sábado, 4 de agosto de 2007

Folha diz que governo Jaques Wagner da Bahia, com apenas sete meses, fracassou

Jaques Wagner (PT) é governador da Bahia há sete meses. Foi eleito ano passado ao derrotar Paulo Souto (DEM), então candidato do falecido senador Antônio Carlos Magalhães.

O grupo que era comandado por ACM governava a Bahia há vários anos ininterruptamente.

A Folha de São Paulo de hoje diz que o governo de Jaques Wagner - há sete meses no poder, lembrem-se - "foi derrotado pela violência e por greves na educação".

A Folha cita um suposto aumento nas estatísticas da violência e greves na rede básica de ensino e em duas universidades estaduais como prova do "fracasso" de Jaques Wagner.

Não conheço as estatísticas da violência na Bahia.

Não sei o teor das reivindicações dos grevistas - certamente, devem ser justas.

Mas uma coisa eu sei. Decretar o fracasso de um governo com tão pouco tempo de história é pra lá de prematuro.

Alé, disso, como a própria Folha menciona quase no final da reportagem, as greves começaram poucos dias após a posse do governador Jaques Wagner.

É querer muito que um governador recém empossado resolva em pouco tempo demandas históricas.

Jaques Wagner é um nome sempre lembrado para concorrer à sucessão do presidente Lula em 2010. O sucesso dele à frente do governo da Bahia o credenciaria para essa missão.

Parece que é isso que está em jogo.

Renan é sócio de empresa de comunicação em Alagoas. O que será que o senador Agripino tem a dizer sobre isso?

A revista Veja desta semana traz nova denúncia contra o presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo a revista, o senador é sócio oculto de uma empresa de comunicação em Alagoas. São duas emissoras de rádio que valem cerca de R$ 2,5 milhões. A reportagem informa que Renan usou laranjas e pagou R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo, parte em dólares, para se tornar sócio do grupo.

Veja não conta nenhuma novidade. Existe mais político dono de empresa de comunicação (tv, rádio e jornal) do supõe a nossa vã filosofia. A revista poderia aproveitar a deixa e investigar outros casos, como o do senador José Agripino (DEM-RN), dono da TV Tropical, retransmissora da Rede Record aqui no Rio Grande do Norte.

Aliás, adoraria saber a opinião do referido senador sobre mais essa denúncia contra o seu colega alagoano. Agripino foi promovido a paladino da ética e da moral na política nacional de uma hora para outra. Uma pesquisa, mesmo que superficial, sobre a sua biografia e atuação política ajudaria a revelar a verdadeira face de Agripino - na verdade, um representante do que existe de mais atrasado e amoral em matéria de política. O escândalo do "rabo de palha" é um exemplo do jeito de fazer política deste senhor.

Sobre a TV Tropical, o uso polítiqueiro que o senador faz da concessão pública por ele administrada é algo vexatório. O pior é que agora o espaço é utilizado para promover também o filho dele, deputado federal Felipe Maia (DEM-RN), herdeiro do legado de Agripino.

Fico imaginando se os jornalistas que trabalham naquela emissora não se sentem constrangidos quando têm que anunciar o próximo discurso do senador José Agripino ou do deputado Felipe Maia, como acontece diariamente nos seus telejornais.

Desplugaram a ética? Será que todo jornalista, para defender o salário, deve calar e consentir com práticas abusivas e ilegais? De que lado devemos ficar?

terça-feira, 31 de julho de 2007

A invasão de Bush no Iraque produziu, até agora, 8 milhões de famintos

A Oxfam, organização humanitária sediada em Londres, divulgou um relatório mostrando o saldo, até agora, da invasão americana ao Iraque: 43% da população está abaixo do nível de pobreza, 15% dos iraquianos não têm regularmente o que comer, 70% não dispõem de água potável e 28% das crianças estão subnutridas.

De acordo com o relatório da organização, 8 milhões de iraquianos não têm o que comer - o equivalente a aproximadamente um terço da população de 27, 5 milhões.

Enquanto isso, o governo de Bush, o senhor da guerra, vai pedir ao Congresso dos EUA a aprovação de um pacote de US$ 63 bilhões em armas e ajuda militar para Egito, Israel, Arábia Saudita e mais cinco países do golfo Pérsico.


Com informações da Folha de S. Paulo

domingo, 29 de julho de 2007

Sai o Pan, volta o Alemão

Durante a cobertura do Pan no Rio de Janeiro, nenhuma notícia de bala perdida, da operação da Polícia no complexo de favelas do Alemão, da insegurança etc.

Terminada a festa, os telejornais voltarão a explorar a banalização da violência.

As escolas do Rio voltaram às aulas?

O Jornal Nacional de segunda-feira trará a resposta.

A arquitetura do golpe

Movimento "cansei", segundo Mino Carta em seu blog (http://blogdomino.blig.ig.com.br), é uma reedição da "Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade


"Estamos às vésperas do retorno da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade. Agora passa a se chamar Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros. Trata-se de uma fórmula mais elaborada, mais complexa, mas os objetivos são os mesmos. O movimento foi lançado pela OAB de São Paulo, e conta com o respaldo de figuras importantes da Fiesp e da Associação Comercial paulista, e com a divulgação de televisões e rádios, por ora não melhor especificadas. A idéia inicial faísca no escritório de João Dória Jr., o Iconoclasta Mor, aquele que destruiu a pauladas o monumento dedicado a Cláudio Abramo, o grande jornalista, em uma pracinha do Jardim Europa. Ali desceu o Espírito Santo, e iluminou os primeiros carbonários da grana, unidos em torno do slogan: Cansei. Uma campanha publicitária, oferecida de graça por Nizan Guanaes, gênio da propaganda nativa de inolvidável extração tucana, mais badalado entre nós do que George Clooney no resto do mundo, insistirá em peças destinadas a expor o pensamento dos graúdos envolvidos: “cansei do caos aéreo”, “cansei de bala perdida”, “cansei de pagar tantos impostos”. É do conhecimento até do mundo mineral a quem esses valentes senhores atribuem a culpa por os males que denunciam: nem é ao governo como um todo, e sim ao Lula, invasor bárbaro de uma área reservada aos doutores. Mas o presidente da OAB paulista, certo D’Urso, diz que o movimento não tem conotação política. Enquanto isso, às sorrelfas, o pessoal pede instruções aos mestres. Alguns ligam para Fernando Henrique Cardoso, outros para José Serra. São os derradeiros retoques da tucanização da elite brasileira, a mesma que sentou-se em cima de um tesouro chamado Brasil e só cuidou de predá-lo, com os resultados conhecidos. Incompetência generalizada, recorde mundial em má distribuição de renda, baixo crescimento, educação e saúde descuradas até o limite do crime, miséria da maioria etc. etc. Acorda Lula, chama o teu povo."

sábado, 28 de julho de 2007

Censura

Leio o blog da jornalista Thaisa Galvão quase diariamente - não porque gosto, mas por dever de ofício, que fique bem claro. Freqüentemente, escrevo comentários às notas lá publicadas. Mais freqüentemente ainda, meus comentários são solenemente ignorados, censurados. Isso revela uma faceta muito comum aqueles que ocupam postos de comando nos veículos de comunicação locais e nacionais - não publicar críticas. Quando muito, publicar apenas críticas leves, que venham ao encontro do interesse do gatekeeper.

Hoje, enviei mais um comentário ao blog da editora de "O Jornal de Hoje". Na certeza de que mais este será igualmente censurado, transcrevo aqui a mensagem enviada para que fique registrado o meu protesto:

"É uma pena que vc [Thaisa Galvão] censure alguns comentários. Principalmente quando eles questionam sua postura jornalística ou quando faz críticas aqueles que você defende. Aliás, este é mais um comentário que deverá ser enviado à lixeira. Insisto em escrevê-lo apenas para que você saiba que nem todos são leitores passivos, sem cérebro , como querem a maioria dos comandantes da mídia nativa. E ainda falam em liberdade de imprensa, mesmo sonegando a liberdade de opinião e crítica aos cidadãos. Em Natal, como em todo o Brasil, não existe liberdade de imprensa. O que existe é liberdade de empresa."

domingo, 15 de julho de 2007

Editorial da Folha compara festa do Pan a espetáculo circense

Pan e circo

"Saltos , corridas, arremessos, recordes: os Jogos Pan-Americanos tomam conta do noticiário, e mesmo algumas modalidades esportivas que usualmente despertam pouca atenção das autoridades e do público revelam, nestes dias, seu poder de encantamento e mobilização emocional.

Em meio ao clima dominante, passa por antipática, sem dúvida, qualquer manifestação de incômodo diante do espetáculo. A circunstância de que se desenvolve poucos dias após um sangrento conflito entre policiais e o crime organizado nas favelas do Alemão -enquanto denúncias de abuso e matança de inocentes ainda estão para ser investigadas seriamente- não deixa de projetar sobre as festividades uma sombra indesejável e sinistra.

Não se trata de, mais uma vez, superestimar os fatos da criminalidade no Rio de Janeiro, na perspectiva errônea de que cidades como São Paulo, Recife, Vitória ou Belo Horizonte pudessem oferecer estatísticas aceitáveis no tocante à segurança pública.

Eis aí, com efeito, uma competição nada esportiva -e nada inteligente. Cidades grandes e médias de todo o país teriam, a rigor, dificuldades imensas para sediar qualquer evento internacional sem contar com forças especiais de repressão ao crime.

Numa sociedade conflagrada, em que chacinas policiais e ações homicidas do narcotráfico se alternam com estarrecedora rapidez, o entusiasmo gerado pelo Pan adquire, de todo modo, significações contraditórias.

Pode-se ver nesses jogos tudo aquilo que, com algum clichê, cabe assinalar em ocasiões do gênero: os exemplos de congraçamento internacional, de superação dos limites humanos, de elogio ao vigor do corpo e à pertinácia do espírito. Os mais entusiasmados acrescentarão à lista a capacidade organizacional dos poderes públicos brasileiros -que, claro, seria melhor ver demonstrada de modo mais enfático no dia-a-dia da população.Com essa perspectiva, algo de esperança se expressa, numa resposta compensatória às experiências brutais do cotidiano.

Parece haver, contudo, um ponto em que a celebração legítima se transforma em alienação e anestesia; em que a emoção coletiva vem alimentar a insensibilidade individual; e em que tudo vem refletir, afinal de contas, a rotinização da violência, à qual já se dá menos atenção do que ao frenesi oficialmente construído em torno do espetáculo.

Suspendem-se banhos de sangue para comemorar medalhas de iatismo, silenciam-se as semi-automáticas para a audição do hino nacional, e balas perdidas esperam o resultado do vôlei para então prosseguir seu curso. Os governantes oferecem, enquanto isso, os números de sempre: saltos ornamentais e piruetas circenses de calamitoso efeito, entre denúncias de superfaturamento e sinais veementes de crise social.

O país inteiro, e não apenas o Rio, vive o contraste entre a festa e a barbárie. Que não se estrague a festa; mas que tampouco se ignore aquilo que, precariamente, veio interromper."

quinta-feira, 12 de julho de 2007

"Hugo Chávez não é populista", diz José Saramago

Na contramão das opiniões reinantes pelas bandas de cá, o escritor português José Saramago disse, nesta quinta-feira, que não considera o presidente venezuelano Hugo Chávez populista.

"É um jeito pejorativo de falar de alguém que se preocupar com as classes que durante gerações e gerações não saíam da miséria", afirmou.

Saramago disse ainda que Hugo Chávez "está usando de maneira correta" o dinheiro do petróleo venezuelano.

"O presidente Chávez é criticado muitas vezes por aquilo que chamam de seu populismo. Aceitando isso, cabe perguntar o que é não ser populista, como devemos chamar a alternativa".

Com informações do jornal O Globo

Stédile eleva o tom e diz que governo Lula é inimigo do MST

"O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) disse que o latifúndio deixou de ser o principal inimigo do movimento e elegeu as empresas transacionais e o governo Lula, como principais inimigos na luta pela reforma agrária e mudança do modelo econômico em vigor no Brasil. A declaração foi feita hoje em discurso a sem-terra, pequenos agricultores e estudantes na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, no Paraná.

"Antes era o latifúndio, agora são as empresas transacionais que exploram as nossas riquezas e levam para fora do país", afirma Stédile. Segundo ele, as empresas que dominam o agronegócio brasileiro enviaram para o exterior cerca de US$ 4 bilhões entre janeiro a junho deste ano, enquanto que a reforma agrária necessitaria de US$ 1 bilhão para ser executada pelo governo brasileiro. De acordo com dados do MST, existem 4 milhões de famílias de sem-terra no País.

Para Stédile, a reforma agrária no governo Luiz Inácio Lula da Silva está muito longe da expectativa dos movimentos sociais. "O MST se iludiu com o Lula porque ele não manda nada, vive viajando. Quem manda nesse País são os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por isso, a reforma agrária não avança", diz o líder sem-terra. Para ele, o Estado brasileiro fez uma "aliança" com o agronegócio e nesse sentido cria leis para protegê-lo. "O Lula fica quieto porque recebeu dinheiro de campanha das empresas transacionais"."

Uol Últimas Notícias

Espertos, muito espertos esses vereadores de Natal

Como foram pegos no pulo do gato, os vereadores que receberam propina para derrubar os vetos do prefeito Carlos Eduardo (PSB) às emendas do Plano Diretor, escândalo que veio à tona com a bem sucedida "Operação Impacto", ameaçam agora retaliar instalando uma Coimissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a reforma do Machadão. É uma tentativa de desgastar o prefeito Carlos Eduardo, a quem os espertinhos do legislativo municipal creditam forte influência por trás desse quiprocó todo.

E eu perginto: só agora eles desconfiam de que houve desvio de dinheiro público na reforma do Machadão?

Ah, faça-me o favor!

O vereador Salatiel de Souza, que serviu anos a fio ao agripinismo (que, como se sabe, é um sitema político profícuo em matéria de produção de homens públicos honestos) e agora está sem partido, saiu-se com uma história pra boi dormir. Disse que foi procurado pelo secretário-chefe do Gabinete Civil da Prefeitura, Bosco Pinheiro, que teria lhe oferecido vantagens para votar a favor dos vetos do prefeito.

Só agora você vem a público fazer a denúncia, vereador? Por quê a demora? Se é verdade que o prefeito lhe ofereceu dinheiro, o senhor deveria ter trazido o assunto ao conhecimento de todos de pronto. Se não o fez, foi porque deve ter se sentido atraído pela suposta proposta - mas acabou aceitando a das empreiteiras, né!

E só pra chatear, mais uma da Thaísa Galvão - estou adorando catalogar as m... que ela escreve!

Eis que a editora-chefe d'O Jornal de Hoje divulgou em seu blog a lista com os nomes das entidades ligadas aos movimentos sociais que assinaram o manifesto de apoio à Operação Impacto. Veja só o comentário dela: "É tanta entidade, tanto nome estranho, tanta coisa que ninguém tinha ouvido falar... O fato é que elas existem e assinaram a nota".

Pô, Thaísa, você também não facilita, né! Depois não vem reclamar que eu pego no seu pé.

Tenho uma explicação para o fato de você (e da maioria dos coleguinhas de profissão) não conhecer os movimentos sociais: você está longe das ruas! Não sabe o que se passa no ceio do povo, não conhece a realidade dos que lutam por uma sociedade com menos desigualdade, por um outro mundo possível. O seu mundo é o mundo dos conchavos políticos, dos chás das cinco, das confrarias de não sei o que lá... Não é de se estranhar que a existênncia de tantos movimentos sociais organizados lhe deixe desorientada.

"Operação Impacto" na imprensa

Manchetes dos princiapis jornais de Natal sobre a Operação Impacto:

Tribuna do Norte: "MP acusa 8 vereadores de venderem votos na Câmara"

Diário de Natal: "MP acusa vereadores de cobrarem propinas"

O Jornal de Hoje: "Vereadores receberam propinas para derrubar vetos do prefeito"

Correio da Tarde: "Telefonemas comprovam que vereadores receberam propina"

Os dois primeiros impressos, mais tradicionais da cidade, optaram por ficar em cima do muro, colocando a denúncia do propinoduto na Câmara Municipal na boca do MP: "MP acusa". Os jornais não querem se comprometer com as denúncias - por sinal, mais que comprovadas com escutas telefônicas nas quais os sapientíssimos vereadores demonstram toda sua capacidade verborrágica.

É bom lembrar que um dos vereadores envolvidos no esquema, Geraldo Neto (PMDB), é da família dos donos da Tribuna do Norte. Alguém esperava que eles não aliviassem a barra do menino?

O Jornal de Hoje e o Correio da Tarde foram mais enfáticos, suas respectivas manchetes traduzem melhor a verdade dos fatos: "Vereadores receberam propina". Os dois vespertinos se posicionaram ao lado do MP e contra os vereadores. Foram mais corajosos.

Agora, a Thaisa Galvão, que vem a ser editora-chefe d'O Jornal de Hoje, não tem jeito mesmo. Na edição de hoje do seu blog, ela diz estranhar que o MP tenha listado os nomes de 16 vereadores que votaram pela derrubada dos vetos às emendas do Plano Diretor. O argumento dela é que a votação foi secreta.

Ora, bolas! Até a verde grama do jardin da Câmara Municipal conhecia o voto de cada vereador, pois, em mais de uma oportunidade, eles declararam o que fariam na urna - isso mesmo que vc tá pensando, uma grande cagada!

Além disso, a nobre colega jornalista deve ter lido as transcrições das escutas telefônicas feitas pelo MP, com autorização judicial, onde os tais vereadores conversam sem nenhum pudor sobre o esquema de propinas que rolou na Casa do Povo - que a julgar pelo perfil da maioria dos seus inquilinos, está mais para zona.

Quanto aos vereadores sacanas, eles estão utilizando uma velha prática de quem é pego com a boca na botija: negar tudo até a morte. A faca pode entrar de bucho a dentro, mas eles negam tudo. "Essa voz gravada não é minha". Faz-me rir - pra não chorar de raiva! A tática conjunta também é a de desqualificar a ação do MP e da Polícia Civil.

E o vereador Siqueira, hein! Pego com R$ 5 mil escondidos debaixo do tapete do carro, ele disse que o dinheiro seria utilizado para pagar uma pendência judicial com um ex-funcionário. Só não disse o porquê da grana estar escondida em local tão incomum.

E hoje tem lavagem da escadaria da Câmara Municipal. Haja sabão pra limpar tanta sujeira.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Um dia a casa cai

O título é de um filme do final da década de 1980, sucesso protagonizado por Tom Hanks. Mas serve como luva à Câmara Municipal de Natal (CMN). Todos os sites noticiosos, os telejornais locais e alguns vespertinos impressos deram conta da Operação Impacto, realizada hoje pelo Ministério Público Estadual e a Polícia Civil.

O resumo da ópera é o seguinte: policiais civis e promotores públicos realizaram diligências e apreenderam computadores documentos em gabinetes, escritórios e casas de oito vereadores de Natal acusados de receber propina para derrubar os vetos do prefeito Carlos Eduardo às emendas do Plano Diretor.

A lista de vereadores sob suspeita é esta: o presidente da CMN Dickson Nasser (PSB), Geraldo Neto (PMDB), Sargento Siqueira (PV), Renato Dantas (PMDB), Adenúbio Melo (PSB), Júlio Protásio (PV), Emílson Medeiros (PPS) e Salatiel de Souza (sem partido).

Na casa do vereador Geraldo Neto, sobrinho do senador e ex-governador Garibaldi Alves Filho (PMDB), foram encontrados R$ 77 mil em espécie. Na casa do seu colega, vereador Emílson Medeiros, foram encontrados mais de R$ 12 mil. Enquanto isso, uma das diligências encontrou R$ 5 mil escondidos debaixo do tapete do carro do vereador Sargento Siqueira.

Não se sabe ao certo de onde partiram as denúncias que originaram a operação. A imprensa noticiou que quem denunciou o esquema foi o vereador Sid Fonseca (PR). Mas ele negou a informação. O fato é que as escutas realizadas com autorização judicial, divulgadas pelo MPE, mostraram a participação dos nobres representantes do povo no esquema ilícito.

Até aí nenhuma novidade. Até o gramado do jardim da Câmara Municipal sabia que os vereadores receberam por fora para sabotar o Plano Diretor de Natal, apresentando emendas que atendiam aos interesses dos empreiteiros.

Depois que o escândalo veio à tona, os doutos signatários da vontade popular se saíram com os desmentidos de praxe. Todos juraram inocência e disseram estar com a consciência tranqüila. Eu acredito neles. Claro, também acredito em Papai Noel, Fada Madrinha, Duendes...

Engraçado foi o que eu li no blog da Thaisa Galvão. Sobre o dinheiro encontrado na casa de Emílson Medeiros, ela disse assim: "E vamos e venhamos, sem querer defender ninguém, 15 mil reais não é valor para pagamento de propina".

Quase morri de rir. Quer dizer então que os vereadores de Natal estabeleceram um piso pra receberem propina? Só vale acima de R$ 15 mil?

Mandei o comentário para o blog, mas ela não publicou. Vai saber o porquê...

O que ninguém atentou ainda é para o fato de que se há vereadores que receberam propina é porque essa oferta surgiu de alguém. Quem são os corruptores? Vamos esperar que as investigações comandadas pelo procurador-geral de Justiça, José Augusto Peres, a procuradora do Município Marise Costa de Souza Duarte e a Polícia Civil encontrem a resposta.

Além da lista dos oito, outros vereadores também são suspeitos de integrar o sistema de recebimento de propina: Adão Eridan (PR, de licença médica), Aquino Neto (PV), Edivan Martins (PV, que pretendia derrubar os vetos mas mudou de opinião), Carlos Santos (PR), Luiz Carlos (sem partido), Aluízio Machado (PSB, que era líder do prefeito mas votou contra o prefeito), Enildo Alves (PSB) e Bispo Francisco de Assis (PSB). As informações são d'O Jornal de Hoje.

Mesmo que o caso não dê em nada e ninguém seja punido, já vale por desmascarar o discurso safado dessa máfia instalada naquela que deveria ser a casa do povo. Quando vejo eles jurando inocência, tenho vontade de chegar e perguntar: "Vem cá, tu acha que eu sou otário, é?"

sábado, 30 de junho de 2007

Gaza é aqui

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgou um comunicado oficial ontem, em Nova York, afirmando que a situação de vulnerabilidade a que estão expostas as crianças e adolescentes das favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é a mesma das que vivem em situação de extrema pobreza em regiões de conflitos armados, como Faixa de Gaza, Afeganistão, República Centro-Africana, Nepal e Sri Lanka.

O enfrentamento entre policiais e traficantes de drogas no conjunto de favelas do Complexo do Alemão já produziu 44 mortos - isso mesmo, "produziu", como se fosse um produto feito em escala industrial. Mas é provável que, ao escrever esse texto (e até que você venha a ler essa informação), o número já tenha aumentado.

Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam errados: não é só o Haiti que é aqui. Gaza também é aqui.

Com informações do Portal Uol Últimas Notícias.

Vida Severina

Manhã de quinta-feira, 28 de junho. Estou no ponto de ônibus esperando o transporte que me levaria ao trabalho. Os carros cortam a paisagem. Rapazes oferecem água de coco "geladinha" aos motoristas que param no semáforo. Mais à frente, homens trabalhando na pista. Tudo normal em Natal.

Mas uma cena chama a minha atenção. Enquanto espero à sombra, uma mulher passa bem na minha frente. Aparentava uns 50 anos. Rosto cansado, suor pingando, cabelos desarrumados, vestia um vestido velho e estampado. A mulher era magra, muito magra. Expressava na face, nos olhos ligeiros, o sofrimento de uma vida severina. Reforçava minhas impressões a sacola de supermercado que ela carregava nas mãos - vazia.

Imaginei que talvez aquele fosse mais um dia amanhecido sem nada para saciar a sua fome. Neste exato momento, num lampejo de tempo, fui transportado dali, daquele ponto de ônibus. Meus pensamentos me remeteram a outros lugares que não conheço. O rosto daquela mulher trouxe à memória outros tantos rostos que eu já vi passar. E em todos eles, o mesmo retrato, as mesmas marcas, as mesmas dores - a marca da exclusão, a dor da mesma vida severina.

De repente, fui tomado por um sentimento dilacerante. Senti em mim todas as injustiças do mundo. Era uma dor visceral. Num segundo, pensei que não iria suportar. Impossível racionalizar o que vivi.

Lembrei-me de uma cena do filme "Diários de Motocicleta", quando Ernesto "Che" Guevara despede-se do amigo Alberto Granado, seu companheiro na travessia pela América Latina. A viagem por diversos países, a bordo de La Poderosa, fez com que os amigos descobrissem a realidade dos que vivem no continente. No leprosário de San Pablo, em plena Amazônia peruana, o momento mais fascinante do filme. Al otro lado del rio, os doentes estão isolados dos sãos. Ernesto atravessa o rio a nado e junta-se aos excluídos. É quando ele mostra que escolheu o lado dos oprimidos.

Quando Granado está para partir de volta à Argentina, deixando Ernesto na Venezuela, este último despede-se do amigo com a frase síntese do sentimento que moveria suas escolhas a partir dali: "Quanta injustiça!". A experiência forjaria, mais tarde, o caráter revolucionário e transformador do Che.

A cena, na minha mente, corta para os dias atuais. O que mudou? As injustiças ainda se sucedem. Mas, agora, em escala planetária e na velocidade do espetáculo televisivo. Vejo a injustiça aparecer nos países invadidos pelas tropas americanas que, em nome da paz, promovem verdadeiros genocídeos. Apesar de ignorada, ela (a injustiça) é a responsável também pelos assassinatos dos que lutam por reforma agrária no Brasil. São as suas marcas (da injustiça) que enxergo em cada chacina contra moradores de rua, presidiários e outras classes de indivíduos socialmente invisíveis. É ela (a injustiça) que faz das favelas um território do tráfico de drogas, onde cidadãos de bem e crianças convivem diariamente com a violência urbana. E lá está ela (a injustiça) novamente por trás da cara sofrida de cada brasileiro que não tem o que comer, que adoece e morre por falta de hospitais, que não tem o direito ao saber.

Quando assisto à cenas como a da empregada doméstica espancada pelos playboys do Rio de Janeiro, que tiveram o displante de se justificar dizendo que bateram nela por pensar que se tratava de uma prostituta, fico completamente desorientado. A injustiça produz em mim uma desorientação crônica: não sei o que fazer, não sei nem se há o que fazer. O pai de um dos agressores da moça disse que o filho não deveria ser preso porque ele é apenas "um menino que tem a vida toda pela frente e não pode perder o seu futuro por um erro apenas". Se os espancadores fossem os neguinhos da favela e a vítima fosse a filha de um desses senhores, esses mesmos pais zelosos do futuro de seus filhos estariam clamando por justiça (!) em todos os telejornais. "Tem que reduzir a maioridade penal pra evitar que esses criminosos fiquem soltos", diriam eles.

A injustiça está na raiz de todas as cenas e males anteriormente descritos. Ela (a injustiça) precipita o abismo que nos separa. Abismo que se alimenta da farsa política dos nossos homens públicos; que se mantém graças às excrecências de um modelo econômico e político catalisador da exlusão - o capitalismo (pai de todas as injustiças).

Com diriam os pós modernos, a vida é um turbilhão de emoções e sensações diferentes. Eu queria que a vida fosse como na telenovela, onde tudo sempre acaba num happy end. Mas essa vida é uma mentira. O que existe, de verdade, é a vida severina de cada um que sofre na pele a dor da injustiça.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Tá liberado, tá tudo liberado...

Juiz libera vídeo de Cicarelli no Youtube

Atenção, voyeurs de todo o Brasil! Vocês já podem regalar seus olhos aflitos com o vídeo da Daniela Cicarelli fazendo sexo na praia com o namorado Tato Malzoni.

A Justiça paulista determinou a suspensão da proibição do vídeo com o flagra do casal em mares da Espanha.

Daniela e o namorado queriam ser indenizados pelo Youtube e por todos os veículos de comunicação que reproduziram cenas ou trechos de frases do vídeo. Eles teriam que sair mundo à fora pra receber tanta indenização.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Novo presidente da TV Cultura apóia criação da TV Pública

Em entrevista à Folha de S. Paulo de hoje, o jornalista Paulo Markun, novo presidente da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura), declarou seu apoio à proposta do governo federal de criação da TV Pública - que deverá se chamar "TV Brasil".

Markun, demonstrando o discernimento e espírito público que faltam a muitos coleguinhas da imprensa, afirmou que a TV Cultura e a TV Brasil não serão concorrentes, mas parceiras. "Isso tudo é campo público. Não é concorrência. Temos que jogar juntos", disse ele à Folha.

A maioria dos críticos da TV Brasil argumenta que seria melhor o governo federal aproveitar a rede de TV's públicas já existentes - como é o caso da própria TV Cultura, da TVE do Rio, das TV's universitárias etc. Essa visão reflete muito do anacronismo existente no meio. Ora, quanto mais opções de televisão públiva tivermos, melhor para a democratização dos meios de comunicação. Além disso, as televisões públicas que existem no país não constituem uma rede integrada, mas sim focos dispersos.

O jornalista disse ainda que a TV Cultura, apesar de ser a TV pública mais independente do país, ainda "está longe de ser o que deve [realmente independente]".

A TV Cultura depende do repasse de verbas do governo de São Paulo.

Quem entende cabeça de senador?

Lembram do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), aquele que era relator do processo no Conselho de Ética contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL)?

Ele renunciou à relatoria do processo contra o colega. Antes, produziu um relatório inocentando Renan.

Pois não é que agora ele defende a criação de uma CPI para investigar as denúncias contra Calheiros!

Dá pra entender?

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Classificação indicativa opõe governo e artistas

Da Folha de S. Paulo, hoje:

"Integrantes da sociedade civil, do governo e representantes da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) travaram ontem, no Ministério da Justiça, um acalorado debate sobre a definição de parâmetros da classificação indicativa para programas de TV.

A Abert reclama que regras da portaria n.º 264, publicada em fevereiro deste ano, no "Diário Oficial da União", possibilitam censura prévia por parte do governo. Também alega que as classificações de faixa etária e horários de veiculação não se tratam de indicações, mas imposições.

Representantes do Ministério da Justiça, por outro lado, -apoiados por uma série de ONGs, entre elas a Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância)- negam qualquer tipo de censura e dizem que as regras levam em conta o direito da criança e do adolescente.

"Não existe censura, pois não é possível proibir a veiculação de nenhuma cena. O único Poder capaz de fazer isso é o Judiciário", disse Guilherme Canela, coordenador de relações acadêmicas da Andi. "A portaria nasceu de um debate democrático e, de fato, não se trata de censura", afirmou o ministro Tarso Genro.

Representantes da classe artística estiveram presentes ao debate, demonstrando apoio às TVs. Juca de Oliveira comparou a classificação indicativa aos tempos de censura da ditadura militar. "Não vamos permitir que isso [a censura] volte a acontecer. Nunca mais."

Já para Tony Ramos, a portaria "tolhe a criatividade artística". "Não posso concordar com o cerceamento da produção. Acredito na liberdade de expressão". A atriz Fernanda Montenegro esteve presente, mas não se manifestou.

Em um dos momentos mais tensos do debate, o advogado da Abert Luís Roberto Barroso questionava o papel do Estado em classificar programas de TV. "Como um Estado que não tira as crianças das ruas quer ter o direito de escolher o que as crianças podem ou não podem ver", disse. Sob aplausos dos atores e vaias do restante do público, ele emendou: "As ONGs que querem se ligar às idéias do Estado têm que arcar com o ônus de assumir que estão do lado contrário à liberdade de expressão".

Canela, porém, diz que os argumentos da Abert não tratam de outras alternativas. "Dizemos que os programas precisam de classificação porque identificamos riscos às crianças. Qual é a alternativa que propõem as principais emissoras? É não ter classificação?""

Comentário

Fico impressionado com o desvirtuamento desse debate em torno da classificação indicativa proposta pelo Ministério da Justiça. O discurso sensacionalista da Abert e da classe artística ("não vamos permitir a volta da censura, nunca mais!") é só joguinho de cena.

A portaria do MJ não mexe no CONTEÚDO dos programas, nem proíbe a exibição de nada. Que conversa furada é essa de "tolhe a liberdade artística"? Ah, faça-me o favor! Ô, povinho corporativista, esses artistas brasileiros! Um monte de marionetes reproduzindo o discurso dos patrões.

As novas regras de classificação indicativa para os programas de televisão dizem basicamente o seguinte: "Quer fazer um programa com muitas cenas de sexo e violência? Ok, pode fazer. Mas esse tipo de programa só pode ser exibido a partir de tal hora".

O que parece é que emissoras de televisãoe artistas não estão nem aí para a influência maléfica que muitos programas exercem sobre nossas crianças e adolescentes - principalmente aqueles programas carregados de erotismo e violência.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

"Temeremos mais a miséria que a morte"

"Considerando nossa fraqueza, os senhores forjaram suas leis para nos escravizar. As leis não mais serão respeitadas, considerando que não queremos mais ser escravos. Considerando que os senhores nos ameaçam com fuzis e com canhões, nós decidimos: de agora em diante, temeremos mais a miséria do que a morte".

Trecho da primeira faixa do CD O Levante, do cantor e compositor Gas-PA, do movimento LUTARMADA

A lógica da boquinha da panela

Do Fazendo Media (http://www.fazendomedia.com/diaadia/protoblog.htm):

"André Skaf, filho do presidente da FIESP (Paulo Skaf), concedeu entrevista à Revista O Globo de domingo e falou de suas visitas a favelas e prisões para fomentar "trabalhos sociais". O rapaz de 26 anos é idealizador do grupo Jovens Líderes Empresariais e foi apontado pela revista Veja SP como um dos 20 maiores partidos da cidade. A primeira pergunta: "Por que visitar favelas e prisões?". Resposta, na íntegra: "Para entender qual a necessidade real dessas populações e construir uma frente de mudanças. Fui a convite do José Júnior, do AfroReggae. As favelas e prisões se parecem muito com panelas de pressão, prontas a explodir. O trabalho de entidades como Unesco, Cufa e AfroReggae é como o da boquinha da panela, que tira um pouco da pressão".

Lembrei do antigo discurso de MV Bill, algo como "em vez de apontar as armas contra os irmãos, apontem para o lugar certo". Hoje, ele está mais para "a pobreza precisa da riqueza". Acho que é isso que Ferréz e Mano Brown dizem: em vez de aliviar a pressão, a idéia é usá-la para a revolução. Porque mesmo que a boquinha da panela alivie o lado de alguns, a grande maioria continua esmagada pelo modelo político-econômico que aí está. E não adianta que projeto social nenhum vai resolver a parada. Pode remediar, mas resolver, não. O lucro das indústrias filiadas à FIESP reside na exploração de seus trabalhadores. Por que diabos um sistema financiaria sua própria destruição? Por isso a lógica da boquinha da panela é importante."