quarta-feira, 28 de março de 2007

Governadora lança PAC do RN

'Agenda do Crescimento' estabelece metas de desenvolvimento do Estado

Com informações da Tribuna do Norte

O Governo do Estado lançou na última segunda-feira (26), no auditório do Hotel Serhs, a Agenda do Crescimento do Rio Grande do Norte. O programa prevê investimentos de R$ 15 bilhões até 2010.

Desse total, o governo estadual será responsável por R$ 1,34 bilhão; o governo federal por R$ 1,62 bilhão; o setor privado por R$ 7,33 bilhões; a Petrobras e bancos oficiais por R$ 5,43 bilhões.

A maioria dos projetos é composta de obras em andamento ou já previstas para o RN.

A primeira etapa da Agenda do Crescimento envolve recursos para obras como a Termoaçu (termelétrica de Açu), a ponte Newton Navarro (Forte-Redinha) e o aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

O aeroporto é uma obra prioritária para o governo estadual, assim como a Via Metropolitana (rodovias no entorno de Natal para facilitar o transporte da cargas e passageiros), o Terminal Pesqueiro, os empreendimentos turísticos em Pitangui e Touros e a fábrica de gasolina da Petrobras.

A definição sobre quais projetos serão prioritários ou não ficará a cargo da Central do Investidor, que começará a funcionar em maio, recebendo novos projetos e avaliando a relevância da proposta de investimento para o Estado.

Tributação lança propostas

A secretária Lina Vieira, titular da Secretaria Estadual de Tributação (SET), apresentou as propostas da área tributária que integram a Agenda do Crescimento.

Faz parte do pacote tributário a Nota Fiscal Eletrônica, iniciativa do governo federal que já está em fase de teste em vários Estados.

Outra proposta é o Cadastro Sincronizado, que deverá funcionar a partir de maio, também em parceria com o governo federal. O Cadastro Sincronizado permitirá que uma empresa tenha um cadastro único para a Receita Federal, Junta Comercial e Secretaria Municipal de tributação de Natal (Semut).

Também estão previstos projetos como o Compra Legal, que permitirá o acesso de qualquer pessoa às compras do poder público do RN, através da internet, possibilitando o combate à sonegação fiscal. O Cadastro do Terceiro Setor irá discriminar quais entidades recebem recursos dos cofres públicos.

terça-feira, 27 de março de 2007

Hollywood teme regulamentação sobre violência em filmes

A violência gratuita dos filmes de Hollywood foi colocada em xeque. Tudo por causa do novo filme de Robert Rodríguez e Quentin Tarantino, "Grindhouse", cuja pré-estréia estava prevista para a próxima segunda-feira (02/04) nos Estados Unidos.

De acordo com a Agência EFE, o filme "abusa tanto da crueldade que Hollywood já teme uma regulamentação sobre a violência explícita nos filmes.".

Segue a matéria da EFE: "Apesar de todo o estardalhaço, nenhum dos dois se desculpou pelasintenções de um filme no qual, por exemplo, os genitais de Tarantinose desintegram em uma sala, vítima de uma praga mortal quetransforma o produtor em um zumbi em "Planet Terror", o título dahistória sob os cuidados de Rodríguez. Nem mesmo pelo fato de a perna da belíssima Sydney TamiliaPoitier (filha do ator Sydney Poitier) ser jogada pela janela de seu automóvel em "Death Proof", a parte do filme rodada por Tarantino.".

"No entanto, o filme chega em um momento que não tem passadodespercebido por Hollywood nem por aqueles que, dentro da esferapolítica, se preocupam com a moral das produções e seu impacto nosmais jovens.".

"(...) O número de filmes de terror na atual temporada [de filmes em Hollywood] impressiona e motivou o primeiro relatório feito desde 2000 por umacomissão governamental sobre a violência no cinema, na música e nosvideogames.

Há sete anos, os apelos e o controle governamental cederam afavor de auto-regulações dentro da indústria cinematográfica.

Agora, o novo documento chega em um momento mais delicado, dada aproximidade das eleições e o crescimento do gênero."

A César o que é de César

Fernando Mariano, diretor-executivo do Ultra Portal de São Paulo (www.ultraportal.com.br), reclamou que não lhe dei o crédito dos apelidos usados para descrever a Hebe Camargo e o SBT.

Tá bom Fernando, registro aqui sua reclamação:

"ô, vc me plageou no "SBesTeira" e na "Tia" (apelido carinhoso, normalmente acompanhado de termos não tão elogiosos, ao qual referiamos à Hebe quando ela embaçava para nos entregar o horário)Mas tudo bem. Seu texto com meus termos ficou ótimo :)"

Em tempo: Fernando foi coordenador de rede do jornalismo do SBT em outros tempos.

Mortes no Iraque passam de 650 mil

De acordo com a BBC de Londres, o número de mortos no Iraque, desde o início da invasão americana ao país, supera os 650 mil.

Jornalista da Folha traz novamente para o debate o vergonhoso tema dos políticos concessionários de rádio e TV

Do blog do Josias de Souza, repercutindo a festa da TV Ponta Negra:
"Reza a Constituição que políticos não podem ser concessionários de emissoras de rádio e TV. Letra morta, como se sabe. Veja-se, por exemplo, o caso do Rio Grande do Norte. Ali, TV e política convivem em escancarada simbiose.

Na última sexta-feira (23), a TV Ponta Negra, da família da deputada estadual Micarla de Souza (PV-RN), herdeira do ex-senador Carlos Alberto, festejou 20 anos. Retransmissora do STB, a emissora transformou Hebe Camargo em estrela da festa.

Na platéia, além da governador Wilma Faria (PSB), uma sem-TV, estavam os senadores Garibaldi Alves (PMDB-RN), cuja família controla a TV Cabugi (Globo); e Agripino Maia (PFL-RN), dono da TV Tropical (Record).

Hebe encasquetou com Agripino. Deu de ombros para a queda-de-braço que opõe o SBT e a Record pela audiência nacional. Queria porque queria dar um beijo no dono da retransmissora da TV do bispo Macedo.

Agripino tentou esquivar-se. Lembrou-se de sua mulher, Anita Catalão Maia, que deixara em Brasília. “O que danado Anita vai dizer?”, balbuciou, a caminho do palco, onde o aguardava uma ansiosa Hebe.

Deu-se o inusitado. A apresentadora tascou um Agripino “selinho”, como se diz. A imagem, estampada na primeira página do diário potiguar “O Jornal de Hoje”, fará a festa de governistas e oposicionistas nas sessões de um vetusto Senado Federal.

De resto, entre um e outro ataque ao governo Lula, Agripino terá de responder à pergunta que fez aos seus botões na noite de Natal: “O que danado terá dito Anita Maia?” "

O Show da Hebe

Ontem, em seu programa no SBT (também conhecido como "SBesTeira"), a 'tia' Hebe Camargo mostrou as imagens da sua visita a Natal semana passada, quando veio participar da festa da TV Ponta Negra.

Não quero perder tempo contando as baboseiras que passaram no programa. Quero apenas destacar dois "momentos" que chamaram a minha atenção (negativamente, óbvio).

Quando mostrava as imagens do "selinho" que deu no senador potiguar Agripino Maia (PFL), Hebe saiu-se com essa: "Senador Agripino Maia, homem dos mais respeitados e honrados do país".

Pode?

O pior é que pode. Ela tá com o microfone na mão, tem programa na TV... faz a merda que quiser!

É mole? Como diria o Macaco Simão (segunda vez hoje que cito ele), "é mole, mas agita pra ver o que acontece".

A 'tia' não sabe nada da realidade nem da história local e vem dizer asneiras aqui. Também, alguém que foi garota propaganda do Maluf, só podia achar Agripino Maia uma "graciiiiiinha" mesmo.

Hebe também elogiou a construção da ponte Forte-Redinha ("vai fazer um bem danado ao povo", disse ela), ressaltando o espírito empreendedor da governadora Wilma de Faria (PSB).

Nenhuma palavra sobre as suspeitas de superfaturamento das obras, sobre a escolha errada do local para a construção da ponte, sobre a "morte" da paisagem do rio Potengi, sobre os danos ambientais...

Ahhh, papo chato esse... a 'tia' não isa querer estragar a festa de ninguém, né...

Toinho Silveira prepara o "circo" para lançar candidatura a vereador

Depois da eleição de Clodovil e Frank Aguiar, outras figuras folclóricas Brasil à fora ensaiam suas candidaturas para as próximas eleições.

O circo dos horrores promete. Ronaldo Ésper, o estilista que distribui agulhadas no programa da 'Lucianta' Gimenez (créditos ao Macaco Simão) e foi preso roubando vasos num cemitério, disse que se filiará a um partido e será candidato a vereador em São Paulo. Qual partido? isso é o que menos importa.

Enquanto isso, em terras potiguares... Toinho Silveira, colunista social (?) com muuuuuuitos serviços prestados à comunidade natalense também anunciou sua candidatura a vereador de Natal.

O "fofo", apelido carinhosamente dado pelo povinho que vive aparecendo no programa do dito colunista, marcou até a data para estourar o champagne: 19 de abril. Haverá, inclusive, show com a presença do cantor (?) Elymar Santos.

Claro, todas as imagens desse evento chiqueeeeeerrimo serão mostradas no programa de Toinho na TV Ponta Negra (olha a propaganda antecipada aí...). Vai ser um desfile de aduladores tecendo elogios à pessoa maravilhoooooosa de Toinho Silveira. Como diria a outra lá, cada mergulho é um flash...

Toinho Silveira já tem, inclusive, partido político. É o PMN, o mesmo do presidente da Assembléia Legislativa do RN, deputado Robinson Farias.

Outro que já anunciou aos quatro cantos o seu desejo de ser vereador de Natal foi o igualmente circense Paulo Wagner, animador/apresentador do policial Patrulha da Cidade, na mesma TV Ponta Negra.

Senhoras e Senhoes, o jeito é comprar o ingresso e esperar o espetáculo começar.

"Quanto riso, oh, quanta alegria... mais de mil palhaços no salão..."

Alexandria

Ex-prefeito Dr. Nei Moacir foi recebido com carreata na cidade

Dr. Nei Moacir, ex-prefeito de Alexandria, foi recebido no último domingo (25) com carreata na cidade, depois de passar três dias detidos no presídio provisório da Ribeira, em Natal, por não ter comparecido às audiências do processo do qual é réu, que investiga atos a sua administração à frente da Prefeitura Municipal de Alexandria.

Dr. Nei fez discurso na rádio comunitária local, oportunidade na qual defendeu-se das acusações, disse que sua prisão havia sido arbitrária e agradeceu a solidariedade dos amigos.

Na quarta-feira (21), encontrei Dr. Nei saindo do gabinete do secretário Leonardo Arruda da Sejuc, no Centro Administrativo.

Eu fazia uma matéria para a Tribuna do Norte sobre o ato público que os servidores da saúde e da Administração Indireta do Estado realizam em frente à Governadoria.

Dr. Ney ainda me perguntou: "O que está acontecendo aí?". Disse-lhe do que se tratava. Em seguida, ele e Osivan Barreto, ex-vereador de Alexandria, isolaram-se para confabular algo em particular.

Certamente, Dr. Nei não imagina que, mais tarde, seria detido e levado a um presídio.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Show de violências

O artigo de Fernando de Barros e Silva na Folha de S.Paulo de hoje toca numa questão geralmente esquecida, ignorada ou mesmo desconhecida da maioria das pessoas: a seleção, disposição e incidência de notícias, pela mídia, sobre os temas que o público falará e discutirá (a hipótese da Agenda Setting).

O aumento da "percepção" da violência pela população, atestado pela pesquisa Datafolha publicada ontem, coincide com a hiperexposição do assunto na mídia. A tragédia cotidiana é apresentada diariamente nos telejornais como enredo novelesco: há o mocinho, o vilão, as cenas do próximo capítulo.

É evidente que a temática da violência precisa ser discutida. Mas não dessa forma, descontextualizada, como fazem as redes de televisão. A mesma emissora que capitaneia a campanha pela "paz" nos seus telejornais, mais tarde, explora a violência em suas telenovelas como fórmula para obter mais audiência.

A "paz" roteirizada e estereotipada é servida ao imaginário popular como fruto apenas do uso da "força" pelo poder constituído. A paz social nem de longe é mencionada, como se fosse possível estabelecer a paz real sem mexer nas estruturas da desigualdade - "lugar" onde crianças, adolescentes e jovens, deixados à margem, protagonizarão a próxima barbárie para, logo mais à noite, aparecer no telejornal.

Leia a íntegra do artigo abaixo:

"A percepção de que a violência passou a figurar no topo das aflições dos brasileiros era algo óbvio para quem acompanha os rumos do noticiário nacional nos últimos meses.

Faltava-lhe apenas a confirmação estatística, obtida pelo Datafolha e divulgada ontem por este jornal. O desemprego, que reinou durante todo o primeiro mandato de Lula como maior problema do país, foi desbancado: hoje 31% dos brasileiros pedem em primeiro lugar por segurança; eram 16% em dezembro. Sim, algo mudou de figura muito rapidamente.

O que isso nos faz pensar? Seria decerto simplista atribuir tal resultado apenas à exposição do assunto na mídia. Mas ignorar o alcance desse aspecto seria outro erro, maior. Parece claro, para dar logo nome aos bois, que a Rede Globo capitaneia, pelo menos desde a morte de João Hélio, uma campanha por "justiça já" que só tende a reforçar, ainda que involuntariamente, o caldo de cultura a favor do aprofundamento das injustiças do país.

Há no ar (e na TV) um clima de "justiça justiceira", uma mistura de clamor punitivo com alarmismo social cultivado pela mídia. Serve como exemplo o reality show macabro protagonizado diariamente em horário nobre pelos pais do menino brutalmente assassinado. O "JN" os transformou em celebridades. A hiperexposição perversa do casal faz com que a dor inominável daquela família seja triturada num liqüidificador emocional até o ponto de servir de alimento ao desejo coletivo de vingança e morte.

Só num ambiente social assim, de pernas para o ar, pode-se considerar a estranhíssima "demonstração de força" da Polícia Civil na última sexta como um gesto a favor da segurança e dos cidadãos. O que se viu -sobretudo em São Paulo, onde a operação foi idealizada e de fato executada- pareceu antes de mais nada uma mistura de manobra midiática com demanda corporativa, sugerindo como saldo quase um recado das forças de repressão do Estado ao governador. Algo como: "Estamos aí, chefia"."

sábado, 24 de março de 2007

BBC põe no ar desenho com personagem pedófilo

Desenho nada animador

De Marcos Linhares para o Blog do Noblat:

"Nunca fui afeito aos tais pré conceitos. Contudo, costumo questionar as iniciativas que mais confundem que constroem, e se envolverem meios de comunicação de massa, nem se fala. Nossa responsabilidade como profissionais da informação é imensa e deve ser muito pensada antes de atingir em cheio o desavisado cidadão que por acaso ouse ler um impresso ou um sítio de notícias, ouvir um programa de rádio ou ainda atrever-se a ligar seu aparelho televisor.

Segundo matéria da Reuters assinada por Michelle Green, em 2003, e depois comentários de Ivan Lessa, no site da BBC Brasil, a BBC colocou no ar, em sua nova emissora de tv digital, o BBC3, uma série de desenhos animados que recebeu o nome de Monkey Dust. Num dos desenhos, há um personagem pedófilo, que se passa, pela internet, por um garoto de 13 anos, cujo nome é Benji. Ele fica grande parte do tempo conversando com uma garotinha de nome Charlotte...

Em outro desenho, somos remetidos à dureza da relação entre pai e filho, no caso os personagens Daddy and Timmy. Onde matar-se acaba sendo a única saída que o pobre pai consegue encontrar para lidar com o comportamento do filho. Ele suicida-se das mais diferentes formas...

A tv inglesa até que tentou dar uma explicação, afirmando que pretendeu tão somente lançar um olhar, envolto em ironia e acidez, "sombriamente satírico" sobre a vida real. Pois é. Nós bem que precisamos realmente de tal criação. Pedófilos invadindo o imaginário do público alvo do desenho, os chamados adultos jovens.

Não é a toa que não param de aparecer nos quatro cantos do planeta casos de médicos, religiosos e professores (para não falar em outras áreas) envolvidos em casos de perversão infantil, ou seja, com os estímulos da vida moderna, envolta em estresse e super exposição a imagens, símbolos e textos permeando o cada vez mais descontrolado e confuso universo sexual moderno.

Não há mais modelos. Vende-se a permissão , a permissividade em um mundo que usa e abusa de tendências via meios de comunicação. Que saudades do tal compromisso com princípios como ética e entretenimento de qualidade. A BBC surpreende por ousar romper padrões educacionais que ela mesma preconizou. A tv pública feita para servir e inquietar, mobilizar e entreter, manuseando o conceito de público, como quem levanta a bandeira do estatal de todos nós.

Do jeito que a vida segue no vídeo, em breve o tal desenho desembarcará em praias televisivas tupiniquins (se isso já não tiver acontecido). Que o alerta não sirva de censura, mas de alerta.

Alerta de todas as cores para todas as cores. A venda e construção simbólica e semiótica do proibido, do voyeurismo que passa do olhar para o consumar o ato, em crianças e adolescentes que podem ser estimulados a aceitar o pacto da ruptura do ser para o estar, parte de um processo de insurreição sexual sem limites.

Que me perdoe a BBC, mas como comunicador não pretendo me calar. O silêncio remete ao consentimento e em plano maior, ao apoio velado. Que se faça humor, pois dele o mundo agoniza.

Sem humor a vida perde o brilho e a graça. Mas que se brinque com cuidado, pois há elementos que podem macular um mundo sem direção e com comunicação errando o alvo. Informar e entreter pode ser feito sem deformar e perverter. Que venham desenhos bem mais animadores que esse!"

Jovens representam 30% da população carcerária

Com informações da Folha Online:

O secretário Nacional da Juventude, Beto Cury, disse que os jovens entre 18 a 24 anos representam 30% da população carcerária do país. A afirmação ocorreu durante a abertura do encontro Vozes Jovens, promovido pela Secretaria Nacional da Juventude, ONU (Organização das Nações Unidas) e o Banco Mundial, na última segunda-feira (19).

Segundo a Política Nacional da Juventude - que avalia as situação dos jovens no país--, 71% das instituições de atendimento aos jovens infratores não atendem os padrões definidos pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Para a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, os jovens precisam ser protagonistas das políticas elaboradas para eles."A aproximação do governo com essa vida ativa é o que faz a política ser mais real, possível", afirmou.

"A juventude brasileira vive ao longo da história uma descontinuidade das políticas públicas voltadas especificamente a esse setor", completou.

De acordo a Secretaria Nacional da Juventude, os jovens também enfrentam dificuldades de acesso à educação. Cerca de 11 milhões (66%) não concluíram o ensino médio. No meio rural, a taxa de analfabetismo é três vezes maior do que entre os adolescentes que moram nas cidades.

Morre lendário bandido de Natal: `Brinquedo do Cão´

Com informações do DN Online:

" Não tivesse sido assassinado com um tiro no rosto na quarta-feira passada em Cabedelo, região portuária na Paraíba, o lendário assaltante Edmilson Lucas da Silva, o ``Brinquedo do Cão'', provavelmente teria sido preso no dia seguinte por uma operação especial que capturou pessoas listadas em 13 endereços de mandados de busca e apreensão de combate ao crime organizado. Segundo notícias da imprensa paraibana, um dos endereços na lista era a casa onde Brinquedo do Cão vivia. Outro era a casa da mãe dele.

Edmilson Lucas era suspeito de venda de drogas e de ser informante da quadrilha desarticulada com os 13 mandados de busca. Na quarta-feira, antes da operação, ele foi baleado na rua, perto de um quartel da PM, e agonizou até morrer. Até o final da manhã desta sexta não havia informações sobre a prisão de algum acusado do crime.

Entre os anos 70 e 80 Edmilson Lucas da Silva foi o bandido mais conhecido e temido de Natal. Depois que chegou de Cabedelo (PB), onde nascera, morou com a família numa espécie de granja na Rua São João, onde hoje estão erguidos dois edifícios e onde funciona um condomínio de lojas, quase na esquina com a Avenida Alexandrino de Alencar, em Lagoa Seca."

"A insistência em cometer muitos crimes, a arrogância típica da juventude marginal, foram ingredientes que o transformaram num mito quando a imprensa passou a abrir manchetes de jornais com seu apelido jocoso: ``Brinquedo do Cão''. O termo lhe foi atribuído quando ainda era bem jovem, por um padre, que reclamou aos fiéis de impertinências que adolescentes faziam do lado de fora da igreja.

Houve uma época em que manchetes de jornais e programas de rádio o tinham como personagem quase cativo. Brinquedo do Cão ficou famoso ainda adolescente pelos roubos que cometeu. Mas nunca foi violento. Roubava sem matar. Várias condenações o colocaram na cadeia por quase duas décadas. Quando foi solto, no início dos anos 2000, sua liberdade virou novamente manchete de jornal. Edmilson, muito visado por causa da má fama em Natal, voltou para Cabedelo e lá, dizem as manchetes dos jornais policiais, estava vinculado ao mundo do crime organizado."

Ibama autoriza transposição do São Francisco

Com informações da Folha Online:

"O presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Marcus Barros, assinou nesta sexta-feira a licença de instalação do projeto de transposição do rio São Francisco.

No último dia 13, o Ministério da Integração Nacional publicou no "Diário Oficial da União" um aviso de licitação pública da primeira etapa do projeto de transposição, que prevê obras em municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A licitação está aberta para as empresas interessadas na execução de obras civis, instalação, montagem, testes e comissionamento dos equipamentos mecânicos e elétricos."

Ministro diz que licença para transposição não significa início das obras

O ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) disse à Folha Online que a "decisão do Ibama de conceder licença ambiental para o início das obras de transposição do rio São Francisco não será suficiente para que o projeto saia do papel".

Para o ministro, a licença representa um "avanço", mas ele se disse de "mãos amarradas", porque é necessário a aprovação do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) para que as verbas para o início das obras sejam iniciadas.

O Projeto de Lei do PAC eleva de R$ 4,5 bilhões para R$ 11,3 bilhões o volume de investimentos federais a serem feitos em 2007 sem impacto nas metas fiscais. A transposição ficaria com R$ 455 milhões extras.

O projeto de transposição do rio São Francisco está orçado em R$ 6 bilhões.

Polêmica

"O projeto de transposição divide a região Nordeste. Bahia, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais --Estados que são chamados de "doadores" das águas do rio-- são contrários às obras. Por outro lado, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará --que serão receptores das águas transpostas-- defendem a liberação da licença ambiental para que o projeto tenha início.

O rio São Francisco nasce em Minas Gerais e cruza o Nordeste pelos Estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Alagoas. Pelo projeto de transposição, canais a serem construídos levariam água para o interior de Pernambuco, para o Ceará, para a Paraíba e para o Rio Grande do Norte."

P.S. : O ministro Gedel Vieira Lima é da Bahia, Estado contrário à transposição. Aliás, o próprio ministro é contra o projeto do rio São Francisco. Registre-se.

Franklin Martins: "A imprensa não está numa redoma".

Em entrevista à Folha de S. Paulo na edição de hoje, o jornalista Franklin Martins, que vai assumir a pasta de imprensa e publicidade no segundo governo do presidente Lula, disse que "a imprensa será criticada sempre que avançar o sinal".

Na opinião do futuro ministro, o sinal é ultrapassado quando "vai além do trabalho de dar informação, de fazer circular a informação e de aumentar o debate público. Quando pretende puxar a sociedade pelo nariz para um lado e para o outro. Essa não é uma função da imprensa.".

Leia na íntegra a entrevista concedida ao jornalista Kennedy Alencar da Folha:

"FOLHA - Colocar numa mesma pasta a verba publicitária do governo e a relação com a imprensa não traz o risco de tentativa de manipulação política da mídia?

FRANKLIN MARTINS - Viver é muito perigoso, como dizia Guimarães Rosa. Risco sempre existe, mas não é um risco novo. No governo federal, sempre foi assim. Tivemos casos em que o porta-voz do presidente [diplomata Sérgio Amaral, no governo Fernando Henrique] controlava a publicidade.

FOLHA - No segundo mandato, FHC separou as funções. E Lula as deixou assim até agora.

FRANKLIN - O Sérgio Amaral controlou a verba de publicidade e isso não resultou em coisa escusa, malandragem. Não houve nada.

FOLHA - Separar publicidade e imprensa não é mais imparcial?

FRANKLIN - Os guichês serão absolutamente separados. As empresas de comunicação no Brasil, de modo geral e em sua maioria, são empresas sérias. Não aceitariam misturar os guichês. Sou uma pessoa séria e não aceito misturar os guichês. O governo é serio e não aceita misturar os guichês.

FOLHA - Concorda com a tese do PT de que é preciso democratizar os meios de comunicação, estimulando a criação de veículos de comunicação simpáticos ao governo, dando-lhes financiamento?

FRANKLIN - Essa questão de democratização dos meios de comunicação é uma fórmula na qual cabe tudo. Sou a favor, óbvio. Quanto mais democrática e plural a circulação de idéias na sociedade, melhor. Mas não cabe ao governo plantar, regar e colher órgãos de comunicação simpáticos a ele. Quem cria órgãos de comunicação é a sociedade. O governo tem uma função na relação com a imprensa: garantir a liberdade de imprensa. Ponto. O resto é a sociedade quem faz.

FOLHA - A rede pública de TV não corre risco de virar uma nova Radiobrás ou TV Voz do Brasil? Ela terá qual formato?

FRANKLIN - Não vai funcionar guiada pela questão comercial. Isso coloca limitações para uma série de TVs que necessitam adquirir uma determinada escala de audiência e respondem a estímulos comerciais porque são empresas que visam lucro. As televisões privadas não podem fazer determinadas programações que são importantíssimas.

FOLHA - Não é importante ter audiência?

FRANKLIN - É importante. Eu estou falando de escala de audiência. Não tem obrigação de concorrer para liderar a audiência no horário nobre.

FOLHA - Quem vai escolher a diretoria da TV?

FRANKLIN - Evidentemente, a escolha inicial parte do governo. Mas o governo não precisa escolher os partidários do governo. O que senti na conversa com o presidente é uma TV pública e não estatal. Plural e não partidária. Aberta para contribuição e presença das diferentes identidades regionais e não com uma programação com uma cara só. Com programação variada, com jornalismo, com parte cultural voltada para cidadania.

FOLHA - As primeiras reações de parte dos veículos privados têm sido de reticência.

FRANKLIN - Foram reações próprias de um debate inicial. Editoriais, como os da Folha, criticavam a TV do governo, mas, se for uma TV pública, a coisa muda de figura. O que mais quero como ministro da comunicação social é ajudar a qualificar o debate político, o debate público. Pode haver gente tão a favor da liberdade de imprensa quanto eu, mais a favor não tem. A imprensa não está numa redoma. O presidente pode ser criticado, o ministro, o papa, a imprensa pode ser criticada e será criticada sempre que avançar o sinal. Quando isso ocorre? Quando vai além do trabalho de dar informação, de fazer circular a informação e de aumentar o debate público. Quando pretende puxar a sociedade pelo nariz para um lado e para o outro. Essa não é uma função da imprensa.

FOLHA - O sr. identifica veículos que avançam sinal hoje? FRANKLIN - A sociedade pode fazer essa crítica. Não sou eu quem devo fazer.

FOLHA - Como ministro, o sr. manterá o processo contra o jornalista Diogo Mainardi?

FRANKLIN - Vou.

FOLHA - Por quê?

FRANKLIN - Não estou fazendo nada contra a liberdade de imprensa. Manter o processo contra esse senhor não tem nada a ver sobre o que eu penso ou o que ele acha que eu penso. É um direito que ele tem. Ele me acusou de crimes, de ter praticado tráfico de influência e de ter participado da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa. Sem nenhum elemento. Mais do que isso, ele e a revista dele ["Veja"] se recusaram a publicar a minha resposta. Que liberdade de imprensa é essa na qual um lado fala e nem sequer publica o outro lado? Fiz o que se faz no Estado de Direito. Quando se acha que sua honra foi atingida, se recorre à Justiça.

FOLHA - Como ministro, não ganhará mais peso esse processo em seu favor?

FRANKLIN - A Justiça não vai agir assim porque sou ministro. Pelo ritmo no Brasil, a Justiça só terá julgado esse processo depois que eu deixar de ser ministro. Ele terá toda a oportunidade de provar todas as acusações. E, se for isso, quem vai ficar mal sou eu.

FOLHA - Esse episódio foi determinante para a sua saída da Globo?

FRANKLIN - Fiz essa pergunta à direção, e eles disseram que não. A alegação que me deram é que eu estava com imagem fraca como jornalista. Eu disse a eles que achava que a explicação não me convencia. A pergunta tem de ser feita à Globo.

FOLHA - Como o sr. pretende se relacionar com a Globo?

FRANKLIN - Quem olha para trás vira estátua de sal. Será um relacionamento profissional.

FOLHA - Qual é a sua avaliação da cobertura da imprensa a respeito do governo Lula?

FRANKLIN - Vou falar como acho que deve ser daqui para frente. Profissional, séria, crítica, sem preconceito.

FOLHA - O sr. participou da luta armada contra a ditadura militar de 1964. Como avalia hoje aquele período? Arrepende-se de algo? Faria diferente?
FRANKLIN - [Faria] muitas coisas diferentes com a visão que tenho hoje. Não me arrependo do central. Lutei do lado certo. Lutei ao lado da democracia contra a ditadura."

Rede pública paga quase igual à particular

De ANTÔNIO GOIS na Folha de S.Paulo, hoje:

"Um estudo que será divulgado na segunda-feira contesta um dos mitos mais disseminados da educação brasileira: o de que o ensino público vai mal quando comparado ao particular por causa dos baixos salários dos professores.

Feito pelos pesquisadores Samuel Pessoa, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Luís Eduardo Afonso, da FGV e da USP, o trabalho mostra que a renda média de professores da rede privada é quase a mesma dos seus colegas da rede pública. A diferença não passa de 11%, no caso dos que trabalham no ensino médio.

No entanto, se forem considerados os benefícios da aposentadoria no setor público, a situação se inverte em favor dos professores estaduais, municipais e federais.

O estudo será apresentado no seminário Remuneração do Professor, Gestão e Qualidade da Educação, realizado pela Fundação Lemann, pelo Instituto Futuro Brasil (IFB) e pelo Ibmec para discutir as causas do fracasso do ensino público.

No Saeb (exame do MEC que avalia a qualidade da educação básica), os resultados da rede privada no 3º ano do ensino médio são significativamente superiores aos da rede pública.

Numa escala de 0 a 500, as médias na rede privada foram de 307 pontos em matemática e 333 em português. No setor público, elas caem, respectivamente, para 249 e 260.

O Enem (outro exame do MEC restrito ao ensino médio) mostra o mesmo quadro. De 0 a 100, a média nas escolas particulares foi de 52,7, enquanto nas públicas ficou em 39,5.

Essa diferença de desempenho, para os autores do estudo, tem muito pouco ou nada a ver com o salário dos professores. Para chegar a essa conclusão, eles compararam pelo Censo 2000 do IBGE a renda média de professores da rede pública com os da rede privada em todos os níveis de ensino.

Levando em conta apenas a renda, a diferença a favor da rede privada variou apenas de 4,9% no caso da pré-escola para 11% no caso do ensino médio.

Os autores do estudo, no entanto, ampliaram essa análise levando em conta também o regime de contribuição previdenciária e aposentadoria em cada rede. Ao fazer isso, perceberam que os rendimentos pagos na rede pública são melhores do que os da rede privada se, nessa análise, forem considerados os descontos que os trabalhadores fazem para contribuir para a previdência e o valor dos rendimentos após aposentados."

Não conheço os números que serviram de base para o estudo feito pelos pesquisadores da FGV e da USP. Portanto, não tenho como contestá-los.

Entretanto, conheço a realidade dos professores aqui do Rio Grande do Norte.

E posso assegurar que a diferença de remuneração entre os docentes da rede pública e das escolas privadas é bem maior pelas bandas de cá.

O salário base de um professor estadual aqui no RN é de pouco mais de R$ 400,00.

Mas concordo que isso não pode servir de desculpa para o caos do ensino público.

Há professores despreparados nas salas de aula.

Há professores preguiçosos que empurram as coisas com a barriga, não se atualizam, não mudam a "fórmula" das aulas.

Há professores que fazem de conta que ensinam, enquanto os alunos fazem de conta que aprendem.

Há professores que se acham donos absolutos da verdade, do conhecimento, do saber. Nunca admitem o próprio erro, nunca voltam atrás, nunca ouvem a opinão dos alunos.

Há professores que descarregam frustrações pessoais e profissionais em cima dos alunos.

E...

Há alunos que vão à escola em busca apenas de notas.

Há alunos que chegam ao ensino médio sem saber ler nem escrever corretamente.

Há alunos que nunca leram um livro na vida.

Há alunos que saem da escola, chegam em casa e correm pra assistir programas educativos como "Patrulha da Cidade", "Caso de Polícia", "Malhação", esquecendo cadernos e livros num canto qualquer da casa.

Há alunos que até querem estudar de verdade, aprender algo além de fórmulas e conceitos prontos.

Mas...

Falta o que comer em casa.

Falta dinheiro para pagar a passagem e ir à escola.

Faltam livros, bibliotecas, internet.

Falta dignidade: há crianças, adolescentes e jovens vítimas de abuso sexual, violência doméstica, trabalho escravo.

Certa vez, uma aluna chegou até mim e disse-me: "Professor, amanhã não virei à aula porque vou fazer uma faxina pra ganhar algum dinheiro... lá em casa não tem mais o que comer".

Outra vez, outra aluna contou-me que não iria mais às aulas do curso profissionalizante porque seu pai achava que ela saia de casa para se prostituir (ela era uma das melhores alunas e conseguiu um estágio numa grande empresa da cidade).

Numa tarde, fui surpreendido pelo depoimento de um aluno que voltara a assitir as aulas depois de um longo tempo sumido. Ele confessou-me que andara praticando alguns assaltos à mão armada: celulares, bolsas etc. Mas havia colocado a cabeça no lugar e decidira lutar por um futuro melhor.

Ele ficou com medo da minha reação. Achava que eu iria persegui-lo.

O rapaz também foi encaminhado a um estágio. Hoje, prepara-se para o vestibular. Ele quer ser administrador de empresas.

Há professores que não se interessam pela história de seus alunos.

Há escolas que se parecem mais com centros de repressão, quando deveriam ser centros de esperança.

Há escolas desconectadas da realidade.

Há escolas tristes, escuras, feias... escolas que não simbolizam nada de bom... escolas que não sugerem nenhuma mudança de vida... escolas que não servem de estímulo.

E há quem não enxergue nada disso...

Enquanto houver professores, alunos e escolas assim, a educação continuará um caos.

Avisa aí que eu tô voltando...

Assim cantava o Olodum:

"Avisa lá... avisa lá... avisa lá ô ô... avisa lá que eu eu... avisa lá que eu vou chegar mais tarde..."

É isso... aviso a todos que eu tô de volta...

Meu estágio na Tribuna do Norte terminou ontem (agora é levantar as mãos ao céu e pedir a Deus que eles me contratem... hehehehehehe...).

Então, agora tô com tempo de novo pra blogar.

Vamos nessa...

domingo, 18 de março de 2007

A Record chega lá?

O céu é o limite
De LAURA MATTOS na Folha de S.Paulo, hoje:

"Você liga a TV e vê Fernanda Montenegro na novela. Depois, começa a transmissão da Olimpíada. Globo? Não, Record.Após chegar ao segundo lugar de audiência, estar a um passo de "roubar" os Jogos Olímpicos de 2012 da Globo e fazer uma proposta tentadora à maior atriz do país, onde a Record vai parar?

Se na Globo esta é uma dúvida cruel, na emissora ligada à Igreja Universal, um novo e imodesto bordão não esconde a fé na conquista maior: "A caminho da liderança".

A rede, que bate a Globo em alguns momentos, como no matutino "Hoje em Dia", apresentado por Ana Hickmann, quer alcançar a rival em três anos. Não será fácil. A distância ainda é grande, em audiência e faturamento. Mas há um "detalhe": dinheiro não parece ser um problema para o bispo Edir Macedo.

A fim de adquirir o Campeonato Brasileiro de 2009, a emissora acaba de oferecer R$ 500 milhões aos organizadores, mais do que a Globo paga.

Também foi superior a oferta feita pelos direitos dos Jogos Olímpicos de 2012. Com isso, e com o compromisso de dar mais espaço às competições do que a Globo costuma conceder, a Record está levando a melhor. O contrato não foi assinado, mas já houve o aperto de mãos.

Além das investidas em grandes eventos esportivos, a Record amplia sua força nos campeonatos regionais. Já são dela o Baiano e o Catarinense, cujos jogos às vezes batem a Globo nos Estados. Na última semana, fechou a compra da rede Guaíba, do Rio Grande do Sul, com jornal, rádio e TV. Dessa forma, levou o Campeonato Gaúcho.

Também não há economia na hora de assediar globais. Fora a corrida por grandes estrelas da dramaturgia, como Fernanda Montenegro e Antonio Fagundes, a emissora abre o cofre para o jornalismo.

Chega a oferecer até cinco vezes o salário de repórteres "grifes" para convencê-los a trocar de canal. Os investimentos alcançam também emissoras regionais. Algumas, como as de Florianópolis, Belo Horizonte, Brasília e Salvador, receberam recentemente equipes de São Paulo com a missão de levar o "padrão Record de qualidade". Em Minas, por exemplo, foi totalmente reformulado um telejornal -que fazia até merchandising.

A meta agora é diminuir o sensacionalismo de telejornais vespertinos de afiliadas do Nordeste. Embora os filhotes de "Cidade Alerta" rendam altas audiências e até batam a Globo, não trazem anunciantes e prejudicam o projeto de melhorar a imagem da rede.

Com o crescimento em audiência e faturamento, a Record tem conseguido pegar retransmissoras de outras redes, especialmente do SBT, cuja programação mostra-se cada vez mais instável e o ibope, conseqüentemente, mais baixo.

Macedo pretende também ampliar a produção regional de jornalismo e restringir os programas da Igreja Universal às madrugadas, como já fez em São Paulo e agora faz no Rio.Quanto mais desvinculada estiver a imagem da emissora da religião, melhor para os dois negócios, avalia ele.

Sua mais surpreendente determinação foi a de dar ampla cobertura à visita do papa Bento 16 ao Brasil, em maio.

Até as missas serão em parte transmitidas, a fim de enterrar de vez o fatídico chute que um bispo da Universal desferiu ao vivo em uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1995.

"A decisão de exibir a visita do papa é baseada em estratégia de audiência", afirmou Alexandre Raposo, 36, presidente da rede, em entrevista à Folha.

Um eventual "sim" de Fernanda Montenegro teria forte impacto nesse contexto. À Folha, a agente da atriz disse que a atriz pensará no convite "com carinho"."

Procuradoria investiga leilões na TV

De Daniel Castro na Folha de S.Paulo, hoje:

"O Ministério Público Federal em São Paulo abriu uma investigação para apurar a legalidade do mais novo caça-níquel da televisão, os leilões reversos, que começam a virar mania.

O negócio funciona da seguinte forma: o telespectador liga para um telefone celular e faz um lance pelo produto anunciado na TV, a maioria motocicletas e eletrodomésticos. Se, ao final da duração do leilão (que varia de um dia a até mais de uma semana), seu lance for o menor e único, ele ganha o direito de comprar o produto pelo valor que ofertou.

Por exemplo: um determinado programa anuncia o leilão de uma geladeira que vale R$ 3.000; o telespectador liga e se propõe a pagar R$ 12,32 por ela; se ninguém mais ofertar R$ 12,32 e se todos os lances inferiores a esse valor tiverem, cada um, mais de um proponente, esse telespectador que deu lance de R$ 12,32 será o vencedor.

O chamariz dos leilões é a "oportunidade" de o telespectador adquirir um produto caro por um valor simbólico. Está funcionando. A Band, pioneira nesses leilões, registrou 200 mil usuários (telespectadores diferentes que fizeram lances) em agosto do ano passado, primeiro mês de funcionamento do serviço. Em janeiro, o leilão da emissora, que tem o nome de Lancemania, já acumulava 5 milhões de usuários diferentes.

Hoje, além da Band, já oferecem leilões reversos o SBT (Preço Mínimo do Baú), a Rede TV! (Menor Preço Único) e a TV Gazeta (Paga Quanto?). A Record interrompeu seu leilão, o Oferta Única, há duas semanas, oficialmente para se diferenciar das outras TVs (ou ficar mais parecida com a Globo).

À exceção do SBT, todas as redes exploram o caça-níquel em programas femininos.

O telespectador que participa dos leilões, mas não ganha, arca "apenas" com os telefonemas. O valor das ligações varia de acordo com o local de onde se telefona. Cada leilão opera com um único número em todo o país. Logo, as ligações são interurbanas para boa parte dos usuários. A Band usa um celular de Belo Horizonte. Só o SBT opera um número de São Paulo.O serviço também é oferecido na versão SMS pela Band e SBT.

Nesse caso, em vez de telefonar, o telespectador manda uma mensagem pelo celular. Essa mensagem, que normalmente custa, sem os impostos, R$ 0,31 (é o quanto se paga para, por exemplo, votar nos "paredões" do "Big Brother"), sai por R$ 1 nos leilões (mais até R$ 0,40 de tributos).

Encanto

O negócio tem um efeito encantador sobre os telespectadores. Segundo um dos operadores desses leilões, cada usuário faz em média entre dois e três lances por leilão. Trinta por cento dos vencedores fazem mais 15 telefonemas.

As empresas criaram limites para os usuários, mas eles são bem dilatados. Nos leilões da Band e SBT, o usuário "só" pode fazer cem ligações por mês. Se assinar um termo de responsabilidade, esse limite cai.

Os leilões envolvem vários atores econômicos. Além das TVs e das operadoras de telefonia, há duas "operadoras" (a ResponsFabrikken e a CellCast), empresas que administram as plataformas telefônicas, e os varejistas (Eletro Direto e Americanas), que vendem e entregam as mercadorias.

Jogo de azar

O Ministério Público Federal quer saber se os leilões reversos não estão lesando o consumidor e se não se configuram como um telejogo, como o 0900.

O órgão enviou ofício à Caixa Econômica Federal, a quem compete expedir autorizações para sorteios e promoções comerciais, perguntando se os leilões não se enquadram em uma dessas categorias. Nenhum leilão foi autorizado pela CEF.

Os operadores não vêem problemas. Primeiro, porque leilões são atividades legais. Segundo, porque vendem produtos -e não sorteiam. "Nós submetemos os leilões à Caixa e recebemos um "de acordo". Não é preciso autorização", diz Percival Palesel, diretor da CellCast.

As empresas admitem que parte da remuneração do negócio vem da participação nas receitas das telefônicas ("alguns poucos centavos"). Contam que o que sustenta os leilões são os patrocinadores. "Os leilões atraem audiência, são uma ótima mídia para as marcas. A Brastemp acaba pagando para ter seus produtos leiloados", afirma Michel Castaldelli, diretor-executivo da dinamarquesa ResponsFabrikken.

As TVs dizem que vendem espaços, como merchandising, mas têm participação nos resultados. Enfatizam que os serviços têm regulamentos publicados em sites e são auditados.

A CEF informou que ainda não recebeu ofício do Ministério Público e nega ter recebido consultas das operadoras."

A "trapalhada" do Fantástico

O Fantástico exibiu neste domingo uma matéria sobre os 30 anos do programa "Os Trapalhões".

O sucesso do quarteto formado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias marcou muitas gerações.

O programa só deixou de ser exibido depois da morte de Zacarias e Mussum.

A Globo ainda exibiu reprises durante alguns anos.

Hoje em dia, Didi (Renato Aragão) tem um programa nas tardes de domingo da emissora: A Turma do Didi.

O Fantástico cometeu uma gafe imperdoável.

Entrevistaram apenas Renato Aragão e "esqueceram" Dedé.

Trapalhada feia!

quinta-feira, 15 de março de 2007

A polêmica sobre a TV Pública

Do Painel da Folha de S.Paulo, hoje:

"Próximos capítulos. Além da criação da TV do Executivo, o governo estuda uma grande reformulação da Radiobras. A estatal deve fornecer pessoal e estrutura para a nova TV, mas não se sabe se ficará ligada à Secom ou diretamente à Presidência."

"Tiroteio. "Não estamos criando um instrumento no modelo cubano ou venezuelano, de culto à personalidade. Trata-se de uma TV pública". Do ministro das Comunicações, HÉLIO COSTA, sobre a polêmica causada pelo anúncio de que o governo estuda criar uma emissora de TV para divulgar ações do Executivo."

sábado, 10 de março de 2007

TV Pública

Lula quer unir comunicação do governo e criar TV pública

Do Estadão, hoje:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja unificar as áreas de imprensa, publicidade e comunicação do governo em uma nova secretaria com status ministerial. A nova estrutura comandará também o projeto de uma rede pública de televisão. O jornalista Franklin Martins, da TV Bandeirantes e do portal IG, foi convidado para a nova pasta, numa conversa com o presidente Lula antes do carnaval.

Martins, que tirou férias há uma semana, confirmou o convite e disse que dará sua resposta em um novo encontro com o presidente, ainda sem data. A primeira informação sobre o convite feito ao jornalista foi publicada nesta sexta-feira pela Folha de S. Paulo.

A nova Secretaria de Comunicação reuniria as estruturas da atual Secretaria de Imprensa e Porta-Voz e da Secom, que cuida da publicidade oficial, incluindo a estatal Radiobrás.

A Secretaria de Imprensa, ocupada desde 2005 pelo jornalista André Singer, é ligada ao gabinete do presidente da República. A Secom, chefiada também desde 2005 por Tadeu Rigo, é vinculada à Secretaria-Geral da Presidência.

Os ministros das Comunicações, Hélio Costa, e da Secretaria-Geral, Luiz Dulci, desenvolvem projetos para uma rede pública de televisão, com base na estrutura da Radiobrás e outras emissoras do governo federal."

sexta-feira, 9 de março de 2007

Lula vai trocar de porta-voz

Do Portal Terra, hoje:

"O porta-voz da Presidência da República, André Singer, anunciou hoje, durante a visita do presidente dos EUA, George W. Bush, a São Paulo, que está colocando o cargo à disposição. "Foram quatro anos e dois meses de trabalho duro. Um ciclo se encerrou", disse Singer.

O porta-voz ainda afirmou que uma mudança no setor seria positiva. "Cabe ao presidente decidir e ele fará isso junto com a reforma ministerial", completou."

No blog de Ricardo Noblat, ele comenta que o provável substituto de André Singer será o comentarista da TV Bandeirantes, Franklin Martins.

Comunicação Social

PROJETO DO PT NÃO EXIGE CONTROLE NACIONAL

De Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada, hoje:

"A Teletime publicou uma reportagem que diz que dois deputados do PT, Paulo Teixeira (São Paulo) e Valter Pinheiro (Bahia), apresentaram à Câmara na última quarta-feira, dia 07, um projeto de lei para contrapor discussão travada entre projetos que representam as posições das radiodifusoras e das teles.

Esse projeto trata do que se chama de meios de comunicação social eletrônica de acesso condicionado. A proposta envolve o provimento de conteúdo para TV por assinatura e serviço de transmissão de conteúdo por meio do serviço de telefonia fixa, multimídia, celular e outros a serem criados. É o chamado meio condicionado.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 09, que o projeto dele e do deputado Valter Pinheiro não prevê o controle nacional na propriedade das empresas de provimento de conteúdo.

“Nós partimos do princípio de que não há mais controle nacional do capital das empresas de conteúdo. Você tem uma situação, por exemplo, da Rede Globo que se associou a um capital mexicano e portanto já há um forte controle dessa capital mexicano nesse segmento de televisão à cabo”, disse Texeira.

Segundo o deputado, do ponto de vista das plataformas, o objetivo do projeto é permitir a convergências dos meios de comunicação e deslocar a proteção para a produção de conteúdo.

Teixeira disse que o projeto propõe que um percentual do conteúdo produzido seja nacional. Há também a preocupação com a proteção do conteúdo regional.

“Para que não seja apenas a transmissão desses conteúdos estrangeiros”, disse Teixeira.

Paulo Teixeira disse que o projeto deve ser discutido ainda neste mês de março pela Câmara dos Deputados."

Para a Folha de S.Paulo, Roberta Sá "é velha"

Na Ilustrada de hoje da Folha de S.Paulo, o jornalista Thiago Ney pegou pesado com as "jovens cantoras" brasileiras.

Depois de elogiar uma penca de musas pops estrangeiras, "muito mais conectadas com a realidade de seu público", ressalta, ele diz que aqui, "nossas jovens cantoras estão mais preocupadas em ser reconhecidas pelo alcance da voz; em fazer parte do grupo de Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia etc."

O jornalista da Folha acusa as cantoras Mariana Aydar, Giana Viscardi, Luiza Possi, Maria Rita, Céu e a potiguar Roberta Sá de "renegar a idade que tem".

E completa: "elas parecem viver num mundo idílico, todo florido, ilibado, onde não há conflitos, dúvidas, falta de grana, empregos miseráveis... Letras que traduzam o dia-a-dia? Música pop? Esqueça."

"Elas são velhas", finaliza o texto.

Sabe quem o jornalista da Folha elege como excessão? Kelly Key, a quem só estaria faltando um "produtor decente".

Fiquei pensando aqui com meus botões: quer dizer então que Kelly Key está "muito mais conectada com a realidade do seu público"?

Mas que realidade é essa, cara-pálida?!

"Baba baby, baby baba, baba..."

É isso?

Minhas perguntas a Bush

De CLÓVIS ROSSI na Folha de S.Paulo, hoje:

"O Itamaraty e o governador José Serra não gostaram do relatório dos EUA sobre violações aos direitos humanos no Brasil. É direito deles, mas não dá para dizer que o relatório mente.

Eu, se fosse ministro ou governador de São Paulo, preferiria usar as perguntas que a Human Rights Watch faria ao presidente George Walker Bush durante sua visita ao Brasil. Duas delas:

1 - "De acordo com um relatório divulgado pela Human Rights Watch na semana passada, o governo dos EUA é responsável por desaparecimentos forçados ao manter suspeitos detidos em prisões secretas fora dos EUA. O relatório identifica 38 "desaparecidos" cujo paradeiro permanece desconhecido. Quando é que os Estados Unidos vão revelar o destino e o paradeiro de todos os prisioneiros mantidos em prisões secretas pela CIA desde 2001?".

2 - "Em fevereiro, o Brasil e muitos outros países da América Latina assinaram a recém-adotada Convenção contra Desaparecimentos Forçados. Os EUA se recusaram a assiná-la. Por que os EUA não apóiam essa tentativa de combater uma internacionalmente reconhecida violação dos direitos humanos?"

Faria também uma cobrança em relação aos prisioneiros da chamada "guerra ao terror", mantidos ilegalmente em Guantánamo, em uma situação que Franz Kafka teria dificuldades de imaginar.

É assim: um tribunal federal decidiu, há 15 dias, que estrangeiros presos nesse pedaço de Cuba não têm direito ao amparo judicial porque Guantánamo não é dos Estados Unidos. Ou seja, os EUA criam um encrave em território cubano e "escondem" lá certos presos, que ficam, por isso, no limbo judicial, o que joga no lixo o "devido processo" de que tanto se orgulhava a democracia norte-americana e cuja ausência tanto criticam em outros países, com razão, aliás."

O preço do Pan

Alguns números sobre os Jogos Pan-Americanos:
  • No projeto original de 2002, o orçamento previsto para as obras era de R$ 409 milhões.
  • Atualmente, os gastos saltaram para R$ 3,2 bilhões.
  • Isso representa 684% a mais que o orçamento previsto.
  • A reforma do Maracanã, por exemplo, estava orçada em R$ 75 milhões em 2005, mas já consumiu até agora R$ 232 milhões.

O que explica esse salto gigantesco de orçamento?

Erro de planejamento?

Desvio de verbas?

O presidente Lula esteve no Rio de Janeiro, cobrou pênalti, fez dois gols e disse que era hipocrisia discutir os gastos com o Pan.

Lula autorizou a liberação de mais R$ 100 milhões para as obras do Maracanã.

Imaginem só se a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 vierem para o Brasil!

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dia Internacional da Mulher

A erotização feminina na mídia

Por Ligia Martins de Almeida, no Observatório da Imprensa, em 6/3/2007:

"Na semana em que a mídia começa a falar do Dia Internacional da Mulher, com as tradicionais matérias sobre a história do feminismo, perfis e entrevistas com feministas, mostrando como a situação da mulher evoluiu – e melhorou – desde o surgimento do movimento, na década de 1960 –, a American Psychological Association (APA) liberou um estudo que poderia render boas matérias sobre a imagem da mulher na mídia.

O estudo, divulgado pelo Washington Post no artigo "Adeus à infância", mostra que as meninas norte-americanas estão cada vez mais sendo alimentadas por uma imensidão de produtos e imagens que promovem looks e atitudes sensuais:

"Na cultura americana, e especialmente na mídia, mulheres e meninas são mostradas sempre de uma maneira erotizada. Os autores do estudo dizem que essas imagens são encontradas em toda a mídia, de shows de TV a revistas, de vídeos musicais à internet. Embora poucas pesquisas tenham documentado o efeito dessas imagens especificamente em meninas, os autores do estudo da APA argumentam que é razoável inferir que algum dano seja provocado nas meninas de 18 anos ou mais. A erotização tem sido ligada a três dos mais comuns problemas de saúde mental de adolescentes e mulheres adultas: desordens alimentares, baixa auto-estima e depressão." (Washington Post, 20/2/2007)

Nova postura

Segundo o jornal, o processo nas meninas começa cada vez mais cedo, pela própria mensagem que elas recebem: "É normal que você tenha interesse em sexo. É normal você se vestir e agir de maneira sensual". As mães entrevistadas não vêem problemas para suas filhas, alegando que no mundo de hoje é importante querer se manter bonita, já que a beleza é parte fundamental no sucesso profissional. E alegam que são as filhas que escolhem os modelos de roupas e acessórios desde a primeira infância. As mães que não concordam com os modelitos infantis sensualizados confessam ter problemas ao procurar, no comércio, roupas mais tradicionais – ou menos sensuais – para suas filhas de 4, 5 ou 6 anos.

O que o jornal americano não discute – e que poderia ser discutido pela mídia brasileira – é justamente a parcela de culpa da mídia nessa erotização da imagem da mulher. Quer um exemplo? A revista Veja desta semana (nº 1998, de 7/3/2007) traz um especial sobre saúde ("A medicina revela a mulher de verdade"), ressaltando as diferenças entre o corpo do homem e o corpo da mulher, e mostra que – por razões econômicas e culturais – até muito pouco tempo atrás as pesquisas médicas se baseavam apenas na fisiologia masculina para desenvolver medicamentos.

A revista atribui, entre outros fatores, à igualdade conquistada pelas mulheres o fato da nova postura das pesquisas em relação à saúde. E, para ilustrar a matéria, as fotos são de uma mulher. Bonita e... nua.

Crianças vão ocupar o lugar

Uma foto que, nos dias de hoje, não espanta ninguém. Afinal, o corpo feminino (adulto) exposto na mídia virou coisa banal. Como rende belas fotos e ilustrações, e como as modelos são adultas, conscientes e remuneradas, ficam todos felizes. O perigo é que a idade das modelos foi diminuindo e, hoje, meninas de 12 anos, que nas fotos parecem adultas, tornaram as modelos de 20 e poucos anos ultrapassadas. Não demora muito e o lugar delas vai ser tomado por meninas cada vez mais jovens e cada vez mais erotizadas.

Não seria o caso de, nesse Dia Internacional da Mulher, usar o espaço destinado à história do feminismo para discutir o que está acontecendo hoje com as mulheres? No perfil do jornal O Estado de S.Paulo, Rose Marie Muraro, "a patrona do feminismo brasileiro", ganhou poucas linhas para falar de sua luta atual: o fim da violência doméstica de que são vítimas as mulheres rurais. E para dizer que, felizmente, hoje a violência contra mulheres é crime inafiançável. Ela teria muito mais a dizer se a imprensa tivesse interesse em discutir a causa feminina em profundidade.

Seria interessante descobrir como as feministas vêem a exposição feminina na mídia nos dias correntes. Porque uma coisa é certa: não foi para transformar as mulheres em objeto de consumo que o movimento feminista lutou pela igualdade feminina. Menos ainda para ter a imagem feminina tratada da forma como é vista na mídia atual. E, se nada for feito, em muito pouco tempo serão as crianças que vão ocupar esse nada honroso lugar na mídia."

quarta-feira, 7 de março de 2007

Artigo no Observatório da Imprensa

Eu sei, eu sei...

Ninguém aguenta mais ler nada aqui sobre o artigo "Super-Vilões no papel de Super-Amigos".
Mas eu não poderia deixar de mencionar a publicação no Observatório da Imprensa.

Vi ontem, mas foi publicado desde o dia 19/02.

O título lá tá diferente: "CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA. As concessões públicas e os super-vilões".

Quem tiver paciência, dá uma passadinha no link:

Reproduzo aqui os comentários postados na página do Obervatório:

"Meu Prezado Alisson de Al]meida Acredito numa imprensa que discute cidadania e se preocupa principalmente com as novas gerações. Pois nas minhas discussões acerca de análise da situação atual dos jovens, sempre enfatizo que quem induziu a juventude atual a não considerar os valores morais, foi exatamente a rede Globo na sua interminável MALHAÇÃO. Quando as estatísticas mostram o número de adolescentes grávidas e a disseminação do sexo pelo sexo, sem nehum tipo de afeto. Considero que a prostituição mudou de prática e com um agravante a conivencia dos atores. Pois o FICAR, tornou-se uma atitude amoral e está destruindo o jovem, além de exterminar o conceito e cultura milenar de família. Pois da forma que está se encaminhando os comportamentos a tendencia é simplesmente acabar a instituição família. Dessa forma, gostaria que abordasse essa questão" (Maria do Carmo Rodrigues de Souza , Vitória de Santo Antão-PE - Professora)

"É preciso sim que o Estado controle o que é veiculado e em que horário. É inadmíssivel esses programas vespertinos onde casais se inscrevem atrás de um namorado(a). Chega de tanta porcaria e babaquice na TV brasileira!!!" (Marcelo Candido , Maceió-AL - estudante de jornalismo)

"A melhor classificação de programação chama-se controle remoto e a definitiva chama-se tecla de desligar." (Carlos Alberto Saraiva , Rio de Janeiro-RJ - Arquiteto)

"As redes de televisao brasileiras, principalmente a arrogante Rede Globo não querem de maneira nenhuma ceder aos bons costumes de uma sociedade que se respeita e quer respeito. As emissoras fazem da televisão brasileira atual uma verdadeira Sodoma e Gomorra do século 21." (Geovan S Silva , Salvador-BA - Atendente)

"Eu acho que o estado não tem que se meter a controlar a programação de TV. O estado tem é que se preocupar com a educação, saúde e melhorar o padrão de vida de milhares de cidadãos. Toda vez que o estado se mete a regulamentar os meios de comunicação, me dá arrepios - vem logo a imagem de censores rondando redações. O controle remoto é o melhor controlador da programação. O controle pelo estado só vai criar mais um cabide de empregos com o nosso dinheiro" (pedro bandeira , rio de janeiro-RJ - consultor)

Réplica ao comentário de Pedro Bandeira:

O Estado tem que se preocupar com educação, saúde e em melhorar o padrão de vida dos cidadãos brasileiros, o que não exclui sua responsabilidade em regular a concessão pública do espectro eletromagnético no qual operam as emissoras de televisão.

Aliás, não vejo como melhorar o padrão de vida dos cidadãos sem melhorar o padrão da nossa televisão. Pesquisas feitas em muitos países, cujas democracias são até mais consolidadas que a nossa, mostram que há uma relação entre a exposição de crianças e adolescente à violência televisiva e o desenvolvimento da agressividade precoce nessa faixa etária da população.

Que tipo de entretenimento a televisão oferece às nossas crianças e adolescentes?

Que influências esses grupos sociais estão recebendo?

Outra coisa. Não há nada na Portaria do MJ que justifique o discurso da censura. nenhuma obra será proíbida de ir ao ar. Nenhuma obra será cortada, picotada, vetada. Há apenas a exigência da vinculação entre a classificação indicativa e o horário de exibição - o que, aliás, reza a nossa Carta Magna de 1988.

Trazer à memória lembranças de "censores rondando redações" é descontextualizar o debate, remetendo-o a outro momento histórico, que em nada se assemelha com o atual. É até compreensível, afinal nossa democracia ainda é jovem, mas não é válido como argumento.

A repetição do mantra da censura é típico daqueles que preferem o lema do "não li e não gostei".

sábado, 3 de março de 2007

Mulheres contra Dolce & Gabbana


Do Blog do Noblat, hoje:

"A Anistia Internacional pediu a retirada da Itália da publicidade de moda assinada por Dolce & Gabbana que mostra um homem subjugando uma mulher prostrada no chão enquanto outros quatro contemplam a cena. O anúncio foi considerado "uma apologia da violência contra a mulher".

- O direito da mulher de viver livre do pesadelo da violência precisa de tudo, menos dessas imagens da Dolce & Gabbana - atacou o presidente da Anistia Internacional na Itália, Ricardo Noury.

A Confederação Geral Italiana do Trabalho, uma espécie de CUT de lá, ameaçou: se o anúncio não sair de circulação até 8 de março próximo, Dia Internacional da Mulher, líderes feministas desatarão um movimento para boicotar a compra de qualquer peça assinada por Dolce & Gabana.

Um grupo de 13 senadores italianos também pediu a retirada do anúncio. Há uma semana ele sumiu da Espanha depois de ter sido denunciado pelo Instituto da Mulher, o Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais e o Partido Verde."

sexta-feira, 2 de março de 2007

Depois da renúncia, Prodi é reconfirmado como primeiro-ministro italiano

Do portal Terra, hoje (02/03/2007):

"O líder italiano de centro-esquerda Romano Prodi foi reconfirmado como primeiro-ministro na sexta-feira, quando conquistou um voto de confiança na Câmara do Parlamento.

A Câmara dos Deputados italiana deu o voto de confiança por 342 votos a favor e 253 contra, pondo fim à crise no governo."

Hitler de saia



"A revista polonesa Najwyzszy Czas! colocou na capa da edição de março, que chegou às bancas hoje, uma foto da chanceler alemã Ângela Merkel com um uniforme militar e bigode do ditador nazista Adolf Hitler.


Junto à imagem, o título "O fascismo da União Européia, a ofensiva". A revista faz uma dura crítica à atual concepção de modelo europeu, alavancado especialmente por Merkel, presidente em exercício da UE. A Najwyzszy Czas! é de orientação liberal."


Fonte: Terra

Música da hora

Abololô - Marisa Monte

(CD: "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. Textos Provas e Desmentidos")

Abololô
Abololô
E a saudade vem
Vem pra lhe dizer
Que no peito
Ha vazio
Ha falta de alguém


Abololô
Abololô
E a saudade vem
Vem pra qualquer um
Qualquer hora
Por alguem que foi
Para longe e ja volta
Foi para não mais voltar
Gente que sente e que chora
Alguém que foi embora


Abololô
Abololô
E a saudade vem
Vem pra lhe dizer
Que no peito
Ha vazio
Ha falta de alguém


Abololô
Abololô
E a saudade vem
Vem pra qualquer um
Qualquer hora
Por alguem que foi
Para longe e ja volta
Foi para não mais voltar
Gente que sente e que chora
Alguém que foi embora

Paisagens

Nuvens

Brisa

Melancolia

Alguém na estrada?

Universos paralelos

Recordações apócrifas

Longa história

Alguém na linha?

Antes

Anexo

Elíptico

Hoje o mundo é grande

Mas a vida é breve

E termina logo ali...

Perguntinha básica

O Rio de Janeiro continua lindo?

O "Todo Poderoso" vem aí

George W. Bush, presidente dos EUA (isso todo mundo já sabe), estará no Brasil nos dias 8 e 9 de março.

A Veja deve trazer a biografia do menino maluquinho texano na capa da semana. Aguardem.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Visual Novo

Não se assustem, escassos leitores!

O blog é o mesmo - só tá de cara nova.

Acho que ficou melhor.

E vocês?

"Novo em Folha"

Folha de S.Paulo estréia blog sobre programa de treinamento para jornalistas iniciantes

Já está no ar o blog "Novo em Folha" sobre o Programa de Treinamento em Jornalismo Diário, curso promovido pela Folha de S.Paulo, que tem duração de três meses e ensina como se faz um jornal diário.

Através do blog, será possível acompanhar o dia-a-dia do programa e os comentários dos participantes.

"O blog também terá informações sobre aperfeiçoamento profissional, entrevistas com jornalistas da Folha, explicações sobre como funciona o jornal e dicas sobre prêmios e cursos." (Folha de S.Paulo, 28/02/2007)

Brasil é líder mundial em mortes de jovens

Com informações da Folha de S.Paulo

Pesquisa da OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), divulgada na última quarta-feira (27/02), revelou que o Brasil é líder mundial em morte de jovens entre 15 e 24 anos por arma de fogo, com taxa de 43,1 para cada 100 mil habitantes.

Da faixa de 14 a 17, houve um crescimento de 63% na taxa de homicídios entre 1994 e 2004. No mesmo período, a faixa de 20 a 24 anos teve um crescimento de 36%, chegando ao patamar mais alto de todas as faixas etárias, 64,9 assassinatos para cada 100 mil pessoas.

A incidência de homicídios é maior na população negra. Taxa de homicídios entre negros é 31,7 para 100 mil e, entre brancos, 18,3 por 100 mil.

Em dois Estados, Paraíba e Alagoas, há oito vezes mais assassinatos de negros do que de brancos.

Pastoral da Criança protesta contra corte de verbas para a saúde

Da Folha Online, hoje:

"A Pastoral da Criança anunciou que fará um protesto hoje em Curitiba, na abertura do Fórum Regional do Sul do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), no qual três ministros vão discutir o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com empresários dos três Estados.

Os representantes do governo no encontro regional do CDES serão os ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e Tarso Genro (Relações Institucionais).

O protesto da Pastoral é contra o contingenciamento de R$ 3,5 bilhões de recursos da área da saúde, incluído pelo governo no conjunto de medidas para viabilizar o PAC.

Para a coordenadora da Pastoral, Zilda Arns, "não haverá desenvolvimento se não forem asseguradas as condições mínimas para que toda a população brasileira tenha acesso a saúde e a educação de qualidade".

A entidade vinculada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) endossa moção do CNS (Conselho Nacional de Saúde), que repudiou qualquer política que represente corte ou contingenciamento dos recursos do SUS nas três esferas de governo.

O governo diz que o bloqueio não atinge o atendimento à população, apenas emendas parlamentares e atividades internas, como viagens e congressos. Para o CNS, no entanto, a retenção pode desencadear um processo de cortes nos orçamentos dos Estados e municípios numa área em que os recursos já são escassos."

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Pífio

Divulgado hoje o resultado do PIB do Brasil em 2006: 2,9% em relação ao ano de 2005.

Menos que os 3% que mencionei numa postagem anterior.

O país continua puxando o bloco do eu sozinho.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

A farra dos sacos plásticos

Nota da coluna "Cena Urbana" de Vicente Serejo, n'O Jornal de Hoje, ontem (26/02/2007):

"IRONIA

De uma compradora da loja de departamentos Sacolão, descarregando as compras, uma a uma, na garagem do seu edifício, irritada com a desatenção descarada do imenso lojão: "O Sacolão não tem sacola"."

A irritação dessa senhora com a falta de sacolas revela algo típico da nossa cultura, que é a preocupação exclusiva com a nossa comodidade.

Certamente, essa senhora não pensou nos estragos causados pelo uso indiscriminado de plásticos na natureza.

Sacos plásticos são feitos de uma resina sintética a partir do petróleo, não são biodegradáveis e levam séculos para desaparecer na natureza.

Isso significa que nós, consumidores, sempre que utilizamos sacolas plásticas sem nenhuma preocupação ambiental, pensando exclusivamente no nosso conforto, contribuimos pra um desastre ecológico de grandes proporções:

1. Ajudamos a aumentar a demanda por combustíveis fósseis, matéria-prima para a fabricação do plástico, e, consequentemente, colaboramos para elevar a emissão de CO2 na atmosfera;

2. Lançamos na natureza um lixo que irá causar transtornos durante alguns séculos: jogados ao leo, esses sacos causam entupimentos de bueiros, impedem a passagem da água -provocando o atraso na decomposição dos materiais biodegradáveis - e dificultam a compactação de detritos.

No Brasil, a preocupação com o uso descontrolado do saco plástico é pequena.

Na Alemanha, clientes que não levam suas próprias sacolas de casa são obrigados a pagar uma taxa extra pelo uso de sacolas nos supermercados.

Na Irlanda, é cobrado um imposto por cada sacola utilizada.

Na Grã-Bretanha, uma rede de supermercados incentivou seus clientes a usarem sacolas 100% biodegradáveis.

É difícil mudar essa cultura existente por aqui, mas é necessário esclarecer para mudar hábitos, praticar o consumo consciente, colocando a preocupação com a racionalização dos recursos naturais em primeiro lugar na hora de efetuar uma compra, cooperando assim para a diminuição dos impactos ambientes decorrentes do uso acelerado desses recursos.



domingo, 25 de fevereiro de 2007

Enrique Alves é o campeão de gastos no Congresso Nacional

Reportagem de hoje (25/02/2007) da Folha de S.Paulo revela que a Câmara Federal gastou quase R$ 6 milhões reembolsando deputados que tiveram gastos com o mandato em pleno mês de janeiro, quando todos estavam de férias.

488 deputados federais alegaram gastos de trabalho nas férias e solicitaram o reembolso.

As férias deles só terminaram dia 1º de feveiro.

Os deputados federais têm direito a uma verba indenizatória de R$ 15 mil mensais, para gastos referentes à atividade parlamentar.

O uso dessa verba tem sido criticado, porque a maioria dos deputados acaba incorporando esse valor ao sálario - que é de pouco mais de R$ 12 mil.

Sabe quem foi o campeão nos gastos com a verba indenizatória no mês das férias?

Henrique Eduardo Alves, deputado federal pelo PMDB aqui do RN.

Confira o que saiu na Folha de S. Paulo:

"Ao apurar a justificativa dos deputados para os gastos no mês de férias, a Folha se deparou com casos controversos como o do líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), o que mais gastou no mês, R$ 25,5 mil (o valor que excede R$ 15 mil é reembolsado nos meses seguintes).

O peemedebista afirmou ter usado parte do dinheiro, reservado para divulgação do mandato parlamentar, para pagar o jornal "Tribuna do Norte", de Natal, pela publicação de notícias sobre suas atividades em Brasília. Alves, que é diretor-presidente do jornal, disse não considerar indevida a "compra de reportagens" nem o direcionamento de dinheiro público ao seu jornal.

"Não tenho rendimento do jornal, não recebo nada do jornal. Quem dirige são os diretores, não tenho nenhuma retirada do jornal." Mas quem faz as retiradas, a família? "É. A rigor, jornal lucro não dá. Só a Folha. [Na Tribuna] é uma reclamação, uma choradeira danada." "

É isso aí, galera. Henrique "pagou" para divulgar sua ação parlamentar (?) no jornal da sua família, veículo do qual ele é DIRETOR-PRESIDENTE.

A justificativa? Ele não recebe um centavo do jornal. A Tribuna do Norte não dá lucro.

Certo... acredito em papai noel, fadas, gnomos, duendes, anjo da guarda, horóscopo...

Inaugurado Instituto Internacional de Neurociências de Natal

De EDUARDO GERAQUE, na Folha de S.Paulo, hoje (25/02/2007):

"Depois de três anos do lançamento oficial da idéia, o IINN (Instituto Internacional de Neurociência de Natal) é uma realidade. O centro foi inaugurado ontem, na capital do Rio Grande do Norte, pelo trio de cientistas brasileiros que o conceberam enquanto faziam carreira nos EUA.

As obras do instituto, cujos cinco prédios se dividem entre Natal e o município vizinho de Macaíba, só devem ficar prontas em 40 dias. Mas os pesquisadores já vislumbram uma segunda instituição do tipo, em um dos Estados mais carentes do Brasil: o Piauí.

"Estes anos de trabalho não foram fáceis. Tivemos de criar todo um mecanismo novo, que não existia no Brasil", disse à Folha o neurocientista Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, principal cérebro por trás do novo centro do cérebro.

Ele se refere ao fato de que instituições de pesquisa nos moldes do IINN, que funcionam com dinheiro público e de instituições filantrópicas -modelo comum na ciência americana-, não existiam por estas bandas até ontem.

"Mas com certeza o segundo centro de pesquisas, que será no sul do Piauí, onde o Estado mais precisa, sairá mais rápido", continuou. Ele não deu detalhes sobre a nova idéia.

Apesar de a construção do complexo de ensino e pesquisa ter levado um tempo maior do que o previsto, as pesquisas feitas na cidade de Natal, sob orientação do brasiliense Sidarta Ribeiro -pupilo de Nicolelis que trocou a Carolina do Norte pelo Rio Grande do Norte para dirigir o IINN-, já estão começando a aparecer.

No congresso científico que será realizado até amanhã na capital potiguar serão apresentados sete trabalhos já feitos totalmente na estrutura do novo centro de pesquisa.

"Estão envolvidos nessas pesquisas alunos de graduação, de mestrado e de doutorado", afirmou Ribeiro -já levemente queimado de sol.

Para começar a funcionar, o centro já conta com R$ 25 milhões. "Foram R$ 13 milhões do poder público e o restante da iniciativa privada. Nesse caso, recebemos contribuições do Brasil e do exterior", afirmou Nicolelis, paulistano (e palmeirense doente) radicado nos EUA há uma década e meia.

Novo nome

O IINN, que desde ontem foi renomeado, e passou a se chamar IINN Edmond e Lily Safra, recebeu a maior contribuição filantrópica exatamente da Fundação Safra. "É um privilégio imenso para mim colaborar com esse laboratório que será um dos líderes da pesquisa em neurociência no mundo", disse Safra, também presente a cerimônia em Natal.

Nessa empreitada de levar a ciência para o nordeste do Brasil -além das pesquisas de ponta, também vão funcionar na região projetos sociais e educacionais voltados para comunidades carentes- Nicolelis se alinhou a figuras de peso do governo federal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu pessoalmente, mas mandou uma carta. "Este é um projeto que colabora com a repatriação de cérebros brasileiros", dizia um dos trechos do documento, lido, de forma emocionada, pelo próprio Nicolelis. O cientista disse várias vezes logo após a eleição de 2002 que a vitória de Lula havia sido fundamental para que se levasse adiante a idéia do centro.

Embraer do cérebro

Já Henrique Meirelles, presidente do Conselho do IINN, esteve pessoalmente na capital potiguar. Segundo o presidente do BC, dentro desta "longa viagem" iniciada em 2004, a fase da implementação, um dos pontos-chaves do projeto, foi superada com sucesso. "Estou surpreso, positivamente, com o que já foi executado", disse.

Para Meirelles, a implantação de um centro de neurociência em Natal, no futuro, poderá ser comparada com a criação da Embrapa e da Embraer.

"Este é um passo importante tanto para a ciência como para a economia."

Santos Dumont

O ideal de Nicolelis existe há pelo menos quatro anos. Radicado na Carolina do Norte, o pesquisador sempre disse que tinha um sonho de poder voltar a trabalhar mais no Brasil. Para isso ele contou com jovens pesquisadores, que também estavam e ainda estão ligados à centros de pesquisa americanos. São eles Sidarta Ribeiro e Cláudio Melo. O trio criou a Fundação Santos Dumont, para arrecadar apoio -e verbas- para a criação do centro.

No lançamento da pedra fundamental do IINN, em fevereiro de 2004, Nicolelis trouxe também vários cientistas estrangeiros, e inclusive alguns ganhadores do Nobel para Natal. A idéia, na época, foi considerada meio utópica por alguns pesquisadores do Brasil.

No encerramento da cerimônia de inauguração do IINN, todos deixaram a parte emocional de seus cérebros controlar todo o corpo. Pesquisadores, membros do governo e estudantes se divertiram ao som da Orquestra Talento Petrobras, que foi do forró ao Pink Floyd."

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Violência

Quatro jovens morrem na quarta chacina do ano em São Paulo

Do UOL Últimas Notícias, hoje (24/02/2007):

"Quatro jovens morreram baleados na madrugada de hoje em São Paulo, na quarta chacina registrada este ano na cidade, segundo fontes oficiais.

As vítimas, dois casais que conversavam em uma praça no bairro do Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, foram baleados por desconhecidos a bordo de dois veículos, segundo as testemunhas.

De acordo com a Polícia, um rapaz e duas moças morreram imediatamente em decorrência dos ferimentos provocados por tiros de pistola. O quarto chegou a ser levado com vida até um hospital, mas não resistiu às lesões e morreu.

Entre as vítimas, que não têm antecedentes criminais, está uma adolescente de 15 anos que estava grávida.

O crime da madrugada de hoje foi a quarta chacina registrada em São Paulo este ano e aumentou o número de vítimas deste tipo de crime para 17 em menos de dois meses.

O incidente mais grave foi registrado em 2 de fevereiro, quando um grupo de pistoleiros, também a bordo de dois automóveis, matou seis jovens de entre 15 e 27 anos que estavam sentados em uma escadaria no bairro de Brasilândia, na zona norte da cidade.

As outras duas chacinas, registradas em janeiro, deixaram três e quatro vítimas, respectivamente, todas igualmente jovens e sem antecedentes criminais."

Eu?

Vertigem

Luminosa sensação de perigo

Amor em pedaços

Sonhos ao vento

Esperança ladeada de medo

Eu?

Anônimo

Eu?

Pretérito

Eu?

Estranho

Alguma palavra

Algum som

Algum sentido

Mas só o silêncio pertubador

Mas só a desolação

Mas só a inquietação

Eu?

Nem sei...

Política externa derruba primeiro-ministro italiano

Da redação da Carta Capital, nº 433 (24 de fevereiro de 2007):


"Nove meses depois da posse, o governo italiano de centro-esquerda caiu. No passado mais ou menos remoto, quedas em prazo curto eram freqüentes. Há tempo já não eram. O primeiro-ministro Romano Prodi entregou a carta de demissão ao presidente da República, Giorgio Napolitano, a quem cabe convocar consultações, como reza a terminologia política na Itália, com todas as lideranças políticas do país. Ao cabo, escolherá o sucessor. O qual poderia ser o próprio Prodi.

Razão da queda: a política exterior. O chanceler e vice-premier Massimo D’Alema, na manhã de quarta 21, fez uma longa e precisa exposição sobre os rumos da política exterior. Foi um discurso que, sem renegar as alianças tradicionais, a começar pelos Estados Unidos e, obviamente, com a União Européia, confirmou uma linha de firme independência e acentuou as diferenças com a orientação adotada pelo governo Berlusconi.

Terminada a alocução, os senadores votaram um documento, chamado moção, para explicitar se aprovam, ou não, a política do governo, que perdeu por dois votos: 158 a favor, 136 contra, 26 abstenções. Votos fatais, os de dois senadores da chamada esquerda radical. Entendem que as diferenças em relação a Berlusconi são mínimas.

A rigor, segundo a Constituição, Prodi não era obrigado a se demitir, pois não estava em jogo a confiança, termo usado para definir o extremo desafio de um governo em busca da total aprovação parlamentar. A questão, no entanto, é capital, e D’Alema avisara um dia antes que o governo sairia de cena se não houvesse aprovação.

A partir deste momento, o presidente Napolitano pode tomar uma das seis saídas seguintes. 1. Incumbir Prodi de pedir a confiança da Câmara dos Deputados. 2. Entregar a Prodi novo mandato. 3. Investir outro político da coligação de centro-esquerda. 4. Entregar o mandato a uma personalidade institucional, para um governo de transição, destinado a elaborar, entre outras, uma nova lei eleitoral, premissa da convocação do pleito antecipado. 5. Dissolver o Senado para convocar novas eleições somente para esta câmara do Parlamento. 6. Dissolver as duas câmaras e convocar de imediato novas eleições políticas.

Vêm à tona procedimentos típicos do parlamentarismo, distintos do nosso presidencialismo. Mas há semelhanças. Enquanto a coligação de centro-direita permaneceu impávida de fio a pavio do seu mandato, durante o governo Berlusconi, unida pelo interesse comum em aplicar políticas neoliberais e obedecer prontamente à vontade do Império americano, a de centro-esquerda exibe a dificuldade de atender, dentro de suas largas fronteiras, a visões conflitantes da política, da vida e do mundo.

Se Prodi volta ao cargo, os problemas, que incluem também posturas morais, permanecem. A não ser que haja uma defecção do outro lado. De um partido, ou de um grupo, disposto a sair de vez da Casa da Liberdade, inventada e mantida por Belusconi, cidadão que não teme o ridículo."

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Blogueiro de Alexandria condenado à prisão

Do Blog do Josias, hoje:
"No mundo árabe, a fronteira que separa a liberdade de imprensa da liberdade de imprensar é muito tênue. A Justiça do Egito acaba de oferecer ao mundo uma evidência do fenômeno: condenou o blogueiro Abdel Kareem Suleiman a quatro anos de cana dura. Acusam-no de ter veiculado ofensas ao presidente do país e ao islamismo.

Suleiman tem 22 anos. Assinava os textos com o nome de Kareem Amer. Publicou em seu blog críticas à principal instituição islâmica de ensino do país, a Universidade al-Azhar. Chamou-a de “a universidade do terrorismo.” Acusou-a de reprimir o livre pensamento de seus alunos.

No ano passado, Suleiman foi expulso da escola, que passou a pressionar pela condenação judicial do ex-aluno. O blogueiro comprou briga também com o presidente de seu país, Hosni Mubarak, a quem dirigiu palavras inamistosas. Tachou-o de ditador.

A sessão de julgamento, realizada em Alexandria, cidade natal do réu, durou escassos cinco minutos. Por conta das supostas ofensas à universidade, Suleiman foi sentenciado a três anos de calabouço. As ofensas a Mubarak renderam-lhe um ano de acréscimo de pena.

A condenação é um fato inédito no Egito. Em 2006, o governo prendera vários blogueiros sob a acusação de que tinham produzido notícias ofensivas ao regime. Porém, todos eles foram já foram libertados. Há na internet uma campanha pela libertação de Suleiman."

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Artigo no Ultraportal

O artigo "Super Vilões no papel de Super Amigos" foi publicado também no Ultraportal.

O link é esse aí: http://www.ultraportal.com.br/modules/news/article.php?storyid=940

Só falta o Alberto Dinnes facilitar e publicar no Observatório da Imprensa... aí eu não falo mais com ninguém!!! Brincadeirinha né...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Artigo publicado no Jornal de Debates

Não queria mais voltar ao assunto, por considerá-lo esgotado.

Mas há alguns dias tive um artigo publicado no Jornal de Debates.

É sobre a classificação indicativa dos programas de televisão.

O título é "Super Vilões no papel de Super Amigos".

Não postei aqui no blog.

Quem quiser ler, clique no link: http://www.jornaldedebates.ig.com.br/index.aspx?cnt_id=15&art_id=6228

Então é isso...