O 'Aqui Agora' voltou ao ar no SBT na segunda-feira passada (dia 3), mas pelo visto, a nova versão está longe de ser "um telejornal vibrante", como se autoproclamava em seu antigo bordão.
Daniel Castro, em sua coluna na Folha de São Paulo, informa que o programa deu 5,3 pontos de média na audiência. Por pouco, não perdeu para os desenhos da TV Cultura.
Retirado do baú popularesco de Sílvio Santos, o telejornal tem tudo para, em pouco tempo, sair do ar novamente.
Felizmente, parece que o gosto por esse tipo de formato sensacionalista está em baixa. O "mundo-cão" não atrai mais como atraia no início da década de 1990, quando a primeira versão do 'Aqui Agora' estreou na televisão brasileira.
Nas televisões regionais, porém, os programas policialescos ainda fazem relativo sucesso. No Rio Grande do Norte, o mais popular desses programas é o "Patrulha da Cidade", apresentado pelo performático Paulo Wagner, na TV Ponta Negra.
A fórmula é a mesma dos programas de rede: tiros, gritos e sangue.
quarta-feira, 5 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
Barrado no baile
Não foi exatamente no baile. Foi no Senac.
Trabalhei durante quase dois anos como professor do Projeto Aprendiz Cidadão no Senac.
Deixei alguns amigos por lá, pessoas que são muito caras pra mim. Por isso, de vez em quando passava por lá pra tomar um café na cantina e rever os amigos.
Fiz isso hoje. Mas fui barrado quando ia passando pela portaria. Eu disse ao rapaz que ia à cantina e ele me disse que a cantina era só para alunos.
Eu expliquei que era ex-professor do Senac. Mesmo assim, ele disse que eu não poderia entrar.
Não tive escolha a não ser dar meia volta e sair de lá resignado, com uma angústia apertando no peito. A sensação era de que o ar não chegava plenamente aos pulmões.
Como pode você dedicar tanto o seu tempo e talento a uma instituição e depois você simplesmente ser barrado nesse lugar? Proibido de entrar como se fosse uma persona non grata, como se a história que você construiu ali não tivesse nenhum valor.
Eu começei a me desencantar com o Senac pouco tempo depois que entrei pra trabalhar lá. Quando começei a dar aula à garotada do projeto, percebi que havia algumas coisas estranhas.
O Aprendiz Cidadão é um projeto do governo estadual, sob a coordenação da Secretaria Estadual do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sethas), em parceria com o Senac.
O programa é feito para jovens e adolescentes entre 15 e 17 anos, estudantes da rede estadual de ensino, que vivem em situação de vulnerabilidade social.
A garotada é treinada durante um ano em algum curso profissionalizante. As aulas são em dois dias da semana, sempre em horário inverso ao horário escolar. Depois de um certo tempo, os alunos são encaminhados pra estágio nas empresas da cidade.
Eles continuam tendo aulas no Senac e no restante da semana vão para o estágio. De acordo coma Lei do Aprendiz do Governo Federal, eles têm direito a carteira assinada, salário mensal de meio salário mínimo e todos os direitos trabalhistas, como vale-transporte, 13º salário, férias e FGTS.
Na prática, muitos desses direitos são ignorados. Nunca soube de nenhum estagiário que teve direito a férias. A fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) é muito falha.
Além disso, muitos alunos são contratados para o cargo de assistente administrativo, por exemplo, mas são obrigados a realizar funções que não têm nada a ver com a profissão. Muitos são submetidos a um regime de exploração do trabalho.
Os próprios alunos sempre relataram esses casos aos professores do projeto, às assistentes sociais e à direção pedagógica do Senac.
Mas o problema não estava só nas empresas. Havia falhas já no momento da seleção dos alunos para o projeto. Muitos não se enquadravam no princípio de vulnerabilidade social. A gente ficava sabendo de aluno que o pai ia deixar e pegar de carro novo lá no curso.
Quando a gente ia atrás, ficava sabendo que aquele aluno era parente de alguém do Senac ou do governo.
Enquanto isso, vi muitos meninos e meninas realmente carentes irem lá pedir uma vaga pra entrar no projeto e ouvir um não como resposta.
Mas não era só isso. O Senac discriminava os alunos do Aprendiz Cidadão. Eles mentiam para os alunos, dizendo que era o próprio Senac que custeava todo o projeto, quando, na verdade, tudo era bancado pelo governo estadual.
O governo pagava mais caro por cada aluno do projeto do que o Senac recebia dos alunos particulares dos outros cursos.
Mas o Senac queria que os alunos acreditassem que eles estavam ali por causa da caridade da instituição. Então, eles discriminavam os alunos. Aluno do Projeto Aprendiz Cidadão não podia usar o elevador nem as escadas principais do prédio; somente as escadas dos fundos, pra não incomodar os alunos ricos, que pagavam os cursos do próprio bolso.
O Senac excluia o excluído. Os alunos do projeto eram tratados com uma visão marginalizadora, criminalizadora.
Eu tentei quebrar com isso. Ousei questionar coisas. Não aceitei esse absurdo calado. Por isso, passei a ser visto e tratado como uma pessoa que era "contra tudo". Certa vez, eu disse que o material didático utilizado nos cursos era obsoleto e ouvi como resposta de outro professor que eu não era pedagogo e, portanto, não poderia dar pitaco sobre isso.
Tempos depois, uma comissão de pedagogas analisou as apostilas e mandou jogar tudo no lixo, porque o material continha erros grosseiros e estava muito desatualizado.
Paguei um preço alto por minha "rebeldia". Fui acusado de tudo. Toda hora ouvia uma história diferente. As pessoas chegavam pra mim e diziam assim: "Alisson, disseram que você disse/fez isso e aquilo outro".
De alguns boatos só fiquei sabendo quando saí de lá. Falaram que eu dava em cima das alunas e dos alunos; que eu discriminava os alunos que moravam na Zona Norte da cidade; que eu tinha chamado aluno de "veado"; entre outras coisas.
Houve uma história que me fez chorar de raiva. Eu tinha combinado com meus alunos de fazermos uma poupança pra festa de formatura. Ficou acertado que cada aluno contribuiria mensalmente com R$ 2,00. As turmas elegeram seus respectivos tesoureiros, que iriam receber e guardar o dinheiro até chegar a hora da nossa festa. Esse dinheiro nunca passou pela minha mão. Eu nem sabia quem tava pagando ou não.
Mas após a minha saída, disseram que eu estava recebendo dinheiro dos alunos e que eu havia prometido a eles que faria uma festa numa casa de praia com bebidas, drogas e sexo liberados.
Foi fácil pra eles arranjarem uma desculpa pra me demitir. Entrei em depressão depois disso e passei muito tempo recluso, desiludido com a vida.
Mas procurei guardar comigo o sorriso dos meus alunos e as lágrimas quando da nossa despedida. Muitos deles chegaram pra mim e disseram: "Professor, você mudou a minha vida". Não poderia receber recompensa melhor.
Eu tentava falar a língua deles, dava atenção aos problemas e aos dilemas pessoais. Nunca me coloquei com alguém que estava ali pra dizer pra eles o que era certou ou errado. Isso eles teriam que descobrir sozinhos, olhando, observando, analisando, decidindo o que eles queriam e esperavam para o futuro. Eu só tentava fazê-los pensar, fazê-los enxergar que eles deveriam ser cidadãos críticos, pra não serem manipulados por ninguém - nem por mim.
Eu me "misturava" com eles até na hora do intervalo. Queria saber o que se passava com a vida de cada um, quais as dificuldades que eles enfrentavam. Virei professor, pai, psicólogo e amigo. Para alguns, fui tirano. Não consegui vencer as barreiras de todos, o que me deixou um pouco frustrado também. Fiquei decepcionado com alguns a quem estendi a mão. Mas a vida é desse jeito mesmo.
A minha aproximação e o meu jeito de lidar com os alunos não eram bem vistos por todos os profissionais do projeto. Fui aconselhado diversas vezes a ser "mais profissional" e limitar-me apenas a dar aula, sem me envolver com os problemas dos alunos. Essas mesmas pessoas que me aconselhavam a ser "mais profissional" diziam que só queriam saber do dinheiro no final do mês e que não estavam nem aí pra problema de aluno.
Hoje, depois de ter sido barrado, tudo isso veio à memória. Não tô escrevendo por rancor, mas como um desabafo mesmo. Escrevo para expressar a revolta típica dos indignados, que é como me sinto hoje.
E mesmo que todas essas lembranças ainda me façam sofrer, sinto que valeu à pena. "Tudo vale à pena se a alma não é pequena", já dizia o poeta.
Trabalhei durante quase dois anos como professor do Projeto Aprendiz Cidadão no Senac.
Deixei alguns amigos por lá, pessoas que são muito caras pra mim. Por isso, de vez em quando passava por lá pra tomar um café na cantina e rever os amigos.
Fiz isso hoje. Mas fui barrado quando ia passando pela portaria. Eu disse ao rapaz que ia à cantina e ele me disse que a cantina era só para alunos.
Eu expliquei que era ex-professor do Senac. Mesmo assim, ele disse que eu não poderia entrar.
Não tive escolha a não ser dar meia volta e sair de lá resignado, com uma angústia apertando no peito. A sensação era de que o ar não chegava plenamente aos pulmões.
Como pode você dedicar tanto o seu tempo e talento a uma instituição e depois você simplesmente ser barrado nesse lugar? Proibido de entrar como se fosse uma persona non grata, como se a história que você construiu ali não tivesse nenhum valor.
Eu começei a me desencantar com o Senac pouco tempo depois que entrei pra trabalhar lá. Quando começei a dar aula à garotada do projeto, percebi que havia algumas coisas estranhas.
O Aprendiz Cidadão é um projeto do governo estadual, sob a coordenação da Secretaria Estadual do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sethas), em parceria com o Senac.
O programa é feito para jovens e adolescentes entre 15 e 17 anos, estudantes da rede estadual de ensino, que vivem em situação de vulnerabilidade social.
A garotada é treinada durante um ano em algum curso profissionalizante. As aulas são em dois dias da semana, sempre em horário inverso ao horário escolar. Depois de um certo tempo, os alunos são encaminhados pra estágio nas empresas da cidade.
Eles continuam tendo aulas no Senac e no restante da semana vão para o estágio. De acordo coma Lei do Aprendiz do Governo Federal, eles têm direito a carteira assinada, salário mensal de meio salário mínimo e todos os direitos trabalhistas, como vale-transporte, 13º salário, férias e FGTS.
Na prática, muitos desses direitos são ignorados. Nunca soube de nenhum estagiário que teve direito a férias. A fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) é muito falha.
Além disso, muitos alunos são contratados para o cargo de assistente administrativo, por exemplo, mas são obrigados a realizar funções que não têm nada a ver com a profissão. Muitos são submetidos a um regime de exploração do trabalho.
Os próprios alunos sempre relataram esses casos aos professores do projeto, às assistentes sociais e à direção pedagógica do Senac.
Mas o problema não estava só nas empresas. Havia falhas já no momento da seleção dos alunos para o projeto. Muitos não se enquadravam no princípio de vulnerabilidade social. A gente ficava sabendo de aluno que o pai ia deixar e pegar de carro novo lá no curso.
Quando a gente ia atrás, ficava sabendo que aquele aluno era parente de alguém do Senac ou do governo.
Enquanto isso, vi muitos meninos e meninas realmente carentes irem lá pedir uma vaga pra entrar no projeto e ouvir um não como resposta.
Mas não era só isso. O Senac discriminava os alunos do Aprendiz Cidadão. Eles mentiam para os alunos, dizendo que era o próprio Senac que custeava todo o projeto, quando, na verdade, tudo era bancado pelo governo estadual.
O governo pagava mais caro por cada aluno do projeto do que o Senac recebia dos alunos particulares dos outros cursos.
Mas o Senac queria que os alunos acreditassem que eles estavam ali por causa da caridade da instituição. Então, eles discriminavam os alunos. Aluno do Projeto Aprendiz Cidadão não podia usar o elevador nem as escadas principais do prédio; somente as escadas dos fundos, pra não incomodar os alunos ricos, que pagavam os cursos do próprio bolso.
O Senac excluia o excluído. Os alunos do projeto eram tratados com uma visão marginalizadora, criminalizadora.
Eu tentei quebrar com isso. Ousei questionar coisas. Não aceitei esse absurdo calado. Por isso, passei a ser visto e tratado como uma pessoa que era "contra tudo". Certa vez, eu disse que o material didático utilizado nos cursos era obsoleto e ouvi como resposta de outro professor que eu não era pedagogo e, portanto, não poderia dar pitaco sobre isso.
Tempos depois, uma comissão de pedagogas analisou as apostilas e mandou jogar tudo no lixo, porque o material continha erros grosseiros e estava muito desatualizado.
Paguei um preço alto por minha "rebeldia". Fui acusado de tudo. Toda hora ouvia uma história diferente. As pessoas chegavam pra mim e diziam assim: "Alisson, disseram que você disse/fez isso e aquilo outro".
De alguns boatos só fiquei sabendo quando saí de lá. Falaram que eu dava em cima das alunas e dos alunos; que eu discriminava os alunos que moravam na Zona Norte da cidade; que eu tinha chamado aluno de "veado"; entre outras coisas.
Houve uma história que me fez chorar de raiva. Eu tinha combinado com meus alunos de fazermos uma poupança pra festa de formatura. Ficou acertado que cada aluno contribuiria mensalmente com R$ 2,00. As turmas elegeram seus respectivos tesoureiros, que iriam receber e guardar o dinheiro até chegar a hora da nossa festa. Esse dinheiro nunca passou pela minha mão. Eu nem sabia quem tava pagando ou não.
Mas após a minha saída, disseram que eu estava recebendo dinheiro dos alunos e que eu havia prometido a eles que faria uma festa numa casa de praia com bebidas, drogas e sexo liberados.
Foi fácil pra eles arranjarem uma desculpa pra me demitir. Entrei em depressão depois disso e passei muito tempo recluso, desiludido com a vida.
Mas procurei guardar comigo o sorriso dos meus alunos e as lágrimas quando da nossa despedida. Muitos deles chegaram pra mim e disseram: "Professor, você mudou a minha vida". Não poderia receber recompensa melhor.
Eu tentava falar a língua deles, dava atenção aos problemas e aos dilemas pessoais. Nunca me coloquei com alguém que estava ali pra dizer pra eles o que era certou ou errado. Isso eles teriam que descobrir sozinhos, olhando, observando, analisando, decidindo o que eles queriam e esperavam para o futuro. Eu só tentava fazê-los pensar, fazê-los enxergar que eles deveriam ser cidadãos críticos, pra não serem manipulados por ninguém - nem por mim.
Eu me "misturava" com eles até na hora do intervalo. Queria saber o que se passava com a vida de cada um, quais as dificuldades que eles enfrentavam. Virei professor, pai, psicólogo e amigo. Para alguns, fui tirano. Não consegui vencer as barreiras de todos, o que me deixou um pouco frustrado também. Fiquei decepcionado com alguns a quem estendi a mão. Mas a vida é desse jeito mesmo.
A minha aproximação e o meu jeito de lidar com os alunos não eram bem vistos por todos os profissionais do projeto. Fui aconselhado diversas vezes a ser "mais profissional" e limitar-me apenas a dar aula, sem me envolver com os problemas dos alunos. Essas mesmas pessoas que me aconselhavam a ser "mais profissional" diziam que só queriam saber do dinheiro no final do mês e que não estavam nem aí pra problema de aluno.
Hoje, depois de ter sido barrado, tudo isso veio à memória. Não tô escrevendo por rancor, mas como um desabafo mesmo. Escrevo para expressar a revolta típica dos indignados, que é como me sinto hoje.
E mesmo que todas essas lembranças ainda me façam sofrer, sinto que valeu à pena. "Tudo vale à pena se a alma não é pequena", já dizia o poeta.
O ministro falastrão
Tomei conhecimento somente hoje da troca de farpas entre o presidente Lula e o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do TSF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello.
O comentário vem atrasado, mas tá valendo, porque o assunto é bom.
O quiprocó envolve o programa "Territórios da Cidadania" - aquele que a oposição "Justo Veríssimo" é contra porque vai ajudar aos pobres.
O ministro Mello deu declarações afirmando que o programa poderia ser contestado judicialmente.
A "opinião" do ministro soou como música aos ouvidos da oposição, que entrou com uma ação questionando o programa no TSF.
Entendeu? Mello passou o "bizu" pra oposição. Tucanos e "demos" entenderam o recado e fizeram o que "seu mestre" mandou.
Agora, o ministro Mello vai julgar a ação que ele incentivou a oposição a impetrar.
O presidente Lula reagiu às declarações do ministro Mello, dizendo que "seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles".
Segundo a Folha de São Paulo, o presidente Lula também recomendou a Marco Aurélio que renunciasse ao cargo de ministro do Supremo e se candidatasse a um cargo público caso quisesse "falar bobagens".
O ministro Mello disse à Folha que o estilo do presidente Lula "estarrece".
Os produtores e caçadores de crise disseram que, ao criticar o Judiciário, o presidente Lula havia criado uma "crise institucional".
O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, disse que havia "um risco enorme para a democracia" nas palavras do presidente Lula.
Pegando carona no "estarrecimento" do ministro Mello, digo que o que me "estarrece" de verdade é o cinismo que impera no Brasil.
O jornalista Paulo Henrique Amorim disse no seu "Conversa Afiada" que o ministro Mello transgrediu a Lei Orgânica da Magistratura ao se pronunciar sobre problemas que julgará e "incitar as partes a recorrer ao Tribunal de que faz parte, para votar de acordo com o interesse da parte incitada."
O Artigo 36, Parágrafo III da Lei Orgânica da Magistratura diz o seguinte: "É vedado ao magistrado: manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério."
Mais claro que isso, impossível. É ou não uma transgressão à Lei?
O comentário vem atrasado, mas tá valendo, porque o assunto é bom.
O quiprocó envolve o programa "Territórios da Cidadania" - aquele que a oposição "Justo Veríssimo" é contra porque vai ajudar aos pobres.
O ministro Mello deu declarações afirmando que o programa poderia ser contestado judicialmente.
A "opinião" do ministro soou como música aos ouvidos da oposição, que entrou com uma ação questionando o programa no TSF.
Entendeu? Mello passou o "bizu" pra oposição. Tucanos e "demos" entenderam o recado e fizeram o que "seu mestre" mandou.
Agora, o ministro Mello vai julgar a ação que ele incentivou a oposição a impetrar.
O presidente Lula reagiu às declarações do ministro Mello, dizendo que "seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles".
Segundo a Folha de São Paulo, o presidente Lula também recomendou a Marco Aurélio que renunciasse ao cargo de ministro do Supremo e se candidatasse a um cargo público caso quisesse "falar bobagens".
O ministro Mello disse à Folha que o estilo do presidente Lula "estarrece".
Os produtores e caçadores de crise disseram que, ao criticar o Judiciário, o presidente Lula havia criado uma "crise institucional".
O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, disse que havia "um risco enorme para a democracia" nas palavras do presidente Lula.
Pegando carona no "estarrecimento" do ministro Mello, digo que o que me "estarrece" de verdade é o cinismo que impera no Brasil.
O jornalista Paulo Henrique Amorim disse no seu "Conversa Afiada" que o ministro Mello transgrediu a Lei Orgânica da Magistratura ao se pronunciar sobre problemas que julgará e "incitar as partes a recorrer ao Tribunal de que faz parte, para votar de acordo com o interesse da parte incitada."
O Artigo 36, Parágrafo III da Lei Orgânica da Magistratura diz o seguinte: "É vedado ao magistrado: manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério."
Mais claro que isso, impossível. É ou não uma transgressão à Lei?
É pouco
Agripino e TV Tropical vão pagar R$ 21 mil de multa
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, rejeitou um recurso impetrado pelo senador José Agripino (DEM-RN), que pedia o cancelamento da multa de 20 mil UFIR (pouco mais de R$ 21 mil) aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE-RN) por propaganda eleitoral extemporânea (antes do prazo) nas eleições 2006.
No dia 30 de junho de 2006, a TV Tropical divulgou uma entrevista de Agripino, em que o senador e líder dos "demos" pedia votos para seus candidatos a deputado federal, senador e governador, afirmando que o RN só cresceria se os candidatos dele fossem eleitos.
A multa, apesar de pequena, é um sinal de que nem tudo está perdido e uma indicação ao senador de que ele não está imune à Justiça.
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, rejeitou um recurso impetrado pelo senador José Agripino (DEM-RN), que pedia o cancelamento da multa de 20 mil UFIR (pouco mais de R$ 21 mil) aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE-RN) por propaganda eleitoral extemporânea (antes do prazo) nas eleições 2006.
No dia 30 de junho de 2006, a TV Tropical divulgou uma entrevista de Agripino, em que o senador e líder dos "demos" pedia votos para seus candidatos a deputado federal, senador e governador, afirmando que o RN só cresceria se os candidatos dele fossem eleitos.
A multa, apesar de pequena, é um sinal de que nem tudo está perdido e uma indicação ao senador de que ele não está imune à Justiça.
Cala a boca, Agripino
O senador José Agripino, líder dos "demos", estréia hoje o programa de rádio "Fala Senador".
O programa vai ser transmitido por 14 emissoras da Rede Tropical de Comunicação, império midiático do senador aqui no Rio Grande do Norte.
Agripino utiliza as concessões de televisão e rádio que detém para se autopromover. A TV Tropical, afiliada local da Rede Record, transmite todo dia os seus pronunciamentos no Senado.
Eu resolvi pegar carona no novo programa do senador e lançar a campanha "Cala a boca, Agripino".
Ninguém agüenta mais ouvir as baboseiras e as lições de falso moralismo de José Agripino.
Agripino visa 2010 e o programa é uma tentativa desesperada de não ser esquecido pelo povo até lá.
Não adianta senador, porque a sua derrocada política está cada vez mais próxima.
O programa vai ser transmitido por 14 emissoras da Rede Tropical de Comunicação, império midiático do senador aqui no Rio Grande do Norte.
Agripino utiliza as concessões de televisão e rádio que detém para se autopromover. A TV Tropical, afiliada local da Rede Record, transmite todo dia os seus pronunciamentos no Senado.
Eu resolvi pegar carona no novo programa do senador e lançar a campanha "Cala a boca, Agripino".
Ninguém agüenta mais ouvir as baboseiras e as lições de falso moralismo de José Agripino.
Agripino visa 2010 e o programa é uma tentativa desesperada de não ser esquecido pelo povo até lá.
Não adianta senador, porque a sua derrocada política está cada vez mais próxima.
Datena diz que cansou de programas policiais
José Luiz Datena, maior ícone dos programas policiais na televisão brasileira, disse à Folha de São Paulo que não agüenta mais fazer esse tipo de programa.
Datena apresenta o "Brasil Urgente" na Bandeirantes e faz o perfil do típico "justiçeiro demagogo", gritando bordões, palavras de ordem, vociferando contra criminosos e exigindo punição.
Datena "inovou" e pôs um varal no cenário do seu programa. No varal, há camisetas penduradas com frases de "indignação". Há desde o clamor por justiça a pedidos de "Fora Lula".
Datena disse à Folha que foi convidado por Sílvio Santos para apresentar o "novo" 'Aqui Agora', que o SBT volta a exibir a partir de hoje à noite, mas recusou o convite.
"Quando o Silvio Santos me chamou na casa dele em novembro para fazer o 'Aqui Agora', disse que para fazer a mesma coisa que faço na Band, fico aqui", revelou.
Datena se defendeu das acusações de que traz o "mundo-cão" para dentro da casa das pessoas. "O mundo cão é o que todos vivemos, um Brasil de desigualdades. Não sou responsável por esse tipo de programa nem pela violência", desabafou.
Datena quer dar uma de Pilatos e lavar as mãos, fugindo das suas responsabilidades. É óbvio que ele não é "responsável" pela violência, no sentido de que não é autor da violência, não a pratica.
Mas é claro que ele tem responsabilidade em relação ao programa que apresenta. Programa esse que sobrevive da exacerbação e da banalização da violência. Mais ainda. Programa que sobrevive da espetacularização da violência.
Datena, embora não admita, incita a violência, pois se comporta como legítimo representante da indignação do povo e estimula a prática da "justiça do grito".
É bom mesmo que ele diga que cansou de fazer esse tipo de programa e sua apologia à violência. Pode ser que essa "confissão" sirva para convencer o público desse formato d eprograma que a "indignação" gritada no ar não passa de bravata.
Datena apresenta o "Brasil Urgente" na Bandeirantes e faz o perfil do típico "justiçeiro demagogo", gritando bordões, palavras de ordem, vociferando contra criminosos e exigindo punição.
Datena "inovou" e pôs um varal no cenário do seu programa. No varal, há camisetas penduradas com frases de "indignação". Há desde o clamor por justiça a pedidos de "Fora Lula".
Datena disse à Folha que foi convidado por Sílvio Santos para apresentar o "novo" 'Aqui Agora', que o SBT volta a exibir a partir de hoje à noite, mas recusou o convite.
"Quando o Silvio Santos me chamou na casa dele em novembro para fazer o 'Aqui Agora', disse que para fazer a mesma coisa que faço na Band, fico aqui", revelou.
Datena se defendeu das acusações de que traz o "mundo-cão" para dentro da casa das pessoas. "O mundo cão é o que todos vivemos, um Brasil de desigualdades. Não sou responsável por esse tipo de programa nem pela violência", desabafou.
Datena quer dar uma de Pilatos e lavar as mãos, fugindo das suas responsabilidades. É óbvio que ele não é "responsável" pela violência, no sentido de que não é autor da violência, não a pratica.
Mas é claro que ele tem responsabilidade em relação ao programa que apresenta. Programa esse que sobrevive da exacerbação e da banalização da violência. Mais ainda. Programa que sobrevive da espetacularização da violência.
Datena, embora não admita, incita a violência, pois se comporta como legítimo representante da indignação do povo e estimula a prática da "justiça do grito".
É bom mesmo que ele diga que cansou de fazer esse tipo de programa e sua apologia à violência. Pode ser que essa "confissão" sirva para convencer o público desse formato d eprograma que a "indignação" gritada no ar não passa de bravata.
Em breve, o blog vai tá de cara nova
O contador de acessos do blog endoidou. Voltou a contar a partir do 1º acesso.
Como eu não entendo nadica de nada dessas coisas, falei com um amigo e ele vai arrumar isso pra mim.
Aguardem também o novo visual do blog, com novas ferramentas e uma cara mais moderna.
Como eu não entendo nadica de nada dessas coisas, falei com um amigo e ele vai arrumar isso pra mim.
Aguardem também o novo visual do blog, com novas ferramentas e uma cara mais moderna.
Estamos na área
Desde quarta-feira passada que não tive mais tempo de postar nada. Estava atolado de coisas pra fazer, referentes a meu trabalho na AL.
Aproveito pra comentar rapidinho sobre o "Fórum Natal Pela Sustentabilidade", que aconteceu sexta-feira passada, no Cefet. O tema foi segurança pública.
O evento foi muito bom, apesar de alguns contratempos e do cancelamento de uma das palestras por falta de energia.
Achei particularmente interessante a palestra da secretária de Defesa Social da cidade de Diadema (SP), Regina Miki. Ela falou sobre a experiência da cidade na redução, combate e prevenção à violência urbana - Diadema era considerada a cidade mais violenta do país, com taxa de homicídios de 110 para cada grupo de 100 mil habitantes.
Regina Miki, que fez mestrado em segurança púbica, disse que Diadema precisou fazer um mapeamento da criminalidade, para que se tivesse um diagnóstico que norteasse as ações contra a violência.
Ela contou que, no início, foi preciso superar muitos entraves, como a própria lentidão da máquina pública, classificada por ela como um "paquiderme".
Mas o maior desafio era mudar os paradigmas sobre segurança púbica. "As pessoas olham para a segurança como repressão. Mas repressão significa a falha do sistema", ressaltou.
Feito o mapeamento da criminalidade, o resultado das análises dos dados coletados revelou que 60% dos homicídios de Diadema ocorriam em bares e similares ou áreas próximas, entre 23h e 4h. A cidade tinha cerca de 4.800 bares.
Para mudar esse quadro, a Prefeitura criou a "Lei de Fechamento de Bares", que está em vigor desde julho de 2002.
O resultado, após a medida, foi que os homicídios em Diadema despencaram - de 110 para 19 homícidios por grupo de 100 mil habitantes.
A maioria absoluta da população (97%) apóia o fechamento dos bares em Diadema.
Mas é claro que não foi apenas fechando os bares que Diadema diminuiu a violência. A Prefeitura também criou programas de promoção de cidadania para jovens e adolescentes, que são as maiores vítimas da violência.
O programa "Adolescente Aprendiz", criado em 2001, prepara jovens de 14 a 15 anos para o mundo do trabalho. Já foram atendidos 12 mil adolescentes e, de 2001 para 2007, houve uma redução de 79% dos homicídios entre jovens, que viviam em situação crítica de vulnerabilidade social e, freqüentemente, acabavam envolvidos com o tráfico de drogas.
"O crime prospera onde o Estado está ausente. E ainda tem um agravante: o vácuo é preenchido pelo tráfico. Não há vácuo de poder", disse Regina Miki.
Aproveito pra comentar rapidinho sobre o "Fórum Natal Pela Sustentabilidade", que aconteceu sexta-feira passada, no Cefet. O tema foi segurança pública.
O evento foi muito bom, apesar de alguns contratempos e do cancelamento de uma das palestras por falta de energia.
Achei particularmente interessante a palestra da secretária de Defesa Social da cidade de Diadema (SP), Regina Miki. Ela falou sobre a experiência da cidade na redução, combate e prevenção à violência urbana - Diadema era considerada a cidade mais violenta do país, com taxa de homicídios de 110 para cada grupo de 100 mil habitantes.
Regina Miki, que fez mestrado em segurança púbica, disse que Diadema precisou fazer um mapeamento da criminalidade, para que se tivesse um diagnóstico que norteasse as ações contra a violência.
Ela contou que, no início, foi preciso superar muitos entraves, como a própria lentidão da máquina pública, classificada por ela como um "paquiderme".
Mas o maior desafio era mudar os paradigmas sobre segurança púbica. "As pessoas olham para a segurança como repressão. Mas repressão significa a falha do sistema", ressaltou.
Feito o mapeamento da criminalidade, o resultado das análises dos dados coletados revelou que 60% dos homicídios de Diadema ocorriam em bares e similares ou áreas próximas, entre 23h e 4h. A cidade tinha cerca de 4.800 bares.
Para mudar esse quadro, a Prefeitura criou a "Lei de Fechamento de Bares", que está em vigor desde julho de 2002.
O resultado, após a medida, foi que os homicídios em Diadema despencaram - de 110 para 19 homícidios por grupo de 100 mil habitantes.
A maioria absoluta da população (97%) apóia o fechamento dos bares em Diadema.
Mas é claro que não foi apenas fechando os bares que Diadema diminuiu a violência. A Prefeitura também criou programas de promoção de cidadania para jovens e adolescentes, que são as maiores vítimas da violência.
O programa "Adolescente Aprendiz", criado em 2001, prepara jovens de 14 a 15 anos para o mundo do trabalho. Já foram atendidos 12 mil adolescentes e, de 2001 para 2007, houve uma redução de 79% dos homicídios entre jovens, que viviam em situação crítica de vulnerabilidade social e, freqüentemente, acabavam envolvidos com o tráfico de drogas.
"O crime prospera onde o Estado está ausente. E ainda tem um agravante: o vácuo é preenchido pelo tráfico. Não há vácuo de poder", disse Regina Miki.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Conhecimento de causa
Agripino entende de políticas eleitoreiras
O leitor João Maurício escreve ao blog comentando o boicote que a oposição 'Justo Veríssimo' quer impor ao programa "Territórios da Cidadania".
Merece destaque o trecho em que ele observa que a reação dos tucanos e "demos" ao programa do governo federal reflete a típica visão "liberal", segundo a qual a função do Estado é bancar a iniciativa privada. "Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não", escreve o leitor.
Lei a íntegra do comentário:
Interessante é que a maioria das ações do "Territórios da Cidadania" acontecerão (sic) em municípios com população pouco expressiva em termos numéricos e em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos, áreas onde geralmente o IDH é mais baixo. Então pergunta-se: se fosse programa eleitoreiro, não deveria se concentrar nos grandes centros urbanos, onde teoricamente o impacto "político" seria maior? O "x" da questão é outro. A turma dos demos, antigos (PFL), e dos demos convertidos ou neo-demos (PSDB), não suportam ouvir falar em programas sociais cujo objetivo seja reduzir a miséria no país. Mas nisso tem situações engraçadas, a exemplo das declarações de José Agripino, condenando, evidentemente, o Programa do Governo Federal. Mas ao menos dessa vez – sejamos justos – ele pode até não ter razão, mas fala com conhecimento de causa. Ou seja, o "galeguinho do Alecrim" sabe bem o que são políticas eleitoreiras... Suas práticas de antanho lhe servem de guia, certamente. Na concepção de "liberais" como "jaja" o Estado brasileiro tem por função bancar a iniciativa privada, como fez o BNDES no caso das privatizações da Vale, das Telecomunicações... emprestando dinheiro do Estado aos "empresários de bem" para quem (sic) comprassem os bens... estatais. Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não. Isso é politicagem, diz "jaja" e sua trupe. Afinal, de quem é mesmo essa tarefa?... Bom, mas como é homem sensato e fiél aos ideais da República tupiniquim, "jaja" vai estrear um programinha na Radio Tropical...
O leitor João Maurício escreve ao blog comentando o boicote que a oposição 'Justo Veríssimo' quer impor ao programa "Territórios da Cidadania".
Merece destaque o trecho em que ele observa que a reação dos tucanos e "demos" ao programa do governo federal reflete a típica visão "liberal", segundo a qual a função do Estado é bancar a iniciativa privada. "Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não", escreve o leitor.
Lei a íntegra do comentário:
Interessante é que a maioria das ações do "Territórios da Cidadania" acontecerão (sic) em municípios com população pouco expressiva em termos numéricos e em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos, áreas onde geralmente o IDH é mais baixo. Então pergunta-se: se fosse programa eleitoreiro, não deveria se concentrar nos grandes centros urbanos, onde teoricamente o impacto "político" seria maior? O "x" da questão é outro. A turma dos demos, antigos (PFL), e dos demos convertidos ou neo-demos (PSDB), não suportam ouvir falar em programas sociais cujo objetivo seja reduzir a miséria no país. Mas nisso tem situações engraçadas, a exemplo das declarações de José Agripino, condenando, evidentemente, o Programa do Governo Federal. Mas ao menos dessa vez – sejamos justos – ele pode até não ter razão, mas fala com conhecimento de causa. Ou seja, o "galeguinho do Alecrim" sabe bem o que são políticas eleitoreiras... Suas práticas de antanho lhe servem de guia, certamente. Na concepção de "liberais" como "jaja" o Estado brasileiro tem por função bancar a iniciativa privada, como fez o BNDES no caso das privatizações da Vale, das Telecomunicações... emprestando dinheiro do Estado aos "empresários de bem" para quem (sic) comprassem os bens... estatais. Esse negócio de investir para acabar com a miséria num (sic) é papel do Estado não. Isso é politicagem, diz "jaja" e sua trupe. Afinal, de quem é mesmo essa tarefa?... Bom, mas como é homem sensato e fiél aos ideais da República tupiniquim, "jaja" vai estrear um programinha na Radio Tropical...
Grotesco II
O sensacionalismo não é exclusividade dos pequenos jornais. Os grandes, vez por outra, também descem a ladeira e aderem a esse gênero jornalístico.Vide o exemplo do Diário de Natal de hoje, que exibe na capa a foto de parte do corpo de mais um detento assassinado no presídio de Alcaçuz.
A foto mostra o braço ensanguentado do morto, onde se lê a inscrição tatuada: "mato por prazer".
Há um balão com o aviso de "Imagens Fortes", que serve apenas para despertar ainda mais a curiosidade do leitor adepto desse tipo de notícia.
Na manchete, também impera o tom apelativo: "Segunda degola faz de Alcaçuz um novo 'caldeirão do diabo' ".
Na capa do caderno "Cidades", em letras garrfais vermelhas, sobre uma foto desfocada, lê-se a seguinte manchete: "De segurança máxima a novo caldeirão do diabo do RN".
A Tribuna do Norte resistiu ao sensacionalismo e deu menos destaque à notícia. O jornal não deixou de noticiar o caso, mas optou por não chocar o seu leitor. Colocou uma foto pequena na capa, mostrando um policial de costas e ao fundo, imagem meio desfocada, os pés do presidiário assassinado. Não há manchete chamando atenção para a notícia; apenas a inscrição acima da foto: "Penitenciária de Alcaçuz".
Na página 9, a manchete é a seguinte: "Mais um detento é decapitado no RN". O jornal não apelou a metáforas futebolísticas de mau gosto nem usou apelidos grotescos para se referir aos envolvidos no caso. A foto interna também é sutil, como a da capa.
Até o JH Primeira Edição maneirou a mão dessa vez e não colocou nenhuma foto nem manchete apelativa sobre mais essa morte no presídio.
Vai longe o tempo em que o DN podia ser considerado o melhor jornal da cidade.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
A Chantagem
Dilma Rousseff reage às ameaças da oposição 'Justo Veríssimo'
A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, mandou um recado hoje à turma da oposição 'Justo Veríssimo' - aquela que quer que o povo se exploda.
Dilma disse que o governo não pode parar somente porque é ano de eleição e que as ações do governo não são eleitoreiras.
"Eleitoreira" é a senha da oposição 'Justo Veríssimo' para desqualificar todo e qualquer programa social do governo federal.
Tucanos e "demos" ameçam entrar Justiça contra o recém lançado Territórios da Cidadania, que vai destinar, neste ano, R$ 11,3 bilhões para os 958 municípios brasileiros com menor IDH.
A ministra não entende o terrorismo da oposição 'Justo Veríssimo' contra o programa. "O [programa] Territórios da Cidadania é um dos melhores e mais efetivos programas de distribuição de renda. O programa é focado, tem um papel que é de resgate daqueles bolsões de pobreza que não são facilmente atingidos. Isso representa um esforço articulado do governo. É o governo somando esforços. Não é gastando mais, mas melhor", disse ela à Folha Online.
O programa vai ser coordenado pelo ministro Guilherme Cassel do Desenvolvimento Agrário e compreende 135 ações, envolvendo outros 19 ministérios. A previsão é de atender 24 milhões de pessoas nas comunidades rurais, aldeias indígenas, quilombolas e colônias de pescadores inicialmente mapeadas pelo programa.
O Ministro Guilherme Cassel disse ao jornalista Paulo Henrique Amorim que a novidade do programa é fazer com que recursos e programas já existentes cheguem a regiões que não eram beneficiadas, levando assistência social e desenvolvimento a essas populações.
"Ele (o 'Territórios da Cidadania') é pensado em três eixos básicos. O primeiro deles é garantir acesso universal a direito de cidadania: documentação, assistência social, o básico. O segundo, superar a infra-estrutura: água, energia elétrica, casa. E o terceiro: apoiar atividade produtiva a partir de atividades que podem tirar essas regiões da estagnação econômica", explicou o ministro.
A oposição quer boicotar o Territórios da Cidadania e fica usando essa desculpa furada de que o programa é eleitoreiro.
Para a população que sobrevive em condições precárias, não interessa se é ano eleitoral ou não. O que importa é que ela vai ter, pela primeira vez, acesso de fato à cidadania.
A chantagem da oposição, ameaçando entra na Justiça contra o programa, é birra de menino mimado.
É igual aquela história do garoto que é o dono da bola. Ele não joga nada, mas se não deixarem ele ser o atacante, não tem jogo.
A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, mandou um recado hoje à turma da oposição 'Justo Veríssimo' - aquela que quer que o povo se exploda.
Dilma disse que o governo não pode parar somente porque é ano de eleição e que as ações do governo não são eleitoreiras.
"Eleitoreira" é a senha da oposição 'Justo Veríssimo' para desqualificar todo e qualquer programa social do governo federal.
Tucanos e "demos" ameçam entrar Justiça contra o recém lançado Territórios da Cidadania, que vai destinar, neste ano, R$ 11,3 bilhões para os 958 municípios brasileiros com menor IDH.
A ministra não entende o terrorismo da oposição 'Justo Veríssimo' contra o programa. "O [programa] Territórios da Cidadania é um dos melhores e mais efetivos programas de distribuição de renda. O programa é focado, tem um papel que é de resgate daqueles bolsões de pobreza que não são facilmente atingidos. Isso representa um esforço articulado do governo. É o governo somando esforços. Não é gastando mais, mas melhor", disse ela à Folha Online.
O programa vai ser coordenado pelo ministro Guilherme Cassel do Desenvolvimento Agrário e compreende 135 ações, envolvendo outros 19 ministérios. A previsão é de atender 24 milhões de pessoas nas comunidades rurais, aldeias indígenas, quilombolas e colônias de pescadores inicialmente mapeadas pelo programa.
O Ministro Guilherme Cassel disse ao jornalista Paulo Henrique Amorim que a novidade do programa é fazer com que recursos e programas já existentes cheguem a regiões que não eram beneficiadas, levando assistência social e desenvolvimento a essas populações.
"Ele (o 'Territórios da Cidadania') é pensado em três eixos básicos. O primeiro deles é garantir acesso universal a direito de cidadania: documentação, assistência social, o básico. O segundo, superar a infra-estrutura: água, energia elétrica, casa. E o terceiro: apoiar atividade produtiva a partir de atividades que podem tirar essas regiões da estagnação econômica", explicou o ministro.
A oposição quer boicotar o Territórios da Cidadania e fica usando essa desculpa furada de que o programa é eleitoreiro.
Para a população que sobrevive em condições precárias, não interessa se é ano eleitoral ou não. O que importa é que ela vai ter, pela primeira vez, acesso de fato à cidadania.
A chantagem da oposição, ameaçando entra na Justiça contra o programa, é birra de menino mimado.
É igual aquela história do garoto que é o dono da bola. Ele não joga nada, mas se não deixarem ele ser o atacante, não tem jogo.
Grotesco

Muitos jornais sobrevivem do sensacionalismo, principalmente da exploração e banalização da violência.
O JH Primeira Edição (capa reproduzida acima) presenteou os admiradores do mundo-cão com a foto de capa de um homem todo costurado, após ter levado sete facadas.
Danilo Angrimani, autor de "Espreme que sai sangue", um dos mais conhecidos estudos do sensacionalismo na imprensa brasileira, explica que "o jornalismo sensacionalista extrai do fato, da notícia, a sua carga emotiva e apelativa e a enaltece", como estratégia para seduzir o público.
Muniz Sodré fala em uma "estética do grotesco" como aspecto preponderante em jornais e programas sensacionalistas. Ele também utiliza a expressão “estética do sangue” para caracterizar esse tipo de jornalismo.
Marcondes Filho afirma que a imprensa sensacionalista "não se presta a informar, muito menos a formar."
Cito novamente Danilo Angrimani, que diz que "sensacionalismo e credibilidade se repelem, são incompatíveis."
O jornal sensacionalista sabe que o leitor gosta do fait divers (notícia "curiosa", numa tradução livre) e o transforma em manchete de capa, como fez o JH Primeira Edição.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A Veja que ninguém vai ver
Oposição 'Justo Veríssimo'
A oposição não sabe mais o que fazer pra derrubar o presidente Lula.
Por mais que "demos" e tucanos tentem, eles não conseguem abalar a popularidade do homem, que segundo a mais recente pesquisa CNT/Sensus, passa dos 60%.
Derrubaram a CPMF no final do ano passado pra ver se o governo federal ficava com as calças na mão, sem "dinda" pra continuar os programas sociais e pra investir em novas ações.
Avaliaram que seria fácil ganhar a parada das eleições municipais deste ano, porque um governo sem dinheiro em ano eleitoral é um governo fraco.
Ainda falta muito tempo pras eleições e, até lá, tudo pode acontecer. Mas o tiro da oposião parece ter sido furado.
Primeiro porque o governo, apesar da perda da CPMF, não cortou as verbas dos programas sociais.
E além de manter os programas atuais, o governo começa a executar outras ações na área social para favorecer a parcela mais carente da população.
Foi o que aconteceu hoje, em Brasília, quando o governo lançou o progama "Territórios da Cidadania".
O programa compreende 135 ações de 19 ministérios e vai contemplar as regiões do país com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Aproximadamente mil municípios devem ser beneficiados.
Apenas em 2008, serão destinados R$ 11,3 bilhões para os municípios selecionados.
Os municípios foram agrupados em cerca de 60 territórios. Em 2009, o programa vai alcançar 120 territórios em todo o país, segundo o governo federal.
Mais de 2 milhões de famílias de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas, famílias de pescadores e comunidades tradicionais terão acesso às ações neste ano. Isso somente no meio rural.
No total, a previsão do programa é beneficiar 24 milhões de pessoas envolvidas.
O objetivo do programa é eliminar os bolsões de pobreza e reduzir das desigualdades sociais.
A oposição ficou doida quando o programa foi lançado. O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do Democratas (DEM), disse que o programa é puro "assistencialismo".
O senador José Agripino Maia (RN), coincidentemente do mesmo partido de Rodrigo Maia, disse que não esperava que o governo, mesmo perdendo a CPMF, ainda tivesse tanto dinheiro pra investir nos mais pobres.
"O governo não disse que estava quebrado sem a CPMF ? Como lança, então, esse programa agora?", perguntou assustado Agripino Maia.
O medo deles é que o programa dê certo e beneficie os candidatos a prefeito apoiados pelo preidente Lula.
E até mandaram um recado: vão recorrer à Justiça Eleitoral e questionar o programa, que eles chamam de "eleitoreiro".
Por trás desse papo furado, está o pavor que "demos" e tucanos têm do povo. Como diria Justo Veríssimo, personagem antológico criado por Chico Anysio, eles querem que o povo se exploda.
No início, eles também tentaram boicotar o Bolsa Família, dizendo que o programa era "assitencialista", que era uma "bolsa esmola" e blá blá blá...
Quebraram a cara antes e vão quebrar novamente.
Por mais que "demos" e tucanos tentem, eles não conseguem abalar a popularidade do homem, que segundo a mais recente pesquisa CNT/Sensus, passa dos 60%.
Derrubaram a CPMF no final do ano passado pra ver se o governo federal ficava com as calças na mão, sem "dinda" pra continuar os programas sociais e pra investir em novas ações.
Avaliaram que seria fácil ganhar a parada das eleições municipais deste ano, porque um governo sem dinheiro em ano eleitoral é um governo fraco.
Ainda falta muito tempo pras eleições e, até lá, tudo pode acontecer. Mas o tiro da oposião parece ter sido furado.
Primeiro porque o governo, apesar da perda da CPMF, não cortou as verbas dos programas sociais.
E além de manter os programas atuais, o governo começa a executar outras ações na área social para favorecer a parcela mais carente da população.
Foi o que aconteceu hoje, em Brasília, quando o governo lançou o progama "Territórios da Cidadania".
O programa compreende 135 ações de 19 ministérios e vai contemplar as regiões do país com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Aproximadamente mil municípios devem ser beneficiados.
Apenas em 2008, serão destinados R$ 11,3 bilhões para os municípios selecionados.
Os municípios foram agrupados em cerca de 60 territórios. Em 2009, o programa vai alcançar 120 territórios em todo o país, segundo o governo federal.
Mais de 2 milhões de famílias de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas, famílias de pescadores e comunidades tradicionais terão acesso às ações neste ano. Isso somente no meio rural.
No total, a previsão do programa é beneficiar 24 milhões de pessoas envolvidas.
O objetivo do programa é eliminar os bolsões de pobreza e reduzir das desigualdades sociais.
A oposição ficou doida quando o programa foi lançado. O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do Democratas (DEM), disse que o programa é puro "assistencialismo".
O senador José Agripino Maia (RN), coincidentemente do mesmo partido de Rodrigo Maia, disse que não esperava que o governo, mesmo perdendo a CPMF, ainda tivesse tanto dinheiro pra investir nos mais pobres.
"O governo não disse que estava quebrado sem a CPMF ? Como lança, então, esse programa agora?", perguntou assustado Agripino Maia.
O medo deles é que o programa dê certo e beneficie os candidatos a prefeito apoiados pelo preidente Lula.
E até mandaram um recado: vão recorrer à Justiça Eleitoral e questionar o programa, que eles chamam de "eleitoreiro".
Por trás desse papo furado, está o pavor que "demos" e tucanos têm do povo. Como diria Justo Veríssimo, personagem antológico criado por Chico Anysio, eles querem que o povo se exploda.
No início, eles também tentaram boicotar o Bolsa Família, dizendo que o programa era "assitencialista", que era uma "bolsa esmola" e blá blá blá...
Quebraram a cara antes e vão quebrar novamente.
Pergunte aos universitários
O novo (?) "Aqui Agora", que voltará ao SBT em março, vai contar com uma platéia de universitários.
O papel deles será de debater sobre carreira e comportamento.
Mais um ingrediente trash deste que foi o telejornal mais sensacionalista da década de 1990 na televisão brasileira.
Parece até que estou vendo (quer dizer, imaginando, porque não vou assistir a volta dessa porcaria de jeito nenhum), a platéia cheinha de pingüins de universidades particulares. Após uma matéria, a câmera focaliza a turminha e o apresentador pergunta: "O que vocês têm a dizer sobre esse assunto?". E eles: "Hein, como assim?!".
Ai, Jesus, isso não vai dar certo.
O papel deles será de debater sobre carreira e comportamento.
Mais um ingrediente trash deste que foi o telejornal mais sensacionalista da década de 1990 na televisão brasileira.
Parece até que estou vendo (quer dizer, imaginando, porque não vou assistir a volta dessa porcaria de jeito nenhum), a platéia cheinha de pingüins de universidades particulares. Após uma matéria, a câmera focaliza a turminha e o apresentador pergunta: "O que vocês têm a dizer sobre esse assunto?". E eles: "Hein, como assim?!".
Ai, Jesus, isso não vai dar certo.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Iguais, pero no mucho


As capas da Veja e da Carta Capital desta semana são quase iguais.
A foto é a mesma - a sombra do rosto do ex-presidente cubano Fidel Castro. A diferença é apenas o enfoque.
Veja comemora a renúncia de Fidel Castro com a manchete na capa: "Já vai tarde". Típico do estilo refratário e panfletário da revista.
Carta Capital se baseia nas análises de diversas personalidades para tentar imaginar como vai ficar "Cuba sem Fidel".
Muito bom o editorial de Mino Carta: "Fidel Castro e o golpe de 1964".
Carta Capital também entrevistou o historiador Tariq Ali, para quem os cubanos exilados em Miami são "fascistas".
Tariq Ali considera que a volta dos cubanos exilados para a ilha seria ruim, porque “todo o trabalho realizado desde 1959 seria destruído”.
"Muito Além do Cidadão Kane"
Documentário sobre a "história secreta" da Globo faz 15 anos
A Folha publica hoje entrevista com o professor britânico John Ellis, produtor do documentário "Muito Além do Cidadão Kane", que conta a verdadeira história da Rede Globo, as ligações políticas e a relação íntima com o governo militar da emissora fundada por Roberto Marinho.
O documentário foi transmitido pela primeira vez em 1993, no canal britânico Channel 4.
Há depoimentos de políticos como Leonel Brizola (1922-2004), Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) e do presidente Lula, então dirigente sindical. Também há depoimentos de artistas como Chico Buarque, que na época da ditadura militar era vetado na emissora.
O documentário completa 15 anos, mas nunca foi exibido em nenhuma emissora brasileira, porque a Globo não cedeu os direitos de exibição de suas imagens.
Isso não impediu, porém, que o documentário fosse exibido em eventos públicos no país. Hoje, o filme está disponível na internet para ser visto e armazenado.
Confira a entrevista na íntegra:
FOLHA - O que acha de o governo Lula tentar erguer uma TV pública?
ELLIS - Talvez seja tarde demais para a criação de uma TV pública. O que ela mostraria na maior parte do tempo? Há, claro, sempre espaço para uma melhora da informação pública na TV, tanto em notícias, em programas factuais, quanto nos assuntos presentes nas novelas, e como eles são abordados. A experiência no Reino Unido mostra que a TV pública deve ser separada do governo. Esse modelo de TV pública é possível no Brasil? Nenhum governo que eu conheço iria querer criar agora uma empresa de telecomunicações se não pudesse controlá-la diretamente. Especialmente agora, quando há muitas TVs espalhadas pelo mundo. O serviço público de TV na Europa foi iniciado em uma época em que a TV era uma novidade. Mesmo que a BBC seja separada do poder, quando a emissora foi realmente contra o governo em questões políticas específicas, o governo conseguiu reagir de maneira bem-sucedida contra essa oposição. O sucesso da TV pública independente no Reino Unido não foi propriamente na área da política. Entretanto foi bem-sucedida na educação pública, sobre temas locais importantes, na participação social, na proteção do consumidor e até em melhorar o padrão geral dos programas no país.
FOLHA - O sr. acha que o documentário "Muito Além do Cidadão Kane" ainda é atual?
ELLIS - Ele descreve uma situação que evoluiu, mas não sei bem qual é a profundidade dessas mudanças. O filme é bem-sucedido também, com a ajuda de muitos arquivos que permitem fazer essa oposição, em contar a história do crescimento da dominação da Globo na mídia brasileira. Essa é uma história importante e deveria ser conhecida pelo menos por todos que estão estudando a mídia nas universidades e qualquer pessoa que estiver interessada na história política do Brasil.
FOLHA - Há quem diga que o Channel 4 encomendou seu documentário para atacar a Globo, que ameaçava entrar no mercado europeu de TV. Isso é verdade?
ELLIS - Definitivamente não. O objetivo do programa era justamente entender a TV no Brasil. No passado, o Channel 4 exibiu pelo menos uma novela da Globo ("Escrava Isaura"), mas a produção não foi um grande sucesso. Há uma enorme diferença entre a cultura das TVs do norte e do sul da Europa. A Globo teria mais chances em mercados como Espanha, Itália, Grécia ou, especialmente, Portugal, mas não no Reino Unido. A competição no Reino Unido vem das empresas norte-americanas e das empresas de Rupert Murdoch (News International, BSkyB e o conglomerado da Fox).
FOLHA - O filme foi proibido?
ELLIS - Isso não é verdade. A Large Door concedeu o direito de exibir o programa em eventos e em público a diversas organizações no Brasil. Não poderia ser transmitido pela televisão porque muitas imagens pertencem à TV Globo. Fiquei sabendo que o vídeo foi mostrado em muitos eventos públicos no Brasil. Ele foi feito por meio da lei britânica de direitos autorais, que permite o uso de trabalhos escritos e, por extensão, audiovisuais, desde que "com o propósito de fazer comentários e revisões críticas" [sobre aquela obra]. O documentário foi finalizado por Simon em março de 1992. Ele entrou em coma no início de junho daquele ano e morreu em 17 de agosto sem ter recobrado a consciência. Eu supervisionei a revisão do programa e a inclusão de uma entrevista para atualizar o filme, que foi ao ar em maio de 1993. No Brasil, talvez você possa considerar que o filme é proibido, já que a recusa da Globo em ceder os direitos de exibição de suas imagens significa que ele não pode ser transmitido por canais brasileiros.
FOLHA - O documentário é apontado por alguns como um produto manipulador, que usa uma falsa linearidade para induzir o público a acatar sua posição.
ELLIS - Toda representação "manipula" o público. O filme tem uma narração linear exatamente porque quer mostrar o crescimento do poder da mídia durante um período difícil da história moderna do Brasil. Ele foi feito para uma audiência no Reino Unido que não sabia nada sobre a história do Brasil, não se esqueça! Deveria haver outras narrativas sobre essa história também.
FOLHA - Nos últimos anos, o Brasil viu se intensificar uma guerra entre a Record e a Globo. O sr. tem acompanhado?
ELLIS - Não tenho acompanhado de perto esse essa história. Mas sei que duas empresas estavam interessadas em comprar os direitos de "Muito Além do Cidadão Kane" no Brasil quando ele foi mostrado pela primeira vez no Reino Unido. Uma era a própria Globo.Eles perderam o interesse quando disse a eles que poderiam comprar os direitos de TV, mas não as licenças para exibição em público e a distribuição de VHS, já que esses direitos já haviam sido concedidos a outras organizações no Brasil.A outra empresa era a TV Record. A igreja [Universal do Reino de Deus] já tinha uma filial em Londres naquela época. Mas percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não comprá-lo.
A Folha publica hoje entrevista com o professor britânico John Ellis, produtor do documentário "Muito Além do Cidadão Kane", que conta a verdadeira história da Rede Globo, as ligações políticas e a relação íntima com o governo militar da emissora fundada por Roberto Marinho.
O documentário foi transmitido pela primeira vez em 1993, no canal britânico Channel 4.
Há depoimentos de políticos como Leonel Brizola (1922-2004), Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) e do presidente Lula, então dirigente sindical. Também há depoimentos de artistas como Chico Buarque, que na época da ditadura militar era vetado na emissora.
O documentário completa 15 anos, mas nunca foi exibido em nenhuma emissora brasileira, porque a Globo não cedeu os direitos de exibição de suas imagens.
Isso não impediu, porém, que o documentário fosse exibido em eventos públicos no país. Hoje, o filme está disponível na internet para ser visto e armazenado.
Confira a entrevista na íntegra:
FOLHA - O que acha de o governo Lula tentar erguer uma TV pública?
ELLIS - Talvez seja tarde demais para a criação de uma TV pública. O que ela mostraria na maior parte do tempo? Há, claro, sempre espaço para uma melhora da informação pública na TV, tanto em notícias, em programas factuais, quanto nos assuntos presentes nas novelas, e como eles são abordados. A experiência no Reino Unido mostra que a TV pública deve ser separada do governo. Esse modelo de TV pública é possível no Brasil? Nenhum governo que eu conheço iria querer criar agora uma empresa de telecomunicações se não pudesse controlá-la diretamente. Especialmente agora, quando há muitas TVs espalhadas pelo mundo. O serviço público de TV na Europa foi iniciado em uma época em que a TV era uma novidade. Mesmo que a BBC seja separada do poder, quando a emissora foi realmente contra o governo em questões políticas específicas, o governo conseguiu reagir de maneira bem-sucedida contra essa oposição. O sucesso da TV pública independente no Reino Unido não foi propriamente na área da política. Entretanto foi bem-sucedida na educação pública, sobre temas locais importantes, na participação social, na proteção do consumidor e até em melhorar o padrão geral dos programas no país.
FOLHA - O sr. acha que o documentário "Muito Além do Cidadão Kane" ainda é atual?
ELLIS - Ele descreve uma situação que evoluiu, mas não sei bem qual é a profundidade dessas mudanças. O filme é bem-sucedido também, com a ajuda de muitos arquivos que permitem fazer essa oposição, em contar a história do crescimento da dominação da Globo na mídia brasileira. Essa é uma história importante e deveria ser conhecida pelo menos por todos que estão estudando a mídia nas universidades e qualquer pessoa que estiver interessada na história política do Brasil.
FOLHA - Há quem diga que o Channel 4 encomendou seu documentário para atacar a Globo, que ameaçava entrar no mercado europeu de TV. Isso é verdade?
ELLIS - Definitivamente não. O objetivo do programa era justamente entender a TV no Brasil. No passado, o Channel 4 exibiu pelo menos uma novela da Globo ("Escrava Isaura"), mas a produção não foi um grande sucesso. Há uma enorme diferença entre a cultura das TVs do norte e do sul da Europa. A Globo teria mais chances em mercados como Espanha, Itália, Grécia ou, especialmente, Portugal, mas não no Reino Unido. A competição no Reino Unido vem das empresas norte-americanas e das empresas de Rupert Murdoch (News International, BSkyB e o conglomerado da Fox).
FOLHA - O filme foi proibido?
ELLIS - Isso não é verdade. A Large Door concedeu o direito de exibir o programa em eventos e em público a diversas organizações no Brasil. Não poderia ser transmitido pela televisão porque muitas imagens pertencem à TV Globo. Fiquei sabendo que o vídeo foi mostrado em muitos eventos públicos no Brasil. Ele foi feito por meio da lei britânica de direitos autorais, que permite o uso de trabalhos escritos e, por extensão, audiovisuais, desde que "com o propósito de fazer comentários e revisões críticas" [sobre aquela obra]. O documentário foi finalizado por Simon em março de 1992. Ele entrou em coma no início de junho daquele ano e morreu em 17 de agosto sem ter recobrado a consciência. Eu supervisionei a revisão do programa e a inclusão de uma entrevista para atualizar o filme, que foi ao ar em maio de 1993. No Brasil, talvez você possa considerar que o filme é proibido, já que a recusa da Globo em ceder os direitos de exibição de suas imagens significa que ele não pode ser transmitido por canais brasileiros.
FOLHA - O documentário é apontado por alguns como um produto manipulador, que usa uma falsa linearidade para induzir o público a acatar sua posição.
ELLIS - Toda representação "manipula" o público. O filme tem uma narração linear exatamente porque quer mostrar o crescimento do poder da mídia durante um período difícil da história moderna do Brasil. Ele foi feito para uma audiência no Reino Unido que não sabia nada sobre a história do Brasil, não se esqueça! Deveria haver outras narrativas sobre essa história também.
FOLHA - Nos últimos anos, o Brasil viu se intensificar uma guerra entre a Record e a Globo. O sr. tem acompanhado?
ELLIS - Não tenho acompanhado de perto esse essa história. Mas sei que duas empresas estavam interessadas em comprar os direitos de "Muito Além do Cidadão Kane" no Brasil quando ele foi mostrado pela primeira vez no Reino Unido. Uma era a própria Globo.Eles perderam o interesse quando disse a eles que poderiam comprar os direitos de TV, mas não as licenças para exibição em público e a distribuição de VHS, já que esses direitos já haviam sido concedidos a outras organizações no Brasil.A outra empresa era a TV Record. A igreja [Universal do Reino de Deus] já tinha uma filial em Londres naquela época. Mas percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não comprá-lo.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Onde está o dinheiro?
Filme não sai e ator/diretor terá que devolver o dinheiro público
Em 1995, o ator e diretor Guilherme Fontes e sua sócia, Yolanda Coeli, captaram recursos públicos para produzir o filme "Chatô, O Rei do Brasil".
Acontece que até hoje, 13 anos depois, o filme não foi concluído.
Agora, Guilherme e Yolanda terão de devolver mais de R$ 36,5 milhões aos cofres públicos, por determinação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo o Último Segundo do IG, o parecer da CGU deverá ser enviado nos próximos dias ao Ministério da Cultura, que em seguida o encaminhará ao Tribunal de Contas da União.
Essa história se parece com aquela música que a Gal Costa cantava:
Onde está o dinheiro?
O gato comeu, o gato comeu
E ninguém viu
O gato fugiu, o gato fugiu...
Em 1995, o ator e diretor Guilherme Fontes e sua sócia, Yolanda Coeli, captaram recursos públicos para produzir o filme "Chatô, O Rei do Brasil".
Acontece que até hoje, 13 anos depois, o filme não foi concluído.
Agora, Guilherme e Yolanda terão de devolver mais de R$ 36,5 milhões aos cofres públicos, por determinação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo o Último Segundo do IG, o parecer da CGU deverá ser enviado nos próximos dias ao Ministério da Cultura, que em seguida o encaminhará ao Tribunal de Contas da União.
Essa história se parece com aquela música que a Gal Costa cantava:
Onde está o dinheiro?
O gato comeu, o gato comeu
E ninguém viu
O gato fugiu, o gato fugiu...
O papel de Fidel Castro na História
Em artigo publicado no blog do ex-deputado Zé Dirceu, Renato Rovai, editor da Revista Fórum, afirma que o papel reservado para Fidel Castro na história "não é o papel de algoz", mas do "governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba".
Mas Rovai também disse que "é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível" e criticou a falta de liberdade de imprensa em Cuba.
Leia a íntegra do artigo:
Fidel não merece tornar-se uma caricatura
Neste momento em que Fidel Castro passa o bastão do poder em Cuba, ressurge o debate a respeito de seu papel histórico nos últimos 50 anos. E retoma-se de forma torta a polêmica sobre os limites do regime do país. Esse texto aborda aspectos polêmicos, mas não poderia ser diferente. Poucas coisas são menos polêmicas do que Cuba e Fidel.
A denominação de ditador para o líder cubano é imprópria. Sua perpetuação no poder em Cuba foi mais obra do saco de maldades dos sucessivos governos estadunidenses e da CIA do que de uma ambição pessoal. Além disso, Fidel não subjugou o povo do seu país para garantir que as riquezas deste (aliás, poucas) fossem usufruídas por uma elite local com conexões com a máfia da exploração internacional.
Em qualquer modelo eleitoral com algum nível de justiça, Fidel se elegeria e reelegeria quantas vezes fosse candidato em Cuba. Aliás, seu prestígio, liderança e capacidade política são tamanhos que, em muitos momentos da história recente, se saísse candidato em outros países do Continente teria se elegido em muitos deles. Fidel nunca foi impopular em Cuba. E nem em nível internacional. Por isso sempre incomodou tanto o império estadunidense.
Isso garante a Cuba a condição de país democrático? Não. E não me parece inteligente fazer o debate a respeito das liberdades de Cuba a partir da relativização com outros modelos. Até porque não lutamos e não enfrentamos o debate político por um novo modelo colocando como nossa utopia o projeto da suposta democracia representativa dos EUA, fundamentada no poder econômico.
Mas também é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível. Cuba não tem liberdade de imprensa. Seus intelectuais sofrem censura, e a quase totalidade do povo é impedida de utilizar espaços destinados à visitação de turistas. Nada disso é invenção do imperialismo ianque. Também é verdade que o Estado assumiu um papel tão centralizador que beira o autoritarismo no que diz respeito à necessária diversidade nas relações humanas.
Fidel é o responsável por isso? Muito mais não do que sim. Mas isso não quer dizer que não tenha cometido graves erros. Por exemplo, do alto da minha ingenuidade, não aceito qualquer justificativa às execuções. Impossível para minha ingenuidade compactuar com o flerte à pena de morte, seja ela com inspiração de direita ou esquerda.
Mas não é o papel de algoz que está reservado para Fidel na história da humanidade. E ele já cravou seu nome nesse espaço de poucos. É do líder guerreiro e carismático. Do homem que enfrentou um dos impérios mais cruéis da história com poucas armas e muita inteligência e perspicácia. Do articulador político e sábio. Do governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba. Do guerreiro inflexível.
Até por isso, é um desfavor à história querer tratar Fidel como uma caricatura. Tanto para incensá-lo como para condená-lo. Tratá-lo como um líder de um projeto ambicioso que precisa de reflexões e ajustes parece mais adequado. E instigante. Cuba e Fidel merecem mais do que ataques e elogios exagerados.
Mas Rovai também disse que "é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível" e criticou a falta de liberdade de imprensa em Cuba.
Leia a íntegra do artigo:
Fidel não merece tornar-se uma caricatura
Neste momento em que Fidel Castro passa o bastão do poder em Cuba, ressurge o debate a respeito de seu papel histórico nos últimos 50 anos. E retoma-se de forma torta a polêmica sobre os limites do regime do país. Esse texto aborda aspectos polêmicos, mas não poderia ser diferente. Poucas coisas são menos polêmicas do que Cuba e Fidel.
A denominação de ditador para o líder cubano é imprópria. Sua perpetuação no poder em Cuba foi mais obra do saco de maldades dos sucessivos governos estadunidenses e da CIA do que de uma ambição pessoal. Além disso, Fidel não subjugou o povo do seu país para garantir que as riquezas deste (aliás, poucas) fossem usufruídas por uma elite local com conexões com a máfia da exploração internacional.
Em qualquer modelo eleitoral com algum nível de justiça, Fidel se elegeria e reelegeria quantas vezes fosse candidato em Cuba. Aliás, seu prestígio, liderança e capacidade política são tamanhos que, em muitos momentos da história recente, se saísse candidato em outros países do Continente teria se elegido em muitos deles. Fidel nunca foi impopular em Cuba. E nem em nível internacional. Por isso sempre incomodou tanto o império estadunidense.
Isso garante a Cuba a condição de país democrático? Não. E não me parece inteligente fazer o debate a respeito das liberdades de Cuba a partir da relativização com outros modelos. Até porque não lutamos e não enfrentamos o debate político por um novo modelo colocando como nossa utopia o projeto da suposta democracia representativa dos EUA, fundamentada no poder econômico.
Mas também é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível. Cuba não tem liberdade de imprensa. Seus intelectuais sofrem censura, e a quase totalidade do povo é impedida de utilizar espaços destinados à visitação de turistas. Nada disso é invenção do imperialismo ianque. Também é verdade que o Estado assumiu um papel tão centralizador que beira o autoritarismo no que diz respeito à necessária diversidade nas relações humanas.
Fidel é o responsável por isso? Muito mais não do que sim. Mas isso não quer dizer que não tenha cometido graves erros. Por exemplo, do alto da minha ingenuidade, não aceito qualquer justificativa às execuções. Impossível para minha ingenuidade compactuar com o flerte à pena de morte, seja ela com inspiração de direita ou esquerda.
Mas não é o papel de algoz que está reservado para Fidel na história da humanidade. E ele já cravou seu nome nesse espaço de poucos. É do líder guerreiro e carismático. Do homem que enfrentou um dos impérios mais cruéis da história com poucas armas e muita inteligência e perspicácia. Do articulador político e sábio. Do governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba. Do guerreiro inflexível.
Até por isso, é um desfavor à história querer tratar Fidel como uma caricatura. Tanto para incensá-lo como para condená-lo. Tratá-lo como um líder de um projeto ambicioso que precisa de reflexões e ajustes parece mais adequado. E instigante. Cuba e Fidel merecem mais do que ataques e elogios exagerados.
Surtou Geral
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), deve ter surtado de vez. Não é à toa que ele é apelidado de "Menino Maluquinho".
Em seu Ex-Blog, ele disse que a manipulação do Jornal Nacional da TV Globo na edição do debate final entre Collor e Lula, no segundo turno das eleições de 1989, não aconteceu.
O prefeito saiu em defesa da Rede Globo e disse que o governo Lula do PT deseja controlar a emissora da família Marinho:
"A TV Globo tem sido para a esquerda tradicional, brasileira, sempre, uma espécie de pedra no caminho de seu projeto autoritário. O PT no governo tem feito o que pode para reduzir a força e participação da TVG na audiência. Tem feito o que pode para controlá-la."
Tudo o que tenho a dizer é que César Maia se faz de doido pra passar melhor.
Em seu Ex-Blog, ele disse que a manipulação do Jornal Nacional da TV Globo na edição do debate final entre Collor e Lula, no segundo turno das eleições de 1989, não aconteceu.
O prefeito saiu em defesa da Rede Globo e disse que o governo Lula do PT deseja controlar a emissora da família Marinho:
"A TV Globo tem sido para a esquerda tradicional, brasileira, sempre, uma espécie de pedra no caminho de seu projeto autoritário. O PT no governo tem feito o que pode para reduzir a força e participação da TVG na audiência. Tem feito o que pode para controlá-la."
Tudo o que tenho a dizer é que César Maia se faz de doido pra passar melhor.
"Hora Alegre"
A filosofia de Zeca Pagodinho
Sabe aquele comercial da cerveja Brahma que traduziu a "happy hour" como "hora alegre"?
Em entrevista à Folha de São Paulo, o polêmico Zeca Pagodinho, que estreou o comercial, disse que avisou "pros caras" [da agência de publicidade? da Brahma?] que a tradução poderia gerar problemas com os homossexuais.
E gerou mesmo. Segundo a Folha, os gays não gostaram da utilização dessa expressão no comercial. "Alegre" é uma palavra há muito tempo associada aos gays. Pura bobagem.
Zeca Pagodinho fez questão de deixar claro que não quis ofender ninguém no comercial e que sua "relação" com os homossexuais é do tipo "cada um na sua".
E resumiu assim o que pensa do assunto: "Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida".
Sabe aquele comercial da cerveja Brahma que traduziu a "happy hour" como "hora alegre"?
Em entrevista à Folha de São Paulo, o polêmico Zeca Pagodinho, que estreou o comercial, disse que avisou "pros caras" [da agência de publicidade? da Brahma?] que a tradução poderia gerar problemas com os homossexuais.
E gerou mesmo. Segundo a Folha, os gays não gostaram da utilização dessa expressão no comercial. "Alegre" é uma palavra há muito tempo associada aos gays. Pura bobagem.
Zeca Pagodinho fez questão de deixar claro que não quis ofender ninguém no comercial e que sua "relação" com os homossexuais é do tipo "cada um na sua".
E resumiu assim o que pensa do assunto: "Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida".
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
A Ilha sem Fidel
Fidel Castro renunciou à Presidência de Cuba e a direita do mundo inteiro comemorou o "fracasso" do socialismo.
"O capitalismo venceu", proclamaram os porta-vozes do sistema.
"Morreu um sonho romântico", decretou o cineasta de quinta.
Bush e os cubanos de Miami comemoraram.
O presidente americano disse que Cuba precisa fazer a "transição democrática" e condenou os "abusos contra os direitos humanos praticados pelo regime cubano".
Os EUA são experts em democracia e direitos humanos. A prisão de Guantánamo é a maior prova disso. As invasões do Afeganistão e do Iraque idem.
A mídia omite o embargo econômico americano contra Cuba, que dura mais de quatro décadas e condena o povo cubano a racionar até mesmo alimentos. Essa política de genocídio viola o Direito Internacional e contraria várias resoluções da ONU.
Mas o povo cubano, heróico, ainda resiste, sem abrir mão da sua soberania. E continuará resistindo, mesmo sem Fidel na Presidência.
Para calar a boca dos críticos, cito um trecho do livro "A Ilha", do jornalista Fernando Morais, que conta que na capital Havana, há um imenso outdoor na saída do aeroporto com a seguinte frase:
"Hoje, 50 milhões de crianças no mundo inteiro não têm onde dormir. Nenhuma delas é cubana."
"O capitalismo venceu", proclamaram os porta-vozes do sistema.
"Morreu um sonho romântico", decretou o cineasta de quinta.
Bush e os cubanos de Miami comemoraram.
O presidente americano disse que Cuba precisa fazer a "transição democrática" e condenou os "abusos contra os direitos humanos praticados pelo regime cubano".
Os EUA são experts em democracia e direitos humanos. A prisão de Guantánamo é a maior prova disso. As invasões do Afeganistão e do Iraque idem.
A mídia omite o embargo econômico americano contra Cuba, que dura mais de quatro décadas e condena o povo cubano a racionar até mesmo alimentos. Essa política de genocídio viola o Direito Internacional e contraria várias resoluções da ONU.
Mas o povo cubano, heróico, ainda resiste, sem abrir mão da sua soberania. E continuará resistindo, mesmo sem Fidel na Presidência.
Para calar a boca dos críticos, cito um trecho do livro "A Ilha", do jornalista Fernando Morais, que conta que na capital Havana, há um imenso outdoor na saída do aeroporto com a seguinte frase:
"Hoje, 50 milhões de crianças no mundo inteiro não têm onde dormir. Nenhuma delas é cubana."
Queridos Amigos
Peço desculpas pelo atraso nas postagens, mas é que minha net tá uma droga. Quando faz sol, ela não funciona; quando faz chuva, também não.
Estou mandando sinais de fumaça pra Tupã, pra ver se ele sei lá de onde dá uma jeitinho.
Mas, aproveitando o breve instante em que consigo me conectar daqui de casa, queria falar um pouquinho sobre a minissérie "Queridos Amigos", da autora Maria Adelaide Amaral, direção de Denise Saraceni, que a Globo começou a exibir segunda-feira.
A história é adaptada do livro "Aos Meus Amigos", da mesma autora. É uma história sobre velhos amigos que, após alguns anos distantes, se reencontram em novembro de 1989 para recordar a juventude.
É Léo (Dan Stulbach) quem reúne a turma num almoço. Ele descobre que está com uma doença grave e decide viver seus últimos dias ao lado dos amigos.
É um reencontro permeado de sentimentos exacerbados, afinal de contas, reviver o passado, mesmo que apenas pelas lembranças, é sempre um exercício difícil. Mexer no baú do tempo é muito arriscado.
Mas eles haviam lutado contra a ditadura militar. Alguns foram presos e torturados; outros foram exilados. Encarar esse passado poderia doer, mas talvez valesse à pena. Ao menos para se lembrarem a razão pela qual lutavam.
Na verdade, eu acho que a história não é sobre amizade, mas sobre o tempo. Pra mim, o tempo é o personagem principal.
O tempo que junta e separa os amigos. O tempo que liberta e oprime. O tempo que faz rir e prantear. O tempo que traz a esperança e a desolação. O tempo que é presença e ausência. O tempo que é saudade - essa estranha companheira fugudia das tardes vazias.
Eu gosto desse clima de nostalgia, quando parece que é sempre outono.
E gosto de pensar que meus amigos, mesmo dispersos, estão por aí por perto.
Estou mandando sinais de fumaça pra Tupã, pra ver se ele sei lá de onde dá uma jeitinho.
Mas, aproveitando o breve instante em que consigo me conectar daqui de casa, queria falar um pouquinho sobre a minissérie "Queridos Amigos", da autora Maria Adelaide Amaral, direção de Denise Saraceni, que a Globo começou a exibir segunda-feira.
A história é adaptada do livro "Aos Meus Amigos", da mesma autora. É uma história sobre velhos amigos que, após alguns anos distantes, se reencontram em novembro de 1989 para recordar a juventude.
É Léo (Dan Stulbach) quem reúne a turma num almoço. Ele descobre que está com uma doença grave e decide viver seus últimos dias ao lado dos amigos.
É um reencontro permeado de sentimentos exacerbados, afinal de contas, reviver o passado, mesmo que apenas pelas lembranças, é sempre um exercício difícil. Mexer no baú do tempo é muito arriscado.
Mas eles haviam lutado contra a ditadura militar. Alguns foram presos e torturados; outros foram exilados. Encarar esse passado poderia doer, mas talvez valesse à pena. Ao menos para se lembrarem a razão pela qual lutavam.
Na verdade, eu acho que a história não é sobre amizade, mas sobre o tempo. Pra mim, o tempo é o personagem principal.
O tempo que junta e separa os amigos. O tempo que liberta e oprime. O tempo que faz rir e prantear. O tempo que traz a esperança e a desolação. O tempo que é presença e ausência. O tempo que é saudade - essa estranha companheira fugudia das tardes vazias.
Eu gosto desse clima de nostalgia, quando parece que é sempre outono.
E gosto de pensar que meus amigos, mesmo dispersos, estão por aí por perto.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Mundo-cão
O 'Diário de Natal' e o 'JH Primeira Edição' deram hoje uma aula de sensacionalismo.
Os dois jornais da capital sairam com manchetes praticamente iguais, no melhor estilo "espreme que sai sangue".
"Preso degola inimigo em Alcaçuz", estampou o JH Primeira Edição na capa, em letras garrafais.
O DN foi ainda mais "criativo": "Preso degola colega e põe cabeça na marca do pênalti".
Abaixo da manchete do DN, uma foto mostra o jogador Bosco do ABC chutando a bola durante um treino.
A leitura da manchete com toques esportivos ("cabeça na marca do pênalti") leva, instantaneamente, à associação com a foto.
Truque pra lá de sensacionalista. Esse tipo de jornalismo não conhece limites e faz de tudo pra atrair o leitor, usando e abusando da espetacularização da violência.
Quando era estagiário num jornal de Parnamirim, discordei do editor por ter colocado uma foto, em cores, de um homem que tinha sido castrado por uma suposta bruxa, que utilizaria o "material" pra fazer magia negra.
O povão gosta disso, porque esse tipo de notícia desperta uma curiosidade mórbida e mobiliza emoções contraditórias, mexendo com a imaginação das pessoas.
Os dois jornais da capital sairam com manchetes praticamente iguais, no melhor estilo "espreme que sai sangue".
"Preso degola inimigo em Alcaçuz", estampou o JH Primeira Edição na capa, em letras garrafais.
O DN foi ainda mais "criativo": "Preso degola colega e põe cabeça na marca do pênalti".
Abaixo da manchete do DN, uma foto mostra o jogador Bosco do ABC chutando a bola durante um treino.
A leitura da manchete com toques esportivos ("cabeça na marca do pênalti") leva, instantaneamente, à associação com a foto.
Truque pra lá de sensacionalista. Esse tipo de jornalismo não conhece limites e faz de tudo pra atrair o leitor, usando e abusando da espetacularização da violência.
Quando era estagiário num jornal de Parnamirim, discordei do editor por ter colocado uma foto, em cores, de um homem que tinha sido castrado por uma suposta bruxa, que utilizaria o "material" pra fazer magia negra.
O povão gosta disso, porque esse tipo de notícia desperta uma curiosidade mórbida e mobiliza emoções contraditórias, mexendo com a imaginação das pessoas.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Receita de Viver
Leio muito devagar. Queria ler mais rápido, mas muitas coisas me distraem e me afastam da leitura. O resultado é um acumulado de livros inacabos.
No momento, estou lendo as "Entrevistas" de Clarice Lispector. É uma coletânea com 42 entrevistas da autora de "A hora da estrela" com personalidades da literatura, da música, das artes cênicas, das artes plásticas e dos esportes.
Em outra postagem, citei um trecho curtíssimo da entrevista com Nelson Rodrigues, quando ele diz que "a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal".
Hoje eu li a entrevista com o médico e teatrólogo Pedro Bloch.
Selecionei um trecho marcante para mim:
Clarice: Como você é de verdade?
Pedro: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer... me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo.
No momento, estou lendo as "Entrevistas" de Clarice Lispector. É uma coletânea com 42 entrevistas da autora de "A hora da estrela" com personalidades da literatura, da música, das artes cênicas, das artes plásticas e dos esportes.
Em outra postagem, citei um trecho curtíssimo da entrevista com Nelson Rodrigues, quando ele diz que "a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal".
Hoje eu li a entrevista com o médico e teatrólogo Pedro Bloch.
Selecionei um trecho marcante para mim:
Clarice: Como você é de verdade?
Pedro: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer... me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
"Agripino Maia tem um problema doutrinário com a Democracia", diz PHA
A CPI mista dos cartões corporativos vem aí.
Dos 24 integrantes da CPI, 14 são da base que apóia o Presidente Lula.
Como manda a regra, o PMDB, maior partido do Senado, vai indicar o presidente da CPI. O PT, maior partido da Câmara, vai indicar o relator.
Segundo Paulo Henrique Amorim, o senador José Agripino Maia (RN), líder dos "demos", diz que não vai se "submeter a uma farsa".
PHA diz que "o senador tem um problema doutrinário com a Democracia", que "desde Aristóteles, é o regime da Maioria."
Acrescento que Agripino tem um sério problema também com a sua consciência - ou, melhor dizendo, com a falta de consciência.
Quem não o conhece, que o compre!
Dos 24 integrantes da CPI, 14 são da base que apóia o Presidente Lula.
Como manda a regra, o PMDB, maior partido do Senado, vai indicar o presidente da CPI. O PT, maior partido da Câmara, vai indicar o relator.
Segundo Paulo Henrique Amorim, o senador José Agripino Maia (RN), líder dos "demos", diz que não vai se "submeter a uma farsa".
PHA diz que "o senador tem um problema doutrinário com a Democracia", que "desde Aristóteles, é o regime da Maioria."
Acrescento que Agripino tem um sério problema também com a sua consciência - ou, melhor dizendo, com a falta de consciência.
Quem não o conhece, que o compre!
O duelo dos blogueiros continua
Pra não dizer que não falei de flores...
Recebi reclamações que eu só dou o ponto de vsita de Luis Nassif aqui no blog e não abro espaço pro Reinaldo Azevedo.
Tenho ojeriza a Reinaldo Azevedo. Um amigo e leitor deste blog me recriminou porque escrevi que "torcia" pelo Nassif contra Azevedo.
Talvez a expressão "torcer" não tenha sido mesmo adequada. Não é um jogo de apostas. O que eu quis dizer foi que, pela informações que tenho, Nassif parece bem mais confiável e respeitável.
Digo isso baseado na postura dele, no seu equilíbrio jornalístico (não faz a crítica pela crítica), nas idéias que ele defende e na coragem que ele tem de peitar a maior revista do país.
Depois que Nassif comeceu a revelar a verdadeira história da Veja, ele vem sendo alvo de pesadas acusações e tentativas de intimidação.
A Editora Abril, o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, e o colunista do "Radar", Lauro Jardim, vão processar Luis Nassif.
Diogo Mainardi faz chantagens veladas em seu podcast no site da revista.
E Reinaldo Azevedo dispara sua metralhadora giratória verborrágica em seu blog.
Mesmo dando uma de "tô nem aí" e assim meio "sem querer querendo", Reinaldo optou pela ironia para dar uma "resposta" às acusações de Nassif contra a Veja.
Confira:
"Boa parte é provocação estúpida, mas até há alguns que falam de boa fé: “Vocês não vão responder a isso ou àquilo?”
Tudo será tratado nos foros adequados. E reitero: cada coisa a seu tempo, para que o conjunto não acabe transformando canalhas em vítimas. Vocês sabem: o vitimismo é um dos refúgios da bandidagem. “Ah, matei porque tive infância difícil”. “Ah, sou terrorista porque sou um resistente político”. “Ah, sou caloteiro porque sou muito esforçado”. “Ah, estão me processando só porque sou pequenino”. "Ah, achaquei porque quero o bem do Brasil".
Daqui a pouco, vai ter gente cobrando que a gente responda, sei lá, às críticas que Marcola faz ao sistema penal brasileiro, não é? Daqui a pouco, alguém vai dizer: “Você viu o que Fernandinho Beira-Mar disse? Não vai responder?”
Com adversarios respeitáveis, é possível haver interlocução, mesmo que dura. Bandidos têm de ser tratados como bandidos."
Esse é o estilo Reinaldo Azevedo.
Recebi reclamações que eu só dou o ponto de vsita de Luis Nassif aqui no blog e não abro espaço pro Reinaldo Azevedo.
Tenho ojeriza a Reinaldo Azevedo. Um amigo e leitor deste blog me recriminou porque escrevi que "torcia" pelo Nassif contra Azevedo.
Talvez a expressão "torcer" não tenha sido mesmo adequada. Não é um jogo de apostas. O que eu quis dizer foi que, pela informações que tenho, Nassif parece bem mais confiável e respeitável.
Digo isso baseado na postura dele, no seu equilíbrio jornalístico (não faz a crítica pela crítica), nas idéias que ele defende e na coragem que ele tem de peitar a maior revista do país.
Depois que Nassif comeceu a revelar a verdadeira história da Veja, ele vem sendo alvo de pesadas acusações e tentativas de intimidação.
A Editora Abril, o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, e o colunista do "Radar", Lauro Jardim, vão processar Luis Nassif.
Diogo Mainardi faz chantagens veladas em seu podcast no site da revista.
E Reinaldo Azevedo dispara sua metralhadora giratória verborrágica em seu blog.
Mesmo dando uma de "tô nem aí" e assim meio "sem querer querendo", Reinaldo optou pela ironia para dar uma "resposta" às acusações de Nassif contra a Veja.
Confira:
"Boa parte é provocação estúpida, mas até há alguns que falam de boa fé: “Vocês não vão responder a isso ou àquilo?”
Tudo será tratado nos foros adequados. E reitero: cada coisa a seu tempo, para que o conjunto não acabe transformando canalhas em vítimas. Vocês sabem: o vitimismo é um dos refúgios da bandidagem. “Ah, matei porque tive infância difícil”. “Ah, sou terrorista porque sou um resistente político”. “Ah, sou caloteiro porque sou muito esforçado”. “Ah, estão me processando só porque sou pequenino”. "Ah, achaquei porque quero o bem do Brasil".
Daqui a pouco, vai ter gente cobrando que a gente responda, sei lá, às críticas que Marcola faz ao sistema penal brasileiro, não é? Daqui a pouco, alguém vai dizer: “Você viu o que Fernandinho Beira-Mar disse? Não vai responder?”
Com adversarios respeitáveis, é possível haver interlocução, mesmo que dura. Bandidos têm de ser tratados como bandidos."
Esse é o estilo Reinaldo Azevedo.
Veja chama presidente do PT de "aloprado"
"Aloprados" foi como o presidente Lula se referiu às pessoas envolvidas com a suposta compra de um dossiê com acusões contra tucanos paulistas, nas eleições de 2006.
Na época, a mídia caiu em cima do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), acusando-o de ser o comandante da operação de compra do dossiê.
Berzoini afastou-se da presidência do partido. Retornou após as investigações revelarem que ele nada teve a ver com o imbrólio.
Mas para a Veja, Berzoini continua sendo um dos "aloprados" de Lula.
Na edição que chegou hoje às bancas, a revista entrevistou o deputado petista José Eduardo Cardoso (SP), que vai assumir a secretaria-geral do partido.
O deputado foi candidato à presidência do PT e defendeu a refundação do partido. Para isso, defendeu uma faxina geral no partido, com a expulsão dos corruptos e o fim das práticas de corrupção.
Veja perguntou ao deputado se não era uma contradição ele assumir a secretaria-geral "do partido presidido por um aloprado (Ricardo Berzoini) e com influência de mensaleiros."
O deputado tinha a obrigação de defender Berzoini, mas não o fez. Disse apenas que não havia nenhuma contradição, pois a executiva do partido é formada proporcionalmente por todas as correntes. Em suma, concordou com a Veja e chamou Berzoini, inocentado no inquérito policial, de "aloprado".
José Eduardo Cardoso, que mantém estranhas ligações com o banqueiro Daniel Dantas, queridinho da Veja, deu mais munição aos inimigos do governo e disse que o "mensalão" existiu de verdade - apesar de dizer também que a palavra "mensalão pode ter vários sentidos".
"Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou esses atos e aprender com os erros."
É, com um secretário desse, que partido precisa de inimigo?!
Na época, a mídia caiu em cima do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), acusando-o de ser o comandante da operação de compra do dossiê.
Berzoini afastou-se da presidência do partido. Retornou após as investigações revelarem que ele nada teve a ver com o imbrólio.
Mas para a Veja, Berzoini continua sendo um dos "aloprados" de Lula.
Na edição que chegou hoje às bancas, a revista entrevistou o deputado petista José Eduardo Cardoso (SP), que vai assumir a secretaria-geral do partido.
O deputado foi candidato à presidência do PT e defendeu a refundação do partido. Para isso, defendeu uma faxina geral no partido, com a expulsão dos corruptos e o fim das práticas de corrupção.
Veja perguntou ao deputado se não era uma contradição ele assumir a secretaria-geral "do partido presidido por um aloprado (Ricardo Berzoini) e com influência de mensaleiros."
O deputado tinha a obrigação de defender Berzoini, mas não o fez. Disse apenas que não havia nenhuma contradição, pois a executiva do partido é formada proporcionalmente por todas as correntes. Em suma, concordou com a Veja e chamou Berzoini, inocentado no inquérito policial, de "aloprado".
José Eduardo Cardoso, que mantém estranhas ligações com o banqueiro Daniel Dantas, queridinho da Veja, deu mais munição aos inimigos do governo e disse que o "mensalão" existiu de verdade - apesar de dizer também que a palavra "mensalão pode ter vários sentidos".
"Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou esses atos e aprender com os erros."
É, com um secretário desse, que partido precisa de inimigo?!
FHC, pasmem, prega o "fim da roubalheira"
A notícia é do Estadão. O ex-presidente FHC esteve ontem num evento dos vereadores do PSDB em São Paulo e disse quais devem ser os temas para a campanha municipal deste ano.
FHC, logo ele, defendeu "o fim da roubalheira" como slogan para estas eleições.
É ou não é um grandissíssimo hipócrita?!
FHC, que hoje posa de baluarte da ética e da moral, é o mesmo que, quando presidente, comprou deputados e senadores para aprovar a emenda da reeleição.
Lamentável que alguém ainda leve esse senhor a sério.
FHC, logo ele, defendeu "o fim da roubalheira" como slogan para estas eleições.
É ou não é um grandissíssimo hipócrita?!
FHC, que hoje posa de baluarte da ética e da moral, é o mesmo que, quando presidente, comprou deputados e senadores para aprovar a emenda da reeleição.
Lamentável que alguém ainda leve esse senhor a sério.
As sete pragas de Natal
O jornalista Ailton Medeiros está fazendo uma eleição para escolher as sete pragas de Natal, em seu blog.
Até agora, a violência lidera com 67% dos votos.
Em segundo lugar aparace o trânsito da capital, com 56% dos votos.
A terceira coloção é ocupada pelo ABC, que ficou com 51% dos votos - todos de raivosos americanos.
Os Mais (49%) e os Alves (48%) também aparecem bem cotados.
Tem de tudo na enquete: os buracos da Caern, o transporte público, as putas de Ponta Negra, os camelôs, o carnatal, o América, os colunistas sociais, a UnP, a derrubada de árvores e até os Cavaleiros do Forró.
É só entrar lá e escolher as suas sete pragas.
Até agora, a violência lidera com 67% dos votos.
Em segundo lugar aparace o trânsito da capital, com 56% dos votos.
A terceira coloção é ocupada pelo ABC, que ficou com 51% dos votos - todos de raivosos americanos.
Os Mais (49%) e os Alves (48%) também aparecem bem cotados.
Tem de tudo na enquete: os buracos da Caern, o transporte público, as putas de Ponta Negra, os camelôs, o carnatal, o América, os colunistas sociais, a UnP, a derrubada de árvores e até os Cavaleiros do Forró.
É só entrar lá e escolher as suas sete pragas.
São Francisco
Depois de Ciro Gomes, foi a vez do ministro Gedel Vieira Lima dar um 'chega pra lá' em artistas
Alguns artistas globais (que nunca souberam o que é ter que conviver com a seca) se aliaram ao bispo d. Luiz Cappio (que nunca soube o que é passar fome de verdade, mas fez duas greves para não comer) contra o projeto do governo federal de transposição das águas do Rio São Francisco, que vai levar água para 12 milhões de pessoas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Na quinta-feira passada (dia 14), houve uma sessão especial no Senado para discutir o projeto da transposição do Rio São Francisco. Na audiência, estavam a atriz Letícia Sabatela e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza, além do bispo d. Luiz Cappio.
Houve bate-boca entre Letícia e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro da Integração Nacional e ferrenho defensor da transposição. A atriz desafiou o deputado e ouviu como resposta um baita de um 'chega pra lá'.
"Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não", disse Ciro Gomes.
Em resposta ao bispo, que também discursou contra a transposição, Ciro Gomes disse que ele queria ser “intérprete superior do valor moral”.
“Eu não estou movido por interesses subalternos. Eu estou, equivocadamente ou não, movido pelo mais superior interesse público. Eu não falo por Deus, falo pelo mundanismo dos pecadores como eu sou um deles”, falou um inspirado Ciro Gomes.
Ontem, foi a vez do atual ministro Gedel Vieira Lima dar o seu 'chega pra lá' na turma de globais e no bispo.
O ministro disse a Folha Online que o movimento de artistas contrários à transposição do Rio São Francisco não existe.
"Aqueles dois que estavam lá na audiência ontem? Eu nem vi", desdenhou o ministro.
O ministro se referia aos globais presentes na audiência de quinta-feira. Gedel Vieira Lima disse à Folha Online que Ciro Gomes discursou "com brilhantismo" ao responder à atriz Letícia Sabatela e ao bispo d. Luiz Cappio na audiência.
O ministro está me surpreendendo. Escrevi aqui antes que não acreditava que ele levaria a obra da transposição pra frente, porque, como se sabe, o ministro era contrário ao projeto no passado.
É, portanto, um "cristão novo" em matéria de apoio à transposição do Rio São Francisco. Feliz conversão.
Alguns artistas globais (que nunca souberam o que é ter que conviver com a seca) se aliaram ao bispo d. Luiz Cappio (que nunca soube o que é passar fome de verdade, mas fez duas greves para não comer) contra o projeto do governo federal de transposição das águas do Rio São Francisco, que vai levar água para 12 milhões de pessoas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Na quinta-feira passada (dia 14), houve uma sessão especial no Senado para discutir o projeto da transposição do Rio São Francisco. Na audiência, estavam a atriz Letícia Sabatela e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza, além do bispo d. Luiz Cappio.
Houve bate-boca entre Letícia e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro da Integração Nacional e ferrenho defensor da transposição. A atriz desafiou o deputado e ouviu como resposta um baita de um 'chega pra lá'.
"Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não", disse Ciro Gomes.
Em resposta ao bispo, que também discursou contra a transposição, Ciro Gomes disse que ele queria ser “intérprete superior do valor moral”.
“Eu não estou movido por interesses subalternos. Eu estou, equivocadamente ou não, movido pelo mais superior interesse público. Eu não falo por Deus, falo pelo mundanismo dos pecadores como eu sou um deles”, falou um inspirado Ciro Gomes.
Ontem, foi a vez do atual ministro Gedel Vieira Lima dar o seu 'chega pra lá' na turma de globais e no bispo.
O ministro disse a Folha Online que o movimento de artistas contrários à transposição do Rio São Francisco não existe.
"Aqueles dois que estavam lá na audiência ontem? Eu nem vi", desdenhou o ministro.
O ministro se referia aos globais presentes na audiência de quinta-feira. Gedel Vieira Lima disse à Folha Online que Ciro Gomes discursou "com brilhantismo" ao responder à atriz Letícia Sabatela e ao bispo d. Luiz Cappio na audiência.
O ministro está me surpreendendo. Escrevi aqui antes que não acreditava que ele levaria a obra da transposição pra frente, porque, como se sabe, o ministro era contrário ao projeto no passado.
É, portanto, um "cristão novo" em matéria de apoio à transposição do Rio São Francisco. Feliz conversão.
Editora Abril vai processar Luis Nassif
A informação é do "Comunique-se". A Editora Abril vai entrar com um processo contra o jornalista Luis Nassif por danos morais.
Nassif é o autor da série "Dossiê Veja", publicada em seu blog no IG, onde ele conta as relações pra lá de perigosas da revista com o mundo comercial.
Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, dois integrantes do "Quarteto da Veja", já entraram com ações indenizatórias contra Luís Nassif.
Eurípedes é diretor de redação da revista e Lauro é colunista do "Radar".
Segundo o Comunique-se, a Veja não vai se manifestar publicamente sobre a série de matérias de Luis Nassif.
Nassif declarou ao Comunique-se que o silêncio da Veja é para não "jogar um farol" em cimas das denúncias.
Para Nassif, a falta de uma resposta corresponde à assinatura de um "termo de culpa".
Nassif é o autor da série "Dossiê Veja", publicada em seu blog no IG, onde ele conta as relações pra lá de perigosas da revista com o mundo comercial.
Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, dois integrantes do "Quarteto da Veja", já entraram com ações indenizatórias contra Luís Nassif.
Eurípedes é diretor de redação da revista e Lauro é colunista do "Radar".
Segundo o Comunique-se, a Veja não vai se manifestar publicamente sobre a série de matérias de Luis Nassif.
Nassif declarou ao Comunique-se que o silêncio da Veja é para não "jogar um farol" em cimas das denúncias.
Para Nassif, a falta de uma resposta corresponde à assinatura de um "termo de culpa".
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Deu na "The Economist"
Bolsa Família ganha o mundo
A revista inglesa The Economist publicou uma pesquisa do professor de economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho, sobre o impacto do Bolsa Família no Estado. O estudo do professor mostra que o Bolsa Família injeta quatro vezes mais dinheiro na economia de Alagoas do que a principal atividade agrícola do Estado, que é a cana-de-açúcar.
Confira a íntegra do artigo:
"FALE em globalização e as pessoas pensam em produtos cruzando o mundo do leste ao oeste enquanto dólares fazem o caminho inverso. Ainda assim, a globalização funciona com idéias também. Observe-se o programa de combate à pobreza BOLSA FAMÍLIA do Brasil, o maior em todo mundo nesta categoria. Conhecido no jargão de desenvolvimento como programa de “transferência de renda por condicionalidade”, ele foi moldado (em parte) sobre um programa similar do México. Após ser testado em larga escala em diversos países da América Latina, uma versão melhorada foi recentemente implementada em Nova York na tentativa de ampliar as oportunidades para crianças oriundas de famílias pobres. Membros do Governo Federal brasileiro estiveram no Cairo esta semana para ajudar o Governo Egípcio montar um programa similar. “Governos de todo o mundo estão observando este programa”, diz Kathy Lindert do escritório do World´s Bank em Brasília, que deve iniciar programas parecidos na Europa do Leste.
O Bolsa Família atua da seguinte maneira: nas famílias que recebem menos de 120 reais ($68) por pessoa ao mês, as mães recebem um benefício de até 95 reais com a contrapartida de que seus filhos freqüentem a escola e participem dos programas de vacinação do governo. Aos municípios cabe a compilação das informações de compatibilidade e atendimento às condicionalidades, mas os pagamentos são mantidos pelo Governo Federal Cada beneficiário recebe um cartão de débito para os pagamentos mensais, contanto que as condicionalidades sejam cumpridas; do contrário (após avisos) o pagamento é suspenso. Estima-se que 11 milhões de famílias recebam o benefício, o que equivale a um quarto da população brasileira.
No Estado nordestino de Alagoas, um dos mais pobres do Brasil, mais da metade das famílias integram o Bolsa Família. Das demais, a maioria recebe pensão do Estado. “É como a Suécia ensolarada”, diz Ícero Péricles de Carvalhos, um economista da Universidade Federal de Alagoas. Até certo ponto. Por volta de 70% da população de Alagoas é analfabeta ou sequer concluiu o ensino primário. A expectativa de vida é de 66 anos, seis abaixo da média brasileira. “Em termos de desenvolvimento”, diz Sérgio Moreira, o secretário de planejamento alagoano, “Alagoas está mais próximo de Moçambique do que partes do Brasil”. A compra de votos é ampla: vendeu-se votos na última eleição para Governador por 50 reais (em média). “Pessoas chegam até nós reclamando que venderam seus votos para um político e que ele não as pagou ainda”, diz Antônio Sapucaia, o presidente do Tribunal Eleitoral de Alagoas.
Enquanto garante ajuda imediata aos pobres, o Bolsa Família almeja um objetivo de longo prazo para encerrar esta cultura de dependência em garantir que as crianças recebam uma educação melhor que os seus pais. E já há alguns sinais encorajadores. A freqüência escolar aumentou em Alagoas, bem como em todo país, graças ao Bolsa Família e a um programa anterior chamado Bolsa Escola.
O programa também ajudou a pobre região nordeste a superar a média nacional de crescimento econômico. Isso auxiliou na redução da desigualdade de renda no Brasil. Ainda que apenas 30% da força de trabalho de Alagoas de 1,3 milhão de pessoas possua um emprego formal, mais de 1,5 milhão tinham celular no ano passado. “Os pobres estão vivenciado o crescimento chinês”, diz Aloizio Mercadante, senador por São Paulo, repetindo o orgulhoso discurso do Partido dos Trabalhadores que governa o país.
Procure com atenção e é possível também encontrar negócios disseminados por esta ampliação do consumo entre os pobres. Pedro dos Santos e sua esposa Dayse montaram uma fábrica de sabonete com 20 reais na sua casa em uma favela de Maceió, capital de Alagoas. Com a ajuda de micro-crédito eles aumentaram a produção diária para 2 mil barras de sabão em pedaços cor de mostarda. Ali perto, outro beneficiário de micro-crédito abriu uma loja de bebidas, lanches e doces. Na parede da loja uma lembrança que a política do Estado custará a mudar: um pôster de campanha eleitoral com o slogan “Collor: o Senador do povo”. Fernando Collor foi obrigado a renunciar como presidente do Brasil em 1992 após seu chefe de campanha comandar um esquema ilícito de tráfico de influência. Em seu Estado, porém, a carreira política do sr. Collor é próspera.
Apesar do sucesso imediato do Bolsa Família, três preocupações continuam. A primeira diz respeito à fraude. Como o dinheiro é pago diretamente ao cartão do beneficiário, há pouco controle esta saída de dinheiro. A questão é se os governos locais estão ou não apurando informações corretas e fiscalizando o cumprimento das condicionalidades. Em torno de 15% dos conselhos municipais afirmam de maneira improvável que 100% das crianças estão na escola 100% do tempo. Apesar disso, a maior parte do dinheiro vai para as pessoas certas: 70% vai para os 20% mais pobres, afirma o World Bank.
Segundo, algumas pessoas receiam que o Bolsa Família manter-se-á como um aspecto da sociedade brasileira, e não um implemento temporário para ampliar oportunidades. Se isso acontecerá ou não dependerá em grande parte de as escolas públicas brasileiras se desenvolverão de forma rápida para garantir ensino de qualidade. Desde o começo do programa em larga escala (2003) é ainda cedo para afirmar.
Terceiro, o Bolsa Família é associado com a compra de votos. Isso é injusto. O nome de Luiz Inácio Lula da Silva é fortemente associado ao programa – mesmo entre algumas pessoas de Alagoas que sequer sabem que ele é o presidente. Mas a gratidão deles não se estende ao PT. Há sinais que prefeitos que gerenciam bem o programa são agraciados nas eleições, o que não vale para aqueles que não administram bem o Bolsa Família. Por um relativamente modesto esforço (0,8% do GDP), o Brasil recebe um bom retorno. Se ao menos o mesmo pudesse ser dito de tudo mais com que o governo gasta."
A revista inglesa The Economist publicou uma pesquisa do professor de economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho, sobre o impacto do Bolsa Família no Estado. O estudo do professor mostra que o Bolsa Família injeta quatro vezes mais dinheiro na economia de Alagoas do que a principal atividade agrícola do Estado, que é a cana-de-açúcar.
Confira a íntegra do artigo:
"FALE em globalização e as pessoas pensam em produtos cruzando o mundo do leste ao oeste enquanto dólares fazem o caminho inverso. Ainda assim, a globalização funciona com idéias também. Observe-se o programa de combate à pobreza BOLSA FAMÍLIA do Brasil, o maior em todo mundo nesta categoria. Conhecido no jargão de desenvolvimento como programa de “transferência de renda por condicionalidade”, ele foi moldado (em parte) sobre um programa similar do México. Após ser testado em larga escala em diversos países da América Latina, uma versão melhorada foi recentemente implementada em Nova York na tentativa de ampliar as oportunidades para crianças oriundas de famílias pobres. Membros do Governo Federal brasileiro estiveram no Cairo esta semana para ajudar o Governo Egípcio montar um programa similar. “Governos de todo o mundo estão observando este programa”, diz Kathy Lindert do escritório do World´s Bank em Brasília, que deve iniciar programas parecidos na Europa do Leste.
O Bolsa Família atua da seguinte maneira: nas famílias que recebem menos de 120 reais ($68) por pessoa ao mês, as mães recebem um benefício de até 95 reais com a contrapartida de que seus filhos freqüentem a escola e participem dos programas de vacinação do governo. Aos municípios cabe a compilação das informações de compatibilidade e atendimento às condicionalidades, mas os pagamentos são mantidos pelo Governo Federal Cada beneficiário recebe um cartão de débito para os pagamentos mensais, contanto que as condicionalidades sejam cumpridas; do contrário (após avisos) o pagamento é suspenso. Estima-se que 11 milhões de famílias recebam o benefício, o que equivale a um quarto da população brasileira.
No Estado nordestino de Alagoas, um dos mais pobres do Brasil, mais da metade das famílias integram o Bolsa Família. Das demais, a maioria recebe pensão do Estado. “É como a Suécia ensolarada”, diz Ícero Péricles de Carvalhos, um economista da Universidade Federal de Alagoas. Até certo ponto. Por volta de 70% da população de Alagoas é analfabeta ou sequer concluiu o ensino primário. A expectativa de vida é de 66 anos, seis abaixo da média brasileira. “Em termos de desenvolvimento”, diz Sérgio Moreira, o secretário de planejamento alagoano, “Alagoas está mais próximo de Moçambique do que partes do Brasil”. A compra de votos é ampla: vendeu-se votos na última eleição para Governador por 50 reais (em média). “Pessoas chegam até nós reclamando que venderam seus votos para um político e que ele não as pagou ainda”, diz Antônio Sapucaia, o presidente do Tribunal Eleitoral de Alagoas.
Enquanto garante ajuda imediata aos pobres, o Bolsa Família almeja um objetivo de longo prazo para encerrar esta cultura de dependência em garantir que as crianças recebam uma educação melhor que os seus pais. E já há alguns sinais encorajadores. A freqüência escolar aumentou em Alagoas, bem como em todo país, graças ao Bolsa Família e a um programa anterior chamado Bolsa Escola.
O programa também ajudou a pobre região nordeste a superar a média nacional de crescimento econômico. Isso auxiliou na redução da desigualdade de renda no Brasil. Ainda que apenas 30% da força de trabalho de Alagoas de 1,3 milhão de pessoas possua um emprego formal, mais de 1,5 milhão tinham celular no ano passado. “Os pobres estão vivenciado o crescimento chinês”, diz Aloizio Mercadante, senador por São Paulo, repetindo o orgulhoso discurso do Partido dos Trabalhadores que governa o país.
Procure com atenção e é possível também encontrar negócios disseminados por esta ampliação do consumo entre os pobres. Pedro dos Santos e sua esposa Dayse montaram uma fábrica de sabonete com 20 reais na sua casa em uma favela de Maceió, capital de Alagoas. Com a ajuda de micro-crédito eles aumentaram a produção diária para 2 mil barras de sabão em pedaços cor de mostarda. Ali perto, outro beneficiário de micro-crédito abriu uma loja de bebidas, lanches e doces. Na parede da loja uma lembrança que a política do Estado custará a mudar: um pôster de campanha eleitoral com o slogan “Collor: o Senador do povo”. Fernando Collor foi obrigado a renunciar como presidente do Brasil em 1992 após seu chefe de campanha comandar um esquema ilícito de tráfico de influência. Em seu Estado, porém, a carreira política do sr. Collor é próspera.
Apesar do sucesso imediato do Bolsa Família, três preocupações continuam. A primeira diz respeito à fraude. Como o dinheiro é pago diretamente ao cartão do beneficiário, há pouco controle esta saída de dinheiro. A questão é se os governos locais estão ou não apurando informações corretas e fiscalizando o cumprimento das condicionalidades. Em torno de 15% dos conselhos municipais afirmam de maneira improvável que 100% das crianças estão na escola 100% do tempo. Apesar disso, a maior parte do dinheiro vai para as pessoas certas: 70% vai para os 20% mais pobres, afirma o World Bank.
Segundo, algumas pessoas receiam que o Bolsa Família manter-se-á como um aspecto da sociedade brasileira, e não um implemento temporário para ampliar oportunidades. Se isso acontecerá ou não dependerá em grande parte de as escolas públicas brasileiras se desenvolverão de forma rápida para garantir ensino de qualidade. Desde o começo do programa em larga escala (2003) é ainda cedo para afirmar.
Terceiro, o Bolsa Família é associado com a compra de votos. Isso é injusto. O nome de Luiz Inácio Lula da Silva é fortemente associado ao programa – mesmo entre algumas pessoas de Alagoas que sequer sabem que ele é o presidente. Mas a gratidão deles não se estende ao PT. Há sinais que prefeitos que gerenciam bem o programa são agraciados nas eleições, o que não vale para aqueles que não administram bem o Bolsa Família. Por um relativamente modesto esforço (0,8% do GDP), o Brasil recebe um bom retorno. Se ao menos o mesmo pudesse ser dito de tudo mais com que o governo gasta."
César Maia
As lições das pesquisas eleitorais
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), que adora analisar pesquisas de opinião pública, escreve sobre a utilidade das pesquisas eleitorais em seu ex-blog.
Maia diz que "pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante", mas, acrescenta ele, "não é pesquisa eleitoral".
O prefeito também diz que sair na frente nas pesquisas não é garantia de vitória.
É bom prestar atenção nisso. Por aqui, costuma-se encarar pesquisa como resultado certo. A experiência mostra que não é bem assim.
Confira as "lições" de Maia sobre as pesquisas:
1. Entrem nos sites dos jornais -daqui e de alhures- de uns 9 meses atrás, e leiam o que diziam as pesquisas nos Estados Unidos. Hilary Clinton franca favorita entre os democratas. Romney, franco favorito entre os republicanos seguido de Giuliani. E leiam as mesmas pesquisas hoje nestes mesmos jornais.
2. Moral da historia: pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante. Ajuda a se entender melhor o ambiente político. Mas -garantidamente- não é pesquisa eleitoral. Eleição depende da PERFORMANCE das candidaturas. A pesquisa de meses antes informa de onde se parte. Mas nada garante sobre onde se chega. Nem sempre estar na primeira linha no grid de largada ajuda. Às vezes atrapalha.
3. Ghelen -diretor do BND -agência de informações- de Adenauer na Alemanha do final dos anos 50 e inicio dos 60 -dizia- coisas interessantes: a) não se pode ganhar uma guerra só com slogans; b) nunca beba na taça envenenada da contra-informação, pois é veneno letal; c) não desista nunca; d) uma infinidade de minúsculos detalhes podem -bem analisados- produzir inestimáveis informações; e) toda organização sólida deve ter uma corrente inquebrantável de... elos invisíveis; f) em vez de querer punir os derrotados, olhe para frente; g) uma vez traidor, sempre traidor; h) a discrição desconcerta o adversário; i) lembre o lema do serviço secreto britânico: -toda noticia é má noticia, mesmo que seja sobre nós; i) vai mal o líder que só quer ouvir boas noticias; j) nem sempre se atinge o adversário diretamente;procure saber o que faz a cabeça dele, e faça a cabeça de quem faz a cabeça dele: é muito mais eficiente. (Assim foi com o uso do Der Spiegel contra Strauss -ministro da defesa). ( Editora Bibliex).
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), que adora analisar pesquisas de opinião pública, escreve sobre a utilidade das pesquisas eleitorais em seu ex-blog.
Maia diz que "pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante", mas, acrescenta ele, "não é pesquisa eleitoral".
O prefeito também diz que sair na frente nas pesquisas não é garantia de vitória.
É bom prestar atenção nisso. Por aqui, costuma-se encarar pesquisa como resultado certo. A experiência mostra que não é bem assim.
Confira as "lições" de Maia sobre as pesquisas:
1. Entrem nos sites dos jornais -daqui e de alhures- de uns 9 meses atrás, e leiam o que diziam as pesquisas nos Estados Unidos. Hilary Clinton franca favorita entre os democratas. Romney, franco favorito entre os republicanos seguido de Giuliani. E leiam as mesmas pesquisas hoje nestes mesmos jornais.
2. Moral da historia: pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante. Ajuda a se entender melhor o ambiente político. Mas -garantidamente- não é pesquisa eleitoral. Eleição depende da PERFORMANCE das candidaturas. A pesquisa de meses antes informa de onde se parte. Mas nada garante sobre onde se chega. Nem sempre estar na primeira linha no grid de largada ajuda. Às vezes atrapalha.
3. Ghelen -diretor do BND -agência de informações- de Adenauer na Alemanha do final dos anos 50 e inicio dos 60 -dizia- coisas interessantes: a) não se pode ganhar uma guerra só com slogans; b) nunca beba na taça envenenada da contra-informação, pois é veneno letal; c) não desista nunca; d) uma infinidade de minúsculos detalhes podem -bem analisados- produzir inestimáveis informações; e) toda organização sólida deve ter uma corrente inquebrantável de... elos invisíveis; f) em vez de querer punir os derrotados, olhe para frente; g) uma vez traidor, sempre traidor; h) a discrição desconcerta o adversário; i) lembre o lema do serviço secreto britânico: -toda noticia é má noticia, mesmo que seja sobre nós; i) vai mal o líder que só quer ouvir boas noticias; j) nem sempre se atinge o adversário diretamente;procure saber o que faz a cabeça dele, e faça a cabeça de quem faz a cabeça dele: é muito mais eficiente. (Assim foi com o uso do Der Spiegel contra Strauss -ministro da defesa). ( Editora Bibliex).
Mais do mesmo
A obsessão pelos cartões corporativos continua.
Eu disse no post abaixo que a mídia, sedenta por produzir crises artificiais, trata todos os gastos com os tais cartões como suspeitos.
Todo dia tem um caso novo estampando as manchetes dos jornais, como se fosse mais um capítulo desta trama novelesca de escândalos fabricados sob encomenda.
A Folha de hoje traz uma reportagem sobre membros do PT que usam o cartão corporativo do governo federal.
Ocorre que estes membros do partido também ocupam cargos de confiança no governo.
Como a própria Folha admite, não há ilegalidade nenhuma na situação.
Então, qual a razão da "denúncia"?
Não há critério jornalístico que justifique a reportagem. O único objetivo é fazer o ataque gratuito ao PT.
"A dupla função é conseqüência do loteamento da administração federal", diz o jornal.
A Folha não quer que o PT tenha cargos de confiança no governo do PT.
É fantástico.
Eu disse no post abaixo que a mídia, sedenta por produzir crises artificiais, trata todos os gastos com os tais cartões como suspeitos.
Todo dia tem um caso novo estampando as manchetes dos jornais, como se fosse mais um capítulo desta trama novelesca de escândalos fabricados sob encomenda.
A Folha de hoje traz uma reportagem sobre membros do PT que usam o cartão corporativo do governo federal.
Ocorre que estes membros do partido também ocupam cargos de confiança no governo.
Como a própria Folha admite, não há ilegalidade nenhuma na situação.
Então, qual a razão da "denúncia"?
Não há critério jornalístico que justifique a reportagem. O único objetivo é fazer o ataque gratuito ao PT.
"A dupla função é conseqüência do loteamento da administração federal", diz o jornal.
A Folha não quer que o PT tenha cargos de confiança no governo do PT.
É fantástico.
Ainda sobre os cartões
Eu tinha prometido pra mim mesmo não tocar mais neste assunto dos cartões de pagamento. A mídia elegeu o assunto como a bola da vez e, pelo visto, não vai largar o osso tão fácil.
Comentei lá atrás que o próprio governo deixou as coisas desandarem. O próprio presidente deveria ter falado à nação e explicado o que são e para que servem os cartões corporativos.
Deveria ter dito também que no governo passado os gastos eram maiores - o que, obviamente, não isenta de responsabilidade aqueles que usaram o cartão indevidamente agora. Mas serviria para efeito de comparação.
O presidente deveria ter dito ainda que o governo iria investigar e afastar qualquer servidor público que possa ter feito mau uso do cartão corporativo.
Já disse que não se deve relativizar a ética. Errou, tem que ser punido. A demissão da ministra Matilde Ribeiro foi acertada, porque ela própria reconheceu que fez besteira.
Mas a manipulação que a mídia faz em cima dessa história dos cartões é das mais inescrupulosas.
Agora todo gasto com cartão corporativo virou suspeito. Todo santo dia o assunto está nas manchetes dos jornais.
O jornalista Luciano Martins Costa se referiu ao caso como o "impasse da imprensa" no site do Observatório da Imprensa.
Para ele, vivemos o tempo do "jornalismo declaratório", no qual a imprensa vive de "repetir discursos e declarações de políticos".
Nestes dias, só se fala na CPI, que ainda nem começou a funcionar, para investigar o uso desses cartões corporativos.
Estão mirando cada vez mais no próprio presidente Lula. "Demos" e tucanos querem que as contas secretas da Presidência da República tornem-se públicas.
Nos tempos de FHC, ninguém falava nisso. Mas é assim mesmo, como diz o ditado: aos amigos, tudo; aos inimigos, a justiça.
Comentei lá atrás que o próprio governo deixou as coisas desandarem. O próprio presidente deveria ter falado à nação e explicado o que são e para que servem os cartões corporativos.
Deveria ter dito também que no governo passado os gastos eram maiores - o que, obviamente, não isenta de responsabilidade aqueles que usaram o cartão indevidamente agora. Mas serviria para efeito de comparação.
O presidente deveria ter dito ainda que o governo iria investigar e afastar qualquer servidor público que possa ter feito mau uso do cartão corporativo.
Já disse que não se deve relativizar a ética. Errou, tem que ser punido. A demissão da ministra Matilde Ribeiro foi acertada, porque ela própria reconheceu que fez besteira.
Mas a manipulação que a mídia faz em cima dessa história dos cartões é das mais inescrupulosas.
Agora todo gasto com cartão corporativo virou suspeito. Todo santo dia o assunto está nas manchetes dos jornais.
O jornalista Luciano Martins Costa se referiu ao caso como o "impasse da imprensa" no site do Observatório da Imprensa.
Para ele, vivemos o tempo do "jornalismo declaratório", no qual a imprensa vive de "repetir discursos e declarações de políticos".
Nestes dias, só se fala na CPI, que ainda nem começou a funcionar, para investigar o uso desses cartões corporativos.
Estão mirando cada vez mais no próprio presidente Lula. "Demos" e tucanos querem que as contas secretas da Presidência da República tornem-se públicas.
Nos tempos de FHC, ninguém falava nisso. Mas é assim mesmo, como diz o ditado: aos amigos, tudo; aos inimigos, a justiça.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Dois integrantes do "Quarteto da Veja" ameaçam processar Nassif
O "Dossiê Veja", que Luis Nassif vem publicando em capítulos no seu blog, está deixando a turma da revista nervosa.
A Editora Abril divulgou uma carta na semana passada negando as acusações de Nassif contra a Veja.
Li no Blog do Rovai que dois integrantes do "Quarteto da Veja", Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, decidiram processar Luis Nassif.
Estranhamente, eles não pediram direito de resposta ao Nassif.
Rovai também diz que a Veja informou que não vai processar Nassif. Mas os dois funcionários da revista vão aos tribunais.
Para Rovai, trata-se de uma estratégia da revista, que vai usar seus jornalistas como laranjas.
Enquanto isso, Reinaldo Azevedo faz ameaças veladas ao Nassif em seu blog:
"Ah, sim! Sobre o meu silêncio no que diz respeito a determinado assunto, encarem como o prenúncio das tempestades. Ou, então, quando o mar recua – não este que vejo plácido lá fora, com as ardentias acesas, como em Castro Alves – para mandar o tsunami."
Essa história vai longe... eu fico aqui de longe, só vendo a água passar por debaixo da ponte...
A Editora Abril divulgou uma carta na semana passada negando as acusações de Nassif contra a Veja.
Li no Blog do Rovai que dois integrantes do "Quarteto da Veja", Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, decidiram processar Luis Nassif.
Estranhamente, eles não pediram direito de resposta ao Nassif.
Rovai também diz que a Veja informou que não vai processar Nassif. Mas os dois funcionários da revista vão aos tribunais.
Para Rovai, trata-se de uma estratégia da revista, que vai usar seus jornalistas como laranjas.
Enquanto isso, Reinaldo Azevedo faz ameaças veladas ao Nassif em seu blog:
"Ah, sim! Sobre o meu silêncio no que diz respeito a determinado assunto, encarem como o prenúncio das tempestades. Ou, então, quando o mar recua – não este que vejo plácido lá fora, com as ardentias acesas, como em Castro Alves – para mandar o tsunami."
Essa história vai longe... eu fico aqui de longe, só vendo a água passar por debaixo da ponte...
Obama é o melhor para o Brasil
Pelo menos é isso que acha a maioria dos internautas que votaram até agora na enquete do site da revista Carta Capital.
A pergunta é: "Qual dos principais candidatos a ocupar a Casa Branca seria o melhor presidente para os interesses brasileiros?"
Barack Obama lidera com 68%, seguido de Hillary Clinton com 18% e o republicano John McCain com 12%.
É a tal da "Obamania".
A pergunta é: "Qual dos principais candidatos a ocupar a Casa Branca seria o melhor presidente para os interesses brasileiros?"
Barack Obama lidera com 68%, seguido de Hillary Clinton com 18% e o republicano John McCain com 12%.
É a tal da "Obamania".
Veja e a história do falso dossiê contra Lula
O novo capítulo do "Dossiê Veja", escrito por Luis Nassif, contando a verdadeira história da revista, está imperdível.
Nassif conta a história do falso dossiê de Daniel Dantas sobre supostas contas no exterior de "gente grande" do governo, inclusive do próprio presidente Lula.
Daniel Dantas entregou o falso dossiê ao diretor da revista Eurípedes Alcântara. O documento também foi entregue a Diogo Mainardi.
O repórter Márcio Aith investigou e descobriu que o dossiê era falso. Mesmo assim, a revista publicou a falsificação de Daniel Dantas como se fosse uma denúncia sólida.
Veja chegou a prever que o governo Lula estava "a caminho da desintegração".
Confira trechos do capítulo:
"Há um princípio básico de jornalismo: quando está configurado que a fonte tentou enganar o jornalista, é obrigação do jornalista denunciá-la. Eurípedes resistiu a divulgar o nome de Dantas. Houve discussão interna. Não havia como fugir do levantamento de Aith mas, por outro lado, Eurípedes queria defender o aliado.
Aith cedeu. De um lado, admitia-se que a fonte era Dantas. Mas foram tais e tantas as tentativas de salvar a cara do banqueiro, que a matéria transformou-se em um pterodáctilo, um bicho disforme e mal acabado.
O "prego sobre vinil" era claro.
Aith cometeu o erro de sua vida, concordando em assinar a matéria. Ganhou um boxe especial, cheio de elogios, e a primeira mancha grave na sua até então impecável folha de serviços jornalísticos. Veja não se limitava a apenas a “assassinatos de reputação” de terceiros, mas a destruir a reputação dos seus próprios jornalistas.
Começava pela capa. A chamada não mencionava dossiê falso. Pelo contrario, apresentava a falsificação como se fosse algo real:
“Daniel Dantas: o banqueiro-bomba. O seu arsenal tem até o numero da suposta conta de Lula no exterior"
A matéria não tinha pé nem cabeça. As investigações de Aith já tinham confirmado tratar-se de uma falsificação preparada por Dantas.
Mas o “lead” da matéria falava o contrario:
"O banqueiro Daniel Dantas está prestes a abrir um capítulo explosivo na investigação sobre os métodos da "organização criminosa" que se instalou no governo e o estrago causado por ela ao país".
O primeiro parágrafo inteiro, em vez de realçar o furo de Aith – a descoberta de que era um dossiê falso – dizia que:
"Na sessão, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) revelou o teor de um documento no qual o banco Opportunity, controlado por Dantas, diz ter sofrido perseguição do governo Lula por rejeitar pedidos de propina de "dezenas de milhões de dólares" feitos por petistas em 2002 e 2003. A carta, escrita por advogados de Dantas e entregue à Justiça de Nova York, onde o banqueiro é processado pelo Citigroup por fraude e negligência, é só o começo de uma novela que, a julgar pela biografia de Dantas, não se resume a uma simples tentativa frustrada de achaque".
Prosseguia a matéria:
"Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio, Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais".
Ia mais longe:
"Além disso, Dantas compilou metodicamente não só os pedidos de propina como também as contratações e os pagamentos efetivamente feitos para tentar aplacar as investidas do atual governo sobre seus interesses. Se pelo menos uma parte desse material for verdadeira, o governo Lula estará a caminho da desintegração"
Esse tipo de menção ao poder terrível do banqueiro, era um convite ao achaque. Na mesma matéria, Veja justificava a publicação do dossiê como forma de prevenir achaques:
"Ao mesmo tempo, isso (a publicação do dossiê) impedirá que o banqueiro do Opportunity venha a utilizar os dados como instrumento de chantagem em que o maior prejudicado, ao final, seriam o país e suas instituições".
A conclusão final era risível:
"Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material entregue por Manzano. Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados verídicos".
Só então entrava no conteúdo das apurações de Aith.
A entrevista armada
Pior: em uma matéria em que Dantas era desmascarado como autor de documentos comprovadamente falsos, Eurípedes colocou um membro do quarteto ligado a Dantas – Diogo Mainardi – para permitir ao próprio banqueiro fazer sua defesa.
Não era uma entrevista normal. Sua leitura induzia qualquer leitor atento a concluir que as perguntas foram formuladas por quem respondeu. Cada pergunta levantava uma bola para o banqueiro bater em sua tecla de defesa: a de que seus problemas eram decorrentes de perseguição política – na mesma matéria em que se demonstrava que ele próprio recorria a dossiês falsos para achaques.
O nível do ping pong era da seguinte ordem:
POR QUE O GOVERNO QUERIA TIRAR O OPPORTUNITY DO COMANDO DA BRASIL TELECOM?
Porque havia um acordo entre o PT e a Telemar para tomar os ativos da telecomunicação, em troca de dinheiro de campanha.
A TELEMAR ACABOU COMPRANDO A EMPRESA DO LULINHA. POR QUE VOCÊS TAMBÉM NEGOCIARAM COM ELE? ERA UM AGRADO AO PRESIDENTE LULA?
Nós procuramos de todas as maneiras diminuir a hostilidade do governo.
O EX-PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL CÁSSIO CASSEB DISSE AO CITIBANK QUE LULA ODEIA VOCÊ.
Casseb disse também que ou a gente entregava o controle da companhia ou o governo iria passar por cima.
A entrevista assinada por Mainardi terminava apresentando Dantas como vitima de achacadores, e não como quem tinha acabado de produzir um dossiê falso, com o claro intuito de achacar:
"Agora releia a entrevista. Mas sabendo o seguinte: Daniel Dantas cedeu aos achacadores petistas. Ele e muitos outros".
Pelas informações que correram na época, o máximo que Aith conseguiu, como contrapartida ao fato de ter concordado em assinar aquele texto, foi uma matéria na edição seguinte, contando em detalhes como o dossiê chegou à revista: entregue pelo próprio Dantas ao diretor Eurípedes Alcântara. Eurípedes só cedeu porque percebeu que a falta de limites o colocara na zona cinza que separa a legalidade da ilegalidade.
De nada adiantou o escândalo, de nada adiantou saber da capacidade do banqueiro em inventar dossiês. A mídia estava completamente anestesiada. Mesmo com o absurdo dessa matéria, o quarteto de Veja continuou com autorização para matar.
As referências a informações e dossiês de Dantas, ao seu poder ameaçador, passaram a ser freqüentes nas notas de Lauro Jardim e Mainardi."
Nassif conta a história do falso dossiê de Daniel Dantas sobre supostas contas no exterior de "gente grande" do governo, inclusive do próprio presidente Lula.
Daniel Dantas entregou o falso dossiê ao diretor da revista Eurípedes Alcântara. O documento também foi entregue a Diogo Mainardi.
O repórter Márcio Aith investigou e descobriu que o dossiê era falso. Mesmo assim, a revista publicou a falsificação de Daniel Dantas como se fosse uma denúncia sólida.
Veja chegou a prever que o governo Lula estava "a caminho da desintegração".
Confira trechos do capítulo:
"Há um princípio básico de jornalismo: quando está configurado que a fonte tentou enganar o jornalista, é obrigação do jornalista denunciá-la. Eurípedes resistiu a divulgar o nome de Dantas. Houve discussão interna. Não havia como fugir do levantamento de Aith mas, por outro lado, Eurípedes queria defender o aliado.
Aith cedeu. De um lado, admitia-se que a fonte era Dantas. Mas foram tais e tantas as tentativas de salvar a cara do banqueiro, que a matéria transformou-se em um pterodáctilo, um bicho disforme e mal acabado.
O "prego sobre vinil" era claro.
Aith cometeu o erro de sua vida, concordando em assinar a matéria. Ganhou um boxe especial, cheio de elogios, e a primeira mancha grave na sua até então impecável folha de serviços jornalísticos. Veja não se limitava a apenas a “assassinatos de reputação” de terceiros, mas a destruir a reputação dos seus próprios jornalistas.
Começava pela capa. A chamada não mencionava dossiê falso. Pelo contrario, apresentava a falsificação como se fosse algo real:
“Daniel Dantas: o banqueiro-bomba. O seu arsenal tem até o numero da suposta conta de Lula no exterior"
A matéria não tinha pé nem cabeça. As investigações de Aith já tinham confirmado tratar-se de uma falsificação preparada por Dantas.
Mas o “lead” da matéria falava o contrario:
"O banqueiro Daniel Dantas está prestes a abrir um capítulo explosivo na investigação sobre os métodos da "organização criminosa" que se instalou no governo e o estrago causado por ela ao país".
O primeiro parágrafo inteiro, em vez de realçar o furo de Aith – a descoberta de que era um dossiê falso – dizia que:
"Na sessão, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) revelou o teor de um documento no qual o banco Opportunity, controlado por Dantas, diz ter sofrido perseguição do governo Lula por rejeitar pedidos de propina de "dezenas de milhões de dólares" feitos por petistas em 2002 e 2003. A carta, escrita por advogados de Dantas e entregue à Justiça de Nova York, onde o banqueiro é processado pelo Citigroup por fraude e negligência, é só o começo de uma novela que, a julgar pela biografia de Dantas, não se resume a uma simples tentativa frustrada de achaque".
Prosseguia a matéria:
"Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio, Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais".
Ia mais longe:
"Além disso, Dantas compilou metodicamente não só os pedidos de propina como também as contratações e os pagamentos efetivamente feitos para tentar aplacar as investidas do atual governo sobre seus interesses. Se pelo menos uma parte desse material for verdadeira, o governo Lula estará a caminho da desintegração"
Esse tipo de menção ao poder terrível do banqueiro, era um convite ao achaque. Na mesma matéria, Veja justificava a publicação do dossiê como forma de prevenir achaques:
"Ao mesmo tempo, isso (a publicação do dossiê) impedirá que o banqueiro do Opportunity venha a utilizar os dados como instrumento de chantagem em que o maior prejudicado, ao final, seriam o país e suas instituições".
A conclusão final era risível:
"Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material entregue por Manzano. Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados verídicos".
Só então entrava no conteúdo das apurações de Aith.
A entrevista armada
Pior: em uma matéria em que Dantas era desmascarado como autor de documentos comprovadamente falsos, Eurípedes colocou um membro do quarteto ligado a Dantas – Diogo Mainardi – para permitir ao próprio banqueiro fazer sua defesa.
Não era uma entrevista normal. Sua leitura induzia qualquer leitor atento a concluir que as perguntas foram formuladas por quem respondeu. Cada pergunta levantava uma bola para o banqueiro bater em sua tecla de defesa: a de que seus problemas eram decorrentes de perseguição política – na mesma matéria em que se demonstrava que ele próprio recorria a dossiês falsos para achaques.
O nível do ping pong era da seguinte ordem:
POR QUE O GOVERNO QUERIA TIRAR O OPPORTUNITY DO COMANDO DA BRASIL TELECOM?
Porque havia um acordo entre o PT e a Telemar para tomar os ativos da telecomunicação, em troca de dinheiro de campanha.
A TELEMAR ACABOU COMPRANDO A EMPRESA DO LULINHA. POR QUE VOCÊS TAMBÉM NEGOCIARAM COM ELE? ERA UM AGRADO AO PRESIDENTE LULA?
Nós procuramos de todas as maneiras diminuir a hostilidade do governo.
O EX-PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL CÁSSIO CASSEB DISSE AO CITIBANK QUE LULA ODEIA VOCÊ.
Casseb disse também que ou a gente entregava o controle da companhia ou o governo iria passar por cima.
A entrevista assinada por Mainardi terminava apresentando Dantas como vitima de achacadores, e não como quem tinha acabado de produzir um dossiê falso, com o claro intuito de achacar:
"Agora releia a entrevista. Mas sabendo o seguinte: Daniel Dantas cedeu aos achacadores petistas. Ele e muitos outros".
Pelas informações que correram na época, o máximo que Aith conseguiu, como contrapartida ao fato de ter concordado em assinar aquele texto, foi uma matéria na edição seguinte, contando em detalhes como o dossiê chegou à revista: entregue pelo próprio Dantas ao diretor Eurípedes Alcântara. Eurípedes só cedeu porque percebeu que a falta de limites o colocara na zona cinza que separa a legalidade da ilegalidade.
De nada adiantou o escândalo, de nada adiantou saber da capacidade do banqueiro em inventar dossiês. A mídia estava completamente anestesiada. Mesmo com o absurdo dessa matéria, o quarteto de Veja continuou com autorização para matar.
As referências a informações e dossiês de Dantas, ao seu poder ameaçador, passaram a ser freqüentes nas notas de Lauro Jardim e Mainardi."
Paulo Coelho é "eclético"
Encontrei uma velha amiga ontem na universidade. Aproveitamos o percurso do circular pra falarmos amenidades.
Ela me disse que a nova gíria pra designar quem é do "babado" é dizer que a pessoa é "eclética".
Quase morri de rir. Eita povo criativo!!!
E não é que hoje, lendo a coluna da Mônica Bergamo na Folha, fiquei sabendo que Paulo Coelho, o mago, também é um eclético...
Diz a nota:
"Na biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais e que será lançada em maio, serão muitas as linhas dedicadas à vida sexual do escritor. Entre outras revelações, a de que Coelho teve relacionamentos homossexuais -e a de que perdeu a virgindade com uma namorada num pedalinho da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro."
Como se diz por aí, o mundo é eclético...
Ela me disse que a nova gíria pra designar quem é do "babado" é dizer que a pessoa é "eclética".
Quase morri de rir. Eita povo criativo!!!
E não é que hoje, lendo a coluna da Mônica Bergamo na Folha, fiquei sabendo que Paulo Coelho, o mago, também é um eclético...
Diz a nota:
"Na biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais e que será lançada em maio, serão muitas as linhas dedicadas à vida sexual do escritor. Entre outras revelações, a de que Coelho teve relacionamentos homossexuais -e a de que perdeu a virgindade com uma namorada num pedalinho da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro."
Como se diz por aí, o mundo é eclético...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
"Dossiê Veja" e a receita de como transformar bandido em herói
Luis Nassif publicou mais dois capítulos sobre a história por trás da história da revista Veja.
"Os primeiros serviços" narra como a revista atuou na defesa do banqueiro Daniel Dantas, acusado de espionar pessoas do governo federal e forjar um dossiê sobre as "contas secretas" de autoridades no exterior (inclusive do presidente Lula).
Nassif enfatiza que uma das estratégias de Daniel Dantas era mostrar que estava sendo vítima de perseguição política do governo federal.
Para provar sua tese, o banqueiro mirou na sociedade entre a Telemar e a Gamecorp, empresa de jogos eletrônicos do filho do presidente Lula.
Mais uma vez, Diogo Mainardi foi escolhido para falar no lugar de Daniel Dantas na Veja.
O colunista atacou os investimentos da Telemar na Gamecorp, sob o pretexto de que O BNDES do governo federal era um dos sócios da Telemar e, portanto, estaria provada a ingerência do governo no negócio, bem como a perseguição sofrida por Daniel Dantas, uma vez que a Telemar é concorrente da Brasil Telecom (controlada pelo fundo CVC-Opportunity, por sua vez, controlado pelo banqueiro peralta).
Em "O caso Edson Vidigal", Nassif procura demonstrar como a Veja atuou no "assassinato de reputação" do Ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para ajudar Daniel Dantas.
É que o ministro Edson Vidigal havia dado uma liminar que permitiu aos fundos de pensão e ao Citibank retomar o controle da Brasil Telecom das mãos de Daniel Dantas.
O Citibank havia entrado com uma ação de perdas e danos contra Dantas na corte de Nova York.
Daniel Dantas tentou impedir a realização da Assembléia Geral Extraordinária do CVC-Opportunity, que iria destituí-lo do controle da Brasil Telecom.
Mas o ministro Edson Vidigal cassou a liminar que impedia a realização desta assembléia.
Depois disso, o presidente do STJ passou a ser o alvo de Daniel Dantas e da revista Veja.
O banqueiro disse que o governo havia pressionado o ministro para favorecer os fundos de pensão na briga pela telefônica Brasil Telecom.
A íntegra dos dois capítulos está disponível no Blog do Nassif, no Portal IG.
"Os primeiros serviços" narra como a revista atuou na defesa do banqueiro Daniel Dantas, acusado de espionar pessoas do governo federal e forjar um dossiê sobre as "contas secretas" de autoridades no exterior (inclusive do presidente Lula).
Nassif enfatiza que uma das estratégias de Daniel Dantas era mostrar que estava sendo vítima de perseguição política do governo federal.
Para provar sua tese, o banqueiro mirou na sociedade entre a Telemar e a Gamecorp, empresa de jogos eletrônicos do filho do presidente Lula.
Mais uma vez, Diogo Mainardi foi escolhido para falar no lugar de Daniel Dantas na Veja.
O colunista atacou os investimentos da Telemar na Gamecorp, sob o pretexto de que O BNDES do governo federal era um dos sócios da Telemar e, portanto, estaria provada a ingerência do governo no negócio, bem como a perseguição sofrida por Daniel Dantas, uma vez que a Telemar é concorrente da Brasil Telecom (controlada pelo fundo CVC-Opportunity, por sua vez, controlado pelo banqueiro peralta).
Em "O caso Edson Vidigal", Nassif procura demonstrar como a Veja atuou no "assassinato de reputação" do Ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para ajudar Daniel Dantas.
É que o ministro Edson Vidigal havia dado uma liminar que permitiu aos fundos de pensão e ao Citibank retomar o controle da Brasil Telecom das mãos de Daniel Dantas.
O Citibank havia entrado com uma ação de perdas e danos contra Dantas na corte de Nova York.
Daniel Dantas tentou impedir a realização da Assembléia Geral Extraordinária do CVC-Opportunity, que iria destituí-lo do controle da Brasil Telecom.
Mas o ministro Edson Vidigal cassou a liminar que impedia a realização desta assembléia.
Depois disso, o presidente do STJ passou a ser o alvo de Daniel Dantas e da revista Veja.
O banqueiro disse que o governo havia pressionado o ministro para favorecer os fundos de pensão na briga pela telefônica Brasil Telecom.
A íntegra dos dois capítulos está disponível no Blog do Nassif, no Portal IG.
TV e eleições
Em seu ex-blog, o prefeito de Rio de Janeiro, César Maia, transcreve trechos do artigo de Karl Rove, publicado no Wall Street Journal, em 31/01/08, que trata do uso da TV nas campanhas eleitorais, especialmente nas primárias americanas deste ano.
Karl Rove foi coordenador de marketing da campanha de George W. Bush e é hoje vice-chefe da Casa Civil do presidente.
Confira os trechos do artigo:
1. Os comerciais políticos de televisão não têm a mesma importância do que antes. Entrar no ar com os primeiros e mais numerosos anúncios não conta tanto quanto anteriormente. Fazer campanha este ano tem sido algo tão intenso, tão longo e direcionado em relação à política de varejo que as pessoas – principalmente nos primeiros estados – formam opiniões que são difíceis de alterar com uma publicidade prematura e volumosa.
2. Os eleitores estão desprezando a publicidade. Eles podem estar bloqueando os anúncios, contando mais com a exposição pessoal, informações de redes sociais, fontes alternativas de informação, tais como o rádio e a Internet, e cobertura local pela mídia.
3. As décadas que fecharam o século XX viram a ascensão da publicidade de TV como o fator mais poderoso das campanhas presidenciais. A década que abre o século XX está assistindo à ascensão do diretor de comunicações e do porta-voz de imprensa como as figuras mais importantes de uma equipe de campanha. Trata-se da era da Internet, da TV a cabo, do YouTube, de ciclos múltiplos de notícias em um dia, e da necessidade de respostas realmente instantâneas. Os comerciais na TV, e os que os fazem, ainda são importantes – mas nem tanto como apenas como há poucos anos.
4. Podemos ficar certos de uma coisa: Os candidatos que saem vitoriosos, mesmo que sejam imperfeitos, têm uma admirável coragem e desembaraço.
Comentário
No Brasil, a televisão ainda ocupa lugar central na disputa eleitoral. Ao contrário do que aponta Karl Rove, que a propaganda politica não tem mais tanto impacto sobre o voto do eleitor nos EUA, aqui essa propaganda é a menina dos olhos dos candidatos.
Partidos fazem coligações pra ter direito a mais espaço na televisão. Mais espaço, via de regra, se traduz em mais votos.
A televisão tem o poder de transformar nobres desconhecidos em heróis nacionais.
Foi assim que Fernando Collor se tornou presidente.
Foi assim também, através da televisão, que Geraldo Alckmin se tornou conhecido nacionalmente e chegou ao segundo turno das eleições em 2006.
O marketing televisivo eleitoral é a principal arma dos candidatos, que são oferecidos ao eleitor como um produto pronto pra ser consumido.
O eleitor, seduzido por este "candidato-produto", vota porque foi conquistado pela propaganda mais eficiente. Pouco importa o "conteúdo" deste "produto".
As primárias americanas, que vão definir o candidato republicano e o democrata para presidente daquele país, mostram que os eleitores de lá escolhem seu candidato pelo programa de governo dele, pelo espectro do campo ideológico ocupado por este candidato e pela confiança que ele inspira.
Os americanos querem saber o que o candidato pensa sobre temas importantes, como imigração, protecionismo agrícola, política econômica, terrorismo, entre outros.
No Brasil, o candidato faz de conta que é uma coisa e o eleitor faz de conta que acredita naquilo que ele vê na televisão. É o pacto da mediocridade.
Os termos conservador, liberal, progressista ou nacionalista não dizem nada ao eleitor médio brasileiro.
O resultado é o samba maluco que estamos acostumados a ver. Em 2002, os brasileiros elegeram Lula pra mudar o país. Mas esqueceram que o presidente precisa de maioria pra governar e elegeram um Congresso Nacional conservador.
Aí quando estoura o "mensalão", suposto artifício do governo pra obter maioria parlamentar e fazer as mudanças que o povo esperava que fossem feitas, o brasileiro fica escandalizado.
O sistema político barsileiro é um verdadeiro Frankstein.
A televisão, criada como projeto de integração nacional e elemento definidor da nossa identidade enquanto povo, é o cérebro desse monstrengo.
Karl Rove foi coordenador de marketing da campanha de George W. Bush e é hoje vice-chefe da Casa Civil do presidente.
Confira os trechos do artigo:
1. Os comerciais políticos de televisão não têm a mesma importância do que antes. Entrar no ar com os primeiros e mais numerosos anúncios não conta tanto quanto anteriormente. Fazer campanha este ano tem sido algo tão intenso, tão longo e direcionado em relação à política de varejo que as pessoas – principalmente nos primeiros estados – formam opiniões que são difíceis de alterar com uma publicidade prematura e volumosa.
2. Os eleitores estão desprezando a publicidade. Eles podem estar bloqueando os anúncios, contando mais com a exposição pessoal, informações de redes sociais, fontes alternativas de informação, tais como o rádio e a Internet, e cobertura local pela mídia.
3. As décadas que fecharam o século XX viram a ascensão da publicidade de TV como o fator mais poderoso das campanhas presidenciais. A década que abre o século XX está assistindo à ascensão do diretor de comunicações e do porta-voz de imprensa como as figuras mais importantes de uma equipe de campanha. Trata-se da era da Internet, da TV a cabo, do YouTube, de ciclos múltiplos de notícias em um dia, e da necessidade de respostas realmente instantâneas. Os comerciais na TV, e os que os fazem, ainda são importantes – mas nem tanto como apenas como há poucos anos.
4. Podemos ficar certos de uma coisa: Os candidatos que saem vitoriosos, mesmo que sejam imperfeitos, têm uma admirável coragem e desembaraço.
Comentário
No Brasil, a televisão ainda ocupa lugar central na disputa eleitoral. Ao contrário do que aponta Karl Rove, que a propaganda politica não tem mais tanto impacto sobre o voto do eleitor nos EUA, aqui essa propaganda é a menina dos olhos dos candidatos.
Partidos fazem coligações pra ter direito a mais espaço na televisão. Mais espaço, via de regra, se traduz em mais votos.
A televisão tem o poder de transformar nobres desconhecidos em heróis nacionais.
Foi assim que Fernando Collor se tornou presidente.
Foi assim também, através da televisão, que Geraldo Alckmin se tornou conhecido nacionalmente e chegou ao segundo turno das eleições em 2006.
O marketing televisivo eleitoral é a principal arma dos candidatos, que são oferecidos ao eleitor como um produto pronto pra ser consumido.
O eleitor, seduzido por este "candidato-produto", vota porque foi conquistado pela propaganda mais eficiente. Pouco importa o "conteúdo" deste "produto".
As primárias americanas, que vão definir o candidato republicano e o democrata para presidente daquele país, mostram que os eleitores de lá escolhem seu candidato pelo programa de governo dele, pelo espectro do campo ideológico ocupado por este candidato e pela confiança que ele inspira.
Os americanos querem saber o que o candidato pensa sobre temas importantes, como imigração, protecionismo agrícola, política econômica, terrorismo, entre outros.
No Brasil, o candidato faz de conta que é uma coisa e o eleitor faz de conta que acredita naquilo que ele vê na televisão. É o pacto da mediocridade.
Os termos conservador, liberal, progressista ou nacionalista não dizem nada ao eleitor médio brasileiro.
O resultado é o samba maluco que estamos acostumados a ver. Em 2002, os brasileiros elegeram Lula pra mudar o país. Mas esqueceram que o presidente precisa de maioria pra governar e elegeram um Congresso Nacional conservador.
Aí quando estoura o "mensalão", suposto artifício do governo pra obter maioria parlamentar e fazer as mudanças que o povo esperava que fossem feitas, o brasileiro fica escandalizado.
O sistema político barsileiro é um verdadeiro Frankstein.
A televisão, criada como projeto de integração nacional e elemento definidor da nossa identidade enquanto povo, é o cérebro desse monstrengo.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Dossiê Veja: o quarteto fantástico
Luis Nassif publicou ontem mais um capítulo do seu "Dossiê Veja".
No capítulo anterior, ele havia narrado os ataques da revista ao banqueiro Daniel Dantas.
Neste novo relato, Nassif revela a mudança de postura da Veja em relação ao dono do Opportunity.
Dantas aproximou-se da revista e passou a contar com o quarteto formado por Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi na sua defesa.
Diogo, segundo relata Nassif, passou a desempenhar o papel mais ostensivo. A mudança começou em 15 de junho de 2005.
Nassif fala sobre o papel de Mainardi:
"Mainardi havia começado a ganhar destaque por subir vários tons nas ofensas contra Lula e também pelo uso de dramas familiares como tema de colunas – o que despertara simpatia em parte do público da Veja.
Adversário de Dantas, Nelson Tanure tentou levá-lo para o Jornal do Brasil. Veja acabou cobrindo a proposta, praticamente dobrando o salário de Mainardi.
Não sei a razão objetiva desse assédio. Poderia ser o fato de Mainardi ter mostrado ser o "colunista sela” –nome que se dá ao colunista pouco informado que se deixa "cavalgar" pela fonte, tornando-se mero repassador de recados, em troca da repercussão que as notas proporcionam. Pelo menos no início, deveria ser esta a lógica que consolidava a parceria.
O fato é que os os lobistas perceberam em Mainardi um colunista em disponibilidade. Além disso, seu próprio papel de “para-jornalista” na revista – papel que, na “Folha”, é exercido com muito talento por Zé Simão; no “Globo”, por Agamenon Mendes Pedreira – rompia com os limites do jornalismo e abria campo amplo para divulgar qualquer informação que lhe fosse entregue, mesmo sem a necessidade sequer de um simulacro de apuração jornalística. E Mainardi se revelaria com falta de escrúpulos suficiente para cometer qualquer assassinato de reputação que lhe fosse encomendado.
Naquele período, figura tipicamente carioca que transita por esses ambientes teve alguns almoços com Mainardi e me contou a impressão que ele lhe passou.
Pessoalmente tímido até o limite de não levantar os olhos para encarar o interlocutor; escassa informação em política, história e, especialmente, sobre o intrincado mundo dos negócios e das disputas empresariais. Mas ávido pelas benesses que a exposição jornalística trazia.
Obviamente nenhum colunista iria enveredar tão ostensivamente pelo mundo das guerras corporativas e "assassinatos de reputação" se não tivesse respaldo de sua chefia maior.
O acerto de Veja com Mainardi foi precedido de uma aproximação entre Eurípides e Dantas, intermediada por Lauro Jardim.
A partir de então, Eurípides passou a ter ligação direta com o banqueiro. Conversam corriqueiramente, sem prejuízo dos contatos de Dantas com Jardim e Mainardi. O diretor abria espaço por cima; os colunistas entravam com a mão de obra.
E aí, de trio, se passava para o quarteto de Veja que, dali por diante, entraria de cabeça na campanha a favor de Dantas: Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi.
Nos meses seguintes, ocorreria uma mudança radical no tratamento dado pela revista àquele que, segundo ela própria, tinha por hábito grampear, montar dossiês falsos e comprar jornalistas."
A mudança de tratamento dado a Daniel Dantas significou também o início dos ataques da revista ao ministro Gushiken - inimigo de Dantas dentro do governo federal.
"De vítima de Dantas, Gushiken começava, a partir de então, a se tornar seu algoz, de acordo com a construção jornalística que Veja começou a montar."
Leia a íntegra do "Dossiê Veja" no Blog do Nassif no portal IG.
No capítulo anterior, ele havia narrado os ataques da revista ao banqueiro Daniel Dantas.
Neste novo relato, Nassif revela a mudança de postura da Veja em relação ao dono do Opportunity.
Dantas aproximou-se da revista e passou a contar com o quarteto formado por Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi na sua defesa.
Diogo, segundo relata Nassif, passou a desempenhar o papel mais ostensivo. A mudança começou em 15 de junho de 2005.
Nassif fala sobre o papel de Mainardi:
"Mainardi havia começado a ganhar destaque por subir vários tons nas ofensas contra Lula e também pelo uso de dramas familiares como tema de colunas – o que despertara simpatia em parte do público da Veja.
Adversário de Dantas, Nelson Tanure tentou levá-lo para o Jornal do Brasil. Veja acabou cobrindo a proposta, praticamente dobrando o salário de Mainardi.
Não sei a razão objetiva desse assédio. Poderia ser o fato de Mainardi ter mostrado ser o "colunista sela” –nome que se dá ao colunista pouco informado que se deixa "cavalgar" pela fonte, tornando-se mero repassador de recados, em troca da repercussão que as notas proporcionam. Pelo menos no início, deveria ser esta a lógica que consolidava a parceria.
O fato é que os os lobistas perceberam em Mainardi um colunista em disponibilidade. Além disso, seu próprio papel de “para-jornalista” na revista – papel que, na “Folha”, é exercido com muito talento por Zé Simão; no “Globo”, por Agamenon Mendes Pedreira – rompia com os limites do jornalismo e abria campo amplo para divulgar qualquer informação que lhe fosse entregue, mesmo sem a necessidade sequer de um simulacro de apuração jornalística. E Mainardi se revelaria com falta de escrúpulos suficiente para cometer qualquer assassinato de reputação que lhe fosse encomendado.
Naquele período, figura tipicamente carioca que transita por esses ambientes teve alguns almoços com Mainardi e me contou a impressão que ele lhe passou.
Pessoalmente tímido até o limite de não levantar os olhos para encarar o interlocutor; escassa informação em política, história e, especialmente, sobre o intrincado mundo dos negócios e das disputas empresariais. Mas ávido pelas benesses que a exposição jornalística trazia.
Obviamente nenhum colunista iria enveredar tão ostensivamente pelo mundo das guerras corporativas e "assassinatos de reputação" se não tivesse respaldo de sua chefia maior.
O acerto de Veja com Mainardi foi precedido de uma aproximação entre Eurípides e Dantas, intermediada por Lauro Jardim.
A partir de então, Eurípides passou a ter ligação direta com o banqueiro. Conversam corriqueiramente, sem prejuízo dos contatos de Dantas com Jardim e Mainardi. O diretor abria espaço por cima; os colunistas entravam com a mão de obra.
E aí, de trio, se passava para o quarteto de Veja que, dali por diante, entraria de cabeça na campanha a favor de Dantas: Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi.
Nos meses seguintes, ocorreria uma mudança radical no tratamento dado pela revista àquele que, segundo ela própria, tinha por hábito grampear, montar dossiês falsos e comprar jornalistas."
A mudança de tratamento dado a Daniel Dantas significou também o início dos ataques da revista ao ministro Gushiken - inimigo de Dantas dentro do governo federal.
"De vítima de Dantas, Gushiken começava, a partir de então, a se tornar seu algoz, de acordo com a construção jornalística que Veja começou a montar."
Leia a íntegra do "Dossiê Veja" no Blog do Nassif no portal IG.
As cadeias de Minas
No dia 31 de janeiro, a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) divulgou um relatório sobre a violação de direitos humanos no mundo, no qual destacou "as condições subumanas, violência e superlotação que historicamente caracterizaram as prisões brasileiras".
A reportagem da Folha de São Paulo deste domingo, sobre a situação das cadeias de Contagem e Ouro Preto, em Minas Gerais, ilustram perfeitamente o que afirma o relatório da HRW.
O repórter João Carlos Magalhães esteve nas carceragens das duas cidades e relata um quadro pavoroso, de absoluto descaso com os direitos humanos: 50 homens (onde deveria haver apenas seis) dividindo um cubículo de 30 metros quadrados com baratas, ratos e lacraias.
Há também doentes com sarna, rubéola e ferimentos que "surgem do nada", como o homem que exibiu ao repórter, segundo descrição dele próprio, uma ferida de bordas arroxeadas e cheia de pus.
"Apenas alguns minutos foram suficientes para sentir o odor de suor, urina e fezes e verificar a situação de homens que nunca tomam banho de sol. Para caberem todos, é preciso ficar de pé o tempo todo. Quem se senta dorme em meio a ratos e lacraias. Histórias desumanas contadas pelos presos, como a de um homem espancado que teve o cadáver comido por ratos, são confirmadas por policiais. Não há médicos e o abandono chega ao extremo de o porteiro ser um dos próprios detentos, em regime semi-aberto", diz um trecho da reportagem.
Há fiações expostas e vazamentos nas celas. O risco de incêndio é grande. De acordo com a Folha, não havia extintores em condições de uso.
Os presos têm que dormir sentados e se revezam para ficar em pé. Eles contaram ao repórter do jornal que a comida, fornecida em marmitas, muitas vezes é estragada.
Ainda segundo o relato do repórter da Folha, "o ambiente úmido e o chão imundo -os esgotos estavam entupidos e o "banheiro" era um buraco no chão isolado por um saco de lixo estendido - abriram caminho para variadas infecções."
O secretário da Defesa Social de Minas, Maurício Campos Júnior, deu uma declaração cínica, dizendo que as cadeias mineiras passam por um "processo acelerado" de melhorias.
O governador Aécio Neves (PSDB) não se pronunciou.
A reportagem da Folha de São Paulo deste domingo, sobre a situação das cadeias de Contagem e Ouro Preto, em Minas Gerais, ilustram perfeitamente o que afirma o relatório da HRW.
O repórter João Carlos Magalhães esteve nas carceragens das duas cidades e relata um quadro pavoroso, de absoluto descaso com os direitos humanos: 50 homens (onde deveria haver apenas seis) dividindo um cubículo de 30 metros quadrados com baratas, ratos e lacraias.
Há também doentes com sarna, rubéola e ferimentos que "surgem do nada", como o homem que exibiu ao repórter, segundo descrição dele próprio, uma ferida de bordas arroxeadas e cheia de pus.
"Apenas alguns minutos foram suficientes para sentir o odor de suor, urina e fezes e verificar a situação de homens que nunca tomam banho de sol. Para caberem todos, é preciso ficar de pé o tempo todo. Quem se senta dorme em meio a ratos e lacraias. Histórias desumanas contadas pelos presos, como a de um homem espancado que teve o cadáver comido por ratos, são confirmadas por policiais. Não há médicos e o abandono chega ao extremo de o porteiro ser um dos próprios detentos, em regime semi-aberto", diz um trecho da reportagem.
Há fiações expostas e vazamentos nas celas. O risco de incêndio é grande. De acordo com a Folha, não havia extintores em condições de uso.
Os presos têm que dormir sentados e se revezam para ficar em pé. Eles contaram ao repórter do jornal que a comida, fornecida em marmitas, muitas vezes é estragada.
Ainda segundo o relato do repórter da Folha, "o ambiente úmido e o chão imundo -os esgotos estavam entupidos e o "banheiro" era um buraco no chão isolado por um saco de lixo estendido - abriram caminho para variadas infecções."
O secretário da Defesa Social de Minas, Maurício Campos Júnior, deu uma declaração cínica, dizendo que as cadeias mineiras passam por um "processo acelerado" de melhorias.
O governador Aécio Neves (PSDB) não se pronunciou.
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