamental de proporções inéditas. Serão R$ 350 milhões do Orçamento da União. Até o final do governo Lula, a TV Brasil terá 1,4 bilhão para custeio e investimentos.
O interessante nessa história é ver a união entre Globo e Record. Quando lançou o canal de notícias Record News, Edir Macedo disse que a Globo monopolizava a informação e isso era prejudicial à democracia. Prometeu que o novo canal com 24 h de informação de graça iria quebrar o monopólio global e democratizar a informação.
Edir Macedo, na verdade, não está nem aí pra democratização da informação. A aliança com a Globo para tentar barrar a TV pública mostra que a emissora da família Marinho e o canal da Igreja Universal falam a mesma língua e têm os mesmos interesses.
O sonho da Record é ocupar o espaço hegemônico que hoje é da Globo. Para isso, segue os mesmos passos da rede líder de audiência - copia fórmulas e repete o padrão obscuro de informação.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que vai administrar a nova rede, foi oficialmente criada na quarta-feira passada (31/10), através de Medida Provisória assinada pelo presidente Lula. No ato de criação, o presidente deu posse à diretoria da TV Brasil: Tereza Cruvinel (diretora-presidente), Orlando Senna (diretor-geral) e mais quatro diretores.
As três emissoras comerciais estão preocupadas com uma possível perda de publicidade oficial e querem modificar a MP que criou a ECB. Globo, Record e SBT decidiram unir forças para fazer lobby e pressionar deputados e senadores a apresentarem emendas à MP definindo o que é publicidade institucional e apoio cultural. Segundo Daniel Castro, que assina a coluna da Folha, a idéia é limitar o financiamento da TV pública com publicidade.
Já foram apresentadas 132 emendas à MP - a maioria delas relacionadas à publicidade. O texto da MP proíbe "anúncios de produtos e serviços" e autoriza apenas "publicidade institucional de entidades de direito público e privado, a título de apoio cultural, admitindo-se o patrocínio de programas, eventos e projetos".
O jornalista Gabriel Priolli, em artigo no "Observatório da Imprensa", afirma que "definições legais precisas" para os conceitos de "publicidade institucional" e "apoio cultural", como querem as emissoras comerciais, na verdade não passam de "interdições". "Querem diferí-los bem da publicidade comercial convencional, para impedir que a TV Brasil ponha as mãos no bolo de R$ 60 milhões que estima obter com a captação de recursos privados", diz ele.
Para Gabriel, o que assusta os opositores da televisão pública é que a nova rede se torne competitiva em termos de audiência e depois passe a disputar anunciantes com as emissoras comerciais.
A ECB nasce com investimento estatal e apoio governamental de proporções inéditas. Serão R$ 350 milhões do Orçamento da União. Até o final do governo Lula, a TV Brasil terá 1,4 bilhão para custeio e investimentos.
O interessante nessa história é ver a união entre Globo e Record. Quando lançou o canal de notícias Record News, Edir Macedo disse que a Globo monopolizava a informação e isso era prejudicial à democracia. Prometeu que o novo canal com 24 h de informação de graça iria quebrar o monopólio global e democratizar a informação.
Edir Macedo, na verdade, não está nem aí pra democratização da informação. A aliança com a Globo para tentar barrar a TV pública mostra que a emissora da família Marinho e o canal da Igreja Universal falam a mesma língua e têm os mesmos interesses.
O sonho da Record é ocupar o espaço hegemônico que hoje é da Globo. Para isso, segue os mesmos passos da rede líder de audiência - copia fórmulas e repete o padrão obscuro de informação.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
"Época" manipula imagem de Hugo Chávez
Essa imprensa brasileira não tem limites mesmo. Quando a gente pensa que já viu de tudo, nem imagina o que ainda tem por vir.Li no site da revista "Fórum" sobre a manipulação na imagem do presidente venezuelano Hugo Chávez, feita pela revista "Época" para a capa desta semana.
Na capa, Hugo Chávez aparece com cara ameaçadora e ao lado lê-se a manchete em forma de pergunta: "O Brasil deve ter medo dele?"
Pois não é que o diretor de arte da "Época", Marcos Marques, assumiu que fez um "trabalho de manipulação na imagem original" para transformar a fisionomia de Chávez e fazer parecer que ele é ameaçador.
Segundo "Fórum", o diretor de arte escreveu um texto no blog Faz Caber, que fala justamente sobre capas de revistas, onde confessa que fez a manipulação:
"Para fazer a capa desta semana foi feita uma pesquisa de imagem muito específica. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teria que estar com cara ameaçadora. Foi muito difícil, ele tem uma cara gorda e simpática, não dá medo em ninguém. A imagem que mais chegou próximo do objetivo foi a que ele está de boina vermelha olhando para o lado esquerdo. Para deixar a imagem ainda mais forte, o nosso ilustrador Nilson Cardoso fez um trabalho de manipulação na imagem original, até chegar a este resultado final. O que acham? Façam seus comentários. Marcos Marques - diretor de arte''.
Antes, pelo menos, eles (da grande mídia) eram mais sutis e ainda se davam ao trabalho de negar quando eram acusados de manipulação. Agora nem isso.
Sobre a ladainha do 3º mandato
Abra os jornais e todo dia você vai encontrar alguma coisa sobre essa história de terceiro mandato. É só no que a imprensa fala ultimamente.
Na falta de outro assunto, a mídia dá espaço às declarações de algum político em busca de holofotes, que diz ser favorável à idéia de permitir a reeleição sem limites para cargos majoritários.
Como se diz no interior, um fulano, que não é ninguém no jogo do bicho, de repente aparece nas manchetes dos jornais e na televisão, como se fosse porta-voz do governo. Os (de)formadores de opinião, imediatamente, interpretam a declaração do fulano como um recado do governo.
"É um golpe! É uma tentativa de transformar o Brasil na Venezuela!", bradam todos.
Não adianta o presidente dizer repetidas vezes que não aceita ser candidato a re-reeleição...
Não adianta o partido do presidente - o PT - dizer que é contra a idéia...
O fulano fala e a mídia espalha a conversa.
Outro dia eu estava na livraria do campus universitário e escutei a conversa de dois senhores:
- Meu amigo, você soube que Lula já quer ser candidato de novo em 2010? - perguntou o primeiro.
- Sei, sim. O pior é que ele é tão dissimulado que fica negando que não vai ser candidato - emendou o segundo.
Eu lembrei daquele ditado popular, segundo o qual uma mentira repetida muitas vezes vira uma verdade.
Foi aí que entendi a estratégia. A mídia conservadora e golpista, como diria Paulo Henrique Amorim, está investindo nesse filão para tentar convencer o povo de que o presidente Lula não passa de um obcecado pelo poder, com tendências ditatoriais.
Pela conversa que testemunhei dos dois senhores, a coisa tá pegando.
Na falta de outro assunto, a mídia dá espaço às declarações de algum político em busca de holofotes, que diz ser favorável à idéia de permitir a reeleição sem limites para cargos majoritários.
Como se diz no interior, um fulano, que não é ninguém no jogo do bicho, de repente aparece nas manchetes dos jornais e na televisão, como se fosse porta-voz do governo. Os (de)formadores de opinião, imediatamente, interpretam a declaração do fulano como um recado do governo.
"É um golpe! É uma tentativa de transformar o Brasil na Venezuela!", bradam todos.
Não adianta o presidente dizer repetidas vezes que não aceita ser candidato a re-reeleição...
Não adianta o partido do presidente - o PT - dizer que é contra a idéia...
O fulano fala e a mídia espalha a conversa.
Outro dia eu estava na livraria do campus universitário e escutei a conversa de dois senhores:
- Meu amigo, você soube que Lula já quer ser candidato de novo em 2010? - perguntou o primeiro.
- Sei, sim. O pior é que ele é tão dissimulado que fica negando que não vai ser candidato - emendou o segundo.
Eu lembrei daquele ditado popular, segundo o qual uma mentira repetida muitas vezes vira uma verdade.
Foi aí que entendi a estratégia. A mídia conservadora e golpista, como diria Paulo Henrique Amorim, está investindo nesse filão para tentar convencer o povo de que o presidente Lula não passa de um obcecado pelo poder, com tendências ditatoriais.
Pela conversa que testemunhei dos dois senhores, a coisa tá pegando.
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