terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Cuba vai assinar acordos de direitos humanos
Segundo o ministro, Havana assinará no início de 2008 o Pacto Internacional de Direitos Humanos, Sociais e Culturais, e o de Direitos Civis e Políticos, ambos no contexto da Carta Internacional dos Direitos Humanos.
Os compromissos internacionais consagram a liberdade de expressão e associação, e diversos direitos, como o de viajar ao exterior.
"Esta decisão reflete nosso desejo de cooperação total com a ONU, na base do respeito à nossa soberania nacional e o direito do povo cubano à autodeterminação", declarou Pérez Roque, em uma entrevista coletiva.
No momento em que o ministro falava, seguidores do governo intimidavam um grupo de manifestantes que pedia por mais liberdade. Os manifestantes foram ameaçados e sofreram empurrões, até que o protesto foi dissolvido.
Ao mesmo tempo, as Damas de Branco, esposas e mães de presos políticos, realizaram um protesto inédito em frente ao Parlamento cubano, e fizeram uma passeata pela libertação imediata de seus familiares.
'Primeiro passo'
Segundo o correspondente da BBC em Havana Michael Voss, fontes diplomáticas descreveram o anúncio da assinatura dos acordos como "um primeiro passo importante" no que poderia ser uma abertura do regime comunista cubano.
Mas o correspondente observou que existem expectativas sobre como o regime reconhecerá os direitos estabelecidos nos dois pactos. Cuba acusa os dissidentes de serem "mercenários" dos Estados Unidos.
Na terça-feira, 10 de dezembro, a ONU comemorou os 59 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que também faz parte da Carta da ONU. Para o chanceler cubano, Pérez Roque, Cuba festejou a data "de cabeça erguida".
Fonte: BBC Brasil / Ig Último Segundo
Limpando o salão
Garibaldi é o candidato do PMDB para Presidência do Senado
"O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) foi escolhido por 13 a 6 votos, pela bancada do PMDB no Senado, como candidato da legenda à presidência da Casa. A decisão ocorreu após votação com a presença de dezenove dos vinte senadores do PMDB. Apenas Roseana Sarney (MA) não participou do encontro por problemas médicos.
Alves, após uma semana de disputa com outros quatro candidatos, chegou nesta terça-feira (11) com dois oponentes: Pedro Simon (RS) e Neuto de Conto (SC). De Conto abriu mão da disputa minutos antes do início da votação que envolveu somente Alves e o parlamentar gaúcho.
O nome indicado pelo PMDB será submetido ainda nesta terça-feira ao colégio de líderes em reunião marcada inicialmente para as 11h. Caso não haja um candidato de oposição, Garibaldi Alves Filho deve ser eleito em sessão no plenário marcada para esta quarta-feira (12)."
Fonte: G1
Se essa moda pega...
Sabe o que a Globo disse ao Ministério? Segundo o colunista Daniel Castro da Folha de São Paulo, a Globo respondeu que a novela "vai de encontro da moda internacional do pole dancing" e que o "modismo" é "inevitável para retratar a sociedade contemporânea".
É esse o retrato da sociedade contemporânea que a Globo quer passar às nossas crianças e adolescentes? A verdade é que a novela de Aguinaldo Silva vai mal de audiência e, na tentativa de atrair mais telespectadores, o novelista e a emissora carioca lançam mão do apelo ao erotismo e ao nudismo feminino.
E nem Aguinaldo nem a Globo estão preocupados com os efeitos sobre crianças e adolescentes, como o estímulo à sexualidade precoce, um dos fatores, conforme postagem abaixo, que colaboram para o crescimento do número de casos de gravidez na adolescência.
A Globo tem mesmo "duas caras": estimula crianças e adolescentes a ingressarem mais cedo na sexualidade e, ao mesmo tempo, posa de boazinha na campanha "Criança Esperança".
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
"Terrorismo Simbólico"
Geddel diz que "não há diálogo com d. Luiz Cappio", porque ele é contra a transposição. Para Geddel, um governo eleito pela maioria dos brasileiros não pode se submeter à vontade de uma única pessoa, que quer fazer prevalecer sua opinião pessoal em detrimento dos outros.
As declarações do ministro foram dadas ao Terra Magazine.
Meninas Mães
Imagine você: meninas de 10 anos de idade estão se tornando mães. Crianças dando à luz a outras crianças. A reportagem também revela que dos 2,8 milhões de partos realizados ano passado em todo o Brasil, 560 mil ocorreram com meninas de até 20 anos de idade.
A ginecologista ouvida pela reportagem da TN, Stênia Lins, disse que "os meninos e as meninas entram na adolescência cada vez mais cedo". Não sei o que isso significa exatamente, como alguém pode "entrar mais cedo" na adolescência. Mas para a médica, essa "adolescência precoce" favorece a "iniciação sexual" também precoce.
Acho que ela inverteu a ordem das coisas, porque essa iniciação sexual precoce se dá por outros motivos, não porque as meninas e os meninos estão se tornando adolescentes mais cedo.
Mais adiante na reportagem, a médica diz que há uma "discrepância entre a mídia, os pais e a escola". Para ela, a mídia é responsável pelo estímulo à erotização e a banalização do sexo, enquanto "os pais fingem que não vêem e a escola se omite". Assino em baixo.
A reportagem poderia ter avançado mais na discussão do tema, mas não o fez e ficou muito nas explicações comuns: "falta informação", "falta educação", "falta uma política pública eficiente" e blá, blá, blá...
Não se falou, por exemplo, da violência sexual que ocorre, na maioria das vezes, dentro de casa e rouba a inocência dessas meninas, transformando-as em mães prematuras e em futuras mulheres traumatizadas e amarguradas.
Não se falou também em quais informações, qual educação e quais políticas políticas são necessárias. A médica lembrou da responsabilidade da mídia. A reportagem poderia ter pedido a opinião dela sobre a classificação indicativa dos programas de televisão. Quando o Ministério da Justiça publicou, no primeiro semestre deste ano, a nova portaria regulamentando a classificação indicativa para os programas de televisão, a chiadeira foi geral. As novas regras determinavam que as emissoras seriam obrigadas a divulgar a faixa etária e o horário recomendado para a exibição de cada atração que levasse ao ar. As redes também teriam que exibir os programas nos horários determinados pelo Ministério.
Os donos de televisão fizeram uma campanha e diziam que a portaria representava uma forma de censura. A choradeira deu resultado e o governo cedeu. As emissoras não são mais obrigadas a submeter o conteúdo dos programas à análise prévia do Ministério da Justiça. Elas apenas informam a faixa etária recomendada para cada programa. As próprias emissoras, inclusive, são que decidem o horário de exibição dos programas.
A regulamentação da classificação indicativa, inclusive com o estabelecimento de punições para as emissoras, é uma política pública eficiente para combater o "estímulo à erotização e a banalização do sexo" na mídia, como destacou a ginecologista, principalmente em relação aos meninos e às meninas adolescentes. É uma pena que o lobby das grandes emissoras, mais uma vez, saiu vencedor. Enquanto isso, nossas crianças assitem Flávia Alessandra descendo seminua no mastro do cabaré da novela das oito na Globo. Assim caminha a nossa sociedade.
Olha nós aqui outra vez...
É que estive ocupado no Fórum Natal Cidade Sustentável e não deu pra atualizar o blog. Além disso, ainda tinha um vídeo pra entregar na universidade.
Domingo foi dia de ressaca e hoje resolvi dar as caras por aqui. Ainda tô fra de ritmo, mas aos poucos as coisas vão voltando ao normal.
Mas, pelo que andei lendo e vendo, parece que não aconteceu nada de muito interessante nesses dias. A única bomba foi a prisão do ex-governador Fernando Freire. Hoje eu li uma declaração dele dizendo que vai ser candidato a vereador ano que vem em Natal, para os fracos e injustiçados. É ser muito cara de pau mesmo.
E enquanto Freire era preso, Garibaldi continuava e continua, como diria o José Simão da Folha, sua "heróica e mesopotâmica campanha" para se tornar o novo presidente do Senado.
E por falar em Senado, amanhã parece que vai ser o dia "D" para a votação da prorrogação da CPMF. A conferir as cenas dos próximos capítulos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Melhora expectativa de vida do brasileiro
A expectativa de vida do brasileiro subiu para 72,3 anos em 2006, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Distrito Federal tem a maior expectativa de vida, com 75,1 anos. Alagoas ocupa o último lugar, com 66,3 anos. Em 2005, a esperança de vida ao nascer era de 71,9 anos. Em 1960, era de 54,6 anos. As informações são do G1.
A expectativa de vida entre as mulheres (76,1) é maior que entre os homens (68,5).
A mortalidade infantil chegou a 24,9 óbitos a cada mil nascidos vivos em 2006. O índice é 64% mais baixo do que o registrado em 1980 (quando foram registradas 69,1 mortes a cada mil nascidos vivos).
Alagoas e Maranhão são os estados que têm maiores índices, com 51,9 e 40,7 óbitos a cada mil nascidos vivos, respectivamente.
O estado com a mais baixa taxa de mortalidade infantil em 2006 foi Rio Grande do Sul (13,9 óbitos a cada mil), seguido por São Paulo (16‰).
As "mais mais"
As "mais mais" foram a inauguração da TV digital em São Paulo, o rebaixamento do Corinthians para a segundona e a derrota de Hugo Chávez no referendo na Venezuela.
Enquanto Lula dizia no lançamento da TV digital que "o Brasil se reconhece diante da televisão" e a Globo lamentava a queda do time paulista, a mídia conservadora nacional amanheceu soltando fogos por causa do resultado do referendo popular na Venezuela, quando os venezuelanos disseram "não" às mudanças propostas por Hugo Chávez para a Constituição daquele país - entre elas, a possibilidade de reeleição sem limites.
Segundo o G1, os Estados Unidos também consideraram a derrota de Chávez uma "notícia positiva".
A oposição brasileira, tomada pela paranóia de que o presidente Lula seguisse o exemplo de Chávez e encampasse a idéia da reeleição sem limites, comemorou o entrevero do líder venezuelano e o resultado da pesquisa Datafolha, divulgada ontem (02) pela Folha de S. Paulo, que apontou 65% dos brasileiros contrários à idéia da re-reeleição.
O próprio Lula festejou o resultado da pesquisa, dizendo que o povo mostrara-se sábio ao não concordar com uma mudança das regras, como aconteceu no passado para aprovar a reeleição, somente para beneficiar quem está no poder.
Lula tem outro motivo para estar contente: a aprovação ao governo cresceu - 50% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom.
O Datafolha também pesquisou as intenções de voto para 2010. O tucano José Serra está na frente. Mas... pesquisa agora para 2010 não quer dizer absolutamente nada. Muita água ainda vai passar debaixo da ponte.
A pesquisa serviu apenas para os (de) formadores de opinião repetirem a mesma ladainha de sempre: o PT não tem candidato forte para 2010. Alexandre Garcia esboçava um riso amarelo hoje no "Bom Dia Brasil" ao comentar a pesquisa. Ele decretou, dsde já, que o PT vai ter que fazer uma composiçaõ e ceder a cabeça de chapa para 2010.
Alexandre falu, tá falado. Mãe Diná perde pra esse aí.
sábado, 1 de dezembro de 2007
Natal vista da Ponte Forte-Redinha
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
ABC da miséria nacional
"Sabemos falar muito bem a nossa língua (...). Queremos brasileiros melhor educados (sic), e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria." O que foi isso? Um acesso de esnobismo? Uma manobra diversionista para desviar o foco do mensalão tucano? Inveja e despeito? Um pouco de tudo, mas antes de mais nada Fernando Henrique Cardoso foi vulgar e mesquinho ao açular nesses termos o velho preconceito de classe que ele um dia já combateu.
Que o professor emérito e de carreira internacional tenha tropeçado no idioma nativo justamente quando zombava do metalúrgico pouco letrado é um detalhe cômico que só torna o episódio mais grotesco. O essencial não está, obviamente, no maltrato da língua, o que nem é novidade. O sociólogo um dia já manobrou muito bem as idéias, mas nunca foi um estilista. Seu texto é sofrível. Também nisso é legítimo representante da elite local.
Os tucanos falam muitas línguas, são gente que trabalha e estuda, que estuda e trabalha, disse o príncipe. Pois os estudiosos deveriam ler as 90 páginas da denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Souza sobre o valerioduto do PSDB. Está em português, claro e cristalino.
Ali o esquema de rapinagem dos cofres públicos a serviço de Eduardo Azeredo em 1998 é descrito como "origem e laboratório" do mensalão petista. A diferença entre a farra mineira e a que se deu sob Lula seria de escala. Não é uma gincana muito edificante.
"Estamos aprendendo com a Era Fernandina como de fato ficou brutalmente estúpido ser inteligente", escreveu no caderno Mais!, ainda em 2001, o filósofo Paulo Arantes. O "apagão" da inteligência progressista desde então só avançou. E já ficou claro a essa altura que tal breu está relacionado à falta de perspectiva decente para o país. Ou, como disse João Moreira Salles em entrevista à Folha, "nossas ambições se tornaram mais medíocres". É um moço bem-educado. E ele FHC conhece muito bem.
TV muda voto do eleitor
A pesquisa dos professores tem o seguinte título em português: "O Efeito da Fox News: A Eleição e a Partidarização da Mídia".
“Entre outubro de 1996 e novembro de 2000 (primeira eleição de Bush), o conservador Fox News Channel entrou na programação a cabo de 20% das cidades americanas... Com a análise de resultados eleitorais de 9.256 cidades, investigamos se o Partido Republicano (de Bush) aumentou a percentagem de votos nas cidades em que a Fox News entrou até o ano 2000. Nós descobrimos que, entre 1996 e 2000, a introdução da Fox News no mercado teve um efeito significativo nas eleições presidenciais. Os republicanos ganharam entre 0,4% e 0,7% de votos em cidades que exibiam a Fox News. A Fox News também afetou o comparecimento dos eleitores e a percentagem de votos dados aos Republicanos para o Senado. NOSSAS ESTIMATIVAS CHEGAM À CONCLUSÃO DE QUE A FOX NEWS CONVENCEU ENTRE 3 E 28% DE SEUS ESPECTADORES A VOTAR NO PARTIDO REPUBLICANO...”, diz o resumo da pesquisa.
O ensaio foi publicado no Quarterly Journal of Economics, em agosto de 2007.
A história recente das eleições no Brasil mostra que, por aqui, as coisas não são muitos diferentes e a mídia (principalmente a TV Globo) tem enorme poder de manipular a informação para influenciar no voto dos eleitores.
domingo, 25 de novembro de 2007
Libertadores, é o Fla quem vai!

O Mais Querido do RN, o ABC, perdeu de 2x0 hoje para o Atlético-GO e caiu para 5ª colocação na Série C do Brasileirão. Agora, o ABC tem que vencer o Bragantino na próxima quarta-feira (28) e torcer por uma combinação de resultados pra poder se classificar. Tarefa difícil. Podem me chamar de covarde, mas eu acho que o sonho acabou.
Mas, por outro lado, o Flamengo, time mais querido do Brasil, minha outra paixão, venceu o Atlético-PR por 2x0 hoje no Maracanã, diante de 87 mil rubro-negros, conquistando de vez sua vaga na Libertadores da América do próximo ano.
Num só dia, a experiência de viver a dor e a delícia de ser torcedor.
Está de parabéns a torcida do ABC, que acreditou no time e lotou o Frasqueirão em todos os jogos.
E está de parabéns o Flamengo e a nação rubro-negra, que hoje, mais do que nunca, não se cansa de cantar:
"És time de tradição, raça, amor e paixão, ó meu mengo.
Eu sempre te amarei, onde estiver estarei, ó meu mengo".
sábado, 24 de novembro de 2007
Ministério das Comunicações identifica 23 senadores sócios de emissoras de rádio e TV
"A aproximação do julgamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que está licenciado da presidência do Senado e poderá ter o mandato cassado por acusação de usar laranjas na compra de duas rádios em Alagoas, reacende a discussão sobre a proibição a parlamentares de obter e manter concessões de emissoras de rádio e TV. Dos 81 senadores, 23 deles – quase um terço do total – aparecem como proprietários de empresas do gênero.
Entre esses 23 parlamentares, uma pesquisa do Estado no Sistema de Acompanhamento de Controle Societário (Siacco), do Ministério das Comunicações, mostra que pelo menos 17 têm parentes na sociedade e na direção do negócio – filhos, irmãos, mulheres ou ex-mulheres, entre outros.
Entregar a parentes o comando das emissoras, tal como fez Renan, mesmo quando a transferência não passa de mera formalidade, é a maneira como os senadores driblam o artigo 54 da Constituição e o artigo 4º do Código de Ética do Senado. É uma forma, como explica o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de o parlamentar "fazer de conta" que não manda no veículo de comunicação.
No caso Renan, o relatório do senador Jefferson Péres (PDT-AM), aprovado pelo Conselho de Ética por 11 votos a 3, mostra que, depois de ter montado uma sociedade oculta com o usineiro João Lyra, o presidente licenciado do Senado entregou o Sistema Costa Dourada de Radiodifusão Ltda. ao filho José Renan Vasconcelos Calheiros Filho."
Matéria cita senadores potiguares
Os senadores potiguares Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM) são citados na matéria d'O Estado de São Paulo:
"O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), mesmo não sendo formalmente proprietário da Inter TV, antiga Televisão Cabugi Ltda., tem várias gerações de familiares no comando da influente emissora, que é repetidora da Globo no Rio Grande do Norte".
(...)
"José Agripino Maia (DEM-RN) diz ganhou suas rádios e TV de "herança". Ele aparece como sócio de uma rádio de Currais Novos e outra de Mossoró, além da TV e Rádio FM Tropical Comunicação, retransmissora da Record, em Natal."
Para o senador Jefferson Péres (PDT-AM), não importa se o político é "proprietário ou gestor", a emissora sempre o colocará "em situação de privilégio". Exemplo disso são as transmissões diárias na TV Tropical dos pronunciamentos do senador Agripino Maia no Congresso Nacional.
Outros trechos da matéria
"O professor Dalmo Dallari, emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), lembra que o objetivo do artigo 54 da Constituição era justamente impedir a influência do parlamentar sobre os meios de comunicação. "Ao controlá-los, eles ditam a pauta e podem mesmo ocultar o que não é do consentimento do seu grupo político. A regra é indispensável para garantir a autenticidade do processo democrático", afirma o jurista.
O artigo 54 deixa bem claro que deputados e senadores, depois de empossados, não podem ser "proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada". O descumprimento da regra implica, de acordo com o artigo 55, "perda do mandato".
O Código de Ética do Senado proíbe os senadores, no artigo 4º, de "dirigir ou gerir empresas, órgãos e meios de comunicação", assim considerados aqueles que executem serviços de rádio e televisão.
Novo Verbo
Não, não é um xingamento obsceno, como muitos maliciosos podem imaginar.
É o novo verbo criado pela galera que navega na internet.
"Youtubar" é o ato de postar algum vídeo no Youtube.
Não é a Oi, mas é simples assim.
Informaçãozinha mais inútil essa, né?! Relax...
Empresas investem em comunicação
"Uma pesquisa recém divulgada, em novembro, pela ABERJE - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, realizada junto a 164 grandes empresas do país, revelou que estas organizações investem cada vez mais em comunicação com os seus empregados. Para isto, estas empresas mantêm departamentos especializados e muitos veículos de comunicação. A abrangência da atividade de comunicação empresarial voltada para os empregados é de provocar inveja em quem trabalha no ambiente da comunicação de massa.
As corporações pesquisadas, a maioria com atuação global, assim procedem porque pretendem entendido e legitimado - por seus exércitos de gerentes, operários e todo o tipo de gente - aquilo que produzem, as suas metodologias, os seus valores, as suas atitudes e os seus objetivos.
(...)
A maior disposição das empresas em se comunicar com os empregados não significa uma comunicação de boa qualidade. A idéia geográfica de comunicação interna parece trazer embutida a idéia de que este tipo de comunicação, para alguém que não é o consumidor, não precisa de investimento em pensamento e produção.
A idéia de comunicação interna é a expressão do trabalhador como público desqualificado. O que é um paradoxo, diante do fato de as empresas precisarem do envolvimento de seus empregados para garantir coisas como a qualidade e segurança de produtos e processos, além de boa reputação e posição de mercado."
Nos tempos de ACM não era assim
A Operação Jaleco Branco teve como saldo a apreensão de 18 veículos e a prisão do presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) da Bahia, Antônio Honorato de Castro, além de outros 15 acusados de fraudes em licitações públicas no Estado.
A rede de corrupção que atinge parte da elite baiana começou a ser desvendada em julho, após a Operação Navalha da PF, quando o Ministério Público da Bahia requisitou todos os contratos que envolviam as empresas investigadas pela Operação Octopus da PF.
A Operação Octopus deu origem à Navalha. A primeira se dedicou a investigar os políticos da Bahia, onde fica a sede da Construtora Gautama, do empreiteiro Zuleido Veras, que, segundo a PF, estava no topo do esquema que fraudava licitações de obras públicas em nove Estados e no Distrito Federal.
A devassa nos contratos das empresas baianas foi fruto do trabalho da Auditoria Geral do Estado (AGE), sob a coordenação da Casa Civil do governador Jaques Wagner (PT). De acordo com a "Terra Magazine", a investigação da AGE abrangeu os contratos vigentes em 2007. Esse relatório foi entregue ao MP da Bahia.
Segundo Bob Fernandes e Claudio Leal da "Terra Magazine", o material da Operação Jaleco que está em poder do Ministério Público "é uma nítida tomografia do sistema de poder montado pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães e ancorado em um seleto grupo de empresários e famílias que há quase duas décadas detêm poder político e econômico na Bahia."
De acordo com a Folha Online, em 10 anos, a quadrilha teria provocado um prejuízo de R$ 625 milhões aos cofres públicos, segundo cálculos da polícia.
O relatório tem 42 páginas e lista os nomes da "fina-flor dos endinheirados baianos", nas palavras de Bob Fernandes e Claudio Leal.
Entre os principais presos, estão: Marcelo Guimarães, ex-presidente do Esporte Clube Bahia e ex-deputado estadual; Antonio Honorato, presidente do Tribunal de Contas do Estado e ex-presidente da Assembléia Legislativa da Bahia; o servidor Hélcio de Andrade Júnior, os empresários Clemilton Andrade, Eujácio Andrade, Afrânio Mattos e Jairo Barão. A procuradora-geral da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ana Guiomar, também foi presa.
Dono de empresas de segurança e influente nas administrações do falecido ACM, Marcelo Guimarães freqüenta as colunas sociais e os melhores salões baianos.
"Terra Magazine" também revela a lista de empresas investigadas na operação: Postdata Bahia Informática Ltda., Organização Bahia Serviços de Limpeza e Locação de Mão de Obra, Seviba (Segurança e Vigilância da Bahia Ltda.), Higiene Administração e Serviços Ltda., Organização Auxílio Fraterno, Ascop Vigilância e Segurança Patrimonial, Macrosel Serviços de Limpeza e Gestão Empresarial, Yumatã Empreendimentos e Serviços e Manutenção Ltda., Masp Locação de Mão-de-Obra Ltda. e Protector Segurança Ltda.
Foram investigadas 21 empresas, que, entre 1997 e junho de 2007, receberam do governo baiano cerca de R$ 1.380 bilhões. Mas as nomeadas na lista acima receberam mais atenção da comissão de auditores, porque foram essas empresas que ficaram com quase 74% do faturamento total, o que corresponde a mais de R$ 1 bilhão, enquanto as outras quatorze empresas ficaram com apenas 26% - pouco mais de R$ 363 milhões.
O relatório do Ministério Público anota que "a maior parte das empresas prestadoras de serviços analisadas iniciou suas atividades ou teve sua propriedade transferida para os grupos societários atuais no começo da década de 90, o que corresponde ao reinício das administrações carlistas".
Em 1990, ACM venceu a eleição para governador. Fez seus sucessores no cargo nas duas eleições seguintes: Paulo Souto e César Borges. Na prática, ACM era quem continuava mandando na Bahia. A hegemonia só foi quebrada em 2006, com a vitória de Jaques Wagner.
Impossível imaginar uma investigação como essa Operação Jaleco Branco nos tempos de ACM na Bahia.
Em Tempo
A "ditadura" de ACM não fez muito bem à Bahia. Os novos ventos, que chegaram com a alternância de poder, conquistada com a vitória de Jaques Wagner, está revelando ao Brasil que havia algo de muito podre no reinado carlista.
Leio nos jornais que os "demos" da Bahia querem voltar ao poder, começando pela Prefeitura de Salvador. O partido já indicou o ACM Neto como seu candidato para 2008. É ele mesmo, o galinho de briga que chamou Hugo Chávez de ditador e disse que na Venezuela não existe democracia porque não há alternância de poder.
É como diz o ditado popular, pimenta nos olhos dos outros é refresco.
O PSDB criou e o PT copiou
Aí eu me lembrei de uma coisa que os tucanos criaram e os também petistas copiaram - só que essa coisa não aparece na propaganda deles.
Foi o "mensalão". O Procurador Geral da República denunciou 15 pessoas no STF por envolvimento no mensalão tucano de Minas Gerais.
Paulo Henrique Amorim diz que o mensalão tucano envolve "a fina flor do tucanato: Eduardo Azeredo e Aécio Neves."
Explica-se. O mensalão tucano diz respeito à lavagem de dinheiro e ao peculato cometidos para beneficiar o senador tucano Eduardo Azeredo, então governador de Minas e candidato à reeleição. Outro beneficiado foi o candidato a vice de Eduardo Azeredo e vice do governador tucano Aécio Neves, no primeiro mandato (2003 a 2007), Clésio Andrade.
O dinheiro que abastecia o mensalão tucano de MG saiu de empresas estatais (dinheiro público): Copasa e Cemig (controladas pelo então governador do PSDB, Eduardo Azeredo).
Então, como se pode observar, nesse caso nós também podemos dizer: "Mensalão: O PSDB criou e o PT copiou".
Em tempo
Os tucanos mais emplumados não admitem falar em "mensalão tucano de MG". Dizem que houve "apenas" uma "operação financeira" para abastecer um caixa de campanha. Turma boa de eufemismos essa dos tucanos.
É como eu sempre disse por aqui quando via esses tucanos e os seus coleguinhas "demos" se arvorando como defensores da ética e da moral pública: são como velhas meretrizes pregando a castidade.
Roberta Sá em Natal
O chato é que o show é apenas para convidados. O show é para comemorar o lançamento Bosque dos Poetas, novo empreendimento imobiliário da Capuche, no final da Avenida Ayrton Senna.
Felizes os que estão nessa lista e farão parte desse belo estranho dia para se ter alegria.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
"Expurgo"
A palavra vem sendo usada para manipular a opinião pública e fazê-la crer que o Governo Federal promove uma caça às bruxas no IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Na semana passada, a direção do órgão, presidido pelo professor Márcio Pochmann, decidiu afastar quatro pesquisadores - Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli.
Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, Márcio Pochmann disse que os pesquisadores Fábio Giambiagi e Otávio Tourinho são servidores do BNDES e trabalhavam no Ipea por meio de um convênio que acaba no início do próximo mês. Já os pesquisadores Gervásio Castro de Rezende e Régis Bonelli são aposentados e foram convidados a sair em função de irregularidades em seus contratos.
Giambiagi e Tourinho têm até o dia 7 de dezembro para entregar um relatório da pesquisa sobre o papel do BNDES no desenvolvimento do Brasil. Esse trabalho foi o motivo do convênio entre o Ipea e o BNDES.
A notícia de que os contratos de Gimabiagi e Tourinho não serão renovados causou polêmica porque os dois economistas são críticos da política econômica de Lula. "Demos" e tucanos (olha a turma do bloco do eu sozinho aí gente...) disseram que o governo estava querendo "amordaçar" o órgão, estabelecendo assim o "pensamento único" e desrespeitando a "independência e autonomia" do instituto.
A cobertura da mídia vai na mesma toada. Os (de)formadores de opinião de plantão - vide Míriam Leitão - repercutem o discurso da oposição e fazem uma cobertura enviesada dos fatos.
Eles só não dizem que Giambiagi, apesar de ter sido contratado pelo Ipea para investigar o papel do BNDES no desenvolvimento do Brasil, nos últimos tempos tem ocupado espaço na mídia para defender principalmente uma reforma da Previdência Social, nos moldes de países como o Chile, onde foi privatizada.
Como observa Paulo Henrique Amorim, "Fabio Giambiagi pode pensar o que quiser e escrever o que quiser. Mas, não pode usar o logotipo do IPEA ou do BNDES (do qual é funcionário) para falar mal do Governo."
A cientista política e menina do Jô, Lúcia Hipólito, é outra que adotou o discurso do "expurgo". Confira o que saiu numa matéria d'O Globo, ontem (22):
“Apesar das mudanças no Ipea terem vindo à tona após a posse de Márcio Pochmann, a cientista política Lúcia Hipóllito acredita que “a tentativa de domesticar a opinião” vem desde a gestão de Glauco Arbix. Ele foi o primeiro economista a assumir à presidência do Ipea no primeiro mandato do presidente Lula”.
Em seu blog no IG, Luis Nassif revela que quem indicou os dirigentes (agora depostos) do IPEA-RJ foi o próprio Glauco Arbix. O grupo de Conjuntura, formado em torno de Paulo Levy, foi indicação de Arbix. Para Nassif, isso revela que esse discurso de “doutrinação” e “tentativa de domesticar a opinião pública” é papo furado.
"Veja o paradoxo. Para Lúcia, o grupo anterior visava 'domesticar a opinião pública'. Agora, o afastamento desse grupo visa também 'domesticar a opinião pública' ", comenta Nassif.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
O problema de Veja
A troca de mensagens pública entre o repórter Jon Lee Anderson e o editor de Internacional de Veja, Diogo Schelp é um bocado importante – e não pelo que ela diz a respeito de Schelp; pelo que diz sobre Veja.
A argumentação de Schelp em sua defesa é ruim. Fonte não deve qualquer sigilo a repórter – a nossa é uma profissão que deve operar às claras. O sistema de filtro de mensagens da Abril é de fato muito rigoroso e dá problema com mensagens perdidas a toda hora. Mas este é um problema que a Abril deve resolver com sua equipe técnica. Numa empresa jornalística, é um problema sério. Usar o anti-spam como desculpa para não ter contatado uma fonte é piada.
Por fim, ele reconheceu publicamente que Veja tem uma lista negra: quem cai lá não sai na revista. Não é o único órgão de comunicação grande que tem uma lista dessas, mas há um motivo pelo qual ninguém assume sua existência. É que não pode ter. Noticia-se, sempre, o que é notícia; e procura-se, sempre, quem melhor pode informar a respeito de um assunto. Quando uma publicação reconhece que tem uma lista negra, está dizendo que não tem pudores de usar sua influência para fazer com que alguém suma do mapa da relevância, independentemente de ser notícia ou não. (Não que, neste caso específico, Anderson vá sentir falta.)
Mas não era Schelp que deveria responder pela crítica e é injusto que a revista o tenha exposto desta forma. Nenhum jovem jornalista deveria ser obrigado a debater com um repórter de primeira linha do jornalismo mundial. É um debate perdido de início e, portanto, uma exposição cruel.
A reportagem sobre Che não saiu como saiu porque esta é a qualidade de trabalho que Schelp pode apresentar. Quem o conhece diz que é bom repórter, que jamais tem preguiça de apurar. A reportagem saiu assim porque assim é a linha editorial de Veja: a tese já está definida antes que qualquer repórter se lance à apuração. As fontes consultadas são aquelas que confirmarão a tese. Se alguém disser o contrário, que seja ignorado. Não é a curiosidade, a tentativa de compreender o mundo, que move a pauta de Veja. O que lhe move é a vontade de dizer o que seus leitores devem pensar.
O caso de Reinaldo Azevedo é diferente de Schelp. Este tem por função entrar mesmo nestas polêmicas e argumenta como lhe é típico: quando o debate é impossível de ser encarado, parte-se para lidar com os acessórios. Nos EUA, isto tem nome e há especialistas do ramo. São os spin doctors. Daí, que se debata a tradução, alguma questão ética imaginária, que se insinue que um repórter sênior da New Yorker, uma das revistas mais influentes do mundo, sentirá falta de ver seu nome em Veja.
Veja já foi a quarta revista mais vendida do mundo – hoje, deve estar entre a quinta e a sexta. Já foi uma revista indispensável. Veja foi uma revista que pautou a discussão no país. Há capas memoráveis – a do aborto, por exemplo, com incontáveis mulheres contando suas histórias pessoais; a entrevista de Pedro Collor que disparou o processo de um ano que culminaria com o impeachment de seu irmão.
Não foi sempre assim: o conceito de uma revista séria e rigorosa, com o noticiário semanal, era novo no Brasil de quando ela veio às bancas. Durante uma década, deu prejuízo. Quase quebrou a Abril, até então uma editora de pouca influência. Mas, aos poucos, Veja tornou-se indispensável. São muitos anos de trabalho para construir influência. Influência jornalística é ganha com trabalho sério, no dia-a-dia e chega apenas muito lentamente.
Jornal e revista também são produtos de hábito. Leitores cariocas por certo reconhecerão o exemplo do Jornal do Brasil. Foi um grande jornal, influente, importante. Começou seu lento processo de decadência há uns quinze anos. Mesmo quando já era evidente que o JB não era mais o mesmo, muitos leitores continuaram o comprando. Aí foram perdendo o hábito. A influência é perdida quando, dia após dia, semana após semana, o veículo vai provando que simplesmente não é mais o que foi.
Um veículo de comunicação constrói uma comunidade. É o comentar ‘você viu a Revista de Domingo ontem?’, ‘você viu aquela matéria no Fantástico?’ O veículo é relevante quando sugere o assunto, influi na conversa pública, dá a seu leitor ou espectador a percepção de que ele está informado, que tem assunto, que está capacitado a formar opinião, preparado para a conversa e o debate.
Influência, este espaço na formação do debate público, demora muito tempo para ser construída. Depois que foi, a influência pode ser mantida ou não. Não é de uma hora para a outra que a influência é perdida – mas, depois que foi, não há quem a reerga. É este o patrimônio que Veja tem e está, muito lentamente, dilapidando.
Aos poucos, muito aos poucos, começa-se a ouvir o seguinte comentário nas ruas: ‘você viu aquela matéria na Época?’ Não é questão de ser de esquerda ou ser de direita, este é um debate que interessa apenas a meia dúzia de leitores. A questão é aquela curiosidade inicial que leva o jornalista à rua. Ele não tem uma tese para comprovar, tem dúvidas. Está disposto a ser convencido, de apresentar tantos lados de uma história quantos possa haver.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Vão ter que engolir
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira por 44 votos favoráveis e 17 contrários o parecer do deputado Paulo Maluf (PP-SP) que pede a adesão da Venezuela ao Mercosul. Agora, a proposta será apreciada pelo plenário da Casa. A informação é da Folha Online.
Os "demos" e os tucanos votaram contra o parecer e sairam derrotados novamente.
O galinho de briga dos "demos", deputado ACM Neto (DEM-BA), neto do falecido capitão mor da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, disse que é contra a entrada do país vizinho no bloco econômico porque "na Venezuela não existe uma democracia plena, mas uma ditadura disfarçada" e justificou sua afirmação dizendo que na Venezuela "não há a garantia da alternância de poder nem liberdade de opinião e crítica". Para o neto do ex-mandatário da Bahia, Hugo Chávez "é um ditador emergente que está dando um golpe disfarçado na Venezuela".
"Quem está aqui falando em democracia foram defensores da ditadura no Brasil", afirmou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) em resposta a ACM Neto.
Como disse Paulo Henrique Amorim em seu "Conversa Afiada", ACM Neto é especialista nesse assunto de se perpetuar no poder.
O falecido ACM, avô do galinho de briga dos "demos", se perpetuou no poder da Bahia durante décadas. A falta de alternância de poder na Bahia, nessa época, não preocupava ACM Neto.
O neto pode alegar que seu avô se perpetuava pelo voto. Hugo Chávez também.
ACM, o avô, após anos de domínio, caiu do poder pelo voto. Hugo Chávez, um dia, sairá do poder da mesma forma - pelo voto.
Recorro novamente ao sarcasmo de Paulo Henrique Amorim para dizer que ACM Neto também é especialista em hipocrisia.
A melhor tirada
(Ricardo Noblat, jornalista e blogueiro)
Segundo a ONU, 33,2 milhões de pessoas no mundo vivem com o vírus da Aids
De acordo com o relatório, há uma estabilização do número de infectados e ligeira queda nas taxas de novos casos.
Em 2006, a Unaids indicava que havia 5,9 milhões de indianos infectados com o HIV, mas agora os novos estudos afirmam que o número correto para o país no ano passado era de 2,5 milhões de portadores do vírus.
Novos casos
A Unaids estima em 2,5 milhões, de 2006 para 2007, o número de novos casos em todo o mundo -o que significa 6.800 contaminações a cada dia.
O órgão estima ainda que 2,1 milhões de pessoas morreram devido à Aids em 2006.
No Brasil, 620 mil têm Aids
O relatório da Unaids de 2007 sobre o HIV indica que há 620 mil pessoas vivendo com o vírus no Brasil. A taxa está estabilizada desde o final da década de 1990, segundo especialista em HIV ouvido pela Folha.
A estimativa do Ministério da Saúde brasileiro é de há 613 mil infectados. O número nacional está dentro do intervalo calculado pela ONU, que tem mínimo de 370 mil e máximo de 1 milhão de casos.
O número de infectados no Brasil corresponde a um terço de todas as pessoas vivendo com HIV na América Latina. Na região, a maior parte das transmissões de HIV ocorre, diz o texto do relatório, entre grupos com maior risco de exposição, incluindo prostitutas e homens que fazem sexo com outros homens.
O número de novos casos na América Latina em 2007 é estimado em 100 mil, elevando a quantidade total de pessoas vivendo com o vírus para 1,6 milhão.
"Somália é há anos uma emergência esquecida", diz funcionário da ONU
"Há um ano, os 35 km de asfalto esburacado entre Afgooye e a capital somali, Mogadício, eram só uma estradinha típica. Hoje são um corredor repleto de miséria, com 200 mil pessoas recém-deslocadas apertadas em campos inchados onde o estoque de comida está no fim. Altos funcionários da ONU disseram que a Somália tem índices mais altos de desnutrição, mais derramamento de sangue e menos funcionários de organizações humanitárias do que Darfur, no Sudão.
Combates urbanos constantes em Mogadício entre um governo de transição impopular -instalado em parte com a ajuda dos EUA- e uma insurgência islâmica determinada têm levado multidões de desesperados à estrada. As pessoas nesses acampamentos passam fome, vivem ao relento, estão doentes e moribundas. E as poucas organizações humanitárias que se dispõem a enfrentar o ambiente perigoso, em que nenhuma lei vigora, não dão conta de atender às necessidades mais básicas das pessoas.
"Muitas dessas crianças vão morrer", diz Eric Laroche, chefe das operações humanitárias da ONU na Somália. "Se isso estivesse acontecendo em Darfur, haveria uma grande repercussão. Mas a Somália é há anos uma emergência esquecida." "A situação na Somália é a pior do continente", afirma Ahmedou Ould Abdallah, o mais alto representante da ONU para o país. Essa situação inclui inundações, secas, gafanhotos, atentados, bombas e assassinatos políticos quase diários.
Funcionários da ONU hoje admitem que o país estava em situação melhor durante o breve reinado do movimento islâmico somali, no ano passado. Ould Abdallah descreveu como "a era de ouro da Somália" aqueles seis meses -o único período de paz vivido pela maioria dos somalis em anos.
Mas quando o movimento islâmico de base emergiu do caos dos clãs e assumiu o controle de boa parte da Somália em meados de 2006, os EUA e a Etiópia, país vizinho e rival, apressaram-se em rotular os islâmicos como ameaça e a acusá-los de abrigar a Al Qaeda. A esmagadora invasão etíope, apoiada pelos EUA, ajudou um governo de transição a chegar a Mogadício em dezembro.
Desde então, esse governo vem lutando contra uma insurgência que soma islâmicos, clãs rivais e aproveitadores. Está claro que alguns dos problemas da Somália não são culpa do governo. Mas a maioria dos diplomatas ocidentais concorda que, se o governo de transição não fizer gestos de aproximação com elementos islâmicos, ele irá fracassar, como os 13 governos de transição que o precederam."
A canoa furada da Folha
Saldos de um vazamento desastrado
Por Alberto Dines, no "Observatório da Imprensa":
"Vazamentos costumam molhar muita gente. Tanto os vazamentos hidráulicos como os jornalísticos. Quando no domingo (18/11) a Folha de S.Paulo reproduziu as denúncias sopradas pela Polícia Federal contra empresas ligadas à multinacional Cisco – sem qualquer trabalho prévio de apuração – deveria ter pressentido os graves riscos que corria.
Na terça-feira (20), duas edições depois, a Folha foi obrigada a reproduzir na íntegra, e com chamada na primeira página, duas contestações à sua primeira matéria nada confortáveis.
Nenhuma fonte está acima de suspeitas, a não ser quando o jornal e os jornalistas verificam antes a veracidade das informações que oferece. A Folha confiou cegamente na PF e agora paga uma multa por sua ingenuidade.
Qualquer que seja o desfecho final do caso Cisco, o desastrado vazamento teve uma função didática: mostrou aos jornalistas que não existe jornalismo investigativo sem investigações."
Leia meu comentário sobre essa assunto no post "Fato ou opinião?".
Crônica de um professor desapontado
"Algumas semanas em sala de aula naquela escola do subúrbio do Rio me fizeram cogitar seriamente de um pedido de exoneração. Aliás, ainda cogito freqüentemente. Se não o fiz até hoje foi por desejo (de ensinar) e necessidade (de trabalhar para sobreviver). Ao perceber que ali – e em cada uma dessas escolas municipais – está montada uma engrenagem cujo objetivo é produzir o fracasso escolar em larga escala, passei a conviver com essa angústia. Afinal, não somos professores em sala de aula, mas sim operadores (ou técnicos do saber, como diria Sartre) de uma cruel engrenagem que produz analfabetos funcionais em massa. Tudo é feito de modo a incutir nos professores um profundo sentimento de impotência diante desse sistema, cuja última e mais eloqüente inovação foi a aprovação automática."
No artigo, ele também comenta "o discurso recorrente que a grande mídia produz a respeito desse quadro desanimador" e se diz "cansado de ler nas páginas dos grandes jornais e revistas do país as mesmas tentativas esfarrapadas de explicar e solucionar o problema". "Sempre acusam o professor e afirmam que aumentar os salários dos docentes não vai resolver nada. Ora, até quando vamos aturar tamanho cinismo?", questiona-se.
De acordo com Denilson, "não há como começar a desmontar essa gigantesca engrenagem que fabrica analfabetos funcionais (...) sem alterar as condições de trabalho dos professores."
Alterar as condições de trabalho significa, na prática, dar ao professor uma remuneração digna e satisfatória: "Com salários suficientes para manter suas famílias e dedicando-se exclusivamente ao ensino em uma só escola, aí sim seria razoável cobrar progressivamente maior qualidade no trabalho desenvolvido em sala de aula. Antes de se criar essas condições mínimas e básicas, não há como esperar mudança expressiva no ensino público no país."
Dá pra entender?
O responsável pelo adiamento da votação foi o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que vai relatar o caso na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Segundo a Folha Online, Virgílio vai encaminhar seu relatório à comissão na próxima quarta-feira, o que permite que o processo chegue ao plenário do Senado somente no início de dezembro.
Ainda segundo a Folha Online, inicialmente, a apresentação do parecer de Virgílio à CCJ estava prevista para esta quinta-feira. A oposição se articula para pedir vista ao texto do relator, o que poderá adiar ainda mais a votação do parecer na comissão.
E eu fico me perguntando aqui com meus botões: o que quer a oposição com esse adiamento? Não era essa mesma oposição que pedia todos os dias, via mídia, a cabeça de Renan Calheiros numa bandeja de prata?
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Essa história rende
Jon Lee Anderson, principal biógrafo de Che Guevara, escreveu uma tréplica ao repórter Diogo Schelp, editor de internacional da revista Veja, que, em reposta à primeira mensagem de Anderson, o cahmou de anti-ético e disse que ele não apareceria mais nas páginas da revista.
A polêmica é por causa daquela capa da Veja sobre Che Guevara. A reportagem é assinada por Diogo Schelp, para quem Che não passa de uma farsa de herói. Anderson divulgou um e-mail que mandou para Schelp criticando a matéria da Veja. Schelp respondeu e agora Anderson escreve sua tréplica.
Leia a íntegra da mensagem:
Prezado Diogo Schelp, agradeço pelo sua “gentil” resposta. (Soube que você é de fato uma pessoa muito “gentileza”; você mesmo o disse duas vezes em suas mensagens – claro que isso é uma ironia de Anderson com o inglês preciso do editor de internacional de Veja). Só agora percebo, o mal-entendido entre nós nasceu exclusivamente por conta de meu caráter profundamente falho. Eu jamais deveria ter presumido que você recebera meu e-mail inicial em resposta ao seu ou minha segunda mensagem a respeito de sua reportagem. Muito menos deveria ter considerado que você pudesse ter decidido ignorá-los. É evidente que você tem um sistema de bloqueio de spams muito rigoroso. Uma dica técnica: talvez devesse configurar seu sistema como “moderado” e não “extremo”. Se o fizer, talvez comece a receber seus e-mails sem quaisquer problemas. Lembre-se, Diogo: moderado, não “extremo”. Esta é a chave.
Você me acusa de ser antiético, um “mau jornalista”. Questiona até se posso ser chamado de jornalista. Nossa, você TEM raiva, não tem?
Enquanto tento parar as gargalhadas, me permita dizer que, vindo de você, é elogio. Permita, também, recapitular por um momento a metodologia utilizada por você para distorcer as informações que o público de Veja recebeu:
Você publicou na capa e na reportagem uma grande quantidade de fotografias de Che, aproveitando-se assim da popularidade da imagem de Guevara para vender mais cópias de sua revista. Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção marxista, como sugere seu título: “Che, a farsa do herói”.
Para chegar a uma conclusão assim arrasa-quarteirão, você também entrevistou, pelas minhas contas, sete pessoas. Uma delas era um antigo oponente de Che dos tempos da Bolívia. As outras seis, exilados cubanos anti-castristas, incluindo ex-prisioneiros políticos e veteranos de várias campanhas paramilitares para derrubar Fidel. (Um destes, o professor Jaime Suchlicki, você não informou a seus leitores, é pago pelo governo dos EUA para dirigir o assim chamado Projeto de Transição Cubana.) Percebi também que você prestou particular atenção no testemunho de Felix Rodriguez, ex-agente da CIA responsável pela operação que culminou na execução de Che. O fato de que você o destaca quer dizer que você o considera sua melhor testemunha? Ou terá sido porque ele foi o único que algum repórter realmente entrevistou pessoalmente? Com os outros, parece, Veja só falou por telefone. Mas como são rigorosos os critérios de reportagem de Veja!
Como disse em minha “carta aberta” a você, escrever uma reportagem deste tipo usando este tipo de fonte é o equivalente a escrever um perfil de George W. Bush citando Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez. Em outras palavras, não é algo que deva ser levado a sério. É um exercício curioso, dá para fazer piada, mas NÃO é jornalismo. Dizer a seus leitores, como você diz na abertura da reportagem, que “Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano” passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo. Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos.
Minha questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é “a mais completa biografia” de Che. Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e demonizações, caso de seu texto.
Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo. Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas páginas de uma revista louvável como Veja (não, Anderson, Veja não tem nada de louvável. Talvez você precise lê-la um pouco mais). Seus leitores merecem mais do que isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser “editor de internacional”.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.
Fonte: Blog do Rovai
Jornalista da Folha dá conselhos para o PSDB voltar ao poder
Na coluna "Pensata" da Folha Online, ela dá dicas do que os tucanos devem fazer para reconquistar a Presidência do Brasil em 2010.
Apesar de considerar José Serra, atualmente governador de São Paulo, virtualmente eleito em 2010, Eliane avisa: "é bom desconfiar". "Lula tem a máquina, mais de 60% de popularidade, uma economia que venta a favor e, por fim, tudo o que ele diz "cola". A única chance de os tucanos voltarem ao poder é uma união - de fato, não de foto - entre Serra, Aécio e os novos líderes que emergem no partido. Senão, não", sugere ela.
Eliane também diz qual o discurso que os tucanos (assim como ela) devem encampar: "E a únicas bandeiras que a tucanada de fato tem são os governos de São Paulo e de Minas, bem avaliados pelas pesquisas, e o governo Fernando Henrique Cardoso, com a estabilidade da economia e as bases de muitos dos êxitos do sucessor Lula. Ou a campanha encampa esse discurso solidamente, ou não vai para frente. Senão, não."
Imagine se os conselhos de Eliane pegarem e em 2010 tiver uma chapa Serra-Aécio (não necessariamente nessa mesma ordem)... É capaz dela parir um boi de tanta felicidade.
Leituras de Lygia
(Ricardo, personagem do conto "Venha ver o pôr-do-sol" de Lygia Fagundes Telles)
ABC na fita
Quinta tem ABC no Globo Esporte nacional
Quinta-feira, dia do jogaço entre ABC x Bahia na Fonte Nova, o Globo Esporte nacional vai exibir uma reportagem especial sobre os finalistas da Série C.
A gravação dessa matéria acontecerá amanhã, quarta-feira, feriado municipal em Natal, às 13h, no estádio Frasqueirão.Vamos mostrar a força da Frasqueira!
A reunião já serve de prévia para o clássico-rei que acontecerá à noite, válido pela Copa RN, no estádio municipal João Machado.
Pegando no tranco
Tirei a tarde pra descansar e somente agora tô voltando à órbita da Terra.
Só que tô igual a baiano... com uma preguiiiça...
Ops... não é bom nem falar em baiano... vai que atraia coisa ruim... amanhã tem Bahia x ABC na Fonte Nova.
Abraços a todos.
domingo, 18 de novembro de 2007
Delegado é censurado no Programa do Jô
"O Programa do Jô, da TV Globo, cortou parte da entrevista concedida pelo delegado de Polícia Civil do RJ Orlando Zaccone. Gravada nesta segunda-feira (12) e exibida ontem [quinta-feira 15], a entrevista do policial sofreu um corte no momento em que ele comentou o filme Tropa de Elite. O trecho simplesmente não foi ao ar. Segundo Zaccone, Jô Soares ficou irritado com o seguinte comentário: "Essa classe média que está batendo palma para o filme não agüenta um tapa de polícia na rua". O apresentador teria respondido algo como "Não concordo. Isso é sua opinião". Zaccone ainda foi polido. Em vez de responder o óbvio, que havia sido convidado justamente para emitir sua opinião, ainda tentou contemporizar, explicando que as palmas a que se referia eram para as cenas de tortura e execuções sumárias.
Quem assistiu à entrevista pôde notar que Zaccone levou Jô na flauta. Ao contrário da maioria dos programas, em que o apresentador costuma aparecer mais que o convidado, o delegado conseguiu oferecer uma boa exposição sobre o conteúdo de seu livro recém-lançado (Acionistas do nada - quem são os traficantes de drogas). Abordou com bastante propriedade a teoria da seletividade da pena e mostrou, através de experiência própria, que a esmagadora maioria dos presos por tráfico não são violentos. Além disso, ainda achou espaço para criticar a mídia: "Recentemente um jornal do Rio de Janeiro publicou uma foto de uma mulher armada, de shortinho e piercing no umbigo. Só que esse estereótipo não condiz com a realidade". Jô ficou meio atordado e o interrompeu: "Mudando de assunto, já que os convidados vêm aqui para falar de sua vida, me fala sobre quando você era Hare Krishna". Zaccone falou alguns segundos e logo deu um jeito de voltar a criticar a criminalização da pobreza. O sujeito estava impossível. Como diz o Yuka [Marcelo Yuka, ex-integrante do grupo O Rapa], o cara consegue, fácil, vender picolé no inverno russo. Além do livro, Zaccone levou um exemplar do jornal "Sol quadrado - também brilha!", editado por mim [Marcelo Salles, do Fazendo Média]. A capa, diagramada com perfeição por Évlen Bispo, foi exposta em close durante generosos segundos. No final do programa até o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindeberg Farias, telefonou para parabenizar o delegado. Que, apesar da censura, tirou o gordo pra dançar."
Comentário
Vi a entrevista e concordo que o delegado se saiu muito bem. Jô, só pra variar, estava perdido. Ele fica nervosinho quando o entrevistado, mesmo elegantemente, o contraria e não se derrete em elogios.
Hahahahahahaha
Desculpem a onomatopéia do título, mas é que quase morri de rir quando vi o vídeo abaixo. O engomadinho William Wack, apresentador do Jornal da Globo, se "confunde" e chama a repórter Zelda Melo de "Zelda Merda". Hahahahahahahaha...
O que será que Willian tinha na cabeça, hein?
Eu acho, testando hipóteses, que o rapaz tinha dado um tapa na pantera, mas o baseado tava estragado. Hahahahahahahaha...
Fato ou opinião?
A manchete de hoje do portal UOL é um bom exemplo disso: "Cisco usou 'laranjas' para doar R$ 500 mil ao PT".
A manchete da capa da Folha de São Paulo atribui a informação à Polícia Federal: "Cisco usou 'laranjas' para doar R$ 500 mil ao PT, afirma PF".
O verbo "usou", nos dois casos, é empregado como opinião. No primeiro caso, o portal não disfarça a opinião. A Folha ainda tenta suavizar, recorrendo à expressão "afirma PF", mas a opinião vem antes do registro da fonte e mostra o que tem mais importância para o jornal.
A Folha poderia ter dado a manchete de outra maneira: "PF afirma que Cisco usou 'laranjas' para doar R$ 500 mil ao PT". Ao inverter a ordem, o jornal deixou claro sua opção editorial pela opinião em detrimento da notícia.
Na matéria, a Folha diz que o PT recebeu R$ 500 mil em doações das empresas ABC Industrial e a Nacional Distribuidora de Eletrônicos Ltda. Essas empresas, segundo o jornal, seriam “laranjas” da Cisco, multinacional investigada no Brasil por suspeita de ter fraudado a Receita Federal em R$ 1 bilhão.
A conclusão da PF, segundo a Folha, testando hipóteses, é que em troca das doações, o PT teria atuado para que uma empresa ligada à Cisco fosse favorecida em um pregão da Caixa Econômica Federal.
A fonte das acusações não é revelada. O jornal limita-se a dizer que são dois executivos da Cisco.
O jornal parte da premissa, antes do fim da investigação da PF, que a Cisco realmente usou empresas laranjas para doar dinheiro ao PT e que o partido favoreceu mesmo a Cisco na CEF. A defesa do PT é publicada apenas como mera formalidade jornalística - mesmo assim, em espaço muito menor que o dedicado à acusação.
Como diz a filósofa e professora da USP Marilena Chauí, acusações são publicadas em machetes garrafais e depois são desmentidas em cantos de página.
sábado, 17 de novembro de 2007
Que se cumpra a profecia
Estava ouvindo "Belo e estranho dia" do novo cd da Roberta Sá. A letra é meio profética.
Notícias perderão todo controle dos fatos
Celebridades cairão no anonimato
Palavras deformadas
Fotos desfocadas
Vão atravessar o Atlântico
Jornais sairão em branco
E as telas planas de plasma vão se dissolver
O argumento ficou sem assunto
Vai ter mais tempo pra gente ficar junto
Vai ter mais tempo pra enlouquecer com você
Os políticos amanhecerão sem voz
O outdoor com as letras trocadas
Dentro do Banco Central
O pessoal vai esquecer como é que assina a própria assinatura
E os taxistas já não sabem que rua pegar
Que belo e estranho dia pra se ter alegria
E eu respondo e pergunto
É só tempo pra gente ficar junto
É só o tempo de eu enlouquecer com você
Alarmes já pararam de apitar
O telefone celular descarregou
O aeroporto tá sem teto
E a moça da TV prevê silêncios e nuvens
A firma que eu trabalho faliu
E o governo decretou feriado amanhã no Brasil
Será que é pedir muito
É só um jeito da gente ficar junto
É só um jeito de eu enlouquecer com você
Melhor que ler a letra é ouvir nossa Roberta Sá cantar. Aí pra vocês o vídeo dela cantando "Belo e estranho dia", no show no Teatro Rival, Rio de Janeiro.
Leituras de Saramago
(Ensaio Sobre a Cegueira, pág. 15-16)
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
É o fim da picada
Nos tempos de presidência do príncipe dos sociólogos, Fernando Henrique Cardoso, ministro das Relações Exteriores do Brasil tinha que tirar o sapato para entrar na White House (Alô, alô, marciano...). Bill Clinton (aquele que pegou a secretária e também confessou ter dado "um tapa na pantera") era adorado pelas bandas de cá, o líder máximo do mundo, bajulado pela direita e entronizado pela mídia conservadora.
Bush Jr. é a antítese de Clinton. Depois das invasões ao Afeganistão e ao Iraque, o atual presidente americano passou a personificar o próprio mal. Ficou difícil até para os bajuladores da direira brasileira e para a mídia conservadora falarem bem do cara. Então, essa turma estava meio órfã, sem um ícone, sem alguém que encarnasse a figura do grande líder estrangeiro a ser imitado na província. Eu disse estava. Pois agora a patuléia da direita achou alguém para bajular.
Trata-se do rei Juan Carlos da Espanha. O site "Vermelho" informa que a oposição prepara um ato de bajulação ao rei, visando atingir o presidente Lula. Vocês já estão informados do quiprocó envolvendo sua majestade e o presidente Hugo Chávez da Venezuela. Também devem estar informados da defesa que o presidente Lula fez da democracia na Venezuela. Por causa disso, a oposição pretende fazer um ato de desagravo ao rei da Espanha e, ao mesmo tempo, de repúdio às palvras de Lula sobre Chávez e a Venezuela.
A manifestação, informa o "Vermelho", deve ser feita na sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado na próxima semana. O líder da trama é o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da Comissão. Segundo ele, ''o presidente Lula precipitou-se a entrar nessa disputa real''. ''O silêncio do Brasil nesse caso seria melhor''.
Heráclito é aquele senador bochechudo que também é contra as ONG's. Ele pretende colocar em votação uma moção de aplauso, apresentada por outro direitista, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), à atitude do rei espanhol na sessão da Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile, que mandou Chávez se calar quando o venezuelano chamava o ex-premiê da Espanha José Maria Aznar de fascista.
Para o pessoal do "demo" (eles não gostam de ser chamados assim), Chávez é a encarnação do próprio demo (perdoem o trocadilho infame). Mas não deixa de ser curioso que os senadores da oposição queiram homenagear um rei contra um presidente. Ficaram do lado da monarquia contra o presidencialismo.
Mais curioso ainda é que esse rei que a oposição golpista quer homenagear é dono de um passado nada memorável. Depois do episódio em Santiago, a história da chegada do rei Juan Carlos ao trono espanhol passou a circular por diversos blogs. Segundo o "Vermelho", Juanito, como gosta de ser chamado sua majestade, foi conduzido ao trono espanhol pelo ditador Franco, com apoio das hostes fascitas que golpearam a democraia espanhola.
"Demos" e tucanos querem homenagear o rei fascista para fazer pirraça contra Lula e demonizar Chávez. E eles ainda se dizem guardiões da democracia.
"Jornal da Globo" esquece o presidente Lula
O que o JG não deu foi outro dado da mesma pesquisa, que apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o líder político com melhor imagem na América Latina, há dois anos consecutivos. A pesquisa foi feita com 20 mil pessoas em 18 países, à exceção de Cuba, em setembro e outubro deste ano.
Hugo Chávez, da Venezuela, George W. Bush, dos Estados Unidos, e Fidel Castro, de Cuba, apareceram nos últimos lugares neste ranking. Numa avaliação de zero a dez, Lula recebeu a nota 5,7. As informações são do UOL.
Tava demorando
Lula, acertadamente, não tomou partido entre os dois e afirmou que divergências entre chefes de Estados são "parte de um encontro democrático".
O presidente brasileiro, em seguida, contestou aqueles que afirmam que não há democracia na Venezuela.
"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é. O que eu sei é que a Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para onde, já teve quatro plebiscitos", afirmou Lula.
Para Lula, o que não falta no país vizinho é democracia. "O que não falta é discussão. Eu acho democracia é assim. A gente submete aquilo que a gente acredita ao povo e o povo decide. A gente acata o resultado", disse. As informações são da Folha Online.
O que o presidente Lula falou é a constatação do óbvio, mas que a mídia conservadora, contaminada pelo ranço anti-Chávez, não admite.
A definição clássica diz que a democracia é o regime do povo, pelo povo e para o povo. Na Venezuela, essa definição é levada a cabo e o povo participa efetivamente das decisões mais importantes sobre o futuro do país através de plebiscitos e referendos. O mesmo não acontece no Brasil. Pode-se criticar a personalidade de Hugo Chávez e sua falta de habilidade diplomática. Mas não se pode acusá-lo de ditador.
Mas bastou que o presidente Lula falasse o óbvio para a mídia golpista começar a testar hipóteses, segundo a definição de jornalismo proposta por Ali Kamel, todo poderoso do jornalismo global.
A colunista Barbara Gancia, na edição de hoje da Folha de São Paulo, manda o presidente Lula se calar e pergunta (testando hipóteses): "Com suas afirmações, Lula não estará nos dizendo que sua concepção de democracia é a mesma de Chávez?"
Clóvis Rossi, também na Folha de hoje, retorna ao fetiche da re-reeleição e diz que a defesa de Chávez feita por Lula pode significar, testando hipóteses, que o nosso presidente deseja se perpetuar no poder.
"Todas as declarações que Lula fez anteontem a propósito dos esforços de seu amigo Hugo Chávez para perpetuar-se no poder servem, à perfeição, para o próprio Lula", diz Rossi.
O colunista diz ainda que Lula, a qualquer momento, testando hipóteses, pode se deixar seduzir pelo canto da sereia e querer mudar a regra do jogo para ser novamente candidato a presidente.
"Ao contrário do que diz Lula, o problema não é "a continuidade". É, entre tantos outros, mudar a regra do jogo depois de ter jurado defendê-la. Mas, como se viu desde que renegou todas as "bravatas" de oposicionista, desdizer o que disse não é problema para Lula."
Aí eu fiquei pensando aqui com meus botões: quem, quando eleito presidente, mudou de verdade as regras do jogo, com a bola ainda rolando, em benefício próprio?
Essa turma da mídia conservadora tem mesmo memória curta.
Menos pobres e indigentes na América Latina
A pobreza na América Latina atingiu o menor número em 17 anos. O dado consta num estudo divulgado pela Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), em Santiago, no Chile. Apesar disso, a concentração de renda ainda persiste e mantém a desigualdade social em níveis elevados. As informações são da BBC Brasil e Uol Economia.
O estudo da Cepal afirma que "coesão social" no continente é ameaçada pela existência de "múltiplas brechas sociais que separam os grupos mais vulneráveis dos que têm melhores condições de vida". Em outras palavras, a contumaz desigualdade social no continente faz da América Latina uma região profundamente dividida entre os que têm tudo e os que não têm nada.
O "Panorama Social da América Latina 2007" mostra que a região tinha 194 milhões de pobres e 71 milhões de indigentes em 2006. No ano passado, segundo o estudo, 15 milhões de pessoas (equivalente à população do Chile) saíram da pobreza e dez milhões deixaram de ser indigentes na América Latina.
No estudo, a Cepal também destaca a redução da pobreza no Brasil e afirma que os "programas públicos, especialmente o Bolsa Família, tiveram influência decisiva nesse desempenho". No país, entre 2001 e 2006, seis milhões de pessoas deixaram de ser indigentes.
"Se se compara 2006 com 1990, existem 20 milhões de indigentes a menos na região", afirma o documento da Cepal.
O estudo da Cepal destaca ainda que a presença das crianças, do ensino primário, nas escolas "é quase universal" (97%) na região. Também aumentou, nos últimos anos, a freqüência escolar entre jovens. "A maior presença na escola beneficiou, principalmente, os filhos dos pais com pouco estudo", destaca.
Deus é brasileiro?
Reportagem publicada na edição desta semana na revista britânica "The Economist" comenta a descoberta do campo de petróleo de Tupi, na costa do Brasil, num país já farto em recursos naturais, afirmando, com ironia, que "Deus pode mesmo ser brasileiro, afinal".
"As florestas do Brasil são maiores do que as de qualquer outro. Seu solo é tão fértil que algumas árvores chegam à plena maturidade mais rápido do que as pessoas. Debaixo de seu solo há enormes depósitos minerais que são a matéria prima para o crescimento chinês de dois dígitos. O Brasil já está no caminho para se tornar uma superpotência da energia alternativa", diz a revista.
"É como se provasse o dito popular de que 'Deus é brasileiro', agora parece que há bilhões de barris de petróleo a mais do que se pensava antes sob as águas profundas da costa brasileira", diz a reportagem. As informações são da BBC Brasil e UOL Economia.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Manual midiático prático de como burlar a lei
O Observatório do Direito à Comunicação denuncia a ocorrência de uma prática proibida por lei: empresas multinacionais assumiram o controle de redes de TV a cabo no Brasil. O pior é que a irregularidade acontece com a aprovação do órgão que deveria zelar pelo cumprimento da lei. O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em julho desse ano, aprovou a compra da TVA do Grupo Abril pela Telefonica de España.
Desatando o nó
A operação é um pouco complicada, mas vamos tentar entender. De acordo com o Observatório da Comunicação, A Telesp, que pertence à Telefonica, através de sua subsidiária Navytree, após a operação de compra, passa a deter 100% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das ações preferenciais das operações em microondas (MMDS) da TVA (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba). Até aí tudo bem, porque não há proibição legal em relação a uma operadora de telecomunicações ser dona de uma empresa de TV paga em microondas.
O problema é que a Telesp, através da mesma Navytree, também passa a ter 49% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das ações preferenciais da TVA Sul, que opera TV a cabo nas cidades de Curitiba, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Camboriú. A Lei da TV a Cabo (8977/95) proibe que o capital estrangeiro assuma o controle acionário de uma operadora de TV a cabo. Por isso, oficialmente, a Telesp controla 49% das ações ordinárias da TVA, ficando no limite legal. Mas, na prática, a coisa é bem diferente. Os demais 51% das ações ordinárias da TVA Sul pertencem à empresa Datalistas. O controle acionário da Datalistas, por sua vez, pertence ao Grupo Abril da família Civita. A Navytree (subsidiária da Telesp, pertencente à Telefonica) possui 100% das ações preferencias da Datalistas. Isso significa que, oficialmente, o controle da TVA Sul pertence ao Grupo Abril, através da Datalistas, mas, na realidade, a Telefonica de España assume o controle e a operação das TV's a cabo em quatro cidades brasileiras.
A propriedade estrangeira de operadoras de TV a cabo no Brasil é proibida pela Lei 9877/95.
Outro caso
O Observatório da Comunicação denuncia ainda outras operações que burlam a Lei da TV a cabo. cabo. Em março de 2006, o Conselho Diretor da Anatel também autorizou a compra da operadora de TV a cabo NET Serviços pela Telmex-Embratel, que pertence ao grupo mexicano Telmex. A NET opera em 44 cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Belo Horizonte e Brasília.
As ações da NET serviços estão distribuidas da seguinte maneira:
- Embratel: 1,86% das ações ordinárias e 8,62% da ações preferenciais;
- Embratel Participações: 36,15% das ações ordinárias e 6,59% das ações preferenciais;
- Globo: 1,68% das ações ordinárias;
- Distel (subsidiária integral da Globo): 8,66% das ações ordinárias;
- Antigos donos da Vivax (comprada pela NET Serviços): 0,64% das ações ordinárias;
- GB Empreendimentos e Participações: controla os 51% das ações ordinárias restantes.
Ocorre que a Telmex (dona da Embratel) possui 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais da GB, enquanto a Globo detém 51% das ações ordinárias e nenhuma ação preferencial da GB. Em tese, o controle da NET Serviços pertence à Globo, uma vez que 51% das ações ordinárias da NET Serviços pertencem a GB e 51% das ações ordinárias da GB pertencem à Globo. Na prática, contudo, a maior parte do capital da NET Serviços está em mãos do bilionário mexicano Carlos Slim Helu, dono da Telmex e da Embratel.
E não pára por aí
A denúncia do Observatório da Comunicação vai mais além. A Telefonica de España também comprou a Comercial Cabo, empresa da família Civita que distribui a TVA em São Paulo. Nesse caso, além do limite ao capital estrangeiro, imposto pela Lei da TV a Cabo, os novos contratos de concessão das operadoras de telefonia fixa, em sua cláusula 14.1, vedam que uma operadora tenha, na mesma cidade, outorgas para telefonia fixa e TV a cabo. Como todos sabem, a Telefonica, dona da Telesp, opera em São Paulo e, sendo assim, não poderia participar do controle da Comercial Cabo.
Dessa forma, a Telesp-Telefonica não poderia ter mais de 19,9% das ações da Comercial Cabo, porque isso significaria sua entrada no bloco de controle da empresa. A Telefonica usou, então, o mesmo expediente empregado por ela na TVA Sul e pela Telmex na NET Serviços.
A Navytree tornou-se dona de 19,9% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das ações ordinárias da Comercial Cabo. O restante das ações pertence a uma empresa de nome Lemontree. A família Civita, dona do Grupo Abril, possui 100% das ações ordinárias (com direito a voto) da Lemontree. Enquanto a Navytree (da Telesp) ficou com 100% das ações preferencias da Lemontree. Na prática, isso significa que a Telesp possui 86,7% do capital total da Comercial Cabo, contrariando de uma só vez a Lei da TV a Cabo e os contratos de concessão da telefonia fixa.
O Acordo de Acionistas
A grande diferença entre a operação de compra da NET Serviços pela Telmex e da TVA pela Telefonica é o fato de que os espanhóis resolveram ter a garantia contratual de que assumirão realmente o controle da TVA.
Segundo o acordo de acionistas, firmado entre os Civita e a Telefonica, a operadora espanhola cuidará da gerência e operação da infra-estrutura de comunicação da TVA Sul e da Comercial Cabo. E, no futuro, caso a legislação venha a permitir que a Telefonica compre a totalidade da TVA, os Civita declaram uma opção “irrevogável e irretratável” de venda de suas ações para a empresa espanhola.
Mas, de acordo com a Regulamento para Apuração de Controle e de Transferência de Controle em Empresas Prestadoras de Serviços de Telecomunicações (a chamada Resolução 101, da Anatel), aprovado em 04 de fevereiro de 1999, tanto o “uso comum de recursos materiais, tecnológicos ou humanos” quanto a “existência de instrumento jurídico tendo por objeto a transferência de ações entre as prestadoras” caracterizam uma forma de “controle vedado por disposição legal”. Portanto, segundo resolução da própria Anatel, o contrato de acionistas firmado entre os Civita e a Telefonica fere tanto a Lei da TV a Cabo quanto os contratos de renovação das concessões de telefonia fixa, porque transferem de fato o poder da Comercial Cabo e da TVA Sul para a Telefonica.
Foi assim que, de jeitinho em jeitinho, Telmex e Telefonica assumiram o controle da maior e da terceira maior empresas de TV paga do Brasil.
Cegueira
O livro começa narrando a história de um motorista que, parado num sinal de trânsito, de repente descobre-se cego. Depois, essa cegueira súbita começa a se espalhar pela cidade até alcançar uma multidão de cegos.
Esse novo estado levará as pessoas a aprender a viver de novo. "Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são". Livres da ditadura e da opressão das aparências, as pessoas vão experimentar outras emoções, que as farão redescobrir suas qualidades e seus temores.
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos", diz uma das personagens de Saramago.
Peço licença agora a vocês. Saramago me chama.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Para a ONU, há "tortura sistemática" nas cadeias brasileiras
Em 2005, uma delegação de peritos fez uma visita secreta a prisões e delegacias em São Paulo, Rio, Bahia, Brasília e Belém. De acordo com os relatos da delegação, os presos vivem em situações “desumanas” e as autoridades nada fazem para resolver a situação. Nas entrelinhas, o relatório sugere que o poder público é conivente com atos de tortura, ainda que leis existam para impedir a prática.
O governo tergiversa, afirmando que a ocorrência de tortura não é uma “política” no país. Admite, porém, que a situação nas prisões "não é positiva". Política ou não, o fato é que a tortura é praticada nos estabelecimentos de detenção do Brasil. As informações são do jornal "O Estado de São Paulo" e do portal "G1".
Estados e municípios inflacionaram número de alunos para ganhar mais recursos do Fundeb
Resultados preliminares do censo escolar de 2007 - feito pela primeira vez totalmente via digital - divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), apontam para uma queda de 2,8 milhões no total de matrículas do sistema público de ensino básico e confirmam que, por muito tempo, Estados e municípios incharam o número de alunos declarados ao governo federal.
Os dados são inflacionados porque o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) redistribui recursos de acordo com o número de matrículas. Os municípios recebem dinheiro para merenda e transporte escolar, livros didáticos e outros programas de acordo com o número de estudantes.
Este é o primeiro ano em que o MEC coloca em prática oficialmente o Educacenso, um sistema online de preenchimento. Nos anos anteriores, a escola passava uma planilha com números gerais à secretaria de educação do ministério, que então alimentava o banco de dados. O sistema atual prevê que cada escola preencha, pela internet, uma planilha em que constam nome, série, data de nascimento, nome dos pais, endereço e número de documento do aluno matriculado.
Fonte: O Estado de São Paulo
Aumento no emprego industrial foi o maior desde maio de 2004, diz IBGE
Relativamente a setembro de 2006, o nível de emprego industrial também verificou elevação, de 2,8%. As contratações superaram as demissões em 11 das 14 áreas e em 12 dos 18 setores analisados. Por região, os melhores resultados couberam a São Paulo (alta de 4,4%), Paraná (4,8%) e Minas Gerais (2,7%).
Por ramo de atuação, os setores que se sobressaíram foram alimentos e bebidas, que ampliaram o contingente de trabalhadores em 4,2%, meios de transporte, onde houve acréscimo de 10,5% nas contratações, e máquinas e equipamentos, com elevação de 9,6%. Em sentido inverso, calçados e artigos de couro bem como madeira enxugaram seu quadro de pessoal em 9,3% e 6%, na ordem.
No terceiro trimestre, o emprego industrial ampliou-se em 2,3% frente aos três meses equivalentes do ano passado e marcou, assim, a maior taxa desde o primeiro trimestre de 2005, de 2,8%.
Nos primeiros nove meses de 2007, o nível de emprego na indústria nacional subiu 1,7% perante o mesmo intervalo de 2006. O resultado ficou próximo daquele observado no encerramento do ano de 2004 (1,8%), indicou o IBGE. Houve crescimento do quadro de empregados em 13 das 14 áreas pesquisadas e em 13 ramos.
Fonte: Valor Online
Jornais não se entendem sobre Wallyson
A Tribuna deu na capa: "Tratamento surte efeito e Wallyson joga hoje". O jornal diz que "Wallyson, mesmo sem estar 100% fisicamente, vai para o jogo".
Já o Diário deu esta manchete: "Wallyson ainda é dúvida para jogo decisivo". Segundo o jornal, a decisão sobre a escalação de wallyson só sai horas antes do jogo, que começa às 20h30.
Eu fico com a versão da Tribuna, porque se Wallyson não jogar, o ABC vai ficar em maus lençóis. Mas aí tô falando como torcedor, né...
Esse pessoal do Diário só pode ser tudo americano e estão todos torcendo contra... hehehe
Governo do Estado e Prefeitura de Natal bancam festa de colunista social
Aposto um big big que você não sabe quem está bancando a "Celebration" da colunista social. É meu caro leitor, você pode não saber, mas a festinha da patotinha de Hilneth Correia está sendo bancada pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Natal. Traduzindo: Hilneth faz "Celebration" com dinheiro público, dinheiro dos nossos impostos.
Patrocinados pelo nosso dinheiro, os convidados de Hilneth, um bando de roberts doidos pra aparecer, vão se fartar com muito champagne e caviar, enquanto a gente fica em casa fazendo as contas das dívidas que ainda tem pra pagar.
O Governo do Estado e a Prefeitura de Natal deveriam justificar o motivo de colocar dinheiro público numa festa particular. Hineth, ao longo desses 40 anos de colunismo social, deve ter prestado uma enorme contribuição à cultura do RN e de Natal para receber esse mimo da governadora Wilma de Faria e do prefeito Carlos Eduardo. Só não sei que contribuição foi essa...
Biógrafo de Che Guevera responde repórter da Veja
O repórter Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, foi procurado há umas semanas pelo também repórter Diogo Schelp, da Veja. O objetivo era uma entrevista curta para a composição da reportagem que saiu na revista a respeito dos 40 anos da morte de Guevara. É um entrevistado natural – afinal, Che Guevara, uma biografia, é a principal referência ao tema.
A própria revista, na reportagem que Anderson critica, descreve seu livro como ‘a mais completa biografia de Che’. Mas a cobertura daquele aniversário de morte já foi assunto deste Weblog.
Anderson respondeu a Diogo mas acabou não sendo procurado. Na semana passada, o veterano repórter de guerra da New Yorker teve acesso e leu a reportagem. Foi sua a decisão de tornar pública esta resposta a Schelp, que começou a circular por email entre os jornalistas brasileiros.
A original é em inglês, esta que segue é uma tradução:
Caro Diogo,
Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.
Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.
No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.
E ainda tem gente, inclusive colegas jornalistas, que acham que a Veja é a melhor revista do Brasil. É triste ver que muitos companheiros de profissão aprovam o jornalismo de baixo nível que a Veja faz.
Lembro que em 2003, no I Fórum Social Brasileiro, em Belo Horizonte - MG, assisti um debate sobre rádios comunitárias e um dos debatedores (não recordo o nome) perguntou à platéia, formada majoritariamente por estudantes de jornalismo, se eles já haviam decidido por quanto iriam se vender quando se fossem jornalistas de verdade.
A pergunta, carrega de ironia nada sutil, reflete a imagem que a sociedade tem da classe dos jornalistas - mercenários dispostos a vender a ética e a consciência ao primeiro que oferecer o lance mais alto.
E o que é que nós estamos fazendo pra mudar essa imagem? Tenho medo da resposta.
O Formidável Surgimento de Minha Última Quimera
Que o meu chão é um quebra-cabeças
Que todo dia cai uma peça
Até que tudo desapareça
Até o último suspiro.
Às vezes eu penso em Deus
Às vezes na criação
Às vezes penso na morte
Outras vezes na sorte
E na minha última geração.
Às vezes eu penso na solidão,
Esta cobra venenosa.
Às vezes penso nas pessoas poderosas
E no poder de decisão
Entre a morte e a vida
Às vezes aquela mesma cobra
É minha querida...
Minha salvação!
(FeLL)
terça-feira, 13 de novembro de 2007
And the oscar go to...
Na categoria documentário, venceu "Vozes e Romances", produção dos alunos de jornalismo da UnP sobre a vida e a obra de Dona Militana, importante figura do folclore potiguar. Particularmente, achei "Quando você percebe", sobre manipulação nos meios de comunicação, mais interessante. Mas vá entender cabeça de jurado...
"3,2,1" foi o vencedor da categoria experimental. O vídeo foi feito com a câmera de um celular e mostra um encontro de amigos na praia. O detalhe é que a história é contada de trás pra frente.
E na última categoria, vídeo clip, outro vacilo dos jurados. Venceu "Olhos Nervosos" dos Bugs. Eu não gostei. Disseram que foi pela fotografia, os movimentos de câmera e tal... Achei o clip repetitivo, escuro, o som tava ruim, a gente simplesmente não entendia o que a banda tava cantando.
Eu sai antes do final da premiação e não sei ainda qual produção venceu pelo júri popular. Aposto minhas fichas em "Resgate Explosivo". Depois eu confiro e coloco aqui. Por enquanto é tudo.
Atualizando
Errei na minha aposta. O ganhador de melhor vídeo pelo júri popular foi "Causo de Matuto".
Quando você percebe
Ficou difícil votar na melhor produção da noite. Foram 18 curtas, divididos em quatro categorias: ficção, documentário, experimental e vídeo clip. Os gêneros foram do drama à comédia, passando até pelo pornô trash. Pela reação da platéia, "Causo de Matuto", "Resgate Explosivo" e "O primeiro dia de trabalho" são os candidatos mais fortes à eleição do melhor curta pelo voto do público.
Eu gostei muito do documentário "Quando você percebe", que tratava sobre a manipulação midiática dos meios de comunicação de massa. A produção realizou entrevistas com pessoas no centro da cidade. Os entrevistados responderam se acreditavam ou não em tudo que viam na televisão, opinaram sobre a credibilidade das emissoras e dos jornalistas e disseram se eram ou não influenciadas pela televisão. No final, a edição revelou uma surpresa que causou impacto no público e mostrou que, mesmo atentos, estamos sujeitos à manipulação. Fica o alerta.
O blog tá bombando
Obrigado de coração e continuem acessando e divulgando esse espaço.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Adolescência
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (13), entre outras propostas, projeto que prevê realização de plebiscito para definir a maioridade penal. A informação é da Agência Câmara.
O autor do projeto é o deputado Carlos Mannato (PDT-ES). Caso o plebiscito seja aprovado, os eleitores vão decidir se a maioridade penal permanece em 18 anos ou se deve ser reduzida para 14, 15 ou 16 anos. Uma vez aprovado na Comissão de Segurança, o projeto passará pela Comissão de Seguridade Social e Família, depois pela Comissão de Constitucionalidade e Justiça, para então ser votado no plenário da Câmara.
É só acontecer algum caso de violência envolvendo adolescentes que o discurso da redução da maioridade penal é imediatamente apontado como uma solução. Foi assim no episódio da morte do menino João Hélio. A mídia conservadora sempra dá ampla repercussão à idéia da redução. Agora já estão falando até em diminuir para 14 anos. As pessoas são incentivadas a acreditar nos métodos da justiça-justiceira para promover a paz e a crer em respostas fáceis para problemas complexos.
