terça-feira, 10 de junho de 2008
A quadrilha tucana no Rio Grande do Sul
O governo do PSDB gaúcho está sendo investigado pelo desvio de dinheiro público no Detran e no Banrisul. Apenas no Detran, foram desviados R$ 44 milhões. O esquema foi desmontado pela Operação Rodin, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2007, que culminou na prisão do empresário tucano Lair Ferst.
A coisa ficou mais complicada para a governadora depois que o vice-governador Paulo Feijó (DEM) divulgou uma fita com a gravação de uma conversa entre ele e o então da Casa Civil do RS, Cézar Busatto (PPS), na qual Busatto admitiu o uso de estatais do governo gaúcho para financiar campanhas eleitorais.
Depois da divulgação da fita bomba, três nomes do primeiro escalão do governo gaúcho cairam: o próprio Cézar Busatto (ex-chefe da Casa Civil), Delson Martini (ex-secretário-geral de Governo) e Marcelo Cavalcante (ex-chefe do escritório do Estado em Brasília). Além deles, também caiu o coronel Nilson Bueno (ex-comandante-geral da Brigada Militar).
Segundo a Folha Online, o vice-governador Paulo Feijó afirmou que o empresário tucano Lair Ferst, um dos acusados de liderar o esquema de desvio de dinheiro no Detran gaúcho, atuou na arrecadação de dinheiro para a campanha da governadora Yeda Crusius (PSDB) em 2006.
O PSOL gaúcho entrou nesta terça-feira (10) com um pedido de impeachment contra a governadora Yeda Crusius na Assembléia Legislativa.
Na entrevista à Terra Magazine, Luciana Genro disse que a governadora Yeda Crusius ganhou a eleição "usando recursos públicos de forma indevida" e defendeu o impeachment da tucana.
Leia a íntegra da entrevista:
Terra Magazine - O que especificamente motivou o PSOL a pedir o impeachment?
Luciana Genro - Fundamentalmente, a gravação entre o vice-governador e o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Ela demonstra que existe uma quadrilha instalada no Palácio Piratini que vem se utilizando de empresas públicas e cargos no governo para financiar suas campanhas eleitorais e seus partidos. A governadora veio a público para condenar a postura do vice-governador de ter revelado a gravação, mas não negou nenhuma das declarações de César Busatto.
Criticou a revelação, mas não o fato em si.
Exatamente. Ela demitiu secretários e dirigentes de empresas estatais, mas isso não é suficiente porque demonstra que ela foi eleita já com recursos desviados - o secretário diz isso na fala - e que os desvios continuaram ocorrendo neste governo com o conhecimento dela.
Como a senhora avalia essa crise?
Eu acho que é uma crise positiva, porque ela traz à tona aquilo que a maioria da população brasileira desconfiava, mas não tinha provas: esse esquema de financiamento dos partidos através de cargos, que foi revelado no esquema do "mensalão". Aqui no Rio Grande do Sul muita gente achava que os partidos agiam de forma diferente, então essa gravação nos dá uma oportunidade de fazer uma limpeza na política gaúcha.
Existe a possibilidade de trabalhar com o PT nesse processo de impeachment?
Existe. O PT já deu declarações apoiando o processo. Nós temos a expectativa de que o PT venha a apoiar ou apresentar outro pedido de impeachment e fazer uma mobilização conjunta na cidade.
A governadora Yeda Crusius disse que um pedido de impeachment seria uma tentativa de ganhar a eleição "no tapetão". Qual sua opinião a respeito?
Olha, "tapetão" é ganhar uma eleição usando recursos públicos de forma indevida. Nosso partido fez uma campanha eleitoral modesta, sem recurso nenhum, e certamente a desiguldade foi ainda maior por conta do dinheiro público desviado que a campanha dela recebeu.
Esse pedido de impeachment não pode acabar favorecendo o vice-governador?
Eu não estou muito interessada nas razões íntimas do vice-governador. Se ele fez isso para tentar assumir o governo, foi uma manobra muito arriscada porque a conversa com o Busatto revela que a própria eleição deles foi financiada com recursos irregulares. Nesse caso, o impeachment é para os dois e não só para o governador. Ele defendeu que se houvesse impeachment, pediria novas eleições.
Há um clima político propício na Assembléia para a aprovação do impeachment?
O escandâlo é muito grande e o parlamento gaúcho não pode se calar diante dessa situação. Acho que o vice-governador tem uma grande responsabilidade porque ele tem mais informações e documentos que podem fortalecer e tese do impeachment e podem inclusive constranger os cativos que hoje ainda sustentar a Yeda a votarem pelo impeachment. Nós vamos pressionar ao máximo para que outras revelações venham à tona e para que a população e os movimentos sociais atuem no sentido de tensionar o parlamento a tomar uma atitude diante da gravidade dessa situação.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
A favela
Não sei por que essa besteira. Será que ela já botou os pés lá? Duvido. Caso conhecesse o local, não posaria de falsa moralista. A vida daqueles moradores é tão dura como a de um morador de qualquer favela do Rio de Janeiro ou São Paulo. Falta tudo: segurança, saúde, escolas, saneamento básico, áreas de lazer.
Mas a única favela que a jornalista deve conhecer é a Portelinha da novela "Duas Caras" da Rede Globo.
O nome disso é hipocrisia.
Caern desiste de fazer 'cagada'
O emissário, segundo a Caern, vai custar R$ 81 milhões. Isso mesmo: R$ 81 milhões para construir um canal que vai lançar merda ao mar.
domingo, 8 de junho de 2008
É muito provincianismo
Mas se o nobre leitor quiser saber mais sobre a participação da cantora no programa de Fausto Silva, então você não deve ser um leitor assíduo deste blog e tá aqui só de gaiato.
O seu lugar é no Blog de Thaisa Galvão, que não saiu de frente da televisão e ainda tirou várias fotos pra provar que " Marina Elali brilhou" no Faustão.
Provincianismo é pouco pra isso.
Fora de órbita
terça-feira, 3 de junho de 2008
Jornalista 'bosta'
Não sei o que o nobre leitor daquele blog chama de "bater nos outros". Mas, pelo visto, ele deve ser daqueles que acham que jornalista é um ser iluminado, senhor de toda razão, que vive num nível de existência acima dos simples mortais. Alguém assim não poder ser questionado nem contrariado, porque nunca comete erros, nunca está equivocado e nunca age por interesse próprio.
Eu penso diferente - muito difirente. Jornalistas, geralmente, confundem a profissão com status e só estão interessados em glamour. Há raras excessões, honrados jornalistas que ainda acreditam que fazer jornalismo é, antes de tudo, servir à sociedade, mesmo que seja necessário desafiar tudo e todos - principalmente os poderosos.
"Jornalista bosta" é aquele que abdica do senso crítico e serve aos donos do jogo com fidelidade canina, traindo os ideias que ele mesmo, quando recebeu o seu diploma, jurou defender.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Intimidade Virtual
A Folha de São Paulo de ontem (segunda-feira, 2) trouxe uma matéria interessante sobre o tema, mostrando que os teens estão aderindo às amizades virtuais e trocando confidências com pessoas que só conhecem no frio ambiente do ciberespaço.
De acordo com a matéria, a vantagem de "se abrir" com amigos virtuais é não ter que "enfrentar o julgamento de amigos reais".
Andréa Jotta, psicóloga do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC, ouvida pelo jornal, vê "o aprofundamento das amizades virtuais" como um "processo natural". "O virtual está fazendo cada vez mais parte do real", observou à Folha.
Nos relacionamentos pela internet, ponderou a psicóloga, não existe a necessidade da "aceitação social", porque as pessoas não convivem umas com as outras.
Ela alerta, porém, para os perigos dos relacionamentos virtuais. O maior risco é não ter certeza sobre a identidade do outro, porque no mundo da internet as pessoas podem criar e assumir qualquer identidade.
"Não dá para acreditar em identidades virtuais. É preciso fazer o teste para se certificar de que aquela pessoa que está do outro lado do computador é real", orienta.
domingo, 1 de junho de 2008
O poder faz a diferença
Enrolados com o escândalo da Alstom, Serra e Alckmin agora adotam discursos diferentes. Serra diz que "não há o que investigar", enquanto Alckmin defende a investigação e a "punição exemplar dos envolvidos".
A multinacional francesa, segundo o Ministério Público da Suíça, pagou R$ 13,5 milhões em propinas para políticos e autoridades de SP, entre 1998 e 2001, quando o Estado foi governado pelos tucanos Mário Covas e Alckmin.
O que aconteceu para Alckmin mudar e, somente agora, defender a "apuração, investigação e punição exemplar"?
É simples: Alckmin não está no poder. José Serra está e faz valer o peso desse poder para sufocar as investigações na Assembléia Legislativa de SP.
O discurso de Alckmin é o discurso da conveniência, falácia de alguém que é candidato e precisa dar respostas rápidas ao eleitorado, para não ficar mal na fita.
Ele não vai dizer nunca que "não há o que investigar", como disse Serra. Isso lhe custaria alguns preciosos votos numa disputa eleitoral que promete ser acirrada.
Estar ou não no poder faz toda a diferença.
sábado, 31 de maio de 2008
Paixão e Metamorfose
A história de uma mulher que mata e depois come uma barata me lembrou "A Metamorfose" de Kafka. Não sei se Clarice bebeu na fonte kafkiana. Estou apenas especulando, somente uma primeira e imatura impressão.
Quando terminar a leitura, volto ao assunto.
A barriga de Thaisa Galvão
Tá vendo. É como diz o didato: apressado come cru - e ainda dá barriga.
Duas cenas
Na cadeira em frente à minha, uma mãe e seu filho pequeno saboreavam uma amanteigada espiga de milho cozido. Quando terminaram de comer, a mãe, solenemente, abriu a janela do ônibus e jogou o sabugo e a palha do milho na rua.
Eu tive vontade de dizer alguma coisa a ela, pra ver se ela se tocava que aquilo era falta de educação e que ela, com aquele tipo de atitude, estava dando um péssimo exemplo ao filho.
Mas não fiz isso. Achei que não valeria à pena, porque talvez não adiantasse nada e a mulher ainda poderia querer armar um barraco.
Aí fiquei olhando pra ela meio atravessado, com minha indiganação sufocada e me sentindo um completo babaca por me incomodar com gente que joga lixo na rua, fura fila, não respeita a faixa de pedestre, ocupa a vaga dos idosos e gestantes nos ônibus, entre outras pequenas demonstrações de má educação.
Então, aconteceu a segunda cena. Eu me preparava pra descer do ônibus. Outra mãe, com o filho pequeno no colo, também terminava de saborear sua espiga de milho cozido. O menino, que viu a mãe daquele primeiro garoto jogar o lixo pela janela, queria que sua mãe imitasse a primeira.
- Não, meu filho. A gente leva e quando chegar em casa, joga no lixo - respondeu a segunda mãe à sugestão do seu filho de se desfazer do lixo na rua.
Olhei pra mulher e, mesmo sem conhecê-la, sorri pra ela. Ela retribuiu o sorriso. Eu vim pra casa mais esperançoso de que nem tudo está perdido e mais convicto de que o exemplo começa em casa.
As crianças tendem (eu disse tendem)a reproduzir o comportamento e os hábitos dos seus pais. O mesmo vale para os valores morais e éticos.
Como formar cidadãos éticos, conscientes dos seus direitos e deveres, não violentos, se no próprio lar, diariamente, mães e pais despreparados dão o contra-exemplo de tudo isso?
Garotinho culpa Lula por "perseguição"

quinta-feira, 29 de maio de 2008
Os 10 mitos sobre as cotas
Para acessar o Blog do Mello, clique aqui.
Imprensa no banco dos réus
O Tribunal de Justiça de São Paulo, 14 anos depois, condenou o Grupo Folha da Manhã, dono do jornal Folha da Tarde, a pagar indenização por causa da cobertura "escandalosa e sensacionalista" no caso da Escola Base. A informação é do site Consultor Jurídico.
Em março de 1994, três casais foram acusados de envolvimento no abuso sexual de crianças na Escola Base, em São Paulo (SP). A acusação se baseava em laudos preliminares e no depoimento de duas mães de alunos. Os donos da Escola Base foram sumariamente julgados e condenados pela mídia e pela opinião pública.
Na época, a Folha da Tarde deu a seguinte manchete sobre o caso:
“Perua escolar carregava as crianças para a orgia”
Para o desembargador Oldemar Azevedo, o jornal e outros órgãos de imprensa extrapolaram a liberdade de informar e não resguardaram a honra moral de uma criança de quatro anos, apontada como vítima de abuso sexual dos próprios pais.
O Grupo Folha foi condenado a pagar R$ 200 mil a um jovem de 18 anos - o garoto que na época do falso escândalo tinha somente quatro anos. Ele é filho de um dos casais acusados sem provas no caso da Escola Base.
O Consultor Jurídico informa ainda que outros veículos de imprensa também foram condenados pelo episódio:
"Outras empresas de comunicação sofreram condenação pelas notícias divulgadas à época dos fatos, em 1994. É o caso dos jornais Folha de S.Paulo (R$ 750 mil) e O Estado de S.Paulo (R$ 750 mil), da Globo (R$ 1,35 milhão) e da Editora Três, responsável pela publicação da revista IstoÉ, (R$ 360 mil). Em todos os casos ainda cabe recurso."
É como diz o título do livro do jornalista Carlos Dorneles: Deus é inocente; a mídia, não.
Leia mais aqui.
A traquinagem do Garotinho
MPF denuncia Álvaro Lins, Garotinho e mais 14 pessoas
Eles são suspeitos de praticar vários crimes, entre eles, lavagem de dinheiro e corrupção.Ex-governador diz que está em casa e não foi informado de nada.
O Ministério Público Federal apresentou denúncia à Justiça Federal
contra o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB), o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB) e mais 14 pessoas por, supostamente, integrarem uma organização criminosa.
Segundo a denúncia oferecida ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o grupo de 16 pessoas usava a estrutura da Polícia Civil do Rio de Janeiro para praticar lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção.
Leia mais aqui.
É tudo vaidade...

Como diz o Eclesiastes, é tudo vaidade.
Lula matou Isabella
O próximo passo será acusar o presidente Lula de ter matado Isabella. A mídia vai adorar.
Denúncia ou falácia?
Até onde eu sei, "abuso de poder" é caso para cassação de mandato. Rogério terá coragem de formalizar a denúncia ou vai ficar só na falácia?
Pleonasmo
Ok. Mas sem querer ser maldoso, alguém aí conhece uma testemunha que não seja presente?
quarta-feira, 28 de maio de 2008
É contigo, Fábio!

Outra de Cora Coralina

terça-feira, 27 de maio de 2008
Isso é política?

Dilma no Jô

segunda-feira, 26 de maio de 2008
Incrível
A gente sempre mete o pau na turma da mídia conservadora por que se trata de um pessoal reacionário a tudo o que diz respeito ao povo. Por isso, causa espanto quando eles assumem posições em favor dos fracos e oprimidos.
Foi o que fez a comentarista da TV Globo, Miriam Leitão, em artigo na edição de domingo do jornal O Globo. Miriam disse com todas as letras que existe racismo no Brasil (o que é em geral negado pela elite branca do país), defendeu a política de cotas raciais e chamou de "negacionistas" os que sustentam que o país não é racista.
Leia a íntegra do artigo abaixo:
A luta contra a escravidão foi um movimento cívico de envergadura. Misturou povo e intelectuais, negros e brancos, republicanos e monarquistas.
Foi uma resistência que durou anos.
Houve passeatas de estudantes e lutas nos quilombos.
Houve batalhas parlamentares memoráveis e disputas judiciais inesperadas. Os contra a abolição reagiram nos clubes da lavoura, na chantagem econômica e nos sofismas.
O país se dividiu e lutou.
Venceu a melhor tese. Pena o país ter feito o reducionismo que fixou na memória coletiva apenas o instante da assinatura da lei pela Princesa. Tudo foi varrido. Do povo em frente ao Paço à persistência para se aprovar a lei que tornou extinta a escravidão no Brasil.
Foram seis anos de lutas parlamentares para libertar os não-nascidos, após quedas de gabinetes, avanços e retrocessos. Mais luta de vários anos para libertar os idosos. Por fim, a maior das batalhas: a libertação de todos.Lutou-se com a poesia e o jornalismo. Com a política e o Direito. Lutou-se na Justiça com as Ações de Liberdade, incríveis processos que escravos moviam contra seus donos.
Os negros lutaram de forma variada: com a greve negra em Salvador, com rebeliões e quilombos. Os escravocratas adiaram o inevitável, ameaçaram com a derrota econômica, assombraram com todos os fantasmas nacionais. Pareciam vencer, até que perderam.
Fica em quem revisita a história a constatação de um erro: os abolicionistas se dispersaram cedo demais.Era a hora de reduzir a imensa distância que a centenária ordem escravagista havia criado no país.
Venceu a idéia de que, deixado ao seu ritmo, o país faria naturalmente a transição da escravidão negra para um outro país, sem divisões raciais. Idéia poderosa esta da inércia salvacionista.
Ela construiu o imaginário de um país sem racismo por natureza, que teria eliminado o preconceito naturalmente, como se as marcas deixadas por 350 anos de escravidão fossem varridas por um ato, uma lei de duas linhas.
Ainda há quem negue, hoje, que haja algo estranho numa sociedade de tantas diferenças.
O manifesto contra as cotas tem alguns intelectuais respeitáveis. Mais os respeitaria se estivessem pedindo avaliações e estudos sobre o desempenho de política tão recente; primeira e única tentativa em 120 anos de fazer algo mais vigoroso que deixar tudo como está para ver como é que fica. O status quo nos trouxe até aqui: a uma sociedade de desigualdades raciais tão vergonhosas de ruborizar qualquer um que não tenha se deixado anestesiar pela cena e pelas estatísticas brasileiras.
Ora, direis: o que tem o glorioso abolicionismo com uma política tópica — para tantos, equivocada — de se reservar vagas a pretos e pardos nas universidades públicas? Ora, a cota não é a questão.
Ela é apenas o momento revelador, em que reaparece com força o maior dos erros nacionais: negar o problema para fugir dele. Os “negacionistas” — expressão da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP — sustentam que o país não é racista, mas que se tornará caso alguns estudantes pretos e pardos tenham desobstruído seu ingresso na universidade.Erros surgiram na aplicação das cotas. Os gêmeos de Brasília, por exemplo.Episódios isolados foram tratados como o todo.
Tiveram mais destaque do que a análise dos resultados da política. Os cotistas subverteram mesmo o princípio do mérito acadêmico? Reduziram a qualidade do ensino universitário? Produziram o ódio racial? Não vi até agora nenhum estudo robusto que comprovasse a tese manifesta de que uma única política pública, uma breve experiência, pudesse produzir tão devastadoras conseqüências. Os órgãos de comunicação têm feito uma enviesada cobertura do debate. Melhor faria o jornalismo se deixasse fluir a discussão, sem tanta ansiedade para, em cada reportagem, firmar a posição que já está explícita nos editoriais. A mensagem implícita em certas coberturas só engana os que não têm olhos treinados.
Ora, direis, que vantagens podem ter políticas que atuam apenas no topo da escala educacional? Ter mais pretos e pardos junto aos brancos, nas universidades públicas, permite a saudável convivência no mesmo nível social. Na minha UnB, não havia negros; na atual, há mais de dois mil. Isso é um começo num país com o histórico do Brasil.
Melhorar a educação pública sempre será fundamental para construir o país futuro, mas isso não conflita com outras políticas desenhadas diretamente para derrubar as barreiras artificiais e dissimuladas que impedem a ascensão de pretos e pardos.
O vestibular não mede a real capacidade do aluno de estar numa universidade, mas, sim, quem aprendeu melhor os truques dos cursinhos. Há muito a fazer pelo muito não feito neste longo tempo em que se esperou que, deixando tudo como está, tudo se resolveria. Ajudaria se intelectuais, ou não, quisessem avaliar as políticas de ação afirmativa, em vez de ter medo delas.
O racismo brasileiro é ardiloso e dissimulado. A luta contra ele será longa e difícil. Será mais eficiente se unir brancos e negros.
Será mais rápida se o país não acreditar nas falsas ameaças de que tocar no assunto nos trará o inferno da divisão por raças. Ora, a divisão já existe; sempre existiu. O que precisa ser construído são os caminhos do reencontro.
Ninjas
A sedução dos holofotes midiáticos
Para o líder dos 'demos', é melhor aguardar as investigações da Polícia Federal para "encostar a base do governo no canto da parede".
Mas se era para esperar a PF investigar, por que fazer CPI?
Eu respondo: para ter os holofotes da mídia. O resto é balela.
Cadê a coerência?
A justificativa dos petistas, segundo a Folha Online, é que a disputa eleitoral em BH tem reflexos nas eleições presidenciais de 2010, porque fortaleceria o governador tucano de MG, Aécio Neves, possível candidato à sucessão do presidente Lula.
É desculpa furada. O PT trocou a ideologia pela conveniência e a coerência pelo pragmatismo político. O resto é conversa pra boi dormir.
Explicação rápida

domingo, 25 de maio de 2008
Você é cego de quê?
O curta mostra que a cegueira que nos acomete, na verdade, são muitas.
"E se, de repente, ficássemos todos cegos? Se perdêssemos aquilo que nos conecta, nos une de forma mais intensa? Estaríamos preparados assumindo o abstrato? Sentiríamos falta de um olhar, que, em essência, nos possibilida apenas ver a decadência do enxergar?", pergunta-nos a narradora.
Qual é a sua cegueira? Assista e descubra.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Nóis sofre, mas nóis goza
"E mais um feriadão! Quem tá indo à praia não se anime, o Lula criou mais um imposto, o Ipod: Imposto sobre Praias, Ondas e Derivados."
O episódio entre os caipós e o engenheiro da Eletrobrás
Em editorial nesta quinta-feira (22), a Folha de São Paulo diz que o fação índigena "é um símbolo poderoso da violência primitiva e desumanizadora em várias áreas do mundo" e reclama que é "imperativo identificar e responsabilizar criminalmente o agressor, ou agressores."
Em artigo publicado hoje no Observatório da Imprensa, Luciano Martins Costa chama a atenção para a construção da "imagem do índio na imprensa" e registra que nenhum jornal ou televisão informou que a agressão dos caipós ao engenheiro se deu após Paulo Fernandes Rezende, ao defender a construção da usina, ter dito a seguinte frase: "Olha, eu moro no Rio de Janeiro. Quem vai ficar sem luz são vocês".
Não se trata de defender ou justificar a agressão, mas o dever de qualquer veículo de comunicação é dar a informação completa. Nesse caso, o que vemos, mais uma vez, é uma tentaiva de manipulação dos fatos com o objetivo de criminalizar uma das partes envolvidas.
"A tentativa de criminalizar os protestos contra obras que ameaçam o meio ambiente mostra a incapacidade da imprensa de entender a necessidade de se buscar uma estratégia sustentável para as obras de infra-estrutura de que o Brasil precisa", afirma Costa.
O Globo classificou o caso como "incivilidade" e a Folha chamou o mesmo episódio de "barbárie".
"Não há registro de a imprensa ter usado essas expressões para qualificar os massacres de índios por posseiros, ou mesmo o assassinato de ambientalistas e outros protagonistas do conflito que há anos se desenrola na Amazônia", contrapõe Costa.
Clique aqui e leia o artigo de Luciano Martins Costa na íntegra no Observatório da Imprensa.
'Veja' perde leitores
A perda da Veja não foi suficiente para abalar a revista, que se mantém confortavelmente acima de um milhão de assinantes. Não dá para dizer que a revista esteja minguando, como afirmam muitos críticos.
Mas, enfim, pelo menos indica que o número de pessoas manipuladas pelo jornalismo reacionário praticado por Veja está diminuindo.
Confira os dados com base na circulação do IVC (Instituto Verificador de Circulação):
Título - Dez/1998 - Dez/2007
Época - 242,8 mil - 406,4 mil
Veja - 1,156 milhão - 1,073 milhão
Isto é - 301,6 mil - 340,2 mil
Além do que os olhos podem ver

A peça acima é uma criação da Euro para o Centro de Referência Contra o Abuso Infantil (Cerca) para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil, comemorado no último 18 de maio.
O objetivo é conscientizar todas as classes sociais sobre o problema da pedofilia. A peça mostra situações diferentes quando o leitor acende ou apaga a luz. Na imagem de cima, aparece uma criança com medo do escuro e a frase "Apague as luzes e ajude a acabar com o medo de escuro que a Bia tem". Na imagem de baixo, com a luz apagada, surge a silhueta da criança e do agressor, com o aviso: "Pedofilia. Você pode não ver, mas pode estar acontecendo".
Os anúncios foram veiculados em revistas, encartes de jornal e pôsteres.
Fonte: Meio & Mensagem
Qual é a boa para o feriadão?
Meus planos não são nada atrativos: dar uma geral na casa, pôr o trabalho em dia, estudar...
Enquanto isso, o sol insiste em me contrariar, como que me lembrando que o mar está para todos.
Putzs.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
IBGE: desemprego cai para 8,5% em abril
Em abril deste, o IBGE registrou que há 21,4 milhões de pessoas trabalhando nas seis regiões metropolitanas do país pesquisadas, número 4,3% maior que o verificado um ano atrás. Os desempregados somam 1,991 milhão de trabalhadores, número 13,9% menor que em abril do ano passado.
O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 1,5% em relação a março e 9,9% em relação a abril de 2007, para 9,5 milhões.
O rendimento médio real habitual dos ocupados também teve alta nas comparações mensal (1%) e anual (2,8%), indo para R$ 1.208,10.
As informações são do Uol Últimas Notícias e Terra Últimas Notícias.
Barack Obama sofre "rejeição racial"
O senador venceu ontem (terça-feira, 20) a prévia democrata no estado do Oregon e atingiu 1.627 delegados para a Convenção Nacional Democrata, marcada para a última semana de agosto em Denver, no Colorado.
Hillary Clinton, que disputa a indicação do Partido Democrata com Barack Obama, não tem praticamente mais chances de superar o senador. No mesmo dia, ela venceu a prévia em Kentucky com 65% dos votos, contra 35% de Obama.
Segundo Azenha, 55% dos participantes brancos da prévia de Kentucky disseram que não votam em Obama se ele for o candidato do partido. Alguns preferem o republicano John McCain, outros ficariam em casa.
Ainda segundo Azenha, esse não é um dado isolado. "É a reprise do que aconteceu em outros estados da região dos Apalaches: Ohio, Virgínia Ocidental e Pensilvânia, onde Hillary recebeu o voto maciço de brancos de classe média baixa", informa.
Azenha revela os motivos dessa rejeição a Barack Obama.
Para ler mais, clique aqui.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Mais Cora Coralina

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...
À la Lavoisier
O cara, na maior cara de pau (perdoem o trocadilho), não perdeu a oportunidade e, sem nenhum pudor, colocou em seu blog um post do blog do Tutty Vasques (leia aqui) sem dar o crédito.
Ailton transformou somente o título do post, que no blog dele ficou "Os negócios do tráfico - Seu nome é sua marca".
No blog do Tutty Vasques, o título é "O nome dele é...".
O post é este aí abaixo:
O chefe do tráfico de drogas na Região dos Lagos e Norte Fluminense atende pelo apelido Rupinol.
Boa Noite Cinderela, para os íntimos.
Coisa feia, hein Ailton Medeiros.
TV Tropical: concessão pública ou palanque eleitoral?
Não vejo ninguém ficar indignado com essa vergonha, a deturpação de uma concessão pública cinicamente transformada em instrumento de promoção pessoal e eleitoral.
Mas Agripino é generoso. Ele também coloca sua emissora a serviço dos aliados de plantão. Ontem (segunda-feira, 19), o Jornal da Tropical fez uma longa matéria promovendo o prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rêgo, filho do deputado estadual Getúlio Rêgo, ambos filiados ao partido do senador - o DEM.
Outro que tem uma boquinha para se promover na tevê do senador é Ney Lopes Junior, filho do ex-deputado federal Ney Lopes, também do DEM. Ney Junior vai se candidatar a vereador em Natal e, enquanto não começa a propaganda eleitoral, usa a TV Tropical como palanque.
E fica tudo por isso mesmo.
Os fabulosos caminhos do coração

segunda-feira, 19 de maio de 2008
Forças Armadas na Amazônia
A mídia, que sempre encampou a idéia de usar as Forças Armadas no combate à violência das grandes cidades, reagiu com fúria à proposta do futuro ministro. Alexandre Garcia disse hoje de manhã no Bom Dia Brasil que Carlos Minc "deve estar confundindo as coisas".
O comentarista desdenhou da medida adotada por Minc, atual secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, que transformou bombeiros em guarda-parques em áreas protegidas do Rio.
"No Rio de Janeiro, os bombeiros cuidam de parques florestais. Para eles, a palavra “fogo” tem um sentido e um resultado diferentes que a ordem de fogo para um soldado do Exército. Converter o Exército em guarda florestal teria que ir muito além de uma mudança na Constituição, numa cláusula historicamente pétrea", disse Garcia.
É o mesmo Alexandre Garcia que, sem se preocupar com os "impedimentos constitucionais", prega que o Exército ocupe as favelas do Rio e São Paulo para "conter a violência". Contra pobre e preto, pode.
domingo, 18 de maio de 2008
Faustão: mil vezes no ar

Ele consagrou o bordão "Ô 'loco', meu" e faz parte da história da televisão brasileira. Fausto Silva e seu Domingão do Faustão completam neste domingo (dia 18) mil edições no ar pela TV Globo e, com raras excessões, sempre liderando a audiência.
Faustão tem um estilo falastrão e rasgador de seda que irrita muita gente (inclusive a este blogueiro aqui), mas é inegável que ele e seu programa são um grande sucesso de público - o que não é garantia nenhuma de qualidade. Muito pelo contrário. O Domingão do Faustão é responsável por vários episódios lamentáveis, para ser bem ameno, da televisão brasileira.
Lembram do sushi erótico, quando o programa mostrou ao vivo homens se servindo do prato japonês no corpo de uma mulher nua? Fora isso, o programa sempre foi recheado de quadros que expunham pessoas comuns ao ridículo, como as famosas Pegadinhas e as Olimpíadas do Faustão.
No artigo "A construção do herói: a glamourização do popular no Domingão do Faustão", Renné Oliveira França, mestrando em Comunicação Social pela UFMG, tenta entender o sucesso do programa pela possibilidade que a atração oferece de aproximar celebridades de pessoas comuns e, ao mesmo tempo, de tornar pessoas comuns em celebridades instantâneas. O artigo faz parte do livro "Narrativas Televisivas: programas populares na TV" (Ed. Autêntica).
Renné chama essas celebridades de "olimpianos" ou "os famosos que fazem as vezes de deuses modernos".
" 'Monte Olimpo' na televisão brasileira, lar de deuses e deusas da nossa cultura midiática, o Domingão do Faustão passou a atuar como um momento único em que os mortais se encontram com o divino e os anônimos podem brincar de ser estrela", escreve ele.
As onomatopéias da Vovó Socialista
Ailton Medeiros, com a ironia que lhe é peculiar, resolveu batizar Thaisa Galvão de "Vovó Socialista". O negócio pegou e todo mundo só chama a blogueira agora por esse apelido pouco honroso. É óbvio que Thaisa não é tão velha assim pra ser chamada de "vovó" - nem tão pouco é socialista, para que mereça esse tratamento.
Mas deixemos o apelido pra lá. Eu quero falar mesmo é do blog dela. Não aguento mais ler tantas onomatopéias. É tanto "huuummm", "vixiii", "ahhh", xiii", "ixeee", que tá ficando insuportável. Parece que a moça não tem o que falar, aí tasca uma dessas expressões. Parece também que tá tendo um orgasmo quando escreve, aí solta esse "huuummm".
Tá ficando um blog 'pornomatopéico'.
RN é sexto em denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes
O promotor esclareceu que a maior parte dos casos registrados no RN é de abuso sexual, praticado, quase em sua totalidade, no universo da família. Isso significa que, geralmente, o abusador é alguém muito próximo da criança e do adolescente. Para ele, isso dificulta muito o combate à agressão. "A gente está falando de uma família que vai ser desestruturada (...). Qual é a alternativa que eu tenho para uma menina que está sendo vítima de processo de abuso dentro de casa e você tem que afastar o pai que paga todas as contas da casa?", questionou.
Em relação à exploração sexual, que se caracteriza quando alguém obtém alguma espécie de lucro (financeiro ou em relação ao favor sexual em si), Manoel Onofre disse que o problema tem ligação com as desiguladades sociais. Para ele, isso gera um quadro de "vulnerabilidade" social e, por isso, crianças e adolescentes, mesmo não tendo conhecimento do que isso representa, se submetem à exploração como "alternativa de vida". (Eu não chamaria de "alternativa" uma coisa dessa. "Imposição" talvez fosse o nome mais correto)
O promotor também ressaltou que, além dessa questão socioeconômica, contribui para o agravamento da situação o fato de Natal ser uma cidade com intenso fluxo turístico. Ele defendeu o combate a essa figura do turista explorador e disse que, para isso, é preciso conversar com a própria rede turística.
Manoel Onofre defendeu ainda a necessidade de se oferecer um projeto de "alternativa de vida e auto-estima", com inserção no mercado de trabalho e acompanhamento psicológico, às vítimas de abuso e exploração sexual.
Em Tempo
A Folha de São Paulo deste domingo (18), traz uma reportagem sobre o aumento dos casos de exploração sexual infantil e adolescente em locais onde estão sendo realizadas grandes obras de infra-estrutura pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal.
O problema é que o jornal responsabiliza o PAC pelo problema, numa clara inversão dessa lógica perversa da exploração sexual infanto-juvenil. A manchete da reportagem, "PAC pode agravar exploração sexual infantil", é infeliz e induz o leitor a uma interpretação errada.
Não foi o PAC que criou o problema. Existe, como disse o promotor Manoel Onofre Lopes na entrevista ao Nominuto.com, uma conjuntura de desiguldades sociais que favorece o contexto da exploração. Portanto, em vez de atacar o PAC, deveríamos denunciar a mazela da injustiça social que se impõe e expõe nossas crianças e adolescentes ao algoz explorador.
Voltando à reportagem da Folha, segundo o jornal, o aumento de casos de exploração sexual nos canteiros das obras do PAC levou o governo a lançar um "plano de combate à exploração sexual infantil à margens da megaobra de asfaltamento da BR-163, que liga Santarém (PA) a Cuiabá (MT)."
O projeto foi lançado há um ano e é coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. O projeto é composto de atividades preventivas como divulgação do número de telefone para denúncias e fortalecimento da rede de atendimento local e das políticas sociais.
A socióloga Marlene Vaz, ouvida pela Folha, disse que o problema da exploração sexual tem a ver também com o nosso modelo de sociedade consumista. Ela estuda há quase 35 anos a exploração sexual de crianças e adolescentes. "É uma sociedade de consumo onde o tempo todo se destaca a importância de ter um celular, uma boa roupa, perfumes caros. Não há como essas meninas ignorarem isso."
sábado, 17 de maio de 2008
As eleições e a TV
Leia o comentário do Nassif:
Não consigo entender essa briga maluca por alianças, para conseguir tempo em TV. Obviamente, com um minuto de tempo por dia, ninguém consegue passar recado algum. Mas sabe a diferença entre 5 e 8 minutos de tempo no horário gratuito: quem tem 8 minutos sai com desvantagem de 3 minutos a mais de aporrinhação sobre os telespectadores.
Campanha eleitoral em TV não é para aprofundar idéias, é para fixar mensagens – em geral mensagens simples. A objetividade é fundamental, ainda mais nesses tempos de falta de idéias e de propostas inovadoras, em que as promessas tradicionais não têm a menor credibilidade.
Geraldo Alckmin tem toda razão ao dizer que cinco minutos é mais que suficiente para a campanha.
Na campanha eleitoral para presidente, por exemplo, conferiu a parte mais importante da campanha – o conteúdo – ao seu ex-Secretário de Ciência e Tecnologia João Carlos de Souza Meirelles. Em plena campanha, Meirelles não havia conseguido produzir uma síntese sequer. Foi necessário Yoshiaki Nakano passar cinco dias enfurnado em casa para produzir um documento de 50 páginas. Assim são feitos programas de governo para consumo eleitoral.
Imagine o que aconteceria se a campanha tivesse mais que cinco minutos diários.
Por isso mesmo, a aliança Kassab-Quércia deve ser analisada sob a ótica do que agregou ao candidato em termos de densidade eleitoral, não em termos de tempo na TV.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Fraude no Metrô de São Paulo
O TCE, conforme o levantamento do PT, considerou seis desses contratos irregulares, no valor de R$ 1,378 bilhão (a soma se refere a cinco contratos apenas, porque um deles não teve o valor declarado).
Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, o líder da bancada do PT, deputado Roberto Felício, disse que a Alstom firmou contratos com o Estado de São Paulo durante os governos Quércia, Fleury, Covas e Alckmin.
O deputado disse ainda que 77 contratos, no valor de 3,1 bilhões, foram firmados no período de 2001 a 2006, no governo Geraldo Alckmin (PSDB). Parte desses contratos, acrescenta Roberto Felício, foi prorrogada já na gestão do atual governador José Serra (PSDB).
O líder da bancada do PT disse que os contratos do governo de São Paulo com a Alstom "tem serviços de toda ordem", mas, segundo ele, os mais importantes foram aqueles firmados com o Metrô de São Paulo.
O TCE considerou irregulares contratos de R$ 556 milhões entre o Metrô de São Paulo e a Alstom.
A empresa, segundo matéria do Wall Street Journal do último dia 06, está sendo investigada na França e na Suíça, sob suspeita de ter pago propina de US$ 6,8 milhões a políticos brasileiros para obter negócios de US$ 45 milhões do Metrô.
P.S.: O Jornal Nacional desta sexta-feira (16) abordou o caso da Alstom, mas, como era de se esperar, tratou de blindar os tucanos. Em nenhum momento a matéria citou os ex e o atual governador tucano.
A volta do Xeleleu
Sem Censura
Calma aí minha gente.
Eu não sou Rogério pra desistir fácil.
Ninguém me calou não senhor.
Foi só uma merda que eu fiz quando
fui mexer no programa de editoração
e tirei a porra do blog do ar.
Tô de volta e se segurem na cela.
Eu achei essa história muita estranha. Que 'merda' difícil de resolver é essa? O blog ficou fora do ar vários dias e, quando volta, os arquivos sumiram e há apenas uma postagem mixuruca dessa?!
A formação da idéia única
A estratégia consistia em beneficiar com informação privilegiada analistas militares com grande espaço na mídia, em troca de opiniões favoráveis às suas posições.
Para Kauffman, a mídia aproveita ocasiões de forte impacto, como no pós-11 de setembro nos EUA, para propagar a formação da "idéia única", quando a sociedade (ele cita a norte-americana, especificamente, mas essa conclusão pode pode ser estendida a qualquer sociedade) parece mais "suscetível a engolir um discurso maciço que dispensa o contraditório."
"No Brasil", diz Kauffman, "em vários segmentos do noticiário não basta mudar de canal para encontrar visões diversas entre si. De forma geral, a análise política na grande mídia é muito uniforme e bebe das mesmas fontes."
Clique aqui e leia o artigo de Ricardo Kauffman na íntegra.
Querida Marina
Leia o artigo na íntegra:
CAÍSTE DE pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudaloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoram o teu valor e o significado de sustentabilidade.
Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias. Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis.
Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.
Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?
Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e a transformação do país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.
Não te muniram de recursos necessários à execução do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, aprovado pelo governo em 2004.
Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano. Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta.
É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados.
Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.
Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das motosserras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.
Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que "índio atrapalha o progresso".
Defendeste com ousadia nossas florestas, nossos biomas e nossos ecossistemas, incomodando quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas para os direitos das futuras gerações. Teus passos, Marina, foram sempre guiados pela ponderação e pela fé.
Em teu coração jamais encontrou abrigo a sede de poder, o apego a cargos, a bajulação aos poderosos, e tua bolsa não conhece o dinheiro escuso da corrupção.
Retorna à tua cadeira no Senado Federal. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum.
Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia.
Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?"
Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
A poesia de Cora Coralina

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso aos que têm sede.
Cora Coralina (Outubro, 1981)
terça-feira, 13 de maio de 2008
Marina Silva deixa Ministério do Meio Ambiente
Marina Silva não especificou quais foram essas dificuldades às quais se refere nem nomes de possíveis opositores à agenda ambiental defendida por ela e sua equipe. Mas as divergências entre ela e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, eram públicas. A gota d'água para a saída de Marina Silva do governo deu-se na semana passada, quando o presidente Lula lançou o Plano Amazônia Sustentável (PAS) e o deixou sob a coordenação do ministro da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.
Leia a seguir a íntegra da carta de Marina Silva ao presidente Lula:
“Caro presidente Lula,
Venho, por meio desta, comunicar minha decisão em caráter pessoal e irrevogável, de deixar a honrosa função de Ministra de Estado do Meio Ambiente, a mim confiada por V. Excia desde janeiro de 2003. Esta difícil decisão, Sr. Presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal.
Quero agradecer a oportunidade de ter feito parte de sua equipe. Nesse período de quase cinco anos e meio esforcei-me para concretizar sua recomendação inicial de fazer da política ambiental uma política de governo, quebrando o tradicional isolamento da área.
Agradeço também o apoio decisivo, por meio de atitudes corajosas e emblemáticas, a exemplo de quando, em 2003, V. Excia chamou a si a responsabilidade sobre as ações de combate ao desmatamento na Amazônia, ao criar grupo de trabalho composto por 13 ministérios e coordenado pela Casa Civil. Esse espaço de transversalidade de governo, vital para a existência de uma verdadeira política ambiental, deu início à série de ações que apontou o rumo da mudança que o País exigia de nós, ou seja, fazer da conservação ambiental o eixo de uma agenda de desenvolvimento cuja implementação é hoje o maior desafio global.
Fizemos muito: a criação de quase 24 milhões de hectares de novas áreas de conservação federais, a definição de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade em todos os nossos biomas, a aprovação do Plano Nacional de Recursos Hídricos, do novo Programa Nacional de Florestas, do Plano Nacional de Combate à desertificação e temos em curso o Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Reestruturamos o Ministério do Meio Ambiente, com a criação da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro; com melhoria salarial e realização de concursos públicos que deram estabilidade e qualidade à equipe. Com a completa reestruturação das equipes de licenciamento e o aperfeiçoamento técnico e gerencial do processo. Abrimos debate amplo sobre as políticas socioambientais, por meio da revitalização e criação de espaços de controle social e das conferências nacionais de Meio Ambiente, efetivando a participação social na elaboração e implementação dos programas que executamos.
Em negociações junto ao Congresso Nacional ou em decretos, estabelecemos ou encaminhamos marcos regulatórios importantes, a exemplo da Lei de Gestão de Florestas Públicas, da criação da área sob limitação administrativa provisória, da regulamentação do art. 23 da Constituição, da Política Nacional de Resíduos Sólidos, da Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais. Contribuímos decisivamente para a aprovação da Lei da Mata Atlântica.
Em dezembro último, com a edição do Decreto que cria instrumentos poderosos para o combate ao desmatamento ilegal e com a Resolução do Conselho Monetário Nacional, que vincula o crédito agropecuário à comprovação da regularidade ambiental e fundiária, alcançamos um patamar histórico na luta para garantir à Amazônia exploração equilibrada e sustentável. É esse nosso maior desafio. O que se fizer da Amazônia será, ouso dizer, o padrão de convivência futura da humanidade com os recursos naturais, a diversidade cultural e o desejo de crescimento. Sua importância extrapola os cuidados merecidos pela região em si, e revela potencial de gerar alternativas de resposta inovadora ao desafio de integrar as dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento.
Hoje, as medidas adotadas tornam claro e irreversível o caminho de fazer da política socioambiental e da economia uma única agenda, capaz de posicionar o Brasil de maneira consistente para operar as mudanças profundas que, cada vez mais, apontam o desenvolvimento sustentável como a opção inexorável de todas as nações.
Durante essa trajetória, V. Excia é testemunha das crescentes resistências encontradas por nossa equipe junto a setores importantes do governo e da sociedade. Ao mesmo tempo, de outros setores tivemos parceria e solidariedade. Em muitos momentos, só conseguimos avançar devido ao seu acolhimento direto e pessoal. No entanto, as difíceis tarefas que o governo ainda tem frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental.
Tenho o sentimento de estar fechando o ciclo cujos resultados foram significativos, apesar das dificuldades. Entendo que a melhor maneira de continuar contribuindo com a sociedade brasileira e o governo é buscando, no Congresso Nacional, o apoio político fundamental para a consolidação de tudo o que conseguimos construir e para a continuidade da implementação da política ambiental.
Nosso trabalho à frente do MMA incorporou conquistas de gestões anteriores e procurou dar continuidade àquelas políticas que apontavam para a opção de desenvolvimento sustentável. Certamente, os próximos dirigentes farão o mesmo com a contribuição deixada por esta gestão. Deixo seu governo com a consciência tranqüila e certa de, nesses anos de profícuo relacionamento, temos algo de relevante para o Brasil.
Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.
Marina Silva”
Xeleleu censurado
O Xeleleu começou muito bem, com uma pitada de humor ácido e tiradas inteligentes. Mas depois, faltou criatividade e começou a criar polêmica pela polêmica. Ficou sem graça.
Às vezes, o blog parecia sofrer de crise de identidade. Elogiava o surgimento de "novas lideranças políticas" para, em seguida, desqualificar essas mesmas lideranças.
Mesmo assim, a censura da qual foi vítima (se o foi mesmo) é condenável.
Ronaldo: o homem que não queria ser deus
"Divinizado, o jogador protagonizou romances celestiais; mulheres lindíssimas, vastas emoções, mas casamentos imperfeitos: é que os deuses como bem sabemos a partir da mitologia grega não se dão bem na comunhão com os humanos", escreve o colunista.
A "tentação da normalidade" teria levado Ronaldo a buscar, através do sexo vulgar, o "resgate da condição humana que havia perdido". "O sexo vulgar", analisa o jornalista, "o tornaria novamente o que era. O que somos. Vulgarmente humanos".
Leia mais aqui.
Reinaldo Azevedo vs. Ailton Medeiros: guerra de egos
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Eu, ainda jornalista
Diz a letra da canção que nada será como antes. Eu até que tento acreditar, mas a fé vai escapando assim por entre os interstícios da alma cansada. O corpo também padece. Então, fica a certeza que tudo continuará como está, este museu de grandes novidades. É como me disse esta noite um grande amigo: "Tudo permanecerá como ontem. Amanhã será hoje. A utopia caminha. É a desgraça dos passos em vão, das caminhadas sem fim, das fronteiras nunca transpostas".
Por um instante, a esperança, que não é sólida, se desmancha no ar. A força avassaladora da injustiça destrói cada centímetro de amor-próprio, dinamita lentamente aquele suspiro juvenil de querer mudar o mundo. É quando o sonho vira resignação. É quando a gente tem que renunciar à indignação pelo pão de cada dia. É isso ou entregar os pontos e desistir de viver.
Eu me sinto muitas vezes estuprado, intelectualmente violentado. Quando escolhi ser jornalista, acreditava ferrenhamente que poderia ajudar a transformar tudo o que está errado no mundo. No filme "Sociedade dos Poetas Mortos" (Dead Poets Society), o professor John Keating, vivido pelo ator Robin Willians, diz aos seus alunos: "Não importa o que disserem. Palavras e idéias podem mudar o mundo". Era esse o meu ideal romântico. Ideal que agora não é nada além de outra ilusão perdida.
As relações entre Agripino e a Universidade Potiguar (UnP)
Outro leitor que se identificou somente como Pedro escreveu sugerindo uma investigação sobre a relação do senador José Agripino (DEM-RN) com a Universidade Potiguar (UnP):
Olá. Parabéns pela matéria. Gostaria que os companheiros jornalistas buscassem informações do Senador José Agripino e a sua relação com a UNP - Universidade Potiguar (maior Universidade particular do Nordeste, com quase 30 mil alunos), hoje sócia do Grupo Lauretti(Empresa estrangeira que atua no ramo empresarial das Universidaeds Particulares do Brasil e do mundo).
Esta Universidade é conhecida nacionalmente por praticas de repressão e retaliação ao movimento estudantil.
O curso de Medicina da UNP demorou a ser aprovado, uma vez que o MEC ,neste governo, estava mais rigoroso em relação a abertura de novos cursos. Após solucionar os "entraves burocráticos" lá em Brasília, entre 2003 e 2005. O Reitor Manoel Pereira, logo em seguida, foi nomeado Reitor desta Universidade.
A UNP juntamente com o Instituto Tancredo Neves, organizou uma série de Cursos de Formação, dentro da própria Universidade, que contou com a presença do próprio José Agripino e com lideranças nacionais do antigo PFL, e hoje DEM.
Esta Relação José Agripino e Universidade Potiguar - UNP é algo que merece muita atenção por parte da imprensa.
Por exemplo: Este mesmo Reitor da UNP é o então Manoel Pereira, aquele mesmo citado na matéria da Caros Amigos.
"Como tudo que cercou o Ganhe Já antes de sua falência total, a participação da empresa Informe Prestação de Serviços Ltda., terceirizada pela Dumbo Publicidade para executar a campanha, também é um mistério. E dos mais nebulosos. Contratada sem licitação, depois que o então secretário de Fazenda Manoel Pereira anulou inexplicavelmente a concorrência que havia sido aberta justamente para se escolher a firma que iria trabalhar no Ganhe Já, a Informe viveu sempre nas sombras."
Abraços fraternos.
"Pede para sair"
"As pessoas que não pactuam com a governadora deveriam ter a hombridade de pedir para sair da administração e não ficar usando o governo contra a própria governadora", declarou o jornalista.
E agora Rogério?
domingo, 11 de maio de 2008
EUA fizeram dossiê sobre Dilma Rousseff
De acordo com o jornal, o dossiê sobre Dilma Rousseff abrange todas as fases da vida da ministra, desde o nascimento, passando pelo período de guerrilheira na luta contra o regime militar, quando foi presa e torturada, até o presente de técnica prestigiada. Dilma é descrita como "durona", "exigente", "workaholic e alguém que "não respeita hierarquia". A ministra recebeu ainda a alcunha de "Joana D'arc dos subversivos".
Eis os principais tópicos do documento:
Joana d'Arc dos subversivos torna-se chefe da Casa Civil: “No dia 21 de Julho [de 2005], o presidente Lula nomeou Dilma Rousseff, 57, como sua nova ministra-chefe da Casa Civil. Ela ocupou o lugar de José Dirceu, que caiu fora, semana passada, por causa de um escândalo de corrupção. Dirceu estava envolvido profundamente nas estratégias políticas da administração, mas Rousseff anunciou na sua cerimônia de posse que tem a intenção de se focar mais em colocar em andamento a agenda política administrativa [...]”;
Gestora durona: “Rousseff entrou para o PT em 2001 e trabalhou no processo de transição de governo em 2002. Ela é uma gestora durona e exigente, que vai perseguir a qualificação da implementação de políticas administrativas. Ela está menos para o político de holofote, como [José] Dirceu, de ringue político, por ser mais focada em atacar a "burocracia".
Assaltos a banco e guerrilha: “Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, o Estado de Minas Gerais. Seu pai era um promotor búlgaro, que se naturalizou e tinha cidadania brasileira. Ela se tornou ativamente envolvida com a oposição ao regime da dtadura mlitar em 1967, aos 19 anos, enquanto cursava Economia em Minas Gerais. Entrou para vários grupos clandestinos, organizou três assaltos a banco e então foi co-fundadora do grupo de guerrilha chamado Vanguarda Revolucionária Armada de Palmares”;
Marido seqüestrador e eletrocoques: “Rousseff se separou do primeiro marido, Cláudio Linhares, que, em janeiro de 1970, seqüestrou um avião para Cuba e permaneceu lá. Naquele mesmo mês, ela foi capturada pelo Regime e aprisionada por três anos (o oficial se referiu a ela como Joana D'arc dos subversivos), incluindo 22 dias de brutal tortura de eletrochoque”;
Formação acadêmica e gostos pessoais: “Rousseff tem grau de mestre em Teoria Econômica pela Universidade de Campinas e um doutorado não concluído em Economia. Em 1992, ela participou como visitante de um programa internacional nos EUA. Ela está atualmente separada do seu segundo marido (que também era um militante da oposição). Ela tem uma filha, Paula, em Porto Alegre, onde ela passa os finais de semana. Ela gosta de cinema e música clássica. Recentemente ela perdeu peso, depois de, alega-se, adotar a dieta do presidente”;
Da desconfiança aos elogios: “Com seu background técnico e um estilo no-nonsense, Rousseff recebeu respeito relutante do setor da Energia. Enquanto as Cias. norte-americanas estavam inicialmente desconfiadas quando ela foi designada para o cargo de [ministra das Minas e] Energia, agora admitem que ela fez um trabalho competente. Em particular eles a saúdam por sua disposição em ouvir e responder posições e idéias, mesmo quando está inclinada a uma conclusão diferente. Ela tem a uma reputação de negociadora dura, ser persistente e de prestar muita atenção aos detalhes. Adjetivos usados aqui por aqueles que trabalham com ela incluem exigente e workaholic”;
Inapetência política: “Diferentemente de José Dirceu, Rousseff nunca foi eleita para cargo público e seus contatos com o Congresso são limitados, o que sugere que a coordenação política da administração será tarefa de outros. A imprensa diz que Lula espera que ela produza um "choque de gestão" na administração, a qual, por causa da ineficiência administrativa, entraves burocráticos e, mais recentemente, pelos muitos escândalos de corrupção, encontra-se estagnada.
P.S.: Eu sugiro aos senadores José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) que convoquem o cônsul americano para prestar esclarecimentos na CPI que investiga o uso dos cartões corporativos do governo federal e a origem do dossiê sobre os gastos do ex-presidente FHC.
O teste da Veja
Para chegar a essa conclusão, há perguntas sobre o que você acha das ações do MST ("invasões", no dicionário da Veja); se você prefere ditadura com estabilidade ou democracia com inflação; se você concorda com a necessidade de uma reforma tributária; o papel do estado nas greves; o que você acha das privatizações; se você prefere o político corrupto e eficiente ou o honesto e ineficiente; se você acha que o protecionismo nas práticas comerciais é aceitável; sobre o papel do estado na economia; sobre a manutenção ou não dos direitos trabalhistas; sobre o aborto; a liberalização da maconha; as pesquisas com células-tronco; o uso da tortura (a revista usa o termo "métodos violentos") em inquéritos policias; o porte de armas; o ensino religioso nas escolas; a adoção de crianças por casais homossexuais; a "censura" a certos programas de televisão e a cobrança de mensalidade nas universidades públicas.
Pronto. "Veja" resumiu toda a complexidade do pensamento político em 20 perguntas de um teste de múltipla escolha. A maioria das perguntas, como você deve ter notado, parte de uma visão reducionista e maniqueista. As questões são colocadas de maneira intencionalmente manipulada. Por exemplo, quando se pergunta se você prefere um candidato corrupto e eficiente ou um honesto e ineficiente, a revista passa a idéia que não existe nenhum candidato honesto e eficiente ao mesmo tempo.
Outra pergunta claramente distorcida é quando se questiona se certos programas de televisão deveriam sofrer "censura" (aspas minhas). É uma armadilha semântica. É óbvio que não sou a favor da censura. Mas sou a favor sim da regulação, que é absolutamente diferente de censura. Mas a mídia conservadora não gosta de ouvir falar em regulação social e invoca o discurso da censura para se defender. Ignora, assim, que o veículo (televisão e/ou rádio) é uma concessão pública e, portanto, deve satisfações ao público, legitimamente representado pelo governo democraticamente eleito para exercer a função de regulador social.
É por essas e outras que a "Veja" não passa em nenhum teste de credibilidade.

