Foi só o presidente Lula dizer que a ministra Dilma Roussef da Casa Civil era a "mãe do PAC" para a oposição e a mídia (tucana, por excelência) deflagrarem a temporada de caça às bruxas.
Primeiro foi a "Veja" que disse que o governo havia montado um dossiê com os gastos do ex-presidente FHC e da sua esposa, Ruth Cardoso, para chantagear a oposição. De acordo com a revista, o dossiê foi elaborado a mando da Casa Civil. Logo, a "Veja" não afirma isso claramente, mas sugere implicitamente que deve ter o dedo da ministra aí no meio.
Pautados pela "Veja", a oposição queria que a ministra fosse depor na CPI dos Cartões Corporativos. O governo, que tem maioria por lá, impediu a convocação. A oposição queria constranger Dilma Roussef e usar as imagens de arquivo futuramente caso ela viesse a ser candidata a sucessão de Lula em 2010.
Após a divulgação do dossiê pela "Veja", o restante da mídia tratou de repercutir o assunto, sempre com manchetes acusatórias e desmentidos em cantos de página. A "Folha", por exemplo, dedicou bastante espaço à versão da "Veja" sobre o dossiê e pouca atenção ao outro lado da história. Além disso, distorceu informações para tentar constranger ainda mais o governo.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a Casa Civil estava realizando um levantamento de dados que não eram sigilosos para fornecer à CPI dos Cartões Corporativos, quando esta assim solicitasse. Tarso Genro disse também que a Casa Civil estava melhorando a organização dos dados para dar maior transparência, seguindo orientação do Tribunal de Contas da União (TCU).
A "Folha", erroneamente, disse que Tarso Genro havia afirmado que o TCU tinha solicitado o levantamento de dados à Casa Civil. O TCU, em seguida, negou que tivesse feito esse pedido. A "Folha" disse que o TCU havia "desmentido" o ministro.
Na edição de hoje do jornal, mais um capítulo da "caça à ministra". O jornal denuncia que o dossiê foi feito pelo braço direito da ministra Dilma Roussef, Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da Casa Civil. O jornal conclui que, se a ministra não agir rapidamente, corre o risco de cair.
Em seu blog, Luis Nassif diz que a matéria da "Folha" é mais um factóide e comenta o "furo" do jornal:
"Em qualquer ministério, é o Secretário Executivo quem comanda o dia a dia. "Furo" seria se o pedido tivesse sido por alguém de fora da Casa Civil.
Depois, para “esquentar”a matéria, os procedimentos de sempre, afirmações colhidas com uma fonte chamada Planalto.
A cúpula do governo avalia que a situação política da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se agravou e que ela precisa dar uma resposta rápida. Do contrário, corre risco de cair [trecho da matéria da "Folha"].
Tenha-se a santa paciência! Que mané cúpula! Imaginar que a peça central do segundo governo Lula, a maior unanimidade que se tem nesse governo, “corre risco de cair” por conta dessa notícia é exagerar na auto-louvação do furo. Até se aceita esse tipo de liberdade poética do senador Arthur Virgílio. Supor que a "cúpula do governo" admitiu, é demais."
Dilma Roussef respondeu afirmando que estão tentando "escandalizar o nada". "Essa tentativa de banalizar as investigações, escandalizando o nada, é algo que não contribui para o país", disse a ministra à "Folha".
A ministra já deveria ter aprendido que o que interessa à mídia é a espetacularização da notícia. A "escandalização do nada" faz parte do show.
sexta-feira, 28 de março de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
Almodóvar na blogosfera
Li a notícia no Blog do Aílton.
O diretor Pedro Almodóvar também foi picado pela mosca da blogosfera.
No post de estréia, ele escreve suas "Notas sobre 'LOS ABRAZOS ROTOS' ", que é o título da sua próxima película.
Além do "guión", o blog também tem fotos e vídeos.
Clique aqui e acesse o Blog do Almodóvar.
O diretor Pedro Almodóvar também foi picado pela mosca da blogosfera.
No post de estréia, ele escreve suas "Notas sobre 'LOS ABRAZOS ROTOS' ", que é o título da sua próxima película.
Além do "guión", o blog também tem fotos e vídeos.
Clique aqui e acesse o Blog do Almodóvar.
CNI-IBOPE: Aprovação de Lula é recorde
A oposição vai ter que amargar mais um revés. É que acaba de ser divulgada a mais nova pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade do presidente Lula (PT).
A avaliação positiva do governo chegou a 58% em março. É a maior taxa de aprovação registrada desde março de 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República pela primeira vez.
Apenas 11% dos entrevistados disseram que o governo federal é "ruim ou péssimo". Para 30% deles, o governo é somente "regular".
A aprovação do governo subiu 7% em relação à última pesquisa CNI-Ibope, divulgada em dezembro de 2007, quando o índice foi de 51%.
A aprovação pessoal ao presidente Lula também cresceu em março deste ano. No total, 73% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país. O índice também foi o segundo melhor registrado pela pesquisa.
Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em março do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por 55% dos entrevistados.
A confiança do brasileiro no presidente Lula também está nas alturas, com índice de 68%. Os que não confiam em Lula são apenas 28%.
Durmam com uma dessa, José Agripino e Arthur Virgílio.
Com informações da Folha Online.
A avaliação positiva do governo chegou a 58% em março. É a maior taxa de aprovação registrada desde março de 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República pela primeira vez.
Apenas 11% dos entrevistados disseram que o governo federal é "ruim ou péssimo". Para 30% deles, o governo é somente "regular".
A aprovação do governo subiu 7% em relação à última pesquisa CNI-Ibope, divulgada em dezembro de 2007, quando o índice foi de 51%.
A aprovação pessoal ao presidente Lula também cresceu em março deste ano. No total, 73% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país. O índice também foi o segundo melhor registrado pela pesquisa.
Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em março do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por 55% dos entrevistados.
A confiança do brasileiro no presidente Lula também está nas alturas, com índice de 68%. Os que não confiam em Lula são apenas 28%.
Durmam com uma dessa, José Agripino e Arthur Virgílio.
Com informações da Folha Online.
O cartaz da discórdia
Prefeito do RJ implica com cartaz do Ministério da Saúde
César Maia (DEM), prefeito do município do Rio de Janeiro, pelo visto, não está nem aí pra epidemia de dengue que assola a capital fluminense.
Em vez de dedicar tempo e esforço pra resolver esse problema, o prefeito resolveu implicar com um cartaz criado pelo Ministério da Saúde para a campanha de conscientização contra a AIDS voltada ao público homossexual.
Em seu Ex-Blog, distribuído por e-mail, César Maia provoca o presidente Lula e a CNBB a se pronunciarem e diz que o cartaz parece propaganda de inferninho gay:
MAIS UMA DO TEMPORÃO ! LULA: QUANTO TEMPO VAI DEIXAR ESTE CARTAZ???????? E A CNBB? O QUE DIZ?
Uma campanha de conscientização relativa à AIDS, direcionada aos que tem relações homossexuais, não pode ser transformada numa capa de Revista Sexy-Gay. E ainda plagiando o final da novela das 7 (que plagiou Beleza Americana), substituindo a mulher com folhas vermelhas, por um homem que mais parece propaganda de inferninho gay. O que se consegue com uma publicidade dessas é desrespeitar os homossexuais. A foto insinua uma relação de "programa" como se fosse essa a característica geral.
O cartaz, ao contrário do que afirma César Maia, não tem nada de desrespeitoso nem insinua nada. A mensagem é bastante clara: "Faça o que quiser. Mas faça com camisinha".
Só mesmo alguém conservador e reacionário como o "democrata" (acredite se quiser...) César Maia pra ser contra a campanha.
Veja aqui o cartaz e tire suas próprias conclusões.
César Maia (DEM), prefeito do município do Rio de Janeiro, pelo visto, não está nem aí pra epidemia de dengue que assola a capital fluminense.
Em vez de dedicar tempo e esforço pra resolver esse problema, o prefeito resolveu implicar com um cartaz criado pelo Ministério da Saúde para a campanha de conscientização contra a AIDS voltada ao público homossexual.
Em seu Ex-Blog, distribuído por e-mail, César Maia provoca o presidente Lula e a CNBB a se pronunciarem e diz que o cartaz parece propaganda de inferninho gay:
MAIS UMA DO TEMPORÃO ! LULA: QUANTO TEMPO VAI DEIXAR ESTE CARTAZ???????? E A CNBB? O QUE DIZ?
Uma campanha de conscientização relativa à AIDS, direcionada aos que tem relações homossexuais, não pode ser transformada numa capa de Revista Sexy-Gay. E ainda plagiando o final da novela das 7 (que plagiou Beleza Americana), substituindo a mulher com folhas vermelhas, por um homem que mais parece propaganda de inferninho gay. O que se consegue com uma publicidade dessas é desrespeitar os homossexuais. A foto insinua uma relação de "programa" como se fosse essa a característica geral.
O cartaz, ao contrário do que afirma César Maia, não tem nada de desrespeitoso nem insinua nada. A mensagem é bastante clara: "Faça o que quiser. Mas faça com camisinha".
Só mesmo alguém conservador e reacionário como o "democrata" (acredite se quiser...) César Maia pra ser contra a campanha.
Veja aqui o cartaz e tire suas próprias conclusões.
Leituras do jornalismo potiguar
Mino Carta, editor da "Carta Capital", disse há pouco tempo que o colunismo social é o "provincianismo, na sua manifestação mais medíocre, ou mesmo ridícula".
Eliana de Lima é uma prova disso. Na coluna que mantém na "Tribuna do Norte", ela deu hoje a seguinte nota:
Chegando Lá
Nos EUA, Hilneth Correia ainda não chegou a Barack Obam, maass... já ganhou até legal do ator-governador Arnald Schwarzenegger, da Califórnia, com o filho Raphael.
É ou não provincianismo em seu estado mais latente?!
É prática nos jornais daqui colunistas levantarem a bola uns dos outros. A troca de gentilezas, obviamente, esconde interesses que a plebe rude desconhece.
A propósito, Hilneth Correia é aquela que fez uma festança pra comemorar seus 40 anos de colunismo social num hotel da Via Costeira com dinheiro da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado.
Um escândalo que não mereceu nenhuma nota ou questionamento por parte dos seus pares.
Eliana de Lima é uma prova disso. Na coluna que mantém na "Tribuna do Norte", ela deu hoje a seguinte nota:
Chegando Lá
Nos EUA, Hilneth Correia ainda não chegou a Barack Obam, maass... já ganhou até legal do ator-governador Arnald Schwarzenegger, da Califórnia, com o filho Raphael.
É ou não provincianismo em seu estado mais latente?!
É prática nos jornais daqui colunistas levantarem a bola uns dos outros. A troca de gentilezas, obviamente, esconde interesses que a plebe rude desconhece.
A propósito, Hilneth Correia é aquela que fez uma festança pra comemorar seus 40 anos de colunismo social num hotel da Via Costeira com dinheiro da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado.
Um escândalo que não mereceu nenhuma nota ou questionamento por parte dos seus pares.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Às voltas com o tempo
O dia hoje foi curto e corrido. Acordei tarde porque fiquei assistindo um filme até às 3h da manhã. O filme era "Má Educação", do diretor espanhol Pedro Almodóvar.
Eu o classificaria como um filme impactante, para dizer o mínimo. É Almodóvar em plena forma e Gael Garcia Bernal mostrando por que é um dos atores mais promissores da atualidade.
Mas, para mim, o melhor filme de Almodóvar continua sendo "Fale com Ela", verdadeira obra-prima cinematográfica.
Mas deixemos os filmes, por ora, pra lá...
À tarde, tive compromissos de trabalho. Meu gravador me deixou na mão e resolveu descarregar no meio de uma entrevista. Acontece com os melhores e os piores jornalistas.
À noite, mais afazeres que me deixaram longe das notícias e sem poder postar.
Escrevo agora quando já são 23h20. Li algumas coisas que gostaria de comentar, mas o cansaço físico está vencendo minha mente.
[Pausa... vou tomar meia taça de vinho e volto em alguns minutos]
Voltei. Já passa da meia noite. Demorei mais que o previsto porque estava assistindo a minissérie "Queridos Amigos".
Eu dizia antes que havia lido algumas notícias que desejaria comentar.
A primeira é o discurso que o candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, o senador John McCain, fez em Los Angeles.
McCain defendeu a entrada do Brasil e da Índia no G8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia) e a saída da Rússia.
O candidato republicano chamou a Rússia de "revanchista" e disse que o destino dos EUA dependia do destino da América Latina.
A outra notícia é sobre a CPMI dos Cartões Corporativos. Parece que teve bate-boca na sessão desta quarta-feira e, só pra variar, o senador tucano Arhur Virgílio (AM) posou de valentão.
Por falar em cartões corporativos, o ex-presidente FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos e da sua esposa, Ruth Cardoso, referentes ao período em que ele ocupou o Palácio do Planalto.
É um farsante esse FHC. Ele pode "autorizar" quantas vezes quiser, mas isso não depende da vontade dele. A lei proíbe a divulgação desses dados por considerá-los sigilosos e importantes para a segurança do presidente e da sua família.
FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos porque sabe que isso não pode e não vai ser feito. Até o STF (Supremo Tribunal Federal) já se manifestou sobre o assunto.
A terceira notícia é sobre a epidemia de dengue no município do Rio de Janeiro. O prefeito César Maia (DEM), que andava longe dos holofotes midiáticos, deu as caras e negou a existência de uma epidemia.
A Folha de quarta-feira trouxe uma matéria informando que o Estado e Prefeitura reduziram os gastos para combate e prevenção da dengue nos últimos anos.
No Estado, as verbas passaram de de R$ 39,5 milhões (valores atualizados) em 2007 para R$ 20,3 milhões em 2008.
Na Prefeitura, os valores aplicados no controle da dengue passaram, segundo o jornal, de R$ 48,2 milhões (2003) para R$ 23,9 milhões (2006), em valores atualizados.
E agora, César? Vai dizer o quê?!
Finalmente, meu último comentário desse post é sobre a coluna de Eliane Cantanhêde na Folha de terça-feira.
Eliane foi a colunista que disse aos quatro cantos que havia uma epidemia de febre amarela no Brasil, contribuindo para a desinformação e ajudando a disseminar o pânico entre a população.
Pois em sua coluna, ela teve a desfaçatez de dizer a mídia prestou um grande serviço ao país.
"A mídia teve um papel fundamental ao alertar a população para o aumento da incidência da febre amarela, seus riscos, o combate ao mosquito e a vacinação. Nunca vai se saber quantas centenas de vidas foram salvas neste país pela ação diligente de jornais, rádios, TVs", escreveu.
Ai, ai, ai... essa moça tem algum problema.
No Blog do Mello, fiquei sabendo que Eliane é casada com o marqueteiro do tucano Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo.
Deixo que vocês tirem suas conclusões...
Por mi mim chega. Eu agora vou ler alguns sonetos de amor de Neruda e depois dormir.
Eu o classificaria como um filme impactante, para dizer o mínimo. É Almodóvar em plena forma e Gael Garcia Bernal mostrando por que é um dos atores mais promissores da atualidade.
Mas, para mim, o melhor filme de Almodóvar continua sendo "Fale com Ela", verdadeira obra-prima cinematográfica.
Mas deixemos os filmes, por ora, pra lá...
À tarde, tive compromissos de trabalho. Meu gravador me deixou na mão e resolveu descarregar no meio de uma entrevista. Acontece com os melhores e os piores jornalistas.
À noite, mais afazeres que me deixaram longe das notícias e sem poder postar.
Escrevo agora quando já são 23h20. Li algumas coisas que gostaria de comentar, mas o cansaço físico está vencendo minha mente.
[Pausa... vou tomar meia taça de vinho e volto em alguns minutos]
Voltei. Já passa da meia noite. Demorei mais que o previsto porque estava assistindo a minissérie "Queridos Amigos".
Eu dizia antes que havia lido algumas notícias que desejaria comentar.
A primeira é o discurso que o candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, o senador John McCain, fez em Los Angeles.
McCain defendeu a entrada do Brasil e da Índia no G8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia) e a saída da Rússia.
O candidato republicano chamou a Rússia de "revanchista" e disse que o destino dos EUA dependia do destino da América Latina.
A outra notícia é sobre a CPMI dos Cartões Corporativos. Parece que teve bate-boca na sessão desta quarta-feira e, só pra variar, o senador tucano Arhur Virgílio (AM) posou de valentão.
Por falar em cartões corporativos, o ex-presidente FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos e da sua esposa, Ruth Cardoso, referentes ao período em que ele ocupou o Palácio do Planalto.
É um farsante esse FHC. Ele pode "autorizar" quantas vezes quiser, mas isso não depende da vontade dele. A lei proíbe a divulgação desses dados por considerá-los sigilosos e importantes para a segurança do presidente e da sua família.
FHC "autorizou" a divulgação dos seus gastos porque sabe que isso não pode e não vai ser feito. Até o STF (Supremo Tribunal Federal) já se manifestou sobre o assunto.
A terceira notícia é sobre a epidemia de dengue no município do Rio de Janeiro. O prefeito César Maia (DEM), que andava longe dos holofotes midiáticos, deu as caras e negou a existência de uma epidemia.
A Folha de quarta-feira trouxe uma matéria informando que o Estado e Prefeitura reduziram os gastos para combate e prevenção da dengue nos últimos anos.
No Estado, as verbas passaram de de R$ 39,5 milhões (valores atualizados) em 2007 para R$ 20,3 milhões em 2008.
Na Prefeitura, os valores aplicados no controle da dengue passaram, segundo o jornal, de R$ 48,2 milhões (2003) para R$ 23,9 milhões (2006), em valores atualizados.
E agora, César? Vai dizer o quê?!
Finalmente, meu último comentário desse post é sobre a coluna de Eliane Cantanhêde na Folha de terça-feira.
Eliane foi a colunista que disse aos quatro cantos que havia uma epidemia de febre amarela no Brasil, contribuindo para a desinformação e ajudando a disseminar o pânico entre a população.
Pois em sua coluna, ela teve a desfaçatez de dizer a mídia prestou um grande serviço ao país.
"A mídia teve um papel fundamental ao alertar a população para o aumento da incidência da febre amarela, seus riscos, o combate ao mosquito e a vacinação. Nunca vai se saber quantas centenas de vidas foram salvas neste país pela ação diligente de jornais, rádios, TVs", escreveu.
Ai, ai, ai... essa moça tem algum problema.
No Blog do Mello, fiquei sabendo que Eliane é casada com o marqueteiro do tucano Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo.
Deixo que vocês tirem suas conclusões...
Por mi mim chega. Eu agora vou ler alguns sonetos de amor de Neruda e depois dormir.
terça-feira, 25 de março de 2008
Entrevista com Ivana Bentes
A passagem do Jornalismo à Comunicação
A professora, pesquisadora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, deu uma excelente entrevista ao Instituto Humanistas Unisinos (IHU).
Tomei conhecimento da entrevista no Blog do Nassif, que postou apenas um trecho curto. Fiquei curioso e fui atrás do restante na página do IHU na internet.
Logo na primeira resposta, ao analisar a grande imprensa brasileira, Ivana Bentes fala da redundância e homogeneidade de pauta dos grandes jornais.
Para ela, é preciso romper com esse modelo tradicional de jornalismo e fazer prevalecer a diversidade.
Mas de que forma isso é possível? A professora aposta principalmente na internet para furar o bloqueio da grande mídia. "Qualquer sujeito, hoje, pode se tornar um produtor de mídia", afirmou.
Ivana disse que a produção de informação, análise e interpretação, antes pensada como uma atividade apenas de especialistas, é nos dias atuais uma "demanda de cidadania". Por isso é tão importante que se tenha "diversidade em relação ao que é produzido", sugeriu.
Ela também analisou o papel da mídia independente, que ganhou mais visibilidade com a internet. Esse papel vai além do "observatório neutro da mídia", chegando a expressar e representar "uma militância, um engajamento".
Mas a mídia independente ainda enfrenta dificuldades. "Nós temos uma concentração não só econômica, mas alimentada pelo próprio campo público, com a má distribuição das verbas publicitárias que não incentiva a mídia independente", observou.
A professora também deu sua opinião sobre os cursos de comunicação no Brasil. Ela diferenciou o "fazer jornalístico" do "pensar jornalístico", mas disse que os cursos de jornalismo ou de comunicação raramente interferem politicamente na realidade, porque não têm a capacidade de interpretar os fatos quando eles acontecem.
"Há uma tendência, nos cursos de jornalismo e comunicação, àquilo que chamamos de Profeta do Dia Seguinte, ou seja, de esperar que os fatos aconteçam, passem e só depois sejam comentados".
É necessário, analisou ela, "fazer a passagem da velha questão do jornalismo para a questão da comunicação, que é muito mais ampla".
Ivana não se esquivou de opinar também sobre a revista "Veja", que é objeto de uma série de reportagens de Luis Nassif no blog dele.
"O jornalismo da Veja já virou motivo de piada nos cursos de Jornalismo e comunicação. E é ótimo para dar exemplo porque é de tal forma deformado, repensado, direcionado que acaba se tornando uma caricatura do antijornalismo. Não existia isso no Brasil. A Veja veio para explicitar um pensamento conservador reativo que existia sem visibilidade porque as pessoas tinham vergonha de se posicionar dessa forma. Ela apresenta um jogo forte sendo feito e para isso lança mão de manchetes sensacionalistas, de uma constante criação de pautas. O que Nassif faz, em sua análise, é indicar a explicitação de uma linha editorial que existia de uma forma velada", comentou.
A entrevista completa você lê aqui.
A professora, pesquisadora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, deu uma excelente entrevista ao Instituto Humanistas Unisinos (IHU).
Tomei conhecimento da entrevista no Blog do Nassif, que postou apenas um trecho curto. Fiquei curioso e fui atrás do restante na página do IHU na internet.
Logo na primeira resposta, ao analisar a grande imprensa brasileira, Ivana Bentes fala da redundância e homogeneidade de pauta dos grandes jornais.
Para ela, é preciso romper com esse modelo tradicional de jornalismo e fazer prevalecer a diversidade.
Mas de que forma isso é possível? A professora aposta principalmente na internet para furar o bloqueio da grande mídia. "Qualquer sujeito, hoje, pode se tornar um produtor de mídia", afirmou.
Ivana disse que a produção de informação, análise e interpretação, antes pensada como uma atividade apenas de especialistas, é nos dias atuais uma "demanda de cidadania". Por isso é tão importante que se tenha "diversidade em relação ao que é produzido", sugeriu.
Ela também analisou o papel da mídia independente, que ganhou mais visibilidade com a internet. Esse papel vai além do "observatório neutro da mídia", chegando a expressar e representar "uma militância, um engajamento".
Mas a mídia independente ainda enfrenta dificuldades. "Nós temos uma concentração não só econômica, mas alimentada pelo próprio campo público, com a má distribuição das verbas publicitárias que não incentiva a mídia independente", observou.
A professora também deu sua opinião sobre os cursos de comunicação no Brasil. Ela diferenciou o "fazer jornalístico" do "pensar jornalístico", mas disse que os cursos de jornalismo ou de comunicação raramente interferem politicamente na realidade, porque não têm a capacidade de interpretar os fatos quando eles acontecem.
"Há uma tendência, nos cursos de jornalismo e comunicação, àquilo que chamamos de Profeta do Dia Seguinte, ou seja, de esperar que os fatos aconteçam, passem e só depois sejam comentados".
É necessário, analisou ela, "fazer a passagem da velha questão do jornalismo para a questão da comunicação, que é muito mais ampla".
Ivana não se esquivou de opinar também sobre a revista "Veja", que é objeto de uma série de reportagens de Luis Nassif no blog dele.
"O jornalismo da Veja já virou motivo de piada nos cursos de Jornalismo e comunicação. E é ótimo para dar exemplo porque é de tal forma deformado, repensado, direcionado que acaba se tornando uma caricatura do antijornalismo. Não existia isso no Brasil. A Veja veio para explicitar um pensamento conservador reativo que existia sem visibilidade porque as pessoas tinham vergonha de se posicionar dessa forma. Ela apresenta um jogo forte sendo feito e para isso lança mão de manchetes sensacionalistas, de uma constante criação de pautas. O que Nassif faz, em sua análise, é indicar a explicitação de uma linha editorial que existia de uma forma velada", comentou.
A entrevista completa você lê aqui.
União Difícil
"É difícil superar as diferenças", diz Jaques Wagner sobre PT e PSDB
Em entrevista à "Terra Magazine", o governo petista da Bahia, Jaques Wagner, opinou sobre as especulações em torno da possibilidade de um acordo entre PT e PSDB.
A hipótese de uma aliança entre petistas e tucanos vem sendo cogitada desde que o governador Aécio Neves (PSDB) de Minas Gerais e o prefeito Fernando Pimentel (PT) de Belo Horizonte afirmaram que têm interesse num acordo para disputar a Prefeitura de BH.
Aécio e Pimentel querem lançar uma candidatura única para a eleição na capital mineira. Os dois líderes defendem o nome do secretário de Desenvolvimento Econômico de MG, Márcio de Araújo Lacerda (PSB) como candidato de consenso.
Em resposta aos rumores de que essa ainda incerta aliança tucano-petista poderia ocorrer também "para além das montanhas mineiras", o governador baiano disse que considera "difícil superar a realidade das diferenças do que são hoje PT e PSDB, do que significaram e significam".
O governador deu como exemplo dessas diferenças a forma como o PSDB atuou para a derrubada da CPMF. "A maneira como aquilo foi tratado mostra que a luta político-eleitoral superou a racionalidade e mostrou o tamanho da diferença de caminhos", disse.
Jaques Wagner disse também que o PT amadureceu e aprendeu com erros dos passado e que a oposição de hoje é "bem mais madura" e deveria agir de maneira diferente.
Leia a íntegra da entrevista do governador Jaques Wagner aqui.
Em entrevista à "Terra Magazine", o governo petista da Bahia, Jaques Wagner, opinou sobre as especulações em torno da possibilidade de um acordo entre PT e PSDB.
A hipótese de uma aliança entre petistas e tucanos vem sendo cogitada desde que o governador Aécio Neves (PSDB) de Minas Gerais e o prefeito Fernando Pimentel (PT) de Belo Horizonte afirmaram que têm interesse num acordo para disputar a Prefeitura de BH.
Aécio e Pimentel querem lançar uma candidatura única para a eleição na capital mineira. Os dois líderes defendem o nome do secretário de Desenvolvimento Econômico de MG, Márcio de Araújo Lacerda (PSB) como candidato de consenso.
Em resposta aos rumores de que essa ainda incerta aliança tucano-petista poderia ocorrer também "para além das montanhas mineiras", o governador baiano disse que considera "difícil superar a realidade das diferenças do que são hoje PT e PSDB, do que significaram e significam".
O governador deu como exemplo dessas diferenças a forma como o PSDB atuou para a derrubada da CPMF. "A maneira como aquilo foi tratado mostra que a luta político-eleitoral superou a racionalidade e mostrou o tamanho da diferença de caminhos", disse.
Jaques Wagner disse também que o PT amadureceu e aprendeu com erros dos passado e que a oposição de hoje é "bem mais madura" e deveria agir de maneira diferente.
Leia a íntegra da entrevista do governador Jaques Wagner aqui.
'Folha' é Serra
A Folha é contra o PAC porque diz que as obras que vão melhorar a vida de milhões de pessoas são "eleitoreiras".
O governador tucano José Serra, que é o candidato da Folha a presidente em 2010, vai anunciar hoje o novo salário mínimo de São Paulo.
A Folha Online destacou: "Serra anunciará mínimo maior que o de Lula em São Paulo".
"Mais uma vez, Serra estabelecerá um valor maior que o salário mínimo determinado pelo presidente Lula para todo o país", escreve a colunista Mônica Bergamo.
Segundo a jornalista, o novo salário mínimo de São Paulo, que na Folha Online virou o "mínimo do Serra", vai passar para cerca de R$ 450.
Na Folha e na Folha Online, as ações do governo Lula são "eleitoreiras", mas as ações do governo Serra são festejadas.
Essa comparação entre o "mínimo do Serra" e o "mínimo do Lula" é uma demonstração clara que o jornal já escolheu o seu candidato a presidente em 2010 e já está em campanha.
Por que a Folha não fala no "trânsito do Serra" nem na "violência do Serra"?
O governador tucano José Serra, que é o candidato da Folha a presidente em 2010, vai anunciar hoje o novo salário mínimo de São Paulo.
A Folha Online destacou: "Serra anunciará mínimo maior que o de Lula em São Paulo".
"Mais uma vez, Serra estabelecerá um valor maior que o salário mínimo determinado pelo presidente Lula para todo o país", escreve a colunista Mônica Bergamo.
Segundo a jornalista, o novo salário mínimo de São Paulo, que na Folha Online virou o "mínimo do Serra", vai passar para cerca de R$ 450.
Na Folha e na Folha Online, as ações do governo Lula são "eleitoreiras", mas as ações do governo Serra são festejadas.
Essa comparação entre o "mínimo do Serra" e o "mínimo do Lula" é uma demonstração clara que o jornal já escolheu o seu candidato a presidente em 2010 e já está em campanha.
Por que a Folha não fala no "trânsito do Serra" nem na "violência do Serra"?
segunda-feira, 24 de março de 2008
Capacho
Blogueiro da Veja se esforça para defender factóide da revista
Reinaldo Azevedo, além de reacionário, é o que popularmente se chama de capacho. Aquele tipo de sujeito que faz tudo o que seu mestre mandar, sem questionamentos.
Na edição desta semana, a Veja noticiou que o Governo Federal, através da Casa Civil, preparou um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da sua esposa, Ruth Cardoso, para chantagear a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.
A Casa Civil divulgou nota negando a existência do dossiê que a Veja disse que existe. Na nota, a Casa Civil diz que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse em entrevista coletiva que a Casa Civil está realizando um levantamento de dados públicos que podem vir a ser solicitados pela CPMI dos Cartões Corporativos.
Ainda segundo o ministro, esse levantamento foi solicitado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Então foi assim: a revista se utilizou de dados públicos disponíveis no sistema e disse que se tratava de um dossiê criminoso montado pela Casa Civil.
Mas Reinaldo Azevedo não arreda o pé e afirma que o dossiê existe e que a Veja não fez nada além de noticiar a sua existência. Parece menino teimoso quando é pego na mentira. É a faca entrando e ele não admite que mentiu.
Para defender a revista, ele faz uma verdadeira patinação argumentativa. Em tom pretensamente professoral, convida o leitor, em seu blog no site da revista, a "pensar".
Disse que o levantamento de dados públicos, que o ministro Tarso Genro afirmou que a Casa Civil está fazendo, a pedido do TCU, "é um dossiê".
Pois que seja. Pode chamar de dossiê, levantamento ou qualquer outro nome. Isso é o que menos importa.
O que se deve distinguir é que há uma enorme diferença entre um dossiê com dados públicos e um dossiê criminoso, com dados que deveriam ser sigilosos.
A intenção da Veja e de Reinaldo Azevedo é confundir tudo e fazer crer que as duas coisas são, na verdade, uma só. É a fórmula do "testando hipóteses".
Reinaldo Azevedo, além de reacionário, é o que popularmente se chama de capacho. Aquele tipo de sujeito que faz tudo o que seu mestre mandar, sem questionamentos.
Na edição desta semana, a Veja noticiou que o Governo Federal, através da Casa Civil, preparou um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da sua esposa, Ruth Cardoso, para chantagear a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.
A Casa Civil divulgou nota negando a existência do dossiê que a Veja disse que existe. Na nota, a Casa Civil diz que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse em entrevista coletiva que a Casa Civil está realizando um levantamento de dados públicos que podem vir a ser solicitados pela CPMI dos Cartões Corporativos.
Ainda segundo o ministro, esse levantamento foi solicitado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Então foi assim: a revista se utilizou de dados públicos disponíveis no sistema e disse que se tratava de um dossiê criminoso montado pela Casa Civil.
Mas Reinaldo Azevedo não arreda o pé e afirma que o dossiê existe e que a Veja não fez nada além de noticiar a sua existência. Parece menino teimoso quando é pego na mentira. É a faca entrando e ele não admite que mentiu.
Para defender a revista, ele faz uma verdadeira patinação argumentativa. Em tom pretensamente professoral, convida o leitor, em seu blog no site da revista, a "pensar".
Disse que o levantamento de dados públicos, que o ministro Tarso Genro afirmou que a Casa Civil está fazendo, a pedido do TCU, "é um dossiê".
Pois que seja. Pode chamar de dossiê, levantamento ou qualquer outro nome. Isso é o que menos importa.
O que se deve distinguir é que há uma enorme diferença entre um dossiê com dados públicos e um dossiê criminoso, com dados que deveriam ser sigilosos.
A intenção da Veja e de Reinaldo Azevedo é confundir tudo e fazer crer que as duas coisas são, na verdade, uma só. É a fórmula do "testando hipóteses".
A obsessão de Arthur Virgílio
Arthur Virgílio, o senador tucano que teve 3% dos votos pra governador do Amazonas, tem obsessão pelo presidente Lula.
Ele agora quer porque quer que o presidente Lula divulgue os gastos sigilosos da Presidência da República com os cartões corporativos.
Mas, se são sigilosos, não podem e não devem ser divulgados, não é isso?!
Virgílio quer saber dos gastos pessoais do presidente Lula e da primeira dama, Marisa Letícia.
É um completo idiota. Além de votos, lhe faltam miolos e coisa mais interessante pra fazer.
Ele já ameaçou dar uma surra no presidente, já disse que a Amazônia estava sendo vendida pra empresas estrangeiras e já mandou o Brasil se danar.
Quando a gente pensa que o repertório de insanidades do senador sem votos acabou, ele vem e nos surpreende.
Virgílio disse que se o presidente Lula se recusar a repassar as informações sigilosas, "é porque está com medo, porque comprou até carro de luxo com o cartão."
Arthur Virgílio precisa provar sua acusação. Ninguém diz que o presidente da República comprou carro de luxo com dinheiro público sem provas e fica por isso mesmo. Ele não pode sair por aí dizendo suas sandices sem arcar com as conseqüências. O presidente Lula tem que interpelá-lo. Não sei como se faz pra processar um senador, mas que ele tem que dar explicações, isso ele tem.
O senador ficou ainda mais assanhado com a matéria da revista "Veja" desta semana, que afirma que o Governo Federal preparou um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso para pressionar a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.
A Casa Civil desmentiu a Veja e disse que não há nenhum dossiê. Em nota, a Casa Civil disse que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".
A propósito disso, o comentário de Alberto Dines no Observatório da Imprensa é interessante. Diz ele: "Ora, se a revista acusa o governo de estar preparando uma chantagem, por que razão publicou dados sigilosos e aparentemente falsos, conforme declarou a ministra Dilma Roussef? Na corrida sensacionalista, inverteram-se os papéis: ao divulgar os dados, Veja inocenta automaticamente o governo e converte-se, ela própria, em agente e beneficiária da chantagem."
Foi só o presidente Lula chamar a ministra Dilma Roussef da Casa Civil de "mãe do PAC" para a Veja aparecer com um dos seus dossiês tentando queimá-la.
Arthur Virgílio, que adora um factóide, não perdeu tempo.
Mas é isso aí. Arthur Virgílio e Veja não são a Globo, mas têm tudo a ver.
Ele agora quer porque quer que o presidente Lula divulgue os gastos sigilosos da Presidência da República com os cartões corporativos.
Mas, se são sigilosos, não podem e não devem ser divulgados, não é isso?!
Virgílio quer saber dos gastos pessoais do presidente Lula e da primeira dama, Marisa Letícia.
É um completo idiota. Além de votos, lhe faltam miolos e coisa mais interessante pra fazer.
Ele já ameaçou dar uma surra no presidente, já disse que a Amazônia estava sendo vendida pra empresas estrangeiras e já mandou o Brasil se danar.
Quando a gente pensa que o repertório de insanidades do senador sem votos acabou, ele vem e nos surpreende.
Virgílio disse que se o presidente Lula se recusar a repassar as informações sigilosas, "é porque está com medo, porque comprou até carro de luxo com o cartão."
Arthur Virgílio precisa provar sua acusação. Ninguém diz que o presidente da República comprou carro de luxo com dinheiro público sem provas e fica por isso mesmo. Ele não pode sair por aí dizendo suas sandices sem arcar com as conseqüências. O presidente Lula tem que interpelá-lo. Não sei como se faz pra processar um senador, mas que ele tem que dar explicações, isso ele tem.
O senador ficou ainda mais assanhado com a matéria da revista "Veja" desta semana, que afirma que o Governo Federal preparou um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso para pressionar a oposição na CPMI dos Cartões Corporativos.
A Casa Civil desmentiu a Veja e disse que não há nenhum dossiê. Em nota, a Casa Civil disse que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".
A propósito disso, o comentário de Alberto Dines no Observatório da Imprensa é interessante. Diz ele: "Ora, se a revista acusa o governo de estar preparando uma chantagem, por que razão publicou dados sigilosos e aparentemente falsos, conforme declarou a ministra Dilma Roussef? Na corrida sensacionalista, inverteram-se os papéis: ao divulgar os dados, Veja inocenta automaticamente o governo e converte-se, ela própria, em agente e beneficiária da chantagem."
Foi só o presidente Lula chamar a ministra Dilma Roussef da Casa Civil de "mãe do PAC" para a Veja aparecer com um dos seus dossiês tentando queimá-la.
Arthur Virgílio, que adora um factóide, não perdeu tempo.
Mas é isso aí. Arthur Virgílio e Veja não são a Globo, mas têm tudo a ver.
A direita e o lulismo
O artigo abaixo é de Fernando de Barros e Silva na Folha de hoje. Trata daquilo que ele chama de "nova direita no país", que é "um fenômeno de expressão midiática".
Esse "fenômeno" é disseminado, principalmente, pelos "falcões do colunismo" de perfil "estupidamente reacionário".
É uma peça arrasadora e com endereço certo.
Leia a íntegra do artigo:
A chegada de Lula ao poder seguida da ruína moral do petismo serviu de trampolim para impulsionar uma nova direita no país. É um fenômeno de expressão midiática, mais do que propriamente político. Está disseminado em jornais, sites, blogs, na revista. E deve sua difusão aos falcões do colunismo que se orgulha de parecer assim, estupidamente reacionário.
Mesmo que a autopropaganda seja enganosa e oculte que até ontem o conservador empedernido de hoje comia no prato da esquerda, que é só um "parvenu", um espertalhão adaptado aos tempos -ainda assim, temos aqui uma novidade.
Essa direita emergente já formou patota. Citam uns aos outros, promovem entrevistas entre si, trocam elogios despudorados. Praticam o mais desabrido compadrio, mas proclamam a meritocracia e as virtudes da impessoalidade; são boçais, mas adoram arrotar cultura.
É uma direita ruidosa e cínica, festiva e catastrofista. Serve para entreter e consolar uma elite que se diz "classe média" e vê o país como estorvo à realização de seu infinito potencial. Seus privilégios estão sempre sob ameaça e agora a clientela de Lula veio azedar de vez suas fantasias de exclusivismo social.
Invertemos a fórmula de Umberto Eco: enquanto a direita anuncia o apocalipse, os integrados, sob as asas do lulismo, são testemunhas vivas do fiasco do pensamento de esquerda neste país. Não me lembro de ter visto antes a mídia estampar com tanta clareza os passos da regressão social de que participa.
Do lado oficial, há um ambiente paragetulista de cooptação e intimidação difusas, se não avesso, certamente hostil às liberdades de expressão e de informação.
Na outra ponta, um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.
Esse "fenômeno" é disseminado, principalmente, pelos "falcões do colunismo" de perfil "estupidamente reacionário".
É uma peça arrasadora e com endereço certo.
Leia a íntegra do artigo:
A chegada de Lula ao poder seguida da ruína moral do petismo serviu de trampolim para impulsionar uma nova direita no país. É um fenômeno de expressão midiática, mais do que propriamente político. Está disseminado em jornais, sites, blogs, na revista. E deve sua difusão aos falcões do colunismo que se orgulha de parecer assim, estupidamente reacionário.
Mesmo que a autopropaganda seja enganosa e oculte que até ontem o conservador empedernido de hoje comia no prato da esquerda, que é só um "parvenu", um espertalhão adaptado aos tempos -ainda assim, temos aqui uma novidade.
Essa direita emergente já formou patota. Citam uns aos outros, promovem entrevistas entre si, trocam elogios despudorados. Praticam o mais desabrido compadrio, mas proclamam a meritocracia e as virtudes da impessoalidade; são boçais, mas adoram arrotar cultura.
É uma direita ruidosa e cínica, festiva e catastrofista. Serve para entreter e consolar uma elite que se diz "classe média" e vê o país como estorvo à realização de seu infinito potencial. Seus privilégios estão sempre sob ameaça e agora a clientela de Lula veio azedar de vez suas fantasias de exclusivismo social.
Invertemos a fórmula de Umberto Eco: enquanto a direita anuncia o apocalipse, os integrados, sob as asas do lulismo, são testemunhas vivas do fiasco do pensamento de esquerda neste país. Não me lembro de ter visto antes a mídia estampar com tanta clareza os passos da regressão social de que participa.
Do lado oficial, há um ambiente paragetulista de cooptação e intimidação difusas, se não avesso, certamente hostil às liberdades de expressão e de informação.
Na outra ponta, um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.
domingo, 23 de março de 2008
Mídia e Favela
O blog do "Fazendo Media" divulgou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, encomendada pela Cufa (Central Única das Favelas) e realizada com moradores de favelas, que mostrou que para 65,4% dos entrevistados a cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nas favelas é "sensacionalista (distorce os fatos e usa preconceitos)".
Outro dado da pesquisa revelou que 73,2% dos entrevistados afirmaram que "a imagem que a sociedade tem da favela como 'reduto de marginais' é completamente distorcida, pois a grande maioria dos favelados é gente honesta".
Marcelo Salles, editor do blog, comenta que o jornal O Globo, que publicou a pesquisa com exclusividade na edição deste domingo, distorceu e manipulou os números "conforme seus interesses político-econômicos e ideológicos".
"O dado acima, em que os entrevistados identificam a manipulação da mídia, por exemplo, simplesmente não aparecem no texto da reportagem [d'O Globo]", afirma Salles.
Para ler mais, clique aqui.
Outro dado da pesquisa revelou que 73,2% dos entrevistados afirmaram que "a imagem que a sociedade tem da favela como 'reduto de marginais' é completamente distorcida, pois a grande maioria dos favelados é gente honesta".
Marcelo Salles, editor do blog, comenta que o jornal O Globo, que publicou a pesquisa com exclusividade na edição deste domingo, distorceu e manipulou os números "conforme seus interesses político-econômicos e ideológicos".
"O dado acima, em que os entrevistados identificam a manipulação da mídia, por exemplo, simplesmente não aparecem no texto da reportagem [d'O Globo]", afirma Salles.
Para ler mais, clique aqui.
A 'Folha' contra o PAC

O Governo Federal vai investir R$ 2,5 bilhões em obras de saneamento, urbanização de favelas e construção de moradias para a população de baixa renda em 2008. Obras essas que vão melhorar a qualidade de vida de milhões de brasileiros.
A "Folha de São Paulo" é contra as obras porque elas têm "potencial para influenciar o eleitor".
Num primeiro momento, o leitor tem a impressão que o zelo da Folha é em relação às eleições deste ano. O jornal estaria preocupado com a igualdade de condições da disputa de outubro próximo.
Mas, na verdade, a Folha deixa escapar mais adiante que sua preocupação (ou temor?) é mesmo com 2010, quando haverá eleição para presidente da República.
O jornal afirma que todos os grandes centros urbanos, "nos quais o resultado da disputa [das eleições para prefeito] tem mais peso nas negociações para a sucessão presidencial em 2010", foram incluídos na lista de obras prioritárias do PAC.
No total, o Governo Federal, através de um decreto do presidente Lula, elencou 1.771 obras prioritárias em mais de mil municípios - na maioria, cidades pequenas e, portanto, com reduzido impacto eleitoral.
A manchete da Folha, porém, afirma que são apenas 158 cidades privilegiadas e destaca, na matéria, os grandes centros urbanos que foram contemplados, como Fortaleza e Salvador.
O jornal sublinha que dos "10 municípios mais beneficiados, 7 têm prefeitos de partidos aliados ao Planalto." O governo, dessa forma, estaria jogando a favor dos aliados.
Mesmo admitindo que a maior parte dos recursos vai para cidades governadas pela oposição, como São Paulo e Rio de Janeiro, cujos prefeitos são do oposicionista DEM, o jornal diz que são cidades que têm importância "nas estratégias de votos das eleições de 2010."
A Folha afirma que o governo "driblou" a legislação eleitoral, que proíbe "repasses de recursos federais para obras novas [grifo meu] nos três meses que antecedem a escolha dos prefeitos".
Note que a própria Folha afirma que legislação proíbe repasses para obras novas.
Mais abaixo, o jornal cai em contradição ao dizer que as obras listadas como prioritárias pelo Governo Federal já estavam contratadas:
"O Ministério das Cidades listou 158 municípios com obras contratadas [grifo meu] de habitação, de urbanização de favelas, de abastecimento de água e de esgotamento sanitário."
Afinal, se as obras já estavam contratadas, como admite o jornal, cadê o problema?
A quem interessa essa tentativa de impedir a realização dessas obras, essenciais para milhões de pessoas, associando-as apenas à disputa eleitoral?
A "Folha de São Paulo" é contra as obras porque elas têm "potencial para influenciar o eleitor".
Num primeiro momento, o leitor tem a impressão que o zelo da Folha é em relação às eleições deste ano. O jornal estaria preocupado com a igualdade de condições da disputa de outubro próximo.
Mas, na verdade, a Folha deixa escapar mais adiante que sua preocupação (ou temor?) é mesmo com 2010, quando haverá eleição para presidente da República.
O jornal afirma que todos os grandes centros urbanos, "nos quais o resultado da disputa [das eleições para prefeito] tem mais peso nas negociações para a sucessão presidencial em 2010", foram incluídos na lista de obras prioritárias do PAC.
No total, o Governo Federal, através de um decreto do presidente Lula, elencou 1.771 obras prioritárias em mais de mil municípios - na maioria, cidades pequenas e, portanto, com reduzido impacto eleitoral.
A manchete da Folha, porém, afirma que são apenas 158 cidades privilegiadas e destaca, na matéria, os grandes centros urbanos que foram contemplados, como Fortaleza e Salvador.
O jornal sublinha que dos "10 municípios mais beneficiados, 7 têm prefeitos de partidos aliados ao Planalto." O governo, dessa forma, estaria jogando a favor dos aliados.
Mesmo admitindo que a maior parte dos recursos vai para cidades governadas pela oposição, como São Paulo e Rio de Janeiro, cujos prefeitos são do oposicionista DEM, o jornal diz que são cidades que têm importância "nas estratégias de votos das eleições de 2010."
A Folha afirma que o governo "driblou" a legislação eleitoral, que proíbe "repasses de recursos federais para obras novas [grifo meu] nos três meses que antecedem a escolha dos prefeitos".
Note que a própria Folha afirma que legislação proíbe repasses para obras novas.
Mais abaixo, o jornal cai em contradição ao dizer que as obras listadas como prioritárias pelo Governo Federal já estavam contratadas:
"O Ministério das Cidades listou 158 municípios com obras contratadas [grifo meu] de habitação, de urbanização de favelas, de abastecimento de água e de esgotamento sanitário."
Afinal, se as obras já estavam contratadas, como admite o jornal, cadê o problema?
A quem interessa essa tentativa de impedir a realização dessas obras, essenciais para milhões de pessoas, associando-as apenas à disputa eleitoral?
O novo factóide
Veja fabrica dossiê e diz que foi governo quem o fez
Do Portal "Vermelho"
A revista Veja soltou em sua edição deste final de semana mais uma de suas "criativas" reportagens, que trazem documentos obtidos de fonte não revelada e que a revista diz, sem apresentar uma mísera prova, ter sido o governo quem preparou. Com a "denúncia" a revista tenta alcançar três objetivos: transformar a corrupção do governo FHC em mera chantagem petista; forçar a CPI dos Cartões a entregar para a imprensa os dados sigilosos da Presidência da República e desgastar a imagem da ministra Dilma Roussef, da Casa Civil.
A revista, famosa por inventar reportagens inverídicas e trabalhar com documentos de origem duvidosa, alega que teve acesso a um suposto dossiê que teria sido preparado pelo governo para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. O suposto dossiê traz informações sobre os gastos com suprimento de fundos durante o governo Fernando Henrique. Cita gastos com caviar, champagne, viagens e outras futilidades que são citadas apenas para escamotear o real objetivo da reportagem: acusar o governo Lula de chantagista.
Como costuma fazer quando o assunto é delicado e pode comprometer a revista, já que as "acusações" carecem de qualquer tipo de prova, a Veja deu apenas uma singela chamada no topo da capa para a reportagem. A capa mesmo foi dedicada a outro assunto --o desmatamento da Amazônia-- que a revista menospreza mas resolveu tratar para defender os interesses empresariais que rondam a floresta.
Já sobre o suposto dossiê, a revista diz com todas as letras que o documento ao qual teve acesso foi "construído dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia de intimidação". Mas não apresenta nenhuma mísera prova ou indício para sustentar estas afirmações.
A revista também mente ao dizer que foi esta suposta intimidação que permitiu a divisão de cargos na CPI, com o PT ficando com a relatoria e o PSDB com a presidência. Além de não ter lógica ---afinal para que o governo cederia um posto à oposição se tinha informações para atacá-la durante a CPI? --- a hipóstese de Veja também esbarra num elemento que no jornalismo sério é fundamental, mas na Veja faz tempo que não é levado em conta: o fato. E o fato concreto é que a negociação dos postos na CPI dos Cartões foi amplamente discutida no Congresso e só permitiu que o PSDB ocupasse a presidência da comissão graças à atuação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
A maior parte das informações "reveladas" por Veja sobre os gastos da gestão FHC já foram divulgadas em outros veículos de comunicação nas últimas semanas. O suposto dossiê pode, portanto, ter sido uma invenção da própria revista com dados colhidos na imprensa, no Portal da Transparência e até mesmo com funcionários do governo que tiveram acesso a estas informações. A Veja sabe, de experiência própria, que informações podem ser compradas. O dossiê, se é que existe, pode ainda ser obra de pessoas interessadas em desgastar o governo.
Infelizmente, a revista usa a legislação que protege suas fontes para esconder quem "vazou" as tais informações que a Veja alega ser um dossiê preparado pelo governo. Esta informação poderia ajudar o Ministério Público a descobrir se houve realmente intenção de chantagear a oposição.
Os dados não batem
Em nota, a Casa Civil disse hoje que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".
O sistema foi criado por orientação do TCU (Tribunal de Contas da União) para que fossem estabelecidos mecanismos que dessem maior transparência ao acompanhamento dos gastos.
O Suprim começou a ser alimentado em 2005. O processo de alimentação retroagiu para 2004 e 2003 e agora estariam sendo digitalizados os documentos dos três anos citados na reportagem da Veja.
A Casa Civil também contesta os valores de gastos apresentados pela revista: "Nos três anos referidos pela matéria, o gasto médio anual em suprimento de fundos da Presidência da República não ultrapassa a R$ 3,6 milhões de reais em valores nominais."
Leia mais aqui.
Do Portal "Vermelho"
A revista Veja soltou em sua edição deste final de semana mais uma de suas "criativas" reportagens, que trazem documentos obtidos de fonte não revelada e que a revista diz, sem apresentar uma mísera prova, ter sido o governo quem preparou. Com a "denúncia" a revista tenta alcançar três objetivos: transformar a corrupção do governo FHC em mera chantagem petista; forçar a CPI dos Cartões a entregar para a imprensa os dados sigilosos da Presidência da República e desgastar a imagem da ministra Dilma Roussef, da Casa Civil.
A revista, famosa por inventar reportagens inverídicas e trabalhar com documentos de origem duvidosa, alega que teve acesso a um suposto dossiê que teria sido preparado pelo governo para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. O suposto dossiê traz informações sobre os gastos com suprimento de fundos durante o governo Fernando Henrique. Cita gastos com caviar, champagne, viagens e outras futilidades que são citadas apenas para escamotear o real objetivo da reportagem: acusar o governo Lula de chantagista.
Como costuma fazer quando o assunto é delicado e pode comprometer a revista, já que as "acusações" carecem de qualquer tipo de prova, a Veja deu apenas uma singela chamada no topo da capa para a reportagem. A capa mesmo foi dedicada a outro assunto --o desmatamento da Amazônia-- que a revista menospreza mas resolveu tratar para defender os interesses empresariais que rondam a floresta.
Já sobre o suposto dossiê, a revista diz com todas as letras que o documento ao qual teve acesso foi "construído dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia de intimidação". Mas não apresenta nenhuma mísera prova ou indício para sustentar estas afirmações.
A revista também mente ao dizer que foi esta suposta intimidação que permitiu a divisão de cargos na CPI, com o PT ficando com a relatoria e o PSDB com a presidência. Além de não ter lógica ---afinal para que o governo cederia um posto à oposição se tinha informações para atacá-la durante a CPI? --- a hipóstese de Veja também esbarra num elemento que no jornalismo sério é fundamental, mas na Veja faz tempo que não é levado em conta: o fato. E o fato concreto é que a negociação dos postos na CPI dos Cartões foi amplamente discutida no Congresso e só permitiu que o PSDB ocupasse a presidência da comissão graças à atuação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
A maior parte das informações "reveladas" por Veja sobre os gastos da gestão FHC já foram divulgadas em outros veículos de comunicação nas últimas semanas. O suposto dossiê pode, portanto, ter sido uma invenção da própria revista com dados colhidos na imprensa, no Portal da Transparência e até mesmo com funcionários do governo que tiveram acesso a estas informações. A Veja sabe, de experiência própria, que informações podem ser compradas. O dossiê, se é que existe, pode ainda ser obra de pessoas interessadas em desgastar o governo.
Infelizmente, a revista usa a legislação que protege suas fontes para esconder quem "vazou" as tais informações que a Veja alega ser um dossiê preparado pelo governo. Esta informação poderia ajudar o Ministério Público a descobrir se houve realmente intenção de chantagear a oposição.
Os dados não batem
Em nota, a Casa Civil disse hoje que "o que a revista apresenta são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".
O sistema foi criado por orientação do TCU (Tribunal de Contas da União) para que fossem estabelecidos mecanismos que dessem maior transparência ao acompanhamento dos gastos.
O Suprim começou a ser alimentado em 2005. O processo de alimentação retroagiu para 2004 e 2003 e agora estariam sendo digitalizados os documentos dos três anos citados na reportagem da Veja.
A Casa Civil também contesta os valores de gastos apresentados pela revista: "Nos três anos referidos pela matéria, o gasto médio anual em suprimento de fundos da Presidência da República não ultrapassa a R$ 3,6 milhões de reais em valores nominais."
Leia mais aqui.
sábado, 22 de março de 2008
José Serra
O PRESIDENTE ELEITO
Num dos posts aí abaixo eu comentei que o Partido das Organizações Globo já está em ação com vistas às eleições deste ano e de 2010.
Tava lendo o Blog do Mello hoje e me deparei com esta nota: "Ato falho de Cristiana Lobo mostra que Globo já elegeu Serra".
Cristina Lobo se referiu ao atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), como futuro presidente da República num programa da Globonews.
A jornalista é uma das "Meninas do Jô", aquela patotinha que se reúne com o dito apresentador para dar palpites sobre política e o que mais der na telha.
O Mello diz que o "ato falho" de Cristina Lobo "mostra aos descrentes que a mídia toma partido, sim, tem partido, sim, é contra o governo, sim, e é tucana e serrista."
Num dos posts aí abaixo eu comentei que o Partido das Organizações Globo já está em ação com vistas às eleições deste ano e de 2010.
Tava lendo o Blog do Mello hoje e me deparei com esta nota: "Ato falho de Cristiana Lobo mostra que Globo já elegeu Serra".
Cristina Lobo se referiu ao atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), como futuro presidente da República num programa da Globonews.
A jornalista é uma das "Meninas do Jô", aquela patotinha que se reúne com o dito apresentador para dar palpites sobre política e o que mais der na telha.
O Mello diz que o "ato falho" de Cristina Lobo "mostra aos descrentes que a mídia toma partido, sim, tem partido, sim, é contra o governo, sim, e é tucana e serrista."
Jornalismo Engajado
O bonapartismo de araque e a lei da selva
Por Alberto Dines no Observatório da Imprensa:
O Observatório da Imprensa não é um tribunal, é um fórum, e este observador não se considera juiz nem emite sentenças. Opina em um site pluralista que funciona ininterruptamente há 12 anos.
Ao longo destes anos, é fácil constatar que este observador considera o jornalismo dito "engajado" – à direita ou à esquerda – como mau jornalismo, porque contraria todos os compromissos da imprensa com a sociedade: confunde a busca da verdade com um bonapartismo de araque e troca o esclarecimento pelo justiçamento sumário. O idealismo inerente à "última profissão romântica" não pode conviver com o paredón e o linchamento.
Quando o engajamento jornalístico manifesta-se em cruzadas contra ou a favor de interesses comerciais, corre o risco de ser avaliado como jogada comercial. Neste caso, a discussão deixa a esfera da qualidade profissional para ingressar inevitavelmente no campo moral.
Quando o UOL "demitiu" este Observatório da Imprensa do seu portal no ano 2000, respondia à acusação de que a grande mídia antecipava-se à emenda constitucional que permitiria a participação do capital estrangeiro em empresas de comunicação.
Para ilustrar a denúncia, foi citado o caso da Folha, que abriu o capital da sua subsidiária gráfica para um parceiro americano antes da legalização deste tipo de associação. Como o contrato com o UOL venceria proximamente, o Observatório foi avisado de que o compromisso não seria renovado. Houve tempo, portanto, para que fosse escolhido outro provedor. O aviso prévio não é apenas uma conquista trabalhista, é uma norma comercial capaz de impedir a universalização da lei da selva.
Por Alberto Dines no Observatório da Imprensa:
O Observatório da Imprensa não é um tribunal, é um fórum, e este observador não se considera juiz nem emite sentenças. Opina em um site pluralista que funciona ininterruptamente há 12 anos.
Ao longo destes anos, é fácil constatar que este observador considera o jornalismo dito "engajado" – à direita ou à esquerda – como mau jornalismo, porque contraria todos os compromissos da imprensa com a sociedade: confunde a busca da verdade com um bonapartismo de araque e troca o esclarecimento pelo justiçamento sumário. O idealismo inerente à "última profissão romântica" não pode conviver com o paredón e o linchamento.
Quando o engajamento jornalístico manifesta-se em cruzadas contra ou a favor de interesses comerciais, corre o risco de ser avaliado como jogada comercial. Neste caso, a discussão deixa a esfera da qualidade profissional para ingressar inevitavelmente no campo moral.
Quando o UOL "demitiu" este Observatório da Imprensa do seu portal no ano 2000, respondia à acusação de que a grande mídia antecipava-se à emenda constitucional que permitiria a participação do capital estrangeiro em empresas de comunicação.
Para ilustrar a denúncia, foi citado o caso da Folha, que abriu o capital da sua subsidiária gráfica para um parceiro americano antes da legalização deste tipo de associação. Como o contrato com o UOL venceria proximamente, o Observatório foi avisado de que o compromisso não seria renovado. Houve tempo, portanto, para que fosse escolhido outro provedor. O aviso prévio não é apenas uma conquista trabalhista, é uma norma comercial capaz de impedir a universalização da lei da selva.
Negócio Suspenso
Mônica Bergamo informa em sua coluna na Folha que as negociações da venda da Brasil Telecom para a Oi do banqueiro Daniel Dantas estão suspensas "por tempo indeterminado".
A Brasil Telecom é dona do portal IG, que demitiu o jornalista Paulo Henrique Amorim por fax e tirou o blog do "Conversa Afiada" do ar sem dar nenhuma explicação aos leitores.
PHA, ainda no IG, era um crítico voraz da operação. Tudo leva a crer que sua demissão abrupta tenha sido motivada pelas críticas à negociação e ao banqueiro Daniel Dantas.
Leia a nota completa de Mônica Bergamo:
Ao menos uma das partes envolvidas na negociação da venda da Brasil Telecom para a Oi considerou ontem as negociações suspensas "por tempo indeterminado", conforme informou à coluna. Os impasses até agora não solucionados irritam os acionistas da Oi, que deram prazo até a quarta-feira para que os donos da Brasil Telecom superassem brigas internas e fechassem o negócio.
A Brasil Telecom é dona do portal IG, que demitiu o jornalista Paulo Henrique Amorim por fax e tirou o blog do "Conversa Afiada" do ar sem dar nenhuma explicação aos leitores.
PHA, ainda no IG, era um crítico voraz da operação. Tudo leva a crer que sua demissão abrupta tenha sido motivada pelas críticas à negociação e ao banqueiro Daniel Dantas.
Leia a nota completa de Mônica Bergamo:
Ao menos uma das partes envolvidas na negociação da venda da Brasil Telecom para a Oi considerou ontem as negociações suspensas "por tempo indeterminado", conforme informou à coluna. Os impasses até agora não solucionados irritam os acionistas da Oi, que deram prazo até a quarta-feira para que os donos da Brasil Telecom superassem brigas internas e fechassem o negócio.
O sertão vai virar mar
Manchete do site jornal O Estado de São Paulo: "Paraíba decreta estado de emergência por causa das chuvas".
Desde domingo chove forte na Paraíba e as principais cidades atingidas são Cabaceiras e Boqueirão.
O governador Cássio Cunha Lima (PSDB) disse que vai decretar estado de emergência.
As chuvas já provocaram a morte de cinco pessoas e deixaram 24 famílias desabrigadas no Estado vizinho.
Leia mais aqui.
Desde domingo chove forte na Paraíba e as principais cidades atingidas são Cabaceiras e Boqueirão.
O governador Cássio Cunha Lima (PSDB) disse que vai decretar estado de emergência.
As chuvas já provocaram a morte de cinco pessoas e deixaram 24 famílias desabrigadas no Estado vizinho.
Leia mais aqui.
A heroína do Brasil
E por falar em rodar a bolsinha, a prostituta que derrubou o governador de Nova York, Eliot Spitzer, chegou hoje ao Brasil.
Andréia Schwartz pretende escrever um livro contando sua versão sobre o escândalo sexual que levou à renúncia de Eliot Spitzer, acusado de pagar prostitutas de luxo com dinheiro público.
À Folha, por celular, um amigo da prostitura declarou: "Ela é uma heroína no Brasil."
Meu Deus, que país é esse?!
Um ministro que diz que já rodou a bolsinha e uma prostituta que é heroína.
Andréia Schwartz pretende escrever um livro contando sua versão sobre o escândalo sexual que levou à renúncia de Eliot Spitzer, acusado de pagar prostitutas de luxo com dinheiro público.
À Folha, por celular, um amigo da prostitura declarou: "Ela é uma heroína no Brasil."
Meu Deus, que país é esse?!
Um ministro que diz que já rodou a bolsinha e uma prostituta que é heroína.
Nelson Jobim
Ministro diz nos EUA que já rodou "bolsinha por muita rua"
O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, saiu daquele costumeiro tom de seriedade que lhe é peculiar e virou motivo de piada. Ele disse nos EUA, falando a uma platéia formada por acadêmicos, militares e jornalistas no CSIS (um centro de estudos estratégicos internacionais), segundo informa a Folha, que já rodou "bolsinha por muita rua".
O ministro respondia se pretendia ser candidato à Presidência da República em 2010, como sempre se especula aqui no Brasil.
Antes de ser nomeado ministro da Defesa pelo presidente Lula, Nelson Jobim foi presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministro da Justiça do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Estaria o ministro, ao dizer que rodou "bolsinha por muita rua", comparando os governos FHC e Lula às esquinas e ruas de prostituição das cidades brasileiras?
Eita, eita... Que Brasília é uma grande cabaré, a gente já sabia. Mais daí o nosso ministro se comprar a uma puta de beira de rua, isso ninguém esperava.
O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, saiu daquele costumeiro tom de seriedade que lhe é peculiar e virou motivo de piada. Ele disse nos EUA, falando a uma platéia formada por acadêmicos, militares e jornalistas no CSIS (um centro de estudos estratégicos internacionais), segundo informa a Folha, que já rodou "bolsinha por muita rua".
O ministro respondia se pretendia ser candidato à Presidência da República em 2010, como sempre se especula aqui no Brasil.
Antes de ser nomeado ministro da Defesa pelo presidente Lula, Nelson Jobim foi presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministro da Justiça do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Estaria o ministro, ao dizer que rodou "bolsinha por muita rua", comparando os governos FHC e Lula às esquinas e ruas de prostituição das cidades brasileiras?
Eita, eita... Que Brasília é uma grande cabaré, a gente já sabia. Mais daí o nosso ministro se comprar a uma puta de beira de rua, isso ninguém esperava.
Epidemia de dengue no RJ
A responsabilidade da mídia
Por falar em Rio de Janeiro, tem um artigo de Gustavo Barreto no "Fazendo Média" tratando da parcela de culpa da mídia na epidemia de dengue que assola a cidade.
Gustavo diz que o prefeito César Maia ignorou o alerta dado por um órgão ligado à própria Prefeitura do Rio de Janeiro, com a tarefa de fiscalizar as contas municipais, de que a dengue estava voltando com força.
O alerta também foi dado pelo Ministério da Saúde e denunciado pela mídia alternativa e setores organizados da sociedade civil. O prefeito continuou ignorando o perigo real e a grande mídia só começou a falar no problema quando a epidmeia já estava configurada. Assim mesmo, limitando-se a atualizar o placar de casos confirmados e de mortes por dengue.
A imprensa pauta os assuntos que ela quer e quando ela quer, da maneira que lhe é mais conveniente. Para Gustavo, o problema da dengue no Rio de Janeiro é um exemplo de como a grande mídia está desconectada da vida real e não contribui para o esclarecimento da população. Pelo contrário, ao invés de informar, dissemina o pânico.
Gustavo também denuncia que a Secretaria de Saúde do município do Rio de Janeiro não executou ou desviou para outras áreas os recursos que deveriam ir para o controle de vetores – incluindo o mosquito da dengue.
Leia o artigo completo aqui.
Por falar em Rio de Janeiro, tem um artigo de Gustavo Barreto no "Fazendo Média" tratando da parcela de culpa da mídia na epidemia de dengue que assola a cidade.
Gustavo diz que o prefeito César Maia ignorou o alerta dado por um órgão ligado à própria Prefeitura do Rio de Janeiro, com a tarefa de fiscalizar as contas municipais, de que a dengue estava voltando com força.
O alerta também foi dado pelo Ministério da Saúde e denunciado pela mídia alternativa e setores organizados da sociedade civil. O prefeito continuou ignorando o perigo real e a grande mídia só começou a falar no problema quando a epidmeia já estava configurada. Assim mesmo, limitando-se a atualizar o placar de casos confirmados e de mortes por dengue.
A imprensa pauta os assuntos que ela quer e quando ela quer, da maneira que lhe é mais conveniente. Para Gustavo, o problema da dengue no Rio de Janeiro é um exemplo de como a grande mídia está desconectada da vida real e não contribui para o esclarecimento da população. Pelo contrário, ao invés de informar, dissemina o pânico.
Gustavo também denuncia que a Secretaria de Saúde do município do Rio de Janeiro não executou ou desviou para outras áreas os recursos que deveriam ir para o controle de vetores – incluindo o mosquito da dengue.
Leia o artigo completo aqui.
(Des)Encontro com a Notícia
Hoje resolvi exercitar o meu lado masoquista assistindo o "Encontro com a Notícia", na TV Tropical do senador José Agripino do DEM.
Não aguentei mais que o primeiro bloco. Aquilo lá tá cada dia pior. Incrível como eles conseguem se superar.
Quando Casciano Vidal, apresentador do programa, elencou as notícias mais importantes da semana (na opinião dele, claro) e passou a bola para a jornalista Ana Carla Queiroz (?) comentá-las, eu pensei: "lá vem merda".
Prestem atenção no show que a moça deu:
Ana Carla Queiroz sobre o aumento da violência contra os jovens: "alarmante, preocupante, muito sério, a culpa é das drogas".
Ana Carla Queiroz sobre a epidemia de dengue na cidade do Rio de Janeiro: "a culpa não é só do governo, as pessoas também têm culpa".
Ela não disse que o prefeito da cidade é César Maia, coincidentemente do mesmo partido do patrão dela, o senador José Agripino.
Essa moça é uma comentarista de mão cheia. Deveria estar no Manhattan Connection.
Não aguentei mais que o primeiro bloco. Aquilo lá tá cada dia pior. Incrível como eles conseguem se superar.
Quando Casciano Vidal, apresentador do programa, elencou as notícias mais importantes da semana (na opinião dele, claro) e passou a bola para a jornalista Ana Carla Queiroz (?) comentá-las, eu pensei: "lá vem merda".
Prestem atenção no show que a moça deu:
Ana Carla Queiroz sobre o aumento da violência contra os jovens: "alarmante, preocupante, muito sério, a culpa é das drogas".
Ana Carla Queiroz sobre a epidemia de dengue na cidade do Rio de Janeiro: "a culpa não é só do governo, as pessoas também têm culpa".
Ela não disse que o prefeito da cidade é César Maia, coincidentemente do mesmo partido do patrão dela, o senador José Agripino.
Essa moça é uma comentarista de mão cheia. Deveria estar no Manhattan Connection.
Iraque
Bush chama "guerra" de sucesso
O presidente americano George W. Bush declarou que a "guerra" no Iraque é um "sucesso".
Diogo Mainardi concordou com ele.
Nós conhecemos o pretexto utilizado pelos EUA para invadir o Iraque - a mentira de que o país tinha armas de destruição em massa.
A Reuters produziu um documentário sobre os cinco anos da invasão.
As imagens são fortes.
Clique aqui e confira o que Bush chama de sucesso.
O presidente americano George W. Bush declarou que a "guerra" no Iraque é um "sucesso".
Diogo Mainardi concordou com ele.
Nós conhecemos o pretexto utilizado pelos EUA para invadir o Iraque - a mentira de que o país tinha armas de destruição em massa.
A Reuters produziu um documentário sobre os cinco anos da invasão.
As imagens são fortes.
Clique aqui e confira o que Bush chama de sucesso.
Crise nos EUA
O que está havendo com os liberais?
Um aspecto interessante da crise financeira que assola os Estados Unidos, a mais violenta desde o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, é como o país símbolo do liberalismo econômico está fazendo justamente o contrário do que prega a doutrina liberal.
As instituições financeiras estão quebrando e correndo para pedir ajuda governamental, ou seja, ajuda do Estado.
"Estamos diante de um grande paradoxo. Os países e bancos que se apresentavam -e eram aceitos- como modelos de governança estão hoje na lona", diz o economista e diretor-executivo do FMI, Paulo Nogueira Batista, em artigo na Folha de São Paulo.
O portal Uol noticia que o Governo Bush estuda uma "intervenção radical" para socorrer os donos de imóveis que não conseguem pagar suas hipotecas.
O Governo avalia a idéia de assegurar de 80% a 85% do empréstimo aos donos de imóveis em dificuldades.
"Esta semana, o Governo Bush, em outro passo intervencionista na crise dos mercados financeiros causada pelas hipotecas de alto risco, autorizou injeções de até US$ 200 bilhões no mercado", informa o portal.
É a reivenção do liberalismo econômico histórico.
Um aspecto interessante da crise financeira que assola os Estados Unidos, a mais violenta desde o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, é como o país símbolo do liberalismo econômico está fazendo justamente o contrário do que prega a doutrina liberal.
As instituições financeiras estão quebrando e correndo para pedir ajuda governamental, ou seja, ajuda do Estado.
"Estamos diante de um grande paradoxo. Os países e bancos que se apresentavam -e eram aceitos- como modelos de governança estão hoje na lona", diz o economista e diretor-executivo do FMI, Paulo Nogueira Batista, em artigo na Folha de São Paulo.
O portal Uol noticia que o Governo Bush estuda uma "intervenção radical" para socorrer os donos de imóveis que não conseguem pagar suas hipotecas.
O Governo avalia a idéia de assegurar de 80% a 85% do empréstimo aos donos de imóveis em dificuldades.
"Esta semana, o Governo Bush, em outro passo intervencionista na crise dos mercados financeiros causada pelas hipotecas de alto risco, autorizou injeções de até US$ 200 bilhões no mercado", informa o portal.
É a reivenção do liberalismo econômico histórico.
sexta-feira, 21 de março de 2008
"VEJA" TAMBÉM FAZ CAMPANHA
Mas não são só as Organizações Globo que já estão em campanha.
A Veja também entrou no jogo.
Na "Radar On-line", no site da revista, Lauro Jardim ataca a ministra do Turismo e provável candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy.
"Marta "relaxou" no vôo 455 para Paris" é o título da nota no blog. Trata de um episódio que teria acontecido na terça-feira passada envolvendo a ministra e seu marido, Luis Favre, durante um vôo para Paris.
Marta e seu marido, segundo conta Lauro Jardim, não passaram pela revista de bagagem de mão feita por raios X, o que teria causado a "revolta" dos demais passageiros do vôo.
Ainda segundo Lauro Jardim, o comandante do vôo disse à segurança que só decolaria quando todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X.
'Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram" ', escreveu Jardim em tom de deboche.
A tática da "Veja", nas matérias e notas de coluna, é reforçar o preconceito contra Marta, mostrando-a como perua e antipática.
A revista usou e abusou disso em 2004, quando a ex-prefeita disputou a reeleição contra o tucano José Serra e perdeu no segundo turno.
Tudo que "Veja" não quer é que Marta volte a governar a cidade de São Paulo.
A Veja também entrou no jogo.
Na "Radar On-line", no site da revista, Lauro Jardim ataca a ministra do Turismo e provável candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy.
"Marta "relaxou" no vôo 455 para Paris" é o título da nota no blog. Trata de um episódio que teria acontecido na terça-feira passada envolvendo a ministra e seu marido, Luis Favre, durante um vôo para Paris.
Marta e seu marido, segundo conta Lauro Jardim, não passaram pela revista de bagagem de mão feita por raios X, o que teria causado a "revolta" dos demais passageiros do vôo.
Ainda segundo Lauro Jardim, o comandante do vôo disse à segurança que só decolaria quando todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X.
'Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram" ', escreveu Jardim em tom de deboche.
A tática da "Veja", nas matérias e notas de coluna, é reforçar o preconceito contra Marta, mostrando-a como perua e antipática.
A revista usou e abusou disso em 2004, quando a ex-prefeita disputou a reeleição contra o tucano José Serra e perdeu no segundo turno.
Tudo que "Veja" não quer é que Marta volte a governar a cidade de São Paulo.
A GLOBO EM CAMPANHA
No post abaixo, reproduzido do "Comunique-se", ficamos sabendo que 62% dos deputados federais admitem que são influenciados pela mídia na hora de votar.
A maioria dos deputados (62%) é mais influenciada pelos telejornais. Para 60,6% destes, o jornal preferido é o "Jornal Nacional" da Globo.
A pesquisa comprova o que afirma o jornalista Luiz Carlos Azenha. Para ele, governo e oposição já estão em campanha e o principal partido da oposição é o Partido das Organizações Globo (POG).
Azenha diz que a Globo vem fazendo um esforço concentrado, desde o Jornal Nacional até as novelas da emissora, passando ainda pelo jornal O Globo e pelo portal Globo.com, tentando pautar as discussões nacionais visando, num primeiro momento, as eleições deste ano e, posteriormente, as eleições de 2010.
Para saber mais sobre como age o Partido das Organizações Globo, clique aqui.
A maioria dos deputados (62%) é mais influenciada pelos telejornais. Para 60,6% destes, o jornal preferido é o "Jornal Nacional" da Globo.
A pesquisa comprova o que afirma o jornalista Luiz Carlos Azenha. Para ele, governo e oposição já estão em campanha e o principal partido da oposição é o Partido das Organizações Globo (POG).
Azenha diz que a Globo vem fazendo um esforço concentrado, desde o Jornal Nacional até as novelas da emissora, passando ainda pelo jornal O Globo e pelo portal Globo.com, tentando pautar as discussões nacionais visando, num primeiro momento, as eleições deste ano e, posteriormente, as eleições de 2010.
Para saber mais sobre como age o Partido das Organizações Globo, clique aqui.
Deu no "Comunique-se"
Mídia influencia mais da metade dos deputados federais, diz pesquisa
"Uma pesquisa da agência FSB Comunicações revela que mais da metade (62%) dos deputados federais entrevistados (246) deu nota acima de cinco, numa escala de 0 a 10, para a influência que a mídia tem em suas decisões e votos.
O estudo “Deputados Federais, Mídia e Conjuntura Política”, realizado entre 04 e 19/12/07, utilizou uma amostra representativa de 48% dos parlamentares da Casa.
A pesquisa aponta ainda que o meio jornal é o mais utilizado pelos deputados federais. Mais de noventa e seis por cento (96,3%) deles lêem jornal todos os dias. O preferido é a Folha de S.Paulo (84,7%), seguido de O Globo (48,6%), Estadão (32,9%) e Correio Braziliense (32,1%).
As revistas estão na consulta diária de 87,8% dos parlamentares. Veja é a mais lida, com 78%, seguida da IstoÉ (52,8%), Época (40,2%) e CartaCapital (25,2%).
Telejornais estão na preferência de 62,2% dos parlamentares, diariamente. Os mais assistidos são: Jornal Nacional (60,6%), seguido do Jornal da Globo (39,4%), Jornal da Record (29,3%) e Jornal das Dez, do SBT (27,2%).
Sites e blogs são consultados todos os dias por 47,2% dos deputados federais, com a maior audiência para o Blog do Noblat (24,4%), seguido do UOL (22,4%), Portal Terra (9,8%) e Josias de Souza (9,3%).
O meio rádio está equiparado com a Internet, com 47,2% da audiência diária dos parlamentares. A CBN está na frente (63,8%), seguida da Band News FM (20,3%), Câmara (15,4%) e Jovem Pan (8,9%)."
"Uma pesquisa da agência FSB Comunicações revela que mais da metade (62%) dos deputados federais entrevistados (246) deu nota acima de cinco, numa escala de 0 a 10, para a influência que a mídia tem em suas decisões e votos.
O estudo “Deputados Federais, Mídia e Conjuntura Política”, realizado entre 04 e 19/12/07, utilizou uma amostra representativa de 48% dos parlamentares da Casa.
A pesquisa aponta ainda que o meio jornal é o mais utilizado pelos deputados federais. Mais de noventa e seis por cento (96,3%) deles lêem jornal todos os dias. O preferido é a Folha de S.Paulo (84,7%), seguido de O Globo (48,6%), Estadão (32,9%) e Correio Braziliense (32,1%).
As revistas estão na consulta diária de 87,8% dos parlamentares. Veja é a mais lida, com 78%, seguida da IstoÉ (52,8%), Época (40,2%) e CartaCapital (25,2%).
Telejornais estão na preferência de 62,2% dos parlamentares, diariamente. Os mais assistidos são: Jornal Nacional (60,6%), seguido do Jornal da Globo (39,4%), Jornal da Record (29,3%) e Jornal das Dez, do SBT (27,2%).
Sites e blogs são consultados todos os dias por 47,2% dos deputados federais, com a maior audiência para o Blog do Noblat (24,4%), seguido do UOL (22,4%), Portal Terra (9,8%) e Josias de Souza (9,3%).
O meio rádio está equiparado com a Internet, com 47,2% da audiência diária dos parlamentares. A CBN está na frente (63,8%), seguida da Band News FM (20,3%), Câmara (15,4%) e Jovem Pan (8,9%)."
Aconteceu no "Aqui Agora"
Baixaria nos bastidores
No programa notabilizado pela espetacularização da notícia, um dos seus apresentadores protagonizou uma cena no melhor estilo sensacionalista. Nem Kafka explica.
O jornalista potiguar Herbert de Souza, um dos âncoras do telejornal "Aqui Agora" do SBT, se desentendeu com um produtor do programa e o agrediu com um soco.
O acontecido deu-se ontem à noite. O nome do produtor agredido é Marcos Coimbra. A confusão rolou nos bastidores, enquanto uma matéria era exibida no vídeo.
Albino Castro, diretor do programa, mandou que Herbert se retirasse dos estúdios e, quando terminou o telejornal, o demitiu.
Herbert de Souza fez parte da equipe da primeira versão do "Aqui Agora", no início da década de 1990, quando o estilo "mundo-cão" fez sucesso na televisão brasileira.
O jornalista apresentava um programa policial na "Sim TV!", afiliada local da "Rede TV!" - haja exclamação! -, quando foi convidado para voltar ao ressuscitado "Aqui Agora".
No programa notabilizado pela espetacularização da notícia, um dos seus apresentadores protagonizou uma cena no melhor estilo sensacionalista. Nem Kafka explica.
O jornalista potiguar Herbert de Souza, um dos âncoras do telejornal "Aqui Agora" do SBT, se desentendeu com um produtor do programa e o agrediu com um soco.
O acontecido deu-se ontem à noite. O nome do produtor agredido é Marcos Coimbra. A confusão rolou nos bastidores, enquanto uma matéria era exibida no vídeo.
Albino Castro, diretor do programa, mandou que Herbert se retirasse dos estúdios e, quando terminou o telejornal, o demitiu.
Herbert de Souza fez parte da equipe da primeira versão do "Aqui Agora", no início da década de 1990, quando o estilo "mundo-cão" fez sucesso na televisão brasileira.
O jornalista apresentava um programa policial na "Sim TV!", afiliada local da "Rede TV!" - haja exclamação! -, quando foi convidado para voltar ao ressuscitado "Aqui Agora".
quinta-feira, 20 de março de 2008
Minha paixão por Clarice Lispector
Chega de notícias, por enquanto.
Hoje o dia está nublado e triste - como é próprio dos dias nublados.
Nem percebi quando a tarde chegou e encheu minha sala de mais vazio.
Ontem, conversava sobre poesia com um ilustre desconhecido.
E falamos sobre Cecília Meireles e Fernando Pessoa.
Mas ando apaixonado mesmo é pela Clarice Lispector.
Li suas "Entrevistas" e, mais que saber sobre seus entrevistados, encantei-me com as delicadas pistas que ela deixou nas linhas e entrelinhas sobre sua própria personalidade.
Li também "Aprendendo a Viver" e, em cada crônica, a sutileza, a elegância, a simplicidade e o absoluto destemor de trazer à tona os sentimentos mais recônditos da autora iam me conquistando até o ponto em que não pude mais impor reservas.
Porque, como me disse meu amigo Maurício, os sentimentos são nossa face mais nossa.
Hoje, li um poema da Clarice chamado "O Sonho".
Leia abaixo e permita-se sonhar você também:
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
Hoje o dia está nublado e triste - como é próprio dos dias nublados.
Nem percebi quando a tarde chegou e encheu minha sala de mais vazio.
Ontem, conversava sobre poesia com um ilustre desconhecido.
E falamos sobre Cecília Meireles e Fernando Pessoa.
Mas ando apaixonado mesmo é pela Clarice Lispector.
Li suas "Entrevistas" e, mais que saber sobre seus entrevistados, encantei-me com as delicadas pistas que ela deixou nas linhas e entrelinhas sobre sua própria personalidade.
Li também "Aprendendo a Viver" e, em cada crônica, a sutileza, a elegância, a simplicidade e o absoluto destemor de trazer à tona os sentimentos mais recônditos da autora iam me conquistando até o ponto em que não pude mais impor reservas.
Porque, como me disse meu amigo Maurício, os sentimentos são nossa face mais nossa.
Hoje, li um poema da Clarice chamado "O Sonho".
Leia abaixo e permita-se sonhar você também:
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
Deu no "Vi o Mundo"
PHA obtém vitória contra o IG na Justiça
"O jornalista Paulo Henrique Amorim obteve ontem à noite, na Justiça, uma liminar que dá a ele o direito de recuperar os arquivos do Conversa Afiada que estão nos computadores do portal IG - aos quais deixou de ter acesso assim que a empresa decidiu demití-lo por fax. Funcionários ligados ao Conversa Afiada tiveram seus cartões de acesso à sede do portal bloqueados assim que aconteceu a demissão."
Leia mais aqui.
"O jornalista Paulo Henrique Amorim obteve ontem à noite, na Justiça, uma liminar que dá a ele o direito de recuperar os arquivos do Conversa Afiada que estão nos computadores do portal IG - aos quais deixou de ter acesso assim que a empresa decidiu demití-lo por fax. Funcionários ligados ao Conversa Afiada tiveram seus cartões de acesso à sede do portal bloqueados assim que aconteceu a demissão."
Leia mais aqui.
Caso PHA
Nassif se manifesta
Luis Nassif, finalmente, se manifestou sobre o caso PHA.
Antes, ele havia se saído apenas com um fatídico "não sei os motivos da demissão".
Ontem, em seu blog, ele declarou que não sofre "qualquer espécie de veto ou restrição" do IG.
Ele disse que a demissão de PHA foi "um rompimento unilateral" de contrato e acrescentou que "a forma como se deu o rompimento tenha sido desastrosa e deselegante."
No mais, desejou sucesso a PHA, disse que o episódio não significa a "vitória do jornalismo de esgoto ou perda de espaço da blogosfera independente" e afirmou que o "IG continua um espaço democrático."
Foi muito diplomático.
Luis Nassif, finalmente, se manifestou sobre o caso PHA.
Antes, ele havia se saído apenas com um fatídico "não sei os motivos da demissão".
Ontem, em seu blog, ele declarou que não sofre "qualquer espécie de veto ou restrição" do IG.
Ele disse que a demissão de PHA foi "um rompimento unilateral" de contrato e acrescentou que "a forma como se deu o rompimento tenha sido desastrosa e deselegante."
No mais, desejou sucesso a PHA, disse que o episódio não significa a "vitória do jornalismo de esgoto ou perda de espaço da blogosfera independente" e afirmou que o "IG continua um espaço democrático."
Foi muito diplomático.
Factóide?
No post abaixo, eu disse que achava estranho essa notícia de que a Editora Abril estava hospedando o seu conteúdo, inclusive da revista Veja, no portal IG.
A notícia foi dada pelo editor da Revista Fórum, Renato Rovai, em seu blog.
Os Civita, que controlam a Abril, são donos do portal Uol. Então, por que colocariam conteúdo num portal concorrente?
Meu amigo Maurício escreveu um comentário dizendo que eu levei um "pitu".
Eu repito que repercuti a nota dada pelo Rovai, mas em tom de desconfiança e, portanto, sem corroborar com ela .
Não se trata de "testar hipóteses", mas de tentar entender o que estava acontecendo.
A nota provocou polêmica na blogosfera e um leitor escreveu para o Rovai dizendo que a página da Abril no IG é um fake. Outro leitor disse que há anos há uma parceria entre a Abril e o IG para distribuição de conteúdo apenas, não para hospedagem.
Eu não entendo nada disso. Admito que sou completamente leigo no assunto.
Mas no Blog do Nassif, há um post explicando que a Veja usa um sistema de distribuição de tráfego através de uma rede espalhada pela internet, da qual o IG faz parte.
Isso é o mesmo que falar em javanês pra mim.
Mas está feito o registro. Vamos aguardar agora pra ver se alguém que entende desse assunto explica melhor essa coisa (a palavra "coisa" serve para tudo, como diz meu amigo Tales) de "distribuição de tráfego".
Aí, quem sabe, possamos entender que tipo de parceria é essa entre a Abril e o IG.
A notícia foi dada pelo editor da Revista Fórum, Renato Rovai, em seu blog.
Os Civita, que controlam a Abril, são donos do portal Uol. Então, por que colocariam conteúdo num portal concorrente?
Meu amigo Maurício escreveu um comentário dizendo que eu levei um "pitu".
Eu repito que repercuti a nota dada pelo Rovai, mas em tom de desconfiança e, portanto, sem corroborar com ela .
Não se trata de "testar hipóteses", mas de tentar entender o que estava acontecendo.
A nota provocou polêmica na blogosfera e um leitor escreveu para o Rovai dizendo que a página da Abril no IG é um fake. Outro leitor disse que há anos há uma parceria entre a Abril e o IG para distribuição de conteúdo apenas, não para hospedagem.
Eu não entendo nada disso. Admito que sou completamente leigo no assunto.
Mas no Blog do Nassif, há um post explicando que a Veja usa um sistema de distribuição de tráfego através de uma rede espalhada pela internet, da qual o IG faz parte.
Isso é o mesmo que falar em javanês pra mim.
Mas está feito o registro. Vamos aguardar agora pra ver se alguém que entende desse assunto explica melhor essa coisa (a palavra "coisa" serve para tudo, como diz meu amigo Tales) de "distribuição de tráfego".
Aí, quem sabe, possamos entender que tipo de parceria é essa entre a Abril e o IG.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Estranho, muito estranho...
No Blog do Rovai ( clique aqui para acessar), o editor da Revista Fórum dá mais pistas para nos ajudar a entender a demissão de Paulo Henrique Amorim do IG.
Eu não sabia, mas a Editora Abril está hospedando o conteúdo de suas revistas no IG, através do endereço http://www.abril.ig.com.br/. A Veja está no endereço http://veja.abril.ig.com.br/.
"Isso pode explicar muita coisa a respeito da demissão realizada de forma abjeta pela direção do IG ao âncora do portal. Como também ficarei bastante intrigado se de repente começarem a aparecer publicidades do governo do Estado e de algumas prefeituras, como a de São Paulo, por exemplo, no portal", escreve Rovai.
O que não entendo é por que o Grupo Abril, que é dono do portal Uol, está hospedando o site das suas revistas num portal concorrente?
E mais: se isso tem a ver com a demissão de PHA, que chamava a Veja de "última flor do fascio", por que o Nassif também não foi mandado pra rua?
Como dizia minha avó, tem caroço nesse angu.
Eu não sabia, mas a Editora Abril está hospedando o conteúdo de suas revistas no IG, através do endereço http://www.abril.ig.com.br/. A Veja está no endereço http://veja.abril.ig.com.br/.
"Isso pode explicar muita coisa a respeito da demissão realizada de forma abjeta pela direção do IG ao âncora do portal. Como também ficarei bastante intrigado se de repente começarem a aparecer publicidades do governo do Estado e de algumas prefeituras, como a de São Paulo, por exemplo, no portal", escreve Rovai.
O que não entendo é por que o Grupo Abril, que é dono do portal Uol, está hospedando o site das suas revistas num portal concorrente?
E mais: se isso tem a ver com a demissão de PHA, que chamava a Veja de "última flor do fascio", por que o Nassif também não foi mandado pra rua?
Como dizia minha avó, tem caroço nesse angu.
Colômbia a caminho da ditadura
Líder da oposição acusa Uribe de repetir "fracasso dos EUA"
Em reportagem especial para a "Terra Magazine" direto de Bogotá, Camila Moraes mostra que nem todos na Colômbia compraram o peixe do presidente Álvaro Uribe e que há visões díspares sobre a conseqüência da crise no continente deflagrada após a invasão de território equatoriano pelo Exército colombiano, em 1º de março, que culminou com a morte do guerrilheiro Raúl Reys, considerado o número 2 das Farc.
Camila destaca que o principal jornal colombiano, "El tiempo", publicou ontem (terça-feira, 18), uma reportagem afirmando que "a OEA conseguiu um consenso para superar a crise diplomática". Mas ela registra que há divergências sobre a questão.
Ainda segundo a jornalista, o presidente Álvaro Uribe e o chanceler Fernando Araújo "sentem a pressão da comunidade internacional e falham ao insistir no argumento da legítima defesa para isentar o país de culpa pelo ataque militar a território equatoriano em 1º de março." Analistas e colunistas da imprensa colombiana especulam que o cargo do chanceler está em perigo e apontam até mesmo nomes de possíveis sucessores.
Camila Moraes entrevistou o principal líder da oposição colombiana, o senador Gustavo Petro, pré-candidato às eleições presidenciais de 2010 pelo Polo Democrático, que disse que o governo de Álvaro Uribe "violou o direito internacional" e que "o que se está construindo na Colômbia é uma ditadura". O senador também disse que é preciso "recuperar a esquerda latino-americana" e que "uma aliança PT-Polo Democrático poderia re-impulsionar a esquerda no subcontinente".
Leia a seguir a entrevista na íntegra:
Terra Magazine - Qual é sua opinião sobre a atual crise diplomática entre Colômbia e Equador, considerando inclusive a posição que vem sustentando o governo colombiano?
Gustavo Petro - A primeira causa tem a ver com o governo da Colômbia, e a segunda com as Farc. O governo colombiano, sem dúvida alguma, violou o direito internacional. A pergunta aqui, portanto, é por que o fez. Uma resposta simples seria "porque as Farc estão aí", mas o fato é que sempre estiveram. Há décadas, independente de quem são os governos de um lado e de outro. Nessa medida, a desculpa da Colômbia não é suficiente. A realidade é que detrás da política colombiana existe uma repetição, como um espelho, da política dos Estados Unidos de empreender o que eles chamam de "guerra contra o terrorismo". O que supõe uma relativização das fronteiras e uma violação do mecanismo das Nações Unidas, através do qual os países deveriam resolver seus problemas de maneira pacífica e diplomática.Sobre as Farc, a pergunta, no contexto da crise, fica sendo: se as Farc conseguissem transformar em realidade sua política, isso diminuiria o conflito armado na Colômbia ou o aumentaria? O que eu posso dizer é que, da mesma maneira que os recursos dirigidos pelos EUA ao governo colombiano aumentaram o conflito ao invés de diminui-lo, os respaldos que provêm de outros governos para as Farc produziriam o mesmo efeito negativo. Em resumo, a Colômbia precisa mudar sua política internacional e cobrar mais autonomia dos demais países, visando à integração latino-americana e não sua polarização, conforme prioriza a Constituição do país.
O senhor acredita que a política de segurança do governo, centrada nas Farc e no narcotráfico, está contribuindo para a internacionalização do conflito? Existe um problema estratégico no Plano Colômbia?
Claro. O Plano Colômbia é uma ajuda estrangeira para a guerra, que fracassou por ignorar que a maior fortaleza do narcotráfico no país, além de seu dinheiro, é sua relação com o poder político e o Estado colombiano. No último ano, porém, houve uma mudança nesse cenário, com o apoio de uma maioria democrata, ainda que com timidez, para aumentar a ajuda à justiça e à luta contra a impunidade na Colômbia - caminho que eu acredito que é muito mais eficaz como política anti-drogas, ao contrário do financiamento bélico. Falando da droga especificamente, é um projeto que se moveu ao redor da força militar e da fumigação da folha de coca. E hoje o preço da cocaína disparou em Nova Iorque, comparado com o de 2002 - quando o Plano Colômbia estava em seu auge. O que temos é um incremento da oferta de cocaína nos Estados Unidos, logo essa é uma política que fracassou, então temos que construir outra.
Como o senhor vê a situação das fronteiras da Colômbia não só com Equador e Venezuela, mas também com o Brasil, sobre a qual se fala pouco?
O mesmo Plano Colômbia, construído como fumigação armada, vem empurrando os cultivos de folha de coca para as fronteiras. E esses vão rio abaixo, penetrando a selva amazônica. Eu acredito que nesse momento já penetraram territórios amazônicos venezuelanos, brasileiros e equatorianos onde, em realidade, já estavam antes, mas se incrementaram. É um enorme perigo para a selva e, além disso, produz uma desestabilização das fronteiras. Por isso é que a luta anti-narcóticos tem que mudar e tem que ser hoje, fundamentalmente, assunto de um eixo sul-americano. E em relação às Farc, o Exército colombiano, mesmo sendo o maior da América do Sul, não consegue controlar o deslocamento interno da guerrilha. Menos ainda se pode pedir que outros Exércitos, menos fortes e com outras prioridades, controlem seus movimentos para fora do país. As Farc sabem disso e o utilizam como saída de retaguarda.
O senhor é a favor da proposta de Lula de criar de um Conselho Sul-Americano de Defesa?
Completamente. É preciso começar a construir com os demais países sul-americanos instituições e processos comuns ao redor de interesses comuns, que são muitíssimos. Mais ainda neste tema que tem a ver com conflito armado, narcotráfico e o papel desestabilizador que produzem no subcontinente. Mas há outros aspectos que afetam a segurança da América do Sul: o narcotráfico é um, o aquecimento global, que pode produzir a queimada da selva amazônica e sua conversão em deserto rapidamente, é outro. Não há nenhuma política comum ao redor deste que é um tema de impacto direto sobre as sociedades sul-americanas e o mundo. Além disso, como asseguramos a biodiversidade da região? Como equilibramos a questão local de energia, com países que têm recursos tão escassos, enquanto outros têm abundância de recursos? Enfim, há vários temas que permitiriam uma discussão coletiva dentro de um Conselho Sul-Americano de Defesa. A Colômbia tem que entrar para a discussão dessa política internacional.
O Brasil teve ou está tendo um papel importante dentro da crise, em sua opinião?
Não, nenhum. Acho que a tese de manter uma distância prudente da Venezuela e da Colômbia levou o governo a não ter nenhum papel. É uma distância que vem de muito tempo atrás. A selva amazônica terminou servindo não de ponto de contato, mas de muro entre os dois países. O mundo andino não recebeu do Brasil a devida atenção, e pela fronteira é que estão entrando os problemas. Houve a proposta do Conselho de Segurança, que aqui nós ouvimos durante a crise. Por sinal, nós do Polo Democrático a havíamos feito também. É uma coincidência, da qual creio que o Brasil tampouco se inteirou até agora. Vejo isso como uma tentativa do Brasil de retomar uma iniciativa, mas a realidade é que a tinha perdido.
De que maneira o Brasil e especialmente o presidente Lula podem ser parceiros importantes da Colômbia?
Acredito que temos que recuperar a esquerda latino-americana. As Farc representam um papel negativo para essa esquerda e foram a "desculpa que faltava" para a atuação dos Estados Unidos, já que vontade de intervir não lhes falta. E o PT, digamos, que tem clara essa situação, e demonstrou isso no Fórum de São Paulo, deveria se juntar com o Polo Democrático em busca de recuperar o princípio democrático para a esquerda latino-americana, sem voltar a se apostar em processos totalitários, como os que representam as Farc, que por sinal são uma guerra altamente impopular na Colômbia, apesar de se definir como "exército do povo". Uma aliança PT-Polo Democrático poderia re-impulsionar a esquerda no subcontinente, além de impedir um fator de desestabilização e uma possível intervenção dos Estados Unidos.
Em algumas reportagens da imprensa colombiana, o senhor aparece como uma pessoa próxima ao presidente venezuelano Hugo Chávez. Que relação é essa e como o senhor vê a atuação dele, especialmente nessa crise?
Nesse momento, não tenho nenhuma (relação). A posição do Polo Democrático não foi tida em conta e nem houve nenhum tipo de contato entre os dois lados desde o momento em que ele assumiu a mediação, ou seja, desde o fim do ano passado até o momento. A esquerda colombiana não foi escutada, nem pela Venezuela, nem pelo Equador, em todo esse processo que vivemos. Fui amigo de Chávez, mas amizade não significa acompanhar. E se tivéssemos discutido sua postura como mediador até o momento, eu teria dito que se equivocou na avaliação que fez da Colômbia, de sua sociedade, das Farc... E, acredito eu simplesmente, já que isso não me cabe, que também se equivocou na avaliação que a sociedade venezuelana teria de uma intensificação de um conflito com a Colômbia.
E como o senhor vê a tentativa de os Estados Unidos incluirem a Colômbia na lista de países que apóiam o terrorismo?
Os Estados Unidos estão completamente equivocados na sua guerra contra o terrorismo. É assim de simples. Todo o resto são instrumentos de uma política global fracassada. Terão de refazer sua política internacional, da mesma maneira que a Colômbia, que é autista neste tema. Se não se produz uma mudança, acredito que vão se chocar contra toda a humanidade. O fato de considerarem a alguns apoiadores do terrorismo é uma política de moral dupla: só vale para os opositores de seus governos aliados, mas não para quem realmente o é. Por que é terrorista Osama Bin Laden e não é terrorista o ditador do Paquistão?
Como o senhor acha que seguirão as negociações com as Farc para a liberação dos reféns?
O que mostrava o computador (de Raúl Reyes) é que as Farc estavam caminhando para a liberação de reféns em troca do status de força beligerante. Eu acredito que, ao revelarem sua estratégia, estão debilitados. É muito difícil, hoje, que países como Venezuela e Nicarágua, que estavam a ponto de dar esse status, agora o façam. É possível que consigam um acordo para sair da lista de organizações terroristas da Europa, o que geraria a liberação de alguns seqüestrados, entre eles Ingrid (Betancourt). Porém, as Farc vêm de um mundo rural de 60 anos de guerra, profundamente ignorante em relação ao panorama internacional, ainda que recentemente o venham captando, e são profundamente sectárias. Hoje, são uma combinação desse sectarismo com o narcotráfico, o que pode levá-los neste momento a não abrandar posições e manter os seqüestrados. O que estava em caminho, eu vejo danificado. Na minha opinião, em relação ao conflito, são três caminhos os que se deve tomar: ofensiva militar, reformas democráticas, fundamentalmente da distribuição da terra, e a negociação de uma saída política. Combinando as três, temos uma política de paz, e eu diria que bem-sucedida. O governo Uribe só fala da primeira, por isso vai fracassar.
Com os temas do acordo humanitário e da crise diplomática, pouco tem se falado sobre "parapolítica" neste momento. Como o senhor vê atualmente o problema dos paramilitares na Colômbia?
Não falar é um dos efeitos dessa crise. Chávez ajudou a derrotar as principais bandeiras que a esquerda colombiana levantou. A derrota do TLC (Tratado de Livre Comércio) entre Colômbia e Estados Unidos era um dos grandes avanços da esquerda colombiana, que considera essa uma política errada para o país. Eu mesmo afirmei que o TLC ajudaria a reprodução do narcotráfico na Colômbia, na medida em que sustentava a propriedade concentrada de terras. Hoje, a probabilidade de que se aprove o tratado aumentou, graças a uma desacertada situação internacional. E o outro tema em que havíamos avançado enormemente e que havia provocado uma queda do favoritismo do Uribe é o tema do paramilitarismo e sua relação com o Estado. Tema que nós mesmos denunciamos e com o qual conseguimos mandar para a prisão dezenas de altos dirigentes aliados ao governo e cúmplices do paramilitarismo. Esse assunto, que deveria ser estudado com tanto cuidado pela sociedade colombiana, passou ao segundo plano por causa da crise. E trouxe como conseqüência um fortalecimento de Uribe. Enquanto isso, o país está mais que paramilitarizado.
Uribe ainda não declarou formalmente seu interesse em uma segunda reeleição, mas esse processo parece estar em andamento. Qual é sua opinião a respeito?
A reeleição é um problema de discussão interna de cada país. Nos países onde se permite, sempre existe um sistema de equilíbrios em meios de comunicação e em outros poderes públicos, que permite manter um equilíbrio democrático, apesar da reeleição. O problema na Colômbia é que isso não existe; não está dentro do projeto de reeleição um fortalecimento de outras instituições democráticas. A única coisa que escaparia ao poder do presidente é a Corte Suprema, que é precisamente a que está capturando seus aliados políticos mais importantes, por terem vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo. Por esse panorama, eu diria que o que se está construindo na Colômbia é uma ditadura.
Neste sentido, há algo que aproxima Uribe e Chávez.
Existem mais equilíbrios na Venezuela do que na Colômbia. A maior parte dos meios de comunicação que vêem ou escutam os venezuelanos é de oposição, e eles estão aí. Na Colômbia, você não verá nem escutará meios de comunicação que sejam oposição.
Em reportagem especial para a "Terra Magazine" direto de Bogotá, Camila Moraes mostra que nem todos na Colômbia compraram o peixe do presidente Álvaro Uribe e que há visões díspares sobre a conseqüência da crise no continente deflagrada após a invasão de território equatoriano pelo Exército colombiano, em 1º de março, que culminou com a morte do guerrilheiro Raúl Reys, considerado o número 2 das Farc.
Camila destaca que o principal jornal colombiano, "El tiempo", publicou ontem (terça-feira, 18), uma reportagem afirmando que "a OEA conseguiu um consenso para superar a crise diplomática". Mas ela registra que há divergências sobre a questão.
Ainda segundo a jornalista, o presidente Álvaro Uribe e o chanceler Fernando Araújo "sentem a pressão da comunidade internacional e falham ao insistir no argumento da legítima defesa para isentar o país de culpa pelo ataque militar a território equatoriano em 1º de março." Analistas e colunistas da imprensa colombiana especulam que o cargo do chanceler está em perigo e apontam até mesmo nomes de possíveis sucessores.
Camila Moraes entrevistou o principal líder da oposição colombiana, o senador Gustavo Petro, pré-candidato às eleições presidenciais de 2010 pelo Polo Democrático, que disse que o governo de Álvaro Uribe "violou o direito internacional" e que "o que se está construindo na Colômbia é uma ditadura". O senador também disse que é preciso "recuperar a esquerda latino-americana" e que "uma aliança PT-Polo Democrático poderia re-impulsionar a esquerda no subcontinente".
Leia a seguir a entrevista na íntegra:
Terra Magazine - Qual é sua opinião sobre a atual crise diplomática entre Colômbia e Equador, considerando inclusive a posição que vem sustentando o governo colombiano?
Gustavo Petro - A primeira causa tem a ver com o governo da Colômbia, e a segunda com as Farc. O governo colombiano, sem dúvida alguma, violou o direito internacional. A pergunta aqui, portanto, é por que o fez. Uma resposta simples seria "porque as Farc estão aí", mas o fato é que sempre estiveram. Há décadas, independente de quem são os governos de um lado e de outro. Nessa medida, a desculpa da Colômbia não é suficiente. A realidade é que detrás da política colombiana existe uma repetição, como um espelho, da política dos Estados Unidos de empreender o que eles chamam de "guerra contra o terrorismo". O que supõe uma relativização das fronteiras e uma violação do mecanismo das Nações Unidas, através do qual os países deveriam resolver seus problemas de maneira pacífica e diplomática.Sobre as Farc, a pergunta, no contexto da crise, fica sendo: se as Farc conseguissem transformar em realidade sua política, isso diminuiria o conflito armado na Colômbia ou o aumentaria? O que eu posso dizer é que, da mesma maneira que os recursos dirigidos pelos EUA ao governo colombiano aumentaram o conflito ao invés de diminui-lo, os respaldos que provêm de outros governos para as Farc produziriam o mesmo efeito negativo. Em resumo, a Colômbia precisa mudar sua política internacional e cobrar mais autonomia dos demais países, visando à integração latino-americana e não sua polarização, conforme prioriza a Constituição do país.
O senhor acredita que a política de segurança do governo, centrada nas Farc e no narcotráfico, está contribuindo para a internacionalização do conflito? Existe um problema estratégico no Plano Colômbia?
Claro. O Plano Colômbia é uma ajuda estrangeira para a guerra, que fracassou por ignorar que a maior fortaleza do narcotráfico no país, além de seu dinheiro, é sua relação com o poder político e o Estado colombiano. No último ano, porém, houve uma mudança nesse cenário, com o apoio de uma maioria democrata, ainda que com timidez, para aumentar a ajuda à justiça e à luta contra a impunidade na Colômbia - caminho que eu acredito que é muito mais eficaz como política anti-drogas, ao contrário do financiamento bélico. Falando da droga especificamente, é um projeto que se moveu ao redor da força militar e da fumigação da folha de coca. E hoje o preço da cocaína disparou em Nova Iorque, comparado com o de 2002 - quando o Plano Colômbia estava em seu auge. O que temos é um incremento da oferta de cocaína nos Estados Unidos, logo essa é uma política que fracassou, então temos que construir outra.
Como o senhor vê a situação das fronteiras da Colômbia não só com Equador e Venezuela, mas também com o Brasil, sobre a qual se fala pouco?
O mesmo Plano Colômbia, construído como fumigação armada, vem empurrando os cultivos de folha de coca para as fronteiras. E esses vão rio abaixo, penetrando a selva amazônica. Eu acredito que nesse momento já penetraram territórios amazônicos venezuelanos, brasileiros e equatorianos onde, em realidade, já estavam antes, mas se incrementaram. É um enorme perigo para a selva e, além disso, produz uma desestabilização das fronteiras. Por isso é que a luta anti-narcóticos tem que mudar e tem que ser hoje, fundamentalmente, assunto de um eixo sul-americano. E em relação às Farc, o Exército colombiano, mesmo sendo o maior da América do Sul, não consegue controlar o deslocamento interno da guerrilha. Menos ainda se pode pedir que outros Exércitos, menos fortes e com outras prioridades, controlem seus movimentos para fora do país. As Farc sabem disso e o utilizam como saída de retaguarda.
O senhor é a favor da proposta de Lula de criar de um Conselho Sul-Americano de Defesa?
Completamente. É preciso começar a construir com os demais países sul-americanos instituições e processos comuns ao redor de interesses comuns, que são muitíssimos. Mais ainda neste tema que tem a ver com conflito armado, narcotráfico e o papel desestabilizador que produzem no subcontinente. Mas há outros aspectos que afetam a segurança da América do Sul: o narcotráfico é um, o aquecimento global, que pode produzir a queimada da selva amazônica e sua conversão em deserto rapidamente, é outro. Não há nenhuma política comum ao redor deste que é um tema de impacto direto sobre as sociedades sul-americanas e o mundo. Além disso, como asseguramos a biodiversidade da região? Como equilibramos a questão local de energia, com países que têm recursos tão escassos, enquanto outros têm abundância de recursos? Enfim, há vários temas que permitiriam uma discussão coletiva dentro de um Conselho Sul-Americano de Defesa. A Colômbia tem que entrar para a discussão dessa política internacional.
O Brasil teve ou está tendo um papel importante dentro da crise, em sua opinião?
Não, nenhum. Acho que a tese de manter uma distância prudente da Venezuela e da Colômbia levou o governo a não ter nenhum papel. É uma distância que vem de muito tempo atrás. A selva amazônica terminou servindo não de ponto de contato, mas de muro entre os dois países. O mundo andino não recebeu do Brasil a devida atenção, e pela fronteira é que estão entrando os problemas. Houve a proposta do Conselho de Segurança, que aqui nós ouvimos durante a crise. Por sinal, nós do Polo Democrático a havíamos feito também. É uma coincidência, da qual creio que o Brasil tampouco se inteirou até agora. Vejo isso como uma tentativa do Brasil de retomar uma iniciativa, mas a realidade é que a tinha perdido.
De que maneira o Brasil e especialmente o presidente Lula podem ser parceiros importantes da Colômbia?
Acredito que temos que recuperar a esquerda latino-americana. As Farc representam um papel negativo para essa esquerda e foram a "desculpa que faltava" para a atuação dos Estados Unidos, já que vontade de intervir não lhes falta. E o PT, digamos, que tem clara essa situação, e demonstrou isso no Fórum de São Paulo, deveria se juntar com o Polo Democrático em busca de recuperar o princípio democrático para a esquerda latino-americana, sem voltar a se apostar em processos totalitários, como os que representam as Farc, que por sinal são uma guerra altamente impopular na Colômbia, apesar de se definir como "exército do povo". Uma aliança PT-Polo Democrático poderia re-impulsionar a esquerda no subcontinente, além de impedir um fator de desestabilização e uma possível intervenção dos Estados Unidos.
Em algumas reportagens da imprensa colombiana, o senhor aparece como uma pessoa próxima ao presidente venezuelano Hugo Chávez. Que relação é essa e como o senhor vê a atuação dele, especialmente nessa crise?
Nesse momento, não tenho nenhuma (relação). A posição do Polo Democrático não foi tida em conta e nem houve nenhum tipo de contato entre os dois lados desde o momento em que ele assumiu a mediação, ou seja, desde o fim do ano passado até o momento. A esquerda colombiana não foi escutada, nem pela Venezuela, nem pelo Equador, em todo esse processo que vivemos. Fui amigo de Chávez, mas amizade não significa acompanhar. E se tivéssemos discutido sua postura como mediador até o momento, eu teria dito que se equivocou na avaliação que fez da Colômbia, de sua sociedade, das Farc... E, acredito eu simplesmente, já que isso não me cabe, que também se equivocou na avaliação que a sociedade venezuelana teria de uma intensificação de um conflito com a Colômbia.
E como o senhor vê a tentativa de os Estados Unidos incluirem a Colômbia na lista de países que apóiam o terrorismo?
Os Estados Unidos estão completamente equivocados na sua guerra contra o terrorismo. É assim de simples. Todo o resto são instrumentos de uma política global fracassada. Terão de refazer sua política internacional, da mesma maneira que a Colômbia, que é autista neste tema. Se não se produz uma mudança, acredito que vão se chocar contra toda a humanidade. O fato de considerarem a alguns apoiadores do terrorismo é uma política de moral dupla: só vale para os opositores de seus governos aliados, mas não para quem realmente o é. Por que é terrorista Osama Bin Laden e não é terrorista o ditador do Paquistão?
Como o senhor acha que seguirão as negociações com as Farc para a liberação dos reféns?
O que mostrava o computador (de Raúl Reyes) é que as Farc estavam caminhando para a liberação de reféns em troca do status de força beligerante. Eu acredito que, ao revelarem sua estratégia, estão debilitados. É muito difícil, hoje, que países como Venezuela e Nicarágua, que estavam a ponto de dar esse status, agora o façam. É possível que consigam um acordo para sair da lista de organizações terroristas da Europa, o que geraria a liberação de alguns seqüestrados, entre eles Ingrid (Betancourt). Porém, as Farc vêm de um mundo rural de 60 anos de guerra, profundamente ignorante em relação ao panorama internacional, ainda que recentemente o venham captando, e são profundamente sectárias. Hoje, são uma combinação desse sectarismo com o narcotráfico, o que pode levá-los neste momento a não abrandar posições e manter os seqüestrados. O que estava em caminho, eu vejo danificado. Na minha opinião, em relação ao conflito, são três caminhos os que se deve tomar: ofensiva militar, reformas democráticas, fundamentalmente da distribuição da terra, e a negociação de uma saída política. Combinando as três, temos uma política de paz, e eu diria que bem-sucedida. O governo Uribe só fala da primeira, por isso vai fracassar.
Com os temas do acordo humanitário e da crise diplomática, pouco tem se falado sobre "parapolítica" neste momento. Como o senhor vê atualmente o problema dos paramilitares na Colômbia?
Não falar é um dos efeitos dessa crise. Chávez ajudou a derrotar as principais bandeiras que a esquerda colombiana levantou. A derrota do TLC (Tratado de Livre Comércio) entre Colômbia e Estados Unidos era um dos grandes avanços da esquerda colombiana, que considera essa uma política errada para o país. Eu mesmo afirmei que o TLC ajudaria a reprodução do narcotráfico na Colômbia, na medida em que sustentava a propriedade concentrada de terras. Hoje, a probabilidade de que se aprove o tratado aumentou, graças a uma desacertada situação internacional. E o outro tema em que havíamos avançado enormemente e que havia provocado uma queda do favoritismo do Uribe é o tema do paramilitarismo e sua relação com o Estado. Tema que nós mesmos denunciamos e com o qual conseguimos mandar para a prisão dezenas de altos dirigentes aliados ao governo e cúmplices do paramilitarismo. Esse assunto, que deveria ser estudado com tanto cuidado pela sociedade colombiana, passou ao segundo plano por causa da crise. E trouxe como conseqüência um fortalecimento de Uribe. Enquanto isso, o país está mais que paramilitarizado.
Uribe ainda não declarou formalmente seu interesse em uma segunda reeleição, mas esse processo parece estar em andamento. Qual é sua opinião a respeito?
A reeleição é um problema de discussão interna de cada país. Nos países onde se permite, sempre existe um sistema de equilíbrios em meios de comunicação e em outros poderes públicos, que permite manter um equilíbrio democrático, apesar da reeleição. O problema na Colômbia é que isso não existe; não está dentro do projeto de reeleição um fortalecimento de outras instituições democráticas. A única coisa que escaparia ao poder do presidente é a Corte Suprema, que é precisamente a que está capturando seus aliados políticos mais importantes, por terem vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo. Por esse panorama, eu diria que o que se está construindo na Colômbia é uma ditadura.
Neste sentido, há algo que aproxima Uribe e Chávez.
Existem mais equilíbrios na Venezuela do que na Colômbia. A maior parte dos meios de comunicação que vêem ou escutam os venezuelanos é de oposição, e eles estão aí. Na Colômbia, você não verá nem escutará meios de comunicação que sejam oposição.
"Criminosa"
É assim que os advogados dos jornalistas da Veja definem o dossiê de Luis Nassif sobre a revista da Abril
O portal "Comunique-se" teve acesso às ações que o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, o redator-chefe, Mario Sabino, e o colunista do "Radar", Lauro Jardim, movem contra Luis Nassif na Justiça de São Paulo.
Os advogados dos três que, juntamente com Diogo Mainardi, integram o "Quarteto da Veja", como chamou Nassif, disseram que a série "Dossiê Veja" é uma “campanha criminosa”.
O "Comunique-se" destaca que os processos se iniciam com uma citação do jurista Darcy Arruda Miranda Júnior: "O jornalista, no seu sacerdócio, deve ser sereno como um juiz, honesto como um confessor, verdadeiro como um justo.”
Ainda segundo o "Comunique-se", a defesa de Alcântara, Sabino e Jardim acusam Nassif de exercer “abuso no exercício da liberdade de informar.” Dizem ainda que todas as denúncias feitas pelo jornalista são falsas.
Os três processos pedem uma indenização sem valor estipulado por danos morais ao jornalista Luis Nassif e ao portal iG pela divulgação da série. Também pedem que, caso vençam as ações, o portal publique o resultado das sentenças no blog e no portal, sob multa diária de R$ 10 mil.
Em resposta, disse Nassif: “Há um conjunto de evidências que mostro ou longo da série. É assim que vou apresentar minha defesa.”
O portal "Comunique-se" teve acesso às ações que o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, o redator-chefe, Mario Sabino, e o colunista do "Radar", Lauro Jardim, movem contra Luis Nassif na Justiça de São Paulo.
Os advogados dos três que, juntamente com Diogo Mainardi, integram o "Quarteto da Veja", como chamou Nassif, disseram que a série "Dossiê Veja" é uma “campanha criminosa”.
O "Comunique-se" destaca que os processos se iniciam com uma citação do jurista Darcy Arruda Miranda Júnior: "O jornalista, no seu sacerdócio, deve ser sereno como um juiz, honesto como um confessor, verdadeiro como um justo.”
Ainda segundo o "Comunique-se", a defesa de Alcântara, Sabino e Jardim acusam Nassif de exercer “abuso no exercício da liberdade de informar.” Dizem ainda que todas as denúncias feitas pelo jornalista são falsas.
Os três processos pedem uma indenização sem valor estipulado por danos morais ao jornalista Luis Nassif e ao portal iG pela divulgação da série. Também pedem que, caso vençam as ações, o portal publique o resultado das sentenças no blog e no portal, sob multa diária de R$ 10 mil.
Em resposta, disse Nassif: “Há um conjunto de evidências que mostro ou longo da série. É assim que vou apresentar minha defesa.”
Jornalistas Desplugados
Luiz Carlos Azenha do blog "Vi o Mundo", comentando o episódio IG x PHA, fala sobre a degradação do jornalismo brasileiro:
É certo que um grande número de jornalistas brasileiros já está desplugado faz tempo. Assinam qualquer texto, falam qualquer coisa que o chefe mandar. Fazem acordos diários com o diabo, por medo ou em troca de privilégios. Esses privilégios vão da garantia da participação em grandes coberturas, como as Olimpíadas, às promessas de emprego eterno e aos jabás - situações em que uma empresa jornalística recebe favores monetários (passagens, hospedagem, etc.) para cobrir algum "evento" que, caso contrário, não seria notícia.
A degradação dos meios, como um todo, passa por outros fenômenos: a utilização de novelas com objetivos político-eleitorais e de campanha ideológica; a obtenção de audiência a qualquer custo, com o superdimensionamento de problemas como a criminalidade, especialmente em São Paulo; a sobreposição de anúncios sobre o conteúdo editorial nas páginas de jornais; o fim da fronteira entre Jornalismo e entretenimento, que se expressa de forma ambulante na figura de um ótimo jornalista e animador, Pedro Bial.
É certo que um grande número de jornalistas brasileiros já está desplugado faz tempo. Assinam qualquer texto, falam qualquer coisa que o chefe mandar. Fazem acordos diários com o diabo, por medo ou em troca de privilégios. Esses privilégios vão da garantia da participação em grandes coberturas, como as Olimpíadas, às promessas de emprego eterno e aos jabás - situações em que uma empresa jornalística recebe favores monetários (passagens, hospedagem, etc.) para cobrir algum "evento" que, caso contrário, não seria notícia.
A degradação dos meios, como um todo, passa por outros fenômenos: a utilização de novelas com objetivos político-eleitorais e de campanha ideológica; a obtenção de audiência a qualquer custo, com o superdimensionamento de problemas como a criminalidade, especialmente em São Paulo; a sobreposição de anúncios sobre o conteúdo editorial nas páginas de jornais; o fim da fronteira entre Jornalismo e entretenimento, que se expressa de forma ambulante na figura de um ótimo jornalista e animador, Pedro Bial.
O último post do Mino
Em solidariedade a PHA, Mino Carta deixa o IG
Reclamei num post abaixo do silêncio de Mino Carta diante da demissão de Paulo Henrique Amorim do IG.
Eis que o editor da "Carta Capital" respondeu à altura e anunciou que está deixando o portal em solidariedade ao amigo.
Leiam o último post do Blog do Mino:
Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.
Reclamei num post abaixo do silêncio de Mino Carta diante da demissão de Paulo Henrique Amorim do IG.
Eis que o editor da "Carta Capital" respondeu à altura e anunciou que está deixando o portal em solidariedade ao amigo.
Leiam o último post do Blog do Mino:
Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.
Água em Natal
Perto do colapso
O sistema de abastecimento de água de Natal está à beira de um colapso. Matéria do "Diário de natal" de hoje informa que a demanda de água na cidade já é quase o dobro da oferta.
A informação, segundo o jornal, foi dada pelo diretor técnico da Caern (Companhia de Águas e Esgotos do RN), Clóvis Veloso. Ele disse que a demanda de água na capital é de 3,5 mil a 4 mil metros cúbicos de água por hora. Mas a oferta hoje é menor que 2 mil metros cúbicos.
O fechamento de 26 poços contaminados por nitrato, nos últimos três anos, afetou a distribuição de água de seis bairros da capital.
A Caern está fazendo rodízio no abastecimento para evitar o colapso total. Os bairros mais afetados são Cidade da Esperança, Nova Descoberta, Quintas, Felipe Camarão, parte da Redinha e o conjunto Morro Branco.
Curiosamente, com excessão de Morro Branco, todos esses bairros estão entre as comunidades mais carentes da cidade, onde a população, além da falta d'água, também sofre com a insegurança, escolas ruins e serviço de saúde precário.
De acordo com a Caern, a distribuição de água em Natal só voltará ao normal em dois anos, quando for concluido o programa governamental para sanear 60% da área da cidade.
O órgão também afirma que o problema será amenizado com as chuvas e a construção da adutora do Jiqui, que vai fornecer 1,2 mil metros cúbicos de água por hora.
O sistema de abastecimento de água de Natal está à beira de um colapso. Matéria do "Diário de natal" de hoje informa que a demanda de água na cidade já é quase o dobro da oferta.
A informação, segundo o jornal, foi dada pelo diretor técnico da Caern (Companhia de Águas e Esgotos do RN), Clóvis Veloso. Ele disse que a demanda de água na capital é de 3,5 mil a 4 mil metros cúbicos de água por hora. Mas a oferta hoje é menor que 2 mil metros cúbicos.
O fechamento de 26 poços contaminados por nitrato, nos últimos três anos, afetou a distribuição de água de seis bairros da capital.
A Caern está fazendo rodízio no abastecimento para evitar o colapso total. Os bairros mais afetados são Cidade da Esperança, Nova Descoberta, Quintas, Felipe Camarão, parte da Redinha e o conjunto Morro Branco.
Curiosamente, com excessão de Morro Branco, todos esses bairros estão entre as comunidades mais carentes da cidade, onde a população, além da falta d'água, também sofre com a insegurança, escolas ruins e serviço de saúde precário.
De acordo com a Caern, a distribuição de água em Natal só voltará ao normal em dois anos, quando for concluido o programa governamental para sanear 60% da área da cidade.
O órgão também afirma que o problema será amenizado com as chuvas e a construção da adutora do Jiqui, que vai fornecer 1,2 mil metros cúbicos de água por hora.
Desmentido
O IG mentiu quando disse que o site de Paulo Henrique Amorim foi retirado do ar porque não dava audiência.
De acordo com o Portal Imprensa, a justificativa de baixa audiência é desmentida pelo próprio IG, que em sua "Central do Assinante" mostra que o "Conversa Afiada" tinha 475 mil acessos únicos por mês.
Para o jornalista Luiz Carlos Azenha do blog "Vi o Mundo", "O que o IG fez com Paulo Henrique Amorim e com os milhares de internautas que freqüentavam diariamente o "Conversa Afiada" foi, para dizer o mínimo, um grosseiro desrespeito."
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, definiu o episódio como "aviso, boicote, censura, punição."
Cadê os arautos defensores da liberdade de imprensa da grande mídia?
A Folha não vai dizer nada?
O Jô Soares, sempre vigilante, não vai se manifestar?
Mino Carta também não disse nenhuma palavra ainda.
Luis Nassif saiu-se com um "não sei os motivos da demissão" em seu blog.
De acordo com o Portal Imprensa, a justificativa de baixa audiência é desmentida pelo próprio IG, que em sua "Central do Assinante" mostra que o "Conversa Afiada" tinha 475 mil acessos únicos por mês.
Para o jornalista Luiz Carlos Azenha do blog "Vi o Mundo", "O que o IG fez com Paulo Henrique Amorim e com os milhares de internautas que freqüentavam diariamente o "Conversa Afiada" foi, para dizer o mínimo, um grosseiro desrespeito."
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, definiu o episódio como "aviso, boicote, censura, punição."
Cadê os arautos defensores da liberdade de imprensa da grande mídia?
A Folha não vai dizer nada?
O Jô Soares, sempre vigilante, não vai se manifestar?
Mino Carta também não disse nenhuma palavra ainda.
Luis Nassif saiu-se com um "não sei os motivos da demissão" em seu blog.
terça-feira, 18 de março de 2008
Putaria Geral
Na posse, novo governador de Nova York confessa traição
David Paterson, novo governador de Nova York, assumiu o poder depois da renúncia do seu antecessor, Eliot Spitzer, envolvido em um escândalo sexual. O "New York Times" denunciou que Eliot usou dinheiro público para pagra prostitutas de luxo.
Após assumir o posto, Paterson confessou que ele e sua mulher, Michelle Paterson, cometeram trairam um ao outro no passado.
O novo governador, que é meio vesgo do olho esquerdo, disse que ele e a mulher iam se separar, mas após fazerem terapia de casal, estão novamente apaixonados.
Michelle disse que "nenhum casamento é perfeito".
Como dizia o saudoso Luiz Gonzaga, ô povo mudernu.
David Paterson, novo governador de Nova York, assumiu o poder depois da renúncia do seu antecessor, Eliot Spitzer, envolvido em um escândalo sexual. O "New York Times" denunciou que Eliot usou dinheiro público para pagra prostitutas de luxo.
Após assumir o posto, Paterson confessou que ele e sua mulher, Michelle Paterson, cometeram trairam um ao outro no passado.
O novo governador, que é meio vesgo do olho esquerdo, disse que ele e a mulher iam se separar, mas após fazerem terapia de casal, estão novamente apaixonados.
Michelle disse que "nenhum casamento é perfeito".
Como dizia o saudoso Luiz Gonzaga, ô povo mudernu.
Míriam Leitão não vai gostar
EUA cortam juros e Bovespa reage
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 3,20% nesta terça-feira. O dólar caiu 1,91% e encerrou o dia cotado a R$ 1,69.
A recuperação da Bovespa se deu após a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, de cortar a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual. Agora, a taxa americana é de 2,25%.
Além da Bovespa, outros mercados também registraram recuperação: Dow Jones (3,51%), Nasdaq (4,19%); FTSE Eurofirst (3,52%); Nikkei, do Japão, (1,50%); Hang Seng, de Hong Kong (1,42%).
Apenas na China houve queda. O índice da bolsa de Xangai despecou 8,51%.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 3,20% nesta terça-feira. O dólar caiu 1,91% e encerrou o dia cotado a R$ 1,69.
A recuperação da Bovespa se deu após a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, de cortar a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual. Agora, a taxa americana é de 2,25%.
Além da Bovespa, outros mercados também registraram recuperação: Dow Jones (3,51%), Nasdaq (4,19%); FTSE Eurofirst (3,52%); Nikkei, do Japão, (1,50%); Hang Seng, de Hong Kong (1,42%).
Apenas na China houve queda. O índice da bolsa de Xangai despecou 8,51%.
Ainda a demissão de PHA
Até Reinaldo Azevedo desconfia de Daniel Dantas
O blogueiro da Veja disse que "a operação BrT-Oi é uma desculpa verossímil para a demissão" de Paulo Henrique Amorim.
Ele ressalta, porém, que essa explicação não é "necessariamente verdadeira". Mas se até ele cogita essa possibilidade, é porque a coisa tá muito explícita.
Leia a íntegra do comentário de Azevedo:
Demitido por quê?
Queridos,
Não cabe a mim especular por que o sr. Paulo Henrique Amorim, cujo jornalismo se tornou notório, foi demitido do iG. Sei lá. Ele deve alegar que é porque a Oi vai mesmo comprar a Brasil Telecom. Eu prefiro pensar que o iG o dispensou em razão do tipo de jornalismo que ele pratica.
Vocês sabem, podem achar na Internet: o primeiro que criticou a operação BrT-Oi fui eu. Por quê? Ora, é simples. Meu primado: no capitalismo, negócios se fazem de acordo com as leis; em país bananeiro, leis se fazem de acordo com os negócios. Nem entrei no mérito se seria bom ou não para o consumidor ou se essa é uma tendência desse mercado. Fiquei na questão de princípio, como sempre.
Se bem se lembram, dois subjornalistas me atacaram, então, dizendo que eu escrevia o que Daniel Dantas gostava de ler. Ora, Dantas está a favor da operação, que vai lhe render uma bolada de R$ 2 bilhões. Não mudei de idéia. Eles mudaram. O agora demitido passou a fazer uma oposição radical ao negócio e aparentemente suicida. Digo “aparentemente” porque não vejo, neste cidadão, alguém que acaba se dando mal. Acho que as escolhas morais que ele fez ao longo da vida lhe permitem sempre se dar bem. É uma pessoa muito esperta. O seu parceiro de oposição radical à fusão percebeu que estava entrando água no navio e tratou de saltar fora, sempre com aquela moral elevada. E decidiu não tocar mais no assunto.
Causas
Mas insisto: a operação BrT-Oi é uma desculpa verossímil para a demissão, mas não necessariamente verdadeira. Prefiro pensar que o iG pode estar fazendo a opção pelo jornalismo que honra a apuração, a independência, o bom texto, o jornalismo etc. Será isso? O tempo vai nos dizer, não é mesmo? Lamento pela equipe, que, espero, encontre logo o seu lugar no mercado de trabalho, já que o de profissionais como Amorim estará sempre garantido.
O blogueiro da Veja disse que "a operação BrT-Oi é uma desculpa verossímil para a demissão" de Paulo Henrique Amorim.
Ele ressalta, porém, que essa explicação não é "necessariamente verdadeira". Mas se até ele cogita essa possibilidade, é porque a coisa tá muito explícita.
Leia a íntegra do comentário de Azevedo:
Demitido por quê?
Queridos,
Não cabe a mim especular por que o sr. Paulo Henrique Amorim, cujo jornalismo se tornou notório, foi demitido do iG. Sei lá. Ele deve alegar que é porque a Oi vai mesmo comprar a Brasil Telecom. Eu prefiro pensar que o iG o dispensou em razão do tipo de jornalismo que ele pratica.
Vocês sabem, podem achar na Internet: o primeiro que criticou a operação BrT-Oi fui eu. Por quê? Ora, é simples. Meu primado: no capitalismo, negócios se fazem de acordo com as leis; em país bananeiro, leis se fazem de acordo com os negócios. Nem entrei no mérito se seria bom ou não para o consumidor ou se essa é uma tendência desse mercado. Fiquei na questão de princípio, como sempre.
Se bem se lembram, dois subjornalistas me atacaram, então, dizendo que eu escrevia o que Daniel Dantas gostava de ler. Ora, Dantas está a favor da operação, que vai lhe render uma bolada de R$ 2 bilhões. Não mudei de idéia. Eles mudaram. O agora demitido passou a fazer uma oposição radical ao negócio e aparentemente suicida. Digo “aparentemente” porque não vejo, neste cidadão, alguém que acaba se dando mal. Acho que as escolhas morais que ele fez ao longo da vida lhe permitem sempre se dar bem. É uma pessoa muito esperta. O seu parceiro de oposição radical à fusão percebeu que estava entrando água no navio e tratou de saltar fora, sempre com aquela moral elevada. E decidiu não tocar mais no assunto.
Causas
Mas insisto: a operação BrT-Oi é uma desculpa verossímil para a demissão, mas não necessariamente verdadeira. Prefiro pensar que o iG pode estar fazendo a opção pelo jornalismo que honra a apuração, a independência, o bom texto, o jornalismo etc. Será isso? O tempo vai nos dizer, não é mesmo? Lamento pela equipe, que, espero, encontre logo o seu lugar no mercado de trabalho, já que o de profissionais como Amorim estará sempre garantido.
A demissão de PHA
As explicações do IG
O ombudsman do portal fala sobre a demissão de Paulo Henrique Amorim e a saída do "Conversa Afiada" do ar:
O leitor do iG foi surpreendido hoje, entre 16h15 e 16h30, com a retirada do ar do site “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim. Oficialmente, a assessoria de imprensa do iG informa que “o contrato foi rescindido pelo iG e que todas as cláusulas rescisórias foram atendidas”.
Diz o iG que vem fazendo uma reestruturação do portal, o que inclui “a rescisão de contratos desvantajosos para a empresa”. Era o caso do site de Paulo Henrique Amorim, o qual, segundo o iG, não trazia “receita nem audiência”. Essa é, em essência, a manifestação oficial do iG.
Este ombudsman já criticou e elogiou o trabalho de Paulo Henrique Amorim no iG. O estranho é testemunhar a ruptura súbita, sem aviso anterior ou posterior aos leitores, afetando um site notoriamente controvertido.
O ombusdman também fala sobre a possível relação entre a demissão de PHA e as críticas que o jornalista fazia à compra da Brasil Telecom, proprietária do IG, pela OI, do banqueiro Daniel Dantas:
A favor de Amorim há o fato de ele defender opiniões únicas no panorama da grande mídia nacional. Contra ele há o fato de que essas opiniões às vezes vinham acompanhadas de ataques pessoais desnecessários.
Não se discutem opções empresariais que fazem parte das atividades de qualquer empresa. Caberia, porém, um esclarecimento público e voluntário do portal sobre a ruptura com Amorim e sobre sua relação com temas sensíveis, como o processo de compra, pela Oi, da Brasil Telecom, proprietária deste iG. Amorim é crítico radical desta compra e tem atacado os que a defendem.
De qualquer forma, o iG e, de resto, todos os grandes veículos brasileiros, devem informar sobre si próprios com a transparência que cobram das outras instituições, e como fazem os melhores veículos da mídia internacional.
Comentário
Muito estranha a demissão do PHA. Eu mesmo já fiz várias críticas ao jornalista, principalmente pela postura hipócrita dele de só falar das mazelas da Globo e deixar a Record de lado, como se a emissora do bispo Edir Macedo fosse um primor de democracia e qualidade de programação.
Mas é inegável que o "Conversa Afiada" era um importante contraponto em relação à mídia tradicional. Mesmo discordando dele às vezes, as opiniões do PHA mostravam um lado das coisas que dificilmente você encontraria em outro espaço.
Como o ombusdman admite, PHA era um crítico radical da compra da Brasil Telecom pela Oi. É evidente que tem o dedo - ou a orelha, se preferirem - de Daniel Dantas nessa história.
O ombudsman do portal fala sobre a demissão de Paulo Henrique Amorim e a saída do "Conversa Afiada" do ar:
O leitor do iG foi surpreendido hoje, entre 16h15 e 16h30, com a retirada do ar do site “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim. Oficialmente, a assessoria de imprensa do iG informa que “o contrato foi rescindido pelo iG e que todas as cláusulas rescisórias foram atendidas”.
Diz o iG que vem fazendo uma reestruturação do portal, o que inclui “a rescisão de contratos desvantajosos para a empresa”. Era o caso do site de Paulo Henrique Amorim, o qual, segundo o iG, não trazia “receita nem audiência”. Essa é, em essência, a manifestação oficial do iG.
Este ombudsman já criticou e elogiou o trabalho de Paulo Henrique Amorim no iG. O estranho é testemunhar a ruptura súbita, sem aviso anterior ou posterior aos leitores, afetando um site notoriamente controvertido.
O ombusdman também fala sobre a possível relação entre a demissão de PHA e as críticas que o jornalista fazia à compra da Brasil Telecom, proprietária do IG, pela OI, do banqueiro Daniel Dantas:
A favor de Amorim há o fato de ele defender opiniões únicas no panorama da grande mídia nacional. Contra ele há o fato de que essas opiniões às vezes vinham acompanhadas de ataques pessoais desnecessários.
Não se discutem opções empresariais que fazem parte das atividades de qualquer empresa. Caberia, porém, um esclarecimento público e voluntário do portal sobre a ruptura com Amorim e sobre sua relação com temas sensíveis, como o processo de compra, pela Oi, da Brasil Telecom, proprietária deste iG. Amorim é crítico radical desta compra e tem atacado os que a defendem.
De qualquer forma, o iG e, de resto, todos os grandes veículos brasileiros, devem informar sobre si próprios com a transparência que cobram das outras instituições, e como fazem os melhores veículos da mídia internacional.
Comentário
Muito estranha a demissão do PHA. Eu mesmo já fiz várias críticas ao jornalista, principalmente pela postura hipócrita dele de só falar das mazelas da Globo e deixar a Record de lado, como se a emissora do bispo Edir Macedo fosse um primor de democracia e qualidade de programação.
Mas é inegável que o "Conversa Afiada" era um importante contraponto em relação à mídia tradicional. Mesmo discordando dele às vezes, as opiniões do PHA mostravam um lado das coisas que dificilmente você encontraria em outro espaço.
Como o ombusdman admite, PHA era um crítico radical da compra da Brasil Telecom pela Oi. É evidente que tem o dedo - ou a orelha, se preferirem - de Daniel Dantas nessa história.
Crise nos EUA
Economistas divergem sobre vulnerabilidade do Brasil
A turbulência que atingiu o mercado financeiro ontem (segunda-feira, 17), causada pelo anúncio da venda do banco de investimentos Bear Stearns para o JP Morgan, por US$ 236 milhões, divide a opinião dos economistas sobre a vulnerabilidade do Brasil diante da possibilidade de uma recessão mundial.
Em entrevista à "Terra Magazine", o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Lessa, e a economista Maria da Conceição Tavares divergiram sobre a extenção da crise externa.
Para Lessa, o Brasil está tão vulnerável à crise quanto outros países. Essa vulnerabilidade se deve, principalmente, à política cambial brasileira que, segundo ele, "colocou o Brasil como um dominó no meio do caminho", e ao elevado patamar da taxa de juros do país.
Já Conceição Tavares afirma que "o Brasil é um dos menos ameaçados" pelo temor de uma recessão mundial. Para a economista, "a saúde do mercado interno brasileiro" vai blindar o país contra a crise que se avizinha.
Ela declarou que "a condição dos bancos americanos está cada vez pior", mas que não pode prever a duração da crise.
Enquanto isso, Míriam Leitão é só sorrisos na Globo. Quando acende a luz amarela da crise e a possibilidade desta atingir o Brasil, a comentarista não consegue esconder a alegria. Não é possível que o presidente Lula consiga sobreviver a uma recessão mundial, imagina ela.
Vai sonhando, vai sonhando...
A turbulência que atingiu o mercado financeiro ontem (segunda-feira, 17), causada pelo anúncio da venda do banco de investimentos Bear Stearns para o JP Morgan, por US$ 236 milhões, divide a opinião dos economistas sobre a vulnerabilidade do Brasil diante da possibilidade de uma recessão mundial.
Em entrevista à "Terra Magazine", o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Lessa, e a economista Maria da Conceição Tavares divergiram sobre a extenção da crise externa.
Para Lessa, o Brasil está tão vulnerável à crise quanto outros países. Essa vulnerabilidade se deve, principalmente, à política cambial brasileira que, segundo ele, "colocou o Brasil como um dominó no meio do caminho", e ao elevado patamar da taxa de juros do país.
Já Conceição Tavares afirma que "o Brasil é um dos menos ameaçados" pelo temor de uma recessão mundial. Para a economista, "a saúde do mercado interno brasileiro" vai blindar o país contra a crise que se avizinha.
Ela declarou que "a condição dos bancos americanos está cada vez pior", mas que não pode prever a duração da crise.
Enquanto isso, Míriam Leitão é só sorrisos na Globo. Quando acende a luz amarela da crise e a possibilidade desta atingir o Brasil, a comentarista não consegue esconder a alegria. Não é possível que o presidente Lula consiga sobreviver a uma recessão mundial, imagina ela.
Vai sonhando, vai sonhando...
"Conversa Afiada" fora do ar
Portal IG demite Paulo Henrique Amorim
O jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog "Vi o Mundo", conta que Paulo Henrique Amorim foi demitido pelo portal IG por fax.
Azenha diz ter falado com amorim por telefone e que ele lhe disse que foi informado por volta das 17h de que o portal não renovaria o contrato, que vence no dia 31 de dezembro próximo.
Segundo Azenha, o IG menciona uma cláusula no contrato que daria ao portal o direito de tirar o site do ar dentro do prazo de 60 dias que antecede o fim do contrato.
Ainda segundo Azenha, PHA disse que voltará amanhã à internet, mas ainda não sabe em qual endereço.
Enquanto isso, Reinaldo Azevedo solta rojões de felicidade!
Atualizando às 21h10
Luis Nassif informa que o novo endereço do Paulo Henrique será no www.paulohenriqueamorim.com.br.
O jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog "Vi o Mundo", conta que Paulo Henrique Amorim foi demitido pelo portal IG por fax.
Azenha diz ter falado com amorim por telefone e que ele lhe disse que foi informado por volta das 17h de que o portal não renovaria o contrato, que vence no dia 31 de dezembro próximo.
Segundo Azenha, o IG menciona uma cláusula no contrato que daria ao portal o direito de tirar o site do ar dentro do prazo de 60 dias que antecede o fim do contrato.
Ainda segundo Azenha, PHA disse que voltará amanhã à internet, mas ainda não sabe em qual endereço.
Enquanto isso, Reinaldo Azevedo solta rojões de felicidade!
Atualizando às 21h10
Luis Nassif informa que o novo endereço do Paulo Henrique será no www.paulohenriqueamorim.com.br.
Genocídio Cultural
Em editorial, Folha de São Paulo fala sobre violação dos direitos humanos e "genocídio cultural" praticado pela "ditadura brutal" da China contra o Tibete
A CHINA, apesar dos ares de modernidade propiciados por seus invejáveis índices de industrialização e crescimento econômico, permanece uma ditadura brutal.
Como o governo de Pequim controla todas as informações e tornou o Tibete território proibido para jornalistas, é difícil avaliar o que lá ocorre. Tibetanos no exílio afirmam que a repressão aos protestos antichineses deixou mais de cem mortos neste fim de semana, enquanto Pequim admite pouco mais de uma dezena -a maioria de chineses da etnia han, que foram violentamente atacados por tibetanos.
O retrospecto das autoridades chineses recomenda ceticismo com declarações oficiais. Ainda assim, pelas informações disponíveis, parece que Pequim está evitando um banho de sangue às vésperas dos Jogos Olímpicos, que ocorrerão em agosto na capital chinesa.
A moderação interessada de hoje não torna menos condenável a política de Pequim para o Tibete, que vem sendo governado com mão-de-ferro desde 1959, após o fracasso da revolta anticomunista que levou o dalai-lama a exilar-se. Além da violação sistemática dos direitos humanos, as tradições do país vêm sendo desrespeitadas -numa espécie de "genocídio cultural", como diz o líder espiritual.
O ideal seria encontrar solução acordada, pela qual os tibetanos gozassem de autonomia de fato. O dalai-lama já declarou aceitar essa solução, abrindo mão do pleito por independência. A soberania sobre o Tibete é importante para Pequim, pois a região, rica em recursos minerais, ocupa mais de 10% do território do país e extensa faixa de fronteira. Apesar disso, conferir autonomia política e cultural ao Tibete não seria inédito para a China, que já convive com situação similar no caso de Hong Kong.
Nada indica, contudo, que Pequim vá renunciar ao uso da força contra a indefesa população tibetana.
A CHINA, apesar dos ares de modernidade propiciados por seus invejáveis índices de industrialização e crescimento econômico, permanece uma ditadura brutal.
Como o governo de Pequim controla todas as informações e tornou o Tibete território proibido para jornalistas, é difícil avaliar o que lá ocorre. Tibetanos no exílio afirmam que a repressão aos protestos antichineses deixou mais de cem mortos neste fim de semana, enquanto Pequim admite pouco mais de uma dezena -a maioria de chineses da etnia han, que foram violentamente atacados por tibetanos.
O retrospecto das autoridades chineses recomenda ceticismo com declarações oficiais. Ainda assim, pelas informações disponíveis, parece que Pequim está evitando um banho de sangue às vésperas dos Jogos Olímpicos, que ocorrerão em agosto na capital chinesa.
A moderação interessada de hoje não torna menos condenável a política de Pequim para o Tibete, que vem sendo governado com mão-de-ferro desde 1959, após o fracasso da revolta anticomunista que levou o dalai-lama a exilar-se. Além da violação sistemática dos direitos humanos, as tradições do país vêm sendo desrespeitadas -numa espécie de "genocídio cultural", como diz o líder espiritual.
O ideal seria encontrar solução acordada, pela qual os tibetanos gozassem de autonomia de fato. O dalai-lama já declarou aceitar essa solução, abrindo mão do pleito por independência. A soberania sobre o Tibete é importante para Pequim, pois a região, rica em recursos minerais, ocupa mais de 10% do território do país e extensa faixa de fronteira. Apesar disso, conferir autonomia política e cultural ao Tibete não seria inédito para a China, que já convive com situação similar no caso de Hong Kong.
Nada indica, contudo, que Pequim vá renunciar ao uso da força contra a indefesa população tibetana.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Censurados
Governo da China bloqueia Youtube e site do "The Guardian"
Há dois dias, o governo chinês bloqueou o acesso ao YouTube, maior portal de troca de vídeos da Internet, com o objetivo de impedir a circulação das imagens do conflito no Tibete.
O site do jornal britânico "The Guardian" também está bloqueado. O jornal foi um dos primeiros a publicar fotos das manifestações.
Os protestos acontecem desde a semana passada em Lhasa, capital histórica do Tibete. As manifestações são contra a violação dos direitos humanos por parte da China e por mais liberdade política e religiosa na região.
O Exército da China chegou à região do Tibete em 1950. Desde então, os tibetanos lutam contra a invasão e a dominação chinesa.
O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, disse que o que acontece no Tibete é um "genocídio cultutal" e pediu uma investigação internacional sobre os atos do governo chinês.
O governo da Região Autônoma do Tibete no exílio estima que pelo menos 80 pessoas morreram nos protestos na sexta-feira e no sábado. O governo de Pequim reconhece apenas dez mortos.
Veja abaixo os vídeos proibidos na China:
Há dois dias, o governo chinês bloqueou o acesso ao YouTube, maior portal de troca de vídeos da Internet, com o objetivo de impedir a circulação das imagens do conflito no Tibete.
O site do jornal britânico "The Guardian" também está bloqueado. O jornal foi um dos primeiros a publicar fotos das manifestações.
Os protestos acontecem desde a semana passada em Lhasa, capital histórica do Tibete. As manifestações são contra a violação dos direitos humanos por parte da China e por mais liberdade política e religiosa na região.
O Exército da China chegou à região do Tibete em 1950. Desde então, os tibetanos lutam contra a invasão e a dominação chinesa.
O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, disse que o que acontece no Tibete é um "genocídio cultutal" e pediu uma investigação internacional sobre os atos do governo chinês.
O governo da Região Autônoma do Tibete no exílio estima que pelo menos 80 pessoas morreram nos protestos na sexta-feira e no sábado. O governo de Pequim reconhece apenas dez mortos.
Veja abaixo os vídeos proibidos na China:
É com esse que eu vou...
O PT de São Paulo lançou o slogan "Volta Marta", para marcar o início da campanha da ex-prefeita e atual ministra do Turismo Marta Suplicy, que será novamente candidata este ano.
A "Terra Magazine" informa que Marta vai de João Santana como marqueteiro. João Santana foi o marqueteiro da campanha pela reeleição do presidente Lula em 2006. Naquele ano, os slogans "Lula de novo, com a força do povo" e "Não troco o certo pelo duvidoso. Quero Lula de novo" embalaram a vitória do petista.
Para quem não sabe ou não se lembra, João Santana também foi o marqueteiro do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, quando ele disputou e venceu duas vezes as eleições pelo Governo do Rio Grande do Norte.
A "Terra Magazine" informa que Marta vai de João Santana como marqueteiro. João Santana foi o marqueteiro da campanha pela reeleição do presidente Lula em 2006. Naquele ano, os slogans "Lula de novo, com a força do povo" e "Não troco o certo pelo duvidoso. Quero Lula de novo" embalaram a vitória do petista.
Para quem não sabe ou não se lembra, João Santana também foi o marqueteiro do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, quando ele disputou e venceu duas vezes as eleições pelo Governo do Rio Grande do Norte.
Os neoliberais brasileiros e sua fobia ao povo
Artigo de Mauro Santayana, no "Jornal do Brasil", hoje:
Coisas da política: As listas e as prévias
Algumas idéias continuam a flutuar na atmosfera política. Uma delas é a da democratização da escolha dos candidatos aos cargos majoritários, mediante consultas prévias às bases partidárias. Principal partido de oposição, o PSDB divide-se em duas correntes eleitorais. O Partido da Social Democracia Brasileira nada tem a ver com seu nome - o que ocorre também com quase todos os outros partidos. Ao escolher Minas a fim de acolher o primeiro congresso, talvez tenham buscado associar o nome do novo partido ao velho PSD, criado pela inteligência política de Benedito Valadares, com a ajuda de alguns homens públicos e intelectuais mineiros. Ao encomendar, ao professor Mário Casasanta, a tarefa de redigir o rascunho do programa e estatutos do partido, em 1945, Benedito recomendou-lhe, que pusesse no texto "alguma coisa de comunismo, porque está na moda".
Casasanta buscou a denominação no partido surgido do movimento socialista europeu do século 19. O PSDB foi criado por iniciativa de mineiros e paulistas, mas se os mineiros a ele aportaram alguma idéia tática - entre elas a do nome e do símbolo ornitológico - os paulistas, mercê de seu poder econômico e densidade eleitoral, sempre o controlaram.
No momento, tanto Aécio quanto Serra agem dentro dos ritos da elegância. Sob a necessária conveniência, a disputa não se expressa com clareza. Cresce a proposta de que o partido faça consultas prévias aos filiados. Se se fizerem como nos Estados Unidos, dificilmente um candidato de São Paulo será o escolhido. Como disse o ex-presidente Itamar Franco, o resto do Brasil não parece disposto a aceitar a continuação da hegemonia paulista por mais oito anos. Isso significaria um quarto de século de presença do estado no centro do poder da República.
Embora Serra e Aécio não estejam tão distantes um do outro, no pragmatismo do centro político, os interesses econômicos e as idéias fundamentais das duas sociedades os distinguem. Podemos começar pelo sentimento nacional, muito mais denso em Minas, desde os tempos da capitania, em que seu povo foi espoliado do ouro e dos diamantes. A economia do café levou São Paulo à Europa na segunda metade do século 19, e abriu o Estado à industrialização, mediante o fluxo de imigrantes. Quando Minas adotou, com mais decisão, a lavoura cafeeira, no fim do século, São Paulo já estava bem adiante. Os imigrantes e as relações econômicas com o Exterior tornaram os paulistas mais tolerantes com a presença cultural e econômica da Europa e dos Estados Unidos, enquanto em Minas a situação era diferente. Os mineiros, conforme a constatação de Arthur Bernardes, exportavam minérios - que não dão duas safras - para fazer a prosperidade e o poder dos outros. Seria improvável que um mineiro promovesse, como presidente ou ministro de Estado, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, cuja criação fora reivindicação do povo e do Estado.
A Revolução de 30 surgiu, entre outros fatores, da rebelião contra a hegemonia econômica e política de São Paulo. Getúlio iniciou o processo de descentralização da economia, mediante a intervenção do Estado. Juscelino lhe deu continuidade, na Operação Nordeste. Lula, com dupla identidade - de nordestino e paulista - vem promovendo a ascensão social e econômica dos Estados pobres, mediante os programas conhecidos, ao mesmo tempo em que cultiva os banqueiros de São Paulo e é por eles cultivado. Entre os paulistas mais lúcidos - e eles são muito mais numerosos do que parece - existe a consciência de que chegou a hora de buscar, no resto do país, chefe de Estado que veja a nação como um todo. Essa postura eles a tiveram em 1984, quando somaram-se à candidatura de Tancredo Neves contra Maluf. Sabem que se não houver a descentralização de sua prosperidade, São Paulo continuará a atrair, para a inquietadora periferia de sua capital, a pobreza do resto do país - e, com a desigualdade, o desespero da violência.
Outra idéia é a da reforma política. Uma das recomendações do PSDB é a do voto em lista fechada. Nos países europeus que o adotam, a opinião pública se levanta contra o sistema, por sua natureza antidemocrática, porque confere ao arbítrio ditatorial das direções partidárias a escolha dos candidatos. Há dias, Juan Luis Cebrián - um dos fundadores de El País - publicava lúcida e concisa análise política, em que prega reforma constitucional para assegurar a democratização efetiva do sistema político espanhol. Entre outras de suas idéias, está a do fim da lista fechada e a adoção do voto aberto e uninominal, como ocorre entre nós. Os neoliberais brasileiros, com sua fobia ao povo, querem a lista fechada para consolidar o controle do poder econômico sobre os partidos e a República.
Coisas da política: As listas e as prévias
Algumas idéias continuam a flutuar na atmosfera política. Uma delas é a da democratização da escolha dos candidatos aos cargos majoritários, mediante consultas prévias às bases partidárias. Principal partido de oposição, o PSDB divide-se em duas correntes eleitorais. O Partido da Social Democracia Brasileira nada tem a ver com seu nome - o que ocorre também com quase todos os outros partidos. Ao escolher Minas a fim de acolher o primeiro congresso, talvez tenham buscado associar o nome do novo partido ao velho PSD, criado pela inteligência política de Benedito Valadares, com a ajuda de alguns homens públicos e intelectuais mineiros. Ao encomendar, ao professor Mário Casasanta, a tarefa de redigir o rascunho do programa e estatutos do partido, em 1945, Benedito recomendou-lhe, que pusesse no texto "alguma coisa de comunismo, porque está na moda".
Casasanta buscou a denominação no partido surgido do movimento socialista europeu do século 19. O PSDB foi criado por iniciativa de mineiros e paulistas, mas se os mineiros a ele aportaram alguma idéia tática - entre elas a do nome e do símbolo ornitológico - os paulistas, mercê de seu poder econômico e densidade eleitoral, sempre o controlaram.
No momento, tanto Aécio quanto Serra agem dentro dos ritos da elegância. Sob a necessária conveniência, a disputa não se expressa com clareza. Cresce a proposta de que o partido faça consultas prévias aos filiados. Se se fizerem como nos Estados Unidos, dificilmente um candidato de São Paulo será o escolhido. Como disse o ex-presidente Itamar Franco, o resto do Brasil não parece disposto a aceitar a continuação da hegemonia paulista por mais oito anos. Isso significaria um quarto de século de presença do estado no centro do poder da República.
Embora Serra e Aécio não estejam tão distantes um do outro, no pragmatismo do centro político, os interesses econômicos e as idéias fundamentais das duas sociedades os distinguem. Podemos começar pelo sentimento nacional, muito mais denso em Minas, desde os tempos da capitania, em que seu povo foi espoliado do ouro e dos diamantes. A economia do café levou São Paulo à Europa na segunda metade do século 19, e abriu o Estado à industrialização, mediante o fluxo de imigrantes. Quando Minas adotou, com mais decisão, a lavoura cafeeira, no fim do século, São Paulo já estava bem adiante. Os imigrantes e as relações econômicas com o Exterior tornaram os paulistas mais tolerantes com a presença cultural e econômica da Europa e dos Estados Unidos, enquanto em Minas a situação era diferente. Os mineiros, conforme a constatação de Arthur Bernardes, exportavam minérios - que não dão duas safras - para fazer a prosperidade e o poder dos outros. Seria improvável que um mineiro promovesse, como presidente ou ministro de Estado, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, cuja criação fora reivindicação do povo e do Estado.
A Revolução de 30 surgiu, entre outros fatores, da rebelião contra a hegemonia econômica e política de São Paulo. Getúlio iniciou o processo de descentralização da economia, mediante a intervenção do Estado. Juscelino lhe deu continuidade, na Operação Nordeste. Lula, com dupla identidade - de nordestino e paulista - vem promovendo a ascensão social e econômica dos Estados pobres, mediante os programas conhecidos, ao mesmo tempo em que cultiva os banqueiros de São Paulo e é por eles cultivado. Entre os paulistas mais lúcidos - e eles são muito mais numerosos do que parece - existe a consciência de que chegou a hora de buscar, no resto do país, chefe de Estado que veja a nação como um todo. Essa postura eles a tiveram em 1984, quando somaram-se à candidatura de Tancredo Neves contra Maluf. Sabem que se não houver a descentralização de sua prosperidade, São Paulo continuará a atrair, para a inquietadora periferia de sua capital, a pobreza do resto do país - e, com a desigualdade, o desespero da violência.
Outra idéia é a da reforma política. Uma das recomendações do PSDB é a do voto em lista fechada. Nos países europeus que o adotam, a opinião pública se levanta contra o sistema, por sua natureza antidemocrática, porque confere ao arbítrio ditatorial das direções partidárias a escolha dos candidatos. Há dias, Juan Luis Cebrián - um dos fundadores de El País - publicava lúcida e concisa análise política, em que prega reforma constitucional para assegurar a democratização efetiva do sistema político espanhol. Entre outras de suas idéias, está a do fim da lista fechada e a adoção do voto aberto e uninominal, como ocorre entre nós. Os neoliberais brasileiros, com sua fobia ao povo, querem a lista fechada para consolidar o controle do poder econômico sobre os partidos e a República.
domingo, 16 de março de 2008
Veja: O Último Factóide
Luis Nassif publicou hoje o novo capítulo do "Dossiê Veja".
Em "O Último Factóide", Nassif conta a ficção criada pela revista envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Nassif diz que Veja tem o hábito de "criar notícias", recorrendo ao que em jornalismo se chama "cozidão" - fatos velhos requentados e publicados como se fossem novidade.
Neste capítulo, Nassif trata da matéria “A sombra do estado policial”, capa da edição de 22 de agosto de 2007 da Veja.
A matéria "conspiratória" falava sobre o suposto clima de "medo" intalado no STF, cujos ministros, segundo a revista, estavam "assutados" com a possibilidade de terem sido grampeados.
Leia um trecho do capítulo a seguir:
"Ninguém mais na mídia tinha percebido qualquer sinal de "medo" do Supremo, ou de generalização das escutas atingindo os Ministros. Aliás, os últimos abusos contra juízes haviam partido da própria revista e do próprio autor da reportagem, no falso dossiê contra o então presidente do Superior Tribunal de Justiça Edson Vidigal - abordado no capítulo “O dossiê falso”.
Não se sabia ao certo qual a intenção da matéria. Seguramente, uma tentativa canhestra de se aproximar do Supremo, utilizando a moeda de troca da qual a revista sempre usou e abusou: a visibilidade, a apologia, pegando no centro de uma das fraquezas humanas, a vaidade.
Podia ser a Abril querendo se aproximar do STF (em função da expectativa de uma eventual CPI da Abril), ou se sentindo objeto de investigação da Polícia Federal, ou algo relacionado com as pendengas entre Daniel Dantas e a PF; ou mesmo como forma de coação indireta aos membros do STF, que estavam prestes a julgar os acusados pelo "mensalão".
Que era um factóide, não havia dúvida.
(...)
Mas o factóide da escuta no Supremo foi um marco importante, por ter sido o primeiro absurdo da Veja que não mereceu repercussão na mídia. Até então, todos os abusos eram repercutidos, por um efeito pavloviano que fez com que o esgoto que vazava da cobertura da revista acabasse contaminando o restante da mídia.
Com um factóide, a revista conseguiu criar outro factóide, a CPI do Grampo, e impedir a CPI da Veja."
Leia a íntegra do capítulo aqui.
Em "O Último Factóide", Nassif conta a ficção criada pela revista envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Nassif diz que Veja tem o hábito de "criar notícias", recorrendo ao que em jornalismo se chama "cozidão" - fatos velhos requentados e publicados como se fossem novidade.
Neste capítulo, Nassif trata da matéria “A sombra do estado policial”, capa da edição de 22 de agosto de 2007 da Veja.
A matéria "conspiratória" falava sobre o suposto clima de "medo" intalado no STF, cujos ministros, segundo a revista, estavam "assutados" com a possibilidade de terem sido grampeados.
Leia um trecho do capítulo a seguir:
"Ninguém mais na mídia tinha percebido qualquer sinal de "medo" do Supremo, ou de generalização das escutas atingindo os Ministros. Aliás, os últimos abusos contra juízes haviam partido da própria revista e do próprio autor da reportagem, no falso dossiê contra o então presidente do Superior Tribunal de Justiça Edson Vidigal - abordado no capítulo “O dossiê falso”.
Não se sabia ao certo qual a intenção da matéria. Seguramente, uma tentativa canhestra de se aproximar do Supremo, utilizando a moeda de troca da qual a revista sempre usou e abusou: a visibilidade, a apologia, pegando no centro de uma das fraquezas humanas, a vaidade.
Podia ser a Abril querendo se aproximar do STF (em função da expectativa de uma eventual CPI da Abril), ou se sentindo objeto de investigação da Polícia Federal, ou algo relacionado com as pendengas entre Daniel Dantas e a PF; ou mesmo como forma de coação indireta aos membros do STF, que estavam prestes a julgar os acusados pelo "mensalão".
Que era um factóide, não havia dúvida.
(...)
Mas o factóide da escuta no Supremo foi um marco importante, por ter sido o primeiro absurdo da Veja que não mereceu repercussão na mídia. Até então, todos os abusos eram repercutidos, por um efeito pavloviano que fez com que o esgoto que vazava da cobertura da revista acabasse contaminando o restante da mídia.
Com um factóide, a revista conseguiu criar outro factóide, a CPI do Grampo, e impedir a CPI da Veja."
Leia a íntegra do capítulo aqui.
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