Em artigo publicado no blog do ex-deputado Zé Dirceu, Renato Rovai, editor da Revista Fórum, afirma que o papel reservado para Fidel Castro na história "não é o papel de algoz", mas do "governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba".
Mas Rovai também disse que "é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível" e criticou a falta de liberdade de imprensa em Cuba.
Leia a íntegra do artigo:
Fidel não merece tornar-se uma caricatura
Neste momento em que Fidel Castro passa o bastão do poder em Cuba, ressurge o debate a respeito de seu papel histórico nos últimos 50 anos. E retoma-se de forma torta a polêmica sobre os limites do regime do país. Esse texto aborda aspectos polêmicos, mas não poderia ser diferente. Poucas coisas são menos polêmicas do que Cuba e Fidel.
A denominação de ditador para o líder cubano é imprópria. Sua perpetuação no poder em Cuba foi mais obra do saco de maldades dos sucessivos governos estadunidenses e da CIA do que de uma ambição pessoal. Além disso, Fidel não subjugou o povo do seu país para garantir que as riquezas deste (aliás, poucas) fossem usufruídas por uma elite local com conexões com a máfia da exploração internacional.
Em qualquer modelo eleitoral com algum nível de justiça, Fidel se elegeria e reelegeria quantas vezes fosse candidato em Cuba. Aliás, seu prestígio, liderança e capacidade política são tamanhos que, em muitos momentos da história recente, se saísse candidato em outros países do Continente teria se elegido em muitos deles. Fidel nunca foi impopular em Cuba. E nem em nível internacional. Por isso sempre incomodou tanto o império estadunidense.
Isso garante a Cuba a condição de país democrático? Não. E não me parece inteligente fazer o debate a respeito das liberdades de Cuba a partir da relativização com outros modelos. Até porque não lutamos e não enfrentamos o debate político por um novo modelo colocando como nossa utopia o projeto da suposta democracia representativa dos EUA, fundamentada no poder econômico.
Mas também é estrabismo político defender o regime cubano como a utopia possível. Cuba não tem liberdade de imprensa. Seus intelectuais sofrem censura, e a quase totalidade do povo é impedida de utilizar espaços destinados à visitação de turistas. Nada disso é invenção do imperialismo ianque. Também é verdade que o Estado assumiu um papel tão centralizador que beira o autoritarismo no que diz respeito à necessária diversidade nas relações humanas.
Fidel é o responsável por isso? Muito mais não do que sim. Mas isso não quer dizer que não tenha cometido graves erros. Por exemplo, do alto da minha ingenuidade, não aceito qualquer justificativa às execuções. Impossível para minha ingenuidade compactuar com o flerte à pena de morte, seja ela com inspiração de direita ou esquerda.
Mas não é o papel de algoz que está reservado para Fidel na história da humanidade. E ele já cravou seu nome nesse espaço de poucos. É do líder guerreiro e carismático. Do homem que enfrentou um dos impérios mais cruéis da história com poucas armas e muita inteligência e perspicácia. Do articulador político e sábio. Do governante que garantiu uma qualidade de vida para o seu povo muito acima do que se encontra em países vizinhos ou com perfil semelhante a Cuba. Do guerreiro inflexível.
Até por isso, é um desfavor à história querer tratar Fidel como uma caricatura. Tanto para incensá-lo como para condená-lo. Tratá-lo como um líder de um projeto ambicioso que precisa de reflexões e ajustes parece mais adequado. E instigante. Cuba e Fidel merecem mais do que ataques e elogios exagerados.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Surtou Geral
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), deve ter surtado de vez. Não é à toa que ele é apelidado de "Menino Maluquinho".
Em seu Ex-Blog, ele disse que a manipulação do Jornal Nacional da TV Globo na edição do debate final entre Collor e Lula, no segundo turno das eleições de 1989, não aconteceu.
O prefeito saiu em defesa da Rede Globo e disse que o governo Lula do PT deseja controlar a emissora da família Marinho:
"A TV Globo tem sido para a esquerda tradicional, brasileira, sempre, uma espécie de pedra no caminho de seu projeto autoritário. O PT no governo tem feito o que pode para reduzir a força e participação da TVG na audiência. Tem feito o que pode para controlá-la."
Tudo o que tenho a dizer é que César Maia se faz de doido pra passar melhor.
Em seu Ex-Blog, ele disse que a manipulação do Jornal Nacional da TV Globo na edição do debate final entre Collor e Lula, no segundo turno das eleições de 1989, não aconteceu.
O prefeito saiu em defesa da Rede Globo e disse que o governo Lula do PT deseja controlar a emissora da família Marinho:
"A TV Globo tem sido para a esquerda tradicional, brasileira, sempre, uma espécie de pedra no caminho de seu projeto autoritário. O PT no governo tem feito o que pode para reduzir a força e participação da TVG na audiência. Tem feito o que pode para controlá-la."
Tudo o que tenho a dizer é que César Maia se faz de doido pra passar melhor.
"Hora Alegre"
A filosofia de Zeca Pagodinho
Sabe aquele comercial da cerveja Brahma que traduziu a "happy hour" como "hora alegre"?
Em entrevista à Folha de São Paulo, o polêmico Zeca Pagodinho, que estreou o comercial, disse que avisou "pros caras" [da agência de publicidade? da Brahma?] que a tradução poderia gerar problemas com os homossexuais.
E gerou mesmo. Segundo a Folha, os gays não gostaram da utilização dessa expressão no comercial. "Alegre" é uma palavra há muito tempo associada aos gays. Pura bobagem.
Zeca Pagodinho fez questão de deixar claro que não quis ofender ninguém no comercial e que sua "relação" com os homossexuais é do tipo "cada um na sua".
E resumiu assim o que pensa do assunto: "Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida".
Sabe aquele comercial da cerveja Brahma que traduziu a "happy hour" como "hora alegre"?
Em entrevista à Folha de São Paulo, o polêmico Zeca Pagodinho, que estreou o comercial, disse que avisou "pros caras" [da agência de publicidade? da Brahma?] que a tradução poderia gerar problemas com os homossexuais.
E gerou mesmo. Segundo a Folha, os gays não gostaram da utilização dessa expressão no comercial. "Alegre" é uma palavra há muito tempo associada aos gays. Pura bobagem.
Zeca Pagodinho fez questão de deixar claro que não quis ofender ninguém no comercial e que sua "relação" com os homossexuais é do tipo "cada um na sua".
E resumiu assim o que pensa do assunto: "Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida".
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
A Ilha sem Fidel
Fidel Castro renunciou à Presidência de Cuba e a direita do mundo inteiro comemorou o "fracasso" do socialismo.
"O capitalismo venceu", proclamaram os porta-vozes do sistema.
"Morreu um sonho romântico", decretou o cineasta de quinta.
Bush e os cubanos de Miami comemoraram.
O presidente americano disse que Cuba precisa fazer a "transição democrática" e condenou os "abusos contra os direitos humanos praticados pelo regime cubano".
Os EUA são experts em democracia e direitos humanos. A prisão de Guantánamo é a maior prova disso. As invasões do Afeganistão e do Iraque idem.
A mídia omite o embargo econômico americano contra Cuba, que dura mais de quatro décadas e condena o povo cubano a racionar até mesmo alimentos. Essa política de genocídio viola o Direito Internacional e contraria várias resoluções da ONU.
Mas o povo cubano, heróico, ainda resiste, sem abrir mão da sua soberania. E continuará resistindo, mesmo sem Fidel na Presidência.
Para calar a boca dos críticos, cito um trecho do livro "A Ilha", do jornalista Fernando Morais, que conta que na capital Havana, há um imenso outdoor na saída do aeroporto com a seguinte frase:
"Hoje, 50 milhões de crianças no mundo inteiro não têm onde dormir. Nenhuma delas é cubana."
"O capitalismo venceu", proclamaram os porta-vozes do sistema.
"Morreu um sonho romântico", decretou o cineasta de quinta.
Bush e os cubanos de Miami comemoraram.
O presidente americano disse que Cuba precisa fazer a "transição democrática" e condenou os "abusos contra os direitos humanos praticados pelo regime cubano".
Os EUA são experts em democracia e direitos humanos. A prisão de Guantánamo é a maior prova disso. As invasões do Afeganistão e do Iraque idem.
A mídia omite o embargo econômico americano contra Cuba, que dura mais de quatro décadas e condena o povo cubano a racionar até mesmo alimentos. Essa política de genocídio viola o Direito Internacional e contraria várias resoluções da ONU.
Mas o povo cubano, heróico, ainda resiste, sem abrir mão da sua soberania. E continuará resistindo, mesmo sem Fidel na Presidência.
Para calar a boca dos críticos, cito um trecho do livro "A Ilha", do jornalista Fernando Morais, que conta que na capital Havana, há um imenso outdoor na saída do aeroporto com a seguinte frase:
"Hoje, 50 milhões de crianças no mundo inteiro não têm onde dormir. Nenhuma delas é cubana."
Queridos Amigos
Peço desculpas pelo atraso nas postagens, mas é que minha net tá uma droga. Quando faz sol, ela não funciona; quando faz chuva, também não.
Estou mandando sinais de fumaça pra Tupã, pra ver se ele sei lá de onde dá uma jeitinho.
Mas, aproveitando o breve instante em que consigo me conectar daqui de casa, queria falar um pouquinho sobre a minissérie "Queridos Amigos", da autora Maria Adelaide Amaral, direção de Denise Saraceni, que a Globo começou a exibir segunda-feira.
A história é adaptada do livro "Aos Meus Amigos", da mesma autora. É uma história sobre velhos amigos que, após alguns anos distantes, se reencontram em novembro de 1989 para recordar a juventude.
É Léo (Dan Stulbach) quem reúne a turma num almoço. Ele descobre que está com uma doença grave e decide viver seus últimos dias ao lado dos amigos.
É um reencontro permeado de sentimentos exacerbados, afinal de contas, reviver o passado, mesmo que apenas pelas lembranças, é sempre um exercício difícil. Mexer no baú do tempo é muito arriscado.
Mas eles haviam lutado contra a ditadura militar. Alguns foram presos e torturados; outros foram exilados. Encarar esse passado poderia doer, mas talvez valesse à pena. Ao menos para se lembrarem a razão pela qual lutavam.
Na verdade, eu acho que a história não é sobre amizade, mas sobre o tempo. Pra mim, o tempo é o personagem principal.
O tempo que junta e separa os amigos. O tempo que liberta e oprime. O tempo que faz rir e prantear. O tempo que traz a esperança e a desolação. O tempo que é presença e ausência. O tempo que é saudade - essa estranha companheira fugudia das tardes vazias.
Eu gosto desse clima de nostalgia, quando parece que é sempre outono.
E gosto de pensar que meus amigos, mesmo dispersos, estão por aí por perto.
Estou mandando sinais de fumaça pra Tupã, pra ver se ele sei lá de onde dá uma jeitinho.
Mas, aproveitando o breve instante em que consigo me conectar daqui de casa, queria falar um pouquinho sobre a minissérie "Queridos Amigos", da autora Maria Adelaide Amaral, direção de Denise Saraceni, que a Globo começou a exibir segunda-feira.
A história é adaptada do livro "Aos Meus Amigos", da mesma autora. É uma história sobre velhos amigos que, após alguns anos distantes, se reencontram em novembro de 1989 para recordar a juventude.
É Léo (Dan Stulbach) quem reúne a turma num almoço. Ele descobre que está com uma doença grave e decide viver seus últimos dias ao lado dos amigos.
É um reencontro permeado de sentimentos exacerbados, afinal de contas, reviver o passado, mesmo que apenas pelas lembranças, é sempre um exercício difícil. Mexer no baú do tempo é muito arriscado.
Mas eles haviam lutado contra a ditadura militar. Alguns foram presos e torturados; outros foram exilados. Encarar esse passado poderia doer, mas talvez valesse à pena. Ao menos para se lembrarem a razão pela qual lutavam.
Na verdade, eu acho que a história não é sobre amizade, mas sobre o tempo. Pra mim, o tempo é o personagem principal.
O tempo que junta e separa os amigos. O tempo que liberta e oprime. O tempo que faz rir e prantear. O tempo que traz a esperança e a desolação. O tempo que é presença e ausência. O tempo que é saudade - essa estranha companheira fugudia das tardes vazias.
Eu gosto desse clima de nostalgia, quando parece que é sempre outono.
E gosto de pensar que meus amigos, mesmo dispersos, estão por aí por perto.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Mundo-cão
O 'Diário de Natal' e o 'JH Primeira Edição' deram hoje uma aula de sensacionalismo.
Os dois jornais da capital sairam com manchetes praticamente iguais, no melhor estilo "espreme que sai sangue".
"Preso degola inimigo em Alcaçuz", estampou o JH Primeira Edição na capa, em letras garrafais.
O DN foi ainda mais "criativo": "Preso degola colega e põe cabeça na marca do pênalti".
Abaixo da manchete do DN, uma foto mostra o jogador Bosco do ABC chutando a bola durante um treino.
A leitura da manchete com toques esportivos ("cabeça na marca do pênalti") leva, instantaneamente, à associação com a foto.
Truque pra lá de sensacionalista. Esse tipo de jornalismo não conhece limites e faz de tudo pra atrair o leitor, usando e abusando da espetacularização da violência.
Quando era estagiário num jornal de Parnamirim, discordei do editor por ter colocado uma foto, em cores, de um homem que tinha sido castrado por uma suposta bruxa, que utilizaria o "material" pra fazer magia negra.
O povão gosta disso, porque esse tipo de notícia desperta uma curiosidade mórbida e mobiliza emoções contraditórias, mexendo com a imaginação das pessoas.
Os dois jornais da capital sairam com manchetes praticamente iguais, no melhor estilo "espreme que sai sangue".
"Preso degola inimigo em Alcaçuz", estampou o JH Primeira Edição na capa, em letras garrafais.
O DN foi ainda mais "criativo": "Preso degola colega e põe cabeça na marca do pênalti".
Abaixo da manchete do DN, uma foto mostra o jogador Bosco do ABC chutando a bola durante um treino.
A leitura da manchete com toques esportivos ("cabeça na marca do pênalti") leva, instantaneamente, à associação com a foto.
Truque pra lá de sensacionalista. Esse tipo de jornalismo não conhece limites e faz de tudo pra atrair o leitor, usando e abusando da espetacularização da violência.
Quando era estagiário num jornal de Parnamirim, discordei do editor por ter colocado uma foto, em cores, de um homem que tinha sido castrado por uma suposta bruxa, que utilizaria o "material" pra fazer magia negra.
O povão gosta disso, porque esse tipo de notícia desperta uma curiosidade mórbida e mobiliza emoções contraditórias, mexendo com a imaginação das pessoas.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Receita de Viver
Leio muito devagar. Queria ler mais rápido, mas muitas coisas me distraem e me afastam da leitura. O resultado é um acumulado de livros inacabos.
No momento, estou lendo as "Entrevistas" de Clarice Lispector. É uma coletânea com 42 entrevistas da autora de "A hora da estrela" com personalidades da literatura, da música, das artes cênicas, das artes plásticas e dos esportes.
Em outra postagem, citei um trecho curtíssimo da entrevista com Nelson Rodrigues, quando ele diz que "a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal".
Hoje eu li a entrevista com o médico e teatrólogo Pedro Bloch.
Selecionei um trecho marcante para mim:
Clarice: Como você é de verdade?
Pedro: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer... me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo.
No momento, estou lendo as "Entrevistas" de Clarice Lispector. É uma coletânea com 42 entrevistas da autora de "A hora da estrela" com personalidades da literatura, da música, das artes cênicas, das artes plásticas e dos esportes.
Em outra postagem, citei um trecho curtíssimo da entrevista com Nelson Rodrigues, quando ele diz que "a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal".
Hoje eu li a entrevista com o médico e teatrólogo Pedro Bloch.
Selecionei um trecho marcante para mim:
Clarice: Como você é de verdade?
Pedro: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer... me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
"Agripino Maia tem um problema doutrinário com a Democracia", diz PHA
A CPI mista dos cartões corporativos vem aí.
Dos 24 integrantes da CPI, 14 são da base que apóia o Presidente Lula.
Como manda a regra, o PMDB, maior partido do Senado, vai indicar o presidente da CPI. O PT, maior partido da Câmara, vai indicar o relator.
Segundo Paulo Henrique Amorim, o senador José Agripino Maia (RN), líder dos "demos", diz que não vai se "submeter a uma farsa".
PHA diz que "o senador tem um problema doutrinário com a Democracia", que "desde Aristóteles, é o regime da Maioria."
Acrescento que Agripino tem um sério problema também com a sua consciência - ou, melhor dizendo, com a falta de consciência.
Quem não o conhece, que o compre!
Dos 24 integrantes da CPI, 14 são da base que apóia o Presidente Lula.
Como manda a regra, o PMDB, maior partido do Senado, vai indicar o presidente da CPI. O PT, maior partido da Câmara, vai indicar o relator.
Segundo Paulo Henrique Amorim, o senador José Agripino Maia (RN), líder dos "demos", diz que não vai se "submeter a uma farsa".
PHA diz que "o senador tem um problema doutrinário com a Democracia", que "desde Aristóteles, é o regime da Maioria."
Acrescento que Agripino tem um sério problema também com a sua consciência - ou, melhor dizendo, com a falta de consciência.
Quem não o conhece, que o compre!
O duelo dos blogueiros continua
Pra não dizer que não falei de flores...
Recebi reclamações que eu só dou o ponto de vsita de Luis Nassif aqui no blog e não abro espaço pro Reinaldo Azevedo.
Tenho ojeriza a Reinaldo Azevedo. Um amigo e leitor deste blog me recriminou porque escrevi que "torcia" pelo Nassif contra Azevedo.
Talvez a expressão "torcer" não tenha sido mesmo adequada. Não é um jogo de apostas. O que eu quis dizer foi que, pela informações que tenho, Nassif parece bem mais confiável e respeitável.
Digo isso baseado na postura dele, no seu equilíbrio jornalístico (não faz a crítica pela crítica), nas idéias que ele defende e na coragem que ele tem de peitar a maior revista do país.
Depois que Nassif comeceu a revelar a verdadeira história da Veja, ele vem sendo alvo de pesadas acusações e tentativas de intimidação.
A Editora Abril, o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, e o colunista do "Radar", Lauro Jardim, vão processar Luis Nassif.
Diogo Mainardi faz chantagens veladas em seu podcast no site da revista.
E Reinaldo Azevedo dispara sua metralhadora giratória verborrágica em seu blog.
Mesmo dando uma de "tô nem aí" e assim meio "sem querer querendo", Reinaldo optou pela ironia para dar uma "resposta" às acusações de Nassif contra a Veja.
Confira:
"Boa parte é provocação estúpida, mas até há alguns que falam de boa fé: “Vocês não vão responder a isso ou àquilo?”
Tudo será tratado nos foros adequados. E reitero: cada coisa a seu tempo, para que o conjunto não acabe transformando canalhas em vítimas. Vocês sabem: o vitimismo é um dos refúgios da bandidagem. “Ah, matei porque tive infância difícil”. “Ah, sou terrorista porque sou um resistente político”. “Ah, sou caloteiro porque sou muito esforçado”. “Ah, estão me processando só porque sou pequenino”. "Ah, achaquei porque quero o bem do Brasil".
Daqui a pouco, vai ter gente cobrando que a gente responda, sei lá, às críticas que Marcola faz ao sistema penal brasileiro, não é? Daqui a pouco, alguém vai dizer: “Você viu o que Fernandinho Beira-Mar disse? Não vai responder?”
Com adversarios respeitáveis, é possível haver interlocução, mesmo que dura. Bandidos têm de ser tratados como bandidos."
Esse é o estilo Reinaldo Azevedo.
Recebi reclamações que eu só dou o ponto de vsita de Luis Nassif aqui no blog e não abro espaço pro Reinaldo Azevedo.
Tenho ojeriza a Reinaldo Azevedo. Um amigo e leitor deste blog me recriminou porque escrevi que "torcia" pelo Nassif contra Azevedo.
Talvez a expressão "torcer" não tenha sido mesmo adequada. Não é um jogo de apostas. O que eu quis dizer foi que, pela informações que tenho, Nassif parece bem mais confiável e respeitável.
Digo isso baseado na postura dele, no seu equilíbrio jornalístico (não faz a crítica pela crítica), nas idéias que ele defende e na coragem que ele tem de peitar a maior revista do país.
Depois que Nassif comeceu a revelar a verdadeira história da Veja, ele vem sendo alvo de pesadas acusações e tentativas de intimidação.
A Editora Abril, o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, e o colunista do "Radar", Lauro Jardim, vão processar Luis Nassif.
Diogo Mainardi faz chantagens veladas em seu podcast no site da revista.
E Reinaldo Azevedo dispara sua metralhadora giratória verborrágica em seu blog.
Mesmo dando uma de "tô nem aí" e assim meio "sem querer querendo", Reinaldo optou pela ironia para dar uma "resposta" às acusações de Nassif contra a Veja.
Confira:
"Boa parte é provocação estúpida, mas até há alguns que falam de boa fé: “Vocês não vão responder a isso ou àquilo?”
Tudo será tratado nos foros adequados. E reitero: cada coisa a seu tempo, para que o conjunto não acabe transformando canalhas em vítimas. Vocês sabem: o vitimismo é um dos refúgios da bandidagem. “Ah, matei porque tive infância difícil”. “Ah, sou terrorista porque sou um resistente político”. “Ah, sou caloteiro porque sou muito esforçado”. “Ah, estão me processando só porque sou pequenino”. "Ah, achaquei porque quero o bem do Brasil".
Daqui a pouco, vai ter gente cobrando que a gente responda, sei lá, às críticas que Marcola faz ao sistema penal brasileiro, não é? Daqui a pouco, alguém vai dizer: “Você viu o que Fernandinho Beira-Mar disse? Não vai responder?”
Com adversarios respeitáveis, é possível haver interlocução, mesmo que dura. Bandidos têm de ser tratados como bandidos."
Esse é o estilo Reinaldo Azevedo.
Veja chama presidente do PT de "aloprado"
"Aloprados" foi como o presidente Lula se referiu às pessoas envolvidas com a suposta compra de um dossiê com acusões contra tucanos paulistas, nas eleições de 2006.
Na época, a mídia caiu em cima do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), acusando-o de ser o comandante da operação de compra do dossiê.
Berzoini afastou-se da presidência do partido. Retornou após as investigações revelarem que ele nada teve a ver com o imbrólio.
Mas para a Veja, Berzoini continua sendo um dos "aloprados" de Lula.
Na edição que chegou hoje às bancas, a revista entrevistou o deputado petista José Eduardo Cardoso (SP), que vai assumir a secretaria-geral do partido.
O deputado foi candidato à presidência do PT e defendeu a refundação do partido. Para isso, defendeu uma faxina geral no partido, com a expulsão dos corruptos e o fim das práticas de corrupção.
Veja perguntou ao deputado se não era uma contradição ele assumir a secretaria-geral "do partido presidido por um aloprado (Ricardo Berzoini) e com influência de mensaleiros."
O deputado tinha a obrigação de defender Berzoini, mas não o fez. Disse apenas que não havia nenhuma contradição, pois a executiva do partido é formada proporcionalmente por todas as correntes. Em suma, concordou com a Veja e chamou Berzoini, inocentado no inquérito policial, de "aloprado".
José Eduardo Cardoso, que mantém estranhas ligações com o banqueiro Daniel Dantas, queridinho da Veja, deu mais munição aos inimigos do governo e disse que o "mensalão" existiu de verdade - apesar de dizer também que a palavra "mensalão pode ter vários sentidos".
"Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou esses atos e aprender com os erros."
É, com um secretário desse, que partido precisa de inimigo?!
Na época, a mídia caiu em cima do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), acusando-o de ser o comandante da operação de compra do dossiê.
Berzoini afastou-se da presidência do partido. Retornou após as investigações revelarem que ele nada teve a ver com o imbrólio.
Mas para a Veja, Berzoini continua sendo um dos "aloprados" de Lula.
Na edição que chegou hoje às bancas, a revista entrevistou o deputado petista José Eduardo Cardoso (SP), que vai assumir a secretaria-geral do partido.
O deputado foi candidato à presidência do PT e defendeu a refundação do partido. Para isso, defendeu uma faxina geral no partido, com a expulsão dos corruptos e o fim das práticas de corrupção.
Veja perguntou ao deputado se não era uma contradição ele assumir a secretaria-geral "do partido presidido por um aloprado (Ricardo Berzoini) e com influência de mensaleiros."
O deputado tinha a obrigação de defender Berzoini, mas não o fez. Disse apenas que não havia nenhuma contradição, pois a executiva do partido é formada proporcionalmente por todas as correntes. Em suma, concordou com a Veja e chamou Berzoini, inocentado no inquérito policial, de "aloprado".
José Eduardo Cardoso, que mantém estranhas ligações com o banqueiro Daniel Dantas, queridinho da Veja, deu mais munição aos inimigos do governo e disse que o "mensalão" existiu de verdade - apesar de dizer também que a palavra "mensalão pode ter vários sentidos".
"Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou esses atos e aprender com os erros."
É, com um secretário desse, que partido precisa de inimigo?!
FHC, pasmem, prega o "fim da roubalheira"
A notícia é do Estadão. O ex-presidente FHC esteve ontem num evento dos vereadores do PSDB em São Paulo e disse quais devem ser os temas para a campanha municipal deste ano.
FHC, logo ele, defendeu "o fim da roubalheira" como slogan para estas eleições.
É ou não é um grandissíssimo hipócrita?!
FHC, que hoje posa de baluarte da ética e da moral, é o mesmo que, quando presidente, comprou deputados e senadores para aprovar a emenda da reeleição.
Lamentável que alguém ainda leve esse senhor a sério.
FHC, logo ele, defendeu "o fim da roubalheira" como slogan para estas eleições.
É ou não é um grandissíssimo hipócrita?!
FHC, que hoje posa de baluarte da ética e da moral, é o mesmo que, quando presidente, comprou deputados e senadores para aprovar a emenda da reeleição.
Lamentável que alguém ainda leve esse senhor a sério.
As sete pragas de Natal
O jornalista Ailton Medeiros está fazendo uma eleição para escolher as sete pragas de Natal, em seu blog.
Até agora, a violência lidera com 67% dos votos.
Em segundo lugar aparace o trânsito da capital, com 56% dos votos.
A terceira coloção é ocupada pelo ABC, que ficou com 51% dos votos - todos de raivosos americanos.
Os Mais (49%) e os Alves (48%) também aparecem bem cotados.
Tem de tudo na enquete: os buracos da Caern, o transporte público, as putas de Ponta Negra, os camelôs, o carnatal, o América, os colunistas sociais, a UnP, a derrubada de árvores e até os Cavaleiros do Forró.
É só entrar lá e escolher as suas sete pragas.
Até agora, a violência lidera com 67% dos votos.
Em segundo lugar aparace o trânsito da capital, com 56% dos votos.
A terceira coloção é ocupada pelo ABC, que ficou com 51% dos votos - todos de raivosos americanos.
Os Mais (49%) e os Alves (48%) também aparecem bem cotados.
Tem de tudo na enquete: os buracos da Caern, o transporte público, as putas de Ponta Negra, os camelôs, o carnatal, o América, os colunistas sociais, a UnP, a derrubada de árvores e até os Cavaleiros do Forró.
É só entrar lá e escolher as suas sete pragas.
São Francisco
Depois de Ciro Gomes, foi a vez do ministro Gedel Vieira Lima dar um 'chega pra lá' em artistas
Alguns artistas globais (que nunca souberam o que é ter que conviver com a seca) se aliaram ao bispo d. Luiz Cappio (que nunca soube o que é passar fome de verdade, mas fez duas greves para não comer) contra o projeto do governo federal de transposição das águas do Rio São Francisco, que vai levar água para 12 milhões de pessoas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Na quinta-feira passada (dia 14), houve uma sessão especial no Senado para discutir o projeto da transposição do Rio São Francisco. Na audiência, estavam a atriz Letícia Sabatela e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza, além do bispo d. Luiz Cappio.
Houve bate-boca entre Letícia e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro da Integração Nacional e ferrenho defensor da transposição. A atriz desafiou o deputado e ouviu como resposta um baita de um 'chega pra lá'.
"Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não", disse Ciro Gomes.
Em resposta ao bispo, que também discursou contra a transposição, Ciro Gomes disse que ele queria ser “intérprete superior do valor moral”.
“Eu não estou movido por interesses subalternos. Eu estou, equivocadamente ou não, movido pelo mais superior interesse público. Eu não falo por Deus, falo pelo mundanismo dos pecadores como eu sou um deles”, falou um inspirado Ciro Gomes.
Ontem, foi a vez do atual ministro Gedel Vieira Lima dar o seu 'chega pra lá' na turma de globais e no bispo.
O ministro disse a Folha Online que o movimento de artistas contrários à transposição do Rio São Francisco não existe.
"Aqueles dois que estavam lá na audiência ontem? Eu nem vi", desdenhou o ministro.
O ministro se referia aos globais presentes na audiência de quinta-feira. Gedel Vieira Lima disse à Folha Online que Ciro Gomes discursou "com brilhantismo" ao responder à atriz Letícia Sabatela e ao bispo d. Luiz Cappio na audiência.
O ministro está me surpreendendo. Escrevi aqui antes que não acreditava que ele levaria a obra da transposição pra frente, porque, como se sabe, o ministro era contrário ao projeto no passado.
É, portanto, um "cristão novo" em matéria de apoio à transposição do Rio São Francisco. Feliz conversão.
Alguns artistas globais (que nunca souberam o que é ter que conviver com a seca) se aliaram ao bispo d. Luiz Cappio (que nunca soube o que é passar fome de verdade, mas fez duas greves para não comer) contra o projeto do governo federal de transposição das águas do Rio São Francisco, que vai levar água para 12 milhões de pessoas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Na quinta-feira passada (dia 14), houve uma sessão especial no Senado para discutir o projeto da transposição do Rio São Francisco. Na audiência, estavam a atriz Letícia Sabatela e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza, além do bispo d. Luiz Cappio.
Houve bate-boca entre Letícia e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro da Integração Nacional e ferrenho defensor da transposição. A atriz desafiou o deputado e ouviu como resposta um baita de um 'chega pra lá'.
"Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não", disse Ciro Gomes.
Em resposta ao bispo, que também discursou contra a transposição, Ciro Gomes disse que ele queria ser “intérprete superior do valor moral”.
“Eu não estou movido por interesses subalternos. Eu estou, equivocadamente ou não, movido pelo mais superior interesse público. Eu não falo por Deus, falo pelo mundanismo dos pecadores como eu sou um deles”, falou um inspirado Ciro Gomes.
Ontem, foi a vez do atual ministro Gedel Vieira Lima dar o seu 'chega pra lá' na turma de globais e no bispo.
O ministro disse a Folha Online que o movimento de artistas contrários à transposição do Rio São Francisco não existe.
"Aqueles dois que estavam lá na audiência ontem? Eu nem vi", desdenhou o ministro.
O ministro se referia aos globais presentes na audiência de quinta-feira. Gedel Vieira Lima disse à Folha Online que Ciro Gomes discursou "com brilhantismo" ao responder à atriz Letícia Sabatela e ao bispo d. Luiz Cappio na audiência.
O ministro está me surpreendendo. Escrevi aqui antes que não acreditava que ele levaria a obra da transposição pra frente, porque, como se sabe, o ministro era contrário ao projeto no passado.
É, portanto, um "cristão novo" em matéria de apoio à transposição do Rio São Francisco. Feliz conversão.
Editora Abril vai processar Luis Nassif
A informação é do "Comunique-se". A Editora Abril vai entrar com um processo contra o jornalista Luis Nassif por danos morais.
Nassif é o autor da série "Dossiê Veja", publicada em seu blog no IG, onde ele conta as relações pra lá de perigosas da revista com o mundo comercial.
Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, dois integrantes do "Quarteto da Veja", já entraram com ações indenizatórias contra Luís Nassif.
Eurípedes é diretor de redação da revista e Lauro é colunista do "Radar".
Segundo o Comunique-se, a Veja não vai se manifestar publicamente sobre a série de matérias de Luis Nassif.
Nassif declarou ao Comunique-se que o silêncio da Veja é para não "jogar um farol" em cimas das denúncias.
Para Nassif, a falta de uma resposta corresponde à assinatura de um "termo de culpa".
Nassif é o autor da série "Dossiê Veja", publicada em seu blog no IG, onde ele conta as relações pra lá de perigosas da revista com o mundo comercial.
Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, dois integrantes do "Quarteto da Veja", já entraram com ações indenizatórias contra Luís Nassif.
Eurípedes é diretor de redação da revista e Lauro é colunista do "Radar".
Segundo o Comunique-se, a Veja não vai se manifestar publicamente sobre a série de matérias de Luis Nassif.
Nassif declarou ao Comunique-se que o silêncio da Veja é para não "jogar um farol" em cimas das denúncias.
Para Nassif, a falta de uma resposta corresponde à assinatura de um "termo de culpa".
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Deu na "The Economist"
Bolsa Família ganha o mundo
A revista inglesa The Economist publicou uma pesquisa do professor de economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho, sobre o impacto do Bolsa Família no Estado. O estudo do professor mostra que o Bolsa Família injeta quatro vezes mais dinheiro na economia de Alagoas do que a principal atividade agrícola do Estado, que é a cana-de-açúcar.
Confira a íntegra do artigo:
"FALE em globalização e as pessoas pensam em produtos cruzando o mundo do leste ao oeste enquanto dólares fazem o caminho inverso. Ainda assim, a globalização funciona com idéias também. Observe-se o programa de combate à pobreza BOLSA FAMÍLIA do Brasil, o maior em todo mundo nesta categoria. Conhecido no jargão de desenvolvimento como programa de “transferência de renda por condicionalidade”, ele foi moldado (em parte) sobre um programa similar do México. Após ser testado em larga escala em diversos países da América Latina, uma versão melhorada foi recentemente implementada em Nova York na tentativa de ampliar as oportunidades para crianças oriundas de famílias pobres. Membros do Governo Federal brasileiro estiveram no Cairo esta semana para ajudar o Governo Egípcio montar um programa similar. “Governos de todo o mundo estão observando este programa”, diz Kathy Lindert do escritório do World´s Bank em Brasília, que deve iniciar programas parecidos na Europa do Leste.
O Bolsa Família atua da seguinte maneira: nas famílias que recebem menos de 120 reais ($68) por pessoa ao mês, as mães recebem um benefício de até 95 reais com a contrapartida de que seus filhos freqüentem a escola e participem dos programas de vacinação do governo. Aos municípios cabe a compilação das informações de compatibilidade e atendimento às condicionalidades, mas os pagamentos são mantidos pelo Governo Federal Cada beneficiário recebe um cartão de débito para os pagamentos mensais, contanto que as condicionalidades sejam cumpridas; do contrário (após avisos) o pagamento é suspenso. Estima-se que 11 milhões de famílias recebam o benefício, o que equivale a um quarto da população brasileira.
No Estado nordestino de Alagoas, um dos mais pobres do Brasil, mais da metade das famílias integram o Bolsa Família. Das demais, a maioria recebe pensão do Estado. “É como a Suécia ensolarada”, diz Ícero Péricles de Carvalhos, um economista da Universidade Federal de Alagoas. Até certo ponto. Por volta de 70% da população de Alagoas é analfabeta ou sequer concluiu o ensino primário. A expectativa de vida é de 66 anos, seis abaixo da média brasileira. “Em termos de desenvolvimento”, diz Sérgio Moreira, o secretário de planejamento alagoano, “Alagoas está mais próximo de Moçambique do que partes do Brasil”. A compra de votos é ampla: vendeu-se votos na última eleição para Governador por 50 reais (em média). “Pessoas chegam até nós reclamando que venderam seus votos para um político e que ele não as pagou ainda”, diz Antônio Sapucaia, o presidente do Tribunal Eleitoral de Alagoas.
Enquanto garante ajuda imediata aos pobres, o Bolsa Família almeja um objetivo de longo prazo para encerrar esta cultura de dependência em garantir que as crianças recebam uma educação melhor que os seus pais. E já há alguns sinais encorajadores. A freqüência escolar aumentou em Alagoas, bem como em todo país, graças ao Bolsa Família e a um programa anterior chamado Bolsa Escola.
O programa também ajudou a pobre região nordeste a superar a média nacional de crescimento econômico. Isso auxiliou na redução da desigualdade de renda no Brasil. Ainda que apenas 30% da força de trabalho de Alagoas de 1,3 milhão de pessoas possua um emprego formal, mais de 1,5 milhão tinham celular no ano passado. “Os pobres estão vivenciado o crescimento chinês”, diz Aloizio Mercadante, senador por São Paulo, repetindo o orgulhoso discurso do Partido dos Trabalhadores que governa o país.
Procure com atenção e é possível também encontrar negócios disseminados por esta ampliação do consumo entre os pobres. Pedro dos Santos e sua esposa Dayse montaram uma fábrica de sabonete com 20 reais na sua casa em uma favela de Maceió, capital de Alagoas. Com a ajuda de micro-crédito eles aumentaram a produção diária para 2 mil barras de sabão em pedaços cor de mostarda. Ali perto, outro beneficiário de micro-crédito abriu uma loja de bebidas, lanches e doces. Na parede da loja uma lembrança que a política do Estado custará a mudar: um pôster de campanha eleitoral com o slogan “Collor: o Senador do povo”. Fernando Collor foi obrigado a renunciar como presidente do Brasil em 1992 após seu chefe de campanha comandar um esquema ilícito de tráfico de influência. Em seu Estado, porém, a carreira política do sr. Collor é próspera.
Apesar do sucesso imediato do Bolsa Família, três preocupações continuam. A primeira diz respeito à fraude. Como o dinheiro é pago diretamente ao cartão do beneficiário, há pouco controle esta saída de dinheiro. A questão é se os governos locais estão ou não apurando informações corretas e fiscalizando o cumprimento das condicionalidades. Em torno de 15% dos conselhos municipais afirmam de maneira improvável que 100% das crianças estão na escola 100% do tempo. Apesar disso, a maior parte do dinheiro vai para as pessoas certas: 70% vai para os 20% mais pobres, afirma o World Bank.
Segundo, algumas pessoas receiam que o Bolsa Família manter-se-á como um aspecto da sociedade brasileira, e não um implemento temporário para ampliar oportunidades. Se isso acontecerá ou não dependerá em grande parte de as escolas públicas brasileiras se desenvolverão de forma rápida para garantir ensino de qualidade. Desde o começo do programa em larga escala (2003) é ainda cedo para afirmar.
Terceiro, o Bolsa Família é associado com a compra de votos. Isso é injusto. O nome de Luiz Inácio Lula da Silva é fortemente associado ao programa – mesmo entre algumas pessoas de Alagoas que sequer sabem que ele é o presidente. Mas a gratidão deles não se estende ao PT. Há sinais que prefeitos que gerenciam bem o programa são agraciados nas eleições, o que não vale para aqueles que não administram bem o Bolsa Família. Por um relativamente modesto esforço (0,8% do GDP), o Brasil recebe um bom retorno. Se ao menos o mesmo pudesse ser dito de tudo mais com que o governo gasta."
A revista inglesa The Economist publicou uma pesquisa do professor de economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho, sobre o impacto do Bolsa Família no Estado. O estudo do professor mostra que o Bolsa Família injeta quatro vezes mais dinheiro na economia de Alagoas do que a principal atividade agrícola do Estado, que é a cana-de-açúcar.
Confira a íntegra do artigo:
"FALE em globalização e as pessoas pensam em produtos cruzando o mundo do leste ao oeste enquanto dólares fazem o caminho inverso. Ainda assim, a globalização funciona com idéias também. Observe-se o programa de combate à pobreza BOLSA FAMÍLIA do Brasil, o maior em todo mundo nesta categoria. Conhecido no jargão de desenvolvimento como programa de “transferência de renda por condicionalidade”, ele foi moldado (em parte) sobre um programa similar do México. Após ser testado em larga escala em diversos países da América Latina, uma versão melhorada foi recentemente implementada em Nova York na tentativa de ampliar as oportunidades para crianças oriundas de famílias pobres. Membros do Governo Federal brasileiro estiveram no Cairo esta semana para ajudar o Governo Egípcio montar um programa similar. “Governos de todo o mundo estão observando este programa”, diz Kathy Lindert do escritório do World´s Bank em Brasília, que deve iniciar programas parecidos na Europa do Leste.
O Bolsa Família atua da seguinte maneira: nas famílias que recebem menos de 120 reais ($68) por pessoa ao mês, as mães recebem um benefício de até 95 reais com a contrapartida de que seus filhos freqüentem a escola e participem dos programas de vacinação do governo. Aos municípios cabe a compilação das informações de compatibilidade e atendimento às condicionalidades, mas os pagamentos são mantidos pelo Governo Federal Cada beneficiário recebe um cartão de débito para os pagamentos mensais, contanto que as condicionalidades sejam cumpridas; do contrário (após avisos) o pagamento é suspenso. Estima-se que 11 milhões de famílias recebam o benefício, o que equivale a um quarto da população brasileira.
No Estado nordestino de Alagoas, um dos mais pobres do Brasil, mais da metade das famílias integram o Bolsa Família. Das demais, a maioria recebe pensão do Estado. “É como a Suécia ensolarada”, diz Ícero Péricles de Carvalhos, um economista da Universidade Federal de Alagoas. Até certo ponto. Por volta de 70% da população de Alagoas é analfabeta ou sequer concluiu o ensino primário. A expectativa de vida é de 66 anos, seis abaixo da média brasileira. “Em termos de desenvolvimento”, diz Sérgio Moreira, o secretário de planejamento alagoano, “Alagoas está mais próximo de Moçambique do que partes do Brasil”. A compra de votos é ampla: vendeu-se votos na última eleição para Governador por 50 reais (em média). “Pessoas chegam até nós reclamando que venderam seus votos para um político e que ele não as pagou ainda”, diz Antônio Sapucaia, o presidente do Tribunal Eleitoral de Alagoas.
Enquanto garante ajuda imediata aos pobres, o Bolsa Família almeja um objetivo de longo prazo para encerrar esta cultura de dependência em garantir que as crianças recebam uma educação melhor que os seus pais. E já há alguns sinais encorajadores. A freqüência escolar aumentou em Alagoas, bem como em todo país, graças ao Bolsa Família e a um programa anterior chamado Bolsa Escola.
O programa também ajudou a pobre região nordeste a superar a média nacional de crescimento econômico. Isso auxiliou na redução da desigualdade de renda no Brasil. Ainda que apenas 30% da força de trabalho de Alagoas de 1,3 milhão de pessoas possua um emprego formal, mais de 1,5 milhão tinham celular no ano passado. “Os pobres estão vivenciado o crescimento chinês”, diz Aloizio Mercadante, senador por São Paulo, repetindo o orgulhoso discurso do Partido dos Trabalhadores que governa o país.
Procure com atenção e é possível também encontrar negócios disseminados por esta ampliação do consumo entre os pobres. Pedro dos Santos e sua esposa Dayse montaram uma fábrica de sabonete com 20 reais na sua casa em uma favela de Maceió, capital de Alagoas. Com a ajuda de micro-crédito eles aumentaram a produção diária para 2 mil barras de sabão em pedaços cor de mostarda. Ali perto, outro beneficiário de micro-crédito abriu uma loja de bebidas, lanches e doces. Na parede da loja uma lembrança que a política do Estado custará a mudar: um pôster de campanha eleitoral com o slogan “Collor: o Senador do povo”. Fernando Collor foi obrigado a renunciar como presidente do Brasil em 1992 após seu chefe de campanha comandar um esquema ilícito de tráfico de influência. Em seu Estado, porém, a carreira política do sr. Collor é próspera.
Apesar do sucesso imediato do Bolsa Família, três preocupações continuam. A primeira diz respeito à fraude. Como o dinheiro é pago diretamente ao cartão do beneficiário, há pouco controle esta saída de dinheiro. A questão é se os governos locais estão ou não apurando informações corretas e fiscalizando o cumprimento das condicionalidades. Em torno de 15% dos conselhos municipais afirmam de maneira improvável que 100% das crianças estão na escola 100% do tempo. Apesar disso, a maior parte do dinheiro vai para as pessoas certas: 70% vai para os 20% mais pobres, afirma o World Bank.
Segundo, algumas pessoas receiam que o Bolsa Família manter-se-á como um aspecto da sociedade brasileira, e não um implemento temporário para ampliar oportunidades. Se isso acontecerá ou não dependerá em grande parte de as escolas públicas brasileiras se desenvolverão de forma rápida para garantir ensino de qualidade. Desde o começo do programa em larga escala (2003) é ainda cedo para afirmar.
Terceiro, o Bolsa Família é associado com a compra de votos. Isso é injusto. O nome de Luiz Inácio Lula da Silva é fortemente associado ao programa – mesmo entre algumas pessoas de Alagoas que sequer sabem que ele é o presidente. Mas a gratidão deles não se estende ao PT. Há sinais que prefeitos que gerenciam bem o programa são agraciados nas eleições, o que não vale para aqueles que não administram bem o Bolsa Família. Por um relativamente modesto esforço (0,8% do GDP), o Brasil recebe um bom retorno. Se ao menos o mesmo pudesse ser dito de tudo mais com que o governo gasta."
César Maia
As lições das pesquisas eleitorais
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), que adora analisar pesquisas de opinião pública, escreve sobre a utilidade das pesquisas eleitorais em seu ex-blog.
Maia diz que "pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante", mas, acrescenta ele, "não é pesquisa eleitoral".
O prefeito também diz que sair na frente nas pesquisas não é garantia de vitória.
É bom prestar atenção nisso. Por aqui, costuma-se encarar pesquisa como resultado certo. A experiência mostra que não é bem assim.
Confira as "lições" de Maia sobre as pesquisas:
1. Entrem nos sites dos jornais -daqui e de alhures- de uns 9 meses atrás, e leiam o que diziam as pesquisas nos Estados Unidos. Hilary Clinton franca favorita entre os democratas. Romney, franco favorito entre os republicanos seguido de Giuliani. E leiam as mesmas pesquisas hoje nestes mesmos jornais.
2. Moral da historia: pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante. Ajuda a se entender melhor o ambiente político. Mas -garantidamente- não é pesquisa eleitoral. Eleição depende da PERFORMANCE das candidaturas. A pesquisa de meses antes informa de onde se parte. Mas nada garante sobre onde se chega. Nem sempre estar na primeira linha no grid de largada ajuda. Às vezes atrapalha.
3. Ghelen -diretor do BND -agência de informações- de Adenauer na Alemanha do final dos anos 50 e inicio dos 60 -dizia- coisas interessantes: a) não se pode ganhar uma guerra só com slogans; b) nunca beba na taça envenenada da contra-informação, pois é veneno letal; c) não desista nunca; d) uma infinidade de minúsculos detalhes podem -bem analisados- produzir inestimáveis informações; e) toda organização sólida deve ter uma corrente inquebrantável de... elos invisíveis; f) em vez de querer punir os derrotados, olhe para frente; g) uma vez traidor, sempre traidor; h) a discrição desconcerta o adversário; i) lembre o lema do serviço secreto britânico: -toda noticia é má noticia, mesmo que seja sobre nós; i) vai mal o líder que só quer ouvir boas noticias; j) nem sempre se atinge o adversário diretamente;procure saber o que faz a cabeça dele, e faça a cabeça de quem faz a cabeça dele: é muito mais eficiente. (Assim foi com o uso do Der Spiegel contra Strauss -ministro da defesa). ( Editora Bibliex).
O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), que adora analisar pesquisas de opinião pública, escreve sobre a utilidade das pesquisas eleitorais em seu ex-blog.
Maia diz que "pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante", mas, acrescenta ele, "não é pesquisa eleitoral".
O prefeito também diz que sair na frente nas pesquisas não é garantia de vitória.
É bom prestar atenção nisso. Por aqui, costuma-se encarar pesquisa como resultado certo. A experiência mostra que não é bem assim.
Confira as "lições" de Maia sobre as pesquisas:
1. Entrem nos sites dos jornais -daqui e de alhures- de uns 9 meses atrás, e leiam o que diziam as pesquisas nos Estados Unidos. Hilary Clinton franca favorita entre os democratas. Romney, franco favorito entre os republicanos seguido de Giuliani. E leiam as mesmas pesquisas hoje nestes mesmos jornais.
2. Moral da historia: pesquisa muito antes da eleição é um sinal político importante. Ajuda a se entender melhor o ambiente político. Mas -garantidamente- não é pesquisa eleitoral. Eleição depende da PERFORMANCE das candidaturas. A pesquisa de meses antes informa de onde se parte. Mas nada garante sobre onde se chega. Nem sempre estar na primeira linha no grid de largada ajuda. Às vezes atrapalha.
3. Ghelen -diretor do BND -agência de informações- de Adenauer na Alemanha do final dos anos 50 e inicio dos 60 -dizia- coisas interessantes: a) não se pode ganhar uma guerra só com slogans; b) nunca beba na taça envenenada da contra-informação, pois é veneno letal; c) não desista nunca; d) uma infinidade de minúsculos detalhes podem -bem analisados- produzir inestimáveis informações; e) toda organização sólida deve ter uma corrente inquebrantável de... elos invisíveis; f) em vez de querer punir os derrotados, olhe para frente; g) uma vez traidor, sempre traidor; h) a discrição desconcerta o adversário; i) lembre o lema do serviço secreto britânico: -toda noticia é má noticia, mesmo que seja sobre nós; i) vai mal o líder que só quer ouvir boas noticias; j) nem sempre se atinge o adversário diretamente;procure saber o que faz a cabeça dele, e faça a cabeça de quem faz a cabeça dele: é muito mais eficiente. (Assim foi com o uso do Der Spiegel contra Strauss -ministro da defesa). ( Editora Bibliex).
Mais do mesmo
A obsessão pelos cartões corporativos continua.
Eu disse no post abaixo que a mídia, sedenta por produzir crises artificiais, trata todos os gastos com os tais cartões como suspeitos.
Todo dia tem um caso novo estampando as manchetes dos jornais, como se fosse mais um capítulo desta trama novelesca de escândalos fabricados sob encomenda.
A Folha de hoje traz uma reportagem sobre membros do PT que usam o cartão corporativo do governo federal.
Ocorre que estes membros do partido também ocupam cargos de confiança no governo.
Como a própria Folha admite, não há ilegalidade nenhuma na situação.
Então, qual a razão da "denúncia"?
Não há critério jornalístico que justifique a reportagem. O único objetivo é fazer o ataque gratuito ao PT.
"A dupla função é conseqüência do loteamento da administração federal", diz o jornal.
A Folha não quer que o PT tenha cargos de confiança no governo do PT.
É fantástico.
Eu disse no post abaixo que a mídia, sedenta por produzir crises artificiais, trata todos os gastos com os tais cartões como suspeitos.
Todo dia tem um caso novo estampando as manchetes dos jornais, como se fosse mais um capítulo desta trama novelesca de escândalos fabricados sob encomenda.
A Folha de hoje traz uma reportagem sobre membros do PT que usam o cartão corporativo do governo federal.
Ocorre que estes membros do partido também ocupam cargos de confiança no governo.
Como a própria Folha admite, não há ilegalidade nenhuma na situação.
Então, qual a razão da "denúncia"?
Não há critério jornalístico que justifique a reportagem. O único objetivo é fazer o ataque gratuito ao PT.
"A dupla função é conseqüência do loteamento da administração federal", diz o jornal.
A Folha não quer que o PT tenha cargos de confiança no governo do PT.
É fantástico.
Ainda sobre os cartões
Eu tinha prometido pra mim mesmo não tocar mais neste assunto dos cartões de pagamento. A mídia elegeu o assunto como a bola da vez e, pelo visto, não vai largar o osso tão fácil.
Comentei lá atrás que o próprio governo deixou as coisas desandarem. O próprio presidente deveria ter falado à nação e explicado o que são e para que servem os cartões corporativos.
Deveria ter dito também que no governo passado os gastos eram maiores - o que, obviamente, não isenta de responsabilidade aqueles que usaram o cartão indevidamente agora. Mas serviria para efeito de comparação.
O presidente deveria ter dito ainda que o governo iria investigar e afastar qualquer servidor público que possa ter feito mau uso do cartão corporativo.
Já disse que não se deve relativizar a ética. Errou, tem que ser punido. A demissão da ministra Matilde Ribeiro foi acertada, porque ela própria reconheceu que fez besteira.
Mas a manipulação que a mídia faz em cima dessa história dos cartões é das mais inescrupulosas.
Agora todo gasto com cartão corporativo virou suspeito. Todo santo dia o assunto está nas manchetes dos jornais.
O jornalista Luciano Martins Costa se referiu ao caso como o "impasse da imprensa" no site do Observatório da Imprensa.
Para ele, vivemos o tempo do "jornalismo declaratório", no qual a imprensa vive de "repetir discursos e declarações de políticos".
Nestes dias, só se fala na CPI, que ainda nem começou a funcionar, para investigar o uso desses cartões corporativos.
Estão mirando cada vez mais no próprio presidente Lula. "Demos" e tucanos querem que as contas secretas da Presidência da República tornem-se públicas.
Nos tempos de FHC, ninguém falava nisso. Mas é assim mesmo, como diz o ditado: aos amigos, tudo; aos inimigos, a justiça.
Comentei lá atrás que o próprio governo deixou as coisas desandarem. O próprio presidente deveria ter falado à nação e explicado o que são e para que servem os cartões corporativos.
Deveria ter dito também que no governo passado os gastos eram maiores - o que, obviamente, não isenta de responsabilidade aqueles que usaram o cartão indevidamente agora. Mas serviria para efeito de comparação.
O presidente deveria ter dito ainda que o governo iria investigar e afastar qualquer servidor público que possa ter feito mau uso do cartão corporativo.
Já disse que não se deve relativizar a ética. Errou, tem que ser punido. A demissão da ministra Matilde Ribeiro foi acertada, porque ela própria reconheceu que fez besteira.
Mas a manipulação que a mídia faz em cima dessa história dos cartões é das mais inescrupulosas.
Agora todo gasto com cartão corporativo virou suspeito. Todo santo dia o assunto está nas manchetes dos jornais.
O jornalista Luciano Martins Costa se referiu ao caso como o "impasse da imprensa" no site do Observatório da Imprensa.
Para ele, vivemos o tempo do "jornalismo declaratório", no qual a imprensa vive de "repetir discursos e declarações de políticos".
Nestes dias, só se fala na CPI, que ainda nem começou a funcionar, para investigar o uso desses cartões corporativos.
Estão mirando cada vez mais no próprio presidente Lula. "Demos" e tucanos querem que as contas secretas da Presidência da República tornem-se públicas.
Nos tempos de FHC, ninguém falava nisso. Mas é assim mesmo, como diz o ditado: aos amigos, tudo; aos inimigos, a justiça.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Dois integrantes do "Quarteto da Veja" ameaçam processar Nassif
O "Dossiê Veja", que Luis Nassif vem publicando em capítulos no seu blog, está deixando a turma da revista nervosa.
A Editora Abril divulgou uma carta na semana passada negando as acusações de Nassif contra a Veja.
Li no Blog do Rovai que dois integrantes do "Quarteto da Veja", Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, decidiram processar Luis Nassif.
Estranhamente, eles não pediram direito de resposta ao Nassif.
Rovai também diz que a Veja informou que não vai processar Nassif. Mas os dois funcionários da revista vão aos tribunais.
Para Rovai, trata-se de uma estratégia da revista, que vai usar seus jornalistas como laranjas.
Enquanto isso, Reinaldo Azevedo faz ameaças veladas ao Nassif em seu blog:
"Ah, sim! Sobre o meu silêncio no que diz respeito a determinado assunto, encarem como o prenúncio das tempestades. Ou, então, quando o mar recua – não este que vejo plácido lá fora, com as ardentias acesas, como em Castro Alves – para mandar o tsunami."
Essa história vai longe... eu fico aqui de longe, só vendo a água passar por debaixo da ponte...
A Editora Abril divulgou uma carta na semana passada negando as acusações de Nassif contra a Veja.
Li no Blog do Rovai que dois integrantes do "Quarteto da Veja", Eurípedes Alcântara e Lauro Jardim, decidiram processar Luis Nassif.
Estranhamente, eles não pediram direito de resposta ao Nassif.
Rovai também diz que a Veja informou que não vai processar Nassif. Mas os dois funcionários da revista vão aos tribunais.
Para Rovai, trata-se de uma estratégia da revista, que vai usar seus jornalistas como laranjas.
Enquanto isso, Reinaldo Azevedo faz ameaças veladas ao Nassif em seu blog:
"Ah, sim! Sobre o meu silêncio no que diz respeito a determinado assunto, encarem como o prenúncio das tempestades. Ou, então, quando o mar recua – não este que vejo plácido lá fora, com as ardentias acesas, como em Castro Alves – para mandar o tsunami."
Essa história vai longe... eu fico aqui de longe, só vendo a água passar por debaixo da ponte...
Obama é o melhor para o Brasil
Pelo menos é isso que acha a maioria dos internautas que votaram até agora na enquete do site da revista Carta Capital.
A pergunta é: "Qual dos principais candidatos a ocupar a Casa Branca seria o melhor presidente para os interesses brasileiros?"
Barack Obama lidera com 68%, seguido de Hillary Clinton com 18% e o republicano John McCain com 12%.
É a tal da "Obamania".
A pergunta é: "Qual dos principais candidatos a ocupar a Casa Branca seria o melhor presidente para os interesses brasileiros?"
Barack Obama lidera com 68%, seguido de Hillary Clinton com 18% e o republicano John McCain com 12%.
É a tal da "Obamania".
Veja e a história do falso dossiê contra Lula
O novo capítulo do "Dossiê Veja", escrito por Luis Nassif, contando a verdadeira história da revista, está imperdível.
Nassif conta a história do falso dossiê de Daniel Dantas sobre supostas contas no exterior de "gente grande" do governo, inclusive do próprio presidente Lula.
Daniel Dantas entregou o falso dossiê ao diretor da revista Eurípedes Alcântara. O documento também foi entregue a Diogo Mainardi.
O repórter Márcio Aith investigou e descobriu que o dossiê era falso. Mesmo assim, a revista publicou a falsificação de Daniel Dantas como se fosse uma denúncia sólida.
Veja chegou a prever que o governo Lula estava "a caminho da desintegração".
Confira trechos do capítulo:
"Há um princípio básico de jornalismo: quando está configurado que a fonte tentou enganar o jornalista, é obrigação do jornalista denunciá-la. Eurípedes resistiu a divulgar o nome de Dantas. Houve discussão interna. Não havia como fugir do levantamento de Aith mas, por outro lado, Eurípedes queria defender o aliado.
Aith cedeu. De um lado, admitia-se que a fonte era Dantas. Mas foram tais e tantas as tentativas de salvar a cara do banqueiro, que a matéria transformou-se em um pterodáctilo, um bicho disforme e mal acabado.
O "prego sobre vinil" era claro.
Aith cometeu o erro de sua vida, concordando em assinar a matéria. Ganhou um boxe especial, cheio de elogios, e a primeira mancha grave na sua até então impecável folha de serviços jornalísticos. Veja não se limitava a apenas a “assassinatos de reputação” de terceiros, mas a destruir a reputação dos seus próprios jornalistas.
Começava pela capa. A chamada não mencionava dossiê falso. Pelo contrario, apresentava a falsificação como se fosse algo real:
“Daniel Dantas: o banqueiro-bomba. O seu arsenal tem até o numero da suposta conta de Lula no exterior"
A matéria não tinha pé nem cabeça. As investigações de Aith já tinham confirmado tratar-se de uma falsificação preparada por Dantas.
Mas o “lead” da matéria falava o contrario:
"O banqueiro Daniel Dantas está prestes a abrir um capítulo explosivo na investigação sobre os métodos da "organização criminosa" que se instalou no governo e o estrago causado por ela ao país".
O primeiro parágrafo inteiro, em vez de realçar o furo de Aith – a descoberta de que era um dossiê falso – dizia que:
"Na sessão, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) revelou o teor de um documento no qual o banco Opportunity, controlado por Dantas, diz ter sofrido perseguição do governo Lula por rejeitar pedidos de propina de "dezenas de milhões de dólares" feitos por petistas em 2002 e 2003. A carta, escrita por advogados de Dantas e entregue à Justiça de Nova York, onde o banqueiro é processado pelo Citigroup por fraude e negligência, é só o começo de uma novela que, a julgar pela biografia de Dantas, não se resume a uma simples tentativa frustrada de achaque".
Prosseguia a matéria:
"Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio, Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais".
Ia mais longe:
"Além disso, Dantas compilou metodicamente não só os pedidos de propina como também as contratações e os pagamentos efetivamente feitos para tentar aplacar as investidas do atual governo sobre seus interesses. Se pelo menos uma parte desse material for verdadeira, o governo Lula estará a caminho da desintegração"
Esse tipo de menção ao poder terrível do banqueiro, era um convite ao achaque. Na mesma matéria, Veja justificava a publicação do dossiê como forma de prevenir achaques:
"Ao mesmo tempo, isso (a publicação do dossiê) impedirá que o banqueiro do Opportunity venha a utilizar os dados como instrumento de chantagem em que o maior prejudicado, ao final, seriam o país e suas instituições".
A conclusão final era risível:
"Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material entregue por Manzano. Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados verídicos".
Só então entrava no conteúdo das apurações de Aith.
A entrevista armada
Pior: em uma matéria em que Dantas era desmascarado como autor de documentos comprovadamente falsos, Eurípedes colocou um membro do quarteto ligado a Dantas – Diogo Mainardi – para permitir ao próprio banqueiro fazer sua defesa.
Não era uma entrevista normal. Sua leitura induzia qualquer leitor atento a concluir que as perguntas foram formuladas por quem respondeu. Cada pergunta levantava uma bola para o banqueiro bater em sua tecla de defesa: a de que seus problemas eram decorrentes de perseguição política – na mesma matéria em que se demonstrava que ele próprio recorria a dossiês falsos para achaques.
O nível do ping pong era da seguinte ordem:
POR QUE O GOVERNO QUERIA TIRAR O OPPORTUNITY DO COMANDO DA BRASIL TELECOM?
Porque havia um acordo entre o PT e a Telemar para tomar os ativos da telecomunicação, em troca de dinheiro de campanha.
A TELEMAR ACABOU COMPRANDO A EMPRESA DO LULINHA. POR QUE VOCÊS TAMBÉM NEGOCIARAM COM ELE? ERA UM AGRADO AO PRESIDENTE LULA?
Nós procuramos de todas as maneiras diminuir a hostilidade do governo.
O EX-PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL CÁSSIO CASSEB DISSE AO CITIBANK QUE LULA ODEIA VOCÊ.
Casseb disse também que ou a gente entregava o controle da companhia ou o governo iria passar por cima.
A entrevista assinada por Mainardi terminava apresentando Dantas como vitima de achacadores, e não como quem tinha acabado de produzir um dossiê falso, com o claro intuito de achacar:
"Agora releia a entrevista. Mas sabendo o seguinte: Daniel Dantas cedeu aos achacadores petistas. Ele e muitos outros".
Pelas informações que correram na época, o máximo que Aith conseguiu, como contrapartida ao fato de ter concordado em assinar aquele texto, foi uma matéria na edição seguinte, contando em detalhes como o dossiê chegou à revista: entregue pelo próprio Dantas ao diretor Eurípedes Alcântara. Eurípedes só cedeu porque percebeu que a falta de limites o colocara na zona cinza que separa a legalidade da ilegalidade.
De nada adiantou o escândalo, de nada adiantou saber da capacidade do banqueiro em inventar dossiês. A mídia estava completamente anestesiada. Mesmo com o absurdo dessa matéria, o quarteto de Veja continuou com autorização para matar.
As referências a informações e dossiês de Dantas, ao seu poder ameaçador, passaram a ser freqüentes nas notas de Lauro Jardim e Mainardi."
Nassif conta a história do falso dossiê de Daniel Dantas sobre supostas contas no exterior de "gente grande" do governo, inclusive do próprio presidente Lula.
Daniel Dantas entregou o falso dossiê ao diretor da revista Eurípedes Alcântara. O documento também foi entregue a Diogo Mainardi.
O repórter Márcio Aith investigou e descobriu que o dossiê era falso. Mesmo assim, a revista publicou a falsificação de Daniel Dantas como se fosse uma denúncia sólida.
Veja chegou a prever que o governo Lula estava "a caminho da desintegração".
Confira trechos do capítulo:
"Há um princípio básico de jornalismo: quando está configurado que a fonte tentou enganar o jornalista, é obrigação do jornalista denunciá-la. Eurípedes resistiu a divulgar o nome de Dantas. Houve discussão interna. Não havia como fugir do levantamento de Aith mas, por outro lado, Eurípedes queria defender o aliado.
Aith cedeu. De um lado, admitia-se que a fonte era Dantas. Mas foram tais e tantas as tentativas de salvar a cara do banqueiro, que a matéria transformou-se em um pterodáctilo, um bicho disforme e mal acabado.
O "prego sobre vinil" era claro.
Aith cometeu o erro de sua vida, concordando em assinar a matéria. Ganhou um boxe especial, cheio de elogios, e a primeira mancha grave na sua até então impecável folha de serviços jornalísticos. Veja não se limitava a apenas a “assassinatos de reputação” de terceiros, mas a destruir a reputação dos seus próprios jornalistas.
Começava pela capa. A chamada não mencionava dossiê falso. Pelo contrario, apresentava a falsificação como se fosse algo real:
“Daniel Dantas: o banqueiro-bomba. O seu arsenal tem até o numero da suposta conta de Lula no exterior"
A matéria não tinha pé nem cabeça. As investigações de Aith já tinham confirmado tratar-se de uma falsificação preparada por Dantas.
Mas o “lead” da matéria falava o contrario:
"O banqueiro Daniel Dantas está prestes a abrir um capítulo explosivo na investigação sobre os métodos da "organização criminosa" que se instalou no governo e o estrago causado por ela ao país".
O primeiro parágrafo inteiro, em vez de realçar o furo de Aith – a descoberta de que era um dossiê falso – dizia que:
"Na sessão, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) revelou o teor de um documento no qual o banco Opportunity, controlado por Dantas, diz ter sofrido perseguição do governo Lula por rejeitar pedidos de propina de "dezenas de milhões de dólares" feitos por petistas em 2002 e 2003. A carta, escrita por advogados de Dantas e entregue à Justiça de Nova York, onde o banqueiro é processado pelo Citigroup por fraude e negligência, é só o começo de uma novela que, a julgar pela biografia de Dantas, não se resume a uma simples tentativa frustrada de achaque".
Prosseguia a matéria:
"Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio, Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais".
Ia mais longe:
"Além disso, Dantas compilou metodicamente não só os pedidos de propina como também as contratações e os pagamentos efetivamente feitos para tentar aplacar as investidas do atual governo sobre seus interesses. Se pelo menos uma parte desse material for verdadeira, o governo Lula estará a caminho da desintegração"
Esse tipo de menção ao poder terrível do banqueiro, era um convite ao achaque. Na mesma matéria, Veja justificava a publicação do dossiê como forma de prevenir achaques:
"Ao mesmo tempo, isso (a publicação do dossiê) impedirá que o banqueiro do Opportunity venha a utilizar os dados como instrumento de chantagem em que o maior prejudicado, ao final, seriam o país e suas instituições".
A conclusão final era risível:
"Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material entregue por Manzano. Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados verídicos".
Só então entrava no conteúdo das apurações de Aith.
A entrevista armada
Pior: em uma matéria em que Dantas era desmascarado como autor de documentos comprovadamente falsos, Eurípedes colocou um membro do quarteto ligado a Dantas – Diogo Mainardi – para permitir ao próprio banqueiro fazer sua defesa.
Não era uma entrevista normal. Sua leitura induzia qualquer leitor atento a concluir que as perguntas foram formuladas por quem respondeu. Cada pergunta levantava uma bola para o banqueiro bater em sua tecla de defesa: a de que seus problemas eram decorrentes de perseguição política – na mesma matéria em que se demonstrava que ele próprio recorria a dossiês falsos para achaques.
O nível do ping pong era da seguinte ordem:
POR QUE O GOVERNO QUERIA TIRAR O OPPORTUNITY DO COMANDO DA BRASIL TELECOM?
Porque havia um acordo entre o PT e a Telemar para tomar os ativos da telecomunicação, em troca de dinheiro de campanha.
A TELEMAR ACABOU COMPRANDO A EMPRESA DO LULINHA. POR QUE VOCÊS TAMBÉM NEGOCIARAM COM ELE? ERA UM AGRADO AO PRESIDENTE LULA?
Nós procuramos de todas as maneiras diminuir a hostilidade do governo.
O EX-PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL CÁSSIO CASSEB DISSE AO CITIBANK QUE LULA ODEIA VOCÊ.
Casseb disse também que ou a gente entregava o controle da companhia ou o governo iria passar por cima.
A entrevista assinada por Mainardi terminava apresentando Dantas como vitima de achacadores, e não como quem tinha acabado de produzir um dossiê falso, com o claro intuito de achacar:
"Agora releia a entrevista. Mas sabendo o seguinte: Daniel Dantas cedeu aos achacadores petistas. Ele e muitos outros".
Pelas informações que correram na época, o máximo que Aith conseguiu, como contrapartida ao fato de ter concordado em assinar aquele texto, foi uma matéria na edição seguinte, contando em detalhes como o dossiê chegou à revista: entregue pelo próprio Dantas ao diretor Eurípedes Alcântara. Eurípedes só cedeu porque percebeu que a falta de limites o colocara na zona cinza que separa a legalidade da ilegalidade.
De nada adiantou o escândalo, de nada adiantou saber da capacidade do banqueiro em inventar dossiês. A mídia estava completamente anestesiada. Mesmo com o absurdo dessa matéria, o quarteto de Veja continuou com autorização para matar.
As referências a informações e dossiês de Dantas, ao seu poder ameaçador, passaram a ser freqüentes nas notas de Lauro Jardim e Mainardi."
Paulo Coelho é "eclético"
Encontrei uma velha amiga ontem na universidade. Aproveitamos o percurso do circular pra falarmos amenidades.
Ela me disse que a nova gíria pra designar quem é do "babado" é dizer que a pessoa é "eclética".
Quase morri de rir. Eita povo criativo!!!
E não é que hoje, lendo a coluna da Mônica Bergamo na Folha, fiquei sabendo que Paulo Coelho, o mago, também é um eclético...
Diz a nota:
"Na biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais e que será lançada em maio, serão muitas as linhas dedicadas à vida sexual do escritor. Entre outras revelações, a de que Coelho teve relacionamentos homossexuais -e a de que perdeu a virgindade com uma namorada num pedalinho da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro."
Como se diz por aí, o mundo é eclético...
Ela me disse que a nova gíria pra designar quem é do "babado" é dizer que a pessoa é "eclética".
Quase morri de rir. Eita povo criativo!!!
E não é que hoje, lendo a coluna da Mônica Bergamo na Folha, fiquei sabendo que Paulo Coelho, o mago, também é um eclético...
Diz a nota:
"Na biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais e que será lançada em maio, serão muitas as linhas dedicadas à vida sexual do escritor. Entre outras revelações, a de que Coelho teve relacionamentos homossexuais -e a de que perdeu a virgindade com uma namorada num pedalinho da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro."
Como se diz por aí, o mundo é eclético...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
"Dossiê Veja" e a receita de como transformar bandido em herói
Luis Nassif publicou mais dois capítulos sobre a história por trás da história da revista Veja.
"Os primeiros serviços" narra como a revista atuou na defesa do banqueiro Daniel Dantas, acusado de espionar pessoas do governo federal e forjar um dossiê sobre as "contas secretas" de autoridades no exterior (inclusive do presidente Lula).
Nassif enfatiza que uma das estratégias de Daniel Dantas era mostrar que estava sendo vítima de perseguição política do governo federal.
Para provar sua tese, o banqueiro mirou na sociedade entre a Telemar e a Gamecorp, empresa de jogos eletrônicos do filho do presidente Lula.
Mais uma vez, Diogo Mainardi foi escolhido para falar no lugar de Daniel Dantas na Veja.
O colunista atacou os investimentos da Telemar na Gamecorp, sob o pretexto de que O BNDES do governo federal era um dos sócios da Telemar e, portanto, estaria provada a ingerência do governo no negócio, bem como a perseguição sofrida por Daniel Dantas, uma vez que a Telemar é concorrente da Brasil Telecom (controlada pelo fundo CVC-Opportunity, por sua vez, controlado pelo banqueiro peralta).
Em "O caso Edson Vidigal", Nassif procura demonstrar como a Veja atuou no "assassinato de reputação" do Ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para ajudar Daniel Dantas.
É que o ministro Edson Vidigal havia dado uma liminar que permitiu aos fundos de pensão e ao Citibank retomar o controle da Brasil Telecom das mãos de Daniel Dantas.
O Citibank havia entrado com uma ação de perdas e danos contra Dantas na corte de Nova York.
Daniel Dantas tentou impedir a realização da Assembléia Geral Extraordinária do CVC-Opportunity, que iria destituí-lo do controle da Brasil Telecom.
Mas o ministro Edson Vidigal cassou a liminar que impedia a realização desta assembléia.
Depois disso, o presidente do STJ passou a ser o alvo de Daniel Dantas e da revista Veja.
O banqueiro disse que o governo havia pressionado o ministro para favorecer os fundos de pensão na briga pela telefônica Brasil Telecom.
A íntegra dos dois capítulos está disponível no Blog do Nassif, no Portal IG.
"Os primeiros serviços" narra como a revista atuou na defesa do banqueiro Daniel Dantas, acusado de espionar pessoas do governo federal e forjar um dossiê sobre as "contas secretas" de autoridades no exterior (inclusive do presidente Lula).
Nassif enfatiza que uma das estratégias de Daniel Dantas era mostrar que estava sendo vítima de perseguição política do governo federal.
Para provar sua tese, o banqueiro mirou na sociedade entre a Telemar e a Gamecorp, empresa de jogos eletrônicos do filho do presidente Lula.
Mais uma vez, Diogo Mainardi foi escolhido para falar no lugar de Daniel Dantas na Veja.
O colunista atacou os investimentos da Telemar na Gamecorp, sob o pretexto de que O BNDES do governo federal era um dos sócios da Telemar e, portanto, estaria provada a ingerência do governo no negócio, bem como a perseguição sofrida por Daniel Dantas, uma vez que a Telemar é concorrente da Brasil Telecom (controlada pelo fundo CVC-Opportunity, por sua vez, controlado pelo banqueiro peralta).
Em "O caso Edson Vidigal", Nassif procura demonstrar como a Veja atuou no "assassinato de reputação" do Ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para ajudar Daniel Dantas.
É que o ministro Edson Vidigal havia dado uma liminar que permitiu aos fundos de pensão e ao Citibank retomar o controle da Brasil Telecom das mãos de Daniel Dantas.
O Citibank havia entrado com uma ação de perdas e danos contra Dantas na corte de Nova York.
Daniel Dantas tentou impedir a realização da Assembléia Geral Extraordinária do CVC-Opportunity, que iria destituí-lo do controle da Brasil Telecom.
Mas o ministro Edson Vidigal cassou a liminar que impedia a realização desta assembléia.
Depois disso, o presidente do STJ passou a ser o alvo de Daniel Dantas e da revista Veja.
O banqueiro disse que o governo havia pressionado o ministro para favorecer os fundos de pensão na briga pela telefônica Brasil Telecom.
A íntegra dos dois capítulos está disponível no Blog do Nassif, no Portal IG.
TV e eleições
Em seu ex-blog, o prefeito de Rio de Janeiro, César Maia, transcreve trechos do artigo de Karl Rove, publicado no Wall Street Journal, em 31/01/08, que trata do uso da TV nas campanhas eleitorais, especialmente nas primárias americanas deste ano.
Karl Rove foi coordenador de marketing da campanha de George W. Bush e é hoje vice-chefe da Casa Civil do presidente.
Confira os trechos do artigo:
1. Os comerciais políticos de televisão não têm a mesma importância do que antes. Entrar no ar com os primeiros e mais numerosos anúncios não conta tanto quanto anteriormente. Fazer campanha este ano tem sido algo tão intenso, tão longo e direcionado em relação à política de varejo que as pessoas – principalmente nos primeiros estados – formam opiniões que são difíceis de alterar com uma publicidade prematura e volumosa.
2. Os eleitores estão desprezando a publicidade. Eles podem estar bloqueando os anúncios, contando mais com a exposição pessoal, informações de redes sociais, fontes alternativas de informação, tais como o rádio e a Internet, e cobertura local pela mídia.
3. As décadas que fecharam o século XX viram a ascensão da publicidade de TV como o fator mais poderoso das campanhas presidenciais. A década que abre o século XX está assistindo à ascensão do diretor de comunicações e do porta-voz de imprensa como as figuras mais importantes de uma equipe de campanha. Trata-se da era da Internet, da TV a cabo, do YouTube, de ciclos múltiplos de notícias em um dia, e da necessidade de respostas realmente instantâneas. Os comerciais na TV, e os que os fazem, ainda são importantes – mas nem tanto como apenas como há poucos anos.
4. Podemos ficar certos de uma coisa: Os candidatos que saem vitoriosos, mesmo que sejam imperfeitos, têm uma admirável coragem e desembaraço.
Comentário
No Brasil, a televisão ainda ocupa lugar central na disputa eleitoral. Ao contrário do que aponta Karl Rove, que a propaganda politica não tem mais tanto impacto sobre o voto do eleitor nos EUA, aqui essa propaganda é a menina dos olhos dos candidatos.
Partidos fazem coligações pra ter direito a mais espaço na televisão. Mais espaço, via de regra, se traduz em mais votos.
A televisão tem o poder de transformar nobres desconhecidos em heróis nacionais.
Foi assim que Fernando Collor se tornou presidente.
Foi assim também, através da televisão, que Geraldo Alckmin se tornou conhecido nacionalmente e chegou ao segundo turno das eleições em 2006.
O marketing televisivo eleitoral é a principal arma dos candidatos, que são oferecidos ao eleitor como um produto pronto pra ser consumido.
O eleitor, seduzido por este "candidato-produto", vota porque foi conquistado pela propaganda mais eficiente. Pouco importa o "conteúdo" deste "produto".
As primárias americanas, que vão definir o candidato republicano e o democrata para presidente daquele país, mostram que os eleitores de lá escolhem seu candidato pelo programa de governo dele, pelo espectro do campo ideológico ocupado por este candidato e pela confiança que ele inspira.
Os americanos querem saber o que o candidato pensa sobre temas importantes, como imigração, protecionismo agrícola, política econômica, terrorismo, entre outros.
No Brasil, o candidato faz de conta que é uma coisa e o eleitor faz de conta que acredita naquilo que ele vê na televisão. É o pacto da mediocridade.
Os termos conservador, liberal, progressista ou nacionalista não dizem nada ao eleitor médio brasileiro.
O resultado é o samba maluco que estamos acostumados a ver. Em 2002, os brasileiros elegeram Lula pra mudar o país. Mas esqueceram que o presidente precisa de maioria pra governar e elegeram um Congresso Nacional conservador.
Aí quando estoura o "mensalão", suposto artifício do governo pra obter maioria parlamentar e fazer as mudanças que o povo esperava que fossem feitas, o brasileiro fica escandalizado.
O sistema político barsileiro é um verdadeiro Frankstein.
A televisão, criada como projeto de integração nacional e elemento definidor da nossa identidade enquanto povo, é o cérebro desse monstrengo.
Karl Rove foi coordenador de marketing da campanha de George W. Bush e é hoje vice-chefe da Casa Civil do presidente.
Confira os trechos do artigo:
1. Os comerciais políticos de televisão não têm a mesma importância do que antes. Entrar no ar com os primeiros e mais numerosos anúncios não conta tanto quanto anteriormente. Fazer campanha este ano tem sido algo tão intenso, tão longo e direcionado em relação à política de varejo que as pessoas – principalmente nos primeiros estados – formam opiniões que são difíceis de alterar com uma publicidade prematura e volumosa.
2. Os eleitores estão desprezando a publicidade. Eles podem estar bloqueando os anúncios, contando mais com a exposição pessoal, informações de redes sociais, fontes alternativas de informação, tais como o rádio e a Internet, e cobertura local pela mídia.
3. As décadas que fecharam o século XX viram a ascensão da publicidade de TV como o fator mais poderoso das campanhas presidenciais. A década que abre o século XX está assistindo à ascensão do diretor de comunicações e do porta-voz de imprensa como as figuras mais importantes de uma equipe de campanha. Trata-se da era da Internet, da TV a cabo, do YouTube, de ciclos múltiplos de notícias em um dia, e da necessidade de respostas realmente instantâneas. Os comerciais na TV, e os que os fazem, ainda são importantes – mas nem tanto como apenas como há poucos anos.
4. Podemos ficar certos de uma coisa: Os candidatos que saem vitoriosos, mesmo que sejam imperfeitos, têm uma admirável coragem e desembaraço.
Comentário
No Brasil, a televisão ainda ocupa lugar central na disputa eleitoral. Ao contrário do que aponta Karl Rove, que a propaganda politica não tem mais tanto impacto sobre o voto do eleitor nos EUA, aqui essa propaganda é a menina dos olhos dos candidatos.
Partidos fazem coligações pra ter direito a mais espaço na televisão. Mais espaço, via de regra, se traduz em mais votos.
A televisão tem o poder de transformar nobres desconhecidos em heróis nacionais.
Foi assim que Fernando Collor se tornou presidente.
Foi assim também, através da televisão, que Geraldo Alckmin se tornou conhecido nacionalmente e chegou ao segundo turno das eleições em 2006.
O marketing televisivo eleitoral é a principal arma dos candidatos, que são oferecidos ao eleitor como um produto pronto pra ser consumido.
O eleitor, seduzido por este "candidato-produto", vota porque foi conquistado pela propaganda mais eficiente. Pouco importa o "conteúdo" deste "produto".
As primárias americanas, que vão definir o candidato republicano e o democrata para presidente daquele país, mostram que os eleitores de lá escolhem seu candidato pelo programa de governo dele, pelo espectro do campo ideológico ocupado por este candidato e pela confiança que ele inspira.
Os americanos querem saber o que o candidato pensa sobre temas importantes, como imigração, protecionismo agrícola, política econômica, terrorismo, entre outros.
No Brasil, o candidato faz de conta que é uma coisa e o eleitor faz de conta que acredita naquilo que ele vê na televisão. É o pacto da mediocridade.
Os termos conservador, liberal, progressista ou nacionalista não dizem nada ao eleitor médio brasileiro.
O resultado é o samba maluco que estamos acostumados a ver. Em 2002, os brasileiros elegeram Lula pra mudar o país. Mas esqueceram que o presidente precisa de maioria pra governar e elegeram um Congresso Nacional conservador.
Aí quando estoura o "mensalão", suposto artifício do governo pra obter maioria parlamentar e fazer as mudanças que o povo esperava que fossem feitas, o brasileiro fica escandalizado.
O sistema político barsileiro é um verdadeiro Frankstein.
A televisão, criada como projeto de integração nacional e elemento definidor da nossa identidade enquanto povo, é o cérebro desse monstrengo.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Dossiê Veja: o quarteto fantástico
Luis Nassif publicou ontem mais um capítulo do seu "Dossiê Veja".
No capítulo anterior, ele havia narrado os ataques da revista ao banqueiro Daniel Dantas.
Neste novo relato, Nassif revela a mudança de postura da Veja em relação ao dono do Opportunity.
Dantas aproximou-se da revista e passou a contar com o quarteto formado por Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi na sua defesa.
Diogo, segundo relata Nassif, passou a desempenhar o papel mais ostensivo. A mudança começou em 15 de junho de 2005.
Nassif fala sobre o papel de Mainardi:
"Mainardi havia começado a ganhar destaque por subir vários tons nas ofensas contra Lula e também pelo uso de dramas familiares como tema de colunas – o que despertara simpatia em parte do público da Veja.
Adversário de Dantas, Nelson Tanure tentou levá-lo para o Jornal do Brasil. Veja acabou cobrindo a proposta, praticamente dobrando o salário de Mainardi.
Não sei a razão objetiva desse assédio. Poderia ser o fato de Mainardi ter mostrado ser o "colunista sela” –nome que se dá ao colunista pouco informado que se deixa "cavalgar" pela fonte, tornando-se mero repassador de recados, em troca da repercussão que as notas proporcionam. Pelo menos no início, deveria ser esta a lógica que consolidava a parceria.
O fato é que os os lobistas perceberam em Mainardi um colunista em disponibilidade. Além disso, seu próprio papel de “para-jornalista” na revista – papel que, na “Folha”, é exercido com muito talento por Zé Simão; no “Globo”, por Agamenon Mendes Pedreira – rompia com os limites do jornalismo e abria campo amplo para divulgar qualquer informação que lhe fosse entregue, mesmo sem a necessidade sequer de um simulacro de apuração jornalística. E Mainardi se revelaria com falta de escrúpulos suficiente para cometer qualquer assassinato de reputação que lhe fosse encomendado.
Naquele período, figura tipicamente carioca que transita por esses ambientes teve alguns almoços com Mainardi e me contou a impressão que ele lhe passou.
Pessoalmente tímido até o limite de não levantar os olhos para encarar o interlocutor; escassa informação em política, história e, especialmente, sobre o intrincado mundo dos negócios e das disputas empresariais. Mas ávido pelas benesses que a exposição jornalística trazia.
Obviamente nenhum colunista iria enveredar tão ostensivamente pelo mundo das guerras corporativas e "assassinatos de reputação" se não tivesse respaldo de sua chefia maior.
O acerto de Veja com Mainardi foi precedido de uma aproximação entre Eurípides e Dantas, intermediada por Lauro Jardim.
A partir de então, Eurípides passou a ter ligação direta com o banqueiro. Conversam corriqueiramente, sem prejuízo dos contatos de Dantas com Jardim e Mainardi. O diretor abria espaço por cima; os colunistas entravam com a mão de obra.
E aí, de trio, se passava para o quarteto de Veja que, dali por diante, entraria de cabeça na campanha a favor de Dantas: Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi.
Nos meses seguintes, ocorreria uma mudança radical no tratamento dado pela revista àquele que, segundo ela própria, tinha por hábito grampear, montar dossiês falsos e comprar jornalistas."
A mudança de tratamento dado a Daniel Dantas significou também o início dos ataques da revista ao ministro Gushiken - inimigo de Dantas dentro do governo federal.
"De vítima de Dantas, Gushiken começava, a partir de então, a se tornar seu algoz, de acordo com a construção jornalística que Veja começou a montar."
Leia a íntegra do "Dossiê Veja" no Blog do Nassif no portal IG.
No capítulo anterior, ele havia narrado os ataques da revista ao banqueiro Daniel Dantas.
Neste novo relato, Nassif revela a mudança de postura da Veja em relação ao dono do Opportunity.
Dantas aproximou-se da revista e passou a contar com o quarteto formado por Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi na sua defesa.
Diogo, segundo relata Nassif, passou a desempenhar o papel mais ostensivo. A mudança começou em 15 de junho de 2005.
Nassif fala sobre o papel de Mainardi:
"Mainardi havia começado a ganhar destaque por subir vários tons nas ofensas contra Lula e também pelo uso de dramas familiares como tema de colunas – o que despertara simpatia em parte do público da Veja.
Adversário de Dantas, Nelson Tanure tentou levá-lo para o Jornal do Brasil. Veja acabou cobrindo a proposta, praticamente dobrando o salário de Mainardi.
Não sei a razão objetiva desse assédio. Poderia ser o fato de Mainardi ter mostrado ser o "colunista sela” –nome que se dá ao colunista pouco informado que se deixa "cavalgar" pela fonte, tornando-se mero repassador de recados, em troca da repercussão que as notas proporcionam. Pelo menos no início, deveria ser esta a lógica que consolidava a parceria.
O fato é que os os lobistas perceberam em Mainardi um colunista em disponibilidade. Além disso, seu próprio papel de “para-jornalista” na revista – papel que, na “Folha”, é exercido com muito talento por Zé Simão; no “Globo”, por Agamenon Mendes Pedreira – rompia com os limites do jornalismo e abria campo amplo para divulgar qualquer informação que lhe fosse entregue, mesmo sem a necessidade sequer de um simulacro de apuração jornalística. E Mainardi se revelaria com falta de escrúpulos suficiente para cometer qualquer assassinato de reputação que lhe fosse encomendado.
Naquele período, figura tipicamente carioca que transita por esses ambientes teve alguns almoços com Mainardi e me contou a impressão que ele lhe passou.
Pessoalmente tímido até o limite de não levantar os olhos para encarar o interlocutor; escassa informação em política, história e, especialmente, sobre o intrincado mundo dos negócios e das disputas empresariais. Mas ávido pelas benesses que a exposição jornalística trazia.
Obviamente nenhum colunista iria enveredar tão ostensivamente pelo mundo das guerras corporativas e "assassinatos de reputação" se não tivesse respaldo de sua chefia maior.
O acerto de Veja com Mainardi foi precedido de uma aproximação entre Eurípides e Dantas, intermediada por Lauro Jardim.
A partir de então, Eurípides passou a ter ligação direta com o banqueiro. Conversam corriqueiramente, sem prejuízo dos contatos de Dantas com Jardim e Mainardi. O diretor abria espaço por cima; os colunistas entravam com a mão de obra.
E aí, de trio, se passava para o quarteto de Veja que, dali por diante, entraria de cabeça na campanha a favor de Dantas: Eurípides Alcântara, Mário Sabino, Lauro Jardim e Diogo Mainardi.
Nos meses seguintes, ocorreria uma mudança radical no tratamento dado pela revista àquele que, segundo ela própria, tinha por hábito grampear, montar dossiês falsos e comprar jornalistas."
A mudança de tratamento dado a Daniel Dantas significou também o início dos ataques da revista ao ministro Gushiken - inimigo de Dantas dentro do governo federal.
"De vítima de Dantas, Gushiken começava, a partir de então, a se tornar seu algoz, de acordo com a construção jornalística que Veja começou a montar."
Leia a íntegra do "Dossiê Veja" no Blog do Nassif no portal IG.
As cadeias de Minas
No dia 31 de janeiro, a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) divulgou um relatório sobre a violação de direitos humanos no mundo, no qual destacou "as condições subumanas, violência e superlotação que historicamente caracterizaram as prisões brasileiras".
A reportagem da Folha de São Paulo deste domingo, sobre a situação das cadeias de Contagem e Ouro Preto, em Minas Gerais, ilustram perfeitamente o que afirma o relatório da HRW.
O repórter João Carlos Magalhães esteve nas carceragens das duas cidades e relata um quadro pavoroso, de absoluto descaso com os direitos humanos: 50 homens (onde deveria haver apenas seis) dividindo um cubículo de 30 metros quadrados com baratas, ratos e lacraias.
Há também doentes com sarna, rubéola e ferimentos que "surgem do nada", como o homem que exibiu ao repórter, segundo descrição dele próprio, uma ferida de bordas arroxeadas e cheia de pus.
"Apenas alguns minutos foram suficientes para sentir o odor de suor, urina e fezes e verificar a situação de homens que nunca tomam banho de sol. Para caberem todos, é preciso ficar de pé o tempo todo. Quem se senta dorme em meio a ratos e lacraias. Histórias desumanas contadas pelos presos, como a de um homem espancado que teve o cadáver comido por ratos, são confirmadas por policiais. Não há médicos e o abandono chega ao extremo de o porteiro ser um dos próprios detentos, em regime semi-aberto", diz um trecho da reportagem.
Há fiações expostas e vazamentos nas celas. O risco de incêndio é grande. De acordo com a Folha, não havia extintores em condições de uso.
Os presos têm que dormir sentados e se revezam para ficar em pé. Eles contaram ao repórter do jornal que a comida, fornecida em marmitas, muitas vezes é estragada.
Ainda segundo o relato do repórter da Folha, "o ambiente úmido e o chão imundo -os esgotos estavam entupidos e o "banheiro" era um buraco no chão isolado por um saco de lixo estendido - abriram caminho para variadas infecções."
O secretário da Defesa Social de Minas, Maurício Campos Júnior, deu uma declaração cínica, dizendo que as cadeias mineiras passam por um "processo acelerado" de melhorias.
O governador Aécio Neves (PSDB) não se pronunciou.
A reportagem da Folha de São Paulo deste domingo, sobre a situação das cadeias de Contagem e Ouro Preto, em Minas Gerais, ilustram perfeitamente o que afirma o relatório da HRW.
O repórter João Carlos Magalhães esteve nas carceragens das duas cidades e relata um quadro pavoroso, de absoluto descaso com os direitos humanos: 50 homens (onde deveria haver apenas seis) dividindo um cubículo de 30 metros quadrados com baratas, ratos e lacraias.
Há também doentes com sarna, rubéola e ferimentos que "surgem do nada", como o homem que exibiu ao repórter, segundo descrição dele próprio, uma ferida de bordas arroxeadas e cheia de pus.
"Apenas alguns minutos foram suficientes para sentir o odor de suor, urina e fezes e verificar a situação de homens que nunca tomam banho de sol. Para caberem todos, é preciso ficar de pé o tempo todo. Quem se senta dorme em meio a ratos e lacraias. Histórias desumanas contadas pelos presos, como a de um homem espancado que teve o cadáver comido por ratos, são confirmadas por policiais. Não há médicos e o abandono chega ao extremo de o porteiro ser um dos próprios detentos, em regime semi-aberto", diz um trecho da reportagem.
Há fiações expostas e vazamentos nas celas. O risco de incêndio é grande. De acordo com a Folha, não havia extintores em condições de uso.
Os presos têm que dormir sentados e se revezam para ficar em pé. Eles contaram ao repórter do jornal que a comida, fornecida em marmitas, muitas vezes é estragada.
Ainda segundo o relato do repórter da Folha, "o ambiente úmido e o chão imundo -os esgotos estavam entupidos e o "banheiro" era um buraco no chão isolado por um saco de lixo estendido - abriram caminho para variadas infecções."
O secretário da Defesa Social de Minas, Maurício Campos Júnior, deu uma declaração cínica, dizendo que as cadeias mineiras passam por um "processo acelerado" de melhorias.
O governador Aécio Neves (PSDB) não se pronunciou.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Indústria registra maior crescimento em três anos
"Últimas Notícias" do Portal Terra:
O crescimento da indústria no acumulado do ano de 2007 foi de 6%, segundo divulgou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o melhor desde 2004, quando o índice chegou a 8,3%. Em 2006, a indústria cresceu 2,8% e em 2005, 3,1%.
O desempenho foi apoiado pelo aquecimento da demanda doméstica, por causa da expansão do crédito, aumento da ocupação e renda, e da ampliação dos investimentos.
O primeiro semestre de 2007 apresentou um crescimento de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre do ano passado, a expansão foi de 7,1% frente ao segundo semestre de 2006.
Comentário
A mídia e a oposição vão precisar de mais criatividade para derrubar o presidente Lula.
Enquanto as coisas continuarem dando certo, como estão dando, fica difícil tirá-lo de lá.
O crescimento da indústria no acumulado do ano de 2007 foi de 6%, segundo divulgou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o melhor desde 2004, quando o índice chegou a 8,3%. Em 2006, a indústria cresceu 2,8% e em 2005, 3,1%.
O desempenho foi apoiado pelo aquecimento da demanda doméstica, por causa da expansão do crédito, aumento da ocupação e renda, e da ampliação dos investimentos.
O primeiro semestre de 2007 apresentou um crescimento de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre do ano passado, a expansão foi de 7,1% frente ao segundo semestre de 2006.
Comentário
A mídia e a oposição vão precisar de mais criatividade para derrubar o presidente Lula.
Enquanto as coisas continuarem dando certo, como estão dando, fica difícil tirá-lo de lá.
Conquistas do Flamengo viram filme
Desta notícia, o meu amigo Maurício, corinthiano fanático, não vai gostar nadinha.
Deu no Portal Terra.
Os cineastas Raphael Vieira, Diogo Dahl e Pedro Asbeg resolveram transformar em filme as conquistas do Flamengo na Copa do Brasil 2006 e do Campeonato Carioca 2007.
Os dois documentários se chamam "É Campeão" e "Conte Comigo Mengão".
Os filmes estão em exibição no Rio de Janeiro.
Deu no Portal Terra.
Os cineastas Raphael Vieira, Diogo Dahl e Pedro Asbeg resolveram transformar em filme as conquistas do Flamengo na Copa do Brasil 2006 e do Campeonato Carioca 2007.
Os dois documentários se chamam "É Campeão" e "Conte Comigo Mengão".
Os filmes estão em exibição no Rio de Janeiro.
Novos capítulos do "Dossiê Veja"
Já estão disponíveis os dois mais recentes capítulos da série de reportagens que o jornalista Luiz Nassif vem publicando em seu blog sobre a revista Veja.
O 6º capítulo da série, "Primeiros ataques a Dantas", trata da investida inicial da revista contra o banqueiro Daniel Dantas, que chegou a receber a alcunha de "gênio do mal" de Veja.
De acordo com Nassif, Dantas, acusado de espionar adversários e membros do governo, foi "submetido a um tiroteio de denúncias".
"Era a primeira parte da estratégia da Veja, já sob nova direção. Poderia ser para atingir a concorrente IstoÉ - claramente alinhada com Dantas. Poderia ser uma forma de chamar o banqueiro para conversar", afirma um trecho do dossiê.
Foram três reportagens centrando fogo no dono do Banco Opportunity. A primeira, “Um negócio de espiões”, saiu em 28 de julho de 2004. "Na matéria, ele [Daniel Dantas] era frontalmente acusado de espionar autoridades brasileiras".
A seguda reportagem contra Dantas, "O dia da caça", foi publicada em 3 de novembro de 2004, e afirmava que a Polícia Federal havia deflagrado uma operação contra a Kroll, que, contratada pelo banqueiro Daniel Dantas, teria espionado até o ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.
A terceira e última reportagem contra o banqueiro, “A Usina de Espionagem da Kroll”, saiu na edição do dia 18 de maio de 2005. A reportagem era sobre a "Operação Chacal" da Polícia Federal contra a Kroll.
Confira este trecho do dossiê:
Dizia a matéria:
“Até então, porém, suspeitava-se que a empresa havia atropelado os limites estabelecidos pela Constituição para atender apenas aos interesses da Brasil Telecom – até o mês passado comandada por Daniel Dantas, do banco Opportunity. O material reunido pela PF no curso da investigação, batizada de Operação Chacal, revela, no entanto, que pelo menos desde a década de 90 a Kroll se dedica a monitorar a vida de dezenas de pessoas, entre elas políticos e empresários – e nem sempre por meio de expedientes legais”.
O simples fato de se saber que praticava ilegalidades já seria suficiente para ser tratado com cautela por qualquer jornalismo sério. A revelação de que comprava reportagens recomendava afastamento total.
Nos meses seguintes, porém, uma profunda transformação aconteceria na linha editorial da revista que denunciara, pouco antes, essas manobras de Dantas.
O capítulo seguinte do dossiê é entitulado "Assassinatos de reputação".
É leitura obrigatória. Confira:
No primeiro capítulo, mencionei o uso de matérias jornalísticas nas guerras empresariais e nos processos judiciais. Uma das ações mais abjetas praticada pelo submundo que orbita em torno das chamadas empresas de inteligência - como a Kroll - é o “assassinato de reputação”. Esse é o termo adotado nesse meio.
Trata-se de manobras para levantar escândalos falsos ou verdadeiros, visando destruir a confiança da opinião pública em determinada pessoa.
Alguns episódios são bastante ilustrativos sobre esse tipo de ação, dois deles protagonizados pelo jornalista Ricardo Boechat.
Em abril de 2001, assessores de Dantas procuraram várias mulheres jornalistas do Rio de Janeiro com a história de que a ex-mulher de Luiz Roberto Demarco - o arquiinimigo de Dantas - teria sido espancada pelo marido. Conversaram com Elvira Lobato, da “Folha”, Fernanda Delmas, de “O Globo”, jornalistas do Estadão e da Gazeta Mercantil.
O assessor apresentava um BO (Boletim de Ocorrência) lavrado em uma Delegacia de Mulher. BO não representa julgamento nem apuração: é apenas uma denúncia que qualquer pessoa pode fazer, bastando comparecer a uma delegacia. Depois, é que se irá conferir se tem fundamento ou não.
Procurado, Demarco mostrava o processo de separação. Como a denúncia não era clara ou confiável, ninguém deu nada.
No dia 22 de abril de 2001, aproveitando-se das férias do titular, os assessores do Opportunity conseguiram emplacar uma nota na coluna do Boechat:
"Caso de polícia
O empresário Luiz Roberto Demarco, que anda às turras com o Opportunity, tem um grande problema doméstico. Sua ex-mulher, a executiva Maria Regina Yazbek, entrou na Justiça de São Paulo pedindo a reintegração de posse do BMW Z3, que foi tomado depois de uma separação litigiosa.
O carro era um presente de aniversário.
Demarco espancou a ex-mulher, que ficou internada seis dias no Hospital Albert Einstein.
A agressão foi registrada na 2. Delegacia da Mulher em São Paulo."
De volta das férias, Boechat percebeu a manobra. No dia 6 de maio de 2002 deu, com o mesmo destaque, a retratação da notícia.
"Baixo nível
É pesado o jogo contra Luiz Roberto Demarco, antigo sócio do banqueiro Daniel Dantas e hoje seu adversário em várias ações judiciais.
Semana passada, vários jornais receberam notícias inexatas sobre o processo de divórcio do empresário, tentando atingi-lo moralmente.
A manobra foi conduzida junto às redações por uma assessoria de imprensa a soldo do Banco Opportunity, do qual Dantas é proprietário."
Se tivesse sido constatada a agressão, na qual a vitima supostamente teria ficado seis dias internada no Einstein, o BO teria evoluído para um inquérito policial. Nunca teve seqüência.
A seriedade jornalística custou caro a Boechat. Alguns meses depois, foi abatido por um “assassinato de reputação" cometido pela mesma revista Veja (e já mencionado no primeiro capítulo da nossa história). A revista divulgou um grampo com uma conversa de Boechat com uma fonte, que em nada depunha contra o jornalista. A mão de Dantas estava por trás do dossiê.
Do lado da Veja, as mãos que cometeram o "assassinato de reputação" ainda eram outras.
Na correspondência entre a Kroll e a Brasil Telecom, quando Dantas ainda estava no controle da empresa, era mencionada expressamente a tática do “assassinato de reputação (character assassination).
Dantas ainda estava na era dos pequenos assassinatos. Com pouca entrada na mídia – em função de sua biografia –, precisava apelar para blogs contratados e para jornais fantasmas.
No dia 17 de março de 2004, um tal de “O Povo”, do Rio de Janeiro, tiragem de 2 mil exemplares, publicou matéria escandalosa sobre Demarco.
Plantada em “O Povo” e em um site jurídico, a notícia foi vertida para o inglês e incluída no processo de Nova York, do Citigroup contra Dantas.
Nem houve como processar o tal jornal, que desapareceu na poeira.
Conto isso para mostrar qual era a situação de Dantas no momento em que Veja começou a atacá-lo. Sua única perna na mídia – o jornalista Leonardo Attuch – estava sendo bombardeado pela revista de maior circulação do pais. Os outros pontos de apoio – Giba Um e Cláudio Humberto, o tal de “O Povo” – eram utilizados nos processos judiciais, mas não conseguiam chegar até os formadores de opinião.
Por aqueles dias, Dantas vivia seus piores momentos, uma sucessão de episódios que parecia marcar o fim de sua aventura.
Em julho de 2004 saiu a matéria de Márcio Aith, na “Folha”, sobre o caso Kroll. Em outubro de 2004, a Policia Federal deflagrou a Operação Chacal que pela primeira vez pegou Dantas. Hoje ele responde a três processos na 5a Vara Federal: formação de quadrilha, corrupção ativa e espionagem.
No início de 2005, o Citibank demitiu Dantas por “quebra de confiança fiduciária” - imputação gravíssima no mercado. Os fundos de pensão já tinham feito o mesmo. E, agora, Veja começava a torpedear seus únicos pontos de contato com a mídia.
O que fazer? Dantas procurou se aproximar da revista. A maneira como conseguiu penetrar no centro de comando da Veja e colocar a revista no lugar de "O Povo", merece um capítulo à parte.
O 6º capítulo da série, "Primeiros ataques a Dantas", trata da investida inicial da revista contra o banqueiro Daniel Dantas, que chegou a receber a alcunha de "gênio do mal" de Veja.
De acordo com Nassif, Dantas, acusado de espionar adversários e membros do governo, foi "submetido a um tiroteio de denúncias".
"Era a primeira parte da estratégia da Veja, já sob nova direção. Poderia ser para atingir a concorrente IstoÉ - claramente alinhada com Dantas. Poderia ser uma forma de chamar o banqueiro para conversar", afirma um trecho do dossiê.
Foram três reportagens centrando fogo no dono do Banco Opportunity. A primeira, “Um negócio de espiões”, saiu em 28 de julho de 2004. "Na matéria, ele [Daniel Dantas] era frontalmente acusado de espionar autoridades brasileiras".
A seguda reportagem contra Dantas, "O dia da caça", foi publicada em 3 de novembro de 2004, e afirmava que a Polícia Federal havia deflagrado uma operação contra a Kroll, que, contratada pelo banqueiro Daniel Dantas, teria espionado até o ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.
A terceira e última reportagem contra o banqueiro, “A Usina de Espionagem da Kroll”, saiu na edição do dia 18 de maio de 2005. A reportagem era sobre a "Operação Chacal" da Polícia Federal contra a Kroll.
Confira este trecho do dossiê:
Dizia a matéria:
“Até então, porém, suspeitava-se que a empresa havia atropelado os limites estabelecidos pela Constituição para atender apenas aos interesses da Brasil Telecom – até o mês passado comandada por Daniel Dantas, do banco Opportunity. O material reunido pela PF no curso da investigação, batizada de Operação Chacal, revela, no entanto, que pelo menos desde a década de 90 a Kroll se dedica a monitorar a vida de dezenas de pessoas, entre elas políticos e empresários – e nem sempre por meio de expedientes legais”.
O simples fato de se saber que praticava ilegalidades já seria suficiente para ser tratado com cautela por qualquer jornalismo sério. A revelação de que comprava reportagens recomendava afastamento total.
Nos meses seguintes, porém, uma profunda transformação aconteceria na linha editorial da revista que denunciara, pouco antes, essas manobras de Dantas.
O capítulo seguinte do dossiê é entitulado "Assassinatos de reputação".
É leitura obrigatória. Confira:
No primeiro capítulo, mencionei o uso de matérias jornalísticas nas guerras empresariais e nos processos judiciais. Uma das ações mais abjetas praticada pelo submundo que orbita em torno das chamadas empresas de inteligência - como a Kroll - é o “assassinato de reputação”. Esse é o termo adotado nesse meio.
Trata-se de manobras para levantar escândalos falsos ou verdadeiros, visando destruir a confiança da opinião pública em determinada pessoa.
Alguns episódios são bastante ilustrativos sobre esse tipo de ação, dois deles protagonizados pelo jornalista Ricardo Boechat.
Em abril de 2001, assessores de Dantas procuraram várias mulheres jornalistas do Rio de Janeiro com a história de que a ex-mulher de Luiz Roberto Demarco - o arquiinimigo de Dantas - teria sido espancada pelo marido. Conversaram com Elvira Lobato, da “Folha”, Fernanda Delmas, de “O Globo”, jornalistas do Estadão e da Gazeta Mercantil.
O assessor apresentava um BO (Boletim de Ocorrência) lavrado em uma Delegacia de Mulher. BO não representa julgamento nem apuração: é apenas uma denúncia que qualquer pessoa pode fazer, bastando comparecer a uma delegacia. Depois, é que se irá conferir se tem fundamento ou não.
Procurado, Demarco mostrava o processo de separação. Como a denúncia não era clara ou confiável, ninguém deu nada.
No dia 22 de abril de 2001, aproveitando-se das férias do titular, os assessores do Opportunity conseguiram emplacar uma nota na coluna do Boechat:
"Caso de polícia
O empresário Luiz Roberto Demarco, que anda às turras com o Opportunity, tem um grande problema doméstico. Sua ex-mulher, a executiva Maria Regina Yazbek, entrou na Justiça de São Paulo pedindo a reintegração de posse do BMW Z3, que foi tomado depois de uma separação litigiosa.
O carro era um presente de aniversário.
Demarco espancou a ex-mulher, que ficou internada seis dias no Hospital Albert Einstein.
A agressão foi registrada na 2. Delegacia da Mulher em São Paulo."
De volta das férias, Boechat percebeu a manobra. No dia 6 de maio de 2002 deu, com o mesmo destaque, a retratação da notícia.
"Baixo nível
É pesado o jogo contra Luiz Roberto Demarco, antigo sócio do banqueiro Daniel Dantas e hoje seu adversário em várias ações judiciais.
Semana passada, vários jornais receberam notícias inexatas sobre o processo de divórcio do empresário, tentando atingi-lo moralmente.
A manobra foi conduzida junto às redações por uma assessoria de imprensa a soldo do Banco Opportunity, do qual Dantas é proprietário."
Se tivesse sido constatada a agressão, na qual a vitima supostamente teria ficado seis dias internada no Einstein, o BO teria evoluído para um inquérito policial. Nunca teve seqüência.
A seriedade jornalística custou caro a Boechat. Alguns meses depois, foi abatido por um “assassinato de reputação" cometido pela mesma revista Veja (e já mencionado no primeiro capítulo da nossa história). A revista divulgou um grampo com uma conversa de Boechat com uma fonte, que em nada depunha contra o jornalista. A mão de Dantas estava por trás do dossiê.
Do lado da Veja, as mãos que cometeram o "assassinato de reputação" ainda eram outras.
Na correspondência entre a Kroll e a Brasil Telecom, quando Dantas ainda estava no controle da empresa, era mencionada expressamente a tática do “assassinato de reputação (character assassination).
Dantas ainda estava na era dos pequenos assassinatos. Com pouca entrada na mídia – em função de sua biografia –, precisava apelar para blogs contratados e para jornais fantasmas.
No dia 17 de março de 2004, um tal de “O Povo”, do Rio de Janeiro, tiragem de 2 mil exemplares, publicou matéria escandalosa sobre Demarco.
Plantada em “O Povo” e em um site jurídico, a notícia foi vertida para o inglês e incluída no processo de Nova York, do Citigroup contra Dantas.
Nem houve como processar o tal jornal, que desapareceu na poeira.
Conto isso para mostrar qual era a situação de Dantas no momento em que Veja começou a atacá-lo. Sua única perna na mídia – o jornalista Leonardo Attuch – estava sendo bombardeado pela revista de maior circulação do pais. Os outros pontos de apoio – Giba Um e Cláudio Humberto, o tal de “O Povo” – eram utilizados nos processos judiciais, mas não conseguiam chegar até os formadores de opinião.
Por aqueles dias, Dantas vivia seus piores momentos, uma sucessão de episódios que parecia marcar o fim de sua aventura.
Em julho de 2004 saiu a matéria de Márcio Aith, na “Folha”, sobre o caso Kroll. Em outubro de 2004, a Policia Federal deflagrou a Operação Chacal que pela primeira vez pegou Dantas. Hoje ele responde a três processos na 5a Vara Federal: formação de quadrilha, corrupção ativa e espionagem.
No início de 2005, o Citibank demitiu Dantas por “quebra de confiança fiduciária” - imputação gravíssima no mercado. Os fundos de pensão já tinham feito o mesmo. E, agora, Veja começava a torpedear seus únicos pontos de contato com a mídia.
O que fazer? Dantas procurou se aproximar da revista. A maneira como conseguiu penetrar no centro de comando da Veja e colocar a revista no lugar de "O Povo", merece um capítulo à parte.
Lei Seca
Ministro da Justiça admite "flexão" da MP que proíbe venda de bebidas alcóolicas
A Folha informa que o ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu ontem mudanças na Medida Provisória (MP) que vetou a venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais.
O ministro disse que pode haver uma "flexão" na regulamentação da MP, desde que a proibição de venda para consumo seja mantida.
"Mas nós não podemos impedir as pessoas de comprarem bebidas para levarem para a praia, para as montanhas, no seu carro", declarou Tarso.
O ministro deve ser daquele tipo de gente que acredita em papai noel, gnomos e fadas, pra vir com essa conversa de que pode vender bebida, desde que a pinga não seja consumida na hora.
A "flexão" na MP significa abrir brechas para burlar a lei.
Já imaginou a cena? O camarada chega no buteco e pede a gela. Aí o dono do buteco diz que ele não pode beber a gela na hora. O camarada diz que tudo bem e sai levando a bebida.
O motorista faz de conta que vai cumprir a promessa e o dono do buteco faz de conta que acredita.
A Folha informa que o ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu ontem mudanças na Medida Provisória (MP) que vetou a venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais.
O ministro disse que pode haver uma "flexão" na regulamentação da MP, desde que a proibição de venda para consumo seja mantida.
"Mas nós não podemos impedir as pessoas de comprarem bebidas para levarem para a praia, para as montanhas, no seu carro", declarou Tarso.
O ministro deve ser daquele tipo de gente que acredita em papai noel, gnomos e fadas, pra vir com essa conversa de que pode vender bebida, desde que a pinga não seja consumida na hora.
A "flexão" na MP significa abrir brechas para burlar a lei.
Já imaginou a cena? O camarada chega no buteco e pede a gela. Aí o dono do buteco diz que ele não pode beber a gela na hora. O camarada diz que tudo bem e sai levando a bebida.
O motorista faz de conta que vai cumprir a promessa e o dono do buteco faz de conta que acredita.
Agnaldo Timóteo liga pra Garibaldi e diz que apóia Micarla pra Prefeitura de Natal
Da coluna "Painel" da Folha de São Paulo, hoje:
"O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) recebeu dias atrás uma ligação de Agnaldo Timóteo. Vereador pelo PR em São Paulo, o cantor dizia apoiar a candidatura da deputada estadual Micarla de Souza (PV) à Prefeitura de Natal. E perguntou como andava a disputa.
-Olha, está como naquela música: "Ninguém é de Ninguém"-, respondeu Garibaldi.
Foi a deixa para Timóteo soltar o vozeirão:
-Ninguém é de ninguém, quando se ama alguém... Ninguém é de ninguém, quando a vida nos contém!
A brincadeira não durou pouco: Garibaldi teve de ouvir, paciente, todos os versos da música de João Pedro Pais."
"O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) recebeu dias atrás uma ligação de Agnaldo Timóteo. Vereador pelo PR em São Paulo, o cantor dizia apoiar a candidatura da deputada estadual Micarla de Souza (PV) à Prefeitura de Natal. E perguntou como andava a disputa.
-Olha, está como naquela música: "Ninguém é de Ninguém"-, respondeu Garibaldi.
Foi a deixa para Timóteo soltar o vozeirão:
-Ninguém é de ninguém, quando se ama alguém... Ninguém é de ninguém, quando a vida nos contém!
A brincadeira não durou pouco: Garibaldi teve de ouvir, paciente, todos os versos da música de João Pedro Pais."
Garibaldi é uma incógnita, diz colunista da Folha
A impagável Eliane Cantanhêde, colunista da Folha, elegeu o senador potiguar Garibaldi Alves Filho (PMDB) como tema da sua coluna na edição de hoje do jornal.
Garibaldi, como se sabe, se tornou presidente do Senado após a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL). Eliane faz pouco de Garibaldi, dizendo que "ninguém espera que ele vá mandar lá essas coisas no Senado".
Por outro lado, a intrépida colunista remenda dizendo que Garibaldi também não vai ser um marionete nas mãos dos senadores José Sarney e Romero Jucá nem do presidente Lula.
Eliane diz que se pintar mesmo uma CPI dos cartões corporativos do governo Fedearl, Garibaldi é "uma incógnita a mais, no meio da confusão".
Ainda segundo Eliane, Garibaldi mandou recados tanto para a oposição, como para o governo.
Para a oposição, Garibaldi disse que "Não se devem vulgarizar as CPIs. Ao contrário, deve-se valorizá-las".
Ao governo, por sua vez, Garibaldi alertou que se vier a CPI, ele dará uma de Pôncio Pilatos e lavará as mãos.
Garibaldi, apesar de parecer, não tem nada de bôbo. Está é valorizando o passe dele.
Eliane, pra variar, ainda achou espaço pra defender o ídolo e ex-presidente tucano FHC. Segundo ela, "quem deve tremer [com a possibilidade de uma CPI] não é FHC, que deixou o cargo há cinco anos, mas Lula, o presidente de plantão."
Garibaldi, como se sabe, se tornou presidente do Senado após a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL). Eliane faz pouco de Garibaldi, dizendo que "ninguém espera que ele vá mandar lá essas coisas no Senado".
Por outro lado, a intrépida colunista remenda dizendo que Garibaldi também não vai ser um marionete nas mãos dos senadores José Sarney e Romero Jucá nem do presidente Lula.
Eliane diz que se pintar mesmo uma CPI dos cartões corporativos do governo Fedearl, Garibaldi é "uma incógnita a mais, no meio da confusão".
Ainda segundo Eliane, Garibaldi mandou recados tanto para a oposição, como para o governo.
Para a oposição, Garibaldi disse que "Não se devem vulgarizar as CPIs. Ao contrário, deve-se valorizá-las".
Ao governo, por sua vez, Garibaldi alertou que se vier a CPI, ele dará uma de Pôncio Pilatos e lavará as mãos.
Garibaldi, apesar de parecer, não tem nada de bôbo. Está é valorizando o passe dele.
Eliane, pra variar, ainda achou espaço pra defender o ídolo e ex-presidente tucano FHC. Segundo ela, "quem deve tremer [com a possibilidade de uma CPI] não é FHC, que deixou o cargo há cinco anos, mas Lula, o presidente de plantão."
Os cartões do Serra
A Folha de São Paulo, enfim, saiu da caverna e tocou no assunto dos cartões corporativos do governo de São Paulo, administrado pelo tucano José Serra. Segundo o jornal, a transparência com o uso dos cartões é menor em São Paulo que no governo federal.
Paulo Henrique Amorim informou em seu "Conversa Afiada" que o governo Serra gastou R$ 108 milhões com cartões corporativos em 2007, sendo que 44,58% (R$ 48,3 milhões) desse valor foi sacado no caixa, em dinheiro vivo, o que dificulta a fiscalização.
Na edição de hoje, a Folha diz que o cartão do governo de São Paulo serve para atender a 47 diferentes classificações de despesas, da diária de pessoal a gêneros alimentícios.
Enquanto os gastos com os cartões corporativos do governo federal ficam disponíveis no Portal da Transparência, o jornal diz que o governo de São Paulo não oferece um sistema aberto com essa descrição.
Apenas as bancadas de deputados na Assembléia Legislativa têm acesso aos dados do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária).
Ainda segundo o jornal, o sistema registra a quantia que foi gasta, mas não especifica, necessariamente, em que aquele dinheiro foi usado.
A Folha diz que alguns gastos foram realizados em lojas de acessórios para casa, presentes e churrascarias.
Existem 42.315 cartões de pagamento de despesa no Estado de São Paulo, mas eles não são fornecidos aos ocupantes do primeiro escalão do governo.
A Folha ouviu o governo de São Paulo, que afirmou, em nota, que "não existe cartão corporativo no governo do Estado de São Paulo".
"O que existe é um sistema eletrônico para a realização de despesas do dia-a-dia, como compra de combustíveis, peças para automóveis e suprimentos de informática", afirma a nota.
O jornalista Luis Nassif contesta a nota o governo paulista e afirma, em seu blog no IG, que "é uma bobagem essa história de que cartão do governo federal é corporativo e do governo de São Paulo não é."
"É evidente que existe cartão corporativo em São Paulo. A não ser que se acredite que a conta da Secretaria de Segurança em uma churrascaria – mencionada na reportagem da “Folha” – tenha sido com cartão para gastos com abastecimento de veículos", acrescenta Nassif.
"Cartão corporativo é instrumento válido. Aliás, Ministros, Secretários de Estado, têm que dispor de verba de representação. Inclusive para comprar roupas apresentáveis, pagar contas de convidados especiais e tudo mais. São despesas inerentes ao cargo", completa ele.
A invenção da crise
No plano federal, a "crise dos cartões" não passa de uma clara tentativa da mídia de manipular e exacerbar os fatos.
Em São Paulo, onde também há a utilização desses cartões, a mídia não falou em "crise" nem clamou por nenhuma CPI.
Nenhum dos dois casos justifica o emprego da terminologia "crise". O governo federal demorou a dar uma resposta à "crise".
Apenas na quarta-feira, quando o Congresso Nacional voltou a trabalhar, o governo saiu na frente e propôs a criação de uma CPI para investigar o uso dos cartões desde 1998, atingindo também o governo do ex-presidente FHC.
Na mesma quarta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que o governo vai continuar usando os cartões corporativos, porque eles são mais fáceis de se controlar.
O governo deveria ter vindo a público antes e colocado os pingos nos "is", esclarecendo às pessoas sobre a utilização e transparência dos cartões. O governo deveria ter dito com todas as letras que possíveis casos de má utilização dos cartões seriam investigados e os responsáveis punidos.
Dessa forma, teria quebrado as pernas da mídia golpista e desarmado as meretrizes da oposição, que, como disse antes, vivem de apregoar as virtudes da castidade.
Demorou a responder e, mais uma vez, sofreu um desgaste desnecessário. Agora, precisa correr atrás para recuperar o terreno perdido.
Paulo Henrique Amorim informou em seu "Conversa Afiada" que o governo Serra gastou R$ 108 milhões com cartões corporativos em 2007, sendo que 44,58% (R$ 48,3 milhões) desse valor foi sacado no caixa, em dinheiro vivo, o que dificulta a fiscalização.
Na edição de hoje, a Folha diz que o cartão do governo de São Paulo serve para atender a 47 diferentes classificações de despesas, da diária de pessoal a gêneros alimentícios.
Enquanto os gastos com os cartões corporativos do governo federal ficam disponíveis no Portal da Transparência, o jornal diz que o governo de São Paulo não oferece um sistema aberto com essa descrição.
Apenas as bancadas de deputados na Assembléia Legislativa têm acesso aos dados do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária).
Ainda segundo o jornal, o sistema registra a quantia que foi gasta, mas não especifica, necessariamente, em que aquele dinheiro foi usado.
A Folha diz que alguns gastos foram realizados em lojas de acessórios para casa, presentes e churrascarias.
Existem 42.315 cartões de pagamento de despesa no Estado de São Paulo, mas eles não são fornecidos aos ocupantes do primeiro escalão do governo.
A Folha ouviu o governo de São Paulo, que afirmou, em nota, que "não existe cartão corporativo no governo do Estado de São Paulo".
"O que existe é um sistema eletrônico para a realização de despesas do dia-a-dia, como compra de combustíveis, peças para automóveis e suprimentos de informática", afirma a nota.
O jornalista Luis Nassif contesta a nota o governo paulista e afirma, em seu blog no IG, que "é uma bobagem essa história de que cartão do governo federal é corporativo e do governo de São Paulo não é."
"É evidente que existe cartão corporativo em São Paulo. A não ser que se acredite que a conta da Secretaria de Segurança em uma churrascaria – mencionada na reportagem da “Folha” – tenha sido com cartão para gastos com abastecimento de veículos", acrescenta Nassif.
"Cartão corporativo é instrumento válido. Aliás, Ministros, Secretários de Estado, têm que dispor de verba de representação. Inclusive para comprar roupas apresentáveis, pagar contas de convidados especiais e tudo mais. São despesas inerentes ao cargo", completa ele.
A invenção da crise
No plano federal, a "crise dos cartões" não passa de uma clara tentativa da mídia de manipular e exacerbar os fatos.
Em São Paulo, onde também há a utilização desses cartões, a mídia não falou em "crise" nem clamou por nenhuma CPI.
Nenhum dos dois casos justifica o emprego da terminologia "crise". O governo federal demorou a dar uma resposta à "crise".
Apenas na quarta-feira, quando o Congresso Nacional voltou a trabalhar, o governo saiu na frente e propôs a criação de uma CPI para investigar o uso dos cartões desde 1998, atingindo também o governo do ex-presidente FHC.
Na mesma quarta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que o governo vai continuar usando os cartões corporativos, porque eles são mais fáceis de se controlar.
O governo deveria ter vindo a público antes e colocado os pingos nos "is", esclarecendo às pessoas sobre a utilização e transparência dos cartões. O governo deveria ter dito com todas as letras que possíveis casos de má utilização dos cartões seriam investigados e os responsáveis punidos.
Dessa forma, teria quebrado as pernas da mídia golpista e desarmado as meretrizes da oposição, que, como disse antes, vivem de apregoar as virtudes da castidade.
Demorou a responder e, mais uma vez, sofreu um desgaste desnecessário. Agora, precisa correr atrás para recuperar o terreno perdido.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Mutantes da Record ganham do jogo do Corinthians na Globo
Segundo a Folha Online, a novela "Caminhos do Coração" da Record superou a audiência da Globo, quarta-feira passada à noite.
No horário, a Globo transmitia o jogo Corinthians X Barueri pelo Campeonato Paulista.
De acordo com os dados consolidados do Ibope, a novela dos mutantes da Record registrou 22 pontos de média, contra 20 do jogo na Globo.
No momento de pico, "Caminhos do Coração" marcou 26 pontos, contra 15 da Globo.
É a maldição do Corinthians, que caiu para a segundona e ontem à noite levou a Globo junto.
A Globo, pelo visto, não é mais tão hegemônica assim em termos de audiência. A Record vem investindo na sua programação e tem dado muita dor de cabeça à emissora da família Marinho.
Mas já disse aqui antes, quando comentei essa briga entre as duas emissoras, que longe de despertar empolgação, a perda de audiência da Globo para a Record representa mais do mesmo.
O fôlego da Record não se apóia numa programação de qualidade, inovadora e criativa. Pelo contrário. A emissora do bispo Edir Macêdo vem copiando exaustivamente a fórmula global de fazer televisão. As novelas são iguais, os telejornais são iguais, a linha de shows é igual. Nada se cria. Tudo se copia.
Justiça seja feita, "Caminhos do Coração" não é uma novela dessas convencionais. Mas na tentativa de inovar, a emissora colocou no ar uma trama tão sem pé nem cabeça que chega a ser ridícula. Parece filme de terror trash. É tanto mutante na tela que a gente fica zonzo. Parece que agora vai ter também um dinossauro e um sapo gigante. É sensacionalismo novelesco puro.
Além dessa questão da programação ser clonada da Globo, não podemos esquecer que o crescimento da Record significa também o fortalecimento de Edir Macêdo e da sua Igreja Universal do Reino de Deus - que abastece os cofres da emissora com os dízimos de milhões de fiéis ingênuos.
A disputa, portanto, é por hegemonia e poder.
P.S.: Por falar em Globo, Ricardo Feltrin, colunista do "UOL News", revelou que o jornalista Maurício Kubrusly foi eleito o pior repórter/apresentador do Carnaval na TV este ano.
Maurício ficou com 35% dos 32 mil votos da enquete promovida pelo "Uol News".
O segundo lugar ficou com o também global Chico Pinheiro (23,6%).
O terceiro lugar ficou com a ex-BBB (vejam só o "título" da moça!) Íris Stephanelli, atualmente apresentadora da Rede TV! (19,8%).
No horário, a Globo transmitia o jogo Corinthians X Barueri pelo Campeonato Paulista.
De acordo com os dados consolidados do Ibope, a novela dos mutantes da Record registrou 22 pontos de média, contra 20 do jogo na Globo.
No momento de pico, "Caminhos do Coração" marcou 26 pontos, contra 15 da Globo.
É a maldição do Corinthians, que caiu para a segundona e ontem à noite levou a Globo junto.
A Globo, pelo visto, não é mais tão hegemônica assim em termos de audiência. A Record vem investindo na sua programação e tem dado muita dor de cabeça à emissora da família Marinho.
Mas já disse aqui antes, quando comentei essa briga entre as duas emissoras, que longe de despertar empolgação, a perda de audiência da Globo para a Record representa mais do mesmo.
O fôlego da Record não se apóia numa programação de qualidade, inovadora e criativa. Pelo contrário. A emissora do bispo Edir Macêdo vem copiando exaustivamente a fórmula global de fazer televisão. As novelas são iguais, os telejornais são iguais, a linha de shows é igual. Nada se cria. Tudo se copia.
Justiça seja feita, "Caminhos do Coração" não é uma novela dessas convencionais. Mas na tentativa de inovar, a emissora colocou no ar uma trama tão sem pé nem cabeça que chega a ser ridícula. Parece filme de terror trash. É tanto mutante na tela que a gente fica zonzo. Parece que agora vai ter também um dinossauro e um sapo gigante. É sensacionalismo novelesco puro.
Além dessa questão da programação ser clonada da Globo, não podemos esquecer que o crescimento da Record significa também o fortalecimento de Edir Macêdo e da sua Igreja Universal do Reino de Deus - que abastece os cofres da emissora com os dízimos de milhões de fiéis ingênuos.
A disputa, portanto, é por hegemonia e poder.
P.S.: Por falar em Globo, Ricardo Feltrin, colunista do "UOL News", revelou que o jornalista Maurício Kubrusly foi eleito o pior repórter/apresentador do Carnaval na TV este ano.
Maurício ficou com 35% dos 32 mil votos da enquete promovida pelo "Uol News".
O segundo lugar ficou com o também global Chico Pinheiro (23,6%).
O terceiro lugar ficou com a ex-BBB (vejam só o "título" da moça!) Íris Stephanelli, atualmente apresentadora da Rede TV! (19,8%).
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
O nome da crise IV
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse hoje, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, que o governo é "a favor do cartão de pagamento porque ele é rastreável, mais transparente e porque o controle é maior".
"Não se paga despesa pessoal com ele, como não se pode usar os fundos, o saque em conta corrente para pagar gasto pessoal", completou a ministra.
O governo começou a reagir à oposição e à mídia golpista. No Senado, o líder Romero Jucá (PMDB-RR) protocolou o requerimento para a instalação da CPI para investigar o uso indevido dos cartões corporativos desde 1998, o que atinge também o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O ato do governo deixou a oposição irritada. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que se tratava de uma "manobra" do governo.
"Não se trata de manobra nem cortina de fumaça. A oposição não quer investigar? Então investiguemos", respondeu o senador Jucá.
O governo não pode abrir mão de investigar o uso dos cartões no período tucano-pefelê. É a única forma de fazer cair a máscara da oposição golpista e suas meretrizes, que vivem a apregoar as virtudes da castidade.
Para se ter uma idéia da parcialidade da mídia, Paulo Henrique Amorim mostra em seu "Conversa Afiada" que 44,58% dos gastos com cartão corporativo em São Paulo são saques diretos no caixa.
Ainda segundo PHA, os gastos com cartão corporativo cresceram 5,82% em 2007, no governo José Serra (PSDB), acima da inflação.
Os dados são do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária) e foram entregues por um funcionário da liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo ao editor do "Conversa Afiada".
Paulo Henrique Amorim também diz que a Folha de S. Paulo teve acesso as tabelas com os dados.
Até agora, a Folha de S. Paulo não publicou esses dados.
"Não se paga despesa pessoal com ele, como não se pode usar os fundos, o saque em conta corrente para pagar gasto pessoal", completou a ministra.
O governo começou a reagir à oposição e à mídia golpista. No Senado, o líder Romero Jucá (PMDB-RR) protocolou o requerimento para a instalação da CPI para investigar o uso indevido dos cartões corporativos desde 1998, o que atinge também o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O ato do governo deixou a oposição irritada. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que se tratava de uma "manobra" do governo.
"Não se trata de manobra nem cortina de fumaça. A oposição não quer investigar? Então investiguemos", respondeu o senador Jucá.
O governo não pode abrir mão de investigar o uso dos cartões no período tucano-pefelê. É a única forma de fazer cair a máscara da oposição golpista e suas meretrizes, que vivem a apregoar as virtudes da castidade.
Para se ter uma idéia da parcialidade da mídia, Paulo Henrique Amorim mostra em seu "Conversa Afiada" que 44,58% dos gastos com cartão corporativo em São Paulo são saques diretos no caixa.
Ainda segundo PHA, os gastos com cartão corporativo cresceram 5,82% em 2007, no governo José Serra (PSDB), acima da inflação.
Os dados são do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária) e foram entregues por um funcionário da liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo ao editor do "Conversa Afiada".
Paulo Henrique Amorim também diz que a Folha de S. Paulo teve acesso as tabelas com os dados.
Até agora, a Folha de S. Paulo não publicou esses dados.
Carta Capital sobe; Veja cai
O instituto Marplan divulgou uma pesquisa mostrando que a Carta Capital foi a única revista brasileira a crescer em número de leitores em 2007. A informação está no "Conversa Afiada", do jornalista Paulo Henrique Amorim.
No levantamento entre outubro de 2006 e setembro de 2007, o número de leitores da Carta Capital cresceu 15%.
Enquanto a Carta Capital registrou crescimento, a Veja caiu 9% no número de leitores. IstoÉ caiu 18% e IstoÉ Dinheiro caiu 34%.
A diretora comercial da Carta Capital, Paula Kenan, disse a Paulo Henrique Amorim que as regiões em que a revista mais cresce é no Rio de Janeiro e no Nordeste.
Ainda segundo Paulo Henrique Amorim, a Carta Capital tem uma tiragem de quase 80 mil exemplares por mês (60% assinaturas e 40% venda em bancas).
No levantamento entre outubro de 2006 e setembro de 2007, o número de leitores da Carta Capital cresceu 15%.
Enquanto a Carta Capital registrou crescimento, a Veja caiu 9% no número de leitores. IstoÉ caiu 18% e IstoÉ Dinheiro caiu 34%.
A diretora comercial da Carta Capital, Paula Kenan, disse a Paulo Henrique Amorim que as regiões em que a revista mais cresce é no Rio de Janeiro e no Nordeste.
Ainda segundo Paulo Henrique Amorim, a Carta Capital tem uma tiragem de quase 80 mil exemplares por mês (60% assinaturas e 40% venda em bancas).
Superterça
Hillary Clinton vence Barack Obama
Os resultados da chamada "superterça", dia em que 24 estados foram às urnas para escolher os candidatos à presidência americana, deram a vitória ao republicano John McCain e à democrata Hillary Clinton.
As vitórias de McCain e Hillary representaram, mais uma vez, a derrota dos institutos de pesquisa, que voltaram a errar em suas projeções eleitorais.
Na Califórnia, as pesquisas diziam que haveria empate entre Hillary e Obama. Hillary ganhou com ampla vantagem naquele estado - o mais importante em número de delegados para a convenção partidária.
Também na Califórnia, as pesquisas previam vitória do ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney. O vitorioso foi McCain, que se isolou na liderança das prévais republicanas.
No front democrata, Obama venceu em 22 dos 24 estados onde houve votação, mas Hillary ganhou nos estados mais representativos em número de delegados.
Na contabilidade geral, Hillary tem 818 delegados, contra 730 de Obama. Para ser o indicado pelo Partido Democrata, o pré-candidato precisa de 2.025 delegados.
O republicano McCain tem 680 delegados, contra 270 para Mitt Romney e 176 para Mike Huckabee.
No Partido Republicano, para ser o escolhido, o pré-candidato precisa somar 1.191 delegados.
Atualizado às 21h50
Ainda faltam 24 prévias e a indefinição sobre quem será o candidato democrata deve persistir durante um bom tempo.
No calendário dos democratas, o próximo embate será no sábado (dia 9), na Lousiana e em Nebraska.
Depois, na terça-feira (dia 12), acontecem as prévias da Virginia e em Maryland, que valem, somadas, 200 delegados.
Em seguida, será a vez do Texas e Ohio, no dia 4 de março, quando estarão em jogo 389 delegados.
A Pensilvânia realiza as suas prévias no dia 22 de abril. A disputa vale 188 delegados.
Os estados da Indiana e da Carolina do Norte fazem as prévias no dia 6 de maio.
Finalmente, no dia 7 de junho, acontecem as últimas prévias, em Porto Rico.
Os vencedores das prévias democratas e republicanas serão confirmados nas convenções dos partidos e disputarão as eleições americanas no dia 4 de novembro.
Os resultados da chamada "superterça", dia em que 24 estados foram às urnas para escolher os candidatos à presidência americana, deram a vitória ao republicano John McCain e à democrata Hillary Clinton.
As vitórias de McCain e Hillary representaram, mais uma vez, a derrota dos institutos de pesquisa, que voltaram a errar em suas projeções eleitorais.
Na Califórnia, as pesquisas diziam que haveria empate entre Hillary e Obama. Hillary ganhou com ampla vantagem naquele estado - o mais importante em número de delegados para a convenção partidária.
Também na Califórnia, as pesquisas previam vitória do ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney. O vitorioso foi McCain, que se isolou na liderança das prévais republicanas.
No front democrata, Obama venceu em 22 dos 24 estados onde houve votação, mas Hillary ganhou nos estados mais representativos em número de delegados.
Na contabilidade geral, Hillary tem 818 delegados, contra 730 de Obama. Para ser o indicado pelo Partido Democrata, o pré-candidato precisa de 2.025 delegados.
O republicano McCain tem 680 delegados, contra 270 para Mitt Romney e 176 para Mike Huckabee.
No Partido Republicano, para ser o escolhido, o pré-candidato precisa somar 1.191 delegados.
Atualizado às 21h50
Ainda faltam 24 prévias e a indefinição sobre quem será o candidato democrata deve persistir durante um bom tempo.
No calendário dos democratas, o próximo embate será no sábado (dia 9), na Lousiana e em Nebraska.
Depois, na terça-feira (dia 12), acontecem as prévias da Virginia e em Maryland, que valem, somadas, 200 delegados.
Em seguida, será a vez do Texas e Ohio, no dia 4 de março, quando estarão em jogo 389 delegados.
A Pensilvânia realiza as suas prévias no dia 22 de abril. A disputa vale 188 delegados.
Os estados da Indiana e da Carolina do Norte fazem as prévias no dia 6 de maio.
Finalmente, no dia 7 de junho, acontecem as últimas prévias, em Porto Rico.
Os vencedores das prévias democratas e republicanas serão confirmados nas convenções dos partidos e disputarão as eleições americanas no dia 4 de novembro.
O nome da crise III
A "crise dos cartões" continua na pauta da mídia hoje.
A Folha de São Paulo segue em sua jornada incansável, atualizando diariamente a contagem dos gastos com os cartões corporativos.
Na edição de hoje, a manchete da capa diz que as agências reguladoras do governo federal (Anatel, Anvisa, entre outras) gastaram mais de R$ 1 milhão nos cartões de crédito corporativos do governo em 2007.
O jornal não esqueceu de levantar o tipo de gasto das agências, que teria sido, em sua maioria, gastos com lojas de material de construção, papelarias, postos de gasolina, supermercados ou por meio de saques em dinheiro.
O que isso quer dizer? Em princípio, absolutamente nada.
O que o jornal e o resto da mídia querem, ao ressaltar o valor gasto com os cartões, é que a gente associe automaticamente o uso destes cartões à corrupção. É manipulação das mais deslavadas.
As agências, por exemplo, como registra o próprio jornal, fazem a fiscalização dos serviços prestados pelas concessionárias, que atuam nos mais diversos setores, como energia, estradas e telefonia.
É evidente que este trabalho demanda gastos. É mais evidente ainda que a fiscalização exercida por estas agências, vital para o funcionamento correto dos serviços à população, não pode se pautar pelo ritmo da burocracia.
O direcionamento da cobertura é criminoso, além de ser também mais uma clara demonstração de engajamento da mídia na tentativa de derrubar o presidente Lula. Não esqueçamos que este ano tem eleições municipais.
A Folha de São Paulo segue em sua jornada incansável, atualizando diariamente a contagem dos gastos com os cartões corporativos.
Na edição de hoje, a manchete da capa diz que as agências reguladoras do governo federal (Anatel, Anvisa, entre outras) gastaram mais de R$ 1 milhão nos cartões de crédito corporativos do governo em 2007.
O jornal não esqueceu de levantar o tipo de gasto das agências, que teria sido, em sua maioria, gastos com lojas de material de construção, papelarias, postos de gasolina, supermercados ou por meio de saques em dinheiro.
O que isso quer dizer? Em princípio, absolutamente nada.
O que o jornal e o resto da mídia querem, ao ressaltar o valor gasto com os cartões, é que a gente associe automaticamente o uso destes cartões à corrupção. É manipulação das mais deslavadas.
As agências, por exemplo, como registra o próprio jornal, fazem a fiscalização dos serviços prestados pelas concessionárias, que atuam nos mais diversos setores, como energia, estradas e telefonia.
É evidente que este trabalho demanda gastos. É mais evidente ainda que a fiscalização exercida por estas agências, vital para o funcionamento correto dos serviços à população, não pode se pautar pelo ritmo da burocracia.
O direcionamento da cobertura é criminoso, além de ser também mais uma clara demonstração de engajamento da mídia na tentativa de derrubar o presidente Lula. Não esqueçamos que este ano tem eleições municipais.
Despedida de carnaval
Alô, fevereiro! É isso aí, queira ou não queira, todo carnaval tem seu fim...
E pra se despedir do carnaval, curtam o vídeo da Roberta Sá cantando "Novo Amor", no estúdio com Hamilton de Holanda.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
O nome da crise II
A "crise dos cartões" continua em alta na mídia.
A Folha de São Paulo de hoje traz uma reportagem sobre os gastos de seguranças do presidente Lula em São Bernardo (SP).
O jornal também dá espaço para a oposição, que quer instalar a "CPI da tapioca" e chama a "crise dos cartões" de "mensalinho para privilegiados".
Na mesma Folha de São Paulo, Eliane Cantanhêde (sempre ela!) também falou da "crise dos cartões".
No Jornal do Brasil, o presidente do senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), pede punição para quem cometeu irregularidades no cartão corporativo.
Leia abaixo o que você não vai ler nem ouvir nos jornais e telejornais do PIG:
Gasto com cartão corporativo representa 0,004% das despesas do governo
As despesas com cartões corporativos no governo Lula situam-se entre 0,002% e 0,004% do total de gastos do Poder Executivo, segundo dados divulgados pela CGU (Controladoria Geral da União).
“Quanto às despesas sigilosas”, lembra o secretário executivo da CGU, Luiz Navarro, “além de representarem uma pequena porcentagem do total, elas são previstas em lei há muito anos, não sendo criação do atual governo, nem particularidade do Brasil, pois existem em qualquer país do mundo”.
Tucanos gastaram quase o dobro
A Controaladoria também revela que enquanto em 2001 e 2002 os gastos do governo federal com suprimento de fundos (que envolvem o uso dos cartões corporativos e as chamadas contas tipo B) foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente, a partir de 2003 --início do governo Lula-- esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões.
Em 2003 as despesas com suprimento de fundos foram de R$ 145,1 milhões; em 2004 de R$ 145,9 milhões: em 2005 de R$ 125,4 milhões; no ano seguinte de R$ 127,1 milhões. No ano passado, em decorrência de algumas excepcionalidades, chegaram a R$ 176,9 milhões, ainda assim muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002.
Eventos especiais
O crescimento dessas despesas em 2007 deveu-se à realização de dois censos pelo IBGE (censo agropecuário e contagem da população nos pequenos e médios municípios), às ações de inteligência da Abin visando a segurança durante os jogos Pan-americanos e a intensificação das operações especiais da Polícia Federal.
Nesses três órgãos, a soma das despesas pagas com o uso dos cartões chegou, em 2007, a R$ 41,4 milhões e representou 82,4% de todo o aumento de gastos do governo federal pagos com os cartões durante o ano. As informações estão disponíveis no Siafi e no Portal da Transparência, este último implantado a partir de 2004.
Situações como essas do IBGE, do PAN e da PF explicam não só o crescimento do uso do cartão, como também a expansão do volume de saques, em vez do faturamento direto, já que se trata da realização de despesas em áreas rurais e de pequenas comunidades onde não funcionam as redes afiliadas aos cartões eletrônicos, ou, no caso do PAN e da PF, de movimentação necessariamente sigilosa de agentes da Abin e outros órgãos de inteligência e segurança.
Transparência preservada
Ao divulgar essas informações, o secretário Luiz Navarro informou que o cartão de pagamento foi instituído no final de 2001. Segundo ele o crescimento do uso do cartão é uma política de governo, que vem sendo intencionalmente estimulada em substituição às contas tipo B, em que o funcionário recebe o suprimento, deposita no banco e vai emitindo cheques.
“O cartão é um instrumento mais moderno, que permite melhor controle do que o velho talonário de cheques”, disse ele, acrescentando que “o aumento das despesas pagas com o uso do cartão nos últimos anos acontece, na grande maioria dos casos, simultaneamente a uma redução no volume de pagamentos feitos pelo sistema antigo (tipo B) e corresponde à gradativa migração de um sistema para o outro.”
No entendimento da CGU, a utilização do cartão eletrônico em lugar das tradicionais contas com talão de cheque é muito positiva na medida em que facilita o controle tanto pelo próprio gestor sobre os funcionários que efetuam os pagamentos das pequenas despesas e dos gastos em viagens, como pela Controladoria, por meio dos extratos eletrônicos emitidos pela administradora do Banco do Brasil.
O que deve ser observada é a preferência pela compra direta mediante faturamento e a limitação dos saques em dinheiro para os casos em que isso seja inevitável, como os revelados acima e outros órgãos que operam em zonas rurais, como o Ibama, o Incra, a Funai; e dos que têm de fazer deslocamentos constantes e sigilosos como a Polícia Federal e a Abin.
Por fim, diz ele, “cabe lembrar que a imprensa e, por meio dela, a sociedade hoje podem acompanhar fácil e completamente tudo isso graças à política de transparência pública adotada pelo atual governo – por exemplo, por meio do Portal da Transparência. Até 2004 essa possibilidade simplesmente inexistia”, conclui.
Fonte: Portal do PT
A Folha de São Paulo de hoje traz uma reportagem sobre os gastos de seguranças do presidente Lula em São Bernardo (SP).
O jornal também dá espaço para a oposição, que quer instalar a "CPI da tapioca" e chama a "crise dos cartões" de "mensalinho para privilegiados".
Na mesma Folha de São Paulo, Eliane Cantanhêde (sempre ela!) também falou da "crise dos cartões".
No Jornal do Brasil, o presidente do senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), pede punição para quem cometeu irregularidades no cartão corporativo.
Leia abaixo o que você não vai ler nem ouvir nos jornais e telejornais do PIG:
Gasto com cartão corporativo representa 0,004% das despesas do governo
As despesas com cartões corporativos no governo Lula situam-se entre 0,002% e 0,004% do total de gastos do Poder Executivo, segundo dados divulgados pela CGU (Controladoria Geral da União).
“Quanto às despesas sigilosas”, lembra o secretário executivo da CGU, Luiz Navarro, “além de representarem uma pequena porcentagem do total, elas são previstas em lei há muito anos, não sendo criação do atual governo, nem particularidade do Brasil, pois existem em qualquer país do mundo”.
Tucanos gastaram quase o dobro
A Controaladoria também revela que enquanto em 2001 e 2002 os gastos do governo federal com suprimento de fundos (que envolvem o uso dos cartões corporativos e as chamadas contas tipo B) foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente, a partir de 2003 --início do governo Lula-- esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões.
Em 2003 as despesas com suprimento de fundos foram de R$ 145,1 milhões; em 2004 de R$ 145,9 milhões: em 2005 de R$ 125,4 milhões; no ano seguinte de R$ 127,1 milhões. No ano passado, em decorrência de algumas excepcionalidades, chegaram a R$ 176,9 milhões, ainda assim muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002.
Eventos especiais
O crescimento dessas despesas em 2007 deveu-se à realização de dois censos pelo IBGE (censo agropecuário e contagem da população nos pequenos e médios municípios), às ações de inteligência da Abin visando a segurança durante os jogos Pan-americanos e a intensificação das operações especiais da Polícia Federal.
Nesses três órgãos, a soma das despesas pagas com o uso dos cartões chegou, em 2007, a R$ 41,4 milhões e representou 82,4% de todo o aumento de gastos do governo federal pagos com os cartões durante o ano. As informações estão disponíveis no Siafi e no Portal da Transparência, este último implantado a partir de 2004.
Situações como essas do IBGE, do PAN e da PF explicam não só o crescimento do uso do cartão, como também a expansão do volume de saques, em vez do faturamento direto, já que se trata da realização de despesas em áreas rurais e de pequenas comunidades onde não funcionam as redes afiliadas aos cartões eletrônicos, ou, no caso do PAN e da PF, de movimentação necessariamente sigilosa de agentes da Abin e outros órgãos de inteligência e segurança.
Transparência preservada
Ao divulgar essas informações, o secretário Luiz Navarro informou que o cartão de pagamento foi instituído no final de 2001. Segundo ele o crescimento do uso do cartão é uma política de governo, que vem sendo intencionalmente estimulada em substituição às contas tipo B, em que o funcionário recebe o suprimento, deposita no banco e vai emitindo cheques.
“O cartão é um instrumento mais moderno, que permite melhor controle do que o velho talonário de cheques”, disse ele, acrescentando que “o aumento das despesas pagas com o uso do cartão nos últimos anos acontece, na grande maioria dos casos, simultaneamente a uma redução no volume de pagamentos feitos pelo sistema antigo (tipo B) e corresponde à gradativa migração de um sistema para o outro.”
No entendimento da CGU, a utilização do cartão eletrônico em lugar das tradicionais contas com talão de cheque é muito positiva na medida em que facilita o controle tanto pelo próprio gestor sobre os funcionários que efetuam os pagamentos das pequenas despesas e dos gastos em viagens, como pela Controladoria, por meio dos extratos eletrônicos emitidos pela administradora do Banco do Brasil.
O que deve ser observada é a preferência pela compra direta mediante faturamento e a limitação dos saques em dinheiro para os casos em que isso seja inevitável, como os revelados acima e outros órgãos que operam em zonas rurais, como o Ibama, o Incra, a Funai; e dos que têm de fazer deslocamentos constantes e sigilosos como a Polícia Federal e a Abin.
Por fim, diz ele, “cabe lembrar que a imprensa e, por meio dela, a sociedade hoje podem acompanhar fácil e completamente tudo isso graças à política de transparência pública adotada pelo atual governo – por exemplo, por meio do Portal da Transparência. Até 2004 essa possibilidade simplesmente inexistia”, conclui.
Fonte: Portal do PT
Prefeito de Recife manda Igreja Católica "cuidar das almas"
A Igreja Católica tentou impedir a distribuição de pílulas do dia seguinte pela Secretaria Municipal de Saúde do Recife, durante o carnaval.
O arcebispo de Recife e Olinda, d. José Cardoso Sobrinho, tentou entrar com uma ação judicial, alegando que o contraceptivo era abortivo e contrário à vida, mas o Ministério Público Estadual (MP-PE) não levou o processo adiante. As informações são do Portal Terra.
O prefeito do Recife, João Paulo (PT), disse que a prefeitura não poderia acatar a posição da arquidiocese.
Ainda segundo o portal da internet, o prefeito ressaltou que a oferta de pílulas do dia seguinte segue uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Se a Igreja quiser cuidar das almas que cuide, mas não da saúde pública", declarou o prefeito.
O arcebispo de Recife e Olinda, d. José Cardoso Sobrinho, tentou entrar com uma ação judicial, alegando que o contraceptivo era abortivo e contrário à vida, mas o Ministério Público Estadual (MP-PE) não levou o processo adiante. As informações são do Portal Terra.
O prefeito do Recife, João Paulo (PT), disse que a prefeitura não poderia acatar a posição da arquidiocese.
Ainda segundo o portal da internet, o prefeito ressaltou que a oferta de pílulas do dia seguinte segue uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Se a Igreja quiser cuidar das almas que cuide, mas não da saúde pública", declarou o prefeito.
Tapioca virou gênero jornalístico
Luis Nassif acaba de criar um novo gênero jornalístico. É o Jornalismo Tapioca.
Nenhuma alusão à maneira como é preparada esta iguaria nordestina e à fama dos jornalistas de virarem de lado de acordo com a conveniência da situação.
O novo gênero se inspirou no episódio envolvendo o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que pagou uma tapioca com o cartão corporativo do governo federal. A tapioca custou R$ 8,00.
A oposição, que não aceita ser oposição e quer governar no lugar do governo, espera apenas o fim do recesso parlamentar para instalar a "CPI da tapioca".
Luis Nassif divulgou o manual do Jornalismo Tapioca, que contém os critérios de noticiabilidade do Jornalismo Tapioca.
Confira:
1. Proximidade: pense numa "crise" que pode estar mais próxima. Por exemplo: esqueça a febre amarela, que já não rende notícia. Vá atrás, mesmo no outro lado do mundo, de tapiocas, diárias, cartões corporativos, etc.
2. Relevância: Mostre que as questões mais banais e prosaicas podem ser tratadas como se fossem relevantes. Afinal, não é dado ao jornalismo tapioca levar o leitor a pensar em coisas realmente sérias.
3. Curiosidade: não tenha vergonha de fazer coberturas curiosas. Por exemplo, faça seriamente (e de preferência com ar grave) perguntas em coletivas sobre, digamos, o preço das tapiocas.
4. Interesse Humano: dramatize se necessário, para tentar vender o peixe. Por exemplo, sugira que uma visita protocolar de um ministro a outro país pode esconder coisas graves, muito graves, graves mesmo, talvez mesmo gravíssimas. Não tenha medo do exagero.
5. Descobertas na Ciência e Inovação Tecnológica: entre a complexidade da reativação de um parque industrial militar e a composição da tapioca, fique com o último se assim o determinar o editor.
Nenhuma alusão à maneira como é preparada esta iguaria nordestina e à fama dos jornalistas de virarem de lado de acordo com a conveniência da situação.
O novo gênero se inspirou no episódio envolvendo o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que pagou uma tapioca com o cartão corporativo do governo federal. A tapioca custou R$ 8,00.
A oposição, que não aceita ser oposição e quer governar no lugar do governo, espera apenas o fim do recesso parlamentar para instalar a "CPI da tapioca".
Luis Nassif divulgou o manual do Jornalismo Tapioca, que contém os critérios de noticiabilidade do Jornalismo Tapioca.
Confira:
1. Proximidade: pense numa "crise" que pode estar mais próxima. Por exemplo: esqueça a febre amarela, que já não rende notícia. Vá atrás, mesmo no outro lado do mundo, de tapiocas, diárias, cartões corporativos, etc.
2. Relevância: Mostre que as questões mais banais e prosaicas podem ser tratadas como se fossem relevantes. Afinal, não é dado ao jornalismo tapioca levar o leitor a pensar em coisas realmente sérias.
3. Curiosidade: não tenha vergonha de fazer coberturas curiosas. Por exemplo, faça seriamente (e de preferência com ar grave) perguntas em coletivas sobre, digamos, o preço das tapiocas.
4. Interesse Humano: dramatize se necessário, para tentar vender o peixe. Por exemplo, sugira que uma visita protocolar de um ministro a outro país pode esconder coisas graves, muito graves, graves mesmo, talvez mesmo gravíssimas. Não tenha medo do exagero.
5. Descobertas na Ciência e Inovação Tecnológica: entre a complexidade da reativação de um parque industrial militar e a composição da tapioca, fique com o último se assim o determinar o editor.
Roberta Sá canta na "apoteose do frevo" de Recife
A cantora potiguar Roberta Sá voltar a dar o ar da sua graça hoje à noite no carnaval de Recife, quando acontece a apoteose do frevo, espécie de despedida da folia, tradição do carnaval da capital pernambucana.
Roberta Sá canta no Pólo Multicultural, no Marco Zero. A apoteose do frevo começa à meia-noite com show de Alceu Valença.
Depois do show de Alceu, o maestro Spok comanda a festa, que contará ainda com Alcione, Moraes Moreira, Pedro Luiz, Claudinor Germano, Lenine, Alceu, Antúlio Madureira, Silvério Pessoa, Coral Edgar Moraes, Gustavo Travassos, Lula e Nena Queiroga.
Ano que vem, Recife que me espere... Ah, se eu vou...
Roberta Sá canta no Pólo Multicultural, no Marco Zero. A apoteose do frevo começa à meia-noite com show de Alceu Valença.
Depois do show de Alceu, o maestro Spok comanda a festa, que contará ainda com Alcione, Moraes Moreira, Pedro Luiz, Claudinor Germano, Lenine, Alceu, Antúlio Madureira, Silvério Pessoa, Coral Edgar Moraes, Gustavo Travassos, Lula e Nena Queiroga.
Ano que vem, Recife que me espere... Ah, se eu vou...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
O nome da crise
Faz tempo que a chamada grande imprensa atua como se fosse um partido político no Brasil. Desde que Lula tomou posse como presidente pela primeira vez, em 2003, a mídia fez inúmeras tentativas de derrubar o governo, produzindo uma crise atrás da outra.
É verdade que alguns integrantes do governo e do PT deram margem à execração, mas é fato que os grandes jornais e redes de televisão pautaram a cobertura dos acontecimentos pela manipulação e distorção da realidade.
Em vez de permitir que o cidadão tivesse acesso às várias versões da notícia e, a partir daí, tirasse suas conclusões, a mídia agiu como grande juiz da opinião pública, oferecendo versões prontas às pessoas, que tinham o direito ao contraditório sempre negado.
Em 2006, a mídia fez o que pôde para impedir a reeleição do presidente Lula. Mais uma vez derrotada, a mídia voltou à estratégia anterior: exacerbar os fatos e produzir crises artificiais para tentar "sangrar" o presidente Lula.
Em 2007, a mídia assumiu de vez o papel de partido de oposição e apostou nos "apagões" aéreo e energético para tirar Lula de lá. A realidade frustrou outra vez os velhos planos golpistas.
Mas a mídia é incansável e não desiste tão fácil. Este ano já testou duas estratégias para ver se, finalmente, consegue depôr o governo democraticamente eleito pela maioria absoluta dos brasileiros. Inventou a "epidemia" da febre amarela e ressuscitou a "epidemia" da dengue. Os jornais impressos e televisivos passaram a divulgar diariamente o placar atualizado dos novos casos das duas doenças. Até que se disseminou o pânico na população e as pessoas começaram a morrer por causa da dose dupla da vacina contra a febre amarela.
E quando a gente pensava que a fábrica de criatividade da mídia não tinha mais o que criar, veio o caso dos cartões corporativos do governo. Eis a nova senha do PIG (Partidoa da Imprensa Golpista - nomenclatura criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim para denominar o setor da mídia que quer derrubar o presidente Lula).
Primeiro foi o episódio da ministra Matilde Ribeiro, que teve que pedir demissão por gastar pouco mais de R$ 400,00 num free shop e usar carro com motorista enquanto estava de férias. Eu já disse que não se pode relativizar a ética. A ministra errou, reconheceu a bobagem que fez e agiu certo ao se demitir para evitar que a sanha golpista da mídia continuasse.
Mas o episódio não se restringiu apenas à Matilde Ribeiro. Depois de derrubar a ministra, o PIG centrou fogo no ministro dos Esportes, Orlando Silva. A mídia expôs o ministro à execração pública por ter pago R$ 8,00 por uma tapioca com o cartão corporativo.
Orlando Silva deu entrevista coletiva e explicou o acontecido. O ministro mostrou à TV que tem um cartão pessoal igual ao cartão corporativo do governo. Quando foi pagar a tapioca, trocou os cartões e usou o corporativo por engano.
O ministro depositou o valor (R$ 8,00) aos cofres públicos depois que percebeu o engano. Irritado com a perseguição da mídia, Orlando Silva adotou uma postura radical: depositou a quantia integral gasta com o cartão corporativo (cerca de R$ 30 mil), mesmo estando todos os gastos justificados com as devidas notas fiscais. A oposição oportunista aproveitou a deixa do PIG e passou a falar na "CPI da tapioca".
Enquanto isso, na sala de justiça... A panfletária Veja desta semana trouxe uma reportagem sobre a "crise dos cartões corporativos". A reportagem divulgou os gastos, referentes a 2007, de três funcionários da presidência.
A Folha Online diz que os três funcionários gastaram "R$ 205 mil, entre mantimentos e vinhos finos" para abastecer a dispensa da Presidência da República.
Os dados deveriam ser sigilosos. Ainda segundo a Folha Online, o general Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional), que cuida da segurança do presidente Lula e dos seus familiares, mandou retirar da rede as informações que dizem respeito a Lula no "Portal Transparência", uma homepage de responsabilidade da CGU (Controladoria-Geral da União), e determinou a abertura de um processo administrativo, para identificar os responsáveis pela divulgação dos dados que supunha sigilosos.
A Folha de São Paulo também deu sua colaboração à "crise dos cartões corporativos". Na edição de hoje, traz uma matéria sobre um segurança pessoal de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria gasto R$ 55 mil nos últimos nove meses usando um cartão de crédito corporativo do governo . O segurança é João Roberto Fernandes Júnior, que disse não ter havido nenhuma irregularidade no uso do cartão.
Será que desta vez os intrépidos e criativos donos do PIG vão conseguir derrubar o presidente Lula? A se julgar pelas tentativas do passado, eu diria que será mais um tiro na água. Mas aí depois eles inventam outra crise e começa tudo de novo...
É verdade que alguns integrantes do governo e do PT deram margem à execração, mas é fato que os grandes jornais e redes de televisão pautaram a cobertura dos acontecimentos pela manipulação e distorção da realidade.
Em vez de permitir que o cidadão tivesse acesso às várias versões da notícia e, a partir daí, tirasse suas conclusões, a mídia agiu como grande juiz da opinião pública, oferecendo versões prontas às pessoas, que tinham o direito ao contraditório sempre negado.
Em 2006, a mídia fez o que pôde para impedir a reeleição do presidente Lula. Mais uma vez derrotada, a mídia voltou à estratégia anterior: exacerbar os fatos e produzir crises artificiais para tentar "sangrar" o presidente Lula.
Em 2007, a mídia assumiu de vez o papel de partido de oposição e apostou nos "apagões" aéreo e energético para tirar Lula de lá. A realidade frustrou outra vez os velhos planos golpistas.
Mas a mídia é incansável e não desiste tão fácil. Este ano já testou duas estratégias para ver se, finalmente, consegue depôr o governo democraticamente eleito pela maioria absoluta dos brasileiros. Inventou a "epidemia" da febre amarela e ressuscitou a "epidemia" da dengue. Os jornais impressos e televisivos passaram a divulgar diariamente o placar atualizado dos novos casos das duas doenças. Até que se disseminou o pânico na população e as pessoas começaram a morrer por causa da dose dupla da vacina contra a febre amarela.
E quando a gente pensava que a fábrica de criatividade da mídia não tinha mais o que criar, veio o caso dos cartões corporativos do governo. Eis a nova senha do PIG (Partidoa da Imprensa Golpista - nomenclatura criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim para denominar o setor da mídia que quer derrubar o presidente Lula).
Primeiro foi o episódio da ministra Matilde Ribeiro, que teve que pedir demissão por gastar pouco mais de R$ 400,00 num free shop e usar carro com motorista enquanto estava de férias. Eu já disse que não se pode relativizar a ética. A ministra errou, reconheceu a bobagem que fez e agiu certo ao se demitir para evitar que a sanha golpista da mídia continuasse.
Mas o episódio não se restringiu apenas à Matilde Ribeiro. Depois de derrubar a ministra, o PIG centrou fogo no ministro dos Esportes, Orlando Silva. A mídia expôs o ministro à execração pública por ter pago R$ 8,00 por uma tapioca com o cartão corporativo.
Orlando Silva deu entrevista coletiva e explicou o acontecido. O ministro mostrou à TV que tem um cartão pessoal igual ao cartão corporativo do governo. Quando foi pagar a tapioca, trocou os cartões e usou o corporativo por engano.
O ministro depositou o valor (R$ 8,00) aos cofres públicos depois que percebeu o engano. Irritado com a perseguição da mídia, Orlando Silva adotou uma postura radical: depositou a quantia integral gasta com o cartão corporativo (cerca de R$ 30 mil), mesmo estando todos os gastos justificados com as devidas notas fiscais. A oposição oportunista aproveitou a deixa do PIG e passou a falar na "CPI da tapioca".
Enquanto isso, na sala de justiça... A panfletária Veja desta semana trouxe uma reportagem sobre a "crise dos cartões corporativos". A reportagem divulgou os gastos, referentes a 2007, de três funcionários da presidência.
A Folha Online diz que os três funcionários gastaram "R$ 205 mil, entre mantimentos e vinhos finos" para abastecer a dispensa da Presidência da República.
Os dados deveriam ser sigilosos. Ainda segundo a Folha Online, o general Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional), que cuida da segurança do presidente Lula e dos seus familiares, mandou retirar da rede as informações que dizem respeito a Lula no "Portal Transparência", uma homepage de responsabilidade da CGU (Controladoria-Geral da União), e determinou a abertura de um processo administrativo, para identificar os responsáveis pela divulgação dos dados que supunha sigilosos.
A Folha de São Paulo também deu sua colaboração à "crise dos cartões corporativos". Na edição de hoje, traz uma matéria sobre um segurança pessoal de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria gasto R$ 55 mil nos últimos nove meses usando um cartão de crédito corporativo do governo . O segurança é João Roberto Fernandes Júnior, que disse não ter havido nenhuma irregularidade no uso do cartão.
Será que desta vez os intrépidos e criativos donos do PIG vão conseguir derrubar o presidente Lula? A se julgar pelas tentativas do passado, eu diria que será mais um tiro na água. Mas aí depois eles inventam outra crise e começa tudo de novo...
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Nassif x Veja II
Editora Abril contesta "Dossiê Veja"
Luis Nassif divulgou a carta que a Editora Abril enviou ao portal IG, em resposta à série "Dossiê Veja", que o jornalista vem publicando em seu blog.
“A EDITORA ABRIL, responsável pela publicação da revista VEJA, repudia veementemente as informações divulgadas no blog do jornalista Luis Nassif nos dias 18.12.2007, 10.01 e 11.01.2008.
Ao contrário do que quer fazer crer Luis Nassif, o jornalismo praticado pela revista Veja jamais esteve mancomunado com os interesses alheios à postura adequada de órgão informativo ético. A revista Veja sempre postou-se pelo exercício de um jornalismo honesto, sério e imparcial, portanto, bastante contrário às acusações descabidas de Nassif.”
Luis Nassif divulgou a carta que a Editora Abril enviou ao portal IG, em resposta à série "Dossiê Veja", que o jornalista vem publicando em seu blog.
“A EDITORA ABRIL, responsável pela publicação da revista VEJA, repudia veementemente as informações divulgadas no blog do jornalista Luis Nassif nos dias 18.12.2007, 10.01 e 11.01.2008.
Ao contrário do que quer fazer crer Luis Nassif, o jornalismo praticado pela revista Veja jamais esteve mancomunado com os interesses alheios à postura adequada de órgão informativo ético. A revista Veja sempre postou-se pelo exercício de um jornalismo honesto, sério e imparcial, portanto, bastante contrário às acusações descabidas de Nassif.”
As Farc anunciam a libertação de mais três reféns
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) divulgaram um comunicado hoje anunciando a libertação dos ex-congressistas Gloria Polanco, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán. Eles serão entregues em território colombiano ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, à senadora opositora Piedad Córdoba, ou a seus representantes. As informações são do "Último Segundo" do IG.
Gloria Polanco, foi seqüestrada em Neiva, em Huila (sul), no dia 19 de agosto de 2001.Luis Eladio Pérez foi capturado em Ipiales, Nariño, fronteira com o Equador, em 6 de junho de 2001, enquanto Orlando Beltrán caiu em poder da guerrilha em 28 de agosto de 2001, em Gigante, Huila.
Enquanto isso, a Folha de São Paulo noticiou a captura pelas autoridades colombianas de Luz Dary Conde, conhecida como Doris Adriana, uma das mulheres com cargo mais alto na hierarquia das Farc. Ela foi detida durante uma operação militar na selva, na região da fronteira com a Venezuela.
De acordo com o jornal, Doris Adriana é tida como responsável pelo seqüestro de três cidadãos americanos, que estão em poder das Farc desde 2003.
Gloria Polanco, foi seqüestrada em Neiva, em Huila (sul), no dia 19 de agosto de 2001.Luis Eladio Pérez foi capturado em Ipiales, Nariño, fronteira com o Equador, em 6 de junho de 2001, enquanto Orlando Beltrán caiu em poder da guerrilha em 28 de agosto de 2001, em Gigante, Huila.
Enquanto isso, a Folha de São Paulo noticiou a captura pelas autoridades colombianas de Luz Dary Conde, conhecida como Doris Adriana, uma das mulheres com cargo mais alto na hierarquia das Farc. Ela foi detida durante uma operação militar na selva, na região da fronteira com a Venezuela.
De acordo com o jornal, Doris Adriana é tida como responsável pelo seqüestro de três cidadãos americanos, que estão em poder das Farc desde 2003.
Mapa da Violência
Folha de S. Paulo diz que número de homicídios foi subestimado pelo governo federal
Na semana passada, o governo federal divulgou o "Mapa da Violência", que mostrou uma redução no número de homicídios no país. De acordo com o estudo, houve 46.653 homicídios em 2006. Mas, segundo a Folha de São Paulo, os números divulgados foram subestimados e não refletem a realidade brasileira. O jornal afirma que o número de assassinatos é bem maior - mas não quantifica isso.
Ainda segundo o jornal, o problema ocorre em decorrência de uma falha no sistema de informação dos Institutos Médicos Legais (IML's), que lançam muitas mortes no sistema como "intenção indeterminada" - quando não se tem precisão sobre a causa da morte. A Folha diz que, muitas vezes, mesmo após investigação e esclarecimento do caso, os dados não são atualizados.
O jornal também acusa peritos e policiais de "maquiar as estatísticas" deliberadamente.
O índice de "intenção indeterminada" em mortes por causa externa considerado aceitável pelos pesquisadores é de até 5% do total. No Brasil, contudo, ele nunca foi inferior a 8%. Em São Paulo, o percentual foi de 17,25% em 2005.
O índice de São Paulo, observa o jornal, é o maior responsável pela distorção, por tratar-se do Estado com a maior população e, por conseqüência, o maior número de mortes.
O índice no Rio Grande do Norte foi de 19,45% - o maior do país. Isso significa que a violência no RN é camuflada e morre muito mais gente assassinada do que mostram as estatísticas oficiais.
O jornal diz que essa distorção não afeta a conclusão de que o número de homicídios no país está em queda. Mas acrescenta que a proporção da redução pode ser menor do que a apontada pelo "Mapa da Violência".
A Folha baseou sua reportagem nos dados do Datasus (sistema do Ministério da Saúde) de 1996 a 2005. O "Mapa da Violência", divulgado na semana passada, usou os números de 2006. O jornal diz que os dados de 2006 não estam disponíveis no Datasus.
Na semana passada, o governo federal divulgou o "Mapa da Violência", que mostrou uma redução no número de homicídios no país. De acordo com o estudo, houve 46.653 homicídios em 2006. Mas, segundo a Folha de São Paulo, os números divulgados foram subestimados e não refletem a realidade brasileira. O jornal afirma que o número de assassinatos é bem maior - mas não quantifica isso.
Ainda segundo o jornal, o problema ocorre em decorrência de uma falha no sistema de informação dos Institutos Médicos Legais (IML's), que lançam muitas mortes no sistema como "intenção indeterminada" - quando não se tem precisão sobre a causa da morte. A Folha diz que, muitas vezes, mesmo após investigação e esclarecimento do caso, os dados não são atualizados.
O jornal também acusa peritos e policiais de "maquiar as estatísticas" deliberadamente.
O índice de "intenção indeterminada" em mortes por causa externa considerado aceitável pelos pesquisadores é de até 5% do total. No Brasil, contudo, ele nunca foi inferior a 8%. Em São Paulo, o percentual foi de 17,25% em 2005.
O índice de São Paulo, observa o jornal, é o maior responsável pela distorção, por tratar-se do Estado com a maior população e, por conseqüência, o maior número de mortes.
O índice no Rio Grande do Norte foi de 19,45% - o maior do país. Isso significa que a violência no RN é camuflada e morre muito mais gente assassinada do que mostram as estatísticas oficiais.
O jornal diz que essa distorção não afeta a conclusão de que o número de homicídios no país está em queda. Mas acrescenta que a proporção da redução pode ser menor do que a apontada pelo "Mapa da Violência".
A Folha baseou sua reportagem nos dados do Datasus (sistema do Ministério da Saúde) de 1996 a 2005. O "Mapa da Violência", divulgado na semana passada, usou os números de 2006. O jornal diz que os dados de 2006 não estam disponíveis no Datasus.
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