CONGRESSO
NÃO HÁ BALAS PERDIDAS
Nasce uma CPI para investigar as privatizações na era FHC. A oposição reage e quebra os sigilos de dois amigos de Lula
No início, era a CPMI dos Correios. Criada há sete meses para investigar denúncias de corrupção dentro da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), a comissão virou campo de batalha da oposição ao governo do presidente Lula. Nela, vieram à tona as ligações entre o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza. Transformada em palanque eletrônico, a CPMI dos Correios elevou a audiência da TV Senado e se transformou em fábrica de celebridades instantâneas, surgidas basicamente das bancadas de parlamentares tucanos e pefelistas disposta a sangrar o governo Lula a cada chamada do noticiário.
Para estancar a crise política e qualificar os acusadores, o governo contra-atacou com a CPMI da Compra de Votos, que ficou conhecida pelo apelido, mais conveniente à oposição, de “CPI do Mensalão”. A idéia era investigar as denúncias relativas a pagamento de propinas a parlamentares desde 1997. A estratégia governista era resgatar o escândalo de compra de votos para a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, providencialmente enterrada antes de ser investigada. À época, os tucanos conseguiram evitar uma CPI e resolveram a vida com o rápido expurgo dos envolvidos, graças, ainda, ao desinteresse da mídia. Quatro meses depois de criada, a comissão naufragou na burocracia e na falta de vontade política do relator, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), ele mesmo envolvido com pagamentos do Valerioduto. Foi encerrada sem que o relatório final fosse votado.
A contrapartida da oposição foi a criação da CPI dos Bingos, no Senado, alçada rapidamente ao status de “buraco negro” de acusações contra o governo do PT: passou a absorver desde a suposta doação de dólares de Cuba para a campanha presidencial de 2002 até os assassinatos dos prefeitos petistas Celso Daniel (Santo André) e Toninho do PT (Campinas), além do caso Waldomiro Diniz – o então presidente da Loterj envolvido com um empresário do ramo dos bingos. Por conta dessa diversidade, ganhou o apelido de “CPI do Fim do Mundo”. A comissão, ainda em vigor, continua sendo uma pedra no sapato do governo. Volta e meia, é acionada para retaliar as contra-ofensivas petistas.
Assim foi, na quarta-feira 18, a decisão de quebrar os sigilos bancário, telefônico e fiscal de Paulo Okamotto, presidente nacional do Sebrae. Amigo de Lula de longa data, Okamotto admitiu ter pago dívida pessoal do presidente (R$ 29,4 mil) referente a empréstimo tomado junto ao PT. A oposição acusa o partido de ter lançado mão de recursos do fundo partidário – dinheiro público, portanto – para emprestar dinheiro para Lula, em 2004. Mesmo tratamento deverá ter o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, acusado de ter comandado um esquema de caixa 2 do PT nos anos 90.
A ira da oposição voltou-se aos amigos de Lula depois que, no início da semana, os governistas conseguiram emplacar, na Câmara, a CPI das Privatizações. A comissão vai investigar o processo de privatização de estatais brasileiras de 1990 a 2002. Novamente, o alvo é o governo Fernando Henrique Cardoso. No processo de privatização, o tucanato prometeu sonho e entregou pesadelo. A venda das elétricas produziu dívidas, cobertas com o dinheiro do BNDES, e o apagão. As ferrovias também foram bater às portas do banco público e dos fundos de pensão em busca de fôlego. As teles encheram a burra com tarifas altas e pouca concorrência. Produziram-se fortunas instantâneas e engordou-se o maior bicho-papão do capitalismo brasileiro, o banqueiro Daniel Dantas (reportagem na edição impressa). Quanto à promessa de redução da dívida pública, nada. Entre 1995 e 2002, ela saltou de 30% para 62% do PIB.
A instalação da comissão foi decidida pelo presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Segundo ele, não houve intenção política. “Apenas segui a ordem da fila”, garante. Apesar da chiadeira e da vingança da oposição, tudo indica que a nova comissão seguirá o destino da CPI da Compra de Votos. Mal foi anunciada, recebeu bombardeios de todos os lados, inclusive de aliados do governo.
Carta Capital
sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
A notícia que eles (PSDB, PFL e o resto do bando) não queriam ouvir
IBOPE: Lula volta a liderar intenções de voto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a liderar as pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial deste ano. Levantamento feio pelo Ibope para a revista IstoÉ, Lula larga na frente de todos os adversários no primeiro turno, em sete cenários possíveis. O percentual de votos da pesquisa, de acordo com o cenário, varia de 35% a 41%.
Os adversários batidos por Lula nas simulações foram: José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB), Aécio Neves (PSDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Antony Garotinho (PMDB), Germano Rigotto (PMDB), Heloísa Helena (Psol), Cristóvam Buarque (PDT) e Nelson Jobim (sem partido).
O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 143 municípios brasileiros, entre os dias 12 e 16 de janeiro. Não houve simulação para o segundo turno nem há dados sobre a evolução dos candidatos ao longo dos últimos meses. Segundo a revista, isso não foi feito devido à grande variação de cenários. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Entre os tucanos, os piores desempenhos são os do governador de Minas Gerais, Aécio Neto (com 9% das intenções) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (14%). Os dois perderiam não só para Lula, mas também para Garotinho.
Confira abaixo todos os cenários:
Cenário 1 (com Alckmin e Garotinho)
Lula – 38%
Alckmin – 17%
Garotinho – 16%
Heloísa Helena – 6%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 14%
Não sabem – 8%
Cenário 2 (com Serra e Garotinho)
Lula – 35%
Serra – 31%
Garotinho – 12%
Heloísa Helena – 5%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 10%
Não sabem – 6%
Cenário 3 (com FHC e Garotinho)
Lula – 38%
Garotinho – 15%
FHC – 14%
Heloísa Helena – 8%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 16%
Não sabem – 7%
Cenário 4 (com Aécio e Garotinho)
Lula – 39%
Garotinho – 17%
Aécio – 9%
Heloísa Helena – 9%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 17%
Não sabem – 7%
Cenário 5 (com Alckmin, Garotinho e Jobim)
Lula – 37%
Alckmin – 16%
Garotinho – 15%
Heloísa Helena – 7%
Cristóvam – 1%
Jobim – 1%
Brancos e Nulos – 14%
Não sabem – 7%
Cenário 6 (com Alckmin e Rigotto)
Lula – 41%
Alckmin – 18%
Heloísa Helena – 10%
Rigotto – 3%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 16%
Não sabem – 9%
Cenário 7 (com Serra e Rigotto)
Lula – 38%
Serra – 32%
Heloísa Helena – 8%
Rigotto – 2%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 12%
Não sabem – 7%
Fonte: Portal do PT
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a liderar as pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial deste ano. Levantamento feio pelo Ibope para a revista IstoÉ, Lula larga na frente de todos os adversários no primeiro turno, em sete cenários possíveis. O percentual de votos da pesquisa, de acordo com o cenário, varia de 35% a 41%.
Os adversários batidos por Lula nas simulações foram: José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB), Aécio Neves (PSDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Antony Garotinho (PMDB), Germano Rigotto (PMDB), Heloísa Helena (Psol), Cristóvam Buarque (PDT) e Nelson Jobim (sem partido).
O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 143 municípios brasileiros, entre os dias 12 e 16 de janeiro. Não houve simulação para o segundo turno nem há dados sobre a evolução dos candidatos ao longo dos últimos meses. Segundo a revista, isso não foi feito devido à grande variação de cenários. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Entre os tucanos, os piores desempenhos são os do governador de Minas Gerais, Aécio Neto (com 9% das intenções) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (14%). Os dois perderiam não só para Lula, mas também para Garotinho.
Confira abaixo todos os cenários:
Cenário 1 (com Alckmin e Garotinho)
Lula – 38%
Alckmin – 17%
Garotinho – 16%
Heloísa Helena – 6%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 14%
Não sabem – 8%
Cenário 2 (com Serra e Garotinho)
Lula – 35%
Serra – 31%
Garotinho – 12%
Heloísa Helena – 5%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 10%
Não sabem – 6%
Cenário 3 (com FHC e Garotinho)
Lula – 38%
Garotinho – 15%
FHC – 14%
Heloísa Helena – 8%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 16%
Não sabem – 7%
Cenário 4 (com Aécio e Garotinho)
Lula – 39%
Garotinho – 17%
Aécio – 9%
Heloísa Helena – 9%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 17%
Não sabem – 7%
Cenário 5 (com Alckmin, Garotinho e Jobim)
Lula – 37%
Alckmin – 16%
Garotinho – 15%
Heloísa Helena – 7%
Cristóvam – 1%
Jobim – 1%
Brancos e Nulos – 14%
Não sabem – 7%
Cenário 6 (com Alckmin e Rigotto)
Lula – 41%
Alckmin – 18%
Heloísa Helena – 10%
Rigotto – 3%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 16%
Não sabem – 9%
Cenário 7 (com Serra e Rigotto)
Lula – 38%
Serra – 32%
Heloísa Helena – 8%
Rigotto – 2%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 12%
Não sabem – 7%
Fonte: Portal do PT
Sociedade se mobiliza contra desestabilização do Governo Lula
Vídeo e manifesto pedem fim da campanha de desestabiliação do governo Lula
A Rede Universidade Nômade — um grupo formado por segmentos sociais em prol da universalização dos direitos e do acesso aos meios de produção do conhecimento — lançou uma campanha pela radicalização democrática e contra a desestabilização do governo Lula.
Fazem parte da campanha um manifesto, que já tem cerca de 1.000 assinaturas, e um vídeo de seis minutos, com depoimentos de uma série de pessoas que expressam apoio ao governo Lula e discutem a ofensiva em curso contra a atual gestão.
O texto do manifesto defende que este é o governo mais democrático que o país já teve — não apenas por respeitar as instituições representativas ou pela moderação de sua política econômica, mas porque “apesar de todas as concessões e dos graves erros, cosntitui a expressão da multidão dos sem-direitos que construíram esse país”, diz o documento.
O manifesto afirma haver uma campanha desestabilizadora desencadeada a partir do “uso hipócrita e moralista do escândalo dos Correios” e a considera golpista, arrivista ou conservadora. “Essa campanha precisa ser derrotada pela mais ampla mobilização democrática, em suas mais diversas formas de expressão: social, intelectual e política.”
Vídeo
O vídeo, de seis minutos de duração, traz depoimentos de 20 pessoas - estudante, advogado, taxista, feirante, padre, comerciante, professor, desempregado e petroleiro, entre outros. Dois nomes famosos engrossam a lista: a rapper Negra Rô e o cineasta Ruy Guerra, para quem o atual governo é o mais democrático que o país já teve.
O vídeo e o manifesto podem ser acessados no site da Rede Universidade Nômade: www.universidadenomade.com.br.
Fonte: Portal do PT
A Rede Universidade Nômade — um grupo formado por segmentos sociais em prol da universalização dos direitos e do acesso aos meios de produção do conhecimento — lançou uma campanha pela radicalização democrática e contra a desestabilização do governo Lula.
Fazem parte da campanha um manifesto, que já tem cerca de 1.000 assinaturas, e um vídeo de seis minutos, com depoimentos de uma série de pessoas que expressam apoio ao governo Lula e discutem a ofensiva em curso contra a atual gestão.
O texto do manifesto defende que este é o governo mais democrático que o país já teve — não apenas por respeitar as instituições representativas ou pela moderação de sua política econômica, mas porque “apesar de todas as concessões e dos graves erros, cosntitui a expressão da multidão dos sem-direitos que construíram esse país”, diz o documento.
O manifesto afirma haver uma campanha desestabilizadora desencadeada a partir do “uso hipócrita e moralista do escândalo dos Correios” e a considera golpista, arrivista ou conservadora. “Essa campanha precisa ser derrotada pela mais ampla mobilização democrática, em suas mais diversas formas de expressão: social, intelectual e política.”
Vídeo
O vídeo, de seis minutos de duração, traz depoimentos de 20 pessoas - estudante, advogado, taxista, feirante, padre, comerciante, professor, desempregado e petroleiro, entre outros. Dois nomes famosos engrossam a lista: a rapper Negra Rô e o cineasta Ruy Guerra, para quem o atual governo é o mais democrático que o país já teve.
O vídeo e o manifesto podem ser acessados no site da Rede Universidade Nômade: www.universidadenomade.com.br.
Fonte: Portal do PT
Lula: "Não tenho a cara da avenida Paulista"
Lula é a cara do Brasil
Em discurso para cerca de 10 mil pessoas em Queimados, município da Baixada Fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou nesta sexta-feira (20) que faz um governo voltado para os mais pobres, com os quais disse ter grande identificação.
"Quando eu desci aqui, e me deparei com a fisionomia de vocês, eu disse a mim mesmo: essa é a minha gente, porque essa é a minha cara. A minha cara não é a cara da zona sul (do Rio), não é a cara da avenida Paulista (de São Paulo)”, disse. Depois, concluiu: “Minha cara é a cara do povo sofrido, que clama por justiça. Mais do que a cara, o sangue que corre nestas veias aqui é o de um retirante nordestino, que não esquece o sofrimento desse povo e que lamenta todo dia não poder ter feito muito mais. Mas com paciência, podem ficar certos: haveremos de fazer com que esse povo sofrido sinta orgulho de ter votado num igual a ele para ser presidente do país”.
O público exibia faixas e cartazes de apoio ao presidente e interrompeu seu discurso algumas vezes gritando "Ão, ão, ão, queremos reeleição!" e "Brasil pra frente, Lula presidente".
Fonte: Agências Reuters e Estado.
Em discurso para cerca de 10 mil pessoas em Queimados, município da Baixada Fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou nesta sexta-feira (20) que faz um governo voltado para os mais pobres, com os quais disse ter grande identificação.
"Quando eu desci aqui, e me deparei com a fisionomia de vocês, eu disse a mim mesmo: essa é a minha gente, porque essa é a minha cara. A minha cara não é a cara da zona sul (do Rio), não é a cara da avenida Paulista (de São Paulo)”, disse. Depois, concluiu: “Minha cara é a cara do povo sofrido, que clama por justiça. Mais do que a cara, o sangue que corre nestas veias aqui é o de um retirante nordestino, que não esquece o sofrimento desse povo e que lamenta todo dia não poder ter feito muito mais. Mas com paciência, podem ficar certos: haveremos de fazer com que esse povo sofrido sinta orgulho de ter votado num igual a ele para ser presidente do país”.
O público exibia faixas e cartazes de apoio ao presidente e interrompeu seu discurso algumas vezes gritando "Ão, ão, ão, queremos reeleição!" e "Brasil pra frente, Lula presidente".
Fonte: Agências Reuters e Estado.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Pacote de maldades dos tucanos está pronto
Tucanos querem retomar Alca e cortar direitos trabalhistas
Em texto publicado nesta segunda-feira (16) no site da Agência Carta Maior, o jornalista Marco Aurélio Weissheimer analisa as propostas de governo que os tucanos começam a gestar com vistas às eleições presidenciais deste ano. Entre elas estão a volta das privatizações; a reabertura de negociações para implantação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), em detrimento do Mercosul; e cortes "radicais" nos direitos trabalhistas.
Leia abaixo a íntegra do texto:
Reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais; fusão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário; adoção da política do déficit nominal zero; redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação; menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca): essas são algumas das idéias defendidas por um grupo de especialistas que vem se reunindo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com o objetivo de desenhar o esboço de um eventual programa de governo.
Em matéria publicada em 9 de janeiro, o jornal Valor Econômico anunciou: “Alckmin toma aulas para campanha”. Segundo a matéria, o ex-presidente do BNDES e ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros já se destaca como provável homem forte da “República dos Bandeirantes”.
Já participaram de reuniões da “República dos Bandeirantes”, entre outros: Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações de FHC), Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central), Paulo Renato de Souza (ex-ministro da Educação de FHC), Roberto Giannetti da Fonseca (empresário, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior), Sérgio Amaral (ex-ministro do Desenvolvimento e ex-porta-voz da Presidência da República durante o governo FHC), Xico Graziano (ex-presidente do Incra e ex-secretário da Agricultura de São Paulo), Arnaldo Madeira (ex-líder de FHC na Câmara e atual secretário da Casa Civil de SP), Raul Velloso (especialista em contas públicas) e José Pastore (sociólogo, especialista em relações do trabalho). As “aulas” deste grupo a Alckmin têm um objetivo claro: “o governador está em processo de entendimento dos problemas nacionais”, disse Mendonça de Barros ao Valor.
Déficit nominal zero
Repercutindo o mesmo tema, a Folha de São Paulo publicou em 10 de janeiro: “Alckmin já prepara plano econômico”. A matéria também fala das reuniões da “República dos Bandeirantes”, destacando conversas de Alckmin com Armínio Fraga e o economista Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo a Folha, “Alckmin pretende utilizar na campanha as lições que tem recebido”. “Ele tem defendido, por exemplo, a idéia de déficit nominal zero, uma proposta antiga de Yoshiaki Nakano, um dos seus interlocutores mais freqüentes”, acrescenta. Segundo essa proposta, o governo teria que ter receitas para pagar todas as suas despesas, incluindo aí os gastos com juros da dívida pública. Como não há espaço para aumento da carga tributária, a proposta prevê o corte de despesas pelo governo e o aumento do limite de desvinculação de receitas da União.
Além de procurar “entender os problemas nacionais”, Alckmin também teria como objetivo, através das reuniões, demarcar aquela que seria uma de suas principais diferenças em relação ao prefeito de São Paulo, José Serra, outro líder tucano que postula a candidatura à presidência da República. Serra seria centralizador e Alckmin um gestor moderno que governaria com especialistas.
As idéias dos especialistas ouvidos por Alckmin dão uma idéia da agenda tucana para o país que está em construção. Roberto Giannetti da Fonseca, por exemplo, segundo a reportagem do Valor Econômico, é “pouco simpático ao Mercosul no formato atual, cobra evolução mais rápida dos acordos comerciais com a Alca e as negociações com a União Européia”. Já o sociólogo José Pastore “propõe uma reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos”. Além disso, é um crítico da obrigatoriedade do abono de férias e o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no formato atual. O deputado Xico Graziano, por sua vez, defende a fusão dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e a criação de uma agência reguladora voltada exclusivamente para o agronegócio. E Raul Velloso propõe a redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação.
"Choque de gestão" e privatizações
Apontado como “homem forte” do grupo, Luiz Carlos Mendonça de Barros defende uma redução mais rápida da taxa de juros para conter a valorização do real. Considerado um dos principais representantes da ala desenvolvimentista do governo FHC – que acabou derrotada pela ala do ex-ministro Pedro Malan – Mendonça de Barros não propõe mudanças profundas em relação ao modelo atual. Se, por um lado, é crítico da política de juros praticada hoje pelo Banco Central, por outro, ficou ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na recente polêmica com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, crítica da tese do déficit nominal zero e defensora do aumento de investimentos nas áreas social e de infra-estrutura. Caso Alckmin seja o candidato tucano, um dos carros-chefe de seu programa deve ser o discurso do “choque de gestão” a ser aplicado no Estado brasileiro, proposta que representa uma variação das teses do estado mínimo.
Outra proposta da agenda tucana para o país que caminha nesta direção diz respeito às privatizações. Em entrevista concedida ao jornal O Globo (edição de 15 de janeiro), ao ser indagado se pretendia retomar a política de privatizações implementada pelo governo FHC, Alckmin respondeu positivamente e citou os bancos estaduais entre suas prioridades. “A maioria já foi privatizada, mas deveriam ser todos. Tem muita coisa que se pode avançar. Susep, sistema de seguros, tem muita coisa que se pode privatizar”, respondeu. Perguntado se os Correios estariam nesta lista de empresas privatizáveis, o governador paulista foi mais cauteloso, mas não descartou a possibilidade. “Correios acho que teria que amadurecer um pouco. Tem muita coisa que não precisa privatizar”, afirmou sem especificar quais. E, além das privatizações, acrescentou que pretende valorizar as parcerias público-privadas em um eventual governo tucano.
Política Externa: prioridade para a Alca
Mas uma das principais diferenças em relação ao governo Lula aparece mesmo é no plano da política externa, onde os tucanos criticam a proximidade com o governo de Hugo Chávez, da Venezuela, e defendem a retomada das negociações da Alca com os EUA. Após a palestra realizada pelo presidente George W. Bush, durante sua visita a Brasília, no início de novembro, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) elogiou a fala do líder norte-americano, destacando a questão da Alca.
Na avaliação do senador tucano, essa aliança comercial é de interesse do Brasil e “deve ser buscada e perseguida e não suportada ou adiada”. Para Virgílio, a Alca surgirá com ou sem o Brasil. “Sem o Brasil, fará a alegria do México”, comentou, defendendo que a prioridade da política externa brasileira deveria fazer um pacto político com os EUA em troca de vantagens comerciais claras, incluindo aí a queda de barreiras alfandegárias.
Em relação ao governo Chávez, a posição tucana ficou muito clara nas palavras de Virgílio. Para ele, Chávez só se sustenta na Venezuela “graças às milícias que procuram intimidar as oposições e ao alto preço do petróleo”. A simpatia do PSDB em relação à Alca manifesta-se também através de outras iniciativas. Em 2003, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, encaminhou correspondência ao presidente Lula apresentando a candidatura de Belo Horizonte para abrigar a sede permanente da secretaria geral da Alca.
Na carta, Aécio defendeu, entre outras coisas, que o Brasil deveria incluir, na sua pauta de negociação sobre a criação da área de livre comércio hemisférica a proposta de trazer para cá a sede da organização. “A questão da cidade-sede da área de livre comércio torna-se particularmente estratégica. São evidentes os ganhos oriundos de abrigar a Alca não apenas para Minas Gerais, mas para todo o Brasil”, escreveu o governador mineiro. Essas são algumas das idéias e prioridades que estão sendo alimentadas no ninho tucano para disputar o voto dos brasileiros este ano.
Em texto publicado nesta segunda-feira (16) no site da Agência Carta Maior, o jornalista Marco Aurélio Weissheimer analisa as propostas de governo que os tucanos começam a gestar com vistas às eleições presidenciais deste ano. Entre elas estão a volta das privatizações; a reabertura de negociações para implantação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), em detrimento do Mercosul; e cortes "radicais" nos direitos trabalhistas.
Leia abaixo a íntegra do texto:
Reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais; fusão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário; adoção da política do déficit nominal zero; redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação; menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca): essas são algumas das idéias defendidas por um grupo de especialistas que vem se reunindo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com o objetivo de desenhar o esboço de um eventual programa de governo.
Em matéria publicada em 9 de janeiro, o jornal Valor Econômico anunciou: “Alckmin toma aulas para campanha”. Segundo a matéria, o ex-presidente do BNDES e ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros já se destaca como provável homem forte da “República dos Bandeirantes”.
Já participaram de reuniões da “República dos Bandeirantes”, entre outros: Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações de FHC), Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central), Paulo Renato de Souza (ex-ministro da Educação de FHC), Roberto Giannetti da Fonseca (empresário, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior), Sérgio Amaral (ex-ministro do Desenvolvimento e ex-porta-voz da Presidência da República durante o governo FHC), Xico Graziano (ex-presidente do Incra e ex-secretário da Agricultura de São Paulo), Arnaldo Madeira (ex-líder de FHC na Câmara e atual secretário da Casa Civil de SP), Raul Velloso (especialista em contas públicas) e José Pastore (sociólogo, especialista em relações do trabalho). As “aulas” deste grupo a Alckmin têm um objetivo claro: “o governador está em processo de entendimento dos problemas nacionais”, disse Mendonça de Barros ao Valor.
Déficit nominal zero
Repercutindo o mesmo tema, a Folha de São Paulo publicou em 10 de janeiro: “Alckmin já prepara plano econômico”. A matéria também fala das reuniões da “República dos Bandeirantes”, destacando conversas de Alckmin com Armínio Fraga e o economista Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo a Folha, “Alckmin pretende utilizar na campanha as lições que tem recebido”. “Ele tem defendido, por exemplo, a idéia de déficit nominal zero, uma proposta antiga de Yoshiaki Nakano, um dos seus interlocutores mais freqüentes”, acrescenta. Segundo essa proposta, o governo teria que ter receitas para pagar todas as suas despesas, incluindo aí os gastos com juros da dívida pública. Como não há espaço para aumento da carga tributária, a proposta prevê o corte de despesas pelo governo e o aumento do limite de desvinculação de receitas da União.
Além de procurar “entender os problemas nacionais”, Alckmin também teria como objetivo, através das reuniões, demarcar aquela que seria uma de suas principais diferenças em relação ao prefeito de São Paulo, José Serra, outro líder tucano que postula a candidatura à presidência da República. Serra seria centralizador e Alckmin um gestor moderno que governaria com especialistas.
As idéias dos especialistas ouvidos por Alckmin dão uma idéia da agenda tucana para o país que está em construção. Roberto Giannetti da Fonseca, por exemplo, segundo a reportagem do Valor Econômico, é “pouco simpático ao Mercosul no formato atual, cobra evolução mais rápida dos acordos comerciais com a Alca e as negociações com a União Européia”. Já o sociólogo José Pastore “propõe uma reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos”. Além disso, é um crítico da obrigatoriedade do abono de férias e o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no formato atual. O deputado Xico Graziano, por sua vez, defende a fusão dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e a criação de uma agência reguladora voltada exclusivamente para o agronegócio. E Raul Velloso propõe a redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação.
"Choque de gestão" e privatizações
Apontado como “homem forte” do grupo, Luiz Carlos Mendonça de Barros defende uma redução mais rápida da taxa de juros para conter a valorização do real. Considerado um dos principais representantes da ala desenvolvimentista do governo FHC – que acabou derrotada pela ala do ex-ministro Pedro Malan – Mendonça de Barros não propõe mudanças profundas em relação ao modelo atual. Se, por um lado, é crítico da política de juros praticada hoje pelo Banco Central, por outro, ficou ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na recente polêmica com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, crítica da tese do déficit nominal zero e defensora do aumento de investimentos nas áreas social e de infra-estrutura. Caso Alckmin seja o candidato tucano, um dos carros-chefe de seu programa deve ser o discurso do “choque de gestão” a ser aplicado no Estado brasileiro, proposta que representa uma variação das teses do estado mínimo.
Outra proposta da agenda tucana para o país que caminha nesta direção diz respeito às privatizações. Em entrevista concedida ao jornal O Globo (edição de 15 de janeiro), ao ser indagado se pretendia retomar a política de privatizações implementada pelo governo FHC, Alckmin respondeu positivamente e citou os bancos estaduais entre suas prioridades. “A maioria já foi privatizada, mas deveriam ser todos. Tem muita coisa que se pode avançar. Susep, sistema de seguros, tem muita coisa que se pode privatizar”, respondeu. Perguntado se os Correios estariam nesta lista de empresas privatizáveis, o governador paulista foi mais cauteloso, mas não descartou a possibilidade. “Correios acho que teria que amadurecer um pouco. Tem muita coisa que não precisa privatizar”, afirmou sem especificar quais. E, além das privatizações, acrescentou que pretende valorizar as parcerias público-privadas em um eventual governo tucano.
Política Externa: prioridade para a Alca
Mas uma das principais diferenças em relação ao governo Lula aparece mesmo é no plano da política externa, onde os tucanos criticam a proximidade com o governo de Hugo Chávez, da Venezuela, e defendem a retomada das negociações da Alca com os EUA. Após a palestra realizada pelo presidente George W. Bush, durante sua visita a Brasília, no início de novembro, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) elogiou a fala do líder norte-americano, destacando a questão da Alca.
Na avaliação do senador tucano, essa aliança comercial é de interesse do Brasil e “deve ser buscada e perseguida e não suportada ou adiada”. Para Virgílio, a Alca surgirá com ou sem o Brasil. “Sem o Brasil, fará a alegria do México”, comentou, defendendo que a prioridade da política externa brasileira deveria fazer um pacto político com os EUA em troca de vantagens comerciais claras, incluindo aí a queda de barreiras alfandegárias.
Em relação ao governo Chávez, a posição tucana ficou muito clara nas palavras de Virgílio. Para ele, Chávez só se sustenta na Venezuela “graças às milícias que procuram intimidar as oposições e ao alto preço do petróleo”. A simpatia do PSDB em relação à Alca manifesta-se também através de outras iniciativas. Em 2003, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, encaminhou correspondência ao presidente Lula apresentando a candidatura de Belo Horizonte para abrigar a sede permanente da secretaria geral da Alca.
Na carta, Aécio defendeu, entre outras coisas, que o Brasil deveria incluir, na sua pauta de negociação sobre a criação da área de livre comércio hemisférica a proposta de trazer para cá a sede da organização. “A questão da cidade-sede da área de livre comércio torna-se particularmente estratégica. São evidentes os ganhos oriundos de abrigar a Alca não apenas para Minas Gerais, mas para todo o Brasil”, escreveu o governador mineiro. Essas são algumas das idéias e prioridades que estão sendo alimentadas no ninho tucano para disputar o voto dos brasileiros este ano.
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Nova lei pune divulgação de grampo pela imprensa
A pedido do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Lula enviará ao Congresso em fevereiro um projeto que reformula a legislação da escuta telefônica no país. Contém regras para “conter abusos e desvios”. Em seu trecho mais polêmico, a nova lei abre brecha para a punição de jornalistas que divulgarem o conteúdo de grampos, mesmo os realizados com autorização judicial. O projeto pune a divulgação com prisão de um a três anos, além de multa.
A pena será agravada em um terço “se a divulgação se der por meio de jornais e outras publicações periódicas, serviços de radiodifusão e serviços noticiosos, bem como pela internet.” Uma novidade em relação à legislação em vigor. A lei atual (número 9.296), sancionada por Fernando Henrique Cardoso e por Nelson Jobim, então ministro da Justiça, já tipifica a quebra de sigilo de escutas como crime. A pena é inclusive maior: de um a quatro anos de prisão. Mas não há no texto nenhuma menção a meios de comunicação.
Fonte: Blog do Josias (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br)
A pedido do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Lula enviará ao Congresso em fevereiro um projeto que reformula a legislação da escuta telefônica no país. Contém regras para “conter abusos e desvios”. Em seu trecho mais polêmico, a nova lei abre brecha para a punição de jornalistas que divulgarem o conteúdo de grampos, mesmo os realizados com autorização judicial. O projeto pune a divulgação com prisão de um a três anos, além de multa.
A pena será agravada em um terço “se a divulgação se der por meio de jornais e outras publicações periódicas, serviços de radiodifusão e serviços noticiosos, bem como pela internet.” Uma novidade em relação à legislação em vigor. A lei atual (número 9.296), sancionada por Fernando Henrique Cardoso e por Nelson Jobim, então ministro da Justiça, já tipifica a quebra de sigilo de escutas como crime. A pena é inclusive maior: de um a quatro anos de prisão. Mas não há no texto nenhuma menção a meios de comunicação.
Fonte: Blog do Josias (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br)
Colocando os pingos nos is
CPI dos Correios não pode investigar "mensalão", diz relator
O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou nesta terça-feira que os integrantes da comissão não podem ser cobrados pela investigação de parlamentares acusados de envolvimento com o "mensalão". De acordo com o deputado, este era o objeto de trabalho da CPI do Mensalão, encerrada em novembro do ano passado.
"É preciso ressaltar essa situação para que os integrantes da CPI dos Correios não arquem com os custos de não investigar algo que não está sob sua alçada."
Esse argumento também fui utilizado por Serraglio para negar que a Receita Federal estivesse atrasando o envio de informações à CPI dos Correios. Segundo o relator, a Receita "não deve nada", uma vez que a foi a CPI do Mensalão e não a dos Correios que quebrou o sigilo fiscal das pessoas investigadas. "
Nesse sentido, a CPI da Compra de Votos [do Mensalão] significou a obstrução do nosso trabalho de investigação", afirmou.
Folha Online (17/01/06)
O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou nesta terça-feira que os integrantes da comissão não podem ser cobrados pela investigação de parlamentares acusados de envolvimento com o "mensalão". De acordo com o deputado, este era o objeto de trabalho da CPI do Mensalão, encerrada em novembro do ano passado.
"É preciso ressaltar essa situação para que os integrantes da CPI dos Correios não arquem com os custos de não investigar algo que não está sob sua alçada."
Esse argumento também fui utilizado por Serraglio para negar que a Receita Federal estivesse atrasando o envio de informações à CPI dos Correios. Segundo o relator, a Receita "não deve nada", uma vez que a foi a CPI do Mensalão e não a dos Correios que quebrou o sigilo fiscal das pessoas investigadas. "
Nesse sentido, a CPI da Compra de Votos [do Mensalão] significou a obstrução do nosso trabalho de investigação", afirmou.
Folha Online (17/01/06)
Caixa-preta das privatizações será investigada
Câmara cria CPI para investigar privatizações
Enquanto o governo Lula é investigado por duas CPIs --dos Correios e dos Bingos-- os governistas podem dar o troco político com a criação de uma comissão nesta segunda-feira para investigar as privatizações que ocorreram na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Hoje, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), assinou o ato de criação da CPI das Privatizações --que vai investigar o período de 1990 a 2002-- e deve dar o prazo de 48 horas para que os líderes indiquem seus integrantes. Aldo pode prorrogar o prazo, mas já avisou que irá determinar os membros da CPI caso os partidos não indiquem ninguém.
Além das privatizações, a comissão também deverá investigar os critérios adotados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nas operações de crédito com empresas que participaram dos processos de licitação.
Folha Online(17/01/06)
Enquanto o governo Lula é investigado por duas CPIs --dos Correios e dos Bingos-- os governistas podem dar o troco político com a criação de uma comissão nesta segunda-feira para investigar as privatizações que ocorreram na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Hoje, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), assinou o ato de criação da CPI das Privatizações --que vai investigar o período de 1990 a 2002-- e deve dar o prazo de 48 horas para que os líderes indiquem seus integrantes. Aldo pode prorrogar o prazo, mas já avisou que irá determinar os membros da CPI caso os partidos não indiquem ninguém.
Além das privatizações, a comissão também deverá investigar os critérios adotados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nas operações de crédito com empresas que participaram dos processos de licitação.
Folha Online(17/01/06)
quinta-feira, 12 de janeiro de 2006
Vale tudo
Oposição ataca Fome Zero e operação tapa-buraco
O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) encaminhou representação ao TCU (Tribunal de Contas da União) contra o "Fome Zero". No mesmo dia, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), também encaminhou representação ao TCU contra a operação tapa-buracos, um plano emergencial de recuperação das estradas federais, orçado em mais de R$ 400 milhões.
Apesar do desgaste da crise política, a oposição anda mesmo nervosinha, pois teme que os programas sociais e ações do governo, aliados ao carisma natural de Lula, possam reeleger o presidente. Então, agora o único jeito de aniquilar essa possibilidade é centrar fogo nas vitrines do governo do PT.
Com informações da Folha Online e Agência Brasil
O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) encaminhou representação ao TCU (Tribunal de Contas da União) contra o "Fome Zero". No mesmo dia, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), também encaminhou representação ao TCU contra a operação tapa-buracos, um plano emergencial de recuperação das estradas federais, orçado em mais de R$ 400 milhões.
Apesar do desgaste da crise política, a oposição anda mesmo nervosinha, pois teme que os programas sociais e ações do governo, aliados ao carisma natural de Lula, possam reeleger o presidente. Então, agora o único jeito de aniquilar essa possibilidade é centrar fogo nas vitrines do governo do PT.
Com informações da Folha Online e Agência Brasil
Esse Mainardi não toma jeito!
Diogo Mainardi defende fim do Bolsa Família
Na sua coluna desta semana na revista Veja, Diogo Mainardi considera que o atual prefeito de São Paulo, José Serra, já pode ser considerado o presidente virtual do Brasil em 2007.
"Não por méritos pessoais. Ele será eleito exclusivamente porque a gente quer se livrar de Lula. E ele é a melhor garantia de que isso vai acontecer", escreve Mainardi.
Então, como considera Serra já eleito, Mainardi lista alguns questionamentos sobre as ações do governo Serra . Entre outras coisas, Mainardi pergunta: "Ele (Serra) desmontará a arapuca fiscal do Bolsa-Família? Os brasileiros são menos otários do que parece. Para cada voto que Lula ganha com o Bolsa-Família, ele perde dois da classe média".
Pela primeira vez na história do Brasil, houve diminuição de 8% do índice de pobreza. Isso significa que milhões de famílias que viviam abaixo da linha da pobreza conseguiram sair da miséria absoluta e têm, agora, melhores condições de vida, graças aos programas sociais do Governo Lula. Mainardi chama isso de arapuca fiscal.
Na sua coluna desta semana na revista Veja, Diogo Mainardi considera que o atual prefeito de São Paulo, José Serra, já pode ser considerado o presidente virtual do Brasil em 2007.
"Não por méritos pessoais. Ele será eleito exclusivamente porque a gente quer se livrar de Lula. E ele é a melhor garantia de que isso vai acontecer", escreve Mainardi.
Então, como considera Serra já eleito, Mainardi lista alguns questionamentos sobre as ações do governo Serra . Entre outras coisas, Mainardi pergunta: "Ele (Serra) desmontará a arapuca fiscal do Bolsa-Família? Os brasileiros são menos otários do que parece. Para cada voto que Lula ganha com o Bolsa-Família, ele perde dois da classe média".
Pela primeira vez na história do Brasil, houve diminuição de 8% do índice de pobreza. Isso significa que milhões de famílias que viviam abaixo da linha da pobreza conseguiram sair da miséria absoluta e têm, agora, melhores condições de vida, graças aos programas sociais do Governo Lula. Mainardi chama isso de arapuca fiscal.
Internet Comunitária
ONG Meninos do Morumbi tem discador gratuito
A ONG paulistana Meninos do Morumbi lançou um discador gratuito de acesso à internet. A novidade é compatível com o sistema operacional Windows e está disponível em mais de 2.000 cidades brasileiras.
O grupo já conta com um provedor comunitário para hospedagem de sites de pequenas e médias empresas. Os projetos de inclusão digital foram desenvolvidos em parceria com Telium Networks.
O uso do discador por parte dos internautas vai ajudar a ONG financeiramente. Isso porque parte do lucro das operadoras, obtidas com os pulsos telefônicos da conexão discada, será revertida para o grupo.
Segundo os responsáveis pela organização, o objetivo do discador é fornecer internet gratuita às comunidades carentes, que dificilmente terão acesso aos serviços de banda larga. Para ter acesso ao serviço, basta baixá-lo do site da ONG.
Fonte: Folha Online
A ONG paulistana Meninos do Morumbi lançou um discador gratuito de acesso à internet. A novidade é compatível com o sistema operacional Windows e está disponível em mais de 2.000 cidades brasileiras.
O grupo já conta com um provedor comunitário para hospedagem de sites de pequenas e médias empresas. Os projetos de inclusão digital foram desenvolvidos em parceria com Telium Networks.
O uso do discador por parte dos internautas vai ajudar a ONG financeiramente. Isso porque parte do lucro das operadoras, obtidas com os pulsos telefônicos da conexão discada, será revertida para o grupo.
Segundo os responsáveis pela organização, o objetivo do discador é fornecer internet gratuita às comunidades carentes, que dificilmente terão acesso aos serviços de banda larga. Para ter acesso ao serviço, basta baixá-lo do site da ONG.
Fonte: Folha Online
quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
Mais uma de Veja
O ódio da Veja pelo PT
O ranso da revista Veja contra o PT não é nenhuma novidade. Quando o assunto é o Partido dos Trabalhadores, pode esperar que lá vem bomba.
Às favas a ética jornalística! O negócio é descer mesmo a lenha nessa "raça" (termo usado pelo senador pefelista Jorge Bornhausen ao referir-se aos petistas).
Desde que o PT chegou ao poder, Veja iniciou sua ofensiva para desqualificar o governo do presidente-operário. Primeiro foi a história dos milhões de dólares que o partido de Lula teria recebido das FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas). Depois a lorota dos dólares vindos da ilha de Fidel Castro. Entre uma mentira e outra, surgia a cantilena ensaiada (verdadeira motivação por trás de tudo): "vamos caçar o registro do PT".
Em 2005, ano da crise política que, dizem os "analistas", decretou o fim antecipado do Governo Lula, Veja deitou e rolou, feliz com a desgraça do PT.
A revista que está nas bancas (Edição 1938, 11 de janeiro de 2006), traz uma matéria sobre a recuperação do centro de São Paulo, cuja área de 150.000 metros quadrados, abrangendo 10 quarteirões, será demolida pela Prefeitura, que oferecerá os terrenos à iniciativa privada.
Veja defende que a única maneira de acabar com a ruína de centro paulistano (reduto de pobreza, prostituição, tráfico de drogas e comércio de produtos piratas, segundo o texto de Camila Antunes) é "a demolição pura e simples". Aproveita para culpar a administração da petista Marta Suplicy, que teria piorado ainda mais a situação ao instalar 400 famílias sem-teto em imóveis abandonados.
Mas o que me chamou a atenção não foi essa discussão sobre o centro de São Paulo e a ogeriza da turma tucana instalada na Prefeitura contra os pobres e desabrigados da cidade. Lá na página 92, num box entitulado "O pecado da demagogia", a repórter mira novamente no PT. Dessa vez, o personagem escolhido é o padre Júlio Lancelotti, que a revista apresenta como "líder de uma organização política ligada ao PT chamada Pastoral da Rua", a quem acusa de ser o demagogo em questão.
Lancelotti é um crítico da política higienista do prefeito José Serra, que inclui a demolição do centro de São Paulo e a construção de rampas "antimendigo" sob o viaduto que leva à Avenida Paulista. Veja diz que o padre "quer mesmo é ter à sua disposição um rebanho de manobra para fazer política". Para a revista, o importante é fazer a fachina e livrar a cidade do incômodo de "mendigos, menores abandonados e loucos que vagam pelas ruas de São Paulo". Em nenhuma linha a repórter questiona as razões que empurram essas pessoas para a rua. Em nenhum parágrafo, dedica-se a criticar o escândalo da injustiça social, que aprofunda a miséria e condena milhões à exlusão permanente. Não tem pra quê perder tempo com essa gente! A solução "pura e simples", claro, é se livrar deles. Qualquer um que se importe, será tachado de demagogo - ainda mais se for ligado ao PT.
Abaixo, confira a transcrição da íntegra da matéria:
O PECADO DA DEMAGOGIA
O padre Júlio Lancelotti, líder de uma organização política ligada ao PT chamada Pastoral da Rua (atenção, papa Bento XVI), comete todos os dias um pecado mortal – o da demagogia. Ele é o criador de uma categoria que leva o nome de "Povo da Rua". É a denominação de Lancelotti para mendigos, menores abandonados e loucos que vagam pelas ruas de São Paulo. A pretexto de defender o "Povo da Rua", o padre quer transformar uma situação precária – a dos sem-teto e que tais – em permanente. Toda e qualquer iniciativa para colocar esse pessoal em abrigos, custeados pela prefeitura, limpar os logradouros públicos de barracas e excrementos e livrar os transeuntes do risco de assaltos protagonizados por pivetes é torpedeada por Lancelotti com a classificação de "prática higienista". Os motivos do padre estão longe de ser religiosos. O que ele quer mesmo é ter à sua disposição um rebanho de manobra para fazer política.
Se Lancelotti fosse mesmo sensível às necessidades do seu "Povo da Rua", começaria por oferecer abrigo na igreja da qual é pároco: a de São Miguel Arcanjo, no bairro paulistano da Mooca. A igreja, porém, tem grades nas portas e cerca elétrica nos muros – um aparato suficiente para definir aquela casa de Deus como um "bunker antimendigo". "Antimendigo" é a expressão usada por ele – e por jornalistas amigos seus – para classificar pejorativamente a iniciativa da prefeitura de São Paulo de colocar rampas de superfície áspera sob o viaduto que leva à Avenida Paulista. A administração municipal recorreu a esse expediente para desalojar os marginais que, instalados no local, assaltavam as pessoas que transitam por ali. Lancelotti continua a esbravejar que "as rampas antimendigo" fazem parte de uma "visão higienista". Pois bem, propõe-se aqui um acordo: a prefeitura retira as rampas e o padre abandona o seu bunker e passa a morar debaixo do viaduto. Lá, poderá controlar os assaltantes e encontrar a santa felicidade junto ao "Povo da Rua".
O ranso da revista Veja contra o PT não é nenhuma novidade. Quando o assunto é o Partido dos Trabalhadores, pode esperar que lá vem bomba.
Às favas a ética jornalística! O negócio é descer mesmo a lenha nessa "raça" (termo usado pelo senador pefelista Jorge Bornhausen ao referir-se aos petistas).
Desde que o PT chegou ao poder, Veja iniciou sua ofensiva para desqualificar o governo do presidente-operário. Primeiro foi a história dos milhões de dólares que o partido de Lula teria recebido das FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas). Depois a lorota dos dólares vindos da ilha de Fidel Castro. Entre uma mentira e outra, surgia a cantilena ensaiada (verdadeira motivação por trás de tudo): "vamos caçar o registro do PT".
Em 2005, ano da crise política que, dizem os "analistas", decretou o fim antecipado do Governo Lula, Veja deitou e rolou, feliz com a desgraça do PT.
A revista que está nas bancas (Edição 1938, 11 de janeiro de 2006), traz uma matéria sobre a recuperação do centro de São Paulo, cuja área de 150.000 metros quadrados, abrangendo 10 quarteirões, será demolida pela Prefeitura, que oferecerá os terrenos à iniciativa privada.
Veja defende que a única maneira de acabar com a ruína de centro paulistano (reduto de pobreza, prostituição, tráfico de drogas e comércio de produtos piratas, segundo o texto de Camila Antunes) é "a demolição pura e simples". Aproveita para culpar a administração da petista Marta Suplicy, que teria piorado ainda mais a situação ao instalar 400 famílias sem-teto em imóveis abandonados.
Mas o que me chamou a atenção não foi essa discussão sobre o centro de São Paulo e a ogeriza da turma tucana instalada na Prefeitura contra os pobres e desabrigados da cidade. Lá na página 92, num box entitulado "O pecado da demagogia", a repórter mira novamente no PT. Dessa vez, o personagem escolhido é o padre Júlio Lancelotti, que a revista apresenta como "líder de uma organização política ligada ao PT chamada Pastoral da Rua", a quem acusa de ser o demagogo em questão.
Lancelotti é um crítico da política higienista do prefeito José Serra, que inclui a demolição do centro de São Paulo e a construção de rampas "antimendigo" sob o viaduto que leva à Avenida Paulista. Veja diz que o padre "quer mesmo é ter à sua disposição um rebanho de manobra para fazer política". Para a revista, o importante é fazer a fachina e livrar a cidade do incômodo de "mendigos, menores abandonados e loucos que vagam pelas ruas de São Paulo". Em nenhuma linha a repórter questiona as razões que empurram essas pessoas para a rua. Em nenhum parágrafo, dedica-se a criticar o escândalo da injustiça social, que aprofunda a miséria e condena milhões à exlusão permanente. Não tem pra quê perder tempo com essa gente! A solução "pura e simples", claro, é se livrar deles. Qualquer um que se importe, será tachado de demagogo - ainda mais se for ligado ao PT.
Abaixo, confira a transcrição da íntegra da matéria:
O PECADO DA DEMAGOGIA
O padre Júlio Lancelotti, líder de uma organização política ligada ao PT chamada Pastoral da Rua (atenção, papa Bento XVI), comete todos os dias um pecado mortal – o da demagogia. Ele é o criador de uma categoria que leva o nome de "Povo da Rua". É a denominação de Lancelotti para mendigos, menores abandonados e loucos que vagam pelas ruas de São Paulo. A pretexto de defender o "Povo da Rua", o padre quer transformar uma situação precária – a dos sem-teto e que tais – em permanente. Toda e qualquer iniciativa para colocar esse pessoal em abrigos, custeados pela prefeitura, limpar os logradouros públicos de barracas e excrementos e livrar os transeuntes do risco de assaltos protagonizados por pivetes é torpedeada por Lancelotti com a classificação de "prática higienista". Os motivos do padre estão longe de ser religiosos. O que ele quer mesmo é ter à sua disposição um rebanho de manobra para fazer política.
Se Lancelotti fosse mesmo sensível às necessidades do seu "Povo da Rua", começaria por oferecer abrigo na igreja da qual é pároco: a de São Miguel Arcanjo, no bairro paulistano da Mooca. A igreja, porém, tem grades nas portas e cerca elétrica nos muros – um aparato suficiente para definir aquela casa de Deus como um "bunker antimendigo". "Antimendigo" é a expressão usada por ele – e por jornalistas amigos seus – para classificar pejorativamente a iniciativa da prefeitura de São Paulo de colocar rampas de superfície áspera sob o viaduto que leva à Avenida Paulista. A administração municipal recorreu a esse expediente para desalojar os marginais que, instalados no local, assaltavam as pessoas que transitam por ali. Lancelotti continua a esbravejar que "as rampas antimendigo" fazem parte de uma "visão higienista". Pois bem, propõe-se aqui um acordo: a prefeitura retira as rampas e o padre abandona o seu bunker e passa a morar debaixo do viaduto. Lá, poderá controlar os assaltantes e encontrar a santa felicidade junto ao "Povo da Rua".
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