sábado, 22 de março de 2008

Nelson Jobim

Ministro diz nos EUA que já rodou "bolsinha por muita rua"

O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, saiu daquele costumeiro tom de seriedade que lhe é peculiar e virou motivo de piada. Ele disse nos EUA, falando a uma platéia formada por acadêmicos, militares e jornalistas no CSIS (um centro de estudos estratégicos internacionais), segundo informa a Folha, que já rodou "bolsinha por muita rua".

O ministro respondia se pretendia ser candidato à Presidência da República em 2010, como sempre se especula aqui no Brasil.

Antes de ser nomeado ministro da Defesa pelo presidente Lula, Nelson Jobim foi presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministro da Justiça do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Estaria o ministro, ao dizer que rodou "bolsinha por muita rua", comparando os governos FHC e Lula às esquinas e ruas de prostituição das cidades brasileiras?

Eita, eita... Que Brasília é uma grande cabaré, a gente já sabia. Mais daí o nosso ministro se comprar a uma puta de beira de rua, isso ninguém esperava.

Epidemia de dengue no RJ

A responsabilidade da mídia

Por falar em Rio de Janeiro, tem um artigo de Gustavo Barreto no "Fazendo Média" tratando da parcela de culpa da mídia na epidemia de dengue que assola a cidade.

Gustavo diz que o prefeito César Maia ignorou o alerta dado por um órgão ligado à própria Prefeitura do Rio de Janeiro, com a tarefa de fiscalizar as contas municipais, de que a dengue estava voltando com força.

O alerta também foi dado pelo Ministério da Saúde e denunciado pela mídia alternativa e setores organizados da sociedade civil. O prefeito continuou ignorando o perigo real e a grande mídia só começou a falar no problema quando a epidmeia já estava configurada. Assim mesmo, limitando-se a atualizar o placar de casos confirmados e de mortes por dengue.

A imprensa pauta os assuntos que ela quer e quando ela quer, da maneira que lhe é mais conveniente. Para Gustavo, o problema da dengue no Rio de Janeiro é um exemplo de como a grande mídia está desconectada da vida real e não contribui para o esclarecimento da população. Pelo contrário, ao invés de informar, dissemina o pânico.

Gustavo também denuncia que a Secretaria de Saúde do município do Rio de Janeiro não executou ou desviou para outras áreas os recursos que deveriam ir para o controle de vetores – incluindo o mosquito da dengue.

Leia o artigo completo aqui.

(Des)Encontro com a Notícia

Hoje resolvi exercitar o meu lado masoquista assistindo o "Encontro com a Notícia", na TV Tropical do senador José Agripino do DEM.

Não aguentei mais que o primeiro bloco. Aquilo lá tá cada dia pior. Incrível como eles conseguem se superar.

Quando Casciano Vidal, apresentador do programa, elencou as notícias mais importantes da semana (na opinião dele, claro) e passou a bola para a jornalista Ana Carla Queiroz (?) comentá-las, eu pensei: "lá vem merda".

Prestem atenção no show que a moça deu:

Ana Carla Queiroz sobre o aumento da violência contra os jovens: "alarmante, preocupante, muito sério, a culpa é das drogas".

Ana Carla Queiroz sobre a epidemia de dengue na cidade do Rio de Janeiro: "a culpa não é só do governo, as pessoas também têm culpa".

Ela não disse que o prefeito da cidade é César Maia, coincidentemente do mesmo partido do patrão dela, o senador José Agripino.

Essa moça é uma comentarista de mão cheia. Deveria estar no Manhattan Connection.

Iraque

Bush chama "guerra" de sucesso


O presidente americano George W. Bush declarou que a "guerra" no Iraque é um "sucesso".

Diogo Mainardi concordou com ele.

Nós conhecemos o pretexto utilizado pelos EUA para invadir o Iraque - a mentira de que o país tinha armas de destruição em massa.

A Reuters produziu um documentário sobre os cinco anos da invasão.

As imagens são fortes.

Clique aqui e confira o que Bush chama de sucesso.

Crise nos EUA

O que está havendo com os liberais?

Um aspecto interessante da crise financeira que assola os Estados Unidos, a mais violenta desde o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, é como o país símbolo do liberalismo econômico está fazendo justamente o contrário do que prega a doutrina liberal.

As instituições financeiras estão quebrando e correndo para pedir ajuda governamental, ou seja, ajuda do Estado.

"Estamos diante de um grande paradoxo. Os países e bancos que se apresentavam -e eram aceitos- como modelos de governança estão hoje na lona", diz o economista e diretor-executivo do FMI, Paulo Nogueira Batista, em artigo na Folha de São Paulo.

O portal Uol noticia que o Governo Bush estuda uma "intervenção radical" para socorrer os donos de imóveis que não conseguem pagar suas hipotecas.

O Governo avalia a idéia de assegurar de 80% a 85% do empréstimo aos donos de imóveis em dificuldades.

"Esta semana, o Governo Bush, em outro passo intervencionista na crise dos mercados financeiros causada pelas hipotecas de alto risco, autorizou injeções de até US$ 200 bilhões no mercado", informa o portal.

É a reivenção do liberalismo econômico histórico.

sexta-feira, 21 de março de 2008

"VEJA" TAMBÉM FAZ CAMPANHA

Mas não são só as Organizações Globo que já estão em campanha.

A Veja também entrou no jogo.

Na "Radar On-line", no site da revista, Lauro Jardim ataca a ministra do Turismo e provável candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy.

"Marta "relaxou" no vôo 455 para Paris" é o título da nota no blog. Trata de um episódio que teria acontecido na terça-feira passada envolvendo a ministra e seu marido, Luis Favre, durante um vôo para Paris.

Marta e seu marido, segundo conta Lauro Jardim, não passaram pela revista de bagagem de mão feita por raios X, o que teria causado a "revolta" dos demais passageiros do vôo.

Ainda segundo Lauro Jardim, o comandante do vôo disse à segurança que só decolaria quando todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X.

'Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram" ', escreveu Jardim em tom de deboche.

A tática da "Veja", nas matérias e notas de coluna, é reforçar o preconceito contra Marta, mostrando-a como perua e antipática.

A revista usou e abusou disso em 2004, quando a ex-prefeita disputou a reeleição contra o tucano José Serra e perdeu no segundo turno.

Tudo que "Veja" não quer é que Marta volte a governar a cidade de São Paulo.

A GLOBO EM CAMPANHA

No post abaixo, reproduzido do "Comunique-se", ficamos sabendo que 62% dos deputados federais admitem que são influenciados pela mídia na hora de votar.

A maioria dos deputados (62%) é mais influenciada pelos telejornais. Para 60,6% destes, o jornal preferido é o "Jornal Nacional" da Globo.

A pesquisa comprova o que afirma o jornalista Luiz Carlos Azenha. Para ele, governo e oposição já estão em campanha e o principal partido da oposição é o Partido das Organizações Globo (POG).

Azenha diz que a Globo vem fazendo um esforço concentrado, desde o Jornal Nacional até as novelas da emissora, passando ainda pelo jornal O Globo e pelo portal Globo.com, tentando pautar as discussões nacionais visando, num primeiro momento, as eleições deste ano e, posteriormente, as eleições de 2010.

Para saber mais sobre como age o Partido das Organizações Globo, clique aqui.

Deu no "Comunique-se"

Mídia influencia mais da metade dos deputados federais, diz pesquisa

"Uma pesquisa da agência FSB Comunicações revela que mais da metade (62%) dos deputados federais entrevistados (246) deu nota acima de cinco, numa escala de 0 a 10, para a influência que a mídia tem em suas decisões e votos.

O estudo “Deputados Federais, Mídia e Conjuntura Política”, realizado entre 04 e 19/12/07, utilizou uma amostra representativa de 48% dos parlamentares da Casa.

A pesquisa aponta ainda que o meio jornal é o mais utilizado pelos deputados federais. Mais de noventa e seis por cento (96,3%) deles lêem jornal todos os dias. O preferido é a Folha de S.Paulo (84,7%), seguido de O Globo (48,6%), Estadão (32,9%) e Correio Braziliense (32,1%).

As revistas estão na consulta diária de 87,8% dos parlamentares. Veja é a mais lida, com 78%, seguida da IstoÉ (52,8%), Época (40,2%) e CartaCapital (25,2%).

Telejornais estão na preferência de 62,2% dos parlamentares, diariamente. Os mais assistidos são: Jornal Nacional (60,6%), seguido do Jornal da Globo (39,4%), Jornal da Record (29,3%) e Jornal das Dez, do SBT (27,2%).

Sites e blogs são consultados todos os dias por 47,2% dos deputados federais, com a maior audiência para o Blog do Noblat (24,4%), seguido do UOL (22,4%), Portal Terra (9,8%) e Josias de Souza (9,3%).

O meio rádio está equiparado com a Internet, com 47,2% da audiência diária dos parlamentares. A CBN está na frente (63,8%), seguida da Band News FM (20,3%), Câmara (15,4%) e Jovem Pan (8,9%)."

Aconteceu no "Aqui Agora"

Baixaria nos bastidores


No programa notabilizado pela espetacularização da notícia, um dos seus apresentadores protagonizou uma cena no melhor estilo sensacionalista. Nem Kafka explica.

O jornalista potiguar Herbert de Souza, um dos âncoras do telejornal "Aqui Agora" do SBT, se desentendeu com um produtor do programa e o agrediu com um soco.

O acontecido deu-se ontem à noite. O nome do produtor agredido é Marcos Coimbra. A confusão rolou nos bastidores, enquanto uma matéria era exibida no vídeo.

Albino Castro, diretor do programa, mandou que Herbert se retirasse dos estúdios e, quando terminou o telejornal, o demitiu.

Herbert de Souza fez parte da equipe da primeira versão do "Aqui Agora", no início da década de 1990, quando o estilo "mundo-cão" fez sucesso na televisão brasileira.

O jornalista apresentava um programa policial na "Sim TV!", afiliada local da "Rede TV!" - haja exclamação! -, quando foi convidado para voltar ao ressuscitado "Aqui Agora".

quinta-feira, 20 de março de 2008

Minha paixão por Clarice Lispector

Chega de notícias, por enquanto.

Hoje o dia está nublado e triste - como é próprio dos dias nublados.

Nem percebi quando a tarde chegou e encheu minha sala de mais vazio.

Ontem, conversava sobre poesia com um ilustre desconhecido.

E falamos sobre Cecília Meireles e Fernando Pessoa.

Mas ando apaixonado mesmo é pela Clarice Lispector.

Li suas "Entrevistas" e, mais que saber sobre seus entrevistados, encantei-me com as delicadas pistas que ela deixou nas linhas e entrelinhas sobre sua própria personalidade.

Li também "Aprendendo a Viver" e, em cada crônica, a sutileza, a elegância, a simplicidade e o absoluto destemor de trazer à tona os sentimentos mais recônditos da autora iam me conquistando até o ponto em que não pude mais impor reservas.

Porque, como me disse meu amigo Maurício, os sentimentos são nossa face mais nossa.

Hoje, li um poema da Clarice chamado "O Sonho".

Leia abaixo e permita-se sonhar você também:


Sonhe com aquilo que você quiser.

Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

Deu no "Vi o Mundo"

PHA obtém vitória contra o IG na Justiça

"O jornalista Paulo Henrique Amorim obteve ontem à noite, na Justiça, uma liminar que dá a ele o direito de recuperar os arquivos do Conversa Afiada que estão nos computadores do portal IG - aos quais deixou de ter acesso assim que a empresa decidiu demití-lo por fax. Funcionários ligados ao Conversa Afiada tiveram seus cartões de acesso à sede do portal bloqueados assim que aconteceu a demissão."

Leia mais aqui.

Caso PHA

Nassif se manifesta

Luis Nassif, finalmente, se manifestou sobre o caso PHA.

Antes, ele havia se saído apenas com um fatídico "não sei os motivos da demissão".

Ontem, em seu blog, ele declarou que não sofre "qualquer espécie de veto ou restrição" do IG.

Ele disse que a demissão de PHA foi "um rompimento unilateral" de contrato e acrescentou que "a forma como se deu o rompimento tenha sido desastrosa e deselegante."

No mais, desejou sucesso a PHA, disse que o episódio não significa a "vitória do jornalismo de esgoto ou perda de espaço da blogosfera independente" e afirmou que o "IG continua um espaço democrático."

Foi muito diplomático.

Factóide?

No post abaixo, eu disse que achava estranho essa notícia de que a Editora Abril estava hospedando o seu conteúdo, inclusive da revista Veja, no portal IG.

A notícia foi dada pelo editor da Revista Fórum, Renato Rovai, em seu blog.

Os Civita, que controlam a Abril, são donos do portal Uol. Então, por que colocariam conteúdo num portal concorrente?

Meu amigo Maurício escreveu um comentário dizendo que eu levei um "pitu".

Eu repito que repercuti a nota dada pelo Rovai, mas em tom de desconfiança e, portanto, sem corroborar com ela .

Não se trata de "testar hipóteses", mas de tentar entender o que estava acontecendo.

A nota provocou polêmica na blogosfera e um leitor escreveu para o Rovai dizendo que a página da Abril no IG é um fake. Outro leitor disse que há anos há uma parceria entre a Abril e o IG para distribuição de conteúdo apenas, não para hospedagem.

Eu não entendo nada disso. Admito que sou completamente leigo no assunto.

Mas no Blog do Nassif, há um post explicando que a Veja usa um sistema de distribuição de tráfego através de uma rede espalhada pela internet, da qual o IG faz parte.

Isso é o mesmo que falar em javanês pra mim.

Mas está feito o registro. Vamos aguardar agora pra ver se alguém que entende desse assunto explica melhor essa coisa (a palavra "coisa" serve para tudo, como diz meu amigo Tales) de "distribuição de tráfego".

Aí, quem sabe, possamos entender que tipo de parceria é essa entre a Abril e o IG.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Estranho, muito estranho...

No Blog do Rovai ( clique aqui para acessar), o editor da Revista Fórum dá mais pistas para nos ajudar a entender a demissão de Paulo Henrique Amorim do IG.

Eu não sabia, mas a Editora Abril está hospedando o conteúdo de suas revistas no IG, através do endereço http://www.abril.ig.com.br/. A Veja está no endereço http://veja.abril.ig.com.br/.

"Isso pode explicar muita coisa a respeito da demissão realizada de forma abjeta pela direção do IG ao âncora do portal. Como também ficarei bastante intrigado se de repente começarem a aparecer publicidades do governo do Estado e de algumas prefeituras, como a de São Paulo, por exemplo, no portal", escreve Rovai.

O que não entendo é por que o Grupo Abril, que é dono do portal Uol, está hospedando o site das suas revistas num portal concorrente?

E mais: se isso tem a ver com a demissão de PHA, que chamava a Veja de "última flor do fascio", por que o Nassif também não foi mandado pra rua?

Como dizia minha avó, tem caroço nesse angu.

Colômbia a caminho da ditadura

Líder da oposição acusa Uribe de repetir "fracasso dos EUA"

Em reportagem especial para a "Terra Magazine" direto de Bogotá, Camila Moraes mostra que nem todos na Colômbia compraram o peixe do presidente Álvaro Uribe e que há visões díspares sobre a conseqüência da crise no continente deflagrada após a invasão de território equatoriano pelo Exército colombiano, em 1º de março, que culminou com a morte do guerrilheiro Raúl Reys, considerado o número 2 das Farc.

Camila destaca que o principal jornal colombiano, "El tiempo", publicou ontem (terça-feira, 18), uma reportagem afirmando que "a OEA conseguiu um consenso para superar a crise diplomática". Mas ela registra que há divergências sobre a questão.

Ainda segundo a jornalista, o presidente Álvaro Uribe e o chanceler Fernando Araújo "sentem a pressão da comunidade internacional e falham ao insistir no argumento da legítima defesa para isentar o país de culpa pelo ataque militar a território equatoriano em 1º de março." Analistas e colunistas da imprensa colombiana especulam que o cargo do chanceler está em perigo e apontam até mesmo nomes de possíveis sucessores.

Camila Moraes entrevistou o principal líder da oposição colombiana, o senador Gustavo Petro, pré-candidato às eleições presidenciais de 2010 pelo Polo Democrático, que disse que o governo de Álvaro Uribe "violou o direito internacional" e que "o que se está construindo na Colômbia é uma ditadura". O senador também disse que é preciso "recuperar a esquerda latino-americana" e que "uma aliança PT-Polo Democrático poderia re-impulsionar a esquerda no subcontinente".

Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Terra Magazine - Qual é sua opinião sobre a atual crise diplomática entre Colômbia e Equador, considerando inclusive a posição que vem sustentando o governo colombiano?

Gustavo Petro - A primeira causa tem a ver com o governo da Colômbia, e a segunda com as Farc. O governo colombiano, sem dúvida alguma, violou o direito internacional. A pergunta aqui, portanto, é por que o fez. Uma resposta simples seria "porque as Farc estão aí", mas o fato é que sempre estiveram. Há décadas, independente de quem são os governos de um lado e de outro. Nessa medida, a desculpa da Colômbia não é suficiente. A realidade é que detrás da política colombiana existe uma repetição, como um espelho, da política dos Estados Unidos de empreender o que eles chamam de "guerra contra o terrorismo". O que supõe uma relativização das fronteiras e uma violação do mecanismo das Nações Unidas, através do qual os países deveriam resolver seus problemas de maneira pacífica e diplomática.Sobre as Farc, a pergunta, no contexto da crise, fica sendo: se as Farc conseguissem transformar em realidade sua política, isso diminuiria o conflito armado na Colômbia ou o aumentaria? O que eu posso dizer é que, da mesma maneira que os recursos dirigidos pelos EUA ao governo colombiano aumentaram o conflito ao invés de diminui-lo, os respaldos que provêm de outros governos para as Farc produziriam o mesmo efeito negativo. Em resumo, a Colômbia precisa mudar sua política internacional e cobrar mais autonomia dos demais países, visando à integração latino-americana e não sua polarização, conforme prioriza a Constituição do país.

O senhor acredita que a política de segurança do governo, centrada nas Farc e no narcotráfico, está contribuindo para a internacionalização do conflito? Existe um problema estratégico no Plano Colômbia?

Claro. O Plano Colômbia é uma ajuda estrangeira para a guerra, que fracassou por ignorar que a maior fortaleza do narcotráfico no país, além de seu dinheiro, é sua relação com o poder político e o Estado colombiano. No último ano, porém, houve uma mudança nesse cenário, com o apoio de uma maioria democrata, ainda que com timidez, para aumentar a ajuda à justiça e à luta contra a impunidade na Colômbia - caminho que eu acredito que é muito mais eficaz como política anti-drogas, ao contrário do financiamento bélico. Falando da droga especificamente, é um projeto que se moveu ao redor da força militar e da fumigação da folha de coca. E hoje o preço da cocaína disparou em Nova Iorque, comparado com o de 2002 - quando o Plano Colômbia estava em seu auge. O que temos é um incremento da oferta de cocaína nos Estados Unidos, logo essa é uma política que fracassou, então temos que construir outra.

Como o senhor vê a situação das fronteiras da Colômbia não só com Equador e Venezuela, mas também com o Brasil, sobre a qual se fala pouco?

O mesmo Plano Colômbia, construído como fumigação armada, vem empurrando os cultivos de folha de coca para as fronteiras. E esses vão rio abaixo, penetrando a selva amazônica. Eu acredito que nesse momento já penetraram territórios amazônicos venezuelanos, brasileiros e equatorianos onde, em realidade, já estavam antes, mas se incrementaram. É um enorme perigo para a selva e, além disso, produz uma desestabilização das fronteiras. Por isso é que a luta anti-narcóticos tem que mudar e tem que ser hoje, fundamentalmente, assunto de um eixo sul-americano. E em relação às Farc, o Exército colombiano, mesmo sendo o maior da América do Sul, não consegue controlar o deslocamento interno da guerrilha. Menos ainda se pode pedir que outros Exércitos, menos fortes e com outras prioridades, controlem seus movimentos para fora do país. As Farc sabem disso e o utilizam como saída de retaguarda.

O senhor é a favor da proposta de Lula de criar de um Conselho Sul-Americano de Defesa?

Completamente. É preciso começar a construir com os demais países sul-americanos instituições e processos comuns ao redor de interesses comuns, que são muitíssimos. Mais ainda neste tema que tem a ver com conflito armado, narcotráfico e o papel desestabilizador que produzem no subcontinente. Mas há outros aspectos que afetam a segurança da América do Sul: o narcotráfico é um, o aquecimento global, que pode produzir a queimada da selva amazônica e sua conversão em deserto rapidamente, é outro. Não há nenhuma política comum ao redor deste que é um tema de impacto direto sobre as sociedades sul-americanas e o mundo. Além disso, como asseguramos a biodiversidade da região? Como equilibramos a questão local de energia, com países que têm recursos tão escassos, enquanto outros têm abundância de recursos? Enfim, há vários temas que permitiriam uma discussão coletiva dentro de um Conselho Sul-Americano de Defesa. A Colômbia tem que entrar para a discussão dessa política internacional.

O Brasil teve ou está tendo um papel importante dentro da crise, em sua opinião?

Não, nenhum. Acho que a tese de manter uma distância prudente da Venezuela e da Colômbia levou o governo a não ter nenhum papel. É uma distância que vem de muito tempo atrás. A selva amazônica terminou servindo não de ponto de contato, mas de muro entre os dois países. O mundo andino não recebeu do Brasil a devida atenção, e pela fronteira é que estão entrando os problemas. Houve a proposta do Conselho de Segurança, que aqui nós ouvimos durante a crise. Por sinal, nós do Polo Democrático a havíamos feito também. É uma coincidência, da qual creio que o Brasil tampouco se inteirou até agora. Vejo isso como uma tentativa do Brasil de retomar uma iniciativa, mas a realidade é que a tinha perdido.

De que maneira o Brasil e especialmente o presidente Lula podem ser parceiros importantes da Colômbia?

Acredito que temos que recuperar a esquerda latino-americana. As Farc representam um papel negativo para essa esquerda e foram a "desculpa que faltava" para a atuação dos Estados Unidos, já que vontade de intervir não lhes falta. E o PT, digamos, que tem clara essa situação, e demonstrou isso no Fórum de São Paulo, deveria se juntar com o Polo Democrático em busca de recuperar o princípio democrático para a esquerda latino-americana, sem voltar a se apostar em processos totalitários, como os que representam as Farc, que por sinal são uma guerra altamente impopular na Colômbia, apesar de se definir como "exército do povo". Uma aliança PT-Polo Democrático poderia re-impulsionar a esquerda no subcontinente, além de impedir um fator de desestabilização e uma possível intervenção dos Estados Unidos.

Em algumas reportagens da imprensa colombiana, o senhor aparece como uma pessoa próxima ao presidente venezuelano Hugo Chávez. Que relação é essa e como o senhor vê a atuação dele, especialmente nessa crise?

Nesse momento, não tenho nenhuma (relação). A posição do Polo Democrático não foi tida em conta e nem houve nenhum tipo de contato entre os dois lados desde o momento em que ele assumiu a mediação, ou seja, desde o fim do ano passado até o momento. A esquerda colombiana não foi escutada, nem pela Venezuela, nem pelo Equador, em todo esse processo que vivemos. Fui amigo de Chávez, mas amizade não significa acompanhar. E se tivéssemos discutido sua postura como mediador até o momento, eu teria dito que se equivocou na avaliação que fez da Colômbia, de sua sociedade, das Farc... E, acredito eu simplesmente, já que isso não me cabe, que também se equivocou na avaliação que a sociedade venezuelana teria de uma intensificação de um conflito com a Colômbia.

E como o senhor vê a tentativa de os Estados Unidos incluirem a Colômbia na lista de países que apóiam o terrorismo?

Os Estados Unidos estão completamente equivocados na sua guerra contra o terrorismo. É assim de simples. Todo o resto são instrumentos de uma política global fracassada. Terão de refazer sua política internacional, da mesma maneira que a Colômbia, que é autista neste tema. Se não se produz uma mudança, acredito que vão se chocar contra toda a humanidade. O fato de considerarem a alguns apoiadores do terrorismo é uma política de moral dupla: só vale para os opositores de seus governos aliados, mas não para quem realmente o é. Por que é terrorista Osama Bin Laden e não é terrorista o ditador do Paquistão?

Como o senhor acha que seguirão as negociações com as Farc para a liberação dos reféns?

O que mostrava o computador (de Raúl Reyes) é que as Farc estavam caminhando para a liberação de reféns em troca do status de força beligerante. Eu acredito que, ao revelarem sua estratégia, estão debilitados. É muito difícil, hoje, que países como Venezuela e Nicarágua, que estavam a ponto de dar esse status, agora o façam. É possível que consigam um acordo para sair da lista de organizações terroristas da Europa, o que geraria a liberação de alguns seqüestrados, entre eles Ingrid (Betancourt). Porém, as Farc vêm de um mundo rural de 60 anos de guerra, profundamente ignorante em relação ao panorama internacional, ainda que recentemente o venham captando, e são profundamente sectárias. Hoje, são uma combinação desse sectarismo com o narcotráfico, o que pode levá-los neste momento a não abrandar posições e manter os seqüestrados. O que estava em caminho, eu vejo danificado. Na minha opinião, em relação ao conflito, são três caminhos os que se deve tomar: ofensiva militar, reformas democráticas, fundamentalmente da distribuição da terra, e a negociação de uma saída política. Combinando as três, temos uma política de paz, e eu diria que bem-sucedida. O governo Uribe só fala da primeira, por isso vai fracassar.

Com os temas do acordo humanitário e da crise diplomática, pouco tem se falado sobre "parapolítica" neste momento. Como o senhor vê atualmente o problema dos paramilitares na Colômbia?

Não falar é um dos efeitos dessa crise. Chávez ajudou a derrotar as principais bandeiras que a esquerda colombiana levantou. A derrota do TLC (Tratado de Livre Comércio) entre Colômbia e Estados Unidos era um dos grandes avanços da esquerda colombiana, que considera essa uma política errada para o país. Eu mesmo afirmei que o TLC ajudaria a reprodução do narcotráfico na Colômbia, na medida em que sustentava a propriedade concentrada de terras. Hoje, a probabilidade de que se aprove o tratado aumentou, graças a uma desacertada situação internacional. E o outro tema em que havíamos avançado enormemente e que havia provocado uma queda do favoritismo do Uribe é o tema do paramilitarismo e sua relação com o Estado. Tema que nós mesmos denunciamos e com o qual conseguimos mandar para a prisão dezenas de altos dirigentes aliados ao governo e cúmplices do paramilitarismo. Esse assunto, que deveria ser estudado com tanto cuidado pela sociedade colombiana, passou ao segundo plano por causa da crise. E trouxe como conseqüência um fortalecimento de Uribe. Enquanto isso, o país está mais que paramilitarizado.

Uribe ainda não declarou formalmente seu interesse em uma segunda reeleição, mas esse processo parece estar em andamento. Qual é sua opinião a respeito?

A reeleição é um problema de discussão interna de cada país. Nos países onde se permite, sempre existe um sistema de equilíbrios em meios de comunicação e em outros poderes públicos, que permite manter um equilíbrio democrático, apesar da reeleição. O problema na Colômbia é que isso não existe; não está dentro do projeto de reeleição um fortalecimento de outras instituições democráticas. A única coisa que escaparia ao poder do presidente é a Corte Suprema, que é precisamente a que está capturando seus aliados políticos mais importantes, por terem vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo. Por esse panorama, eu diria que o que se está construindo na Colômbia é uma ditadura.

Neste sentido, há algo que aproxima Uribe e Chávez.

Existem mais equilíbrios na Venezuela do que na Colômbia. A maior parte dos meios de comunicação que vêem ou escutam os venezuelanos é de oposição, e eles estão aí. Na Colômbia, você não verá nem escutará meios de comunicação que sejam oposição.

"Criminosa"

É assim que os advogados dos jornalistas da Veja definem o dossiê de Luis Nassif sobre a revista da Abril

O portal "Comunique-se" teve acesso às ações que o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, o redator-chefe, Mario Sabino, e o colunista do "Radar", Lauro Jardim, movem contra Luis Nassif na Justiça de São Paulo.

Os advogados dos três que, juntamente com Diogo Mainardi, integram o "Quarteto da Veja", como chamou Nassif, disseram que a série "Dossiê Veja" é uma “campanha criminosa”.

O "Comunique-se" destaca que os processos se iniciam com uma citação do jurista Darcy Arruda Miranda Júnior: "O jornalista, no seu sacerdócio, deve ser sereno como um juiz, honesto como um confessor, verdadeiro como um justo.”

Ainda segundo o "Comunique-se", a defesa de Alcântara, Sabino e Jardim acusam Nassif de exercer “abuso no exercício da liberdade de informar.” Dizem ainda que todas as denúncias feitas pelo jornalista são falsas.

Os três processos pedem uma indenização sem valor estipulado por danos morais ao jornalista Luis Nassif e ao portal iG pela divulgação da série. Também pedem que, caso vençam as ações, o portal publique o resultado das sentenças no blog e no portal, sob multa diária de R$ 10 mil.

Em resposta, disse Nassif: “Há um conjunto de evidências que mostro ou longo da série. É assim que vou apresentar minha defesa.”

Jornalistas Desplugados

Luiz Carlos Azenha do blog "Vi o Mundo", comentando o episódio IG x PHA, fala sobre a degradação do jornalismo brasileiro:

É certo que um grande número de jornalistas brasileiros já está desplugado faz tempo. Assinam qualquer texto, falam qualquer coisa que o chefe mandar. Fazem acordos diários com o diabo, por medo ou em troca de privilégios. Esses privilégios vão da garantia da participação em grandes coberturas, como as Olimpíadas, às promessas de emprego eterno e aos jabás - situações em que uma empresa jornalística recebe favores monetários (passagens, hospedagem, etc.) para cobrir algum "evento" que, caso contrário, não seria notícia.

A degradação dos meios, como um todo, passa por outros fenômenos: a utilização de novelas com objetivos político-eleitorais e de campanha ideológica; a obtenção de audiência a qualquer custo, com o superdimensionamento de problemas como a criminalidade, especialmente em São Paulo; a sobreposição de anúncios sobre o conteúdo editorial nas páginas de jornais; o fim da fronteira entre Jornalismo e entretenimento, que se expressa de forma ambulante na figura de um ótimo jornalista e animador, Pedro Bial.

O último post do Mino

Em solidariedade a PHA, Mino Carta deixa o IG

Reclamei num post abaixo do silêncio de Mino Carta diante da demissão de Paulo Henrique Amorim do IG.

Eis que o editor da "Carta Capital" respondeu à altura e anunciou que está deixando o portal em solidariedade ao amigo.

Leiam o último post do Blog do Mino:

Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.

Água em Natal

Perto do colapso

O sistema de abastecimento de água de Natal está à beira de um colapso. Matéria do "Diário de natal" de hoje informa que a demanda de água na cidade já é quase o dobro da oferta.

A informação, segundo o jornal, foi dada pelo diretor técnico da Caern (Companhia de Águas e Esgotos do RN), Clóvis Veloso. Ele disse que a demanda de água na capital é de 3,5 mil a 4 mil metros cúbicos de água por hora. Mas a oferta hoje é menor que 2 mil metros cúbicos.

O fechamento de 26 poços contaminados por nitrato, nos últimos três anos, afetou a distribuição de água de seis bairros da capital.

A Caern está fazendo rodízio no abastecimento para evitar o colapso total. Os bairros mais afetados são Cidade da Esperança, Nova Descoberta, Quintas, Felipe Camarão, parte da Redinha e o conjunto Morro Branco.

Curiosamente, com excessão de Morro Branco, todos esses bairros estão entre as comunidades mais carentes da cidade, onde a população, além da falta d'água, também sofre com a insegurança, escolas ruins e serviço de saúde precário.

De acordo com a Caern, a distribuição de água em Natal só voltará ao normal em dois anos, quando for concluido o programa governamental para sanear 60% da área da cidade.

O órgão também afirma que o problema será amenizado com as chuvas e a construção da adutora do Jiqui, que vai fornecer 1,2 mil metros cúbicos de água por hora.

Desmentido

O IG mentiu quando disse que o site de Paulo Henrique Amorim foi retirado do ar porque não dava audiência.

De acordo com o Portal Imprensa, a justificativa de baixa audiência é desmentida pelo próprio IG, que em sua "Central do Assinante" mostra que o "Conversa Afiada" tinha 475 mil acessos únicos por mês.

Para o jornalista Luiz Carlos Azenha do blog "Vi o Mundo", "O que o IG fez com Paulo Henrique Amorim e com os milhares de internautas que freqüentavam diariamente o "Conversa Afiada" foi, para dizer o mínimo, um grosseiro desrespeito."

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, definiu o episódio como "aviso, boicote, censura, punição."

Cadê os arautos defensores da liberdade de imprensa da grande mídia?

A Folha não vai dizer nada?

O Jô Soares, sempre vigilante, não vai se manifestar?

Mino Carta também não disse nenhuma palavra ainda.

Luis Nassif saiu-se com um "não sei os motivos da demissão" em seu blog.

terça-feira, 18 de março de 2008

Putaria Geral

Na posse, novo governador de Nova York confessa traição

David Paterson, novo governador de Nova York, assumiu o poder depois da renúncia do seu antecessor, Eliot Spitzer, envolvido em um escândalo sexual. O "New York Times" denunciou que Eliot usou dinheiro público para pagra prostitutas de luxo.

Após assumir o posto, Paterson confessou que ele e sua mulher, Michelle Paterson, cometeram trairam um ao outro no passado.

O novo governador, que é meio vesgo do olho esquerdo, disse que ele e a mulher iam se separar, mas após fazerem terapia de casal, estão novamente apaixonados.

Michelle disse que "nenhum casamento é perfeito".

Como dizia o saudoso Luiz Gonzaga, ô povo mudernu.

Míriam Leitão não vai gostar

EUA cortam juros e Bovespa reage

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 3,20% nesta terça-feira. O dólar caiu 1,91% e encerrou o dia cotado a R$ 1,69.

A recuperação da Bovespa se deu após a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, de cortar a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual. Agora, a taxa americana é de 2,25%.

Além da Bovespa, outros mercados também registraram recuperação: Dow Jones (3,51%), Nasdaq (4,19%); FTSE Eurofirst (3,52%); Nikkei, do Japão, (1,50%); Hang Seng, de Hong Kong (1,42%).

Apenas na China houve queda. O índice da bolsa de Xangai despecou 8,51%.

Ainda a demissão de PHA

Até Reinaldo Azevedo desconfia de Daniel Dantas

O blogueiro da Veja disse que "a operação BrT-Oi é uma desculpa verossímil para a demissão" de Paulo Henrique Amorim.

Ele ressalta, porém, que essa explicação não é "necessariamente verdadeira". Mas se até ele cogita essa possibilidade, é porque a coisa tá muito explícita.

Leia a íntegra do comentário de Azevedo:

Demitido por quê?

Queridos,

Não cabe a mim especular por que o sr. Paulo Henrique Amorim, cujo jornalismo se tornou notório, foi demitido do iG. Sei lá. Ele deve alegar que é porque a Oi vai mesmo comprar a Brasil Telecom. Eu prefiro pensar que o iG o dispensou em razão do tipo de jornalismo que ele pratica.

Vocês sabem, podem achar na Internet: o primeiro que criticou a operação BrT-Oi fui eu. Por quê? Ora, é simples. Meu primado: no capitalismo, negócios se fazem de acordo com as leis; em país bananeiro, leis se fazem de acordo com os negócios. Nem entrei no mérito se seria bom ou não para o consumidor ou se essa é uma tendência desse mercado. Fiquei na questão de princípio, como sempre.

Se bem se lembram, dois subjornalistas me atacaram, então, dizendo que eu escrevia o que Daniel Dantas gostava de ler. Ora, Dantas está a favor da operação, que vai lhe render uma bolada de R$ 2 bilhões. Não mudei de idéia. Eles mudaram. O agora demitido passou a fazer uma oposição radical ao negócio e aparentemente suicida. Digo “aparentemente” porque não vejo, neste cidadão, alguém que acaba se dando mal. Acho que as escolhas morais que ele fez ao longo da vida lhe permitem sempre se dar bem. É uma pessoa muito esperta. O seu parceiro de oposição radical à fusão percebeu que estava entrando água no navio e tratou de saltar fora, sempre com aquela moral elevada. E decidiu não tocar mais no assunto.

Causas

Mas insisto: a operação BrT-Oi é uma desculpa verossímil para a demissão, mas não necessariamente verdadeira. Prefiro pensar que o iG pode estar fazendo a opção pelo jornalismo que honra a apuração, a independência, o bom texto, o jornalismo etc. Será isso? O tempo vai nos dizer, não é mesmo? Lamento pela equipe, que, espero, encontre logo o seu lugar no mercado de trabalho, já que o de profissionais como Amorim estará sempre garantido.

A demissão de PHA

As explicações do IG

O ombudsman do portal fala sobre a demissão de Paulo Henrique Amorim e a saída do "Conversa Afiada" do ar:

O leitor do iG foi surpreendido hoje, entre 16h15 e 16h30, com a retirada do ar do site “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim. Oficialmente, a assessoria de imprensa do iG informa que “o contrato foi rescindido pelo iG e que todas as cláusulas rescisórias foram atendidas”.

Diz o iG que vem fazendo uma reestruturação do portal, o que inclui “a rescisão de contratos desvantajosos para a empresa”. Era o caso do site de Paulo Henrique Amorim, o qual, segundo o iG, não trazia “receita nem audiência”. Essa é, em essência, a manifestação oficial do iG.

Este ombudsman já criticou e elogiou o trabalho de Paulo Henrique Amorim no iG. O estranho é testemunhar a ruptura súbita, sem aviso anterior ou posterior aos leitores, afetando um site notoriamente controvertido.

O ombusdman também fala sobre a possível relação entre a demissão de PHA e as críticas que o jornalista fazia à compra da Brasil Telecom, proprietária do IG, pela OI, do banqueiro Daniel Dantas:

A favor de Amorim há o fato de ele defender opiniões únicas no panorama da grande mídia nacional. Contra ele há o fato de que essas opiniões às vezes vinham acompanhadas de ataques pessoais desnecessários.

Não se discutem opções empresariais que fazem parte das atividades de qualquer empresa. Caberia, porém, um esclarecimento público e voluntário do portal sobre a ruptura com Amorim e sobre sua relação com temas sensíveis, como o processo de compra, pela Oi, da Brasil Telecom, proprietária deste iG. Amorim é crítico radical desta compra e tem atacado os que a defendem.

De qualquer forma, o iG e, de resto, todos os grandes veículos brasileiros, devem informar sobre si próprios com a transparência que cobram das outras instituições, e como fazem os melhores veículos da mídia internacional.

Comentário

Muito estranha a demissão do PHA. Eu mesmo já fiz várias críticas ao jornalista, principalmente pela postura hipócrita dele de só falar das mazelas da Globo e deixar a Record de lado, como se a emissora do bispo Edir Macedo fosse um primor de democracia e qualidade de programação.

Mas é inegável que o "Conversa Afiada" era um importante contraponto em relação à mídia tradicional. Mesmo discordando dele às vezes, as opiniões do PHA mostravam um lado das coisas que dificilmente você encontraria em outro espaço.

Como o ombusdman admite, PHA era um crítico radical da compra da Brasil Telecom pela Oi. É evidente que tem o dedo - ou a orelha, se preferirem - de Daniel Dantas nessa história.

Crise nos EUA

Economistas divergem sobre vulnerabilidade do Brasil

A turbulência que atingiu o mercado financeiro ontem (segunda-feira, 17), causada pelo anúncio da venda do banco de investimentos Bear Stearns para o JP Morgan, por US$ 236 milhões, divide a opinião dos economistas sobre a vulnerabilidade do Brasil diante da possibilidade de uma recessão mundial.

Em entrevista à "Terra Magazine", o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Lessa, e a economista Maria da Conceição Tavares divergiram sobre a extenção da crise externa.

Para Lessa, o Brasil está tão vulnerável à crise quanto outros países. Essa vulnerabilidade se deve, principalmente, à política cambial brasileira que, segundo ele, "colocou o Brasil como um dominó no meio do caminho", e ao elevado patamar da taxa de juros do país.

Já Conceição Tavares afirma que "o Brasil é um dos menos ameaçados" pelo temor de uma recessão mundial. Para a economista, "a saúde do mercado interno brasileiro" vai blindar o país contra a crise que se avizinha.

Ela declarou que "a condição dos bancos americanos está cada vez pior", mas que não pode prever a duração da crise.

Enquanto isso, Míriam Leitão é só sorrisos na Globo. Quando acende a luz amarela da crise e a possibilidade desta atingir o Brasil, a comentarista não consegue esconder a alegria. Não é possível que o presidente Lula consiga sobreviver a uma recessão mundial, imagina ela.

Vai sonhando, vai sonhando...

"Conversa Afiada" fora do ar

Portal IG demite Paulo Henrique Amorim

O jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog "Vi o Mundo", conta que Paulo Henrique Amorim foi demitido pelo portal IG por fax.

Azenha diz ter falado com amorim por telefone e que ele lhe disse que foi informado por volta das 17h de que o portal não renovaria o contrato, que vence no dia 31 de dezembro próximo.

Segundo Azenha, o IG menciona uma cláusula no contrato que daria ao portal o direito de tirar o site do ar dentro do prazo de 60 dias que antecede o fim do contrato.

Ainda segundo Azenha, PHA disse que voltará amanhã à internet, mas ainda não sabe em qual endereço.

Enquanto isso, Reinaldo Azevedo solta rojões de felicidade!

Atualizando às 21h10

Luis Nassif informa que o novo endereço do Paulo Henrique será no www.paulohenriqueamorim.com.br.

Genocídio Cultural

Em editorial, Folha de São Paulo fala sobre violação dos direitos humanos e "genocídio cultural" praticado pela "ditadura brutal" da China contra o Tibete


A CHINA, apesar dos ares de modernidade propiciados por seus invejáveis índices de industrialização e crescimento econômico, permanece uma ditadura brutal.

Como o governo de Pequim controla todas as informações e tornou o Tibete território proibido para jornalistas, é difícil avaliar o que lá ocorre. Tibetanos no exílio afirmam que a repressão aos protestos antichineses deixou mais de cem mortos neste fim de semana, enquanto Pequim admite pouco mais de uma dezena -a maioria de chineses da etnia han, que foram violentamente atacados por tibetanos.

O retrospecto das autoridades chineses recomenda ceticismo com declarações oficiais. Ainda assim, pelas informações disponíveis, parece que Pequim está evitando um banho de sangue às vésperas dos Jogos Olímpicos, que ocorrerão em agosto na capital chinesa.

A moderação interessada de hoje não torna menos condenável a política de Pequim para o Tibete, que vem sendo governado com mão-de-ferro desde 1959, após o fracasso da revolta anticomunista que levou o dalai-lama a exilar-se. Além da violação sistemática dos direitos humanos, as tradições do país vêm sendo desrespeitadas -numa espécie de "genocídio cultural", como diz o líder espiritual.

O ideal seria encontrar solução acordada, pela qual os tibetanos gozassem de autonomia de fato. O dalai-lama já declarou aceitar essa solução, abrindo mão do pleito por independência. A soberania sobre o Tibete é importante para Pequim, pois a região, rica em recursos minerais, ocupa mais de 10% do território do país e extensa faixa de fronteira. Apesar disso, conferir autonomia política e cultural ao Tibete não seria inédito para a China, que já convive com situação similar no caso de Hong Kong.

Nada indica, contudo, que Pequim vá renunciar ao uso da força contra a indefesa população tibetana.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Censurados

Governo da China bloqueia Youtube e site do "The Guardian"

Há dois dias, o governo chinês bloqueou o acesso ao YouTube, maior portal de troca de vídeos da Internet, com o objetivo de impedir a circulação das imagens do conflito no Tibete.

O site do jornal britânico "The Guardian" também está bloqueado. O jornal foi um dos primeiros a publicar fotos das manifestações.

Os protestos acontecem desde a semana passada em Lhasa, capital histórica do Tibete. As manifestações são contra a violação dos direitos humanos por parte da China e por mais liberdade política e religiosa na região.

O Exército da China chegou à região do Tibete em 1950. Desde então, os tibetanos lutam contra a invasão e a dominação chinesa.

O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, disse que o que acontece no Tibete é um "genocídio cultutal" e pediu uma investigação internacional sobre os atos do governo chinês.

O governo da Região Autônoma do Tibete no exílio estima que pelo menos 80 pessoas morreram nos protestos na sexta-feira e no sábado. O governo de Pequim reconhece apenas dez mortos.

Veja abaixo os vídeos proibidos na China:



É com esse que eu vou...

O PT de São Paulo lançou o slogan "Volta Marta", para marcar o início da campanha da ex-prefeita e atual ministra do Turismo Marta Suplicy, que será novamente candidata este ano.

A "Terra Magazine" informa que Marta vai de João Santana como marqueteiro. João Santana foi o marqueteiro da campanha pela reeleição do presidente Lula em 2006. Naquele ano, os slogans "Lula de novo, com a força do povo" e "Não troco o certo pelo duvidoso. Quero Lula de novo" embalaram a vitória do petista.

Para quem não sabe ou não se lembra, João Santana também foi o marqueteiro do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, quando ele disputou e venceu duas vezes as eleições pelo Governo do Rio Grande do Norte.

Os neoliberais brasileiros e sua fobia ao povo

Artigo de Mauro Santayana, no "Jornal do Brasil", hoje:


Coisas da política: As listas e as prévias

Algumas idéias continuam a flutuar na atmosfera política. Uma delas é a da democratização da escolha dos candidatos aos cargos majoritários, mediante consultas prévias às bases partidárias. Principal partido de oposição, o PSDB divide-se em duas correntes eleitorais. O Partido da Social Democracia Brasileira nada tem a ver com seu nome - o que ocorre também com quase todos os outros partidos. Ao escolher Minas a fim de acolher o primeiro congresso, talvez tenham buscado associar o nome do novo partido ao velho PSD, criado pela inteligência política de Benedito Valadares, com a ajuda de alguns homens públicos e intelectuais mineiros. Ao encomendar, ao professor Mário Casasanta, a tarefa de redigir o rascunho do programa e estatutos do partido, em 1945, Benedito recomendou-lhe, que pusesse no texto "alguma coisa de comunismo, porque está na moda".


Casasanta buscou a denominação no partido surgido do movimento socialista europeu do século 19. O PSDB foi criado por iniciativa de mineiros e paulistas, mas se os mineiros a ele aportaram alguma idéia tática - entre elas a do nome e do símbolo ornitológico - os paulistas, mercê de seu poder econômico e densidade eleitoral, sempre o controlaram.

No momento, tanto Aécio quanto Serra agem dentro dos ritos da elegância. Sob a necessária conveniência, a disputa não se expressa com clareza. Cresce a proposta de que o partido faça consultas prévias aos filiados. Se se fizerem como nos Estados Unidos, dificilmente um candidato de São Paulo será o escolhido. Como disse o ex-presidente Itamar Franco, o resto do Brasil não parece disposto a aceitar a continuação da hegemonia paulista por mais oito anos. Isso significaria um quarto de século de presença do estado no centro do poder da República.

Embora Serra e Aécio não estejam tão distantes um do outro, no pragmatismo do centro político, os interesses econômicos e as idéias fundamentais das duas sociedades os distinguem. Podemos começar pelo sentimento nacional, muito mais denso em Minas, desde os tempos da capitania, em que seu povo foi espoliado do ouro e dos diamantes. A economia do café levou São Paulo à Europa na segunda metade do século 19, e abriu o Estado à industrialização, mediante o fluxo de imigrantes. Quando Minas adotou, com mais decisão, a lavoura cafeeira, no fim do século, São Paulo já estava bem adiante. Os imigrantes e as relações econômicas com o Exterior tornaram os paulistas mais tolerantes com a presença cultural e econômica da Europa e dos Estados Unidos, enquanto em Minas a situação era diferente. Os mineiros, conforme a constatação de Arthur Bernardes, exportavam minérios - que não dão duas safras - para fazer a prosperidade e o poder dos outros. Seria improvável que um mineiro promovesse, como presidente ou ministro de Estado, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, cuja criação fora reivindicação do povo e do Estado.

A Revolução de 30 surgiu, entre outros fatores, da rebelião contra a hegemonia econômica e política de São Paulo. Getúlio iniciou o processo de descentralização da economia, mediante a intervenção do Estado. Juscelino lhe deu continuidade, na Operação Nordeste. Lula, com dupla identidade - de nordestino e paulista - vem promovendo a ascensão social e econômica dos Estados pobres, mediante os programas conhecidos, ao mesmo tempo em que cultiva os banqueiros de São Paulo e é por eles cultivado. Entre os paulistas mais lúcidos - e eles são muito mais numerosos do que parece - existe a consciência de que chegou a hora de buscar, no resto do país, chefe de Estado que veja a nação como um todo. Essa postura eles a tiveram em 1984, quando somaram-se à candidatura de Tancredo Neves contra Maluf. Sabem que se não houver a descentralização de sua prosperidade, São Paulo continuará a atrair, para a inquietadora periferia de sua capital, a pobreza do resto do país - e, com a desigualdade, o desespero da violência.

Outra idéia é a da reforma política. Uma das recomendações do PSDB é a do voto em lista fechada. Nos países europeus que o adotam, a opinião pública se levanta contra o sistema, por sua natureza antidemocrática, porque confere ao arbítrio ditatorial das direções partidárias a escolha dos candidatos. Há dias, Juan Luis Cebrián - um dos fundadores de El País - publicava lúcida e concisa análise política, em que prega reforma constitucional para assegurar a democratização efetiva do sistema político espanhol. Entre outras de suas idéias, está a do fim da lista fechada e a adoção do voto aberto e uninominal, como ocorre entre nós. Os neoliberais brasileiros, com sua fobia ao povo, querem a lista fechada para consolidar o controle do poder econômico sobre os partidos e a República.

domingo, 16 de março de 2008

Veja: O Último Factóide

Luis Nassif publicou hoje o novo capítulo do "Dossiê Veja".

Em "O Último Factóide", Nassif conta a ficção criada pela revista envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

Nassif diz que Veja tem o hábito de "criar notícias", recorrendo ao que em jornalismo se chama "cozidão" - fatos velhos requentados e publicados como se fossem novidade.

Neste capítulo, Nassif trata da matéria “A sombra do estado policial”, capa da edição de 22 de agosto de 2007 da Veja.

A matéria "conspiratória" falava sobre o suposto clima de "medo" intalado no STF, cujos ministros, segundo a revista, estavam "assutados" com a possibilidade de terem sido grampeados.

Leia um trecho do capítulo a seguir:

"Ninguém mais na mídia tinha percebido qualquer sinal de "medo" do Supremo, ou de generalização das escutas atingindo os Ministros. Aliás, os últimos abusos contra juízes haviam partido da própria revista e do próprio autor da reportagem, no falso dossiê contra o então presidente do Superior Tribunal de Justiça Edson Vidigal - abordado no capítulo “O dossiê falso”.

Não se sabia ao certo qual a intenção da matéria. Seguramente, uma tentativa canhestra de se aproximar do Supremo, utilizando a moeda de troca da qual a revista sempre usou e abusou: a visibilidade, a apologia, pegando no centro de uma das fraquezas humanas, a vaidade.

Podia ser a Abril querendo se aproximar do STF (em função da expectativa de uma eventual CPI da Abril), ou se sentindo objeto de investigação da Polícia Federal, ou algo relacionado com as pendengas entre Daniel Dantas e a PF; ou mesmo como forma de coação indireta aos membros do STF, que estavam prestes a julgar os acusados pelo "mensalão".

Que era um factóide, não havia dúvida.

(...)

Mas o factóide da escuta no Supremo foi um marco importante, por ter sido o primeiro absurdo da Veja que não mereceu repercussão na mídia. Até então, todos os abusos eram repercutidos, por um efeito pavloviano que fez com que o esgoto que vazava da cobertura da revista acabasse contaminando o restante da mídia.

Com um factóide, a revista conseguiu criar outro factóide, a CPI do Grampo, e impedir a CPI da Veja."

Leia a íntegra do capítulo aqui.

sábado, 15 de março de 2008

O PIB e o inferno astral de FHC

Do blog "O Brasil na crista da onda":

O ex-presidente Fernando Henrique cardoso está vivendo um inferno astral. Primeiro, ex-presidente Itamar Franco relevou que Fernando Henrique Cardoso deu um golpe no povo para se eleger ao assinar cédulas de real depois de ter deixado o Ministério da Fazenda. Depois, Delfim Netto declarou ao Terra Magazine que FHC entregou país "falido" para Lula. Para completar a má sorte, FHC foi submetido ontem em São Paulo a cirurgia para corrigir um crescimento benigno da próstata. Para finalizar o IBGE digulgou hoje [quarta-feira, dia 12] o PIB. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 5,4% o maior desde 1996.

O Presidente Lula, deve ter ficado com pena do Fernando Henrique, Lula pediu "euforia comedida" sobre crescimento do PIB.Escalado para comentar o crescimento de 5,4% do (PIB) , o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou, em Brasília, que o Presidente Lula pediu que a notícia seja comemorada com "euforia comedida" dentro do governo...Coitado do Fernando Henrique. Se ferrou em verde e amarelo.

Bolsa Família pra americano ver

Hillary diz que, se eleita, vai implantar Bolsa Família nos EUA

Enquanto no Brasil a oposição e a mídia querem o fim do Bolsa Família, lá fora o programna faz o maior sucesso.

É o que mostra uma matéria do Portal Terra, que diz que a senadora e ex-primeira dama Hillary Clinton, que disputa com o senador Barack Obama a indicação do Partido Democrata para concorrer à Presidência dos EUA em novembro, se eleita, vai implantar o Bolsa Família em seu país.

Segundo a matéria, Hillary vê o Bolsa família como prioridade para diminuir a pobreza no continente.

"Eu vou apoiar programas que dão às famílias poder para construírem seus próprios futuros, como o Bolsa Família do Brasil", escreve a senadora em seu programa de governo. "Essas idéias de combate à pobreza podem ser colocadas em prática aqui, na nossa casa", acrescenta.

Ainda segundo a matéria, Hillary promete que, se eleita, vai propor criação do Fundo de Investimento Social e o Fundo de Desenvolvimento Econômico para as Américas, iniciativas defendidas por Lula desde seu primeiro mandato.

E agora, com a palavra, os senadores Arthur Virgílio (PSDB) e José Agripino (DEM)...

A cidade não pára, a cidade só cresce...

Em São Paulo, frota de 6 milhões de veículos provoca caos no trânsito

A revista 'Carta Capital' desta semana traz uma reportagem sobre o problema do trânsito em São Paulo, cuja frota de 6 milhões de veículos é a segunda maior do mundo e faz a cidade caminhar para um colapso em seu sistema viário.

Segundo a revista, todos os dias, 800 novos veículos chegam às ruas da cidade. Isso é maior que a média de 500 nascimentos por dia da capital paulistana.

No Brasil, a frota passou de 30 milhões para 50 milhões de veículos nos últimos dez anos.

Especialistas ouvidos por 'Carta Capital' apontam que a saída para o problema é priorizar o transporte coletivo (expansão dos trens metropolitanos e dos corredores exclusivos para ônibus), restringir o uso dos automóveis e planejar melhor o uso do espaço público das cidades, "concentrando as principais redes de transporte nas áreas de maior adensamento populacional."

A realidade, porém, indica que estamos no caminho oposto. Em nove capitais brasileiras, a frota de ônibus caiu 9% e o número de passageiros do transporte coletivo diminuiu 25%. Os dados são da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano.

Para o secretário nacional dos Transportes, Luiz Carlos Bueno de Lima, essa situação é fruto do "culto ao automóvel", que é resultado das "deficiências do transporte de massas". Ele defende que o Estado precisa intervir para modificar esse cenário.

'Carta Capital' ouviu urbanistas e engenheiros de trânsito que indicaram cinco medidas drásticas para solucionar o caos do trânsito em São Paulo:

1. Cinco vezes mais corredores de ônibus;
2. Proibição do estacionamento nas ruas;
3. Pedágio no centro da cidade;
4. Tarifa zero no transporte coletivo;
5. Limite ao licenciamento de carros.

Todas elas são, em maior ou menor grau, medidas polêmicas. A implantação de mais corredores de ônibus envolve tomar parte do espaço disponível aos carros e, em alguns casos, o alargamento de ruas e avenidas, sendo necessário, para isso, a desapropiação de casas e prédios.

A proibição do estacionamento nas ruas é combatida pelos comerciantes, que têm medo de perder clientes. Mas os especialistas dizem que o espaço ocupado pelos carros parados poderia permitir a circulação de outros veículos ou mesmo a delimitação de vias preferenciais para a passagem de ônibus. Londres foi uma das capitais européias que adotou essa iniciativa.

O pedágio no centro da cidade é, provavelmente, a medida mais impopular. A reportagem informa que Londres, Oslo, Estocolmo e Cingapura já adotaram o mecanismo.

Depois de instituir a cobrança, Londres registrou queda de 30% na circulação de carros no centro. As viagens de ônibus e bicicletas aumentaram 20%. Os congestionamentos caíram 30%. Em Estocolmo, o fluxo de carros reduziu 22% no período de testes.

Os que saõ contrários à medida criticam a falta de alternativas de transporte e o fato de pesar mais para os de menor renda.

Em relação à implantação da tarifa zero no transporte coletivo, os especialistas ouvidos por 'Carta Capital' argumentam que a tarifa precisa ser barateada, com uma política de subsídios e de incentivos fiscais. "Mas a gratuidade iria onerar demais o Estado e estimular o uso pouco racional do transporte. É melhor cobrar pouco, mas cobrar”, declarou Marcos Bicalho, diretor-superintendente da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano.

Finalmente, o limite ao licenciamento de carros é considerada a solução mais drástica. A inciativa foi adotada em Cingapura, onde o custo de cada licença pode chegar a algo em torno de 21 mil reais. Segundo a revista, na última década, a frota de Cingapura cresceu menos de 2,5% ao ano.

Enquanto isso, em terras potiguares...

A frota de Natal é 207 mil veículos - a cidade tem 800 mil habitantes. Há 15 anos, havia apenas 43 mil carros em circulação.

O trânsito na capital potiguar há muito vem dando sinais de esgotamento. Nosso sistema de transporte urbano é ultrapassado e não atende a demanda da população.

O relatório “Tendências, Visão de Futuro e Diretrizes do Plano Estratégico Natal Metrópole 2020”, elaborado pelo Governo do Estado, aponta a urgência de ser ter “um plano integrado de circulação capaz de promover o eficiente uso do sistema viário, em escala metropolitana, cujas finalidades principais seriam as de prover espaços acessíveis para novos empreendimentos de toda natureza e de possibilitar a utilização mais equilibrada das partes mais interiores do sistema viário interior à mancha urbana mais consolidada”.

Algumas medidas foram adotadas, mas ainda são muito tímidas. Natal tem apenas uma avenida com corredor exclusivo para ônibus (Bernardo Vieira), mas a via preferencial é estreita e não oferece condições de ultrapassagem. Basta um ônibus quebrar nesse corredor e estará formado o engarrafamento.

As estações de transferência, onde os passageiros podem trocar de ônibus sem pagar a mais por isso, são uma boa iniciativa, mas é preciso combinar sua utilização com rapidez e conforto par os usuários. Nos horários de pico, o que se vê é a formação de longas filas de ônibus nessas estações, provocando ainda mais lentidão no trânsito.

Fala-se muito na construção de um metrô de superfície para Natal e a Região Metropolitana. Os estudos, ainda insuficientes, indicam que a obra tem um custo muito elevado. "Um corredor de ônibus de alto desempenho pode ser tão eficiente e confiável como um trem”, explica o consultor Paulo Sérgio Custódio à 'Carta Capital'.

Além disso, antes de falar em construção de metrô, seria mais racional melhorar a malha ferroviária já existente, aumentando o número de estações para facilitar a interligação entre os bairros.

No final do ano passado, o governo estadual anunciou o projeto "Pró-Transporte", que prevê investimentos de R$ 73 milhões para facilitar o tráfego na Zona Norte, região mais populosa de Natal, através da construção de viadutos, passarelas, estações de transferência, duplicação de avenidas e implantação de corredores exclusivos para ônibus.

Padre de ACM pergunta: "Que diabo é isso?"

Antônio Carlos Magalhães é notícia até depois de morto.

Terça-feira passada (dia 11), a juíza Fabiana Andrea autorizou uma devassa no apartamento do falecido, a pedido da filha dele, Tereza, para fazer o arrolamento dos bens deixados pelo ex-senador. A Terra Magazine conta essa história em detalhes.

O chão tremeu na Bahia. Os abalos sísmicos chegaram até Brasília. Os antigos camaradas disseram em uníssono: "Absurdo!".

Agora foi a vez do padre da família Magalhães se pronunciar - sim, eles têm até padre particular!

Trata-se do monsenhor Gaspar Sadoc, 92 anos e já aposentado, mas ainda celebra missas matinais.

Segundo a Terra Magazine, Sadoc é "rei e mago para as senhoras do jet-set baiano". Ele casou e batizou quase todos os descendentes de ACM.

Perguntado sobre o que ele estava achando da situação e da briga na família Magalhães, monsenhor Sadoc recorreu ao próprio coisa ruim: "Que diabo é isso?"

Um Soneto de Neruda

Na dedicatória que fez à sua mulher em "Cem Sonetos de Amor", Pablo Neruda escreveu assim:

"Eu, com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira, dei-lhes o som desta opaca e pura substância e assim devem alcançar teus ouvidos."

O livro é de 1959. Começei a ler ele hoje. Escolhi o Soneto X para vocês:

Suave é a bela como se música e madeira,
ágata, telas, trigo, pêssegos transparentes,
tivessem erigido a fugitiva estátua,
Para a onda dirige seu contrário frescor.

O mar molha polidos pés copiados
à forma recém-trabalhada na areia
e é agora seu fogo feminino de rosa
uma borbulha só que o sol e o mar combatem.

Ai, que nada te toque senão o sal do frio!
Que nem o amor destrua a primavera intacta.
Formosa, revérbero da indelével espuma,

deixa que teus quadris imponham na água
uma medida nova de cisne ou de nenúfar
e navegue tua estátua pelo cristal eterno.

sexta-feira, 14 de março de 2008

O mundou parou

A rotação da Terra atrasou por 15 minutos ontem.

É que Renata Lo Prete, no "Painel" da Folha de hoje, conta que foi esse o tempo que a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, esperou para ser recebida pelo presidente Lula, ontem, no Palácio do Planalto.

Renata disse que "Rice ficou plantada" e "à mercê dos fotógrafos" enquanto Lula despachava com o ministro José Múcio (Relações Institucionais) e o senador Romeu Tuma (PTB-SP).

Deu até peninha dela!!!

Deu no 'The Guardian'

Brasil se tornou um ator econômico de peso

O senador José Agripino (DEM-RN) vai ficar possesso quando ler essa notícia.

O jornal inglês 'The Guardian' publicou um caderno especial de 20 páginas sobre o Brasil, dizendo, entre outras coisas, que o páis "se tornou um ator econômico de peso".

O jornal afirma que a idéia de que o Brasil é apenas a "terra do carnaval" está mudando. Isso por causa da "exuberância" da economia.

"Mas visualize isso: um país em que o fluxo de investimentos atingiu níveis recordes, onde a exportação de tudo, desde soja a biocombustíveis, está aumentando e onde a renda dos ricos e pobres está crescendo e impulsionando um boom de crescimento."

A reportagem destaca os números da economia brasileira e destacou que eles vão "de bons a espetaculares: 1,4 milhão de empregos criados todos os anos; mais de US$ 100 bilhões em reservas (que excedem a dívida externa e tornam o Brasil credor internacional); 4,7% de inflação, o que é 'manso' pelos padrões brasileiros; 4% de crescimento econômico, e uma ligeira aproximação na diferença com a China. Ah, e no ano passado o mercado de ações cresceu em 60%".

É ou não de matar o Agripino de raiva?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Para entender Agripino

Antes de comandar a saída do Plenário do Senado da sua tropa de 'demos', na madrugada de terça (dia 11) para quarta (dia 12), o senador José Agripino (RN) vociferou:

"Somos homens. Vamos nos retirar. Querem apodrecer? Pois que apodreçam sós. Querem a TV Pública? Pois que aprovem sozinhos. Temos vergonha na cara".

A têmpora de José Agripino estava a ponto de estourar. Estriônico, performático, dado a chiliques, ele parecia até convincente encenando o papel de indignado.

"Somos homens", bradou, esquecendo-se das companheiras 'demos'. Ninguém entendeu esse discurso machista, essa afirmação de masculinidade que reflete, na prática, uma certa insegurança.

"Querem apodrecer?", indagou, tocando no assunto que, diga-se de passagem, ele entende bem: podridão. A vida política de Agripino cheira a putrefação.

"Querem a TV Pública", questionou, inconformado. A resposta é "sim, senador". Nós queremos a TV Pública, porque é uma iniciativa importante para democratizar a comunicação no Brasil.

Em vez de encenar para a platéia, o senhor deveria explicar à sociedade por que o senhor não quer a TV Pública. Poderia aproveitar e explicar também por que o senhor usa uma concessão pública (TV Tropical) em benefício próprio. Finalmente, deveria explicar por que sua repulsa a tudo que leva o nome de "público".

"Temos vergonha na cara", anunciou. Desculpe, senador, mas isso o senhor não tem mesmo. Porque se tivesse, ficaria ruborizado com sua própria desfarçatez.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Censurado

Paulo Henrique Amorim vem censurando sistematicamente meus comentários no "Conversa Afiada", seu blog no Portal IG.

Mandei um comentário ontem sobre uma postagem que ele publicou no blog - "GLOBO: A CAMINHO DA VICE-LIDERANÇA" -, na qual ele comemora a queda de audiência do jornalismo global.

"A concorrência [leia-se Rede Record] - pela primeira vez em décadas - obrigou o jornalismo da Globo a calçar a sandália da humildade", festejou ele.

Em meu comentário, disse que não há razões para se comemorar a queda da Globo, porque, ao meu ver, isso não representaria, como quer fazer crer PHA, uma vitória da democratização dos meios de comunicação no Brasil.

A Record, onde trabalha PHA, não quer ser mais democrática que a Globo. A emissora do líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), bispo Edir Macedo, quer tomar o lugar da Globo como a mais poderosa do país. Globo e Record disputam hegemonia, poder.

De que adianta o fim de um império se, em seu lugar, se erguer outro igualmente manipulador?

Paulo Henrique Amorim censura qualquer opinião contra a Record e sua subserviência ao império de Edir Macedo.

Feio, hein, seu PHA...

Crise de identidade

"Veja não é de direita", diz Reinaldo Azevedo


O blogueiro que é "A cara da Veja", como demonstrou Luis Nassif no mais recente capítulo da sua série de reportagens sobre a revista da Editora Abril, está passando por uma fase, digamos, hamletiana.

A exemplo do príncipe dinamarquês criado por William Shakespeare, Reinaldo Azevedo vive uma típica tragédia existencialista que culmina na célebre dúvida "Ser ou não ser? Eis a questão".

Em seu blog, no site da Veja, Azevedo disse que a Veja e a Globo não são de direita, mas apenas "mais bem feitas dos que as concorrentes".

O blogueiro da Veja também afirmou que os veículos da grande mídia "são todos, rigorosamente todos, mais ou menos pautados pela esquerda". Para ele, a esquerda comete um "ato falho", pois confunde "qualidade com direitismo".

Não dá pra entender essa crise de identidade do "tio Rei", como ele gosta de ser chamado pela sua turma de leitores bajuladores. Será que ele acha mesmo que o folhetim semanário da Abril não é suficientemente panfletário e reacionário? Eu, hein...

Desconfio que a série "Dossiê Veja" do Nassif está causando mais estragos do que eu imaginava.

TV Pública é aprovada no Senado

O governo levou a melhor e aprovou, na madrugada desta quarta-feira, a criação da TV Pública no Senado.

Pra variar, tucanos e 'demos' tentaram a todo custo boicotar a votação com o objetivo de impedir a aprovação da Medida Provisória que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável por manter a televisão pública, oficialmente batizada de TV Brasil. A MP venceria na próxima semana e se não fosse logo aprovada, perderia a validade.

Os governistas, liderados pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), conseguiram desobstruir a pauta e votar a MP. Revoltados porque a tentativa de sabotagem não deu certo, tucanos e 'demos' deixaram o plenário.

Diante da estratégia da minoria, que queria de qualquer forma derrubar a TV Brasil, o senador Romero Jucá avisou que o governo não "abaixaria a cabeça" à oposição. "A oposição não dobrará a base do governo. Não é intenção baixar a cabeça para a oposição", declarou o senador.

Dessa vez, o governo agiu certíssimo e fez o que qualquer governo democraticamente eleito faz, exercendo a sua maioria legislativa para aprovar projetos do seu interesse. No Brasil, porém, a oposição não aceita o princípio básico de que a maioria é quem governa.

Tanto é que após a derrota desta madrugada, os oposicionistas voltaram a radicalizar e prometeram que daqui pra frente vai ser olho por olho e dente por dente.

“Nunca mais haverá um acordo nesta Casa. Amanhã não passa nada nas comissões, vamos pedir vistas de tudo. O comportamento será assim, inclusive no Orçamento. A partir de amanhã o Senado vai viver uma situação de confronto entre governo e oposição”, bradou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM).

O líder dos 'demos', senador José Agripino Maia (RN), também prometeu que vai atrapalhar mais ainda a vida do governo de agora em diante. A oposição de Agripino à TV Pública é auto-explicativa. Ele é dono da TV Tropical, retransmissora da Rede Record no Rio Grande do Norte. Além da TV, Agripino também tem várias emissoras de rádio na capital e no interior do RN.

Tucanos e 'demos' voltarão a unir forças hoje para tentar sabotar a votação do Orçamento Geral da União (OGU) e, com isso, prejudicar o andamento de várias obras de interesse público já iniciadas, mas que estão paralisadas porque dependem de recursos orçamentários.

O dia em que devassaram a casa do falecido ACM

Por Claudio Leal, na Terra Magazine:

A história da devassa judicial no apartamento do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), na manhã desta terça-feira [ontem], guarda laços com uma briga que encontrou uma trégua no leito de morte do político baiano. Incialmente três personagens: ACM, a filha Tereza e seu marido, César Matta Pires, dono de cerca de 95% das ações da construtora OAS.

No Incor, em São Paulo, a pedido de membros da família, César Matta Pires foi conversar com ACM. Estavam rompidos. Das palavras trocadas, sabe-se apenas de uma reaproximação superficial. Os Magalhães queriam a abertura do diálogo.

ACM sempre contava a amigos uma anedota do ex-ministro e ex-governador da Bahia Luis Viana Filho. Quando se referiam a uma família unida, amorosa, apegada aos seus, o velho Luis Viana sorria: "Já houve um inventário?". Antonio Carlos gargalhava com a história. Em sua família, os conflitos não esperaram o inventário.

Antonio Carlos Magalhães Jr., que comanda as empresas midiáticas, e os descendentes de Luiz Eduardo Magalhães, tentaram um acordo antes da abertura do inventário. Pediram a César para constituir advogado. Terra Magazine apurou que os Magalhães foram surpreendidos pela ação de Tereza e César, embora esperassem uma jogada nesse sentido depois da morte do patriarca.

Ontem [segunda-feira, dia 10], a família recebeu o primeiro alerta. Oficiais de Justiça queriam invadir o apartamento da viúva, Arlette Magalhães, no bairro da Graça. Lá se encontram obras-de-arte do falecido político, mas não é errado supor que se trata de uma operação simbólica; e também o auge de uma tragédia grega - para ficarmos mais próximos: baiana.

A família resistiu e evitou a entrada da Justiça no apartamento. Na noite de ontem, no Portal do Tribunal de Justiça, verificou-se a existência da ação de arrolamento de bens. Troca de telefonemas. Na manhã de hoje, a inevitável ação da Justiça. Segundo a nota pública da família, houve apoio logístico da OAS. Gavetas foram reviradas, bens fotografados.

A viúva, Arlette, se encontra numa fazenda, no interior do Estado. Está abalada: a trama envolve sua filha, Tereza. Juntas estavam no velório do senador, no Palácio da Aclamação. Publicamente, familiares e amigos vinculam a ação da Justiça à sucessão da capital baiana. A juíza da 14ª Vara da Família, Fabiana Andrea, que autorizou o arrolamento de bens, é casada com o deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA).

Pellegrino e ACM Neto (DEM) são pré-candidatos à Prefeitura de Salvador. Em entrevista a Terra Magazine, o petista é categórico:

- Ela é juíza concursada e o processo caiu nas mãos dela por sorteio. É uma juíza independente, não interfiro, não faço política com ódio. Não me intrometo nas decisões judiciais dela. O que eu tenho a dizer é que ela é uma juíza séria, independente, comedida, e se ela determinou isso, foi com base na lei - afirma Pellegrino.

Um "ódio acumulado" contra a família teria motivado a ação de César e Tereza. Na TV Bahia, de propriedade dos Magalhães, o telejornal BA-TV informou que Tereza se encontra no exterior. Mas o faro baiano aponta para uma proximidade. A família qualifica a ação como "golpe baixo". Por ora, Tereza Matta Pires é um silêncio. Para amanhã, a promessa de um novo ato.


P.S.

Obrigado por visitar o blog. Leia outras postagens, deixe seu comentário e volte quando quiser.

Infância perdida

Estudo indica que crianças são as maiores vítimas de abuso sexual

A Folha de ontem (terça-feira, dia 11) publicou os dados de uma pesquisa realizada no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, que mostram que 43% dos casos de violência sexual atendidos em 2007 são contra crianças até 12 anos. O levantamento foi feito e divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde.

Foram atendidos 1.926 casos de violência sexual no hospital. Ainda segundo a Folha, no mesmo ano, houve 517 casos de abusos contra adolescentes até 17 anos.

O casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, somados, chegam a 70%.

Em 85% dos casos, os agressores são pessoas próximas às crianças. Os pais ou padrastos são 40% deles. Os outros agressores são tios, avós, amigos da família e vizinhos.

"Na maioria [dos casos] são atos libidinosos, masturbação, por exemplo. O dano à criança é de fundo emocional, e as seqüelas são terríveis", disse à Folha o médico Jéferson Drezett, coordenador do serviço de atendimento às vítimas de violência sexual do hospital.

terça-feira, 11 de março de 2008

Novo capítulo

Saiu o novo capítulo do "Dossiê Veja", produzido pelo jornalista Luis Nassif.

Faz algum tempo que não comento sobre a série do Nassif sobre a Veja. Acho que parei em "O falso dossiê". Depois dele vieram "O bookmark de Mainardi", "Lula, meu álibi", "Os mais vendidos", "A Imprensa e o Estilo Dantas", "O método jornalístico de Veja" e, agora, "A cara da Veja".

É melhor vocês irem ao Blog do Nassif no IG para lerem os capítulos atrasados.

Neste mais recente capítulo, Nassif comenta o papel de Reinaldo Azevedo na revista, "incumbido dos ataques aos adversários e dos elogios aos amigos e à empresa".

Nassif faz acusações pesadas contra Azevedo, que, para ele, "representa uma espécie de caricatura, a parte mais ostensiva do processo de degradação editorial da revista [Veja]".

O autor do "Dossiê Veja" também ironiza a nova campanha publicitária da revista, cujo slogan é: "Veja, indispensável para o país que queremos ser".

"Uma revista é o que ela publica, não o que a publicidade imagina", arremata Nassif.

Para ilustrar a contradição entre o que a revista afirma ser na propaganda e o que ela publica de verdade, Nassif transcreveu trechos de postagens do blog de Reinaldo Azevedo, no site da Veja, além de comentários de supostos leitores, que demonstram o estilo "boca suja" e agressivo do dito cujo, que faz escola entre a sua audiência.

Num dos trechos, Azevedo escreve um comentário preconceituoso contra o senador democrata Barack Obama:

"Bem, meus caros, como vocês sabem, escreve alguém que não caiu na chamada “Obamamania”. Deixei a exaltação do “corpo moreno, cheiroso e gostoso, da cor do pecado” de Obama para Marcelo Coelho e para a desinibida Amber Lee. Acho Obama um picareta de estilo terceiro-mundista que irrompe na política americana. Mas, até aí, convenham, é questão de gosto.

(...) Que diabo se passa com o Partido Democrata americano, que tem como favoritos uma mulher e um negro com sobrenome islâmico e nenhum homem branco paraenfrentá-los? (...) Para bom entendedor: tomo o par “homem branco” como apelo simbólico à tradição e à conservação de um modelo que, inegavelmente, deu certo e fez a maior, mais importante e mais rica democracia do mundo, que venceu, por exemplo, o embate civilizatório com o comunismo."

Em seguida, como se a zombar da farsa, Nassif remete ao slogan da revista: "Veja, indispensável para o país que queremos ser".

Leia abaixo a íntegra do capítulo:

A cara da Veja, para todos os leitores que freqüentam o portal da revista, é o Blog de Reinaldo Azevedo.

Assista à campanha institucional da revista. Analise as imagens, mostrando os problemas nacionais, a miséria, as criancinhas, a violência. E confira, na prática, “qual o pais” que Veja quer ser.

Uma revista é o que ela publica, não o que a publicidade imagina.

Azevedo foi um jornalista apagado até os 40 anos de idade. Depois, entrou para a revista “Primeira Leitura”, que cerrou as portas quando foi denunciado o esquema de patrocínios políticos que a mantinha.

Foi, então, contratado por Mario Sabino para se tornar o blogueiro da Veja, incumbido dos ataques aos adversários e dos elogios aos amigos e à empresa. Pratica ambos com notável desenvoltura.

Dedica a Sabino temor reverencial. Quando não recebe ordens diretas da direção, procura se antecipar ao que considera ser a opinião da revista.

Às vezes erra e entra em pânico.

Quando Barack Obama despontou nas pesquisas, escreveu comentário preconceituoso contra ele. No final de semana a edição da revista elogiava o candidato. Sua reação foi enviar um e-mail temeroso a Sabino, perguntando das conseqüências do escorregão.

Acalmou-se quando recebeu o “nihil obstat”.

Tenta reproduzir o ideal “yuppie” do grupo, como apregoar que sempre foi bem sucedido (até os 40 anos era jornalista apagado; até dois anos atrás, jornalista desempregado), gostar de uísque escocês e separar parte de suas cinco horas de sono para “fazer amor”. Aprecia quando comentários supostamente assinados por leitores (grande parte dos comentários é de "anônimos", que tanto podem ser leitores quanto o próprio blogueiro) realçam sua inteligência e charme.

Gosta de ser chamado de "meu Rei" e "tio Rei" pelos leitores. Esbanja preconceito contra negros, mulheres, abusa de um linguajar chulo, não tem limites para caluniar ou difamar críticos da revista.

Seu blog participa do circuito de blogs que fazem eco às "denúncias" lançadas pelo lobby de Daniel Dantas.

É reconhecidamente pessoa desequilibrada, com pendores homofóbicos. Tem fixação em lançar insinuações sexuais contra adversários e é especialmente agressivo com mulheres. Consegue passar, sem nenhum filtro, da agressão mais escatológica contra os "inimigos" à bajulação mais rasteira das chefias.

Em qualquer publicação, independentemente do porte, seu desequilíbrio seria contido dentro de limites editoriais. Na Veja de Eurípedes-Sabino não só tem autorização para fazer o que quiser -até sugerir "boquetes" ao presidente - como é estimulado a isso.

Graças à falta de discernimento de Eurípedes e Sabino, e à pouca importância que ambos - mais a Abril - dedicam ao trabalho de preservação da imagem da revista, Azevedo representa uma espécie de caricatura, a parte mais ostensiva do processo de degradação editorial da revista. É um esgoto sem filtro. Todo o seu desequilíbrio é despejado diariamente no Blog e sua atuação festejada por Sabino.

Hoje em dia, junto ao mundo cada vez mais crescente dos freqüentadores da Internet, a imagem de Veja tornou-se irremediavelmente ligada à de Azevedo, o "tio Rei". É o exemplo mais acabado do processo de deterioração moral e editorial que tomou conta da revista.

P.S.: No resto do capítulo, há vários trechos do blog de Reinaldo Azevedo e comentários de seus leitores.

Obama quase lá

A disputa pela indicação do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos segue acirrada, mas o senador Barack Obama está quase lá.

Nesta terça, segundo projeções da rede americana de TV CNN, ele venceu a prévia no Mississippi, obtendo assim sua 29ª vitória nas primárias democratas, contra 15 da sua oponente Hillary Clinton.

Na contagem dos delegados, que vão decidir o vencedor dessa disputa na convenção nacional do partido, Obama também lidera, com 1.510,5 a 1.403, segundo levantamento do jornal "The New York Times". Mas há outros levantamentos que apontam que Obama tem 1.589 delegados contra 1.470 de Hillary.

Vai ser indicado como o candidato democrata quem conseguir somar 2.025 delegados.

Os 33 delegados do Mississipi vão ser divididos proporcionalmente de acordo com a votação dos dois pré-candidatos.

No dia 22 de abril, Obama e Hillary se enfrentam na Pensilvânia, onde estarão em jogo 158 delegados.

O fim da revolta

Não estou mais só. Meu PC, forçosamente, encerrou a greve e voltou a funcionar.

Ivan, o responsável pela façanha (para mim, que não entendo bulhufas disso, é sim uma façanha), disse que o problema é de memória - não minha, claro, mas do computador.

Eu pensei em deixá-lo de castigo por uns tempos (o computador, não o Ivan...), como fazia meu amigo de residência universitária, Henrique.

Quando o computador dava algum problema, Henrique o desmontava e deixava as peças expostas por alguns dias. A gente perguntava quando ele iria montar a máquina de novo e ele dizia que tava descontando a raiva que ela tinha lhe feito. Figuraça esse Henrique - Coiote para os mais próximos.

Mas meus planos de tortura não demoraram mais que cinco minutos pra ruir. Eu já confessei que essa máquina me fez absolutamente dependente dela. Ela é meu vinho, meu vício, desde o início, como dizia uma certa canção que não me lembro o nome agora.

Então é isso, vamos nessa e qualquer dia a gente se vê.

A revolta da máquina

Ontem à noite, meu computador deu um 'tilde' e eu fiquei numa situação 'escachapante' - tomei essa palavra emprestada da Sheyla Azevedo. Eu tinha uma listinha relativamente grande de coisas a fazer no computador, mas, apesar de dizerem que não existe isso de inteligência artificial, essas máquinas são sim muito voluntariosas e se revoltam na hora em que mais precisamos delas.

A tecnologia nos torna dependentes dela. Experimente passar um dia sem celular. Parece que você está desligado do mundo. Quando eu fico sem internet em casa, sinto-me desplugado de tudo. Aquele monitor de 17 polegadas é meu instrumento de trabalho, minha janela para o mundo e minha companhia nas noites de insônia.

Ainda não sei o que aconteceu com ele - o meu PC. Fico olhando para aqueles leds luminosos na esperança inútil de ser acometido por um lampejo de inspiração que me faça decifrar o insondável enigma daquela máquina.

O lampejo divino não veio e eu abandonei aquele pequeno Frankenstein lá no canto dele. Um dia, sei lá quando, aparece um cientista maluco e coloca de volta o parafuso perdido.

domingo, 9 de março de 2008

Espanha

Vitória socialista nas eleições de domingo

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de José Luis Rodríguez Zapatero obteve neste domingo uma "clara vitória" nas eleições legislativas espanholas sobre o conservador Partido Popular (PP), que apesar da derrota aumentou seu número de deputados na Câmara.

O PSOE garantiu 169 cadeiras no Congresso (de um total de 350), enquanto o Partido Popular (PP) ficou com 153 vagas. O Partido Nacionalista Basco ficou com seis; a Esquerda Republicana da Catalunha, três; Esquerda Unida, Bloco Nacionalista Galego e Coalizão Canária dois cada; e UPeD e Nafarroa Bai, um cada.

Com esses resultados, o PSOE ganha cinco cadeiras a mais que as 164 obtidas no pleito de 2004.

Dessa forma, o partido socialista encerra o processo eleitoral apenas com uma maioria relativa, o que obrigará Zapatero a estabelecer acordos com outras formações políticas para governar.


Para isso, os socialistas podem recorrer aos nacionalistas catalãos do CiU, que elegeram 11 parlamentares, além dos bascos do PNV, que por sua vez perderam uma cadeira, ficando com seis deputados.

Fonte: Terra - Notícias Mundo

Alô, Chávez!

Presidente ordena às tropas: "Volver!"

O presidente venezuelano Hugo Chávez ordenou o regresso aos quartéis dos 10 batalhões e tanques que havia mandado mobilizar até a fronteira com a Colômbia, horas depois da operação militar colombiana em território equatoriano que bombardeou um acampamento das Farc e matou cerca de 20 guerrilheiros, entre eles o porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes. A informação é do "Terra Magazine".

Chávez deu a ordem de retorno no último sábado, após voltar de viagem de Cuba, para onde havia ido depois da reunião do "Grupo do Rio" de países latino-americanos, realizada na última sexta-feira, em Santo Domingo (República Dominicana). Na reunião de cúpula, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, manteve o tom duro ao criticar um suposto envolvimento entre o Equador e a Venezuela com as Farc, mas terminou se desculpando com o presidente equatoriano, Rafael Correa, por haver violado a soberania de seu país e ofereceu garantias de que isto não voltará a acontecer.

Chávez, que em seu programa "Alô, presidente!", transmitido pela televisão estatal venezuelana, havia adotado um tom bastante ácido contra Uribe, acusando-o de subserviência aos Estados Unidos e dizendo-se preparado para a guerra, não teve outra alternativa a não ser adotar um tom mais conciliador.

O ex-candidato presidencial venezuelano e líder da oposição, Manuel Rosales, disse a "Terra Magazine" que Chávez mudou o discurso porque ele "sentiu a reação do povo à sua linguagem de violência".

"Aqueles que medem a opinião pública lhe disseram que a maioria rechaçava sua linguagem de guerra. O Chávez de sexta não era o mesmo do domingo anterior, quando anunciou a mobilização de tanques. Oxalá aprenda que, no programa Alô, Presidente!, ele não pode andar dizendo disparates, definindo políticas tão delicadas como a fronteira, em meio a um grupo de aduladores que aplaudem a tudo", declarou Rosales.

O líder oposicionista também exigiu que Hugo Chávez reestabeleça as relações com a Colômbia. Chávez, porém, ainda não disse nada sobre a reabertura da Embaixada da Venezuela em Bogotá nem se autorizou o regresso da diplomacia colombiana em Caracas, expulsa por ele na segunda-feira passada.

Chávez discursou ao participar de um ato pelo Dia Internacional da Mulher, transmitido em cadeia de rádio e televisão. Durante seu discurso, ele mandou um recado às Farc, pedindo a libertação da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt.

"Mando um pedido a Marulanda: mande-nos a Ingrid! Neste Dia da Mulher (sábado), te peço expressamente em nome desta mulher Yolanda (Pulecio, mãe de Betancourt e que se encontrava presente no ato), que se parece com Maria Madalena, buscando sua filha. Te peço que, quando possas e as circunstâncias permitirem, que liberes Ingrid", disse Chávez.

O 'Fantástico' desce a ladeira

E por falar em "Fantástico", o programa tem enfrentado problemas com a audiência.

Pra tentar recuperar o terreno perdido, o programa que um dia já foi chamado de "o show da vida" tem investido em atrações mais popularescas.

O "Câmera Fantástico" é uma dessas atrações. É uma bobagem sem tamanho.

No programa de hoje, o quadro mostrou um cara jogando uma torta na cara de uma modelo, que, em seguida, retribuiu jogando um balde de tinta verde nele. Tudo em câmera lenta e com uns efeitos sonoros esquisitos.

No final, a apresentadora perguntou: "Não é fantástico?".

Precisa responder?!

Num outro quadro, a dupla de apresentadores anuncia que o programa entregou uma câmera a Joelma e Chimbinha, para que eles registrassem o making off de um show da banda Calypso.

"Vocês agora vão ver as imagens exclusivas que eles registraram", anunciou a moça sorridente.

E eu fiquei achando que ela tava rindo era da minha cara. E da cara de todos os outros trouxas que estavam em frente à televisão nesse momento.

Mais pecados

Vi no "Fantástico" que o papa Bento XVI aumentou a lista de pecados mortais do homem.

Poluir o meio-ambiente, usar drogas, favorecer a pobreza ou riqueza agora também é pecado.

A pedofilia ficou de fora da lista.

Quem será?

Na Carta Capital desta semana, Mino Carta comenta o "Dossiê Veja", que Luis Nassif vem publicando em seu blog sobre a revista da Editoral Abril.

Mino Carta, que foi um dos fundadores da Veja, define assim a revista de maior circulação do país:

"No canto oposto, está uma publicação que se esmera em comportamentos reacionários de extrema agressividade, mascarada de denúncia das mazelas do mundo, a transitar, de fato, entre o provincianismo do falso intelectual e o furor do recalcado."

Algum palpite sobre quem é o falso intelectual e o recalcado?

As voltas que a vida dá



Ontem à noite assisti "Volver", do diretor espanhol Pedro Almodóvar. O filme é estrelado pela belíssima Penélope Cruz, que vive Raimunda, uma mulher dedicada ao trabalho e à filha.

Raimunda tem que se desdobrar entre vários trabalhos para sustentar a filha e o marido desempregado. Mas não são só as dificuldades financeiras que a perturbam. Por trás daqueles olhos profundamente negros, há algo que ela esconde, algo do passado, que ela achava que estava devidamente esquecido, mas que um dia, por uma dessas voltas que a vida dá, resolve bater novamente à sua porta.

Para mim, o melhor de "Volver" é como o filme move-se pela tecitura frágil dos nossos sentimentos, que nos unem indefinidamente a quem não escolhemos, mas que as tornam (as pessoas a quem não escolhemos) de certo modo essenciais.

Na maioria das vezes, não passamos de um objeto deste jogo voluntarioso do destino, absolutamente vulneráveis que estamos às voltas que a vida dá e temerosos das perturbadoras lembranças que, à noite, quando nos refugiamos na solidão do sono, insistem em nos assombrar.