quinta-feira, 10 de abril de 2008

Os rabos-de-palha de José Agripino


A revista "Caros Amigos" deste mês está simplesmente imperdível. A edição traz um perfil do jornalista Léo Arcoverde sobre estriônico e caricato senador José Agripino, líder dos "demos" - cargo que lhe caiu como uma luva, diga-se de passagem.

Na capa, a interrogação: "José Agripino - Quem é?". A revista ainda não chegou às bancas de Natal. Mas é bom ficar atento antes que Jajá mande comprar todos os exemplares pra ninguém mais ler.

No site da revista, há apenas um aperitivo, mas já é suficiente pra imaginar o que vem pela frente.

"OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA" é o título da matéria sobre Agripino Maia.

Na pequena introdução, já dá pra sentir o doce veneno do escorpião:

O SENADOR JOSÉ AGRIPINO MAIA (DEM-RN) É APRESENTADO PELA MÍDIA GRANDE COMO UM ÍCONE DA MORAL, SEMPRE ENTREVISTADO PARA DENUNCIAR AS MAZELAS DO GOVERNO LULA E PONTIFICAR SOBRE ÉTICA POLÍTICA. SEU PASSADO, PORÉM, NÃO O ABONA.

Estou anciosíssimo para ter a revista em mãos e ler a matéria na íntegra. Prometo postar tudo aqui pra vocês, mas quero contar com a ajuda de todos pra gente passar esse "dossiê Agripino" pra frente. Quanto mais gente ficar sabendo do passado sujo deste senador, mais cedo ele será desmascarado e mais rapidamente nos veremos livres dos seus insuportáveis surtos demagógicos.

Eu vou profetizar aqui. Muito em breve, todos juntos, em uníssono, poderemos bradar: Jajá já era!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Cidadã Natalense

Dilma Roussef recebe título da CMN

A Câmara Municipal de Natal aprovou ontem o requerimento do vereador Júnior Rodoviário (PT) concedendo o título de "Cidadã Natalense" à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

Em sua justificativa, o vereador alegou que a ministra tem uma “importante contribuição histórica” e de “valorização da mulher no exercício da função pública”. Júnior Rodoviário destacou ainda “os relevantes serviços prestados pela ministra Dilma Roussef” para Natal e o Rio Grande do Norte.

A chefe da Casa Civil do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva é a responsável pelo gerenciamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que vai investir R$ 800 milhões em obras de saneamento, abastecimento de água e infra-estrutura.

Eleições em Natal

Orientada por Carlos Eduardo, Vrgínia Ferreira busca apoio da governadora

A "Tribuna do Norte" noticiou que o PT e o PSB vão debater as eleições deste ano numa reunião na próxima segunda-feira (dia 14), na sede do Partido Socialista Brasileiro.

O jornal informou ainda que a reunião foi agendada a pedido do PT, através da presidente municipal da legenda, Vilma Aparecida.

Ainda segundo a TN, o objetivo do PT é "conversar com o PSB sobre a possibilidade de construir um projeto político e um programa de governo que possibilite a aliança [para a eleição em Natal]."

O PT tem dois pré-candidatos a prefeito: o deputado estadual Fernando Mineiro e a secretária Virgínia Ferreira.

A versão da TN é que Virgínia Ferreira foi autorizada pelo PT a buscar o apoio do prefeito Carlos Eduardo e da governadora Wilma de Faria para viabilizar seu nome como candidata.

Entretanto, o blog teve informações que quem orientou Virgínia Ferreira a buscar o apoio da governadora à sua candidatura foi o prefeito Carlos Eduardo.

Carlos Eduardo deu o seu aval à reunião, mas não vai participar da conversa porque estará viajando.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Entre heróis e vilões

Os brasileiros sempre gostaram de ter seus heróis. É uma necessidade quase ontológica do nosso povo. Não somos sebastianistas como os portugueses, mas nosso povo vive como se ainda esperasse o surgimento do messias, o herói divinizado que virá para resgatar a estima da nossa gente historicamente ultrajada.

Mas não só de heróis vive uma nação. Os vilões também têm seu lugar reservado no nosso "museu de grandes novidades", como cantou Cazuza.

Eis que agora, uma eleição definiu quem foram o maior herói e o maior vilão da História do Brasil. É o que revela Mônica Bergamo na Folha de hoje:

O BEM E O MAL

A "Revista de História da Biblioteca Nacional" perguntou a jornalistas, professores, políticos e artistas quem foram o maior herói e o maior vilão da História do Brasil. Machado de Assis e d. Pedro 2º ganharam 12 votos cada na categoria "mocinho". O escritor acabou levando o título porque o imperador também teve duas menções na lista dos "odiados". O ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, também com 12 votos, foi escolhido o maior vilão.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Fazendo contato

Pessoal, passei o dia hoje no "Fórum Natal Pela Sustentabilidade" e não deu pra postar nada. Amanhã, refeito do desgaste e com as baterias recarregadas, coloco os assuntos em dia - inclusive algumas coisas interessantes do fórum.

Por enquanto é isso e até amanhã.

domingo, 6 de abril de 2008

Os brasileiros, a mídia e a pena de morte

Há um ano, a Folha publicava pesquisa do Datafolha mostrando que 55% dos brasileiros apoiavam a pena de morte e que, para 31% da população, a violência era o principal problema do país.

A pesquisa foi feita depois do brutal assassinato do menino João Hélio Fernandes, arrastado por um carro nas ruas do Rio de Janeirio, em fevereiro de 2007, que comoveu e deixou a todos perplexos.

A própria Folha creditou o aumento da "mobilização popular e a repercussão na mídia do tema insegurança pública" ao assassinato de João Hélio Fernandes.

Quando essa pesquisa foi publicada, escrevi um artigo no "Observatório da Imprensa" afirmando que a elevação da preocupação nacional com a violência e a aprovação maior à pena de morte coincidiam com a hiperexposição do assunto na mídia (clique aqui para ler o artigo).

Eis que o Datafolha fez nova pesquisa sobre o tema e o jornal novamente publicou os números. A aprovação dos brasileiros à pena de morte caiu para 47%. Enquanto isso, os que são contrários a essa medida passaram para 46%.

A pesquisa, realizada entre 25 e 27 de março, entrevistou 4.044 brasileiros com 16 anos ou mais em 159 municípios, segundo o jornal.

Na matéria deste domingo, a Folha afirma que o apoio à pena de morte no Brasil "pode ser circunstancial e emotivo".

A mídia não costuma admitir os próprios erros e excessos. A cobertura sensacionalista de temas como a violência leva à exacerbações perigosas e alimenta sentimentos vingativos que geram apenas mais violência.

Esqueçam Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freire

Íris Abravanel, mulher de Sílvio Santos, está escrevendo a próxima novela do SBT. O título da trama é "Revelação" e vai falar sobre temas "sociais" como MST, política e tráfico de drogas.

Tive calafrios quando li a notícia. Imaginem vocês se essa senhora resolve "revelar" as causas dos nossos problemas sociais. Imaginaram? É, eu pensei a mesma coisa.

Esqueçam Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freire. Para entender o Brasil, vamos assistir "Revelação". Nenhuma teoria social resistirá à Íris Abravanel.

A favor das políticas afirmativas

Excelente o artigo de Elio Gaspari na Folha de São Paulo deste domingo. É sobre o voto do ministro Carlos Ayres Britto do Supremo Tribunal Federal a favor do ProUni, programa do governo federal que dá bolsas de estudos para alunos carentes entrarem na universidade. O programa adota critérios de renda e de raça para o acesso ao ensino superior.

O DEM havia entrado com uma ação no STF questionando a legalidade do ProUni. O DEM é contra o programa porque não quer que pobre entre na universidade. É simples assim.

Invoca-se o discurso do mérito e outras falácias como a negação do preconceito no Brasil e o argumento segundo o qual as políticas afirmativas exacerbariam uma divisão racial que na verdade não existe, baseando-se no sofisma de que somos todos integrantes de uma única raça, a saber a raça humana.

Esse assunto também foi debatido no programa "Altas Horas", apresentado pelo Serginho Groisman na Globo, na madrugada de sábado para domingo. Duas garotas, com opiniões opostas, participaram do quadro "Contra ou A Favor", que no programa de ontem tratava da questão das cotas.

Eu peguei o debate do meio pro final. Mas deu pra perceber como os argumentos de quem é contra as cotas e outras políticas afirmativas repetem sempre os mesmos clichês. A garota do contra invocou a premissa da raça única - a raça humana. A garota a favor disse que a discussão não era sobre o conceito biológico de raça, mas sim o conceito social, a forma como esse conceito foi trabalhado e usado para excluir durante séculos negros e índios, desembocando numa sociedade cujas estruturas são a injustiça e a desiguldade históricas.

A jovem contrária às cotas, que é negra e usava uma camiseta do "Movimento Negro Socialista", disse ainda que as políticas afirmativas contrariam o princípio da igualdade de todos perante a lei, conforme rege a Constituição do Brasil. A outra jovem contrapôs-se a ela afirmando que, embora esteja assegurada em lei, a igualdade de fato não existe e, para que ela deixe de ser apenas um conceito ou letra morta, são necessárias ações que garantam a sua efetivação e que amenizem as desigualdades históricas contra os negros.

É isso aí. Agora, fiquem com o artigo de Elio Gaspari:

Um grande voto no julgamento do ProUni

BENDITA A HORA em que o DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino resolveram bater às portas do Supremo Tribunal Federal, sustentando a inconstitucionalidade dos atos que criaram o ProUni. Levaram para a Corte a discussão da legalidade de ações afirmativas baseadas em critérios de renda e de raça para o acesso ao ensino superior. Na semana passada, tomaram a primeira pancada, pelo voto do ministro-relator Carlos Ayres Britto.

O ProUni troca por bolsas de estudo as imunidades tributárias dadas às universidades particulares. Coisa como 10% das vagas disponíveis. O programa já atendeu 310 mil jovens oriundos da rede pública e neste ano formará a sua primeira turma, com 60 mil bolsistas. Há 100 mil estudantes pré-selecionados para a próxima rodada de matrículas. Para receber uma bolsa integral, a renda per capita familiar do candidato não pode ser superior a 1,5 salário mínimo. Por exemplo, um casal com dois filhos não pode ganhar mais de R$ 1.648. As vagas do ProUni também devem ser preenchidas favorecendo o acesso de candidatos afro-descendentes (quem não gosta da expressão pode chamá-los de "descendentes de escravos"). A concessão de bolsas deve acompanhar os percentuais de diversidade de cada Estado, conforme o censo do IBGE. Há um regime de bolsas parciais, que segue critérios semelhantes.

Segundo a Confenen e o DEM, esses critérios são inconstitucionais porque violam o princípio da igualdade entre os cidadãos. (Eles faziam outras restrições, também rejeitadas pelo relator.)

Britto julgou improcedente o pedido, argumentando em cima do nervo da questão: o que é a igualdade numa situação de desigualdade? Nas suas palavras: "Não há outro modo de concretizar o valor constitucional da igualdade senão pelo decidido combate aos fatores reais de desigualdade. (...) É como dizer: a lei existe para, diante dessa ou daquela desigualação que se revele densamente perturbadora da harmonia ou do equilíbrio social, impor outra desigualação compensatória".

Em vez de tentar derrubar quem está em cima, empurra-se quem está em baixo. Tome-se o caso de dois jovens reprovados nos rigorosos vestibulares das universidades públicas, gratuitas. Um, de família mais abonada, vai para uma faculdade particular, paga. O outro iria à lona, mas, com o ProUni, vai à aula.

Britto buscou uma parte de sua argumentação na Oração aos Moços, de Rui Barbosa: "A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. (...) Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".

O voto de Britto trata só do Pro-Uni. Sua linha de raciocínio abre um guarda-chuva conceitual que antevê próximos julgamentos, quando o STF será chamado a decidir sobre a constitucionalidade do regime de cotas em inúmeras universidades públicas. Terminada a leitura, na quarta-feira, o processo do ProUni foi suspenso por um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa e recomeçará em poucas semanas. Se o DEM e a Confenen não tivessem cutucado as togas com vara curta, essa bonita discussão não teria sido aberta.

A guerra dos livros

Depois da guerra dos blogs, vem aí a guerra dos livros.

Reinaldo Azevedo, blogueiro e capacho da "Veja", anunciou que vai lançar "O país dos petralhas", enquanto Paulo Henrique Amorim, blogueiro demitido do IG e 'faz tudo' de Edir Macêdo, disse que está escrevendo um livro sobre o Partido da Imprensa Golpista (PIG).

Curiosidade: se o livro de PHA for um best seller, será que a "Veja" vai colocá-lo nos "Mais Vendidos"?

Deu no "Comunique-se"

O ombusdman da Folha pede pra sair

Por Miriam Abreu

O mandato de Mário Magalhães como ombudsman da Folha de S. Paulo se encerrou na sexta-feira (04/04) e o próprio optou por não renová-lo. Motivo: o convite para continuar no cargo estava condicionado a sua aceitação para deixar de escrever a crítica diária na internet. Magalhães não concordou e volta a ser repórter especial na sucursal Rio.

"Considero isso (acabar com a crítica diária na web) um retrocesso na transparência do jornal e do trabalho do ombudsman. Não concordei com a condição, houve um impasse, então deixei o cargo", contou ele neste sábado (05/04) ao Comunique-se.

Até sexta-feira (11/04), Magalhães continua atendendo os leitores. E neste domingo (06/04), ele se despede dos leitores na coluna publicada no impresso.

Mário Magalhães deu início ao trabalho como ombudsman no dia 05/04/07. Ele substituiu Marcelo Beraba, que desempenhou a função por três mandatos.

Na Folha desde 1991, Magalhães atuava como repórter especial do jornal, mas já foi repórter e editor-assistente de Esportes e editor-assistente do “Folha Teen” . Foi o segundo ombudsman da Folha de S. Paulo baseado no Rio de Janeiro.

Não há informações sobre quem será o próximo ombudsman do diário.

sábado, 5 de abril de 2008

Deus existe e a prova é a carne de sol

Teólogos e cientistas, ao longo dos séculos, travaram e continuam travando uma batalha de argumentos a favor e contra a existência de Deus.

Eles nunca imaginaram, porém, que um artigo típico da culinária nordestina, a carne de sol, fosse a prova definitiva de que o divino existe mesmo.

É o que revela Letícia Cavalcanti na "Terra Magazine".

Ficou curioso? Leia aqui.

Último post sobre o dossiê

Não sei vocês, mas eu não tenho mais paciência pra esse caso do dossiê. Este é o último post que escrevo pra falar nesse assunto.

A matéria da Folha de São Paulo de ontem jogou mais lenha na fogueira e levou a ministra Dilma Roussef a convocar uma entrevista coletiva em Brasília.

A manchete da capa era "Arquivo da Casa Civil detalha dossiê". Na página interna, a chamada mais forte: "Arquivo detalha dossiê da Casa Civil contra FHC".

Percebeu a malícia? A manchete da Folha é uma sentença afirmativa e, com ela, o jornal está dizendo com todas as letras, primeiro, que o dossiê existe e, segundo, que foi feito para prejudicar o ex-presidente FHC. Portanto, implicitamente, a Folha está concordando com a teoria da "chantagem" da revista "Veja".

Na matéria, a Folha publicou o que seria uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil. O fac-símile, segundo o jornal, provaria que o dossiê "contra FHC" e sua mulher, Ruth Cardoso, saiu pronto do Palácio do Planalto.

Na entrevista coletiva que deu após a publicação da matéria, a ministra Dilma Roussef reafirmou que o governo não fez dossiê, mas um banco de dados e acrescentou que os arquivos publicados pela Folha tinham sido alterados, pois continham uma coluna de "observações" que não existia no banco de dados da Casa Civil.

"Não fizemos dossiês. Fizemos um banco de dados. Tem uma coluna que não existe no nosso banco de dados, os nossos dados não têm essa ordem. Houve um crime na Casa Civil, a não ser que esse fac-símile tenha sido manipulado", afirmou ela.

A ministra NÃO DISSE, como bem colocou Luis Nassif, que a cópia que a Folha havia lhe entregue na véspera da matéria sair e o fac-símile publicado no dia seguinte não era o mesmo o mesmo documento.

A ministra DISSE que o que foi publicado não correspondia ao banco de dados da Casa Civil e deu como exemplo a coluna "observações". Houve manipulação do arquivo. A Folha não disse nada sobre isso.

Mas eu considero que a ministra resumiu tudo quando afirmou categoricamente que não é crime fazer banco de dados (ou dossiê, como queiram), mas vazar esses dados é que é crime. Para mim, esse é o ponto essencial. Desde o início desse quiprocó eu disse que não interessava se era um dossiê ou banco de dados. O governo tem todo o direito de reunir essas informações. Mas divulgar as informações que são consideradas sigilosas é que se configura crime.

Portanto, a questão é descobrir quem fez o vazamento das informações. Já sabemos que a fonte da "Veja" foi o senador tucano do Paraná Álvaro Dias. Mas não se sabe ainda quem repassou as informações a ele. É como disse o ministro Franklin Martins da Comunicação Social: "A chave está com o senador Álvaro Dias".

A ministra enfatizou que o governo não é responsável pelo vazamento dos dados. "Esse governo não vazou, não difundiu, não publicou informações confidenciais. Nem tampouco essas informações que não são nada confidenciais."

Dilma sugeriu que por trás dessa "escandalização do nada" há uma motivação política. "A quem interessa forjar falsos crimes? Aos incomodados com a situação positiva do país, com o aumento da distribuição de renda."

Para a ministra, o objetivo de quem vazou essas informações era atingi-la. "Tem uma direção certa. Endereçada a mim. Tem uma tentativa de atribuir à Casa Civil responsabilidade. Pelo o quê? Por um suposto dossiê."

Além do mais, os dados do suposto dossiê, com excessão daqueles relativos aos gastos da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, não têm nada de sigilosos. Portanto, se não são confidenciais, cai por terra essa balela de chantagem. Quem é que faz chantagem com informações que não são sigilosas? "Vamos chantagear com o que, com o público e notório?", perguntou a ministra.

A ministra não descartou a hipótese de que tenha havido uma invasão dos computadores da Casa Civil. "Há a possibilidade do computador da Casa Civil, um bem público, ter sido invadido. Parece coisa de agente secreto com crachá. Sabe aquele agente tão óbvio que usa crachá?".

O governo também leva em conta que alguém da Casa Civil pode ter vazado as informações. "Em 90% dos casos os dados saem de dentro. Vamos investigar. Houve um processo. Não descartamos hoje nenhuma hipótese", assegurou.

Enquanto olho o mar pela janela

Veja só
sorte, amor
você me desarmou
Fui ver o mar
o céu nublou
a paisagem que era sol
em céu cinza se tornou
De repente,
canções sem refrão
vão saindo assim espremidinhas entre os lábios meus
Os olhos desviam pra longe
e o vento me leva
nada parece ter sentido agora
tudo fica assim assustadoramente estático
o tempo é só o tempo
e eu, prisioneiro de não sei o quê...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Deu no blog do Tutty Vasques:

Vazador compulsivo

Depois do dossiê de FHC, vídeo clipe de Madonna vaza na Internet.

Assessores da cantora desconfiam que o senador Álvaro Dias tenha alguma coisa a ver com isso.

Cá pra nós, faz sentido.

O quiprocó do dossiê

Meus caros, essa semaninha que tá quase terminando foi de muita correria. Não tive tempo de acompanhar e comentar as coisas que estavam acontecendo.

A grande novidade da semana foi a revelação de que o suposto dossiê contra FHC, que a "Veja" afirmou ter sido produzido pelo governo para chantagear a oposição, foi divulgado, vejam só, pela própria oposição. Mais especificamente pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Ele negou, tergiversou, mas, por fim, entre constrangido e desalentado, terminou admitindo que foi a fonte da "Veja".

Luis Nassif já tinha cantado a jogada e eu concordei com ele. O caso do dossiê era um factóide. Um certo anônimo escreveu comentário reclamando que eu não havia feito nenhuma alusão ao meu "engano" quando disse que o dossiê era um factóide. Acredito que agora ficou provado que trata-se sim de um factóide.

A oposição dizia antes que a Casa Civil do governo, onde o dossiê teria sido produzido, havia cometido um crime ao vazar para a imprensa dados sigilosos do ex-presidente FHC. Agora, ficamos sabendo que foi a própria oposição quem vazou os dados "sigilosos".

A ministra Dilma Roussef da Casa Civil, desde o início, vem afirmando que o governo não fez nenhum dossiê, mas somente um banco de dados sobre os gastos com cartões corporativos. Os dados vazados que a "Veja" chamou de dossiê seriam apenas fragmentos desse banco de dados. Dilma chamou o episódio de "escandalização do nada".

Mais tarde, a Casa Civil divulgou o Acórdão 230/2006 do Tribunal de Contas da União TCU), contendo a recomendação para que se informatizasse todos os dados de cartão corporativo de 2002 a 2005 (que ainda não estavam no sistema).

Depois disso, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) revelou que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), desde 2005, já havia solicitado informações sobre os gastos com cartão corporativo no governo do ex-presidente FHC. Então, desde 2005, a oposição já sabia da existência do arquivo.

Em seguida, vem a revelação de que foi a própria oposição que divulgou o dossiê sobre os gastos do ex-presidente FHC. O senador Álvaro Dias disse que sabia da existência e teve acesso ao dossiê há pelo menos 30 dias. Estranhamente, o senador não denunciou a existência do suposto dossiê na CPI dos Cartões Corporativos.

Reinaldo "Capacho" Azevedo, o blogueiro da "Veja", saiu em defesa da revista, dizendo que não interessava quem divulgou o dossiê, mas que o documento existe (o que o governo nega) e que foi feito dentro da Casa Civil, a mando da ministra Dilma Roussef.

O aparecimento da fonte da revista, ao contrário do que diz Reinaldo "Capacho" Azevedo, interessa e diz muita coisa sobre esse quiprocó.

No primeiro momento, a oposição acusou o governo de crime por ter divulgado os gastos sigilosos de FHC. Entretanto, ficamos sabendo que o crime foi cometido pela própria oposição.

Quem repassou os dados sigilosos contidos no suposto dossiê ao senador Álvaro Dias? Essa nova revelação ajudaria a esclarecer de vez essa história de muitas versões. A fonte do senador poderia botar os pingos nos is e dizer quem mandou fazer o dossiê.

Álvaro Dias contou uma versão inverossímel, que teria recebido o dossiê de um parlamentar da base do governo, que não concordaria com a chantagem que o governo pretendia fazer com a oposição.

Ricardo Noblat disse em seu blog que o dossiê circulou para prevenir a oposição sobre o que poderia estar por vir caso ela teimasse em investigar a fundo as despesas sigilosas do governo Lula.

Mas, se foi Álvaro Dias que divulgou o dossiê, então quer dizer que o tucano foi o garoto de recados do governo?

O governo vaza o dossiê para "avisar" a oposição que vem "chumbo grosso" por aí. Mas aí a gente descobre que não foi o governo que vazou o dossiê. Foi a própria oposição.

Como fica então a teoria da chantagem, uma vez que o governo não divulgou dossiê nenhum?

A história é confusa e cheia de idas e vindas, como num filme de Almodóvar ou num livro de Kafka.

Mas o resumo da ópera é este: o dossiê é um factóide.

As dinastias midiáticas

Por Emir Sader, reproduzido no Fazendo Média:


Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Entrevista com Fernando Mineiro

Finalmente, eis a entrevista com o deputado Fernando Mineiro (PT), pré-candidato a prefeito de Natal.

Em 23 minutos de conversa, Mineiro falou sobre o projeto de administrar Natal, que, segundo ele, não é um sonho pessoal, mas um projeto coletivo e partidário.

O deputado desmentiu os boatos que circularam em parte da imprensa, que tratavam de um suposto boicote por parte do grupo dele no PT à pré-candidatura da secretária de Planejamento do município, Virgínia Ferreira.

Mineiro também foi veemente ao negar, como também se falou na imprensa, que pretende usar a eleição de 2008, se vier a ser mesmo o candidato do PT, como trampolim para 2010, quando tentará renovar seu mandato de deputado estadual.

Em certo momento, reclamou que estava "perdendo tempo" discutindo em cima de boatos. Muitas vezes, a ordem natural se inverteu e ele passou a me fazer as perguntas. Lá pelas tantas, perguntou sobre a entrevista: "Você vai publicar na íntegra, né?".

Depois, elenco aqueles que, em sua opinião, são os maiores probelmas de Natal: a violência, o saneamento ambiental, a educação e a saúde.

Além das questões paroquiais, Mineiro tratou também do cenário político nacional e atribuiu os elevados índices de aprovação do governo Lula "às transformações pelas quais o Brasil passa" e "à mudança na qualidade de vida do nosso povo".

Analisando o comportamento da mídia em relação ao governo, Mineiro disse que "boa parte dela não representa o que o povo pensa nem o que o povo sente".

E sobre o papel da oposição, Mineiro aproveitou para cutucar o senador José Agripino (DEM): "Ele tá tão bem na oposição que eu quero que ele passe muitos anos na oposição".

Leia abaixo a íntegra dessa conversa:

Deputado, vamos iniciar nossa conversa falando de política. O senhor lançou sua pré-candidatura a prefeito de Natal. Eu queria saber por que o senhor que ser prefeito?

Mineiro: Eu sou um dos pré-candidatos. Além da minha pré-candidatura, que foi formalizada no PT no dia 9 de fevereiro, nós tivemos agora no dia 24 de março também a pré-candidatura da Virgínia, que é a nossa secretária de Planejamento do município de Natal. Então o PT tem dois pré-candidatos, duas pré-candidaturas, a minha e a da Virgínia. E tanto eu quanto a Virgínia, nós apresentamos nossos nomes porque entendemos que o Partido dos Trabalhadores tem condições de administrar Natal. Eu acho que é importante você ter o rodízio no processo administrativo. Nós temos o PSB que já está administrando Natal há um certo tempo, é nosso aliado no Estado, é nosso aliado no município de Natal. Então, eu acho que o PT merece, o PT tem quadros, tem tanto o meu nome como o nome da Virgínia, tem tantos outros que podem sim coordenar o processo de desenvolvimento e ação administrativa na cidade do Natal.

Ser prefeito é um sonho pessoal, é um projeto pessoal ou um projeto coletivo e partidário?

Mineiro: Não, não é um projeto pessoal. Meus sonhos pessoais não têm nada a ver com política, diga-se de passagem. É um projeto partidário. O partido tem debatido essa questão e tanto o meu nome como o nome da Virgínia são nomes partidários. Não tem nem projeto pessoal meu nem projeto pessoal da Virgínia. São projetos que representam concepções, visões e partidos. Eu repito: os meus sonhos pessoais não têm nada a ver com a política, inclusive.

Deputado, saiu muita coisa na imprensa falando que a sua candidatura, se vier a se concretizar mesmo dentro do partido, seria na verdade um balão de ensaio, um trampolim pra eleição de 2010 e o seu objetivo como candidato seria somente ganhar visibilidade agora em 2008 pra garantir a sua reeleição como deputado estadual em 2010...

Mineiro: Mas qual imprensa que saiu isso?

Blog da Thaísa Galvão...

Mineiro: Mas tem mais outra imprensa?

“Jornal de Hoje”, onde ela é editora...

Mineiro: Tem mais?

Não, foi onde eu li.

Mineiro: Ah, ta.

Isso é só opinião dela?

Mineiro: É opinião dela.

E não procede?

Mineiro: Não procede e ela nem me conhece.

Porque às vezes ela fala como se fosse sua assessora. Ela diz “Mineiro não abre mão da candidatura nem...”.

Mineiro: Não, não. Veja só, eu acompanho o trabalho da Thaísa Galvão, a conheço como jornalista, mas eu não tenho intimidade, eu nem converso com ela. Não sei de onde ela tirou isso. Ainda bem que você deixou claro. Você começou perguntando assim “a imprensa” e agora você ta identificando. Como você vai publicar na íntegra essa entrevista – não é assim que você vai publicar na íntegra, né?

Vou.

Mineiro: É, eu acho legal ter uma oportunidade. Eu não sei de onde Thaísa Galvão tirou isso. Eu nunca conversei com ela sobre isso. Eu acho, se eu me lembro, eu acho que eu nunca conversei com Thaísa Galvão, a não ser responder uma ou outra pergunta que ela me fez. Então eu não tenho nenhuma relação, nenhuma intimidade com ela. Quem me conhece, eu tenho 28 anos de PT, seu eu quisesse trabalhar candidaturas pra ser trampolim eu aço que eu não tava nem no PT, entendeu? Eu tenho 28 anos [de PT], sou fundador do PT. Então, quem me conhece sabe da minha história, sabe o que é que eu defendo, sabe qual é o meu compromisso. Então, eu não sei o interesse de quem ela ta defendendo, de onde ela tirou essa história, porque não tem a mínima procedência. Porque se eu quisesse fazer trampolim eu não estaria no PT. Aliás, eu conheço muita gente que faz trampolim nos órgãos do Estado e tal... Eu acredito que o PT não ia me jogar pra fazer trampolim. Não é possível que depois de 28 anos alguém duvide disso.

O senhor entrou nessa batalha pra valer?

Mineiro: Eu tenho 28 anos de PT, meu querido. Eu sou fundador do PT no Estado do Rio Grande do Norte e no Brasil. Alguém duvida se eu entrei pra valer ou não na política? Eu tenho mais da metade da minha vida dedicada ao PT, então será que alguém duvida ainda?

Bom, isso ela é quem ta especulando.

Mineiro: Eu não sei, isso é você quem ta dizendo.

Eu pensei que o senhor tinha lido.

Mineiro: Não, eu não leio blog, rapaz. É porque, na verdade é assim, eu tenho um blog, eu tenho um trabalho meu, eu tenho tanta coisa pra fazer e não dá tempo ler. Eu gostaria muito, mas não dá tempo de ler tudo. Então, eu acabo escolhendo o que é que eu leio. Infelizmente não me sobra tempo pra ler todos os blogs. O dela eu não leio, você que ta me falando. Eu vi uma nota no jornal. Foi até bom, eu tinha visto no jornal, “Jornal de Hoje”, sem saber, sem assinatura, você mesmo que ta dizendo que é da Thaísa, né.

Ela é a editora.

Mineiro: Eu não sei.

Então, o senhor falou das duas pré-candidaturas, a sua e a da secretária Virgínia Ferreira. O senhor tem a maioria no diretório municipal do PT. Especula-se que se for pra uma prévia, no voto o senhor ganha. Mas também se comenta na imprensa (em todos os jornais, não só no jornal da Thaísa) que Virgínia seria a candidata que teria condições de agregar mais apoios, por exemplo, do prefeito Carlos Eduardo e do senador Garibaldi Alves. Isso é verdade, procede?

Mineiro: Você falou duas questões. O quê que procede?

Se o nome dela agrega esses apoios e, se agregar, eu já li declarações suas dizendo que...

Mineiro: Primeiro, veja só, eu não sei se você acompanha, mas o que eu falei na imprensa eu vou repetir pra você. Primeiro eu nem sei se eu tenho maioria no partido. Eu sei que nós, os meus aliados, eu e um grupo de pessoas que nós tivemos mais aproximações dentro do PT, nós ganhamos as eleições internas do PT e, se você acompanhou, você sabe que eu disse já várias vezes que não tem nada a ver as eleições internas do PT com as eleições pra Prefeitura de Natal. Eleição interna do PT o nome já diz, é eleição interna do PT. Então eu não vou tratar essa questão como uma questão aritmética, mesmo que eu tenha a maioria do partido eu não vou tratar dessa maneira. Eu já falei, eu até quero agradecer a você a oportunidade pra falar mais uma vez, se a Virgínia, a pré-candidatura da Virgínia tiver capacidade de atrair o apoio do prefeito Carlos Eduardo e atrair o apoio do PMDB, eu não tenho nenhuma dúvida que eu retiro o meu nome e apoio o nome da Virgínia.

O senhor não se sente preterido? Porque no momento em que se coloca “Virgínia teria condições de atrair Carlos Eduardo e atrair o PMDB, enquanto o deputado Fernando Mineiro não...”

Mineiro: Não, não, política é escolha, é o direitos deles escolherem. Eu não me sinto [preterido] não. Eu também não tenho minhas escolhas? Não tem nenhuma possibilidade, se isso acontecer, eu ter uma atitude pra derrotar a Virgínia dentro do partido, nenhuma possibilidade disso. Tanto é assim, que eu não sei por que outras pessoas ficam insistindo que eu tenho pré-candidatura pra 2010. Eu já falei isso várias vezes e repito pra você que não tem a mínima possibilidade. A discussão não é ser preterido ou não. Quem vai preterir ou não é a população, não sou eu, entendeu. Não é essa a discussão. Essa é uma discussão menor. O que eu quero é que o PT cresça, que o PT tenha uma ação proativa no município de Natal, que o PT administre a cidade, administre o governo, como administra o país. Eu quero isso, eu trabalho pra isso, eu sonho pra isso e tudo que depender de mim pra o PT crescer, eu farei, inclusive abrindo mão de uma maioria que eu tenho dentro do partido. Eu já falei isso, isso é público. Minha palavra é única nessa questão. Quem me conhece sabe que se tem uma coisa que eu tenho a maior honra, maior carinho, é com a minha palavra. Então eu já falei isso pra Virgínia, eu já falei isso no PT, eu já falei isso na imprensa e continuo dizendo isso. Não tem nenhum sentimento de ser preterido ou não.

Essa guerra interna que existe no PT...

Mineiro: Não tem nenhuma guerra interna.

Mas tem outro episódio que foi comentado, que quando a secretária Virgínia foi registrar a pré-candidatura dela, ela teria tido dificuldade de conseguir as 15 ou 16 assinaturas necessárias e o senhor teria falado com Geraldão, presidente estadual do PT, pra ele fazer uma concessão e assinar. E só assim ela...

Mineiro: Isso saiu aonde, hein?

No “Diário”, na “Tribuna”...

Mineiro: Não, eu não li essa matéria no “Diário” e na “Tribuna” não. Saiu não, rapaz. Taí, eu tenho um clipping todos os dias dos jornais do Estado...

E o que saiu foi mais assim, que isso teria sido uma prova de que dentro do PT estão tentando boicotar a pré-candidatura de Virgínia. Isso é mentira também?

Mineiro: Olha, deixa eu só tentar entender. Ou você não ta fazendo a pergunta direito ou então ta uma coisa confusa. Primeiro, eu não vi nenhuma matéria dessas no “Diário” e na “Tribuna” que você citou aí. Eu tenho um clipping, inclusive na minha página, tá disponível na minha página. Se você olhar na minha página...

Eu vejo quase todo dia.

Mineiro: Você já viu o clipping que tem lá?

Vi.

Mineiro: Então não tem nenhuma nota sobre isso nos jornais escritos, a não ser que tenha sido novamente em blog.

No blog também.

Mineiro: Segundo, o Geraldo não participa do diretório municipal. Então, portanto ele não poderia ter assinado.

E não assinou?

Mineiro: Eu tô dizendo pra você. E terceiro como é contraditório isso. Você tá dizendo que eu pedi a Geraldo pra assinar, não é isso?

Não, eu tô lhe perguntando se é verdade.

Mineiro: Mas isso seria ruim ou bom pra Virgínia?

Provavelmente seria bom.

Mineiro: Então como é que você tá dizendo que isso é uma prova que eu tô querendo boicotar a Virgínia?

Não, eu não disse isso. Eu lhe perguntei sobre isso.

Mineiro: Vamos raciocinar aqui. Segundo você, como é que é a matéria? Repita pra mim como foi essa matéria.

A candidatura de Virgínia estava sendo boicotada dentro do PT.

Mineiro: Aí o exemplo é como?

Ela teve dificuldades de conseguir os nomes e só conseguiu registrar a pré-candidatura porque o senhor interveio e pediu a Geraldão pra assinar.

Mineiro: Então, vamos fazer igual ao “Jack, o estripador”, vamos por partes. Tá sendo boicotada. Como é que ela tá sendo boicotada se eu pedi ao Geraldo pra assinar? Esse raciocínio não tem a mínima lógica. Eu acompanho a imprensa, mas tem que ter o mínimo de lógica nas informações que passa pra sociedade, não é verdade? Qualquer pessoa que tenha o mínimo de raciocínio...

Por isso que eu tô mencionando esses boatos pra que o senhor diga são verdade ou não.

Mineiro: Tanto você como eu, eu tenho a sensação que estamos perdendo tempo. Você não acha? Nós vamos discutir em cima de boatos? Eu volto a repetir, eu quero que você bote na integra a entrevista nos eu blog... Voltando ao raciocínio lógico, você tá dizendo que a candidatura dela tá sendo boicotada. Mas ao mesmo tempo tá dizendo que eu pedi ao Geraldo... Se ela tá boicotada, como é que eu pediria ao Geraldo pra ele assinar?

Não seria uma forma de o senhor mostrar que é o senhor quem tem força dentro do PT?

Mineiro: Não, porque o Geraldo inclusive não é membro do diretório, eu tô dizendo pra você.

Então ele não assinou nada?

Mineiro: Não, porque ele nem é membro do diretório.

Como é que sai uma história dessas então?

Mineiro: Aí é você que é da imprensa quem tem que responder, meu querido (risos). Você tá chegando pra mim aqui e dizendo que tem uma série de informações e tá perdendo os eu precioso tempo e o meu, diga-se de passagem, pra discutir em cima de boatos. Então eu tô dando a resposta aí pra você. Tem algum raciocínio lógico isso aí que você tá dizendo?

Aparentemente não.

Mineiro: Aparentemente não, não. Na essência não. Primeiro porque o Geraldo não é membro do diretório. Segundo, porque eu precisaria mandar ele botar uma assinatura lá pra provar que eu tenho maioria, se é sabido que eu tenho maioria? Eu tô dizendo pra você que a discussão pra mim não é aritmética. Eu tô reafirmando pra você que se a Virgínia tiver, se ela contar com apoio, eu abro mão da candidatura. Eu já disse isso desde o início. Parece que tem gente se sentindo incomodado de eu ter dito isso e quer que eu diga o contrário.

Deputado, quais são os maiores problemas de Natal em sua opinião?

Mineiro: Têm vários. Eu acho que tem essa questão da segurança, é um problema sério que eu pessoalmente penso que não é um problema de Natal, é um problema do Brasil, do Estado e, assim sendo, deve ter uma ação articulada entre o governo estadual, o governo federal e o governo municipal. Eu acho que nós temos que mudar esse paradigma que o município não tem o que fazer na segurança. Eu acho que tem, eu acho que tem um papel importante.

Diadema, no interior de São Paulo, que é administrada pelo PT é uma prova disso.

Mineiro: É, mas não é só Diadema. Diadema é um exemplo importante. Inclusive a Micarla [de Sousa], que é candidata do PV, trouxe aqui a secretária [de Defesa Social de Diadema] Regina Miki, que tem um papel muito importante. Mas todas as cidades do mundo, do Brasil, onde conseguiram minimizar [a violência].

Diadema é porque é um caso emblemático. A cidade tinha um índice de violência altíssimo e uma série de medidas foi implantada...

Mineiro: Ao longo de 20 anos.

Foi a primeira prefeitura do PT?

Mineiro: Foi a primeira, desde 1985. Aliás, desde 1982, né. Diadema é um exemplo muito importante de como o PT faz bem nas administrações municipais. Então é um problema essa questão [da violência]. Eu acho que o problema do saneamento ambiental é uma questão importante de ser pautada, ser debatida. Natal tem hoje de 30 a 31 por cento de área...

32,2% pra ser mais preciso.

Mineiro: É, de coleta, né. Mas tratamento não é. Porque uma coisa é você coletar os dejetos, outra coisa é você tratar os dejetos.

Dos dejetos coletados, 40% são tratados, segundo a Caern.

Mineiro: Eu tenho trabalhado muito com esses dados nos últimos anos e cerca de 13 a 15 por cento é que são tratados, a maioria é jogada in natura. E com os novos investimentos do governo federal em parceria com o governo do Estado e com a própria Prefeitura em algumas regiões, nós vamos chegar aqui a 60%, mas tem um impacto grande na questão da água. Porque toda a saúde tem um nó grande. Eu digo que aqui em Natal é uma região onde o SUS não se complementou, apesar de nós termos a gestão plena, mas se você for analisar efetivamente tem uma série de gargalos no município. Nós temos questões relacionadas à educação. A rede municipal tem uma boa estrutura, mas o desempenho ainda é muito baixo. É superior ao estado, mas é inferior a muitas cidades. Então eu acho que Natal pode avançar mais. Tem uma série de questões. Eu acho que Natal tem uma, do meu ponto de vista, tem um déficit em cidadania, em participação. Eu acho que são demandas importantes que devem ser assumidas pela próxima administração – que eu farei tudo pra que seja do Partido dos Trabalhadores, quer seja com a Virgínia, quer seja comigo.

Vamos falar do cenário nacional rapidinho. Mais de cinco anos de governo Lula. O Ibope, na semana passada, divulgou uma pesquisa revelando que a aprovação do governo chegou a 73%, sendo um recorde para o próprio presidente Lula. A que se deve essa aprovação, apesar do bombardeio da mídia?

Mineiro: Olha, se deve ao trabalho. Se deve às transformações pelas quais o Brasil passa, se deve à mudança na qualidade de vida do nosso povo, real, concreta. Se deve ao fato de que, pela primeira vez, no Brasil, você tem um governo que atende à maioria da população, aos mais necessitados, ao povo mais pobre, mais apartado, mais esquecido pelas políticas públicas. Se deve ao grande trabalho que tem de desenvolvimento sustentável no Brasil. E se deve sobretudo à consciência de que tem muito o que fazer nesse país. O presidente Lula, na última vez que eu o encontrei, ele falava que ele tem o maior orgulho de ter feito muito pelo Brasil, ele tem consciência disso. Mas, ao mesmo tempo, ele tem muita humildade em saber que muito ainda tem que ser feito, a gente sempre tem que tá atento pra isso. Então, a aprovação se deve a isso, ao reconhecimento de você ter um trabalho muito sério, feito pelo presidente, pelos partidos aliados, toda equipe, e pela consciência que tem que fazer mais e ao mesmo tempo se deve ao fato de que determinada mídia desse país tem que sair dos seus castelos, que tá muito distante do povo, como você mesmo falou. A despeito do bombardeio da mídia. Porque essa mídia, boa parte dela não representa o que o povo pensa nem o que o povo sente.

Tem acontecido uma coisa interessante no governo Lula. Sempre se falou que as pessoas, a população em geral era muito influenciada pelos meios de comunicação, principalmente pela Globo, que teria, inclusive, decidido eleições. Mas no governo Lula tá acontecendo uma coisa diferente. A mídia bombardeia, mas a aprovação ao governo só aumenta. O presidente foi eleito, depois reeleito debaixo de uma série de ataques midiáticos e denúncias. E ao mesmo tempo, parece que o governo não tem coragem de enfrentar a mídia. Enfrentar no sentido de propor mudanças no sistema de concessões públicas, que muitas vezes é deturpado. O governo propôs o Conselho Nacional de Jornalismo...

Mineiro: E recuou...

Isso, recuou. Depois a Ancinav e recuou também.
Mineiro: Mas você acha que isso é por falta de coragem? Você acha que o presidente Lula não tem coragem?

Não sei, eu tô lhe perguntando.

Mineiro: Eu acho que o presidente Lula tem muita coragem, tem feito coisas que só quem tem muita coragem é que faz.

Mas parece que na hora de enfrentar a mídia...

Mineiro: Não, essa é a opinião do Paulo Henrique Amorim e inclusive a sua também, pelo que eu tô vendo.

Paulo Henrique Amorim, inclusive, foi demitido do IG.

Mineiro: Lamentavelmente. Taí um blog que eu olhava. Mas eu não sei se é por falta de coragem. Eu acho que é correlação de forças, porque não depende só do PT. O PT defende uma reforma profunda dos meios de comunicação, o PT fez uma [proposta de] reforma dos meios de comunicação no Brasil. Agora, o PT não tem maioria no Congresso, você precisa ter maioria pra aprovar essas questões da Ancinav, como você deu o exemplo, o Conselho Nacional de Jornalismo, você também deu o exemplo. A TV Pública agora quase que não passa né. Então não depende só do PT. Não é questão de ter coragem ou não ter coragem. É questão de você ter votos pra poder votar e aprovar essas matérias, que são extremamente importantes. O Partido dos Trabalhadores, inclusive, tirou como uma das bandeiras principais do seu congresso essa questão da reforma dos meios de comunicação. Mas não depende só do Partido dos Trabalhadores.

Essa é uma deformação que se reproduz localmente. Você vê aqui políticos, como o senador José Agripino, que todo dia tá na TV Tropical com os discursos dele.

Mineiro: Taí que eu acho até bom. Todo dia que o Zé Agripino fala, o Lula aumenta [de popularidade]. Taí que eu acho que ele tá fazendo um papel muito bom na oposição, eu queria que ele ficasse muito tempo na oposição. Ele tá tão bem na oposição que eu quero que ele passe muitos anos na oposição. E toda vez que eu vejo ele ficar muito irritado, muito bravo, aí você pode saber que logo depois tem uma pesquisa boa pro Lula.

E quando foi aprovada a TV Pública, ele deu show, né.

Mineiro: É, quanto mais o Zé Agripino fala, a palavra dele ajuda o Lula a crescer.
Deputado, última pergunta. O Datafolha divulgou uma pesquisa no final de semana passado na Folha de São Paulo, sobre a eleição em São Paulo e pra presidente em 2010.

Mineiro: O que é que deu lá em São Paulo?

Marta cresceu quatro pontos.

Mineiro: Tá na frente?

Tá, com 29%. Geraldo Alckmin caiu e tá com 28%, em empate técnico. Mas interessante é que a “Veja” deu “Alckmin lidera, empatado com Marta”.

Mineiro: Veja só! (risos)

Pois é, cisma com Marta. Mas enfim, a pergunta é sobre 2010. Eles fizeram simulações pra presidente em 2010 e deu José Serra (PSDB), que Paulo Henrique Amorim, citado pelo senhor, chama de “o presidente eleito”, porque a mídia já elegeu José Serra pra presidente em 2010.

Mineiro: Sei, tinha eleito também antes né, em 2006. Quer dizer, em 2002.

O senhor acha que já se pode considerar José Serra eleito em 2010?

Mineiro: Eu sei que quem tá eleito é o Lula. O Lula tá eleito, foi eleito em 2002, foi eleito em 2006. Eu tô torcendo muito pela Marta lá em São Paulo, eu não tinha visto...

Ela cresceu em todos os segmentos.

Mineiro: Marta fez um grande governo em São Paulo, administrou pra maioria da população desassistida de São Paulo. Eu torço por ela, acho uma mulher corajosa, que não recua de enfrentar algumas perguntas de alguns jornalistas e de algumas jornalistas muito desrespeitosas. Porque às vezes tem isso, as pessoas fazem as perguntas achando que podem criar ciladas. Ela responde de uma maneira muito altiva. Eu gosto dela, acho legal, acho bom e fico feliz, vou torcer por ela e em 2010 o PT vai eleger novamente o presidente.

Mas todos os nomes do PT na pesquisa, Dilma, Marta, aparecem lá em baixo.

Mineiro: Mas o PT vai apresentar candidatura ou própria ou aliada. Bote aí no seu blog: as forças que apóiam o Lula vão eleger o próximo presidente do Brasil.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ingrid Betancourt

Marido da senadora seqüestrada pelas Farc dá enrevista no "Programa do Jô"

Juan Carlos Lecompte, marido da senadora colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada e mantida refém pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há seis anos, deu uma entrevista na madrugada de segunda para terça no "Programa do Jô", que voltou ao ar pela Rede Globo.

A entrevista, obviamente, girou em torno do seqüestro de Ingrid. A imagem da senadora fragilizada no cativeiro no meio da selva colombiana tornou-se um símbolo da luta humanitária e tem comovido pessoas no mundo inteiro.

Lecompte disse a Jô Soares que "as Farc são terroristas, pois, ao contrário da guerrilha de Che Guevara, eles seqüestram civis". De acordo com ele, há hoje três mil seqüestrados na Colômbia e há pessoas que estão há mais de dez anos no cativeiro.

O marido de Ingrid disse que sua mulher se mantém resistente e não se dobra às Farc, chegando mesmo a confrontá-los. Por isso, afirmou ele, ela é mais castigada.

Ele disse que as Farc são financiadas pela droga. "A droga financia a guerrilha (sic), a violência, os paramilitares, a corrupção e a violência na Colômbia".

Para Lecompte, o presidente venezuelano Hugo Chávez tem ajudado muito no processo de negociação com as Farc para a libertação dos reféns.

"Graças a ele, seis reféns foram libertados. Se não tivessem matado Raúl Reyes [porta-voz e segundo no comando das Farc, morto numa operação militar realizada pela Colômbia em território equatoriano], mais dez reféns teriam sido libertados, incluindo a Ingrid", afirmou.

O colombiano disse que "as Farc respeitam Hugo Chávez, mas isso não quer dizer que eles tenham ligação política". Lecompte disse ainda que discorda da opinião do líder venezuelano, para quem as Farc são uma "força beligerante".

Juan Carlos Lecompte pediu que o presidente Lula se envolvesse nas negociações para a libertação dos reféns. "Se o presidente Lula se envolver - o Brasil é a potência da América Latina, é nosso vizinho -, ele pode falar com o governo colombiano, pode falar com a guerrilha, pode incidir no problema".

O presidente nacional do Partido Verde brasileiro, o potiguar Luiz Luiz Pena, estava na platéia do "Programa do Jô", com outros integrantes do PV, que vestiam a camiseta da campanha "Liberte Ingrid".

Ingrid Betancourt era candidata à Presidência da Colômbia pelo Partido Verde. José Luiz Pena disse o objetivo da campanha era "sensibilizar as pessoas para a importância dessa grande luta humanitária em favor da libertação de Ingrid Betancourt e dos outros reféns das Farc".

Em Natal, na semana do Dia Internacional da Mulher, foi realizada uma manifestação em frente à Assembléia Legislativa para divulgar o movimento "Liberte Ingrid" e colher assinaturas para um abaixo-assinado que será encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o envolvimento do governo brasileiro nas negociações para libertação dos reféns na Colômbia.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Rapidinha

Caríssimos, estou só de passagem pra dizer que não tive tempo de postar hoje. Há alguns assuntos que quero tratar aqui, mas não vai dar agora.

Amanhã à noite, se tudo der certo, acho que vou conseguir botar tudo em dia. Aliás, amanhã vou postar a entrevista que fiz hoje com o deputado Fernando Mineiro (PT), que é pré-candidato à Prefeitura de Natal.

É a primeira da série de entrevistas que pretendo fazer com todos os pré-candidatos em Natal. Aposto que a entrevista com Fernando Mineiro vai repercutir bastante e desagradar a uns coleguinhas jornalistas especializados na fofolítica.

É aguardar e conferir.

domingo, 30 de março de 2008

Eleições em São Paulo

Marta lidera, mas "Veja" dá vantagem a Alckmin

A Folha deste domingo trouxe os resultados da mais nova pesquisa Datafolha para prefeito de São Paulo.

A ex-prefeita e atual ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) aparece em primeiro lugar com 29% da preferência dos eleitores. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) está em segundo, com 28%. Apesar da ligeira vantagem de Marta, os dois estão tecnicamente empatados. O atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem 13% da preferência.

Mas o site da "Veja" inverteu as coisas e diz que Alckmin é quem lidera, empatado com Marta:

"O ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) lidera a disputa pela Prefeitura de São Paulo – agora em empate técnico com a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT)", diz o site.

O correto seria priorizar Marta em primeiro, dada sua vantagem de 1% na pesquisa. Mas essas coisas já fazem parte do folclore da "Veja"...

Voltando à Folha, o jornal informa que Marta cresceu quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada em fevereiro. Alckmin, por sua vez, caiu um ponto.

Marta cresceu em todos os segmentos de eleitores em relação à pesquisa de fevereiro:

- Entre os eleitores com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos, Marta passou de 15% para 24%, um aumento de nove pontos percentuais (Alckmin caiu de 40% para 28%);

- Marta teve uma variação positiva de quatro pontos entre os entrevistados com renda de cinco a dez mínimos. Alckmin, uma oscilação negativa de três pontos percentuais (o jornal não informa os números);

- Entre os eleitores com nível médio de escolaridade, Marta passou de 26% para 34% (Alckmin caiu de 32% para 27%);

- Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Marta cresceu seis pontos, enquanto Alckmin cinco pontos;

- Na pesquisa espontânea (sem apresentação dos nomes dos potenciais candidatos), Marta cresceu de 7% para 15% (Alckmin passou de 4% para 8%).

Segundo Turno

Nas projeções de segundo turno, Alckmin venceria Marta por 53% a 41% se as eleições fossem hoje. A Folha não oferece os números de fevereiro neste quesito para comparar se a vantagem do tucano aumentou ou diminuiu.

Alckmin também derrotaria o prefeito Gilberto Kassab (DEM) por 59% a 27%.

Num segundo turno contra Kassab, Marta seria vitoriosa, com 53% contra 37% do democrata. Em comparação à última pesquisa -realizada em fevereiro- a vantagem de Marta sobre Kassab subiu de 11 para 16 pontos percentuais.

sábado, 29 de março de 2008

A crise do jornalismo latino-americano

O professor boliviano Erick Torrico Villanueva, diretor da pós-graduação em Comunicação e Jornalismo da Universidade Andina Simon Bolívar, concedeu entrevista ao portal do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) e falou sobre a crise do jornalismo na América Latina.

O professor também é presidente da Associação Latino-americana de Pesquisadores da Comunicação e colunista do jornal La Prensa, de La Paz, na Bolívia.

Estas são algumas conclusões do boliviano sobre o jornalismo na América Latina:

- O jornalismo está, efetivamente, numa crise, pois o sistema está alentando uma desconfiguração não somente de suas práticas, mas de seus princípios;

- O jornalismo está deixando de ser uma ocupação dos jornalistas;

- muitos novos jornalistas sabem cada vez menos de jornalismo;

- a informação de interesse do público está desaparecendo dos espaços de notícias na televisão e no rádio;

- as notícias estão sendo esvaziadas de seu conteúdo básico: a informação;

- a informação, em negação a sua própria natureza, tende agora a gerar incerteza e alarme;

- a imprensa busca assimilar em forma e conteúdo os padrões dos meios audiovisuais que desvirtuam a atividade jornalística.

Erick Torrico Villanueva falou ainda sobre as relações entre comunicação e política e das mídias com os governos na América Latina.

Para ler a entrevista completa, clique aqui.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O deboche de FHC

O Ibope divulgou ontem que a aprovação ao governo Lula bateu recorde. A popularidade do presidente também está nas alturas.

O sucesso do governo Lula deixa os tucanos e "demos" desnorteados. Toda vez que eles armam algum plano de sabotagem, a popularidade do petista só faz aumentar.

O ex-presidente FHC não esconde a inveja que tem do presidente Lula. A "Terra Magazine" disse que FHC debochou do PAC.

Durante uma palestra realizada ontem (quinta-feira, 27) em São Paulo, FHC arrancou risos da platéia tucana ao se referir ao PAC:

- O PAC não é nada. O PAC é dinheiro do Orçamento que Lula fica falando: "PAC, PAC, PAC..."

Aí eu me lembrei daquela música:

"Quanto riso, ah, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão... "

A mídia e a "escandalização do nada"

Foi só o presidente Lula dizer que a ministra Dilma Roussef da Casa Civil era a "mãe do PAC" para a oposição e a mídia (tucana, por excelência) deflagrarem a temporada de caça às bruxas.

Primeiro foi a "Veja" que disse que o governo havia montado um dossiê com os gastos do ex-presidente FHC e da sua esposa, Ruth Cardoso, para chantagear a oposição. De acordo com a revista, o dossiê foi elaborado a mando da Casa Civil. Logo, a "Veja" não afirma isso claramente, mas sugere implicitamente que deve ter o dedo da ministra aí no meio.

Pautados pela "Veja", a oposição queria que a ministra fosse depor na CPI dos Cartões Corporativos. O governo, que tem maioria por lá, impediu a convocação. A oposição queria constranger Dilma Roussef e usar as imagens de arquivo futuramente caso ela viesse a ser candidata a sucessão de Lula em 2010.

Após a divulgação do dossiê pela "Veja", o restante da mídia tratou de repercutir o assunto, sempre com manchetes acusatórias e desmentidos em cantos de página. A "Folha", por exemplo, dedicou bastante espaço à versão da "Veja" sobre o dossiê e pouca atenção ao outro lado da história. Além disso, distorceu informações para tentar constranger ainda mais o governo.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a Casa Civil estava realizando um levantamento de dados que não eram sigilosos para fornecer à CPI dos Cartões Corporativos, quando esta assim solicitasse. Tarso Genro disse também que a Casa Civil estava melhorando a organização dos dados para dar maior transparência, seguindo orientação do Tribunal de Contas da União (TCU).

A "Folha", erroneamente, disse que Tarso Genro havia afirmado que o TCU tinha solicitado o levantamento de dados à Casa Civil. O TCU, em seguida, negou que tivesse feito esse pedido. A "Folha" disse que o TCU havia "desmentido" o ministro.

Na edição de hoje do jornal, mais um capítulo da "caça à ministra". O jornal denuncia que o dossiê foi feito pelo braço direito da ministra Dilma Roussef, Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da Casa Civil. O jornal conclui que, se a ministra não agir rapidamente, corre o risco de cair.

Em seu blog, Luis Nassif diz que a matéria da "Folha" é mais um factóide e comenta o "furo" do jornal:

"Em qualquer ministério, é o Secretário Executivo quem comanda o dia a dia. "Furo" seria se o pedido tivesse sido por alguém de fora da Casa Civil.

Depois, para “esquentar”a matéria, os procedimentos de sempre, afirmações colhidas com uma fonte chamada Planalto.

A cúpula do governo avalia que a situação política da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se agravou e que ela precisa dar uma resposta rápida. Do contrário, corre risco de cair [trecho da matéria da "Folha"].

Tenha-se a santa paciência! Que mané cúpula! Imaginar que a peça central do segundo governo Lula, a maior unanimidade que se tem nesse governo, “corre risco de cair” por conta dessa notícia é exagerar na auto-louvação do furo. Até se aceita esse tipo de liberdade poética do senador Arthur Virgílio. Supor que a "cúpula do governo" admitiu, é demais."

Dilma Roussef respondeu afirmando que estão tentando "escandalizar o nada". "Essa tentativa de banalizar as investigações, escandalizando o nada, é algo que não contribui para o país", disse a ministra à "Folha".

A ministra já deveria ter aprendido que o que interessa à mídia é a espetacularização da notícia. A "escandalização do nada" faz parte do show.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Almodóvar na blogosfera

Li a notícia no Blog do Aílton.

O diretor Pedro Almodóvar também foi picado pela mosca da blogosfera.

No post de estréia, ele escreve suas "Notas sobre 'LOS ABRAZOS ROTOS' ", que é o título da sua próxima película.

Além do "guión", o blog também tem fotos e vídeos.

Clique aqui e acesse o Blog do Almodóvar.

CNI-IBOPE: Aprovação de Lula é recorde

A oposição vai ter que amargar mais um revés. É que acaba de ser divulgada a mais nova pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade do presidente Lula (PT).

A avaliação positiva do governo chegou a 58% em março. É a maior taxa de aprovação registrada desde março de 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República pela primeira vez.

Apenas 11% dos entrevistados disseram que o governo federal é "ruim ou péssimo". Para 30% deles, o governo é somente "regular".

A aprovação do governo subiu 7% em relação à última pesquisa CNI-Ibope, divulgada em dezembro de 2007, quando o índice foi de 51%.

A aprovação pessoal ao presidente Lula também cresceu em março deste ano. No total, 73% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país. O índice também foi o segundo melhor registrado pela pesquisa.

Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em março do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por 55% dos entrevistados.

A confiança do brasileiro no presidente Lula também está nas alturas, com índice de 68%. Os que não confiam em Lula são apenas 28%.

Durmam com uma dessa, José Agripino e Arthur Virgílio.

Com informações da Folha Online.

O cartaz da discórdia

Prefeito do RJ implica com cartaz do Ministério da Saúde

César Maia (DEM), prefeito do município do Rio de Janeiro, pelo visto, não está nem aí pra epidemia de dengue que assola a capital fluminense.

Em vez de dedicar tempo e esforço pra resolver esse problema, o prefeito resolveu implicar com um cartaz criado pelo Ministério da Saúde para a campanha de conscientização contra a AIDS voltada ao público homossexual.

Em seu Ex-Blog, distribuído por e-mail, César Maia provoca o presidente Lula e a CNBB a se pronunciarem e diz que o cartaz parece propaganda de inferninho gay:


MAIS UMA DO TEMPORÃO ! LULA: QUANTO TEMPO VAI DEIXAR ESTE CARTAZ???????? E A CNBB? O QUE DIZ?

Uma campanha de conscientização relativa à AIDS, direcionada aos que tem relações homossexuais, não pode ser transformada numa capa de Revista Sexy-Gay. E ainda plagiando o final da novela das 7 (que plagiou Beleza Americana), substituindo a mulher com folhas vermelhas, por um homem que mais parece propaganda de inferninho gay. O que se consegue com uma publicidade dessas é desrespeitar os homossexuais. A foto insinua uma relação de "programa" como se fosse essa a característica geral.

O cartaz, ao contrário do que afirma César Maia, não tem nada de desrespeitoso nem insinua nada. A mensagem é bastante clara: "Faça o que quiser. Mas faça com camisinha".

Só mesmo alguém conservador e reacionário como o "democrata" (acredite se quiser...) César Maia pra ser contra a campanha.

Veja aqui o cartaz e tire suas próprias conclusões.

Leituras do jornalismo potiguar

Mino Carta, editor da "Carta Capital", disse há pouco tempo que o colunismo social é o "provincianismo, na sua manifestação mais medíocre, ou mesmo ridícula".

Eliana de Lima é uma prova disso. Na coluna que mantém na "Tribuna do Norte", ela deu hoje a seguinte nota:

Chegando Lá

Nos EUA, Hilneth Correia ainda não chegou a Barack Obam, maass... já ganhou até legal do ator-governador Arnald Schwarzenegger, da Califórnia, com o filho Raphael.

É ou não provincianismo em seu estado mais latente?!

É prática nos jornais daqui colunistas levantarem a bola uns dos outros. A troca de gentilezas, obviamente, esconde interesses que a plebe rude desconhece.

A propósito, Hilneth Correia é aquela que fez uma festança pra comemorar seus 40 anos de colunismo social num hotel da Via Costeira com dinheiro da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado.

Um escândalo que não mereceu nenhuma nota ou questionamento por parte dos seus pares.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Às voltas com o tempo

O dia hoje foi curto e corrido. Acordei tarde porque fiquei assistindo um filme até às 3h da manhã. O filme era "Má Educação", do diretor espanhol Pedro Almodóvar.

Eu o classificaria como um filme impactante, para dizer o mínimo. É Almodóvar em plena forma e Gael Garcia Bernal mostrando por que é um dos atores mais promissores da atualidade.

Mas, para mim, o melhor filme de Almodóvar continua sendo "Fale com Ela", verdadeira obra-prima cinematográfica.

Mas deixemos os filmes, por ora, pra lá...

À tarde, tive compromissos de trabalho. Meu gravador me deixou na mão e resolveu descarregar no meio de uma entrevista. Acontece com os melhores e os piores jornalistas.

À noite, mais afazeres que me deixaram longe das notícias e sem poder postar.

Escrevo agora quando já são 23h20. Li algumas coisas que gostaria de comentar, mas o cansaço físico está vencendo minha mente.

[Pausa... vou tomar meia taça de vinho e volto em alguns minutos]

Voltei. Já passa da meia noite. Demorei mais que o previsto porque estava assistindo a minissérie "Queridos Amigos".

Eu dizia antes que havia lido algumas notícias que desejaria comentar.

A primeira é o discurso que o candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, o senador John McCain, fez em Los Angeles.

McCain defendeu a entrada do Brasil e da Índia no G8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia) e a saída da Rússia.

O candidato republicano chamou a Rússia de "revanchista" e disse que o destino dos EUA dependia do destino da América Latina.

A outra notícia é sobre a CPMI dos Cartões Corporativos. Parece que teve bate-boca na sessão desta quarta-feira e, só pra variar, o senador tucano Arhur Virgílio (AM) posou de valentão.

Por falar em cartões corporativos, o ex-presidente FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos e da sua esposa, Ruth Cardoso, referentes ao período em que ele ocupou o Palácio do Planalto.

É um farsante esse FHC. Ele pode "autorizar" quantas vezes quiser, mas isso não depende da vontade dele. A lei proíbe a divulgação desses dados por considerá-los sigilosos e importantes para a segurança do presidente e da sua família.

FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos porque sabe que isso não pode e não vai ser feito. Até o STF (Supremo Tribunal Federal) já se manifestou sobre o assunto.

A terceira notícia é sobre a epidemia de dengue no município do Rio de Janeiro. O prefeito César Maia (DEM), que andava longe dos holofotes midiáticos, deu as caras e negou a existência de uma epidemia.

A Folha de quarta-feira trouxe uma matéria informando que o Estado e Prefeitura reduziram os gastos para combate e prevenção da dengue nos últimos anos.

No Estado, as verbas passaram de de R$ 39,5 milhões (valores atualizados) em 2007 para R$ 20,3 milhões em 2008.

Na Prefeitura, os valores aplicados no controle da dengue passaram, segundo o jornal, de R$ 48,2 milhões (2003) para R$ 23,9 milhões (2006), em valores atualizados.

E agora, César? Vai dizer o quê?!

Finalmente, meu último comentário desse post é sobre a coluna de Eliane Cantanhêde na Folha de terça-feira.

Eliane foi a colunista que disse aos quatro cantos que havia uma epidemia de febre amarela no Brasil, contribuindo para a desinformação e ajudando a disseminar o pânico entre a população.

Pois em sua coluna, ela teve a desfaçatez de dizer a mídia prestou um grande serviço ao país.

"A mídia teve um papel fundamental ao alertar a população para o aumento da incidência da febre amarela, seus riscos, o combate ao mosquito e a vacinação. Nunca vai se saber quantas centenas de vidas foram salvas neste país pela ação diligente de jornais, rádios, TVs", escreveu.

Ai, ai, ai... essa moça tem algum problema.

No Blog do Mello, fiquei sabendo que Eliane é casada com o marqueteiro do tucano Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo.

Deixo que vocês tirem suas conclusões...

Por mi mim chega. Eu agora vou ler alguns sonetos de amor de Neruda e depois dormir.

terça-feira, 25 de março de 2008

Entrevista com Ivana Bentes

A passagem do Jornalismo à Comunicação

A professora, pesquisadora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, deu uma excelente entrevista ao Instituto Humanistas Unisinos (IHU).

Tomei conhecimento da entrevista no Blog do Nassif, que postou apenas um trecho curto. Fiquei curioso e fui atrás do restante na página do IHU na internet.

Logo na primeira resposta, ao analisar a grande imprensa brasileira, Ivana Bentes fala da redundância e homogeneidade de pauta dos grandes jornais.

Para ela, é preciso romper com esse modelo tradicional de jornalismo e fazer prevalecer a diversidade.

Mas de que forma isso é possível? A professora aposta principalmente na internet para furar o bloqueio da grande mídia. "Qualquer sujeito, hoje, pode se tornar um produtor de mídia", afirmou.

Ivana disse que a produção de informação, análise e interpretação, antes pensada como uma atividade apenas de especialistas, é nos dias atuais uma "demanda de cidadania". Por isso é tão importante que se tenha "diversidade em relação ao que é produzido", sugeriu.

Ela também analisou o papel da mídia independente, que ganhou mais visibilidade com a internet. Esse papel vai além do "observatório neutro da mídia", chegando a expressar e representar "uma militância, um engajamento".

Mas a mídia independente ainda enfrenta dificuldades. "Nós temos uma concentração não só econômica, mas alimentada pelo próprio campo público, com a má distribuição das verbas publicitárias que não incentiva a mídia independente", observou.

A professora também deu sua opinião sobre os cursos de comunicação no Brasil. Ela diferenciou o "fazer jornalístico" do "pensar jornalístico", mas disse que os cursos de jornalismo ou de comunicação raramente interferem politicamente na realidade, porque não têm a capacidade de interpretar os fatos quando eles acontecem.

"Há uma tendência, nos cursos de jornalismo e comunicação, àquilo que chamamos de Profeta do Dia Seguinte, ou seja, de esperar que os fatos aconteçam, passem e só depois sejam comentados".

É necessário, analisou ela, "fazer a passagem da velha questão do jornalismo para a questão da comunicação, que é muito mais ampla".

Ivana não se esquivou de opinar também sobre a revista "Veja", que é objeto de uma série de reportagens de Luis Nassif no blog dele.

"O jornalismo da Veja já virou motivo de piada nos cursos de Jornalismo e comunicação. E é ótimo para dar exemplo porque é de tal forma deformado, repensado, direcionado que acaba se tornando uma caricatura do antijornalismo. Não existia isso no Brasil. A Veja veio para explicitar um pensamento conservador reativo que existia sem visibilidade porque as pessoas tinham vergonha de se posicionar dessa forma. Ela apresenta um jogo forte sendo feito e para isso lança mão de manchetes sensacionalistas, de uma constante criação de pautas. O que Nassif faz, em sua análise, é indicar a explicitação de uma linha editorial que existia de uma forma velada", comentou.

A entrevista completa você lê aqui.

União Difícil

"É difícil superar as diferenças", diz Jaques Wagner sobre PT e PSDB

Em entrevista à "Terra Magazine", o governo petista da Bahia, Jaques Wagner, opinou sobre as especulações em torno da possibilidade de um acordo entre PT e PSDB.

A hipótese de uma aliança entre petistas e tucanos vem sendo cogitada desde que o governador Aécio Neves (PSDB) de Minas Gerais e o prefeito Fernando Pimentel (PT) de Belo Horizonte afirmaram que têm interesse num acordo para disputar a Prefeitura de BH.

Aécio e Pimentel querem lançar uma candidatura única para a eleição na capital mineira. Os dois líderes defendem o nome do secretário de Desenvolvimento Econômico de MG, Márcio de Araújo Lacerda (PSB) como candidato de consenso.

Em resposta aos rumores de que essa ainda incerta aliança tucano-petista poderia ocorrer também "para além das montanhas mineiras", o governador baiano disse que considera "difícil superar a realidade das diferenças do que são hoje PT e PSDB, do que significaram e significam".

O governador deu como exemplo dessas diferenças a forma como o PSDB atuou para a derrubada da CPMF. "A maneira como aquilo foi tratado mostra que a luta político-eleitoral superou a racionalidade e mostrou o tamanho da diferença de caminhos", disse.

Jaques Wagner disse também que o PT amadureceu e aprendeu com erros dos passado e que a oposição de hoje é "bem mais madura" e deveria agir de maneira diferente.

Leia a íntegra da entrevista do governador Jaques Wagner aqui.

'Folha' é Serra

A Folha é contra o PAC porque diz que as obras que vão melhorar a vida de milhões de pessoas são "eleitoreiras".

O governador tucano José Serra, que é o candidato da Folha a presidente em 2010, vai anunciar hoje o novo salário mínimo de São Paulo.

A Folha Online destacou: "Serra anunciará mínimo maior que o de Lula em São Paulo".

"Mais uma vez, Serra estabelecerá um valor maior que o salário mínimo determinado pelo presidente Lula para todo o país", escreve a colunista Mônica Bergamo.

Segundo a jornalista, o novo salário mínimo de São Paulo, que na Folha Online virou o "mínimo do Serra", vai passar para cerca de R$ 450.

Na Folha e na Folha Online, as ações do governo Lula são "eleitoreiras", mas as ações do governo Serra são festejadas.

Essa comparação entre o "mínimo do Serra" e o "mínimo do Lula" é uma demonstração clara que o jornal já escolheu o seu candidato a presidente em 2010 e já está em campanha.

Por que a Folha não fala no "trânsito do Serra" nem na "violência do Serra"?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Capacho

Blogueiro da Veja se esforça para defender factóide da revista

Reinaldo Azevedo, além de reacionário, é o que popularmente se chama de capacho. Aquele tipo de sujeito que faz tudo o que seu mestre mandar, sem questionamentos.

Na edição desta semana, a Veja noticiou que o Governo Federal, através da Casa Civil, preparou um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da sua esposa, Ruth Cardoso, para chantagear a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.

A Casa Civil divulgou nota negando a existência do dossiê que a Veja disse que existe. Na nota, a Casa Civil diz que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse em entrevista coletiva que a Casa Civil está realizando um levantamento de dados públicos que podem vir a ser solicitados pela CPMI dos Cartões Corporativos.

Ainda segundo o ministro, esse levantamento foi solicitado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Então foi assim: a revista se utilizou de dados públicos disponíveis no sistema e disse que se tratava de um dossiê criminoso montado pela Casa Civil.

Mas Reinaldo Azevedo não arreda o pé e afirma que o dossiê existe e que a Veja não fez nada além de noticiar a sua existência. Parece menino teimoso quando é pego na mentira. É a faca entrando e ele não admite que mentiu.

Para defender a revista, ele faz uma verdadeira patinação argumentativa. Em tom pretensamente professoral, convida o leitor, em seu blog no site da revista, a "pensar".

Disse que o levantamento de dados públicos, que o ministro Tarso Genro afirmou que a Casa Civil está fazendo, a pedido do TCU, "é um dossiê".

Pois que seja. Pode chamar de dossiê, levantamento ou qualquer outro nome. Isso é o que menos importa.

O que se deve distinguir é que há uma enorme diferença entre um dossiê com dados públicos e um dossiê criminoso, com dados que deveriam ser sigilosos.

A intenção da Veja e de Reinaldo Azevedo é confundir tudo e fazer crer que as duas coisas são, na verdade, uma só. É a fórmula do "testando hipóteses".

A obsessão de Arthur Virgílio

Arthur Virgílio, o senador tucano que teve 3% dos votos pra governador do Amazonas, tem obsessão pelo presidente Lula.

Ele agora quer porque quer que o presidente Lula divulgue os gastos sigilosos da Presidência da República com os cartões corporativos.

Mas, se são sigilosos, não podem e não devem ser divulgados, não é isso?!

Virgílio quer saber dos gastos pessoais do presidente Lula e da primeira dama, Marisa Letícia.

É um completo idiota. Além de votos, lhe faltam miolos e coisa mais interessante pra fazer.

Ele já ameaçou dar uma surra no presidente, já disse que a Amazônia estava sendo vendida pra empresas estrangeiras e já mandou o Brasil se danar.

Quando a gente pensa que o repertório de insanidades do senador sem votos acabou, ele vem e nos surpreende.

Virgílio disse que se o presidente Lula se recusar a repassar as informações sigilosas, "é porque está com medo, porque comprou até carro de luxo com o cartão."

Arthur Virgílio precisa provar sua acusação. Ninguém diz que o presidente da República comprou carro de luxo com dinheiro público sem provas e fica por isso mesmo. Ele não pode sair por aí dizendo suas sandices sem arcar com as conseqüências. O presidente Lula tem que interpelá-lo. Não sei como se faz pra processar um senador, mas que ele tem que dar explicações, isso ele tem.

O senador ficou ainda mais assanhado com a matéria da revista "Veja" desta semana, que afirma que o Governo Federal preparou um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso para pressionar a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.

A Casa Civil desmentiu a Veja e disse que não há nenhum dossiê. Em nota, a Casa Civil disse que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".

A propósito disso, o comentário de Alberto Dines no Observatório da Imprensa é interessante. Diz ele: "Ora, se a revista acusa o governo de estar preparando uma chantagem, por que razão publicou dados sigilosos e aparentemente falsos, conforme declarou a ministra Dilma Roussef? Na corrida sensacionalista, inverteram-se os papéis: ao divulgar os dados, Veja inocenta automaticamente o governo e converte-se, ela própria, em agente e beneficiária da chantagem."

Foi só o presidente Lula chamar a ministra Dilma Roussef da Casa Civil de "mãe do PAC" para a Veja aparecer com um dos seus dossiês tentando queimá-la.

Arthur Virgílio, que adora um factóide, não perdeu tempo.

Mas é isso aí. Arthur Virgílio e Veja não são a Globo, mas têm tudo a ver.

A direita e o lulismo

O artigo abaixo é de Fernando de Barros e Silva na Folha de hoje. Trata daquilo que ele chama de "nova direita no país", que é "um fenômeno de expressão midiática".

Esse "fenômeno" é disseminado, principalmente, pelos "falcões do colunismo" de perfil "estupidamente reacionário".

É uma peça arrasadora e com endereço certo.

Leia a íntegra do artigo:

A chegada de Lula ao poder seguida da ruína moral do petismo serviu de trampolim para impulsionar uma nova direita no país. É um fenômeno de expressão midiática, mais do que propriamente político. Está disseminado em jornais, sites, blogs, na revista. E deve sua difusão aos falcões do colunismo que se orgulha de parecer assim, estupidamente reacionário.

Mesmo que a autopropaganda seja enganosa e oculte que até ontem o conservador empedernido de hoje comia no prato da esquerda, que é só um "parvenu", um espertalhão adaptado aos tempos -ainda assim, temos aqui uma novidade.

Essa direita emergente já formou patota. Citam uns aos outros, promovem entrevistas entre si, trocam elogios despudorados. Praticam o mais desabrido compadrio, mas proclamam a meritocracia e as virtudes da impessoalidade; são boçais, mas adoram arrotar cultura.

É uma direita ruidosa e cínica, festiva e catastrofista. Serve para entreter e consolar uma elite que se diz "classe média" e vê o país como estorvo à realização de seu infinito potencial. Seus privilégios estão sempre sob ameaça e agora a clientela de Lula veio azedar de vez suas fantasias de exclusivismo social.

Invertemos a fórmula de Umberto Eco: enquanto a direita anuncia o apocalipse, os integrados, sob as asas do lulismo, são testemunhas vivas do fiasco do pensamento de esquerda neste país. Não me lembro de ter visto antes a mídia estampar com tanta clareza os passos da regressão social de que participa.

Do lado oficial, há um ambiente paragetulista de cooptação e intimidação difusas, se não avesso, certamente hostil às liberdades de expressão e de informação.

Na outra ponta, um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.

domingo, 23 de março de 2008

Mídia e Favela

O blog do "Fazendo Media" divulgou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, encomendada pela Cufa (Central Única das Favelas) e realizada com moradores de favelas, que mostrou que para 65,4% dos entrevistados a cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nas favelas é "sensacionalista (distorce os fatos e usa preconceitos)".

Outro dado da pesquisa revelou que 73,2% dos entrevistados afirmaram que "a imagem que a sociedade tem da favela como 'reduto de marginais' é completamente distorcida, pois a grande maioria dos favelados é gente honesta".

Marcelo Salles, editor do blog, comenta que o jornal O Globo, que publicou a pesquisa com exclusividade na edição deste domingo, distorceu e manipulou os números "conforme seus interesses político-econômicos e ideológicos".

"O dado acima, em que os entrevistados identificam a manipulação da mídia, por exemplo, simplesmente não aparecem no texto da reportagem [d'O Globo]", afirma Salles.

Para ler mais, clique aqui.

A 'Folha' contra o PAC


O Governo Federal vai investir R$ 2,5 bilhões em obras de saneamento, urbanização de favelas e construção de moradias para a população de baixa renda em 2008. Obras essas que vão melhorar a qualidade de vida de milhões de brasileiros.

A "Folha de São Paulo" é contra as obras porque elas têm "potencial para influenciar o eleitor".

Num primeiro momento, o leitor tem a impressão que o zelo da Folha é em relação às eleições deste ano. O jornal estaria preocupado com a igualdade de condições da disputa de outubro próximo.

Mas, na verdade, a Folha deixa escapar mais adiante que sua preocupação (ou temor?) é mesmo com 2010, quando haverá eleição para presidente da República.

O jornal afirma que todos os grandes centros urbanos, "nos quais o resultado da disputa [das eleições para prefeito] tem mais peso nas negociações para a sucessão presidencial em 2010", foram incluídos na lista de obras prioritárias do PAC.

No total, o Governo Federal, através de um decreto do presidente Lula, elencou 1.771 obras prioritárias em mais de mil municípios - na maioria, cidades pequenas e, portanto, com reduzido impacto eleitoral.

A manchete da Folha, porém, afirma que são apenas 158 cidades privilegiadas e destaca, na matéria, os grandes centros urbanos que foram contemplados, como Fortaleza e Salvador.

O jornal sublinha que dos "10 municípios mais beneficiados, 7 têm prefeitos de partidos aliados ao Planalto." O governo, dessa forma, estaria jogando a favor dos aliados.

Mesmo admitindo que a maior parte dos recursos vai para cidades governadas pela oposição, como São Paulo e Rio de Janeiro, cujos prefeitos são do oposicionista DEM, o jornal diz que são cidades que têm importância "nas estratégias de votos das eleições de 2010."

A Folha afirma que o governo "driblou" a legislação eleitoral, que proíbe "repasses de recursos federais para obras novas [grifo meu] nos três meses que antecedem a escolha dos prefeitos".

Note que a própria Folha afirma que legislação proíbe repasses para obras novas.

Mais abaixo, o jornal cai em contradição ao dizer que as obras listadas como prioritárias pelo Governo Federal já estavam contratadas:

"O Ministério das Cidades listou 158 municípios com obras contratadas [grifo meu] de habitação, de urbanização de favelas, de abastecimento de água e de esgotamento sanitário."

Afinal, se as obras já estavam contratadas, como admite o jornal, cadê o problema?

A quem interessa essa tentativa de impedir a realização dessas obras, essenciais para milhões de pessoas, associando-as apenas à disputa eleitoral?

O novo factóide

Veja fabrica dossiê e diz que foi governo quem o fez

Do Portal "Vermelho"

A revista Veja soltou em sua edição deste final de semana mais uma de suas "criativas" reportagens, que trazem documentos obtidos de fonte não revelada e que a revista diz, sem apresentar uma mísera prova, ter sido o governo quem preparou. Com a "denúncia" a revista tenta alcançar três objetivos: transformar a corrupção do governo FHC em mera chantagem petista; forçar a CPI dos Cartões a entregar para a imprensa os dados sigilosos da Presidência da República e desgastar a imagem da ministra Dilma Roussef, da Casa Civil.

A revista, famosa por inventar reportagens inverídicas e trabalhar com documentos de origem duvidosa, alega que teve acesso a um suposto dossiê que teria sido preparado pelo governo para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. O suposto dossiê traz informações sobre os gastos com suprimento de fundos durante o governo Fernando Henrique. Cita gastos com caviar, champagne, viagens e outras futilidades que são citadas apenas para escamotear o real objetivo da reportagem: acusar o governo Lula de chantagista.

Como costuma fazer quando o assunto é delicado e pode comprometer a revista, já que as "acusações" carecem de qualquer tipo de prova, a Veja deu apenas uma singela chamada no topo da capa para a reportagem. A capa mesmo foi dedicada a outro assunto --o desmatamento da Amazônia-- que a revista menospreza mas resolveu tratar para defender os interesses empresariais que rondam a floresta.

Já sobre o suposto dossiê, a revista diz com todas as letras que o documento ao qual teve acesso foi "construído dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia de intimidação". Mas não apresenta nenhuma mísera prova ou indício para sustentar estas afirmações.

A revista também mente ao dizer que foi esta suposta intimidação que permitiu a divisão de cargos na CPI, com o PT ficando com a relatoria e o PSDB com a presidência. Além de não ter lógica ---afinal para que o governo cederia um posto à oposição se tinha informações para atacá-la durante a CPI? --- a hipóstese de Veja também esbarra num elemento que no jornalismo sério é fundamental, mas na Veja faz tempo que não é levado em conta: o fato. E o fato concreto é que a negociação dos postos na CPI dos Cartões foi amplamente discutida no Congresso e só permitiu que o PSDB ocupasse a presidência da comissão graças à atuação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

A maior parte das informações "reveladas" por Veja sobre os gastos da gestão FHC já foram divulgadas em outros veículos de comunicação nas últimas semanas. O suposto dossiê pode, portanto, ter sido uma invenção da própria revista com dados colhidos na imprensa, no Portal da Transparência e até mesmo com funcionários do governo que tiveram acesso a estas informações. A Veja sabe, de experiência própria, que informações podem ser compradas. O dossiê, se é que existe, pode ainda ser obra de pessoas interessadas em desgastar o governo.

Infelizmente, a revista usa a legislação que protege suas fontes para esconder quem "vazou" as tais informações que a Veja alega ser um dossiê preparado pelo governo. Esta informação poderia ajudar o Ministério Público a descobrir se houve realmente intenção de chantagear a oposição.

Os dados não batem

Em nota, a Casa Civil disse hoje que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".

O sistema foi criado por orientação do TCU (Tribunal de Contas da União) para que fossem estabelecidos mecanismos que dessem maior transparência ao acompanhamento dos gastos.
O Suprim começou a ser alimentado em 2005. O processo de alimentação retroagiu para 2004 e 2003 e agora estariam sendo digitalizados os documentos dos três anos citados na reportagem da Veja.


A Casa Civil também contesta os valores de gastos apresentados pela revista: "Nos três anos referidos pela matéria, o gasto médio anual em suprimento de fundos da Presidência da República não ultrapassa a R$ 3,6 milhões de reais em valores nominais."

Leia mais aqui.