sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Expurgo"

A senha da oposição e da mídia conservadora contra o governo agora é "expurgo".

A palavra vem sendo usada para manipular a opinião pública e fazê-la crer que o Governo Federal promove uma caça às bruxas no IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Na semana passada, a direção do órgão, presidido pelo professor Márcio Pochmann, decidiu afastar quatro pesquisadores - Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli.

Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, Márcio Pochmann disse que os pesquisadores Fábio Giambiagi e Otávio Tourinho são servidores do BNDES e trabalhavam no Ipea por meio de um convênio que acaba no início do próximo mês. Já os pesquisadores Gervásio Castro de Rezende e Régis Bonelli são aposentados e foram convidados a sair em função de irregularidades em seus contratos.

Giambiagi e Tourinho têm até o dia 7 de dezembro para entregar um relatório da pesquisa sobre o papel do BNDES no desenvolvimento do Brasil. Esse trabalho foi o motivo do convênio entre o Ipea e o BNDES.

A notícia de que os contratos de Gimabiagi e Tourinho não serão renovados causou polêmica porque os dois economistas são críticos da política econômica de Lula. "Demos" e tucanos (olha a turma do bloco do eu sozinho aí gente...) disseram que o governo estava querendo "amordaçar" o órgão, estabelecendo assim o "pensamento único" e desrespeitando a "independência e autonomia" do instituto.

A cobertura da mídia vai na mesma toada. Os (de)formadores de opinião de plantão - vide Míriam Leitão - repercutem o discurso da oposição e fazem uma cobertura enviesada dos fatos.

Eles só não dizem que Giambiagi, apesar de ter sido contratado pelo Ipea para investigar o papel do BNDES no desenvolvimento do Brasil, nos últimos tempos tem ocupado espaço na mídia para defender principalmente uma reforma da Previdência Social, nos moldes de países como o Chile, onde foi privatizada.

Como observa Paulo Henrique Amorim, "Fabio Giambiagi pode pensar o que quiser e escrever o que quiser. Mas, não pode usar o logotipo do IPEA ou do BNDES (do qual é funcionário) para falar mal do Governo."

A cientista política e menina do Jô, Lúcia Hipólito, é outra que adotou o discurso do "expurgo". Confira o que saiu numa matéria d'O Globo, ontem (22):

Apesar das mudanças no Ipea terem vindo à tona após a posse de Márcio Pochmann, a cientista política Lúcia Hipóllito acredita que “a tentativa de domesticar a opinião” vem desde a gestão de Glauco Arbix. Ele foi o primeiro economista a assumir à presidência do Ipea no primeiro mandato do presidente Lula”.

Em seu blog no IG, Luis Nassif revela que quem indicou os dirigentes (agora depostos) do IPEA-RJ foi o próprio Glauco Arbix. O grupo de Conjuntura, formado em torno de Paulo Levy, foi indicação de Arbix. Para Nassif, isso revela que esse discurso de “doutrinação” e “tentativa de domesticar a opinião pública” é papo furado.

"Veja o paradoxo. Para Lúcia, o grupo anterior visava 'domesticar a opinião pública'. Agora, o afastamento desse grupo visa também 'domesticar a opinião pública' ", comenta Nassif.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O problema de Veja

Por Pedro Dória (http://pedrodoria.com.br)

A troca de mensagens pública entre o repórter Jon Lee Anderson e o editor de Internacional de Veja, Diogo Schelp é um bocado importante – e não pelo que ela diz a respeito de Schelp; pelo que diz sobre Veja.

A argumentação de Schelp em sua defesa é ruim. Fonte não deve qualquer sigilo a repórter – a nossa é uma profissão que deve operar às claras. O sistema de filtro de mensagens da Abril é de fato muito rigoroso e dá problema com mensagens perdidas a toda hora. Mas este é um problema que a Abril deve resolver com sua equipe técnica. Numa empresa jornalística, é um problema sério. Usar o anti-spam como desculpa para não ter contatado uma fonte é piada.

Por fim, ele reconheceu publicamente que Veja tem uma lista negra: quem cai lá não sai na revista. Não é o único órgão de comunicação grande que tem uma lista dessas, mas há um motivo pelo qual ninguém assume sua existência. É que não pode ter. Noticia-se, sempre, o que é notícia; e procura-se, sempre, quem melhor pode informar a respeito de um assunto. Quando uma publicação reconhece que tem uma lista negra, está dizendo que não tem pudores de usar sua influência para fazer com que alguém suma do mapa da relevância, independentemente de ser notícia ou não. (Não que, neste caso específico, Anderson vá sentir falta.)

Mas não era Schelp que deveria responder pela crítica e é injusto que a revista o tenha exposto desta forma. Nenhum jovem jornalista deveria ser obrigado a debater com um repórter de primeira linha do jornalismo mundial. É um debate perdido de início e, portanto, uma exposição cruel.

A reportagem sobre Che não saiu como saiu porque esta é a qualidade de trabalho que Schelp pode apresentar. Quem o conhece diz que é bom repórter, que jamais tem preguiça de apurar. A reportagem saiu assim porque assim é a linha editorial de Veja: a tese já está definida antes que qualquer repórter se lance à apuração. As fontes consultadas são aquelas que confirmarão a tese. Se alguém disser o contrário, que seja ignorado. Não é a curiosidade, a tentativa de compreender o mundo, que move a pauta de Veja. O que lhe move é a vontade de dizer o que seus leitores devem pensar.

O caso de Reinaldo Azevedo é diferente de Schelp. Este tem por função entrar mesmo nestas polêmicas e argumenta como lhe é típico: quando o debate é impossível de ser encarado, parte-se para lidar com os acessórios. Nos EUA, isto tem nome e há especialistas do ramo. São os spin doctors. Daí, que se debata a tradução, alguma questão ética imaginária, que se insinue que um repórter sênior da New Yorker, uma das revistas mais influentes do mundo, sentirá falta de ver seu nome em Veja.

Veja já foi a quarta revista mais vendida do mundo – hoje, deve estar entre a quinta e a sexta. Já foi uma revista indispensável. Veja foi uma revista que pautou a discussão no país. Há capas memoráveis – a do aborto, por exemplo, com incontáveis mulheres contando suas histórias pessoais; a entrevista de Pedro Collor que disparou o processo de um ano que culminaria com o impeachment de seu irmão.

Não foi sempre assim: o conceito de uma revista séria e rigorosa, com o noticiário semanal, era novo no Brasil de quando ela veio às bancas. Durante uma década, deu prejuízo. Quase quebrou a Abril, até então uma editora de pouca influência. Mas, aos poucos, Veja tornou-se indispensável. São muitos anos de trabalho para construir influência. Influência jornalística é ganha com trabalho sério, no dia-a-dia e chega apenas muito lentamente.

Jornal e revista também são produtos de hábito. Leitores cariocas por certo reconhecerão o exemplo do Jornal do Brasil. Foi um grande jornal, influente, importante. Começou seu lento processo de decadência há uns quinze anos. Mesmo quando já era evidente que o JB não era mais o mesmo, muitos leitores continuaram o comprando. Aí foram perdendo o hábito. A influência é perdida quando, dia após dia, semana após semana, o veículo vai provando que simplesmente não é mais o que foi.

Um veículo de comunicação constrói uma comunidade. É o comentar ‘você viu a Revista de Domingo ontem?’, ‘você viu aquela matéria no Fantástico?’ O veículo é relevante quando sugere o assunto, influi na conversa pública, dá a seu leitor ou espectador a percepção de que ele está informado, que tem assunto, que está capacitado a formar opinião, preparado para a conversa e o debate.

Influência, este espaço na formação do debate público, demora muito tempo para ser construída. Depois que foi, a influência pode ser mantida ou não. Não é de uma hora para a outra que a influência é perdida – mas, depois que foi, não há quem a reerga. É este o patrimônio que Veja tem e está, muito lentamente, dilapidando.

Aos poucos, muito aos poucos, começa-se a ouvir o seguinte comentário nas ruas: ‘você viu aquela matéria na Época?’ Não é questão de ser de esquerda ou ser de direita, este é um debate que interessa apenas a meia dúzia de leitores. A questão é aquela curiosidade inicial que leva o jornalista à rua. Ele não tem uma tese para comprovar, tem dúvidas. Está disposto a ser convencido, de apresentar tantos lados de uma história quantos possa haver.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Vão ter que engolir

Comissão da Câmara aprova entrada da Venezuela no Mercosul; oposição vai ter que engolir mais essa derrota

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira por 44 votos favoráveis e 17 contrários o parecer do deputado Paulo Maluf (PP-SP) que pede a adesão da Venezuela ao Mercosul. Agora, a proposta será apreciada pelo plenário da Casa. A informação é da Folha Online.

Os "demos" e os tucanos votaram contra o parecer e sairam derrotados novamente.

O galinho de briga dos "demos", deputado ACM Neto (DEM-BA), neto do falecido capitão mor da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, disse que é contra a entrada do país vizinho no bloco econômico porque "na Venezuela não existe uma democracia plena, mas uma ditadura disfarçada" e justificou sua afirmação dizendo que na Venezuela "não há a garantia da alternância de poder nem liberdade de opinião e crítica". Para o neto do ex-mandatário da Bahia, Hugo Chávez "é um ditador emergente que está dando um golpe disfarçado na Venezuela".

"Quem está aqui falando em democracia foram defensores da ditadura no Brasil", afirmou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) em resposta a ACM Neto.

Como disse Paulo Henrique Amorim em seu "Conversa Afiada", ACM Neto é especialista nesse assunto de se perpetuar no poder.

O falecido ACM, avô do galinho de briga dos "demos", se perpetuou no poder da Bahia durante décadas. A falta de alternância de poder na Bahia, nessa época, não preocupava ACM Neto.

O neto pode alegar que seu avô se perpetuava pelo voto. Hugo Chávez também.

ACM, o avô, após anos de domínio, caiu do poder pelo voto. Hugo Chávez, um dia, sairá do poder da mesma forma - pelo voto.

Recorro novamente ao sarcasmo de Paulo Henrique Amorim para dizer que ACM Neto também é especialista em hipocrisia.

A melhor tirada

"Médico pensa que é Deus - jornalista tem certeza. Nada como fazer um blog para descobrir que não é Deus."

(Ricardo Noblat, jornalista e blogueiro)

Segundo a ONU, 33,2 milhões de pessoas no mundo vivem com o vírus da Aids

A ONU divulgou ontem (20) o relatório de 2007 do Programa para HIV/Aids (Unaids). No documento, a ONU reduziu de 39,5 milhões no ano passado para 33,2 milhões em 2007 a estimativa do número de pessoas vivendo com o vírus no mundo. A informação é da Folha de São Paulo.

De acordo com o relatório, há uma estabilização do número de infectados e ligeira queda nas taxas de novos casos.

Em 2006, a Unaids indicava que havia 5,9 milhões de indianos infectados com o HIV, mas agora os novos estudos afirmam que o número correto para o país no ano passado era de 2,5 milhões de portadores do vírus.

Novos casos

A Unaids estima em 2,5 milhões, de 2006 para 2007, o número de novos casos em todo o mundo -o que significa 6.800 contaminações a cada dia.

O órgão estima ainda que 2,1 milhões de pessoas morreram devido à Aids em 2006.

No Brasil, 620 mil têm Aids

O relatório da Unaids de 2007 sobre o HIV indica que há 620 mil pessoas vivendo com o vírus no Brasil. A taxa está estabilizada desde o final da década de 1990, segundo especialista em HIV ouvido pela Folha.

A estimativa do Ministério da Saúde brasileiro é de há 613 mil infectados. O número nacional está dentro do intervalo calculado pela ONU, que tem mínimo de 370 mil e máximo de 1 milhão de casos.

O número de infectados no Brasil corresponde a um terço de todas as pessoas vivendo com HIV na América Latina. Na região, a maior parte das transmissões de HIV ocorre, diz o texto do relatório, entre grupos com maior risco de exposição, incluindo prostitutas e homens que fazem sexo com outros homens.

O número de novos casos na América Latina em 2007 é estimado em 100 mil, elevando a quantidade total de pessoas vivendo com o vírus para 1,6 milhão.

"Somália é há anos uma emergência esquecida", diz funcionário da ONU

Da Folha de São Paulo, hoje:

"Há um ano, os 35 km de asfalto esburacado entre Afgooye e a capital somali, Mogadício, eram só uma estradinha típica. Hoje são um corredor repleto de miséria, com 200 mil pessoas recém-deslocadas apertadas em campos inchados onde o estoque de comida está no fim. Altos funcionários da ONU disseram que a Somália tem índices mais altos de desnutrição, mais derramamento de sangue e menos funcionários de organizações humanitárias do que Darfur, no Sudão.

Combates urbanos constantes em Mogadício entre um governo de transição impopular -instalado em parte com a ajuda dos EUA- e uma insurgência islâmica determinada têm levado multidões de desesperados à estrada. As pessoas nesses acampamentos passam fome, vivem ao relento, estão doentes e moribundas. E as poucas organizações humanitárias que se dispõem a enfrentar o ambiente perigoso, em que nenhuma lei vigora, não dão conta de atender às necessidades mais básicas das pessoas.

"Muitas dessas crianças vão morrer", diz Eric Laroche, chefe das operações humanitárias da ONU na Somália. "Se isso estivesse acontecendo em Darfur, haveria uma grande repercussão. Mas a Somália é há anos uma emergência esquecida." "A situação na Somália é a pior do continente", afirma Ahmedou Ould Abdallah, o mais alto representante da ONU para o país. Essa situação inclui inundações, secas, gafanhotos, atentados, bombas e assassinatos políticos quase diários.

Funcionários da ONU hoje admitem que o país estava em situação melhor durante o breve reinado do movimento islâmico somali, no ano passado. Ould Abdallah descreveu como "a era de ouro da Somália" aqueles seis meses -o único período de paz vivido pela maioria dos somalis em anos.

Mas quando o movimento islâmico de base emergiu do caos dos clãs e assumiu o controle de boa parte da Somália em meados de 2006, os EUA e a Etiópia, país vizinho e rival, apressaram-se em rotular os islâmicos como ameaça e a acusá-los de abrigar a Al Qaeda. A esmagadora invasão etíope, apoiada pelos EUA, ajudou um governo de transição a chegar a Mogadício em dezembro.

Desde então, esse governo vem lutando contra uma insurgência que soma islâmicos, clãs rivais e aproveitadores. Está claro que alguns dos problemas da Somália não são culpa do governo. Mas a maioria dos diplomatas ocidentais concorda que, se o governo de transição não fizer gestos de aproximação com elementos islâmicos, ele irá fracassar, como os 13 governos de transição que o precederam."

A canoa furada da Folha

CASO CISCO-PT

Saldos de um vazamento desastrado

Por Alberto Dines, no "Observatório da Imprensa":


"Vazamentos costumam molhar muita gente. Tanto os vazamentos hidráulicos como os jornalísticos. Quando no domingo (18/11) a Folha de S.Paulo reproduziu as denúncias sopradas pela Polícia Federal contra empresas ligadas à multinacional Cisco – sem qualquer trabalho prévio de apuração – deveria ter pressentido os graves riscos que corria.

Na terça-feira (20), duas edições depois, a Folha foi obrigada a reproduzir na íntegra, e com chamada na primeira página, duas contestações à sua primeira matéria nada confortáveis.

Nenhuma fonte está acima de suspeitas, a não ser quando o jornal e os jornalistas verificam antes a veracidade das informações que oferece. A Folha confiou cegamente na PF e agora paga uma multa por sua ingenuidade.

Qualquer que seja o desfecho final do caso Cisco, o desastrado vazamento teve uma função didática: mostrou aos jornalistas que não existe jornalismo investigativo sem investigações."

Leia meu comentário sobre essa assunto no post "Fato ou opinião?".

Crônica de um professor desapontado

Em artigo publicado no blog do "Fazendo Média", o historiador, professor e escritor Denilson Botelho narra como começou sua carreira de professor numa escola pública do Rio de Janeiro e, pouco tempo depois, como o sonho de realização profissional se tornou um pesadelo.

"Algumas semanas em sala de aula naquela escola do subúrbio do Rio me fizeram cogitar seriamente de um pedido de exoneração. Aliás, ainda cogito freqüentemente. Se não o fiz até hoje foi por desejo (de ensinar) e necessidade (de trabalhar para sobreviver). Ao perceber que ali – e em cada uma dessas escolas municipais – está montada uma engrenagem cujo objetivo é produzir o fracasso escolar em larga escala, passei a conviver com essa angústia. Afinal, não somos professores em sala de aula, mas sim operadores (ou técnicos do saber, como diria Sartre) de uma cruel engrenagem que produz analfabetos funcionais em massa. Tudo é feito de modo a incutir nos professores um profundo sentimento de impotência diante desse sistema, cuja última e mais eloqüente inovação foi a aprovação automática."

No artigo, ele também comenta "o discurso recorrente que a grande mídia produz a respeito desse quadro desanimador" e se diz "cansado de ler nas páginas dos grandes jornais e revistas do país as mesmas tentativas esfarrapadas de explicar e solucionar o problema". "Sempre acusam o professor e afirmam que aumentar os salários dos docentes não vai resolver nada. Ora, até quando vamos aturar tamanho cinismo?", questiona-se.

De acordo com Denilson, "não há como começar a desmontar essa gigantesca engrenagem que fabrica analfabetos funcionais (...) sem alterar as condições de trabalho dos professores."

Alterar as condições de trabalho significa, na prática, dar ao professor uma remuneração digna e satisfatória: "Com salários suficientes para manter suas famílias e dedicando-se exclusivamente ao ensino em uma só escola, aí sim seria razoável cobrar progressivamente maior qualidade no trabalho desenvolvido em sala de aula. Antes de se criar essas condições mínimas e básicas, não há como esperar mudança expressiva no ensino público no país."

Dá pra entender?

Virou o samba do crioulo doido ou a casa da mãe Joana. Quando estava tudo pronto para votar o processo de cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), vem a oposição e atrasa a votação.

O responsável pelo adiamento da votação foi o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que vai relatar o caso na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Segundo a Folha Online, Virgílio vai encaminhar seu relatório à comissão na próxima quarta-feira, o que permite que o processo chegue ao plenário do Senado somente no início de dezembro.

Ainda segundo a Folha Online, inicialmente, a apresentação do parecer de Virgílio à CCJ estava prevista para esta quinta-feira. A oposição se articula para pedir vista ao texto do relator, o que poderá adiar ainda mais a votação do parecer na comissão.

E eu fico me perguntando aqui com meus botões: o que quer a oposição com esse adiamento? Não era essa mesma oposição que pedia todos os dias, via mídia, a cabeça de Renan Calheiros numa bandeja de prata?

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Essa história rende

Biógrafo de Che Guevara escreve tréplica para repórter da Veja

Jon Lee Anderson, principal biógrafo de Che Guevara, escreveu uma tréplica ao repórter Diogo Schelp, editor de internacional da revista Veja, que, em reposta à primeira mensagem de Anderson, o cahmou de anti-ético e disse que ele não apareceria mais nas páginas da revista.

A polêmica é por causa daquela capa da Veja sobre Che Guevara. A reportagem é assinada por Diogo Schelp, para quem Che não passa de uma farsa de herói. Anderson divulgou um e-mail que mandou para Schelp criticando a matéria da Veja. Schelp respondeu e agora Anderson escreve sua tréplica.

Leia a íntegra da mensagem:

Prezado Diogo Schelp, agradeço pelo sua “gentil” resposta. (Soube que você é de fato uma pessoa muito “gentileza”; você mesmo o disse duas vezes em suas mensagens – claro que isso é uma ironia de Anderson com o inglês preciso do editor de internacional de Veja). Só agora percebo, o mal-entendido entre nós nasceu exclusivamente por conta de meu caráter profundamente falho. Eu jamais deveria ter presumido que você recebera meu e-mail inicial em resposta ao seu ou minha segunda mensagem a respeito de sua reportagem. Muito menos deveria ter considerado que você pudesse ter decidido ignorá-los. É evidente que você tem um sistema de bloqueio de spams muito rigoroso. Uma dica técnica: talvez devesse configurar seu sistema como “moderado” e não “extremo”. Se o fizer, talvez comece a receber seus e-mails sem quaisquer problemas. Lembre-se, Diogo: moderado, não “extremo”. Esta é a chave.

Você me acusa de ser antiético, um “mau jornalista”. Questiona até se posso ser chamado de jornalista. Nossa, você TEM raiva, não tem?

Enquanto tento parar as gargalhadas, me permita dizer que, vindo de você, é elogio. Permita, também, recapitular por um momento a metodologia utilizada por você para distorcer as informações que o público de Veja recebeu:

Você publicou na capa e na reportagem uma grande quantidade de fotografias de Che, aproveitando-se assim da popularidade da imagem de Guevara para vender mais cópias de sua revista. Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção marxista, como sugere seu título: “Che, a farsa do herói”.

Para chegar a uma conclusão assim arrasa-quarteirão, você também entrevistou, pelas minhas contas, sete pessoas. Uma delas era um antigo oponente de Che dos tempos da Bolívia. As outras seis, exilados cubanos anti-castristas, incluindo ex-prisioneiros políticos e veteranos de várias campanhas paramilitares para derrubar Fidel. (Um destes, o professor Jaime Suchlicki, você não informou a seus leitores, é pago pelo governo dos EUA para dirigir o assim chamado Projeto de Transição Cubana.) Percebi também que você prestou particular atenção no testemunho de Felix Rodriguez, ex-agente da CIA responsável pela operação que culminou na execução de Che. O fato de que você o destaca quer dizer que você o considera sua melhor testemunha? Ou terá sido porque ele foi o único que algum repórter realmente entrevistou pessoalmente? Com os outros, parece, Veja só falou por telefone. Mas como são rigorosos os critérios de reportagem de Veja!

Como disse em minha “carta aberta” a você, escrever uma reportagem deste tipo usando este tipo de fonte é o equivalente a escrever um perfil de George W. Bush citando Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez. Em outras palavras, não é algo que deva ser levado a sério. É um exercício curioso, dá para fazer piada, mas NÃO é jornalismo. Dizer a seus leitores, como você diz na abertura da reportagem, que “Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano” passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo. Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos.

Minha questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é “a mais completa biografia” de Che. Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e demonizações, caso de seu texto.

Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo. Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas páginas de uma revista louvável como Veja (não, Anderson, Veja não tem nada de louvável. Talvez você precise lê-la um pouco mais). Seus leitores merecem mais do que isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser “editor de internacional”.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson.

Fonte: Blog do Rovai

Jornalista da Folha dá conselhos para o PSDB voltar ao poder

Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de São Paulo, resolveu escancarar que é PSDB de carteirinha.

Na coluna "Pensata" da Folha Online, ela dá dicas do que os tucanos devem fazer para reconquistar a Presidência do Brasil em 2010.

Apesar de considerar José Serra, atualmente governador de São Paulo, virtualmente eleito em 2010, Eliane avisa: "é bom desconfiar". "Lula tem a máquina, mais de 60% de popularidade, uma economia que venta a favor e, por fim, tudo o que ele diz "cola". A única chance de os tucanos voltarem ao poder é uma união - de fato, não de foto - entre Serra, Aécio e os novos líderes que emergem no partido. Senão, não", sugere ela.

Eliane também diz qual o discurso que os tucanos (assim como ela) devem encampar: "E a únicas bandeiras que a tucanada de fato tem são os governos de São Paulo e de Minas, bem avaliados pelas pesquisas, e o governo Fernando Henrique Cardoso, com a estabilidade da economia e as bases de muitos dos êxitos do sucessor Lula. Ou a campanha encampa esse discurso solidamente, ou não vai para frente. Senão, não."

Imagine se os conselhos de Eliane pegarem e em 2010 tiver uma chapa Serra-Aécio (não necessariamente nessa mesma ordem)... É capaz dela parir um boi de tanta felicidade.

Leituras de Lygia

"A beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da tarde, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambiguidade."

(Ricardo, personagem do conto "Venha ver o pôr-do-sol" de Lygia Fagundes Telles)

ABC na fita

Falei no jogo do ABC no post abaixo e depois vi essa notícia no site d'O Mais Querido:

Quinta tem ABC no Globo Esporte nacional

Quinta-feira, dia do jogaço entre ABC x Bahia na Fonte Nova, o Globo Esporte nacional vai exibir uma reportagem especial sobre os finalistas da Série C.

A gravação dessa matéria acontecerá amanhã, quarta-feira, feriado municipal em Natal, às 13h, no estádio Frasqueirão.Vamos mostrar a força da Frasqueira!

A reunião já serve de prévia para o clássico-rei que acontecerá à noite, válido pela Copa RN, no estádio municipal João Machado.

Pegando no tranco

Meus caros, ontem o dia foi corrido e não tive tempo de postar nada aqui no blog. Trabalhei até às 2h30 da manhã de hoje.

Tirei a tarde pra descansar e somente agora tô voltando à órbita da Terra.

Só que tô igual a baiano... com uma preguiiiça...

Ops... não é bom nem falar em baiano... vai que atraia coisa ruim... amanhã tem Bahia x ABC na Fonte Nova.

Abraços a todos.

domingo, 18 de novembro de 2007

Delegado é censurado no Programa do Jô

Do Fazendo Média:

"O Programa do Jô, da TV Globo, cortou parte da entrevista concedida pelo delegado de Polícia Civil do RJ Orlando Zaccone. Gravada nesta segunda-feira (12) e exibida ontem [quinta-feira 15], a entrevista do policial sofreu um corte no momento em que ele comentou o filme Tropa de Elite. O trecho simplesmente não foi ao ar. Segundo Zaccone, Jô Soares ficou irritado com o seguinte comentário: "Essa classe média que está batendo palma para o filme não agüenta um tapa de polícia na rua". O apresentador teria respondido algo como "Não concordo. Isso é sua opinião". Zaccone ainda foi polido. Em vez de responder o óbvio, que havia sido convidado justamente para emitir sua opinião, ainda tentou contemporizar, explicando que as palmas a que se referia eram para as cenas de tortura e execuções sumárias.


Quem assistiu à entrevista pôde notar que Zaccone levou Jô na flauta. Ao contrário da maioria dos programas, em que o apresentador costuma aparecer mais que o convidado, o delegado conseguiu oferecer uma boa exposição sobre o conteúdo de seu livro recém-lançado (Acionistas do nada - quem são os traficantes de drogas). Abordou com bastante propriedade a teoria da seletividade da pena e mostrou, através de experiência própria, que a esmagadora maioria dos presos por tráfico não são violentos. Além disso, ainda achou espaço para criticar a mídia: "Recentemente um jornal do Rio de Janeiro publicou uma foto de uma mulher armada, de shortinho e piercing no umbigo. Só que esse estereótipo não condiz com a realidade". Jô ficou meio atordado e o interrompeu: "Mudando de assunto, já que os convidados vêm aqui para falar de sua vida, me fala sobre quando você era Hare Krishna". Zaccone falou alguns segundos e logo deu um jeito de voltar a criticar a criminalização da pobreza. O sujeito estava impossível. Como diz o Yuka [Marcelo Yuka, ex-integrante do grupo O Rapa], o cara consegue, fácil, vender picolé no inverno russo. Além do livro, Zaccone levou um exemplar do jornal "Sol quadrado - também brilha!", editado por mim [Marcelo Salles, do Fazendo Média]. A capa, diagramada com perfeição por Évlen Bispo, foi exposta em close durante generosos segundos. No final do programa até o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindeberg Farias, telefonou para parabenizar o delegado. Que, apesar da censura, tirou o gordo pra dançar."

Comentário

Vi a entrevista e concordo que o delegado se saiu muito bem. Jô, só pra variar, estava perdido. Ele fica nervosinho quando o entrevistado, mesmo elegantemente, o contraria e não se derrete em elogios.

Hahahahahahaha

Zelda o quê?

Desculpem a onomatopéia do título, mas é que quase morri de rir quando vi o vídeo abaixo. O engomadinho William Wack, apresentador do Jornal da Globo, se "confunde" e chama a repórter Zelda Melo de "Zelda Merda". Hahahahahahahaha...

O que será que Willian tinha na cabeça, hein?

Eu acho, testando hipóteses, que o rapaz tinha dado um tapa na pantera, mas o baseado tava estragado. Hahahahahahahaha...

Fato ou opinião?

A separação entre fato e opinião é uma das premissas básicas do jornalismo. Nos últimos tempos, porém, essa separação deixou de existir na prática. A grande mídia, que desde a eleição do presidente Lula vem atuando sistematicamente como um partido de oposição, derrubou o muro que separava fato e opinião.

A manchete de hoje do portal UOL é um bom exemplo disso: "Cisco usou 'laranjas' para doar R$ 500 mil ao PT".

A manchete da capa da Folha de São Paulo atribui a informação à Polícia Federal: "Cisco usou 'laranjas' para doar R$ 500 mil ao PT, afirma PF".

O verbo "usou", nos dois casos, é empregado como opinião. No primeiro caso, o portal não disfarça a opinião. A Folha ainda tenta suavizar, recorrendo à expressão "afirma PF", mas a opinião vem antes do registro da fonte e mostra o que tem mais importância para o jornal.

A Folha poderia ter dado a manchete de outra maneira: "PF afirma que Cisco usou 'laranjas' para doar R$ 500 mil ao PT". Ao inverter a ordem, o jornal deixou claro sua opção editorial pela opinião em detrimento da notícia.

Na matéria, a Folha diz que o PT recebeu R$ 500 mil em doações das empresas ABC Industrial e a Nacional Distribuidora de Eletrônicos Ltda. Essas empresas, segundo o jornal, seriam “laranjas” da Cisco, multinacional investigada no Brasil por suspeita de ter fraudado a Receita Federal em R$ 1 bilhão.

A conclusão da PF, segundo a Folha, testando hipóteses, é que em troca das doações, o PT teria atuado para que uma empresa ligada à Cisco fosse favorecida em um pregão da Caixa Econômica Federal.

A fonte das acusações não é revelada. O jornal limita-se a dizer que são dois executivos da Cisco.

O jornal parte da premissa, antes do fim da investigação da PF, que a Cisco realmente usou empresas laranjas para doar dinheiro ao PT e que o partido favoreceu mesmo a Cisco na CEF. A defesa do PT é publicada apenas como mera formalidade jornalística - mesmo assim, em espaço muito menor que o dedicado à acusação.

Como diz a filósofa e professora da USP Marilena Chauí, acusações são publicadas em machetes garrafais e depois são desmentidas em cantos de página.

sábado, 17 de novembro de 2007

Que se cumpra a profecia

Hoje não estou nem aí para nenhum assunto sério.

Estava ouvindo "Belo e estranho dia" do novo cd da Roberta Sá. A letra é meio profética.

Notícias perderão todo controle dos fatos
Celebridades cairão no anonimato
Palavras deformadas
Fotos desfocadas
Vão atravessar o Atlântico
Jornais sairão em branco
E as telas planas de plasma vão se dissolver
O argumento ficou sem assunto

Vai ter mais tempo pra gente ficar junto
Vai ter mais tempo pra enlouquecer com você

Os políticos amanhecerão sem voz
O outdoor com as letras trocadas
Dentro do Banco Central
O pessoal vai esquecer como é que assina a própria assinatura
E os taxistas já não sabem que rua pegar
Que belo e estranho dia pra se ter alegria
E eu respondo e pergunto

É só tempo pra gente ficar junto
É só o tempo de eu enlouquecer com você

Alarmes já pararam de apitar
O telefone celular descarregou
O aeroporto tá sem teto
E a moça da TV prevê silêncios e nuvens
A firma que eu trabalho faliu
E o governo decretou feriado amanhã no Brasil
Será que é pedir muito

É só um jeito da gente ficar junto
É só um jeito de eu enlouquecer com você

Melhor que ler a letra é ouvir nossa Roberta Sá cantar. Aí pra vocês o vídeo dela cantando "Belo e estranho dia", no show no Teatro Rival, Rio de Janeiro.

Leituras de Saramago

"Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás do seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas e seres, tornando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis."

(Ensaio Sobre a Cegueira, pág. 15-16)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

É o fim da picada

Oposição golpista não perde uma chance de alfinetar o presidente Lula

Nos tempos de presidência do príncipe dos sociólogos, Fernando Henrique Cardoso, ministro das Relações Exteriores do Brasil tinha que tirar o sapato para entrar na White House (Alô, alô, marciano...). Bill Clinton (aquele que pegou a secretária e também confessou ter dado "um tapa na pantera") era adorado pelas bandas de cá, o líder máximo do mundo, bajulado pela direita e entronizado pela mídia conservadora.

Bush Jr. é a antítese de Clinton. Depois das invasões ao Afeganistão e ao Iraque, o atual presidente americano passou a personificar o próprio mal. Ficou difícil até para os bajuladores da direira brasileira e para a mídia conservadora falarem bem do cara. Então, essa turma estava meio órfã, sem um ícone, sem alguém que encarnasse a figura do grande líder estrangeiro a ser imitado na província. Eu disse estava. Pois agora a patuléia da direita achou alguém para bajular.

Trata-se do rei Juan Carlos da Espanha. O site "Vermelho" informa que a oposição prepara um ato de bajulação ao rei, visando atingir o presidente Lula. Vocês já estão informados do quiprocó envolvendo sua majestade e o presidente Hugo Chávez da Venezuela. Também devem estar informados da defesa que o presidente Lula fez da democracia na Venezuela. Por causa disso, a oposição pretende fazer um ato de desagravo ao rei da Espanha e, ao mesmo tempo, de repúdio às palvras de Lula sobre Chávez e a Venezuela.

A manifestação, informa o "Vermelho", deve ser feita na sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado na próxima semana. O líder da trama é o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da Comissão. Segundo ele, ''o presidente Lula precipitou-se a entrar nessa disputa real''. ''O silêncio do Brasil nesse caso seria melhor''.

Heráclito é aquele senador bochechudo que também é contra as ONG's. Ele pretende colocar em votação uma moção de aplauso, apresentada por outro direitista, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), à atitude do rei espanhol na sessão da Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile, que mandou Chávez se calar quando o venezuelano chamava o ex-premiê da Espanha José Maria Aznar de fascista.

Para o pessoal do "demo" (eles não gostam de ser chamados assim), Chávez é a encarnação do próprio demo (perdoem o trocadilho infame). Mas não deixa de ser curioso que os senadores da oposição queiram homenagear um rei contra um presidente. Ficaram do lado da monarquia contra o presidencialismo.

Mais curioso ainda é que esse rei que a oposição golpista quer homenagear é dono de um passado nada memorável. Depois do episódio em Santiago, a história da chegada do rei Juan Carlos ao trono espanhol passou a circular por diversos blogs. Segundo o "Vermelho", Juanito, como gosta de ser chamado sua majestade, foi conduzido ao trono espanhol pelo ditador Franco, com apoio das hostes fascitas que golpearam a democraia espanhola.

"Demos" e tucanos querem homenagear o rei fascista para fazer pirraça contra Lula e demonizar Chávez. E eles ainda se dizem guardiões da democracia.

"Jornal da Globo" esquece o presidente Lula

O "Jornal da Globo" desta sexta-feira (16) deu o resultado de uma pesquisa da ONG Latinobarômetro sobre a confiança dos latino-americanos na democracia. O jornal destacou que a maioria dos moradores da região acredita que a democracia é o melhor regime político e, conseqüentemente, rejeita regimes ditatoriais.

O que o JG não deu foi outro dado da mesma pesquisa, que apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o líder político com melhor imagem na América Latina, há dois anos consecutivos. A pesquisa foi feita com 20 mil pessoas em 18 países, à exceção de Cuba, em setembro e outubro deste ano.

Hugo Chávez, da Venezuela, George W. Bush, dos Estados Unidos, e Fidel Castro, de Cuba, apareceram nos últimos lugares neste ranking. Numa avaliação de zero a dez, Lula recebeu a nota 5,7. As informações são do UOL.

Tava demorando

Perguntaram ao presidente Lula o que ele tinha a dizer sobre o bate-boca entre o rei Juan Carlos da Espanha e o presidente Hugo Chávez da Venezuela, ocorrido na semana passada, na reunião da Cúpula Ibero-Americana, em Santiago, no Chile.

Lula, acertadamente, não tomou partido entre os dois e afirmou que divergências entre chefes de Estados são "parte de um encontro democrático".

O presidente brasileiro, em seguida, contestou aqueles que afirmam que não há democracia na Venezuela.

"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é. O que eu sei é que a Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para onde, já teve quatro plebiscitos", afirmou Lula.

Para Lula, o que não falta no país vizinho é democracia. "O que não falta é discussão. Eu acho democracia é assim. A gente submete aquilo que a gente acredita ao povo e o povo decide. A gente acata o resultado", disse. As informações são da Folha Online.

O que o presidente Lula falou é a constatação do óbvio, mas que a mídia conservadora, contaminada pelo ranço anti-Chávez, não admite.

A definição clássica diz que a democracia é o regime do povo, pelo povo e para o povo. Na Venezuela, essa definição é levada a cabo e o povo participa efetivamente das decisões mais importantes sobre o futuro do país através de plebiscitos e referendos. O mesmo não acontece no Brasil. Pode-se criticar a personalidade de Hugo Chávez e sua falta de habilidade diplomática. Mas não se pode acusá-lo de ditador.

Mas bastou que o presidente Lula falasse o óbvio para a mídia golpista começar a testar hipóteses, segundo a definição de jornalismo proposta por Ali Kamel, todo poderoso do jornalismo global.

A colunista Barbara Gancia, na edição de hoje da Folha de São Paulo, manda o presidente Lula se calar e pergunta (testando hipóteses): "Com suas afirmações, Lula não estará nos dizendo que sua concepção de democracia é a mesma de Chávez?"

Clóvis Rossi, também na Folha de hoje, retorna ao fetiche da re-reeleição e diz que a defesa de Chávez feita por Lula pode significar, testando hipóteses, que o nosso presidente deseja se perpetuar no poder.

"Todas as declarações que Lula fez anteontem a propósito dos esforços de seu amigo Hugo Chávez para perpetuar-se no poder servem, à perfeição, para o próprio Lula", diz Rossi.

O colunista diz ainda que Lula, a qualquer momento, testando hipóteses, pode se deixar seduzir pelo canto da sereia e querer mudar a regra do jogo para ser novamente candidato a presidente.

"Ao contrário do que diz Lula, o problema não é "a continuidade". É, entre tantos outros, mudar a regra do jogo depois de ter jurado defendê-la. Mas, como se viu desde que renegou todas as "bravatas" de oposicionista, desdizer o que disse não é problema para Lula."

Aí eu fiquei pensando aqui com meus botões: quem, quando eleito presidente, mudou de verdade as regras do jogo, com a bola ainda rolando, em benefício próprio?

Essa turma da mídia conservadora tem mesmo memória curta.

Menos pobres e indigentes na América Latina

Pobreza e indigência diminuem no continente, mas desigualdade persiste

A pobreza na América Latina atingiu o menor número em 17 anos. O dado consta num estudo divulgado pela Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), em Santiago, no Chile. Apesar disso, a concentração de renda ainda persiste e mantém a desigualdade social em níveis elevados. As informações são da BBC Brasil e Uol Economia.

O estudo da Cepal afirma que "coesão social" no continente é ameaçada pela existência de "múltiplas brechas sociais que separam os grupos mais vulneráveis dos que têm melhores condições de vida". Em outras palavras, a contumaz desigualdade social no continente faz da América Latina uma região profundamente dividida entre os que têm tudo e os que não têm nada.

O "Panorama Social da América Latina 2007" mostra que a região tinha 194 milhões de pobres e 71 milhões de indigentes em 2006. No ano passado, segundo o estudo, 15 milhões de pessoas (equivalente à população do Chile) saíram da pobreza e dez milhões deixaram de ser indigentes na América Latina.

No estudo, a Cepal também destaca a redução da pobreza no Brasil e afirma que os "programas públicos, especialmente o Bolsa Família, tiveram influência decisiva nesse desempenho". No país, entre 2001 e 2006, seis milhões de pessoas deixaram de ser indigentes.

"Se se compara 2006 com 1990, existem 20 milhões de indigentes a menos na região", afirma o documento da Cepal.

O estudo da Cepal destaca ainda que a presença das crianças, do ensino primário, nas escolas "é quase universal" (97%) na região. Também aumentou, nos últimos anos, a freqüência escolar entre jovens. "A maior presença na escola beneficiou, principalmente, os filhos dos pais com pouco estudo", destaca.

Deus é brasileiro?

Revista "The Economist", depois da descoberta de novas reservas de petróleo, diz que "Deus pode mesmo ser brasileiro"

Reportagem publicada na edição desta semana na revista britânica "The Economist" comenta a descoberta do campo de petróleo de Tupi, na costa do Brasil, num país já farto em recursos naturais, afirmando, com ironia, que "Deus pode mesmo ser brasileiro, afinal".

"As florestas do Brasil são maiores do que as de qualquer outro. Seu solo é tão fértil que algumas árvores chegam à plena maturidade mais rápido do que as pessoas. Debaixo de seu solo há enormes depósitos minerais que são a matéria prima para o crescimento chinês de dois dígitos. O Brasil já está no caminho para se tornar uma superpotência da energia alternativa", diz a revista.

"É como se provasse o dito popular de que 'Deus é brasileiro', agora parece que há bilhões de barris de petróleo a mais do que se pensava antes sob as águas profundas da costa brasileira", diz a reportagem. As informações são da BBC Brasil e UOL Economia.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Manual midiático prático de como burlar a lei

Multinacionais burlam legislação para entrar no setor de TV paga

O Observatório do Direito à Comunicação denuncia a ocorrência de uma prática proibida por lei: empresas multinacionais assumiram o controle de redes de TV a cabo no Brasil. O pior é que a irregularidade acontece com a aprovação do órgão que deveria zelar pelo cumprimento da lei. O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em julho desse ano, aprovou a compra da TVA do Grupo Abril pela Telefonica de España.

Desatando o nó

A operação é um pouco complicada, mas vamos tentar entender. De acordo com o Observatório da Comunicação, A Telesp, que pertence à Telefonica, através de sua subsidiária Navytree, após a operação de compra, passa a deter 100% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das ações preferenciais das operações em microondas (MMDS) da TVA (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba). Até aí tudo bem, porque não há proibição legal em relação a uma operadora de telecomunicações ser dona de uma empresa de TV paga em microondas.

O problema é que a Telesp, através da mesma Navytree, também passa a ter 49% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das ações preferenciais da TVA Sul, que opera TV a cabo nas cidades de Curitiba, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Camboriú. A Lei da TV a Cabo (8977/95) proibe que o capital estrangeiro assuma o controle acionário de uma operadora de TV a cabo. Por isso, oficialmente, a Telesp controla 49% das ações ordinárias da TVA, ficando no limite legal. Mas, na prática, a coisa é bem diferente. Os demais 51% das ações ordinárias da TVA Sul pertencem à empresa Datalistas. O controle acionário da Datalistas, por sua vez, pertence ao Grupo Abril da família Civita. A Navytree (subsidiária da Telesp, pertencente à Telefonica) possui 100% das ações preferencias da Datalistas. Isso significa que, oficialmente, o controle da TVA Sul pertence ao Grupo Abril, através da Datalistas, mas, na realidade, a Telefonica de España assume o controle e a operação das TV's a cabo em quatro cidades brasileiras.

A propriedade estrangeira de operadoras de TV a cabo no Brasil é proibida pela Lei 9877/95.

Outro caso

O Observatório da Comunicação denuncia ainda outras operações que burlam a Lei da TV a cabo. cabo. Em março de 2006, o Conselho Diretor da Anatel também autorizou a compra da operadora de TV a cabo NET Serviços pela Telmex-Embratel, que pertence ao grupo mexicano Telmex. A NET opera em 44 cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Belo Horizonte e Brasília.

As ações da NET serviços estão distribuidas da seguinte maneira:

  • Embratel: 1,86% das ações ordinárias e 8,62% da ações preferenciais;
  • Embratel Participações: 36,15% das ações ordinárias e 6,59% das ações preferenciais;
  • Globo: 1,68% das ações ordinárias;
  • Distel (subsidiária integral da Globo): 8,66% das ações ordinárias;
  • Antigos donos da Vivax (comprada pela NET Serviços): 0,64% das ações ordinárias;
  • GB Empreendimentos e Participações: controla os 51% das ações ordinárias restantes.

Ocorre que a Telmex (dona da Embratel) possui 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais da GB, enquanto a Globo detém 51% das ações ordinárias e nenhuma ação preferencial da GB. Em tese, o controle da NET Serviços pertence à Globo, uma vez que 51% das ações ordinárias da NET Serviços pertencem a GB e 51% das ações ordinárias da GB pertencem à Globo. Na prática, contudo, a maior parte do capital da NET Serviços está em mãos do bilionário mexicano Carlos Slim Helu, dono da Telmex e da Embratel.

E não pára por aí

A denúncia do Observatório da Comunicação vai mais além. A Telefonica de España também comprou a Comercial Cabo, empresa da família Civita que distribui a TVA em São Paulo. Nesse caso, além do limite ao capital estrangeiro, imposto pela Lei da TV a Cabo, os novos contratos de concessão das operadoras de telefonia fixa, em sua cláusula 14.1, vedam que uma operadora tenha, na mesma cidade, outorgas para telefonia fixa e TV a cabo. Como todos sabem, a Telefonica, dona da Telesp, opera em São Paulo e, sendo assim, não poderia participar do controle da Comercial Cabo.

Dessa forma, a Telesp-Telefonica não poderia ter mais de 19,9% das ações da Comercial Cabo, porque isso significaria sua entrada no bloco de controle da empresa. A Telefonica usou, então, o mesmo expediente empregado por ela na TVA Sul e pela Telmex na NET Serviços.


A Navytree tornou-se dona de 19,9% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das ações ordinárias da Comercial Cabo. O restante das ações pertence a uma empresa de nome Lemontree. A família Civita, dona do Grupo Abril, possui 100% das ações ordinárias (com direito a voto) da Lemontree. Enquanto a Navytree (da Telesp) ficou com 100% das ações preferencias da Lemontree. Na prática, isso significa que a Telesp possui 86,7% do capital total da Comercial Cabo, contrariando de uma só vez a Lei da TV a Cabo e os contratos de concessão da telefonia fixa.

O Acordo de Acionistas


A grande diferença entre a operação de compra da NET Serviços pela Telmex e da TVA pela Telefonica é o fato de que os espanhóis resolveram ter a garantia contratual de que assumirão realmente o controle da TVA.


Segundo o acordo de acionistas, firmado entre os Civita e a Telefonica, a operadora espanhola cuidará da gerência e operação da infra-estrutura de comunicação da TVA Sul e da Comercial Cabo. E, no futuro, caso a legislação venha a permitir que a Telefonica compre a totalidade da TVA, os Civita declaram uma opção “irrevogável e irretratável” de venda de suas ações para a empresa espanhola.


Mas, de acordo com a Regulamento para Apuração de Controle e de Transferência de Controle em Empresas Prestadoras de Serviços de Telecomunicações (a chamada Resolução 101, da Anatel), aprovado em 04 de fevereiro de 1999, tanto o “uso comum de recursos materiais, tecnológicos ou humanos” quanto a “existência de instrumento jurídico tendo por objeto a transferência de ações entre as prestadoras” caracterizam uma forma de “controle vedado por disposição legal”. Portanto, segundo resolução da própria Anatel, o contrato de acionistas firmado entre os Civita e a Telefonica fere tanto a Lei da TV a Cabo quanto os contratos de renovação das concessões de telefonia fixa, porque transferem de fato o poder da Comercial Cabo e da TVA Sul para a Telefonica.

Foi assim que, de jeitinho em jeitinho, Telmex e Telefonica assumiram o controle da maior e da terceira maior empresas de TV paga do Brasil.

Cegueira

Comecei a ler "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago. Ainda estou nas primeiras páginas, mas já fui impactado pelo pouco que li.

O livro começa narrando a história de um motorista que, parado num sinal de trânsito, de repente descobre-se cego. Depois, essa cegueira súbita começa a se espalhar pela cidade até alcançar uma multidão de cegos.

Esse novo estado levará as pessoas a aprender a viver de novo. "Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são". Livres da ditadura e da opressão das aparências, as pessoas vão experimentar outras emoções, que as farão redescobrir suas qualidades e seus temores.

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos", diz uma das personagens de Saramago.

Peço licença agora a vocês. Saramago me chama.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Para a ONU, há "tortura sistemática" nas cadeias brasileiras

A ONU produziu um relatório confidencial no qual aponta a prática de "tortura sistemática" nas cadeias. O mesmo relatório culpa as autoridades por não darem resposta eficaz ao problema.

Em 2005, uma delegação de peritos fez uma visita secreta a prisões e delegacias em São Paulo, Rio, Bahia, Brasília e Belém. De acordo com os relatos da delegação, os presos vivem em situações “desumanas” e as autoridades nada fazem para resolver a situação. Nas entrelinhas, o relatório sugere que o poder público é conivente com atos de tortura, ainda que leis existam para impedir a prática.

O governo tergiversa, afirmando que a ocorrência de tortura não é uma “política” no país. Admite, porém, que a situação nas prisões "não é positiva". Política ou não, o fato é que a tortura é praticada nos estabelecimentos de detenção do Brasil. As informações são do jornal "O Estado de São Paulo" e do portal "G1".

Estados e municípios inflacionaram número de alunos para ganhar mais recursos do Fundeb

Número de matrículas é 2,8 milhões menor

Resultados preliminares do censo escolar de 2007 - feito pela primeira vez totalmente via digital - divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), apontam para uma queda de 2,8 milhões no total de matrículas do sistema público de ensino básico e confirmam que, por muito tempo, Estados e municípios incharam o número de alunos declarados ao governo federal.

Os dados são inflacionados porque o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) redistribui recursos de acordo com o número de matrículas. Os municípios recebem dinheiro para merenda e transporte escolar, livros didáticos e outros programas de acordo com o número de estudantes.

Este é o primeiro ano em que o MEC coloca em prática oficialmente o Educacenso, um sistema online de preenchimento. Nos anos anteriores, a escola passava uma planilha com números gerais à secretaria de educação do ministério, que então alimentava o banco de dados. O sistema atual prevê que cada escola preencha, pela internet, uma planilha em que constam nome, série, data de nascimento, nome dos pais, endereço e número de documento do aluno matriculado.

Fonte: O Estado de São Paulo

Aumento no emprego industrial foi o maior desde maio de 2004, diz IBGE

O nível de emprego na indústria nacional expandiu-se 1% na passagem de agosto para setembro, em termos dessazonalizados. Foi a terceira taxa positiva consecutiva e a mais expressiva desde maio de 2004 (1,1%). Os dados constam da Pesquisa Industrial Mensal de Empregos e Salários divulgada há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Relativamente a setembro de 2006, o nível de emprego industrial também verificou elevação, de 2,8%. As contratações superaram as demissões em 11 das 14 áreas e em 12 dos 18 setores analisados. Por região, os melhores resultados couberam a São Paulo (alta de 4,4%), Paraná (4,8%) e Minas Gerais (2,7%).

Por ramo de atuação, os setores que se sobressaíram foram alimentos e bebidas, que ampliaram o contingente de trabalhadores em 4,2%, meios de transporte, onde houve acréscimo de 10,5% nas contratações, e máquinas e equipamentos, com elevação de 9,6%. Em sentido inverso, calçados e artigos de couro bem como madeira enxugaram seu quadro de pessoal em 9,3% e 6%, na ordem.

No terceiro trimestre, o emprego industrial ampliou-se em 2,3% frente aos três meses equivalentes do ano passado e marcou, assim, a maior taxa desde o primeiro trimestre de 2005, de 2,8%.

Nos primeiros nove meses de 2007, o nível de emprego na indústria nacional subiu 1,7% perante o mesmo intervalo de 2006. O resultado ficou próximo daquele observado no encerramento do ano de 2004 (1,8%), indicou o IBGE. Houve crescimento do quadro de empregados em 13 das 14 áreas pesquisadas e em 13 ramos.

Fonte: Valor Online

Jornais não se entendem sobre Wallyson

A Tribuna do Norte e o Diário de Natal saíram com versões diferentes sobre a escalação ou não do atacante Wallyson do ABC para o jogo decisivo de hoje à noite contra o Crac-GO, no Frasqueirão.

A Tribuna deu na capa: "Tratamento surte efeito e Wallyson joga hoje". O jornal diz que "Wallyson, mesmo sem estar 100% fisicamente, vai para o jogo".

Já o Diário deu esta manchete: "Wallyson ainda é dúvida para jogo decisivo". Segundo o jornal, a decisão sobre a escalação de wallyson só sai horas antes do jogo, que começa às 20h30.

Eu fico com a versão da Tribuna, porque se Wallyson não jogar, o ABC vai ficar em maus lençóis. Mas aí tô falando como torcedor, né...

Esse pessoal do Diário só pode ser tudo americano e estão todos torcendo contra... hehehe

Governo do Estado e Prefeitura de Natal bancam festa de colunista social

A colunista social Hilneth Correia, que nas horas vagas também é diretora do Teatro Alberto Maranhão, está comemorando (isso mesmo, comemorando!) 40 anos de colunismo social (uau!) e, para marcar a data, reúne a patotinha hoje à noite numa grande festa num hotel da Via Costeira. A festa vai ser animada pelo som d'As Frenéticas. Hilneth batizou a festa de "Celebration" (tinha que ser em inglês, né... é mais chique, uai!).



Aposto um big big que você não sabe quem está bancando a "Celebration" da colunista social. É meu caro leitor, você pode não saber, mas a festinha da patotinha de Hilneth Correia está sendo bancada pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Natal. Traduzindo: Hilneth faz "Celebration" com dinheiro público, dinheiro dos nossos impostos.

Patrocinados pelo nosso dinheiro, os convidados de Hilneth, um bando de roberts doidos pra aparecer, vão se fartar com muito champagne e caviar, enquanto a gente fica em casa fazendo as contas das dívidas que ainda tem pra pagar.

O Governo do Estado e a Prefeitura de Natal deveriam justificar o motivo de colocar dinheiro público numa festa particular. Hineth, ao longo desses 40 anos de colunismo social, deve ter prestado uma enorme contribuição à cultura do RN e de Natal para receber esse mimo da governadora Wilma de Faria e do prefeito Carlos Eduardo. Só não sei que contribuição foi essa...

Biógrafo de Che Guevera responde repórter da Veja

Isso é o que eu chamo de um verdadeiro tapa com luva de pelica. A notícia é do Blog de Luís Nassif.

O repórter Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, foi procurado há umas semanas pelo também repórter Diogo Schelp, da Veja. O objetivo era uma entrevista curta para a composição da reportagem que saiu na revista a respeito dos 40 anos da morte de Guevara. É um entrevistado natural – afinal, Che Guevara, uma biografia, é a principal referência ao tema.

A própria revista, na reportagem que Anderson critica, descreve seu livro como ‘a mais completa biografia de Che’. Mas a cobertura daquele aniversário de morte já foi assunto deste Weblog.

Anderson respondeu a Diogo mas acabou não sendo procurado. Na semana passada, o veterano repórter de guerra da New Yorker teve acesso e leu a reportagem. Foi sua a decisão de tornar pública esta resposta a Schelp, que começou a circular por email entre os jornalistas brasileiros.
A original é em inglês, esta que segue é uma tradução:

Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.

Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.

No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson.

E ainda tem gente, inclusive colegas jornalistas, que acham que a Veja é a melhor revista do Brasil. É triste ver que muitos companheiros de profissão aprovam o jornalismo de baixo nível que a Veja faz.

Lembro que em 2003, no I Fórum Social Brasileiro, em Belo Horizonte - MG, assisti um debate sobre rádios comunitárias e um dos debatedores (não recordo o nome) perguntou à platéia, formada majoritariamente por estudantes de jornalismo, se eles já haviam decidido por quanto iriam se vender quando se fossem jornalistas de verdade.

A pergunta, carrega de ironia nada sutil, reflete a imagem que a sociedade tem da classe dos jornalistas - mercenários dispostos a vender a ética e a consciência ao primeiro que oferecer o lance mais alto.

E o que é que nós estamos fazendo pra mudar essa imagem? Tenho medo da resposta.

O Formidável Surgimento de Minha Última Quimera

Às vezes eu penso
Que o meu chão é um quebra-cabeças
Que todo dia cai uma peça
Até que tudo desapareça
Até o último suspiro.

Às vezes eu penso em Deus
Às vezes na criação
Às vezes penso na morte
Outras vezes na sorte
E na minha última geração.

Às vezes eu penso na solidão,
Esta cobra venenosa.
Às vezes penso nas pessoas poderosas
E no poder de decisão
Entre a morte e a vida
Às vezes aquela mesma cobra
É minha querida...

Minha salvação!

(FeLL)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

And the oscar go to...

Hoje à noite foram divulgados os vencedores do 3º CURTACOM. Na primeira categoria, ficção, o vencedor foi "O primeiro dia de trabalho". Esse curta é uma produção dos alunos da Universidade Federal de São Carlos, São Paulo. Foi um dos mais aplaudidos na primeira noite do evento.

Na categoria documentário, venceu "Vozes e Romances", produção dos alunos de jornalismo da UnP sobre a vida e a obra de Dona Militana, importante figura do folclore potiguar. Particularmente, achei "Quando você percebe", sobre manipulação nos meios de comunicação, mais interessante. Mas vá entender cabeça de jurado...

"3,2,1" foi o vencedor da categoria experimental. O vídeo foi feito com a câmera de um celular e mostra um encontro de amigos na praia. O detalhe é que a história é contada de trás pra frente.

E na última categoria, vídeo clip, outro vacilo dos jurados. Venceu "Olhos Nervosos" dos Bugs. Eu não gostei. Disseram que foi pela fotografia, os movimentos de câmera e tal... Achei o clip repetitivo, escuro, o som tava ruim, a gente simplesmente não entendia o que a banda tava cantando.

Eu sai antes do final da premiação e não sei ainda qual produção venceu pelo júri popular. Aposto minhas fichas em "Resgate Explosivo". Depois eu confiro e coloco aqui. Por enquanto é tudo.

Atualizando

Errei na minha aposta. O ganhador de melhor vídeo pelo júri popular foi "Causo de Matuto".

Quando você percebe

A abertura do 3º Festival Universitário de Curtas (CURTACOM), ontem à noite (12), no auditório da Fiern, chamou a atenção pela criatividade e qualidade dos vídeos produzidos pelos universitários. Muitas produções se destacaram e a platéia, à cada exibição de um novo curta, reagia com aplausos efusivos.

Ficou difícil votar na melhor produção da noite. Foram 18 curtas, divididos em quatro categorias: ficção, documentário, experimental e vídeo clip. Os gêneros foram do drama à comédia, passando até pelo pornô trash. Pela reação da platéia, "Causo de Matuto", "Resgate Explosivo" e "O primeiro dia de trabalho" são os candidatos mais fortes à eleição do melhor curta pelo voto do público.

Eu gostei muito do documentário "Quando você percebe", que tratava sobre a manipulação midiática dos meios de comunicação de massa. A produção realizou entrevistas com pessoas no centro da cidade. Os entrevistados responderam se acreditavam ou não em tudo que viam na televisão, opinaram sobre a credibilidade das emissoras e dos jornalistas e disseram se eram ou não influenciadas pela televisão. No final, a edição revelou uma surpresa que causou impacto no público e mostrou que, mesmo atentos, estamos sujeitos à manipulação. Fica o alerta.

O blog tá bombando

Galerinha, quero agradecer a todos os caros e não mais tão raros leitores deste humilde blog. Faz um tempo que a média diária de acessos tem sido de umas 50 pessoas. Hoje, o blog bombou com mais de 100 acessos. É muita coisa pra um blog que não tem divulgação nenhuma e pra um jornalista desconhecido em início de carreira.

Obrigado de coração e continuem acessando e divulgando esse espaço.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Adolescência

Comissão da Câmara vota proposta de plebiscito para reduzir maioridade penal

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (13), entre outras propostas, projeto que prevê realização de plebiscito para definir a maioridade penal. A informação é da Agência Câmara.

O autor do projeto é o deputado Carlos Mannato (PDT-ES). Caso o plebiscito seja aprovado, os eleitores vão decidir se a maioridade penal permanece em 18 anos ou se deve ser reduzida para 14, 15 ou 16 anos. Uma vez aprovado na Comissão de Segurança, o projeto passará pela Comissão de Seguridade Social e Família, depois pela Comissão de Constitucionalidade e Justiça, para então ser votado no plenário da Câmara.

É só acontecer algum caso de violência envolvendo adolescentes que o discurso da redução da maioridade penal é imediatamente apontado como uma solução. Foi assim no episódio da morte do menino João Hélio. A mídia conservadora sempra dá ampla repercussão à idéia da redução. Agora já estão falando até em diminuir para 14 anos. As pessoas são incentivadas a acreditar nos métodos da justiça-justiceira para promover a paz e a crer em respostas fáceis para problemas complexos.

Alunos de Comunicação Social da UFRN realizam hoje o terceiro CURTACOM

Começa hoje e vai até amanhã, no auditório da Casa da Indústria (FIERN), o III FESTIVAL UNIVERSITÁRIO DE CURTAS (CURTACOM). O festival nasceu e é organizado pelos alunos do curso de Radialismo da UFRN. A mostra é competitiva e só podem participar curtas-metragem produzidos por universitários.

Em sua terceira edição, o festival já ganhou projeção fora do Rio Grande do Norte. Prova disso é a participação de vídeos produzidos por universitários de outros estados nordestinos e do sudeste do país, como São Paulo.

O objetivo é estimular a produção audiovisual universitária e criar espaços diferenciados de expressão. Os inscritos na mostra competitiva concorrem em quatro categorias: ficção, documentário, experimental e vídeo clip. O evento começa às 19h e a entrada é franca.

domingo, 11 de novembro de 2007

Blogs em discussão

Blogosfera vira campo de batalha política

A Folha de S. Paulo deste domingo (11) traz uma reportagem especial sobre a onda dos blogs e a disputa política travada nesse espaço virtual. De acordo com o jornal, a chamada blogosfera se transformou num "abrigo de discursos inflamados e revive a visão dicotômica entre esquerda e direita". A Folha chega a comparar a disputa ideológica nos blogs com uma reedição da Guerra Fria.

De acordo com o jornal, 9 milhões de pessoas acessaram algum blog no Brasil em setembro. No mundo, há mais de 111,6 milhões de blogs. Por dia, 175 mil novos blogs são criados. São feitas 18 atualizações por segundo. No Brasil não há estatísticas oficiais, mas os blogues políticos ganharam destaque e conquistaram um público fiel. A audiência dos maiores, segundo a reportagem da Folha, vai de 70 mil a 250 mil acessos únicos.

O sucesso transformou os blogs num espaço privilegiado e, pela própria característica de informalidade do meio, num lugar também onde são emitidas opiniões mais ácidas, sem se comprometer necessariamente com a objetividade.

A Folha destaca alguns blogueiros conhecidos, que se colocam ideologicamente em lados opostos. É o caso de Paulo Henrique Amorim e seu "Conversa Afiada" do IG, que escreve críticas vorazes contra o que ele denomina de "mídia conservadora e golpista". PHA criou até um novo partido político, que existe para defender os interesses da mídia. É o PIG (Partido da Imprensa Golpista). Um dos alvos preferidos do jornalista em seu blog é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apelidado de "Farol de Alexandria".

No lado oposto, estão dois coleguinhas do time da Veja, os jornalistas Ricardo Azevedo e Diogo Mainardi. Ricardo diz que PHA é "chapa-branca" e chama o presidente Lula de "apedeuta" (pessoa sem instrução, ignorante). Ricardo também criou um novo partido político, os "Petralhas", neologismo que diz ser "a variação petista dos "Irmãos Metralha". Mainardi dispensa maiores apresentações. Além de blogueiro, ele é colunista da Veja, onde semanalmente destila seu ódio contra o governo Lula e o PT.

A matéria ainda cita o jornalista Luís Nassif, cujo blog "Projeto Brasil" é hospedado no IG. Faltou citar Ricardo Noblat e Mino Carta. Noblat foi um precursor dos blogs políticos. Mino, além de diretor da "Carta Capital", é outro crítico contumaz da grande mídia em seu blog.

A verdade é que os blogs vieram pra causar uma pequena-grande revolução na forma de se fazer e transmitir a informação. É fato que há muita opinião que vem junto com a informação, mas o leitor de blogs não é desatento e não se deixa manipular. Ele sabe separar as coisas e, mesmo diante de uma opinião, costuma comparar versões contraditórias para, só então, escolher o lado pra se alinhar. Nenhum blogueiro minimamente sério, principalmente se lidar com política, vai querer se queimar com os leitores.

Na hora que a gente escreve no blog, a gente já imagina mais ou menos como nosso leitor vai reagir. E o interessante é essa resposta que o blog proporciona, livre de tantos filtros e barreiras editoriais. O blog é uma ferramenta importante quando falamos em democratizar a informação. Ficará sempre a critério do leitor distinguir o útil do lixo.

O factóide da re-reeleição

No Observatório da Imprensa, colunista revela onde nasceu a "fábula" da re-reeleição

O jornalista Luiz Weis, na coluna "Verbo Solto" do "Observatório da Imprensa", revela o berço dessa história de terceiro mandato, que se tornou o grande fetiche da mídia conservadora e da oposição.

De acordo com Weis, a história começou a circular por obra e graça da imprensa. "O factóide da re-reeleição", diz ele, "nasceu na página A6 do Estado [de São Paulo] de 23 de janeiro".

Ele prossegue: "Ali, sob o título entre aspas “Estratégia é criar condições para um terceiro mandato”, se lê uma entrevista do repórter Gabriel Manzano Filho com o cientista político paulista Leôncio Martins Rodrigues. Nela, o professor afirma que o PAC, se der certo, poderá ser o ás na manga do presidente para tentar mudar a Constituição a fim de ganhar mais quatro anos."

Depois, Weis revela que FHC também ajudou a disseminar o clima de terrorismo golpista: "
A partir dessa entrevista ad terrorem, o ex-presidente Fernando Henrique, também em entrevistas e artigos, deu corda ao cenário catastrofista traçado por seu amigo Leôncio.
Então foi, sim, com a oposição e com a mídia – no caso, o Estadão – que tudo começou. O resto, como diria a colunista, são fabulações."

Há muito tempo eu venho dizendo aqui no blog que essa é uma pauta artificial, forjada para passar uma imagem negativa do presidente Lula, mostrando-o à opinião pública como um homem obcecado pelo poder que deseja instalar uma ditadura petista no Brasil. É o poder da mídia de pautar os assuntos que ela quer que a opinião pública discuta e acredite.

Cúpula ibero-americana pede fim do bloqueio contra Cuba

O líderes dos 22 países reunidos em Santiago, Chile, na 17ª Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo assinaram um comunicado pedindo o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba. O comunicado foi divulgado ontem (10) no encerramento da cúpula.

“Pedimos ao governo dos Estados Unidos da América que cumpra o disposto em 16 sucessivas resoluções aprovadas na Assembléia Geral das Nações Unidas e ponha fim ao bloqueio”, diz o documento. “Reafirmamos, uma vez mais, que em defesa do livre intercâmbio e da prática transparente de comércio internacional, é inaceitável a aplicação de medidas coercitivas unilaterais que afetam o bem-estar dos povos e obstruem os processos de integração”, afirmam os mandatários da América Latina e Península Ibérica. As informações são da Agência Brasil.

Deputada Márcia Maia vai priorizar projetos para criança e adolescentes nas suas emendas ao Orçamento Geral do Estado

Na sexta-feira passada (9), a deputada estadual Márcia Maia (PSB) se reuniu com o promotor de Justiça, Manoel Onofre, que também é presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Consec). A reunião ocorreu na sede do Consec, em Lagoa Nova.

De acordo com informações do site da deputada, na pauta do encontro estava a discussão das emendas que a deputada apresentará ao Orçamento Geral do Estado (OGE), destinadas aos projetos na área da criança e adolescente. Márcia deseja priorizar os projetos relacionados à criança e ao adolescente na hora de destinar suas emendas ao OGE.

sábado, 10 de novembro de 2007

Revirando o baú

Fui arrumar umas coisas, separar papéis velhos pra jogar no lixo e achei um poeminha que escrevi em 1995, quando estudava na ETFRN - hoje CEFET. Inscrevi os versos num concurso de poesia da escola e fiquei em terceiro lugar. Acho que foi a coisa mais poeticamente significativa que consegui escrever. Encontrei outros poemas também - nenhum se aproveitava e os enviei para um lugar apropriado: o lixo.

O título do poema é "Minutos de Solidão":

Saudade de longe

Acena o olhar

Corpo impuro

Beijo rasgado

Algo atravessa,

em diagonal,

o meu pensamento...

Agora chove sem razão

Palavras põem fogo

O relógio pára

O momento é eterno...

Agora nada acontece

Tudo se extingue

O céu está longe

As estrelas não param de brilhar...

O sorriso

A rua

O vento leva meu corpo

Eu,

só eu...

Eternamente.

A mídia e o fetiche do terceiro mandato

A obsessão da grande imprensa pelo tema do terceiro mandato do presidente Lula está se transformando em fetiche.

Arnaldo Jabor, em entrevista ontem (9) no Programa do Jô, falou sobre o assunto. Para ele, Lula faz joguinho de cena quando diz que não quer terceiro mandato. "Eu temo quando vejo as pessoas negando demais sobre o que elas não foram perguntadas. O Lula nega o tempo todo que vá ser candidato de novo em 2010, mas não sei não...", disse o temeroso Jabor.

Segundo Jabor, o presidente Lula, assim de uma pra outra, começou a negar que tenha intenção de ser candidato a re-reeleição em 2010 sem que ninguém o tenha perguntado sobre isso.

Agora danou-se tudo mesmo. A mídia não pára de falar nesse assunto, todo dia tem alguma manchete sobre isso, insiste na mesma pauta artificial, aí vem o Jabor dizer que ninguém perguntou nada?! Ahhh, pára com isso!

Na Folha Online tem o César Maia (DEM), prefeito do Rio de Janeiro e menino maluquinho nas horas vagas, dizendo que interceptou uma mensagem trocada por dois dirigentes petistas que estariam tramando um plebiscito em 2008 para aprovar o terceiro mandato para Lula. Maia não diz quem são esses dirigentes "para não prejudicar um técnico parlamentar". Pelo visto, Maia teve ajuda desse técnico parlamentar para fazer a arapongagem e ter acesso à suposta mensagem trocada entre os supostos dirigentes petistas. Isso não é crime?

Maia joga a merda no ventilador e fica só esperando aonde a merda vai parar.

A mídia está fazendo o que recomendou Ali Kamel, todo poderoso do jornalismo da Globo: testando hipóteses. Vai que cola, né.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Tem playboy na fita

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu ontem (8) nove pessoas que integravam uma quadrilha de traficantes de drogas sintéticas, como ecstasy e LSD. Os integrantes da quadrilha foram identificados como Bruno, Rodrigo, Rafael, Fábio, Maicon, Isabela, Michel e Pedro. Todos são jovens e de classe média alta. Michel foi preso em casa com grande quantidade de maconha e haxixe. Pedro foi preso quando chegava na faculdade Estácio de Sá, no campus da Uruguaiana, Centro da cidade. Ele é estudante do primeiro período de Design Gráfico. Além dos jovens, foi preso também um taxista identificado como Renato, suspeito de fazer serviços de entrega. As informações são do portal Terra.

No site d'O Globo Online, uma matéria entitulada "Crime Por Opção" discute os motivos que levariam jovens de classe média alta a se envolverem com o mundo do crime. O repórter Luiz Felipe Barboza, que assina a matéria, afirma que "as companhias contam muito" e recorre à opninião de psicólogos para defender a tese de que a "influência do grupo" pode levar jovens e adolescentes que tiveram acesso à boa educação e à boa vida ao envolvimento com o crime.

O repórter, sempre fundamentado pelos psicólogos, também aponta a necessidade de se impor limites no relacionamento entre pais e filhos. A falta desses limites e a ausência dos pais poderiam contribuir para a "opção pelo crime".

Não descarto nenhuma das explicações levantadas pela matéria. Chamo atenção apenas para a diferença colossal do tratamento dado pela mídia ao tema da criminalidade envolvendo jovens de classe média e jovens de periferia. Quando se trata dos jovens de classe média, se busca tentar entender o porquê por trás do fato, mas quando se trata dos jovens da periferia, excluídos e socialmente vulneráveis, a linha adotada é a da criminalização pura e simples.

Condenados à invisibilidade social e sem acesso aos direitos básicos de cidadania, os jovens das classes sociais menos abastadas estão mais vulneráveis e expostos ao crime. Não quer dizer que todo jovem pobre vai ser um criminoso, mas negar que o apelo do crime é mais sedutor quando não se tem muitas e melhores perspectivas de vida é querer fechar os olhos para a realidade. Enquanto a periferia (favelas e bairros pobres) e os seus moradores (entre eles, os jovens) continuarem sendo tratados como incômodo e ferida que precisa ser extirpada, a sociedade continuará mandando a esses jovens a mensagem de que eles nasceram para o crime e que é isso que esperamos deles. Aí depois a gente chama a "Tropa de Elite" e o Capitão Nascimento para resolver tudo.

Jornalismo da bajulação

Em artigo publicado hoje no "Terra Magazine", o jornalista e roteirista Ricardo Kauffman trata da cobertura midiática sobre o mundo dos negócios. Para Kauffman, falta crítica ao conteúdo e sobra bajulação. Em suas palavras, "via de regra, quando o assunto é empresas e executivos, o negócio é elogiá-los e promovê-los."

Ele afirma que o jornalismo de negócios dedica pouco espaço aos casos de corrupção do setor privado, como nos episódios da Cisco e dos bancos suícos. A Cisco é uma multinacional apontada pela Polícia Federal e pela Receita Federal como integrante de um sistema de fraudes de importação que causou um rombo bilionário aos cofres públicos brasileiros. A multinacional norte-americana é uma das líderes no segmento de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, internet e telecomunicações. No caso dos bancos suícos, a "Operação Kaspar II" da Polícia Federal desbaratou um esquema organizado pelas instituições financeiras e grandes construtoras, responsáveis pelo envio de bilhões para fora do país e prática de lavagem de dinheiro.

Na opinião de Kauffman, a corrupção no setor privado "ganha mais ânimo no noticiário quando ligado a algum possível esquema ilícito do governo (mesmo que até então pouco fundamentado)."

O jornalista também questiona as fontes utilizadas pelos veículos que tratam do mundo dos negócios. Esses veículos, freqüentemente, recorrem a consultores ou economistas para opinar sobre o rumo dos acontecimentos. "Não raro trata-se de consultores de bancos de investimentos que têm interesses próprios sobre o assunto-alvo. Mas a eles é dado o papel de dizer o que é positivo e negativo para o "mercado como um todo". Em outras palavras, para toda a sociedade. Sem que sejam identificados como parte específica do jogo", afirma Kauffman.

Ricardo Kauffman termina lamentando a falta de credibilidade das informações no jornalismo de negócios, comprometido mais com a exaltação dos valores da sociedade capitalista e menos com a pluralidade das opiniões e a verdade dos fatos.

O Brasil vai virar uma Venezuela

Essa notícia não é sobre a candidatura do presidente Lula ao terceiro mandato, como temem a oposição e a mídia conservadora. A oposição e a mídia são aficionados pela Venezuela e vivem fazendo comparações entre o Brasil e o país de Hugo Chávez. E não é que agora o pior dos temores da oposição e da mídia está perto de se tornar realidade.

Vocês devem estar informados sobre a descoberta de uma gigantesca reserva de gás e petróleo no campo de Tupi, localizado na bacia de Santos, anunciada ontem pela Petrobras. A nova reserva tem de cinco a oito bilhões de barris de petróleo de boa qualidade e gás abaixo da camada. As atuais reservas da Petrobras somam 13 bilhões de barris. Isso significa que a descoberta anunciada ontem pode representar um aumento de 50% nas reservas atuais.

Durante o anúncio da descoberta, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, declarou que com a descoberta do novo campo o Brasil "pode se converter em um exportador de petróleo à altura da Venezuela ou da Nigéria". Jornais internacionais destacam que o Brasil, que antes ambicionava apenas a auto-suficiência na produção de petróleo, agora se situa como futuro grande exportador.

Gabrielli deu a deixa - o Brasil está perto de virar uma Venezuela e ser um grande exportador de petróleo. E agora, o que será que a oposição e a mídia conservadora vão dizer?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Memória

A essência da vida

A revista "National Geographic Brasil" deste mês vem falando, entre outras coisas, sobre memória. A reportagem de Joshua Foer e as fotos de Maggie Steber estão perfeitas. Maggie também escreveu um pequeno texto falando sobre sua mãe, Madje Steber, que sofre com a falta da memória. Achei o texto tocante e despretenciosamente belo.

As palavras de Maggie sobre sua mãe remeteram meu pensamento para minha avó paterna, D. Celsina, que padece do mesmo mal. Uma estranha melancolia tomou conta de mim e, numa fração de tempo, fechei meus olhos e viajei para outra galáxia, onde eu era só poeira estelar. Nessa galáxia, as memórias eram indeléveis e o tempo não era esse estranho cavaleiro da despedida.

Leia o texto de Maggie Steber:

Quando a memória acaba

"Minha mãe, Madje Steber, está fazendo a melancólica viagem da perda de memória. Ela está no mar. E eu, sua única filha, reservei passagem em outro navio para navegar pelas memórias que descrevem toda a sua vida.

Fotografo minha mãe para ajudar na travessia, criando novas lembranças para mim mesma pelo caminho. Mostro-lhe as fotos, apesar de ela não se reconhecer. Para ela, são cartões-postais de terras distantes. Como ela pode ser tão dolorosamente bela agora, mesmo com o cenho franzido pela confusão? Ela desaparece das minhas vistas bem diante de mim. A cada dia aproxima-se mais do horizonte aonde chegará sozinha, deixando-me apenas memórias, preciosas memórias, dessa sua longa e derradeira jornada."

Prostituição

CCJ da Câmara rejeita projeto que legalizava o trabalho das profissionais do sexo

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal rejeitou o projeto do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que regulamenta o exercício da prostituição e concede direitos às chamadas profissionais do sexo, como a possibilidade de contribuição para a Previdência Social e de aposentadoria.

A decisão da CCJ decepcionou a presidente da Rede Brasileira de Prostituição, Gabriela Leite. Ela disse que as prostitutas não são consideradas "cidadãs de primeiro grau".

Independente da disputa entre "conservadores e libertários", o projeto desperta outro debate, pouco mencionado, que é a questão da utilização da mulher como objeto sexual. O discurso de que a prostituição é um trabalho como outro qualquer, além de não ser nada original, é falacioso. Não estou defendendo o ponto de vista dos militantes dos "valores da família", mas considero estranho um projeto que diz ser legal a exploração comercial do corpo da mulher como simples objeto de gozo.

A polêmica dos esgostos em Ponta Negra

Ministério Público diz que sistema de esgotamento está saturado e é contra instalação de novas Estações de Tratamento de Esgotos

O Ministério Público (MP) quer impedir a instalação de novas Estações de Tratamento de Esgotos (ETE's) em Ponta Negra e, para isso, encaminhou uma recomendação à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) para anular uma resolução do Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam), que autoriza a instalação das ETE's.

De acordo com o MP, o sistema de esgotamento sanitário do bairro está saturado. A promotora Gilka da Mata acha um contrasenso uma cidade como Natal, abastecida com água subterrânea, permitir o lançamento de esgotos no solo. Para a integrante do MP, a solução para o saturamento do sistema é a ampliação do sistema atual, ao invés de se construir novas ETE's.

A secretária Ana Miriam Machado da Semurb, que também preside o Conplam, ainda não se pronunciou sobre a recomendação do Ministério Público.

Com informações do Diário de Natal

Justiça decide que Zona Norte não será adensada

As empreiteiras podem reclamar, mas a construção de grandes prédios na Zona Norte de Natal está suspensa a partir de hoje. A suspensão foi determinada ontem pelo Tribunal de Justiça do Estado, que concedeu liminar à Prefeitura de Natal, autora de uma ação direta de inconstitucionalidade impetrada no TJE. A ação pedia a anulação dos artigos do Plano Diretor que transformavam a Zona Norte em área adensada, permitindo a construção de grandes empreendimentos. Essa foi uma das emendas apresentadas pelos vereadores na votação do PD, que culminou na Operação Impacto do Ministério Público - investigação sobre o possível recebimento de propina pelos vereadores para aprovação das emendas.

O argumento da Prefeitura é que o adensamento permitiria a ocupação desordenada e a conseqüente sobrecarga de infra-estrutura da Zona Norte. Agora, a região volta a ser classificada como área de adensamento básico. O coeficiente de aproveitamento (relação entre a área construída e o tamanho do terreno) ficou estabelecido em 1.2 e os prédios construídos terão altura máxima de 22 andares. A Prefeitura defende que o coeficiente básico vai permitir o desenvolvimento sustentável da área.

Os juízes do TJE ainda vão julgar o mérito da questão e decidir definitivamente sobre o assunto do adensamento. Enquanto isso, a Zona Norte está protegida da pressão das grandes empreiteiras, interessadas somente em explorar a região sem se preocupar com a sustentabilidade da área.

Com informações da Tribuna do Norte e do Diário de Natal

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

É hoje

O documentário "Ribeira das minhas memórias", que resgata um pouco da história do bairro mais tradicional de Natal a partir das memórias de dois personagens, vai ser exibido hoje à noite, às 19h, no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFRN.

O documentário foi produzido para a disciplina "Introdução à Televisão" do curso de Radialismo, sob orientação da professora Miriam Moema. Além deste blogueiro, fizeram parte do grupo os alunos Kamilla Senna, Geraldo Gabi, Fábio Borges e Beatriz Fernandes. Contamos com a preciosa ajuda de "São" Justino Neto, que fez as imagens e a edição do vídeo.

O nosso objetivo era falar de memória e, para isso, usamos a Ribeira como pano de fundo. Walter Canuto e Nalva Melo, nossos dois personagens, são pessoas que têm uma ligação profunda com o bairro e histórias legais pra contar. O resultado foi emocionante. Fiquei mais feliz ainda porque esse foi o primeiro roteiro que escrevi e o primeiro vídeo que produzi.

Agora, quem quiser conferir, é só aparecer hoje à noite lá na UFRN.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Americanos estudam relação entre hip hop e sexo adolescente

A notícia saiu no "The New York Times". Leia trechos da reportagem abaixo:

"O hip hop, com suas letras sugestivas, vídeos e movimentos de dança, há muito é criticado por pais e especialistas em saúde pública, que temem que possa levar a comportamento sexual de risco entre os adolescentes.

Mas nunca ficou claro se há algo particularmente insidioso no hip hop ou se o problema é simplesmente o fato de pessoas com mais de 40 anos não entendê-lo. Afinal, quase toda geração parece incomodada com as preferências musicais da seguinte; lembre-se, os quadris rebolantes de Elvis já foram considerados como uma influência corruptora sobre a juventude do país. Para solucionar este enigma, pesquisadores de saúde pública estão desconstruindo a cultura hip hop, freqüentando pistas de dança e dissecando as letras do rap. A esperança é de que ao compreender o hip hop, os especialistas possam projetar mensagens de saúde mais eficazes -e talvez até mesmo dar aos pais um entendimento da música freqüentemente desconcertante abraçada por seus filhos."

De acordo com o jornal, os pesquisadores passaram três anos estudando a cena dos clubes do hip hop, conversando com dezenas de adolescentes e os observando dançarem. Os pesquisadores observaram que a maioria dos adolescentes no estudo era sexualmente experiente e que o comportamento sexual tinha pouco a ver com a música que eles ouviam. "Em vez disso, eram os tradicionais álcool, drogas e pressão dos pares que geralmente os levavam aos encontros sexuais", informa o "The New York Times".

A pesquisa concluiu que o hip hop não é apenas música, mas um sistema de apoio e estrutura social que domina a cultura jovem. Outra conclusão é que a linguagem do hip hop também pode ser uma forma mais eficaz de se comunicar com os adolescentes, como na hora de se fazer campanhas de prevenção ao HIV, por exemplo.

A pesquisa também apontou que os adolescentes que eram expostos aos níveis mais elevados de letras sexualmente degradantes apresentavam probabilidade duas vezes maior de ter praticado sexo. Os pesquisadores definiram como letras degradantes aquelas que retratam as mulheres como objetos sexuais, os homens como insaciáveis e o sexo como inconseqüente.

Em linhas gerais, a pesquisa sugere que não é o hip hop que influencia negativamente os adolescentes, mas o conteúdo que as letras transmitem. A reportagem afirma que muitos especialistas acreditam que as chaves para a comunicação com toda uma geração de jovens pode ser encontrada no hip hop. Para eles, o hip hop precisa ser entendido porque trata-se de um "fenômeno de geração que une os jovens".

Comentário

Enquanto a cultura hip hop nos EUA é vista como uma música erotizada, que incita o sexo adolescente e dissemina preconceitos de gênero, o hip hop brasileiro tem um caráter muito mais ligado às questões sociais, se configurando numa música de protesto contra as injustiças sociais, o racismo, a violência urbana (incluindo aí a violência policial) e a situação das favelas, por exemplo.

A impressão que eu tenho é que o hip hop americano é uma música muito alienada. Essa alienação termina sendo refletida nas letras das músicas, que, em sua maioria, só falam de sexo e consumismo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

As sete maravilhas do RN

O resultado da eleição promovida pelo Diário de Natal para escolher as sete maravilhas do Rio Grande do Norte foi divulgado ontem (04/11) n'O Poti. Em primeiro lugar ficou a Serra Barriguda, cartão postal da cidade de Alexandria, terra natal deste blogueiro.

A Serra Barriguda teve mais de 16 mil votos e ficou na frente, inclusive, do Morro do Careca, símbolo maior da cidade do Natal, que foi o segundo colocado. Completam a lista das maravilhas o Açude Gargalheiras de Acari, a Fortaleza dos Reis Magos de Natal, o Frasqueirão Natal (estádio do ABC Futebol Clube), o Santuário do Lima em Patú e o trecho de serras Os Apertados em Currais Novos.

Sobre a serra de Alexandria, escrevi uma "Crônica da Barriguda" quando era estagiário no "Jornal Metropolitano" de Parnamirim.

Quando morava lá, costumava escalar a Barriguda com os amigos da Igreja Presbiteriana. No meio do caminho fazíamos uma parada estratégica para retomar o folêgo. Há um trecho bastante verticalizado, onde temos que subir uma rocha apoiado com as mãos. A gente chamava de "pedra de quatro" por causa da posição em que ficávamos.

Antes de alcançarmos o topo da serra, a gente passava por uma abertura entre as rochas que produzia uma sombra agradável. Lá o vento era forte e fazia um frio danado.

Quando chegávamos no cume, a sensação de liberdade tomava conta de nós. O vento era nossas asas. A gente via a cidade diminúncula lá de cima. Imagens de verde rareavam aqui e acolá. Feito meninos bestas, a gente ficava acenando lá de cima achando que alguém responderia lá de baixo.

Aí a gente sentava, alguém sacava o violão e cantarolávamos algumas músicas. A gente aproveitava pra fazer uma boquinha também, afinal de contas ninguém é de ferro. Nosso break fast tinha pão, presunto, mussarela, suco, bolo, tapioca e dindin (acho que aqui em Natal chamam de dadá ou sacolé).

A gente ficava lendo as mensagens que as outras pessoas deixavam nas rochas, pra mostrar que já estiveram ali antes. A poluição visual deixava a gente indignado deixava a gente indignado. Débora, amiga querida, sempre dizia que o nome dos tôlos está em todo lugar (acho que é o versículo bíblico, mas não lembro qual).

Na hora de descer, estava todo mundo exausto. Mas, como diz o ditado, pra descer todo santo ajuda. Todo mundo tinha medo de Janaína nessa hora. Ela costumava vir mais atrás e aprontava com quem ia na frente. Carlinda, nossa saudosa amiga que está nos eperando no céu, era quem mais tinha medo. Uma vez Janaína desceu correndo e arrastou Carlinda serra abaixo. Foi um Deus nos acuda. Depois todo mundo caiu na risada.

Foram muitas as subidas à Barriguda. Faz tempo que não faço essa aventura. A maioria dos amigos não moram mais na cidade e só aparecem lá nas férias. E sem aquela turma, a Barriguda perde um pouco de graça.

É isso aí, essas são algumas das minhas memórias da Barriguda e essa foi a forma que encontrei pra homenagear a nossa maravilha.

domingo, 4 de novembro de 2007

Altas Horas

"Altas Horas, vida inteligente na madrugada". Esse é o slogan repetido por artistas nos intervalos do programa comandado por Serginho Groisman nas madrugadas de sábado na Globo.

O programa realmente é interessante. Conta (quase) sempre com convidados bacanas e atrações musicais de bom gosto. Ontem os entrevistados eram os atores Ney Latorraca e Letícia Sabatela, o jogador do São Paulo Richarlyson e o "Doutor Bactéria" do Fantástico, Roberto Figueiredo. A atração era o cantor Djavan, que estava lançando seu novo cd.

A "vida inteligente" desaparece quando a gente presta atenção na platéia do programa. Serginho não usa mais o velhor bordão "fala, garoto" dos tempos do "Programa Livre" no SBT. Mas os jovens continuam fazendo perguntas. É nessa hora que a coisa desanda. As perguntas quase nunca ultrapassam velhos clichês e esbarram na previsibilidade. Fica nítido o constrangimento do apresentador e dos entrevistados com a burrice da platéia. Uma menina perguntou a Ney Latorraca se ele prefere fazer drama, comédia ou suspense. Original, não?

Os cantores e as cantoras também sofrem com a platéia. Na hora de pedir uma "canjinha", a galera pede as mesma músicas de sempre - geralmente aquelas que tocaram na novela. Djavan teve que cantar "Oceano" pela enésima vez. Em outro programa, uma menina pediu pra Zélia Duncan cantar "Catedral". Contrariada, ela atendeu ao pedido, mas não sem dar seu recado: "A gente tem tantas outras coisas pra mostar".

Mas o momento que os jovens mostram toda sua inteligência é no quadro "Púlpito", quando eles ocupam a tribuna do programa para "protestar" contra o que eles quiserem. É tanta asneira que o jeito é rir. Um menino protestou contra a qualidade das escolas brasileiras. Hein?!

A minha sugestão para que a "vida inteligente" se extenda também à platéia é que o programa pare de contratar modelinhos de agências para fazer figuração e não convide só a turma da classe média, alunos de colégios e faculdades particulares. Encha aquelas arquibancadas com gente que tem o que dizer de verdade e pode contribuir pra tornar as entrevistas mais interessantes. É pedir demais?