segunda-feira, 23 de junho de 2008

Território Livre?

A praça que fica em frente ao CEI - o colégio dos filhos da elite da elite da elite natalense - é atualmente o reduto dos adolescentes gays e lésbicas de Natal.

Na sexta-feira passada, dia 20, fui ao local fazer umas entrevistas para um documentário que vai se chamar "A praça é nossa" e vai mostrar como essa turma se apropriou daquele espaço e o transformou num território próprio.

É comum ver casais de meninas e meninos dando os maiores amassos em público sem nenhum constrangimento. Na verdade, não há motivos para constrangimentos, porque todos os que frequentam a praça ou são alternativos ou têm a mente aberta.

Entrevistei algumas meninas e meninos. Fiz a mesma pergunta a todos, se eles se sentiam seguros ali, longe do olhar repressor das outras pessoas. As respostas também foram as mesmas. Eles disseram que aquele é um território onde podem "fazer o querem" sem medo de serem discriminados.

O problema é que a maioria dos frequentadores da praça é formada por adolescentes. Todos os meus entrevistados eram adolescentes e todos disseram que estavam ali sem o conhecimento dos pais. Além dos amassos, rola muita bebida, cigarros e drogas ilícitas.

Também vi crianças de 7, 8, 9 anos sendo aliciadas.

Há conflitos com os moradores do bairro, principalmente das casas na rua da praça, que se incomodam com a presença desse pessoal por lá. Eles reclamam que os jovens perturbam a ordem do bairro e têm um comportamento inconveniente.

Na quadra de futsal, alguns rapazes batem bola sem se importar com aquela galera meio diferente que circula pela praça.

Enquanto fazia algumas imagens, um rapaz perguntou do que se tratava. Expliquei que era um trabalho acadêmico. Desconfiado, ele sugeriu um título: "Olha como eles vivem!". Agradeci a sugestão e disse que o documentário já tinha nome.

Não sou a favor de repressão nem sou um hipócrita que não quer enxergar a realidade das coisas. Essa geração de adolescentes e jovens pós-modernos experimentam coisas novas cada vez mais cedo. A descoberta da sexualidade está acontecendo muito prematuramente, em grande parte devido aos estímulos e apelos midiáticos, que sempre colocam em xeque os valores morais tradicionais.

Os jovens reclamam que são discriminados e que somente na praça se sentem à vontade para dar vazão aos seus sentimentos. Eles são cheios de certezas inabaláveis, dizem que sabem o que querem da vida e que são incompreendidos.

Talvez tudo não passe de um apanhado de clichês. Mas não sei o que pensar direito sobre isso. Num primeiro momento, eu os vejo como um bando de jovens inconsequentes e idiotizados que só querem chocar e chamar a atenção das pessoas. Depois, mais desarmado, eu os enxergo como sobreviventes desse grande teatro de vampiros, numa referência à música da Legião Urbana, que é a nossa sociedade.

E no mundo da fofolítica...

Eu até que tento, mas é irresistível. É como pecado. Por mais que a gente lute contra as concupiscências da carne, sempre damos umas escorregadinhas.

Não consigo não rir quando leio o blog de Thaisa Galvão. Aquela senhora escreve cada coisa pictórica que às vezes eu chego a acreditar que nem ela se leva a sério.

Thaisa está quase ficando biruta por causa da reforma do secretariado que a governadora disse que vai fazer, mas ainda não resolveu quando fará o anúncio.

A blogueira resolveu então exercitar ao máximo a arte de testar hipóteses: atira para todo lado tentando prever quem serão os novos secretários. Na cotação de Thaisa, tem neguinho que já sentou e levantou da cadeira de secretário várias vezes.

Desse jeito é fácil. Depois é só dizer: 'Eu não disse?'.

domingo, 22 de junho de 2008

Mais gozação sobre meus 30 anos

Meus 'amigos do peito' continuam tirando sarro com meus recém completados 30 anos. Numa conversa com um deles no msn, olha só o que o sacana me perguntou:

- Como foi de data que deixa bem emblemático q vc está mais proximo da morte?

E continuou:

- Afinal, chegar aos trinta e morrer pra sociedade da juventude é a mesma coisa.

Mas não parou por aí:

- Portanto morrer é mais poético... as pessoas só terão fotos com você com roupas descoladas... cara de futuro...

Eu ainda tente argumentar, dizendo qua aos 30 você começa a descobrir outros encantamentos. É quando Saturno completou a sua rotação e você decide começar a viver de verdade.

Meu amigo não deixou por menos:

- Saturno é muito escroto... decide dar vontade de viver justamente na época em que a vida começa a descer a ladeira.

Faz parte.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pintando na área

Tem sido muito difícil conseguir tempo para postar. Final de semestre na universidade, trabalhos atrasados, correria e mais correria. Precisaria que o dia tivesse mais algumas horas.

Para piorar, ontem fiz 30 anos. Estou entrando em crise existencial. Os amigos já estão me chamando de trintão. Para as meninas, agora sou o tio. Estou em franca decadência.

E um amigo ainda veio me sacanear: "Você é do tempo do mundo em preto e branco, né?".

Assim já é covardia, pô.

Mas fazer o quê? O jeito é levar na esportiva.

Então, amanhã tem jornada dupla de trabalho, roteiro pra fazer, vídeo pra filmar... Por isso ainda não vai dar pra comentar nada do que tá acontecendo por aí. Preciso dormir pelo menos sete horas hoje, se não não aguento o tranco.

Assim que as coisas se normalizarem, a gente recupera o tempo perdido.

Até.

domingo, 15 de junho de 2008

Quem é ela?

Roberta Sá cantando com Dudú Nobre na Roda de Samba, no Circo Voador-RJ.



Ele não merecia


O ABC jogou mal ontem e ficou no empate com o Criciúma (SC). É o segundo empate do Mais Querido no Frasqueirão.

A torcida tem razão de reclamar. É consenso que falta um matador no time e que Ferdinando Teixeira arma mal a equipe. Não sei o que se passa na cabeça dele para desperdiçar Rodriguinho. Além disso, Jean Carioca merece uma vaga de titular.

Mas, daí a se exceder nas críticas e partir para a agressão, não dá para aceitar. Foi o que fez um grupo de torcedores ontem, no final da partida. Os vândalos jogaram cerveja e laranja em Ferdinando Teixeira quando ele estava indo para o vestiário. Atitude deplorável.

Esse pessoal se esquece que foi Ferdinando Teixeira que tirou o ABC do sufoco ano passado e classificou o time para a Série B. É claro que a gente quer mais e sonha com a Série A. temos o direito de cobrar e reclamar, mas não temos o direito de perder a razão.

Enquanto isso, no blog da piada pronta...

Manchete do Blog de Thaisa Galvão:



"Convocado pelo PSDB, Geraldo Melo chega a Porto Alegre para tentar resolver crise política no RS".



É ou não é uma piada?!

sábado, 14 de junho de 2008

Não deixe o samba morrrer...



Homenagem do blog a Jamelão, o mais famoso intérprete de samba-enredo do Brasil, que faleceu neste sábado, aos 95 anos, no Rio de janeiro.

Partilha de propina teria ocorrido na residência oficial do governo

A partilha da propina

Da Folha de São Paulo:

"Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal na Operação Hígia, que prendeu ontem 13 pessoas no Rio Grande do Norte e na Paraíba, revelam uma suposta partilha de propina dentro da residência oficial da governadora Wilma de Faria (PSB-RN).

A PF, em seu relatório, não aponta indícios da participação da governadora.

Segundo a Folha apurou, policiais federais monitoraram um pagamento, em duas parcelas, feito por João Henrique Lins Bahia Neto, secretário-adjunto de Esportes do Rio Grande do Norte, a Lauro Maia, filho da governadora Wilma de Faria, ex-assessor do pai, o deputado estadual Lavoisier Maia (PSB), e do deputado federal Rogério Marinho (PSB-RN).

Em março, Bahia Neto viajou a João Pessoa, onde esteve na empresa Líder, acusada de integrar esquema que desviava recursos públicos. Segundo a investigação, Bahia Neto entrou e saiu da empresa com uma pasta debaixo do braço. Os policiais chegaram a parar o secretário-adjunto e questioná-lo sobre o dinheiro na pasta (supostamente recebido na empresa), mas ele foi liberado em seguida. No dia seguinte, já em Natal, ele conversa por telefone com Lauro Maia e diz que precisa entregar "algo" a ele.

O encontro aconteceu na residência oficial da governadora (Maia não mora com a mãe), onde o secretário Bahia Neto adentrou com a mesma pasta nas mãos. A suspeita é que a primeira parcela do pagamento, de R$ 35,9 mil, tenha ocorrido ali. A segunda, estimada no mesmo valor, foi paga em abril, mas, dessa vez, segundo a PF, o encontro entre os dois teria ocorrido na casa de Bahia Neto.

No relatório da PF, contudo, não há prova nem indício da participação de Wilma de Faria e do deputado estadual Lavoisier Maia no esquema, mas suspeita-se que um deputado estadual (que não teve o nome revelado) teria se reunido com um dos presos na operação para conversar sobre o esquema. A investigação continuará com base nos documentos e computadores apreendidos.

A PF também apreendeu veículos de luxo (15 carros e duas motos), como um Jaguar e uma moto Yamaha R1, além de R$ 260 mil em espécie. Do total, R$ 120 mil estavam escondidos numa parede falsa na empresa Prest-Service, em Natal."

Prisão do filho da governadora é destaque nacional


A imprensa nacional destacou a prisão do advogado Lauro Maia, filho da governadora do RN, Wilma de Faria (PSB), durante a "Operação Hígia" realizada ontem (sexta-feira 13) pela Polícia Federal. Além de Lauro, outras doze pessoas foram presas. O objetivo da operação era desarticular o suposto esquema criminoso que teria desviado R$ 36 milhões de contratos de prestação de serviços terceirizados na área de saúde.

A Folha de São Paulo deu o caso em manchete na capa. O Estadão e O Globo também destacaram a operação que levou à prisão de Lauro Maia.

Nos jornais locais, houve diferenças na ênfase dada ao caso. A Tribuna do Norte deu uma manchete sem sal, como se não quisesse se comprometer: "Lauro Maia e mais doze pessoas presas sob suspeitas de fraude".

O Diário de Natal foi mais incisivo e parece ter assumido posição usando um tom francamente acusatório: "Esquema desmantelado por PF no RN usava tráfico de influência".

O Jornal de Hoje foi mais malicioso: "Apareceu a ponta do iceberg - PF prende o filho da governadora e outras doze pessoas acusadas de desviar R$ 36 milhões".

Eu quero só ver a merda que vai dar quando aparecer o iceberg inteiro. Será que é dessa vez que cai a República do RN?

No Rio Grande do Norte...

Justiça nega habeas corpus a filho da governadora

Da Folha Online:

O TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região), com sede em Recife, negou na noite desta sexta-feira o habeas corpus pedido pela defesa de Lauro Maia, filho da governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB).

Também negou a soltura de Maria Eleonora Castim, responsável pelas finanças da Secretaria da Saúde, da procuradora Rosa Caldas e do secretário-adjunto de Esportes do Estado, João Henrique Bahia.

Eles foram presos hoje durante a Operação Hígia, da Polícia Federal, contra desvios de verba pública, por meio de fraude a processos licitatórios.

A operação cumpriu os 13 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte e Paraíba. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal do RN.

Leia mais aqui.

Enquanto isso, no Rio Grande do Sul...

O vice-governador gaúcho, Paulo Feijó (DEM), responsável pelo furacão que assola o governo da tucana Yeda Crusius, deu entrevista à Terra Magazine e disse, entre outras coisas, que a governadora sabia e ignorou as denúncias de irregularidades no Detran e no Banrisul.

Leia a íntegra da entrevista com o vice-governador:

Terra Magazine - O senhor se arrepende de divulgar essa gravação?

Paulo Feijó - De forma alguma. Eu tenho muita confiança e convicção no que fiz, entendo que é de extrema importância para a sociedade gaúcha e compreendo o resultado que isso trará para a sociedade como um todo.

E o que o senhor achou da decisão do partido e do pedido do senador Heráclito (Fortes) de solicitar sua expulsão?

Eu acho que é normal. O senador não me conhece, nunca falou comigo e nem eu com ele. Não conhece os fatos e a realidade do que ocorre no Rio Grande do Sul. Tive a oportunidade de ir a Brasília na última quarta-feira (11), fui recebido pela bancada federal e expus em 10 minutos a realidade, o que ocorre aqui e tive total apoio, unânime, de toda a bancada (gaúcha), do deputado Onyx (Lorenzoni), (Germano) Bonow e do suplente Matteo Chiarelli. Então eu entendo perfeitamente, claro, que as pessoas lá do centro do País, ou do norte e nordeste não conheçam a realidade daqui, assim como nós não conhecemos a realidade daquilo que ocorre localmente lá em cada estado. Após eles ouvirem, aceitaram perfeitamente e me deram integral apoio. E da mesma forma, fui falar com o presidente do partido, Rodrigo Maia (RJ), expus para ele e ele aceitou perfeitamente. Acho que faz parte de um processo de partido, a questão política e tudo mais. Mas aceito como natural e normal aquilo que aconteceu.

Como está sua relação com o governo de Yeda Crusius? Existe algum constrangimento?

Desde o primeiro turno é a pior possível e continua igual, não mudou nada. Desde antes do segundo turno, desde a campanha eleitoral. Pela Constituição do Estado, o papel do vice-governador é substituir a governadora em suas viagens. Em outros governos do RS, quando o governador deixava a fronteira do Rio Grande para outros estados, todos os governadores passavam o cargo pelo período em que saíam do Estado. Até no mesmo dia, se ele saísse de manhã e voltasse à noite. O (Germano) Rigotto era um que sempre fazia isso. Enquanto a governadora nunca passou o cargo, desde o dia que assumimos. Só passou quando foi para o exterior, porque aí é obrigada, porque senão é abandono de cargo. Então ela passou 1 ano sem sair do País exatamente para não me passar o cargo. Então isso já demonstra bem qual é a relação entre a governadora e o vice desde antes da posse.

Mas se isso vem desde o processo eleitoral, por que o senhor insistiu na chapa?

Esse racha ocorreu depois do primeiro turno. Nós passamos o primeiro turno e 3 dias depois a governadora me pediu que renunciasse. Porque eu fiz uma crítica ao Banrisul, na época dizendo que havia irregularidades naquela gestão. Daí houve uma pressão do PMDB, que estava entrando no segundo turno, porque até então eles eram oponentes, pedindo que eu me calasse. Foi isso que aconteceu.

E desde então as relações passaram a ter arestas?

A partir do momento que a governadora chama o PFL (na época) e pede que eu renuncie, ali rachou. E a partir daquele momento ela não quis a participação minha nem do PFL na campanha nem na constituição do governo.

Ela não pode alegar que, depois de esse escândalo vir à tona, foi uma forma de vingança do senhor?

De forma nenhuma. Antes de sermos eleitos, como eu disse, no primeiro turno, fiz uma crítica à gestão do Banrisul, o PMDB não gostou, cobrou dela e ela resolveu naquele momento trocar o PFL, que era parceiro desde o início, pelo PMDB, que tinha sido eliminado nas urnas. Era governo e foi eliminado, mas queria entrar no segundo turno a nos apoiar. E depois disso eu encaminhei ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas as denúncias que existiam e agora, um mês atrás, o MP concluiu a investigação num relatório de auditoria extraordinário e foram confirmadas as irregularidades no Banrisul. E até o momento a governadora não tomou medida nenhuma em relação a isso.

Sobre tudo isso que o senhor denunciou, a conversa com o ex-secretário Cézar Buzzato, e mesmo nesse caso do Banrisul, a governadora foi conivente ou omissa?

Não cabe a mim avaliar isso...

...mas se o senhor, como vice-governador estava fazendo as denúncias e a governadora não toma providência nenhuma...

Eu, como vice-governador, entendo que sou mais responsável pela coisa pública do que se fosse meu, privado. Se eu sei de uma denúncia contra o dirigente de uma estatal, ou de um órgão público, ou de um secretário, eu tomo medida imediata. A governadora deixou passar 1 ano e não tomou essas medidas. Depois disso, quando veio o relatório (do MP), eu fui a uma audiência com ela para entregar o relatório e ela não quis receber o relatório. Pediu que eu protocolasse e mandasse de forma oficial. E assim o fiz. E uma semana depois foi assinado um Termo de Ajuste de Conduta entre o MP e o Banrisul, reconhecendo os erros e começando a transformação do que estava errado para o que é certo. Então essa é a realidade. Agora, se ela prevaricou ou não, cabe ao MP, às instituições, fazer essa análise e tomar as medidas que se entendam necessárias. Não cabe a mim como vice-governador. O meu objetivo foi sempre contribuir, o meu e do partido. Contribuir com o governo. Nós é que elegemos a governadora. Fomos eleitos junto com ela.
Portanto, ela sabia das denúncias, até porque elas eram públicas.

E não tomou providência nenhuma, é isso?

Até hoje o presidente está lá, do Banrisul. Não foi trocado ainda.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Filme Antigo

"Eu vejo o futuro repetir o passado / Eu vejo um museu de grandes novidades...".

Cazuza, como todo artista, tinha a capacidade de estar à frente do seu tempo, a sensibilidade para perceber coisas que passam despercebidas aos demais e traduzir isso em poesia e música.

A idéia de que o futuro repete o passado e a vida se resume a um "museu de grandes novidades" parece perfeita para descrever essa profusão de escândalos políticos que estão vindo à tona.

A gente olha para tudo, lê as manchetes dos jornais e fica com aquela sensação de já ter visto esse filme antes.

Na belíssima canção "Belo Estranho Dia de Amanhã", Roberta Sá fala do dia quando "os políticos amanhecerão sem voz".

Mas enquanto esse dia não chega, a gente se contenta com o vídeoclipe da música:



Quem se lembra dessa quadrilha?



O blog aproveita a onda da "Operação Hígia" para lembrar a todos da "Operação Impacto" e mostrar a cara dos envolvidos no escândalo da Câmara Municipal. Neste ano, todos os integrantes da quadrilha tentarão se reeleger.

Operação Hígia: PF prende filho da governadora do RN e mais 12 em operação contra fraudes

Da Folha Online:

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira, durante uma operação contra desvios de verba pública, por meio de fraude a processos licitatórios, Lauro Maia, filho da governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), e mais 12 pessoas.

A operação, batizada de Hígia, cumpriu os 13 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte e Paraíba. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal do RN.

Segundo a PF, a quadrilha celebrava ilicitamente contratos de higienização hospitalar e locação de mão-de-obra. Também houve, de acordo com a polícia, a prática de corrupção de agentes públicos e tráfico de influência para contratações emergenciais.

A Polícia Federal informou que a quadrilha desviava verbas públicas por meio de contratos mantidos pelas empresas investigadas com o poder público. Os contratos eram celebrados e prorrogados mediante o pagamento de vantagens pecuniárias indevidas a servidores públicos.
As investigações foram iniciadas no final de 2005. Segundo a PF, os valores dos contratos fraudados somam mais de R$ 36 milhões.

Cerca de 190 policiais federais participaram da operação. Os presos devem responder pelos crimes de falsidade ideológica, peculato, corrupção, prevaricação, tráfico de influência, fraude à licitação, dispensa indevida de licitação, patrocínio de interesse privado e prorrogação contratual indevida.

Do G1:

Governadora do RN reúne secretariado para discutir operação da PF


A governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), está reunida em sua residência com secretários para discutir qual será a postura do governo em relação à Operação Hígia, da Polícia Federal, que prendeu 13 pessoas nesta sexta-feira (13), entre elas três integrantes do governo e o filho da governadora, o assessor parlamentar Lauro Maia.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do governo do Rio Grande do Norte, disse aguardar detalhes da operação da PF para se pronunciar oficialmente sobre o assunto e "tomar as providências administrativas que forem necessárias".

A nota diz ainda que a governadora Wilma de Faria "ficou abalada" ao saber das prisões e que "desconhece o teor das acusações feitas contra alguns de seus auxiliares e contra seu filho, Lauro Maia, que não tem qualquer vínculo funcional com a atual administração".

A PF realizou as prisões para desmantelar uma suposta quadrilha suspeita de ter fraudado contratos públicos que superam R$ 36 milhões. Doze prisões ocorreram no Rio Grande do Norte e uma na Paraíba.

Foram detidos a procuradora do estado Rosa Maria Caldas; a diretora da Secretaria de Saúde do estado Maria Eleonora Lopes Castim; e o secretário-adjunto de Esportes e Lazer do estado, João Henrique Lins Bahia.

Erick Pereira, advogado de Lauro Maia, informou ao G1 que seu cliente se diz inocente das acusações de ter influenciado em contratos ilícitos. Ele afirmou não ter tido acesso ao teor do processo, mas que a prisão ocorreu para que Lauro Maia pudesse prestar esclarecimentos.

"A acusação é genérica, mas a gente não teve acesso. Tivemos o motivo da prisão, que é para ele ser ouvido. O que causa estarrecimento é que a investigação está no final e ele [Lauro Maia] nunca ter sido chamado para prestar esclarecimentos", disse o advogado.

Pereira disse que Lauro Maia está prestando depoimento e que, caso não seja liberado após o término, vai impetrar um habeas corpus solicitando a soltura.


Leia mais aqui.


Nota divulgada pela assessoria de imprensa do governo do Rio Grande do Norte:


O Governo do Rio Grande do Norte aguarda detalhes da operação deflagrada no Estado pela Polícia Federal para se pronunciar oficialmente sobre o assunto e tomar as providências administrativas que forem necessárias. Desde já, o governo se coloca à disposição da polícia e da Justiça para ajudar no rápido esclarecimento dos fatos. Informa ainda que a governadora Wilma de Faria ficou abalada ao saber das prisões ocorridas hoje de manhã e que desconhece o teor das acusações feitas contra alguns de seus auxiliares e contra seu filho, Lauro Maia, que não tem qualquer vínculo funcional com a atual administração.

Da mesma forma, o governo espera que as pessoas citadas consigam provar sua inocência.
Atenciosamente,

Rubens Lemos Filho
Assessor de imprensa do Governo do Rio Grande do Norte

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A síndrome da crise

A oposição e a mídia sofrem da síndrome da crise.


Definições do Aurélio para "síndrome":

1.Med. Estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa. Ex.: síndrome de obstrução intestinal, síndrome de insuficiência respiratória.

2.Fig. Conjunto de características ou de sinais associados a uma condição crítica, suscetíveis de despertar reações de temor e insegurança: a síndrome da guerra nuclear; a síndrome da inflação galopante.

A síndrome da crise se encaixa na segunda definição. As reações de temor e insegurança da oposição e da mídia conservadora se tornam mais visíveis sempre que estoura uma nova crise. Parecem crianças quando se apegam ao brinquedinho novo.

O caso da venda da Varig e da VarigLog é o brinquedinho da vez. A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu saiu do sarcófago na semana passada e em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" acusou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de ter pressionado a agência a aprovar a venda da VarigLog para um fundo norte-americano.

Na terça-feira (10), Denise falou à Comissão de Serviços e Infra-Estrutura do Senado. Chegou com uma mala, na qual dizia haver documentos que comprovariam suas acusações. Saiu de lá após nove horas sem comprovar nada e sem convencer ninguém - com excessão dos senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino (DEM-RN).

Eis que no dia seguinte, quarta-feira (11), o ex-presidente da Anac Milton Zuanazzi, falando também à Comissão de Serviços e Infra-Estrutura do Senado, disse que não houve pressão do governo para venda da Varig, como denunciara Denise, mas que a “pressão” que havia era por parte da sociedade e da mídia por uma saída rápida para evitar que a Varig quebrasse.

“Em nenhum momento fomos pressionados para mudar nossa posição. A pressão se dava na mídia, nesta Casa [Congresso Nacional]. A pressão por uma solução era forte. O tempo era fatal”, declarou, conforme informações do portal G1.

Zuanazzi deixou a oposição e a mídia desmoralizados. Qualquer pessoa bem informada lembra que a oposição e a mídia botaram a faca no pescoço do governo para que salvasse a Varig. Responsabilizavam o governo pela falência da empresa e pelas demissões.

Denise Abreu era satanizada pela mídia, quando o "caos aéreo" era a crise da vez. De uma hora para outra, transformou-se numa referência. Vale tudo para tentar derrubar o governo.

A síndrome da crise é quase um fetiche. Mas aí só Freud explica.




quarta-feira, 11 de junho de 2008

Deu na Folha: "Petrobras anuncia construção de refinaria no Rio Grande do Norte"

"A Petrobras anunciou ontem que decidiu fazer uma nova refinaria no Rio Grande do Norte. A refinaria terá uma planta para produção de gasolina e melhoria da qualidade de derivados como querosene de aviação, diesel e GLP. A nova unidade começará a produzir em 2010.

Em nota, a estatal disse ainda que teve uma reunião com representantes do governo do Ceará. Ela manifestou interesse em estudar em conjunto com o Estado a hipótese de instalação de uma refinaria com capacidade de produção de 300 mil barris/ dia. A primeira fase da operação está prevista para 2014.

Ficou definido que a Petrobras e o governo cearense estudarão os termos em um memorando de entendimentos que será firmado em até 120 dias e que definirá as premissas para a atuação das partes no projeto.

Em entrevista recente à Folha, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrieli, já havia afirmado que a empresa tem a intenção de construir mais quatro novas refinarias, duas em curso e outras duas em estudo, chegando a um total de 15 unidades. Uma das novas refinarias deve ficar no Maranhão, terra do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão."

Comentário

E agora, José?

Prefeitura do PSDB faz propaganda com programa do Governo Federal

A Prefeitura de Ceará Mirim (RN), administrada pela tucana Edinólia Melo, mulher do ex-senador geraldo Melo (PSDB), está fazendo propaganda com o programa Bolsa Família do Governo Federal.

No comercial, veiculado diariamente na televisão, o locutor anuncia que 13 mil famílias da cidade são beneficiadas com o Bolsa Família, como se essa fosse uma realização da mulher de Geraldo Melo.

Por falar nisso, é um absurdo o gasto das prefeituras em propaganda neste ano eleitoral. Natal, Parnamirim, Macaíba, Ceará Mirim, Mossoró, entre outras, estão com comerciais no ar.

Por que será, hein?!

Educação Básica no RN melhora, mas ainda está abaixo da média nacional

O Ministério da Educação divulgou nesta quarta-feira (11) o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que mede a qualidade do ensino público no país.

A educação fundamental melhorou, mas em sete Estados (Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Pará, Rio de Janeiro e Sergipe) houve queda no ensino médio, enquanto em outros sete (Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima) a nota obtida não mudou.

Com os resultados, as metas do Ideb para 2007 e 2009 foram superadas. Paras as séries iniciais, as metas eram 3,9 (2007) e 4,2 (2009). As metas das séries finais eram 3,5 (2007) e 3,7 (2009). Já para o ensino médio, as metas eram 3,4 (2007) e 3,5 (2009).

Foram avaliados três níveis: séries iniciais (1ª a 4ª série), séries finais (5ª a 8ª série) e ensino médio. Em 2007 (ano base 2006), para os primeiros anos do ensino fundamental, a média nacional ficou em 4,2. Em 2006 (ano base 2005), a nota ficou em 3,8 pontos.

A nota do Rio Grande do Norte melhorou, mas ainda assim ficou abaixo da média nacional: passou de 2,7 para 3,4 pontos. O Estado ficou em 24º no ranking nacional das séries iniciais do ensino fundamental.

Nas séries finais, o RN passou de 2,8 para 3,1 pontos. Já no ensino médio, a situação se manteve estagnada e o RN ficou com os mesmos 2,9 pontos da avaliação anterior.

RN está entre os 8 Estados que gastam em saúde o que determina a lei

O Ministério da Saúde divulgou um relatório mostrando que somente oito Estados e o Distrito Federal cumprem o percentual de gastos em saúde estabelecido na Constituição, que é de 12%.

E o Rio Grande do Norte está nessa lista, que contém ainda Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.

O relatório do Ministério da Saúde foi produzido a partir da análise das prestações de contas de 2006 desses Estados.

Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul são os Estados onde se registra a maior distância entre gastos declarados e os considerados efetivos pela Saúde.

O governo de Minas informou despesas de R$ 2,172 bilhões no último ano do primeiro mandato do governador Aécio Neves (PSDB), quando, na verdade, segundo o relatório do MS, foram gastos apenas R$ 994 milhões.

Em São Paulo, no último ano de mandato do governador Geraldo Alckmim (PSDB), o Estado destinou 11,6% de sua receita à Saúde.

No Rio Grande do Sul da governadora Yeda Crusius (PSDB), o índice de gastos na Saúde não passa de 5,8%.

Notou alguma semelhança entre os três Estados? É isso aí. Todos são administrados pela turma do PSDB.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A quadrilha tucana no Rio Grande do Sul

Em entrevista à Terra Magazine, a deputada federal Luciana Genro (PSOL) afirma, sem meias palavras, que há uma "quadrilha instalada no Palácio Piratini" - sede do governo gaúcho, administrado pela tucana Yeda Crusius.

O governo do PSDB gaúcho está sendo investigado pelo desvio de dinheiro público no Detran e no Banrisul. Apenas no Detran, foram desviados R$ 44 milhões. O esquema foi desmontado pela Operação Rodin, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2007, que culminou na prisão do empresário tucano Lair Ferst.

A coisa ficou mais complicada para a governadora depois que o vice-governador Paulo Feijó (DEM) divulgou uma fita com a gravação de uma conversa entre ele e o então da Casa Civil do RS, Cézar Busatto (PPS), na qual Busatto admitiu o uso de estatais do governo gaúcho para financiar campanhas eleitorais.

Depois da divulgação da fita bomba, três nomes do primeiro escalão do governo gaúcho cairam: o próprio Cézar Busatto (ex-chefe da Casa Civil), Delson Martini (ex-secretário-geral de Governo) e Marcelo Cavalcante (ex-chefe do escritório do Estado em Brasília). Além deles, também caiu o coronel Nilson Bueno (ex-comandante-geral da Brigada Militar).

Segundo a Folha Online, o vice-governador Paulo Feijó afirmou que o empresário tucano Lair Ferst, um dos acusados de liderar o esquema de desvio de dinheiro no Detran gaúcho, atuou na arrecadação de dinheiro para a campanha da governadora Yeda Crusius (PSDB) em 2006.

O PSOL gaúcho entrou nesta terça-feira (10) com um pedido de impeachment contra a governadora Yeda Crusius na Assembléia Legislativa.

Na entrevista à Terra Magazine, Luciana Genro disse que a governadora Yeda Crusius ganhou a eleição "usando recursos públicos de forma indevida" e defendeu o impeachment da tucana.

Leia a íntegra da entrevista:


Terra Magazine - O que especificamente motivou o PSOL a pedir o impeachment?

Luciana Genro - Fundamentalmente, a gravação entre o vice-governador e o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Ela demonstra que existe uma quadrilha instalada no Palácio Piratini que vem se utilizando de empresas públicas e cargos no governo para financiar suas campanhas eleitorais e seus partidos. A governadora veio a público para condenar a postura do vice-governador de ter revelado a gravação, mas não negou nenhuma das declarações de César Busatto.

Criticou a revelação, mas não o fato em si.

Exatamente. Ela demitiu secretários e dirigentes de empresas estatais, mas isso não é suficiente porque demonstra que ela foi eleita já com recursos desviados - o secretário diz isso na fala - e que os desvios continuaram ocorrendo neste governo com o conhecimento dela.

Como a senhora avalia essa crise?

Eu acho que é uma crise positiva, porque ela traz à tona aquilo que a maioria da população brasileira desconfiava, mas não tinha provas: esse esquema de financiamento dos partidos através de cargos, que foi revelado no esquema do "mensalão". Aqui no Rio Grande do Sul muita gente achava que os partidos agiam de forma diferente, então essa gravação nos dá uma oportunidade de fazer uma limpeza na política gaúcha.

Existe a possibilidade de trabalhar com o PT nesse processo de impeachment?

Existe. O PT já deu declarações apoiando o processo. Nós temos a expectativa de que o PT venha a apoiar ou apresentar outro pedido de impeachment e fazer uma mobilização conjunta na cidade.

A governadora Yeda Crusius disse que um pedido de impeachment seria uma tentativa de ganhar a eleição "no tapetão". Qual sua opinião a respeito?

Olha, "tapetão" é ganhar uma eleição usando recursos públicos de forma indevida. Nosso partido fez uma campanha eleitoral modesta, sem recurso nenhum, e certamente a desiguldade foi ainda maior por conta do dinheiro público desviado que a campanha dela recebeu.

Esse pedido de impeachment não pode acabar favorecendo o vice-governador?

Eu não estou muito interessada nas razões íntimas do vice-governador. Se ele fez isso para tentar assumir o governo, foi uma manobra muito arriscada porque a conversa com o Busatto revela que a própria eleição deles foi financiada com recursos irregulares. Nesse caso, o impeachment é para os dois e não só para o governador. Ele defendeu que se houvesse impeachment, pediria novas eleições.

Há um clima político propício na Assembléia para a aprovação do impeachment?

O escandâlo é muito grande e o parlamento gaúcho não pode se calar diante dessa situação. Acho que o vice-governador tem uma grande responsabilidade porque ele tem mais informações e documentos que podem fortalecer e tese do impeachment e podem inclusive constranger os cativos que hoje ainda sustentar a Yeda a votarem pelo impeachment. Nós vamos pressionar ao máximo para que outras revelações venham à tona e para que a população e os movimentos sociais atuem no sentido de tensionar o parlamento a tomar uma atitude diante da gravidade dessa situação.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A favela

Thaisa Galvão pegou ar com um anúncio do governo federal na TV falando das obras de calçamento e saneamento na "Favela de Nossa Senhora da Apresentação".

Não sei por que essa besteira. Será que ela já botou os pés lá? Duvido. Caso conhecesse o local, não posaria de falsa moralista. A vida daqueles moradores é tão dura como a de um morador de qualquer favela do Rio de Janeiro ou São Paulo. Falta tudo: segurança, saúde, escolas, saneamento básico, áreas de lazer.

Mas a única favela que a jornalista deve conhecer é a Portelinha da novela "Duas Caras" da Rede Globo.

O nome disso é hipocrisia.

Caern desiste de fazer 'cagada'

Deu na Tribuna do Norte de ontem (domingo, 8) que a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) mudou o projeto do emissário submarino de Ponta Negra e agora vai construir uma estação para tratar os esgotos antes de jogar a merda dos moradores da Zona Sul de Natal no mar.

O emissário, segundo a Caern, vai custar R$ 81 milhões. Isso mesmo: R$ 81 milhões para construir um canal que vai lançar merda ao mar.

domingo, 8 de junho de 2008

É muito provincianismo

A espetaculosa Marina Elali cantou hoje no Domingão do Faustão. Felizmente, liguei a TV na hora em que a moça tava indo embora.

Mas se o nobre leitor quiser saber mais sobre a participação da cantora no programa de Fausto Silva, então você não deve ser um leitor assíduo deste blog e tá aqui só de gaiato.

O seu lugar é no Blog de Thaisa Galvão, que não saiu de frente da televisão e ainda tirou várias fotos pra provar que " Marina Elali brilhou" no Faustão.

Provincianismo é pouco pra isso.

Fora de órbita

Quase uma semana sem postar. O tempo não tem sido meu amigo. E hoje a chuva fez a Velox sair do ar o dia inteiro. Só depois das 22h consegui acessar a internet. Prometo tentar colocar as coisas em dia nesta semana.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Jornalista 'bosta'

Li um comentário no blog de Ailton Medeiros que dizia assim: "todo jornalista bosta gosta de bater nos outros".

Não sei o que o nobre leitor daquele blog chama de "bater nos outros". Mas, pelo visto, ele deve ser daqueles que acham que jornalista é um ser iluminado, senhor de toda razão, que vive num nível de existência acima dos simples mortais. Alguém assim não poder ser questionado nem contrariado, porque nunca comete erros, nunca está equivocado e nunca age por interesse próprio.

Eu penso diferente - muito difirente. Jornalistas, geralmente, confundem a profissão com status e só estão interessados em glamour. Há raras excessões, honrados jornalistas que ainda acreditam que fazer jornalismo é, antes de tudo, servir à sociedade, mesmo que seja necessário desafiar tudo e todos - principalmente os poderosos.

"Jornalista bosta" é aquele que abdica do senso crítico e serve aos donos do jogo com fidelidade canina, traindo os ideias que ele mesmo, quando recebeu o seu diploma, jurou defender.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Intimidade Virtual

O velho divã está dando lugar à internet e os relacionamentos virtuais estão virando moda entre adolescentes e jovens.

A Folha de São Paulo de ontem (segunda-feira, 2) trouxe uma matéria interessante sobre o tema, mostrando que os teens estão aderindo às amizades virtuais e trocando confidências com pessoas que só conhecem no frio ambiente do ciberespaço.

De acordo com a matéria, a vantagem de "se abrir" com amigos virtuais é não ter que "enfrentar o julgamento de amigos reais".

Andréa Jotta, psicóloga do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC, ouvida pelo jornal, vê "o aprofundamento das amizades virtuais" como um "processo natural". "O virtual está fazendo cada vez mais parte do real", observou à Folha.

Nos relacionamentos pela internet, ponderou a psicóloga, não existe a necessidade da "aceitação social", porque as pessoas não convivem umas com as outras.

Ela alerta, porém, para os perigos dos relacionamentos virtuais. O maior risco é não ter certeza sobre a identidade do outro, porque no mundo da internet as pessoas podem criar e assumir qualquer identidade.

"Não dá para acreditar em identidades virtuais. É preciso fazer o teste para se certificar de que aquela pessoa que está do outro lado do computador é real", orienta.

domingo, 1 de junho de 2008

O poder faz a diferença

Geraldo Alckmimn (PSDB), quando era governador de São Paulo, abafou várias CPIs que pretendiam investigar supostas irregularidades em seu governo. José Serra (PSDB) é quem governa São Paulo atualmente e usa a mesma estratégia do seu predecessor.

Enrolados com o escândalo da Alstom, Serra e Alckmin agora adotam discursos diferentes. Serra diz que "não há o que investigar", enquanto Alckmin defende a investigação e a "punição exemplar dos envolvidos".

A multinacional francesa, segundo o Ministério Público da Suíça, pagou R$ 13,5 milhões em propinas para políticos e autoridades de SP, entre 1998 e 2001, quando o Estado foi governado pelos tucanos Mário Covas e Alckmin.

O que aconteceu para Alckmin mudar e, somente agora, defender a "apuração, investigação e punição exemplar"?

É simples: Alckmin não está no poder. José Serra está e faz valer o peso desse poder para sufocar as investigações na Assembléia Legislativa de SP.

O discurso de Alckmin é o discurso da conveniência, falácia de alguém que é candidato e precisa dar respostas rápidas ao eleitorado, para não ficar mal na fita.

Ele não vai dizer nunca que "não há o que investigar", como disse Serra. Isso lhe custaria alguns preciosos votos numa disputa eleitoral que promete ser acirrada.

Estar ou não no poder faz toda a diferença.

O Mais Querido vence mais uma na Série B


Gama 0 x 2 ABC

sábado, 31 de maio de 2008

Paixão e Metamorfose

Começei a ler "A Paixão Segundo G.H.", considerado por muitos a obra-prima de Clarice Lispector.

A história de uma mulher que mata e depois come uma barata me lembrou "A Metamorfose" de Kafka. Não sei se Clarice bebeu na fonte kafkiana. Estou apenas especulando, somente uma primeira e imatura impressão.

Quando terminar a leitura, volto ao assunto.

A barriga de Thaisa Galvão

Thaisa Galvão se atrapalhou toda hoje (sábado, 31) em seu blog ao querer dar o furo da pesquisa Consult que sai no Poti de amanhã (domingo, 1). A moça disse que Micarla subiu menos do que subiu de verdade, que Fátima caiu mais do que caiu de verdade e que Rogério Marinho ficou no mesmo lugar - quando, na verdade, perdeu uns votinhos.

Tá vendo. É como diz o didato: apressado come cru - e ainda dá barriga.

Duas cenas

Estava no ônibus voltando pra casa hoje à noite e vi duas cenas que despertaram a minha atenção.

Na cadeira em frente à minha, uma mãe e seu filho pequeno saboreavam uma amanteigada espiga de milho cozido. Quando terminaram de comer, a mãe, solenemente, abriu a janela do ônibus e jogou o sabugo e a palha do milho na rua.

Eu tive vontade de dizer alguma coisa a ela, pra ver se ela se tocava que aquilo era falta de educação e que ela, com aquele tipo de atitude, estava dando um péssimo exemplo ao filho.

Mas não fiz isso. Achei que não valeria à pena, porque talvez não adiantasse nada e a mulher ainda poderia querer armar um barraco.

Aí fiquei olhando pra ela meio atravessado, com minha indiganação sufocada e me sentindo um completo babaca por me incomodar com gente que joga lixo na rua, fura fila, não respeita a faixa de pedestre, ocupa a vaga dos idosos e gestantes nos ônibus, entre outras pequenas demonstrações de má educação.

Então, aconteceu a segunda cena. Eu me preparava pra descer do ônibus. Outra mãe, com o filho pequeno no colo, também terminava de saborear sua espiga de milho cozido. O menino, que viu a mãe daquele primeiro garoto jogar o lixo pela janela, queria que sua mãe imitasse a primeira.

- Não, meu filho. A gente leva e quando chegar em casa, joga no lixo - respondeu a segunda mãe à sugestão do seu filho de se desfazer do lixo na rua.

Olhei pra mulher e, mesmo sem conhecê-la, sorri pra ela. Ela retribuiu o sorriso. Eu vim pra casa mais esperançoso de que nem tudo está perdido e mais convicto de que o exemplo começa em casa.

As crianças tendem (eu disse tendem)a reproduzir o comportamento e os hábitos dos seus pais. O mesmo vale para os valores morais e éticos.

Como formar cidadãos éticos, conscientes dos seus direitos e deveres, não violentos, se no próprio lar, diariamente, mães e pais despreparados dão o contra-exemplo de tudo isso?

Garotinho culpa Lula por "perseguição"




Acusado pela Polícia Federal de ser o "líder político" de uma "quadrilha armada" no Rio de Janeiro, o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) disse que é vítimia de "perseguição" e insinuou que o presidente Lula está por trás das acusações da PF contra ele (Garotinho).


Garotinho, que teve sua casa revistada, reclamou que a PF não agiu da mesma forma com José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, petistas denunciados no caso do "mensalão".


Garotinho disse ainda que o motivo de estar sendo perseguido "é porque é ano de eleição".


Essa gente e suas teorias conspiratórias.


Alguém precisa dizer ao Garotinho que ninguém chuta cão que já está na sarjeta - e esse é o lugar onde ele se encontra na política há um bom tempo.


Garotinho é assim: quando pegam ele fazendo traquinagem, desata a chorar.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Os 10 mitos sobre as cotas

Leia no Blog do Mello a lista com os 10 mitos sobre as cotas, elaborada pelo Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, primeira universidade pública de grande porte no Brasil a utilizar o sistema de cotas, em 1991.

Para acessar o Blog do Mello, clique aqui.

Imprensa no banco dos réus

Rede Globo, Folha da Tarde, Folha de S.Paulo, Estadão e Editora Três são condenados por cobertura do caso "Escola Base"

O Tribunal de Justiça de São Paulo, 14 anos depois, condenou o Grupo Folha da Manhã, dono do jornal Folha da Tarde, a pagar indenização por causa da cobertura "escandalosa e sensacionalista" no caso da Escola Base. A informação é do site Consultor Jurídico.

Em março de 1994, três casais foram acusados de envolvimento no abuso sexual de crianças na Escola Base, em São Paulo (SP). A acusação se baseava em laudos preliminares e no depoimento de duas mães de alunos. Os donos da Escola Base foram sumariamente julgados e condenados pela mídia e pela opinião pública.

Na época, a Folha da Tarde deu a seguinte manchete sobre o caso:

Perua escolar carregava as crianças para a orgia

Para o desembargador Oldemar Azevedo, o jornal e outros órgãos de imprensa extrapolaram a liberdade de informar e não resguardaram a honra moral de uma criança de quatro anos, apontada como vítima de abuso sexual dos próprios pais.

O Grupo Folha foi condenado a pagar R$ 200 mil a um jovem de 18 anos - o garoto que na época do falso escândalo tinha somente quatro anos. Ele é filho de um dos casais acusados sem provas no caso da Escola Base.

O Consultor Jurídico informa ainda que outros veículos de imprensa também foram condenados pelo episódio:

"Outras empresas de comunicação sofreram condenação pelas notícias divulgadas à época dos fatos, em 1994. É o caso dos jornais Folha de S.Paulo (R$ 750 mil) e O Estado de S.Paulo (R$ 750 mil), da Globo (R$ 1,35 milhão) e da Editora Três, responsável pela publicação da revista IstoÉ, (R$ 360 mil). Em todos os casos ainda cabe recurso."

É como diz o título do livro do jornalista Carlos Dorneles: Deus é inocente; a mídia, não.

Leia mais aqui.

A traquinagem do Garotinho

Do G1:

MPF denuncia Álvaro Lins, Garotinho e mais 14 pessoas

Eles são suspeitos de praticar vários crimes, entre eles, lavagem de dinheiro e corrupção.Ex-governador diz que está em casa e não foi informado de nada.


O Ministério Público Federal apresentou denúncia à Justiça Federal
contra o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB), o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB) e mais 14 pessoas por, supostamente, integrarem uma organização criminosa.

Segundo a denúncia oferecida ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o grupo de 16 pessoas usava a estrutura da Polícia Civil do Rio de Janeiro para praticar lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção.

Leia mais aqui.

É tudo vaidade...




Em "O Advogado do Diabo" (Devil's Advocate), Al Pacino vive o próprio coisa ruim, disfarçado sob a identidade do dono de uma poderosa firma de advogados, John Milton. Keanu Reeves é Kevin Lomax, um jovem e talentoso advogado que nunca perdeu uma causa, mesmo recorrendo a expedientes, digamos, pouco ortodoxos. Ele não é o tipo de pessoa que tem problemas de consciência.


Lomax recebe uma proposta tentadora para ir trabalhar em Nova Yorque na firma de John Milton, que consegue seduzir o rapaz e fazê-lo aceitar o convite. Depois de morder o anzol, Lomax não percebe que suas escolhas morais estão lhe conduzinho para um caminho perigoso e sem volta.


Numa das melhores cenas do filme, quando John Milton revela sua verdadeira identidade, ele diz a Kevin Lomax como conseguiu seduzi-lo:


- Vaidade... Esse é o meu pecado predileto.


A vaidade, como apontara o coisa ruim, havia cegado o entendimento e o discernimento de Lomax e o fizera crer que o mundo girava em torno do seu próprio ego.


Há muitos Lomax por aí, em todos os cantos, em todas as áreas. Não são apenas advogados, mas médicos, engenheiros, professores, jornalistas...


Gente que adota o discurso da conveniência. Proferem verdades inquestionáveis e professam ideologias inabaláveis em público, somente para fazer barulho e tentar ocultar os pequenos pecados inconfessáveis.


Tentam convencer a si próprios que são verdades as mentiras que dizem olhando no espelho.

Como diz o Eclesiastes, é tudo vaidade.

Lula matou Isabella

Alexandre Nardoni, acusado de matar a própria filha, Isabella Nardoni, disse que a culpa pela repercussão do caso e por ele e sua mulher, Anna Carolina Jatobá, estarem sendo hostilizados pela opinião pública é do governo, que estaria usando o episódio para desviar a atenção das pessoas dos reais problemas do país.

O próximo passo será acusar o presidente Lula de ter matado Isabella. A mídia vai adorar.

Denúncia ou falácia?

O deputado federal Rogério Marinho (PSB) acusou a governadora Wilma de Faria (PSB) e o prefeito Carlos Eduardo (PSB) de misturarem "governo com política" e cometerem "abuso de poder".

Até onde eu sei, "abuso de poder" é caso para cassação de mandato. Rogério terá coragem de formalizar a denúncia ou vai ficar só na falácia?

Pleonasmo

"Testemunha Presente". Esse é o título do livro que o vereador Edivan Martins (PV) lança hoje (29), às 19h, na Livraria Siciliano, no Shopping Midway Mall. Trata-se de uma coletânea de discursos proferidos pelo parlamentar ao longo dos seus cinco mandatos na Câmara Municipal de Natal.

Ok. Mas sem querer ser maldoso, alguém aí conhece uma testemunha que não seja presente?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

É contigo, Fábio!




Fábio Faria (PMN) foi o deputado federal mais votado do Rio Grande do Norte. Teve quase 200 mil votos - 195.148 para ser mais preciso. Até agora, ninguém sabe pra quê o rapaz foi eleito. O porquê é mais fácil saber. Na campanha, quando ele chegava nos comícios, as moçoilas ficavam em polvorosa e se descabelavam todas aos gritos de "lindo, tesão, bonito e gostosão". Devem estar satisfeitas com o desempenho do rapaz. Como não podem tê-lo, se satisfazem colecionando as capas de revista com o guapo e sua coleção de beldades. Depois de pegar Adriane Galisteu, o cabra tá pegando agora Leticia Birkheuer. E o mandato dele só termina em 2010.

Outra de Cora Coralina




Coração é terra que ninguém vê


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.


Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão.


Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.


Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração.


Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...


terça-feira, 27 de maio de 2008

Isso é política?



Os 45 membros da direção do PSB de Natal se reuniram nesta terça-feira (27) à noite na sede do partido em Lagoa Nova e aprovaram a coligação com o PT e o PMDB para a eleição deste ano, com a deputada federal Fátima Bezerra (PT) na cabeça de chapa para disputar a vaga de prefeita da capital.

Os relatos da reunião retrataram um clima de guerra e baixaria entre os wilmistas defensores do apoio à candidatura petista e os rogeristas defensores da candidatura pessebista à Prefeitura de Natal.

Houve troca de acusações, insultos, gritaria, palavras de ordem de um lado e outro, empurra-empurra, gás de pimenta. Verdadeira muvuca.

De acordo com o relato de Thaisa Galvão, o deputado federal Rogério Marinho, ao chegar à sede do PSB e observar o tumulto, dirigiu-se à deputada estadual Márcia Maia e disse: "Isso é política".

Márcia retrucou dizendo: “Essa não foi a política que eu aprendi”.

Eu, então, depois de ver as imagens da baderna, pergunto: isso é política?

Eu mesmo repondo: não, isso não é política. É politicagem, é luta de egos, é briga por hegemonia, que é antidemocrática por natureza.


Dilma no Jô




Em entrevista ao "Programa do Jô", que foi ao ar na madrugada de segunda (26) para terça (27), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), enalteceu o Bolsa Família, disse que o cartão corporativo "é um avanço", lamentou a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e falou, emocionada, sobre a época em que lutou contra a ditadura militar.


Jô Soares não perdeu a oportunidade e tirou outro sarro com a cara do senador José Agripino Maia (DEM-RN), relembrando o episódio do depoimento da ministra à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, quando Agripino tentou constranger Dilma e levou um bom tá ligado da "mãe do PAC".


"Perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado", disse o apresentador sobre Agripino Maia.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Incrível

MIRIAM LEITÃO DEFENDE COTAS RACIAIS

A gente sempre mete o pau na turma da mídia conservadora por que se trata de um pessoal reacionário a tudo o que diz respeito ao povo. Por isso, causa espanto quando eles assumem posições em favor dos fracos e oprimidos.

Foi o que fez a comentarista da TV Globo, Miriam Leitão, em artigo na edição de domingo do jornal O Globo. Miriam disse com todas as letras que existe racismo no Brasil (o que é em geral negado pela elite branca do país), defendeu a política de cotas raciais e chamou de "negacionistas" os que sustentam que o país não é racista.

Leia a íntegra do artigo abaixo:

A luta contra a escravidão foi um movimento cívico de envergadura. Misturou povo e intelectuais, negros e brancos, republicanos e monarquistas.

Foi uma resistência que durou anos.

Houve passeatas de estudantes e lutas nos quilombos.

Houve batalhas parlamentares memoráveis e disputas judiciais inesperadas. Os contra a abolição reagiram nos clubes da lavoura, na chantagem econômica e nos sofismas.

O país se dividiu e lutou.

Venceu a melhor tese. Pena o país ter feito o reducionismo que fixou na memória coletiva apenas o instante da assinatura da lei pela Princesa. Tudo foi varrido. Do povo em frente ao Paço à persistência para se aprovar a lei que tornou extinta a escravidão no Brasil.

Foram seis anos de lutas parlamentares para libertar os não-nascidos, após quedas de gabinetes, avanços e retrocessos. Mais luta de vários anos para libertar os idosos. Por fim, a maior das batalhas: a libertação de todos.Lutou-se com a poesia e o jornalismo. Com a política e o Direito. Lutou-se na Justiça com as Ações de Liberdade, incríveis processos que escravos moviam contra seus donos.

Os negros lutaram de forma variada: com a greve negra em Salvador, com rebeliões e quilombos. Os escravocratas adiaram o inevitável, ameaçaram com a derrota econômica, assombraram com todos os fantasmas nacionais. Pareciam vencer, até que perderam.

Fica em quem revisita a história a constatação de um erro: os abolicionistas se dispersaram cedo demais.Era a hora de reduzir a imensa distância que a centenária ordem escravagista havia criado no país.

Venceu a idéia de que, deixado ao seu ritmo, o país faria naturalmente a transição da escravidão negra para um outro país, sem divisões raciais. Idéia poderosa esta da inércia salvacionista.

Ela construiu o imaginário de um país sem racismo por natureza, que teria eliminado o preconceito naturalmente, como se as marcas deixadas por 350 anos de escravidão fossem varridas por um ato, uma lei de duas linhas.

Ainda há quem negue, hoje, que haja algo estranho numa sociedade de tantas diferenças.
O manifesto contra as cotas tem alguns intelectuais respeitáveis. Mais os respeitaria se estivessem pedindo avaliações e estudos sobre o desempenho de política tão recente; primeira e única tentativa em 120 anos de fazer algo mais vigoroso que deixar tudo como está para ver como é que fica. O status quo nos trouxe até aqui: a uma sociedade de desigualdades raciais tão vergonhosas de ruborizar qualquer um que não tenha se deixado anestesiar pela cena e pelas estatísticas brasileiras.

Ora, direis: o que tem o glorioso abolicionismo com uma política tópica — para tantos, equivocada — de se reservar vagas a pretos e pardos nas universidades públicas? Ora, a cota não é a questão.

Ela é apenas o momento revelador, em que reaparece com força o maior dos erros nacionais: negar o problema para fugir dele. Os “negacionistas” — expressão da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP — sustentam que o país não é racista, mas que se tornará caso alguns estudantes pretos e pardos tenham desobstruído seu ingresso na universidade.Erros surgiram na aplicação das cotas. Os gêmeos de Brasília, por exemplo.Episódios isolados foram tratados como o todo.

Tiveram mais destaque do que a análise dos resultados da política. Os cotistas subverteram mesmo o princípio do mérito acadêmico? Reduziram a qualidade do ensino universitário? Produziram o ódio racial? Não vi até agora nenhum estudo robusto que comprovasse a tese manifesta de que uma única política pública, uma breve experiência, pudesse produzir tão devastadoras conseqüências. Os órgãos de comunicação têm feito uma enviesada cobertura do debate. Melhor faria o jornalismo se deixasse fluir a discussão, sem tanta ansiedade para, em cada reportagem, firmar a posição que já está explícita nos editoriais. A mensagem implícita em certas coberturas só engana os que não têm olhos treinados.

Ora, direis, que vantagens podem ter políticas que atuam apenas no topo da escala educacional? Ter mais pretos e pardos junto aos brancos, nas universidades públicas, permite a saudável convivência no mesmo nível social. Na minha UnB, não havia negros; na atual, há mais de dois mil. Isso é um começo num país com o histórico do Brasil.

Melhorar a educação pública sempre será fundamental para construir o país futuro, mas isso não conflita com outras políticas desenhadas diretamente para derrubar as barreiras artificiais e dissimuladas que impedem a ascensão de pretos e pardos.

O vestibular não mede a real capacidade do aluno de estar numa universidade, mas, sim, quem aprendeu melhor os truques dos cursinhos. Há muito a fazer pelo muito não feito neste longo tempo em que se esperou que, deixando tudo como está, tudo se resolveria. Ajudaria se intelectuais, ou não, quisessem avaliar as políticas de ação afirmativa, em vez de ter medo delas.

O racismo brasileiro é ardiloso e dissimulado. A luta contra ele será longa e difícil. Será mais eficiente se unir brancos e negros.

Será mais rápida se o país não acreditar nas falsas ameaças de que tocar no assunto nos trará o inferno da divisão por raças. Ora, a divisão já existe; sempre existiu. O que precisa ser construído são os caminhos do reencontro.

Ninjas



Essa é a foto dos dois ninjas que fingiram ser manobristas, enganaram a segurança do presidente Lula e roubaram um carro do SBT na manhã desta segunda-feira (26), durante um evento em Niterói (RJ).

A sedução dos holofotes midiáticos

O senador José Agripino Maia (DEM) disse ao portal Nominuto.com que prorrogar os trabalhos da CPI Mista que investiga o uso dos cartões corporativos do governo federal é uma coisa "inócua".

Para o líder dos 'demos', é melhor aguardar as investigações da Polícia Federal para "encostar a base do governo no canto da parede".

Mas se era para esperar a PF investigar, por que fazer CPI?

Eu respondo: para ter os holofotes da mídia. O resto é balela.

Cadê a coerência?

Voltando às notícias, leio na Folha Online que a executiva nacional do PT autorizou aliança com partidos da oposição em 12 municípios, mas vetou a coligação com o PSDB em Belo Horizonte (MG).

A justificativa dos petistas, segundo a Folha Online, é que a disputa eleitoral em BH tem reflexos nas eleições presidenciais de 2010, porque fortaleceria o governador tucano de MG, Aécio Neves, possível candidato à sucessão do presidente Lula.

É desculpa furada. O PT trocou a ideologia pela conveniência e a coerência pelo pragmatismo político. O resto é conversa pra boi dormir.

Explicação rápida



Meus caros, a falta de postagens nos últimos dias não tem a ver com preguiça. Estive muito atarefado desde quinta-feira até domingo e não deu para postar. Mas também, pelo que andei lendo e vendo, não aconteceu nada de muito importante. Então, acho que não perdi muita coisa.

Quero registrar apenas que no sábado à tarde fui ao Fraqueirão ver o jogo ABC x Corínthians. Assisti uma das festas mais bonitas da minha vida. A torcida abcedista deu show. O coração alvinegro ficou por demais emocionado. A parte chata foi a derrota do ABC por 1x0 para o time de São Paulo. Mas isso faz parte do espetáculo. O legal foi ver o estádio lotado de potiguares apaixonados pelo "Mais Querido do RN" e cantando a uma só voz: "Eu me orgulho em ser da terra potiguar / Quando vou para o gramado ver o ABC jogar".

domingo, 25 de maio de 2008

Você é cego de quê?

"Cegueira" é o título do vídeo abaixo, um curta-metragem inspirado no livro "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago.

O curta mostra que a cegueira que nos acomete, na verdade, são muitas.

"E se, de repente, ficássemos todos cegos? Se perdêssemos aquilo que nos conecta, nos une de forma mais intensa? Estaríamos preparados assumindo o abstrato? Sentiríamos falta de um olhar, que, em essência, nos possibilida apenas ver a decadência do enxergar?", pergunta-nos a narradora.

Qual é a sua cegueira? Assista e descubra.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Nóis sofre, mas nóis goza

Ótima tirada do impagável José Simão, na Folha desta quinta-feira (22):

"E mais um feriadão! Quem tá indo à praia não se anime, o Lula criou mais um imposto, o Ipod: Imposto sobre Praias, Ondas e Derivados."

O episódio entre os caipós e o engenheiro da Eletrobrás

A mídia repercutiu com grande estardalhaço o episódio de Altamira (PA), ocorrido na terça-feira passada (20), quando um grupo de caiapós agrediu o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernandes Rezende, coordenador do estudo para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Em editorial nesta quinta-feira (22), a Folha de São Paulo diz que o fação índigena "é um símbolo poderoso da violência primitiva e desumanizadora em várias áreas do mundo" e reclama que é "imperativo identificar e responsabilizar criminalmente o agressor, ou agressores."

Em artigo publicado hoje no Observatório da Imprensa, Luciano Martins Costa chama a atenção para a construção da "imagem do índio na imprensa" e registra que nenhum jornal ou televisão informou que a agressão dos caipós ao engenheiro se deu após Paulo Fernandes Rezende, ao defender a construção da usina, ter dito a seguinte frase: "Olha, eu moro no Rio de Janeiro. Quem vai ficar sem luz são vocês".

Não se trata de defender ou justificar a agressão, mas o dever de qualquer veículo de comunicação é dar a informação completa. Nesse caso, o que vemos, mais uma vez, é uma tentaiva de manipulação dos fatos com o objetivo de criminalizar uma das partes envolvidas.

"A tentativa de criminalizar os protestos contra obras que ameaçam o meio ambiente mostra a incapacidade da imprensa de entender a necessidade de se buscar uma estratégia sustentável para as obras de infra-estrutura de que o Brasil precisa", afirma Costa.

O Globo classificou o caso como "incivilidade" e a Folha chamou o mesmo episódio de "barbárie".

"Não há registro de a imprensa ter usado essas expressões para qualificar os massacres de índios por posseiros, ou mesmo o assassinato de ambientalistas e outros protagonistas do conflito que há anos se desenrola na Amazônia", contrapõe Costa.

Clique aqui e leia o artigo de Luciano Martins Costa na íntegra no Observatório da Imprensa.

'Veja' perde leitores

Em quase 10 anos, a revista Veja perdeu cerca de 83 mil assinantes. A informação é do jornal Meio & Mensagem, que na edição desta semana traz uma matéria sobre os 10 anos da Época e publica uma tabela comparando a circulação das três maiores revistas semanais do país.

A perda da Veja não foi suficiente para abalar a revista, que se mantém confortavelmente acima de um milhão de assinantes. Não dá para dizer que a revista esteja minguando, como afirmam muitos críticos.

Mas, enfim, pelo menos indica que o número de pessoas manipuladas pelo jornalismo reacionário praticado por Veja está diminuindo.

Confira os dados com base na circulação do IVC (Instituto Verificador de Circulação):




Título - Dez/1998 - Dez/2007

Época - 242,8 mil - 406,4 mil

Veja - 1,156 milhão - 1,073 milhão

Isto é - 301,6 mil - 340,2 mil

Além do que os olhos podem ver



A peça acima é uma criação da Euro para o Centro de Referência Contra o Abuso Infantil (Cerca) para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil, comemorado no último 18 de maio.

O objetivo é conscientizar todas as classes sociais sobre o problema da pedofilia. A peça mostra situações diferentes quando o leitor acende ou apaga a luz. Na imagem de cima, aparece uma criança com medo do escuro e a frase "Apague as luzes e ajude a acabar com o medo de escuro que a Bia tem". Na imagem de baixo, com a luz apagada, surge a silhueta da criança e do agressor, com o aviso: "Pedofilia. Você pode não ver, mas pode estar acontecendo".

Os anúncios foram veiculados em revistas, encartes de jornal e pôsteres.

Fonte: Meio & Mensagem

Qual é a boa para o feriadão?

Então, já pensou o que vai fazer no feriadão?

Meus planos não são nada atrativos: dar uma geral na casa, pôr o trabalho em dia, estudar...

Enquanto isso, o sol insiste em me contrariar, como que me lembrando que o mar está para todos.

Putzs.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

IBGE: desemprego cai para 8,5% em abril

O IBGE divilgou nesta quarta-feira que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 8,5% em abril, uma queda em relação aos 10,1% registrados no mesmo período do ano passado. O número é 0,01 ponto percentual menor que o registrado em março (8,6%).

Em abril deste, o IBGE registrou que há 21,4 milhões de pessoas trabalhando nas seis regiões metropolitanas do país pesquisadas, número 4,3% maior que o verificado um ano atrás. Os desempregados somam 1,991 milhão de trabalhadores, número 13,9% menor que em abril do ano passado.

O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 1,5% em relação a março e 9,9% em relação a abril de 2007, para 9,5 milhões.

O rendimento médio real habitual dos ocupados também teve alta nas comparações mensal (1%) e anual (2,8%), indo para R$ 1.208,10.

As informações são do Uol Últimas Notícias e Terra Últimas Notícias.

Barack Obama sofre "rejeição racial"

Luiz Carlos Azenha revela no Blog das Américas da Terra Magazine que o maior desafio a ser vencido pelo senador Barack Obama, pré-candidato a presidente dos EUA pelo Partido Democrata, é a "rejeição racial" - o novo nome do preconceito e da intolerância.

O senador venceu ontem (terça-feira, 20) a prévia democrata no estado do Oregon e atingiu 1.627 delegados para a Convenção Nacional Democrata, marcada para a última semana de agosto em Denver, no Colorado.

Hillary Clinton, que disputa a indicação do Partido Democrata com Barack Obama, não tem praticamente mais chances de superar o senador. No mesmo dia, ela venceu a prévia em Kentucky com 65% dos votos, contra 35% de Obama.

Segundo Azenha, 55% dos participantes brancos da prévia de Kentucky disseram que não votam em Obama se ele for o candidato do partido. Alguns preferem o republicano John McCain, outros ficariam em casa.

Ainda segundo Azenha, esse não é um dado isolado. "É a reprise do que aconteceu em outros estados da região dos Apalaches: Ohio, Virgínia Ocidental e Pensilvânia, onde Hillary recebeu o voto maciço de brancos de classe média baixa", informa.

Azenha revela os motivos dessa rejeição a Barack Obama.

Para ler mais, clique aqui.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Mais Cora Coralina


Este é um poema de amor

tão meigo, tão terno, tão teu...

É uma oferenda aos teus momentos

de luta e de brisa e de céu...

E eu,

quero te servir a poesia

numa concha azul do mar

ou numa cesta de flores do campo.

Talvez tu possas entender o meu amor.

Mas se isso não acontecer,

não importa.

Já está declarado e estampado

nas linhas e entrelinhas

deste pequeno poema,

o verso;

o tão famoso e inesperado verso que

te deixará pasmo, surpreso, perplexo...

eu te amo, perdoa-me, eu te amo...

À la Lavoisier

O francês Lavoisier, o pai da Química, disse que "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". No jornalismo também não. Que o diga Ailton Medeiros.

O cara, na maior cara de pau (perdoem o trocadilho), não perdeu a oportunidade e, sem nenhum pudor, colocou em seu blog um post do blog do Tutty Vasques (leia aqui) sem dar o crédito.

Ailton transformou somente o título do post, que no blog dele ficou "Os negócios do tráfico - Seu nome é sua marca".

No blog do Tutty Vasques, o título é "O nome dele é...".

O post é este aí abaixo:

O chefe do tráfico de drogas na Região dos Lagos e Norte Fluminense atende pelo apelido Rupinol.

Boa Noite Cinderela, para os íntimos.


Coisa feia, hein Ailton Medeiros.

TV Tropical: concessão pública ou palanque eleitoral?

O senador José Agripino Maia (DEM-RN) sempre usou a TV Tropical (uma concessão pública, vale ressaltar) como bem quis. A emissora é retransmissora da TV Record no Rio Grande do Norte. Faça chuva ou faça sol, todo dia tem pronunciamento do senador no canal. O pior é que agora é em dose tripla. Pela manhã, na edição matutina do Tropical Notícias, Agripino está lá discursando. À tarde, no Jornal da Tropical, Agripino em outro discurso. À noite, na segunda edição do Tropical Notícias, ele novamente. A gente toma café, almoça e janta ouvindo Agripino.

Não vejo ninguém ficar indignado com essa vergonha, a deturpação de uma concessão pública cinicamente transformada em instrumento de promoção pessoal e eleitoral.

Mas Agripino é generoso. Ele também coloca sua emissora a serviço dos aliados de plantão. Ontem (segunda-feira, 19), o Jornal da Tropical fez uma longa matéria promovendo o prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rêgo, filho do deputado estadual Getúlio Rêgo, ambos filiados ao partido do senador - o DEM.

Outro que tem uma boquinha para se promover na tevê do senador é Ney Lopes Junior, filho do ex-deputado federal Ney Lopes, também do DEM. Ney Junior vai se candidatar a vereador em Natal e, enquanto não começa a propaganda eleitoral, usa a TV Tropical como palanque.

E fica tudo por isso mesmo.

Os fabulosos caminhos do coração




Fiz várias tentativas de assistir "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, França, 2001). Começava a ver o filme após às 24h e o sono sempre acabava me vencendo. Nenhuma culpa da história. Mas ontem, finalmente, consegui. Foi o primeiro filme que assisti fatiado.


"Amélie" não é tão fabuloso como o título anuncia, mas é um bom filme. A narrativa é original, a fotografia é bem feita e a trilha sonora é cativante, pontuada com uma leve nostalgia que tem tudo a ver com o clima de fantasia do filme.


Além dos detalhes técnicos, a história da jovem Amélie, vivida pela atriz Audrey Tautou, nos atrai pela simplicidade e, mais ainda, porque explora uma coisa que é comum a todos nós: a busca de uma razão para a vida. No caso de Amélie, essa razão é a descoberta de um grande amor.


Amélie não teve uma infância das mais normais. O peixinho de estimação tentou suicídio várias vezes. A mãe teve uma morte, digamos, pouco convencional. O pai, médico, não era dado a demonstrações de afeto e só se aproximava de Amélie para examiná-la. A menina ficava tão emocionada que os batimentos cardíacos aceleravam. Por isso, o pai acreditava que a menina tinha um grave problema no coração.


Amélie, então, cresceu sem experimentar emoções fortes e, quando jovem, continuou no isolamento voluntário do mundo dos sentimentos. O coração de Amélie perigava secar e estilhaçar-se, como os ossos de vidro do velho Dominique Bretodeau.


É quando o destino lhe apronta uma surpesa, uma dessas imprevisibilidades que vêm e fazem redemoinho em nossas vidas. Foi Rousseau que disse que "nada está mais sob o nosso domínio que o coração, mas longe de podermos comandá-lo, somos forçados a obedecer-lhe".


"Amélie" traz de volta esta sensação às vezes esquecida de como é bom sermos surpreendidos pelas desconhecidas escolhas do nosso coração.


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Forças Armadas na Amazônia

Carlos Minc (PT), indicado para o ser o novo ministro do Meio Ambiente, defendeu o uso das Forças Armadas para ajudar na proteção dos parques nacionais e reservas extrativistas da Amazônia. Minc disse que vai apresentar a proposta ao presidente Lula nesta segunda-feira (19), na audiência que os dois terão em Brasília. Após a audiência, Minc deverá ser oficializado no MMA.

A mídia, que sempre encampou a idéia de usar as Forças Armadas no combate à violência das grandes cidades, reagiu com fúria à proposta do futuro ministro. Alexandre Garcia disse hoje de manhã no Bom Dia Brasil que Carlos Minc "deve estar confundindo as coisas".

O comentarista desdenhou da medida adotada por Minc, atual secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, que transformou bombeiros em guarda-parques em áreas protegidas do Rio.

"No Rio de Janeiro, os bombeiros cuidam de parques florestais. Para eles, a palavra “fogo” tem um sentido e um resultado diferentes que a ordem de fogo para um soldado do Exército. Converter o Exército em guarda florestal teria que ir muito além de uma mudança na Constituição, numa cláusula historicamente pétrea", disse Garcia.

É o mesmo Alexandre Garcia que, sem se preocupar com os "impedimentos constitucionais", prega que o Exército ocupe as favelas do Rio e São Paulo para "conter a violência". Contra pobre e preto, pode.

domingo, 18 de maio de 2008

Faustão: mil vezes no ar


Ele consagrou o bordão "Ô 'loco', meu" e faz parte da história da televisão brasileira. Fausto Silva e seu Domingão do Faustão completam neste domingo (dia 18) mil edições no ar pela TV Globo e, com raras excessões, sempre liderando a audiência.

Faustão tem um estilo falastrão e rasgador de seda que irrita muita gente (inclusive a este blogueiro aqui), mas é inegável que ele e seu programa são um grande sucesso de público - o que não é garantia nenhuma de qualidade. Muito pelo contrário. O Domingão do Faustão é responsável por vários episódios lamentáveis, para ser bem ameno, da televisão brasileira.

Lembram do sushi erótico, quando o programa mostrou ao vivo homens se servindo do prato japonês no corpo de uma mulher nua? Fora isso, o programa sempre foi recheado de quadros que expunham pessoas comuns ao ridículo, como as famosas Pegadinhas e as Olimpíadas do Faustão.

No artigo "A construção do herói: a glamourização do popular no Domingão do Faustão", Renné Oliveira França, mestrando em Comunicação Social pela UFMG, tenta entender o sucesso do programa pela possibilidade que a atração oferece de aproximar celebridades de pessoas comuns e, ao mesmo tempo, de tornar pessoas comuns em celebridades instantâneas. O artigo faz parte do livro "Narrativas Televisivas: programas populares na TV" (Ed. Autêntica).

Renné chama essas celebridades de "olimpianos" ou "os famosos que fazem as vezes de deuses modernos".

" 'Monte Olimpo' na televisão brasileira, lar de deuses e deusas da nossa cultura midiática, o Domingão do Faustão passou a atuar como um momento único em que os mortais se encontram com o divino e os anônimos podem brincar de ser estrela", escreve ele.

As onomatopéias da Vovó Socialista

Dizem que quanto mais a gente luta contra um apelido, mais fácil ele gruda na gente. Eu já tive vários. Meus ex-alunos do Senac, quando queriam me tirar do sério, diziam que eu era o professor mais "cabeça" que eles já tiveram na vida. Deixei de ser professor e muitos deles viraram meus amigos. Não me chamam mais de professor. Abreviaram para "cabeça".

Ailton Medeiros, com a ironia que lhe é peculiar, resolveu batizar Thaisa Galvão de "Vovó Socialista". O negócio pegou e todo mundo só chama a blogueira agora por esse apelido pouco honroso. É óbvio que Thaisa não é tão velha assim pra ser chamada de "vovó" - nem tão pouco é socialista, para que mereça esse tratamento.

Mas deixemos o apelido pra lá. Eu quero falar mesmo é do blog dela. Não aguento mais ler tantas onomatopéias. É tanto "huuummm", "vixiii", "ahhh", xiii", "ixeee", que tá ficando insuportável. Parece que a moça não tem o que falar, aí tasca uma dessas expressões. Parece também que tá tendo um orgasmo quando escreve, aí solta esse "huuummm".

Tá ficando um blog 'pornomatopéico'.

RN é sexto em denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes

Em entrevista ao portal Nominuto.com, o promotor da Defesa da Infância e da Justiça, Manoel Onofre Lopes, falou sobre o problema do abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na capital e no interior, destacando que o RN ocupa a sexta coloção no país em número de denúncias contra esses casos.

O promotor esclareceu que a maior parte dos casos registrados no RN é de abuso sexual, praticado, quase em sua totalidade, no universo da família. Isso significa que, geralmente, o abusador é alguém muito próximo da criança e do adolescente. Para ele, isso dificulta muito o combate à agressão. "A gente está falando de uma família que vai ser desestruturada (...). Qual é a alternativa que eu tenho para uma menina que está sendo vítima de processo de abuso dentro de casa e você tem que afastar o pai que paga todas as contas da casa?", questionou.

Em relação à exploração sexual, que se caracteriza quando alguém obtém alguma espécie de lucro (financeiro ou em relação ao favor sexual em si), Manoel Onofre disse que o problema tem ligação com as desiguladades sociais. Para ele, isso gera um quadro de "vulnerabilidade" social e, por isso, crianças e adolescentes, mesmo não tendo conhecimento do que isso representa, se submetem à exploração como "alternativa de vida". (Eu não chamaria de "alternativa" uma coisa dessa. "Imposição" talvez fosse o nome mais correto)

O promotor também ressaltou que, além dessa questão socioeconômica, contribui para o agravamento da situação o fato de Natal ser uma cidade com intenso fluxo turístico. Ele defendeu o combate a essa figura do turista explorador e disse que, para isso, é preciso conversar com a própria rede turística.

Manoel Onofre defendeu ainda a necessidade de se oferecer um projeto de "alternativa de vida e auto-estima", com inserção no mercado de trabalho e acompanhamento psicológico, às vítimas de abuso e exploração sexual.

Em Tempo

A Folha de São Paulo deste domingo (18), traz uma reportagem sobre o aumento dos casos de exploração sexual infantil e adolescente em locais onde estão sendo realizadas grandes obras de infra-estrutura pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal.

O problema é que o jornal responsabiliza o PAC pelo problema, numa clara inversão dessa lógica perversa da exploração sexual infanto-juvenil. A manchete da reportagem, "PAC pode agravar exploração sexual infantil", é infeliz e induz o leitor a uma interpretação errada.

Não foi o PAC que criou o problema. Existe, como disse o promotor Manoel Onofre Lopes na entrevista ao Nominuto.com, uma conjuntura de desiguldades sociais que favorece o contexto da exploração. Portanto, em vez de atacar o PAC, deveríamos denunciar a mazela da injustiça social que se impõe e expõe nossas crianças e adolescentes ao algoz explorador.

Voltando à reportagem da Folha, segundo o jornal, o aumento de casos de exploração sexual nos canteiros das obras do PAC levou o governo a lançar um "plano de combate à exploração sexual infantil à margens da megaobra de asfaltamento da BR-163, que liga Santarém (PA) a Cuiabá (MT)."

O projeto foi lançado há um ano e é coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. O projeto é composto de atividades preventivas como divulgação do número de telefone para denúncias e fortalecimento da rede de atendimento local e das políticas sociais.

A socióloga Marlene Vaz, ouvida pela Folha, disse que o problema da exploração sexual tem a ver também com o nosso modelo de sociedade consumista. Ela estuda há quase 35 anos a exploração sexual de crianças e adolescentes. "É uma sociedade de consumo onde o tempo todo se destaca a importância de ter um celular, uma boa roupa, perfumes caros. Não há como essas meninas ignorarem isso."