Logo no primeiro dia do ano postei aqui minha listinha para 2008.
A Folha de São Paulo estragou meus planos com a matéria "10 não-resoluções de Ano Novo", na edição de ontem (dia 6).
Adriana Küchler, que assina a matéria, disse que esse tipo de listinha não funciona. "Resoluções de virada de ano que começam como um lindo passo em direção a uma vida melhor geralmente terminam como o vergonhoso primeiro fracasso do ano."
Ela sugere que o melhor é trocar as resoluções e promessas por planejamento e estratégia. "Antes de realizar, ops, planejar suas resoluções, reavalie a sua lista e considere os conselhos do psicólogo americano Robert R. Butterworth: faça apenas uma promessa, que seja realista e não fantasiosa, não conte para ninguém e, se falhar, não desista."
Entre os itens mais freqüentes das listas de ano novo que a reportagem "desmontou", três constam da minha lista particular: entrar na academia, ler mais e acordar cedo.
Confira as dicas da Folha para cada um destes itens:
1. Entrar na academia
Faça a coisa certa:
Escolha sem pressa
Experimente aulas de diferentes atividade físicas
Encontre companhia
Você vai acabar desistindo se...
Sentir vergonha do seu corpo
Usar a falta de tempo como desculpa esfarrapada
Não malhar com o pretexto de que a academia é muito cara
Se jogar na rotina de exercícios como se fosse experiente
2. Ler mais
Olhe bem para aquela gigantesca pilha de livros na mesinha de cabeceira e tome vergonha na cara. Há quanto tempo ela está ali mofando, sem que um livro seja terminado?
Faça a coisa certa:
Encontrar um livro que de fato lhe agrade
Compre antologias para ter mostras de vários escritores
Usar bolsas que permitam carregar livros
Você vai acabar desistindo se...
Comprar um livro porque ele está na lista dos mais vendidos
Não gostar de ficar só
3. Acordar cedo
Para acordar cedo é preciso dormir cedo. Ponto. Seu despertador agradece se você entender essa regra e parar de estapeá-lo toda manhã em troca de "só mais dez minutinhos".
Faça a coisa certa:
Sair da cama no minuto em que o despertador tocar
Se expor menos à luz à noite
Dormir com a janela aberta
Evite café, internet e exercícios 4 horas antes de dormir
Você vai acabar desistindo se...
Não dormir o suficiente
Lutar contra o despertador se você tem distúrbios do sono
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Barack Obama deverá vencer Hillary Clinton em New Hampshire
Pesquisas apontam vantagem de mais de 10% para senador democrata sobre ex-primeira-dama
Do "Último Segundo" do IG:
O senador por Illinois Barack Obama abriu vantagem sobre a senadora e ex-primeira dama, Hillary Rodham Clinton, na preferência do eleitorado de New Hampshire para a nomeação do partido Democrata para a candidatura à presidência dos Estados Unidos, segundo duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira. As primárias neste estado acontecem na próxima terça-feira (08/01).
Hillary mantinha uma vantagem confortável em New Hampshire, onde conta com um forte aparato de campanha e com a popularidade de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. A popularidade de Obama, de acordo com os levantamentos, subiu após a vitória do senador no caucus de Iowa, na última sexta-feira.
A pesquisa USA Today/Gallup indica que ele abriu uma vantagem de 13% sobre Hillary em New Hampshire, com 41% contra 28 por cento da ex-primeira-dama. O ex-senador John Edwards aparece com 19% das preferências.
Uma enquete WMUR/CNN mostra Obama com 39% e a senadora, com 29%.
Do "Último Segundo" do IG:
O senador por Illinois Barack Obama abriu vantagem sobre a senadora e ex-primeira dama, Hillary Rodham Clinton, na preferência do eleitorado de New Hampshire para a nomeação do partido Democrata para a candidatura à presidência dos Estados Unidos, segundo duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira. As primárias neste estado acontecem na próxima terça-feira (08/01).
Hillary mantinha uma vantagem confortável em New Hampshire, onde conta com um forte aparato de campanha e com a popularidade de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. A popularidade de Obama, de acordo com os levantamentos, subiu após a vitória do senador no caucus de Iowa, na última sexta-feira.
A pesquisa USA Today/Gallup indica que ele abriu uma vantagem de 13% sobre Hillary em New Hampshire, com 41% contra 28 por cento da ex-primeira-dama. O ex-senador John Edwards aparece com 19% das preferências.
Uma enquete WMUR/CNN mostra Obama com 39% e a senadora, com 29%.
sábado, 5 de janeiro de 2008
Eleições nos EUA
Hillary Clinton vai usar medo contra Barack Obama
Em 2002, no segundo turno das eleições presidenciais, antevendo sua iminente derrota, José Serra, então candidato tucano, pregava a tática do medo numa tentativa desesperada de virar o jogo e conseguir vencer o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. Até a atriz Regina Duarte foi para a TV dizer que tinha medo do Lula. O resultado dessa história nós conhecemos. Lula foi eleito presidente sob o lema "a esperança venceu o medo".
Mais tarde, em 2006, foi a vez de Lula usar o medo na sua campanha de reeleição contra seu então opositor, novamente um tucano, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O lema da campanha lulista foi "não troco o certo pelo duvidoso". Desta vez, o truque do medo funcionou e Lula foi reeleito presidente.
Em 2008, os Estados Unidos vão escolher seu novo presidente, após oito longos anos do comando nefasto de George W. Bush na Casa Branca. Estas eleições americanas têm um significado ainda mais importante, dado o seu caráter de ineditismo sob alguns aspectos, além das questões políticas e econômicas. Pela primeira vez, a nação mais poderosa do mundo poderá ser governada por uma mulher ou por um negro.
A ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton e o também senador Barack Obama disputam a indicação do Partido Democrata para concorrer à Presidência dos EUA. No sistema eleitoral americano, os pré-candidatos têm que disputar prévias nos 50 estados, além do distrito de Colúmbia. Aquele que conquistar o maior número de delegados nos estados é oficializado candidato no congresso nacional do seu partido.
A corrida começou ontem (04/01), no estado de Iowa, região central dos EUA, cujas prévias foram vencidas pelo democrata Barack Obama e pelo republicano Mike Huckabee. Hillary Clinton ficou apenas em terceiro lugar entre os democratas. O segundo lugar ficou com John Edwards.
As próximas prévias acontecerão em New Hampshire, terça-feira que vem (08/01). De acordo com o portal G1, Obama está páreo a páreo nas pesquisas de New Hampshire com Hillary Clinton.
A vitória de Obama em Iowa fez surgir o sinal amarelo no comando da campanha de Hillary. As estratégias de Obama e Hillary são muito parecidas com as estratégias de Lula e Serra em 2002, aqui no Brasil.
Obama se apresenta como o candidato da "esperança de mudanças", enquanto Hillary posa de experiente e aposta no medo da inexperiência do jovem senador negro para vencer a disputa democrata.
Diante da tática da ex-primeira-dama, Obama responde que "a esperança vai vencer o medo" - assim como fez Lula no Brasil em 2002. "Estamos escolhendo a esperança em vez do medo", disse Obama após a vitória em Iowa.
Este é apenas o primeiro capítulo de uma emocionante disputa que se arrastará até fevereiro, quando a maioria dos estados americanos já terá realizado suas prévias e nós poderemos saber se, lá como cá, a esperança terá mesmo vencido o medo.
Com informações do G1 e da Folha de São Paulo
Em 2002, no segundo turno das eleições presidenciais, antevendo sua iminente derrota, José Serra, então candidato tucano, pregava a tática do medo numa tentativa desesperada de virar o jogo e conseguir vencer o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. Até a atriz Regina Duarte foi para a TV dizer que tinha medo do Lula. O resultado dessa história nós conhecemos. Lula foi eleito presidente sob o lema "a esperança venceu o medo".
Mais tarde, em 2006, foi a vez de Lula usar o medo na sua campanha de reeleição contra seu então opositor, novamente um tucano, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O lema da campanha lulista foi "não troco o certo pelo duvidoso". Desta vez, o truque do medo funcionou e Lula foi reeleito presidente.
Em 2008, os Estados Unidos vão escolher seu novo presidente, após oito longos anos do comando nefasto de George W. Bush na Casa Branca. Estas eleições americanas têm um significado ainda mais importante, dado o seu caráter de ineditismo sob alguns aspectos, além das questões políticas e econômicas. Pela primeira vez, a nação mais poderosa do mundo poderá ser governada por uma mulher ou por um negro.
A ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton e o também senador Barack Obama disputam a indicação do Partido Democrata para concorrer à Presidência dos EUA. No sistema eleitoral americano, os pré-candidatos têm que disputar prévias nos 50 estados, além do distrito de Colúmbia. Aquele que conquistar o maior número de delegados nos estados é oficializado candidato no congresso nacional do seu partido.
A corrida começou ontem (04/01), no estado de Iowa, região central dos EUA, cujas prévias foram vencidas pelo democrata Barack Obama e pelo republicano Mike Huckabee. Hillary Clinton ficou apenas em terceiro lugar entre os democratas. O segundo lugar ficou com John Edwards.
As próximas prévias acontecerão em New Hampshire, terça-feira que vem (08/01). De acordo com o portal G1, Obama está páreo a páreo nas pesquisas de New Hampshire com Hillary Clinton.
A vitória de Obama em Iowa fez surgir o sinal amarelo no comando da campanha de Hillary. As estratégias de Obama e Hillary são muito parecidas com as estratégias de Lula e Serra em 2002, aqui no Brasil.
Obama se apresenta como o candidato da "esperança de mudanças", enquanto Hillary posa de experiente e aposta no medo da inexperiência do jovem senador negro para vencer a disputa democrata.
Diante da tática da ex-primeira-dama, Obama responde que "a esperança vai vencer o medo" - assim como fez Lula no Brasil em 2002. "Estamos escolhendo a esperança em vez do medo", disse Obama após a vitória em Iowa.
Este é apenas o primeiro capítulo de uma emocionante disputa que se arrastará até fevereiro, quando a maioria dos estados americanos já terá realizado suas prévias e nós poderemos saber se, lá como cá, a esperança terá mesmo vencido o medo.
Com informações do G1 e da Folha de São Paulo
Especulação imobiliária no RN vira assunto nacional
Primeiro foi o "Jornal Hoje" da Globo e agora foi a Folha de São Paulo que destacou a questão da especulação imobiliária no Rio Grande do Norte.
Na quinta-feira passada (03/01), o JH exibiu a matéria "Paisagem Comprometida", do jornalista Francisco José, mostrando que as dunas do Rio Grande do Norte estão sendo ameaçadas pela especulação imobiliária e "invadidas por condomínios de luxo, hotéis e casas de veraneio."
A matéria mostrou a área de 2.200 hectares onde os espanhóis do Grupo Sánchez pretendem construir um grande condomínio habitacional. O professor Aristotenino Ferreira, coordenador do curso de Ecologia da UFRN, disse ao JH que com esse empreendimento "vamos perder boa parte dessa paisagem maravilhosa que nós temos aqui”.
O presidente da associação dos bugueiros, Paulo Henrique Severo, disse na matéria que a Lei Federal Nº 4.471 estabelece que "a duna é uma área de preservação permanente e jamais pode ser edificada."
A matéria também mostrou o avanço das edicações de casas e hotéis na praia de Ponta Negra e na Via Costeira.
Na Folha de hoje, uma matéria assinada pelo repórter João Carlos Magalhães volta ao tema da especulação imobiliária no RN e destaca que a "construção de um megaresort, com 35 mil casas, perto de Natal" ameaça as dunas potiguares, principalmente a "Duna Dourada" na praia de Pitangui. A Folha se baseia numa denúncia do Ministério Público de Extremoz.
A "Duna Dourada" é o local onde o Grupo Sánchez escolheu para construir o "Grand Natal Golf", que, segundo o jornal, "é considerado pelo governo federal o maior projeto imobiliário-turístico do país."
De acordo com a denúncia do Ministério Público, além da perda da paisagem natural, o empreendimento poderá provocar "o esgotamento da infra-estrutura local e o acirramento das diferenças sociais."
A Folha informa que o projeto já ganhou a licença prévia do Idema e as obras devem começar em março. As casas já começaram a ser vendidas na Espanha.
A promotora de Extremoz, Ethel Ribeiro, disse à Folha que a "Duna Dourada" poderá desaparecer, caso o megaresort seja mesmo construído.
A promotora disse ainda que "haverá também uma perda da fauna e da flora, além do risco de estragar um cenário que hoje é considerado paradisíaco."
Segundo a matéria, os representantes do Grupo Sánchez asseguraram que a duna não será atingida pelo empreendimento. A matéria informa ainda que o Idema criou uma comissão para acompanhar a construção da obra.
A promotora Ethel Ribeiro alerta também para a necessidade de "avaliar bem como serão criadas as condições sanitárias e sociais para prover a população que passará a viver, gradativamente, ali." Ela alerta ainda para o risco de que o empreendimento venha a sobrecarregar o saneamento básico da área - apenas 33% de Natal tem rede de esgoto.
O governo estadual, por sua vez, destaca que as obras do megaresort vão levar desenvolvimento à região, com a criação de 100 mil postos de trabalho na área hoteleira e da construção civil.
A Folha lembrou ainda o caso dos vereadores acusados de trocar votos por dinheiro na votação do Plano Diretor de Natal. Os vereadores foram acusados pelo Ministério Público da capital de favorecer as empreeiteiras quando derrubaram os vetos do prefeito Carlos Eduardo (PSB) ao PDN.
Na quinta-feira passada (03/01), o JH exibiu a matéria "Paisagem Comprometida", do jornalista Francisco José, mostrando que as dunas do Rio Grande do Norte estão sendo ameaçadas pela especulação imobiliária e "invadidas por condomínios de luxo, hotéis e casas de veraneio."
A matéria mostrou a área de 2.200 hectares onde os espanhóis do Grupo Sánchez pretendem construir um grande condomínio habitacional. O professor Aristotenino Ferreira, coordenador do curso de Ecologia da UFRN, disse ao JH que com esse empreendimento "vamos perder boa parte dessa paisagem maravilhosa que nós temos aqui”.
O presidente da associação dos bugueiros, Paulo Henrique Severo, disse na matéria que a Lei Federal Nº 4.471 estabelece que "a duna é uma área de preservação permanente e jamais pode ser edificada."
A matéria também mostrou o avanço das edicações de casas e hotéis na praia de Ponta Negra e na Via Costeira.
Na Folha de hoje, uma matéria assinada pelo repórter João Carlos Magalhães volta ao tema da especulação imobiliária no RN e destaca que a "construção de um megaresort, com 35 mil casas, perto de Natal" ameaça as dunas potiguares, principalmente a "Duna Dourada" na praia de Pitangui. A Folha se baseia numa denúncia do Ministério Público de Extremoz.
A "Duna Dourada" é o local onde o Grupo Sánchez escolheu para construir o "Grand Natal Golf", que, segundo o jornal, "é considerado pelo governo federal o maior projeto imobiliário-turístico do país."
De acordo com a denúncia do Ministério Público, além da perda da paisagem natural, o empreendimento poderá provocar "o esgotamento da infra-estrutura local e o acirramento das diferenças sociais."
A Folha informa que o projeto já ganhou a licença prévia do Idema e as obras devem começar em março. As casas já começaram a ser vendidas na Espanha.
A promotora de Extremoz, Ethel Ribeiro, disse à Folha que a "Duna Dourada" poderá desaparecer, caso o megaresort seja mesmo construído.
A promotora disse ainda que "haverá também uma perda da fauna e da flora, além do risco de estragar um cenário que hoje é considerado paradisíaco."
Segundo a matéria, os representantes do Grupo Sánchez asseguraram que a duna não será atingida pelo empreendimento. A matéria informa ainda que o Idema criou uma comissão para acompanhar a construção da obra.
A promotora Ethel Ribeiro alerta também para a necessidade de "avaliar bem como serão criadas as condições sanitárias e sociais para prover a população que passará a viver, gradativamente, ali." Ela alerta ainda para o risco de que o empreendimento venha a sobrecarregar o saneamento básico da área - apenas 33% de Natal tem rede de esgoto.
O governo estadual, por sua vez, destaca que as obras do megaresort vão levar desenvolvimento à região, com a criação de 100 mil postos de trabalho na área hoteleira e da construção civil.
A Folha lembrou ainda o caso dos vereadores acusados de trocar votos por dinheiro na votação do Plano Diretor de Natal. Os vereadores foram acusados pelo Ministério Público da capital de favorecer as empreeiteiras quando derrubaram os vetos do prefeito Carlos Eduardo (PSB) ao PDN.
A "barriga" do blog
No jargão jornalístico, barriga quer dizer publicar um fato falso, mas sem intenção de enganar o leitor.
Foi isso que aconteceu aqui no blog, no dia 31/12 passado, quando dei a seguinte notícia: "Morre Marshall McLuhan, precursor da aldeia global".
Um leitor anônimo mandou comentário avisando do erro e tirando onda com minha cara. O comentário dizia o seguinte: "Copiou o JB e deu nisso. McLuhan morreu em 1980!!! Dia 31.12 foi aniversário de morte e não a morte propriamente dita, como foi noticiado no blog. Que falta de atenção..."
Mas ele tem razão mesmo. Foi pura falta de atenção. Transcrevi a notícia do Blog do Noblat (não foi do JB, caro leitor) tal qual estava postada lá e deu no que deu.
O mico está devidamente registrado, assim como a devida correção. A notícia errada será excluída.
Foi isso que aconteceu aqui no blog, no dia 31/12 passado, quando dei a seguinte notícia: "Morre Marshall McLuhan, precursor da aldeia global".
Um leitor anônimo mandou comentário avisando do erro e tirando onda com minha cara. O comentário dizia o seguinte: "Copiou o JB e deu nisso. McLuhan morreu em 1980!!! Dia 31.12 foi aniversário de morte e não a morte propriamente dita, como foi noticiado no blog. Que falta de atenção..."
Mas ele tem razão mesmo. Foi pura falta de atenção. Transcrevi a notícia do Blog do Noblat (não foi do JB, caro leitor) tal qual estava postada lá e deu no que deu.
O mico está devidamente registrado, assim como a devida correção. A notícia errada será excluída.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Sobre tanta nostalgia
Feliz 2008
Frei Betto, em "Tendências e Debates", na Folha, hoje:
O QUE há de especial em trocar de ano? Nada, exceto a convenção numérica, invenção indo-arábica, que nos permite codificar o tempo em horas, minutos e segundos e estabelecer, segundo o movimento de nosso planeta em torno do Sol e as fases da Lua, calendários que repartem o tempo em ano de 12 meses, mês com cerca de 30 dias e dia com exatas 24 horas.
Ocorre que não somos trilobitas, e sim humanos, dotados da capacidade de imprimir ao tempo caráter histórico e, à história, sentido. Mudar de ano é rito de passagem. Ressoa em nosso inconsciente o alívio por terminar um ano de tantos reveses, perdas, sofrimentos; e celebrar conquistas, avanços e vitórias. Vivemos premidos pelo mistério.
Como as partículas subatômicas, somos regidos pelo princípio da indeterminação. Essa impossibilidade de prever o futuro suscita angústia, o que nos induz a tentar decifrá-lo por via da leitura dos astros e das cartas, da sabedoria de videntes, dos búzios de pais e mães-de-santo, da rogação aos nossos santos protetores.
Esta é uma paradoxal característica da pós-modernidade: em plena era da emergência da física quântica e da falência do determinismo histórico como ideologia, acreditamos que o nosso futuro está escrito nas estrelas. Daí a inércia, a indignação imobilizadora, a impotência diante dos escândalos éticos e do descaramento com que corruptos são absolvidos por seus pares, essa letargia que em nada lembra o que se deveria comemorar neste ano: os 40 anos de Maio de 1968.
Nos países industrializados, Maio de 68 é o paradigma da rebeldia, o grito parado no ar enfim sonorizado nas manifestações estudantis, os EUA derrotados pelos vietnamitas, os Beatles reinventando a canção, a moda subvertendo parâmetros, as mulheres a conquistar o direito de se apaixonar pela primeira vez inúmeras vezes, a castração do machismo, a emergência esotérica.
Do lado sul do planeta, os anos de chumbo, os generais metendo no coldre as chaves dos Parlamentos, a utopia dependurada no pau-de-arara, as rotas do exílio se multiplicando, os mortos e desaparecidos enterrados nos arquivos secretos das Forças Armadas. Ainda assim, havia sonho, e não era motivado pela ingestão química, brotava da fome de liberdade e justiça, fomentava o desejo irrefreável a adjetivar de novo a criatividade incensurável -o cinema, a bossa, a literatura, o tropicalismo. No passado, o futuro era melhor.
Hoje, imersos nessa sociedade da hiperestetização da banalidade, na qual as imagens contraem o tempo e a "web" virtualiza o diálogo na solidão digital, andamos em busca de uma razão de viver. Perdemos o senso histórico, trocamos os vínculos de solidariedade pela conectividade eletrônica, vendemos a liberdade por um punhado de lentilhas em forma de segurança. Em 2008, seremos chamados às urnas municipais. Haveremos de tentar discernir os idealistas dos arrivistas; os servidores públicos dos que se afogam no ego destilado na embriaguez dos aplausos; os movidos pela intransigência dos princípios éticos dos que miram os recursos do Estado como carniça fresca ofertada à sua gula insaciável.
Ano também de comemorar o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, para vergonha de nós, católicos, até hoje não mereceu a assinatura do Estado do Vaticano.
No Brasil, é hora de a declaração ser transferida do papel à realidade social. Em que pese a atuação corajosa da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, é impossível celebrar conquistas em direitos humanos enquanto a polícia estigmatiza como suposto traficante o morador de favela; o Judiciário promove a orgia compulsória ao trancafiar mulheres em celas repletas de homens; indígenas e quilombolas são condenados à miséria por descaso das autoridades; a frouxidão da lei cobre de imunidade corruptos e de impunidade bandidos e assassinos.
Não basta o propósito sincero de fazer novo em nossas vidas o ano de 2008. É preciso mais: fazer novas as realidades que nos cercam, de modo que ocorram mudanças efetivas e a paz floresça como fruto da justiça. Feliz 2008, Brasil!
Frei Betto, em "Tendências e Debates", na Folha, hoje:
O QUE há de especial em trocar de ano? Nada, exceto a convenção numérica, invenção indo-arábica, que nos permite codificar o tempo em horas, minutos e segundos e estabelecer, segundo o movimento de nosso planeta em torno do Sol e as fases da Lua, calendários que repartem o tempo em ano de 12 meses, mês com cerca de 30 dias e dia com exatas 24 horas.
Ocorre que não somos trilobitas, e sim humanos, dotados da capacidade de imprimir ao tempo caráter histórico e, à história, sentido. Mudar de ano é rito de passagem. Ressoa em nosso inconsciente o alívio por terminar um ano de tantos reveses, perdas, sofrimentos; e celebrar conquistas, avanços e vitórias. Vivemos premidos pelo mistério.
Como as partículas subatômicas, somos regidos pelo princípio da indeterminação. Essa impossibilidade de prever o futuro suscita angústia, o que nos induz a tentar decifrá-lo por via da leitura dos astros e das cartas, da sabedoria de videntes, dos búzios de pais e mães-de-santo, da rogação aos nossos santos protetores.
Esta é uma paradoxal característica da pós-modernidade: em plena era da emergência da física quântica e da falência do determinismo histórico como ideologia, acreditamos que o nosso futuro está escrito nas estrelas. Daí a inércia, a indignação imobilizadora, a impotência diante dos escândalos éticos e do descaramento com que corruptos são absolvidos por seus pares, essa letargia que em nada lembra o que se deveria comemorar neste ano: os 40 anos de Maio de 1968.
Nos países industrializados, Maio de 68 é o paradigma da rebeldia, o grito parado no ar enfim sonorizado nas manifestações estudantis, os EUA derrotados pelos vietnamitas, os Beatles reinventando a canção, a moda subvertendo parâmetros, as mulheres a conquistar o direito de se apaixonar pela primeira vez inúmeras vezes, a castração do machismo, a emergência esotérica.
Do lado sul do planeta, os anos de chumbo, os generais metendo no coldre as chaves dos Parlamentos, a utopia dependurada no pau-de-arara, as rotas do exílio se multiplicando, os mortos e desaparecidos enterrados nos arquivos secretos das Forças Armadas. Ainda assim, havia sonho, e não era motivado pela ingestão química, brotava da fome de liberdade e justiça, fomentava o desejo irrefreável a adjetivar de novo a criatividade incensurável -o cinema, a bossa, a literatura, o tropicalismo. No passado, o futuro era melhor.
Hoje, imersos nessa sociedade da hiperestetização da banalidade, na qual as imagens contraem o tempo e a "web" virtualiza o diálogo na solidão digital, andamos em busca de uma razão de viver. Perdemos o senso histórico, trocamos os vínculos de solidariedade pela conectividade eletrônica, vendemos a liberdade por um punhado de lentilhas em forma de segurança. Em 2008, seremos chamados às urnas municipais. Haveremos de tentar discernir os idealistas dos arrivistas; os servidores públicos dos que se afogam no ego destilado na embriaguez dos aplausos; os movidos pela intransigência dos princípios éticos dos que miram os recursos do Estado como carniça fresca ofertada à sua gula insaciável.
Ano também de comemorar o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, para vergonha de nós, católicos, até hoje não mereceu a assinatura do Estado do Vaticano.
No Brasil, é hora de a declaração ser transferida do papel à realidade social. Em que pese a atuação corajosa da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, é impossível celebrar conquistas em direitos humanos enquanto a polícia estigmatiza como suposto traficante o morador de favela; o Judiciário promove a orgia compulsória ao trancafiar mulheres em celas repletas de homens; indígenas e quilombolas são condenados à miséria por descaso das autoridades; a frouxidão da lei cobre de imunidade corruptos e de impunidade bandidos e assassinos.
Não basta o propósito sincero de fazer novo em nossas vidas o ano de 2008. É preciso mais: fazer novas as realidades que nos cercam, de modo que ocorram mudanças efetivas e a paz floresça como fruto da justiça. Feliz 2008, Brasil!
E lá vem mais uma eleição...
Este é ano de eleições municipais. O assunto, com toda certeza, vai dominar a pauta midiática daqui pra frente. Os articulistas dos grandes jornais começaram a fazer suas previsões e projeções para a batalha de outubro.
Alguns dizem que 2008 será um teste para 2010, quando teremos eleições presidenciais. Outros não enxergam nenhuma relação entre os dois pleitos.
Eliane Cantanhêde, minha anta preferida da Folha, escreveu na "Pensata" da Folha Online que as eleições dete ano serão "um teste de força dos dois principais partidos [PT e PSDB], além de uma ocupação de espaços eleitorais que poderão ser bastante úteis na partida decisiva, em 2010."
Melchiades Filho, na Folha de hoje, diz que "Arrisca-se a quebrar a cara quem projeta efeitos das eleições municipais sobre a sucessão presidencial."
Um rápido olhar para as últimas eleições dá razão a Melchiades. Mas eleição nem sempre é uma equação simples. Há muitas variáveis difíceis de se prever e que podem interferir no processo, mudando definitivamente o rumo das coisas.
E enquanto esperamos outubro chegar, o melhor é nos divertirmos com a briga de ego dos analistas políticos. Cada um que quer ter mais razão do que o outro. No final, dá até pra brincar de jogo dos sete erros.
Alguns dizem que 2008 será um teste para 2010, quando teremos eleições presidenciais. Outros não enxergam nenhuma relação entre os dois pleitos.
Eliane Cantanhêde, minha anta preferida da Folha, escreveu na "Pensata" da Folha Online que as eleições dete ano serão "um teste de força dos dois principais partidos [PT e PSDB], além de uma ocupação de espaços eleitorais que poderão ser bastante úteis na partida decisiva, em 2010."
Melchiades Filho, na Folha de hoje, diz que "Arrisca-se a quebrar a cara quem projeta efeitos das eleições municipais sobre a sucessão presidencial."
Um rápido olhar para as últimas eleições dá razão a Melchiades. Mas eleição nem sempre é uma equação simples. Há muitas variáveis difíceis de se prever e que podem interferir no processo, mudando definitivamente o rumo das coisas.
E enquanto esperamos outubro chegar, o melhor é nos divertirmos com a briga de ego dos analistas políticos. Cada um que quer ter mais razão do que o outro. No final, dá até pra brincar de jogo dos sete erros.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
"Ninguém pode explicar a vida num samba curto"
A Folha de hoje traz uma entrevista curta com o cantor e compositor Paulinho da Viola. Ele foi vítima de um assalto domingo passado (30/12), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
O sambista respondeu às perguntas de Maria Luiza Rabello com a tradicional serenidade que lhe é peculiar.
A repórter quis saber quem Paulinho da Viola responsabilizava pelo cenário de insegurança.
"Olha, eu tenho pensado muito sobre isso e já me fizeram essa pergunta várias vezes. Há anos, leio, ouço e participo de inúmeras discussões sobre a questão da violência. Hoje eu não falo nada porque já se falou tudo. A gente bate na mesma tecla, é aquilo que todo mundo já sabe, tem vários especialistas debruçados sobre isso. Eu vou falar o quê? No que acrescentaria? Vou engrossar qual coro? Está tudo escancarado", respondeu ele.
Paulinho disse ainda que o pior é essa sensação de "uma certa descrença" diante de um "sistema viciado de todas as formas". "O que dizer quando você abre o jornal e vê, todo dia, uma parte da classe política da sua cidade envolvida em uma série de denúncias? Você vai falar o quê, para quem? Essa é que a sensação pior: uma certa descrença."
Por fim, o sambista disse que "o país não acabou". " Tenho um samba que diz "ninguém pode explicar a vida num samba curto". (...) Mas você percebe que há perplexidade, há um sentimento de insegurança, de desconforto, de impotência para alguns. Há quem diga que o país acabou, mas a gente sabe que não é assim."
O sambista respondeu às perguntas de Maria Luiza Rabello com a tradicional serenidade que lhe é peculiar.
A repórter quis saber quem Paulinho da Viola responsabilizava pelo cenário de insegurança.
"Olha, eu tenho pensado muito sobre isso e já me fizeram essa pergunta várias vezes. Há anos, leio, ouço e participo de inúmeras discussões sobre a questão da violência. Hoje eu não falo nada porque já se falou tudo. A gente bate na mesma tecla, é aquilo que todo mundo já sabe, tem vários especialistas debruçados sobre isso. Eu vou falar o quê? No que acrescentaria? Vou engrossar qual coro? Está tudo escancarado", respondeu ele.
Paulinho disse ainda que o pior é essa sensação de "uma certa descrença" diante de um "sistema viciado de todas as formas". "O que dizer quando você abre o jornal e vê, todo dia, uma parte da classe política da sua cidade envolvida em uma série de denúncias? Você vai falar o quê, para quem? Essa é que a sensação pior: uma certa descrença."
Por fim, o sambista disse que "o país não acabou". " Tenho um samba que diz "ninguém pode explicar a vida num samba curto". (...) Mas você percebe que há perplexidade, há um sentimento de insegurança, de desconforto, de impotência para alguns. Há quem diga que o país acabou, mas a gente sabe que não é assim."
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Listinha para 2008
Todo mundo faz planos para o ano novo. Eu também fiz minha listinha para 2008:
Ler os livros que deixei pela metade;
Terminar de escrever minha monografia;
Comprar os dois cd's da Roberta Sá;
Ir ao teatro;
Assistir "A Bússola de Ouro" e "As Crônicas de Nárnia - O Príncipe Caspian";
Ir mais vezes à praia para caminhar na areia molhada e sentir a brisa que vem do horizonte distante;
Fazer caminhada;
Entrar na academia;
Pelo menos uma vez no ano, tomar vinho em noite de lua cheia;
Aprender a fazer outras sobremesas, além de mousse de maracujá;
Aprender a fazer outros pratos, além de lasanha de frango;
Exercitar a esperança, em busca da fé quase esquecida;
Ir à igreja mais vezes;
Falar menos - muito menos;
Ter menos expectativas em relação às pessoas;
Ler mais poesias;
Valorizar os momentos despretenciosos da vida;
Ouvir boa música;
Assistir menos televisão;
Refazer alguns laços perdidos;
Aproveitar mais o tempo ao lado da minha avó materna;
Gastar menos, economizar mais;
Rever velhos amigos;
Rir despretenciosamente;
Fazer um curso de inglês - outro de informática (photoshop, corel draw, entre outros);
Organizar minha agenda;
Dormir e acordar mais cedo;
Não postergar tarefas;
Viajar para Belo Horizonte;
Tomar banho de chuva;
Comer mais chocolate branco;
Comprar um chinelo novo;
Deixar meu cabelo crescer;
Jogar dominó;
Comer tapioca recheada de chocolate com uma bola de sorvete de creme;
Distribuir mais abraços;
Pagar as dívidas pendentes;
Pintar a casa;
Comprar um sofá pra sala e um armário pra cosinha;
Escrever aquele roteiro que tá na minha cabeça faz tempo;
Subir a Serra Barriguda (Alexandria);
Limpar as gavetas;
Reunir a turma pra ver um filme lá em casa e comer pipoca com guaraná;
Assinar a "Carta Capital";
Fazer natação;
Ir a um jogo do ABC no Frasqueirão;
Comprar uma camisa do Mengão;
Escrever um livro;
Plantar uma árvore.
O difícil é conseguir fazer tudo isso aí...
Ler os livros que deixei pela metade;
Terminar de escrever minha monografia;
Comprar os dois cd's da Roberta Sá;
Ir ao teatro;
Assistir "A Bússola de Ouro" e "As Crônicas de Nárnia - O Príncipe Caspian";
Ir mais vezes à praia para caminhar na areia molhada e sentir a brisa que vem do horizonte distante;
Fazer caminhada;
Entrar na academia;
Pelo menos uma vez no ano, tomar vinho em noite de lua cheia;
Aprender a fazer outras sobremesas, além de mousse de maracujá;
Aprender a fazer outros pratos, além de lasanha de frango;
Exercitar a esperança, em busca da fé quase esquecida;
Ir à igreja mais vezes;
Falar menos - muito menos;
Ter menos expectativas em relação às pessoas;
Ler mais poesias;
Valorizar os momentos despretenciosos da vida;
Ouvir boa música;
Assistir menos televisão;
Refazer alguns laços perdidos;
Aproveitar mais o tempo ao lado da minha avó materna;
Gastar menos, economizar mais;
Rever velhos amigos;
Rir despretenciosamente;
Fazer um curso de inglês - outro de informática (photoshop, corel draw, entre outros);
Organizar minha agenda;
Dormir e acordar mais cedo;
Não postergar tarefas;
Viajar para Belo Horizonte;
Tomar banho de chuva;
Comer mais chocolate branco;
Comprar um chinelo novo;
Deixar meu cabelo crescer;
Jogar dominó;
Comer tapioca recheada de chocolate com uma bola de sorvete de creme;
Distribuir mais abraços;
Pagar as dívidas pendentes;
Pintar a casa;
Comprar um sofá pra sala e um armário pra cosinha;
Escrever aquele roteiro que tá na minha cabeça faz tempo;
Subir a Serra Barriguda (Alexandria);
Limpar as gavetas;
Reunir a turma pra ver um filme lá em casa e comer pipoca com guaraná;
Assinar a "Carta Capital";
Fazer natação;
Ir a um jogo do ABC no Frasqueirão;
Comprar uma camisa do Mengão;
Escrever um livro;
Plantar uma árvore.
O difícil é conseguir fazer tudo isso aí...
domingo, 30 de dezembro de 2007
Mídia dará trégua a Lula em 2008?
Do blog do Luis Nassif:
Ano Novo, jornalismo novo?
Para um dia 30 de dezembro, a edição da “Folha” está muito boa. Independentemente da qualidade dos artigos, a edição da "Folha", assim como do "Estadão" e da "Veja", mostra a inflexão da mídia em relação a Lula e, principalmente, ao estilo tendencioso de fazer jornalismo.
O resultado desse estilo, pela grande mídia em geral, foi a total perda da credibilidade e da eficácia da crítica.
Depois da “Folha” e, agora, da “Veja” acenar com a “détente” vai ser interessante acompanhar o movimento pendular de alguns comentaristas.
Resta saber qual será o passo seguinte: se aprofundar a crítica não-tendenciosa (fundamental para aprimorar um governo cheio de defeitos e fragilidades), e voltar a fazer jornalismo, ou apenas jogo-de-cena para a próxima guerra santa ou ainda, se curvar à nova onda da opinião pública, e deixar de lado o viés crítico necessário.
Como a auto-crítica não é matéria prima abundante, não se espere uma avaliação isenta (ainda que interna) dos jornais sobre os profundos erros que comprometeram a imagem da mídia junto aos segmentos mais esclarecidos da população.
Não se espere que o “Globo” avalie como o estilo Ali Kamel jogou fora anos e anos de trabalho de Evandro Carlos de Andrade, para recuperar a credibilidade jornalística das organizações Globo. Ou a Abril se dê conta de como a indicação de diretores inescrupulosos e jornalisticamente desaparelhados para a Veja, assim como essa decisão inédita – para um órgão de grande imprensa – de contratar êmulos de Giba Um para fazer o trabalho sujo nos blogs, afetou profundamente a imagem da revista. Ou caia a ficha da “Folha” de como jogou fora todo um ativo de leitores de centro-esquerda, que levou décadas para ser formado.
Vamos ter jornalismo, daqui para frente? Lá sei eu. Em todo caso, ano novo, vida nova. E que se crie um jornalismo à altura dos desafios do Brasil.
Ano Novo, jornalismo novo?
Para um dia 30 de dezembro, a edição da “Folha” está muito boa. Independentemente da qualidade dos artigos, a edição da "Folha", assim como do "Estadão" e da "Veja", mostra a inflexão da mídia em relação a Lula e, principalmente, ao estilo tendencioso de fazer jornalismo.
O resultado desse estilo, pela grande mídia em geral, foi a total perda da credibilidade e da eficácia da crítica.
Depois da “Folha” e, agora, da “Veja” acenar com a “détente” vai ser interessante acompanhar o movimento pendular de alguns comentaristas.
Resta saber qual será o passo seguinte: se aprofundar a crítica não-tendenciosa (fundamental para aprimorar um governo cheio de defeitos e fragilidades), e voltar a fazer jornalismo, ou apenas jogo-de-cena para a próxima guerra santa ou ainda, se curvar à nova onda da opinião pública, e deixar de lado o viés crítico necessário.
Como a auto-crítica não é matéria prima abundante, não se espere uma avaliação isenta (ainda que interna) dos jornais sobre os profundos erros que comprometeram a imagem da mídia junto aos segmentos mais esclarecidos da população.
Não se espere que o “Globo” avalie como o estilo Ali Kamel jogou fora anos e anos de trabalho de Evandro Carlos de Andrade, para recuperar a credibilidade jornalística das organizações Globo. Ou a Abril se dê conta de como a indicação de diretores inescrupulosos e jornalisticamente desaparelhados para a Veja, assim como essa decisão inédita – para um órgão de grande imprensa – de contratar êmulos de Giba Um para fazer o trabalho sujo nos blogs, afetou profundamente a imagem da revista. Ou caia a ficha da “Folha” de como jogou fora todo um ativo de leitores de centro-esquerda, que levou décadas para ser formado.
Vamos ter jornalismo, daqui para frente? Lá sei eu. Em todo caso, ano novo, vida nova. E que se crie um jornalismo à altura dos desafios do Brasil.
Lula deveria ser escolhido personalidade do ano
Da seção “TENDÊNCIAS/DEBATES”, na Folha de hoje:
Lula pode fazer de 2008 um ano muito bom
ROGER NORIEGA*
A CADA ano, a venerável revista norte-americana "Time" escolhe um importante protagonista dos acontecimentos mundiais como "pessoa do ano". Ao explicar a seleção do presidente russo Vladimir Putin para essa distinção, em 2007, os editores de "Time" apontaram para o impacto dramático que o controverso líder exerceu ao restaurar a auto-estima de um país importante. Antecipando críticas à escolha do autocrata, eles admitem que Putin "representa, acima de tudo, estabilidade -estabilidade acima da liberdade, estabilidade acima da escolha...".
Nos termos dessa definição, uma seleção muito melhor como pessoa do ano teria sido Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Federativa do Brasil. Ao escolher Lula, "Time" não precisaria se desculpar por ter selecionado um autocrata, porque Lula é o "democrata" definitivo. Tendo em vista suas origens notavelmente humildes, ele fez uma contribuição à humanidade simplesmente por ter sido eleito.
Ao contrário do voluntarioso Putin, Lula conquista o sucesso ao provar que não é necessário sacrificar a liberdade em nome da estabilidade e que não existe motivo para ceder a liberdade política em troca de oportunidades econômicas. (...) O Brasil é um país respeitado e influente e serve de força propulsora à auspiciosa meta de integração sul-americana. Ainda que suas instituições não sejam perfeitas, ao contrário do que acontece na Rússia, elas vêm sendo reforçadas a cada dia.
O Brasil é uma das mais estáveis democracias mundiais, uma realização notável dado seu caráter multiétnico, sua diversidade geográfica e a grande proporção de sua população que continua vivendo na pobreza -motivos suficientes para que concedamos certa dose de respeito aos seus líderes.
Lula trabalhou nos limites de um processo livre e pluralista a fim de atingir sua meta de romper o ciclo de expansão e contração que afligia a economia brasileira havia gerações. Ainda que seja elogiado por ter mantido as políticas macroeconômicas "ortodoxas", sua maior contribuição está no reconhecimento de que o crescimento econômico e a justiça social são metas indispensáveis e complementares. Em lugar de recorrer a uma retórica populista vazia e divisiva, Lula está implementando programas práticos de combate à fome e à pobreza que vêm se tornando exemplos concretos para o resto do mundo.
Dados seus antecedentes como negociador sindical, Lula consegue observar a pessoa do lado oposto da mesa, avaliá-la e obter o melhor acordo para seu povo. O relacionamento pessoal inexplicável que estabeleceu com o presidente Bush pôs o Brasil como parceiro igual de Washington. Talvez o ponto mais forte de Lula seja que, diferentemente de Putin e de alguns dos líderes do setor de política externa do governo brasileiro, ele não considera que o relacionamento com os Estados Unidos seja uma questão definida em branco e preto. E sua persistência e autoconfiança representam o Brasil com perfeição.
Lula pode tornar a economia brasileira inabalável caso liberalize o mercado de trabalho, reforme o antiquado sistema tributário, dê incentivos ao setor de alta tecnologia e proteções dignas de um país de Primeiro Mundo à propriedade intelectual.
Ao fazê-lo, pode garantir que o Brasil concorra efetivamente pelo capital mundial necessário para sustentar um ritmo elevado de crescimento, gerar os milhões de empregos que representam a cura da pobreza e conduzir a economia brasileira a uma órbita mais elevada. Isso fará do Brasil um gigante industrial por direito próprio, em vez de um simples armazém de matérias-primas para a China.
Lula também pode resgatar sua política de comércio internacional das garras dos burocratas. Ele ocupa posição ideal para salvar um acordo mundial de comércio baseado em regras comuns, a fim de proteger os interesses das pequenas economias, pôr fim aos subsídios agrícolas que prejudicam os agricultores do Terceiro Mundo e gerar ampla prosperidade.
Por fim, Lula precisa encontrar uma maneira de domar os vestígios de corrupção que ainda afetam a maioria dos países da região. Um Estado de Direito é essencial a um governo responsável, à estabilidade política e a uma economia de mercado florescente. Não é tarde demais para enfrentar a praga da corrupção. Lula pode não ser um homem perfeito, mas é um bom homem. E mesmo a revista "Time" deveria reconhecer que um verdadeiro democrata e reformista é melhor que um autocrata superlativo -em qualquer lugar, em qualquer ano.
________________________________________
ROGER NORIEGA , diretor do escritório de advocacia Tew Cardenas e pesquisador visitante do American Enterprise Institute, foi secretário-assistente do Departamento de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental (2001-2005) e embaixador na Organização dos Estados Americanos.
Lula pode fazer de 2008 um ano muito bom
ROGER NORIEGA*
A CADA ano, a venerável revista norte-americana "Time" escolhe um importante protagonista dos acontecimentos mundiais como "pessoa do ano". Ao explicar a seleção do presidente russo Vladimir Putin para essa distinção, em 2007, os editores de "Time" apontaram para o impacto dramático que o controverso líder exerceu ao restaurar a auto-estima de um país importante. Antecipando críticas à escolha do autocrata, eles admitem que Putin "representa, acima de tudo, estabilidade -estabilidade acima da liberdade, estabilidade acima da escolha...".
Nos termos dessa definição, uma seleção muito melhor como pessoa do ano teria sido Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Federativa do Brasil. Ao escolher Lula, "Time" não precisaria se desculpar por ter selecionado um autocrata, porque Lula é o "democrata" definitivo. Tendo em vista suas origens notavelmente humildes, ele fez uma contribuição à humanidade simplesmente por ter sido eleito.
Ao contrário do voluntarioso Putin, Lula conquista o sucesso ao provar que não é necessário sacrificar a liberdade em nome da estabilidade e que não existe motivo para ceder a liberdade política em troca de oportunidades econômicas. (...) O Brasil é um país respeitado e influente e serve de força propulsora à auspiciosa meta de integração sul-americana. Ainda que suas instituições não sejam perfeitas, ao contrário do que acontece na Rússia, elas vêm sendo reforçadas a cada dia.
O Brasil é uma das mais estáveis democracias mundiais, uma realização notável dado seu caráter multiétnico, sua diversidade geográfica e a grande proporção de sua população que continua vivendo na pobreza -motivos suficientes para que concedamos certa dose de respeito aos seus líderes.
Lula trabalhou nos limites de um processo livre e pluralista a fim de atingir sua meta de romper o ciclo de expansão e contração que afligia a economia brasileira havia gerações. Ainda que seja elogiado por ter mantido as políticas macroeconômicas "ortodoxas", sua maior contribuição está no reconhecimento de que o crescimento econômico e a justiça social são metas indispensáveis e complementares. Em lugar de recorrer a uma retórica populista vazia e divisiva, Lula está implementando programas práticos de combate à fome e à pobreza que vêm se tornando exemplos concretos para o resto do mundo.
Dados seus antecedentes como negociador sindical, Lula consegue observar a pessoa do lado oposto da mesa, avaliá-la e obter o melhor acordo para seu povo. O relacionamento pessoal inexplicável que estabeleceu com o presidente Bush pôs o Brasil como parceiro igual de Washington. Talvez o ponto mais forte de Lula seja que, diferentemente de Putin e de alguns dos líderes do setor de política externa do governo brasileiro, ele não considera que o relacionamento com os Estados Unidos seja uma questão definida em branco e preto. E sua persistência e autoconfiança representam o Brasil com perfeição.
Lula pode tornar a economia brasileira inabalável caso liberalize o mercado de trabalho, reforme o antiquado sistema tributário, dê incentivos ao setor de alta tecnologia e proteções dignas de um país de Primeiro Mundo à propriedade intelectual.
Ao fazê-lo, pode garantir que o Brasil concorra efetivamente pelo capital mundial necessário para sustentar um ritmo elevado de crescimento, gerar os milhões de empregos que representam a cura da pobreza e conduzir a economia brasileira a uma órbita mais elevada. Isso fará do Brasil um gigante industrial por direito próprio, em vez de um simples armazém de matérias-primas para a China.
Lula também pode resgatar sua política de comércio internacional das garras dos burocratas. Ele ocupa posição ideal para salvar um acordo mundial de comércio baseado em regras comuns, a fim de proteger os interesses das pequenas economias, pôr fim aos subsídios agrícolas que prejudicam os agricultores do Terceiro Mundo e gerar ampla prosperidade.
Por fim, Lula precisa encontrar uma maneira de domar os vestígios de corrupção que ainda afetam a maioria dos países da região. Um Estado de Direito é essencial a um governo responsável, à estabilidade política e a uma economia de mercado florescente. Não é tarde demais para enfrentar a praga da corrupção. Lula pode não ser um homem perfeito, mas é um bom homem. E mesmo a revista "Time" deveria reconhecer que um verdadeiro democrata e reformista é melhor que um autocrata superlativo -em qualquer lugar, em qualquer ano.
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ROGER NORIEGA , diretor do escritório de advocacia Tew Cardenas e pesquisador visitante do American Enterprise Institute, foi secretário-assistente do Departamento de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental (2001-2005) e embaixador na Organização dos Estados Americanos.
Folha acusa universidades públicas de "perda de eficiência"
A Folha fez as contas e concluiu que enquanto o número de matrículas vem crescendo nas últimas décadas, houve queda de quase 10% no número de formados nas universidades públicas nos últimos dois anos. Os dados utilizados na matéria são do próprio Ministério da Educação.
De posse desses números, a Folha sentencia: "O resultado representa uma perda na eficiência nessas instituições, que são financiadas com recursos públicos."
A matéria aponta algumas causas da evasão: a necessidade de o aluno começar a trabalhar e o descontentamento com os cursos.
Para a Folha, a queda do número de formados nas universidades públicas representa um "prejuízo financeiro para o Estado". A preocupação da Folha é com o montante de recursos destinados às instituições públicas de ensino superior - R$ 1,7 bilhão para custeio em 2008.
A Folha ouviu um aluno da USP, que está ameaçado de ser jubilado, caso não se forme até dezembro de 2008. "Tem um pouco de relaxo, também. Como não pagamos mensalidade, ficamos menos pressionados a terminar rapidamente. Vejo que meus colegas em faculdade particular se esforçam mais", disse o rapaz.
Pelo que se infere do depoimento do aluno, a solução é cobrar mensalidade nas universidades públicas - que automaticamente deixariam de ser públicas.
A Folha também ouviu o presidente da Andifes (associação que reúne as universidades federais), Arquimedes Diógenes Ciloni, para quem a diminuição do número de formados tem a ver também com o aumento do número de pobres que ingressaram na universidade.
"Mesmo que o curso seja gratuito, há gastos com transporte, livros, alimentação. Fica pesado, principalmente para os que precisam mudar de cidade. Muitos desistem", concluiu.
Então, a solução é combinar a cobrança de mensalidade com o impedimento da entrada de pobres na universidade.
A Folha ouviu ainda o ex-ministro da Educação no governo FHC, Paulo Renato Souza, que negou que tenha havido falta de investimento nas universidades na sua gestão à frente do Ministério.
A matéria não fala nada sobre a proposta de reforma do ensino superior do governo federal, que está parada nas gavetas do MEC e foi duramente combatida pela mídia e pelas universidades particulares.
De posse desses números, a Folha sentencia: "O resultado representa uma perda na eficiência nessas instituições, que são financiadas com recursos públicos."
A matéria aponta algumas causas da evasão: a necessidade de o aluno começar a trabalhar e o descontentamento com os cursos.
Para a Folha, a queda do número de formados nas universidades públicas representa um "prejuízo financeiro para o Estado". A preocupação da Folha é com o montante de recursos destinados às instituições públicas de ensino superior - R$ 1,7 bilhão para custeio em 2008.
A Folha ouviu um aluno da USP, que está ameaçado de ser jubilado, caso não se forme até dezembro de 2008. "Tem um pouco de relaxo, também. Como não pagamos mensalidade, ficamos menos pressionados a terminar rapidamente. Vejo que meus colegas em faculdade particular se esforçam mais", disse o rapaz.
Pelo que se infere do depoimento do aluno, a solução é cobrar mensalidade nas universidades públicas - que automaticamente deixariam de ser públicas.
A Folha também ouviu o presidente da Andifes (associação que reúne as universidades federais), Arquimedes Diógenes Ciloni, para quem a diminuição do número de formados tem a ver também com o aumento do número de pobres que ingressaram na universidade.
"Mesmo que o curso seja gratuito, há gastos com transporte, livros, alimentação. Fica pesado, principalmente para os que precisam mudar de cidade. Muitos desistem", concluiu.
Então, a solução é combinar a cobrança de mensalidade com o impedimento da entrada de pobres na universidade.
A Folha ouviu ainda o ex-ministro da Educação no governo FHC, Paulo Renato Souza, que negou que tenha havido falta de investimento nas universidades na sua gestão à frente do Ministério.
A matéria não fala nada sobre a proposta de reforma do ensino superior do governo federal, que está parada nas gavetas do MEC e foi duramente combatida pela mídia e pelas universidades particulares.
sábado, 29 de dezembro de 2007
O câncer da Veja
Comentário postado por Weden, no blog do Luis Nassif:
"Você lê uma Exame, uma revista Nova Escola, você percebe que não há problema ético nenhum nestas revistas.
Portanto, não: a política da difamação e a prática de jornalismo marrom não são uma marca do grupo Abril.
Os Civitas mantém o padrão de bom jornalismo nos outros produtos do grupo Abril, e devem ser admirados por isso.
Conversando com alguns jornalistas da revista, você também percebe que há diferenças de posição, há gente digna por ali, na Veja.
O câncer, Nassif, o câncer está na Veja. Mas, mais especificamente, o câncer está na cabeça da Veja.
A revista tem uma história a zelar. O grupo Abril tem uma história a zelar.
Quem não tem nada a zelar é o câncer na cabeça da Veja.
Porque o câncer só tem zelo com sua própria expressão maligna, seu verbo mortal, odioso pelo que circunda.
O câncer só conhece adjetivos podres, advérbios doentes, artigos indefinidos e interjeições chulas. O câncer vive da sintaxe maligna, da articulação dos ruins.
O câncer da Veja não tem classe, nem gramatical, nem civilizacional.
Ele sobrevive da morte dos órgãos, das células sãs. Pulsão de morte.
A propósito, o câncer não pulsa, ele paralisa. Não viceja, degenera.
O câncer da Veja mata o corpo da Veja, aos poucos; mata porque é um avanço às avessas, um progresso negativo.
O câncer que acomete a Veja quer levá-la embora.
Como todo câncer não tem consideração pelo corpo que habita, mas apenas pela própria possibilidade de crescer para fora, corroendo o que há por dentro."
Em Tempo
Não convidem Nassif e Eurípedes Alcântara, diretor de redação da "Veja", para a mesma mesa. Nassif, em seu blog no IG, acusa Eurípedes de manter ligações com o publicitário Eduardo Fischer e também com o banqueiro Daniel Dantas.
O diretor da "Veja" respondeu chamando Nassif de "turco ladrao, mascate, rato", num ataque pra lá de agressivo no próprio blog do Nassif.
Eurípedes Alcântara é o câncer da "Veja"?
"Você lê uma Exame, uma revista Nova Escola, você percebe que não há problema ético nenhum nestas revistas.
Portanto, não: a política da difamação e a prática de jornalismo marrom não são uma marca do grupo Abril.
Os Civitas mantém o padrão de bom jornalismo nos outros produtos do grupo Abril, e devem ser admirados por isso.
Conversando com alguns jornalistas da revista, você também percebe que há diferenças de posição, há gente digna por ali, na Veja.
O câncer, Nassif, o câncer está na Veja. Mas, mais especificamente, o câncer está na cabeça da Veja.
A revista tem uma história a zelar. O grupo Abril tem uma história a zelar.
Quem não tem nada a zelar é o câncer na cabeça da Veja.
Porque o câncer só tem zelo com sua própria expressão maligna, seu verbo mortal, odioso pelo que circunda.
O câncer só conhece adjetivos podres, advérbios doentes, artigos indefinidos e interjeições chulas. O câncer vive da sintaxe maligna, da articulação dos ruins.
O câncer da Veja não tem classe, nem gramatical, nem civilizacional.
Ele sobrevive da morte dos órgãos, das células sãs. Pulsão de morte.
A propósito, o câncer não pulsa, ele paralisa. Não viceja, degenera.
O câncer da Veja mata o corpo da Veja, aos poucos; mata porque é um avanço às avessas, um progresso negativo.
O câncer que acomete a Veja quer levá-la embora.
Como todo câncer não tem consideração pelo corpo que habita, mas apenas pela própria possibilidade de crescer para fora, corroendo o que há por dentro."
Em Tempo
Não convidem Nassif e Eurípedes Alcântara, diretor de redação da "Veja", para a mesma mesa. Nassif, em seu blog no IG, acusa Eurípedes de manter ligações com o publicitário Eduardo Fischer e também com o banqueiro Daniel Dantas.
O diretor da "Veja" respondeu chamando Nassif de "turco ladrao, mascate, rato", num ataque pra lá de agressivo no próprio blog do Nassif.
Eurípedes Alcântara é o câncer da "Veja"?
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Os segredos da Islândia: a campeã do mundo em IDH
De acordo com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Islândia superou a Noruega e é a nova campeã do mundo em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). No site Conciência.Net, encontrei um artigo falando sobre as razões que tornaram a pequena ilha no Atlântico Norte a número 1 em desenvolvimento humano.
O país, conhecido como "Terra do Gelo", tem 312.851 habitantes distribuídos em 103 quilômetros quadrados (pouco mais que a área de Pernambuco).
Em relação à economia, a Islândia tem o 126º PIB (Produto Interno Bruto) do mundo. O país depende da indústria pesqueira, que responde por 70% das exportações.
Apesar de não ser uma potência econômica mundial, a situação se inverte quando analisamos seus índices sociais.
Os gastos com saúde equivalem a 8,3% do PIB — bem mais que a iniciativa privada (1,6%) e quase o dobro do Brasil (4,8%), como mostram os dados do relatório do PNUD.
Os gastos são feitos com eficiência. A expectativa de vida é a terceira maior do mundo: 81,5 anos, só atrás de Japão e Hong Kong. Entre os homens, os islandeses são os que mais vivem (79,9 anos). A taxa de mortalidade infantil é a menor do planeta (2 mortes para cada mil nascimentos).
Os investimentos públicos em educação correspondem a 8,1% do PIB, a oitava maior proporção do mundo, só superada por outras ilhas — incluindo a campeã Cuba (9,8%) —, por Iêmen (9,6%) e Dinamarca (8,5%). O relatório aponta que os gastos do governo são aplicados sobretudo nos estágios iniciais: 40% vai para o pré-primário e o primário, 35% para o secundário e 19% para o ensino superior.
No país gelado, o analfabetismo beira zero, a taxa bruta de matrícula é de 99% no ensino primário e 88% no secundário. Não há evasão no ciclo escolar inicial: 100% das crianças que entram na primeira série chegam à quinta.
O curioso é que a Islândia não tem Forças Armadas e, como conseqüência, gasta-se muito pouco com armamentos.
A taxa de desemprego é de 2,9%, a menor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade internacional de 30 países comprometidos com os princípios da economia de livre mercado).
Em tempo
O senador Eduardo Sulicy (PT-SP) foi à Islândia conhecer o programa de renda mínima que o país instituiu para seus cidadãos. Suplicy vem lutando há anos para que o programa seja implantado no Brasil. Pelo projeto, cada brasileiro teria direito a uma chamada renda básica de cidadania. O projeto foi aprovado e sancionado pelo preidente Lula, mas não há previsão de quando entrará em vigor.
O país, conhecido como "Terra do Gelo", tem 312.851 habitantes distribuídos em 103 quilômetros quadrados (pouco mais que a área de Pernambuco).
Em relação à economia, a Islândia tem o 126º PIB (Produto Interno Bruto) do mundo. O país depende da indústria pesqueira, que responde por 70% das exportações.
Apesar de não ser uma potência econômica mundial, a situação se inverte quando analisamos seus índices sociais.
Os gastos com saúde equivalem a 8,3% do PIB — bem mais que a iniciativa privada (1,6%) e quase o dobro do Brasil (4,8%), como mostram os dados do relatório do PNUD.
Os gastos são feitos com eficiência. A expectativa de vida é a terceira maior do mundo: 81,5 anos, só atrás de Japão e Hong Kong. Entre os homens, os islandeses são os que mais vivem (79,9 anos). A taxa de mortalidade infantil é a menor do planeta (2 mortes para cada mil nascimentos).
Os investimentos públicos em educação correspondem a 8,1% do PIB, a oitava maior proporção do mundo, só superada por outras ilhas — incluindo a campeã Cuba (9,8%) —, por Iêmen (9,6%) e Dinamarca (8,5%). O relatório aponta que os gastos do governo são aplicados sobretudo nos estágios iniciais: 40% vai para o pré-primário e o primário, 35% para o secundário e 19% para o ensino superior.
No país gelado, o analfabetismo beira zero, a taxa bruta de matrícula é de 99% no ensino primário e 88% no secundário. Não há evasão no ciclo escolar inicial: 100% das crianças que entram na primeira série chegam à quinta.
O curioso é que a Islândia não tem Forças Armadas e, como conseqüência, gasta-se muito pouco com armamentos.
A taxa de desemprego é de 2,9%, a menor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade internacional de 30 países comprometidos com os princípios da economia de livre mercado).
Em tempo
O senador Eduardo Sulicy (PT-SP) foi à Islândia conhecer o programa de renda mínima que o país instituiu para seus cidadãos. Suplicy vem lutando há anos para que o programa seja implantado no Brasil. Pelo projeto, cada brasileiro teria direito a uma chamada renda básica de cidadania. O projeto foi aprovado e sancionado pelo preidente Lula, mas não há previsão de quando entrará em vigor.
A Bússola de Ouro
Igreja Católica quer boicotar filme por "promover o ateísmo"
"A Bússola de Ouro", que estreou no Brasil terça-feira passada (25), irritou líderes católicos. O portal G1 informa que a Liga Católica dos Estados Unidos laçou uma campanha contra o filme, que é baseado na trilogia “Fronteiras do universo”, do escritor inglês Phillip Pullman. Os católicos acusam o filme de “levar as crianças ao ateísmo”.
O filme tem Nicole Kidman entre suas estrelas. A história retrata um mundo paralelo no qual criaturas chamadas “daemons” levam a alma das pessoas. Nesse mundo imaginário, tudo é controlado pelo Magistério – uma ordem religiosa que tira o livre-arbítrio e controla as almas das crianças. A heroína adolescente de 12 anos, Lyra Belacqua, vivida pela atriz Dakota Blue Richards, se revolta contra a ordem e utiliza a bússola dourada para encontrar outras crianças que foram capturadas.
Para a Liga Católica, o Magistério é uma referência à Igreja. Segundo o G1, o presidente da organização religiosa, Bill Donohue, afirmou que o filme é uma tentativa de "promover o ateísmo e denegrir os cristãos aos olhos das crianças". A liga pediu aos católicos que se afastem do filme.
Para o crítico Christy Lemire, o mal que tenta manipular a mente dos jovens não é nenhuma igreja específica, mas sim o ensino autoritário e imposto da doutrina religiosa.
Estou ancioso para ver o filme. O boicote da Igreja Católica só fez aumentar meu interesse. É como se tivesse despertado aquele conhecido efeito do "é proibido? hummm...".
A Igreja (qualquer igreja) reage sempre do mesmo jeito, com boicotes e proibições, quando alguma coisa questiona seus dogmas e suas práticas.
"A Bússola de Ouro", que estreou no Brasil terça-feira passada (25), irritou líderes católicos. O portal G1 informa que a Liga Católica dos Estados Unidos laçou uma campanha contra o filme, que é baseado na trilogia “Fronteiras do universo”, do escritor inglês Phillip Pullman. Os católicos acusam o filme de “levar as crianças ao ateísmo”.
O filme tem Nicole Kidman entre suas estrelas. A história retrata um mundo paralelo no qual criaturas chamadas “daemons” levam a alma das pessoas. Nesse mundo imaginário, tudo é controlado pelo Magistério – uma ordem religiosa que tira o livre-arbítrio e controla as almas das crianças. A heroína adolescente de 12 anos, Lyra Belacqua, vivida pela atriz Dakota Blue Richards, se revolta contra a ordem e utiliza a bússola dourada para encontrar outras crianças que foram capturadas.
Para a Liga Católica, o Magistério é uma referência à Igreja. Segundo o G1, o presidente da organização religiosa, Bill Donohue, afirmou que o filme é uma tentativa de "promover o ateísmo e denegrir os cristãos aos olhos das crianças". A liga pediu aos católicos que se afastem do filme.
Para o crítico Christy Lemire, o mal que tenta manipular a mente dos jovens não é nenhuma igreja específica, mas sim o ensino autoritário e imposto da doutrina religiosa.
Estou ancioso para ver o filme. O boicote da Igreja Católica só fez aumentar meu interesse. É como se tivesse despertado aquele conhecido efeito do "é proibido? hummm...".
A Igreja (qualquer igreja) reage sempre do mesmo jeito, com boicotes e proibições, quando alguma coisa questiona seus dogmas e suas práticas.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Glória Maria está fora do "Fantástico"
A notícia está na edição de hoje da Folha de São Paulo:
"A apresentadora Gloria Maria deixou a apresentação do "Fantástico", da TV Globo. De acordo com uma nota da Central Globo de Comunicação, ela pediu um período sabático de dois anos para se dedicar a projetos pessoais, como escrever um livro, viajar a lazer e se dedicar às aulas de canto.Gloria estava à frente da atração havia dez anos. Neste domingo, ela será substituída por Renata Ceribelli. Patricia Poeta assume o posto a partir de 6 de janeiro."
Em 2003, se não me engano, assisti uma palestra de Glória Maria sobre empreendedorismo jovem, no auditório da reitoria da UFRN. Depois da palestra, Glória respondeu algumas perguntas da platéia.
Alguém lhe perguntou sobre "como ela se sentia apresentando o Fantástico". A pergunta foi bem babaquinha, mas a resposta é digna de nota: "Estou lá apenas enquanto eles não arranjam um rostinho bonito pra colocar no meu lugar", disse Glória.
Glória tinha razão. Patrícia Poeta tem um rostinho lindo - além de ser mulher do diretor da Globo Internacional, Amauri Soares.
"A apresentadora Gloria Maria deixou a apresentação do "Fantástico", da TV Globo. De acordo com uma nota da Central Globo de Comunicação, ela pediu um período sabático de dois anos para se dedicar a projetos pessoais, como escrever um livro, viajar a lazer e se dedicar às aulas de canto.Gloria estava à frente da atração havia dez anos. Neste domingo, ela será substituída por Renata Ceribelli. Patricia Poeta assume o posto a partir de 6 de janeiro."
Em 2003, se não me engano, assisti uma palestra de Glória Maria sobre empreendedorismo jovem, no auditório da reitoria da UFRN. Depois da palestra, Glória respondeu algumas perguntas da platéia.
Alguém lhe perguntou sobre "como ela se sentia apresentando o Fantástico". A pergunta foi bem babaquinha, mas a resposta é digna de nota: "Estou lá apenas enquanto eles não arranjam um rostinho bonito pra colocar no meu lugar", disse Glória.
Glória tinha razão. Patrícia Poeta tem um rostinho lindo - além de ser mulher do diretor da Globo Internacional, Amauri Soares.
O que é ser de esquerda
"O acriticismo militante foi nefasto para a esquerda. Sem ser crítico, não se pode ir a nenhum lado, se reproduz o pior. Para mim, ser de esquerda não significa estar contra a direita, mas contra o poder, seja quem for que o exerça".
[Canek Sánchez Guevara, neto do líder revolucionário Che Guevara, em entrevista ao jornal espanhol "El País"]
[Canek Sánchez Guevara, neto do líder revolucionário Che Guevara, em entrevista ao jornal espanhol "El País"]
José Agripino: o mala sem alça de 2007
Ailton Medeiros elegeu o senador potiguar José Agripino, líder dos "demos", "o mala sem alça de 2007".
"Este homem que costuma tratar amigos, correligionários e jornalistas - os daqui, diga-se de passagem - com desprezo e arrogância, é idolatrado pelos nossos jornais como se fosse um Picasso, um Victor Hugo, um Balzac", afirma Ailton.
Ailton, eu também tô nessa: Agripino é minha anta!
"Este homem que costuma tratar amigos, correligionários e jornalistas - os daqui, diga-se de passagem - com desprezo e arrogância, é idolatrado pelos nossos jornais como se fosse um Picasso, um Victor Hugo, um Balzac", afirma Ailton.
Ailton, eu também tô nessa: Agripino é minha anta!
Repensando o Natal
Artigos questionam tradição do Natal
O Natal já passou. Papai Noel regressou ao Pólo Norte e ficará por lá, coçando o saco, até dezembro do ano que vem.
Agora é hora das mensagens de ano novo. Os jornais vão falar das simpatias pra virada do ano, o significado das cores das roupas, o cardápio da festa, a queima de fogos na praia de Copacabana e outras baboseiras do tipo.
Recebi por e-mail dois artigos muito bons questionando a tradição natalina. Os dois podem ser acessados no site do Fazendo Media (www.fazendomedia.com). O primeiro artigo é de Marcelo Salles: "Pro inferno a mídia e seu Natal!".
Marcelo começa seu artigo dizendo que o Natal "é uma boa oportunidade para pensarmos e repensarmos nossas próprias vidas", mas ele chama a atenção para a necessidade de refletirmos em profundidade primeiro sobre a realidade em que vivemos, antes de "divagar sobre o significado da existência humana num plano filosófico distante".
"Estou falando de uma realidade em que 2,8 bilhões de pessoas sobrevivem com dois dólares por dia e 1 bilhão de seres humanos não têm acesso à água potável, de acordo com o relatório da WorldWatch de 2004. Trata-se de uma situação alarmante, escandalosa, mas que parece não sensibilizar aqueles que governam o mundo, a não ser quando promovem campanhas que apenas remedeiam a situação com dinheiro deduzido do Imposto de Renda. Pra poderem dormir com a consciência tranqüila", diz um trecho do artigo.
Marcelo fala ainda sobre a desigualdade social, que condena milhões de seres humanos à exclusão e expõe essa imensa parcela da população à violência urbana. Marcelo culpa os governos e as organizações capitalistas do mundo por essa situação camitosa. A face mais perceptível desse sistema de exploração é o rosto de cada pessoa faminta nos quatro cantos do planeta.
"Que sentido pode haver num planeta onde habitam 6,5 bilhões de pessoas, cuja produção de comida é suficiente para alimentar 11 bilhões de seres humanos, mas que ainda assim 1,3 bilhão desses passam fome, segundo dados da ONU? Que sentido pode haver num país como o Brasil, dono de uma das maiores riquezas naturais do mundo, se a cada 12 minutos uma criança morre por desnutrição?", questiona Marcelo.
Depois de falar sobre desigualdade, violência e fome, Marcelo chama nossa atenção para a atualidade da mensagem de Jesus, que pregava o combate às injustiças, à desigldade e à exploração. "Jesus Cristo também nos ensinou a solidariedade, que depois a Igreja capitalista tentou transformar em caridade. São coisas diferentes. A caridade é vertical, ela humilha quem recebe. Por outro lado, solidariedade é estar ao lado de quem precisa. É pegar chuva, sentir fome, frio, medo, apenas para confortar alguém com sua presença. E se a caridade pode ser cotada pelo mercado, além de aliviar consciências em troca de moedas, a solidariedade desconhece tais valores."
Por fim, Marcelo responsabiliza a mídia corporativa pela tentativa de "reduzir o significado do Natal a uma corrida maluca por presentes" e por "impor um comportamento alienado". Por tudo isso, ele diz: "pro inferno esse sistema e sua mídia que incentivam o consumo desenfreado enquanto milhões passam fome."
O Natal tem Espírito?
O segundo artigo é do teólogo batista Eduardo Gomes. Segundo ele, o Natal foi comemorado em várias datas diferentes ao longo dos anos, até que o dia 25 de dezembro fosse oficializado como o dia de Natal, para se contrapor às antigas festas pagãs que celebravam a Saturnália e o sostício de inverno.
Os séculos se passaram e os cristãos foram incorporando outras tradições e símbolos pagãos ao Natal. Mas, para Eduardo Gomes, o mais importante a se destacar sobre a data natalina "é o nascimento do Salvador da humanidade". "Porém, como imaginar uma data tão festiva e que propõe tantas possibilidades de alegria, diante de uma carta de uma criança enviada ao Papai Noel, em cujo conteúdo encontra-se o pedido de um presente no mínimo curioso: um pão com manteiga e um copo de leite?", questiona ele.
Em seguida, Eduardo pega carona no significado em hebraíco de Belém, cidade onde Jesus nasceu, para dizer que o verdadeiro significado do Natal é "alimentar os que têm fome". Belém significa "Casa de Pão".
"Não é sugestivo que aquele que é motivo da comemoração do dia 25 de dezembro e que multiplicou pães para alimentar multidões tenha nascido justamente numa “Casa de Pão”? Não é, da mesma forma sugestivo, que o que nasceu em uma “Casa de Pão” tenha dito em um dos seus momentos de embates com os religiosos e políticos de sua época: “Eu sou o pão da vida”? Também não é curioso que aquele que nasceu em uma “Casa de Pão” e se colocou como o “pão da vida” tenha feito um último discurso para os seus discípulos na Ceia comparando o seu corpo com um pão, do qual todos deveriam comer, sob pena de não ter comunhão com Ele? E ainda, como podemos relacionar o “pão da vida” com as muitas pessoas que pedem de presente ao Papai Noel, no dia do Natal, um pão com manteiga e um copo de leite? O que aconteceu com o espírito do Natal? Se é que existe esse tal espírito! Mas se existe, será que ele não se equivocou assumindo em sua trajetória histórico-afetiva um compromisso maior com a tradição religiosa, quando deveria assumir tal compromisso com a humanidade em suas reais necessidades?"
Para Eduardo, a "tradição do Natal", tal qual a conhecemos nos dias atuais, interessa "somente aqueles cuja força é capaz de transformar um espírito natalino em espectro fantasmagórico que leva terror ao invés de segurança pública; aqueles que já perderam de vista as necessidades do próximo em detrimento de seus próprios interesses; aqueles que, a exemplo do rei Herodes que mandou matar todas as crianças de dois anos para baixo, quando do nascimento de Jesus, com medo de perder o trono, destroem sonhos e até mesmo pessoas com medo de perder o poder; aqueles que capitalizam votos nas campanhas eleitorais coronelificando (se me permitem o neologismo) o nepotismo. A estes interessa manter a tradição, pois para eles a tradição é a estrutura ideológica do poder."
Eduardo finaliza seu artigo com um pequeno alerta: "Lembre-se: o Natal é dia de gente e não de estruturas!"
O Natal já passou. Papai Noel regressou ao Pólo Norte e ficará por lá, coçando o saco, até dezembro do ano que vem.
Agora é hora das mensagens de ano novo. Os jornais vão falar das simpatias pra virada do ano, o significado das cores das roupas, o cardápio da festa, a queima de fogos na praia de Copacabana e outras baboseiras do tipo.
Recebi por e-mail dois artigos muito bons questionando a tradição natalina. Os dois podem ser acessados no site do Fazendo Media (www.fazendomedia.com). O primeiro artigo é de Marcelo Salles: "Pro inferno a mídia e seu Natal!".
Marcelo começa seu artigo dizendo que o Natal "é uma boa oportunidade para pensarmos e repensarmos nossas próprias vidas", mas ele chama a atenção para a necessidade de refletirmos em profundidade primeiro sobre a realidade em que vivemos, antes de "divagar sobre o significado da existência humana num plano filosófico distante".
"Estou falando de uma realidade em que 2,8 bilhões de pessoas sobrevivem com dois dólares por dia e 1 bilhão de seres humanos não têm acesso à água potável, de acordo com o relatório da WorldWatch de 2004. Trata-se de uma situação alarmante, escandalosa, mas que parece não sensibilizar aqueles que governam o mundo, a não ser quando promovem campanhas que apenas remedeiam a situação com dinheiro deduzido do Imposto de Renda. Pra poderem dormir com a consciência tranqüila", diz um trecho do artigo.
Marcelo fala ainda sobre a desigualdade social, que condena milhões de seres humanos à exclusão e expõe essa imensa parcela da população à violência urbana. Marcelo culpa os governos e as organizações capitalistas do mundo por essa situação camitosa. A face mais perceptível desse sistema de exploração é o rosto de cada pessoa faminta nos quatro cantos do planeta.
"Que sentido pode haver num planeta onde habitam 6,5 bilhões de pessoas, cuja produção de comida é suficiente para alimentar 11 bilhões de seres humanos, mas que ainda assim 1,3 bilhão desses passam fome, segundo dados da ONU? Que sentido pode haver num país como o Brasil, dono de uma das maiores riquezas naturais do mundo, se a cada 12 minutos uma criança morre por desnutrição?", questiona Marcelo.
Depois de falar sobre desigualdade, violência e fome, Marcelo chama nossa atenção para a atualidade da mensagem de Jesus, que pregava o combate às injustiças, à desigldade e à exploração. "Jesus Cristo também nos ensinou a solidariedade, que depois a Igreja capitalista tentou transformar em caridade. São coisas diferentes. A caridade é vertical, ela humilha quem recebe. Por outro lado, solidariedade é estar ao lado de quem precisa. É pegar chuva, sentir fome, frio, medo, apenas para confortar alguém com sua presença. E se a caridade pode ser cotada pelo mercado, além de aliviar consciências em troca de moedas, a solidariedade desconhece tais valores."
Por fim, Marcelo responsabiliza a mídia corporativa pela tentativa de "reduzir o significado do Natal a uma corrida maluca por presentes" e por "impor um comportamento alienado". Por tudo isso, ele diz: "pro inferno esse sistema e sua mídia que incentivam o consumo desenfreado enquanto milhões passam fome."
O Natal tem Espírito?
O segundo artigo é do teólogo batista Eduardo Gomes. Segundo ele, o Natal foi comemorado em várias datas diferentes ao longo dos anos, até que o dia 25 de dezembro fosse oficializado como o dia de Natal, para se contrapor às antigas festas pagãs que celebravam a Saturnália e o sostício de inverno.
Os séculos se passaram e os cristãos foram incorporando outras tradições e símbolos pagãos ao Natal. Mas, para Eduardo Gomes, o mais importante a se destacar sobre a data natalina "é o nascimento do Salvador da humanidade". "Porém, como imaginar uma data tão festiva e que propõe tantas possibilidades de alegria, diante de uma carta de uma criança enviada ao Papai Noel, em cujo conteúdo encontra-se o pedido de um presente no mínimo curioso: um pão com manteiga e um copo de leite?", questiona ele.
Em seguida, Eduardo pega carona no significado em hebraíco de Belém, cidade onde Jesus nasceu, para dizer que o verdadeiro significado do Natal é "alimentar os que têm fome". Belém significa "Casa de Pão".
"Não é sugestivo que aquele que é motivo da comemoração do dia 25 de dezembro e que multiplicou pães para alimentar multidões tenha nascido justamente numa “Casa de Pão”? Não é, da mesma forma sugestivo, que o que nasceu em uma “Casa de Pão” tenha dito em um dos seus momentos de embates com os religiosos e políticos de sua época: “Eu sou o pão da vida”? Também não é curioso que aquele que nasceu em uma “Casa de Pão” e se colocou como o “pão da vida” tenha feito um último discurso para os seus discípulos na Ceia comparando o seu corpo com um pão, do qual todos deveriam comer, sob pena de não ter comunhão com Ele? E ainda, como podemos relacionar o “pão da vida” com as muitas pessoas que pedem de presente ao Papai Noel, no dia do Natal, um pão com manteiga e um copo de leite? O que aconteceu com o espírito do Natal? Se é que existe esse tal espírito! Mas se existe, será que ele não se equivocou assumindo em sua trajetória histórico-afetiva um compromisso maior com a tradição religiosa, quando deveria assumir tal compromisso com a humanidade em suas reais necessidades?"
Para Eduardo, a "tradição do Natal", tal qual a conhecemos nos dias atuais, interessa "somente aqueles cuja força é capaz de transformar um espírito natalino em espectro fantasmagórico que leva terror ao invés de segurança pública; aqueles que já perderam de vista as necessidades do próximo em detrimento de seus próprios interesses; aqueles que, a exemplo do rei Herodes que mandou matar todas as crianças de dois anos para baixo, quando do nascimento de Jesus, com medo de perder o trono, destroem sonhos e até mesmo pessoas com medo de perder o poder; aqueles que capitalizam votos nas campanhas eleitorais coronelificando (se me permitem o neologismo) o nepotismo. A estes interessa manter a tradição, pois para eles a tradição é a estrutura ideológica do poder."
Eduardo finaliza seu artigo com um pequeno alerta: "Lembre-se: o Natal é dia de gente e não de estruturas!"
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
O que me irrita no natal
Muitas coisas me irritam no natal.
Em primeiro lugar, fico irritado com a exploração comercial da data. Tudo é comércio. A publicidade explora a compulsão consumista das pessoas e as estimula a consumir mais ainda quando vem chegando o natal.
Não suporto os comerciais de natal. As Mensagens, músicas, sorrisos... Tudo artificial. Tudo ensaiado. Tudo feito para comover os trouxas. Os bancos, que passam o ano todo assaltando o bolso da gente com taxas exorbitantes, se transformam na fantástica fábrica de felicidade nos comerciais.
Os telejornais também conseguem me irritar ainda mais no natal. Todo ano é a mesma coisa. As mesmas matérias sobre "solidariedade e espírito natalino", as mesmas pautas sem nenhuma criatividade. Haja história de Papai Noel! Como dizem uns conhecidos meus, "ninguém merece". Além disso, só mostram as comemorações e tradições católicas. A mensagem do Papa também merece destaque.
A religiosidade com cheiro de naftalina e os discursos sem nenhuma novidade também me irritam. Ontem, véspera de natal, fui à igreja que freqüentei na minha adolescência e parte da minha juventude na cidade onde nasci, na esperança de ouvir alguma mensagem revigoradora. Não passou de esperança. Ouvi um discurso velho, o mesmo relato do nascimento do menino Jesus, algumas metáforas batidas, palavras que não empolgavam, não levavam a nenhuma reflexão nem incomodavam. Porque eu acho que as palavras têm que provocar e incomodar, para que saíamos da pasmaceira habitual.
Esse tipo de discurso e esse tipo de religiosidade, além de me irritar, me cansam. O natal perdeu, há muito tempo, seu sentido original. De que adianta falar no natal, no nascimento de Cristo, se esse Cristo do natal não faz nenhuma diferença em nós?
Acho que é justamente isso o que mais me irrita no natal. Essa é apenas uma data festiva como outra qualquer para a maioria das pessoas. É uma data que não faz a menor diferença.
O natal não faz o menor sentido se o Cristo do natal não nascer e renascer todos os dias para cada um de nós.
Em primeiro lugar, fico irritado com a exploração comercial da data. Tudo é comércio. A publicidade explora a compulsão consumista das pessoas e as estimula a consumir mais ainda quando vem chegando o natal.
Não suporto os comerciais de natal. As Mensagens, músicas, sorrisos... Tudo artificial. Tudo ensaiado. Tudo feito para comover os trouxas. Os bancos, que passam o ano todo assaltando o bolso da gente com taxas exorbitantes, se transformam na fantástica fábrica de felicidade nos comerciais.
Os telejornais também conseguem me irritar ainda mais no natal. Todo ano é a mesma coisa. As mesmas matérias sobre "solidariedade e espírito natalino", as mesmas pautas sem nenhuma criatividade. Haja história de Papai Noel! Como dizem uns conhecidos meus, "ninguém merece". Além disso, só mostram as comemorações e tradições católicas. A mensagem do Papa também merece destaque.
A religiosidade com cheiro de naftalina e os discursos sem nenhuma novidade também me irritam. Ontem, véspera de natal, fui à igreja que freqüentei na minha adolescência e parte da minha juventude na cidade onde nasci, na esperança de ouvir alguma mensagem revigoradora. Não passou de esperança. Ouvi um discurso velho, o mesmo relato do nascimento do menino Jesus, algumas metáforas batidas, palavras que não empolgavam, não levavam a nenhuma reflexão nem incomodavam. Porque eu acho que as palavras têm que provocar e incomodar, para que saíamos da pasmaceira habitual.
Esse tipo de discurso e esse tipo de religiosidade, além de me irritar, me cansam. O natal perdeu, há muito tempo, seu sentido original. De que adianta falar no natal, no nascimento de Cristo, se esse Cristo do natal não faz nenhuma diferença em nós?
Acho que é justamente isso o que mais me irrita no natal. Essa é apenas uma data festiva como outra qualquer para a maioria das pessoas. É uma data que não faz a menor diferença.
O natal não faz o menor sentido se o Cristo do natal não nascer e renascer todos os dias para cada um de nós.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Manual prático para se manipular uma pesquisa eleitoral
Do Blog do Luís Nassif:
"Se alguém tinha dúvidas sobre como as pesquisas eleitorais podem ser manipuladas, uma pequena matéria da “Folha” (que merecia destaque maior) demonstra.
A matéria fala de duas pesquisas do IBOPE sobre as eleições municipais de São Paulo. Em um dos levantamentos, divulgado pela TV Globo, Martha vence por 46% a 35%. Em outro, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo (ligada a Kassab) ele vence por 47% a 38%. A diferença entre as pesquisas é de menos de um mês. [ A pesquisa em que Marta venceria foi realizada entre os dias 15 e 18 de dezembro, enquanto a outra, em que Kassab seria vencedor, foi realizada entre os dias 10 e 14 de novembro]
Qual o truque? No caso da pesquisa da ACSP, antes de perguntar sobre as intenções de voto, a pesquisa tinha oito questões sobre as obras de Kassab na cidade. Depois de lembrar (ou informar ) o leitor sobre as boas obras, sapecava a pergunta: em quem votaria?"
Em relação à pesquisa que deu Kassab à frente de Marta, A Folha informa que o Ibope afirmou ontem, por meio de nota, que as questões iniciais "podem ter influenciado os resultados obtidos nas perguntas sobre intenção de voto, principalmente nas simulações de segundo turno, dado o caráter plebiscitário dessas questões".
"Se alguém tinha dúvidas sobre como as pesquisas eleitorais podem ser manipuladas, uma pequena matéria da “Folha” (que merecia destaque maior) demonstra.
A matéria fala de duas pesquisas do IBOPE sobre as eleições municipais de São Paulo. Em um dos levantamentos, divulgado pela TV Globo, Martha vence por 46% a 35%. Em outro, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo (ligada a Kassab) ele vence por 47% a 38%. A diferença entre as pesquisas é de menos de um mês. [ A pesquisa em que Marta venceria foi realizada entre os dias 15 e 18 de dezembro, enquanto a outra, em que Kassab seria vencedor, foi realizada entre os dias 10 e 14 de novembro]
Qual o truque? No caso da pesquisa da ACSP, antes de perguntar sobre as intenções de voto, a pesquisa tinha oito questões sobre as obras de Kassab na cidade. Depois de lembrar (ou informar ) o leitor sobre as boas obras, sapecava a pergunta: em quem votaria?"
Em relação à pesquisa que deu Kassab à frente de Marta, A Folha informa que o Ibope afirmou ontem, por meio de nota, que as questões iniciais "podem ter influenciado os resultados obtidos nas perguntas sobre intenção de voto, principalmente nas simulações de segundo turno, dado o caráter plebiscitário dessas questões".
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Ibope diz que Marta lidera em São Paulo; Folha de S.Paulo diz que "Marta empata com Alckmin"
O Ibope divulgou nesta quarta-feira (19) uma pesquisa sobre a intenção de votos para a Prefeitura de São Paulo. De acordo com o instituto, a ex-prefeita e ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) aparece na liderança com 27%, seguida do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que aparece com 24%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais. Dessa forma, Marta tem entre 23% e 31%, enquanto Alckmin tem entre 20% e 27%. O Ibope ouviu 602 eleitores, entre os dias 15 e 18 de dezembro.
Eu já comentei outras pesquisas que saíram para presidente e, em relação a essa para prefeito, digo o mesmo: pesquisa eleitoral agora e nada, dá no mesmo. Apesar das eleições para prefeito estarem mais próximas, ainda falta muita água pra passar debaixo da ponte.
Mas, o que chama a atenção agora não é nem a pesquisa em si, mas a repercussão da mesma. O Ibope mostra Marta à frente de Alckmin. A Folha dá na manchete que Marta apenas empata com o tucano.
Estranho, né?
Eu já comentei outras pesquisas que saíram para presidente e, em relação a essa para prefeito, digo o mesmo: pesquisa eleitoral agora e nada, dá no mesmo. Apesar das eleições para prefeito estarem mais próximas, ainda falta muita água pra passar debaixo da ponte.
Mas, o que chama a atenção agora não é nem a pesquisa em si, mas a repercussão da mesma. O Ibope mostra Marta à frente de Alckmin. A Folha dá na manchete que Marta apenas empata com o tucano.
Estranho, né?
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
O poder da amizade
Tenho dormido tarde nos últimos dias e, para compensar a falta de sono, aproveito para ler e assistir bons filmes. Na madrugada de ontem para hoje assisti "Reine Sobre Mim" (Reign Over Me), do diretor Mike Binder, com Adam Sandler, Don Cheadle e Liv Tyler. Talvez a sua reação ao se deparar com o nome de Adam Sandler tenha sido de desconfiança, igual a minha, como se dissesse "xiii, lá vem mais uma daquelas comédias americanas estilo pastelão", afinal de contas Sandler é conhecido pelo grande público por suas atuações nesse tipo de filme.
"Reine Sobre Mim" nada tem a ver com o gosto duvidoso daquelas comédias. Primeiro porque é um drama, que conta uma história de conteúdo profundamente humano e emocionante, sem ser piegas. Depois porque você vai se surpreender com uma interpretação tocante de Adam Sandler, como provavelmente você não o viu em nenhum outro momento.
No filme, Sandler é Charlie Fineman, um homem perturbado pela tragédia de ter perdido a mulher e as três filhas num dos aviões seqüestrados pelos terroristas da Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001. Fineman não consegue lidar com a perda e isola-se de tudo e de todos. Tranca-se em seu apartamento e só sai a bordo do seu patinete motorizado para ir a uma loja de antiguidades que vende discos de vinil. O apartamento onde mora é um lugar sombrio. Ele reforma a cozinha à cada duas semanas. Os quadros estão pelo chão. Não há moveis; apenas um velho sofá na sala, um projetor de imagens e uma tv de plasma gigante, que ele só liga pra jogar video-game. Nunca vê os noticiários. É uma forma de estar no mundo, mas ao mesmo tempo não se sentir parte dele.
Fineman tenta fugir das lembranças da esposa e das filhas. As lembranças são dolorosas demais e ele não consegue conviver com isso. Ele já tem que suportar a ausência delas, o vazio infinito advindo dessa ausência, a absoluta sensação de estar perdido num universo gigantesco, a vertiginosa percepção de gravitar em torno do invisível, do intangível.
Um dia, por acaso, Fineman reencontra um antigo amigo de faculdade, Alan Johnson (vivido por Don Cheadle). É quando sua pobre vida triste começa a mudar. Johnson é um dentista que vive para a família e o trabalho, mas sente-se frustrado por ter que se anular o tempo todo. O reencontro de Fineman e Johnson reascende a amizade esquecida e essa nova relação vai ensinar muita coisa aos dois.
A partir desse reencontro, o tema da amizade é explorado com muita sensibilidade e filme mexe com algo que é comum a todos nós: a estranha necessidade de não nos sentirmos sós. Fineman descobre que não está só, enquanto Johnson começa a intuir que aquela amizade pode trazer à tona um lado seu que nem ele mesmo conhecia.
Em tempos difíceis como os nossos, quando as relações são, muitas vezes, movidas por interesses egoístas, é sempre bom ver histórias como essa, que mostram a força da verdadeira amizade. Não importa que seja um pouco idealizado. É bom sonhar de vez em quando.
"Reine Sobre Mim" nada tem a ver com o gosto duvidoso daquelas comédias. Primeiro porque é um drama, que conta uma história de conteúdo profundamente humano e emocionante, sem ser piegas. Depois porque você vai se surpreender com uma interpretação tocante de Adam Sandler, como provavelmente você não o viu em nenhum outro momento.
No filme, Sandler é Charlie Fineman, um homem perturbado pela tragédia de ter perdido a mulher e as três filhas num dos aviões seqüestrados pelos terroristas da Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001. Fineman não consegue lidar com a perda e isola-se de tudo e de todos. Tranca-se em seu apartamento e só sai a bordo do seu patinete motorizado para ir a uma loja de antiguidades que vende discos de vinil. O apartamento onde mora é um lugar sombrio. Ele reforma a cozinha à cada duas semanas. Os quadros estão pelo chão. Não há moveis; apenas um velho sofá na sala, um projetor de imagens e uma tv de plasma gigante, que ele só liga pra jogar video-game. Nunca vê os noticiários. É uma forma de estar no mundo, mas ao mesmo tempo não se sentir parte dele.
Fineman tenta fugir das lembranças da esposa e das filhas. As lembranças são dolorosas demais e ele não consegue conviver com isso. Ele já tem que suportar a ausência delas, o vazio infinito advindo dessa ausência, a absoluta sensação de estar perdido num universo gigantesco, a vertiginosa percepção de gravitar em torno do invisível, do intangível.
Um dia, por acaso, Fineman reencontra um antigo amigo de faculdade, Alan Johnson (vivido por Don Cheadle). É quando sua pobre vida triste começa a mudar. Johnson é um dentista que vive para a família e o trabalho, mas sente-se frustrado por ter que se anular o tempo todo. O reencontro de Fineman e Johnson reascende a amizade esquecida e essa nova relação vai ensinar muita coisa aos dois.
A partir desse reencontro, o tema da amizade é explorado com muita sensibilidade e filme mexe com algo que é comum a todos nós: a estranha necessidade de não nos sentirmos sós. Fineman descobre que não está só, enquanto Johnson começa a intuir que aquela amizade pode trazer à tona um lado seu que nem ele mesmo conhecia.
Em tempos difíceis como os nossos, quando as relações são, muitas vezes, movidas por interesses egoístas, é sempre bom ver histórias como essa, que mostram a força da verdadeira amizade. Não importa que seja um pouco idealizado. É bom sonhar de vez em quando.
Vereador quer censurar Rita Lee
Li a seguinte nota no blog "Panorama Político" da jornalista Ana Ruth Dantas:
Vereador defende que Prefeitura “vete” Rita Lee
"O vereador Carlos Santos se revoltou com a cantora Rita Lee, que se apresentou na última quinta-feira no projeto Natal em Natal. O parlamentar do PR se mostrou indignado pelo fato da roqueira ter testado a popularidade do senador potiguar Garibaldi Filho, no momento em que disse, durante o show, “se o senador for bom aplaudam, se for ruim vaiem”.
“Ela (Rita Lee) orquestrou uma vaia para o senador Garibaldi Filho. Entendo que nós do Rio Grande do Norte não podemos aceitar isso. Garibaldi Filho não é uma questão do PMDB é do Rio Grande do Norte. Ele é o presidente do Senado do Rio Grande do Norte. Não admito que ela incentive a vaia”, disse Carlos Santos.
O vereador ponderou que “Rita Lee é uma boa cantora, fez bom show, mas não pode ferir algo que é nosso”."
Deixei o seguinte comentário no blog da jornalista:
O vereador Carlos Santos deveria se preocupar com outras coisas. Agora ele quer ser censor? Deveria se ocupar em legislar em favor do município pelo qual foi eleito. Desconheço qualquer coisa relevante feita pelo nobre vereador na Câmara Municipal - a não ser que ele considere relevante conceder honrarias às musas do axé baiano.
O verdadeiro artista, vereador, é um vanguardista, um visionário. Ele se move por entre as intermitências do tempo presente e escapa do pensamento único e do senso comum. Quando todos olham para os lados, o artista mira para cima, porque a "novidade" pode estar pairando sobre nossas cabeças. E antes que se precipite a "chuva", ele a traduz em arte, em protesto, em contestação. A verdadeira arte não se alinha à vontade nem dos velhos nem dos novos coronéis.
Deixem o (a) artista livre.
Vereador defende que Prefeitura “vete” Rita Lee
"O vereador Carlos Santos se revoltou com a cantora Rita Lee, que se apresentou na última quinta-feira no projeto Natal em Natal. O parlamentar do PR se mostrou indignado pelo fato da roqueira ter testado a popularidade do senador potiguar Garibaldi Filho, no momento em que disse, durante o show, “se o senador for bom aplaudam, se for ruim vaiem”.
“Ela (Rita Lee) orquestrou uma vaia para o senador Garibaldi Filho. Entendo que nós do Rio Grande do Norte não podemos aceitar isso. Garibaldi Filho não é uma questão do PMDB é do Rio Grande do Norte. Ele é o presidente do Senado do Rio Grande do Norte. Não admito que ela incentive a vaia”, disse Carlos Santos.
O vereador ponderou que “Rita Lee é uma boa cantora, fez bom show, mas não pode ferir algo que é nosso”."
Deixei o seguinte comentário no blog da jornalista:
O vereador Carlos Santos deveria se preocupar com outras coisas. Agora ele quer ser censor? Deveria se ocupar em legislar em favor do município pelo qual foi eleito. Desconheço qualquer coisa relevante feita pelo nobre vereador na Câmara Municipal - a não ser que ele considere relevante conceder honrarias às musas do axé baiano.
O verdadeiro artista, vereador, é um vanguardista, um visionário. Ele se move por entre as intermitências do tempo presente e escapa do pensamento único e do senso comum. Quando todos olham para os lados, o artista mira para cima, porque a "novidade" pode estar pairando sobre nossas cabeças. E antes que se precipite a "chuva", ele a traduz em arte, em protesto, em contestação. A verdadeira arte não se alinha à vontade nem dos velhos nem dos novos coronéis.
Deixem o (a) artista livre.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Mais brasileiros na rede mundial de computadores
Em um ano, Brasil tem 1,8 milhão de novos internautas de banda larga
O número de conexões à internet por meio de banda larga no Brasil cresceu 36% entre setembro de 2006 e setembro de 2007, registrando 1,870 milhão de novas conexões. É o que mostra a sétima edição do estudo Barômetro Cisco de Banda Larga, realizado pela IDC Brasil e divulgado nesta terça-feira.
Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o aumento foi de 8,3%. Uma das razões das adesões, segundo o estudo, é a queda no preço desses serviços. O crescimento na venda de PCs também estaria ajudando no crescimento da banda larga.
Quase metade das conexões, no entanto, concentra-se no estado de São Paulo (40,1%). O estado também detém 36% das conexões discadas à rede.
O preço das conexões entre 1 e 2 Mbps caiu 30% de setembro deste ano a setembro de 2006, informou o relatório.
Fonte: Folha Online
O número de conexões à internet por meio de banda larga no Brasil cresceu 36% entre setembro de 2006 e setembro de 2007, registrando 1,870 milhão de novas conexões. É o que mostra a sétima edição do estudo Barômetro Cisco de Banda Larga, realizado pela IDC Brasil e divulgado nesta terça-feira.
Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o aumento foi de 8,3%. Uma das razões das adesões, segundo o estudo, é a queda no preço desses serviços. O crescimento na venda de PCs também estaria ajudando no crescimento da banda larga.
Quase metade das conexões, no entanto, concentra-se no estado de São Paulo (40,1%). O estado também detém 36% das conexões discadas à rede.
O preço das conexões entre 1 e 2 Mbps caiu 30% de setembro deste ano a setembro de 2006, informou o relatório.
Fonte: Folha Online
Quem tem medo da TV Pública?
Em discurso na Câmara Federal, a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) defende a TV Brasil e afirma que a oposição critica a nova rede porque tem o apoio de "grandes grupos privados de comunicação brasileiros, que não se conformam com a aparição de uma alternativa de televisão para o público brasileiro, insatisfeito com os padrões atuais da TV comercial".
Leia abaixo a íntegra do discurso de Manuela na Câmara dos Deputados e reproduzido no site "Vermelho":
Nosso país viveu um ano de profundas transformações, este fato é reconhecido por todas as forças políticas desta Casa. Uma destas grandes transformações foi o início das operações da TV Brasil. Início este ofuscado pela estréia das transmissões da TV digital brasileira. Apesar da estréia tímida, resumida à cidade de São Paulo, a tv digital concentrou todas as atenções, enquanto o verdadeiro salto está sendo dado com o lançamento de um novo veículo de comunicação, que pode vir a cumprir um papel previsto pelos constituintes de 1988 mas nunca concretizado, o de democratizar o acesso às informações.
Ouvi aqui, diversos discursos acusando a iniciativa do governo Lula de se criar uma TV chapa-branca. Mas todos estes ataques caem por terra quando conversamos com a nova presidente da TV, jornalista Tereza Cruvinel.
Um profissional respeitada, tratada com muita deferência por todos os partidos, certamente empresta além de sua competência sua seriedade e sua credibilidade a este novo veículo.
Em entrevista publicada na semana passada, a jornalista afirmava que ''a TV Brasil fará um jornalismo sem adjetivos cromáticos, guiado pelos fatos, pelo equilíbrio e isenção. E independente da boa intenção ou das virtudes de seus dirigentes, a vigilância da sociedade deve prevalecer''.
Não há dúvida de que a TV Brasil será fiscalizada diuturnamente pelos mais diversos segmentos da sociedade. Então qual a razão para tanto temor, o que justifica que um partido entre com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória que criou a TV Brasil?
O que teme este partido e os ácidos críticos à nova TV é que ela seja um instrumento da sociedade. A mesma insegurança que move setores da mídia contra o governo Lula, não pelos seus atos administrativos mas pela sua origem popular. Senhor presidente, senhoras e senhores deputados, eu pergunto quem tem medo da TV Brasil?
Os mesmos setores que têm medo do nosso povo e da nossa cultura.
Segmentos que buscam desesperadamente se sentirem mais cultos e urbanos voltando suas vidas para os exemplos norte-americanos de cultura e consumo.
Pessoas que se sentem mais à vontade em Nova York do que no Rio de Janeiro.
Estes setores irão descobrir a riqueza da alma e da cultura de nosso país.
O surgimento de mais uma rede de televisão, e de natureza pública, pode contribuir para o aumento da diversidade na oferta de oportunidades de informação ao cidadão. Quanto maior a diversidade do sistema de radiodifusão, mais democrático ele se torna, permitindo que a sociedade possa formar seus juízos a partir do acesso a um conjunto variado de mensagens que expressem o pluralismo da própria sociedade.
Concluo saudando a nova rede de TV Brasil e afirmando que meu mandato e minha atuação política serão voltados para o sucesso desta iniciativa, que não é iniciativa de um governo, mas é uma conquista para todo o país.
Leia abaixo a íntegra do discurso de Manuela na Câmara dos Deputados e reproduzido no site "Vermelho":
Nosso país viveu um ano de profundas transformações, este fato é reconhecido por todas as forças políticas desta Casa. Uma destas grandes transformações foi o início das operações da TV Brasil. Início este ofuscado pela estréia das transmissões da TV digital brasileira. Apesar da estréia tímida, resumida à cidade de São Paulo, a tv digital concentrou todas as atenções, enquanto o verdadeiro salto está sendo dado com o lançamento de um novo veículo de comunicação, que pode vir a cumprir um papel previsto pelos constituintes de 1988 mas nunca concretizado, o de democratizar o acesso às informações.
Ouvi aqui, diversos discursos acusando a iniciativa do governo Lula de se criar uma TV chapa-branca. Mas todos estes ataques caem por terra quando conversamos com a nova presidente da TV, jornalista Tereza Cruvinel.
Um profissional respeitada, tratada com muita deferência por todos os partidos, certamente empresta além de sua competência sua seriedade e sua credibilidade a este novo veículo.
Em entrevista publicada na semana passada, a jornalista afirmava que ''a TV Brasil fará um jornalismo sem adjetivos cromáticos, guiado pelos fatos, pelo equilíbrio e isenção. E independente da boa intenção ou das virtudes de seus dirigentes, a vigilância da sociedade deve prevalecer''.
Não há dúvida de que a TV Brasil será fiscalizada diuturnamente pelos mais diversos segmentos da sociedade. Então qual a razão para tanto temor, o que justifica que um partido entre com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória que criou a TV Brasil?
O que teme este partido e os ácidos críticos à nova TV é que ela seja um instrumento da sociedade. A mesma insegurança que move setores da mídia contra o governo Lula, não pelos seus atos administrativos mas pela sua origem popular. Senhor presidente, senhoras e senhores deputados, eu pergunto quem tem medo da TV Brasil?
Os mesmos setores que têm medo do nosso povo e da nossa cultura.
Segmentos que buscam desesperadamente se sentirem mais cultos e urbanos voltando suas vidas para os exemplos norte-americanos de cultura e consumo.
Pessoas que se sentem mais à vontade em Nova York do que no Rio de Janeiro.
Estes setores irão descobrir a riqueza da alma e da cultura de nosso país.
O surgimento de mais uma rede de televisão, e de natureza pública, pode contribuir para o aumento da diversidade na oferta de oportunidades de informação ao cidadão. Quanto maior a diversidade do sistema de radiodifusão, mais democrático ele se torna, permitindo que a sociedade possa formar seus juízos a partir do acesso a um conjunto variado de mensagens que expressem o pluralismo da própria sociedade.
Concluo saudando a nova rede de TV Brasil e afirmando que meu mandato e minha atuação política serão voltados para o sucesso desta iniciativa, que não é iniciativa de um governo, mas é uma conquista para todo o país.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Entrevista Roberta Sá

Roberta Sá falou com exclusividade ao blog após o show no "Auto de Natal", domingo passado (16), no Machadão. Mais de 10 mil pessoas assistiram a apresentação impecável da cantora potiguar radicada no Rio de Janeiro. "Foi o meu maior público", disse uma Roberta visivelmente emocionada.
Nem o probleminha com o retorno atrapalhou o show. No repertório, 12 músicas do segundo cd e sete do "Braseiro", seu primeiro trabalho profissional. A enorme estrutura do palco ficou pequena frente à desenvoltura de uma Roberta Sá supreendentemente desenvolta, levando-se em consideração sua conhecida timidez. Pois nessa noite, ela esqueceu a timidez e tomou conta do pedaço: sem deixar a elegância de lado, caiu no samba e fez todo mundo sambar também.
Particularmente, considero o momento mais marcante quando ela cantou "Samba de Amor e Ódio", faixa do "Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria". A voz marcante, a força do olhar, a perfeição dos movimentos, imprimiam ainda mais personalidade ao canto e davam mais amplitude a cada verso.
Nessa rápida entrevista, concedida em seu camarim, Roberta falou da emoção de se apresentar em Natal, comentou o prêmio de melhor cantora de 2007 da APCA, disse que gostaria de ter contato com os compositores potiguares e revelou que já está pensando no próximo cd.
Confira o papo na íntegra:
Contraponto: É a primeira vez que você canta no “Auto de Natal”. Como é que foi essa experiência de ver essa multidão te aplaudindo?
Roberta: Foi maravilhosa a experiência, foi um presente mesmo pra mim, presente de aniversário e de natal, porque eu fazer aniversário daqui a pouquinho, daqui a três dias... Três dias? Eu sou ruim de matemática à beça... Foi um presente, como eu já falei... A gente adorou; eu acho que nunca cantei pra tanta gente; assim, nunca tive um show meu, pelo menos, pra tanta gente. Foi emocionante ver todo mundo curtindo o show, curtir junto com todo mundo. Foi muito bacana.
Contraponto: Os seus fãs de Natal sempre reclamam que você faz poucos shows aqui. Por que isso?
Roberta: Não tem um por que; a gente vem, quando as pessoas chamam a gente ta aqui; é simples assim. Eu vim três vezes esse ano. Vim à beça.
Contraponto: Você foi eleita pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) a melhor cantora do Brasil em 2007. O que é que passa pela sua cabeça quando você recebe um título desses? Hoje você é quase uma unanimidade de crítica, então como é que você encara essa responsabilidade?
Roberta: A gente fica contente. Quando eu falo a gente, digo eu e a minha equipe toda, todo mundo que trabalha, porque a gente trabalha pra caramba. E um prêmio desses é um carinho pra gente que realiza esse trabalho com tanto amor. Então, eu fico muito feliz e, ao mesmo tempo, é uma grande responsabilidade, porque [a APCA] é uma associação super séria. Todo ano os premiados são os maiores da nossa música brasileira. Eu fiquei muito surpresa e não esperava mesmo. Quando eu vi, eu achei até que fosse mentira. Eu falei: “Não, mentira. Não, não fui eu não. Vocês não confundiram o nome não?” (risos). Foi uma surpresa muito boa. Eu tô cheia de presente de natal e de aniversário. O povo não pára de me dar presente, graças a Deus.
Contraponto: Eu queria falar um pouco do “Braseiro”, que foi seu cd de estréia. Quando esse cd foi lançado, a crítica do sul e sudeste o comparou ao cd de estréia da Marisa Monte, dizendo que em termos de estréia, o “Braseiro” foi melhor que o da Marisa Monte. Como você recebeu essa comparação? Há alguma competição?
Roberta: Claro que não, imagina. Imagina gente, não há competição com ninguém. Tem espaço pra todo mundo. A Marisa é uma grande cantora...
Contraponto: É possível uma parceria Marisa-Roberta?
Roberta: Talvez, quem sabe... Eu adoraria. Eu acho que as comparações são inevitáveis. Qualquer pessoa, qualquer artista novo que se lança no mercado, ele logo é encaixado numa categoria, como se fosse numa prateleira. Eles querem te colocar numa prateleira, numa fôrma. Mas depois isso vai acabando e morrendo.
Contraponto: Você acompanha as discussões sobre você e seu trabalho na internet e nas comunidades do Orkut?
Roberta: Olha, quando dá tempo, eu até dou uma olhadinha. Mas na verdade eu acho que a internet é um espaço tão democrático que eu prefiro deixar as pessoas à vontade pra elas discutirem o que elas quiserem. É o espaço que as pessoas têm pra falar o que elas quiserem, pra reclamar se não gostaram de alguma coisa. Então eu não fico vendo muito não. Eu deixo as pessoas livres e à vontade.
Contraponto: Você tem algum contato com compositores potiguares?
Roberta: Infelizmente não tenho nenhum contato com os compositores potiguares. Adoraria que eles me mandassem músicas, mas simplesmente não aconteceu, por incrível que pareça. Eu nunca recebi músicas de compositores potiguares. Engraçado, né?
Contraponto: “Que Belo Estranho Dia” é recente ainda. Mas você já ta pensando em alguma coisa pra um novo trabalho?
Roberta: Cara, sempre que eu termino um disco, eu já to pensando no outro. Eu gosto muito de fazer disco, de pensar o disco. E pra ele sair sempre do jeito que eu quero, eu tenho que pensar durante muito tempo. Esse segundo, quando eu lancei o “Braseiro”, eu já tinha idéia mais ou menos do que eu queria fazer. E aí eu já tenho idéia mais ou menos pro próximo. Mas muda muito. Daqui pra lá, daqui pra fazer muda tudo.
Contraponto: Há pouco tempo havia uma discussão na sua comunidade no Orkut que perguntava assim: Roberta Sá é do samba ou da moda? A chance agora é sua de responder.
Roberta: Eu sou da Música Popular Brasileira, incluindo o samba. Eu não sou nem do samba nem da moda. Eu faço o que eu escuto e a música brasileira que eu amo e acredito.
Contraponto: Você ta feliz com a repercussão do seu trabalho?
Roberta: Poxa, como não, né? (risos) Tô muito feliz com a repercussão do trabalho, tô feliz em ta trabalhando com as pessoas que eu gosto e que eu quero. Aquilo ali que eu falei no show procede, a minha equipe, os meus músicos, eles são uma família pra mim. Sabe quando o trabalho tem uma energia boa? Tá todo mundo trabalhando pro bem; isso é o que importa de verdade. Acho que o público sente e devolve essa energia.
Correção
O show de Roberta Sá foi no "Festival de Música de Natal", não no "Auto de Natal", como escrevi acima.
sábado, 15 de dezembro de 2007
Tucanos descem do salto e ameçam atacar novamente
Arthur Virgílio diz que "o presidente [Lula] vai ver com quantos paus se faz uma jangada”
O presidente Lula disse ontem (14), num evento em São Bernardo do Campo (SP), que a oposição teria que explicar ao povo "por que a saúde não terá R$ 24 bilhões a mais nos próximos quatro anos”. Lula disse mais: "Quem votou contra a CPMF não usa o SUS. Porque se usassem, não votariam contra."
Os tucanos, principais responsáveis pela derrubada da CPMF, juntamente com os parceiros de alma, os "demos", pegaram ar, como se diz na gíria popular. Eles não gostaram do que o presidente falou e ameaçaram partir para a guerra. A promessa de guerra partiu, vejam só, do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra.
Guerra disse que Lula estava com "conversa fiada" e que "o governo do presidente Lula arrecada demais e gasta demais. Desperdiça. O governo tem que gastar menos e honrar todos os seus compromissos, inclusive com a saúde."
Caro leitor, cuidado quando tucanos e "demos" disserem que o governo "gasta demais" e que é preciso "cortar custos". Quando eles falam em cortar gastos, estão se referindo aos programas sociais do governo, porque, repito, investir no social, para eles, é um "gasto".
O galo de briga dos tucanos, senador Arthur Virgílio (AM), chegou a dizer que "o presidente [Lula] vai ver com quantos paus se faz uma jangada". A declaração demonstra, mais uma vez, a elegância de Virgílio, que já prometeu até dar uma surra em Lula.
O presidente Lula disse ontem (14), num evento em São Bernardo do Campo (SP), que a oposição teria que explicar ao povo "por que a saúde não terá R$ 24 bilhões a mais nos próximos quatro anos”. Lula disse mais: "Quem votou contra a CPMF não usa o SUS. Porque se usassem, não votariam contra."
Os tucanos, principais responsáveis pela derrubada da CPMF, juntamente com os parceiros de alma, os "demos", pegaram ar, como se diz na gíria popular. Eles não gostaram do que o presidente falou e ameaçaram partir para a guerra. A promessa de guerra partiu, vejam só, do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra.
Guerra disse que Lula estava com "conversa fiada" e que "o governo do presidente Lula arrecada demais e gasta demais. Desperdiça. O governo tem que gastar menos e honrar todos os seus compromissos, inclusive com a saúde."
Caro leitor, cuidado quando tucanos e "demos" disserem que o governo "gasta demais" e que é preciso "cortar custos". Quando eles falam em cortar gastos, estão se referindo aos programas sociais do governo, porque, repito, investir no social, para eles, é um "gasto".
O galo de briga dos tucanos, senador Arthur Virgílio (AM), chegou a dizer que "o presidente [Lula] vai ver com quantos paus se faz uma jangada". A declaração demonstra, mais uma vez, a elegância de Virgílio, que já prometeu até dar uma surra em Lula.
Entrando no clima
Amanhã (16), é o tão esperado dia do show da Roberta Sá no Auto de Natal, que este ano acontece no Machadão. Antes disso, à tarde, os fãs da melhor cantora do Brasil em 2007, segundo a APCA, se reúnem num pic-nic no Parque das Dunas, às 14h30, para se conhecerem, trocarem informações e impressões sobre a musa e, como não poderia deixar de ser, aquecer os tamborins e os gogós para mais tarde.
Então, pra entrar no clima, curtam aí Roberta cantanto "Alô, fevereiro" no Programa do Jô.
Então, pra entrar no clima, curtam aí Roberta cantanto "Alô, fevereiro" no Programa do Jô.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
"FHC tem inveja do Lula", afirma ministro Tarso Genro
O ministro da Justiça, Tarso Genro, ao comentar a derrota do governo na votação que extinguiu a CPMF no Senado, disse que "a sombra do Fernando Henrique Cardoso" está por trás "desse movimento contra a CPMF". Para o ministro, o ex-presidente "não admite que o Lula é melhor presidente do que ele. E que o governo [petista] tirou o país da estagnação e o presidente Lula é muito mais respeitado internacionalmente do que ele [FHC]".
As declarações de Tarso Genro foram feitas hoje (14), no final de cerimônia de formatura de novos policiais federais. As informações são da Folha Online.
O ministro também disse desconfiar que o ex-presidente tucano é movido por uma "angústia interior". Tarso disse que o Lula "tirou o país do atoleiro que ele [FHC] deixou" e isso "dói muito nele [FHC]."
Em Tempo
Segundo a Folha Online, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) admitiu ontem (13) que seguiu orientação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante a tramitação da proposta de prorrogação da CPMF no Congresso.
Na coluna "Painel" da Folha de São Paulo, a jornalista Renata Lo Prete diz que FHC foi "grande articulador do "não" tucano" à prorrogação da CPMF, mas, segundo ela, o ex-presidente "procurou diminuir seu papel" e "atribuiu o resultado ao líder da bancada, Arthur Virgílio, que estaria "fora de controle".
Agora é salve-se quem puder.
As declarações de Tarso Genro foram feitas hoje (14), no final de cerimônia de formatura de novos policiais federais. As informações são da Folha Online.
O ministro também disse desconfiar que o ex-presidente tucano é movido por uma "angústia interior". Tarso disse que o Lula "tirou o país do atoleiro que ele [FHC] deixou" e isso "dói muito nele [FHC]."
Em Tempo
Segundo a Folha Online, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) admitiu ontem (13) que seguiu orientação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante a tramitação da proposta de prorrogação da CPMF no Congresso.
Na coluna "Painel" da Folha de São Paulo, a jornalista Renata Lo Prete diz que FHC foi "grande articulador do "não" tucano" à prorrogação da CPMF, mas, segundo ela, o ex-presidente "procurou diminuir seu papel" e "atribuiu o resultado ao líder da bancada, Arthur Virgílio, que estaria "fora de controle".
Agora é salve-se quem puder.
O que na verdade eles querem
Tucanos e "demos" querem sangrar Lula, diz Folha de São Paulo
"Traições, base aliada rebelada, questões paroquiais, erros de negociação e desejo de sangrar o presidente Lula para enfraquecê-lo no jogo de 2010.
Essa confluência de fatores, reunidos de uma forma improvável num mesmo momento, levou o governo Lula a sofrer uma das principais derrotas no Congresso na madrugada de ontem, quando a CPMF perdeu sua sobrevida no próximo ano.
Democratas e tucanos, tidos como votos certos no início do ano para renovar a CPMF, viram na votação o momento apropriado para minar Lula numa fase de boa avaliação e economia crescendo, com inflação baixa, reservas perto de US$ 200 bilhões e investimentos em alta. Um cenário que pode transformar o petista no grande eleitor de 2010.
Sem os R$ 40 bilhões da CPMF, a oposição reduz o poder de fogo do petista em suas duas principais frentes: vitaminar os programas sociais e acelerar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)."
"Traições, base aliada rebelada, questões paroquiais, erros de negociação e desejo de sangrar o presidente Lula para enfraquecê-lo no jogo de 2010.
Essa confluência de fatores, reunidos de uma forma improvável num mesmo momento, levou o governo Lula a sofrer uma das principais derrotas no Congresso na madrugada de ontem, quando a CPMF perdeu sua sobrevida no próximo ano.
Democratas e tucanos, tidos como votos certos no início do ano para renovar a CPMF, viram na votação o momento apropriado para minar Lula numa fase de boa avaliação e economia crescendo, com inflação baixa, reservas perto de US$ 200 bilhões e investimentos em alta. Um cenário que pode transformar o petista no grande eleitor de 2010.
Sem os R$ 40 bilhões da CPMF, a oposição reduz o poder de fogo do petista em suas duas principais frentes: vitaminar os programas sociais e acelerar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)."
Aumenta o número de crianças escolarizadas no ensino primário
O número de crianças escolarizadas no ensino primário aumentou de 647 para 688 milhões entre 1999 e 2005. Apesar disto, as políticas de educação seguem prestando uma atenção mínima ao analfabetismo: um de cada cinco adultos (e uma de cada quatro mulheres) são mantidos na ignorância. Os dados são do sexto Informe de Seguimento da Educação Para Todos (EPT) no Mundo, apresentado pela UNESCO.
A taxa total de escolarização no primário aumentou de 83% para 87% entre 1999 e 2005, isto é, mais rapidamente que no período 1991-1999. O número de meninos escolarizados aumentou com maior rapidez na África Subsahariana (23%) e Ásia Meridional e Ocidental (11%). Entre 1999 e 2005, o número de crianças sem escola foi reduzido em 24 milhões e passou a ser de 72 milhões. Cerca de 37% do conjunto de crianças sem escola se concentra em 35 Estados frágeis.
De outro lado, o Índice de Desenvolvimento da EPT (IDE) mostra que só 51 países, sobre um total de 129, conseguiram ou estão a ponto de conseguir os quatro objetivos mais quantificáveis da EPT: a universalização do ensino primário, a alfabetização dos adultos, a paridade entre os sexos e a qualidade da educação. Outros 53 países se encontram em uma posição intermediária e 25 distam muito de alcançar os objetivos da EPT em seu conjunto.
Para os governos que não alcançaram seus objetivos, o custo da escolaridade segue sendo um obstáculo importante para o acesso à educação de milhões de crianças e jovens, apesar da supressão dos direitos de matrícula no primário decretada em 14 países depois do ano 2000. Entre 2000 e 2004, multiplicou-se mais de duas vezes a ajuda prestada à educação básica nos países de baixa renda, mas em 2005 diminuiu consideravelmente.
Sobre a universalização do ensino primário, 23 países que no ano de 2000 careciam de disposições legais relativas à obrigatoriedade do ensino primário, a instauraram desde então. Hoje em dia, 95% dos 203 países e territórios estudados contam com leis que impõem o ensino obrigatório.
Apesar de haver mais crianças escolarizadas hoje em dia que no ano de 2000, o Informe chama atenção para o esforço que deve ser desprendido para os 72 milhões de crianças sem escola, para esse 20% da população adulta mundial que carece de competências básicas em leitura e escritura e para o grande número de alunos que saem da escola sem ter adquirido conhecimentos e competências práticas essenciais.
Fonte: Fórum
A taxa total de escolarização no primário aumentou de 83% para 87% entre 1999 e 2005, isto é, mais rapidamente que no período 1991-1999. O número de meninos escolarizados aumentou com maior rapidez na África Subsahariana (23%) e Ásia Meridional e Ocidental (11%). Entre 1999 e 2005, o número de crianças sem escola foi reduzido em 24 milhões e passou a ser de 72 milhões. Cerca de 37% do conjunto de crianças sem escola se concentra em 35 Estados frágeis.
De outro lado, o Índice de Desenvolvimento da EPT (IDE) mostra que só 51 países, sobre um total de 129, conseguiram ou estão a ponto de conseguir os quatro objetivos mais quantificáveis da EPT: a universalização do ensino primário, a alfabetização dos adultos, a paridade entre os sexos e a qualidade da educação. Outros 53 países se encontram em uma posição intermediária e 25 distam muito de alcançar os objetivos da EPT em seu conjunto.
Para os governos que não alcançaram seus objetivos, o custo da escolaridade segue sendo um obstáculo importante para o acesso à educação de milhões de crianças e jovens, apesar da supressão dos direitos de matrícula no primário decretada em 14 países depois do ano 2000. Entre 2000 e 2004, multiplicou-se mais de duas vezes a ajuda prestada à educação básica nos países de baixa renda, mas em 2005 diminuiu consideravelmente.
Sobre a universalização do ensino primário, 23 países que no ano de 2000 careciam de disposições legais relativas à obrigatoriedade do ensino primário, a instauraram desde então. Hoje em dia, 95% dos 203 países e territórios estudados contam com leis que impõem o ensino obrigatório.
Apesar de haver mais crianças escolarizadas hoje em dia que no ano de 2000, o Informe chama atenção para o esforço que deve ser desprendido para os 72 milhões de crianças sem escola, para esse 20% da população adulta mundial que carece de competências básicas em leitura e escritura e para o grande número de alunos que saem da escola sem ter adquirido conhecimentos e competências práticas essenciais.
Fonte: Fórum
Sábado tem Seu Zé
Neste sábado (15), a banda potiguar Seu Zé lança o segundo cd da carreira: “A Comédia Humana: Solidão”.
O lançamento vai ser no Galpão 29 (antigo Blackout, na Rua Chile), com início às 22h e presença também das bandas Uskaravelho e Jane Fonda.
Mais informações por telefone ou e-mail: 8834-1677/producao@seuze.net
O lançamento vai ser no Galpão 29 (antigo Blackout, na Rua Chile), com início às 22h e presença também das bandas Uskaravelho e Jane Fonda.
Mais informações por telefone ou e-mail: 8834-1677/producao@seuze.net
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Oposição derruba CPMF no Senado
A oposição conservadora e golpista conseguiu o que queria: derrubou a proposta de prorrogação da CPMF. O placar foi de 45 a favor e 34 contra a prorrogação. Eram necessários 49 votos para que a CPMF fosse prorrogada.
Trata-se de uma derrota sem precedentes para o Governo Lula. Talvez agora o presidente acorde e veja que não está lidando com cordeiros, mas com feras famintas.
Eu senti náuseas ao ver o sorriso cínico do senador potiguar José Agripino, líder dos "demos". Agripino, que apoiou ferrenhamente a criação da CPMF no governo tucano-pefelê de FHC, agora brada contra a contribuição. Nunca vi tanto proselitismo num político só.
A oposição não votou no fim CPMF; votou contra a saúde e o Bolsa Família. É preciso que isso fique bem claro. A oposição quer, com isso, inviabilizar o governo petista. Eles não se conformam até hoje com as duas derrotas que sofreram nas urnas nem com a popularidade de Lula e de seu governo.
Concordo plenamente com Paulo Henrique Amorim quando ele diz que a derrota do governo significa que a oposição "conseguiu interromper a marcha do Governo Lula em direção ao sucesso" e que "o que estava em jogo não era a CPMF – era o sucesso de um governo trabalhista."
A direita e seus conservadores ganharam.
O assessor de um político local comemorou o fim da CPMF porque, segundo ele, é o fim também dos programas sociais dos governos Federal e do RN. O argumento do assessor é que sem o dinheiro da CPMF os governos não têm como manteros programas sociais e, portanto, Lula e Wilma não terão o que dar ao povo no ano eleitoral. Esse é o jogo. O povo que se exploda.
Lula, descupem a expressão que usarei a seguir, abriu as pernas e fez todas as concessões que a oposição queria. O presidente mandou uma carta ao presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), se comprometendo a aplicar 100% dos recursos da CPMF na saúde. A oposição fez ouvidos de mercador.
Mas não era isso que eles queriam, que a CPMF fosse toda pra saúde? Como explicar que o governo tenha cedido e, mesmo assim, eles tenham votado contra?
Não se engane com o discurso fajuto da oposição. Eles falam que o governo tem que cortar gastos. Por "cortar gastos" leia-se "parar com os programas sociais", porque para eles, investir no social é "gasto".
Neste país, sempre que se fala em tirar dos mais ricos para dar aos mais pobres, é uma chiadeira geral. Para os conservadores, isso não pode acontecer no Brasil. "Parem de transferir renda pra esses pobres", dizem eles - só que subliminar e eufemisticamente.
E é isso que a CPMF faz: cobra de quem tem tudo para dar a quem não tem nada. É só ver quem paga a CPMF: 72% dos recursos da CPMF saem das empresas; 28% saem das pessoas físicas. Desses 28%, 17% são pagos pelos que ganham mais de R$ 100 mil por ano. Você não leu errado: os que ganham mais de R$ 100 mil por ano mesmo.
Subscrevo mais uma vez o que diz Paulo Henrique Amorim: quem paga a CPMF pode pagar.
O governo agora está de joelhos. O presidente e o PT precisam dizer com todas as letras ao povo: a oposição votou contra a saúde e o Bolsa Família, porque querem voltar ao poder de qualquer jeito, nem que para isso tenham que tirar o leite das crianças.
Trata-se de uma derrota sem precedentes para o Governo Lula. Talvez agora o presidente acorde e veja que não está lidando com cordeiros, mas com feras famintas.
Eu senti náuseas ao ver o sorriso cínico do senador potiguar José Agripino, líder dos "demos". Agripino, que apoiou ferrenhamente a criação da CPMF no governo tucano-pefelê de FHC, agora brada contra a contribuição. Nunca vi tanto proselitismo num político só.
A oposição não votou no fim CPMF; votou contra a saúde e o Bolsa Família. É preciso que isso fique bem claro. A oposição quer, com isso, inviabilizar o governo petista. Eles não se conformam até hoje com as duas derrotas que sofreram nas urnas nem com a popularidade de Lula e de seu governo.
Concordo plenamente com Paulo Henrique Amorim quando ele diz que a derrota do governo significa que a oposição "conseguiu interromper a marcha do Governo Lula em direção ao sucesso" e que "o que estava em jogo não era a CPMF – era o sucesso de um governo trabalhista."
A direita e seus conservadores ganharam.
O assessor de um político local comemorou o fim da CPMF porque, segundo ele, é o fim também dos programas sociais dos governos Federal e do RN. O argumento do assessor é que sem o dinheiro da CPMF os governos não têm como manteros programas sociais e, portanto, Lula e Wilma não terão o que dar ao povo no ano eleitoral. Esse é o jogo. O povo que se exploda.
Lula, descupem a expressão que usarei a seguir, abriu as pernas e fez todas as concessões que a oposição queria. O presidente mandou uma carta ao presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), se comprometendo a aplicar 100% dos recursos da CPMF na saúde. A oposição fez ouvidos de mercador.
Mas não era isso que eles queriam, que a CPMF fosse toda pra saúde? Como explicar que o governo tenha cedido e, mesmo assim, eles tenham votado contra?
Não se engane com o discurso fajuto da oposição. Eles falam que o governo tem que cortar gastos. Por "cortar gastos" leia-se "parar com os programas sociais", porque para eles, investir no social é "gasto".
Neste país, sempre que se fala em tirar dos mais ricos para dar aos mais pobres, é uma chiadeira geral. Para os conservadores, isso não pode acontecer no Brasil. "Parem de transferir renda pra esses pobres", dizem eles - só que subliminar e eufemisticamente.
E é isso que a CPMF faz: cobra de quem tem tudo para dar a quem não tem nada. É só ver quem paga a CPMF: 72% dos recursos da CPMF saem das empresas; 28% saem das pessoas físicas. Desses 28%, 17% são pagos pelos que ganham mais de R$ 100 mil por ano. Você não leu errado: os que ganham mais de R$ 100 mil por ano mesmo.
Subscrevo mais uma vez o que diz Paulo Henrique Amorim: quem paga a CPMF pode pagar.
O governo agora está de joelhos. O presidente e o PT precisam dizer com todas as letras ao povo: a oposição votou contra a saúde e o Bolsa Família, porque querem voltar ao poder de qualquer jeito, nem que para isso tenham que tirar o leite das crianças.
Miséria S.A.
O título acima é emprestado da música homônima do grupo O Rappa, que em seu cd de estréia [Mundi] cantava assim a pobreza nossa de cada dia:"Senhoras e Senhores estamos aqui
pedindo uma ajuda por necessidade
pois 'temo' irmão doente em casa
qualquer trocadinho é bem recebido
vou agradecendo antes de mais nada
aqueles que não puderam contribuir
deixamos também o nosso muito obrigado
pela boa vontade e atenção dispensada
vamo agradecendo antes de mais nada
bom dia passageiros
é o que lhes deseja
a miséria s.a.
que acabou de chegar"
É esse mesmo discurso, apenas com palavras diferenciadas, que escuto quase todos os dias quando entro num busão e me locomovo pela cidade rumo ao trabalho, à universidade, ao cinema, à praia e na volta para casa.
A foto que vocês estão vendo foi tirada com meu celular numa dessas idas e vindas pela cidade. O menino pedia ajuda para comprar comida para seus irmãos mais novos que teriam ficado em casa. Ele dizia que seu pai estava preso e sua mãe desempregada. Vendia jujubas por um real. Muitos passageiros se sensibilizaram com sua história e compraram o saquinho com as jujubas.
O menino era falante, se comunicava bem e tinha um jeito que cativava mesmo. Era, como se diz na gíria, desenrolado. Não sei o nome dele. Pensei em perguntar, mas desisti, por medo de que ele se sentisse intimidado. Não sei onde ele mora, quantos irmãos tem, como é sua casa (se é que ele vive numa casa de verdade), não conheço sua mãe e também desconheço motivo do pai dele estar preso.
Aquele menino, ali naquele ônibus, vendendo jujubas, é para mim o retrato de uma tragédia. A tragédia do abandono das nossas crianças. A tragédia da banalização da miséria. A tragédia da indiferença de todos nós, que faz de cenas como essa da foto uma coisa cotidiana, que não choca nem nos deixa mais indignados.
Há muitos deles pela cidade. Já encontrei vários em outras viagens; alguns, mais de uma vez. Apesar de me sentir profundamente triste com a situação, evito dar qualquer trocado ou comprar as canetinhas e as guloseimas que eles oferecem.
É preciso manter a razão no lugar num momento assim e discernir as coisas. Não é dando trocados nem alimentando a exploração do trabalho infantil que vamos tirá-los da miséria. Não me pergunte o que fazer, porque também não sei.
Hoje (quarta-feira, 12 de dezembro), nossos senadores em Brasília discutem se devem aprovar ou não a prorrogação da CPMF. Assisto discursos acalourados de aliados do governo e da oposição, respectivamente a favor e contra a prorrogação do tributo. Espero um dia ver esses mesmos senadores discursando em busca de um consenso sobre como acabar com a miséria no Brasil, para que eu não tenha que encontrar mais meninos vendendo jujubas nos ônibus, quando eles deveriam estar na escola.
Roberta Sá é eleita a melhor cantora do Brasil
A Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) elegeu Roberta Sá como a melhor cantora do ano por conta do CD Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria, o segundo da carreira da cantora potiguar. O resultado foi divulgado hoje (12) e a cerimônia de entrega vai acontecer no dia 25 de março, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (SP).O prêmio é a confirmação do talento da jovem cantora, que com sua voz afinada e o cuidado na seleção do repertório, revigorou o samba e a música popular brasileira. Roberta consegue cantar com lirismo e suavidade, mesmo que sua praia musical seja o canto popular.
O samba fica mais cadenciado e a bossa parece mais nova quando ela canta. É como diz uma de suas músicas: "É como vento leve em seu lábio a assobiar..."
Outros premiados
Melhor cantor do ano: Paulinho da Viola
Melhor disco de 2007: Onde brilhem os olhos seus (Fernanda Takai)
Melhor grupo: Orquestra Imperial
Revelação Feminina: Marina de la Riva
Revelação Masculina: Edu Krieger
Grupo Revelação: Fino Coletivo
Presidente do Ipea defende jornada de trabalho de 12h por semana
O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, defendeu a adoção de jornada semanal de trabalho de três dias com expediente de quatro horas. Disse ainda que o Brasil deveria preparar seus cidadãos para começar a trabalhar depois dos 25 anos de idade.
Para Pochmann, o aumento da expectativa de vida no Brasil --que hoje é de 72,3 anos-- justifica a entrada tardia no mercado de trabalho. "Não há razão técnica para alguém começar a trabalhar no país antes dos 25 anos de idade. Especialmente porque estamos para entrar na fase em que a expectativa de vida ultrapassará os cem anos."
Seu argumento para reduzir a jornada é o acúmulo de capital pelo sistema financeiro internacional, que ele chamou de "produtividade imaterial". "Essa produtividade justifica a razão pela qual não há, do ponto de vista técnico, [motivo para] alguém trabalhar mais do que quatro horas por dia durante três dias por semana."
A Constituição permite a livre negociação da jornada de trabalho, com limite máximo semanal de 44 horas. Na semana passada, centrais sindicais se reuniram com o presidente Lula para reivindicar redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução do salário.
"Pode ser estranho ouvir isso neste momento, ou talvez devessem ter sido mal compreendidos aqueles que, em 1850, justificavam o trabalho de oito horas por dia, começando a partir dos 15 anos, embora [naquela época] a indústria no mundo todo empregasse crianças de cinco, seis anos fazendo jornada de 16 horas diárias."
Fonte: Revista Fórum
Para Pochmann, o aumento da expectativa de vida no Brasil --que hoje é de 72,3 anos-- justifica a entrada tardia no mercado de trabalho. "Não há razão técnica para alguém começar a trabalhar no país antes dos 25 anos de idade. Especialmente porque estamos para entrar na fase em que a expectativa de vida ultrapassará os cem anos."
Seu argumento para reduzir a jornada é o acúmulo de capital pelo sistema financeiro internacional, que ele chamou de "produtividade imaterial". "Essa produtividade justifica a razão pela qual não há, do ponto de vista técnico, [motivo para] alguém trabalhar mais do que quatro horas por dia durante três dias por semana."
A Constituição permite a livre negociação da jornada de trabalho, com limite máximo semanal de 44 horas. Na semana passada, centrais sindicais se reuniram com o presidente Lula para reivindicar redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução do salário.
"Pode ser estranho ouvir isso neste momento, ou talvez devessem ter sido mal compreendidos aqueles que, em 1850, justificavam o trabalho de oito horas por dia, começando a partir dos 15 anos, embora [naquela época] a indústria no mundo todo empregasse crianças de cinco, seis anos fazendo jornada de 16 horas diárias."
Fonte: Revista Fórum
Ministério da Justiça não acredita em explicações fajutas da Globo
Aquele papo furado da Globo de que as cenas da atriz Flávia Alessandra dançando seminua no bastão (pole dancing) na novela "Duas Caras" era apenas um "modismo" e a novela apenas retratava "a sociedade contemporânea" não convenceu o Ministério da Justiça. Segundo a coluna "Zapping" da Folha Online, a Globo foi advertida de que parte do conteúdo da novela das oito é impróprio para menores de 16 anos.
Governo Lula em alta
Pesquisa CNI/Ibope: aprovação do governo chega a 51%
A avaliação positiva do Governo Lula subiu três pontos percentuais em relação à última pesquisa feita em setembro e atingiu agora 51% de "ótimo" e "bom". O índice de aprovação de dezembro é o mais alto do ano. A informação é do UOL Últimas Notícias.
A avaliação negativa atingiu 17% de "ruim" e "péssimo" - um ponto percentual a menos que o registrado em setembro.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas (com 16 anos ou mais), em 141 municípios, entre os dias 30 de novembro e 5 de dezembro. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Em relação ao desempenho do presidente Lula, a aprovação é ainda maior que a do seu governo e atingiu 65% - dois pontos a mais que o levantamento anterior. A desaprovação ao presidente recuou três pontos percentuais: de 33% em setembro para 30% neste mês.
A pesquisa também mostra que 60% da população confia no presidente Lula, contra 35% que não confia. O contingente dos que dizem não confiar teve baixa de dois pontos percentuais em relação a setembro.
A avaliação positiva do Governo Lula subiu três pontos percentuais em relação à última pesquisa feita em setembro e atingiu agora 51% de "ótimo" e "bom". O índice de aprovação de dezembro é o mais alto do ano. A informação é do UOL Últimas Notícias.
A avaliação negativa atingiu 17% de "ruim" e "péssimo" - um ponto percentual a menos que o registrado em setembro.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas (com 16 anos ou mais), em 141 municípios, entre os dias 30 de novembro e 5 de dezembro. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Em relação ao desempenho do presidente Lula, a aprovação é ainda maior que a do seu governo e atingiu 65% - dois pontos a mais que o levantamento anterior. A desaprovação ao presidente recuou três pontos percentuais: de 33% em setembro para 30% neste mês.
A pesquisa também mostra que 60% da população confia no presidente Lula, contra 35% que não confia. O contingente dos que dizem não confiar teve baixa de dois pontos percentuais em relação a setembro.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Cuba vai assinar acordos de direitos humanos
O ministro cubano das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, anunciou que o governo cubano vai assinar dois importantes acordos internacionais de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU)
Segundo o ministro, Havana assinará no início de 2008 o Pacto Internacional de Direitos Humanos, Sociais e Culturais, e o de Direitos Civis e Políticos, ambos no contexto da Carta Internacional dos Direitos Humanos.
Os compromissos internacionais consagram a liberdade de expressão e associação, e diversos direitos, como o de viajar ao exterior.
"Esta decisão reflete nosso desejo de cooperação total com a ONU, na base do respeito à nossa soberania nacional e o direito do povo cubano à autodeterminação", declarou Pérez Roque, em uma entrevista coletiva.
No momento em que o ministro falava, seguidores do governo intimidavam um grupo de manifestantes que pedia por mais liberdade. Os manifestantes foram ameaçados e sofreram empurrões, até que o protesto foi dissolvido.
Ao mesmo tempo, as Damas de Branco, esposas e mães de presos políticos, realizaram um protesto inédito em frente ao Parlamento cubano, e fizeram uma passeata pela libertação imediata de seus familiares.
'Primeiro passo'
Segundo o correspondente da BBC em Havana Michael Voss, fontes diplomáticas descreveram o anúncio da assinatura dos acordos como "um primeiro passo importante" no que poderia ser uma abertura do regime comunista cubano.
Mas o correspondente observou que existem expectativas sobre como o regime reconhecerá os direitos estabelecidos nos dois pactos. Cuba acusa os dissidentes de serem "mercenários" dos Estados Unidos.
Na terça-feira, 10 de dezembro, a ONU comemorou os 59 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que também faz parte da Carta da ONU. Para o chanceler cubano, Pérez Roque, Cuba festejou a data "de cabeça erguida".
Fonte: BBC Brasil / Ig Último Segundo
Segundo o ministro, Havana assinará no início de 2008 o Pacto Internacional de Direitos Humanos, Sociais e Culturais, e o de Direitos Civis e Políticos, ambos no contexto da Carta Internacional dos Direitos Humanos.
Os compromissos internacionais consagram a liberdade de expressão e associação, e diversos direitos, como o de viajar ao exterior.
"Esta decisão reflete nosso desejo de cooperação total com a ONU, na base do respeito à nossa soberania nacional e o direito do povo cubano à autodeterminação", declarou Pérez Roque, em uma entrevista coletiva.
No momento em que o ministro falava, seguidores do governo intimidavam um grupo de manifestantes que pedia por mais liberdade. Os manifestantes foram ameaçados e sofreram empurrões, até que o protesto foi dissolvido.
Ao mesmo tempo, as Damas de Branco, esposas e mães de presos políticos, realizaram um protesto inédito em frente ao Parlamento cubano, e fizeram uma passeata pela libertação imediata de seus familiares.
'Primeiro passo'
Segundo o correspondente da BBC em Havana Michael Voss, fontes diplomáticas descreveram o anúncio da assinatura dos acordos como "um primeiro passo importante" no que poderia ser uma abertura do regime comunista cubano.
Mas o correspondente observou que existem expectativas sobre como o regime reconhecerá os direitos estabelecidos nos dois pactos. Cuba acusa os dissidentes de serem "mercenários" dos Estados Unidos.
Na terça-feira, 10 de dezembro, a ONU comemorou os 59 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que também faz parte da Carta da ONU. Para o chanceler cubano, Pérez Roque, Cuba festejou a data "de cabeça erguida".
Fonte: BBC Brasil / Ig Último Segundo
Limpando o salão
O apresentador Marcelo Rezende da Rede TV! foi flagrado dando aquela clássica limpada no salão. Vejam o vídeo e morram de rir... hehehe
Garibaldi é o candidato do PMDB para Presidência do Senado
Em disputa interna, Garibaldi venceu Pedro Simon (RS) por 13x6
"O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) foi escolhido por 13 a 6 votos, pela bancada do PMDB no Senado, como candidato da legenda à presidência da Casa. A decisão ocorreu após votação com a presença de dezenove dos vinte senadores do PMDB. Apenas Roseana Sarney (MA) não participou do encontro por problemas médicos.
Alves, após uma semana de disputa com outros quatro candidatos, chegou nesta terça-feira (11) com dois oponentes: Pedro Simon (RS) e Neuto de Conto (SC). De Conto abriu mão da disputa minutos antes do início da votação que envolveu somente Alves e o parlamentar gaúcho.
O nome indicado pelo PMDB será submetido ainda nesta terça-feira ao colégio de líderes em reunião marcada inicialmente para as 11h. Caso não haja um candidato de oposição, Garibaldi Alves Filho deve ser eleito em sessão no plenário marcada para esta quarta-feira (12)."
Fonte: G1
"O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) foi escolhido por 13 a 6 votos, pela bancada do PMDB no Senado, como candidato da legenda à presidência da Casa. A decisão ocorreu após votação com a presença de dezenove dos vinte senadores do PMDB. Apenas Roseana Sarney (MA) não participou do encontro por problemas médicos.
Alves, após uma semana de disputa com outros quatro candidatos, chegou nesta terça-feira (11) com dois oponentes: Pedro Simon (RS) e Neuto de Conto (SC). De Conto abriu mão da disputa minutos antes do início da votação que envolveu somente Alves e o parlamentar gaúcho.
O nome indicado pelo PMDB será submetido ainda nesta terça-feira ao colégio de líderes em reunião marcada inicialmente para as 11h. Caso não haja um candidato de oposição, Garibaldi Alves Filho deve ser eleito em sessão no plenário marcada para esta quarta-feira (12)."
Fonte: G1
Se essa moda pega...
Sabe aquela dança erótica do bastão que a atriz Flávia Alessandra, intérprete da persongem Alzira, faz seminua na novela "Duas Caras", escrita pelo intragável Aguinaldo Silva, na Globo? O Ministério da Justiça quer reclassificar a novela por causa do abuso de erotismo e nudez das cenas, levando em consideração que no horário em que a novela é exibida, há muitas crianças e adolescentes acordados assitindo televisão.
Sabe o que a Globo disse ao Ministério? Segundo o colunista Daniel Castro da Folha de São Paulo, a Globo respondeu que a novela "vai de encontro da moda internacional do pole dancing" e que o "modismo" é "inevitável para retratar a sociedade contemporânea".
É esse o retrato da sociedade contemporânea que a Globo quer passar às nossas crianças e adolescentes? A verdade é que a novela de Aguinaldo Silva vai mal de audiência e, na tentativa de atrair mais telespectadores, o novelista e a emissora carioca lançam mão do apelo ao erotismo e ao nudismo feminino.
E nem Aguinaldo nem a Globo estão preocupados com os efeitos sobre crianças e adolescentes, como o estímulo à sexualidade precoce, um dos fatores, conforme postagem abaixo, que colaboram para o crescimento do número de casos de gravidez na adolescência.
A Globo tem mesmo "duas caras": estimula crianças e adolescentes a ingressarem mais cedo na sexualidade e, ao mesmo tempo, posa de boazinha na campanha "Criança Esperança".
Sabe o que a Globo disse ao Ministério? Segundo o colunista Daniel Castro da Folha de São Paulo, a Globo respondeu que a novela "vai de encontro da moda internacional do pole dancing" e que o "modismo" é "inevitável para retratar a sociedade contemporânea".
É esse o retrato da sociedade contemporânea que a Globo quer passar às nossas crianças e adolescentes? A verdade é que a novela de Aguinaldo Silva vai mal de audiência e, na tentativa de atrair mais telespectadores, o novelista e a emissora carioca lançam mão do apelo ao erotismo e ao nudismo feminino.
E nem Aguinaldo nem a Globo estão preocupados com os efeitos sobre crianças e adolescentes, como o estímulo à sexualidade precoce, um dos fatores, conforme postagem abaixo, que colaboram para o crescimento do número de casos de gravidez na adolescência.
A Globo tem mesmo "duas caras": estimula crianças e adolescentes a ingressarem mais cedo na sexualidade e, ao mesmo tempo, posa de boazinha na campanha "Criança Esperança".
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
"Terrorismo Simbólico"
É assim que o ministro Geddel Vieira Lima da Integração Nacional define a greve de fome do bispo d. Luiz Cappio contra a transposição do Rio São Francisco. Cappio está sem comer há duas semanas e diz que só termina a greve quando o governo paralizar as obras de transposição.
Geddel diz que "não há diálogo com d. Luiz Cappio", porque ele é contra a transposição. Para Geddel, um governo eleito pela maioria dos brasileiros não pode se submeter à vontade de uma única pessoa, que quer fazer prevalecer sua opinião pessoal em detrimento dos outros.
As declarações do ministro foram dadas ao Terra Magazine.
Geddel diz que "não há diálogo com d. Luiz Cappio", porque ele é contra a transposição. Para Geddel, um governo eleito pela maioria dos brasileiros não pode se submeter à vontade de uma única pessoa, que quer fazer prevalecer sua opinião pessoal em detrimento dos outros.
As declarações do ministro foram dadas ao Terra Magazine.
Meninas Mães
Matéria da Tribuna do Norte de domingo (09) sobre gravidez na adolescência revela que o número de meninas mães no Rio Grande do Norte vêm aumentando à cada ano. Em 2006, segundo a reportagem de Carla França, foram realizados 44.342 partos em mulheres de todas as idades. Desse total, 10.358 partos foram feitos em meninas entre 10 e 19 anos de idade. O numero equivale a quase 24% dos partos.
Imagine você: meninas de 10 anos de idade estão se tornando mães. Crianças dando à luz a outras crianças. A reportagem também revela que dos 2,8 milhões de partos realizados ano passado em todo o Brasil, 560 mil ocorreram com meninas de até 20 anos de idade.
A ginecologista ouvida pela reportagem da TN, Stênia Lins, disse que "os meninos e as meninas entram na adolescência cada vez mais cedo". Não sei o que isso significa exatamente, como alguém pode "entrar mais cedo" na adolescência. Mas para a médica, essa "adolescência precoce" favorece a "iniciação sexual" também precoce.
Acho que ela inverteu a ordem das coisas, porque essa iniciação sexual precoce se dá por outros motivos, não porque as meninas e os meninos estão se tornando adolescentes mais cedo.
Mais adiante na reportagem, a médica diz que há uma "discrepância entre a mídia, os pais e a escola". Para ela, a mídia é responsável pelo estímulo à erotização e a banalização do sexo, enquanto "os pais fingem que não vêem e a escola se omite". Assino em baixo.
A reportagem poderia ter avançado mais na discussão do tema, mas não o fez e ficou muito nas explicações comuns: "falta informação", "falta educação", "falta uma política pública eficiente" e blá, blá, blá...
Não se falou, por exemplo, da violência sexual que ocorre, na maioria das vezes, dentro de casa e rouba a inocência dessas meninas, transformando-as em mães prematuras e em futuras mulheres traumatizadas e amarguradas.
Não se falou também em quais informações, qual educação e quais políticas políticas são necessárias. A médica lembrou da responsabilidade da mídia. A reportagem poderia ter pedido a opinião dela sobre a classificação indicativa dos programas de televisão. Quando o Ministério da Justiça publicou, no primeiro semestre deste ano, a nova portaria regulamentando a classificação indicativa para os programas de televisão, a chiadeira foi geral. As novas regras determinavam que as emissoras seriam obrigadas a divulgar a faixa etária e o horário recomendado para a exibição de cada atração que levasse ao ar. As redes também teriam que exibir os programas nos horários determinados pelo Ministério.
Os donos de televisão fizeram uma campanha e diziam que a portaria representava uma forma de censura. A choradeira deu resultado e o governo cedeu. As emissoras não são mais obrigadas a submeter o conteúdo dos programas à análise prévia do Ministério da Justiça. Elas apenas informam a faixa etária recomendada para cada programa. As próprias emissoras, inclusive, são que decidem o horário de exibição dos programas.
A regulamentação da classificação indicativa, inclusive com o estabelecimento de punições para as emissoras, é uma política pública eficiente para combater o "estímulo à erotização e a banalização do sexo" na mídia, como destacou a ginecologista, principalmente em relação aos meninos e às meninas adolescentes. É uma pena que o lobby das grandes emissoras, mais uma vez, saiu vencedor. Enquanto isso, nossas crianças assitem Flávia Alessandra descendo seminua no mastro do cabaré da novela das oito na Globo. Assim caminha a nossa sociedade.
Imagine você: meninas de 10 anos de idade estão se tornando mães. Crianças dando à luz a outras crianças. A reportagem também revela que dos 2,8 milhões de partos realizados ano passado em todo o Brasil, 560 mil ocorreram com meninas de até 20 anos de idade.
A ginecologista ouvida pela reportagem da TN, Stênia Lins, disse que "os meninos e as meninas entram na adolescência cada vez mais cedo". Não sei o que isso significa exatamente, como alguém pode "entrar mais cedo" na adolescência. Mas para a médica, essa "adolescência precoce" favorece a "iniciação sexual" também precoce.
Acho que ela inverteu a ordem das coisas, porque essa iniciação sexual precoce se dá por outros motivos, não porque as meninas e os meninos estão se tornando adolescentes mais cedo.
Mais adiante na reportagem, a médica diz que há uma "discrepância entre a mídia, os pais e a escola". Para ela, a mídia é responsável pelo estímulo à erotização e a banalização do sexo, enquanto "os pais fingem que não vêem e a escola se omite". Assino em baixo.
A reportagem poderia ter avançado mais na discussão do tema, mas não o fez e ficou muito nas explicações comuns: "falta informação", "falta educação", "falta uma política pública eficiente" e blá, blá, blá...
Não se falou, por exemplo, da violência sexual que ocorre, na maioria das vezes, dentro de casa e rouba a inocência dessas meninas, transformando-as em mães prematuras e em futuras mulheres traumatizadas e amarguradas.
Não se falou também em quais informações, qual educação e quais políticas políticas são necessárias. A médica lembrou da responsabilidade da mídia. A reportagem poderia ter pedido a opinião dela sobre a classificação indicativa dos programas de televisão. Quando o Ministério da Justiça publicou, no primeiro semestre deste ano, a nova portaria regulamentando a classificação indicativa para os programas de televisão, a chiadeira foi geral. As novas regras determinavam que as emissoras seriam obrigadas a divulgar a faixa etária e o horário recomendado para a exibição de cada atração que levasse ao ar. As redes também teriam que exibir os programas nos horários determinados pelo Ministério.
Os donos de televisão fizeram uma campanha e diziam que a portaria representava uma forma de censura. A choradeira deu resultado e o governo cedeu. As emissoras não são mais obrigadas a submeter o conteúdo dos programas à análise prévia do Ministério da Justiça. Elas apenas informam a faixa etária recomendada para cada programa. As próprias emissoras, inclusive, são que decidem o horário de exibição dos programas.
A regulamentação da classificação indicativa, inclusive com o estabelecimento de punições para as emissoras, é uma política pública eficiente para combater o "estímulo à erotização e a banalização do sexo" na mídia, como destacou a ginecologista, principalmente em relação aos meninos e às meninas adolescentes. É uma pena que o lobby das grandes emissoras, mais uma vez, saiu vencedor. Enquanto isso, nossas crianças assitem Flávia Alessandra descendo seminua no mastro do cabaré da novela das oito na Globo. Assim caminha a nossa sociedade.
Olha nós aqui outra vez...
Gente, já tá virando quase uma rotina eu explicar meus sumiços aqui do blog. Semana passada foi uma correria da mulesta, como diria o matuto.
É que estive ocupado no Fórum Natal Cidade Sustentável e não deu pra atualizar o blog. Além disso, ainda tinha um vídeo pra entregar na universidade.
Domingo foi dia de ressaca e hoje resolvi dar as caras por aqui. Ainda tô fra de ritmo, mas aos poucos as coisas vão voltando ao normal.
Mas, pelo que andei lendo e vendo, parece que não aconteceu nada de muito interessante nesses dias. A única bomba foi a prisão do ex-governador Fernando Freire. Hoje eu li uma declaração dele dizendo que vai ser candidato a vereador ano que vem em Natal, para os fracos e injustiçados. É ser muito cara de pau mesmo.
E enquanto Freire era preso, Garibaldi continuava e continua, como diria o José Simão da Folha, sua "heróica e mesopotâmica campanha" para se tornar o novo presidente do Senado.
E por falar em Senado, amanhã parece que vai ser o dia "D" para a votação da prorrogação da CPMF. A conferir as cenas dos próximos capítulos.
É que estive ocupado no Fórum Natal Cidade Sustentável e não deu pra atualizar o blog. Além disso, ainda tinha um vídeo pra entregar na universidade.
Domingo foi dia de ressaca e hoje resolvi dar as caras por aqui. Ainda tô fra de ritmo, mas aos poucos as coisas vão voltando ao normal.
Mas, pelo que andei lendo e vendo, parece que não aconteceu nada de muito interessante nesses dias. A única bomba foi a prisão do ex-governador Fernando Freire. Hoje eu li uma declaração dele dizendo que vai ser candidato a vereador ano que vem em Natal, para os fracos e injustiçados. É ser muito cara de pau mesmo.
E enquanto Freire era preso, Garibaldi continuava e continua, como diria o José Simão da Folha, sua "heróica e mesopotâmica campanha" para se tornar o novo presidente do Senado.
E por falar em Senado, amanhã parece que vai ser o dia "D" para a votação da prorrogação da CPMF. A conferir as cenas dos próximos capítulos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Melhora expectativa de vida do brasileiro
Segundo o IBGE, esperança de vida do brasileiro subiu para 72,3 anos
A expectativa de vida do brasileiro subiu para 72,3 anos em 2006, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Distrito Federal tem a maior expectativa de vida, com 75,1 anos. Alagoas ocupa o último lugar, com 66,3 anos. Em 2005, a esperança de vida ao nascer era de 71,9 anos. Em 1960, era de 54,6 anos. As informações são do G1.
A expectativa de vida entre as mulheres (76,1) é maior que entre os homens (68,5).
A mortalidade infantil chegou a 24,9 óbitos a cada mil nascidos vivos em 2006. O índice é 64% mais baixo do que o registrado em 1980 (quando foram registradas 69,1 mortes a cada mil nascidos vivos).
Alagoas e Maranhão são os estados que têm maiores índices, com 51,9 e 40,7 óbitos a cada mil nascidos vivos, respectivamente.
O estado com a mais baixa taxa de mortalidade infantil em 2006 foi Rio Grande do Sul (13,9 óbitos a cada mil), seguido por São Paulo (16‰).
A expectativa de vida do brasileiro subiu para 72,3 anos em 2006, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Distrito Federal tem a maior expectativa de vida, com 75,1 anos. Alagoas ocupa o último lugar, com 66,3 anos. Em 2005, a esperança de vida ao nascer era de 71,9 anos. Em 1960, era de 54,6 anos. As informações são do G1.
A expectativa de vida entre as mulheres (76,1) é maior que entre os homens (68,5).
A mortalidade infantil chegou a 24,9 óbitos a cada mil nascidos vivos em 2006. O índice é 64% mais baixo do que o registrado em 1980 (quando foram registradas 69,1 mortes a cada mil nascidos vivos).
Alagoas e Maranhão são os estados que têm maiores índices, com 51,9 e 40,7 óbitos a cada mil nascidos vivos, respectivamente.
O estado com a mais baixa taxa de mortalidade infantil em 2006 foi Rio Grande do Sul (13,9 óbitos a cada mil), seguido por São Paulo (16‰).
As "mais mais"
Final de semana de poucas notícias interessantes.
As "mais mais" foram a inauguração da TV digital em São Paulo, o rebaixamento do Corinthians para a segundona e a derrota de Hugo Chávez no referendo na Venezuela.
Enquanto Lula dizia no lançamento da TV digital que "o Brasil se reconhece diante da televisão" e a Globo lamentava a queda do time paulista, a mídia conservadora nacional amanheceu soltando fogos por causa do resultado do referendo popular na Venezuela, quando os venezuelanos disseram "não" às mudanças propostas por Hugo Chávez para a Constituição daquele país - entre elas, a possibilidade de reeleição sem limites.
Segundo o G1, os Estados Unidos também consideraram a derrota de Chávez uma "notícia positiva".
A oposição brasileira, tomada pela paranóia de que o presidente Lula seguisse o exemplo de Chávez e encampasse a idéia da reeleição sem limites, comemorou o entrevero do líder venezuelano e o resultado da pesquisa Datafolha, divulgada ontem (02) pela Folha de S. Paulo, que apontou 65% dos brasileiros contrários à idéia da re-reeleição.
O próprio Lula festejou o resultado da pesquisa, dizendo que o povo mostrara-se sábio ao não concordar com uma mudança das regras, como aconteceu no passado para aprovar a reeleição, somente para beneficiar quem está no poder.
Lula tem outro motivo para estar contente: a aprovação ao governo cresceu - 50% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom.
O Datafolha também pesquisou as intenções de voto para 2010. O tucano José Serra está na frente. Mas... pesquisa agora para 2010 não quer dizer absolutamente nada. Muita água ainda vai passar debaixo da ponte.
A pesquisa serviu apenas para os (de) formadores de opinião repetirem a mesma ladainha de sempre: o PT não tem candidato forte para 2010. Alexandre Garcia esboçava um riso amarelo hoje no "Bom Dia Brasil" ao comentar a pesquisa. Ele decretou, dsde já, que o PT vai ter que fazer uma composiçaõ e ceder a cabeça de chapa para 2010.
Alexandre falu, tá falado. Mãe Diná perde pra esse aí.
As "mais mais" foram a inauguração da TV digital em São Paulo, o rebaixamento do Corinthians para a segundona e a derrota de Hugo Chávez no referendo na Venezuela.
Enquanto Lula dizia no lançamento da TV digital que "o Brasil se reconhece diante da televisão" e a Globo lamentava a queda do time paulista, a mídia conservadora nacional amanheceu soltando fogos por causa do resultado do referendo popular na Venezuela, quando os venezuelanos disseram "não" às mudanças propostas por Hugo Chávez para a Constituição daquele país - entre elas, a possibilidade de reeleição sem limites.
Segundo o G1, os Estados Unidos também consideraram a derrota de Chávez uma "notícia positiva".
A oposição brasileira, tomada pela paranóia de que o presidente Lula seguisse o exemplo de Chávez e encampasse a idéia da reeleição sem limites, comemorou o entrevero do líder venezuelano e o resultado da pesquisa Datafolha, divulgada ontem (02) pela Folha de S. Paulo, que apontou 65% dos brasileiros contrários à idéia da re-reeleição.
O próprio Lula festejou o resultado da pesquisa, dizendo que o povo mostrara-se sábio ao não concordar com uma mudança das regras, como aconteceu no passado para aprovar a reeleição, somente para beneficiar quem está no poder.
Lula tem outro motivo para estar contente: a aprovação ao governo cresceu - 50% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom.
O Datafolha também pesquisou as intenções de voto para 2010. O tucano José Serra está na frente. Mas... pesquisa agora para 2010 não quer dizer absolutamente nada. Muita água ainda vai passar debaixo da ponte.
A pesquisa serviu apenas para os (de) formadores de opinião repetirem a mesma ladainha de sempre: o PT não tem candidato forte para 2010. Alexandre Garcia esboçava um riso amarelo hoje no "Bom Dia Brasil" ao comentar a pesquisa. Ele decretou, dsde já, que o PT vai ter que fazer uma composiçaõ e ceder a cabeça de chapa para 2010.
Alexandre falu, tá falado. Mãe Diná perde pra esse aí.
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