domingo, 27 de abril de 2008
A questão indígena
Por Francisco Loebens, no Fazendo Média:
A utilização de bombas de fabricação caseira, a queima de pontes, atentados e ameaças a lideranças e comunidades indígenas pelos fazendeiros para se manterem ilegalmente na Raposa Serra do Sol, numa clara afronta ao estado democrático de direito, curiosamente não mereceu a condenação de muitos comentaristas e articulistas da grande imprensa. Pelo contrário, passaram a justificar esses atos de insubordinação, repetindo à exaustão os argumentos, completamente vazios e eivados de preconceito, de uma pequena elite de privilegiados contra a demarcação dessa terra indígena.
De forma tendenciosa e através da insistência, tentaram conseguir a adesão da opinião pública para a causa mesquinha daqueles que a custa da exploração, da intimidação e da violência querem continuar se locupletando e exercendo a dominação econômica e política em Roraima.
Um desses argumentos é de que a demarcação de terras indígenas nas regiões de fronteira significaria um risco à soberania, porque os índios, aliando-se a interesses externos, poderiam dar um golpe no país, declarando a independência sobre esses territórios. Quem repete esse argumento, se não estiver usando de má fé, certamente está mal informado, porque essa hipótese não passa pelo imaginário de nenhum povo indígena, mesmo daqueles mais abandonados, onde a presença do estado é tímida ou inexistente. Também os generais sabem disso.
Trata-se por isso de uma estratégia ardilosa de condenação dos índios, para confiscar-lhes suas terras. Não difere muito da forma utilizada durante o período colonial, quando, para justificar a chamada “guerra justa”, se acusava os índios de praticarem delitos, toda vez que existia o interesse de avançar sobre suas terras e de buscar mão-de-obra escrava.
Leia mais aqui.
O 'fruto proibido' também dá prazer
As lenda e os mitos são conhecidos. Mas você sabia também que comer maçã dá prazer? Pois é verdade. A fruta contém um neurotransmissor chamado feniletilamina, que libera as mesmas substâncias que o corpo produz durante o ato sexual.
Quem conta isso é Lectícia Cavalcanti, na Terra Magazine. Clique aqui e saiba mais.
Galvão: faz parte do show
sábado, 26 de abril de 2008
Disseram que vou ficar americanizado
Brasil daqui pra frente
A primeira conclusão de Nassif é que não há mais partidos políticos, com ideologia definida e conteúdo programático unificado. Em conseqüência desse vácuo de idéias, vive-se a era dos escândalos.
A transição para o futuro, sugere ele, talvez se dê melancolicamente. FHC trouxe a establilização, Lula a manteve e acrescentou as políticas sociais universalizantes. Mas faltou criar, observa Nassif, "as bases do desenvolvimento com inclusão social, a definição do futuro como linha de governo".
A única coisa que me parece prematura é decretar agora o fim do ciclo. Lula ainda tem mais de dois anos como presidente.
Para ler a análise na íntegra, clique aqui.
Que bicho é esse?
Pausa
Teimosia
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Rosalba ficou devendo explicação
Tudo se copia
Eu, jornalista
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Viva a diversidade

A turma do arco-íris marcou território hoje à noite na Assembléia Legislativa. Foi a 1ª Conferência Estadual de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais do Rio Grande do Norte. Oficialmente, os debates giraram em torno do combate à homofobia e ao preconceito. Mas, dizem as más línguas, que a galerinha alegre aproveitou pra botar os babados em dia. Ô, povo da língua grande!!!
Ele tem a força
Bye Bye Rogério
Agora é pra valer. O prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, pôs fim às especulações e assumiu sua preferência pela candidatura do PT. Carlos fez o anúncio no final da tarde de hoje, após reunir-se com a comissão eleitoral do Partido dos Trabalhadores. A tese do prefeito é que o PT é a única legenda com condições de reunir a base de apoio do presidente Lula e que o partido "representa o governo federal, o maior parceiro do município e do governo [estadual]". O prefeito também declarou que Wilma e Garibaldi defendem essa mesma tese e deverão seguir juntos no mesmo palanque, apoiando o(a) candidato(a) do PT.
O interessante dessa história é que Carlos Eduardo dizia que só se pronunciaria sobre as eleições em maio, mas acabou falando antes. Wilma de Faria, que ia falar antes, deixou pra depois. Garibaldi Filho, que fala, fala, fala, mas a gente não entende nada, deve dizer alguma coisa depois do final de semana.
Falta definir quem vai encabeçar a chapa do PT. Fátima Bezerra voltou a ser cogitada, com grande possibilidade de efetivamente tornar-se a candidata do triunvirato PT-PSB-PMDB.
Micarla de Sousa (PV), por sua vez, tenta atrair Luiz Almir (PSDB) para o seu lado. José Agripino (DEM), Robinson Faria (PMN) e João Maia (PR) já estão com a borboleta.
Enquanto isso, na Sala de Justiça... Hermano Morais e Rogério Marinho ouvem a Legião Urbana bem baixinho:
Bye, bye bye Johnny
Johnny, bye, bye
Família ê, Família ê, Família...
Essa aí, redondinha e com o microfone em punho, é minha mãe. Fantasiada de não sei o quê e sem o menor pudor, saiu às ruas de Alexandria para mobilizar as pessoas na luta contra a dengue.
Maria Helenilda o nome dessa figura. Ela é a pessoa que mais me faz rir nessa vida - e chorar também, mas de saudades.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
A fênix
O troco
Literatura neles
O juiz da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio Grande do Norte, Mário Jambo, determinou que dois acusados de cometer crimes pela internet, para continuarem em liberdade provisória, terão que estudar e se dedicar à literatura.
Paulo Henrique da Cunha Vieira, Ruan Tales Silva de Oliveira e Raul Bezerra de Arruda Júnior, acusados de de integrar uma quadrilha especializada em roubar senhas de correntistas de bancos pela internet e falsificar cartões de crédito, serão obrigados a ler A hora e a vez de Augusto Matraca, último conto do livro Sagarana de Guimarães Rosa; e Vidas Secas de Graciliano Ramos.
Além de ler, a cada três meses eles terão que entregar um resumo de dez laudas dos livros indicados pelo juiz.
Em seu despacho, o meritíssimo escreveu que os acusados "ficarão sujeitos a uma nova decretação de prisão preventiva em caso de inobservância de alguma das condições estabelecidas".
Eles foram presos durante a Operação Colossus da Polícia Federal, em agosto de 2007.
O dia em que o céu caiu sobre Natal
Avenida Rio Branco (foto tirada com um celular)Na calçada da loja onde as pessoas se aglomeravam, dois bueiros estouraram. Lá dentro, uma parte do gesso do teto desabou. Durante alguns minutos faltou eletricidade. "Ninguém sai e ninguém entra", avisou o segurança.
A Avenida Rio Branco ficou completamente alagada . Escureceu em pleno dia e os carros circulavam com os faróis ligados. Muitas lojas fecharam as portas e os colégios do centro suspenderam as aulas.
Na Assembléia Legislativa, faltou eletricidade e a água invadiu alguns gabinetes. Notícias do caos chegavam a todo instante. Pessoas ficaram ilhadas e não conseguiram chegar ao trabalho. O trânsito foi interditado em frente ao Natal Shopping e houve registro de congestionamento em vários outros pontos. Postes caíram e carros foram arrastados pela força das águas.
Hoje vai ficar registrado como o dia em que o céu caiu sobre Natal.
Quem fiscaliza e pune os jornalistas?
A que ponto chegou o nosso jornalismo. Me envergonho, as vezes, desse povo. Total parcialidade, vínculo, subserviência. Sempre estão atrelados a alguém. Permitem que os usem de acordo com a necessidade do momento. Por qualquer 500, 1000, 1500 reais se vendem, se dão, se deixam usar. Toda a ideologia um dia defendida na faculdade se vai num simples acordo. E quem um dia foi radicalmente combatido se transforma em estadista num estalar de dedo. Essa turma não tem consciência, não tem noção, não tem coração. O conselho de medicina caça o diploma do médico em caso de erro e comprovação. A ordem dos advogados também. Afinal, quem fiscaliza e pune esses jornalistas?
Comentário
O governo Lula ensaiou apresentar o projeto do Conselho Nacional de Jornalismo, para regulamentar a profissão. Mas recuou diante do alarido do PIG e engavetou o projeto, acuado pelo discurso fajuto de "censura". Toda vez que se fala em controle social da mídia, as velhas raposas invocam essa lorota de censura para manter intocado o seu poder e não ter que dar satisfações ao público. O jornalista é somente um capacho e sinônimo de cão de guarda do patrão. Também é associado ao traidor que se vende por qualquer 30 dinheiros.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Desolação
Na Folha de São Paulo desta terça-feira, a colunista minimizou a vitória de Lugo e disse que ele é "apenas mais um" esquerdista eleito na AL.
A coluna de hoje da moça começa assim:
Um líder sindical no Brasil, um genuíno índio na Bolívia, um coronel nacionalista e metido a esquerdista na Venezuela e, agora, um ex-bispo no Paraguai. Sem contar as duas mulheres, uma no Chile e outra na Argentina.
Tá ou não tá desorientada?!
"Dossiê Veja" e as relações incestuosas na mídia
Começa assim:
O modelo de assassinato de reputações, como arma de disputas comerciais, alcançou seu auge na recente fase da revista Veja, especialmente através do colunista Diogo Mainardi.
O último capítulo dessa novela foram colunas e podcasts de Mainardi, a respeito de um dossiê que continha trechos de um inquérito sigiloso do Ministério Público Italiano.
Conforme demonstrado em dois capítulos da série (O post-it de Mainardi e Lula é meu álibi), ao contráriodo que Mainardi afirmava em sua coluna, o dossiê foi escaneado no Brasil, rearrumando papéis do inquérito original da Itália. E a prova maior é que seu conteúdo foi divulgado no mesmo dia em que o arquivo foi gravado, no site de uma ex-jornalista da “Folha”, Janaína Leite.
Tempos depois, a revista Carta Capital entrevistou Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia, nos tempos de Tronchetti Provera. A entrevista de Jannone foi aproveitada por ambos para tentar demonstrar que os inocentava.
Sobre o caso italiano dedicarei um capítulo especial, dada à sua aparente complexidade e por demonstrar o jogo complicado do qual Mainardi tornou-se participante, sabe-se lá com que propósitos.
O que interessa, neste capítulo, é a explicitação das relações de Mainardi com Janaína, e de ambos com Daniel Dantas.
Vamos entender melhor quem é a parceira de Mainardi nesse jogo.
No seu blog, Janaína Leite se apresenta como “consultora”. Não há nenhuma indicação sobre quem são seus clientes. No seu período na "Folha" atuou em uma série de matérias francamente suspeitas, conforme se demonstrará a seguir. Todas elas seguiam a mesma linha de denúncias utilizada por Mainardi quando trata do tema telefonia.
Para ler o restante, clique aqui.
O jeitinho brasileiro
O funcionário invocou o "jeitinho brasileiro" para justificar o "por fora". "Quem quer as coisas mais rápidas, recorre ao jeitinho brasileiro pra ter isso aí", disse ele, sem nenhum pudor.
A pessoa a quem ele dirigia sua cobrança estranhou a história e disse que iria saber do chefe do setor onde o funcionário trabalha se teria mesmo que pagar pelo trabalho realizado, uma vez que isso fazia parte das suas atribuições de funcionário público. O sujeito se viu encurralado, baixou o tom e saiu de mãos abanando.
Eu tive vontade de desancar o sujeito e dizer-lhe algumas verdades, mas tive que me conter. Este post é de certa forma um desabafo, porque fatos desse tipo me enojam e me revoltam profundamente. Compartilho com vocês a minha indignação e meu senso de absoluta impotência.
Esquerda avança e conservadores vêem aumento das "incertezas" na AL
Para muitos analistas, a eleição de Fernando Lugo no Paraguai representa a consolidação da esquerda na América do Sul. De acordo com o portal da Revista Fórum, o ex-bispo admitiu que a Aliança Patriótica para a Mudança (APC), a coalizão pela qual venceu o pleito, faz parte desse auge da nova esquerda latino-americana.
Lugo foi eleito sob a égide da mudança e da esperança no Paraguai. Mas os conservadores não o vêem dessa forma. César Maia, prefeito do Rio de Janeiro, membro do Partido 'Democrata', disse em seu Ex-Blog que a vitória de Lugo amplia as "incertezas na América Latina".
Para César Maia, o alinhamento de Lugo com a Teologia da Libertação e sua amizade com Leonardo Boff e de Dom Helder Câmara são motivos de desconfiança. O prefeito também zomba da alcunha de "padre dos pobres", recebida por Lugo em virtude de sua defesa dos mais necessitados.
As desconfianças e os temores de César Maia dizem muito sobre ele e seu partido. Os conservadores, que se dizem democratas, não suportam o avanço de novas forças políticas, democraticamente eleitas pela maioria soberana do povo em seus respectivos países.
César Maia, antes de levantar suspeitas sobre as amizades de Fernando Lugo, deveria olhar para o lado e ver direitinho quem o acompanha. No lugar dele, eu sairia de perto quando alguém invocasse o dito popular "dize-me com quem andas e eu te direi quem és".
Até que a morte os separe
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Falando às paredes
E mais rápido ainda
Vi quando você saiu
Porque ficou uma coisa assim assim
Dessas que não tem nome
E não tem rumo...
O insight do tucano
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), teve um insight e já sabe o que fazer para melhor a educação nas escolas paulistanas. Luiz Carlos Azenha conta no Vi o mundo que entre as medidas da reforma educacional proposta pelo governo tucano foi incluída a distribuição do "Guia do Estudante", produzido pela Editora Abril, a mesma da revista Veja.
"A Editora Abril, a mesma de Veja, vai cuidar da informação de nossos jovens estudantes. Haverá aulas especialmente criadas para que o conteúdo do Guia seja debatido. A alegação é de que os alunos não se informam sobre atualidades pelos jornais. Qual é a pior fonte de informação: o Guia do Estudante, O Globo ou Veja?", pergunta Azenha em tom de deboche.
Este blog, humildemente, propõe ao governador José Serra que, além do Guia do Estudante, ele distribua também a revista do Fantástico nas escolas de São Paulo.
Apelou legal
Balaio de gato
NÓ CEGO... Quem vai trair ou quem vai ser traído agora em 2008?
Wilma apoiou Carlos Eduardo na campanha para a Prefeitura. Carlos Eduardo apoiou Wilma para o Governo. Rogério apoiou Wilma, Micarla apoiou Wilma, Luiz Almir apoiou Wilma, Mineiro apoiou Wilma, João Maia apoiou Wilma, Robinson Farias apoiou Wilma. Rogério foi contra o Prefeito na eleição da câmara, Micarla ajudou Rogério nessa mesma eleição. Wilma derrubou Carlos Eduardo e Aguinelo na eleição da FEMURN. Aguinelo não votou em Wilma, Enildo não votou em Wilma, Edvan Martins não votou em Wilma, Gilson Moura não votou em Wilma. Rogério não votou em Márcia em Natal, Márcia disputava com o Pai (Lavo) voto e espaço. Rogério derrubou a candidatura de Lavo, Lavo atropelou Cláudio Porpino que votou em Wilma que questionou Gustavo Carvalho que detonou as suas bases. Gustavo que também votou em Wilma. Wilma votou em Márcia, Wilma votou em Rogério, Wilma não votou em Luiz Almir, Micarla, João Maia, Robinson Farias, Mineiro, Fátima. Todos votaram no PSB. E o PSB só vota nele próprio?
A mídia não é inocente
Clóvis Rossi, ontem no mesmo jornal, disse que "o caso da menina Isabella parece ter levado a um mergulho ainda mais acentuado na barbárie" e que a "selvageria cotidiana" de São Paulo atiça e cutuca "os piores demônios que se escondem nos recônditos da alma". O colunista se referia à multidão que se aglomerava em frente à delegacia e queria linchar o pai e a madrasta da menina, acusados de assassiná-la.
Rossi atribuiu a "barbárie" à "selvageria cotidiana", mas esqueceu que a mídia não é inocente. A cobertura dada ao caso funcionou como catalisador e direcionador da ira irracional das pessoas. Essas reações que agora vemos manifestadas foram sim estimuladas pela forma sufocante e massificadora como a mídia tratou o episódio.
Fernando de Barros e Silva vai direto ao ponto e chama o show midiático de "Teatro dos vampiros", que é o título do seu artigo. Leia a íntegra abaixo:
Perto do fim de "Budapeste", José Costa (ou Zosze Kósta), o narrador do romance de Chico Buarque, descreve a sensação de estar dentro de uma ficção em seus passeios pela orla do Rio:
"As pessoas que eu topava (...) não me pareciam afeitas ao ambiente. Às vezes eu as via como figurantes de um filme que caminhassem para lá e para cá, ou pedalassem na ciclovia a mando do diretor. E as patinadoras seriam profissionais, ganhariam cachês os moleques de rua, ao volante dos carros estariam dublês, fazendo barbaridades na avenida."
Embora distante, essa passagem de mestre veio com força à memória na última sexta, diante da imagem da multidão aglomerada e disposta a linchar o casal suspeito pelo assassinato de Isabella.
Aqueles tipos pareciam figurantes, coadjuvantes, dublês involuntários num filme B de horror. Um "popular" se exibe fantasiado de Bin Laden; outro vem de Cuiabá, 12 horas na estrada; um terceiro surge com um bolo de aniversário, devorado em segundos pelos "curiosos".
A novidade, porém, não está na atuação desses zumbis sociais; o que agora espanta não é apenas a fúria carnavalesca deste lúmpen da sociedade do espetáculo.
Quando o programa da Record coloca, no meio da tarde, uma cama no palco para reproduzir, no estúdio, o quartinho da menina, a apelação abjeta desse teatro parajornalístico é muito evidente.
E quando a Rede Globo decide transmitir ao vivo, durante três horas, sem intervalos, as imagens do casal acossado no dia dos depoimentos -o que devemos pensar?
Não excluo, evidentemente, a mídia impressa -nem a Folha- dos comentários. Mas é a TV, como se sabe, quem chega às massas, ainda mais neste país. A morte de Isabella já se tornou um capítulo de uma guerra desembestada por audiência. E o jornalismo dito "sério" está a reboque dessa escalada bárbara.Ou, quem sabe, William Bonner seja apenas um ator da novela das oito representando um locutor que nos narra uma tragédia grega...
domingo, 20 de abril de 2008
Clarice é pop

Confira um trecho da matéria da Folha de São Paulo deste domingo sobre a recém-lançada fotobiografia de Clarice Lispector:
Toda estrela que se preze já ganhou biografia não-autorizada ou álbum de fotos de sua carreira. Com Clarice Lispector (1920-1977) não poderia ser diferente. "Clarice - Fotobiografia" (Imprensa Oficial; R$ 90, 656 págs.), livro com 800 imagens, muitas delas inéditas, reforça o apelo extraliterário, o "star quality" da autora de "A Paixão Segundo G. H.", cujos traços singulares muitas vezes pareciam ecoar a estranheza de seus próprios livros.
Esse apelo é reconhecível sobretudo entre os jovens, cujo fascínio por Clarice tem um forte termômetro na internet. O site de relacionamentos Orkut, por exemplo, tem 103 comunidades dedicadas a Clarice. Ali, a escritora bate os poetas Carlos Drummond de Andrade (77) e Manuel Bandeira (58), com grupos chamados "Clarice Lispector sexy!" ("para quem acha Clarice a escritora mais sexy da literatura brasileira!") ou "Clarice Lispector me dá tesão!" ("como se não bastasse ela ser inteligente, tinha que ter essa boca e esses olhos?").
Na blogosfera, não é diferente. Há seis meses, a estudante Keidy Lee Costa, 19, administra, do Rio Grande do Norte, o blog claricelispector.blogspot.com, que chega a ter mais de 4.700 visitas diárias. Para a estudante, a recém-lançada fotobiografia tem "800 novas maneiras de tentar entendê-la e de se apaixonar ainda mais", pois, "quando se olha nos olhos de uma foto de Clarice, a sensação que se tem é de mistério".
A íntegra pode ser lida aqui (somente assinantes).
sábado, 19 de abril de 2008
O banzo do DEM
O trecho acima é do artigo do professor Gilson Caroni Filho, publicado no portal "Vermelho".
Clique aqui e leia na íntegra. Vale à pena.
Os gatos
'Menina do Jô' vai comandar o "Roda Viva"
Lílian, pra quem não sabe ou não lembra, fazia parte da patotinha de quatro mulheres que se reunia toda quarta-feira no "Programa do Jô" pra meter o pau no governo Lula.
Será que no "Roda Viva" ela vai fazer aquela tradicional cara de pinguim?
Testando hipóteses
O preço do jornalista
Não entendo essa classe de jornalista que vive a serviço dos poderosos e à sombra do poder. A matéria da "Caros Amigos" não deve ser analisada pelo ineditismo dos fatos narrados, mas pelo mérito de ter revelado ao Barsil quem de fato é o senador José Agripino e quais são suas costumeiras práticas políticas. Assim, todo mundo pode ficar sabendo que Jajá não passa de uma velha meretriz a pregar, da boca pra fora, as virtudes da castidade. A tese do babão é que os fatos são muito antigos, "mais de 20 anos passados". Imagina ele que o tempo transcorrido de lá para cá serve de atestado de inocência, como se a canalhice do passado tivesse precrevido.
Em 2003, quando participei do primeiro Fórum Social Brasileiro em Belo Horizonte (MG), assisti uma palestra sobre jornalismo e, no final, o palestrante (agora não me lembro quem era) fez uma pergunta aos futuros jornalistas de todo o Brasil que estavam ali: "Vocês já pensaram por quanto vão se vender quando se formarem?".
É isso. Quando leio uma defesa apaixonada de um babão como esse, a serviço de gente como José Agripino, a primeira coisa que me vem à mente é a pergunta: por quanto será que ele se vendeu?
Nada se cria, tudo se copia
Eu e meus exercícios masoquistas
sexta-feira, 18 de abril de 2008
O primeiro pódio de Nelsinho

Nas pistas da Fórmula 1, ele ainda não disse a que veio - apesar da babação de ovo da Globo e de Galvão Bueno. Mas fora delas, Nelsinho Piquet, da Renault, conquistou seu primeiro pódio.
Segundo uma pesquisa do canal televisivo Nuvolari divulgada hoje, Nelsinho ficou em terceiro lugar, com 17% dos votos, na preferência dos italianos gays que acompanham Fórmula 1.
Lewis Hamilton foi o primeiro colocado (32%) e Fernando Alonso, o segundo (21%).
É isso aí. Caso não dê certo como piloto, o rapaz pode até partir para outras "experiências".
As máscaras de Agripino
Beleza. Temos que dar a mão à palmatória, porque de "máscaras" o senador entende muito bem.
Ele só não gosta quando fazem as dele cair - como fez a "Caros Amigos" deste mês.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
É esse?
A condição de Wilma é que o candidato do PT deve ser o deputado Fernando Mineiro.
Os jornalistas 'especialistas' em política já começaram a bombardear Mineiro, dizendo que, segundo as pesquisas divulgadas, ele é o mais rejeitado entre os pré-candidatos - impressionantes 7% de rejeição por aí.
Depois dessa história, teve gente que assumiu de vez a torcida por Rogério Marinho: "Aí deixar Rogério que tem 12%... Para apoiar o que tem menos 12...", lamentou uma conhecida blogueira.
Este blog já avisou antes que a possibilidade de Wilma apoiar uma candidatura do PT é grande. Wilma sabe que vai precisar do PT e do presidente Lula para a sua campanha à senadora em 2010.
Esse é mais um sinal que a candidatura de Rogério Marinho subiu de vez no telhado.
No campo é outra história
O América ganhou no tapetão do Assú, mas em campo, na noite desta quinta-feira (17), tomou um chocolate de 3x0 do Potiguar de Mossoró em pleno Machadão.
O jogo da volta será na segunda-feira (21), no feriado do dia de Tiradentes, em Mossoró. O Potiguar pode até perder por dois gols de diferença que mesmo assim fica com a Taça Cidade do Natal (equivalente ao segundo turno do campeonato norte-riograndense) e disputará a final do estadual contra o ABC.
Alguém bota fé que o América consegue se salvar da degola?
Tô espalhando
“O prefeito na hora que foi conversar (com líderes do PMDB e PT) suponho que tenha ido em nome do partido. Mas ele (Carlos Eduardo) tem que sentar com o partido para dizer o resultado da conversa ao invés de dizer pela imprensa. O canal adequado é a instância partidária”.
“Ele é um membro (do PSB) e na convenção qualquer filiado tem o mesmo voto (do prefeito) e há mais de 3 mil filiados em Natal. A posição do prefeito não definirá minha candidatura”,
Essas declarações, de acordo com o blog Panorama Político, são do Deputado Rogério Marinho mirando na cabeça de Carlos Eduardo.
Fácil de traduzir. WILMA VAI ROMPER COM CARLOS EDUARDO, PODE ESPALHAR. Mandou Rogério preparar o terreno, desqualificando o alcaide e depois dá o tiro de misericórdia. Moral da história: Tata volta para a família, o que ele queria. E Wilma junta a sua tropa de choque e vai pro pau. Agora a coisa esquenta.
Endoidou, presidente?!
"HOMENAGEM. O presidente Lula sancionou, no "Diário Oficial" de ontem, lei mudando o nome da Ordem do Mérito das Comunicações para Ordem do Mérito das Comunicações Jornalista Roberto Marinho. A insígnia foi criada por decreto na ditadura militar para ser entregue a personalidades que se destacam na área."
"NA FRENTE. Em decretos publicados anteontem no "Diário Oficial", o presidente Lula renovou as cinco concessões da Globo, que seguem agora para o Congresso. As demais outorgas vencidas em outubro, incluindo Record e Band, aguardam decreto."
Entendeu?! Eu também não. Lula deve ter fumado bosta de gado pensando que era maconha...
Caça às bruxas
O principal alvo da ira da mídia conservadora é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A Globo disse que militantes do MST fizeram um protesto na quarta-feira da semana passada (dia 9) e ameaçaram interditar a Estrada de Ferro Carajás. Os manifestantes, na verdade, eram do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração (MTM).
Em nota, o MST disse que "o fechamento da portaria que dá acesso à mina do grande projeto de exploração de ferro Carajás foi realizado por operários da Vale e das empresas terceirizadas prestadoras de serviço, que cobram melhores condições de trabalho da maior empresa privada da América Latina".
"A Vale atribuiu ao MST esses protestos para esconder da sociedade que diversos setores populares fazem manifestações contra a diretoria da mineradora e pela reestatização da empresa, que trabalha com recursos naturais que pertencem ao povo brasileiro", diz outro trecho da nota.
A Vale contou com a colaboração da Globo pra ocultar os protestos dos seus funcionários e atribuí-los ao MST.
Mesmo quando a verdade veio à tona, a emissora achou um jeitinho de sair pela tangente e deu a seguinte 'notícia': "Para escapar da Justiça, militantes do MST vestiram camisas do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração".
Mas a perseguição não é exclusividade da Globo. A Folha de São Paulo também mira no MST. Na edição de hoje (quinta-feira, 17), o jornal chama a "Jornada Nacional de Lutas", deflagrada tradicionalmente pelo MST no mês de abril, de "abril vermelho".
O jornal perguntou ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, o que ele achava das ações dos movimentos sociais. Esperava ouvir dele uma condenação. Mas, como resposta, o ministro disse que os movimentos sociais "têm as suas agendas e cada um tem que se responsabilizar por suas atitudes" e que eles são essenciais para o "fortalecimento da democracia" no Brasil.
O bola murcha
O deputado chegou hoje à tarde a Natal e sua tropa armou o maior circo no aeroporto pra recebê-lo. Todos de bandeirinha na mão e gritando o nome do deputado. Os vereadores 'socialistas' também estavam lá. Tudo pra levantar a bola do deputado, que anda pra lá de murcha.
Eles bem que tentam, mas...
José Agripino e Arthur Virgílio se descabelam pra tentar entender por que, apesar de tantas 'crises' e sabotagens, o governo não cai.
O blog vai dar uma forcinha pra eles. O Ministério do Trabalho divulgou hoje os números da geração de empregos com carteira assina em março. Foram criadas 206.556 novas vagas no mercado formal.
Isso representa o recorde dos últimos 17 anos e uma alta de 0,7% em relação ao mês de fevereiro.
Nos três primeiros meses do ano, a criação de empregos formais atingiu o número de 554.440 vagas - 39% superior ao registrado pelo mesmo período em 2007 (399.628), que era o recorde anterior.
O saldo positivo entre admissões e desligamentos em março foi 41% superior ao recorde registrado em março de 2007 (146.141 postos) e 170% maior que o saldo de março de 2006 (76.455).
Difícil derrubar um governo assim, né?!
Xeleleu News
Recebi um e-mail inusitado hoje. A mensagem dizia assim:
"Ei! Chega de blog com babação de ovo. Jornalismo político com informação confiável, humor e uma generosa pitada de pimenta você só encontra no Xeleleu News."
Arrisquei e fui conferir esse tal de "Xeleleu News". E não é que o bicho é bom mesmo!
Não conheço o autor - Rodrigo Moreno, mas o cara não fez propaganda enganosa quando falou em humor e uma "genereosa pitada de pimenta".
Sobre o jornalista Roberto Cabrini, preso terça-feira passada em São Paulo, ele escreveu:
"Eita piula, pense num cabra que tá enrolado.
Tudo por conta de dez papelote (sic) de cocaína, uma blitze,
uma história mal-contada, um pen drive e uma rapariga.
Rapariga e feia diga-se de passagem."
Sobre Alex Medeiros, que disse que a matéria da "Caros Amigos" sobre José Agripino tinha sido encomendada por José Dirceu, ele escreveu:
"Você viram a coluna de Alex Medeiros ontem?
Coitado o cara pirou de vez na sua loucura nazista.
Está agora defendendo pena de morte abertamente
num jornal que se diz sério e permite que ele pregue
suas convicções safadas aos leitores.
Parece que o PT tirou de vez o juízo do jornalista."
E Thaísa Galvão também não escapou do seu escracho:
"Thaisa Galvão precisa apenas estudar um pouco mais de
geografia para tentar encontrar o mapa de Minas. Pelo
visto ela só encontrou o mapa da mina. Até porque há
uma sintonia com João, Wagner, Micarla, Rogério,
Alexandre Macedo, Dickson... Para encontrar o de Minas
só resta a conversa com Fernando que é Mineiro."
Taí, mais uma leitura prazeroza pra todo dia.
Clique aqui e confira tudo isso e muito mais.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Deu no "No Minuto"
O vereador Enildo Alves (PSB) voltou a dizer, em entrevista ao portal No Minuto, que os vereadores do PSB rechaçam a possibilidade da governadora Wilma de Faria (PSB) apoiar a candidatura à prefeita da deputada Micarla de Sousa (PV).
Ele disse que se o deputado Rogério Marinho (PSB) não for candidato, os pessebistas preferem apoiar a candidatura do PT.
"Se for para apoiar Micarla, eu prefiro apoiar o candidato do PT. Eu até defendo a proposta do prefeito Carlos Eduardo (PSB) de fazer uma aliança com PSB, PT e PMDB. Deveríamos fazer uma pesquisa, aí o primeiro lugar era o candidato, o segundo era o vice e o terceiro apoiava", declarou o vereador ao portal.
P.S.
O blog soube que a secretária de Planejamento Virgínia Ferreira (PT) acompanhou o prefeito Carlos Eduardo em sua viagem para Brasília.
Carlos foi participar da "Marcha dos Prefeitos" e conversar com a deputada federal Fátima Bezerra (PT) e com o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB).
Está tudo acontecendo conforme o roteiro pervisto pelo blog. Carlos Eduardo, em breve, deverá anunciar seu apoio à Virgínia Ferreira.
Na Câmara
O blog disse ontem que o prefeito Carlos Eduardo (PSB) deu um sonoro "não" ao deputado federal Rogério Marinho (PSB) e deixou claro que não vai apoiar sua candidatura. A informação foi passada por uma fonte que soube do "não" do prefeito pelo próprio Rogério Marinho.
Não adiantou nada a governadora Wilma de Faria (PSB) pressionar o prefeito para assumir a candidatura de Rogério Marinho. Carlos saiu da reunião que teve com Wilma e com o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), segunda-feira (dia 14) à noite, dizendo a mesma coisa, que não tem candidato ainda e que só anuncia apoio a alguém em maio.
Carlos voou para Brasília para participar da "Marcha dos Prefeitos" e para conversar com a deputada federal Fátima Bezerra (PT) e com o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB).
Na volta, Carlos deverá anunciar seu apoio à candidatura da secretária de Planejamento Virgínia Ferreira (PT). O PMDB deverá indicar o vereador Hermano Morais para vice.
A bancada do PSB na Câmara Municipal de Natal, percebendo que Carlos Eduardo não vai apoiar Rogério Marinho de jeito nenhum, se reuniu ontem e deu uma entrevista coletiva pedindo que a governadora Wilma de Faria assuma o comando da sucessão em Natal e oficialize seu apoio à candidatura de Rogério, isolando Carlos Eduardo.
A rebelião pessebista na CMN confirma a informação dada pelo blog sobre o "não" de Carlos Eduardo a Rogério Marinho. Os vereadores sabem que não podem contar com o apoio do prefeito ao candidato deles.
A única possibilidade de Carlos Eduardo aderir à candidatura de Rogério Marinho é numa composição entre PSB, PT e PMDB, mas essa tríplice aliança é improvável porque o PT ou o PMDB teria que ficar de fora da formação da chapa majoritária.
Os vereadores deram a última cartada para tentar salvar a candidatura de Rogério. Há rumores de que, sem contar com Carlos Eduardo, a governadora pode optar pela candidatura de Micarla de Sousa (PV), hipótese rechaçada pela bancada dos 'socialistas'.
Há muitos cenários possíveis, muita especulação e quase nenhuma certeza ainda. Tudo pode acontecer. Façam suas apostas.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Eleições em Natal
A imprensa inteira da capital divulgou o encontro entre a governadora Wilma de Faria (PSB) e o prefeito Carlos Eduardo, que ocorreu ontem à noite na casa da governadora, quando eles tentaram chegar a um acordo sobre quem será o candidato da base governista à Prefeitura de Natal.
O encontro durou quatro horas e terminou sem acordo. Wilma deseja oficializar agora o apoio à candidatura do deputado federal Rogério Marinho (PSB), mas Carlos não cedeu à pressão. O prefeito saiu da reunião, que também contou com a participação do vice-governador, Iberê Ferreira de Souza, dizendo que "não tem definição" sobre nome de candidato e que vai conversar com outras correntes políticas da base governista.
Carlos Eduardo disse que iria à Brasília conversar com a deputada Fátima Bezerra (PT) e com o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB). O prefeito externou que deseja unificar em torno de uma candidatura de consenso os partidos aliados do governo Lula - PSB, PT e PMDB - para a disputa em Natal.
O blog soube que antes de conversar com a governadora, Carlos Eduardo falou com o deputado Rogério Marinho e disse, assim com todas as letras, que não o apoiaria.
Isso estava mais que evidente. A governadora tem um candidato e pressiona para que o prefeito anuncie apoio a esse candidato. Mas o prefeito resiste e, em seguida, diz que vai para Brasília conversar com Fátima e Garibaldi. Precisa de sinal mais claro que esse para perceber que Carlos Eduardo não vai de Rogério Marinho em outubro?
O blog também soube que o prefeito avisou à deputada Fátima Bezerra que quando voltar de Brasília vai se encontrar com o diretório municipal do PT. Após essa reunião, Carlos Eduardo poderá anunciar seu apoio à candidatura da secretária de Planejamento de Natal, Virgínia Ferreira (PT). Anunciado o apoio à Virgínia Ferreira, o PMDB deverá indicar o vereador Hermano Morais para vice na chapa petista.
A dúvida é saber qual será a decisão da governadora Wilma de Faria caso esse cenário do prefeito apoiar Virgínia Ferreira se concretize.
Ela tem três opções: bancar sozinha a candidatura de Rogério Marinho, embarcar com o prefeito na candidatura de Virgínia Ferreira ou declarar apoio à deputada estadual Micarla de Sousa (PV).
Comenta-se nos bastidores políticos e jornalísticos que a governadora não vai correr o risco de patrocinar sozinha a candidatura de Rogério Marinho e, por isso, optaria por Micarla de Sousa se o prefeito escolher mesmo Virgínia Ferreira para receber sua bênção.
Mas falta combinar isso com o PSB. O vereador pessebista Enildo Alves, em entrevista ao Portal No Minuto, afirmou repudiar a possibilidade da governadora Wilma de Faria apoiar Micarla de Sousa.
"Eu acharia péssimo se Wilma apoiasse Micarla. Ela não tem o perfil do que o PSB pretende para Natal. Eu não ficaria à vontade para apoiar a candidatura dela até porque meu eleitorado não vê em Micarla o melhor para a cidade", declarou o vereador.
Enildo Alves acrescentou que dos 21 pré-candidatos do PSB a vereador, nenhum concorda com o apoio de Wilma à Micarla.
Wilma, como se vê, está sem muitas opções. Não estranhem, portanto se ela, tal qual Carlos Eduardo, declarar apoio à candidata do PT.
É esperar pra ver.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
O fim da picada

A reação de José Agripino
Jajá disse o seguinte:
"Essa matéria estava anunciada, até porque foi encomendada. O governo quer a todo custo desqualificar a oposição. Coisa dos 'aloprados'. Esse é o preço que eu pago por interpretar o sentimento da sociedade fazendo oposição".
Ah, faça-me o favor! Respostinha vagabunda essa, senador.
Jajá jura que tá com essa bola toda, a ponto do presidente Lula se dignar a comprar revista pra publicar matéria contra ele (Agripino).
Dizer que ele enquanto oposição interpreta "o sentimento da sociedade" é uma piada. Deve ser a parcela da sociedade que integra o "lourismo". Falar também em "integridade da oposição" é ser muito cara de pau.
Mas Jajá é assim mesmo. Tem rompantes ditatoriais e não gosta quando pisam no calo dele. A democracia, para ele, termina quando alguém o interpela e o contraria.
A matéria da "Caros Amigos" fez a máscara cair e deixou reizinho de nada nú.
O leitor João Maurício escreveu um comentário dizendo que as pesquisas de opinião que mostram a popularidade cada vez maior do presidente Lula são, por si só, suficientes para desmoralizar a oposição.
E ele diz mais: "Parece até que o governo precisa agir para desmoralizar uma oposição que conta com personas do cacife José Agripino, Arthur Vírgílio, Álvaro Dias..."
João Maurício também reclamou da defesa que a jornalista Thaísa Galvão fez, em seu blog, do dito senador.
Confiram o que a blogueira em questão escreveu:
"A revista Caros Amigos, que está nas bancas, traz como reportagem de capa, uma matéria que pelo tanto de adjetivo, passa longe de uma matéria jornalística.
Sem questionar as informações...mas apenas a forma como elas foram colocadas, mais parece uma bem feita peça publicitária, encomendada pelo presidente Lula.
Que não supooorta a oposição ao seu governo comandada pelo senador José Agripino Maia (DEM)."
Primeiro que a matéria não tem esse "tanto de adjetivo" que ela diz ter. Há um adjetivo específico que é usado e reiterado: filhote da ditadura. O que o jornalista Léo Arcoverde, autor da matéria, fez foi dar nome ao boi.
Como a própria blogueira admite, não dá pra questionar as informações da matéria, simplesmente porque são absolutamente verídicas.
Sobre a matéria ser uma "peça publicitária", a blogueira seguiu direitinho a linha de defesa ditada por Jajá. Não dá pra levá-la a sério.
Por fim, não é o presidente Lula que "não supooorta (sic) a oposição". A oposição e suas velhas matraqueiras (José Agripino, Arthur Virgílio and company) é que não engole um presidente com origem operária. Tanto é verdade que até surra em Lula eles já prometeram dar.
Essas raposas, quando descem do salto, ninguém segura...
domingo, 13 de abril de 2008
O "Dossiê Agripino" na Caros Amigos
OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA
O SENADOR JOSÉ AGRIPINO MAIA (DEM-RN) É APRESENTADO PELA MÍDIA GRANDE COMO UM ÍCONE DA MORAL, SEMPRE ENTREVISTADO PARA DENUNCIAR AS MAZELAS DO GOVERNO LULA E PONTIFICAR SOBRE ÉTICA POLÍTICA. SEU PASSADO, PORÉM, NÃO O ABONA.
Do meio para o fim dos anos 1970, para fazer parte do grupinho oligárquico que havia duas décadas comandava a política do Rio Grande do Norte, uma condição era suficiente e necessária: aderir à estratégia de renovação do regime autoritário, preparando-se para a transição. Isto é, a bênção dos militares era mais que bem-vinda. O industrial Osmundo Faria, dono da salina Amarra Negra e de vasto latifúndio no agreste, estava para ser anunciado sucessor do governador Cortez Pereira (1971-1975). Não tinha experiência em cargo eletivo – era suplente do senador Dinarte Mariz. Mas contava com o apadrinhamento de ninguém menos que o ministro do Exército, general Dale Coutinho, ex-chefe da repressão no Nordeste. Era, no dizer do político gaúcho Leonel Brizola, o “filhote da ditadura” da vez.
O episódio que pesou contra Osmundo Faria, em maio de 1974, deu-se no Hotel Nacional, na Ribeira, centro de Natal, ponto de encontro de lideranças políticas. O ex-deputado Anderson Dutra, ao irromper no bar e cumprimentar o deputado Ivan Rosado, aliado de Dinarte, cometeu uma inconfidência que mudaria os rumos da história política do Estado:
- Aluízio é muito forte. Mesmo cassado, tá ali cochichando com o futuro governador.
Na noite desse mesmo dia, Dinarte já sabia. Foi o suficiente para o senador voltar-se contra o próprio suplente Osmundo Faria e opor-se à nomeação dele. Aluízio Alves, chefe de extenso clã, tinha ascendido ao governo em 1960, após intensa luta eleitoral contra o então governador Dinarte MAriz e seu candidato, o deputado federal Djalma Marinho, ruim de voto, mas importante quadro intelectual da direitista União Democrática Nacional, a UDN.
Apoiado pelo PCB e outras forças de esquerda, Aluízio representava interesses de modernização num Estado dominado pela agropecuária. Tinha, contudo, sólidas raízes udenistas - foi eleito deputado federal seguidas vezes, a partir de 1945, pela UDN, pilotando programas de rádio e organizando ações de assistência aos flagelados das secas. Um populista cujo mandato de deputado federal acabaria cassado em fevereiro de 1969 sob a acusação de corrupção.
Mais próximo dos generais da ditadura, Dinarte, assim que soube da conversa no bar do hotel, escreveu para o "general de plantão" Ernesto Geisel, reclamando que nem sequer havia sido ouvido sobre a escolha de Osmundo. Geisel chama Petrônio Portela, seu principal articulador:
- Petrônio, você já nomeou o governador do Rio Grande do Norte?
- Ainda não - responde Petrônio de cima do muro.
- Então, dê uma satisfação ao senador Dinarte Mariz. Nãoa nuncie agora, não.
- Tudo bem.
No dia seguinte, morre Dale Coutinho, padrinho de Osmundo e general linha-dura, que havia proclamado:
- O Brasil melhorou muito quando começamos a matar!
É quando entra em cena o general Golobery do Couto e Silva, eminência parda do governo Geisel: convoca o amigo Tarcísio Maia para assumir o governo potiguar e começar a renovar a elite política estadual, como aconteceria país afora.
Um filhote gera outros: nasce a oligarquia Maia
Apesar de ruim de urna, Tarcísio tem fama de bom administrador - sob a batuta dos generais foi presidente do extinto Ipase, Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado. Mostrou-se desde cedo um filhote da ditadura implacável, ávido pelo poder. A partir de 1975, montou uma estrutura de trabalho social preconizada pelo II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) e se fez senhor da política estadual, indicando o primo e compadre, o médico Lavoisier Maia, seu secretário de Saúde, para sucedê-lo na chefia de governo em 1979.
Segundo José Antonio Spinelli, sociólogo e professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Sociais da UFRN, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, esse processo de sucessão deu início à montagem de uma máquina política poderosa, que ocuparia o poder por longos anos.
- Essa composição de poder vai ser extremamente receptiva aos interesses do setor econômico moderno que se consolida nos anos 60 e 70. Mas, assim como seus adversários históricos, os aluizistas, trazia a marca do velho na origem, a utilização do enpotismo como forma de se reproduzir.
Por sua vez, Lavoisier indica para a prefeitura da capital o filho de seu primo Tarcísio, José Agripino Maia, 33 anos, jovem engenheiro da EIT, uma empreiteira potiguar, de sólidas ligações com governos do Nordeste. Antes de nomeado, José Agripino prestava serviço para a EIT em São Luís, onde a empresa mantém escritório até hoje. Spinelli confirma: a indicação de quadros técnicos, jovens, ligados ao empresariado de ponta, para as capitais nordestinas, obedecia à estratégia de perpetuação do regime autoritário.
Embora dependente dos recursos e das diretrizes técnicas do governo federal, José Agripino, bom de palanque, desembarca no Rio Grande do Norte disposto a tocar, a qualquer custo, o projeto d epoder do velho Tarcísio, seu pai. Inicia em 1979 um programa habitacional que o torna popular.
Natural de Mossoró, filho de pai paraibano e mãe baiana, José Agripino faz parte do ginásio em Natal, no Colégio Marista, onde estudam os filhos da pequena burguesia. Aos 13 anos muda para o Rio, onde cursa o Colégio Andrews. Gradua-se em engenharia civil e faz pós-graduação em estabilização de taludes.
Analisada friamente, a trajetória de ânsia pelo poder de José Agripino é exemplo de sucesso nas urnas: governador em 1982, na primeira eleição direta pós-1964, contra ninguém menos que Aluízio Alves; e novamente em 1990, em disputa com o primo Lavoisier Maia (o mesmo que o nomeou filhote-prefeito em 1979); e depois senador por dois mandatos.
Ajuda dos milicos: o voto camarão
Voto vinculado, invenção da ditadura, que o povo apelidou de voto camarão: o eleitor só podia votar em candidatos de um mesmo partido, sob pena de anular o voto. Era o que José Agripino precisava nas eleições de 1982 para governador. Nem mesmo a popularidade de Aluízio Alves conseguiu vencer a estrututra montada em torno do jovem prefeito. Coordenador da campanha de Aluízio, o jornalista Ticiano Duarte detalha o que pesou a favor do adversário:
- José Agripino foi beneficiado pelo voto camarão. O PDS tinha tudo, estrutura maior, poder, dinheiro. Eram quatro deputados do nosso lado contra vinte e tantos do outro; eram seis, oito prefeitos contra noventa. Cem vereadores contra quinhentos. Aluízio venceu em Natal por cem votos, mas perdeu feio no interior.
José Agripino Maia toma posse em 15 de março de 1983 e, dali a dois anos, será flagrado numa reunião com auxiliares e 120 prfeitos, acertando o que constituiria a maior fraude elitoral da história do Rio Grande do Norte.
Dessa vez, José Agripino queria eleger prefeita de Natal sua secretaria de Promoção Social, Wilma Maia, em 1985. Tinham como adversário o deputado estadual Garibaldi Alves Filho (PMDB), sobrinho de Aluízio e hoje presidente do Senado. O plano foi todo armado em quatro reuniões, no Centro de Convenções, Zona Sul de Natal.
José Agripino simplesmente instruiu os prefeitos a comprar títulos eleitorais, distribuir presentes, incentivar tumultos nos processos de votação e apuração e, ainda, usa veículos oficiais com placas frias para transportar eleitores do interior para a capital. O caso ficou conhecido como Escândalo Rabo-de-Palha, rótulo fornecido pelo próprio José Agripino, que ao final de uma reunião pediu:
- Não podemos deixar rabo-de-palha.
Caros Amigos reproduz aqui parte da conversa. Laudo do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, diz que a voz é do governador.
José Agripino -Os pobres estão indecisos. É em cima desse povo que você tem que atuar. Com uma feirazinha, com um enxoval, com umas coisinhas.
Iberê Ferreira de Souza (secretário) - O povo mais pobre que não se compromete, troca o voto por qualquer coisa. Botar o milhp no bolso, porque sem milho não funciona.
Álvaro Alberto (financiador) - O meu jogo é aberto. Se é preciso comprar os títulos, vamos comprar. Te que gastar dinheiro, tem que chegar com o dinheiro.
O conceito de democracia de Agripino é peculiar, não é adequado a verbete de dicionário, serve apenas a ele e seus apaniguados:
- Vamos indicar ma área para vocês trabalharem e inclusive nas áreas modestas, de eleitores indecisos que são sensíveis a uma conversa e a uma negociação, que será feita por nós ou por eles. Democracia é isto!
O conceito de terrorista também:
- E aí eu quero fazer um lembrete: importante não é a quantidade de pessoal, é a qualidade das pessoas, porque, se a gente traz uma mocinha, como eu vi na eleição de 82, mocinhas inexperientes, elas ocupam uma função, não dão conta do recado e perdem fácil para o comunista, o terrorista, que vai se impor, intimidar e ganhar no grito.
Incômoda redemocratização
Com a redemocratização e a nomeação do peemedebista Aluízio Alves ministro da Administração do governo Sarney, os adversários de José Agripino é que passam a dar as cartas em Brasília. O palno do então governador, de "implodir" o PMDB, não se concretiza. Pelo contrário. ALuízio a autoconcessão da TV Cabugi (afiliada da Globo) - sua família também é dona de rádios e do jornal Tribuna do Norte. Garibaldi Filho é eleito prefeito de Natal. No ano seguinte, a chapa João, Lavô e Jajá (João Faustino para governador r Lavoisier Maia e José Agripino, senadores) leva as duas vagas do Senado,mas perde na "cabeça" para Geraldo Melo,a liado dos Alves. O filhote não cai, mas balança.
Nos últimos trinta anos, alguns atos de José Agripino povoam o folclore político da região. Um deles, quem conta é o colega Ailton Medeiros, blogueiro e apresentador de progrma de entrevistas de uma emissora de televisão de Natal.
- No primeiro governo de José Agripino, me mandaram cobrir a visita do governador aos flagelados do Seridó. Eu estava acompanhando o senador Dinarte Mariz, quando José Agripino começou a fumar numa piteira de ouro. Foi repreendido por Dinarte: "O que é isso? Isso é maneira de visistar os flagelados?" Daí, o governador, meio sem jeito, apagou o cigarro.
Outro detalhe é o gosto de José Agripino por carros e equipamentos de som e imagem. Em 2002 declarou que tem um luxuoso Mercedes SL-320 de 114.500 reais; a sala de cinema instalada em seu apartamento de Natal está avaliada em mais de 150.000 reais.
Lourismo: uma questão de bom gosto racial
Em 2006, o jornalista e escritor Orlando Rangel Rodrigues, o Caboré, lançou Rabo-de-Palha: o Jabá de Jajá. Caboré é um tipo atuante, opositor da ditadura militar e crítico feroz das oligarquias. Ganhou notoriedade no Seridó nos anos 60 e 70 ao denunciar, na Rádio Rural, crimes de pistolagem. Seu livro narar o Escândalo Rabo-de-Palha de maneira engraçadíssima e traz mais curiosidades sobre José Agripino. Uma delas é o "lourismo". Define o autor na página 89:
"... era uma fauna que definia os mortais de puro sangue do governo José Agripino. (...) criaram a República de Jacumã, praia do litoral norte potiguar. Belas mansões que abrigavam, em veraneios, somente pessoas estritamente do convívio palaciano: uma elite de políticos de grandes currais eleitorais e empresários bons de nota".
Segundo Caboré, o lourismo não aceita, por exemplo, Lula na preseidência da República. Peço para ele comentar estas declarações do agropecuarista José Bezerra de Araújo Júnior, suplente de José Agripino, em entrevista para a Tribuna do Norte:
"Collor foi o governo menos corrupto que o país já teve" e "Eu acho que o Lula é um populista analfabeto. Discrimino mesmo: é analfabeto!"
- Taí um exemplo do que faz o lourismo. Nunca quiseram ver Lula presidente. São contra metalúrgico, contra nero, contra pobre, contra analfabeto. Acham que não têm direito a nada. Convivo com muita gente do ourismo. Já ouvi vários afirmarem ser contra Barack Obama. Tem algum motivo dessa casta, dessa elite ser contra Barack Obama a não ser pelo fato de ele ser negro. Hein?
Com a corda toda
De volta ao governo em março de 1991 - após derrotar o primo e ex-aliado Lavoisier -, José Agripino deixa o cargo em abril de 1994 para concorrer mais uma vez ao Senado. Volta a Brasília sem que um escândalo de arrecadação de seu governo seja esclarecido. O Ganhe Já consistia numa loteria em que o cidadão trocava notas fiscais por cupons que lhe davam o diereito de concorrer a prêmios - geladeira, bicicleta, mochila. Transcrevo a manchete e o começo de uma reportagem do JN, Jornal de Natal, de 21 de novembro de 1994:
"A Falência do Ganhe Já e o Arrocho Fiscal. A campanha do Ganhe Já, denunciada sistematicamente por este jornal como uma farsa, que vendia uma falsa realidade do Rio Grande do Norte (tendo inclusive motivado a decisão do JN a não publicar quqlaquer anúncio da campanha), faliu sem jamais ter alcançado seu objetivo, aumentar a arrecadação do Estado. Foi apenas um sangradouro de dinheiro que financiou a Dumbo Publicidade e fornecedores e levou o Erário a esvaziar-se a ponto de o Estado não ter dinheiro em caixa sequer para o pagamento da folha do funcionalismo."
O semanário JN vendia 7.500 exemplares (nada mal para uma cidade do tamanho de Natal). A reportagem a seguir ilustra bem o que estava por atrás do Ganhe Já:
"O empobrecimento do Estado, que tem hoje uma legião de 1 milhão de flagelados (...), se deu na exata medida do enriquecimento de 'amigos do peito' do governador, com destaque para os proprietários da Dumbo Publicidade, responsável pela farsa do Ganhe Já, que manteve quase toda a imprensa amordaçada durante os quatro anos de governo pefelista."
A Dumbo Publicidade não tocava o dito programa de arrecadação com zelo, como mostra o JN de 28 de novembro de 1994:
"Como tudo que cercou o Ganhe Já antes de sua falência total, a participação da empresa Informe Prestação de Serviços Ltda., terceirizada pela Dumbo Publicidade para executar a campanha, também é um mistério. E dos mais nebulosos. Contratada sem licitação, depois que o então secretário de Fazenda Manoel Pereira anulou inexplicavelmente a concorrência que havia sido aberta justamente para se escolher a firma que iria trabalhar no Ganhe Já, a Informe viveu sempre nas sombras."
José Agripino nunca processou o JN pelas denúncias.
De bem com a vida
Rua Carlos Passos, bairro do Tirol, área prá lá de nobre. É aqui, no condomínio Aurino Vila, que mora na cobertura com piscina o senador José Agripino. É um edifício de dezesseis andares, de mau gosto arquitetônico - de fachada branca empastilhada. Não é para qualquer um. É para o raro cidadão que tem 1 milhão e meio de reais no bolso sobrando. Grana, para José Agripino, não é problema. Menos ainda depois que o INCRA comprou, já no governo Lula, três imóveis dentro da fazenda São João, antes pertencente ao pai dele, Tarcísio, em Mossoró. O governo comprou os imóveis, com 3.985 hectares, por quase 4 milhões de reais. Nada mal para quem já declarava à Justiça Eleitoral, em 2002, quase 3 milhões de patrimônio.
Apuração
Estive em Natal na segunda metade de fevereiro passado. Durante uma semana consegui entrevistar apenas três pessoas (e todas sem se identificar) sobre o Rabo-de-Palha e o Ganhe Já. Ninguém quer tocar no assunto. Fácil explicar: a família de José Agripino, líder do DEM (ex-PFL) no Senado, controla cinco rádios e uma emissora de televisão, a TV Tropical (afiliada da Record); Iberê Ferreira de Souza, seu ex-secretário, é vice-governador e secretário de Recursos Hídricos, auxiliar justamente da governadora Wilma de Faria, ex-mulher de Lavoisier Maia e secretária de Promoção Social de José Agripino que, caso vencesse Garibladi Filho no pleito de 1985, se tornaria a maior beneficiária do Rabo-de-Palha.
Tem mais, muito mais: Álvaro Alberto, financiador de campanha envolvido no esquema, é um sujeito muito rico. Foi dono da falida Associação de Poupança e Empréstimo do Rio Grande do Norte (Apern), hoje preside a Companhia Hipotecária Brasileira (CHB), empresa de obtenção de crédito com atuação em todo o país. O próprio resultado da eleição de 1985 ajudou o caso a cair em esquecimento: Garibaldi Filho, hoje presidente do Senado, venceu o pleito, ajudado pela exposição doe scândalo pouco antes da eleição. Ou seja: ganhou a eleição, para que contestar o resultado? Outra ironia: Garibladi Filho e José Agripino hoje estão aliados, Costumam cumprir agenda, percorrendo juntos o Estado.
O Rabo-de-Palha é tabu em Natal, cidade onde nasci e cresci ouvindo em casa, na escola, na rua a história das "feirinhas do Centro de Convenção" de que falava Agripino. O mesmo acontece com o Ganhe Já. Como todo lugar em que as oligarquias dominam a política e contorlam os veículos de informação, ese tipo de assunto fica restrito à casa dos envolvidos. O que faz sentido: não existe lugar mais apropriado para lavar a roupa suja.
TAL PAI
Cinqüenta e cinco deputados federais (10,7 por cento da casa) detêm concessões de radiodifusão. O Rio Grande do Norte encabeça o rol de maiores detentores: metade da sua bancada.
O deputado potihuar Felipe Maia (DEM), 34 anos, filho de José Agripino e neto do velho Tarcísio, possui cotas nas rádios A Voz do Seridó e Rádio Curimatau de Nova Cruz. Chama atenção o valor das cotas: 32 reais. A declaração de bens do parlamentar em 2006 mostra que sua participação na Rádio Curimatau é de apenas 10 reais; na outra, investiu mais alto: 22 reais.
A maior parte de seus quase 4 milhões de reais declarados está numa de suas oito contas do Fundo de Investimentos Sudameris. Felipe tem apartamentos em bairro chique, empresa de revenda de motos, contas em fundos de investimentos. E ainda a Comav, que, mediante concessão pública, transporta o combustível que abastece aeronaves no aeroporto de Parnamirim (Grande Natal).
Felipe Maia tem participação, também, na emissora de televisão do pai, a TV Tropical (afiliada da Record), com 2.000 reais de cotas. O artigo 54 da Constituição diz que deputados e senadores não podem ter participação no tipo de empresa em que Felipe Maia atua: concessionárias da administração pública. E na Câmara dos Deputados ele é suplente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar...
Léo Arcoverde, com colaboração de Raquel Souza.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Os rabos-de-palha de José Agripino

A revista "Caros Amigos" deste mês está simplesmente imperdível. A edição traz um perfil do jornalista Léo Arcoverde sobre estriônico e caricato senador José Agripino, líder dos "demos" - cargo que lhe caiu como uma luva, diga-se de passagem.
Na capa, a interrogação: "José Agripino - Quem é?". A revista ainda não chegou às bancas de Natal. Mas é bom ficar atento antes que Jajá mande comprar todos os exemplares pra ninguém mais ler.
No site da revista, há apenas um aperitivo, mas já é suficiente pra imaginar o que vem pela frente.
"OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA" é o título da matéria sobre Agripino Maia.
Na pequena introdução, já dá pra sentir o doce veneno do escorpião:
O SENADOR JOSÉ AGRIPINO MAIA (DEM-RN) É APRESENTADO PELA MÍDIA GRANDE COMO UM ÍCONE DA MORAL, SEMPRE ENTREVISTADO PARA DENUNCIAR AS MAZELAS DO GOVERNO LULA E PONTIFICAR SOBRE ÉTICA POLÍTICA. SEU PASSADO, PORÉM, NÃO O ABONA.
Estou anciosíssimo para ter a revista em mãos e ler a matéria na íntegra. Prometo postar tudo aqui pra vocês, mas quero contar com a ajuda de todos pra gente passar esse "dossiê Agripino" pra frente. Quanto mais gente ficar sabendo do passado sujo deste senador, mais cedo ele será desmascarado e mais rapidamente nos veremos livres dos seus insuportáveis surtos demagógicos.
Eu vou profetizar aqui. Muito em breve, todos juntos, em uníssono, poderemos bradar: Jajá já era!
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Cidadã Natalense
A Câmara Municipal de Natal aprovou ontem o requerimento do vereador Júnior Rodoviário (PT) concedendo o título de "Cidadã Natalense" à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.
Em sua justificativa, o vereador alegou que a ministra tem uma “importante contribuição histórica” e de “valorização da mulher no exercício da função pública”. Júnior Rodoviário destacou ainda “os relevantes serviços prestados pela ministra Dilma Roussef” para Natal e o Rio Grande do Norte.
A chefe da Casa Civil do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva é a responsável pelo gerenciamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que vai investir R$ 800 milhões em obras de saneamento, abastecimento de água e infra-estrutura.
Eleições em Natal
A "Tribuna do Norte" noticiou que o PT e o PSB vão debater as eleições deste ano numa reunião na próxima segunda-feira (dia 14), na sede do Partido Socialista Brasileiro.
O jornal informou ainda que a reunião foi agendada a pedido do PT, através da presidente municipal da legenda, Vilma Aparecida.
Ainda segundo a TN, o objetivo do PT é "conversar com o PSB sobre a possibilidade de construir um projeto político e um programa de governo que possibilite a aliança [para a eleição em Natal]."
O PT tem dois pré-candidatos a prefeito: o deputado estadual Fernando Mineiro e a secretária Virgínia Ferreira.
A versão da TN é que Virgínia Ferreira foi autorizada pelo PT a buscar o apoio do prefeito Carlos Eduardo e da governadora Wilma de Faria para viabilizar seu nome como candidata.
Entretanto, o blog teve informações que quem orientou Virgínia Ferreira a buscar o apoio da governadora à sua candidatura foi o prefeito Carlos Eduardo.
Carlos Eduardo deu o seu aval à reunião, mas não vai participar da conversa porque estará viajando.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Entre heróis e vilões
Mas não só de heróis vive uma nação. Os vilões também têm seu lugar reservado no nosso "museu de grandes novidades", como cantou Cazuza.
Eis que agora, uma eleição definiu quem foram o maior herói e o maior vilão da História do Brasil. É o que revela Mônica Bergamo na Folha de hoje:
O BEM E O MAL
A "Revista de História da Biblioteca Nacional" perguntou a jornalistas, professores, políticos e artistas quem foram o maior herói e o maior vilão da História do Brasil. Machado de Assis e d. Pedro 2º ganharam 12 votos cada na categoria "mocinho". O escritor acabou levando o título porque o imperador também teve duas menções na lista dos "odiados". O ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, também com 12 votos, foi escolhido o maior vilão.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Fazendo contato
Por enquanto é isso e até amanhã.
domingo, 6 de abril de 2008
Os brasileiros, a mídia e a pena de morte
A pesquisa foi feita depois do brutal assassinato do menino João Hélio Fernandes, arrastado por um carro nas ruas do Rio de Janeirio, em fevereiro de 2007, que comoveu e deixou a todos perplexos.
A própria Folha creditou o aumento da "mobilização popular e a repercussão na mídia do tema insegurança pública" ao assassinato de João Hélio Fernandes.
Quando essa pesquisa foi publicada, escrevi um artigo no "Observatório da Imprensa" afirmando que a elevação da preocupação nacional com a violência e a aprovação maior à pena de morte coincidiam com a hiperexposição do assunto na mídia (clique aqui para ler o artigo).
Eis que o Datafolha fez nova pesquisa sobre o tema e o jornal novamente publicou os números. A aprovação dos brasileiros à pena de morte caiu para 47%. Enquanto isso, os que são contrários a essa medida passaram para 46%.
A pesquisa, realizada entre 25 e 27 de março, entrevistou 4.044 brasileiros com 16 anos ou mais em 159 municípios, segundo o jornal.
Na matéria deste domingo, a Folha afirma que o apoio à pena de morte no Brasil "pode ser circunstancial e emotivo".
A mídia não costuma admitir os próprios erros e excessos. A cobertura sensacionalista de temas como a violência leva à exacerbações perigosas e alimenta sentimentos vingativos que geram apenas mais violência.
Esqueçam Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freire
Tive calafrios quando li a notícia. Imaginem vocês se essa senhora resolve "revelar" as causas dos nossos problemas sociais. Imaginaram? É, eu pensei a mesma coisa.
Esqueçam Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freire. Para entender o Brasil, vamos assistir "Revelação". Nenhuma teoria social resistirá à Íris Abravanel.
A favor das políticas afirmativas
O DEM havia entrado com uma ação no STF questionando a legalidade do ProUni. O DEM é contra o programa porque não quer que pobre entre na universidade. É simples assim.
Invoca-se o discurso do mérito e outras falácias como a negação do preconceito no Brasil e o argumento segundo o qual as políticas afirmativas exacerbariam uma divisão racial que na verdade não existe, baseando-se no sofisma de que somos todos integrantes de uma única raça, a saber a raça humana.
Esse assunto também foi debatido no programa "Altas Horas", apresentado pelo Serginho Groisman na Globo, na madrugada de sábado para domingo. Duas garotas, com opiniões opostas, participaram do quadro "Contra ou A Favor", que no programa de ontem tratava da questão das cotas.
Eu peguei o debate do meio pro final. Mas deu pra perceber como os argumentos de quem é contra as cotas e outras políticas afirmativas repetem sempre os mesmos clichês. A garota do contra invocou a premissa da raça única - a raça humana. A garota a favor disse que a discussão não era sobre o conceito biológico de raça, mas sim o conceito social, a forma como esse conceito foi trabalhado e usado para excluir durante séculos negros e índios, desembocando numa sociedade cujas estruturas são a injustiça e a desiguldade históricas.
A jovem contrária às cotas, que é negra e usava uma camiseta do "Movimento Negro Socialista", disse ainda que as políticas afirmativas contrariam o princípio da igualdade de todos perante a lei, conforme rege a Constituição do Brasil. A outra jovem contrapôs-se a ela afirmando que, embora esteja assegurada em lei, a igualdade de fato não existe e, para que ela deixe de ser apenas um conceito ou letra morta, são necessárias ações que garantam a sua efetivação e que amenizem as desigualdades históricas contra os negros.
É isso aí. Agora, fiquem com o artigo de Elio Gaspari:
Um grande voto no julgamento do ProUni
BENDITA A HORA em que o DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino resolveram bater às portas do Supremo Tribunal Federal, sustentando a inconstitucionalidade dos atos que criaram o ProUni. Levaram para a Corte a discussão da legalidade de ações afirmativas baseadas em critérios de renda e de raça para o acesso ao ensino superior. Na semana passada, tomaram a primeira pancada, pelo voto do ministro-relator Carlos Ayres Britto.
O ProUni troca por bolsas de estudo as imunidades tributárias dadas às universidades particulares. Coisa como 10% das vagas disponíveis. O programa já atendeu 310 mil jovens oriundos da rede pública e neste ano formará a sua primeira turma, com 60 mil bolsistas. Há 100 mil estudantes pré-selecionados para a próxima rodada de matrículas. Para receber uma bolsa integral, a renda per capita familiar do candidato não pode ser superior a 1,5 salário mínimo. Por exemplo, um casal com dois filhos não pode ganhar mais de R$ 1.648. As vagas do ProUni também devem ser preenchidas favorecendo o acesso de candidatos afro-descendentes (quem não gosta da expressão pode chamá-los de "descendentes de escravos"). A concessão de bolsas deve acompanhar os percentuais de diversidade de cada Estado, conforme o censo do IBGE. Há um regime de bolsas parciais, que segue critérios semelhantes.
Segundo a Confenen e o DEM, esses critérios são inconstitucionais porque violam o princípio da igualdade entre os cidadãos. (Eles faziam outras restrições, também rejeitadas pelo relator.)
Britto julgou improcedente o pedido, argumentando em cima do nervo da questão: o que é a igualdade numa situação de desigualdade? Nas suas palavras: "Não há outro modo de concretizar o valor constitucional da igualdade senão pelo decidido combate aos fatores reais de desigualdade. (...) É como dizer: a lei existe para, diante dessa ou daquela desigualação que se revele densamente perturbadora da harmonia ou do equilíbrio social, impor outra desigualação compensatória".
Em vez de tentar derrubar quem está em cima, empurra-se quem está em baixo. Tome-se o caso de dois jovens reprovados nos rigorosos vestibulares das universidades públicas, gratuitas. Um, de família mais abonada, vai para uma faculdade particular, paga. O outro iria à lona, mas, com o ProUni, vai à aula.
Britto buscou uma parte de sua argumentação na Oração aos Moços, de Rui Barbosa: "A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. (...) Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".
O voto de Britto trata só do Pro-Uni. Sua linha de raciocínio abre um guarda-chuva conceitual que antevê próximos julgamentos, quando o STF será chamado a decidir sobre a constitucionalidade do regime de cotas em inúmeras universidades públicas. Terminada a leitura, na quarta-feira, o processo do ProUni foi suspenso por um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa e recomeçará em poucas semanas. Se o DEM e a Confenen não tivessem cutucado as togas com vara curta, essa bonita discussão não teria sido aberta.
A guerra dos livros
Reinaldo Azevedo, blogueiro e capacho da "Veja", anunciou que vai lançar "O país dos petralhas", enquanto Paulo Henrique Amorim, blogueiro demitido do IG e 'faz tudo' de Edir Macêdo, disse que está escrevendo um livro sobre o Partido da Imprensa Golpista (PIG).
Curiosidade: se o livro de PHA for um best seller, será que a "Veja" vai colocá-lo nos "Mais Vendidos"?
Deu no "Comunique-se"
Por Miriam Abreu
O mandato de Mário Magalhães como ombudsman da Folha de S. Paulo se encerrou na sexta-feira (04/04) e o próprio optou por não renová-lo. Motivo: o convite para continuar no cargo estava condicionado a sua aceitação para deixar de escrever a crítica diária na internet. Magalhães não concordou e volta a ser repórter especial na sucursal Rio.
"Considero isso (acabar com a crítica diária na web) um retrocesso na transparência do jornal e do trabalho do ombudsman. Não concordei com a condição, houve um impasse, então deixei o cargo", contou ele neste sábado (05/04) ao Comunique-se.
Até sexta-feira (11/04), Magalhães continua atendendo os leitores. E neste domingo (06/04), ele se despede dos leitores na coluna publicada no impresso.
Mário Magalhães deu início ao trabalho como ombudsman no dia 05/04/07. Ele substituiu Marcelo Beraba, que desempenhou a função por três mandatos.
Na Folha desde 1991, Magalhães atuava como repórter especial do jornal, mas já foi repórter e editor-assistente de Esportes e editor-assistente do “Folha Teen” . Foi o segundo ombudsman da Folha de S. Paulo baseado no Rio de Janeiro.
Não há informações sobre quem será o próximo ombudsman do diário.

