Leio o blog da jornalista Thaisa Galvão quase diariamente - não porque gosto, mas por dever de ofício, que fique bem claro. Freqüentemente, escrevo comentários às notas lá publicadas. Mais freqüentemente ainda, meus comentários são solenemente ignorados, censurados. Isso revela uma faceta muito comum aqueles que ocupam postos de comando nos veículos de comunicação locais e nacionais - não publicar críticas. Quando muito, publicar apenas críticas leves, que venham ao encontro do interesse do gatekeeper.
Hoje, enviei mais um comentário ao blog da editora de "O Jornal de Hoje". Na certeza de que mais este será igualmente censurado, transcrevo aqui a mensagem enviada para que fique registrado o meu protesto:
"É uma pena que vc [Thaisa Galvão] censure alguns comentários. Principalmente quando eles questionam sua postura jornalística ou quando faz críticas aqueles que você defende. Aliás, este é mais um comentário que deverá ser enviado à lixeira. Insisto em escrevê-lo apenas para que você saiba que nem todos são leitores passivos, sem cérebro , como querem a maioria dos comandantes da mídia nativa. E ainda falam em liberdade de imprensa, mesmo sonegando a liberdade de opinião e crítica aos cidadãos. Em Natal, como em todo o Brasil, não existe liberdade de imprensa. O que existe é liberdade de empresa."
sábado, 28 de julho de 2007
domingo, 15 de julho de 2007
Editorial da Folha compara festa do Pan a espetáculo circense
Pan e circo
"Saltos , corridas, arremessos, recordes: os Jogos Pan-Americanos tomam conta do noticiário, e mesmo algumas modalidades esportivas que usualmente despertam pouca atenção das autoridades e do público revelam, nestes dias, seu poder de encantamento e mobilização emocional.
Em meio ao clima dominante, passa por antipática, sem dúvida, qualquer manifestação de incômodo diante do espetáculo. A circunstância de que se desenvolve poucos dias após um sangrento conflito entre policiais e o crime organizado nas favelas do Alemão -enquanto denúncias de abuso e matança de inocentes ainda estão para ser investigadas seriamente- não deixa de projetar sobre as festividades uma sombra indesejável e sinistra.
Não se trata de, mais uma vez, superestimar os fatos da criminalidade no Rio de Janeiro, na perspectiva errônea de que cidades como São Paulo, Recife, Vitória ou Belo Horizonte pudessem oferecer estatísticas aceitáveis no tocante à segurança pública.
Eis aí, com efeito, uma competição nada esportiva -e nada inteligente. Cidades grandes e médias de todo o país teriam, a rigor, dificuldades imensas para sediar qualquer evento internacional sem contar com forças especiais de repressão ao crime.
Numa sociedade conflagrada, em que chacinas policiais e ações homicidas do narcotráfico se alternam com estarrecedora rapidez, o entusiasmo gerado pelo Pan adquire, de todo modo, significações contraditórias.
Pode-se ver nesses jogos tudo aquilo que, com algum clichê, cabe assinalar em ocasiões do gênero: os exemplos de congraçamento internacional, de superação dos limites humanos, de elogio ao vigor do corpo e à pertinácia do espírito. Os mais entusiasmados acrescentarão à lista a capacidade organizacional dos poderes públicos brasileiros -que, claro, seria melhor ver demonstrada de modo mais enfático no dia-a-dia da população.Com essa perspectiva, algo de esperança se expressa, numa resposta compensatória às experiências brutais do cotidiano.
Parece haver, contudo, um ponto em que a celebração legítima se transforma em alienação e anestesia; em que a emoção coletiva vem alimentar a insensibilidade individual; e em que tudo vem refletir, afinal de contas, a rotinização da violência, à qual já se dá menos atenção do que ao frenesi oficialmente construído em torno do espetáculo.
Suspendem-se banhos de sangue para comemorar medalhas de iatismo, silenciam-se as semi-automáticas para a audição do hino nacional, e balas perdidas esperam o resultado do vôlei para então prosseguir seu curso. Os governantes oferecem, enquanto isso, os números de sempre: saltos ornamentais e piruetas circenses de calamitoso efeito, entre denúncias de superfaturamento e sinais veementes de crise social.
O país inteiro, e não apenas o Rio, vive o contraste entre a festa e a barbárie. Que não se estrague a festa; mas que tampouco se ignore aquilo que, precariamente, veio interromper."
"Saltos , corridas, arremessos, recordes: os Jogos Pan-Americanos tomam conta do noticiário, e mesmo algumas modalidades esportivas que usualmente despertam pouca atenção das autoridades e do público revelam, nestes dias, seu poder de encantamento e mobilização emocional.
Em meio ao clima dominante, passa por antipática, sem dúvida, qualquer manifestação de incômodo diante do espetáculo. A circunstância de que se desenvolve poucos dias após um sangrento conflito entre policiais e o crime organizado nas favelas do Alemão -enquanto denúncias de abuso e matança de inocentes ainda estão para ser investigadas seriamente- não deixa de projetar sobre as festividades uma sombra indesejável e sinistra.
Não se trata de, mais uma vez, superestimar os fatos da criminalidade no Rio de Janeiro, na perspectiva errônea de que cidades como São Paulo, Recife, Vitória ou Belo Horizonte pudessem oferecer estatísticas aceitáveis no tocante à segurança pública.
Eis aí, com efeito, uma competição nada esportiva -e nada inteligente. Cidades grandes e médias de todo o país teriam, a rigor, dificuldades imensas para sediar qualquer evento internacional sem contar com forças especiais de repressão ao crime.
Numa sociedade conflagrada, em que chacinas policiais e ações homicidas do narcotráfico se alternam com estarrecedora rapidez, o entusiasmo gerado pelo Pan adquire, de todo modo, significações contraditórias.
Pode-se ver nesses jogos tudo aquilo que, com algum clichê, cabe assinalar em ocasiões do gênero: os exemplos de congraçamento internacional, de superação dos limites humanos, de elogio ao vigor do corpo e à pertinácia do espírito. Os mais entusiasmados acrescentarão à lista a capacidade organizacional dos poderes públicos brasileiros -que, claro, seria melhor ver demonstrada de modo mais enfático no dia-a-dia da população.Com essa perspectiva, algo de esperança se expressa, numa resposta compensatória às experiências brutais do cotidiano.
Parece haver, contudo, um ponto em que a celebração legítima se transforma em alienação e anestesia; em que a emoção coletiva vem alimentar a insensibilidade individual; e em que tudo vem refletir, afinal de contas, a rotinização da violência, à qual já se dá menos atenção do que ao frenesi oficialmente construído em torno do espetáculo.
Suspendem-se banhos de sangue para comemorar medalhas de iatismo, silenciam-se as semi-automáticas para a audição do hino nacional, e balas perdidas esperam o resultado do vôlei para então prosseguir seu curso. Os governantes oferecem, enquanto isso, os números de sempre: saltos ornamentais e piruetas circenses de calamitoso efeito, entre denúncias de superfaturamento e sinais veementes de crise social.
O país inteiro, e não apenas o Rio, vive o contraste entre a festa e a barbárie. Que não se estrague a festa; mas que tampouco se ignore aquilo que, precariamente, veio interromper."
quinta-feira, 12 de julho de 2007
"Hugo Chávez não é populista", diz José Saramago
Na contramão das opiniões reinantes pelas bandas de cá, o escritor português José Saramago disse, nesta quinta-feira, que não considera o presidente venezuelano Hugo Chávez populista.
"É um jeito pejorativo de falar de alguém que se preocupar com as classes que durante gerações e gerações não saíam da miséria", afirmou.
Saramago disse ainda que Hugo Chávez "está usando de maneira correta" o dinheiro do petróleo venezuelano.
"O presidente Chávez é criticado muitas vezes por aquilo que chamam de seu populismo. Aceitando isso, cabe perguntar o que é não ser populista, como devemos chamar a alternativa".
Com informações do jornal O Globo
"É um jeito pejorativo de falar de alguém que se preocupar com as classes que durante gerações e gerações não saíam da miséria", afirmou.
Saramago disse ainda que Hugo Chávez "está usando de maneira correta" o dinheiro do petróleo venezuelano.
"O presidente Chávez é criticado muitas vezes por aquilo que chamam de seu populismo. Aceitando isso, cabe perguntar o que é não ser populista, como devemos chamar a alternativa".
Com informações do jornal O Globo
Stédile eleva o tom e diz que governo Lula é inimigo do MST
"O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) disse que o latifúndio deixou de ser o principal inimigo do movimento e elegeu as empresas transacionais e o governo Lula, como principais inimigos na luta pela reforma agrária e mudança do modelo econômico em vigor no Brasil. A declaração foi feita hoje em discurso a sem-terra, pequenos agricultores e estudantes na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, no Paraná.
"Antes era o latifúndio, agora são as empresas transacionais que exploram as nossas riquezas e levam para fora do país", afirma Stédile. Segundo ele, as empresas que dominam o agronegócio brasileiro enviaram para o exterior cerca de US$ 4 bilhões entre janeiro a junho deste ano, enquanto que a reforma agrária necessitaria de US$ 1 bilhão para ser executada pelo governo brasileiro. De acordo com dados do MST, existem 4 milhões de famílias de sem-terra no País.
Para Stédile, a reforma agrária no governo Luiz Inácio Lula da Silva está muito longe da expectativa dos movimentos sociais. "O MST se iludiu com o Lula porque ele não manda nada, vive viajando. Quem manda nesse País são os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por isso, a reforma agrária não avança", diz o líder sem-terra. Para ele, o Estado brasileiro fez uma "aliança" com o agronegócio e nesse sentido cria leis para protegê-lo. "O Lula fica quieto porque recebeu dinheiro de campanha das empresas transacionais"."
Uol Últimas Notícias
"Antes era o latifúndio, agora são as empresas transacionais que exploram as nossas riquezas e levam para fora do país", afirma Stédile. Segundo ele, as empresas que dominam o agronegócio brasileiro enviaram para o exterior cerca de US$ 4 bilhões entre janeiro a junho deste ano, enquanto que a reforma agrária necessitaria de US$ 1 bilhão para ser executada pelo governo brasileiro. De acordo com dados do MST, existem 4 milhões de famílias de sem-terra no País.
Para Stédile, a reforma agrária no governo Luiz Inácio Lula da Silva está muito longe da expectativa dos movimentos sociais. "O MST se iludiu com o Lula porque ele não manda nada, vive viajando. Quem manda nesse País são os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por isso, a reforma agrária não avança", diz o líder sem-terra. Para ele, o Estado brasileiro fez uma "aliança" com o agronegócio e nesse sentido cria leis para protegê-lo. "O Lula fica quieto porque recebeu dinheiro de campanha das empresas transacionais"."
Uol Últimas Notícias
Espertos, muito espertos esses vereadores de Natal
Como foram pegos no pulo do gato, os vereadores que receberam propina para derrubar os vetos do prefeito Carlos Eduardo (PSB) às emendas do Plano Diretor, escândalo que veio à tona com a bem sucedida "Operação Impacto", ameaçam agora retaliar instalando uma Coimissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a reforma do Machadão. É uma tentativa de desgastar o prefeito Carlos Eduardo, a quem os espertinhos do legislativo municipal creditam forte influência por trás desse quiprocó todo.
E eu perginto: só agora eles desconfiam de que houve desvio de dinheiro público na reforma do Machadão?
Ah, faça-me o favor!
O vereador Salatiel de Souza, que serviu anos a fio ao agripinismo (que, como se sabe, é um sitema político profícuo em matéria de produção de homens públicos honestos) e agora está sem partido, saiu-se com uma história pra boi dormir. Disse que foi procurado pelo secretário-chefe do Gabinete Civil da Prefeitura, Bosco Pinheiro, que teria lhe oferecido vantagens para votar a favor dos vetos do prefeito.
Só agora você vem a público fazer a denúncia, vereador? Por quê a demora? Se é verdade que o prefeito lhe ofereceu dinheiro, o senhor deveria ter trazido o assunto ao conhecimento de todos de pronto. Se não o fez, foi porque deve ter se sentido atraído pela suposta proposta - mas acabou aceitando a das empreiteiras, né!
E só pra chatear, mais uma da Thaísa Galvão - estou adorando catalogar as m... que ela escreve!
Eis que a editora-chefe d'O Jornal de Hoje divulgou em seu blog a lista com os nomes das entidades ligadas aos movimentos sociais que assinaram o manifesto de apoio à Operação Impacto. Veja só o comentário dela: "É tanta entidade, tanto nome estranho, tanta coisa que ninguém tinha ouvido falar... O fato é que elas existem e assinaram a nota".
Pô, Thaísa, você também não facilita, né! Depois não vem reclamar que eu pego no seu pé.
Tenho uma explicação para o fato de você (e da maioria dos coleguinhas de profissão) não conhecer os movimentos sociais: você está longe das ruas! Não sabe o que se passa no ceio do povo, não conhece a realidade dos que lutam por uma sociedade com menos desigualdade, por um outro mundo possível. O seu mundo é o mundo dos conchavos políticos, dos chás das cinco, das confrarias de não sei o que lá... Não é de se estranhar que a existênncia de tantos movimentos sociais organizados lhe deixe desorientada.
E eu perginto: só agora eles desconfiam de que houve desvio de dinheiro público na reforma do Machadão?
Ah, faça-me o favor!
O vereador Salatiel de Souza, que serviu anos a fio ao agripinismo (que, como se sabe, é um sitema político profícuo em matéria de produção de homens públicos honestos) e agora está sem partido, saiu-se com uma história pra boi dormir. Disse que foi procurado pelo secretário-chefe do Gabinete Civil da Prefeitura, Bosco Pinheiro, que teria lhe oferecido vantagens para votar a favor dos vetos do prefeito.
Só agora você vem a público fazer a denúncia, vereador? Por quê a demora? Se é verdade que o prefeito lhe ofereceu dinheiro, o senhor deveria ter trazido o assunto ao conhecimento de todos de pronto. Se não o fez, foi porque deve ter se sentido atraído pela suposta proposta - mas acabou aceitando a das empreiteiras, né!
E só pra chatear, mais uma da Thaísa Galvão - estou adorando catalogar as m... que ela escreve!
Eis que a editora-chefe d'O Jornal de Hoje divulgou em seu blog a lista com os nomes das entidades ligadas aos movimentos sociais que assinaram o manifesto de apoio à Operação Impacto. Veja só o comentário dela: "É tanta entidade, tanto nome estranho, tanta coisa que ninguém tinha ouvido falar... O fato é que elas existem e assinaram a nota".
Pô, Thaísa, você também não facilita, né! Depois não vem reclamar que eu pego no seu pé.
Tenho uma explicação para o fato de você (e da maioria dos coleguinhas de profissão) não conhecer os movimentos sociais: você está longe das ruas! Não sabe o que se passa no ceio do povo, não conhece a realidade dos que lutam por uma sociedade com menos desigualdade, por um outro mundo possível. O seu mundo é o mundo dos conchavos políticos, dos chás das cinco, das confrarias de não sei o que lá... Não é de se estranhar que a existênncia de tantos movimentos sociais organizados lhe deixe desorientada.
"Operação Impacto" na imprensa
Manchetes dos princiapis jornais de Natal sobre a Operação Impacto:
Tribuna do Norte: "MP acusa 8 vereadores de venderem votos na Câmara"
Diário de Natal: "MP acusa vereadores de cobrarem propinas"
O Jornal de Hoje: "Vereadores receberam propinas para derrubar vetos do prefeito"
Correio da Tarde: "Telefonemas comprovam que vereadores receberam propina"
Os dois primeiros impressos, mais tradicionais da cidade, optaram por ficar em cima do muro, colocando a denúncia do propinoduto na Câmara Municipal na boca do MP: "MP acusa". Os jornais não querem se comprometer com as denúncias - por sinal, mais que comprovadas com escutas telefônicas nas quais os sapientíssimos vereadores demonstram toda sua capacidade verborrágica.
É bom lembrar que um dos vereadores envolvidos no esquema, Geraldo Neto (PMDB), é da família dos donos da Tribuna do Norte. Alguém esperava que eles não aliviassem a barra do menino?
O Jornal de Hoje e o Correio da Tarde foram mais enfáticos, suas respectivas manchetes traduzem melhor a verdade dos fatos: "Vereadores receberam propina". Os dois vespertinos se posicionaram ao lado do MP e contra os vereadores. Foram mais corajosos.
Agora, a Thaisa Galvão, que vem a ser editora-chefe d'O Jornal de Hoje, não tem jeito mesmo. Na edição de hoje do seu blog, ela diz estranhar que o MP tenha listado os nomes de 16 vereadores que votaram pela derrubada dos vetos às emendas do Plano Diretor. O argumento dela é que a votação foi secreta.
Ora, bolas! Até a verde grama do jardin da Câmara Municipal conhecia o voto de cada vereador, pois, em mais de uma oportunidade, eles declararam o que fariam na urna - isso mesmo que vc tá pensando, uma grande cagada!
Além disso, a nobre colega jornalista deve ter lido as transcrições das escutas telefônicas feitas pelo MP, com autorização judicial, onde os tais vereadores conversam sem nenhum pudor sobre o esquema de propinas que rolou na Casa do Povo - que a julgar pelo perfil da maioria dos seus inquilinos, está mais para zona.
Quanto aos vereadores sacanas, eles estão utilizando uma velha prática de quem é pego com a boca na botija: negar tudo até a morte. A faca pode entrar de bucho a dentro, mas eles negam tudo. "Essa voz gravada não é minha". Faz-me rir - pra não chorar de raiva! A tática conjunta também é a de desqualificar a ação do MP e da Polícia Civil.
E o vereador Siqueira, hein! Pego com R$ 5 mil escondidos debaixo do tapete do carro, ele disse que o dinheiro seria utilizado para pagar uma pendência judicial com um ex-funcionário. Só não disse o porquê da grana estar escondida em local tão incomum.
E hoje tem lavagem da escadaria da Câmara Municipal. Haja sabão pra limpar tanta sujeira.
Tribuna do Norte: "MP acusa 8 vereadores de venderem votos na Câmara"
Diário de Natal: "MP acusa vereadores de cobrarem propinas"
O Jornal de Hoje: "Vereadores receberam propinas para derrubar vetos do prefeito"
Correio da Tarde: "Telefonemas comprovam que vereadores receberam propina"
Os dois primeiros impressos, mais tradicionais da cidade, optaram por ficar em cima do muro, colocando a denúncia do propinoduto na Câmara Municipal na boca do MP: "MP acusa". Os jornais não querem se comprometer com as denúncias - por sinal, mais que comprovadas com escutas telefônicas nas quais os sapientíssimos vereadores demonstram toda sua capacidade verborrágica.
É bom lembrar que um dos vereadores envolvidos no esquema, Geraldo Neto (PMDB), é da família dos donos da Tribuna do Norte. Alguém esperava que eles não aliviassem a barra do menino?
O Jornal de Hoje e o Correio da Tarde foram mais enfáticos, suas respectivas manchetes traduzem melhor a verdade dos fatos: "Vereadores receberam propina". Os dois vespertinos se posicionaram ao lado do MP e contra os vereadores. Foram mais corajosos.
Agora, a Thaisa Galvão, que vem a ser editora-chefe d'O Jornal de Hoje, não tem jeito mesmo. Na edição de hoje do seu blog, ela diz estranhar que o MP tenha listado os nomes de 16 vereadores que votaram pela derrubada dos vetos às emendas do Plano Diretor. O argumento dela é que a votação foi secreta.
Ora, bolas! Até a verde grama do jardin da Câmara Municipal conhecia o voto de cada vereador, pois, em mais de uma oportunidade, eles declararam o que fariam na urna - isso mesmo que vc tá pensando, uma grande cagada!
Além disso, a nobre colega jornalista deve ter lido as transcrições das escutas telefônicas feitas pelo MP, com autorização judicial, onde os tais vereadores conversam sem nenhum pudor sobre o esquema de propinas que rolou na Casa do Povo - que a julgar pelo perfil da maioria dos seus inquilinos, está mais para zona.
Quanto aos vereadores sacanas, eles estão utilizando uma velha prática de quem é pego com a boca na botija: negar tudo até a morte. A faca pode entrar de bucho a dentro, mas eles negam tudo. "Essa voz gravada não é minha". Faz-me rir - pra não chorar de raiva! A tática conjunta também é a de desqualificar a ação do MP e da Polícia Civil.
E o vereador Siqueira, hein! Pego com R$ 5 mil escondidos debaixo do tapete do carro, ele disse que o dinheiro seria utilizado para pagar uma pendência judicial com um ex-funcionário. Só não disse o porquê da grana estar escondida em local tão incomum.
E hoje tem lavagem da escadaria da Câmara Municipal. Haja sabão pra limpar tanta sujeira.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Um dia a casa cai
O título é de um filme do final da década de 1980, sucesso protagonizado por Tom Hanks. Mas serve como luva à Câmara Municipal de Natal (CMN). Todos os sites noticiosos, os telejornais locais e alguns vespertinos impressos deram conta da Operação Impacto, realizada hoje pelo Ministério Público Estadual e a Polícia Civil.
O resumo da ópera é o seguinte: policiais civis e promotores públicos realizaram diligências e apreenderam computadores documentos em gabinetes, escritórios e casas de oito vereadores de Natal acusados de receber propina para derrubar os vetos do prefeito Carlos Eduardo às emendas do Plano Diretor.
A lista de vereadores sob suspeita é esta: o presidente da CMN Dickson Nasser (PSB), Geraldo Neto (PMDB), Sargento Siqueira (PV), Renato Dantas (PMDB), Adenúbio Melo (PSB), Júlio Protásio (PV), Emílson Medeiros (PPS) e Salatiel de Souza (sem partido).
Na casa do vereador Geraldo Neto, sobrinho do senador e ex-governador Garibaldi Alves Filho (PMDB), foram encontrados R$ 77 mil em espécie. Na casa do seu colega, vereador Emílson Medeiros, foram encontrados mais de R$ 12 mil. Enquanto isso, uma das diligências encontrou R$ 5 mil escondidos debaixo do tapete do carro do vereador Sargento Siqueira.
Não se sabe ao certo de onde partiram as denúncias que originaram a operação. A imprensa noticiou que quem denunciou o esquema foi o vereador Sid Fonseca (PR). Mas ele negou a informação. O fato é que as escutas realizadas com autorização judicial, divulgadas pelo MPE, mostraram a participação dos nobres representantes do povo no esquema ilícito.
Até aí nenhuma novidade. Até o gramado do jardim da Câmara Municipal sabia que os vereadores receberam por fora para sabotar o Plano Diretor de Natal, apresentando emendas que atendiam aos interesses dos empreiteiros.
Depois que o escândalo veio à tona, os doutos signatários da vontade popular se saíram com os desmentidos de praxe. Todos juraram inocência e disseram estar com a consciência tranqüila. Eu acredito neles. Claro, também acredito em Papai Noel, Fada Madrinha, Duendes...
Engraçado foi o que eu li no blog da Thaisa Galvão. Sobre o dinheiro encontrado na casa de Emílson Medeiros, ela disse assim: "E vamos e venhamos, sem querer defender ninguém, 15 mil reais não é valor para pagamento de propina".
Quase morri de rir. Quer dizer então que os vereadores de Natal estabeleceram um piso pra receberem propina? Só vale acima de R$ 15 mil?
Mandei o comentário para o blog, mas ela não publicou. Vai saber o porquê...
O que ninguém atentou ainda é para o fato de que se há vereadores que receberam propina é porque essa oferta surgiu de alguém. Quem são os corruptores? Vamos esperar que as investigações comandadas pelo procurador-geral de Justiça, José Augusto Peres, a procuradora do Município Marise Costa de Souza Duarte e a Polícia Civil encontrem a resposta.
Além da lista dos oito, outros vereadores também são suspeitos de integrar o sistema de recebimento de propina: Adão Eridan (PR, de licença médica), Aquino Neto (PV), Edivan Martins (PV, que pretendia derrubar os vetos mas mudou de opinião), Carlos Santos (PR), Luiz Carlos (sem partido), Aluízio Machado (PSB, que era líder do prefeito mas votou contra o prefeito), Enildo Alves (PSB) e Bispo Francisco de Assis (PSB). As informações são d'O Jornal de Hoje.
Mesmo que o caso não dê em nada e ninguém seja punido, já vale por desmascarar o discurso safado dessa máfia instalada naquela que deveria ser a casa do povo. Quando vejo eles jurando inocência, tenho vontade de chegar e perguntar: "Vem cá, tu acha que eu sou otário, é?"
O resumo da ópera é o seguinte: policiais civis e promotores públicos realizaram diligências e apreenderam computadores documentos em gabinetes, escritórios e casas de oito vereadores de Natal acusados de receber propina para derrubar os vetos do prefeito Carlos Eduardo às emendas do Plano Diretor.
A lista de vereadores sob suspeita é esta: o presidente da CMN Dickson Nasser (PSB), Geraldo Neto (PMDB), Sargento Siqueira (PV), Renato Dantas (PMDB), Adenúbio Melo (PSB), Júlio Protásio (PV), Emílson Medeiros (PPS) e Salatiel de Souza (sem partido).
Na casa do vereador Geraldo Neto, sobrinho do senador e ex-governador Garibaldi Alves Filho (PMDB), foram encontrados R$ 77 mil em espécie. Na casa do seu colega, vereador Emílson Medeiros, foram encontrados mais de R$ 12 mil. Enquanto isso, uma das diligências encontrou R$ 5 mil escondidos debaixo do tapete do carro do vereador Sargento Siqueira.
Não se sabe ao certo de onde partiram as denúncias que originaram a operação. A imprensa noticiou que quem denunciou o esquema foi o vereador Sid Fonseca (PR). Mas ele negou a informação. O fato é que as escutas realizadas com autorização judicial, divulgadas pelo MPE, mostraram a participação dos nobres representantes do povo no esquema ilícito.
Até aí nenhuma novidade. Até o gramado do jardim da Câmara Municipal sabia que os vereadores receberam por fora para sabotar o Plano Diretor de Natal, apresentando emendas que atendiam aos interesses dos empreiteiros.
Depois que o escândalo veio à tona, os doutos signatários da vontade popular se saíram com os desmentidos de praxe. Todos juraram inocência e disseram estar com a consciência tranqüila. Eu acredito neles. Claro, também acredito em Papai Noel, Fada Madrinha, Duendes...
Engraçado foi o que eu li no blog da Thaisa Galvão. Sobre o dinheiro encontrado na casa de Emílson Medeiros, ela disse assim: "E vamos e venhamos, sem querer defender ninguém, 15 mil reais não é valor para pagamento de propina".
Quase morri de rir. Quer dizer então que os vereadores de Natal estabeleceram um piso pra receberem propina? Só vale acima de R$ 15 mil?
Mandei o comentário para o blog, mas ela não publicou. Vai saber o porquê...
O que ninguém atentou ainda é para o fato de que se há vereadores que receberam propina é porque essa oferta surgiu de alguém. Quem são os corruptores? Vamos esperar que as investigações comandadas pelo procurador-geral de Justiça, José Augusto Peres, a procuradora do Município Marise Costa de Souza Duarte e a Polícia Civil encontrem a resposta.
Além da lista dos oito, outros vereadores também são suspeitos de integrar o sistema de recebimento de propina: Adão Eridan (PR, de licença médica), Aquino Neto (PV), Edivan Martins (PV, que pretendia derrubar os vetos mas mudou de opinião), Carlos Santos (PR), Luiz Carlos (sem partido), Aluízio Machado (PSB, que era líder do prefeito mas votou contra o prefeito), Enildo Alves (PSB) e Bispo Francisco de Assis (PSB). As informações são d'O Jornal de Hoje.
Mesmo que o caso não dê em nada e ninguém seja punido, já vale por desmascarar o discurso safado dessa máfia instalada naquela que deveria ser a casa do povo. Quando vejo eles jurando inocência, tenho vontade de chegar e perguntar: "Vem cá, tu acha que eu sou otário, é?"
sábado, 30 de junho de 2007
Gaza é aqui
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgou um comunicado oficial ontem, em Nova York, afirmando que a situação de vulnerabilidade a que estão expostas as crianças e adolescentes das favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é a mesma das que vivem em situação de extrema pobreza em regiões de conflitos armados, como Faixa de Gaza, Afeganistão, República Centro-Africana, Nepal e Sri Lanka.
O enfrentamento entre policiais e traficantes de drogas no conjunto de favelas do Complexo do Alemão já produziu 44 mortos - isso mesmo, "produziu", como se fosse um produto feito em escala industrial. Mas é provável que, ao escrever esse texto (e até que você venha a ler essa informação), o número já tenha aumentado.
Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam errados: não é só o Haiti que é aqui. Gaza também é aqui.
Com informações do Portal Uol Últimas Notícias.
O enfrentamento entre policiais e traficantes de drogas no conjunto de favelas do Complexo do Alemão já produziu 44 mortos - isso mesmo, "produziu", como se fosse um produto feito em escala industrial. Mas é provável que, ao escrever esse texto (e até que você venha a ler essa informação), o número já tenha aumentado.
Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam errados: não é só o Haiti que é aqui. Gaza também é aqui.
Com informações do Portal Uol Últimas Notícias.
Vida Severina
Manhã de quinta-feira, 28 de junho. Estou no ponto de ônibus esperando o transporte que me levaria ao trabalho. Os carros cortam a paisagem. Rapazes oferecem água de coco "geladinha" aos motoristas que param no semáforo. Mais à frente, homens trabalhando na pista. Tudo normal em Natal.
Mas uma cena chama a minha atenção. Enquanto espero à sombra, uma mulher passa bem na minha frente. Aparentava uns 50 anos. Rosto cansado, suor pingando, cabelos desarrumados, vestia um vestido velho e estampado. A mulher era magra, muito magra. Expressava na face, nos olhos ligeiros, o sofrimento de uma vida severina. Reforçava minhas impressões a sacola de supermercado que ela carregava nas mãos - vazia.
Imaginei que talvez aquele fosse mais um dia amanhecido sem nada para saciar a sua fome. Neste exato momento, num lampejo de tempo, fui transportado dali, daquele ponto de ônibus. Meus pensamentos me remeteram a outros lugares que não conheço. O rosto daquela mulher trouxe à memória outros tantos rostos que eu já vi passar. E em todos eles, o mesmo retrato, as mesmas marcas, as mesmas dores - a marca da exclusão, a dor da mesma vida severina.
De repente, fui tomado por um sentimento dilacerante. Senti em mim todas as injustiças do mundo. Era uma dor visceral. Num segundo, pensei que não iria suportar. Impossível racionalizar o que vivi.
Lembrei-me de uma cena do filme "Diários de Motocicleta", quando Ernesto "Che" Guevara despede-se do amigo Alberto Granado, seu companheiro na travessia pela América Latina. A viagem por diversos países, a bordo de La Poderosa, fez com que os amigos descobrissem a realidade dos que vivem no continente. No leprosário de San Pablo, em plena Amazônia peruana, o momento mais fascinante do filme. Al otro lado del rio, os doentes estão isolados dos sãos. Ernesto atravessa o rio a nado e junta-se aos excluídos. É quando ele mostra que escolheu o lado dos oprimidos.
Quando Granado está para partir de volta à Argentina, deixando Ernesto na Venezuela, este último despede-se do amigo com a frase síntese do sentimento que moveria suas escolhas a partir dali: "Quanta injustiça!". A experiência forjaria, mais tarde, o caráter revolucionário e transformador do Che.
A cena, na minha mente, corta para os dias atuais. O que mudou? As injustiças ainda se sucedem. Mas, agora, em escala planetária e na velocidade do espetáculo televisivo. Vejo a injustiça aparecer nos países invadidos pelas tropas americanas que, em nome da paz, promovem verdadeiros genocídeos. Apesar de ignorada, ela (a injustiça) é a responsável também pelos assassinatos dos que lutam por reforma agrária no Brasil. São as suas marcas (da injustiça) que enxergo em cada chacina contra moradores de rua, presidiários e outras classes de indivíduos socialmente invisíveis. É ela (a injustiça) que faz das favelas um território do tráfico de drogas, onde cidadãos de bem e crianças convivem diariamente com a violência urbana. E lá está ela (a injustiça) novamente por trás da cara sofrida de cada brasileiro que não tem o que comer, que adoece e morre por falta de hospitais, que não tem o direito ao saber.
Quando assisto à cenas como a da empregada doméstica espancada pelos playboys do Rio de Janeiro, que tiveram o displante de se justificar dizendo que bateram nela por pensar que se tratava de uma prostituta, fico completamente desorientado. A injustiça produz em mim uma desorientação crônica: não sei o que fazer, não sei nem se há o que fazer. O pai de um dos agressores da moça disse que o filho não deveria ser preso porque ele é apenas "um menino que tem a vida toda pela frente e não pode perder o seu futuro por um erro apenas". Se os espancadores fossem os neguinhos da favela e a vítima fosse a filha de um desses senhores, esses mesmos pais zelosos do futuro de seus filhos estariam clamando por justiça (!) em todos os telejornais. "Tem que reduzir a maioridade penal pra evitar que esses criminosos fiquem soltos", diriam eles.
A injustiça está na raiz de todas as cenas e males anteriormente descritos. Ela (a injustiça) precipita o abismo que nos separa. Abismo que se alimenta da farsa política dos nossos homens públicos; que se mantém graças às excrecências de um modelo econômico e político catalisador da exlusão - o capitalismo (pai de todas as injustiças).
Com diriam os pós modernos, a vida é um turbilhão de emoções e sensações diferentes. Eu queria que a vida fosse como na telenovela, onde tudo sempre acaba num happy end. Mas essa vida é uma mentira. O que existe, de verdade, é a vida severina de cada um que sofre na pele a dor da injustiça.
Mas uma cena chama a minha atenção. Enquanto espero à sombra, uma mulher passa bem na minha frente. Aparentava uns 50 anos. Rosto cansado, suor pingando, cabelos desarrumados, vestia um vestido velho e estampado. A mulher era magra, muito magra. Expressava na face, nos olhos ligeiros, o sofrimento de uma vida severina. Reforçava minhas impressões a sacola de supermercado que ela carregava nas mãos - vazia.
Imaginei que talvez aquele fosse mais um dia amanhecido sem nada para saciar a sua fome. Neste exato momento, num lampejo de tempo, fui transportado dali, daquele ponto de ônibus. Meus pensamentos me remeteram a outros lugares que não conheço. O rosto daquela mulher trouxe à memória outros tantos rostos que eu já vi passar. E em todos eles, o mesmo retrato, as mesmas marcas, as mesmas dores - a marca da exclusão, a dor da mesma vida severina.
De repente, fui tomado por um sentimento dilacerante. Senti em mim todas as injustiças do mundo. Era uma dor visceral. Num segundo, pensei que não iria suportar. Impossível racionalizar o que vivi.
Lembrei-me de uma cena do filme "Diários de Motocicleta", quando Ernesto "Che" Guevara despede-se do amigo Alberto Granado, seu companheiro na travessia pela América Latina. A viagem por diversos países, a bordo de La Poderosa, fez com que os amigos descobrissem a realidade dos que vivem no continente. No leprosário de San Pablo, em plena Amazônia peruana, o momento mais fascinante do filme. Al otro lado del rio, os doentes estão isolados dos sãos. Ernesto atravessa o rio a nado e junta-se aos excluídos. É quando ele mostra que escolheu o lado dos oprimidos.
Quando Granado está para partir de volta à Argentina, deixando Ernesto na Venezuela, este último despede-se do amigo com a frase síntese do sentimento que moveria suas escolhas a partir dali: "Quanta injustiça!". A experiência forjaria, mais tarde, o caráter revolucionário e transformador do Che.
A cena, na minha mente, corta para os dias atuais. O que mudou? As injustiças ainda se sucedem. Mas, agora, em escala planetária e na velocidade do espetáculo televisivo. Vejo a injustiça aparecer nos países invadidos pelas tropas americanas que, em nome da paz, promovem verdadeiros genocídeos. Apesar de ignorada, ela (a injustiça) é a responsável também pelos assassinatos dos que lutam por reforma agrária no Brasil. São as suas marcas (da injustiça) que enxergo em cada chacina contra moradores de rua, presidiários e outras classes de indivíduos socialmente invisíveis. É ela (a injustiça) que faz das favelas um território do tráfico de drogas, onde cidadãos de bem e crianças convivem diariamente com a violência urbana. E lá está ela (a injustiça) novamente por trás da cara sofrida de cada brasileiro que não tem o que comer, que adoece e morre por falta de hospitais, que não tem o direito ao saber.
Quando assisto à cenas como a da empregada doméstica espancada pelos playboys do Rio de Janeiro, que tiveram o displante de se justificar dizendo que bateram nela por pensar que se tratava de uma prostituta, fico completamente desorientado. A injustiça produz em mim uma desorientação crônica: não sei o que fazer, não sei nem se há o que fazer. O pai de um dos agressores da moça disse que o filho não deveria ser preso porque ele é apenas "um menino que tem a vida toda pela frente e não pode perder o seu futuro por um erro apenas". Se os espancadores fossem os neguinhos da favela e a vítima fosse a filha de um desses senhores, esses mesmos pais zelosos do futuro de seus filhos estariam clamando por justiça (!) em todos os telejornais. "Tem que reduzir a maioridade penal pra evitar que esses criminosos fiquem soltos", diriam eles.
A injustiça está na raiz de todas as cenas e males anteriormente descritos. Ela (a injustiça) precipita o abismo que nos separa. Abismo que se alimenta da farsa política dos nossos homens públicos; que se mantém graças às excrecências de um modelo econômico e político catalisador da exlusão - o capitalismo (pai de todas as injustiças).
Com diriam os pós modernos, a vida é um turbilhão de emoções e sensações diferentes. Eu queria que a vida fosse como na telenovela, onde tudo sempre acaba num happy end. Mas essa vida é uma mentira. O que existe, de verdade, é a vida severina de cada um que sofre na pele a dor da injustiça.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Tá liberado, tá tudo liberado...
Juiz libera vídeo de Cicarelli no Youtube
Atenção, voyeurs de todo o Brasil! Vocês já podem regalar seus olhos aflitos com o vídeo da Daniela Cicarelli fazendo sexo na praia com o namorado Tato Malzoni.
A Justiça paulista determinou a suspensão da proibição do vídeo com o flagra do casal em mares da Espanha.
Daniela e o namorado queriam ser indenizados pelo Youtube e por todos os veículos de comunicação que reproduziram cenas ou trechos de frases do vídeo. Eles teriam que sair mundo à fora pra receber tanta indenização.
Atenção, voyeurs de todo o Brasil! Vocês já podem regalar seus olhos aflitos com o vídeo da Daniela Cicarelli fazendo sexo na praia com o namorado Tato Malzoni.
A Justiça paulista determinou a suspensão da proibição do vídeo com o flagra do casal em mares da Espanha.
Daniela e o namorado queriam ser indenizados pelo Youtube e por todos os veículos de comunicação que reproduziram cenas ou trechos de frases do vídeo. Eles teriam que sair mundo à fora pra receber tanta indenização.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Novo presidente da TV Cultura apóia criação da TV Pública
Em entrevista à Folha de S. Paulo de hoje, o jornalista Paulo Markun, novo presidente da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura), declarou seu apoio à proposta do governo federal de criação da TV Pública - que deverá se chamar "TV Brasil".
Markun, demonstrando o discernimento e espírito público que faltam a muitos coleguinhas da imprensa, afirmou que a TV Cultura e a TV Brasil não serão concorrentes, mas parceiras. "Isso tudo é campo público. Não é concorrência. Temos que jogar juntos", disse ele à Folha.
A maioria dos críticos da TV Brasil argumenta que seria melhor o governo federal aproveitar a rede de TV's públicas já existentes - como é o caso da própria TV Cultura, da TVE do Rio, das TV's universitárias etc. Essa visão reflete muito do anacronismo existente no meio. Ora, quanto mais opções de televisão públiva tivermos, melhor para a democratização dos meios de comunicação. Além disso, as televisões públicas que existem no país não constituem uma rede integrada, mas sim focos dispersos.
O jornalista disse ainda que a TV Cultura, apesar de ser a TV pública mais independente do país, ainda "está longe de ser o que deve [realmente independente]".
A TV Cultura depende do repasse de verbas do governo de São Paulo.
Markun, demonstrando o discernimento e espírito público que faltam a muitos coleguinhas da imprensa, afirmou que a TV Cultura e a TV Brasil não serão concorrentes, mas parceiras. "Isso tudo é campo público. Não é concorrência. Temos que jogar juntos", disse ele à Folha.
A maioria dos críticos da TV Brasil argumenta que seria melhor o governo federal aproveitar a rede de TV's públicas já existentes - como é o caso da própria TV Cultura, da TVE do Rio, das TV's universitárias etc. Essa visão reflete muito do anacronismo existente no meio. Ora, quanto mais opções de televisão públiva tivermos, melhor para a democratização dos meios de comunicação. Além disso, as televisões públicas que existem no país não constituem uma rede integrada, mas sim focos dispersos.
O jornalista disse ainda que a TV Cultura, apesar de ser a TV pública mais independente do país, ainda "está longe de ser o que deve [realmente independente]".
A TV Cultura depende do repasse de verbas do governo de São Paulo.
Quem entende cabeça de senador?
Lembram do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), aquele que era relator do processo no Conselho de Ética contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL)?
Ele renunciou à relatoria do processo contra o colega. Antes, produziu um relatório inocentando Renan.
Pois não é que agora ele defende a criação de uma CPI para investigar as denúncias contra Calheiros!
Dá pra entender?
Ele renunciou à relatoria do processo contra o colega. Antes, produziu um relatório inocentando Renan.
Pois não é que agora ele defende a criação de uma CPI para investigar as denúncias contra Calheiros!
Dá pra entender?
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Classificação indicativa opõe governo e artistas
Da Folha de S. Paulo, hoje:
"Integrantes da sociedade civil, do governo e representantes da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) travaram ontem, no Ministério da Justiça, um acalorado debate sobre a definição de parâmetros da classificação indicativa para programas de TV.
A Abert reclama que regras da portaria n.º 264, publicada em fevereiro deste ano, no "Diário Oficial da União", possibilitam censura prévia por parte do governo. Também alega que as classificações de faixa etária e horários de veiculação não se tratam de indicações, mas imposições.
Representantes do Ministério da Justiça, por outro lado, -apoiados por uma série de ONGs, entre elas a Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância)- negam qualquer tipo de censura e dizem que as regras levam em conta o direito da criança e do adolescente.
"Não existe censura, pois não é possível proibir a veiculação de nenhuma cena. O único Poder capaz de fazer isso é o Judiciário", disse Guilherme Canela, coordenador de relações acadêmicas da Andi. "A portaria nasceu de um debate democrático e, de fato, não se trata de censura", afirmou o ministro Tarso Genro.
Representantes da classe artística estiveram presentes ao debate, demonstrando apoio às TVs. Juca de Oliveira comparou a classificação indicativa aos tempos de censura da ditadura militar. "Não vamos permitir que isso [a censura] volte a acontecer. Nunca mais."
Já para Tony Ramos, a portaria "tolhe a criatividade artística". "Não posso concordar com o cerceamento da produção. Acredito na liberdade de expressão". A atriz Fernanda Montenegro esteve presente, mas não se manifestou.
Em um dos momentos mais tensos do debate, o advogado da Abert Luís Roberto Barroso questionava o papel do Estado em classificar programas de TV. "Como um Estado que não tira as crianças das ruas quer ter o direito de escolher o que as crianças podem ou não podem ver", disse. Sob aplausos dos atores e vaias do restante do público, ele emendou: "As ONGs que querem se ligar às idéias do Estado têm que arcar com o ônus de assumir que estão do lado contrário à liberdade de expressão".
Canela, porém, diz que os argumentos da Abert não tratam de outras alternativas. "Dizemos que os programas precisam de classificação porque identificamos riscos às crianças. Qual é a alternativa que propõem as principais emissoras? É não ter classificação?""
Comentário
Fico impressionado com o desvirtuamento desse debate em torno da classificação indicativa proposta pelo Ministério da Justiça. O discurso sensacionalista da Abert e da classe artística ("não vamos permitir a volta da censura, nunca mais!") é só joguinho de cena.
A portaria do MJ não mexe no CONTEÚDO dos programas, nem proíbe a exibição de nada. Que conversa furada é essa de "tolhe a liberdade artística"? Ah, faça-me o favor! Ô, povinho corporativista, esses artistas brasileiros! Um monte de marionetes reproduzindo o discurso dos patrões.
As novas regras de classificação indicativa para os programas de televisão dizem basicamente o seguinte: "Quer fazer um programa com muitas cenas de sexo e violência? Ok, pode fazer. Mas esse tipo de programa só pode ser exibido a partir de tal hora".
O que parece é que emissoras de televisãoe artistas não estão nem aí para a influência maléfica que muitos programas exercem sobre nossas crianças e adolescentes - principalmente aqueles programas carregados de erotismo e violência.
"Integrantes da sociedade civil, do governo e representantes da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) travaram ontem, no Ministério da Justiça, um acalorado debate sobre a definição de parâmetros da classificação indicativa para programas de TV.
A Abert reclama que regras da portaria n.º 264, publicada em fevereiro deste ano, no "Diário Oficial da União", possibilitam censura prévia por parte do governo. Também alega que as classificações de faixa etária e horários de veiculação não se tratam de indicações, mas imposições.
Representantes do Ministério da Justiça, por outro lado, -apoiados por uma série de ONGs, entre elas a Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância)- negam qualquer tipo de censura e dizem que as regras levam em conta o direito da criança e do adolescente.
"Não existe censura, pois não é possível proibir a veiculação de nenhuma cena. O único Poder capaz de fazer isso é o Judiciário", disse Guilherme Canela, coordenador de relações acadêmicas da Andi. "A portaria nasceu de um debate democrático e, de fato, não se trata de censura", afirmou o ministro Tarso Genro.
Representantes da classe artística estiveram presentes ao debate, demonstrando apoio às TVs. Juca de Oliveira comparou a classificação indicativa aos tempos de censura da ditadura militar. "Não vamos permitir que isso [a censura] volte a acontecer. Nunca mais."
Já para Tony Ramos, a portaria "tolhe a criatividade artística". "Não posso concordar com o cerceamento da produção. Acredito na liberdade de expressão". A atriz Fernanda Montenegro esteve presente, mas não se manifestou.
Em um dos momentos mais tensos do debate, o advogado da Abert Luís Roberto Barroso questionava o papel do Estado em classificar programas de TV. "Como um Estado que não tira as crianças das ruas quer ter o direito de escolher o que as crianças podem ou não podem ver", disse. Sob aplausos dos atores e vaias do restante do público, ele emendou: "As ONGs que querem se ligar às idéias do Estado têm que arcar com o ônus de assumir que estão do lado contrário à liberdade de expressão".
Canela, porém, diz que os argumentos da Abert não tratam de outras alternativas. "Dizemos que os programas precisam de classificação porque identificamos riscos às crianças. Qual é a alternativa que propõem as principais emissoras? É não ter classificação?""
Comentário
Fico impressionado com o desvirtuamento desse debate em torno da classificação indicativa proposta pelo Ministério da Justiça. O discurso sensacionalista da Abert e da classe artística ("não vamos permitir a volta da censura, nunca mais!") é só joguinho de cena.
A portaria do MJ não mexe no CONTEÚDO dos programas, nem proíbe a exibição de nada. Que conversa furada é essa de "tolhe a liberdade artística"? Ah, faça-me o favor! Ô, povinho corporativista, esses artistas brasileiros! Um monte de marionetes reproduzindo o discurso dos patrões.
As novas regras de classificação indicativa para os programas de televisão dizem basicamente o seguinte: "Quer fazer um programa com muitas cenas de sexo e violência? Ok, pode fazer. Mas esse tipo de programa só pode ser exibido a partir de tal hora".
O que parece é que emissoras de televisãoe artistas não estão nem aí para a influência maléfica que muitos programas exercem sobre nossas crianças e adolescentes - principalmente aqueles programas carregados de erotismo e violência.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
"Temeremos mais a miséria que a morte"
"Considerando nossa fraqueza, os senhores forjaram suas leis para nos escravizar. As leis não mais serão respeitadas, considerando que não queremos mais ser escravos. Considerando que os senhores nos ameaçam com fuzis e com canhões, nós decidimos: de agora em diante, temeremos mais a miséria do que a morte".
Trecho da primeira faixa do CD O Levante, do cantor e compositor Gas-PA, do movimento LUTARMADA
Trecho da primeira faixa do CD O Levante, do cantor e compositor Gas-PA, do movimento LUTARMADA
A lógica da boquinha da panela
Do Fazendo Media (http://www.fazendomedia.com/diaadia/protoblog.htm):
"André Skaf, filho do presidente da FIESP (Paulo Skaf), concedeu entrevista à Revista O Globo de domingo e falou de suas visitas a favelas e prisões para fomentar "trabalhos sociais". O rapaz de 26 anos é idealizador do grupo Jovens Líderes Empresariais e foi apontado pela revista Veja SP como um dos 20 maiores partidos da cidade. A primeira pergunta: "Por que visitar favelas e prisões?". Resposta, na íntegra: "Para entender qual a necessidade real dessas populações e construir uma frente de mudanças. Fui a convite do José Júnior, do AfroReggae. As favelas e prisões se parecem muito com panelas de pressão, prontas a explodir. O trabalho de entidades como Unesco, Cufa e AfroReggae é como o da boquinha da panela, que tira um pouco da pressão".
Lembrei do antigo discurso de MV Bill, algo como "em vez de apontar as armas contra os irmãos, apontem para o lugar certo". Hoje, ele está mais para "a pobreza precisa da riqueza". Acho que é isso que Ferréz e Mano Brown dizem: em vez de aliviar a pressão, a idéia é usá-la para a revolução. Porque mesmo que a boquinha da panela alivie o lado de alguns, a grande maioria continua esmagada pelo modelo político-econômico que aí está. E não adianta que projeto social nenhum vai resolver a parada. Pode remediar, mas resolver, não. O lucro das indústrias filiadas à FIESP reside na exploração de seus trabalhadores. Por que diabos um sistema financiaria sua própria destruição? Por isso a lógica da boquinha da panela é importante."
"André Skaf, filho do presidente da FIESP (Paulo Skaf), concedeu entrevista à Revista O Globo de domingo e falou de suas visitas a favelas e prisões para fomentar "trabalhos sociais". O rapaz de 26 anos é idealizador do grupo Jovens Líderes Empresariais e foi apontado pela revista Veja SP como um dos 20 maiores partidos da cidade. A primeira pergunta: "Por que visitar favelas e prisões?". Resposta, na íntegra: "Para entender qual a necessidade real dessas populações e construir uma frente de mudanças. Fui a convite do José Júnior, do AfroReggae. As favelas e prisões se parecem muito com panelas de pressão, prontas a explodir. O trabalho de entidades como Unesco, Cufa e AfroReggae é como o da boquinha da panela, que tira um pouco da pressão".
Lembrei do antigo discurso de MV Bill, algo como "em vez de apontar as armas contra os irmãos, apontem para o lugar certo". Hoje, ele está mais para "a pobreza precisa da riqueza". Acho que é isso que Ferréz e Mano Brown dizem: em vez de aliviar a pressão, a idéia é usá-la para a revolução. Porque mesmo que a boquinha da panela alivie o lado de alguns, a grande maioria continua esmagada pelo modelo político-econômico que aí está. E não adianta que projeto social nenhum vai resolver a parada. Pode remediar, mas resolver, não. O lucro das indústrias filiadas à FIESP reside na exploração de seus trabalhadores. Por que diabos um sistema financiaria sua própria destruição? Por isso a lógica da boquinha da panela é importante."
Relator do processo contra Renan Calheiros renuncia e votação é adiada
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) acaba de desistir da relatoria do processo contra o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL).
Wellington Salgado havia substituído o senador Epitáfio Cafeteira (PTB-MA), que também renunciara ao trabalho, na relatoria do processo contra Renan.
Renan Calheiros é acusado de receber ajuda de um lobista para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de 3 anos.
Continua indefinido, portanto, o futuro de Renan. Agora é esperar que o presidente do Conselho de Ética, senador Sibá Machado (PT-AC), indique novo relator para o processo e marque nova data para votar o relatório.
Wellington Salgado havia substituído o senador Epitáfio Cafeteira (PTB-MA), que também renunciara ao trabalho, na relatoria do processo contra Renan.
Renan Calheiros é acusado de receber ajuda de um lobista para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de 3 anos.
Continua indefinido, portanto, o futuro de Renan. Agora é esperar que o presidente do Conselho de Ética, senador Sibá Machado (PT-AC), indique novo relator para o processo e marque nova data para votar o relatório.
Governadora tucana vai suspender orçamento participativo
Mais uma do manual "Receitas do PSDB para a administração pública". A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, avisou que vai suspender o "orçamento Participativo" porque não tem "disponibilidade financeira para manter o sistema".
O projeto foi implantado em 1999 pelo então governador Olívio Dutra (PT).
O sistema do Orçamento Participativo estabelece que as prioridades de parte do Orçamento são definidas em reuniões na capital e no interior organizadas pelos Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento). Depois, esta lista é colocada no site do governo por um período determinado. Qualquer pessoa pode votar, apresentando o título de eleitor nos pontos de votação. As mais votadas devem ser realizadas pelo poder público --o que nem sempre acontece, gerando atrasos ou falta de pagamento.
A intenção da governadora tucana, se concretizada, mostra a importância que a turma do PSDB dá à participação popular quando o assunto é política pública.
Que venha o Serra!
Com informações da Folha Online
O projeto foi implantado em 1999 pelo então governador Olívio Dutra (PT).
O sistema do Orçamento Participativo estabelece que as prioridades de parte do Orçamento são definidas em reuniões na capital e no interior organizadas pelos Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento). Depois, esta lista é colocada no site do governo por um período determinado. Qualquer pessoa pode votar, apresentando o título de eleitor nos pontos de votação. As mais votadas devem ser realizadas pelo poder público --o que nem sempre acontece, gerando atrasos ou falta de pagamento.
A intenção da governadora tucana, se concretizada, mostra a importância que a turma do PSDB dá à participação popular quando o assunto é política pública.
Que venha o Serra!
Com informações da Folha Online
terça-feira, 19 de junho de 2007
Ministério Público Federal não denuncia irmão do presidente Lula por falta de indícios
Decepção para a mídia (como frisa Paulo Henrique Amorim, golpista) e para a oposição (idem). O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia para a Justiça Federal de Campo Grande (MS) contra 39 pessoas acusadas de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis - quadrilha desarticulada pela Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal.
Segundo informa a Folha Online, o MPF informou em nota que não encontrou indícios da ligação de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Lula, em nenhuma das quadrilhas investigadas.
A Procuradoria também informou que não tem informações suficientes sobre os possíveis beneficiários do suposto lobby feito por Vavá.
Por hora, o golpe fracassou. Será que o Jornal Nacional vai continuar divulgando os diálogos de Vavá?
Segundo informa a Folha Online, o MPF informou em nota que não encontrou indícios da ligação de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Lula, em nenhuma das quadrilhas investigadas.
A Procuradoria também informou que não tem informações suficientes sobre os possíveis beneficiários do suposto lobby feito por Vavá.
Por hora, o golpe fracassou. Será que o Jornal Nacional vai continuar divulgando os diálogos de Vavá?
Rede mundial de pedofilia é desmantelada no Reino Unido
Da Folha de S. Paulo, hoje:
"Depois de dez meses de investigação, autoridades britânicas anunciaram ontem ter desmantelado uma rede global de pedofilia pela internet. A operação rastreou 700 usuários dos serviços, em 35 países, e permitiu a libertação de 31 crianças,15 delas no Reino Unido, vítimas de abuso ou submetidas a situações danosas."
"Dos 700 suspeitos que estão sendo investigados, 200 estão no Reino Unido. A maior parte responde a inquéritos, mas a polícia se negou a dar informações para não prejudicar as investigações em curso."
"Depois de dez meses de investigação, autoridades britânicas anunciaram ontem ter desmantelado uma rede global de pedofilia pela internet. A operação rastreou 700 usuários dos serviços, em 35 países, e permitiu a libertação de 31 crianças,15 delas no Reino Unido, vítimas de abuso ou submetidas a situações danosas."
"Dos 700 suspeitos que estão sendo investigados, 200 estão no Reino Unido. A maior parte responde a inquéritos, mas a polícia se negou a dar informações para não prejudicar as investigações em curso."
Garibaldi é motivo de riso no Senado
Da coluna Painel da Folha de S. Paulo, hoje:
"Quando Pedro Calmon deu "graças a Deus" por não ser amigo de nenhum senador, e o conselho irrompeu em gargalhada, Garibaldi Alves (PMDB-RN) acordou de seu cochilo e perguntou a Romeu Tuma (DEM-SP), sobressaltado: "O que aconteceu? Do que estão rindo?"."
"Quando Pedro Calmon deu "graças a Deus" por não ser amigo de nenhum senador, e o conselho irrompeu em gargalhada, Garibaldi Alves (PMDB-RN) acordou de seu cochilo e perguntou a Romeu Tuma (DEM-SP), sobressaltado: "O que aconteceu? Do que estão rindo?"."
segunda-feira, 18 de junho de 2007
o mundo está mais bonito

Julia Roberts é mãe pela terceira vez em Los Angeles
Eu sei, eu sei... a notícia não tem nada a ver com o clima "sério" do blog... mas vamos combinar que Julia Roberts é sempre agradável aos olhos de qualquer um. E se é verdade o que dizem sobre a mulher ficar mais bonita quando é mãe, então o nascimento do filho de Julia é motivo pra comemorar: o mundo está mais bonito.
A notícia abaixo é do portal Terra:
"A atriz Julia Roberts, 39 anos, deu à luz seu terceiro filho nesta segunda-feira. O menino chamado Henry Daniel Moder nasceu pela manhã em Los Angeles, informou a revista People.
O bebê nasceu com 3,8kg. Segundo a porta-voz da atriz, Marcy Engelman, "a família está muito bem com a notícia".
Julia Roberts e Danny Moder anunciaram a gravidez do terceiro filho em dezembro. O casal já é pai dos gêmeos Hazel e Phinnaeus, de dois anos de idade.
No segundo semestre do ano passado, a atriz rodou o filme Charlie Wilson's War, o primeiro do qual participou desde que foi mãe dos gêmeos."
Estudo comprova parcialidade da mídia nas eleições de 2006
Do Blog do Mino Carta:
"Um estudo do IUPERJ sobre o comportamento da mídia durante a campanha das eleições de 2006 acusa a clamorosa parcialidade das coberturas de Globo, Estadão e Folha de S.Paulo. Vai sair na próxima edição de CartaCapital, apontada pelo estudo como o único órgão que informou corretamente. É a história de sempre, o enésimo capítulo de um enredo sem fim que vê a mídia alinhar-se de um lado só quando os donos do poder enxergam a aproximação de algum risco para o seu bom-bom. E reparem que desde a posse de Lula reeleito tudo continua como dantes. A mídia busca precipitar uma crise a todo custo. Pretendeu-se transformar Vavá em excelente corruptor sem a mais pálida prova, e sem levar em conta a personalidade do irmão do presidente, figura bastante modesta, digamos assim. Diferente é o caso de Renan Calheiros. O filho fora do casamento não é, obviamente, o ponto. O problema está no fato de que se acumulam as evidências dos envolvimentos de Calheiros em esquemas suspeitos, com a guarnição de atrapalhadas tragicômicas cometidas pelo próprio."
Leia mais em http://blogdomino.blig.ig.com.br
"Um estudo do IUPERJ sobre o comportamento da mídia durante a campanha das eleições de 2006 acusa a clamorosa parcialidade das coberturas de Globo, Estadão e Folha de S.Paulo. Vai sair na próxima edição de CartaCapital, apontada pelo estudo como o único órgão que informou corretamente. É a história de sempre, o enésimo capítulo de um enredo sem fim que vê a mídia alinhar-se de um lado só quando os donos do poder enxergam a aproximação de algum risco para o seu bom-bom. E reparem que desde a posse de Lula reeleito tudo continua como dantes. A mídia busca precipitar uma crise a todo custo. Pretendeu-se transformar Vavá em excelente corruptor sem a mais pálida prova, e sem levar em conta a personalidade do irmão do presidente, figura bastante modesta, digamos assim. Diferente é o caso de Renan Calheiros. O filho fora do casamento não é, obviamente, o ponto. O problema está no fato de que se acumulam as evidências dos envolvimentos de Calheiros em esquemas suspeitos, com a guarnição de atrapalhadas tragicômicas cometidas pelo próprio."
Leia mais em http://blogdomino.blig.ig.com.br
As meninas superpoderosas
Governadora Wilma de Faria é destaque em matéria da Folha Online, hoje:"Historicamente masculina, a estrutura de poder precisou se adequar aos novos tempos. Os governos de Yeda Crusius (PSDB-RS), Ana Júlia Carepa (PT-PA) e Wilma de Faria (PSB-RN) sepultaram a figura da primeira-dama e foram procurar meios de suprir esse papel, tradicionalmente ligado à assistência social.
No Rio Grande do Sul, Yeda aboliu o gabinete da primeira-dama. Criou em seu lugar o Comitê de Ação Solidária, coordenado por sua filha, a psicóloga Tarsila Crusius, 35.
"Não buscamos sinônimos para a primeira-dama. Decidimos criar um gabinete que pudesse ser coordenado por qualquer pessoa ligada ao governador, de preferência com alguma relação pessoal ou familiar, sem ser política", disse Tarsila.
O Comitê de Ação Solidária fica na mesma sala antes ocupada pela primeira-dama. Tarsila não é remunerada pelo Estado e não tem jornada fixa.
A governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria, colocou a filha na presidência de órgão de assistência em 2002, quando se elegeu governadora pela primeira vez. Ana Cristina de Faria Maia, 40, ficou no comando da ONG Meios (Movimento de Integração e Orientação Social) até julho de 2005. Saiu porque não conseguiu conciliar seu trabalho como funcionária pública e com a presidência da ONG, que não era remunerada.
A ONG foi criada por Wilma quando foi primeira-dama, de 1979 a 1983. Ao longo de quase 30 anos, poucas primeiras-damas atuaram na ONG. "Há muitas primeiras-damas que são apenas figura decorativa", disse o padre Antônio Nunes de Araújo, presidente da entidade.
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, solteira e sem filhos adultos, não encontrou espaço exclusivo das primeiras-damas na estrutura do Estado.
Entregou a Secretaria de Desenvolvimento Social, área tradicionalmente ocupada por mulheres dos governadores, ao correligionário Alberto Damasceno. A petista também extinguiu o Programa de Articulação da Cidadania, no qual a primeira-dama do governo anterior, de Simão Jatene (PSDB), havia trabalhado voluntariamente."
O pomo da discórdia
Renan x Globo
Do Fazendo Média (www.fazendomedia.com):
"A TV Globo bate, a revista Época bate, o jornal O Globo bate, a CBN bate. Ou seja, as Organizações Globo parecem ter sido contrariadas por alguma decisão de Renan Calheiros, o presidente do Senado Federal. Sempre tiveram uma relação profícua, mas agora a coisa desandou. Não, não estou dizendo que Renan seja um santo. Nem mesmo estou dizendo que suas relações com lobistas devem ser esquecidas. Minha questão é de outra ordem: por que só agora isso veio à tona? Ou alguém acha que só agora foram descobertas as relações de Renan com Mônica e desses com o lobista? Teria alguma coisa a ver com o período de renovações de concessões de radiodifusão? Pergunta-se aos caríssimos leitores: qual será o pomo da discórdia?"
Do Fazendo Média (www.fazendomedia.com):
"A TV Globo bate, a revista Época bate, o jornal O Globo bate, a CBN bate. Ou seja, as Organizações Globo parecem ter sido contrariadas por alguma decisão de Renan Calheiros, o presidente do Senado Federal. Sempre tiveram uma relação profícua, mas agora a coisa desandou. Não, não estou dizendo que Renan seja um santo. Nem mesmo estou dizendo que suas relações com lobistas devem ser esquecidas. Minha questão é de outra ordem: por que só agora isso veio à tona? Ou alguém acha que só agora foram descobertas as relações de Renan com Mônica e desses com o lobista? Teria alguma coisa a ver com o período de renovações de concessões de radiodifusão? Pergunta-se aos caríssimos leitores: qual será o pomo da discórdia?"
Sob o signo de Cassandra
MARCELO O. DANTAS na Folha de S. Paulo, hoje:
"CASSANDRA , filha de Príamo, o último rei de Tróia, era uma jovem tão bela que por ela o divino Apolo foi tomado de paixão. Num arroubo, o patrono de Delfos lhe ofereceu o dom de prever o futuro; em troca, a princesa lhe daria um filho. Vaidosa e ingênua, Cassandra aceitou o presente, porém logo se recusou a cumprir a promessa. Inconformado, o deus do oráculo lançou sobre a jovem a maldição de que ninguém jamais acreditaria em suas predições.
A partir de então, a irmã de Heitor seria atormentada por visões da futura queda de sua cidade, sem que nenhum dos troianos lhe desse ouvidos. Tida por louca, foi encerrada em uma torre. De lá somente sairia com Tróia consumida pelas chamas.
Conta a lenda que, em meio ao caos do saque, Cassandra buscou refúgio no templo de Atena. Mas os guerreiros argivos nada respeitavam em sua sede de vingança, e a princesa suplicante acabou violentada por Ájax Oileu junto ao altar da deusa de olhos garços. Não seria ainda o fim de sua desdita. No dia seguinte, na partilha dos despojos de guerra, Agamêmnon, o chefe das tropas invasoras, decidiu tomá-la como concubina. Humilhada e reduzida à servidão, Cassandra foi então levada à cidade de Micenas, apenas para prever a sua morte, bem como a do destruidor de Tróia, pelas mãos rancorosas da rainha Clitemnestra. Mais uma vez, ninguém acreditou em sua visões. Eis o lamento da princesa no texto imortal de Ésquilo: "Aiii... as dores que sinto./ As terríveis dores do parto da verdadeira profecia/ Elas me tomam, me confundem,/ E outra vez recomeçam (...)/ Acrediteis ou não no que vos digo/ Pouco importa! Por que com isso me inquietaria?/ O que há de ser, será. E, em breve,/ Quando estiverdes aqui, cheios de pena, direis:/ "As profecias de Cassandra eram a mais pura verdade'".
O mito de Cassandra conta-nos da costumeira alienação dos homens diante das forças que os conduzem à ruína. A incapacidade de pensar as conseqüências futuras das circunstâncias presentes se mostra um vício ainda mais trágico quando elevado à esfera coletiva, em que a gratificação imediata e a miopia ufanista têm precedência sobre os ditames da razão.
Aos que se postam contra a corrente e ousam questionar as verdades fáceis da grandeza troiana o destino parece reservar apenas amargura, sofrimento e solidão. Pois a lucidez de todo profeta repousa sobre um paradoxo: quando suas palavras são escutadas, o futuro nelas previsto termina por dissipar-se; quando são ignoradas, o desfecho funesto aniquila qualquer lembrança do passado. No primeiro caso, o profeta se expõe ao descrédito; no segundo, sua paga é o esquecimento.
O tema da alienação dos troianos ante sua iminente desgraça foi retomado por Virgílio no segundo livro da "Eneida". Certa manhã, conta o bardo, os súditos de Príamo encontraram ao acordar o acampamento grego deserto. No campo de batalha, jazia apenas um enorme cavalo de madeira, suposta oferenda das tropas argivas à deusa Atena. Eufóricos com o aparente fim do conflito, os troianos logo pensaram em trazer para sua cidade o imenso troféu. Tomado de fúria, o sacerdote Laocoonte os alertou: "Míseros cidadãos, qu'insânia é essa?/ Credes que os inimigos se ausentaram?/ Ou julgais vir de gregos dom sem dolo?/ (...) Teucros, desconfiai desse cavalo!/ Eu, seja isso o que for, os dânaos temo/ Ainda quando dádivas oferecem".
Em gesto desesperado, Laocoonte tomou a lança a um soldado e a cravou no ventre do gigantesco cavalo, por milagre não ferindo os guerreiros dânaos que lá estavam escondidos. Nesse justo momento, o deus Poseidon lançou sobre Laocoonte e seus filhos duas terríveis serpentes marinhas que os mataram sufocados. Certos de que Laocoonte fora punido por sua impiedade, os cidadãos em festa levaram para dentro da amurada o presente traiçoeiro.
Após uma longa noite de fanfarras e bebedeira, o povo adormeceu. Foi então que Ulisses e seus companheiros de armas saíram de dentro do cavalo e se puseram a destruir a cidade inexpugnável, numa madrugada de horrores e violações.
Tal como os cidadãos de Tróia, que, em sua exaustão, após dez anos de guerra, desdenharam dos alertas de Laocoonte, assim os brasileiros parecem hoje cansados de lutar por um país melhor, encontrando desculpas de toda sorte para aceitar como corriqueira a série interminável de abusos que vêm sendo perpetrados por nossas classes dirigentes.
Os exemplos da história nos ensinam, contudo, que o apodrecimento da política e a falência das instituições democráticas constituem inexorável prelúdio a todo fenômeno autoritário. Quem estará disposto a escutar tão sinistra profecia?"
"CASSANDRA , filha de Príamo, o último rei de Tróia, era uma jovem tão bela que por ela o divino Apolo foi tomado de paixão. Num arroubo, o patrono de Delfos lhe ofereceu o dom de prever o futuro; em troca, a princesa lhe daria um filho. Vaidosa e ingênua, Cassandra aceitou o presente, porém logo se recusou a cumprir a promessa. Inconformado, o deus do oráculo lançou sobre a jovem a maldição de que ninguém jamais acreditaria em suas predições.
A partir de então, a irmã de Heitor seria atormentada por visões da futura queda de sua cidade, sem que nenhum dos troianos lhe desse ouvidos. Tida por louca, foi encerrada em uma torre. De lá somente sairia com Tróia consumida pelas chamas.
Conta a lenda que, em meio ao caos do saque, Cassandra buscou refúgio no templo de Atena. Mas os guerreiros argivos nada respeitavam em sua sede de vingança, e a princesa suplicante acabou violentada por Ájax Oileu junto ao altar da deusa de olhos garços. Não seria ainda o fim de sua desdita. No dia seguinte, na partilha dos despojos de guerra, Agamêmnon, o chefe das tropas invasoras, decidiu tomá-la como concubina. Humilhada e reduzida à servidão, Cassandra foi então levada à cidade de Micenas, apenas para prever a sua morte, bem como a do destruidor de Tróia, pelas mãos rancorosas da rainha Clitemnestra. Mais uma vez, ninguém acreditou em sua visões. Eis o lamento da princesa no texto imortal de Ésquilo: "Aiii... as dores que sinto./ As terríveis dores do parto da verdadeira profecia/ Elas me tomam, me confundem,/ E outra vez recomeçam (...)/ Acrediteis ou não no que vos digo/ Pouco importa! Por que com isso me inquietaria?/ O que há de ser, será. E, em breve,/ Quando estiverdes aqui, cheios de pena, direis:/ "As profecias de Cassandra eram a mais pura verdade'".
O mito de Cassandra conta-nos da costumeira alienação dos homens diante das forças que os conduzem à ruína. A incapacidade de pensar as conseqüências futuras das circunstâncias presentes se mostra um vício ainda mais trágico quando elevado à esfera coletiva, em que a gratificação imediata e a miopia ufanista têm precedência sobre os ditames da razão.
Aos que se postam contra a corrente e ousam questionar as verdades fáceis da grandeza troiana o destino parece reservar apenas amargura, sofrimento e solidão. Pois a lucidez de todo profeta repousa sobre um paradoxo: quando suas palavras são escutadas, o futuro nelas previsto termina por dissipar-se; quando são ignoradas, o desfecho funesto aniquila qualquer lembrança do passado. No primeiro caso, o profeta se expõe ao descrédito; no segundo, sua paga é o esquecimento.
O tema da alienação dos troianos ante sua iminente desgraça foi retomado por Virgílio no segundo livro da "Eneida". Certa manhã, conta o bardo, os súditos de Príamo encontraram ao acordar o acampamento grego deserto. No campo de batalha, jazia apenas um enorme cavalo de madeira, suposta oferenda das tropas argivas à deusa Atena. Eufóricos com o aparente fim do conflito, os troianos logo pensaram em trazer para sua cidade o imenso troféu. Tomado de fúria, o sacerdote Laocoonte os alertou: "Míseros cidadãos, qu'insânia é essa?/ Credes que os inimigos se ausentaram?/ Ou julgais vir de gregos dom sem dolo?/ (...) Teucros, desconfiai desse cavalo!/ Eu, seja isso o que for, os dânaos temo/ Ainda quando dádivas oferecem".
Em gesto desesperado, Laocoonte tomou a lança a um soldado e a cravou no ventre do gigantesco cavalo, por milagre não ferindo os guerreiros dânaos que lá estavam escondidos. Nesse justo momento, o deus Poseidon lançou sobre Laocoonte e seus filhos duas terríveis serpentes marinhas que os mataram sufocados. Certos de que Laocoonte fora punido por sua impiedade, os cidadãos em festa levaram para dentro da amurada o presente traiçoeiro.
Após uma longa noite de fanfarras e bebedeira, o povo adormeceu. Foi então que Ulisses e seus companheiros de armas saíram de dentro do cavalo e se puseram a destruir a cidade inexpugnável, numa madrugada de horrores e violações.
Tal como os cidadãos de Tróia, que, em sua exaustão, após dez anos de guerra, desdenharam dos alertas de Laocoonte, assim os brasileiros parecem hoje cansados de lutar por um país melhor, encontrando desculpas de toda sorte para aceitar como corriqueira a série interminável de abusos que vêm sendo perpetrados por nossas classes dirigentes.
Os exemplos da história nos ensinam, contudo, que o apodrecimento da política e a falência das instituições democráticas constituem inexorável prelúdio a todo fenômeno autoritário. Quem estará disposto a escutar tão sinistra profecia?"
Fidel manda recado para Bush: "Jamais terão Cuba"
O presidente cubano Fidel Castro, em artigo publicado hoje no jornal Granma, afirmou que seu país está se preparando para defender a revolução e não teme uma possível ofensiva americana contra a ilha: "Jamais terão Cuba".
No artigo, o líder cubano reafirma sua convicção na disposição do povo cubano de lutar pela independência interna e pelos princípios da revolução: "Não tenho a menor dúvida de que nosso povo e nossa revolução lutarão até a última gota de sangue".
"Cuba continuará desenvolvendo e aperfeiçoando a capacidade combativa de seu povo, incluindo nossa modesta, mas ativa e eficiente, indústria de armas defensivas".
"De um ano para outro o nível de vida pode aumentar se se incrementam os conhecimentos, a auto-estima e a dignidade de um povo. Basta que o esbanjamento diminua e a economia cresce. Apesar de tudo, continuaremos crescendo o necessário e o possível".
Fidel finaliza assim o seu artigo: "Não somos os primeiros revolucionários a pensar assim. E não seremos os últimos. Um homem pode ser comprado, nunca um povo!"
Com informações do G1
No artigo, o líder cubano reafirma sua convicção na disposição do povo cubano de lutar pela independência interna e pelos princípios da revolução: "Não tenho a menor dúvida de que nosso povo e nossa revolução lutarão até a última gota de sangue".
"Cuba continuará desenvolvendo e aperfeiçoando a capacidade combativa de seu povo, incluindo nossa modesta, mas ativa e eficiente, indústria de armas defensivas".
"De um ano para outro o nível de vida pode aumentar se se incrementam os conhecimentos, a auto-estima e a dignidade de um povo. Basta que o esbanjamento diminua e a economia cresce. Apesar de tudo, continuaremos crescendo o necessário e o possível".
Fidel finaliza assim o seu artigo: "Não somos os primeiros revolucionários a pensar assim. E não seremos os últimos. Um homem pode ser comprado, nunca um povo!"
Com informações do G1
O lado mais cruel
A pretexto de caçar terroristas, EUA matam crianças
Do G1:
"Pelo menos sete crianças e "vários insurgentes" morreram em um bombardeio sobre uma escola e uma mesquita pela aviação americana no leste do Afeganistão, informou, nesta segunda-feira (18), o comando local dos Estados Unidos.
A operação aconteceu na noite do domingo no distrito de Zarghun Shah (província de Paktika), sobre um prédio que continha uma mesquita e uma escola. O ataque matou sete crianças, segundo os primeiros relatórios.
Segundo o comunicado, as forças americanas receberam a permissão para efetuar o bombardeio após receber relatórios "confiáveis" de que o local servia para dar cobertura a "militantes da Al Qaeda"."
Do G1:
"Pelo menos sete crianças e "vários insurgentes" morreram em um bombardeio sobre uma escola e uma mesquita pela aviação americana no leste do Afeganistão, informou, nesta segunda-feira (18), o comando local dos Estados Unidos.
A operação aconteceu na noite do domingo no distrito de Zarghun Shah (província de Paktika), sobre um prédio que continha uma mesquita e uma escola. O ataque matou sete crianças, segundo os primeiros relatórios.
Segundo o comunicado, as forças americanas receberam a permissão para efetuar o bombardeio após receber relatórios "confiáveis" de que o local servia para dar cobertura a "militantes da Al Qaeda"."
"E aos vinte e nove com o retorno de Saturno, decidi começar a viver..."
Um amigo me disse hoje que Saturno leva 29 anos para dar uma volta em torno do signo de cada pessoa. Renato Russo devia entender bem de astrologia.
domingo, 17 de junho de 2007
43% dos brasileiros desaprovam o SUS
Da Carta Capital desta semana:
"Se o sistema público de saúde no Brasil está longe, muito longe, de ser “quase perfeito”, como disse, em busca da reeleição, o presidente Lula, durante a campanha eleitoral, o usuário não tem a percepção de cruzar as portas do inferno quando é atendido nos hospitais da rede oficial, conforme aponta o resultado da terceira e última etapa da pesquisa Vox Populi/CartaCapital/Band. Uma maioria de 43% avalia o sistema de forma negativa, 34% considera o serviço regular e 22% acha positivo.
À primeira vista, fica a impressão de que o sistema é muito ruim. Mas, ao distinguir o regular positivo do regular negativo, a aprovação supera os 45%. A constatação não surpreende o médico Drauzio Varella, autor do livro Borboletas da Alma – Escritos sobre ciência e saúde e colunista de CartaCapital. “A mídia costuma mostrar o drama dos pacientes nas filas e corredores dos grandes hospitais, mas o Brasil tem muitos programas de saúde pública exemplares. A campanha de vacinação e o tratamento de portadores do vírus da Aids, por exemplo, são referências no mundo todo.”
Leia mais em www.cartacapital.com.br
"Se o sistema público de saúde no Brasil está longe, muito longe, de ser “quase perfeito”, como disse, em busca da reeleição, o presidente Lula, durante a campanha eleitoral, o usuário não tem a percepção de cruzar as portas do inferno quando é atendido nos hospitais da rede oficial, conforme aponta o resultado da terceira e última etapa da pesquisa Vox Populi/CartaCapital/Band. Uma maioria de 43% avalia o sistema de forma negativa, 34% considera o serviço regular e 22% acha positivo.
À primeira vista, fica a impressão de que o sistema é muito ruim. Mas, ao distinguir o regular positivo do regular negativo, a aprovação supera os 45%. A constatação não surpreende o médico Drauzio Varella, autor do livro Borboletas da Alma – Escritos sobre ciência e saúde e colunista de CartaCapital. “A mídia costuma mostrar o drama dos pacientes nas filas e corredores dos grandes hospitais, mas o Brasil tem muitos programas de saúde pública exemplares. A campanha de vacinação e o tratamento de portadores do vírus da Aids, por exemplo, são referências no mundo todo.”
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Suprema Corte do México muda sistema de concessões de rádio e tevê
Da Carta Capital desta semana:
"Na terça-feira, 5 de junho, a Suprema Corte do México completou a anulação dos quatro principais artigos da chamada Lei Televisa. Chantageados pelas duas maiores estações de tevê mexicana, Televisa e Ártica, os três maiores partidos, o PAN, o PRI e o PRD, haviam aprovado na Câmara, em março de 2006, em sete minutos, com um acordo sem debate.
Caso se opusessem, os ilustres deputados poderiam contar com cobertura contrária, provavelmente sensacionalista, na campanha eleitoral que logo se iniciaria. Nesta, personagens de novelas mexicanas apoiaram abertamente o candidato do PAN, Felipe Calderón, que veio a ser eleito presidente por uma margem estreita e contestada.
A lei permitiu aos oligopólios obter concessões por 20 anos com renovação automática, oferecer serviços adicionais sem licitação e sem pagamento ao Estado pelo uso do espectro eletromagnético e determinava a venda de novas concessões ao lance mais alto, o que equivale a reservá-las aos grupos economicamente mais poderosos.
A norma brasileira, vale notar, é semelhante. As concessões de rádio e tevê são praticamente eternas, pois sua renovação não depende de licitação e só pode ser negada com aprovação de dois quintos do Congresso em votação nominal. São capitanias hereditárias eletrônicas.
Mas, no México, a Suprema Corte decidiu que isso viola os princípios de liberdade de expressão, igualdade, autoridade econômica do Estado sobre os bens públicos, uso social dos meios de comunicação e proibição de monopólios, além de distorcer o direito à informação ao fazer do dinheiro o critério determinante da concessão. E aproveitou para dar um puxão de orelha público no Congresso, por não usar a oportunidade da votação da lei de mídia para cumprir a promessa de acesso das comunidades aos meios de comunicação que consta da Constituição e da reforma indígena aprovada pelo próprio Legislativo em 2002.
O vazio legal, espera-se, será preenchido com uma lei discutida democraticamente e à vista do público. É desejável que a imprensa internacional acompanhe o debate e critique os atentados à democracia de tais oligopólios bilionários e inescrupulosos – dos quais Chaves, o ingênuo personagem sem-teto popularizado pela Televisa, é símbolo, mas também antítese."
"Na terça-feira, 5 de junho, a Suprema Corte do México completou a anulação dos quatro principais artigos da chamada Lei Televisa. Chantageados pelas duas maiores estações de tevê mexicana, Televisa e Ártica, os três maiores partidos, o PAN, o PRI e o PRD, haviam aprovado na Câmara, em março de 2006, em sete minutos, com um acordo sem debate.
Caso se opusessem, os ilustres deputados poderiam contar com cobertura contrária, provavelmente sensacionalista, na campanha eleitoral que logo se iniciaria. Nesta, personagens de novelas mexicanas apoiaram abertamente o candidato do PAN, Felipe Calderón, que veio a ser eleito presidente por uma margem estreita e contestada.
A lei permitiu aos oligopólios obter concessões por 20 anos com renovação automática, oferecer serviços adicionais sem licitação e sem pagamento ao Estado pelo uso do espectro eletromagnético e determinava a venda de novas concessões ao lance mais alto, o que equivale a reservá-las aos grupos economicamente mais poderosos.
A norma brasileira, vale notar, é semelhante. As concessões de rádio e tevê são praticamente eternas, pois sua renovação não depende de licitação e só pode ser negada com aprovação de dois quintos do Congresso em votação nominal. São capitanias hereditárias eletrônicas.
Mas, no México, a Suprema Corte decidiu que isso viola os princípios de liberdade de expressão, igualdade, autoridade econômica do Estado sobre os bens públicos, uso social dos meios de comunicação e proibição de monopólios, além de distorcer o direito à informação ao fazer do dinheiro o critério determinante da concessão. E aproveitou para dar um puxão de orelha público no Congresso, por não usar a oportunidade da votação da lei de mídia para cumprir a promessa de acesso das comunidades aos meios de comunicação que consta da Constituição e da reforma indígena aprovada pelo próprio Legislativo em 2002.
O vazio legal, espera-se, será preenchido com uma lei discutida democraticamente e à vista do público. É desejável que a imprensa internacional acompanhe o debate e critique os atentados à democracia de tais oligopólios bilionários e inescrupulosos – dos quais Chaves, o ingênuo personagem sem-teto popularizado pela Televisa, é símbolo, mas também antítese."
Artigo
Vavá está sendo linchado
Elio Gaspari na Folha de S. Paulo, hoje:
"GENIVAL INÁCIO da Silva, o Vavá, está sendo covardemente linchado porque é irmão do presidente da República. Ele é acusado de tráfico de influência sem que até hoje tenha aparecido um só nome de servidor público junto ao qual tenha traficado qualquer pleito que envolvesse dinheiro do erário. Um fazendeiro paulista metido numa querela de terras queria reverter uma decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça. Vavá recomendou-lhe um advogado. Isso não é tráfico de coisa alguma. Um empreiteiro queria obras e encontrou-se com ele num restaurante. Ninguém responde se Vavá conseguiu favorecer esse ou qualquer outro empreiteiro.
A divulgação cavilosa e homeopática de trechos de gravações telefônicas envolvendo parentes de Nosso Guia tornou-se um processo intimidatório e difamador capaz de fazer corar generais do Serviço Nacional de Informações, o SNI da ditadura. No caso de Vavá, as suspeitas jogadas até agora no ventilador não guardam nexo com os fatos. Não há proporção entre as acusações que lhe fazem e o grau de exposição a que foi deliberadamente submetido.
A Polícia Federal vasculhou sua casa (um imóvel de classe média em São Bernardo do Campo). A diligência foi apresentada como parte de uma Operação Xeque-Mate, destinada a desbaratar uma quadrilha envolvida em contrabando, tráfico de drogas e máquinas caça-níqueis. Não era pouca coisa. Pelo que se sabe até agora, coletaram cinco papéis. Entre eles, duas cartas que não foram entregues. Vavá tentou alavancar dois casos com empresas privadas (Vale e CSN). Nenhum dos pleitos chegou à direção das companhias.
Os grampos policiais estabeleceram um vínculo entre Vavá e dois mercadores de casas de jogo e atravessadores de negócios. Um deles, Nilton Servo, ameaçou "trucidar" a família de um desafeto. O outro, Dario Morelli, compadre de Lula, julgava-se protegido pelas suas amizades e disse que a polícia pensaria "duas vezes em fazer qualquer coisa". Foi preso. Os dois planejavam maracutaias e contavam com a ajuda do irmão do presidente, a quem dizem ter dado algo como R$ 15 mil nos últimos meses. Nas palavras de Servo, "o Vavá é para ser usado".
Numa conversa, Vavá fez-lhe um pedido: "Ô, arruma dois pau pra eu?"
Lula tem 15 irmãos e algo como cem parentes. Desde que Tomé de Souza chegou a Salvador, nenhuma família de governante teve tão poucas relações com o Estado como a dos Silva. Mais: nenhuma veio de origem tão modesta e continuou a viver em padrões tão modestos. (Noves fora o Lulinha da Gamecorp.)
Vavá meteu-se por sua conta e risco com os negócios de Servo e do compadre Morelli. Desqualificá-lo por lambari, deseducado ou pé-de-chinelo é parte do linchamento. Ele é um cidadão, ponto. Seus atos vêm sendo investigados e serão levados à apreciação da Justiça. Podia ser membro da Academia Brasileira de Letras, dava na mesma. Antes da conclusão do inquérito policial, Vavá foi irremediavelmente satanizado a partir de indícios, suspeitas e manipulações. Seu linchamento não busca o cidadão metido com vigaristas. Busca a jugular do irmão.
Durante a última campanha eleitoral, quando o comissariado petista chafurdou na compra de um dossiê contra os tucanos, demonizou-se a figura de Freud Godoy, um assessor de Lula, conviva de sua panelinha. Durante três dias ele pareceu encarnar toda a corrupção nacional. Freud foi arrolado em dois processos, um criminal e outro eleitoral. Dizer que foi inocentado é pouco. Ele nem sequer foi indiciado.
O pessoal do século 21 sabe que Jimmy Carter é um ex-presidente dos Estados Unidos (1977-1981), Prêmio Nobel da Paz de 2002. Passará para a história como um exemplo de retidão. Isso agora. Quando estava na Casa Branca, Carter foi atazanado pela exposição de seu irmão Billy, caipira alcoólatra que se tornou lobista (registrado) do governo líbio. Criou-se o neologismo Billygate. Morreu em 1988, aos 51 anos, falido. Virou poeira da História.
Ninguém quer a jugular de Vavá, como não se queria a de Billy Carter. O negócio é outro."
Elio Gaspari na Folha de S. Paulo, hoje:
"GENIVAL INÁCIO da Silva, o Vavá, está sendo covardemente linchado porque é irmão do presidente da República. Ele é acusado de tráfico de influência sem que até hoje tenha aparecido um só nome de servidor público junto ao qual tenha traficado qualquer pleito que envolvesse dinheiro do erário. Um fazendeiro paulista metido numa querela de terras queria reverter uma decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça. Vavá recomendou-lhe um advogado. Isso não é tráfico de coisa alguma. Um empreiteiro queria obras e encontrou-se com ele num restaurante. Ninguém responde se Vavá conseguiu favorecer esse ou qualquer outro empreiteiro.
A divulgação cavilosa e homeopática de trechos de gravações telefônicas envolvendo parentes de Nosso Guia tornou-se um processo intimidatório e difamador capaz de fazer corar generais do Serviço Nacional de Informações, o SNI da ditadura. No caso de Vavá, as suspeitas jogadas até agora no ventilador não guardam nexo com os fatos. Não há proporção entre as acusações que lhe fazem e o grau de exposição a que foi deliberadamente submetido.
A Polícia Federal vasculhou sua casa (um imóvel de classe média em São Bernardo do Campo). A diligência foi apresentada como parte de uma Operação Xeque-Mate, destinada a desbaratar uma quadrilha envolvida em contrabando, tráfico de drogas e máquinas caça-níqueis. Não era pouca coisa. Pelo que se sabe até agora, coletaram cinco papéis. Entre eles, duas cartas que não foram entregues. Vavá tentou alavancar dois casos com empresas privadas (Vale e CSN). Nenhum dos pleitos chegou à direção das companhias.
Os grampos policiais estabeleceram um vínculo entre Vavá e dois mercadores de casas de jogo e atravessadores de negócios. Um deles, Nilton Servo, ameaçou "trucidar" a família de um desafeto. O outro, Dario Morelli, compadre de Lula, julgava-se protegido pelas suas amizades e disse que a polícia pensaria "duas vezes em fazer qualquer coisa". Foi preso. Os dois planejavam maracutaias e contavam com a ajuda do irmão do presidente, a quem dizem ter dado algo como R$ 15 mil nos últimos meses. Nas palavras de Servo, "o Vavá é para ser usado".
Numa conversa, Vavá fez-lhe um pedido: "Ô, arruma dois pau pra eu?"
Lula tem 15 irmãos e algo como cem parentes. Desde que Tomé de Souza chegou a Salvador, nenhuma família de governante teve tão poucas relações com o Estado como a dos Silva. Mais: nenhuma veio de origem tão modesta e continuou a viver em padrões tão modestos. (Noves fora o Lulinha da Gamecorp.)
Vavá meteu-se por sua conta e risco com os negócios de Servo e do compadre Morelli. Desqualificá-lo por lambari, deseducado ou pé-de-chinelo é parte do linchamento. Ele é um cidadão, ponto. Seus atos vêm sendo investigados e serão levados à apreciação da Justiça. Podia ser membro da Academia Brasileira de Letras, dava na mesma. Antes da conclusão do inquérito policial, Vavá foi irremediavelmente satanizado a partir de indícios, suspeitas e manipulações. Seu linchamento não busca o cidadão metido com vigaristas. Busca a jugular do irmão.
Durante a última campanha eleitoral, quando o comissariado petista chafurdou na compra de um dossiê contra os tucanos, demonizou-se a figura de Freud Godoy, um assessor de Lula, conviva de sua panelinha. Durante três dias ele pareceu encarnar toda a corrupção nacional. Freud foi arrolado em dois processos, um criminal e outro eleitoral. Dizer que foi inocentado é pouco. Ele nem sequer foi indiciado.
O pessoal do século 21 sabe que Jimmy Carter é um ex-presidente dos Estados Unidos (1977-1981), Prêmio Nobel da Paz de 2002. Passará para a história como um exemplo de retidão. Isso agora. Quando estava na Casa Branca, Carter foi atazanado pela exposição de seu irmão Billy, caipira alcoólatra que se tornou lobista (registrado) do governo líbio. Criou-se o neologismo Billygate. Morreu em 1988, aos 51 anos, falido. Virou poeira da História.
Ninguém quer a jugular de Vavá, como não se queria a de Billy Carter. O negócio é outro."
sábado, 16 de junho de 2007
Maioria dos jornalistas diz que liberdade de imprensa aumentou no governo Lula
Do Blog do Rovai:
"A revista Imprensa de junho sai com uma pesquisa realizada com 400 jornalistas de redações espalhadas por todo território nacional. O fio condutor do trabalho é o de avaliar com anda a percepção dos profissionais da área sobre a liberdade de imprensa.
O que parece ser a grande surpresa do levantamento (principalmente para alguns coleguinhas que vivem escrevendo e falando o contrário) é que para 49% dos jornalistas entrevistados a situação da liberdade de imprensa melhorou desde que Lula chegou ao poder. Para 36%, não houve mudança. E que apenas para 15% havia mais liberdade na era FHC."
"A revista Imprensa de junho sai com uma pesquisa realizada com 400 jornalistas de redações espalhadas por todo território nacional. O fio condutor do trabalho é o de avaliar com anda a percepção dos profissionais da área sobre a liberdade de imprensa.
O que parece ser a grande surpresa do levantamento (principalmente para alguns coleguinhas que vivem escrevendo e falando o contrário) é que para 49% dos jornalistas entrevistados a situação da liberdade de imprensa melhorou desde que Lula chegou ao poder. Para 36%, não houve mudança. E que apenas para 15% havia mais liberdade na era FHC."
Vale à pena ver de novo: Brizola solta o verbo na Globo
Passeando pelo Blog do Rovai (http://revistaforum.uol.com.br/blogdorovai), revi o vídeo do dia em que Cid Moreira teve que ler a carta enviada por Brizola à TV Globo, como direito de resposta.
Lembro perfeitamente desse dia. Quando Cid Moreira terminou de ler aquela carta, fiquei paralisado, olhos fixos na TV, sem entender direito o que tinha acontecido. Acho que nesse dia que decidi ser jornalista.
Lembro perfeitamente desse dia. Quando Cid Moreira terminou de ler aquela carta, fiquei paralisado, olhos fixos na TV, sem entender direito o que tinha acontecido. Acho que nesse dia que decidi ser jornalista.
Censura
Jornal de SP é proibido pela Justiça de publicar denúncias
Da Folha de S. Paulo, hoje:
"A Justiça Estadual proibiu o semanal "Folha de Vinhedo", do interior de São Paulo, de publicar uma entrevista que envolveria autoridades do Judiciário e do Executivo municipais e empresários da cidade em supostos casos de corrupção. Foram duas sentenças contra a publicação: a primeira no dia 1º, e a outra, ontem.
Em entrevista gravada, o ex-secretário jurídico de Vinhedo, Paulo Cabral, citou diversas autoridades em casos de irregularidades, tais como superfaturamento e tráfico de influência. Cabral diz que dois promotores da cidade e um juiz estavam "fechados" com o prefeito Kalu Donato (PR), para impedir que o político fosse prejudicado em possíveis ações judiciais.
Na primeira sentença, a juíza Ana Lúcia Xavier Goldman, da 1ª Vara Cível de Jundiaí (SP), diz que a publicação das denúncias iria "macular a credibilidade do Poder Judiciário e do Ministério Público de Vinhedo". Ela decretou segredo de Justiça no processo e estipulou multa de R$ 500 mil "por cada publicação e por cada dia de veiculação das matérias".
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticou ontem a decisão da juíza. "Trata-se de censura prévia, que viola o princípio básico da liberdade de expressão", diz a nota assinada por Júlio César Mesquita, vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão."
Da Folha de S. Paulo, hoje:
"A Justiça Estadual proibiu o semanal "Folha de Vinhedo", do interior de São Paulo, de publicar uma entrevista que envolveria autoridades do Judiciário e do Executivo municipais e empresários da cidade em supostos casos de corrupção. Foram duas sentenças contra a publicação: a primeira no dia 1º, e a outra, ontem.
Em entrevista gravada, o ex-secretário jurídico de Vinhedo, Paulo Cabral, citou diversas autoridades em casos de irregularidades, tais como superfaturamento e tráfico de influência. Cabral diz que dois promotores da cidade e um juiz estavam "fechados" com o prefeito Kalu Donato (PR), para impedir que o político fosse prejudicado em possíveis ações judiciais.
Na primeira sentença, a juíza Ana Lúcia Xavier Goldman, da 1ª Vara Cível de Jundiaí (SP), diz que a publicação das denúncias iria "macular a credibilidade do Poder Judiciário e do Ministério Público de Vinhedo". Ela decretou segredo de Justiça no processo e estipulou multa de R$ 500 mil "por cada publicação e por cada dia de veiculação das matérias".
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticou ontem a decisão da juíza. "Trata-se de censura prévia, que viola o princípio básico da liberdade de expressão", diz a nota assinada por Júlio César Mesquita, vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão."
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Alto Oeste do RN vai receber mutirão do Ministério do Desenvolvimento Agrário
A Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Rio Grande do Norte (MDA/RN) promoverá uma série de mutirões de documentação na região de Alto Oeste na próxima semana. Na terça-feira (12), a atividade para retirada de documentos estará concentrada no município de São Miguel. Na quarta-feira (13), o município atendido será Alexandria. A atividade prossegue na cidade de Antônio Martins na quinta-feira (14) e, no dia seguinte, será realizada em Marcelino Vieira.
De acordo com o delegado do MDA/RN, Hugo Manso, nos mutirões da próxima semana poderão ser retirados gratuitamente documentos como: Carteira de Identidade, Cadastro de Pessoa Física (CPF) e Carteira de Trabalho. Também será possível fazer a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Com informações do MDA
De acordo com o delegado do MDA/RN, Hugo Manso, nos mutirões da próxima semana poderão ser retirados gratuitamente documentos como: Carteira de Identidade, Cadastro de Pessoa Física (CPF) e Carteira de Trabalho. Também será possível fazer a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Com informações do MDA
E a "Veja" (que mentira!) ainda diz que não há preconceito racial no Brasil...
De Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, quarta-feira 6:
"É uma vergonha eu não encontrar negras desfilando. Estou surpreso", dizia o inglês Michael Roberts na Fashion Rio -ele está fotografando o evento para a revista "Vanity Fair". "Negros são fantásticos, assim como índios e orientais. O Brasil deveria aproveitar sua diversidade." O styling Felipe Velloso, que escolheu modelos de três desfiles, diz que adoraria ter negras na passarela, mas há poucas na profissão. "Veja a TV: você não vê negros em comerciais de pasta de dente."
Mais casos de concessões não-renovadas
Do Blog do Rovai (http://revistaforum.uol.com.br/blogdorovai):
"INGLATERRA – O governo Margareth Thatcher cancelou a concessão de uma das maiores estações de TV do país. Argumentou, simplesmente, que 'se tiveram a estação de TV por 30 anos, por que deveriam ter um monopólio?'.Também no Reino Unido, a autoridade estatal decretou em março de 1999 o fechamento temporário do MED TV, canal 22; em agosto de 2006 revogou a licença da ONE TV; em janeiro de 2004, a licença da Look 4 Love 2; em novembro de 2006, a da StarDate TV 24; e em dezembro de 2006 revogou o canal de televendas Auctionworld.
CANADÁ –A Country Music Television teve a concessão revogada em 1999.
ESPANHA - A Espanha revogou em julho de 2004 a concessão da TV Laciana (um canal a cabo) e em abril de 2005 a das emissoras de rádio e TV de sinal aberto em Madri; e em julho de 2005, determinou o fechamento da TV Católica.
FRANÇA - A França revogou a licença da TV Al Manar; em dezembro de 2005 e fechou a TF1, por ter colocado em dúvida a existência do Holocausto.
IRLANDA - A Irlanda revogou em 1990 a licença para a TV3 iniciar suas transmissões.
RÚSSIA - A Rússia em agosto de 2000 fechou uma emissora de TV por divulgar publicidade subliminar. Já em março de 2006 fechou a TV6."
"INGLATERRA – O governo Margareth Thatcher cancelou a concessão de uma das maiores estações de TV do país. Argumentou, simplesmente, que 'se tiveram a estação de TV por 30 anos, por que deveriam ter um monopólio?'.Também no Reino Unido, a autoridade estatal decretou em março de 1999 o fechamento temporário do MED TV, canal 22; em agosto de 2006 revogou a licença da ONE TV; em janeiro de 2004, a licença da Look 4 Love 2; em novembro de 2006, a da StarDate TV 24; e em dezembro de 2006 revogou o canal de televendas Auctionworld.
CANADÁ –A Country Music Television teve a concessão revogada em 1999.
ESPANHA - A Espanha revogou em julho de 2004 a concessão da TV Laciana (um canal a cabo) e em abril de 2005 a das emissoras de rádio e TV de sinal aberto em Madri; e em julho de 2005, determinou o fechamento da TV Católica.
FRANÇA - A França revogou a licença da TV Al Manar; em dezembro de 2005 e fechou a TF1, por ter colocado em dúvida a existência do Holocausto.
IRLANDA - A Irlanda revogou em 1990 a licença para a TV3 iniciar suas transmissões.
RÚSSIA - A Rússia em agosto de 2000 fechou uma emissora de TV por divulgar publicidade subliminar. Já em março de 2006 fechou a TV6."
Lula acorda
Em entrevista à Folha de S. Paulo de hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Hugo Chávez, presidente da Venezuela, agiu certo ao não renovar a concessão da RCTV.
"Eu acho que não dá para ideologizar essa questão da televisão. O mesmo Estado que dá uma concessão é o Estado que pode não dar a concessão. O Chávez teria praticado uma violência se tivesse, após o fracasso do golpe [contra o venezuelano em 2002], feito a intervenção na televisão", disse Lula à Folha.
Mais adiante, Lula comparou o modelo de renovação das concessões públicas dos dois países.
"A diferença com o Brasil é que conseguimos colocar na Constituição que isso [a renovação das concessões de televisão] passa pelo Congresso. Não é uma decisão unilateral do presidente. Lá é. Faz parte da democracia deles."
Lamentavelmente, Lula não fala das distorções desse modelo de concessão praticado no Brasil. O Congresso Nacional, que vota as renovações das concessões, está lotado de donos de emissoras de rádio e televisão. Isso sim é antidemocrático.
"Eu acho que não dá para ideologizar essa questão da televisão. O mesmo Estado que dá uma concessão é o Estado que pode não dar a concessão. O Chávez teria praticado uma violência se tivesse, após o fracasso do golpe [contra o venezuelano em 2002], feito a intervenção na televisão", disse Lula à Folha.
Mais adiante, Lula comparou o modelo de renovação das concessões públicas dos dois países.
"A diferença com o Brasil é que conseguimos colocar na Constituição que isso [a renovação das concessões de televisão] passa pelo Congresso. Não é uma decisão unilateral do presidente. Lá é. Faz parte da democracia deles."
Lamentavelmente, Lula não fala das distorções desse modelo de concessão praticado no Brasil. O Congresso Nacional, que vota as renovações das concessões, está lotado de donos de emissoras de rádio e televisão. Isso sim é antidemocrático.
Serra pode?
Quando o Congresso da Venezuela aprovou um pacote de leis mudando a Constituição daquele país e dando poderes ao presidente Hugo Chávez para governar por decreto, a chiadeira por aqui foi geral. Havia um consenso de que Chávez, mesmo jogando dentro das regras democráticas, ensaiava uma ditadura.
Pois bem. A Assembléia Legislativa de São Paulo, como informa o jurista Dalmo de Abreu Dallari na Folha de S. Paulo de hoje ("Poder, democracia e direito", Tendências e Debates), aprovou a emenda constitucional 21, de 14/2 de 2006, modificando a Constituição do Estado de São Paulo, retirando competências do Legislativo e as transferindo ao chefe do Executivo (governador José Serra - PSDB). Este recebeu amplos poderes para governar por decreto, livre da necessidade de obter a aprovação do Legislativo.
Baseado nisso, no primeiro dia de governo, Serra editou um decreto (nº 51.460) transformando a Secretaria de Turismo em Secretaria de Ensino Superior. Um dos obejtivos do decreto era impedir que as universidades fizessem concursos para a contratação de professores. O mesmo decreto também retirava a autonomia finaceira das universidades. O resultado foi a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes daquela universidade.
Pressionado, Serra voltou atrás e editou novo decreto, revogando alguns ítens do anterior.
Aí eu estava me perguntando: Hugo Chávez é ditador porque governa por decreto? E Serra, que também usa do mesmo artifício, não é?
Pois bem. A Assembléia Legislativa de São Paulo, como informa o jurista Dalmo de Abreu Dallari na Folha de S. Paulo de hoje ("Poder, democracia e direito", Tendências e Debates), aprovou a emenda constitucional 21, de 14/2 de 2006, modificando a Constituição do Estado de São Paulo, retirando competências do Legislativo e as transferindo ao chefe do Executivo (governador José Serra - PSDB). Este recebeu amplos poderes para governar por decreto, livre da necessidade de obter a aprovação do Legislativo.
Baseado nisso, no primeiro dia de governo, Serra editou um decreto (nº 51.460) transformando a Secretaria de Turismo em Secretaria de Ensino Superior. Um dos obejtivos do decreto era impedir que as universidades fizessem concursos para a contratação de professores. O mesmo decreto também retirava a autonomia finaceira das universidades. O resultado foi a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes daquela universidade.
Pressionado, Serra voltou atrás e editou novo decreto, revogando alguns ítens do anterior.
Aí eu estava me perguntando: Hugo Chávez é ditador porque governa por decreto? E Serra, que também usa do mesmo artifício, não é?
quinta-feira, 7 de junho de 2007
TVs disputam hegemonia

A revista Carta Capital desta semana trata da briga entre Globo e Record pela liderança da audiência na televisão brasileira.
Nenhuma novidade.
Há muito tempo a Record já havia anunciado a sua disposição (R$) de enfrentar a liderança global.
Paulo Henrique Amorim comemora a empreitada da Record - rede da qual ele é repórter e apresentador: "A liderança da Globo não é mais incontestável."
PH aposta na grana da Record para enfrentar a Globo de igual para igual. Ele só não explica de onde a Record tira tanto dinheiro.
Antes que pensem mal de mim, não estou levantando nenhuma suspeita sobre o possível desvio dos dízimos da Igreja Universal para abastecer os cofres da Record. Longe de mim pensar tamanho impropério.
PH encara a ameaça à hegemonia global como sinal dos novos tempos da democratização dos meios de comunicação - cuja maior ícone seria o crescimento da Record.
Idéia das mais estapafúrdias.
As duas televisões brigam por hegemonia - não pra ver qual delas vai ser mais democrática, qual terá o melhor conteúdo.
O crescimento da Record se deve não pela sua programação diferenciada, qualificada. Muito pelo contrário. A fórmula adotada pela TV da Igreja Universal foi copiar na íntegra o "Padrão Globo de Qualidade" - inclusive contratando atores, apresentadores e jornalistas globais.
Não sei o que é pior: permanecer nas mãos da Globo ou passar para as mãos da Record.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
A farra das concessões públicas
"O grupo político do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) está montando uma rede de rádios em Alagoas. Duas emissoras já estão em funcionamento em Maceió. Outras cinco estão em instalação ou em fase de tramitação para aprovação das outorgas pelo Congresso.
O mercado de radiodifusão dá como certo que elas pertencem ao senador, mas o grupo ligado a ele nega a informação. Quatro concessões de rádio foram adquiridas pela empresa JR Radiodifusão, que está em nome do assessor técnico de Renan no Senado, Carlos Ricardo Nascimento Santa Ritta."
"A JR ofereceu um total de R$ 1,005 milhão pelas quatro concessões, segundo o Ministério das Comunicações. Metade do pagamento, pelas regras da licitação, terá de ser feito na assinatura dos contratos de concessão. A outra metade, um ano depois.
O Senado informou que Santa Ritta ocupa cargo em comissão no gabinete de Renan, como assessor técnico, desde 2004 e que o salário bruto da função é de R$ 9.031 mensais.
Santa Ritta disse que o senador não é sócio das emissoras de rádios e que o fato de ser assessor e amigo dele não significa que sejam sócios.
Indagado sobre os recursos para pagamento das concessões, disse que não depende da remuneração do Senado e que tem outras atividades."
"A outra empresa de radiodifusão do grupo de Renan é o Sistema Costa Dourada de Radiodifusão, dirigido por Ildefonso Tito Uchoa Lopes, primo e afilhado político do senador.
A empresa tem duas rádios em funcionamento -Rádio Coqueiro Seco (afiliada da rede CBN) e Rádio Correio, na Grande Maceió- e uma terceira, em implantação, em Matriz do Camaragibe.
As concessões de Coqueiro Seco e Camaragibe foram compradas em licitações do Ministério das Comunicações, ao preço de R$ 567,1 mil. A Rádio Correio foi comprada de terceiros, por valor desconhecido.A Folha não conseguiu localizar Tito Uchoa."
Folha de S. Paulo
O mercado de radiodifusão dá como certo que elas pertencem ao senador, mas o grupo ligado a ele nega a informação. Quatro concessões de rádio foram adquiridas pela empresa JR Radiodifusão, que está em nome do assessor técnico de Renan no Senado, Carlos Ricardo Nascimento Santa Ritta."
"A JR ofereceu um total de R$ 1,005 milhão pelas quatro concessões, segundo o Ministério das Comunicações. Metade do pagamento, pelas regras da licitação, terá de ser feito na assinatura dos contratos de concessão. A outra metade, um ano depois.
O Senado informou que Santa Ritta ocupa cargo em comissão no gabinete de Renan, como assessor técnico, desde 2004 e que o salário bruto da função é de R$ 9.031 mensais.
Santa Ritta disse que o senador não é sócio das emissoras de rádios e que o fato de ser assessor e amigo dele não significa que sejam sócios.
Indagado sobre os recursos para pagamento das concessões, disse que não depende da remuneração do Senado e que tem outras atividades."
"A outra empresa de radiodifusão do grupo de Renan é o Sistema Costa Dourada de Radiodifusão, dirigido por Ildefonso Tito Uchoa Lopes, primo e afilhado político do senador.
A empresa tem duas rádios em funcionamento -Rádio Coqueiro Seco (afiliada da rede CBN) e Rádio Correio, na Grande Maceió- e uma terceira, em implantação, em Matriz do Camaragibe.
As concessões de Coqueiro Seco e Camaragibe foram compradas em licitações do Ministério das Comunicações, ao preço de R$ 567,1 mil. A Rádio Correio foi comprada de terceiros, por valor desconhecido.A Folha não conseguiu localizar Tito Uchoa."
Folha de S. Paulo
O caso rende
Destaque do Uol hoje: "Crise Brasil x Venezuela".
E olha o que o Lula disse: "Chávez é um parceiro do Brasil, não um perigo".
Essa imprensa sensacionalista não se emenda...
E olha o que o Lula disse: "Chávez é um parceiro do Brasil, não um perigo".
Essa imprensa sensacionalista não se emenda...
domingo, 3 de junho de 2007
A Polícia Federal e "Os Intocáveis"
Frei Betto na Folha de São Paulo, Tendências e Debates, quinta-feira (31/05):
"Desde que me entendo por gente, ouço dizer, sem poder discordar, que vivemos no país da impunidade. A polícia e a Justiça punem apenas os pobres passageiros atulhados nos porões deste imenso navio cargueiro chamado Brasil, que flutua nos mares do Sul. No convés, os camarotes vivem infestados de larápios, corruptos, estelionatários, sonegadores, contrabandistas, contratadores de trabalho escravo e toda sorte de bandidos, imunes e impunes.
Essa elite deletéria tem o poder de influir não apenas na elaboração das leis mas sobretudo na sua aplicação, pois indica juízes e promove togados, nomeia delegados e promotores, presenteia políticos e banca férias de magistrados em hotéis de luxo, o que lhes permite trafegar e traficar no mundo do crime com a mesma desfaçatez com que freqüentam os salões da República, os gabinetes de parlamentares e as festas em que o poder desfila e espelha seu incomensurável ego. Diante de tanta impunidade, Chico Buarque chegou a propor: "Chamem o ladrão, chamem o ladrão!".
No governo Lula, felizmente, as ingerências políticas foram afastadas da Polícia Federal. Como nunca se havia visto antes, as grades de sua carceragem se abriram para ex-governadores, juízes, donos de grandes empresas, gente graúda. Graças à imparcialidade do Ministério Público e ao sigilo das investigações, tubarões têm caído na rede. Pena que as nossas leis sejam tão frouxas, e o Judiciário, cheio de dedos para puni-los.
Agora, diante da Operação Navalha, que corta a jugular de um dos esquemas para sugar os bilionários recursos do PAC (quantos outros não permanecem ativos?), há uma grita geral de que a Polícia Federal estaria "exagerando". Sobretudo ao vazar informações para a mídia. Ora, na hora de estourar a boca de fumo, é chute na porta, mãos para o alto, barraco revirado, e, se o preso perguntar pelo mandado do juiz, é bem capaz de levar umas bolachas...
Mas, em se tratando de bacanas, corre-se o processo sob segredo de Justiça. Claro, isso facilita o embate entre o Judiciário, refém da elite, e a Polícia Federal, que, infelizmente, não tem tanta autonomia quanto o Banco Central. O "exagero" não está na Polícia Federal, senhores políticos! Está nos fatos que levam uma publicação como o "Financial Times" a dizer que o Brasil é o país do "rouba, mas faz" sem que o Congresso reaja à acusação.
O "exagero" reside nas CPIs abortadas sem punir ninguém; nos inquéritos paralisados que reforçam a impunidade; no volume de dinheiro público destinado a bolsos privados; no absurdo de micros, pequenos e médios empresários ficarem à míngua diante da porta do BNDES, obrigados a suportar elevadas taxas de juros dos bancos privados, enquanto os grandes empresários se fartam com dinheiro público barato.
O "exagero" é constatar que, diante de tanta denúncia de corrupção neste país nos últimos anos, nenhum corrupto se encontra cumprindo pena atrás das grades.
O "exagero" não é a Polícia Federal investigar e capturar, é aderir à perversa ideologia de que os meus amigos corruptos são menos corruptos que os meus inimigos... Por que rejeitar o jatinho do empresário amigo? Que mal faz um mimo? Recusar um presente não é uma ofensa?
É tanto ladrão graúdo preso e muitos ameaçados que o melhor é prender e calar a polícia... Isso lembra a história de Eliot Ness, o famoso agente "usamericano" que enfrentou a máfia, retratado na série "Os Intocáveis".
Sabe por que a série foi tirada do ar pela cadeia televisiva ABC? Primeiro, a comunidade ítalo-americana protestou. Sentia-se encarada como mafiosa. A viúva de Al Capone processou a emissora por uso indevido da imagem do marido e exigiu reparação de US$ 1 milhão. O FBI também se irritou, era ele que reprimia a máfia, e os méritos ficavam com Eliot.
Tudo se complicou em 1961, quando o líder sindical "Though Tony" Anastasia, ressentido com a denúncia do caráter mafioso de sua entidade, promoveu manifestação diante da ABC em Nova York e mobilizou os estivadores para manter "intocadas" as cargas de cigarros Chesterfield Kings, patrocinadora do programa. Afetada pelo boicote, a empresa Ligett-Meyers, produtora do cigarro, retirou o patrocínio e, meses depois, o programa saiu do ar.
E, no Brasil, quem são "os intocáveis", os policiais federais ou os bandidos de colarinho branco e rabo preso?"
"Desde que me entendo por gente, ouço dizer, sem poder discordar, que vivemos no país da impunidade. A polícia e a Justiça punem apenas os pobres passageiros atulhados nos porões deste imenso navio cargueiro chamado Brasil, que flutua nos mares do Sul. No convés, os camarotes vivem infestados de larápios, corruptos, estelionatários, sonegadores, contrabandistas, contratadores de trabalho escravo e toda sorte de bandidos, imunes e impunes.
Essa elite deletéria tem o poder de influir não apenas na elaboração das leis mas sobretudo na sua aplicação, pois indica juízes e promove togados, nomeia delegados e promotores, presenteia políticos e banca férias de magistrados em hotéis de luxo, o que lhes permite trafegar e traficar no mundo do crime com a mesma desfaçatez com que freqüentam os salões da República, os gabinetes de parlamentares e as festas em que o poder desfila e espelha seu incomensurável ego. Diante de tanta impunidade, Chico Buarque chegou a propor: "Chamem o ladrão, chamem o ladrão!".
No governo Lula, felizmente, as ingerências políticas foram afastadas da Polícia Federal. Como nunca se havia visto antes, as grades de sua carceragem se abriram para ex-governadores, juízes, donos de grandes empresas, gente graúda. Graças à imparcialidade do Ministério Público e ao sigilo das investigações, tubarões têm caído na rede. Pena que as nossas leis sejam tão frouxas, e o Judiciário, cheio de dedos para puni-los.
Agora, diante da Operação Navalha, que corta a jugular de um dos esquemas para sugar os bilionários recursos do PAC (quantos outros não permanecem ativos?), há uma grita geral de que a Polícia Federal estaria "exagerando". Sobretudo ao vazar informações para a mídia. Ora, na hora de estourar a boca de fumo, é chute na porta, mãos para o alto, barraco revirado, e, se o preso perguntar pelo mandado do juiz, é bem capaz de levar umas bolachas...
Mas, em se tratando de bacanas, corre-se o processo sob segredo de Justiça. Claro, isso facilita o embate entre o Judiciário, refém da elite, e a Polícia Federal, que, infelizmente, não tem tanta autonomia quanto o Banco Central. O "exagero" não está na Polícia Federal, senhores políticos! Está nos fatos que levam uma publicação como o "Financial Times" a dizer que o Brasil é o país do "rouba, mas faz" sem que o Congresso reaja à acusação.
O "exagero" reside nas CPIs abortadas sem punir ninguém; nos inquéritos paralisados que reforçam a impunidade; no volume de dinheiro público destinado a bolsos privados; no absurdo de micros, pequenos e médios empresários ficarem à míngua diante da porta do BNDES, obrigados a suportar elevadas taxas de juros dos bancos privados, enquanto os grandes empresários se fartam com dinheiro público barato.
O "exagero" é constatar que, diante de tanta denúncia de corrupção neste país nos últimos anos, nenhum corrupto se encontra cumprindo pena atrás das grades.
O "exagero" não é a Polícia Federal investigar e capturar, é aderir à perversa ideologia de que os meus amigos corruptos são menos corruptos que os meus inimigos... Por que rejeitar o jatinho do empresário amigo? Que mal faz um mimo? Recusar um presente não é uma ofensa?
É tanto ladrão graúdo preso e muitos ameaçados que o melhor é prender e calar a polícia... Isso lembra a história de Eliot Ness, o famoso agente "usamericano" que enfrentou a máfia, retratado na série "Os Intocáveis".
Sabe por que a série foi tirada do ar pela cadeia televisiva ABC? Primeiro, a comunidade ítalo-americana protestou. Sentia-se encarada como mafiosa. A viúva de Al Capone processou a emissora por uso indevido da imagem do marido e exigiu reparação de US$ 1 milhão. O FBI também se irritou, era ele que reprimia a máfia, e os méritos ficavam com Eliot.
Tudo se complicou em 1961, quando o líder sindical "Though Tony" Anastasia, ressentido com a denúncia do caráter mafioso de sua entidade, promoveu manifestação diante da ABC em Nova York e mobilizou os estivadores para manter "intocadas" as cargas de cigarros Chesterfield Kings, patrocinadora do programa. Afetada pelo boicote, a empresa Ligett-Meyers, produtora do cigarro, retirou o patrocínio e, meses depois, o programa saiu do ar.
E, no Brasil, quem são "os intocáveis", os policiais federais ou os bandidos de colarinho branco e rabo preso?"
Pelo debate das concessões públicas no Brasil
Do Blog do Rovai:
"Este debate [sobre as concessões públicas no Brasil] me interessa imensamente. Desde já, adianto, sou absolutamente contrário às renovações automáticas de concessões. Acho que o espaço dos canais abertos de rádios e TVs deveriam ser colocados em licitações públicas de tempos em tempos. Isso daria mais democracia ao processo.
"Este debate [sobre as concessões públicas no Brasil] me interessa imensamente. Desde já, adianto, sou absolutamente contrário às renovações automáticas de concessões. Acho que o espaço dos canais abertos de rádios e TVs deveriam ser colocados em licitações públicas de tempos em tempos. Isso daria mais democracia ao processo.
Quem realizaria essa licitação? Seriam Conselhos de Estado das Comunicações, absolutamente livres e independentes dos governantes de plantão, com gente que viria da magistratura, de conselhos sociais, de setores do empresariado, das ONGs do setor etc e tal. Não seriam concessões decididas na calada da noite, por um ou outro ministro.Esse grupo que teria umas 70 pessoas decidiria a questão das concessões e outros aspectos macros relacionados à área.
Decidido isso, teria-se como regra o impedimento da propriedade cruzada. E isso passaria a valer a partir da lei aprovada. Que tal? Os defensores da liberdade de imprensa que têm assento da Abert topam? Eles não defendem a imprensa e a liberdade, vamos radicalizar nisso, ué. Defendo aqui e na Venezuela o mesmo. Sem o menor constrangimento e nem interesse direto. Não tenho compromisso com Chávez e muito menos com o estabilshment midiático do Brasil."
Nos EUA, cassar concessões não fere liberdade de imprensa
Do Blog do Rovai:
"Acabo de ler uma entrevista do presidente do Colégio de Periodistas do Chile, Ernesto Carmona, em que ele diz que nos EUA a FCC, sigla da Administração Federal das Comunicações, órgão regulador que existe desde 1934, já teria fechado 141 emissoras de televisão. Entre elas 101 que não tiveram suas concessões renovadas e outras 39 que foram cassadas antes mesmo do vencimento da licença. Nesta conta, falta uma. Vamos seguir com essa apuração.
Também diz na mesma entrevista que foram revogadas recentemente concessões de emissoras no Perú, Canadá e no Reino Unido. E lembra que nesses casos a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) não protestou."
Leia mais em http://revistaforum.uol.com.br/blogdorovai
"Acabo de ler uma entrevista do presidente do Colégio de Periodistas do Chile, Ernesto Carmona, em que ele diz que nos EUA a FCC, sigla da Administração Federal das Comunicações, órgão regulador que existe desde 1934, já teria fechado 141 emissoras de televisão. Entre elas 101 que não tiveram suas concessões renovadas e outras 39 que foram cassadas antes mesmo do vencimento da licença. Nesta conta, falta uma. Vamos seguir com essa apuração.
Também diz na mesma entrevista que foram revogadas recentemente concessões de emissoras no Perú, Canadá e no Reino Unido. E lembra que nesses casos a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) não protestou."
Leia mais em http://revistaforum.uol.com.br/blogdorovai
A ocupação da reitoria da USP
Sobre a desobediência civil
"Diante das manifestações de membros da comunidade acadêmica, inclusive de cientistas sociais, desqualificando a estratégia de desobediência civil e ação direta adotada pelos estudantes da Universidade de São Paulo que ocuparam a reitoria, gostaríamos de chamar atenção para alguns pontos.
"Diante das manifestações de membros da comunidade acadêmica, inclusive de cientistas sociais, desqualificando a estratégia de desobediência civil e ação direta adotada pelos estudantes da Universidade de São Paulo que ocuparam a reitoria, gostaríamos de chamar atenção para alguns pontos.
Os críticos da ocupação enquanto estratégia argumentam que ela fere não apenas o princípio da legalidade, como também a civilidade e o diálogo e que, portanto, trata-se apenas de uma ação violenta, autoritária e criminosa.
As instituições civilizadas que esses críticos defendem, do voto universal para cargos legislativos até os direitos trabalhistas e as leis de proteção ambiental foram frutos de ações diretas, não mediadas pelas instituições democrático-liberais: foram fruto de greves (num momento em que eram ilegais), de ocupações de fábricas, de bloqueios de ruas. Não é possível defender o valor civilizatório destas conquistas que criaram pequenos bolsões de decência num sistema econômico e político injusto e degradante e esquecer das estratégias utilizadas para conquistá-las. Ou será que tais ações só passam a ser meritórias depois de assimiladas pela ordem dominante e quando já são consideradas inócuas?
As ações diretas que desobedecem o poder político não são um mero uso de força por aqueles que não detêm o poder, mas um uso que aspira mais legitimidade que as ações daqueles que controlam os meios legais de violência. Talvez fosse o caso de lembrar, mesmo para os cientistas sociais, que nossas instituições democrático-liberais são instrumentos de um poder que aspira o monopólio do uso legítimo da violência. Há assim, na desobediência civil, uma disputa de legitimidade entre a ação legal daqueles que controlam a violência do poder do estado e a ação daqueles que fazem uso da desobediência reivindicando uma maior justiça dos propósitos.
Os críticos da ocupação da reitoria, em especial aqueles que partilham do mesmo propósito (a defesa da autonomia universitária), podem questionar se a ocupação está conquistando, por meio da sua estratégia, legitimidade junto à comunidade acadêmica e à sociedade civil. Esse é um dilema que todos que escolhem este tipo de estratégia de luta têm que enfrentar e que os ocupantes estão enfrentando. Mas desqualificar a desobediência civil e a ação direta em nome da legalidade e da civilidade das instituições é desaprender o que a história ensinou. Seria necessário também lembrar que mesmo do ponto de vista da legalidade, nossas instituições não vão tão bem?
Independente de como a ocupação da reitoria termine, ela já conseguiu seu propósito principal: fomentar a discussão sobre a autonomia universitária numa comunidade acadêmica que permaneceu apática por meses às agressões do governo estadual e que só acordou com o rompimento da ordem."
Caros Amigos
Romário é um mau exemplo
País de heróis ridículos
Por Guilherme Scalzilli na Caros Amigos
"Quando Romário decidiu estar prestes a completar mil gols, os comentaristas teceram objeções sensatas. Desautorizaram paralelos com Pelé, questionaram a ridícula contabilização de jogos amadores ou comemorativos e demonstraram que o número correto, mesmo forçando um pouco a amizade, beiraria novecentos. Infelizmente, porém, todos cantaram loas ao atacante vascaíno e permitiram-lhe o luxo de mentir, em nome dos serviços prestados ao ludopédio universal.
Por Guilherme Scalzilli na Caros Amigos
"Quando Romário decidiu estar prestes a completar mil gols, os comentaristas teceram objeções sensatas. Desautorizaram paralelos com Pelé, questionaram a ridícula contabilização de jogos amadores ou comemorativos e demonstraram que o número correto, mesmo forçando um pouco a amizade, beiraria novecentos. Infelizmente, porém, todos cantaram loas ao atacante vascaíno e permitiram-lhe o luxo de mentir, em nome dos serviços prestados ao ludopédio universal.
Balela. A carreira de Romário é uma sucessão de maus exemplos para milhões de crianças e jovens que o admiram. O sucesso financeiro e o reconhecimento disseminam a falsa noção de que boemia e indisciplina são aceitáveis num atleta profissional. Arquétipo do jogador indolente, presunçoso e dissimulado (o popular “chinelinho”), Romário chega à tardia despedida consagrando a Lei de Gérson, com apoio da mídia babona, que corrobora suas veleidades inventando-lhe um discutível rol de glórias e dons.
Afirmar que só ele ganhou a Copa de 1994 despreza o papel de outros jogadores e obscurece o sonolento zero a zero da final, decidida nos pênaltis. Elencos medianos destacaram suas qualidades. Convivendo com o goleador ágil e talentoso há um oportunista dependente dos colegas, que ridiculariza a aplicação tática, não apóia a marcação, corre e cabeceia pouco. Numerologia alguma será capaz de alçá-lo ao nível técnico dos maiores jogadores de todos os tempos.
A condescendência com a vaidade de Romário estende-se à reputação de Ricardo Teixeira, Eurico Miranda e seus demais patronos. E, pior, endossa um desrespeito ao rigor analítico: quando paixões e narcisismos violam a estatística, sucumbem a verdade, a razão, a justiça. Afinal, que valem os números, se podemos manipulá-los?
Romário é símbolo de uma nação sem valores, que precisa de subterfúgios para inventar seus ídolos."
Luiza Erundina fala à Caros Amigos
A edição deste mês da revista Caros Amigos traz uma entrevista com a deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Há quem não se lembre, mas Erundina foi prefeita de São Paulo e ministra do governo Itamar Franco, quando ainda era filiada ao PT.
Erundina diz que o futuro não depende dos partidos políticos que aí estão - nem de novos partidos. Para ela, é a partir dos movimentos sociais que "surgirá um novo ciclo na vida política e principalmente social e econômica do Brasil."
Na entrevista, ela conta que saiu do PT porque percebeu que o partido não correspondia mais "às nossas origens, nossos compromissos, nossos sonhos, à nossa utopia, à nossa visão de mundo, à nossa visão de poder, à nossa visão de política que era uma visão pedagógica."
Mas confessa que sua saída do PT ainda "é uma questão mal resolvida" dentro dela própria.
Vale à pena conferir a entrevista na íntegra.
Erundina diz que o futuro não depende dos partidos políticos que aí estão - nem de novos partidos. Para ela, é a partir dos movimentos sociais que "surgirá um novo ciclo na vida política e principalmente social e econômica do Brasil."
Na entrevista, ela conta que saiu do PT porque percebeu que o partido não correspondia mais "às nossas origens, nossos compromissos, nossos sonhos, à nossa utopia, à nossa visão de mundo, à nossa visão de poder, à nossa visão de política que era uma visão pedagógica."
Mas confessa que sua saída do PT ainda "é uma questão mal resolvida" dentro dela própria.
Vale à pena conferir a entrevista na íntegra.
sábado, 2 de junho de 2007
Cenas da Cidade
Chávez, RCTV, Congresso brasileiro e a mídia tupiniquim
Fiquei de longe só acompanhando a repercussão do caso da RCTV da Venezuela - a emissora que teve a sua concessão não renovada pelo presidente Hugo Chávez.
O artigo de Marcelo Salles do "Fazendo Média" traduz o que eu penso sobre o episódio e seus significados.
A mídia tupiniquim adotou o tom que já era esperado: acusaram Chávez de "ditador" e disseram que a "cassação" (quando o correto seria dizer "não-renovação") da concessão da RCTV representava um "golpe" contra a liberdade de imprensa. Alguém esperava que por aqui se dissesse outra coisa?
Não se disse que a RCTV participou ativamente do golpe fracassado, em abril de 2002, contra Chávez. A Folha referiu-se ao episódio como uma simples "tentativa de golpe".
Esse episódio é revelador da luta que se trava em torno do domínio da mídia - um bem público, mas que é regido pelo interesse privado.
Marcelo Salles escreve acertadamente que "quem controla a subjetividade, controla a hegemonia". Ele acrescenta que "os meios de comunicação de massa constituem a instituição com maior poder de produzir subjetividades".
Na Carta Capital desta semana, a matéria de capa ("A mídia faz política") traz um levantamento dos casos recentes na história da América Latina nos quais a mídia jogou do lado obscuro, ignorando as agora invocadas regras democráticas, aliando-se à golpistas.
"Foi o que aconteceu no Brasil, na preparação do golpe de 1964, ou no Chile, em 1973, quando os militares derrubaram o governo de Salvador Allende", escreve o repórter Giancarlo Summa.
Carta Capital mostra o que está em jogo: a mídia se transformou em um dos mais fortes "poderes de fato" da América Latina. A conclusão é apontada pelo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2004, no capítulo "Democracia na América Latina".
Segundo os dados do relatório, expostos por Carta Capital, para a maioria das lideranças entrevistadas do continente, o verdadeiro poder é exercido, atualmente, não pelos governos ou partidos, mas pelos grupos econômicos e finaceiros em primeiro lugar (79,7% das respostas) e, em segundo lugar, pelos meios de comunicação (65,2%).
Ou seja, a briga é por poder e hegemonia - democracia é só pretexto. Chávez atingiu o coração do leão.
Por aqui produziu-se ainda outro episódio curioso sobre essa questão venezuelana. Na quarta-feira 30, o Senado brasileiro aprovou um requerimento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) pedindo que o presidente Chávez devolvesse a concessão da RCTV.
Em resposta à intromissão brasileira em um assunto interno de seu país, Chávez retrucou acusando o Congresso brasileiro de estar a serviço do governo de Washington. Segundo a Folha de S. Paulo, Chávez disse que o Senado do Brasil agia como "papagaio" do Congresso americano.
"O Congresso do Brasil deveria se preocupar com os problemas do Brasil. O Congresso é dominado pelos movimentos e partidos da direita, que estão tentando que a Venezuela não entre no Mercosul."
Ainda segundo a Folha, Chávez disse que "é muito mais fácil que o império português [volte] a se instalar em Brasília do que o governo da Venezuela devolver a concessão à oligarquia venezuelana".
Depois vieram as repercussões à fala de Chávez. Representantes do governo e da oposiçao no Senado e na Câmara disseram que o preseidente venezuelano desrespeitou o Congresso brasileiro. Aí, em seguida, os adjetivos de praxe: "aprendiz de ditador", "tirano", "desorientado" etc.
O presidente Lula divulgou nota na sexta-feira 1, repudiando as críticas de Chávez e cobrando explicações do embaixador da Venezuela no Brasil.
Para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, as declarações de Chávez causam "incômodo ou preocupação".
Neste sábado 2, Chávez disse que suas críticas ao Congresso brasileiro foram motivadas pelo "comunicado grosseiro" que o Senado emitiu, quando aprovou o tal requerimento pedindo que ele devolvesse a concessão da RCTV.
"O Congresso do Brasil emitiu um comunicado grosseiro que me obrigou a respondê-lo. Não aceitamos a ingerência de ninguém em nossos assuntos internos", disse Hugo Chávez, discursando para milhares de apoiadores do seu governo que marcharam hoje em Caracas, apoiando a não-renovação do contrato da RCTV.
Em outro trecho do seu discurso, Chávez mandou aqueles que o criticam por não renovar a concessão do canal RCTV "para o inferno".
"Vão para o inferno, representantes da oligarquia internacional. Nós mandamos vocês para o inferno daqui da ruas da liberdade, pelo povo livre da Venezuela", disse Chávez inflamado.
Triste é ver a posição do governo brasileiro nessa história toda.
É claro que o Congresso Nacional não tinha nada que aprovar requerimento nenhum para enviar ao presidente venezuelano.
Chávez não mentiu uma vírgula.
A reação dos senadores, posteriormente dos deputados federais, amplificada pela mídia, é a reação do rato com medo da ratoeira.
No Brasil, a Constituição proíbe que políticos e parentes próximos sejam proprietários de concessões de rádio e TV. Até o reino mineral sabe que o que mais tem por aqui é político dono de emissoras de rádio e televisão: José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, José Agripino, só pra citar alguns exemplos.
Eles vão lá concordar que mexam no queijo deles?
Queria que Lula tivesse peito e fizesse o mesmo que Chávez fez: mandasse os críticos para o inferno e começasse não renovando as concessões de televisão que pertencem aos políticos brasileiros.
Acho que vou morrer e não vejo isso acontecer.
Quando o governo é acuado, Lula e o PT acusam a mídia de golpista. Mas nem Lula nem o PT têm coragem de abrir a caixa-preta das concessões de televisão no Brasil.
O artigo de Marcelo Salles do "Fazendo Média" traduz o que eu penso sobre o episódio e seus significados.
A mídia tupiniquim adotou o tom que já era esperado: acusaram Chávez de "ditador" e disseram que a "cassação" (quando o correto seria dizer "não-renovação") da concessão da RCTV representava um "golpe" contra a liberdade de imprensa. Alguém esperava que por aqui se dissesse outra coisa?
Não se disse que a RCTV participou ativamente do golpe fracassado, em abril de 2002, contra Chávez. A Folha referiu-se ao episódio como uma simples "tentativa de golpe".
Esse episódio é revelador da luta que se trava em torno do domínio da mídia - um bem público, mas que é regido pelo interesse privado.
Marcelo Salles escreve acertadamente que "quem controla a subjetividade, controla a hegemonia". Ele acrescenta que "os meios de comunicação de massa constituem a instituição com maior poder de produzir subjetividades".
Na Carta Capital desta semana, a matéria de capa ("A mídia faz política") traz um levantamento dos casos recentes na história da América Latina nos quais a mídia jogou do lado obscuro, ignorando as agora invocadas regras democráticas, aliando-se à golpistas.
"Foi o que aconteceu no Brasil, na preparação do golpe de 1964, ou no Chile, em 1973, quando os militares derrubaram o governo de Salvador Allende", escreve o repórter Giancarlo Summa.
Carta Capital mostra o que está em jogo: a mídia se transformou em um dos mais fortes "poderes de fato" da América Latina. A conclusão é apontada pelo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2004, no capítulo "Democracia na América Latina".
Segundo os dados do relatório, expostos por Carta Capital, para a maioria das lideranças entrevistadas do continente, o verdadeiro poder é exercido, atualmente, não pelos governos ou partidos, mas pelos grupos econômicos e finaceiros em primeiro lugar (79,7% das respostas) e, em segundo lugar, pelos meios de comunicação (65,2%).
Ou seja, a briga é por poder e hegemonia - democracia é só pretexto. Chávez atingiu o coração do leão.
Por aqui produziu-se ainda outro episódio curioso sobre essa questão venezuelana. Na quarta-feira 30, o Senado brasileiro aprovou um requerimento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) pedindo que o presidente Chávez devolvesse a concessão da RCTV.
Em resposta à intromissão brasileira em um assunto interno de seu país, Chávez retrucou acusando o Congresso brasileiro de estar a serviço do governo de Washington. Segundo a Folha de S. Paulo, Chávez disse que o Senado do Brasil agia como "papagaio" do Congresso americano.
"O Congresso do Brasil deveria se preocupar com os problemas do Brasil. O Congresso é dominado pelos movimentos e partidos da direita, que estão tentando que a Venezuela não entre no Mercosul."
Ainda segundo a Folha, Chávez disse que "é muito mais fácil que o império português [volte] a se instalar em Brasília do que o governo da Venezuela devolver a concessão à oligarquia venezuelana".
Depois vieram as repercussões à fala de Chávez. Representantes do governo e da oposiçao no Senado e na Câmara disseram que o preseidente venezuelano desrespeitou o Congresso brasileiro. Aí, em seguida, os adjetivos de praxe: "aprendiz de ditador", "tirano", "desorientado" etc.
O presidente Lula divulgou nota na sexta-feira 1, repudiando as críticas de Chávez e cobrando explicações do embaixador da Venezuela no Brasil.
Para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, as declarações de Chávez causam "incômodo ou preocupação".
Neste sábado 2, Chávez disse que suas críticas ao Congresso brasileiro foram motivadas pelo "comunicado grosseiro" que o Senado emitiu, quando aprovou o tal requerimento pedindo que ele devolvesse a concessão da RCTV.
"O Congresso do Brasil emitiu um comunicado grosseiro que me obrigou a respondê-lo. Não aceitamos a ingerência de ninguém em nossos assuntos internos", disse Hugo Chávez, discursando para milhares de apoiadores do seu governo que marcharam hoje em Caracas, apoiando a não-renovação do contrato da RCTV.
Em outro trecho do seu discurso, Chávez mandou aqueles que o criticam por não renovar a concessão do canal RCTV "para o inferno".
"Vão para o inferno, representantes da oligarquia internacional. Nós mandamos vocês para o inferno daqui da ruas da liberdade, pelo povo livre da Venezuela", disse Chávez inflamado.
Triste é ver a posição do governo brasileiro nessa história toda.
É claro que o Congresso Nacional não tinha nada que aprovar requerimento nenhum para enviar ao presidente venezuelano.
Chávez não mentiu uma vírgula.
A reação dos senadores, posteriormente dos deputados federais, amplificada pela mídia, é a reação do rato com medo da ratoeira.
No Brasil, a Constituição proíbe que políticos e parentes próximos sejam proprietários de concessões de rádio e TV. Até o reino mineral sabe que o que mais tem por aqui é político dono de emissoras de rádio e televisão: José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, José Agripino, só pra citar alguns exemplos.
Eles vão lá concordar que mexam no queijo deles?
Queria que Lula tivesse peito e fizesse o mesmo que Chávez fez: mandasse os críticos para o inferno e começasse não renovando as concessões de televisão que pertencem aos políticos brasileiros.
Acho que vou morrer e não vejo isso acontecer.
Quando o governo é acuado, Lula e o PT acusam a mídia de golpista. Mas nem Lula nem o PT têm coragem de abrir a caixa-preta das concessões de televisão no Brasil.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
O episódio da RCTV
Com a RCTV, cai também boa parte da credibilidade das corporações da mídia em todo o mundo. Seja a CNN, que falsificou imagens de protestos; sejam as agências de notícias ligadas a Washington ou as emissoras privadas da América Latina, que apoiaram o golpe na Venezuela em 2002. No Brasil, o ímpeto contra Hugo Chávez já coleciona distorções, meias verdades e mentiras inteiras.
Por exemplo, a primeira página da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (30) registra que a concessão da RCTV foi "cassada" por Hugo Chávez. Não é verdade. A concessão terminou e não foi renovada; ela não foi cassada. A TV Globo, por sua vez, em praticamente todos os seus telejornais dá a entender que o governo venezuelano fechou a emissora arbitrariamente, comprometendo a liberdade de imprensa e a democracia.
Os demais veículos corporativos seguem pelo mesmo caminho. Com alguma dificuldade, assumem que houve um golpe de Estado contra Chávez, em abril de 2002. Mas, do jeito que noticiam, fica parecendo que o golpe surgiu por geração espontânea. Não apontam responsáveis, embora os conheçam. Não revelam a participação da CIA, embora existam provas fartas. Não oferecem, sequer, a versão do outro lado, conforme ensinam seus próprios manuais de redação. Naquela sexta-feira, 11 de abril de 2002, Arnaldo Jabor comemorou o golpe contra Chávez atirando bananas para o alto, em seu comentário para o Jornal Nacional. A revista Veja também ficou satisfeita: "cai o presidente falastrão", disse sua edição daquele final de semana.
Mas o que está por trás da atual campanha contra Hugo Chávez não é nem o presidente venezuelano em si. É também, mas vai além dele. Atravessa-o. O que está em jogo é o controle de um bem público que confere um poder nunca antes sonhado pelas elites. Hoje, na Era da Informação, o poder de produzir e transmitir imagens e palavras é a premissa básica para se alcançar todas as riquezas imagináveis.
Aquilo que os exploradores de hoje perceberam há pelo menos cinqüenta anos, só recentemente os movimentos sociais começaram a entender. O ponto chave é: quem controla a subjetividade, controla a hegemonia. Os meios de comunicação de massa constituem a instituição com maior poder de produzir subjetividades. Através de suas mensagens, determinam formas de pensar, agir, sentir e viver de toda uma comunidade, região ou país.
É por isso que as corporações da mídia, a serviço da exploração dos povos, articulam uma campanha sem precedentes contra Hugo Chávez. Porque ao não renovar a concessão de uma dessas corporações e, além disso, conceder seu controle a grupos populares, Chávez atinge substancialmente a fonte de poder daquelas corporações. Por isso o dia da não renovação da concessão da RCTV, 27 de maio de 2007, será lembrado como um grande avanço na história da humanidade.
A TV Globo, que apoiou a ditadura que seqüestrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros - repito, milhares de brasileiros - agora acusa Hugo Chávez de violar a liberdade de imprensa. A Folha de S. Paulo, que emprestou automóveis para órgão da repressão, agora acusa Chávez de agredir a democracia. Estão desesperados. Porque o governo venezuelano abriu um precedente perigosíssimo para as classes exploradoras, mas belíssimo para todos que acreditam numa humanidade mais humana.
Neste mês de maio, vencem dezenas de outorgas de rádio e televisão no Brasil. São cinco da Globo, duas da Bandeirantes e uma da Record, sem contar as emissoras afiliadas. O levantamento foi feito pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e pode ser lido aqui.
Em junho do ano passado, em plena Copa do Mundo, o presidente Lula assinou um decreto ilegal entregando novas concessões públicas de televisão digital para as mesmas empresas que já transmitem em sinal analógico. Se os movimentos sociais não quiserem continuar sendo massacrados pelas corporações de mídia, a hora de agir é agora. É preciso compreender a importância histórica desse momento e ir para as ruas. Movimento Negro, MST, MTST, Marcha das Mulheres, Estudantes acampados na USP e em outras universidades, professores, sindicatos, todos, sem exceção, precisam ir para as ruas e, mais que pressionar, precisam obrigar nossos representantes a não renovarem essas concessões e a anularem o decreto da televisão digital.
O que está acontecendo na Venezuela não é um ato isolado. São as conseqüências da falência das políticas neoliberais, que concentram as riquezas em poucas mãos e distribuem a miséria para a maioria. É possível reverter esse quadro, como o governo venezuelano está mostrando. Até porque o fracasso desse modelo derruba também a credibilidade de seus interlocutores, ou seja, das corporações da mídia. E um dos momentos mais lindos da história humana é quando os oprimidos deixam de acreditar nas palavras dos exploradores e se levantam, sem medo, dispostos a enfrentá-los.
Show dos Brazukas
A boa da noite desta sexta-feira (01/06) é o show d'Os Brazukas no Budda Pub em Ponta Negra, a partir das 23h.
O show vai ser especial, porque é aniversário do meu amigo Alberto, jornalista e integrante da banda.
Alberto promete que a noite vai ser de muitas surpresas. "Vem aí um momento Fundo do Baú", revelou ele.
É isso aí... tá dado o recado.
O show vai ser especial, porque é aniversário do meu amigo Alberto, jornalista e integrante da banda.
Alberto promete que a noite vai ser de muitas surpresas. "Vem aí um momento Fundo do Baú", revelou ele.
É isso aí... tá dado o recado.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Cenas da Cidade
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Operação Navalha
Resumo da ópera: ao contrário do que indicam as provas, nenhum político acusado de integrar a quadrilha que fraudava licitações de obras públicas é culpado.
Como se sabe, os políticos brasileiros são conhecidos pela honestidade e pelo dom da sinceridade.
Todos são inocentes.
Como se sabe, os políticos brasileiros são conhecidos pela honestidade e pelo dom da sinceridade.
Todos são inocentes.
A TV nossa de cada dia
É o seguinte, galera... estou fazendo minha monografia sobre programas policiais; sendo mais específico, trata-se da análise do discurso dos programas policias da televisão local na abordagem da violência infanto-juvenil; sendo mais específico ainda, o foco do meu trabalho é o Patrulha da Cidade da TV Ponta Negra, apresentado pelo jornalista (?) Paulo Wagner.
Fuçando pela internet à procura de material para o meu trabalho, encontrei um vídeo no YouTube que mostra o nível do programa em questão. Prefiro não dizer mais nada. Vejam o vídeo e tirem suas conclusões.
P.S.: O Patrulha da Cidade é líder local de audiência.
Fuçando pela internet à procura de material para o meu trabalho, encontrei um vídeo no YouTube que mostra o nível do programa em questão. Prefiro não dizer mais nada. Vejam o vídeo e tirem suas conclusões.
P.S.: O Patrulha da Cidade é líder local de audiência.
domingo, 27 de maio de 2007
Na boca das tuas palavras
Achei o livro de Jean Sarkief lá na Siciliano e não resisti. De uma só vez, consumi as 207 páginas de poesia da melhor qualidade.
Alguns trechos pra vocês...
Resgate
Agora
recolho essas palavras
construo esse espelho
e espero que você diga algo...
Que me ensine a encontrá-lo
que me salve do silêncio
Agonia
Desde que se foi
você se tornou imenso
e não cabe no papel
nem na razão
Meus espinhos na boca
(...)
Quero a linguagem dos que sofrem e resistem,
dos que riem e choram,
dos que amam e vivem
De mim
Não espere muito
Entreguei meu coração
e isso é tudo
Alguns trechos pra vocês...
Resgate
Agora
recolho essas palavras
construo esse espelho
e espero que você diga algo...
Que me ensine a encontrá-lo
que me salve do silêncio
Agonia
Desde que se foi
você se tornou imenso
e não cabe no papel
nem na razão
Meus espinhos na boca
(...)
Quero a linguagem dos que sofrem e resistem,
dos que riem e choram,
dos que amam e vivem
De mim
Não espere muito
Entreguei meu coração
e isso é tudo
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