sábado, 9 de dezembro de 2006

A caixa-preta da televisão brasileira

Vivemos mesmo no país do faz de conta. As leis existem, mas sempre há um espertinho de plantão que escorrega pela tangente e consegue burlar as normas vigentes. Na quarta-feira, 7 de dezembro, Ricardo Noblat publicou em seu blog que 31 dos 51 deputados federais investigados sob acusação de serem donos de emissoras de rádio e TV foram reeleitos.

A questão das concessões de rádio e televisão é um tabu que ilustra na medida certa o faz de conta encenado cotidianamente no Brasil.

A Constituição brasileira proíbe que políticos sejam concessionários de emissoras de rádios e TV’s. Mas até mesmo as paredes do Ministério das Comunicações em Brasília sabem que o que mais há em solo tupiniquim é político com emissora de rádio e televisão. E aí, cara pálida?

No Rio Grande do Norte, todas emissoras locais de TV estão nas mãos de políticos. A Intertv Cabugi, retransmissora da TV Globo, pertence à família do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) e do deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB).

A TV Ponta Negra, retransmissora do SBT, é propriedade da família da vice-prefeita de Natal e deputada estadual eleita Micarla de Souza (PV-RN), filha do falecido Carlos Alberto de Souza, ex-senador potiguar – fundador do Sistema Ponta Negra de Comunicação.

A TV Tropical, retransmissora da Rede Record, é do senador José Agripino Maia (PFL-RN), candidato à Presidência do Senado, que nos últimos quatro anos ficou conhecido nacionalmente como paladino defensor da moral e da ética na política brasileira.

Ainda há a TV Potengi, retransmissora da TV Bandeirantes, que é controlada pelo ex-senador Geraldo Melo (PSDB-RN).

Para mim, o caso da TV Tropical é o mais emblemático. Todos ali trabalham para satisfazer a vontade do chefe (Agripino). Diariamente, os discursos que o senador profere em Brasília são transmitidos na íntegra em pelo menos um dos telejornais da sua emissora.

Em julho deste ano, enviei e-mail à TV Tropical para protestar contra o desvirtuamento no uso de uma concessão pública de televisão, caracterizado pela transmissão dos referidos discursos, que sempre se destinaram a cumprir fins eleitoreiros.

Reproduzo aqui um trecho do e-mail: “Considero que as questões sobre a linha editorial política da TV Tropical são muito importantes para entendermos o que há por trás da notícia que o referido veículo leva ao cidadão. Principalmente, repito, pelo fato de se tratar de uma concessão pública, que deveria ter em conta o interesse público. A transmissão quase diária dos pronunciamentos do proprietário da TV e senador José Agripino serve ao interesse de quem? Como observa a professora da USP e filósofa Marilena Chauí, estamos nos movendo num campo público de interesses, mas que é regido por interesses privados e políticos.

O cidadão comum tem que ficar em casa resignado e mudo, pois não tem como manifestar sua insatisfação com o tratamento que os grandes veículos de comunicação dão aos fatos (quando há fatos). Isso, obviamente, não acontece apenas na TV Tropical. Observo o mesmo padrão nas outras emissoras locais, que, sem nenhuma exceção, atrelam o seu conteúdo aos interesses dos grupos políticos que as controlam. Por isso, é extremamente importante tratar da necessidade de democratização dos meios de comunicação. Penso que se isso não for levado em consideração, a essência desse debate vai por água abaixo”.

Recebi uma promessa de que meus argumentos seriam levados a público, mas ficou só na promessa mesmo. Nenhum político toca nesse assunto porque isso representaria a perda de um poder que ninguém abre mão.

Experimente perguntar ao senador Agripino quando é que vence a concessão da sua TV Tropical. Aliás, tente ao menos saber no nome de quem está o contrato. Caso esteja no nome do senador, trata-se de um crime. Caso esteja no nome de outra pessoa qualquer, trata-se de um engodo para driblar a lei. O dono da TV Tropical é José Agripino.

O pior é que não há nenhum sinal de que isso irá mudar. Na terça-feira, 6 de dezembro, a Câmara Federal aprovou a outorga e a renovação das concessões de 58 emissoras de rádio e TV comerciais e de 77 educativas ou comunitárias. A votação foi feita em bloco - 135 processos foram chancelados de uma só vez. Não se sabe quem são os titulares dessas concessões. A caixa-preta da televisão brasileira continua inviolável!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

61% da bancada investigada por controlar emissoras se reelege

Posto aqui notícia da quarta-feira 07/12, que vi no blog do Noblat. Estou preparando um artigo sobre o assunto para breve. Segue a notícia:
"Nas eleições deste ano, conseguiram se reeleger 31 dos 51 deputados federais investigados sob acusação de serem donos de emissoras de rádio e TV. Onze deles ficaram entre os cinco mais votados em seus Estados. O índice de reeleição entre os proprietários de meios de comunicação eletrônicos, que atingiu 61%, foi muito superior ao geral da Câmara, de 51% - indicação de que ter emissora pode significar vantagem eleitoral."

"A Câmara aprovou a outorga e a renovação das concessões de 58 emissoras de rádio e TV comerciais e de 77 educativas ou comunitárias. A votação foi feita em bloco - 135 processos foram chancelados de uma só vez. Deputados reclamam que nem o relator tem acesso a informações sobre o titular da concessão; não dá para saber se pertence a um parlamentar ou se cumpre as obrigações trabalhistas, por exemplo. Os processos são instruídos apenas por um relatório do Ministério das Comunicações."

Número de jornalistas presos é recorde

Da Folha de S.Paulo, hoje:
"O número de jornalistas presos em todo mundo em razão de seu trabalho aumentou pelo segundo ano consecutivo, afirmou ontem a ONG americana Comitê de Proteção a Jornalistas. Segundo o levantamento, 134 jornalistas estavam presos no dia 1º de dezembro -nove a mais do que em 2005 -em 24 países. Bloggers e repórteres on-line são um terço do total. Os quatro países que mais prendem jornalistas são China, Cuba, Eritréia e Etiópia."

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Frase do dia

"Bancada é fim de carreira", diz Ana Paula Padrão"

A essência do jornalismo é a reportagem. No Brasil há uma inversão, uma glamurização da bancada, mas ela é vista em muitos lugares como fim de carreira", disse ontem Ana Paula Padrão em entrevista coletiva para anunciar sua saída do "SBT Brasil". Alguns ficaram incomodados no SBT com o comentário dela. Ana Paula também admitiu que ficou frustada com as mudanças de horário de seu telejornal.
Folha

terça-feira, 21 de novembro de 2006

O negro e o pedestre

De Clovis Rossi na Folha de S.Paulo, domingo, 19/11/2006:


"Fui quase a vida toda como 90% (ou mais?) dos motoristas brasileiros. Via no pedestre um estorvo a ser ultrapassado, jamais um ser com direitos até maiores, por estar "desarmado".


Só depois de dirigir umas quantas vezes na Europa, comecei a mudar (menos do que deveria, mas mudar, de todo modo). Lá, o rei é o pedestre. E o é menos por coerção legal ou policial e mais por imposição social. Lá, o motorista corre o risco de ser linchado (no mínimo, no mínimo, com um olhar, um palavrão ou um gesto tão eloqüente que dispensa palavras) se desrespeitar o direito de o pedestre cruzar primeiro a rua. Aqui, é o pedestre que corre o risco de ser atropelado se desafiar o motorizado.


Depois de dirigir na Europa, pavloviano como sou, passei a aplicar aqui as regras de lá. O resultado é absurdamente surpreendente: cansei de receber mesuras exageradas de agradecimento, sempre que deixava um pedestre cruzar tranqüilamente a rua. Fica claro que o pedestre brasileiro acha que eu estou fazendo um favor a ele, em vez de estar simplesmente respeitando um direito dele. Afinal, a faixa é "de pedestre", não de motorista, certo?


Dá a nítida sensação de que a coerção social, aqui, é a inversa: quem pode faz o que bem entende; quem não pode agradece quando o que pode faz o que deveria ser obrigação básica de civilidade. O direito vira concessão.


Conto tudo isso porque desconfio que é essa inversão a responsável, ao menos em parte, pela constatação feita na manchete de ontem desta Folha, segundo a qual a distância salarial entre brancos e negros é tanto maior quanto maior o nível de escolarização.


Ou seja, a "elite branca e má" (conforme Cláudio Lembo) atropela o "pedestre" até quando ele trafega na sua faixa (de escolaridade). Mais que preconceito, são vícios culturais arraigados."

Cresce número de negros nas universidades

De 1995 a 2005, percentual de negros e pardos no ensino superior aumentou de 18% para 30%, revela pesquisa do IBGE.


Inclusão foi maior a partir de 2001. Nos últimos cinco anos, entraram mais negros que brancos na rede pública; eqüidade chegará em 2015.

De ANTÔNIO GOIS na Folha de S.Paulo, segunda-feira, 20 de novembro:


"A desigualdade no acesso à educação entre negros e brancos no Brasil já foi comparada ao eletrocardiograma de um morto. Parecia imutável, dada a distância quase intransponível que separava esses dois grupos ao longo de quase um século. A mais recente Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE revela, no entanto, um dado alentador: na última década, o percentual de brasileiros que se declaram negros ou pardos no ensino superior subiu de 18% para 30%.


Dados dessa pesquisa tabulados pela Folha mostram que esse crescimento aconteceu principalmente a partir de 2001, quando o percentual era de 22%. De lá até 2005, a participação de negros e pardos cresceu a um ritmo médio de dois pontos percentuais ao ano. Se continuar assim, o Brasil chegará a 2015 com uma participação desses grupos na universidade compatível com a presença deles na população, que hoje é de 49%. Para um país em que até bem pouco tempo não via luz no fim desse túnel, não é pouca coisa.


O crescimento aconteceu tanto na rede pública quanto na particular. Ainda que tenha sido maior nesta última, na pública foi verificado um dado significativo: de 2001 a 2005, entraram mais negros e pardos (125 mil novos alunos) do que brancos (72 mil).Três hipóteses podem ser apontadas para explicar o aumento. A primeira é que, nos últimos dez anos, o sistema de ensino superior cresceu 174%.


A segunda é que foi a partir de 2001, ano da Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, que universidades públicas, por iniciativa própria ou de governos estaduais, passaram a adotar políticas de ações afirmativas. Por último, desde 2005, o governo oferece bolsas em particulares preferencialmente para negros via ProUni.


Na avaliação de Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE e presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, o fator que mais contribuiu foi o crescimento das matrículas. Ele lembra que isso ocorreu também no ensino médio. Com isso, mais alunos se tornaram aptos a disputar mais vagas oferecidas principalmente pelo setor privado.


Para ele, as cotas explicam pouco a inclusão porque o ensino superior incorporaria esses alunos mesmo sem elas.


O economista da UFRJ Marcelo Paixão, coordenador do Observatório Afro-Brasileiro, concorda que a expansão das matrículas em todo os níveis foi fundamental. Ele discorda de Schwartzman, no entanto, ao defender que as políticas de ação afirmativas de cunho racial continuam sendo necessárias."Os dados da Pnad não permitem que a gente verifique como está a participação dos negros em cada curso, mas sabemos que há uma diferença enorme no acesso aos mais concorridos", diz Paixão.


De fato, pela Pnad não é possível verificar a participação em cada curso, mas isso pode ser avaliado pelo questionário socioeconômico do provão e de seu substituto, o Enade.Em 2003, esses dados mostravam que nos cursos de matemática, letras, pedagogia, história e geografia, o percentual de concluintes negros e pardos era sempre superior a 30%, chegando a 40% nesses dois últimos. No outro extremo, essa proporção era sempre inferior a 16% nas carreiras de direito, medicina, engenharia mecânica, odontologia e arquitetura, sendo o menor percentual nesta última (11%)."

No editorial da Folha de S.Paulo de hoje (21/11), o jornal manifesta aprovação às políticas afirmativas, mas condena as cotas. Segundo a Folha, as cotas raciais reforçam o preconceito e desconsideram o mérito acadêmico. A Folha defende políticas afirmativas focadas na desigualdade social, não racial.

A Folha desconsidera que os mais atingidos pela desiguldade social são justamente os negros.

Aqui mesmo em Natal, o Cefet já adota a política de reservar 5o% das vagas para alunos egressos de escolas públicas - que são, na sua maioria, negros, mulatos e mestiços.

Nada mais justo, tendo em vista que a maioria dessas vagas sempre ficava com aqueles que podiam pagar escolas particulares.

Parada Negra reúne 12 mil em São Paulo

De AFRA BALAZINA na Folha de S.Paulo, hoje:

"Uma parada e uma marcha reuniram ontem à tarde cerca de 12 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, em comemoração do Dia da Consciência Negra, em São Paulo. A concentração foi no vão livre do Masp, e os manifestantes percorreram parte das avenidas Paulista e Brigadeiro Luís Antonio. A mobilização acabou na Assembléia Legislativa após cerca de duas horas de caminhada.Em 2005, não houve parada, e a marcha reuniu cerca de 1.500 pessoas. As organizações da Parada e da Marcha Negra disseram acreditar que 25 mil pessoas tenham participado da ação neste ano. A expectativa inicial era reunir 10 mil manifestantes. "Queremos mostrar que o povo negro de São Paulo não aceita mais discriminação racial", disse Dojival Vieira, do Movimento Brasil Afirmativo.
Na opinião de Flávio Jorge Rodrigues da Silva, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), a meta foi atingida. "Em razão do feriado, conseguimos trazer mais do que os militantes do movimento negro. Trouxemos as famílias, os vizinhos", afirmou.O feriado ocorreu também em outras 11 cidades do Estado de São Paulo e em mais 219 municípios brasileiros.
O dia é uma homenagem a um dos símbolos da resistência negra no país: Zumbi de Palmares. Em 20 de novembro de 1695, o líder do quilombo foi assassinado.
Entre as reivindicações do grupo estão a melhoria da escola pública e a adoção de cotas para negros em universidades, além da votação do Estatuto da Igualdade Racial.
O corredor Oscar de Moraes, conselheiro do parque da Independência, foi do Ipiranga (zona sul) à Paulista correndo. Depois, enquanto os manifestantes caminhavam, ele trotava na frente. "Fiz esse esforço para prestigiar a união do povo negro", disse.
À frente da marcha havia mulheres vestidas como baianas. Pequenos grupos tocavam instrumentos, jogavam capoeira e dançavam.
Conscientização
Foi a primeira vez que Célia Cipriano, proprietária de um escritório de contabilidade, integrou a marcha. "Acho que é importante para conscientizar a nós mesmos [negros] de que precisamos sempre lutar e não desistir nunca", afirmou.Paulistanos de diversas raças, além de estrangeiros, engrossaram a marcha.
"Vim prestar uma homenagem porque só tenho a agradecer à cultura negra", disse o produtor editorial Matias Constantino de Oliveira, 22, que é branco. "Sempre fui a favor do movimento negro. Resolvi aderir", disse a dona-de-casa Odelma Pereira da Silva, 59, também branca.
Emir Mourad, da Confederação Árabe Palestina, compareceu. "Somos contra qualquer forma de preconceito racial e étnico e queremos prestar solidariedade à população negra."Até a holandesa Marianne Jansen acompanhou a marcha. "Não temos esse tipo de manifestação em meu país. Um amigo brasileiro me trouxe e achei muito bonito", disse."

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

EUA ameaçam a Nicarágua

A eleição de Daniel Ortega para presidente da Nicarágua está tirando o sono de George W. Bush. O "Senhor da Guerra" já mandou avisar que se Ortega for mesmo eleito, os EUA adotarão retaliações duras.

Muito interessante esta forma americana de patrocinar a democracia no mundo.

Invadem o Afeganistão sob o pretexto de libertar o país do regime talibã e promover a democracia.

Depois, resolvem premiar o Iraque com uma invasão. E pra quê? Claro, pra instaurar a democracia, derrubando o ditador Sadam Russein do poder.

Mas também atuaram pra derrubar Hugo Chavez, eleito democraticamente, na Venezuela.

E agora, prometem agir contra a Nicarágua, caso o povo daquele país decida eleger Ortega.

Viva a democracia americana!

Por quê será que é tão difícil pra Washington conviver com sistemas de governos diferentes da cartilha americana?

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

A raiva do PT contra a mídia

Artido de Gilberto Dimenstein na Folha Online:


"Lula eleito, militantes do PT apontaram, esfuziantes, que os meios de comunicação estavam entre os derrotados; alguns deles chegaram mesmo a hostilizar raivosamente os jornalistas. Refletem as reclamações de Lula e de muitos de seus assessores. Interessante essa manifestação: tantos anos depois de neutralizados os militares, ainda não se tem claro, em vários setores, o papel da imprensa. O que só revela um cacoete autoritário.
Não vou negar que algumas reportagens e mesmo veículos de comunicação cometeram erros e exageros. Mas, no geral, os jornalistas fizeram o que tinham mesmo de fazer: vasculhar e incomodar o poder. E o fato é que o PT deu motivos de sobras para ser vasculhado na questão ética e administrativa.
Na oposição, o PT foi um beneficiário dessa atitude dos meios de comunicação. Muitos de seus dirigentes, a começar de Lula, estavam sempre à frente dos ataques contra os deslizes e roubalheiras. O PT cresceu, entre outras razões, porque vendeu a imagem (até certo ponto correta, vamos reconhecer) de limpeza, mas depois, no poder, não soube separar o público do privado.
É fundamental que os dirigentes do partido e seus representantes do governo sejam responsáveis e não permitam que se desmoralize ou se afete a importância da liberdade de imprensa."

terça-feira, 31 de outubro de 2006

A VITÓRIA DE LULA FOI IDEOLÓGICA

Artigo de Paulo Henrique Amorim no site Conversa Afiada:


". A vitória de Lula foi uma vitória ideológica. Assim como muita gente tem medo de usar a palavra “impeachment” quando quer o “impeachment”, muita gente está com medo de usar a palavra “ideologia”, que também começa com “i” e nele se pode botar um pingo.
. Pela primeira vez na historia do ciclo “pós militar”, a ideologia trabalhista venceu a ideologia conservadora de forma clara e, como diz o New York Times, de forma “esmagadora” (como é chic citar o New York Times...).
. Lula chega ao segundo mandato muito mais forte do que chegou ao primeiro.
. E chega com uma vitória claramente pela esquerda: com a opção preferencial pelos pobres.
(Não fosse ele um bom católico).
. No segundo turno, Lula levou a discussão para a esquerda e empunhou uma bandeira típica da esquerda brasileira, do getulismo, do brizolismo: a do combate à privatização.
. Como diria a professora Marilena Chauí, Lula se lembrou que é de esquerda.
. Na batalha universal entre trabalhistas e conservadores – e essa é uma mudança na qualidade da política brasileira – e mudança para melhor – na batalha universal entre direita e esquerda, ganhou a esquerda.
. E FHC, se calçasse as sandálias da humildade, deveria ir pra casa e perguntar: como é que eu faço para o meu “pólo de poder” se aproximar do povo?
. O PSDB se tornou um fenômeno paulista.
. O PSDB de São Paulo está isolado ideologicamente. E geograficamente.
. São Paulo precisa voltar para dentro do Brasil.
. O PSDB não existe no Rio nem no Nordeste.
. O PSDB precisa voltar a entender de Brasil, fora de São Paulo.
. Aécio Neves não é o PSDB de São Paulo. Ele sabe que se cair na armadilha da UDN de São Paulo, não chega a Presidente nunca.
. Yeda Crusius não tem saída: ou ela se entende com o Governo Lula, ou o Rio Grande do Sul não sai da crise econômica. E ela faz um Governo igual ao de Rigotto, que nem foi para o segundo turno.
. Ou o PSDB entende que os freqüentadores da Praça Buenos Aires não são o povo brasileiro ou vai virar o PFDB, como diz o Maurício Dias, e não passa dos 39%."

Thaisa Galvão faz sucesso com blog jornalístico

O blog da jornalista Thaisa Galvão virou uma verdadeira febre. Na região do Auto-Oeste, o blog é a principal fonte de informação sobre a política do RN.
No último sábado 28, quase 7 da noite, desembarco na rodoviária de Pau dos Ferros, vindo de Mossoró, para esperar o ônibus que me levaria para Alexandria. Alguns passageiros assistiam a novela das 7 enquanto esperavam a sua vez de embarcar. Foi quando caiu a ficha e percebi que a InterTV Cabugi havia voltado ao ar, depois de cumprir a determinação da Justiça Eleitoral e ficar 24 horas sem transmitir sua programação.
Pergunto ao senhor que trabalha na rodoviária sobre a divulgação da última pesquisa Ibope para o Governo do RN. Ele informa que o RN TV 2ª Edição havia divulgado o resultado, mas que desde às 4 da tarde já conhecia os números através do blog de Thaisa Galvão.
Prontamente, o senhor passa às minhas mãos a nota impressa sobre a pesquisa que Thaisa havia postado em seu blog. Mostrava o papel a quem se aproximasse.
Thaisa Galvão tem pautado todas as conversas sobre política nas rodas do interior do RN, principalmente pelas bandas da tromba do elefante.

Frase do dia

"Poucos jornalistas conseguem manter o sentimento de solidariedade com o povo brasileiro"
(Mauro Santayana, jornalista que foi colaborador do presidente Tancredo Neves, em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 31, no Conversa Afiada).

Ciro Gomes fala sobre Mídia

CIRO: "É PRECISO DEMOCRATIZAR A MÍDIA"
Tema pouco discutido na recente campanha presidencial, a democratização dos meios de comunicação é fundamental para avançar na construção de um país mais justo para todos, porque o direito à informação é condição primordial para o exercício pleno da cidadania.
Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim no site Conversa Afiada, o ex-ministro e deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) falou sobre este assunto e destacou a necessidade urgente de se democratizar a nossa mídia. Ciro disse que este é um dos desafios do segundo mandato do presidente Lula. “Não temos que ter medo de avançar na questão da democratização dos meios de comunicação do Brasil”, disse Ciro Gomes.
De acordo com o relato de Paulo Henrique Amorim, Ciro Gomes considera que o presidente Lula deve ter um contato mais próximo com a imprensa e com os jornalistas. “O presidente Lula, de seu lado, deve falar mais com a sociedade brasileira através da mídia”, defendeu Gomes. Ainda segundo Amorim, Ciro Gomes disse também que é preciso fortalecer os meios de comunicação alternativos e as cooperativas de jornalistas.
A entrevista completa pode ser lida no Conversa Afiada do IG.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Verdades Capitais

Para o julgamento dos leitores, pergunto: é invenção de CartaCapital que 70% das ambulâncias da Planam foram liberadas durante o governo FHC, quando os ministros da Saúde foram primeiro José Serra, depois Barjas Negri? É invenção de CartaCapital que o JN não destacou um único, escasso repórter para investigar as relações entre Abel Pereira e Barjas Negri? E é invenção de CartaCapital que o JN produziu uma reportagem sobre Abel Pereira, chegou a ser editada, mas nunca foi ao ar? E é invenção de CartaCapital que várias rádios e o Jornal da Band noticiaram o acidente com o avião da GOL antes do JN, pronto a adiar a informação para potencializar, digamos assim, a exibição do dinheiro sabiamente empilhado pelo delegado Bruno? E é invenção de CartaCapital que este lance global foi decisivo para o resultado eleitoral do primeiro turno?

(Transcrito do blog de Mino Carta)

Ameaça de Golpe Branco

De Janio de Freitas na Folha de S.Paulo, hoje:
"A simultaniedade de eleição presidencial e caso dossiê trouxe de volta uma idéia que muitos diziam para sempre extinta na vida política brasileira. Não importa que esteja restrita a uma parte das eminências do PSDB, como a um pequeno grupo pefelista, e aparentemente a um ou outro meio de comunicação. Nem faz diferença que se apresente como um recurso de ordem judicial, amparado em preceitos legais. Nas circunstâncias em que se apresenta, a pretensão de impeachment de Lula, mesmo no decorrer do previsto segundo mandato, disfarça mal a idéia de um golpe branco.

É possível argumentar que as ações judiciais já entradas contra Lula nasceram das ocorrências do dossiê, e não do propósito de afastá-lo da Presidência. Os contra-argumentos não são escassos. A começar de que a idéia de impeachment emergiu, inclusive publicamente, antes de haver qualquer indício de comprometimento direto de Lula ou mesmo indireto, do seu gabinete, na história ainda inconvincente do dossiê.

O que Tasso Jereissati, Jorge Bornhausen, Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin apresentam como comprometimento são adulterações de certos fatos ou ficções de sua autoria. Como dizer, por exemplo, que se "o chefe-de-gabinete da Presidência telefonou a Jorge Lorenzetti para saber de informações, Lula sabia de tudo" (Tasso Jereissati, mas não só ele). Se ligou para saber do que se tratava, até prova em contrário, é porque nenhum dos dois sabia."
Transcrito do Blog do Noblat

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Bolsa Família

Ministro quer Bolsa Família maior em 2º governo Lula

Responsável por parte importante da votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, o programa Bolsa Família deve receber mais recursos num segundo governo Lula, para aumentar os valores pagos, embora não haja previsão no Orçamento de 2007.
O programa transfere a 11,1 milhões de famílias uma renda média mensal de 65 reais, valor que o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, quer reajustar. O Bolsa Família atendia 3,6 milhões de famílias em 2003, com orçamento de 3,6 bilhões de reais, e custará, em 2006, 8,2 bilhões de reais.

"Além de matar a fome, o programa ajuda a dinamizar a economia interna, forma consumidores, o que deve ser mantido preservando-se o poder de compra dos atendidos", disse Patrus à Reuters.

Este ano, houve um reajuste na base de entrada do programa, que atendia famílias com renda per capita menor que 50 reais/mês e até 100 reais. A base passou para 60 a 120 reais/mês.
Um reajuste de benefícios nessa proporção custaria cerca de 1,5 bilhão de reais, concorrendo com gastos em infra-estrutura.

Lula ainda não decidiu como fazer o reajuste --previsto no programa do PT-- nem tocou no assunto numa campanha em que adversários o acusam de criar gastos sem sustentação fiscal.
"O desafio é manter e ampliar o Bolsa Família dentro do equilíbrio fiscal, sem indexá-lo à inflação", disse Patrus, lembrando que até o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, está prometendo "manter e melhorar" o maior programa social de Lula.

"Alckmin não tem credibilidade para fazer essa promessa, porque a prática do PSDB, no governo Fernando Henrique, foi terceirizar as políticas sociais, da mesma forma como privatizou as empresas públicas", criticou Patrus.

"CORONELISMO"

O Bolsa Família concentra 49,2 por cento de atendimentos no Nordeste, a região mais pobre do país, onde Lula obteve 66,8 por cento dos votos no primeiro turno. Em 345 municípios nordestinos, o programa representa 45 por cento de toda renda disponível, segundo a economista Rosa Maria Marques (PUC-SP).

Lula perdeu para Alckmin, em 1o de outubro, em oito dos dez Estados com mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH, medido pela Organização das Nações Unidas) e venceu o tucano em nove dos dez Estados com menor IDH.

O líder da minoria na Câmara dos Deputados, José Carlos Aleluia (PFL-BA), acusou o governo de criar, com o cartão eletrônico do Bolsa Família, um "coronelismo digital" para ganhar votos dos pobres.

"Ao contrário: a miséria sempre foi um fator de corrupção eleitoral no Brasil e nós acabamos com isso", rebateu Patrus em seu apartamento de classe média em Belo Horizonte. "Acabou o tempo em que tomavam voto do pobre em troca de prato de comida."

O Bolsa Família foi alvo de denúncias de cadastramento ilegal e de pagamento de benefícios sem cumprimento de contrapartidas (frequência escolar e comparecimento a postos de saúde).

Patrus argumenta que os critérios de acesso são públicos, que há fiscalização do Ministério Público dos Estados e que 5.562 prefeituras de todos os partidos cadastram os atendidos.

"Ninguém vota no Lula ou em outro por medo de sair do programa nem com promessa de entrar; essa é a grande conquista", afirmou. "Aliás, Alckmin está mal informado quando promete transformar o Bolsa Família em lei. Nós já aprovamos no Congresso a Lei Orgânica de Segurança Alimentar."

"TERCEIRIZAÇÃO"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem dito que o Bolsa Família não passa de ampliação do Bolsa Escola e outros programas, que em 2003 consumiam 2,7 bilhões de reais.

"O Comunidade Solidária (programa de FHC) fracassou porque era um regresso ao século 19, à filantropia", afirmou Patrus. "Eles transferiram a questão dos pobres para a sociedade resolver e nós achamos que protegê-los é dever do Estado, ainda que em forte parceria com a sociedade."

Segundo Patrus, o programa investirá mais em portas de saída: agricultura, geração de renda e, nas metrópoles, projeto de formação profissional com 400 milhões de dólares do BID.

Ele nega que o programa seja meramente assistencialista.

"Esse preconceito reflete um pensamento perverso de parte das elites: a idéia de que os pobres são incapazes e não querem melhorar de vida", afirmou o ministro. "O que no fundo elas temem é que, a partir do patamar alcançado com o Bolsa Família, os pobres vão querer mais. E eles vão querer."

Ex-prefeito de Belo Horizonte (1993-97) e deputado mais votado de Minas Gerais (520 mil votos em 2002), Patrus Ananias, 54 anos, é um advogado trabalhista ligado fortemente à Igreja Católica.

Lula nomeou Patrus em 2004, para garantir o compromisso de que todos no país fariam três refeições ao dia. Naquela altura, as metas de combate à fome patinavam entre três estruturas concorrentes, que o ministro unificou.

"Com 11 milhões de famílias, alcançamos o universo de pobres indicado pelo IBGE em 2004, exceto alguns em locais de mais difícil acesso", calculou Patrus.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, a pobreza no Brasil caiu a seu menor patamar em 2005. Há 5,3 por cento de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia. Eram 35 por cento em 1992.

Em 2005, Lula recebeu um prêmio da FAO, agência de agricultura e alimentação da Organização das Nações Unidas, por suas políticas contra fome e pobreza. O Banco Mundial escolheu o Bolsa Família como modelo para outros países da América Latina, Ásia e África.
Último Segundo (IG)

O Baú de Vedoin

De Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada, hoje:

"NO BAÚ DE VEDOIN, 70% SÃO DE SERRA E NEGRI

O empresário Abel Pereira informou à Polícia Federal em Cuiabá que os Vedoin lhe ofereceram um dossiê contra Aloízio Mercadante.

No baú dos Vedoin deve ter muita coisa.

A foto do ET de Varginha.

A Carta Brandi, que a direita usou contra Vargas.

As cartas contra Arthur Bernardes.

O endereço de Anastásia, depois que deixou a Rússia.

O Plano Cohen, que Vargas usou contra os comunistas.

A fórmula secreta do sul-coreano Woo-Suk Hwang para clonar embriões humanos.


A carta da MSI ao presidente do Corinthians, Alberto Dualib.

Os print-outs com a contabilidade da Enron, que a Arthur Anderson jogou na fogueira.

É tudo uma questão de preço.

Agora, se tem uma coisa no baú dos Vedoin, isso, com certeza, é a contabilidade de 70% das ambulâncias que venderam ao Ministério da Saúde, no Governo FHC, nas gestões de José Serra e Barjas Negri.

Mesmo que Abel Pereira não se tenha interessado em comprar.


PS: O nosso colaborador Zé Scafi lembrou que no baú do Vedoin também tem:

1) A taça Jules Rimet (verdadeira);

2) A planta da casa do Bin Laden;

3) A fórmula oficial da Coca-cola.


Mas que o Serra e o Negri estão lá, estão."

terça-feira, 17 de outubro de 2006

E o segundo virá?

A história do golpe que levou a eleição ao 2º turno

Finalmente o golpe foi desmascarado. Assim como aconteceu na Venezuela, a mídia brasileira embarcou na onda golpista. A edição desta semana da revista Carta Capital traz uma reportagem de capa contando o passo a passo do golpe que levou a eleição para o segundo turno.
Transcrevo aqui o texto escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim sobre a matéria da Carta Capital:
"Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno.

É o que demonstra de forma irrefutável a reportagem de capa da revista Carta Capital que está nas bancas ("A trama que levou ao segundo turno"), de Raimundo Rodrigues Pereira. E merecia um sub-titulo: "A radiografia da imprensa brasileira".

Fica ali demonstrado:

1) As equipes de campanha de Alckmin e de Serra chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos;

2) O delegado Edmilson Bruno tirou fotos do dinheiro de forma ilegal e a distribuiu a jornalistas da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan;

3) O delegado Bruno contou com a cumplicidade dos jornalistas para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele;

4) O delegado Bruno procurou um repórter do Jornal Nacional para entregar as fotos: "Tem de sair à noite na tevê., Tem de sair no Jornal Nacional";

5) Toda a conversa do delegado com os jornalistas foi gravada;

6) No dia 29, dois dias antes da eleição, dia em que caiu o avião da Gol e morreram 154 pessoas, o Jornal Nacional omitiu a informação e se dedicou à cobertura da foto do dinheiro;

7) Ali Kamel, "uma espécie de guardião da doutrina da fé" da Globo, segundo a reportagem, recebeu a fita de audio e disse: "Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos não a temos", diz Kamel, segundo a reportagem;

8) A Globo omitiu a informação sobre a origem da questão: 70% das 891 ambulancias comercializadas pelos Vedoin foram compradas por José Serra e seu homem de confiança, e sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri.

9) A Globo jamais exibiu a foto ou o vídeo em que aparece Jose Serra, em Cuiabá, numa cerimônia de entrega das ambulâncias com a fina flor dos sanguessugas;

10) A imprensa omitiu a informação de que o procurador da República Mario Lucio Avelar é o mesmo do "caso Lunus", que detonou a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. ( A Justiça, depois, absolveu Roseana de qualquer crime eleitoral. Mas a campanha já tinha morrido.)

11) Que o procurador é o mesmo que mandou prender um diretor do Ibama que depois foi solto e ele, o procurador, admitiu que não deveria ter mandado prender;

12) Que o procurador Avelar mandou prender os suspeitos do caso do dossiê em plena vigência da lei eleitoral, que só deixa prender em flagrante de delito.

13) Que o Procurador Avelar declarou: "Veja bem, estamos falando de um partido político (o PT) que tem o comando do país. Não tem mais nada. Só o País. Pode sair de onde o dinheiro ?"

14) A reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira conclui: "Os petistas já foram presos, agora trata-se de achar os crimes que possam ter cometido."


Na mesma edição da revista Carta Capital, ao analisar uma pesquisa da Vox Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Mauricio Dias diz: " ... dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê da familia Vedoin ... e secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao qual o presidente não compareceu."

Quer dizer: o golpe funcionou.

Mino Carta, o diretor de redação da Carta Capital, diz em seu blog, aqui no IG ( http://blogdomino.blig.ig.com.br/), que houve uma reedição do golpe de 89, dado com a mão de gato da Globo , para beneficiar Collor contra Lula. "A trama atual tem sabor igual, é mais sutíl, porém. Mais velhaca ," diz Mino.

Permito-me acrescentar outro exemplo.

Em 1982, no Rio , quase tomaram a eleição para Governador de Leonel Brizola. Os militares, o SNI, e a Policia Federal (como o delegado Bruno, agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de parte de Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais?

O golpe contava com as Organizações Globo ( tevê, rádio e jornal, como agora) que coonestaram o resultado fraudulento e preparam a opinião pública para a fraude gigantesca.

Que só não aconteceu, porque Brizola "ganhou a eleição duas vezes: na lei e na marra ", como, modestamente, escrevi no livro "Plim-Plim – a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral", editora Conrad, em companhia da jornalista Maria Helena Passos.

Está tudo pronto para o segundo golpe.

O Procurador Avelar está lá.

Quantos outros delegados Bruno há na Policia Federal (de São Paulo, de São Paulo !).

A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar : "Cadê o papelzinho ?", que permite a recontagem do voto ?

E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello já deixou luminosamente claro , nas centenas de entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é favor da candidatura Alckmin.

E o segundo golpe? Está a caminho. As peruas da GW já saíram da garagem."

sábado, 30 de setembro de 2006

Momento Histórico

Estamo há poucas horas de escrever mais uma página importante da história do Brasil. Somos protagonistas de uma nova era. Confesso que escrevo estas palavras motivado pelo medo: medo de perder agora aquilo que cultivamos com tantas lágrimas ano após ano, eleição após eleição, derrota após derrota... Medo de não ter valido a pena sonhar com uma sociedade mais justa e igual para todos... Medo de ver este sonho, que começou a ser materializado há quatro anos com a chegada do presidente-operário ao governo, escorrer por entre os dedos como água de chuva... Medo de ver o terror vencer a esperança... Medo de ver a hipocrisia triunfar... Medo desse simulacro arquitetado para destruir a nossa força para a luta...
espero que o meu medo não saia dessa vencedor! Espero que amanhã, ao final do dia, eu possa continuar sonhando e lutando pelos ideais que alimentam minha alma...
Transcrevo aqui um texto da pesquisadora de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes, que foi censurado pela Folha de S.Paulo.
"O texto que segue, da professora universitária e pesquisadora de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes, foi encomendado pela Folha de S.Paulo para ser publicado neste domingo (1º) no Caderno Mais!, especificando que o autor deveria escolher um antigo presidente da República, já morto, que, "ressuscitado", comentaria os fatos políticos de agora.

Ivana escolheu João Goulart, o Jango. Produziu e enviou o texto para o jornal da família Frias. Neste sábado (30), foi-lhe comunicado que não será publicado. O motivo: o texto estava "fora do foco", Jango virou Lula!

Leia abaixo o texto censurado:

Morri no exílio, na província argentina de Corrientes, em 6 de dezembro de 1976, sozinho, vítima de ataque cardíaco, numa fazenda da fronteira. Tentava voltar para o Brasil, de onde me expulsaram com o Golpe Militar depois que anunciei, no dia 13 de março de 1964 num comício para 150 mil pessoas na Central do Brasil que iria fazer a Reforma Agrária, Urbana, as reformas na Educação, a Reforma Eleitoral, Tributária...

Não deixaram fazer nada e me derrubaram! As forças mais conservadoras da sociedade Brasileira se uniram e foram convocadas a me depor, toda a imprensa ficou contra mim, Esse já era o terceiro golpe midiático-militar, botaram a classe média horrorizada na rua, as senhoras da TFP, editoriais alarmistas e moralistas, páginas e páginas de jornais, rádio, TV. Assustaram todos até que cai no dia 1º de abril de 1964.

Não adiantou, estou de volta! Não sei como, só sei que eu João "Jango" Goulart, ex-presidente deposto, retornei, é dia de eleição e estou concorrendo de novo para Presidente do Brasil. Mudei de partido. Estou grisalho, perdi um dedo da mão (onde?) e me dou conta que as forças que me derrubaram em 1964 estão quase todas aí. Continuo com apoio popular, estou com enorme vantagem nas pesquisas, mas por que os jornais dos últimos meses são todos contra mim e meu partido? Estou sendo de novo linchado? Em 64 diziam que eu ia implantar o comunismo no Brasil e agora que estou implantando a corrupção em Pindorama!

Meu assessor me informa que vamos assistir à fita com o meu debate na televisão. Estou reconhecendo o pessoal da pesada de 64. Então tenho uma visão exata de quem eu sou e o que represento no Brasil de 2006, me vendo pelos olhos dos meus inquisidores. Roda o VT. Não, dá um Play. Play it again, Jango! Ouço, e então presente, passado e futuro se dobram na tela da TV.

Entrevistador e dono de uma empresa de TV:

Sr. Presidente, de todas as reformas que o senhor propôs, uma é a mais perigosa de todas, é um acinte aos empresários da comunicação, de rádio e TV. Sr. Presidente, o senhor tentou entrar na nossa caixa preta, regular nossas empresas com uma Agência. Nós somos contra, Sr. Presidente! Onde já se viu? Deu está dado! Não queremos ninguém novo no negócio. Canal de TV para Ong, para Universidade, para favela? Eles não precisam de nada disso e ainda fazem uns vídeos que são umas porcarias. Qualidade temos nós com essa imagem plastificada, atrizes esticadas digitalmente, programas incitando à delação. Eles a gente emprega pra figuração, usa para vender celular e fazer propaganda da nossa diversidade cultural. Os pobres têm estilo, são vibe, hiper, mob, servem pra vender quinquilharia e show. Mas dar canal de TV pra essa gente, Presidente?

Jango: Eu tenho um ministro da cultura que é músico e negro e quer botar ilha de edição, câmeras de vídeo e internet de graça por onde der. É o início da Reforma da Cultura, da Educação, da Comunicação, junto com o Fundeb, o Fundo para a Educação, que eu criei lá em 62, e reeditamos agora. Por que ninguém fala do Fundeb?! Eu tenho orgulho de estar implantando o Fundeb!! As cotas no Brasil! Estou botando os negros e os pobres dentro da Universidade. Temos que acabar o vestibular, tornar o acesso universal. Além disso eu criei o Bolsa Família, tirando um contingente da miséria, é a maior transferência de renda já feita nesse país. Eu apóio o MST, os Sem-Teto! Me deixem fazer as Reformas! As novas e aquelas, que vocês abortaram em 64!

Professor-Doutor-Pesquisador:

Desculpe, sr. Presidente. Eu fiz mestrado com bolsa Capes, doutorado com bolsa sandwich em Paris VIII, CNPQ, e tive bolsa de pós-doutorado em Oxford. Meus alunos têm bolsa de iniciação artística, científica, extensão... Mas eu sou contra a Bolsa Família!!! É assistencialismo dar 50 reais (é muito, acostuma mal) para pobre. Populismo, sr. Presidente! Minhas bolsas eu ganhei todas por mérito. Mérito! E olhe que sou bolsista há 10 anos! Deus me livre perder minha bolsa!

Antropóloga, antes de entrar na roda de debate:

Ô diretor, chama um negro aí para aparecer no programa, mas tem que ser contra as cotas. A gente é branco, professor-doutor, não vale. É pro povo entender que é uma merda, que eles têm que entrar para a Universidade sozinhos, por mérito, se não vai cair o nível da universidade. Botar um antropólogo branco, louro de olhos azuis falando mal das cotas não vale, vão cair de pau na gente. Tem que ser negro falando mal das conquistas dos negros.

Diretor de TV:

Você sabe, a gente detona as cotas diariamente nos editoriais, colunas, manchetes, mas nas novelas tem que ser a garota negra com o galã branco. Botamos na tela uns negros limpinhos, bonitos, cheios de dignidade. Provamos que eles vão vencer sozinhos. Cota para quê? Nunca fomos racistas! Querem criar o racismo no Brasil, sr. Presidente. O senhor está muito mal assessorado nessa área. Aliás, não vai ter cota para negros em empresas de TV, vai? Deus me livre! Não dá pra fazer Escrava Isaura no Leblon.

Entrevistador-cronista-consultor

Sr. candidato, o senhor está na frente das pesquisas, mas como esse povo ignorante, desdentado, feio, pode decidir por mim? Eu, que freqüentava o Palácio do Planalto, que era amigo e confidente do sociólogo, seu cronista-conselheiro. Eu, que sou especialista em pornografia política. Achei que poderia ser de direita mas escrever genialmente como o Nelson, mas não tenho esse talento. Estou aqui me olhando na TV e só vejo um publicitário mal-sucedido, porque o meu candidato a presidência vai perder as eleições e meus amigos vão ficar fora do poder. Sou a encarnação das forças do ressentimento. Pelo menos sou psicanalizado, me acho um crápula, mas tudo bem. Os empresários me pagam 10, 20 mil por palestra ou consultoria para eu anunciar o apocalipse. Não tenho o que perguntar. Só queria dizer olhando bem na sua cara. Eu te odeio, sr. Presidente, e morrerei escrevendo contra tudo o que o senhor significa (baba).

Apresentadora de TV:

Então Sr. Jango, depois de ouvir isso tudo sobre o seu governo, o que significará a sua reeleição?

Jango: "O triunfo da beleza e da justiça". E não me chamem mais de Jango, o ex-presidente morreu, no golpe de 64, exilado na fronteira, em 1976. O novo presidente nasceu das crises que vocês criaram, tentando me derrubar , uma duas, três, quantas vezes? Não estou mais só, em 2006, tenho 55% das intenções de votos, atingi o coração do Brasil, sou uma radicalização da democracia. Meu nome é Muitos. Sou uma potência da multidão."
Portal Vermelho

domingo, 20 de agosto de 2006

Sobre corrupção e corruptos...

Dicas para identificar um corrupto

Do Blog do Noblat, hoje: (www.blogdonoblat.com.br)

"Corrupto nasce corrupto? Corrupto tem cura? Por que uma pessoa se corrompe e tenta corromper as outras?

Em O Globo, hoje, o médico e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas de São Paulo, João Augusto Figueiró, responde a essas e a outras perguntas do repórter Alan Gripp.

Um pouco do que ele disse:

* Considerando que o núcleo da constituição ética e moral de um indivíduo se estabelece nos primeiros oito anos de vida, ele (o corrupto) nasce ainda criança.

* O comportamento transgressor tem uma contribuição mais importante dos fatores ambientais, familiares e culturais do que propriamente de fatores genéticos ou hereditários.

* A priori, o comportamento corrupto é incurável. O indivíduo que tem esse personalidade transgressora no pior sentido vai manifestá-la sempre que tiver oportunidade. (...) No caso do político, por exemplo, o mais eficaz é privá-lo do direito de se candidatar.

* O corrupto se arrepende quando é flagrado ou punido, privado de algum tipo de benefício. Mas se ele tiver condições de trapacear novamente não vai pensar duas vezes.

* (Os corruptos) geralmente são sedutores, bem-falantes, arrogantes, menos sensíveis aos sofrimentos dos demais, egocêntricos, egoístas, , histriônicos, teatrais, instáveis e oscilam do amor ao ódio de acordo com as circunstâncias que os gratifiquem ou frustrem. São trapaceiros nas pequenas e grandes coisas de sua vida.

* Ele tem noção, sim (de que está praticando um ato corrupto). Mas apresenta uma indiferença ou racionaliza, apresentando sempre uma explicação para validar o seu ato: "Eu ajo assim porque todo mundo faz ou o meu partido faz assim porque todos fazem".