sexta-feira, 16 de junho de 2006

Tucanos negam, mas Dimas Toledo tinha razão

Novo laudo da PF indica que lista de Furnas é autêntica

De RUBENS VALENTE na Folha de S. Paulo, hoje:

"A Polícia Federal confirmou ontem a autenticidade da chamada "lista de Furnas", documento de cinco páginas que registra supostas contribuições de campanha, num esquema de caixa dois, a 156 políticos durante a disputa eleitoral de 2002. No total, eles teriam recebido R$ 40 milhões.
Segundo a assessoria da direção geral da PF, em Brasília, perícia do INC (Instituto Nacional de Criminalística) concluiu que a lista não foi montada e que é autêntica a assinatura que aparece no documento, de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas, empresa estatal de energia elétrica. A PF informou, contudo, que não tem como atestar a veracidade do conteúdo da lista. Os papéis citam empresas que teriam colaborado para um caixa dois administrado por Dimas Toledo.
Entre as campanhas eleitorais supostamente abastecidas pelo esquema estão as do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, hoje candidato à Presidência pelo PSDB, do ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), atual pré-candidato ao governo paulista, e do atual governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). As campanhas em 2002 teriam recebido, respectivamente, R$ 9,3 milhões, R$ 7 milhões e R$ 5,5 milhões. Tucanos negam.
Lobista
A perícia foi feita em papéis originais entregues à PF pelo lobista mineiro Nilton Monteiro, 49, que diz tê-los recebido das mãos de Dimas, no início de 2005, quando o então diretor de Furnas tentava convencer políticos de vários partidos a mantê-lo no cargo.
Acusado de calúnia por 11 deputados estaduais de Minas Gerais, Nilton Monteiro decidiu entregar em 5 de maio os originais aos delegados da PF de Brasília Luiz Flávio Zampronha, Pedro Alves Ribeiro e Praxíteles Praxedes, que conduzem as investigações.
Até então, a PF tinha em seu poder apenas uma cópia autenticada. A perícia na cópia, também feita pelo INC, apontou indícios de montagem e fraude.
Dimas Toledo, que exerceu a diretoria entre 1995 e 2005, até a denúncia de caixa dois feita à Folha pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), sempre negou ter assinado os papéis.
"Ele assinou [a lista] na minha frente. Ele me usou até um determinado momento, depois me abandonou", disse ontem Monteiro. O lobista afirma ter se aproximado de Dimas em 2004 por ser, à época, procurador da empreiteira JP Engenharia. A empresa estava interessada em assinar um contrato com Furnas em torno de um projeto de infra-estrutura que havia sido suspenso pela diretoria de engenharia.
Segundo o lobista, Dimas contou que havia uma ação nos bastidores para tirá-lo do cargo e, por isso, pediu-lhe ajuda para fazer um trabalho de lobby com políticos de vários partidos.
O lobista afirmou que, no início de 2005, Dimas fez quatro cópias da lista. Os supostos destinatários das cópias, sempre segundo Monteiro, seriam Aécio Neves, Roberto Jefferson, o presidente do PMDB, Michel Temer, e o então presidente do PSDB, Eduardo Azeredo.
Mas as cópias não chegaram a ser entregues, segundo Monteiro. Ele diz que o original ficou com uma pessoa ligada a um escritório de advocacia do Rio. "Ela ficou como guardiã dos documentos até agora.""

quinta-feira, 15 de junho de 2006

PCC, MLST e o PT



O oportunismo da grande imprensa
por João Carlos - Blog da Reeleição

"Foram lamentáveis as cenas de violência promovidas pelo Movimento pela Libertação dos Sem Terra (MLST), ontem no Congresso Nacional. Injustificáveis. Mas, mais lamentável ainda foi a forma sórdida, hipócrita e covarde como esse acontecimento foi explorado por parlamentares e pela mídia, principalmente os jornais noturnos da Rede Globo.
Sórdida, porque a grande imprensa e a bancada oposicionista sempre trataram os movimentos sociais como quadrilhas de criminosos, mesmo em ações pacíficas, como se a causa do surgimento dessas organizações populares não fossem legítimas. O que aconteceu ontem foi um prato cheio para aqueles que não suportam a rebeldia dos oprimidos que lutam por seus direitos através da luta política.
Hipócrita, porque o que deveria ser tratado como um excesso grave de um movimento social, foi tratado como "baderna", "arruaça", "bandidagem". A falta de terras para agricultores em um país onde "grileiros"possuem territórios equivalentes às dimensões de uma Holanda, é um ato de violência muito maior e cruel, incomparável ao que aconteceu ontem. Claro que não se justifica, mas isso deve ser colocado na balança para não analisarmos o fato de forma descontextualizada. A grande mídia trata esses assuntos como se estivéssemos na Suíça ou na Dinamarca, como se não houvesse motivos para a população se revoltar.
Covarde, porque explorou o fato de forma partidária ao insinuar que tudo fora planejado pela direção do PT. Havia apenas um integrante do PT na confusão, o que não quer dizer nada. Mesmo porque o ataque foi a um local de trabalho de diversos parlamentares petistas. Também havia muitos filiados ao oposicionista PSOL na manifestação. É totalmente ilógico querer colocar na conta do PT, um ato de um movimento social independente. Que interesse teria o PT com a confusão de ontem? Por que o PT iria arranhar sua imagem às vésperas de uma eleição cujas pesquisas o apontam como favoritíssimo ao pleito? Querer embaralhar a cabeça do telespectador ao fazer das cenas de violência de ontem um ato da "turma do PT" é de uma desonestidade tremenda e com intenção claramente partidária.
O Jornal Nacional correu para entrevistar Alckmin para lhe conceder um belo espaço no horário nobre para falar mal do PT e do governo Lula. A Globo, que adora chamar de "criminosos" os pobres que brigam por seus direitos, não se utiliza do mesmo vigor para falar da quadrilha de contrabando chamada Daslú. Aliás, ontem era uma ótima oportunidade para perguntar ao Geraldo Alckmin, o que ele pensa sobre o fato de sua filha ser gerente de uma organização criminosa que tem como especialidade o crime de contrabando internacional.
Arnaldo Jabor, o ex-cineasta frustrado da pornochanchada e atual palpiteiro político de botequim, também mostrou toda sua desonestidade intelectual ao jogar toda a culpa no presidente Lula. Engraçado é que ele não demonstra a mesma fúria ao falar do estranho relacionamento da Daslú com a filha de Alckmin que se reuniu diversas vezes com o Secretário da Fazenda de São Paulo para tratar assuntos relacionados à quadrilha de contrabando. Tudo isso depois de ter alcançado um cargo de gerência de forma meteórica e suspeitíssima. Além de ser um crime grave, o contrabando da Daslú é tão violento quanto às ações de ontem do MLST, pois sonegava-se um bom dinheiro que poderia ser revertido para a segurança pública, por exemplo, ao invés de repassar desconto para as dasluzetes ou aumentar o lucro da quadrilha. A Daslú nunca foi tratada com tamanha histeria no Jornal Nacional.
Foi um erro estratégico do MLST que deu de bandeja um bom motivo para a falação dos hipócritas e a conseqüente intensificação da criminalização dos movimentos sociais. Porém, tudo isso também serviu como uma prévia de qual papel a imprensa irá assumir durante a campanha eleitoral.
Ao compararmos a cobertura midiática nos casos PCC e MLST, fica notória a maciça campanha anti-Lula que está em voga. Nos dois casos, o PT e o governo federal não tiveram culpa alguma, mas a imprensa deu um jeitinho de responsabilizá-los. Com a aproximação das eleições em outrubro, a tendência é se intensificar os ataques contra o presidente e o partido. A lógica é: "Se não conseguirmos evitar a provável reeleição do presidente, pelo menos vamos tentar impedir a eleição de muitos deputados e senadores petistas e assim dificultar um segundo mandato mais à esquerda."
Cabe a militância se conscientizar de que nada está ganho e que a luta será mais dura do que nunca. 2006 está com cheiro de 89. Vamos abrir os olhos e prestar atenção no alerta dado pelo companheiro Lula: 'Nós vamos ter um enfrentamento grave. Vocês se preparem'"
P.S.: E a Veja, hein?!
A edição da revista Veja dessa semana veio coroar a sordidez da grande mídia na cobertura do episódio MLST. Não é a primeira vez que esse panfleto virulento da Editora Abril trata militantes dos movimentos sociais e do Partido dos Trabalhadores como animais, só que dessa vez o insulto foi mais claro, como se vê na coleira que ilustra a capa.
A grande mídia, cujos principais representantes são a Globo e a Veja, estão com saudades da época em que os movimentos sociais eram tratados como caso de polícia. Para eles, é inadimissível que o presidente receba representantes das causas sociais para conversar, mas não vêem nada demais quando o mesmo presidente recebe banqueiros e outros expropriadores da riqueza nacional. Pelo visto, o que eles querem é a reedição de Eldorado dos Carajás.

domingo, 30 de abril de 2006

ARTIGO

Liberdade de imprensa e erradicação da pobreza
Eduardo Matarazzo Suplicy

Do Blog do Noblat, hoje (www.blogdonoblat.com.br):

"Neste fim de semana estarei fora do Brasil. Estarei em Colombo, no Sri Lanka, para participar do Congresso da Unesco nas comemorações do 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Este ano o tema principal é “A mídia e a erradicação da pobreza”.

O direito à informação e à comunicação é um dos fundamentos do estado de direito. A notícia de imprensa propicia que outras pessoas, ao tomarem conhecimento dos fatos, façam uma reflexão sobre eles e provoquem outros acontecimentos, outros pensamentos e atitudes que, por sua vez, geram outras notícias e assim sucessivamente.

Uma sociedade bem informada sabe, principalmente, quais são os seus direitos. A informação é parte da cidadania. O estudo da liberdade de imprensa, no mundo e no Brasil, mostra que, quanto mais autoritário for um sistema de governo, mais ele tentará suprimir a liberdade de imprensa e pensamento. É próprio das ditaduras, como foi dos reinados absolutos, pensar que manter a população na ignorância é manter poderes e privilégios.

Quando a corte portuguesa chegou ao Brasil, em 1808, proibiu a impressão de jornais por decreto.Isso explica por que o primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense, nasceu em Londres, no mesmo 1808, fundado por Hipólito José da Costa.

Amarthya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, ressalta que “aqueles que acham que as pessoas relativamente pobres não se preocupam com a liberdade julgam mal os pobres, julgam mal a humanidade. Temos grande interesse, mesmo quando somos pobres, na liberdade de expressão, em sermos capazes de nos expressar”. Ele lembra ainda que liberdade política representa força política, para que a população possa criticar seus governantes, caso eles não executem programas econômicos necessários para evitar a escassez e a fome. Segundo Sen, “a história da fome é, principalmente, a história da violação da liberdade política”. Ele diz que, sempre que se chega à fome, num determinado país ao longo da história, tem-se aí também o autoritarismo, onde as pessoas não podem se expressar.

Hoje, no Brasil, a liberdade de imprensa, difusão e informação está garantida na Constituição de 1988. Mas quem viveu os tempos de Estado Novo – de 1937 a 1945 – ou a ditadura de 1964 a 1985, sabe que a liberdade que temos hoje foi uma conquista do povo brasileiro. Centenas de jornalistas foram presos por informar alguma verdade que incomodava as autoridades da época e, na conta da ditadura militar, podem-se colocar 16 jornalistas mortos, como informou a Revista Imprensa tempos atrás. Todos, sem exceção, defendiam maior justiça social.

Mas o que liga a liberdade de imprensa ou ausência dela à questão da pobreza? Ora, se todos estiverem informados das ações dos governos, das empresas, do “mercado”, das idéias que circulam nas universidades, dos progressos da ciência, da tecnologia, das instituições como a polícia, o Ministério Público e a justiça, se todos souberem de tudo e formarem uma opinião a respeito do universo em que vivem, com certeza, chegarão à conclusão de que a humanidade merece um pouco mais do que tem recebido. Que é forçoso e necessário que as sociedades sejam mais justas e igualitárias para todos.

Isso está acontecendo neste momento nos Estados Unidos, onde os latino-americanos, incluindo os brasileiros, reivindicam os mesmos direitos concedidos aos cidadãos americanos. Há dois anos o filme “Um Dia sem os Mexicanos”, de Sergio Arau, mostrou o que ocorreria se os latino-americanos desaparecessem de Los Angeles. Eles formam um terço da população da cidade e são violentamente perseguidos. O filme mostra o colapso que haveria na economia e nos serviços, e causou um grande impacto na consciência da comunidade latina, levando-a a lutar por seus direitos.

São os disc-jockeys das rádios americanas, agora, que difundem a idéia de se fazer um grande protesto amanhã, dia primeiro de maio, nas cidades onde é grande a presença dos imigrantes latinos. Será uma novidade: o Dia do Trabalho, lá, é comemorado em setembro. Com certeza os Estados Unidos vão sentir o que é ficar sem um dia de trabalho dos imigrantes latinos. Eles vão fazer muita falta.

Esse episódio americano não nos deixa esquecer do papel que, hoje, pode exercer a comunicação comunitária. É saudável para a sociedade que todos possam ter o direito à comunicação, enviar as suas idéias, esclarecer as leis e os direitos, receber novas propostas de informação, publicar e interagir com determinadas comunidades, principalmente num país como o Brasil, com tanta desigualdade geográfica, cultural e social. Penso que circulação e o trânsito das idéias entre todos, levem, sim, a maior igualdade social.

Neste momento em que se fala em desenvolvimento sustentável é preciso que todos tenham acesso ao conhecimento dos seus direitos básicos, para poder exigir transparência e interação, através da comunicação, entre o governo e a população. A conquista de uma sociedade mais justa depende, obviamente, da ampliação da liberdade de opinião e da liberdade de imprensa."

Eduardo Suplicy é senador pelo PT-SP
eduardo.suplicy@senador.com.br

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Discutir a Mídia

Assessoria: a crise de identidade faz 100 anos
Por Paulo Nassar no Terra Magazine:

"As duas últimas semanas foram muito ricas para quem observou profissionalmente as burradas e os acertos no mundo da comunicação empresarial. Pela ordem: a queda maçante do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi um evento estelar, um "Big bang" da Comunicação Organizacional, que aponta para onde as coisas se iniciaram e ainda faz pobres mortais e até ombudsman, como o Marcelo Beraba, da Folha de S.Paulo, perguntarem coisas ontológicas como: assessor de comunicação é jornalista?

Vira e mexe, esta pergunta é feita quando um jornalista puro-sangue se mete em confusão, que pode conspurcar a nobre profissão. No caso, o assessor de comunicação de Palocci, o jornalista Marcelo Netto, supostamente envolvido na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Embora ilegal, era parte de uma estratégia de comunicação, com objetivo de desqualificar o caseiro, que desmentia o ministro Palocci, de freqüentar uma casa de lobistas em Brasília.

A quebra de sigilo, seguida do vazamento para a imprensa dos dados bancários do caseiro, reacenderam a discussão do conflito de interesses entre assessor de imprensa e jornalista. Beraba, na Folha de São Paulo do dia 9 de abril, desdobrou esse debate: "um assessor de Ministério, que tem acesso a informações estratégicas, deve agir como assessor e preservar a reserva, ou deve agir como repórter e passar a informação adiante? Há justificativa ética para o vazamento de uma ilegalidade, para proteger um ministro sob acusações?".

Ser ou não ser. Esta é a questão. E o problema, no fundo, é de identidade profissional: uma parte da humanidade afirma que assessor de imprensa não é jornalista e que assessoria de imprensa é uma atividade do mundo das relações públicas. A outra parte da humanidade afirma que é jornalista e nela se incluem os sindicatos de jornalistas (que querem mais associados, mais taxa associativa e mais representatividade) e os assessores interessados. Entre os que juram de pés juntos que assessor de imprensa não é jornalista estão personalidades como Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás e autor do livro Ética e Imprensa (Companhia das Letras), e ainda Ricardo Noblat, o jornalista blogueiro.

Entre eles, com todo o respeito ao honesto ganha-pão dos assessores, há quem sugira o afastamento público, uma quarentena, para jornalistas que vão trabalhar com comunicação de empresa ou instituição. Lembram também que em inúmeros países, inclusive os Estados Unidos, os jornalistas ungidos com cargos nas organizações, avisam seus sindicatos e se afastam.

Noblat, em artigo, Assim é, se lhe parece, para a revista Comunicação Empresarial (nº 47, de 2003), lançou um míssil retórico: "Em última instância, quem paga o salário do jornalista é o público, que consome o que ele apura e divulga. Quem paga o salário do assessor de imprensa é a empresa, entidade, governo ou figura pública que o contratou. No dia em que um assessor de imprensa for capaz de distribuir notícias contra os seus clientes, estará fazendo jornalismo - e deixará de ser assessor de imprensa. O que ele faz tem mais a ver com relações públicas e propaganda do que com jornalismo".

Lembro, colaborando com a afirmação de Noblat, que o pai das Relações Públicas, o jornalista norte-americano, Ivy Lee, há exatos 100 anos, em 1906, ao ser contratado para melhorar a imagem do magnata John D. Rockefeller, avisou seus coleguinhas jornalistas, o mercado, a sociedade e, numa atitude digna dos iluministas, que propugnavam a separação clara entre Estado e Igreja se afastou da profissão. Lee foi para o outro lado do balcão. Nem certo, nem errado. Com certeza, virou empresário da comunicação, ficou menos estressado e muito, muito, mais rico.

Radical Chique e o terror dos RPs

Outro fato da comunicação empresarial digno de ser coberto pelos "new journalists" foi a presença do rapper MV Bill na Daslu, em 05 de abril. Lembrou em cheio o livro de Tom Wolfe, Radical Chique & o Terror dos RPs, publicado nos EUA, em 1970. Nele, Wolfe narra uma festa, convocada pelo maestro Leonard Bernstein e realizada em seu apartamento. O encontro de VIPs tinha como objetivo juntar sacolas de dólares para financiar os Panteras Negras, os famosos militantes negros daquela época. Wolfe narra com onomatopéias o ambiente que juntava penteados pixains maximalistas e queijos franceses:

"Huuuuuuuummmmmmmmmm. Estes belos pedacinhos de queijo roquefort cobertos com nozes moídas assim, e de pontas de aspargos molhadas em maionese e de almôndegas petites au Coq Hardi, que neste momento são oferecidas a eles em salvas de prata por criadas de libré preto e aventais brancos passados manualmente... O mordomo levará os drinques para eles... Negue se quiser, mas são essas as pensées métaphysiques que passam pela cabeça nessas noites Radicais Chiques hoje em Nova York".

O evento MV Bill - Daslu teve quase todos os ingredientes radicais chiques narrados por Wolfe, inclusive um exército de copeiras de uniformes pretos e aventais brancos.

MV Bill, que tem a cabeça rapada como o carismático Malcom X, líder assassinado em 1965, encarna, no momento, para as corporações empresariais e de mídia, o espírito dos nossos dias: uma época carregada de fervor pela chamada responsabilidade social, que sempre pode render dividendos tangíveis e intangíveis para empresas, acadêmicos, ONGs e revistas de negócios. MV Bill depois de levar o seu discurso de mano para o Fantástico, para a audiência com o presidente Lula e para a Daslu, estará essa semana na Escola de Comunicações e Artes, ECA, na USP."

Desventuras de Alckmin e o PFL

Tribunal complica Alckmin
De Frederico Vasconcelos na Folha de S.Paulo, hoje:

"O Tribunal de Contas do Estado rejeitou a tese de "erro formal" nos contratos da Nossa Caixa com as agências Full Jazz e Colucci sustentada pelo ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano à presidência da República. Em decisão unânime, julgou ontem que houve "afronta à legalidade e moralidade" nos "ajustes verbais" que permitiram às duas agências receber R$ 45,4 milhões, num fluxo de pagamentos que perdurou até setembro de 2005.

Ou seja, o banco continuou a fazer pagamentos "de forma injustificada" às duas agências, mesmo depois de instaurar a sindicância interna, em 30 de junho de 2005.

Para o tribunal, houve "desvio de finalidade" na veiculação de anúncios da Nossa Caixa "em veículos ligados a deputados estaduais". A Folha revelou, na edição de 26 de março, que o Palácio dos Bandeirantes orientou essas despesas. Para o TCE, não ficou demonstrada a relevância desses anúncios para "os fins comerciais pretendidos" e "tampouco a adequação dos valores pagos".

O TCE julgou os contratos firmados pelo atual presidente do banco, Carlos Eduardo Monteiro, e pelo ex-diretor de infra-estrutura Odair Ziolli. Em apenas oito meses, o banco exauriu a verba prevista para gastar em 18 meses. Para o tribunal, não ficou esclarecido o motivo da "intensa concentração" de serviços no "curto espaço de tempo"."

De carona com Dantas

De Leonardo Souza na Folha de S.Paulo, hoje:

"Dois senadores do PFL confirmaram à Folha que pegaram carona em aviões sob a responsabilidade do Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Heráclito Fortes (PI) admitiu ter usado várias vezes aeronaves do consórcio Voa, então administrado pelo Opportunity, para viajar para o Piauí e entre cidades do Estado.

Já o presidente do partido, Jorge Bornhausen (SC), disse que voou com Dantas em 1998 por conta do aniversário do pefelista Luís Eduardo Magalhães (que morreria em abril daquele ano), mas afirmou não saber se o avião pertencia ao consórcio. Ele se recorda que conversou com Dantas sobre a campanha de Luís Eduardo ao governo da Bahia. Questionado se fez outros vôos em aviões cedidos pelo Opportunity, Bornhausen afirmou que não se lembra, mas não afastou a possibilidade. Disse que, se usou jatinhos do banco, o fez por orientação do partido.

O Opportunity disse que o Voa -que também era integrado pela Brasil Telecom e Telemig- foi constituído só no final de 1998, e por isso Bornhausen não poderia ter voado num avião do consórcio. O Opportunity negou ainda que Dantas tenha ido ao aniversário de Luís Eduardo em 1998."

terça-feira, 25 de abril de 2006

Mídia força a barra...

Segunda-feira, 24 de abril, mais ou menos 20h20. Começa mais uma edição do Jornal Nacional. A primeira matéria é sobre as filas no INSS. O repórter narra, indignado, a situação das pessoas que vão aos postos da instituição à procura de atendimento. O povo fala. As autoridades são ouvidas. As desculpas de prache.

Lá pelas tantas, o repórter atribui o problema à falta de funcionários. Calma aí, cara pálida! A mídia sempre acusou o governo Lula de promover o aparelhamento do Estado. Agora tá faltando funcionário, é?

A Folha de S. Paulo, dia desses aí, estampou que o governo já havia contratado mais de 36 mil funcionários. Só não disse que quase todos foram contratados por concurso público. Desde quando concurso público é aparelhamento de Estado? Forsação de barra da porra!

1º de Maio Vem Aí...

Movimentos sociais acertam mobilizações de "apoio crítico" a Lula

De EPAMINONDAS NETO na Folha Online, hoje:

A CUT (Central Única dos Trabalhadores), a UNE (União Nacional dos Estudantes) e outros movimentos sociais devem sair às ruas nos próximos meses em mobilizações com alvo na oposição política ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e de "apoio crítico" ao governo.

"Serão manifestações contra a manobra da direita e da mídia para desestabilizar o governo", afirma o secretário de Comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis.

"Queremos pressionar o governo para que ele modifique as prioridades do orçamento para políticas sociais", acrescenta.

Hoje, representantes desses e outros movimentos sociais se reuniram para definir um calendário de mobilizações e consolidar um conjunto de reivindicações ao governo.

O chamado "projeto Brasil" será apresentado por ocasião do Primeiro de Maio (Dia do Trabalho), com novas manifestações em torno do texto previstas para a segunda quinzena de junho, continuando ao longo do segundo semestre do ano.

O projeto abarca reivindicações tão amplas como o "fortalecimento do Estado" e a "defesa da soberania nacional" quanto pontos mais específicos como a redução da taxa básica de juros e do superávit primário e a auditoria das dívidas interna e externa e a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce.

Spis afirma que o movimento não representa "apoio automático" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A CMS [Coordenação de Movimentos Sociais] reúne mais de 30 entidades. Algumas delas já manifestaram apoio imediato ao presidente Lula enquanto outras preferem dscutir isso depois de junho", diz ele.

A reunião contou com representantes do PT, do PC do B e PSB, respectivamente, a legenda a qual o presidente Lula é filiado e as legendas de esquerda que compõem a base aliada do Planalto.

sábado, 22 de abril de 2006

Tucanalha agora diz que vai ampliar Bolsa Família

Notícia da Agência Estado (Sexta-feira, 21/04/06):

"No Nordeste, Alckmin promete ampliar Bolsa Família

Na tentativa de conquistar popularidade no Nordeste e, assim, fazer frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário nas eleições, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, adotou hoje, em Natal (RN), uma nova estratégia: mostrar que o principal programa social do governo do PT, o Bolsa Família, nada mais é do que uma recriação de políticas implementadas na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Aos nordestinos, principais beneficiados com o Bolsa Família de Lula, Alckmin assegurou que o programa será não apenas mantido, mas ampliado, caso seja eleito presidente em outubro próximo. "Vou manter e ampliar o Bolsa Família, que na verdade é a unificação dos programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET), todos criados no governo do Fernando Henrique", afirmou repetidas vezes durante maratona de compromissos públicos na capital do Estado. "
Vejam só! Há poucos dias, o senador José Agripino dizia em entrevista ao programa Show Bussines que o Bolsa Família era uma "perversidade" do governo Lula com a população. Agora, os tucanalhas falam em ampliar o programa.
São muito caras de pau mesmo! Passaram oito anos no poder e não fizeram nada pelo povo. Agora tentam se apropriar do maior programa social já implementado no país. Mudança de estratégia eleitoral? A mídia conservadora vociferava que os programas socias do governo Lula eram um fracasso. Os tucanalhas repetiam o bordão. O que terá mudado?

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Entrevista com Tarso Genro

"A mídia não é neutra e não aceita críticas"



Entrevista originalmente publicada no site Terra Magazine em 17/04/06.
Às vésperas da celebração da paixão de Cristo o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, foi ao congresso e propôs à oposição "dialogar". Seguia o roteiro, acordado com o presidente Lula, de buscar a "distensão", mesmo onde ela pareça impossível. Entendem o presidente e seu ministro que o endurecimento da campanha, processo que Tarso chama de "pau puro", interessa a quem não quer debater política e comparativamente os resultados do atual governo:
- A oposição comete o mesmo erro que o PT cometia antes de chegar ao governo, talvez até de forma bem mais aguda...
Em seu gabinete no quarto andar do Palácio do Planalto o ministro discorreu sobre o "processo", suas veredas, e seus atores. Sobre um deles, a mídia, paradoxalmente oculta enquanto ocupa o centro do palco, opinou:
- Não acho que a mídia brasileira, como alguns colunistas escreveram que eu teria dito, é conspirativa. Eu não penso isso, nunca pensei. O que acho é que por dentro da mídia passa a luta de partidos, passa a luta política e que não existe uma mídia neutra. (...) existe também uma espécie de blindagem dentro da mídia, como se ela não pudesse ser criticada, como se qualquer resposta que se desse à mídia, como se qualquer denúncia que se fizesse contra ela fosse um ato autoritário.
Como o governo imagina enfrentar uma eleição com uma maré tão ampla e tão grande de dificuldades, em grande parte produzidas pelos próprios erros do governo? Não só no terreno político como em outros departamentos: dificuldades gigantescas no congresso, na mídia e em vários setores da sociedade?
Tarso Genro: Devemos examinar por que ocorre isso, o que está ocorrendo no país. Diria que há três fatores fundamentais: primeiro, os erros cometidos por pessoas, inclusive que reconheceram esses erros, pessoas de importância no partido e no governo...
São erros de grande amplitude, não são erros banais...
Não, não são erros banais, mas são erros sistêmicos que ocorrem.
"Sistêmicos" porque não diriam respeito apenas à vida partidária do PT?
Não somente ao PT enquanto partido. Há um traço de corrupção e de ilegalidades sistêmicas no processo político brasileiro e nos vínculos dos agentes políticos no Estado, a que nós não estávamos imunes. Esses erros foram cometidos. O segundo aspecto é que existe também uma ofensiva política eleitoral da oposição que, quem sabe, comete o mesmo erro que o PT cometia antes de chegar ao governo, talvez até de forma bem mais aguda...
Que erro seria esse?
É a visão de outorgar ao outro lado todos os vícios e querer se apropriar de todas as virtudes. Não existe nenhum partido de anjos e nenhum grupo humano, social, está livre de trazer para dentro de si as deformidades que existem na sociedade. A terceira questão diz respeito ao destino do que chamo de revolução democrática no Brasil. Há uma disputa hoje sobre se a democracia brasileira vai ser mais tolerante, mais plebéia, mais vinculada às ansiedades, aos erros, às grandezas e aos acertos dos debaixo, ou se vai se conformar com uma democracia elitizada, isenta, uma democracia da opus dei, uma democracia das pessoas que tem o juízo de que os pobres quando chegam ao governo se modificam.
Há três citações embutidas e ocultas aí: uma sobre o candidato Geraldo Alckmin, quando o senhor fala em opus dei. Outra, "as pessoas se modificam", uma referência à frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (no programa do Jô) e, por fim, um paradoxo que seria o de como o presidente consegue manter os níveis de popularidade e intenção de voto apesar de toda a pauleira...
Não é uma relação mecânica entre república e democracia, é uma relação de complementaridade e de integração entre esses dois processos. É óbvio que quando existe um choque do grupo tucano-pefelista com outro grupo, socialista, progressista, de esquerda, ainda que esse choque hoje tenha lances diferentes dos da década de 50 e de 60, estamos discutindo os destinos da revolução democrática no Brasil.
Discutindo se...
...se podemos ter uma democracia mais autoritária, mais elitizada, que contemple um terço de incluídos, um terço de precários e um terço caso de polícia, mais ou menos como Fernando Henrique previa, no seu primeiro governo; o que não é um demérito dele, é, aliás, uma manifestação de honestidade intelectual, porque ele chegou a formular...
...essa é uma divergência...
...é também uma divergência política. Então este é um processo de uma riqueza e de uma dramaticidade extraordinárias, porque ao mesmo tempo que você afirma a república você vai dizer se essa república é mais plebéia ou menos plebéia, mais elitizada ou menos elitizada. Em relação ao presidente Lula, o conceito que já se formou a partir dos debaixo é que ele representa um avanço, que representa um progresso, e isso está em disputa agora no que se refere ao restante da sociedade.
Como explicar que apesar de 10 ou 11 meses de tamanho bombardeio o presidente se mantenha na faixa dos 40 por cento? "Deu liga" lá embaixo, há uma identificação da população mais pobre com ele, ou há desconfiança também em relação aos outros atores do processo? Quem vê as fotos da comemoração da CPI dos Correios e conhece alguns dos que comemoravam...
Até se compare à reação que teve a grande mídia, a maior parte dela, como acolheu aquela comemoração e como tratou a dança da Ângela Guadagnin. Para mim nenhuma das duas tem gravidade, são manifestações espontâneas de alegria, mas que, em última análise, tem significados políticos e foram tratadas de forma desigual...
Ângela Guadagnin é "o mal" enquanto Lorenzoni, Magalhães, Faria de Sá e etc. são "o bem"...
...claro, é um juízo de valor...
Bolsa Família, Erradicação do Trabalho Infantil, todos esses programas explicariam em parte a sustentação do presidente?
Exatamente. São programas de salário mínimo, que tem uma importância extraordinária num país como o nosso; o Pronaf, para a pequena agricultura, a agricultura familiar...
Quantos milhões de brasileiros esse conjunto de programas atinge?
Se você coloca a bolsa família, Pronaf, salário mínimo, seguramente isso atinge em torno de 50, 60 milhões de pessoas, porque só o bolsa-família atinge 30 milhões. As pessoas começam a estabelecer uma identidade com o Estado: o Estado está me olhando e eu olho o Estado e vejo quem está lá em cima, uma pessoa igual a mim, diz o assalariado de renda baixa ou diz o excluído...
Nessas eleições vamos viver o "ano do ódio"?
A tentativa vai ser essa, de determinado setor extremista da oposição transformar o ano eleitoral num ano de conflito agudo, que leva para a irracionalidade na disputa política. Temos que fazer o contrário, diluir essas relações de conflito ou de uso e politizar o debate em direção à questão programática, em direção às questões do futuro do país.
De que forma?
Um exemplo concreto: dizem que a estabilidade conseguida pelo governo Lula é a mesma conseguida pelo governo Fernando Henrique. Se fosse, o nosso trabalho teria sido em vão porque aquela é totalmente precária. Nós sustentamos que não é a mesma, que a nossa tem base sólidas e dá sustentabilidade a um processo de crescimento econômico estável, com taxas de crescimento que devem chegar a quatro e meio, cinco por cento a partir de agora. A reforma agrária...
Sim, e a reforma agrária?
...ela não é só uma questão econômica, é uma questão social. E mesmo não sendo uma questão econômica grave para o Brasil de hoje - que está muito bem, sim senhor, nas exportações - a reforma agrária não deveria ser feita por um motivo de natureza social? Para permitir que as grandes cidades parem de inchar com os deserdados do campo?
Mas essa é uma questão que andou muito pouco nesse governo...
Caminhou menos do que gostaríamos, certamente, por uma série de atributos inclusive de natureza legal que temos e somos obrigados a respeitar e, então, as coisas são muito mais lentas. Mas não houve nenhuma desistência, nenhuma interrupção nos programas de reforma agrária que começaram no primeiro ano.
Parece haver um ator principal em tudo isso, que discute pouco sobre si mesmo. Eventualmente vejo o senhor tocando no assunto: a mídia.
Não mudei minha opinião sobre a mídia depois que fui prefeito de Porto Alegre, e nem depois que fui e sou ministro do governo Lula. A mídia reflete necessariamente as tensões, as opiniões, as divergências e os conflitos que estão na sociedade, conflitos que a mídia reproduz segundo a visão de democracia, a visão política que têm aqueles que detêm o poder de formar opinião dentro da mídia.
O senhor pensa...
...não acho que a mídia brasileira, como alguns colunistas escreveram que eu teria dito, é conspirativa, que ela integra um movimento golpista da oposição. Eu não penso isso, nunca pensei. O que acho é que exatamente por dentro da mídia passa a luta de partidos, passa a luta política, e que não existe uma mídia neutra. A mídia externa um determinado ponto de vista.
Qual seria?
Ora, ela externa majoritariamente numa direção ora noutra direção. No momento atual ela externa fundamentalmente os movimentos e as denúncias que a oposição faz contra o governo. O que temos que fazer é processar isso politicamente e responder sem a ilusão de que aquilo que está vertendo por dentro da mídia é totalmente verdadeiro, ou sem a visão patológica de que existe um processo conspirativo. Agora, existe também uma espécie de blindagem dentro da mídia, como se ela não pudesse ser criticada, como se qualquer resposta que se desse à mídia, qualquer denúncia que se fizesse, fosse um ato autoritário. Por exemplo: alguns chegaram a dizer o absurdo de que eu defendia a existência de um conselho estatal para controlar opinião. A pessoa que diz isso, ou é muito mal informada...
Ou é muito bem informada...
Ou é muito bem informada, ela está lançando uma calúnia, uma informação errada que se transforma em calúnia, que é isso de me chamar de Stalinista.
Ou, como diria o Berlusconi, de coglione...
O que defendo está num livro que escrevi em 93. Que um país, para tratar da questão da democracia - que é uma questão não resolvida, eu até escrevi inspirado nas discussões que ocorrem na França e na Itália - deveria ter uma espécie de ombudsman coletivo, sem capacidade normativa e sem capacidade de exercer qualquer tipo de censura, para receber da sociedade informações sobre como ela está vendo a mídia e processar isso num ambiente de discussão política. Isso é, aliás, tecnicamente, um conselho público não-estatal e não um conselho estatal.
Mas aí não estamos diante de um outro ato de omissão, talvez por interesses tantos, do governo? Manteve sem alteração, primeiro do ponto de vista regional, todo um poder midiático. Em grande parte do país com capilaridade nos municípios, estados, onde chefões ou chefetes tem meios de comunicação eletrônica em suas mãos sem que haja pluralidade em torno. Esse foi um assunto intocado pelo executivo, muito menos pelo legislativo.
Isso aí tem que ser tocado com muito cuidado, efetivamente porque tem...
Não é "tirar" nada de ninguém, é pluralizar, discutir...
...discutir a pluralidade. Isso é uma discussão que tem que ser feita na sociedade, mas com essas opiniões que estão aí agora isso tem que ser feito com muito cuidado, porque existe uma parte da esquerda efetivamente autoritária...
...que quer intervir, quer tirar, não quer pluralizar...
...exatamente, em vez de pluralizar, quer unilateralizar as opiniões sobre si mesma.
É de se lembrar que em alguns estados, em especial no norte-nordeste, há quem detenha o controle de até 80% do acesso à opinião pública sozinho. Isso não é benéfico à democracia.
Não é benéfico e a sociedade democrática mundial está colocando essa questão. Uma das grandes discussões que se faz hoje na Itália é sobre identidade físico-política entre o poder de fogo da mídia e o poder político...
...centrado na figura do Berlusconi...
...no caso concreto do Berlusconi...
...apesar do monumental avanço de mídias como a Internet.
Exatamente. Veja um contraponto: quando ocorreu aquele atentado terrorista em Madri que vitimou centenas de espanhóis, grande parte da mídia tentou transferir mecanicamente aquele fato para o ETA, e inculpar, portanto, a oposição que defendia um diálogo com o ETA. Pois bem, através dos telefones móveis as pessoas se comunicaram e deram uma resposta massiva contra essa ação.
Assim como através da Internet, de dentro do Palácio Miraflores, começou o contragolpe na Venezuela em abril de 2002...
...através da internet. É por isso que temos que tratar isso com cuidado e também com a consciência de que a própria sociedade cria antídotos ao autoritarismo. Aperfeiçoar a democracia significa tratar não somente do direito de ter opinião, mas do direito de que essas opiniões circulem com a mesma intensidade que circulam as opiniões que a ela se opõem.

Fonte: www.informante.net

Mídia

Imprensa falseia dados sobre gastos públicos

Pensamento conservador ataca qualquer despesa ou investimento público que não destinado aos credores da dívida. Necessidades de pessoal e de reestruturação do estado são vistos como “gastança”. A Folha de São Paulo escancarou uma grave denúncia na manchete principal do último domingo: “Governo Lula criou 37,5 mil cargos públicos em 3 anos”. Escândalo! Mais abaixo, o jornal relata o montante do descalabro: “Aumento da máquina pública significa uma despesa extra de R$ 625 milhões por ano”.

À primeira vista, flagrou-se outro ralo de dinheiro público: a contratação de compadres e apaniguados vai inchar o estado com desocupados! Mas, no meio da matéria, os leitores são informados pelo repórter Fabio Zanini de um pequeno detalhe: do total de 37.543 novos cargos, “35.275 exigem concurso público”. A matéria é construída a partir de dois pontos de vista: primeiro, tudo é cabide de emprego e, segundo, é pecado gastar. A conseqüência imediata é a necessidade de se conter a irresponsabilidade governamental. O que a Folha faz não é novidade. Já existe uma orquestração na mídia desde o início dos anos 1990 contra qualquer despesa estatal que não seja para honrar compromissos financeiros.

Agência Carta Maior (20/04/06)

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Rádio e TV

Senadora quer urgência para votar regionalização de programação de rádio e TV

"A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), presidente da Frente Parlamentar de Cultura, vai apresentar um requerimento de urgência para tentar garantir a aprovação do PLC 59/03 no Plenário. O projeto, que hoje está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), prevê a regionalização da programação cultural, artística e jornalística de TVs e rádios nos estados, além de dar espaço para a produção independente.

Segundo Ideli, a proposta enfrenta resistência de emissoras com repetidoras nos estados, que acham "mais conveniente e barato" reproduzir a programação nacional, sem dar muito espaço para os produtos locais. "
Agência Senado


quarta-feira, 12 de abril de 2006

Desigualdade

Desigualdade se mantém
Do Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br):

"Os brasileiros de cor preta e parda continuaram apresentado, em 2004, indicadores em desvantagem aos observados para a população branca.

A taxa de analfabetismo da população preta e parda continuava, em 2004, mais que o dobro da apresentada pela população branca (16% contra 7%), sendo a maior diferença registrada em Alagoas (22% para brancos, 34% para pardos e 41% para pretos).

Em termos de analfabetismo funcional, o quadro de desigualdade era semelhante: no país, 18% da população branca tinham menos de quatro anos completos de estudo, percentual que foi superior a 30% para as pessoas de cor preta e parda.

Se a freqüência escolar não se mostrou muito desigual entre as crianças de 7 a 14 anos, nos grupos etários de 15 a 17 anos e de 20 a 24 anos, a diferença entre brancos e pretos e pardos chegou a cerca de seis pontos percentuais."

Mulheres e Mercado de Trabalho

Mercado de trabalho ainda é desfavorável para a mulher

De Jacqueline Farid n'O Estado de São Paulo, hoje:

"A Síntese dos Indicadores Sociais divulgada hoje pelo IBGE mostra uma situação ainda desfavorável para as mulheres no mercado de trabalho. Em 2004, as mulheres trabalhadoras com até 4 anos de estudo recebiam, por hora, em média, 80,8% do rendimento dos homens com esse nível de escolaridade, enquanto aquelas com 12 anos ou mais de estudo recebiam 61,6% do rendimento-hora masculino.

Dentro de casa, as mulheres trabalhavam 4,4 horas a mais por dia em afazeres domésticos. A Síntese de Indicadores Sociais tem como base os dados da PNAD 2004 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e revela também que "o aumento na escolaridade feminina guarda estreita relação com as reduções nas taxas de fecundidade e de mortalidade infantil".

Em 2004, as mulheres com até 3 anos de estudo chegavam a ter, em média, mais que o dobro do número de filhos das mulheres com 8 anos ou mais de estudo. Segundo a pesquisa, a probabilidade de uma mulher com 8 anos ou mais de estudo, com dois filhos, vir a ter o terceiro era de pouco mais de 50%, ao passo que a mesma probabilidade associada a uma mulher com até 3 anos de estudo era de 90%.

Mulheres chefiando famílias

No Brasil, 29,4% dos 56,1 milhões de famílias eram chefiadas por mulheres em 2004, segundo a pesquisa do IBGE. A maior proporção dessa chefia feminina estava na faixa dos 60 anos ou mais de idade (27,4%).

A pesquisa mostra também que as famílias com chefia masculina eram diferentes daquelas chefiadas por mulheres. Quando o chefe era homem, a estrutura familiar mais freqüente era a de casais com todos os filhos menores de 14 anos (33,6%), seguida do tipo casal com todos os filhos de 14 aos ou mais de idade (21,4%).

Já no caso da chefia feminina, as estruturas predominantes eram de mães com todos os filhos de 14 anos ou mais de idade (31,4%), outros tipos de família (25,6%) e mães com todos os filhos menores de 14 anos (23,2%).

"Ou seja, a chefia feminina ocorria num ambiente doméstico sem a presença do cônjuge ou em composições familiares que podem ser formadas, por exemplo, por duas irmãs morando juntas ou pela própria pessoa morando só, entre outras", dizem os técnicos da pesquisa no documento de divulgação.

Em 2004, segundo a pesquisa, 27,0% das mulheres se declararam como pessoas de referência das famílias brasileiras e, dentre essas, 14,8% viviam com o cônjuge, "percentual expressivo, que pode estar revelando um novo padrão de responsabilidade compartilhada".

A região Nordeste foi a que apresentou o maior número de famílias chefiadas por mulheres (29,3%), destacando-se o Estado de Pernambuco com (31,6%).

Mulheres em cargos de direção

Apenas 3,9% das mulheres ocupadas estavam em cargos de direção em 2004, enquanto para os homens a proporção era de 5,5% dos ocupados, segundo a pesquisa do IBGE.

A maior proporção de mulheres em cargos de direção estava no Distrito Federal (8,0%), "resultado da elevada participação feminina no serviço público federal, onde o acesso a cargos de direção se dá de forma mais igualitária que no setor privado", segundo destacam os técnicos do instituto no documento de divulgação da pesquisa.

O levantamento do IBGE mostra também que a participação feminina em cargos de direção era maior do que os homens nas ocupações relacionadas às ciências e artes (8,6% contra 4,2%), de nível médio (7,8% contra 6,5%), serviços administrativos (11,4% contra 5,8%), serviços (31,3% contra 11,6%) e vendedores (11,6% contra 8,4%).

Além disso, as mulheres ocupadas tinham, em 2004, uma média de anos de estudo superior à dos homens ocupados tanto na área urbana (8,6 contra 7,6 anos) como na rural (4,3 frente a 3,8 anos).

"A maior escolaridade feminina era em parte reflexo de uma inserção tardia no mercado de trabalho", conclui o estudo. O levantamento mostra inda que, entre as mulheres ocupadas, o trabalho doméstico e não-remunerado (26,2%) superava o emprego formal, com carteira, (25,7%). "

sexta-feira, 17 de março de 2006

Mais uma mentira cai por terra

Manchete de hoje da Folha Online: "Laudo confirma suicídio de legista do caso Celso Daniel". Veja o que diz a matéria:

"O laudo complementar conclusivo sobre a morte do médico-legista Carlos Alberto Delmonte Printes, ocorrida em 12 de outubro de 2005, mostra que ele cometeu suicídio ingerindo três medicamentos simultaneamente.

O delegado José Antônio Nascimento, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), e dois médicos-legistas apresentaram nesta sexta-feira o laudo. "Ele não tinha necessidade de tomar aqueles medicamentos. E, sendo médico, sabia dos riscos em ingeri-los simultaneamente", afirmou Ricardo Cristofi, diretor do Centro de Pesquisas do IML (Instituto Médico Legal).

(...)

Para a polícia, o crime foi premeditado pelo próprio legista. Ele contou ao filho que havia feito exames, inclusive radiografias, com um especialista conhecido da família. Ao checar as informações, esse mesmo médico disse que Delmonte não havia se consultado com ele. "Colhemos informações junto a parentes e amigos que confirmaram que Delmonte era avesso a medicamentos", afirmou Nascimento.

(...)

O legista deixou cartas, que passaram pelo exame documentoscópico para confrontar a caligrafia e confirmar se era mesmo de Delmonte. Elas informavam como ele deveria ser velado, a quem avisar e o que ele desejava que fosse feito. "Ele cometeu suicídio motivado pela dissolução do seu casamento", concluiu o delegado."

E agora, José?

O que dirão agora os defensores da 'teoria da conspiração'? Muitos propagandearam que teria havido queima de arquivo no caso da morte do legista. Lembram que ACM acusou o PT de estar por trás da morte de Celso Daniel e de outras pessoas que tinham ligação com o caso?

A mídia golpista aderiu a essa mesma idéia estapafúrdia e saiu em campo fazendo conjecturas mirabolantes. Para essa gente, que nunca desiste de arquitetar o golpe, qualquer história vale.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Notas do tucanato

Escolha por exaustão
Do colunista Janio de Freitas na Folha de S. Paulo, hoje:

"A mais original escolha de um candidato à Presidência deu-se entre um pretendente que nunca disse pretender, durante os quase três meses da disputa, e um concorrente que se tornou vitorioso só por ter passado os mesmos três meses repetindo o refrão "eu mantenho a minha candidatura".
A longa permanência de José Serra nas cogitações dos controladores do PSDB, dando-lhe complacentes e incontáveis oportunidades de assumir a pré-candidatura, deixou a evidência de que o resultado da disputa não se deu por preferência da cúpula peessedebista. Deu-se por exaustão partidária."


Patético e partido

Do colunista Fernando Rodrigues na Folha de S. Paulo, hoje:

" A cúpula do PSDB decidiu ontem que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, será o candidato tucano a presidente -em detrimento do outro postulante, o prefeito paulistano, José Serra.

Foi uma cena melancólica no final da tarde. Os tucanos vivem a exaltar sua suposta alta noção republicana, mas apareceram rachados em público. José Serra não estava lá para a inexorável foto de todos dando as mãos e erguendo os braços.

O discurso da unidade é quase patético. Ninguém se entende no PSDB. O presidente da sigla, Tasso Jereissati, manda quase nada. Omisso durante meses, acordou há poucas semanas para descobrir que perdera completamente as rédeas do processo.

FHC quase teve um chilique quando soube da decisão de anteontem de José Serra, que optou por não aceitar prévias. O governador mineiro, Aécio Neves, só pensa nele e em sua própria candidatura ao Planalto em 2010."

Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br)

Biossegurança

Marina Silva: "Identificação de transgênicos começa agora"

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, rebateu as críticas à proposta que o Brasil fará na 3ª Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3). A posição do governo brasileiro será defender a adoção do limite de 2010 para que todos os organismos vivos geneticamente modificados (OVMs) sejam idenficados com o rótulo de “contém” nas comercialização com outros países. A fala da ministra aconteceu no encontro com representantes da Fórum Brasileiro das Organizações Não-Governamentais (ONgs) e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), que ocorreu em Curitiba.

Para Marina, a fase de transição de quatro anos para a rotulagem dos OVMs não significa que o governo brasileiro vai esperar até o final do prazo para iniciar a exigência da identificação desses produtos. “A lei cria um processo cumulativo e processual. Ao mesmo tempo que vamos criando a estrutura e as condições necessárias para a segregação, vamos também fazendo a identificação”, garantiu.

A ministra explicou que o período de transição é necessário porque o Brasil não tem uma estrutura de silos, de portos e de transporte para fazer a segregação. “Mas isso não significa conceder um tempo para o início da identificação. Ela começa a partir de agora para todos que hoje já estão fazendo a segregação”, garantiu.

Marina lembrou ainda que a proposta brasileira é uma decisão do país não uma conquista de setores isolados do governo. Além disso, a regulamentação foi criada a partir de consultas e das necessidades de todos os setores envolvidos na discussão. “É uma posição que dialoga com o conjunto da sociedade e que cria um prazo para que se possa criar a estrutura logística para se fazer a segregaçao e a identificão".

“Estamos aprendendo que defender o meio ambiente também é fazer um ponte com o desenvovlimento do país”, completou.

Portal do PT

Imprensa ignora condenação da diretoria do Banco Central no governo FHC

Leia abaixo texto publicado nesta terça-feira (14) no site da revista Fórum (www.revistaforum.com.br):

O caixa tucano foi condenado, você sabia?
Por Fábio Jammal Mackoul

Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadista e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente despercebida até mesmo para os leitores mais atentos. Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto informava: “Condenados a 11 anos de prisão pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex-diretores dessa instituição. Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos feitos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1”.

Assim como IstoÉ, a grande imprensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto. Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. Eles foram condenados em primeira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou milhares de mutuários. Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente operações vencidas e não pagas.

(...)

O homem-bomba

A condenação de toda a diretoria colegiada do Banco do Brasil no primeiro mandato de FHC é a menor das preocupações do PSDB. O mais atemorizante é que, entre os condenados, um personagem se destaca. Trata-se do já conhecido Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do banco.

O economista ganhou notoriedade durante as privatizações promovidas por Fernando Henrique, especialmente nos casos da Companhia Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, dois dos maiores negócios do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi destaque ao ser flagrado confessando como agiam ao costurar negócios para o leilão das teles: “no limite da irresponsabilidade”.

Caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998), Ricardo Sérgio está envolvido em denúncias que vão desde pequenos problemas com a Receita Federal até a suposta cobrança de uma propina de R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch, para favorecê-lo no leilão da Vale e prejudicar os fundos de pensão dos funcionários de estatais. O empresário teria dito, à época, que estava convencido de que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB e decidiu pagar a propina.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Direitos Humanos

Saiu o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre grupos de extermínios no Nordeste do Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a ação criminosa das milícias privadas e dos grupos de extermínio em toda a Região Nordeste do Brasil, presidida pelo deputado João Bosco da Costa (Partido da Social Democracia Brasileira/Sergipe) e cujo relator foi o deputado Luiz Couto (Partido dos Trabalhadores/Paraíba), finalizou sua investigação e divulgou o relatório final.

Entre a documentação alegada, o relatório reproduz na íntegra o depoimento na CPI do histórico militante dos Direitos Humanos do Rio Grande do Norte, Roberto de Oliveira Monte, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP) de Natal e da Rede Estadual de Direitos Humanos - RN. Seu depoimento, dado em dezembro de 2004, desvenda a complexa trama de cumplicidades que ligam os membros do maior e mais poderoso grupo de extermínio que agiu em terras norte-riograndenses, autor de diversos homicídios e chacinas na Região Metropolitana de Natal na década dos Noventa, e altos representantes do Poder Executivo, do Poder Judiciário e das grandes oligarquias do Estado.

Os resultados do relatório da CPI dos grupos de extermínio no Nordeste estão destinados, com toda certeza, a ter repercussão no desfecho do julgamento contra o Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em São José da Costa Rica, para o caso do assassinato do advogado Gílson Nogueira de Carvalho, ocorrido em Macaíba (Rio Grande do Norte) em 20 de outubro de 1996 por mão de membros do grupo de extermínio auto-denominado Meninos de Ouro.

A primeira audiência do caso (que foi coberta ao vivo, através de um mutirão digital internacional, pelo portal DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura e Tecido Social) teve lugar no passado 8 de fevereiro, onde a Corte ouviu as testemunhas da acusação e da defesa. A entrega das alegações finais está prevista para final de março e a sentença para junho. A expectativa de todo o movimento brasileiro de defesa e promoção dos Direitos Humanos, assim como da ampla rede internacional de apoio e solidariedade que surgiu ao redor do caso, é de que a Corte reconheça a responsabilidade do Estado brasileiro, na atitude da sua unidade federal do Rio Grande do Norte, na impunidade dos responsáveis do assassinato de Gílson Nogueira e determine, entre outras medidas, a reabertura do processo em condições de imparcialidade e a indenização da família da vítima.

Redação de Tecido Social (Boletim eletrônico Nº 179 - 06/03/2006)

segunda-feira, 6 de março de 2006

Imprensa britânica chama Lula de "vigoroso presidente de esquerda"

Visita de Lula é destaque nos jornais britânicos

A visita do presidente do Luiz Inácio Lula da Silva ao Reino Unido, que se inicia hoje a noite e se estenderá até a próxima quinta-feira, é destaque nos jornais britânicos. Eles ressaltam que a Europa precisa prestar mais atenção no Brasil, que é uma das potências emergentes que vão dominar a economia mundial nas próximas décadas. Além disso, ressaltam que Lula soube contornar o escândalo de corrupção que se abateu sobre seu governo no ano passado. Elogiam também, de forma geral, o gerenciamento da economia brasileira.

Num editorial intitulado Gigante Emergente, o jornal The Times afirma que a Grã-Bretanha deveria estar mais interessada no Brasil não apenas quando um presidente sul-americano faz uma visita de chefe de Estado. "Ao longo dos próximos 25 anos, o Brasil, como outros, incluindo a Indonésia e o México, vão se tornar mais do que um poder emergente", afirmam. "Isso já está claro pelo papel crucial que o senhor da Silva vai ter nas negociações mundiais do comércio. Essa é uma nação que, se explorar seus ativos substanciais com inteligência, será muito mais do que uma superpotência do futebol."

Democracias

O tradicional diário britânico acrescenta que o Brasil tem uma das economias emergentes mais importantes do mundo. "A visita presidencial nesta semana do presidente Lula oferece uma exposição bem-vinda a uma localidade que vem sendo muito relegada a um segundo plano."
O jornal observa que a América Latina vem adotando regimes democráticos há anos, mas que o presidente venezuelano Hugo Chávez adotou uma linha populista. "É para o crédito do senhor Silva que ele tenha evitado a rota preguiçosa do populismo em favor do gerenciamento sólido da economia e da moderação política." O Times elogia a condução da economia brasileira. "Metas fiscais apertadas foram cumpridas, o país tem um superávit comercial saudável e a inflação foi domada", disse. "Pela primeira vez na história, a economia não será um tema em brasas neste ano eleitoral."

O diário observa que a média de crescimento do PIB nos últimos três anos, 2,6%, se comprada a outros emergentes, é decepcionante. "Mas, para seu crédito, o presidente tem insistido em que um crescimento constante e sustentável, baseado no investimento, prudência fiscal e maior igualdade social, oferece perspectiva muito melhor de longo prazo para retirar milhões de pessoas da pobreza do que as bolhas frágeis de expansão econômica do passado."

"Impacto"

O jornal The Independent, também em editorial, intitulado A Terceira Via de Lula, observa que a América Latina raramente é mencionada nos debates sobre quem vai dominar a economia mundial no futuro, Índia ou China. "Um erro nosso, porque alguns países naquele continente negligenciado estão avançando mais rapidamente do que nós na Europa percebemos, e estão destinados a ter um impacto também no nosso destino", disse o jornal. "Isso se aplica principalmente para o Brasil cujo vigoroso presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, inicia uma visita a Grã-Bretanha hoje." O Independent observa que "é um erro subestimar o potencial do Brasil". Numa reportagem, o jornal acrescenta que Lula "sobreviveu a um escândalo político e a circunstâncias econômicas austeras para ficar bem posicionado nas pesquisas de opinião".

O Financial Times, por sua vez, ressalta que Lula "está vivendo uma reviravolta em sua sorte" que sugere uma intervenção divina. "Tão recentemente como dezembro, ele parecia estar acabado" pelo escândalo de corrupção, diz o jornal. "Desde o ano novo, isso tudo mudou, O presidente minimizou o escândalo e o superou. Seus opositores políticos têm olhado desarmados os eleitores se concentrarem, em vez disso, na estabilidade econômica."

Trajetória

O FT faz um relato da trajetória da vida de Lula e afirma que ainda não está claro se o presidente sabe quais são os passos para que o Brasil alcance crescimento econômico mais acelerado. "Política monetária apertada não é suficiente", diz o jornal. "Apesar de todas as melhoras ao longo da última década nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, o crescimento anual em média foi pouco superior a 2%."

O FT afirma que Lula será recebido calorosamente em Londres. "A liderança brasileira no G-20 fortaleceu sua imagem com um defensor dos pobres no Brasil e ao redor do mundo", disse. Para isso, ele pode agradecer a sua inquestionável energia, gentileza e carisma e, claro, a Deus."

Agência Estado

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Mais de Bono

Reproduzo aqui texto enviado por Daniel Valença, coordenador da Ong Nova Mente, escrito por Mônica Simoni:

"Apoio de Bono à Lula irrita imprensa opositora

Quem leu a edição do jornal Folha de São Paulo de ontem (21) certamente se assustou com o tom de uma das principais chamadas da capa do jornal: "Bono acredita em duendes progressistas do 3º Mundo". A matéria, assinada pelo editor do caderno Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, ridiculariza desrespeitosamente as ações do líder do grupo U2, que é um reconhecido militante internacional na luta pela defesa dos direitos humanos.

Mas para Gonçalves, o problema é que Bono é um irritante líder "politicamente correto", que ele mesmo define da seguinte forma: "compulsão de chamar negros de 'afrodescendentes', falar em 'opção sexual', viver em permanente estado de solidariedade às minorias étnicas, colocar a culpa do terrorismo islâmico no Ocidente e recomendar filmes feitos nos cafundós do mundo sobre situações arcaicas e 'humanas'.

Com feroz indiferença e carregado de preconceito de classe, Gonçalves tenta convencer o leitor de tudo isso é falácia. E que, além disso, Bono é um equivocado. "Mal desembarcou no Brasil e já saiu correndo para emprestar seu prestígio a Lula".

A empolgação de Bono com o governo brasileiro e seus programas, com destaque para o Fome Zero (que, inclusive, vai receber a doação da guitarra do líder do U2), irritou o editor da Folha. "É um programa possível. Para ter um programa desses, é preciso organização, tem que ter estratégia. Também não pode ser visto como algo só da esquerda. Para acabar com a fome, todos os atores têm que participar", disse Bono à imprensa brasileira, que quase não repercutiu as declarações.

O problema é que esse monte de propaganda do governo brasileiro que o artista irlandês fez - inclusive no show que realizou na última >>segunda-feira, televisionado pela Rede Globo - coincidem com a divulgação das três últimas pesquisas de opinião consecutivas - Ibope, Datafolha e CNT/Sensus - que registram uma recuperação sólida da avaliação do governo Lula e de liderança inquestionável na disputa presidencial.

Do outro lado, a oposição tem que assistir às trapalhadas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e à intensa e crescente disputa interna entre os tucanos para definir quem disputará contra Lula, se o prefeito José Serra, que prometeu há dois anos que não faria isso, ou se o governador que está lá atrás nas intenções de voto.

"Bono faz parte daqueles formadores de opinião do Primeiro Mundo Maravilha que acreditam em duendes progressistas do Terceiro Mundo. Estão sempre achando que vai brotar algo novo por aqui", diz Gonçalves numa direta referência à nova conjuntura política na nossa América Latina, constituída por governos eleitos democraticamente, essencialmente anti-neoliberais e cujas propostas se fundamentam na construção de alternativas a este modelo. Aí estão inseridos Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia. E, neste ano marcado por eleições na região, podem ainda surgir novos atores.

O texto de Gonçalves também não é algo novo. É uma típica manifestação do desespero da oposição. Lamentável..."