quarta-feira, 3 de outubro de 2007
ONG vai à Justiça contra Record News
Em seu site, a ONG informa que a Record News faz uso ilegal da outorga da Rede Mulher, cuja concessão está vencida há mais de dois anos. "A Record News ocupa em São Paulo o canal 42 destinado à retransmissora da Rede Mulher. A geradora da emissora está situada em Araraquara, interior de São Paulo. Tal geradora – que em tese é quem produz o conteúdo veiculado nas retransmissoras – está com a outorga vencida desde agosto de 2005", afirma o texto da Intervozes.
A Intervozes informa ainda que a retransmissora da Rede Mulher tem sua outorga atrelada à sua geradora. Como a geradora está com a outorga vencida, o mesmo acontece com a retransmissora.
Duplicidade de concessão
De acordo com a ONG, há outra irregularidade na Record News. O decreto 52.975/63, veda a uma mesma empresa o controle de duas geradoras de TV numa única cidade (no caso, São Paulo).
A Intervozes afirma que a Record News transformou uma retransmissora em geradora. Edir Macedo já é dono de uma geradora em São Paulo (TV Record). A entrada no ar da Record News fez com que ele se tornasse dono de duas geradoras na mesma cidade - o que é uma ilegalidade. Na teoria, a Record News é uma retransmissora da Rede Mulher, mas, na prática, ela opera como geradora. Portanto, estaria configurada a duplicidade de outorga do mesmo serviço na mesma localidade.
Ao Terra Magazine, Diogo Moyses, coordenador da Intervozes, disse que pretende levar o caso ao Ministério Público.
- Até o final desta semana, devemos entrar com uma representação no MP Federal sobre a duplicidade das outorgas. Vamos questionar a Record, a Band (rádio e TV) e a Globo, no rádio. E solicitar ao MP que fique atento para a Globo não avançar sobre o espectro de São Paulo - afirma Moyses, ao lembrar que a emissora carioca também estuda abrir o canal fechado Globo News.
O Terra Magazine informa que o coordenador da Intervozes vai protocolar a representação em Brasília, junto ao Grupo de Trabalho de Comunicação Social da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, que conta com procuradores em todo o país.
A Central Record de Comunicação se defendeu da acusação de ilegalidade da dupla outorga, negando que o canal seja irregular.
- [A Record News] Não é irregular e nem ilegal. A concessão de geradora da Rede Mulher é para a cidade de Araraquara/SP, ou seja, não são dois canais na mesma cidade. O centro de produção da Record News é em São Paulo, e o material produzido é enviado para Araraquara. De lá é gerado para todo o Brasil. Tudo de acordo com a legislação vigente no setor - informou a emissora ao Terra Magazine.
Diogo Moyses disse que a Record News tenta driblar a legislação:
- A Record transformou uma retransmissora, a Rede Mulher, em geradora. Dizer que eles enviam para Araraquara é acreditar em Papai Noel. Mais que isso, é assumir uma ilegalidade. O legislador pretende fazer com que nenhuma empresa difunda conteúdo numa mesma cidade.
Senador investigado será afastado da função, diz CCJ
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto que afasta dos cargos ocupados na Casa senadores investigados por quebra de decoro. A modificação passa a valer a partir de janeiro de 2008 e não atinge os processos já em andamento.
Também pelo texto aprovado, a decisão por aceitar a representação contra senadores passa a ser do Conselho de Ética e não mais da Mesa da Casa, como ocorre atualmente. As alterações modificam o Código de Ética e Decoro Parlamentar (RES 20/93).
Além disso, o relator do processo no Conselho de Ética, caso considere a representação admissível, deverá estabelecer prazo para a investigação e, durante esse período, o representado ficará automativamente afastado de todos os cargos que ocupa na estrutura da Casa.
Foro privilegiado
A CCJ também aprovou uma proposta que acaba com o tempo de prescrição de processos quando estão envolvidas pessoas com foro privilegiado, como parlamentares. De acordo com o projeto, estes processos também ganhariam prioridade na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Expositores do RN participam da IV Feira Nacional da Agricultura Familiar em Brasília
Os expositores potiguares vão mostrar produtos como castanha de caju, mel de abelha e derivados (cosméticos), queijo de coalho, rapadura de leite de cabra, goma para produção de tapioca e elementos de artesanato (rendas e labirinto da região do Seridó, pedra sabão do Trairi, vassouras e travesseiros ecológicos, macamê entre outros).
Integram a comitiva do RN representantes dos programas Crédito Fundiário, Arca das Letras, Rede Xique Xique de Comercialização Solidária e dos Assentamentos do INCRA.
Fidelidade Partidária
Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quarta-feira os mandados de segurança que tratam da fidelidade partidária. Os mandados, impetrados pelo Partido Popular Socialista (PPS), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Democratas (DEM), pedem que o STF determine ao presidente da Câmara dos Deputados que declare a vacância dos mandatos de 23 deputados federais que deixaram essas legendas para ingressar em outros partidos, empossando os suplentes.
Na terça-feira, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, reafirmou sua posição de acompanhar o indicado pelo TSE em março, de que o mandato pertence ao partido político.
Comentário
Essa história está mais emocionante que final de novela das oito. É de conhecimento público que políticos em geral são dados à infidelidade - refiro-me à partidária, obviamente. Muitos estão de malas prontas para ingressarem em outras legendas. Não manifestam nenhum constrangimento com as sucessivas metamorfoses ideológicas nem com as muitas mudanças de discurso.
Em tese, cada partido político representa um ideário distinto, que se manifesta em seu programa para as cidades, os estados e o país. É de se estranhar, portanto, essa prática camaleônica configurada no troca-troca partidário, que em muito se assemelha ao dilema shakespeareano: "Ser ou não ser? Eis a questão".
Analisando a questão pragmaticamente, a decisão do STF pode embaralhar os planos dessa turma para as eleições municipais do próximo ano. Aqueles que estão loucos para trairem os partidos - portanto, a ideologia e o programa - pelos quais foram eleitos podem ser forçados a ficarem onde estão, sob pena de perderem seus respectivos mandatos, caso os juízes validem a tese da fidelidade partidária.
Acertos firmados nos bastidores terão de ser desfeitos. Restará, aí sim, o constrangimento de conviver num ambiente hostil e, teoricamente, onde não há elementos de identificação programática.
Como explicar ao cidadão que estou me candidatando por um partido que não representa minha visão política?
E se estou me candidatando por um partido com o qual não me identifico, o que extamente eu vou propor ao meu eleitor?
Qual será minha bandeira política?
Em qual faixa do espectro político-ideológico vou me situar?
Os infiéis torcem para que o STF deixe tudo como está. Assim, não precisarão perder tempo com nenhuma das questões anteriores. É só vestir a roupa nova e ensair o discurso. Políticos em geral não são dados a reflexões profundas - agem por instinto de sobrevivência.
A conferir as cenas dos próximos capítulos.
Mundo
Hillary Clinton tem uma vantagem de 33 pontos sobre Barack Obama a três meses do início das primárias para a candidatura democrata para as eleições americanas de 2008, de acordo com uma pesquisa divulgada na terça-feira.
A pesquisa Washington Post-ABC News mostrou que 53% dos democratas disseram que votariam em Hillary se a primária de seu estado fosse realizada neste momento, contra 20% que optariam pelo senador de Illinois Obama.
Fonte: JB Online
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Na estrada
se peguei o rumo certo ou errado.
Sei apenas que sigo em frente,
vivendo dias iguais de forma diferente.
Já não caminho mais sozinho,
levo comigo cada recordação,
cada vivência,
cada lição.
E, mesmo que tudo não ande da forma como eu gostaria,
saber que já não sou o mesmo de ontem me faz perceber que valeu à pena.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Record e Globo trocam acusações
"Afinal, por que a Rede Globo teme tanto a Record News?", questiona a nota da Record, enumerando, em seguida, as supostas razões. A primeira seria porque o Globo News, por ser um canal pago, se sentiria ameaçado com a perda de assinantes. A segunda, o temor da concorrência de um outro canal fornecendo notícias de "melhor qualidade". E o terceiro o medo da perda do "monopólio", diz a Folha Online.
No editorial, o apresentador disse que era "vergonhosa" a atitude da Globo de tentar barrar a inauguração do canal Record News, no último sábado 29, em Brasília, segundo informações do Blog do Josias. "O monopólio da informação é um câncer para o Brasil", encerra a nota.
Em nota à imprensa, divulgada na noite desta segunda-feira (01/10), a Globo chamou os ataques da Record de "calúnias requentadas" e "ataque leviano". A Globo também partiu para o ataque, afirmando que a Record "lucra pela manipulação da fé religiosa" e que a emissora também pretende "manipular a opinião pública".
Empresários brasileiros não confiam na televisão
"Para executivos, baixaria na TV vai piorar
Pesquisa feita pelo Ibope revela que a elite empresarial brasileira perdeu confiança na televisão e não acredita numa melhora dos níveis de violência e sexo na programação.
A pesquisa foi feita em julho com 537 executivos de 381 grandes empresas nacionais. Representa dois terços do "top management" do país. Seu principal objetivo era saber o que eles pensam sobre sustentabilidade e responsabilidade social. A margem de erro é de cinco pontos percentuais.
Sexo e violência na TV foram incluídos em lista dos "problemas crônicos do país", ao lado de moradia, pobreza e drogas.Para 48% dos entrevistados, a violência e o sexo na televisão vão piorar -em 2005, esses percentuais eram, respectivamente, de 51% e 52%. Os que acreditam que os níveis vão se manter iguais, que eram de 35%, passaram a 45%. Em contrapartida, os que acham que a violência (14%) e o sexo (13%) vão melhorar agora são só 7%.
A confiabilidade plena na TV aberta, que era de 61% em 2005, foi reduzida para 52%. A TV também perdeu "eficiência". Com ela, há dois anos alcançava-se o que se buscava para 65% dos executivos. Hoje, só para 49%. Já a internet, que era vista como eficiente por apenas 29%, hoje satisfaz 75%. "As mídias modernas subiram em eficiência e as tradicionais perderam", conclui Paula Soria, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência."
sábado, 29 de setembro de 2007
No Rio de Janeiro, crianças são exploradas por R$ 1,99
As informações são de Brunna Rosa para o site da revista Fórum. De acordo com a matéria, a vereadora Liliam Sá (PR-RJ), presidente da CPI, não descartou a possibilidade de uma quadrilha internacional de exploração infantil estar atuando na região.
A matéria também informa que existem pelo menos mil crianças e adolescentes vitimas de exploração sexual na cidade.
A CPI foi instaurada após a operação “Mil e uma noites” da Policia Federal. A ação desmontou uma rede de prostituição, que incluía exploração de crianças, no Rio de Janeiro. O acusado de chefiar a organização criminosa, Adelino Correia, é policial militar e trabalhava na segurança no palácio do governo do Rio. Com o PM, foram encontrados anotações com nome das garotas e fotos.
Ciro Gomes na "Carta Capital"
Essa aí é capa da "Carta Capital" da semana passada, onde Ciro Gomes chama a mídia brasileira de "desastre" e a acusa de fazer a "novelização escandalosa da política".Na entrevista à "Carta Capital", Ciro Gomes disse ainda que a imprensa é "nepotista, com os grandes grupos nas mãos de seis famílias, apesar do esforço de guerra para parecer isenta".
A capa da revista "Época", ligando Ciro Gomes às supostas irregularidades praticadas pelo Diretor de Administração do Banco do Nordeste, Victor Samuel Cavalcante da Ponte, que vem a ser amigo de longa data do deputado cearense, tem o objetivo claro de começar a minar, desde já, possível candidatura de Ciro Gomes à Presidência do Brasil em 2010.
Ciro cutucou a onça. A Globo, através da reportagem da "Época" deu a sua resposta: "Não ouse nos desafiar. Estamos preparados para a guerra."
A conferir como Ciro Gomes se posicionará daqui para frente. Espera-se que mantenha a mesma firme determinação que tem demonstrado de discutir o sistema de monopólio da informação mantido pela Globo no Brasil.
Revista "Época" tenta ligar Ciro Gomes a fraude no Banco do Nordeste
A novidade política da semana que se inicia é a reportagem de capa da revista "Época". A revista conta a história das supostas fraudes praticadas por Victor Samuel Cavalcante da Ponte, Diretor de Administração do Banco do Nordeste. Victor é amigo de muitos anos do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). "Época" refere-se a Victor como "amigo problemático" de Ciro e tenta vincular o nome do deputado pessebista às irregularidades que seu amigo teria cometido.Victor está sendo investigado pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF) por suspeita de fraude no Banco do Nordeste. "Época" diz que ele é acusado de assinar de maneira irregular um acordo que teria reduzido de R$ 65 milhões para R$ 6,6 milhões uma dívida da empresa Frutas do Nordeste do Brasil S.A. (Frutan) com o Banco do Nordeste, em junho do ano passado, descumprindo uma proibição expressa da Advocacia-Geral da União (AGU).
A revista afirma que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ligou para Ciro Gomes a fim de informá-lo que abriria processo administrativo contra o amigo do deputado.
Em nota distribuída à imprensa, Ciro Gomes disse que recomendou ao ministro Mantega "a abertura de um inquérito que apure tudo, aguardando o investigado, fora do cargo, as conclusões."
Ciro também declarou que vincular seu nome a alguma suposta irregularidade praticada por seu amigo “é forçar notoriamente a barra”.
"Época" inverteu a ordem dos fatos ao tratar Ciro Gomes como investigado, quando quem está sob investigação é o senhor Victor Samuel Cavalcante da Ponte. Atribuir supostas irregularidades cometidas pelo “amigo problemático” ao próprio Ciro Gomes é exercício de patinação jornalística.
Ter “amigos problemáticos” não é privilégio específico de nenhum político. Muitos deles gravitam em torno da órbita de políticos de todas as cores ideológicas. Se fôssemos aplicar a máxima “diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és”, todos seriam sumariamente condenados.
"Época" parece que aprendeu a lição direitinho com a "Veja", que tentou a todo custo depor o presidente Lula sob o argumento de que se os amigos do presidente estavam envolvidos em maracutaia, claro que o Lula também estaria.
Agora, o argumento é o mesmo contra Ciro Gomes: “O amigo do Ciro está envolvido em maracutaia, então o Ciro também está”. A imprensa tem investido muito neste flanco do “teste das hipóteses”, como disse Ali Kamel, o todo poderoso do jornalismo da Globo.
É bom lembrar que a Época pertence à Editora Globo. Ciro tem sido um dos críticos mais contundentes contra o papel e o poder que a grande mídia (leia-se “Rede Globo”) desempenham no Brasil. Na revista "Carta Capital" da semana passada, Ciro Gomes declarou que "A imprensa brasileira é um desastre. A mídia faz a novelização escandalosa da política".
Ao contrário do presidente Lula - que tem medo de discutir novas regras para a mídia - Ciro tem reiterado sua posição contra o monopólio vigente no país e a favor da democratização da informação.
As Organizações Globo não querem nem ouvir falar nessa discussão sobre a necessidade de estabelecer regras para a mídia e estão partindo para o ataque contra Ciro Gomes - que, uma vez eleito presidente, poderia vir a lhe dar muito trabalho.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Violência no RJ mata oito vezes mais jovens do que conflito na Palestina
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Organizações lançam campanha sobre concessões de rádio e TV

Em 5 de outubro, movimentos sociais e populares devem ir às ruas para reivindicar que as concessões recebidas por empresas privadas para operarem emissoras de rádio e TV sejam dadas e renovadas com critério e clareza.
A data foi escolhida pelo seu simbolismo e marca o início da Campanha por Transparência e Democracia nas Concessões de Rádio e TV, convocada por diversas organizações da sociedade civil. Neste dia, vencem de uma só vez os prazos de validade das outorgas para exploração do serviço de radiodifusão recebidas por empresas que controlam algumas das principais redes de televisão do país: Globo, Record e Bandeirantes.
As manifestações devem ocorrer em várias cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Vitória, Manaus e Brasília, em ações articuladas por entidades de diversos setores, como o Movimento Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), além de organizações ligadas à área da comunicação, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e o Intervozes.
Para o mesmo dia, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) convocou um boicote à programação da Rede Globo. A Conaq questiona o papel da emissora como agente de deslegitimação das organizações quilombolas e dos movimentos sociais em geral.
Concentração x Diversidade
A campanha que se inicia em outubro apóia-se sobre a premissa de que a concentração da propriedade dos meios de comunicação nas mãos de poucos é, em grande medida, responsável pelo fato de que a mídia é marcada pela falta de pluralidade de versões e da sub-representação da diversidade social e cultural do Brasil. “Os movimentos sociais não estão reivindicando nenhum tipo de censura. A reivindicação que está sendo feita é a da representação do povo brasileiro na esfera da comunicação”, diz Luana Bonone, diretora de Comunicação da UNE.
Em grande parte, o problema da concentração pode ser explicado pela ausência de critérios claros para a distribuição das concessões. Basicamente, estes critérios estão previstos na Constituição, mas nunca foram de fato regulamentados.
Por exemplo, a proibição do monopólio ou oligopólio no setor das comunicações é um princípio constitucional, previsto no artigo 220, porém não há nenhuma legislação inferior que descreva o que caracteriza a concentração da propriedade. Por esta razão, não há como questionar a óbvia situação de oligopólio da mídia.
Segundo dados da pesquisa “Os Donos da Mídia”, realizada pelo Instituto de Pesquisas e Estudos em Comunicação (Epcom) em 2003, as 6 redes privadas nacionais identificadas à época – Globo, SBT, Record, Bandeirantes, Rede TV! e CNT – dirigem diretamente 47 emissoras de TV e, indiretamente, a atuação de outras 249 emissoras dos 138 grupos que figuram como afiliados regionais. A estas 6 redes de TV estão vinculados outros 372 veículos, entre rádios AM e FM, jornais e revistas.
Além da questão da propriedade, a Constituição também institui princípios que deveriam garantir a diversidade na programação das rádios e TVs, como a exigência de veiculação de programas realizados por produtores independentes e produções regionais. Novamente, não existe regulamentação.
“Faltam critérios claros, baseados no interesse público, e faltam também mecanismos que comprometam as emissoras com estes princípios”, lembra João Brant, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação. Brant explica que as empresas concessionárias assinam um contrato que serve apenas para formalizar a concessão, e mesmo assim é muito difícil ter acesso a ele. Apenas o extrato do contrato é publicado no Diário Oficial da União.
Uma das propostas apresentadas pelo Intervozes é a criação de conselhos estaduais e municipais que possam acompanhar como as empresas utilizam o espaço que lhes é concedido, tendo como base estes critérios constitucionais devidamente regulamentados. “É preciso que a sociedade possa exercer um controle democrático sobre estes meios, fazendo avaliações durante a vigência das outorgas e, principalmente, no momento das renovações.”
As concessões para os serviços de rádio têm prazo de 10 anos. Para televisão, o prazo é de 15 anos.
Privatização do ar
Assim como o contrato, outras informações a respeito dos processos de concessão e de renovação das outorgas são transformadas em um grande mistério pelos órgãos gestores. Não há uma lista com o nome dos proprietários de rádios e TVs disponível e para encontrar dados referentes à validade das outorgas é preciso consultar um sistema bastante técnico, mantido pelo Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Na verdade, nem mesmo os próprios órgãos gestores parecem ter controle de fato da situação. Em agosto, o ministério publicou uma portaria que institui processo de recadastramento das concessões. Pede, por exemplo, que as empresas enviem dados como o quadro societário, endereço de estúdio e escritório.
A medida, aparentemente louvável, demonstra a leniência com que os órgãos gestores tratam o setor privado da mídia. Ao pedir que seja informado sobre a composição do quadro societário, o Ministério das Comunicações assume desconhecer uma informação que deveria ter passado pelo próprio órgão antes de se tornar um dado. A alteração de sócios ou a transferência da outorga para outra pessoa jurídica tem de ser autorizada pelo Executivo Federal.
A falta de transparência cria situações como a que vem sendo discutida no Senado, a respeito da compra de emissoras de rádio pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), usando “laranjas”. Apesar da dificuldade de acesso aos dados reais, sabe-se que a situação não é exclusividade do senador.
Além disso, a caixa-preta das concessões estabelece uma privatização branca do bem público que é o espectro eletromagnético (o conjunto das faixas de freqüência para transmissão, pelo ar, dos sinais de rádio e TV). Para Antônio Carlos Spis, da direção da CUT, esta situação faz com que os cidadãos e cidadãs brasileiros tomem como natural que o canal X é de propriedade da empresa Y.
“O desafio da campanha que vamos tocar é, exatamente, chegar nas pessoas e fazer com que elas reflitam e vejam que elas podem ter inserção na TV, que o rádio e a TV são do povo brasileiro, são um sinal público”, comenta o sindicalista. “É o povo, através da União, que concede à Globo, ao SBT, à Record o sinal que elas usam.”
Renovação automática
A naturalização da propriedade dos canais de rádio e TV é reforçada pela maneira caótica como ocorrem os processos de renovação das concessões. No ano passado, a Subcomissão Especial da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI) destinada a analisar mudanças nas normas de apreciação dos atos de outorga e renovação de concessões de radiodifusão apresentou relatório em que aponta que os processos levam 6,5 anos, em média, para serem concluídos.
Durante todo este tempo – que, em alguns casos ultrapassa o próprio prazo da concessão que deveria estar sendo renovada – , as emissoras têm a permissão para continuar transmitindo em caráter precário. Por esta razão, é possível encontrar emissoras cuja outorga está vencida há 15, 20 anos e que constam nos sistemas do ministério e da Anatel como perfeitamente legais.
Como não há limite para esta situação de precariedade, o que ocorre de fato é a renovação automática das concessões.
Sem limites
Este abuso do princípio da renovação é apenas um dos que podem ser observados no cenário atual das concessões. Mas enquanto esta é uma situação abusiva que encontra guarida na legislação, outras são ainda mais acintosas. Mesmo os poucos limites impostos pelas regulamentações atuais não são observados pelas emissoras.
Um dos mais óbvios é a restrição ao tempo destinado à publicidade. A legislação permite que apenas 25% da programação seja usada para este fim. “No entanto, temos verdadeiros supermercados eletrônicos funcionando em canal aberto”, lembra João Brant, do Intervozes.
Outro tipo de abuso dos limites mínimos atuais pode ser verificado no rádio, onde diversas emissoras cuja outorga é concedida para finalidades educativas são usadas para fins comerciais.
Por esta razão, a Campanha por Transparência e Democracia nas Concessões de Rádio e TV inclui na sua pauta de reivindicações a realização de “ações imediatas contra irregularidades nas concessões”.
A pauta da campanha inclui ainda outros três pontos:
“- Pelo fim da renovação automática: por critérios democráticos e transparentes com base da Constituição;
- Instalação de uma comissão de acompanhamento das renovações das concessões com participação da sociedade civil;
- Convocação de uma Conferência Nacional de Comunicação ampla e democrática para a constituição de políticas públicas e de um novo marco regulatório.”
Cristina Charão, Rets
Crédito de imagem: UNE (Envolverde/Rets)
Fórmula química do caixa 2 tucano
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
A Record News está no ar
A cerimônia que marcou a inaguração da Record News, o primeiro canal de notícias 24 horas em sinal aberto da televisão brasileira, o dono da Record, bispo Edir Macedo, atacou o "monopólio" da informação da Globo.
Em seu discurso, ele afirmou que a Record News vem para "quebrar este monopólio e democratizar a informação". Edir Macedo disse também que, no passado, foi "injustiçado" pela Globo. Ele não citou o nome da emissora carioca, mas a referência foi mais que explícita.
O evento começou às 20h, no Teatro Record, em São Paulo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), também pretigiaram a festa.
José Serra discursou após Edir Macedo. Ele disse que a iniciativa da Record News "amplia em muito a diversidade de opiniões e multiplicidade de enfoques".
O presidente Lula foi o terceiro a discursar. Ele ressaltou que o papel do jornalismo "é informar com independência, precisão, imparcialidade, pluralidade de opiniões e direito ao contarditório".
Lula disse que, em seu governo, é questão fundamental "não cercear o exercício da liberdade de imprensa". Na opinião do presidente, "o público não absolve mais passivamente as opiniões e informações dos meios". Para Lula, "o público questiona a informação que chega até ele".
O presidente também disse que a estréia do canal contribui para a maior democratização da comunicação no país.
Após os discursos, Lula e Edir Macedo acionaram o botão "No ar", que deu início às transmissões da Record News.
Tereza Cruvinel, jornalista de O Globo, vai presidir TV Pública
Acho contraditório o governo lançar uma rede de tv pública para se contrapor à cobertura da grande mídia e chamar para presidir esta rede uma jornalista ligada à grande mídia.
Tereza trabalha no jornal O Globo há 20 anos e é sua principal colunista política. Ela também faz comentários na Globonews.
Isso, necessariamente, não depõe contra ela. Mas o que uma jornalista de O Globo imagina como ideal de tv pública?
Leituras da mídia
A grosso modo, a Agenda Setting compreende a pauta de assuntos ditados pela mídia e que faz a cabeça de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. A mídia destaca determinados temas e ofusca ou ignora outros. A teoria foi formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970.
Paulo Henrique Amorim diz que a mídia emplacou a expressão "mensalão" e agora "vai emplacar a expressão "mensalão mineiro", em lugar do mensalão do PSDB, já que duas cabeças coroadas do PSDB aparecem na lista: Eduardo Azeredo, que foi presidente do partido, e o Governador Aécio Neves."
Uma leitura rápida pelos jornais da grande mídia comprova o que disse PHA. A expressão "mensalão mineiro" é uma tentativa de suavizar para os tucanos, evitando que a opinião pública relacione o PSDB ao esquema do "valerioduto".
É assim que a mídia estabelece não somente o assunto a ser discutido pela opinião pública, mas também como esse assunto deve ser discutido. A mídia dá o "tom" da conversa.
Está em curso também a tentativa de desviar o foco da discussão sobre o "mensalão tucano". O destaque às acusações contra o ministro da Articulação Política de Lula, Walfrido dos Mares Guia, vem sendo muito maior do que a repercussão dada ao pivô do caso, o senador do PSDB de MG Eduardo Azeredo, ex-presidente da sigla.
No editorial de hoje, a Folha chega a dizer que Wlafrido é "o próximo ministro a ser afastado pelos escândalos em que se enredou."
Mais uma vez, fica comprovado que a mídia escolheu um lado.
Analista tucano diz que "mensalão mineiro" é uma farsa
No artigo, ele afirma que "Não houve mensalão em Minas, pois não houve compra de parlamentares e partidos para votar com o governo."
O que houve em Minas, segundo o ex-conselheiro de FHC, "foi um embrião do chamado valerioduto, voltado para abastecer caixa dois."
Não foi esse o mesmo argumento usado pelo PT para negar a existência do chamado "mensalão".
Tucanos são assim mesmo. Aos amigos tudo, aos inimigos a lei.
Mas não ficou só nisso. Augusto de Franco também fez questão de dizer que o PSDB e o PT são diferentes:
"Não consta que o PSDB tenha comprado apoio político para montar um Estado paralelo no país a partir da ocupação organizada da administração federal, das estatais e paraestatais e dos fundos de pensão, com o objetivo precípuo de falsificar a rotatividade democrática, retendo o poder nas mãos de um mesmo grupo privado pelo maior tempo possível. Essa é a origem e a razão do mensalão, quer dizer, do caixa três, não do caixa dois."
Tucanos também têm memória seletiva. "Esqueceram" da compra de votos para reeleição de FHC - o maior balcão de compra de votos instalado no Congresso Nacional.
E qual era o objetivo da reeleição? Não era criar as condições necessárias, alterando as regras do jogo no meio da partida, para que eles (os tucanos) se perpetuassem no poder, "falsificando a rotatividade democrática"?
"Se o ministro Mares Guia fosse um sindicalista, o céu já teria desabado", diz Elio Gaspari
“Se o ministro da Articulação Política do governo fosse um petista saído do movimento sindical, o céu já teria desabado sobre Brasília.
Imagine-se um companheiro metido numa reunião para definir a arrecadação da caixinha eleitoral de um candidato que acabou derrotado na eleição de 1998. Some-se um empréstimo pessoal feito por esse mesmo petista ao candidato, depois de sua derrota. Walfrido Mares Guia fez tudo isso, mas o tucanato trata o assunto com um silêncio retumbante, indicador do oportunismo com que manipula a moralidade alheia.
Mares Guia não é um sindicalista, mas próspero empresário; não está no ABC, mas na plutocracia mineira; não se meteu na campanha dos companheiros, mas na do então governador Eduardo Azeredo, que viria a ser presidente do PSDB. Sua praia é outra, a do tucanato que considera falta de educação tratar das maracutaias do andar de cima.
A principal gracinha propagada pelos defensores de Eduardo Azeredo é a teoria do "não sabia". Se ele não sabia que sua campanha era azeitada por recursos tungados à Viúva e entregues a Marcos Valério, qualquer tentativa de associá-lo à roubalheira é injusta. Afinal, Lula diz que não sabia das mesmas trambicagens, praticadas quatro anos depois pela direção do PT com o mesmo Marcos Valério. Nas palavras da assessoria do tucano: "As questões financeiras da campanha não foram de [sua] responsabilidade".
Seria um caso clássico de dois pesos e duas medidas. Todavia, o argumento é falso. Para que fosse verdadeiro, precisaria aparecer um empréstimo pessoal de R$ 511 mil, feito por Lula junto a um petista amigo que participou da coordenação de sua campanha. (Em 2003, Paulo Okamotto, atual presidente do Sebrae, pagou uma conta de R$ 29 mil de Lula, mas não esteve na banca petista de 2002.) Isso não permite sugerir que Lula não sabia dos malfeitos de Delúbio Soares, ou que não sabe de onde veio o dinheiro de Okamotto. Indica apenas que não se acharam as suas impressões digitais. No caso de Azeredo, elas estão lá, no empréstimo de Mares Guia.
Quando um petista é confrontado com as mutretas de seus companheiros, se enraivece e atribui a referência a algum tipo de conspiração elitista. Quando um tucano fica na mesma situação, ofende-se e corre para a blindagem do silêncio. Assim desconversou-se em 2000, quando apareceram as planilhas da segunda campanha de FFHH. Elas indicavam um caixa clandestino de pelo menos R$ 8 milhões. Uma parte desse dinheiro passara pela destilaria de Marcos Valério, cuja tecnologia financeira foi adquirida pelo PT na eleição seguinte.
Vice-governador de Eduardo Azeredo, ministro de Lula, Mares Guia é uma encruzilhada de gentilezas. Foi na sua vizinhança (e de Lula) que se disparou a demissão do engenheiro Dimas Toledo de uma diretoria de Furnas. Essa foi a faísca que incendiou os sentimentos do deputado Roberto Jefferson e a crise do mensalão.
O PT já buscou a indulgência de seus crentes com a teoria do "fizemos-o-que-todo-mundo-faz". A novidade no desdobramento das investigações do mensalão tucano está na paralisia mental do PSDB.
O comando tucano diz que vai discutir a situação de Azeredo. Vai nada. Se falasse sério, teria feito isso há dois anos. Correm atrás do prejuízo que poderá advir de uma denúncia do procurador-geral da República contra o ex-governador.”
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Marisa Monte canta no complexo do Alemão

O local da festa é um palco na favela da Canitá e começas às 19h. Luciano Huck vai apresentar o show. Pelo mesmo palco passarão o grupo musical do AfroReggae e os funkeiros da Furacão 2000.
Marisa, AfroReggae e funk no Alemão. A chapa vai ferver.
domingo, 23 de setembro de 2007
Artigo
Por Bia Abramo, na Folha de São Paulo, hoje:
"GRANDES PROGRAMAS de TV não nascem todos os dias, crianças, sim". A frase vem de um esquete criado cinco anos atrás pelo comediante Jamie Kennedy, em que dois executivos de TV apresentam a pais incrédulos seu projeto de um reality show. A paródia coincide com a popularidade dos programas de competição por sobrevivência, como "Survivor", e, claro, com o que passou pela cabeça de gente do lado de cá e do lado de lá da TV: "E se inventarem um reality show com, digamos, crianças"?
Pois a CBS inventou e conseguiu convencer 40 pais e mães, à base de um contrato leonino, a deixarem seus filhos participar. O primeiro episódio de "Kid Nation" foi ao ar na última quarta-feira. O vídeo promocional, amplamente divulgado, na TV e na internet, explica do que se trata: 40 crianças entre 8 e 15 anos, vivendo sem adultos em uma cidade cenográfica, Bonanza, por 40 dias.
À diferença dos reality shows adultos, elas não são eliminadas e podem ir para casa se quiserem. À semelhança, as crianças são divididas em grupos, têm que competir por privilégios, são instadas a querer ganhar prêmios em dinheiro e a inventar maneiras de se organizar e suprir suas necessidades básicas.
A emissora negou como pôde as críticas que, claro, começaram a pipocar aqui e ali. No meio dos talk shows mais ou menos indignados com denúncias de que algumas crianças teriam ingerido alvejante e uma outra teria queimado o rosto com gordura quente, além de outras, mais graves, de exploração de trabalho infantil, um espectador anônimo, num desses videocasts espalhados no YouTube, resumia o que deve ter animado a enfrentar a polêmica com "consciência limpa": "Uma mistura de "Survivor" e "O Senhor das Moscas", quem não vai querer ver?".
O comentarista refere-se ao romance de William Golding, que conta como um grupo de garotos sobrevive a um acidente aéreo e se vê numa ilha deserta. O impacto do livro consiste em acompanhar a deterioração dos valores civilizatórios dentro de um grupo homogêneo e, em tese, menos afetado pelo mal por ser constituído de crianças. É esquemático, mas lá ainda estamos no reino da elaboração literária, onde, mesmo que os personagens cheguem a extremos da experiência, não passam de criações mentais .
Em "Kid Nation", nem mesmo essa distinção será possível. O espetáculo de crianças treinadas pela mídia e para a mídia já é, em si, muito triste. Junta-se a isso a perversidade intrínseca do reality show, que conduz pessoas reais a se transformarem em simulacros de suas personalidades e aí temos um problema bem maior do que uma intoxicação por ingestão de cloro.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Procurador-geral da República é a favor da troca de partidos
No Congresso Nacional, 40 deputados correm o risco de perder o mandato se o STF aprovar a fidelidade partidária. Se o parecer do procurador-geral for aceito, esses parlamentares poderão dormir sossegados.
Segundo a Folha, o STF marcou para 3 de outubro o julgamento em que decidirá se os parlamentares precisam manter o vínculo com o partido pelo qual se elegeram ou se podem se filiar a outro.
Se os ministros aprovarem a troca, os parlamentares terão apenas um dia para mudar de sigla, porque a regra eleitoral estabelece que o politico deve estar filiado a um partido um ano antes das eleições, em 5 de outubro de 2008.
Imagine só a correria que vai ser se o STF liberar a infidelidade partidária. Aqueles que querem mudar de partido mas temem perder o mandato vão esperar a última badalada do sino parad decidir que passos darão.
Para justificar seu parecer liberando a troca partidária, o procurador-geral invocou o preceito constitucional segundo o qual "ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado".
Ele recomendou ao STF que negue o mandado de segurança movido pelo PSDB (pedindo a perda de mandato dos deputados que mudaram de partido) ou que só puna a troca de partidos a partir da próxima legislatura.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Maria do Socorro
Maria do Socorro produz e vende cocadas na praia da Pipa, distrito de Tibau do Sul - a mais famosa e globalizada das praias potiguares. A sua lojinha se chama "O Ponto da Cocada".
Estive lá ontem (dia 19) e provei duas receitas: a cocada de maracujá e a tradicional cocada branca de leite condensado. Preciso dizer que eram deliciosas? Mas digo mesmo assim: eram deliciosas.
Maria do Socorro ajudava a mãe a vender cocada quando tinha nove anos. O tempo passou e os papéis se inverteram - a mãe ajuda na produção diária de 60 cocadas. A doceira sustenta a família vendendo suas cocadas para nativos e turistas brasileiros e estrangeiros.
A cocada, porém, mesmo deliciosa não é o que Maria do Socorro faz de melhor. O melhor dela é a simplicidade, a bondade - esse sentimento-virtude que parece quase extinto - espelhada em seus olhos ingênuos e a ternura em cada gesto.
Ela foi contando um pouco da sua história de vida sem nenhuma reserva - sem medo de parecer ridícula. Fiquei profundamente sensibilizado. Não é uma história triste - é só uma história verdadeira, uma história de alguém que não se acanhou e foi à luta. É piegas? Isso é com vocês.
Maria do Socorro me fez novamente ter esperança nas pessoas. Ela acendeu uma luzinha que estava apagada, por já ter me deparado tantas vezes com tanta falta de humanidade.
Maria do Socorro me fez lembrar de Sônia - outro anjo que apareceu na minha vida há oito anos atrás quando fui morar em Nova Lima-MG.
O PAC avança
De acordo com este balanço, 90,3% das obras e 94,1% do valor investido apresentam andamento satisfatório – o que significa que estão dentro dos cronogramas originalmente previstos.
Os dados mostram que, em abril, o PAC dispunha de R$ 9,5 bilhões do Orçamento Geral da União e, no mês seguinte esse montante passou para R$ 14,7 bilhões, ou seja mais de 50%. Segundo o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, isso resultou da aprovação da Lei 11.477, pelo Congresso Nacional.
Segundo o governo, o emprego dos recursos do PAC ganhou velocidade. O volume de recursos empenhados (comprometidos, mas ainda não gastos efetivamente) cresceu 249% no período, De acordo com o balanço , em abril o PAC tinha 1.646 ações registradas e passou para 2.014 de maio a agosto.
Agência Brasil
Trabalho com carteira assinada cresce 6% em agosto, em relação a 2006
Para o IBGE, o resultado é reflexo do bom desempenho de setores que tradicionalmente empregam mais com carteira assinada, como a indústria, intermediação financeira (bancos e seguradoras) e serviços prestados a empresas.
Em relação a julho, foram criados 217 mil novos posto de trabalho formal no mês de agosto deste ano. Tomando como base agosto do ano passado, temos 594 mil novos postos de trabalho.
Desemprego
O IBGE também divulgou os números do desemprego no país. Em agosto, o índice ficou estável em 9,5% nas seis regiões metropolitanas do país --Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
A taxa ficou 1,1 ponto percentual abaixo da apurada em agosto do ano passado. Já o rendimento médio caiu 0,5%, pelo terceiro mês consecutivo, entre julho e agosto.
O número de desempregados no total das seis regiões atingiu 2,2 milhões de pessoas.
Fontes: Agência Brasil, Folha Online e Portal PT
Votação de destaques sobre CPMF na Câmara é adiada para terça-feira
Os parlamentares ainda precisam analisar dez destaques e 65 emendas aglutinativas ao texto, após a PEC ter sido aprovada em primeiro turno, na noite de ontem (19), por 338 votos a favor, 117 contra e duas abstenções. Uma nova votação, agora em segundo turno, pode ocorrer na próxima semana, antes de a matéria ser enviada ao Senado, onde também precisa passar por duas votações.
Agência Brasil
Venda de terras na Amazônia para estrangeiros preocupa AGU
De acordo com Toffoli, a AGU está preocupada com a compra de terras por estrangeiros na Região Norte do país, principalmente na Amazônia.
O ministro disse que, na época do parecer, a AGU entendeu que a Constituição de 1988 não manteve uma lei da década de 70 que limitava a venda de terras a estrangeiros.
“Essa questão é uma análise que ainda estamos fazendo. Estamos verificando se realmente esse parecer está correto ou não. Ainda não chegamos a uma conclusão”, ponderou. De acordo com o ministro, são preocupantes as informações da imprensa de que estrangeiros compram terras da Amazônia e vendem o terreno pela internet com a proposta de preservação da região.
“Há uma preocupação com a aquisição de terras por estrangeiros. Há uma preocupação constante com a grilagem de terras, que aí não envolve só estrangeiros”, acrescentou Toffoli.
Agência Brasil
Comissão da Amazônia aprova desconto no IR para projetos ambientais
De autoria do deputado Beto Faro (PT-PA), a proposta modifica a Medida Provisória 2199-01/01, atualmente em vigor, que concede isenção de 75% aos empreendimentos localizados nessas regiões. Segundo o projeto, contudo, o aumento da isenção do Imposto de Renda só será concedido se a empresa (ou outra pessoa jurídica) protocolar na Sudam e na Sudene projeto que gere um "bem ambiental".
O conceito de "bem ambiental" envolve processos de produção que não gerem poluentes para o solo, a água e o ar; que respeitem os direitos dos trabalhadores; e que resultem em produtos que tragam benefício para o meio ambiente e a saúde humana.
O relator do projeto na comissão, deputado Lindomar Garçon (PV-RO), ressaltou que os projetos desenvolvidos pelas empresas poderão, além de evitar a destruição do meio ambiente, melhorar os produtos da região e reduzir a informalidade dos trabalhadores.
Garçon afirmou que a simples concessão dos benefícios fiscais nas regiões da Sudam e Sudene resultou na industrialização de alguns setores, mas lembrou que os projetos agropecuários implantados na Amazônia com incentivos governamentais foram os maiores responsáveis pela devastação da floresta. O relator afirmou que não é contrário ao desenvolvimento econômicos dessas regiões, mas acredita que "todo cuidado deve ser praticado na adoção de políticas de concessão de incentivos fiscais e tributários".
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado ainda pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: Envolverde
Número de miseráveis no Brasil diminui 15% em 2006
O levantamento preliminar foi divulgado ontem (quarta-feira 19) pelo pesquisador Marcelo Néri da FGV e é baseado nos dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios de 2006 (Pnad), divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos últimos três anos (2004, 2005 e 2006), a redução acumulada da pobreza foi de cerca de 36%.
As análises da FGV indicam que, do ponto de vista da distribuição de renda, os 50% mais pobres cresceram a sua participação nas riquezas do país em 12%, enquanto os 10% mais ricos em 7,8%, no ano passado.
A pesquisa também revelou queda no número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. Em 2005, o número de pessoas que viviam nesta condição era de 22,77%. Em 2006, o índice ficou em 19,31%. Em 1992, o percentual da população que vivia em situação de miséria era de 35,16%.
Segundo a pesquisa, a renda média aumentou 9,16%, saltando de R$ 452,48 (2005) para R$ 493,63 (2006).
Fonte: Portal PT e G1
Imigrantes que vivem na França farão teste de DNA
A medida mais polêmica é uma emenda, proposta por um deputado da UMP e modificada a pedido do governo conservador. Ela estabelece que os candidatos ao "reagrupamento de famílias" poderão se submeter a um teste de DNA para comprovar o parentesco.
O dispositivo será aplicado de forma experimental até 31 de dezembro de 2010. O teste será voluntário e será preciso obter o consentimento expresso do candidato. Além disso, a exigência se limitará a países com "carências" em seu sistema de estado civil ou quando haja uma "dúvida séria" sobre a autenticidade do parentesco.
A legislação atual na França autoriza exames de DNA apenas para fins médicos ou como parte de um processo judicial. Os defensores da medida argumentaram que 12 países da União Européia recorrem aos testes.
Fonte: G1
Comentário
Vejam no que o país da "liberdade, igualdade e fraternidade" está se transformando. É assim que a direita faz no mundo inteiro - política de segregação.
STJ proíbe baixaria no Programa do Ratinho
A pedido do Ministério Público Federal, a Justiça de São Paulo proibiu o programa do apresentador de exibir e expor cenas de confronto físico e de discussão entre as pessoas que ali se apresentam, bem como de exibir pessoas portadoras de deficiência ou de deformidade física, toda vez que essa deficiência represente a própria atração do quadro.
Entretanto, não foi aceito o pedido de danos morais de R$ 35 mil que o Ministério Público pretendia aplicar, em conjunto, ao apresentador e ao SBT.
Fonte: Terra
TV dos EUA explora crianças e adolescentes em reality show
As crianças têm entre 8 e 15 anos. Elas foram deixadas sozinhas, sem nenhuma vigilância e expostas a vários perigos. Tudo foi autorizado pelos pais, que assinaram um contrato de 22 páginas isentando os produtores de qualquer responsabilidade pelo bem-estar de seus filhos.
O objetivo do programa é fazer com que os participantes criem uma sociedade funcional com um sistema próprio de leis, comércio e classes sociais. Trata-se de uma bizarrice perversa, apoiada no estímulo ao desenvolvimento de "valores" capitalistas como competição e divisão social.
Grupos de direitos humanos dos EUA protestaram contra o programa, considerando que a atração está praticando exploração infanto-juvenil.
Há relatos de acidentes, como o de um menino que teria queimado o rosto com gordura quente, e de que os jovens são obrigados a passarem 14 horas em frente às câmeras.
Kim Talman, da Associação Nacional para Proteção de Crianças dos Estados Unidos, disse: "As leis sobre trabalho infantil são muito frouxas no Novo México. Por isso é que eles foram para lá".
"Na Califórnia ou em Nova York eles nunca teriam conseguido permissão para um programa como este. E a maneira como eles estão tratando o assunto passa a idéia de que as crianças não foram empregadas para fazer o programa", critica Talman.
Apesar das críticas e da pressão, a CBS não manifestou a intenção de retirar o programa do ar.
Informações da BBC Brasil
Deputados aprovam CPMF até 2011
A proposta tem que ser votada em dois turnos e, para ser aprovada, deve obter 308 votos favoráveis em cada um deles.
Na próxima semana, o governo tentará vencer o segundo round da disputa em torno da CPMF.
Depois de passar pela Câmara, a proposta segue para o Senado para também ser apreciada em duas votações. No Senado, a parada para o governo é mais difícil porque a sua maioria por lá não é tão segura e a oposição é melhor articulada.
Foram apresentadas 65 emendas aglutinativas ao texto. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) marcou para amanhã a análise dessas emendas - em sessões marcadas para as 10h e 16h.
Informações da Folha Online
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Deputado sugere criação do Partido da Imprensa - PI
"Sugiro ao Sr. Arnaldo Jabor que assuma a presidência desse partido, Míriam Leitão, a Secretaria Geral, Diogo Mainardi, a Tesouraria", disse.
Confira a íntegra do discurso:
"Os jornais de ontem trouxeram uma notícia sobre o mensalão mineiro. É curioso o tratamento dado aos diversos partidos. Quando é o caso do Partido dos Trabalhadores, eles falam mensalão do PT; quando é o caso dos tucanos e do DEM, ex-PFL, chamam genericamente de mensalão mineiro. Além da imprecisão jornalística, a meu ver, é uma injustiça às Alterosas, que tem tanta gente boa, de boas lembranças — Carlos Drummond de Andrade, Juscelino Kubitschek, Pelé, Milton Nascimento — , ser lembrada pelo mensalão mineiro. A imprensa deveria ao menos dar tratamento igual. Não que eu desconheça as mazelas que parte do PT cometeu e não quero que isso seja esquecido.
Entendo que a imprensa não pode assumir a postura política de oposição ao Partido dos Trabalhadores, ao Governo. Essa situação reflete o embate político que estamos vivendo, no qual parte da imprensa assumiu a condição de partido político. Sugiro ao Sr. Arnaldo Jabor que assuma a presidência desse partido, Míriam Leitão, a Secretaria Geral, Diogo Mainardi, a Tesouraria. Esse povo constituiria um bom partido político. Alguns viriam a este plenário debater, até porque poderiam fazer um confronto mais eficiente com o PT.
Sr. Presidente, pesquisa realizada recentemente mostra que o PT tem a imagem mais positiva de todos os partidos: 43,9% consideram-no o mais adequado para os trabalhadores. O índice que define os trabalhadores chega a 63%; no que se refere à defesa do interesse dos mais pobres, o índice é de 57%. O PT tem referência, respeito, depois de todo o bombardeio de críticas.
Sabemos evidentemente que muitas dessas críticas foram justas, porque houve mazelas, corrupção, envolvendo gente do nosso partido.Isso mostra que o PT tem um saldo muito mais positivo e que é muito maior do que as traquinagens, as delinqüências que alguns fizeram. O partido sobrevive e mostra claramente que é uma referência política muito maior do que alguns pensam.
Essa tática de bater no Presidente Lula e no PT pode não ser eficiente, até porque a formação política chamada Partido dos Trabalhadores tem raízes na sociedade brasileira, tem base social e tem respeito pela população — que é inclusive beneficiada pelo programa Bolsa Família e tem uma identificação com o partido — segmento social com o qual tínhamos pouco diálogo, que está incorporando gradativamente nosso projeto político.
Reconhecemos que isso faz parte da disputa política, mas apelo a essa parte da mídia para que deixe de dar tratamento desigual. Se ela fala do mensalão que envolveu o PT, por que não fala do mensalão tucano do Sr. Eduardo Azeredo, do Sr. Aécio Neves e de outros políticos que são, de repente, esquecidos do jogo? Esse não é um bom jornalismo. Tem de tratar todos de forma igual, na crítica e no elogio.''
Comentário
Não se o Partido da Imprensa daria certo. A imprensa, com o perdão do trocadilho, nunca esteve tão partida - no sentido de estar desacreditada por grande parte da opinião pública.
O mais interessante é que o fenômeno da "imprensa partida" se deve, perdoe o trocadilho novamente, ao fato da imprensa ter escolhido um partido - o da oposição a tudo que o governo faz.
O glorioso ABC vence e é vice-líder na Série C
Os gols do Mais Querido foram marcados por Nêgo (2) e Ben-Hur. Bazinho e Arlindo descontaram pelo Fast Clube.
O próximo jogo do alvinegro é domingo, contra o Rio Branco do Acre, no Frasqueirão.
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) quer quebrar sigilo do painel eletrônico do senado
Na prática, Jarbas deseja fazer o mesmo que fizeram Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, que violaram o painel eletrônico do Senado para descobrir como votaram seus colegas na sessão que cassou o mandato do então senador Luiz Estevam e, por isso, tiveram que renunciar para também não serem cassados. O fato aconteceu em 2000.
Quer dizer que ACM e Arruda agiram corretamente?
Caso Jarbas leve adiante este factóide, devemos pedir desculpas a ACM (in memorian) e ao atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Nós os condenamos por violar aquilo que estabece a Constituição, mas o erro foi nosso. Eles agiram na melhor das intenções, como guardiões da ética e do decoro.
Entidades pedem que Lula não libere transgênicos
"Entidades e movimentos sociais que integram o Fórum Nacional pela Reforma Agrária enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qual questionam a liberação do milho transgênico Liberty Link, produzido pela Bayer. No documento, os líderes dos movimentos ressaltam que a liberação pode destruir a agricultura familiar.
O milho Liberty Link é tolerante a um herbicida homônimo, que promete combater ervas daninhas.
"A liberação comercial dos transgênicos é uma séria ameaça às sementes crioulas e pode inviabilizar a continuidade da construção de um modelo sustentável de agricultura baseado na agroecologia", diz a carta.
As entidades esperam que Lula determine ao CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança) que suspenda as liberações comerciais dos produtos transgênicos."
Organizações do RN participam de encontro contra baixaria na TV
O encontro faz parte da programação de Encontros Regionais que vêm sendo realizados por todo o Brasil no intuito de fortalecer a campanha nos estados e preparar o Encontro Nacional, com data marcada para os dias 18 e 19 de outubro. As atividades realizadas nestas datas irão fazer parte da agenda de mobilização da 4a edição do Dia Nacional Contra a Baixaria na TV, que este ano acontece nos dois dias do Encontro Regional.
Iniciada em 13 de novembro de 2002, em Brasília, a campanha surgiu de uma demanda da população e da sociedade civil organizada por ações de combate aos abusos e violações cometidos na TV. Através de um trabalho junto aos anunciantes e com a produção de um "ranking da baixaria" entre os programas que mais agridem os direitos humanos, a campanha visa promover a conscientização da sociedade sobre as violações e desrespeito aos direitos infringidos pelas emissoras de rádio e televisão brasileiras.
Fonte: Revista Fórum
New York Times libera site ao público
Prêmio Comunique-se
A novidade deste ano foi a criação da Galeria dos Mestres do Jornalismo. Mino Carta (Carta Capital), Heródoto Barbeiro (CBN e TV Cultura) e a agência CDN foram os primeiros a figurarem entre os hors concours do jornalismo brasileiro por terem conseguido três conquistas cada um em cinco anos de existência do Prêmio Comunique-se.
Leia a lista dos 24 premiados:
Jornalista de Sustentabilidade, AndréTrigueiro, da Globonews;
Jornalista de Comunicação e Marketing, Marili Ribeiro, do Estadão;
Executivo de Veículo de Comunicação, Mino Carta, da Carta Capital;
Jornalista de Tecnologia, Ethevaldo Siqueira, da CBN;
Jornalista de Cultura – Mídia Impressa, Ana Paula Sousa, da Carta Capital, e na Mídia Eletrônica, Marcelo Tas, da BandNews FM;
Jornalista de Esporte – Mídia Eletrônica, Tadeu Schimdt, da TV Globo, e na Mídia Impressa, Soninha Francine, da Folha;
Locutor Esportivo, Luís Roberto, da TV Globo;
Agência de Comunicação Corporativa, CDN;
Profissional de Comunicação Corporativa, Márcia Magno, do Boticário;
Colunista de Notícias, Monica Bergamo, da Folha;
Colunista de Opinião, Luiz Fernando Veríssimo, de O Globo;
Colunista Social, Danusa Leão, da Folha;
Jornalista de Economia, Miriam Leitão, da TV Globo e jornal O Globo, única a ganhar em duas subcategorias, Mídia Eletrônica e Mídia Impressa;
Correspondente brasileiro no Exterior – Mídia Eletrônica, Sonia Bridi, da TV Globo, e na Mídia Impressa, Sérgio Dávila, da Folha;
Correspondente estrangeiro no Brasil, Todd Benson, da Reuters;
Repórter de Mídia Eletrônica, Ernesto Paglia, da TV Globo;
Repórter de Mídia Impressa, Fernando Rodrigues, da Folha;
Repórter de Imagem, Juca Varella, do Estadão;
Jornalista de Política – Mídia Impressa, Elio Gaspari, de O Globo e Zero.
Brasil mais endividado
CCJ do Senado aprova fim do voto secreto
O senador Tasso Jereissati (PSDB- CE), relator da matéria, queria preservar o voto secreto para indicações de ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) e na análise de vetos presidenciais. Mas a proposta aceita acertou a regra a todas as votações.
Os demais senadores pressionaram e Tasso apoiou a proposta de Paulo Paim (PT-RS) de abrir o voto para todos os casos.
A PEC entrará em votação no plenário tão logo as medidas provisórias que obstruem a pauta sejam votadas.
Com informações da Agência Brasil
Ministra do Meio Ambiente acha que há condições de superar problemas climáticos
A ministra apontou que o primeiro passo para que isso aconteça é mudar o modelo de desenvolvimento atual, principalmente dos países ricos - maiores responsáveis pela poluição atmosférica.
Marina também disse que os países em desenvolvimento devem buscar outras matrizes energéticas em substituição aos combustíveis fósseis.
Com informações das Agência Brasil
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Manifestação dos "Sem-Mídia" em São Paulo dá mais gente que passeata contra Renan Calheiros no Rio de Janeiro
Você acha que 200 pessoas foi pouco? Depende do referencial.
No Rio de Janeiro, uma passeata organizada pelo vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, em protesto contra a absolvição do senador Renan Calheiros reuniu 40 pessoas.
Apesar da pressão e da intensa campanha da mídia contra Renan Calheiros, este assunto parece que não desperta tanto o desejo de engajamento nas pessoas.
A mídia está tão desacreditada que uma passeata de um blogueiro desconhecido, contra a flata de democracia na mídia brasileira, reúne mais manifestantes que um evento proposto por um músico conhecido, sobreum assunto amplamente divulgado.
Sinal dos tempos.
Garibaldi descarta aliança com Wilma
Garibaldi justificou sua declaração argumentando que o povo não aceitaria que ele se aliasse a Wilma depois de fazer oposião a ela todos estes anos. “Ao longo desse tempo venho fazendo críticas ao seu modelo de administrar. Então, como é que vou mudar agora? Eu não teria cara de chegar para o povo, depois de tanto combatê-la, e dizer que me juntei a ela”.
O curioso é que Garibaldi vê incoerência na possibilidade de aliar-se a Wilma depois de ter sido seu adversário durante tanto tempo, inclusive sendo derrotado por ela na última eleição, mas exatamente isso que ele fez quando se aliou ao sendaor José Agripino (DEM-RN). Os dois sempre foram como gato e cachorro na política potiguar e, de uma hora para outra, se juntaram para tentar derrotar Wilma.
Isto não é incoerência, senador? Com que cara o senhor, após tanto combater José Agripino, explicou isto ao povo?
Ficou claro que as explicações não colaram - tanto que aliança espúria foi derrotada nas urnas e hoje os dois senadores procuram espaço para sobreviverem politicamente.
Garibaldi finalizou sua participação na entrevista dizendo que a governadora Wilma é "centralizadora".
E eu finalizo com uma pergunta: Garibaldi foi tão democrático assim quando foi governador do RN?
Wilma defende CPMF e comenta absolvição de Renan Calheiros
O comentário foi motivado pela absolvição, na última quarta-feira, de Renan Calheiros (PMDB-AL) pelo plenário do Senado da acusação de ter utilizado recursos da construtora Mendes Júnior para pagar despesas com o aluguel e pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Wilma disse que, se fosse senadora e estivesse na condição de Renan, se licenciaria do cargo para se defender.
CPMF
No mesmo almoço, Wilma defendeu a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), mas fezressalvas à proposta do Governo Federal.
Ela defendeu a apresentação de um projeto de lei sobre o assunto, que venha a indicar o fim do imposto futuramente. Outro item defendido pela governadora foi a redução da alíquota - atualmente em 0,38%. Wilma também quer que a CPMF seja compartilhada com os Estados e municípios.
Com informações da Folha Online
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Políticos em Apuros
Nunca os versos da canção foram tão atuais: "Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação". O que ocorreu quarta-feira no Senado demonstrou que Renato Russo, além do talento para traduzir em versos musicados a rebeldia e os sonhos da geração jovem da década de 1990, era um profeta social. Ele anteviu o lamaçal que tomaria conta daquele lugar de vetustos guardiões da República do Brasil. Imagino que se estivesse vivo para assistir a tão deprimente exibição de desfaçatez, Renato Russo, entre perplexo e atônito, novamente perguntaria: "Que país é este?".
Em seu discurso de defesa de Renan Calheiros, o senador Francisco Dornelles (PMDB-RJ), ex-secretário da Receita Federal e ex-ministro da Fazenda, disse que o seu colega teria, no máximo, cometido "crime contra a ordem tributária" e que isto não seria motivo suficiente para cassar-lhe o mandato. Este crime estaria configurado se ficasse provado que Renan "não tinha renda nem patrimônio suficientes para fornecer à Jornalista Mônica Velloso os recursos que lhe eram entregues", defendeu Dornelles. Para o ex-ministro de FHC, nem isto ficou provado. O cinismo transformara o transgressor da ética e do decoro em vítima.
Paulo Henrique Amorim disse em seu "Conversa Afiada" que "A absolvição de Renan Calheiros é a maior derrota da imprensa brasileira depois da reeleição do Presidente Lula". Para ele, a "perseguição" contra Rennan Calheiros tem intenções "golpistas", pois trata-se de um senador da base de apoio do presidente Lula e um nordestino. Anacronismo extremo. PHA parece aceitar o argumento recorrente de que devemos consentir com a transgressão pelo simples fato de que esta é uma prática amplamente disseminada. "Renan Calheiros cometeu todos os crimes que 99,9% dos políticos brasileiros cometem". PHA prega a banalização da ética e a tolerância com o crime.
Esta tolerância é um das nossas maiores chagas. Ela nos imobiliza e nos converte em cordiais espectadores da imoralidade da política brasileira - palco de alianças e práticas espúrias. Aceitamos irrefletidamente a máxima popular que apregoa que os fins justificam os meios. Frei Betto diz que aceitar isto é o mesmo que negar a ética. No artigo "Desafios Éticos", que escreveu para a revista "Caros Amigos" de novembro de 2003, ele afirma que a luta pelo poder na política burguesa faz com que o fim justifique os meios. O escritor refuta esta tese argumentando que "o grande desafio da política libertadora é basear-se numa ética libertadora".
O princípio da ética libertadora é que deve servir de base para avaliarmos "as implicações éticas das práticas políticas, sobretudo considerando que a política é o terreno das negociações, das alianças, dos acordos", acrescenta ele. Então, é o caso de fazermos outra pergunta: nossos homens públicos agem movidos por princípios ou por interesses? "O opressor age movido por interesses; o libertador, por princípios", sentencia Frei Betto.
Em "O império do Grotesco", os professores Muniz Sodré e Raquel Paiva narram outro episódio envolvendo senadores em apuros:
"Em abril de 2000, no auge da crise no Senado pela violação do painel eletrônico de votação [os então senadores José Roberto Arruda e Antônio Carlos Magalhães violaram o painel do Senado na votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevam e renunciaram para não serem também cassados], o artista plástico Siron Franco levou para o Congresso uma escultura de dois metros e meio coberta de fezes, feitas de serragem. Batizada de "O que vi na TV", a obra ficou exposta por algumas horas aos olhares de parlamentares e estudantes. Uma menina de 13 anos interpretou o trabalho: "Representa o que tem lá dentro", disse, apontando para o Congresso. Enquanto isso, o jornal inglês Financial Times dizia que "se política, como prega o ditado, é um show business para gente feia, o Congresso brasileiro está promovendo uma performance que mistura teatro, novela e circo".
Este caso da violação do painel eletrônico e as recentes estripulias de Renan Calheiros e seus valiosos bois voadores mostram que a forma de fazer política da maioria dos políticos brasileiros é exatamente conforme a descrição da metáfora de Siron Franco - um excremento. Renan permanecerá por aí como ferida exposta, como cadáver em estado de putrefação moral. Espero apenas que um dia eu possa ecoar os versos de Mário Quintana: "Eles passarão, eu passarinho".
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Fragmentos
Atenta para o dia. O sol também é um fingidor. Mas os solstícios deixam o arrebol mais belo.
Estradas de poeira e paisagens ladeadas de solidão embaraçam as direções a seguir. Meu coração não é só músculo.
Aqui e ali raream casas e palavras. O vento canta velhas canções.
Escassos sentidos. Não vejo. Não ouço. Não sinto. Minto.
O que finjo é uma sentença inacabada. O que lamento é a saudade desmedida. Há muros. Há vestígios de quimeras tristes - os castelos, os contos, as fadas.
Uma ligeira melancolia como uma frase enviesada. Ligo o rádio - nenhuma novidade. Mudo a estação. Os poetas não são mais tão criativos como outrora.
Decidi que vou compor uma canção antes de dormir. Não ligue se os versos forem cafonas e as rimas pobres.
Algo atravessa, em diagonal, o meu pensamento. O mesmo dia, duas vezes e uma única chance. Li isso na capa de um DVD pirata.
O sono está chegando. Tento em vão me concentrar nas últimas palavras.
FIM.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Acesso de crianças em lan houses será disciplinado
A portaria atinge também salas de cinema, vídeo e DVD. Os donos desses lugares devem afixar as informações sobre a natureza da diversão e sua respectiva classificação indicativa.
As medidas da portaria são as seguintes:
1. zelar para que crianças e adolescentes só tenham acesso aos jogos compatíveis com as suas respectivas idades, cuja classificação indicativa está no site do Ministério da Justiça (www.mj.gov.br);
2. proibir a aceitação de crianças e adolescentes com farda escolar, exceto quandoa companhadas dos responsáveis;
3. proibição expressa do acesso em estabelecimentos de diversões eletrônicas que também explorem, comercialmente, bilhar, sinuca ou ainda jogos de azar, como também que vendam bebidas alcoólicas ou produtos que possam causar dependência física ou psíquica.
As crianças que forem encontradas em desacordo com que diz a portaria serão encaminhadas aos pais ou responsáveis, que deverão assinar um termo de responsabilidade e comparecer a audiências e reuniões na 1ª Vara de Infância e Juventude de Natal.
Informações d'O Jornal de Hoje (11/09/2007)
terça-feira, 11 de setembro de 2007
TV em excesso faz mal
Um estudo do pesquisador Erik Landhuis, da Universidade de Otago, em Dunedin (Nova Zelândia), publicado na revista americana Pediatrics avaliou mil jovens de 15 anos e comparou o tempo que ficavam na frente da tevê com a capacidade de se concentrarem.
Espantosamente, descobriu que quando esses adolescentes tinham entre 5 e 11 anos gastavam em média duas horas por dia assistindo à tevê. Entre os 13 e os 15 anos essa média subiu para três horas diárias, e foi o suficiente para aumentar em 40% os problemas de atenção.
Leia mais na Carta Capital: www.cartacapital.com.br
Crise na Saúde
O mais interessante é que só se fala na crise na saúde dos Estados do Nordeste.
Coincidência ou não, o Nordeste foi a região onde o presidente Lula foi mais votado nas eleições do ano passado. É estranho esse olhar repentino para os problemas na saúde pública desses Estados.
Seria essa a nova tentativa da mídia conservadora (e golpista!) - como diria Paulo Henrique Amorim - para derrubar o presidente Lula?
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
A entrevista de Micarla no Repórter 98: "Amanhã é um dia bombástico"
Pelo menos em tese era para ser uma entrevista.
O apresentador do jornal, Robson Carvalho, começou perguntando o porquê do apelido de borboleta que identifica Micarla de Sousa.
Em seguida, ele entrou no assunto do momento da política natalense - a possível saída da deputada do Partido Verde, presidido por Micarla aqui no Rio Grande do Norte.
Foi aí que a coisa desandou. Robson, ao invés de entrevistar e deixar a entrevistada responder, falou mais que a própria Micarla, fazendo conjecturas e traçando cenários o tempo todo, sendo repetitivo com a finalidade única de conseguir alguma declaração enviesada para ser manchete dos jornais de amanhã.
Evidentemente, faz parte do trabalho do jornalista tentar extrair o máximo do seu entrevistado. Mas falar sem parar, igual a papagaio de pirata, não ajuda.
Micarla disse que está passando por um momento de insegurança, mas afirmou que não acredita em teorias da conspiração que visariam tirá-la do comando do PV no RN. Ela também comentou que, no momento, não pensa em mudar de sigla.
Mas deixou uma brecha: "Amanhã é um dia bombástico. Amanhã é outro dia". A menção do "dia bombástico" é uma referência ao 11 de setembro de 2001, quando os aviões comandados por terroristas islâmicos atingiram as torres gêmeas de Nova Iorque, matando milhares de pessoas.
Micarla estaria preparando alguma supresa para os natalenses?
Atenção, colegas jornalistas que transitam pela fofolítica, façam suas apostas!
Brasil Alfabetizado aplica apenas 15% da verba
Segundo o site, em 2007, o governo cortou quase pela metade a verba prevista para ações do programa. Foram autorizados R$ 362,3 milhões, mas apenas 15% deste valor foram aplicados efetivamente.
A justificativa para a redução na liberação das verbas é que o governou descobriu fraudes na utilização do dinheiro.
Espera-se que o governo adote medidas eficazes de combate às fraudes e consiga coordenar o programa de forma a atender o seu principal objetivo, que é a erradicação do analfabetismo no país.
Cortar investimentos, certamente, não é o melhor dos caminhos para um país que convive com um déficit educacional imenso, como é o caso do Brasil.
Igreja Universal pede dinheiro para comprar rádios
A distribuição ocorreu na sexta-feira 7, durante "a maior sessão de descarrego do mundo", na praia de Botafogo, zona sul do Rio. De acordo com a Folha, 650 mil pessoas estiveram no evento.
O jornal informa que o carnê traz uma justificativa para convencer as pessoas a contribuirem: "A mídia é um canal valioso que a Iurd tem usado na propagação da Palavra de Deus, e o rádio é a principal ferramenta capaz de alcançar aqueles que moram nas mais distantes regiões".
Se isso não for exploração da fé é o que então? O mais incrível é que um grande número de pessoas se deixa iludir e dá dinheiro para Edir Macedo ampliar seu império de comunicação, sob a balela de que está "propagando o Evangelho".
Pai, eles não sabem o que fazem!
Diogo Mainardi faz escola
Lula virou uma obsessão para ela - e a tentativa de derrubá-lo também. Eliane, assim como Mainardi, enxerga o dedo de Lula em tudo (de ruim) que acontece. E desconfia de tudo que ele diz.
A nova da colunista é que o presidente Lula é culpado pelas falcatruas do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Renan vai ser subemetido ao voto dos seus colegas senadores, que decidirão na próxima quarta-feira 12 se cassam ou não o mandato dele.
Eliane já avisou: "Lula está pronto para o que der e vier. Se Renan perder, dirá que não sabia, não tinha nada a ver com isso. Se ganhar e ficar no Senado, Lula arranjará um jeito de se fazer credor do PMDB."
É o estilo mainardiano de fazer jornalismo.
O jeitinho brasileiro
Sabe o que aconteceu? Cinco milhões de "dependentes" sumiram do mapa. Eram nomes que constavam nas declarações para fins de abatimento do imposto. Como não precisa informar o CPF antes, ficava fácil inventar esses dependentes.
Brasileiro tem "jeitinho" para tudo mesmo. E o povo ainda reclama da classe política.
domingo, 9 de setembro de 2007
Ele é o cara!
Beluzzo é economista, filiado ao PPS e ex-secretário dos governos Sarney e Quércia (SP).
Ele disse que a nova TV Pública será uma "TV não estatal, apartidária, plural". Falando sobre o poder da mídia, Beluzzo disse se preocupar com os "movimentos unânimes" na mídia e que isto "não é bom". Ele deu como exemplo o julgamento dos acusados de envolvimento com o caso do "mensalão" no STF, quando houve grande pressão da mídia para que os juízes aceitassem a denúncia do Procurador Geral da República.
Para Beluzzo, a imprensa "simplificou" as coisas no julgamento do "mensalão". "Ficou uma coisa de bandidos contra mocinhos. O mundo não é assim. Vejo alguns colunistas que têm certezas tão graníticas. Fico muito surpreendido porque não tenho essa certeza."
Beluzzo disse que recebeu do presidente Lula o recado para que "levasse com a maior autonomia possível" a TV Pública. Ele defendeu um fundo para financiamento da TV e disse que a rede não pode disputar publicidade.
No geral, a entrevista foi boa. A Folha, como não poderia deixar de ser, aproveitou para atacar o PT mais uma vez. Fez perguntas que traziam implícitas acusações contra o partido do presidente Lula. Mas Beluzzo parece ter percebido a não caiu na estratégia.
sábado, 8 de setembro de 2007
Terminou o inverno
A vida começa a entrar nos eixos. Novos planos, novos alvos - quem sabe agora!
É isso aí... deixa o rio correr sob a ponte e ver aonde a água vai parar.
Eu fico aqui contando histórias, decorando prosas, apagando nódoas.
Acho que vou pintar a parede do meu quarto. A sala, por enquanto, fica como está.
Vamos lá...
Concessão da Globo vence em 5 de outubro

A revista "Fórum" deste mês traz uma reportagem de capa sobre o fim do contrato de concessão da TV Globo, em 5 de outubro.
Li apenas um trecho da matéria que está disponível no site da revista. Quando tiver acesso ao texto na íntegra, postarei aqui os principais pontos. Por enquanto, segue a transcrição do trecho do site:
Como se constrói um monopólio
Por Bia Barbosa
No próximo dia 5 de outubro, vencem as concessões das principais emissoras de TV brasileiras. Entre elas, estão cinco concessões da Rede Globo – em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Minas Gerais. Neste dia, caberá ao Executivo federal, por meio do Ministério das Comunicações e da Casa Civil, aceitar ou não os pedidos de renovação, por mais 15 anos, e submeter sua decisão do Congresso Nacional, que tem a palavra final no processo. O que pouca gente sabe é que tal procedimento, de tamanha importância para o país – é redundante afirmar o papel político, econômico e social que os meios de comunicação, sobretudo a TV, desempenham em nossa sociedade – será nada mais do que um rito burocrático. Mas, para evitar que a data passe em branco, movimentos sociais e entidades ligadas à luta pela democratização da comunicação planejam promover manifestações e chamar a sociedade para debater o modelo das concessões públicas de radiodifusão. Um modelo que contribuiu de forma decisiva para fazer da Globo o império que ela é hoje. “O mercado de televisão no Brasil, especificamente, não era oligopolizado até a década de 1970. Chateaubriand tentou até monopolizar, mas a Globo, durante a ditadura militar, atualiza o projeto das elites do setor e do governo no período anterior. Dadas as condições técnicas, ela pôde ocupar um espaço que os Diários Associados do Chatô não podiam sequer sonhar”, esclarece a cientista social da Universidade Federal de Pernambuco Maria Eduarda Rocha. Ela atribui a concentração de capital e produção da Rede Globo à própria construção da indústria cultural no Brasil, que pressupõe centros produzindo para um vasto território.
Maria Eduarda cita ainda como fatores que foram fundamentais para a estruturação da Globo na década de 1960 o famoso acordo com a Time-Life, realizado em 1962, responsável por injetar capital estrangeiro na emissora, algo que ia contra a legislação vigente. “Há um fator mais forte que é a relação entre o empresariado da cultura e governo militar, que era muito orgânica. O governo permaneceu como maior anunciante, o que era um grande instrumento de controle, sendo que a Globo foi a grande captadora de verba publicitária do regime”, sustenta.
Mas não foi só à época da ditadura que o regime de concessões e o Estado favoreceram a Globo. Durante o governo Sarney (1985-1989), o ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães promoveu uma verdadeira farra de distribuição de concessões na área de radiodifusão. Paulino Motter, doutor em Ciências Políticas, na dissertação de mestrado A batalha invisível da Constituinte, mostra que em três anos e meio Sarney distribuiu 1.028 outorgas, aproximadamente 25% delas no mês de setembro de 1988, que antecedeu a promulgação da Constituição. Quase todos os beneficiados foram parlamentares que, direta ou indiretamente, receberam as outorgas em troca de apoio político aos cinco anos de mandato e o regime presidencialista. Motter mostra que, dos 91 constituintes que receberam ao menos uma concessão de rádio ou de televisão, 82 (90,1%) votaram a favor do mandato de cinco anos.
Além de beneficiar a Globo e Sarney, ACM também aproveitou sua estada no governo federal para incrementar sua influência na área da comunicação na Bahia. A maior parte das concessões das emissoras que integram a Rede Bahia são dessa época. Antônio Carlos Magalhães Júnior é o presidente da Rede Bahia. Em 1987, a TV Bahia, do grupo, se tornou afiliada da Rede Globo, desbancando a TV Aratu, que retransmitia o sinal da emissora da família Marinho havia 18 anos.
Cado Madeleine? O que é isso?
Suponho que a manchete se refere ao "Caso Madeleine" - a garota britânica que desapareceu em Portugal quando estava de férias num hotel com seus pais (agora suspeitos do sumiço da menina). Um verdadeiro caso globalizado.
Conforme consta no site do Ig, a notícia foi postada às 09h22 e atualizada às 11h53 de hoje. Eu acessei a página às 12h35. Tempo mais que suficiente para perceberem o erro e consertá-lo.
Tropa de Elite
Segunda-feira (03/09) a cópia pirata do dvd era vendida no calçadão do antigo Cine Rio Branco por R$ 4,00.
Confesso: eu comprei!
O filme do diretor José Padilha - o mesmo do documentário "ônibus 174" - é baseado no livro "Elite da Tropa" e mostra um retrato do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) do Rio de Janeiro. O filme enfoca a corrupção na Polícia Militar e o uso extremo da violência cometida pelos integrantes do BOPE. Há seqüências de tortura mostrando os policiais sufocando integrantes do tráfico de drogas com sacos plásticos.
O livro que serviu de base para a película foi escrito por André Batista (ex-integrante do Bope) em parceria com o sociólogo e ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares e pelo capitão reformado da PM Rodrigo Pimentel.
Ao retratar o combate ao tráfico de drogas e o dia-a-dia da profissão policial do ponto de vista dos policiais, o filme revela um Sistema-Estado repressor e corrompido, que legitima e estimula o uso da violência. Não é sem propósito a referência à obra "Vigiar e Punir" de Michel Focault.
Tem uma frase do Capitão Nascimento, vivido pelo ator Wagner Moura, que eu achei interessante: "Eu queria saber quantas crianças ainda vão morrer só pra um que playboy possa rolar um baseado".
A equipe do Bope havia subido o morro e encontrado um grupo de jovens fumando maconha e cheirando pó. Eram estudantes que moravam fora da favela. Os neguinhos do morro também estavam por lá. O Bope chegou atirando e matou um deles. O Capitão Nascimento arrastou um dos playbos até o corpo e fez ele olhar bem de perto o buraco da bala no peito do cara morto. O Capitão pergunta ao garoto quem tinha matado aquele cara. O playboy, apavorado e chorando, disse que tinha sido um dos homens do Bope. E o Capitão Nascimento reage: "Foi você, seu playboy de merda... Você matou ele... A gente sobe aqui pra desfazer as merdas que vocês fazem!".
O filme percorre extremos interessantes, porque ao mesmo tempo em mostra a corrupção nos aparelhos estatais de segurança e condena a banalização da violência dos policiais, mostra também uma sociedade perdida em seus valores, que faz passeata pela paz quando morre alguém da classe média, mas que não está nem aí quando morre alguém no morro. Os filhos da classe média que reclamam da violência, mas fumam um back e dão uma tecada no pó tranquilamente, como se não fizessem parte da cadeia que alimenta o tráfico de drogas e desencadeia a violência urbana.
