José Luiz Datena, maior ícone dos programas policiais na televisão brasileira, disse à Folha de São Paulo que não agüenta mais fazer esse tipo de programa.
Datena apresenta o "Brasil Urgente" na Bandeirantes e faz o perfil do típico "justiçeiro demagogo", gritando bordões, palavras de ordem, vociferando contra criminosos e exigindo punição.
Datena "inovou" e pôs um varal no cenário do seu programa. No varal, há camisetas penduradas com frases de "indignação". Há desde o clamor por justiça a pedidos de "Fora Lula".
Datena disse à Folha que foi convidado por Sílvio Santos para apresentar o "novo" 'Aqui Agora', que o SBT volta a exibir a partir de hoje à noite, mas recusou o convite.
"Quando o Silvio Santos me chamou na casa dele em novembro para fazer o 'Aqui Agora', disse que para fazer a mesma coisa que faço na Band, fico aqui", revelou.
Datena se defendeu das acusações de que traz o "mundo-cão" para dentro da casa das pessoas. "O mundo cão é o que todos vivemos, um Brasil de desigualdades. Não sou responsável por esse tipo de programa nem pela violência", desabafou.
Datena quer dar uma de Pilatos e lavar as mãos, fugindo das suas responsabilidades. É óbvio que ele não é "responsável" pela violência, no sentido de que não é autor da violência, não a pratica.
Mas é claro que ele tem responsabilidade em relação ao programa que apresenta. Programa esse que sobrevive da exacerbação e da banalização da violência. Mais ainda. Programa que sobrevive da espetacularização da violência.
Datena, embora não admita, incita a violência, pois se comporta como legítimo representante da indignação do povo e estimula a prática da "justiça do grito".
É bom mesmo que ele diga que cansou de fazer esse tipo de programa e sua apologia à violência. Pode ser que essa "confissão" sirva para convencer o público desse formato d eprograma que a "indignação" gritada no ar não passa de bravata.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Em breve, o blog vai tá de cara nova
O contador de acessos do blog endoidou. Voltou a contar a partir do 1º acesso.
Como eu não entendo nadica de nada dessas coisas, falei com um amigo e ele vai arrumar isso pra mim.
Aguardem também o novo visual do blog, com novas ferramentas e uma cara mais moderna.
Como eu não entendo nadica de nada dessas coisas, falei com um amigo e ele vai arrumar isso pra mim.
Aguardem também o novo visual do blog, com novas ferramentas e uma cara mais moderna.
Estamos na área
Desde quarta-feira passada que não tive mais tempo de postar nada. Estava atolado de coisas pra fazer, referentes a meu trabalho na AL.
Aproveito pra comentar rapidinho sobre o "Fórum Natal Pela Sustentabilidade", que aconteceu sexta-feira passada, no Cefet. O tema foi segurança pública.
O evento foi muito bom, apesar de alguns contratempos e do cancelamento de uma das palestras por falta de energia.
Achei particularmente interessante a palestra da secretária de Defesa Social da cidade de Diadema (SP), Regina Miki. Ela falou sobre a experiência da cidade na redução, combate e prevenção à violência urbana - Diadema era considerada a cidade mais violenta do país, com taxa de homicídios de 110 para cada grupo de 100 mil habitantes.
Regina Miki, que fez mestrado em segurança púbica, disse que Diadema precisou fazer um mapeamento da criminalidade, para que se tivesse um diagnóstico que norteasse as ações contra a violência.
Ela contou que, no início, foi preciso superar muitos entraves, como a própria lentidão da máquina pública, classificada por ela como um "paquiderme".
Mas o maior desafio era mudar os paradigmas sobre segurança púbica. "As pessoas olham para a segurança como repressão. Mas repressão significa a falha do sistema", ressaltou.
Feito o mapeamento da criminalidade, o resultado das análises dos dados coletados revelou que 60% dos homicídios de Diadema ocorriam em bares e similares ou áreas próximas, entre 23h e 4h. A cidade tinha cerca de 4.800 bares.
Para mudar esse quadro, a Prefeitura criou a "Lei de Fechamento de Bares", que está em vigor desde julho de 2002.
O resultado, após a medida, foi que os homicídios em Diadema despencaram - de 110 para 19 homícidios por grupo de 100 mil habitantes.
A maioria absoluta da população (97%) apóia o fechamento dos bares em Diadema.
Mas é claro que não foi apenas fechando os bares que Diadema diminuiu a violência. A Prefeitura também criou programas de promoção de cidadania para jovens e adolescentes, que são as maiores vítimas da violência.
O programa "Adolescente Aprendiz", criado em 2001, prepara jovens de 14 a 15 anos para o mundo do trabalho. Já foram atendidos 12 mil adolescentes e, de 2001 para 2007, houve uma redução de 79% dos homicídios entre jovens, que viviam em situação crítica de vulnerabilidade social e, freqüentemente, acabavam envolvidos com o tráfico de drogas.
"O crime prospera onde o Estado está ausente. E ainda tem um agravante: o vácuo é preenchido pelo tráfico. Não há vácuo de poder", disse Regina Miki.
Aproveito pra comentar rapidinho sobre o "Fórum Natal Pela Sustentabilidade", que aconteceu sexta-feira passada, no Cefet. O tema foi segurança pública.
O evento foi muito bom, apesar de alguns contratempos e do cancelamento de uma das palestras por falta de energia.
Achei particularmente interessante a palestra da secretária de Defesa Social da cidade de Diadema (SP), Regina Miki. Ela falou sobre a experiência da cidade na redução, combate e prevenção à violência urbana - Diadema era considerada a cidade mais violenta do país, com taxa de homicídios de 110 para cada grupo de 100 mil habitantes.
Regina Miki, que fez mestrado em segurança púbica, disse que Diadema precisou fazer um mapeamento da criminalidade, para que se tivesse um diagnóstico que norteasse as ações contra a violência.
Ela contou que, no início, foi preciso superar muitos entraves, como a própria lentidão da máquina pública, classificada por ela como um "paquiderme".
Mas o maior desafio era mudar os paradigmas sobre segurança púbica. "As pessoas olham para a segurança como repressão. Mas repressão significa a falha do sistema", ressaltou.
Feito o mapeamento da criminalidade, o resultado das análises dos dados coletados revelou que 60% dos homicídios de Diadema ocorriam em bares e similares ou áreas próximas, entre 23h e 4h. A cidade tinha cerca de 4.800 bares.
Para mudar esse quadro, a Prefeitura criou a "Lei de Fechamento de Bares", que está em vigor desde julho de 2002.
O resultado, após a medida, foi que os homicídios em Diadema despencaram - de 110 para 19 homícidios por grupo de 100 mil habitantes.
A maioria absoluta da população (97%) apóia o fechamento dos bares em Diadema.
Mas é claro que não foi apenas fechando os bares que Diadema diminuiu a violência. A Prefeitura também criou programas de promoção de cidadania para jovens e adolescentes, que são as maiores vítimas da violência.
O programa "Adolescente Aprendiz", criado em 2001, prepara jovens de 14 a 15 anos para o mundo do trabalho. Já foram atendidos 12 mil adolescentes e, de 2001 para 2007, houve uma redução de 79% dos homicídios entre jovens, que viviam em situação crítica de vulnerabilidade social e, freqüentemente, acabavam envolvidos com o tráfico de drogas.
"O crime prospera onde o Estado está ausente. E ainda tem um agravante: o vácuo é preenchido pelo tráfico. Não há vácuo de poder", disse Regina Miki.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Conhecimento de causa
Agripino entende de políticas eleitoreiras
O leitor João Maurício escreve ao blog comentando o boicote que a oposição 'Justo Veríssimo' quer impor ao programa "Territórios da Cidadania".
Merece destaque o trecho em que ele observa que a reação dos tucanos e "demos" ao programa do governo federal reflete a típica visão "liberal", segundo a qual a função do Estado é bancar a iniciativa privada. "Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não", escreve o leitor.
Lei a íntegra do comentário:
Interessante é que a maioria das ações do "Territórios da Cidadania" acontecerão (sic) em municípios com população pouco expressiva em termos numéricos e em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos, áreas onde geralmente o IDH é mais baixo. Então pergunta-se: se fosse programa eleitoreiro, não deveria se concentrar nos grandes centros urbanos, onde teoricamente o impacto "político" seria maior? O "x" da questão é outro. A turma dos demos, antigos (PFL), e dos demos convertidos ou neo-demos (PSDB), não suportam ouvir falar em programas sociais cujo objetivo seja reduzir a miséria no país. Mas nisso tem situações engraçadas, a exemplo das declarações de José Agripino, condenando, evidentemente, o Programa do Governo Federal. Mas ao menos dessa vez – sejamos justos – ele pode até não ter razão, mas fala com conhecimento de causa. Ou seja, o "galeguinho do Alecrim" sabe bem o que são políticas eleitoreiras... Suas práticas de antanho lhe servem de guia, certamente. Na concepção de "liberais" como "jaja" o Estado brasileiro tem por função bancar a iniciativa privada, como fez o BNDES no caso das privatizações da Vale, das Telecomunicações... emprestando dinheiro do Estado aos "empresários de bem" para quem (sic) comprassem os bens... estatais. Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não. Isso é politicagem, diz "jaja" e sua trupe. Afinal, de quem é mesmo essa tarefa?... Bom, mas como é homem sensato e fiél aos ideais da República tupiniquim, "jaja" vai estrear um programinha na Radio Tropical...
O leitor João Maurício escreve ao blog comentando o boicote que a oposição 'Justo Veríssimo' quer impor ao programa "Territórios da Cidadania".
Merece destaque o trecho em que ele observa que a reação dos tucanos e "demos" ao programa do governo federal reflete a típica visão "liberal", segundo a qual a função do Estado é bancar a iniciativa privada. "Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não", escreve o leitor.
Lei a íntegra do comentário:
Interessante é que a maioria das ações do "Territórios da Cidadania" acontecerão (sic) em municípios com população pouco expressiva em termos numéricos e em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos, áreas onde geralmente o IDH é mais baixo. Então pergunta-se: se fosse programa eleitoreiro, não deveria se concentrar nos grandes centros urbanos, onde teoricamente o impacto "político" seria maior? O "x" da questão é outro. A turma dos demos, antigos (PFL), e dos demos convertidos ou neo-demos (PSDB), não suportam ouvir falar em programas sociais cujo objetivo seja reduzir a miséria no país. Mas nisso tem situações engraçadas, a exemplo das declarações de José Agripino, condenando, evidentemente, o Programa do Governo Federal. Mas ao menos dessa vez – sejamos justos – ele pode até não ter razão, mas fala com conhecimento de causa. Ou seja, o "galeguinho do Alecrim" sabe bem o que são políticas eleitoreiras... Suas práticas de antanho lhe servem de guia, certamente. Na concepção de "liberais" como "jaja" o Estado brasileiro tem por função bancar a iniciativa privada, como fez o BNDES no caso das privatizações da Vale, das Telecomunicações... emprestando dinheiro do Estado aos "empresários de bem" para quem (sic) comprassem os bens... estatais. Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não. Isso é politicagem, diz "jaja" e sua trupe. Afinal, de quem é mesmo essa tarefa?... Bom, mas como é homem sensato e fiél aos ideais da República tupiniquim, "jaja" vai estrear um programinha na Radio Tropical...
Grotesco II
O sensacionalismo não é exclusividade dos pequenos jornais. Os grandes, vez por outra, também descem a ladeira e aderem a esse gênero jornalístico.Vide o exemplo do Diário de Natal de hoje, que exibe na capa a foto de parte do corpo de mais um detento assassinado no presídio de Alcaçuz.
A foto mostra o braço ensanguentado do morto, onde se lê a inscrição tatuada: "mato por prazer".
Há um balão com o aviso de "Imagens Fortes", que serve apenas para despertar ainda mais a curiosidade do leitor adepto desse tipo de notícia.
Na manchete, também impera o tom apelativo: "Segunda degola faz de Alcaçuz um novo 'caldeirão do diabo' ".
Na capa do caderno "Cidades", em letras garrfais vermelhas, sobre uma foto desfocada, lê-se a seguinte manchete: "De segurança máxima a novo caldeirão do diabo do RN".
A Tribuna do Norte resistiu ao sensacionalismo e deu menos destaque à notícia. O jornal não deixou de noticiar o caso, mas optou por não chocar o seu leitor. Colocou uma foto pequena na capa, mostrando um policial de costas e ao fundo, imagem meio desfocada, os pés do presidiário assassinado. Não há manchete chamando atenção para a notícia; apenas a inscrição acima da foto: "Penitenciária de Alcaçuz".
Na página 9, a manchete é a seguinte: "Mais um detento é decapitado no RN". O jornal não apelou a metáforas futebolísticas de mau gosto nem usou apelidos grotescos para se referir aos envolvidos no caso. A foto interna também é sutil, como a da capa.
Até o JH Primeira Edição maneirou a mão dessa vez e não colocou nenhuma foto nem manchete apelativa sobre mais essa morte no presídio.
Vai longe o tempo em que o DN podia ser considerado o melhor jornal da cidade.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
A Chantagem
Dilma Rousseff reage às ameaças da oposição 'Justo Veríssimo'
A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, mandou um recado hoje à turma da oposição 'Justo Veríssimo' - aquela que quer que o povo se exploda.
Dilma disse que o governo não pode parar somente porque é ano de eleição e que as ações do governo não são eleitoreiras.
"Eleitoreira" é a senha da oposição 'Justo Veríssimo' para desqualificar todo e qualquer programa social do governo federal.
Tucanos e "demos" ameçam entrar Justiça contra o recém lançado Territórios da Cidadania, que vai destinar, neste ano, R$ 11,3 bilhões para os 958 municípios brasileiros com menor IDH.
A ministra não entende o terrorismo da oposição 'Justo Veríssimo' contra o programa. "O [programa] Territórios da Cidadania é um dos melhores e mais efetivos programas de distribuição de renda. O programa é focado, tem um papel que é de resgate daqueles bolsões de pobreza que não são facilmente atingidos. Isso representa um esforço articulado do governo. É o governo somando esforços. Não é gastando mais, mas melhor", disse ela à Folha Online.
O programa vai ser coordenado pelo ministro Guilherme Cassel do Desenvolvimento Agrário e compreende 135 ações, envolvendo outros 19 ministérios. A previsão é de atender 24 milhões de pessoas nas comunidades rurais, aldeias indígenas, quilombolas e colônias de pescadores inicialmente mapeadas pelo programa.
O Ministro Guilherme Cassel disse ao jornalista Paulo Henrique Amorim que a novidade do programa é fazer com que recursos e programas já existentes cheguem a regiões que não eram beneficiadas, levando assistência social e desenvolvimento a essas populações.
"Ele (o 'Territórios da Cidadania') é pensado em três eixos básicos. O primeiro deles é garantir acesso universal a direito de cidadania: documentação, assistência social, o básico. O segundo, superar a infra-estrutura: água, energia elétrica, casa. E o terceiro: apoiar atividade produtiva a partir de atividades que podem tirar essas regiões da estagnação econômica", explicou o ministro.
A oposição quer boicotar o Territórios da Cidadania e fica usando essa desculpa furada de que o programa é eleitoreiro.
Para a população que sobrevive em condições precárias, não interessa se é ano eleitoral ou não. O que importa é que ela vai ter, pela primeira vez, acesso de fato à cidadania.
A chantagem da oposição, ameaçando entra na Justiça contra o programa, é birra de menino mimado.
É igual aquela história do garoto que é o dono da bola. Ele não joga nada, mas se não deixarem ele ser o atacante, não tem jogo.
A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, mandou um recado hoje à turma da oposição 'Justo Veríssimo' - aquela que quer que o povo se exploda.
Dilma disse que o governo não pode parar somente porque é ano de eleição e que as ações do governo não são eleitoreiras.
"Eleitoreira" é a senha da oposição 'Justo Veríssimo' para desqualificar todo e qualquer programa social do governo federal.
Tucanos e "demos" ameçam entrar Justiça contra o recém lançado Territórios da Cidadania, que vai destinar, neste ano, R$ 11,3 bilhões para os 958 municípios brasileiros com menor IDH.
A ministra não entende o terrorismo da oposição 'Justo Veríssimo' contra o programa. "O [programa] Territórios da Cidadania é um dos melhores e mais efetivos programas de distribuição de renda. O programa é focado, tem um papel que é de resgate daqueles bolsões de pobreza que não são facilmente atingidos. Isso representa um esforço articulado do governo. É o governo somando esforços. Não é gastando mais, mas melhor", disse ela à Folha Online.
O programa vai ser coordenado pelo ministro Guilherme Cassel do Desenvolvimento Agrário e compreende 135 ações, envolvendo outros 19 ministérios. A previsão é de atender 24 milhões de pessoas nas comunidades rurais, aldeias indígenas, quilombolas e colônias de pescadores inicialmente mapeadas pelo programa.
O Ministro Guilherme Cassel disse ao jornalista Paulo Henrique Amorim que a novidade do programa é fazer com que recursos e programas já existentes cheguem a regiões que não eram beneficiadas, levando assistência social e desenvolvimento a essas populações.
"Ele (o 'Territórios da Cidadania') é pensado em três eixos básicos. O primeiro deles é garantir acesso universal a direito de cidadania: documentação, assistência social, o básico. O segundo, superar a infra-estrutura: água, energia elétrica, casa. E o terceiro: apoiar atividade produtiva a partir de atividades que podem tirar essas regiões da estagnação econômica", explicou o ministro.
A oposição quer boicotar o Territórios da Cidadania e fica usando essa desculpa furada de que o programa é eleitoreiro.
Para a população que sobrevive em condições precárias, não interessa se é ano eleitoral ou não. O que importa é que ela vai ter, pela primeira vez, acesso de fato à cidadania.
A chantagem da oposição, ameaçando entra na Justiça contra o programa, é birra de menino mimado.
É igual aquela história do garoto que é o dono da bola. Ele não joga nada, mas se não deixarem ele ser o atacante, não tem jogo.
Grotesco

Muitos jornais sobrevivem do sensacionalismo, principalmente da exploração e banalização da violência.
O JH Primeira Edição (capa reproduzida acima) presenteou os admiradores do mundo-cão com a foto de capa de um homem todo costurado, após ter levado sete facadas.
Danilo Angrimani, autor de "Espreme que sai sangue", um dos mais conhecidos estudos do sensacionalismo na imprensa brasileira, explica que "o jornalismo sensacionalista extrai do fato, da notícia, a sua carga emotiva e apelativa e a enaltece", como estratégia para seduzir o público.
Muniz Sodré fala em uma "estética do grotesco" como aspecto preponderante em jornais e programas sensacionalistas. Ele também utiliza a expressão “estética do sangue” para caracterizar esse tipo de jornalismo.
Marcondes Filho afirma que a imprensa sensacionalista "não se presta a informar, muito menos a formar."
Cito novamente Danilo Angrimani, que diz que "sensacionalismo e credibilidade se repelem, são incompatíveis."
O jornal sensacionalista sabe que o leitor gosta do fait divers (notícia "curiosa", numa tradução livre) e o transforma em manchete de capa, como fez o JH Primeira Edição.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A Veja que ninguém vai ver
Oposição 'Justo Veríssimo'
A oposição não sabe mais o que fazer pra derrubar o presidente Lula.
Por mais que "demos" e tucanos tentem, eles não conseguem abalar a popularidade do homem, que segundo a mais recente pesquisa CNT/Sensus, passa dos 60%.
Derrubaram a CPMF no final do ano passado pra ver se o governo federal ficava com as calças na mão, sem "dinda" pra continuar os programas sociais e pra investir em novas ações.
Avaliaram que seria fácil ganhar a parada das eleições municipais deste ano, porque um governo sem dinheiro em ano eleitoral é um governo fraco.
Ainda falta muito tempo pras eleições e, até lá, tudo pode acontecer. Mas o tiro da oposião parece ter sido furado.
Primeiro porque o governo, apesar da perda da CPMF, não cortou as verbas dos programas sociais.
E além de manter os programas atuais, o governo começa a executar outras ações na área social para favorecer a parcela mais carente da população.
Foi o que aconteceu hoje, em Brasília, quando o governo lançou o progama "Territórios da Cidadania".
O programa compreende 135 ações de 19 ministérios e vai contemplar as regiões do país com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Aproximadamente mil municípios devem ser beneficiados.
Apenas em 2008, serão destinados R$ 11,3 bilhões para os municípios selecionados.
Os municípios foram agrupados em cerca de 60 territórios. Em 2009, o programa vai alcançar 120 territórios em todo o país, segundo o governo federal.
Mais de 2 milhões de famílias de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas, famílias de pescadores e comunidades tradicionais terão acesso às ações neste ano. Isso somente no meio rural.
No total, a previsão do programa é beneficiar 24 milhões de pessoas envolvidas.
O objetivo do programa é eliminar os bolsões de pobreza e reduzir das desigualdades sociais.
A oposição ficou doida quando o programa foi lançado. O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do Democratas (DEM), disse que o programa é puro "assistencialismo".
O senador José Agripino Maia (RN), coincidentemente do mesmo partido de Rodrigo Maia, disse que não esperava que o governo, mesmo perdendo a CPMF, ainda tivesse tanto dinheiro pra investir nos mais pobres.
"O governo não disse que estava quebrado sem a CPMF ? Como lança, então, esse programa agora?", perguntou assustado Agripino Maia.
O medo deles é que o programa dê certo e beneficie os candidatos a prefeito apoiados pelo preidente Lula.
E até mandaram um recado: vão recorrer à Justiça Eleitoral e questionar o programa, que eles chamam de "eleitoreiro".
Por trás desse papo furado, está o pavor que "demos" e tucanos têm do povo. Como diria Justo Veríssimo, personagem antológico criado por Chico Anysio, eles querem que o povo se exploda.
No início, eles também tentaram boicotar o Bolsa Família, dizendo que o programa era "assitencialista", que era uma "bolsa esmola" e blá blá blá...
Quebraram a cara antes e vão quebrar novamente.
Por mais que "demos" e tucanos tentem, eles não conseguem abalar a popularidade do homem, que segundo a mais recente pesquisa CNT/Sensus, passa dos 60%.
Derrubaram a CPMF no final do ano passado pra ver se o governo federal ficava com as calças na mão, sem "dinda" pra continuar os programas sociais e pra investir em novas ações.
Avaliaram que seria fácil ganhar a parada das eleições municipais deste ano, porque um governo sem dinheiro em ano eleitoral é um governo fraco.
Ainda falta muito tempo pras eleições e, até lá, tudo pode acontecer. Mas o tiro da oposião parece ter sido furado.
Primeiro porque o governo, apesar da perda da CPMF, não cortou as verbas dos programas sociais.
E além de manter os programas atuais, o governo começa a executar outras ações na área social para favorecer a parcela mais carente da população.
Foi o que aconteceu hoje, em Brasília, quando o governo lançou o progama "Territórios da Cidadania".
O programa compreende 135 ações de 19 ministérios e vai contemplar as regiões do país com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Aproximadamente mil municípios devem ser beneficiados.
Apenas em 2008, serão destinados R$ 11,3 bilhões para os municípios selecionados.
Os municípios foram agrupados em cerca de 60 territórios. Em 2009, o programa vai alcançar 120 territórios em todo o país, segundo o governo federal.
Mais de 2 milhões de famílias de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas, famílias de pescadores e comunidades tradicionais terão acesso às ações neste ano. Isso somente no meio rural.
No total, a previsão do programa é beneficiar 24 milhões de pessoas envolvidas.
O objetivo do programa é eliminar os bolsões de pobreza e reduzir das desigualdades sociais.
A oposição ficou doida quando o programa foi lançado. O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do Democratas (DEM), disse que o programa é puro "assistencialismo".
O senador José Agripino Maia (RN), coincidentemente do mesmo partido de Rodrigo Maia, disse que não esperava que o governo, mesmo perdendo a CPMF, ainda tivesse tanto dinheiro pra investir nos mais pobres.
"O governo não disse que estava quebrado sem a CPMF ? Como lança, então, esse programa agora?", perguntou assustado Agripino Maia.
O medo deles é que o programa dê certo e beneficie os candidatos a prefeito apoiados pelo preidente Lula.
E até mandaram um recado: vão recorrer à Justiça Eleitoral e questionar o programa, que eles chamam de "eleitoreiro".
Por trás desse papo furado, está o pavor que "demos" e tucanos têm do povo. Como diria Justo Veríssimo, personagem antológico criado por Chico Anysio, eles querem que o povo se exploda.
No início, eles também tentaram boicotar o Bolsa Família, dizendo que o programa era "assitencialista", que era uma "bolsa esmola" e blá blá blá...
Quebraram a cara antes e vão quebrar novamente.
Pergunte aos universitários
O novo (?) "Aqui Agora", que voltará ao SBT em março, vai contar com uma platéia de universitários.
O papel deles será de debater sobre carreira e comportamento.
Mais um ingrediente trash deste que foi o telejornal mais sensacionalista da década de 1990 na televisão brasileira.
Parece até que estou vendo (quer dizer, imaginando, porque não vou assistir a volta dessa porcaria de jeito nenhum), a platéia cheinha de pingüins de universidades particulares. Após uma matéria, a câmera focaliza a turminha e o apresentador pergunta: "O que vocês têm a dizer sobre esse assunto?". E eles: "Hein, como assim?!".
Ai, Jesus, isso não vai dar certo.
O papel deles será de debater sobre carreira e comportamento.
Mais um ingrediente trash deste que foi o telejornal mais sensacionalista da década de 1990 na televisão brasileira.
Parece até que estou vendo (quer dizer, imaginando, porque não vou assistir a volta dessa porcaria de jeito nenhum), a platéia cheinha de pingüins de universidades particulares. Após uma matéria, a câmera focaliza a turminha e o apresentador pergunta: "O que vocês têm a dizer sobre esse assunto?". E eles: "Hein, como assim?!".
Ai, Jesus, isso não vai dar certo.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Iguais, pero no mucho


As capas da Veja e da Carta Capital desta semana são quase iguais.
A foto é a mesma - a sombra do rosto do ex-presidente cubano Fidel Castro. A diferença é apenas o enfoque.
Veja comemora a renúncia de Fidel Castro com a manchete na capa: "Já vai tarde". Típico do estilo refratário e panfletário da revista.
Carta Capital se baseia nas análises de diversas personalidades para tentar imaginar como vai ficar "Cuba sem Fidel".
Muito bom o editorial de Mino Carta: "Fidel Castro e o golpe de 1964".
Carta Capital também entrevistou o historiador Tariq Ali, para quem os cubanos exilados em Miami são "fascistas".
Tariq Ali considera que a volta dos cubanos exilados para a ilha seria ruim, porque “todo o trabalho realizado desde 1959 seria destruído”.
"Muito Além do Cidadão Kane"
Documentário sobre a "história secreta" da Globo faz 15 anos
A Folha publica hoje entrevista com o professor britânico John Ellis, produtor do documentário "Muito Além do Cidadão Kane", que conta a verdadeira história da Rede Globo, as ligações políticas e a relação íntima com o governo militar da emissora fundada por Roberto Marinho.
O documentário foi transmitido pela primeira vez em 1993, no canal britânico Channel 4.
Há depoimentos de políticos como Leonel Brizola (1922-2004), Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) e do presidente Lula, então dirigente sindical. Também há depoimentos de artistas como Chico Buarque, que na época da ditadura militar era vetado na emissora.
O documentário completa 15 anos, mas nunca foi exibido em nenhuma emissora brasileira, porque a Globo não cedeu os direitos de exibição de suas imagens.
Isso não impediu, porém, que o documentário fosse exibido em eventos públicos no país. Hoje, o filme está disponível na internet para ser visto e armazenado.
Confira a entrevista na íntegra:
FOLHA - O que acha de o governo Lula tentar erguer uma TV pública?
ELLIS - Talvez seja tarde demais para a criação de uma TV pública. O que ela mostraria na maior parte do tempo? Há, claro, sempre espaço para uma melhora da informação pública na TV, tanto em notícias, em programas factuais, quanto nos assuntos presentes nas novelas, e como eles são abordados. A experiência no Reino Unido mostra que a TV pública deve ser separada do governo. Esse modelo de TV pública é possível no Brasil? Nenhum governo que eu conheço iria querer criar agora uma empresa de telecomunicações se não pudesse controlá-la diretamente. Especialmente agora, quando há muitas TVs espalhadas pelo mundo. O serviço público de TV na Europa foi iniciado em uma época em que a TV era uma novidade. Mesmo que a BBC seja separada do poder, quando a emissora foi realmente contra o governo em questões políticas específicas, o governo conseguiu reagir de maneira bem-sucedida contra essa oposição. O sucesso da TV pública independente no Reino Unido não foi propriamente na área da política. Entretanto foi bem-sucedida na educação pública, sobre temas locais importantes, na participação social, na proteção do consumidor e até em melhorar o padrão geral dos programas no país.
FOLHA - O sr. acha que o documentário "Muito Além do Cidadão Kane" ainda é atual?
ELLIS - Ele descreve uma situação que evoluiu, mas não sei bem qual é a profundidade dessas mudanças. O filme é bem-sucedido também, com a ajuda de muitos arquivos que permitem fazer essa oposição, em contar a história do crescimento da dominação da Globo na mídia brasileira. Essa é uma história importante e deveria ser conhecida pelo menos por todos que estão estudando a mídia nas universidades e qualquer pessoa que estiver interessada na história política do Brasil.
FOLHA - Há quem diga que o Channel 4 encomendou seu documentário para atacar a Globo, que ameaçava entrar no mercado europeu de TV. Isso é verdade?
ELLIS - Definitivamente não. O objetivo do programa era justamente entender a TV no Brasil. No passado, o Channel 4 exibiu pelo menos uma novela da Globo ("Escrava Isaura"), mas a produção não foi um grande sucesso. Há uma enorme diferença entre a cultura das TVs do norte e do sul da Europa. A Globo teria mais chances em mercados como Espanha, Itália, Grécia ou, especialmente, Portugal, mas não no Reino Unido. A competição no Reino Unido vem das empresas norte-americanas e das empresas de Rupert Murdoch (News International, BSkyB e o conglomerado da Fox).
FOLHA - O filme foi proibido?
ELLIS - Isso não é verdade. A Large Door concedeu o direito de exibir o programa em eventos e em público a diversas organizações no Brasil. Não poderia ser transmitido pela televisão porque muitas imagens pertencem à TV Globo. Fiquei sabendo que o vídeo foi mostrado em muitos eventos públicos no Brasil. Ele foi feito por meio da lei britânica de direitos autorais, que permite o uso de trabalhos escritos e, por extensão, audiovisuais, desde que "com o propósito de fazer comentários e revisões críticas" [sobre aquela obra]. O documentário foi finalizado por Simon em março de 1992. Ele entrou em coma no início de junho daquele ano e morreu em 17 de agosto sem ter recobrado a consciência. Eu supervisionei a revisão do programa e a inclusão de uma entrevista para atualizar o filme, que foi ao ar em maio de 1993. No Brasil, talvez você possa considerar que o filme é proibido, já que a recusa da Globo em ceder os direitos de exibição de suas imagens significa que ele não pode ser transmitido por canais brasileiros.
FOLHA - O documentário é apontado por alguns como um produto manipulador, que usa uma falsa linearidade para induzir o público a acatar sua posição.
ELLIS - Toda representação "manipula" o público. O filme tem uma narração linear exatamente porque quer mostrar o crescimento do poder da mídia durante um período difícil da história moderna do Brasil. Ele foi feito para uma audiência no Reino Unido que não sabia nada sobre a história do Brasil, não se esqueça! Deveria haver outras narrativas sobre essa história também.
FOLHA - Nos últimos anos, o Brasil viu se intensificar uma guerra entre a Record e a Globo. O sr. tem acompanhado?
ELLIS - Não tenho acompanhado de perto esse essa história. Mas sei que duas empresas estavam interessadas em comprar os direitos de "Muito Além do Cidadão Kane" no Brasil quando ele foi mostrado pela primeira vez no Reino Unido. Uma era a própria Globo.Eles perderam o interesse quando disse a eles que poderiam comprar os direitos de TV, mas não as licenças para exibição em público e a distribuição de VHS, já que esses direitos já haviam sido concedidos a outras organizações no Brasil.A outra empresa era a TV Record. A igreja [Universal do Reino de Deus] já tinha uma filial em Londres naquela época. Mas percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não comprá-lo.
A Folha publica hoje entrevista com o professor britânico John Ellis, produtor do documentário "Muito Além do Cidadão Kane", que conta a verdadeira história da Rede Globo, as ligações políticas e a relação íntima com o governo militar da emissora fundada por Roberto Marinho.
O documentário foi transmitido pela primeira vez em 1993, no canal britânico Channel 4.
Há depoimentos de políticos como Leonel Brizola (1922-2004), Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) e do presidente Lula, então dirigente sindical. Também há depoimentos de artistas como Chico Buarque, que na época da ditadura militar era vetado na emissora.
O documentário completa 15 anos, mas nunca foi exibido em nenhuma emissora brasileira, porque a Globo não cedeu os direitos de exibição de suas imagens.
Isso não impediu, porém, que o documentário fosse exibido em eventos públicos no país. Hoje, o filme está disponível na internet para ser visto e armazenado.
Confira a entrevista na íntegra:
FOLHA - O que acha de o governo Lula tentar erguer uma TV pública?
ELLIS - Talvez seja tarde demais para a criação de uma TV pública. O que ela mostraria na maior parte do tempo? Há, claro, sempre espaço para uma melhora da informação pública na TV, tanto em notícias, em programas factuais, quanto nos assuntos presentes nas novelas, e como eles são abordados. A experiência no Reino Unido mostra que a TV pública deve ser separada do governo. Esse modelo de TV pública é possível no Brasil? Nenhum governo que eu conheço iria querer criar agora uma empresa de telecomunicações se não pudesse controlá-la diretamente. Especialmente agora, quando há muitas TVs espalhadas pelo mundo. O serviço público de TV na Europa foi iniciado em uma época em que a TV era uma novidade. Mesmo que a BBC seja separada do poder, quando a emissora foi realmente contra o governo em questões políticas específicas, o governo conseguiu reagir de maneira bem-sucedida contra essa oposição. O sucesso da TV pública independente no Reino Unido não foi propriamente na área da política. Entretanto foi bem-sucedida na educação pública, sobre temas locais importantes, na participação social, na proteção do consumidor e até em melhorar o padrão geral dos programas no país.
FOLHA - O sr. acha que o documentário "Muito Além do Cidadão Kane" ainda é atual?
ELLIS - Ele descreve uma situação que evoluiu, mas não sei bem qual é a profundidade dessas mudanças. O filme é bem-sucedido também, com a ajuda de muitos arquivos que permitem fazer essa oposição, em contar a história do crescimento da dominação da Globo na mídia brasileira. Essa é uma história importante e deveria ser conhecida pelo menos por todos que estão estudando a mídia nas universidades e qualquer pessoa que estiver interessada na história política do Brasil.
FOLHA - Há quem diga que o Channel 4 encomendou seu documentário para atacar a Globo, que ameaçava entrar no mercado europeu de TV. Isso é verdade?
ELLIS - Definitivamente não. O objetivo do programa era justamente entender a TV no Brasil. No passado, o Channel 4 exibiu pelo menos uma novela da Globo ("Escrava Isaura"), mas a produção não foi um grande sucesso. Há uma enorme diferença entre a cultura das TVs do norte e do sul da Europa. A Globo teria mais chances em mercados como Espanha, Itália, Grécia ou, especialmente, Portugal, mas não no Reino Unido. A competição no Reino Unido vem das empresas norte-americanas e das empresas de Rupert Murdoch (News International, BSkyB e o conglomerado da Fox).
FOLHA - O filme foi proibido?
ELLIS - Isso não é verdade. A Large Door concedeu o direito de exibir o programa em eventos e em público a diversas organizações no Brasil. Não poderia ser transmitido pela televisão porque muitas imagens pertencem à TV Globo. Fiquei sabendo que o vídeo foi mostrado em muitos eventos públicos no Brasil. Ele foi feito por meio da lei britânica de direitos autorais, que permite o uso de trabalhos escritos e, por extensão, audiovisuais, desde que "com o propósito de fazer comentários e revisões críticas" [sobre aquela obra]. O documentário foi finalizado por Simon em março de 1992. Ele entrou em coma no início de junho daquele ano e morreu em 17 de agosto sem ter recobrado a consciência. Eu supervisionei a revisão do programa e a inclusão de uma entrevista para atualizar o filme, que foi ao ar em maio de 1993. No Brasil, talvez você possa considerar que o filme é proibido, já que a recusa da Globo em ceder os direitos de exibição de suas imagens significa que ele não pode ser transmitido por canais brasileiros.
FOLHA - O documentário é apontado por alguns como um produto manipulador, que usa uma falsa linearidade para induzir o público a acatar sua posição.
ELLIS - Toda representação "manipula" o público. O filme tem uma narração linear exatamente porque quer mostrar o crescimento do poder da mídia durante um período difícil da história moderna do Brasil. Ele foi feito para uma audiência no Reino Unido que não sabia nada sobre a história do Brasil, não se esqueça! Deveria haver outras narrativas sobre essa história também.
FOLHA - Nos últimos anos, o Brasil viu se intensificar uma guerra entre a Record e a Globo. O sr. tem acompanhado?
ELLIS - Não tenho acompanhado de perto esse essa história. Mas sei que duas empresas estavam interessadas em comprar os direitos de "Muito Além do Cidadão Kane" no Brasil quando ele foi mostrado pela primeira vez no Reino Unido. Uma era a própria Globo.Eles perderam o interesse quando disse a eles que poderiam comprar os direitos de TV, mas não as licenças para exibição em público e a distribuição de VHS, já que esses direitos já haviam sido concedidos a outras organizações no Brasil.A outra empresa era a TV Record. A igreja [Universal do Reino de Deus] já tinha uma filial em Londres naquela época. Mas percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não comprá-lo.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Onde está o dinheiro?
Filme não sai e ator/diretor terá que devolver o dinheiro público
Em 1995, o ator e diretor Guilherme Fontes e sua sócia, Yolanda Coeli, captaram recursos públicos para produzir o filme "Chatô, O Rei do Brasil".
Acontece que até hoje, 13 anos depois, o filme não foi concluído.
Agora, Guilherme e Yolanda terão de devolver mais de R$ 36,5 milhões aos cofres públicos, por determinação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo o Último Segundo do IG, o parecer da CGU deverá ser enviado nos próximos dias ao Ministério da Cultura, que em seguida o encaminhará ao Tribunal de Contas da União.
Essa história se parece com aquela música que a Gal Costa cantava:
Onde está o dinheiro?
O gato comeu, o gato comeu
E ninguém viu
O gato fugiu, o gato fugiu...
Em 1995, o ator e diretor Guilherme Fontes e sua sócia, Yolanda Coeli, captaram recursos públicos para produzir o filme "Chatô, O Rei do Brasil".
Acontece que até hoje, 13 anos depois, o filme não foi concluído.
Agora, Guilherme e Yolanda terão de devolver mais de R$ 36,5 milhões aos cofres públicos, por determinação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo o Último Segundo do IG, o parecer da CGU deverá ser enviado nos próximos dias ao Ministério da Cultura, que em seguida o encaminhará ao Tribunal de Contas da União.
Essa história se parece com aquela música que a Gal Costa cantava:
Onde está o dinheiro?
O gato comeu, o gato comeu
E ninguém viu
O gato fugiu, o gato fugiu...
O papel de Fidel Castro na História
Em artigo publicado no blog do ex-deputado Zé Dirceu, Renato Rovai, editor da Revista Fórum, afirma que o papel reservado para Fidel Castro na história "não é o papel de algoz", mas do "governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba".
Mas Rovai também disse que "é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível" e criticou a falta de liberdade de imprensa em Cuba.
Leia a íntegra do artigo:
Fidel não merece tornar-se uma caricatura
Neste momento em que Fidel Castro passa o bastão do poder em Cuba, ressurge o debate a respeito de seu papel histórico nos últimos 50 anos. E retoma-se de forma torta a polêmica sobre os limites do regime do país. Esse texto aborda aspectos polêmicos, mas não poderia ser diferente. Poucas coisas são menos polêmicas do que Cuba e Fidel.
A denominação de ditador para o líder cubano é imprópria. Sua perpetuação no poder em Cuba foi mais obra do saco de maldades dos sucessivos governos estadunidenses e da CIA do que de uma ambição pessoal. Além disso, Fidel não subjugou o povo do seu país para garantir que as riquezas deste (aliás, poucas) fossem usufruídas por uma elite local com conexões com a máfia da exploração internacional.
Em qualquer modelo eleitoral com algum nível de justiça, Fidel se elegeria e reelegeria quantas vezes fosse candidato em Cuba. Aliás, seu prestígio, liderança e capacidade política são tamanhos que, em muitos momentos da história recente, se saísse candidato em outros países do Continente teria se elegido em muitos deles. Fidel nunca foi impopular em Cuba. E nem em nível internacional. Por isso sempre incomodou tanto o império estadunidense.
Isso garante a Cuba a condição de país democrático? Não. E não me parece inteligente fazer o debate a respeito das liberdades de Cuba a partir da relativização com outros modelos. Até porque não lutamos e não enfrentamos o debate político por um novo modelo colocando como nossa utopia o projeto da suposta democracia representativa dos EUA, fundamentada no poder econômico.
Mas também é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível. Cuba não tem liberdade de imprensa. Seus intelectuais sofrem censura, e a quase totalidade do povo é impedida de utilizar espaços destinados à visitação de turistas. Nada disso é invenção do imperialismo ianque. Também é verdade que o Estado assumiu um papel tão centralizador que beira o autoritarismo no que diz respeito à necessária diversidade nas relações humanas.
Fidel é o responsável por isso? Muito mais não do que sim. Mas isso não quer dizer que não tenha cometido graves erros. Por exemplo, do alto da minha ingenuidade, não aceito qualquer justificativa às execuções. Impossível para minha ingenuidade compactuar com o flerte à pena de morte, seja ela com inspiração de direita ou esquerda.
Mas não é o papel de algoz que está reservado para Fidel na história da humanidade. E ele já cravou seu nome nesse espaço de poucos. É do líder guerreiro e carismático. Do homem que enfrentou um dos impérios mais cruéis da história com poucas armas e muita inteligência e perspicácia. Do articulador político e sábio. Do governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba. Do guerreiro inflexível.
Até por isso, é um desfavor à história querer tratar Fidel como uma caricatura. Tanto para incensá-lo como para condená-lo. Tratá-lo como um líder de um projeto ambicioso que precisa de reflexões e ajustes parece mais adequado. E instigante. Cuba e Fidel merecem mais do que ataques e elogios exagerados.
Mas Rovai também disse que "é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível" e criticou a falta de liberdade de imprensa em Cuba.
Leia a íntegra do artigo:
Fidel não merece tornar-se uma caricatura
Neste momento em que Fidel Castro passa o bastão do poder em Cuba, ressurge o debate a respeito de seu papel histórico nos últimos 50 anos. E retoma-se de forma torta a polêmica sobre os limites do regime do país. Esse texto aborda aspectos polêmicos, mas não poderia ser diferente. Poucas coisas são menos polêmicas do que Cuba e Fidel.
A denominação de ditador para o líder cubano é imprópria. Sua perpetuação no poder em Cuba foi mais obra do saco de maldades dos sucessivos governos estadunidenses e da CIA do que de uma ambição pessoal. Além disso, Fidel não subjugou o povo do seu país para garantir que as riquezas deste (aliás, poucas) fossem usufruídas por uma elite local com conexões com a máfia da exploração internacional.
Em qualquer modelo eleitoral com algum nível de justiça, Fidel se elegeria e reelegeria quantas vezes fosse candidato em Cuba. Aliás, seu prestígio, liderança e capacidade política são tamanhos que, em muitos momentos da história recente, se saísse candidato em outros países do Continente teria se elegido em muitos deles. Fidel nunca foi impopular em Cuba. E nem em nível internacional. Por isso sempre incomodou tanto o império estadunidense.
Isso garante a Cuba a condição de país democrático? Não. E não me parece inteligente fazer o debate a respeito das liberdades de Cuba a partir da relativização com outros modelos. Até porque não lutamos e não enfrentamos o debate político por um novo modelo colocando como nossa utopia o projeto da suposta democracia representativa dos EUA, fundamentada no poder econômico.
Mas também é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível. Cuba não tem liberdade de imprensa. Seus intelectuais sofrem censura, e a quase totalidade do povo é impedida de utilizar espaços destinados à visitação de turistas. Nada disso é invenção do imperialismo ianque. Também é verdade que o Estado assumiu um papel tão centralizador que beira o autoritarismo no que diz respeito à necessária diversidade nas relações humanas.
Fidel é o responsável por isso? Muito mais não do que sim. Mas isso não quer dizer que não tenha cometido graves erros. Por exemplo, do alto da minha ingenuidade, não aceito qualquer justificativa às execuções. Impossível para minha ingenuidade compactuar com o flerte à pena de morte, seja ela com inspiração de direita ou esquerda.
Mas não é o papel de algoz que está reservado para Fidel na história da humanidade. E ele já cravou seu nome nesse espaço de poucos. É do líder guerreiro e carismático. Do homem que enfrentou um dos impérios mais cruéis da história com poucas armas e muita inteligência e perspicácia. Do articulador político e sábio. Do governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba. Do guerreiro inflexível.
Até por isso, é um desfavor à história querer tratar Fidel como uma caricatura. Tanto para incensá-lo como para condená-lo. Tratá-lo como um líder de um projeto ambicioso que precisa de reflexões e ajustes parece mais adequado. E instigante. Cuba e Fidel merecem mais do que ataques e elogios exagerados.
Surtou Geral
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), deve ter surtado de vez. Não é à toa que ele é apelidado de "Menino Maluquinho".
Em seu Ex-Blog, ele disse que a manipulação do Jornal Nacional da TV Globo na edição do debate final entre Collor e Lula, no segundo turno das eleições de 1989, não aconteceu.
O prefeito saiu em defesa da Rede Globo e disse que o governo Lula do PT deseja controlar a emissora da família Marinho:
"A TV Globo tem sido para a esquerda tradicional, brasileira, sempre, uma espécie de pedra no caminho de seu projeto autoritário. O PT no governo tem feito o que pode para reduzir a força e participação da TVG na audiência. Tem feito o que pode para controlá-la."
Tudo o que tenho a dizer é que César Maia se faz de doido pra passar melhor.
Em seu Ex-Blog, ele disse que a manipulação do Jornal Nacional da TV Globo na edição do debate final entre Collor e Lula, no segundo turno das eleições de 1989, não aconteceu.
O prefeito saiu em defesa da Rede Globo e disse que o governo Lula do PT deseja controlar a emissora da família Marinho:
"A TV Globo tem sido para a esquerda tradicional, brasileira, sempre, uma espécie de pedra no caminho de seu projeto autoritário. O PT no governo tem feito o que pode para reduzir a força e participação da TVG na audiência. Tem feito o que pode para controlá-la."
Tudo o que tenho a dizer é que César Maia se faz de doido pra passar melhor.
"Hora Alegre"
A filosofia de Zeca Pagodinho
Sabe aquele comercial da cerveja Brahma que traduziu a "happy hour" como "hora alegre"?
Em entrevista à Folha de São Paulo, o polêmico Zeca Pagodinho, que estreou o comercial, disse que avisou "pros caras" [da agência de publicidade? da Brahma?] que a tradução poderia gerar problemas com os homossexuais.
E gerou mesmo. Segundo a Folha, os gays não gostaram da utilização dessa expressão no comercial. "Alegre" é uma palavra há muito tempo associada aos gays. Pura bobagem.
Zeca Pagodinho fez questão de deixar claro que não quis ofender ninguém no comercial e que sua "relação" com os homossexuais é do tipo "cada um na sua".
E resumiu assim o que pensa do assunto: "Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida".
Sabe aquele comercial da cerveja Brahma que traduziu a "happy hour" como "hora alegre"?
Em entrevista à Folha de São Paulo, o polêmico Zeca Pagodinho, que estreou o comercial, disse que avisou "pros caras" [da agência de publicidade? da Brahma?] que a tradução poderia gerar problemas com os homossexuais.
E gerou mesmo. Segundo a Folha, os gays não gostaram da utilização dessa expressão no comercial. "Alegre" é uma palavra há muito tempo associada aos gays. Pura bobagem.
Zeca Pagodinho fez questão de deixar claro que não quis ofender ninguém no comercial e que sua "relação" com os homossexuais é do tipo "cada um na sua".
E resumiu assim o que pensa do assunto: "Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida".
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
A Ilha sem Fidel
Fidel Castro renunciou à Presidência de Cuba e a direita do mundo inteiro comemorou o "fracasso" do socialismo.
"O capitalismo venceu", proclamaram os porta-vozes do sistema.
"Morreu um sonho romântico", decretou o cineasta de quinta.
Bush e os cubanos de Miami comemoraram.
O presidente americano disse que Cuba precisa fazer a "transição democrática" e condenou os "abusos contra os direitos humanos praticados pelo regime cubano".
Os EUA são experts em democracia e direitos humanos. A prisão de Guantánamo é a maior prova disso. As invasões do Afeganistão e do Iraque idem.
A mídia omite o embargo econômico americano contra Cuba, que dura mais de quatro décadas e condena o povo cubano a racionar até mesmo alimentos. Essa política de genocídio viola o Direito Internacional e contraria várias resoluções da ONU.
Mas o povo cubano, heróico, ainda resiste, sem abrir mão da sua soberania. E continuará resistindo, mesmo sem Fidel na Presidência.
Para calar a boca dos críticos, cito um trecho do livro "A Ilha", do jornalista Fernando Morais, que conta que na capital Havana, há um imenso outdoor na saída do aeroporto com a seguinte frase:
"Hoje, 50 milhões de crianças no mundo inteiro não têm onde dormir. Nenhuma delas é cubana."
"O capitalismo venceu", proclamaram os porta-vozes do sistema.
"Morreu um sonho romântico", decretou o cineasta de quinta.
Bush e os cubanos de Miami comemoraram.
O presidente americano disse que Cuba precisa fazer a "transição democrática" e condenou os "abusos contra os direitos humanos praticados pelo regime cubano".
Os EUA são experts em democracia e direitos humanos. A prisão de Guantánamo é a maior prova disso. As invasões do Afeganistão e do Iraque idem.
A mídia omite o embargo econômico americano contra Cuba, que dura mais de quatro décadas e condena o povo cubano a racionar até mesmo alimentos. Essa política de genocídio viola o Direito Internacional e contraria várias resoluções da ONU.
Mas o povo cubano, heróico, ainda resiste, sem abrir mão da sua soberania. E continuará resistindo, mesmo sem Fidel na Presidência.
Para calar a boca dos críticos, cito um trecho do livro "A Ilha", do jornalista Fernando Morais, que conta que na capital Havana, há um imenso outdoor na saída do aeroporto com a seguinte frase:
"Hoje, 50 milhões de crianças no mundo inteiro não têm onde dormir. Nenhuma delas é cubana."
Queridos Amigos
Peço desculpas pelo atraso nas postagens, mas é que minha net tá uma droga. Quando faz sol, ela não funciona; quando faz chuva, também não.
Estou mandando sinais de fumaça pra Tupã, pra ver se ele sei lá de onde dá uma jeitinho.
Mas, aproveitando o breve instante em que consigo me conectar daqui de casa, queria falar um pouquinho sobre a minissérie "Queridos Amigos", da autora Maria Adelaide Amaral, direção de Denise Saraceni, que a Globo começou a exibir segunda-feira.
A história é adaptada do livro "Aos Meus Amigos", da mesma autora. É uma história sobre velhos amigos que, após alguns anos distantes, se reencontram em novembro de 1989 para recordar a juventude.
É Léo (Dan Stulbach) quem reúne a turma num almoço. Ele descobre que está com uma doença grave e decide viver seus últimos dias ao lado dos amigos.
É um reencontro permeado de sentimentos exacerbados, afinal de contas, reviver o passado, mesmo que apenas pelas lembranças, é sempre um exercício difícil. Mexer no baú do tempo é muito arriscado.
Mas eles haviam lutado contra a ditadura militar. Alguns foram presos e torturados; outros foram exilados. Encarar esse passado poderia doer, mas talvez valesse à pena. Ao menos para se lembrarem a razão pela qual lutavam.
Na verdade, eu acho que a história não é sobre amizade, mas sobre o tempo. Pra mim, o tempo é o personagem principal.
O tempo que junta e separa os amigos. O tempo que liberta e oprime. O tempo que faz rir e prantear. O tempo que traz a esperança e a desolação. O tempo que é presença e ausência. O tempo que é saudade - essa estranha companheira fugudia das tardes vazias.
Eu gosto desse clima de nostalgia, quando parece que é sempre outono.
E gosto de pensar que meus amigos, mesmo dispersos, estão por aí por perto.
Estou mandando sinais de fumaça pra Tupã, pra ver se ele sei lá de onde dá uma jeitinho.
Mas, aproveitando o breve instante em que consigo me conectar daqui de casa, queria falar um pouquinho sobre a minissérie "Queridos Amigos", da autora Maria Adelaide Amaral, direção de Denise Saraceni, que a Globo começou a exibir segunda-feira.
A história é adaptada do livro "Aos Meus Amigos", da mesma autora. É uma história sobre velhos amigos que, após alguns anos distantes, se reencontram em novembro de 1989 para recordar a juventude.
É Léo (Dan Stulbach) quem reúne a turma num almoço. Ele descobre que está com uma doença grave e decide viver seus últimos dias ao lado dos amigos.
É um reencontro permeado de sentimentos exacerbados, afinal de contas, reviver o passado, mesmo que apenas pelas lembranças, é sempre um exercício difícil. Mexer no baú do tempo é muito arriscado.
Mas eles haviam lutado contra a ditadura militar. Alguns foram presos e torturados; outros foram exilados. Encarar esse passado poderia doer, mas talvez valesse à pena. Ao menos para se lembrarem a razão pela qual lutavam.
Na verdade, eu acho que a história não é sobre amizade, mas sobre o tempo. Pra mim, o tempo é o personagem principal.
O tempo que junta e separa os amigos. O tempo que liberta e oprime. O tempo que faz rir e prantear. O tempo que traz a esperança e a desolação. O tempo que é presença e ausência. O tempo que é saudade - essa estranha companheira fugudia das tardes vazias.
Eu gosto desse clima de nostalgia, quando parece que é sempre outono.
E gosto de pensar que meus amigos, mesmo dispersos, estão por aí por perto.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Mundo-cão
O 'Diário de Natal' e o 'JH Primeira Edição' deram hoje uma aula de sensacionalismo.
Os dois jornais da capital sairam com manchetes praticamente iguais, no melhor estilo "espreme que sai sangue".
"Preso degola inimigo em Alcaçuz", estampou o JH Primeira Edição na capa, em letras garrafais.
O DN foi ainda mais "criativo": "Preso degola colega e põe cabeça na marca do pênalti".
Abaixo da manchete do DN, uma foto mostra o jogador Bosco do ABC chutando a bola durante um treino.
A leitura da manchete com toques esportivos ("cabeça na marca do pênalti") leva, instantaneamente, à associação com a foto.
Truque pra lá de sensacionalista. Esse tipo de jornalismo não conhece limites e faz de tudo pra atrair o leitor, usando e abusando da espetacularização da violência.
Quando era estagiário num jornal de Parnamirim, discordei do editor por ter colocado uma foto, em cores, de um homem que tinha sido castrado por uma suposta bruxa, que utilizaria o "material" pra fazer magia negra.
O povão gosta disso, porque esse tipo de notícia desperta uma curiosidade mórbida e mobiliza emoções contraditórias, mexendo com a imaginação das pessoas.
Os dois jornais da capital sairam com manchetes praticamente iguais, no melhor estilo "espreme que sai sangue".
"Preso degola inimigo em Alcaçuz", estampou o JH Primeira Edição na capa, em letras garrafais.
O DN foi ainda mais "criativo": "Preso degola colega e põe cabeça na marca do pênalti".
Abaixo da manchete do DN, uma foto mostra o jogador Bosco do ABC chutando a bola durante um treino.
A leitura da manchete com toques esportivos ("cabeça na marca do pênalti") leva, instantaneamente, à associação com a foto.
Truque pra lá de sensacionalista. Esse tipo de jornalismo não conhece limites e faz de tudo pra atrair o leitor, usando e abusando da espetacularização da violência.
Quando era estagiário num jornal de Parnamirim, discordei do editor por ter colocado uma foto, em cores, de um homem que tinha sido castrado por uma suposta bruxa, que utilizaria o "material" pra fazer magia negra.
O povão gosta disso, porque esse tipo de notícia desperta uma curiosidade mórbida e mobiliza emoções contraditórias, mexendo com a imaginação das pessoas.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Receita de Viver
Leio muito devagar. Queria ler mais rápido, mas muitas coisas me distraem e me afastam da leitura. O resultado é um acumulado de livros inacabos.
No momento, estou lendo as "Entrevistas" de Clarice Lispector. É uma coletânea com 42 entrevistas da autora de "A hora da estrela" com personalidades da literatura, da música, das artes cênicas, das artes plásticas e dos esportes.
Em outra postagem, citei um trecho curtíssimo da entrevista com Nelson Rodrigues, quando ele diz que "a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal".
Hoje eu li a entrevista com o médico e teatrólogo Pedro Bloch.
Selecionei um trecho marcante para mim:
Clarice: Como você é de verdade?
Pedro: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer... me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo.
No momento, estou lendo as "Entrevistas" de Clarice Lispector. É uma coletânea com 42 entrevistas da autora de "A hora da estrela" com personalidades da literatura, da música, das artes cênicas, das artes plásticas e dos esportes.
Em outra postagem, citei um trecho curtíssimo da entrevista com Nelson Rodrigues, quando ele diz que "a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal".
Hoje eu li a entrevista com o médico e teatrólogo Pedro Bloch.
Selecionei um trecho marcante para mim:
Clarice: Como você é de verdade?
Pedro: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer... me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo.
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