Assessoria: a crise de identidade faz 100 anos
Por Paulo Nassar no Terra Magazine:
"As duas últimas semanas foram muito ricas para quem observou profissionalmente as burradas e os acertos no mundo da comunicação empresarial. Pela ordem: a queda maçante do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi um evento estelar, um "Big bang" da Comunicação Organizacional, que aponta para onde as coisas se iniciaram e ainda faz pobres mortais e até ombudsman, como o Marcelo Beraba, da Folha de S.Paulo, perguntarem coisas ontológicas como: assessor de comunicação é jornalista?
Vira e mexe, esta pergunta é feita quando um jornalista puro-sangue se mete em confusão, que pode conspurcar a nobre profissão. No caso, o assessor de comunicação de Palocci, o jornalista Marcelo Netto, supostamente envolvido na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Embora ilegal, era parte de uma estratégia de comunicação, com objetivo de desqualificar o caseiro, que desmentia o ministro Palocci, de freqüentar uma casa de lobistas em Brasília.
A quebra de sigilo, seguida do vazamento para a imprensa dos dados bancários do caseiro, reacenderam a discussão do conflito de interesses entre assessor de imprensa e jornalista. Beraba, na Folha de São Paulo do dia 9 de abril, desdobrou esse debate: "um assessor de Ministério, que tem acesso a informações estratégicas, deve agir como assessor e preservar a reserva, ou deve agir como repórter e passar a informação adiante? Há justificativa ética para o vazamento de uma ilegalidade, para proteger um ministro sob acusações?".
Ser ou não ser. Esta é a questão. E o problema, no fundo, é de identidade profissional: uma parte da humanidade afirma que assessor de imprensa não é jornalista e que assessoria de imprensa é uma atividade do mundo das relações públicas. A outra parte da humanidade afirma que é jornalista e nela se incluem os sindicatos de jornalistas (que querem mais associados, mais taxa associativa e mais representatividade) e os assessores interessados. Entre os que juram de pés juntos que assessor de imprensa não é jornalista estão personalidades como Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás e autor do livro Ética e Imprensa (Companhia das Letras), e ainda Ricardo Noblat, o jornalista blogueiro.
Entre eles, com todo o respeito ao honesto ganha-pão dos assessores, há quem sugira o afastamento público, uma quarentena, para jornalistas que vão trabalhar com comunicação de empresa ou instituição. Lembram também que em inúmeros países, inclusive os Estados Unidos, os jornalistas ungidos com cargos nas organizações, avisam seus sindicatos e se afastam.
Noblat, em artigo, Assim é, se lhe parece, para a revista Comunicação Empresarial (nº 47, de 2003), lançou um míssil retórico: "Em última instância, quem paga o salário do jornalista é o público, que consome o que ele apura e divulga. Quem paga o salário do assessor de imprensa é a empresa, entidade, governo ou figura pública que o contratou. No dia em que um assessor de imprensa for capaz de distribuir notícias contra os seus clientes, estará fazendo jornalismo - e deixará de ser assessor de imprensa. O que ele faz tem mais a ver com relações públicas e propaganda do que com jornalismo".
Lembro, colaborando com a afirmação de Noblat, que o pai das Relações Públicas, o jornalista norte-americano, Ivy Lee, há exatos 100 anos, em 1906, ao ser contratado para melhorar a imagem do magnata John D. Rockefeller, avisou seus coleguinhas jornalistas, o mercado, a sociedade e, numa atitude digna dos iluministas, que propugnavam a separação clara entre Estado e Igreja se afastou da profissão. Lee foi para o outro lado do balcão. Nem certo, nem errado. Com certeza, virou empresário da comunicação, ficou menos estressado e muito, muito, mais rico.
Radical Chique e o terror dos RPs
Outro fato da comunicação empresarial digno de ser coberto pelos "new journalists" foi a presença do rapper MV Bill na Daslu, em 05 de abril. Lembrou em cheio o livro de Tom Wolfe, Radical Chique & o Terror dos RPs, publicado nos EUA, em 1970. Nele, Wolfe narra uma festa, convocada pelo maestro Leonard Bernstein e realizada em seu apartamento. O encontro de VIPs tinha como objetivo juntar sacolas de dólares para financiar os Panteras Negras, os famosos militantes negros daquela época. Wolfe narra com onomatopéias o ambiente que juntava penteados pixains maximalistas e queijos franceses:
"Huuuuuuuummmmmmmmmm. Estes belos pedacinhos de queijo roquefort cobertos com nozes moídas assim, e de pontas de aspargos molhadas em maionese e de almôndegas petites au Coq Hardi, que neste momento são oferecidas a eles em salvas de prata por criadas de libré preto e aventais brancos passados manualmente... O mordomo levará os drinques para eles... Negue se quiser, mas são essas as pensées métaphysiques que passam pela cabeça nessas noites Radicais Chiques hoje em Nova York".
O evento MV Bill - Daslu teve quase todos os ingredientes radicais chiques narrados por Wolfe, inclusive um exército de copeiras de uniformes pretos e aventais brancos.
MV Bill, que tem a cabeça rapada como o carismático Malcom X, líder assassinado em 1965, encarna, no momento, para as corporações empresariais e de mídia, o espírito dos nossos dias: uma época carregada de fervor pela chamada responsabilidade social, que sempre pode render dividendos tangíveis e intangíveis para empresas, acadêmicos, ONGs e revistas de negócios. MV Bill depois de levar o seu discurso de mano para o Fantástico, para a audiência com o presidente Lula e para a Daslu, estará essa semana na Escola de Comunicações e Artes, ECA, na USP."
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Desventuras de Alckmin e o PFL
Tribunal complica Alckmin
De Frederico Vasconcelos na Folha de S.Paulo, hoje:
"O Tribunal de Contas do Estado rejeitou a tese de "erro formal" nos contratos da Nossa Caixa com as agências Full Jazz e Colucci sustentada pelo ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano à presidência da República. Em decisão unânime, julgou ontem que houve "afronta à legalidade e moralidade" nos "ajustes verbais" que permitiram às duas agências receber R$ 45,4 milhões, num fluxo de pagamentos que perdurou até setembro de 2005.
De Frederico Vasconcelos na Folha de S.Paulo, hoje:
"O Tribunal de Contas do Estado rejeitou a tese de "erro formal" nos contratos da Nossa Caixa com as agências Full Jazz e Colucci sustentada pelo ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano à presidência da República. Em decisão unânime, julgou ontem que houve "afronta à legalidade e moralidade" nos "ajustes verbais" que permitiram às duas agências receber R$ 45,4 milhões, num fluxo de pagamentos que perdurou até setembro de 2005.
Ou seja, o banco continuou a fazer pagamentos "de forma injustificada" às duas agências, mesmo depois de instaurar a sindicância interna, em 30 de junho de 2005.
Para o tribunal, houve "desvio de finalidade" na veiculação de anúncios da Nossa Caixa "em veículos ligados a deputados estaduais". A Folha revelou, na edição de 26 de março, que o Palácio dos Bandeirantes orientou essas despesas. Para o TCE, não ficou demonstrada a relevância desses anúncios para "os fins comerciais pretendidos" e "tampouco a adequação dos valores pagos".
O TCE julgou os contratos firmados pelo atual presidente do banco, Carlos Eduardo Monteiro, e pelo ex-diretor de infra-estrutura Odair Ziolli. Em apenas oito meses, o banco exauriu a verba prevista para gastar em 18 meses. Para o tribunal, não ficou esclarecido o motivo da "intensa concentração" de serviços no "curto espaço de tempo"."
De carona com Dantas
De Leonardo Souza na Folha de S.Paulo, hoje:
"Dois senadores do PFL confirmaram à Folha que pegaram carona em aviões sob a responsabilidade do Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Heráclito Fortes (PI) admitiu ter usado várias vezes aeronaves do consórcio Voa, então administrado pelo Opportunity, para viajar para o Piauí e entre cidades do Estado.
Já o presidente do partido, Jorge Bornhausen (SC), disse que voou com Dantas em 1998 por conta do aniversário do pefelista Luís Eduardo Magalhães (que morreria em abril daquele ano), mas afirmou não saber se o avião pertencia ao consórcio. Ele se recorda que conversou com Dantas sobre a campanha de Luís Eduardo ao governo da Bahia. Questionado se fez outros vôos em aviões cedidos pelo Opportunity, Bornhausen afirmou que não se lembra, mas não afastou a possibilidade. Disse que, se usou jatinhos do banco, o fez por orientação do partido.
O Opportunity disse que o Voa -que também era integrado pela Brasil Telecom e Telemig- foi constituído só no final de 1998, e por isso Bornhausen não poderia ter voado num avião do consórcio. O Opportunity negou ainda que Dantas tenha ido ao aniversário de Luís Eduardo em 1998."
terça-feira, 25 de abril de 2006
Mídia força a barra...
Segunda-feira, 24 de abril, mais ou menos 20h20. Começa mais uma edição do Jornal Nacional. A primeira matéria é sobre as filas no INSS. O repórter narra, indignado, a situação das pessoas que vão aos postos da instituição à procura de atendimento. O povo fala. As autoridades são ouvidas. As desculpas de prache.
Lá pelas tantas, o repórter atribui o problema à falta de funcionários. Calma aí, cara pálida! A mídia sempre acusou o governo Lula de promover o aparelhamento do Estado. Agora tá faltando funcionário, é?
A Folha de S. Paulo, dia desses aí, estampou que o governo já havia contratado mais de 36 mil funcionários. Só não disse que quase todos foram contratados por concurso público. Desde quando concurso público é aparelhamento de Estado? Forsação de barra da porra!
Lá pelas tantas, o repórter atribui o problema à falta de funcionários. Calma aí, cara pálida! A mídia sempre acusou o governo Lula de promover o aparelhamento do Estado. Agora tá faltando funcionário, é?
A Folha de S. Paulo, dia desses aí, estampou que o governo já havia contratado mais de 36 mil funcionários. Só não disse que quase todos foram contratados por concurso público. Desde quando concurso público é aparelhamento de Estado? Forsação de barra da porra!
1º de Maio Vem Aí...
Movimentos sociais acertam mobilizações de "apoio crítico" a Lula
De EPAMINONDAS NETO na Folha Online, hoje:
A CUT (Central Única dos Trabalhadores), a UNE (União Nacional dos Estudantes) e outros movimentos sociais devem sair às ruas nos próximos meses em mobilizações com alvo na oposição política ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e de "apoio crítico" ao governo.
"Serão manifestações contra a manobra da direita e da mídia para desestabilizar o governo", afirma o secretário de Comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis.
"Queremos pressionar o governo para que ele modifique as prioridades do orçamento para políticas sociais", acrescenta.
Hoje, representantes desses e outros movimentos sociais se reuniram para definir um calendário de mobilizações e consolidar um conjunto de reivindicações ao governo.
O chamado "projeto Brasil" será apresentado por ocasião do Primeiro de Maio (Dia do Trabalho), com novas manifestações em torno do texto previstas para a segunda quinzena de junho, continuando ao longo do segundo semestre do ano.
O projeto abarca reivindicações tão amplas como o "fortalecimento do Estado" e a "defesa da soberania nacional" quanto pontos mais específicos como a redução da taxa básica de juros e do superávit primário e a auditoria das dívidas interna e externa e a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce.
Spis afirma que o movimento não representa "apoio automático" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A CMS [Coordenação de Movimentos Sociais] reúne mais de 30 entidades. Algumas delas já manifestaram apoio imediato ao presidente Lula enquanto outras preferem dscutir isso depois de junho", diz ele.
A reunião contou com representantes do PT, do PC do B e PSB, respectivamente, a legenda a qual o presidente Lula é filiado e as legendas de esquerda que compõem a base aliada do Planalto.
De EPAMINONDAS NETO na Folha Online, hoje:
A CUT (Central Única dos Trabalhadores), a UNE (União Nacional dos Estudantes) e outros movimentos sociais devem sair às ruas nos próximos meses em mobilizações com alvo na oposição política ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e de "apoio crítico" ao governo.
"Serão manifestações contra a manobra da direita e da mídia para desestabilizar o governo", afirma o secretário de Comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis.
"Queremos pressionar o governo para que ele modifique as prioridades do orçamento para políticas sociais", acrescenta.
Hoje, representantes desses e outros movimentos sociais se reuniram para definir um calendário de mobilizações e consolidar um conjunto de reivindicações ao governo.
O chamado "projeto Brasil" será apresentado por ocasião do Primeiro de Maio (Dia do Trabalho), com novas manifestações em torno do texto previstas para a segunda quinzena de junho, continuando ao longo do segundo semestre do ano.
O projeto abarca reivindicações tão amplas como o "fortalecimento do Estado" e a "defesa da soberania nacional" quanto pontos mais específicos como a redução da taxa básica de juros e do superávit primário e a auditoria das dívidas interna e externa e a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce.
Spis afirma que o movimento não representa "apoio automático" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A CMS [Coordenação de Movimentos Sociais] reúne mais de 30 entidades. Algumas delas já manifestaram apoio imediato ao presidente Lula enquanto outras preferem dscutir isso depois de junho", diz ele.
A reunião contou com representantes do PT, do PC do B e PSB, respectivamente, a legenda a qual o presidente Lula é filiado e as legendas de esquerda que compõem a base aliada do Planalto.
sábado, 22 de abril de 2006
Tucanalha agora diz que vai ampliar Bolsa Família
Notícia da Agência Estado (Sexta-feira, 21/04/06):
"No Nordeste, Alckmin promete ampliar Bolsa Família
"No Nordeste, Alckmin promete ampliar Bolsa Família
Na tentativa de conquistar popularidade no Nordeste e, assim, fazer frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário nas eleições, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, adotou hoje, em Natal (RN), uma nova estratégia: mostrar que o principal programa social do governo do PT, o Bolsa Família, nada mais é do que uma recriação de políticas implementadas na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Aos nordestinos, principais beneficiados com o Bolsa Família de Lula, Alckmin assegurou que o programa será não apenas mantido, mas ampliado, caso seja eleito presidente em outubro próximo. "Vou manter e ampliar o Bolsa Família, que na verdade é a unificação dos programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET), todos criados no governo do Fernando Henrique", afirmou repetidas vezes durante maratona de compromissos públicos na capital do Estado. "
Vejam só! Há poucos dias, o senador José Agripino dizia em entrevista ao programa Show Bussines que o Bolsa Família era uma "perversidade" do governo Lula com a população. Agora, os tucanalhas falam em ampliar o programa.
São muito caras de pau mesmo! Passaram oito anos no poder e não fizeram nada pelo povo. Agora tentam se apropriar do maior programa social já implementado no país. Mudança de estratégia eleitoral? A mídia conservadora vociferava que os programas socias do governo Lula eram um fracasso. Os tucanalhas repetiam o bordão. O que terá mudado?
quinta-feira, 20 de abril de 2006
Entrevista com Tarso Genro
"A mídia não é neutra e não aceita críticas"Entrevista originalmente publicada no site Terra Magazine em 17/04/06.
Às vésperas da celebração da paixão de Cristo o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, foi ao congresso e propôs à oposição "dialogar". Seguia o roteiro, acordado com o presidente Lula, de buscar a "distensão", mesmo onde ela pareça impossível. Entendem o presidente e seu ministro que o endurecimento da campanha, processo que Tarso chama de "pau puro", interessa a quem não quer debater política e comparativamente os resultados do atual governo:
- A oposição comete o mesmo erro que o PT cometia antes de chegar ao governo, talvez até de forma bem mais aguda...
Em seu gabinete no quarto andar do Palácio do Planalto o ministro discorreu sobre o "processo", suas veredas, e seus atores. Sobre um deles, a mídia, paradoxalmente oculta enquanto ocupa o centro do palco, opinou:
- Não acho que a mídia brasileira, como alguns colunistas escreveram que eu teria dito, é conspirativa. Eu não penso isso, nunca pensei. O que acho é que por dentro da mídia passa a luta de partidos, passa a luta política e que não existe uma mídia neutra. (...) existe também uma espécie de blindagem dentro da mídia, como se ela não pudesse ser criticada, como se qualquer resposta que se desse à mídia, como se qualquer denúncia que se fizesse contra ela fosse um ato autoritário.
Como o governo imagina enfrentar uma eleição com uma maré tão ampla e tão grande de dificuldades, em grande parte produzidas pelos próprios erros do governo? Não só no terreno político como em outros departamentos: dificuldades gigantescas no congresso, na mídia e em vários setores da sociedade?
Tarso Genro: Devemos examinar por que ocorre isso, o que está ocorrendo no país. Diria que há três fatores fundamentais: primeiro, os erros cometidos por pessoas, inclusive que reconheceram esses erros, pessoas de importância no partido e no governo...
São erros de grande amplitude, não são erros banais...
Não, não são erros banais, mas são erros sistêmicos que ocorrem.
"Sistêmicos" porque não diriam respeito apenas à vida partidária do PT?
Não somente ao PT enquanto partido. Há um traço de corrupção e de ilegalidades sistêmicas no processo político brasileiro e nos vínculos dos agentes políticos no Estado, a que nós não estávamos imunes. Esses erros foram cometidos. O segundo aspecto é que existe também uma ofensiva política eleitoral da oposição que, quem sabe, comete o mesmo erro que o PT cometia antes de chegar ao governo, talvez até de forma bem mais aguda...
Que erro seria esse?
É a visão de outorgar ao outro lado todos os vícios e querer se apropriar de todas as virtudes. Não existe nenhum partido de anjos e nenhum grupo humano, social, está livre de trazer para dentro de si as deformidades que existem na sociedade. A terceira questão diz respeito ao destino do que chamo de revolução democrática no Brasil. Há uma disputa hoje sobre se a democracia brasileira vai ser mais tolerante, mais plebéia, mais vinculada às ansiedades, aos erros, às grandezas e aos acertos dos debaixo, ou se vai se conformar com uma democracia elitizada, isenta, uma democracia da opus dei, uma democracia das pessoas que tem o juízo de que os pobres quando chegam ao governo se modificam.
Há três citações embutidas e ocultas aí: uma sobre o candidato Geraldo Alckmin, quando o senhor fala em opus dei. Outra, "as pessoas se modificam", uma referência à frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (no programa do Jô) e, por fim, um paradoxo que seria o de como o presidente consegue manter os níveis de popularidade e intenção de voto apesar de toda a pauleira...
Não é uma relação mecânica entre república e democracia, é uma relação de complementaridade e de integração entre esses dois processos. É óbvio que quando existe um choque do grupo tucano-pefelista com outro grupo, socialista, progressista, de esquerda, ainda que esse choque hoje tenha lances diferentes dos da década de 50 e de 60, estamos discutindo os destinos da revolução democrática no Brasil.
Discutindo se...
...se podemos ter uma democracia mais autoritária, mais elitizada, que contemple um terço de incluídos, um terço de precários e um terço caso de polícia, mais ou menos como Fernando Henrique previa, no seu primeiro governo; o que não é um demérito dele, é, aliás, uma manifestação de honestidade intelectual, porque ele chegou a formular...
...essa é uma divergência...
...é também uma divergência política. Então este é um processo de uma riqueza e de uma dramaticidade extraordinárias, porque ao mesmo tempo que você afirma a república você vai dizer se essa república é mais plebéia ou menos plebéia, mais elitizada ou menos elitizada. Em relação ao presidente Lula, o conceito que já se formou a partir dos debaixo é que ele representa um avanço, que representa um progresso, e isso está em disputa agora no que se refere ao restante da sociedade.
Como explicar que apesar de 10 ou 11 meses de tamanho bombardeio o presidente se mantenha na faixa dos 40 por cento? "Deu liga" lá embaixo, há uma identificação da população mais pobre com ele, ou há desconfiança também em relação aos outros atores do processo? Quem vê as fotos da comemoração da CPI dos Correios e conhece alguns dos que comemoravam...
Até se compare à reação que teve a grande mídia, a maior parte dela, como acolheu aquela comemoração e como tratou a dança da Ângela Guadagnin. Para mim nenhuma das duas tem gravidade, são manifestações espontâneas de alegria, mas que, em última análise, tem significados políticos e foram tratadas de forma desigual...
Ângela Guadagnin é "o mal" enquanto Lorenzoni, Magalhães, Faria de Sá e etc. são "o bem"...
...claro, é um juízo de valor...
Bolsa Família, Erradicação do Trabalho Infantil, todos esses programas explicariam em parte a sustentação do presidente?
Exatamente. São programas de salário mínimo, que tem uma importância extraordinária num país como o nosso; o Pronaf, para a pequena agricultura, a agricultura familiar...
Quantos milhões de brasileiros esse conjunto de programas atinge?
Se você coloca a bolsa família, Pronaf, salário mínimo, seguramente isso atinge em torno de 50, 60 milhões de pessoas, porque só o bolsa-família atinge 30 milhões. As pessoas começam a estabelecer uma identidade com o Estado: o Estado está me olhando e eu olho o Estado e vejo quem está lá em cima, uma pessoa igual a mim, diz o assalariado de renda baixa ou diz o excluído...
Nessas eleições vamos viver o "ano do ódio"?
A tentativa vai ser essa, de determinado setor extremista da oposição transformar o ano eleitoral num ano de conflito agudo, que leva para a irracionalidade na disputa política. Temos que fazer o contrário, diluir essas relações de conflito ou de uso e politizar o debate em direção à questão programática, em direção às questões do futuro do país.
De que forma?
Um exemplo concreto: dizem que a estabilidade conseguida pelo governo Lula é a mesma conseguida pelo governo Fernando Henrique. Se fosse, o nosso trabalho teria sido em vão porque aquela é totalmente precária. Nós sustentamos que não é a mesma, que a nossa tem base sólidas e dá sustentabilidade a um processo de crescimento econômico estável, com taxas de crescimento que devem chegar a quatro e meio, cinco por cento a partir de agora. A reforma agrária...
Sim, e a reforma agrária?
...ela não é só uma questão econômica, é uma questão social. E mesmo não sendo uma questão econômica grave para o Brasil de hoje - que está muito bem, sim senhor, nas exportações - a reforma agrária não deveria ser feita por um motivo de natureza social? Para permitir que as grandes cidades parem de inchar com os deserdados do campo?
Mas essa é uma questão que andou muito pouco nesse governo...
Caminhou menos do que gostaríamos, certamente, por uma série de atributos inclusive de natureza legal que temos e somos obrigados a respeitar e, então, as coisas são muito mais lentas. Mas não houve nenhuma desistência, nenhuma interrupção nos programas de reforma agrária que começaram no primeiro ano.
Parece haver um ator principal em tudo isso, que discute pouco sobre si mesmo. Eventualmente vejo o senhor tocando no assunto: a mídia.
Não mudei minha opinião sobre a mídia depois que fui prefeito de Porto Alegre, e nem depois que fui e sou ministro do governo Lula. A mídia reflete necessariamente as tensões, as opiniões, as divergências e os conflitos que estão na sociedade, conflitos que a mídia reproduz segundo a visão de democracia, a visão política que têm aqueles que detêm o poder de formar opinião dentro da mídia.
O senhor pensa...
...não acho que a mídia brasileira, como alguns colunistas escreveram que eu teria dito, é conspirativa, que ela integra um movimento golpista da oposição. Eu não penso isso, nunca pensei. O que acho é que exatamente por dentro da mídia passa a luta de partidos, passa a luta política, e que não existe uma mídia neutra. A mídia externa um determinado ponto de vista.
Qual seria?
Ora, ela externa majoritariamente numa direção ora noutra direção. No momento atual ela externa fundamentalmente os movimentos e as denúncias que a oposição faz contra o governo. O que temos que fazer é processar isso politicamente e responder sem a ilusão de que aquilo que está vertendo por dentro da mídia é totalmente verdadeiro, ou sem a visão patológica de que existe um processo conspirativo. Agora, existe também uma espécie de blindagem dentro da mídia, como se ela não pudesse ser criticada, como se qualquer resposta que se desse à mídia, qualquer denúncia que se fizesse, fosse um ato autoritário. Por exemplo: alguns chegaram a dizer o absurdo de que eu defendia a existência de um conselho estatal para controlar opinião. A pessoa que diz isso, ou é muito mal informada...
Ou é muito bem informada...
Ou é muito bem informada, ela está lançando uma calúnia, uma informação errada que se transforma em calúnia, que é isso de me chamar de Stalinista.
Ou, como diria o Berlusconi, de coglione...
O que defendo está num livro que escrevi em 93. Que um país, para tratar da questão da democracia - que é uma questão não resolvida, eu até escrevi inspirado nas discussões que ocorrem na França e na Itália - deveria ter uma espécie de ombudsman coletivo, sem capacidade normativa e sem capacidade de exercer qualquer tipo de censura, para receber da sociedade informações sobre como ela está vendo a mídia e processar isso num ambiente de discussão política. Isso é, aliás, tecnicamente, um conselho público não-estatal e não um conselho estatal.
Mas aí não estamos diante de um outro ato de omissão, talvez por interesses tantos, do governo? Manteve sem alteração, primeiro do ponto de vista regional, todo um poder midiático. Em grande parte do país com capilaridade nos municípios, estados, onde chefões ou chefetes tem meios de comunicação eletrônica em suas mãos sem que haja pluralidade em torno. Esse foi um assunto intocado pelo executivo, muito menos pelo legislativo.
Isso aí tem que ser tocado com muito cuidado, efetivamente porque tem...
Não é "tirar" nada de ninguém, é pluralizar, discutir...
...discutir a pluralidade. Isso é uma discussão que tem que ser feita na sociedade, mas com essas opiniões que estão aí agora isso tem que ser feito com muito cuidado, porque existe uma parte da esquerda efetivamente autoritária...
...que quer intervir, quer tirar, não quer pluralizar...
...exatamente, em vez de pluralizar, quer unilateralizar as opiniões sobre si mesma.
É de se lembrar que em alguns estados, em especial no norte-nordeste, há quem detenha o controle de até 80% do acesso à opinião pública sozinho. Isso não é benéfico à democracia.
Não é benéfico e a sociedade democrática mundial está colocando essa questão. Uma das grandes discussões que se faz hoje na Itália é sobre identidade físico-política entre o poder de fogo da mídia e o poder político...
...centrado na figura do Berlusconi...
...no caso concreto do Berlusconi...
...apesar do monumental avanço de mídias como a Internet.
Exatamente. Veja um contraponto: quando ocorreu aquele atentado terrorista em Madri que vitimou centenas de espanhóis, grande parte da mídia tentou transferir mecanicamente aquele fato para o ETA, e inculpar, portanto, a oposição que defendia um diálogo com o ETA. Pois bem, através dos telefones móveis as pessoas se comunicaram e deram uma resposta massiva contra essa ação.
Assim como através da Internet, de dentro do Palácio Miraflores, começou o contragolpe na Venezuela em abril de 2002...
...através da internet. É por isso que temos que tratar isso com cuidado e também com a consciência de que a própria sociedade cria antídotos ao autoritarismo. Aperfeiçoar a democracia significa tratar não somente do direito de ter opinião, mas do direito de que essas opiniões circulem com a mesma intensidade que circulam as opiniões que a ela se opõem.
Fonte: www.informante.net
Mídia
Imprensa falseia dados sobre gastos públicos
Pensamento conservador ataca qualquer despesa ou investimento público que não destinado aos credores da dívida. Necessidades de pessoal e de reestruturação do estado são vistos como “gastança”. A Folha de São Paulo escancarou uma grave denúncia na manchete principal do último domingo: “Governo Lula criou 37,5 mil cargos públicos em 3 anos”. Escândalo! Mais abaixo, o jornal relata o montante do descalabro: “Aumento da máquina pública significa uma despesa extra de R$ 625 milhões por ano”.
À primeira vista, flagrou-se outro ralo de dinheiro público: a contratação de compadres e apaniguados vai inchar o estado com desocupados! Mas, no meio da matéria, os leitores são informados pelo repórter Fabio Zanini de um pequeno detalhe: do total de 37.543 novos cargos, “35.275 exigem concurso público”. A matéria é construída a partir de dois pontos de vista: primeiro, tudo é cabide de emprego e, segundo, é pecado gastar. A conseqüência imediata é a necessidade de se conter a irresponsabilidade governamental. O que a Folha faz não é novidade. Já existe uma orquestração na mídia desde o início dos anos 1990 contra qualquer despesa estatal que não seja para honrar compromissos financeiros.
Agência Carta Maior (20/04/06)
Pensamento conservador ataca qualquer despesa ou investimento público que não destinado aos credores da dívida. Necessidades de pessoal e de reestruturação do estado são vistos como “gastança”. A Folha de São Paulo escancarou uma grave denúncia na manchete principal do último domingo: “Governo Lula criou 37,5 mil cargos públicos em 3 anos”. Escândalo! Mais abaixo, o jornal relata o montante do descalabro: “Aumento da máquina pública significa uma despesa extra de R$ 625 milhões por ano”.
À primeira vista, flagrou-se outro ralo de dinheiro público: a contratação de compadres e apaniguados vai inchar o estado com desocupados! Mas, no meio da matéria, os leitores são informados pelo repórter Fabio Zanini de um pequeno detalhe: do total de 37.543 novos cargos, “35.275 exigem concurso público”. A matéria é construída a partir de dois pontos de vista: primeiro, tudo é cabide de emprego e, segundo, é pecado gastar. A conseqüência imediata é a necessidade de se conter a irresponsabilidade governamental. O que a Folha faz não é novidade. Já existe uma orquestração na mídia desde o início dos anos 1990 contra qualquer despesa estatal que não seja para honrar compromissos financeiros.
Agência Carta Maior (20/04/06)
quarta-feira, 19 de abril de 2006
Rádio e TV
Senadora quer urgência para votar regionalização de programação de rádio e TV
"A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), presidente da Frente Parlamentar de Cultura, vai apresentar um requerimento de urgência para tentar garantir a aprovação do PLC 59/03 no Plenário. O projeto, que hoje está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), prevê a regionalização da programação cultural, artística e jornalística de TVs e rádios nos estados, além de dar espaço para a produção independente.
Segundo Ideli, a proposta enfrenta resistência de emissoras com repetidoras nos estados, que acham "mais conveniente e barato" reproduzir a programação nacional, sem dar muito espaço para os produtos locais. "
Agência Senado
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Desigualdade
Desigualdade se mantém
Do Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br):
"Os brasileiros de cor preta e parda continuaram apresentado, em 2004, indicadores em desvantagem aos observados para a população branca.
A taxa de analfabetismo da população preta e parda continuava, em 2004, mais que o dobro da apresentada pela população branca (16% contra 7%), sendo a maior diferença registrada em Alagoas (22% para brancos, 34% para pardos e 41% para pretos).
Em termos de analfabetismo funcional, o quadro de desigualdade era semelhante: no país, 18% da população branca tinham menos de quatro anos completos de estudo, percentual que foi superior a 30% para as pessoas de cor preta e parda.
Se a freqüência escolar não se mostrou muito desigual entre as crianças de 7 a 14 anos, nos grupos etários de 15 a 17 anos e de 20 a 24 anos, a diferença entre brancos e pretos e pardos chegou a cerca de seis pontos percentuais."
Do Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br):
"Os brasileiros de cor preta e parda continuaram apresentado, em 2004, indicadores em desvantagem aos observados para a população branca.
A taxa de analfabetismo da população preta e parda continuava, em 2004, mais que o dobro da apresentada pela população branca (16% contra 7%), sendo a maior diferença registrada em Alagoas (22% para brancos, 34% para pardos e 41% para pretos).
Em termos de analfabetismo funcional, o quadro de desigualdade era semelhante: no país, 18% da população branca tinham menos de quatro anos completos de estudo, percentual que foi superior a 30% para as pessoas de cor preta e parda.
Se a freqüência escolar não se mostrou muito desigual entre as crianças de 7 a 14 anos, nos grupos etários de 15 a 17 anos e de 20 a 24 anos, a diferença entre brancos e pretos e pardos chegou a cerca de seis pontos percentuais."
Mulheres e Mercado de Trabalho
Mercado de trabalho ainda é desfavorável para a mulher
De Jacqueline Farid n'O Estado de São Paulo, hoje:
"A Síntese dos Indicadores Sociais divulgada hoje pelo IBGE mostra uma situação ainda desfavorável para as mulheres no mercado de trabalho. Em 2004, as mulheres trabalhadoras com até 4 anos de estudo recebiam, por hora, em média, 80,8% do rendimento dos homens com esse nível de escolaridade, enquanto aquelas com 12 anos ou mais de estudo recebiam 61,6% do rendimento-hora masculino.
Dentro de casa, as mulheres trabalhavam 4,4 horas a mais por dia em afazeres domésticos. A Síntese de Indicadores Sociais tem como base os dados da PNAD 2004 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e revela também que "o aumento na escolaridade feminina guarda estreita relação com as reduções nas taxas de fecundidade e de mortalidade infantil".
Em 2004, as mulheres com até 3 anos de estudo chegavam a ter, em média, mais que o dobro do número de filhos das mulheres com 8 anos ou mais de estudo. Segundo a pesquisa, a probabilidade de uma mulher com 8 anos ou mais de estudo, com dois filhos, vir a ter o terceiro era de pouco mais de 50%, ao passo que a mesma probabilidade associada a uma mulher com até 3 anos de estudo era de 90%.
Mulheres chefiando famílias
No Brasil, 29,4% dos 56,1 milhões de famílias eram chefiadas por mulheres em 2004, segundo a pesquisa do IBGE. A maior proporção dessa chefia feminina estava na faixa dos 60 anos ou mais de idade (27,4%).
A pesquisa mostra também que as famílias com chefia masculina eram diferentes daquelas chefiadas por mulheres. Quando o chefe era homem, a estrutura familiar mais freqüente era a de casais com todos os filhos menores de 14 anos (33,6%), seguida do tipo casal com todos os filhos de 14 aos ou mais de idade (21,4%).
Já no caso da chefia feminina, as estruturas predominantes eram de mães com todos os filhos de 14 anos ou mais de idade (31,4%), outros tipos de família (25,6%) e mães com todos os filhos menores de 14 anos (23,2%).
"Ou seja, a chefia feminina ocorria num ambiente doméstico sem a presença do cônjuge ou em composições familiares que podem ser formadas, por exemplo, por duas irmãs morando juntas ou pela própria pessoa morando só, entre outras", dizem os técnicos da pesquisa no documento de divulgação.
Em 2004, segundo a pesquisa, 27,0% das mulheres se declararam como pessoas de referência das famílias brasileiras e, dentre essas, 14,8% viviam com o cônjuge, "percentual expressivo, que pode estar revelando um novo padrão de responsabilidade compartilhada".
A região Nordeste foi a que apresentou o maior número de famílias chefiadas por mulheres (29,3%), destacando-se o Estado de Pernambuco com (31,6%).
Mulheres em cargos de direção
Apenas 3,9% das mulheres ocupadas estavam em cargos de direção em 2004, enquanto para os homens a proporção era de 5,5% dos ocupados, segundo a pesquisa do IBGE.
A maior proporção de mulheres em cargos de direção estava no Distrito Federal (8,0%), "resultado da elevada participação feminina no serviço público federal, onde o acesso a cargos de direção se dá de forma mais igualitária que no setor privado", segundo destacam os técnicos do instituto no documento de divulgação da pesquisa.
O levantamento do IBGE mostra também que a participação feminina em cargos de direção era maior do que os homens nas ocupações relacionadas às ciências e artes (8,6% contra 4,2%), de nível médio (7,8% contra 6,5%), serviços administrativos (11,4% contra 5,8%), serviços (31,3% contra 11,6%) e vendedores (11,6% contra 8,4%).
Além disso, as mulheres ocupadas tinham, em 2004, uma média de anos de estudo superior à dos homens ocupados tanto na área urbana (8,6 contra 7,6 anos) como na rural (4,3 frente a 3,8 anos).
"A maior escolaridade feminina era em parte reflexo de uma inserção tardia no mercado de trabalho", conclui o estudo. O levantamento mostra inda que, entre as mulheres ocupadas, o trabalho doméstico e não-remunerado (26,2%) superava o emprego formal, com carteira, (25,7%). "
De Jacqueline Farid n'O Estado de São Paulo, hoje:
"A Síntese dos Indicadores Sociais divulgada hoje pelo IBGE mostra uma situação ainda desfavorável para as mulheres no mercado de trabalho. Em 2004, as mulheres trabalhadoras com até 4 anos de estudo recebiam, por hora, em média, 80,8% do rendimento dos homens com esse nível de escolaridade, enquanto aquelas com 12 anos ou mais de estudo recebiam 61,6% do rendimento-hora masculino.
Dentro de casa, as mulheres trabalhavam 4,4 horas a mais por dia em afazeres domésticos. A Síntese de Indicadores Sociais tem como base os dados da PNAD 2004 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e revela também que "o aumento na escolaridade feminina guarda estreita relação com as reduções nas taxas de fecundidade e de mortalidade infantil".
Em 2004, as mulheres com até 3 anos de estudo chegavam a ter, em média, mais que o dobro do número de filhos das mulheres com 8 anos ou mais de estudo. Segundo a pesquisa, a probabilidade de uma mulher com 8 anos ou mais de estudo, com dois filhos, vir a ter o terceiro era de pouco mais de 50%, ao passo que a mesma probabilidade associada a uma mulher com até 3 anos de estudo era de 90%.
Mulheres chefiando famílias
No Brasil, 29,4% dos 56,1 milhões de famílias eram chefiadas por mulheres em 2004, segundo a pesquisa do IBGE. A maior proporção dessa chefia feminina estava na faixa dos 60 anos ou mais de idade (27,4%).
A pesquisa mostra também que as famílias com chefia masculina eram diferentes daquelas chefiadas por mulheres. Quando o chefe era homem, a estrutura familiar mais freqüente era a de casais com todos os filhos menores de 14 anos (33,6%), seguida do tipo casal com todos os filhos de 14 aos ou mais de idade (21,4%).
Já no caso da chefia feminina, as estruturas predominantes eram de mães com todos os filhos de 14 anos ou mais de idade (31,4%), outros tipos de família (25,6%) e mães com todos os filhos menores de 14 anos (23,2%).
"Ou seja, a chefia feminina ocorria num ambiente doméstico sem a presença do cônjuge ou em composições familiares que podem ser formadas, por exemplo, por duas irmãs morando juntas ou pela própria pessoa morando só, entre outras", dizem os técnicos da pesquisa no documento de divulgação.
Em 2004, segundo a pesquisa, 27,0% das mulheres se declararam como pessoas de referência das famílias brasileiras e, dentre essas, 14,8% viviam com o cônjuge, "percentual expressivo, que pode estar revelando um novo padrão de responsabilidade compartilhada".
A região Nordeste foi a que apresentou o maior número de famílias chefiadas por mulheres (29,3%), destacando-se o Estado de Pernambuco com (31,6%).
Mulheres em cargos de direção
Apenas 3,9% das mulheres ocupadas estavam em cargos de direção em 2004, enquanto para os homens a proporção era de 5,5% dos ocupados, segundo a pesquisa do IBGE.
A maior proporção de mulheres em cargos de direção estava no Distrito Federal (8,0%), "resultado da elevada participação feminina no serviço público federal, onde o acesso a cargos de direção se dá de forma mais igualitária que no setor privado", segundo destacam os técnicos do instituto no documento de divulgação da pesquisa.
O levantamento do IBGE mostra também que a participação feminina em cargos de direção era maior do que os homens nas ocupações relacionadas às ciências e artes (8,6% contra 4,2%), de nível médio (7,8% contra 6,5%), serviços administrativos (11,4% contra 5,8%), serviços (31,3% contra 11,6%) e vendedores (11,6% contra 8,4%).
Além disso, as mulheres ocupadas tinham, em 2004, uma média de anos de estudo superior à dos homens ocupados tanto na área urbana (8,6 contra 7,6 anos) como na rural (4,3 frente a 3,8 anos).
"A maior escolaridade feminina era em parte reflexo de uma inserção tardia no mercado de trabalho", conclui o estudo. O levantamento mostra inda que, entre as mulheres ocupadas, o trabalho doméstico e não-remunerado (26,2%) superava o emprego formal, com carteira, (25,7%). "
sexta-feira, 17 de março de 2006
Mais uma mentira cai por terra
Manchete de hoje da Folha Online: "Laudo confirma suicídio de legista do caso Celso Daniel". Veja o que diz a matéria:
"O laudo complementar conclusivo sobre a morte do médico-legista Carlos Alberto Delmonte Printes, ocorrida em 12 de outubro de 2005, mostra que ele cometeu suicídio ingerindo três medicamentos simultaneamente.
O delegado José Antônio Nascimento, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), e dois médicos-legistas apresentaram nesta sexta-feira o laudo. "Ele não tinha necessidade de tomar aqueles medicamentos. E, sendo médico, sabia dos riscos em ingeri-los simultaneamente", afirmou Ricardo Cristofi, diretor do Centro de Pesquisas do IML (Instituto Médico Legal).
(...)
Para a polícia, o crime foi premeditado pelo próprio legista. Ele contou ao filho que havia feito exames, inclusive radiografias, com um especialista conhecido da família. Ao checar as informações, esse mesmo médico disse que Delmonte não havia se consultado com ele. "Colhemos informações junto a parentes e amigos que confirmaram que Delmonte era avesso a medicamentos", afirmou Nascimento.
(...)
O legista deixou cartas, que passaram pelo exame documentoscópico para confrontar a caligrafia e confirmar se era mesmo de Delmonte. Elas informavam como ele deveria ser velado, a quem avisar e o que ele desejava que fosse feito. "Ele cometeu suicídio motivado pela dissolução do seu casamento", concluiu o delegado."
E agora, José?
O que dirão agora os defensores da 'teoria da conspiração'? Muitos propagandearam que teria havido queima de arquivo no caso da morte do legista. Lembram que ACM acusou o PT de estar por trás da morte de Celso Daniel e de outras pessoas que tinham ligação com o caso?
A mídia golpista aderiu a essa mesma idéia estapafúrdia e saiu em campo fazendo conjecturas mirabolantes. Para essa gente, que nunca desiste de arquitetar o golpe, qualquer história vale.
"O laudo complementar conclusivo sobre a morte do médico-legista Carlos Alberto Delmonte Printes, ocorrida em 12 de outubro de 2005, mostra que ele cometeu suicídio ingerindo três medicamentos simultaneamente.
O delegado José Antônio Nascimento, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), e dois médicos-legistas apresentaram nesta sexta-feira o laudo. "Ele não tinha necessidade de tomar aqueles medicamentos. E, sendo médico, sabia dos riscos em ingeri-los simultaneamente", afirmou Ricardo Cristofi, diretor do Centro de Pesquisas do IML (Instituto Médico Legal).
(...)
Para a polícia, o crime foi premeditado pelo próprio legista. Ele contou ao filho que havia feito exames, inclusive radiografias, com um especialista conhecido da família. Ao checar as informações, esse mesmo médico disse que Delmonte não havia se consultado com ele. "Colhemos informações junto a parentes e amigos que confirmaram que Delmonte era avesso a medicamentos", afirmou Nascimento.
(...)
O legista deixou cartas, que passaram pelo exame documentoscópico para confrontar a caligrafia e confirmar se era mesmo de Delmonte. Elas informavam como ele deveria ser velado, a quem avisar e o que ele desejava que fosse feito. "Ele cometeu suicídio motivado pela dissolução do seu casamento", concluiu o delegado."
E agora, José?
O que dirão agora os defensores da 'teoria da conspiração'? Muitos propagandearam que teria havido queima de arquivo no caso da morte do legista. Lembram que ACM acusou o PT de estar por trás da morte de Celso Daniel e de outras pessoas que tinham ligação com o caso?
A mídia golpista aderiu a essa mesma idéia estapafúrdia e saiu em campo fazendo conjecturas mirabolantes. Para essa gente, que nunca desiste de arquitetar o golpe, qualquer história vale.
quarta-feira, 15 de março de 2006
Notas do tucanato
Escolha por exaustão
Do colunista Janio de Freitas na Folha de S. Paulo, hoje:
"A mais original escolha de um candidato à Presidência deu-se entre um pretendente que nunca disse pretender, durante os quase três meses da disputa, e um concorrente que se tornou vitorioso só por ter passado os mesmos três meses repetindo o refrão "eu mantenho a minha candidatura".
A longa permanência de José Serra nas cogitações dos controladores do PSDB, dando-lhe complacentes e incontáveis oportunidades de assumir a pré-candidatura, deixou a evidência de que o resultado da disputa não se deu por preferência da cúpula peessedebista. Deu-se por exaustão partidária."
Patético e partido
Do colunista Fernando Rodrigues na Folha de S. Paulo, hoje:
" A cúpula do PSDB decidiu ontem que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, será o candidato tucano a presidente -em detrimento do outro postulante, o prefeito paulistano, José Serra.
Foi uma cena melancólica no final da tarde. Os tucanos vivem a exaltar sua suposta alta noção republicana, mas apareceram rachados em público. José Serra não estava lá para a inexorável foto de todos dando as mãos e erguendo os braços.
O discurso da unidade é quase patético. Ninguém se entende no PSDB. O presidente da sigla, Tasso Jereissati, manda quase nada. Omisso durante meses, acordou há poucas semanas para descobrir que perdera completamente as rédeas do processo.
FHC quase teve um chilique quando soube da decisão de anteontem de José Serra, que optou por não aceitar prévias. O governador mineiro, Aécio Neves, só pensa nele e em sua própria candidatura ao Planalto em 2010."
Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br)
Do colunista Janio de Freitas na Folha de S. Paulo, hoje:
"A mais original escolha de um candidato à Presidência deu-se entre um pretendente que nunca disse pretender, durante os quase três meses da disputa, e um concorrente que se tornou vitorioso só por ter passado os mesmos três meses repetindo o refrão "eu mantenho a minha candidatura".
A longa permanência de José Serra nas cogitações dos controladores do PSDB, dando-lhe complacentes e incontáveis oportunidades de assumir a pré-candidatura, deixou a evidência de que o resultado da disputa não se deu por preferência da cúpula peessedebista. Deu-se por exaustão partidária."
Patético e partido
Do colunista Fernando Rodrigues na Folha de S. Paulo, hoje:
" A cúpula do PSDB decidiu ontem que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, será o candidato tucano a presidente -em detrimento do outro postulante, o prefeito paulistano, José Serra.
Foi uma cena melancólica no final da tarde. Os tucanos vivem a exaltar sua suposta alta noção republicana, mas apareceram rachados em público. José Serra não estava lá para a inexorável foto de todos dando as mãos e erguendo os braços.
O discurso da unidade é quase patético. Ninguém se entende no PSDB. O presidente da sigla, Tasso Jereissati, manda quase nada. Omisso durante meses, acordou há poucas semanas para descobrir que perdera completamente as rédeas do processo.
FHC quase teve um chilique quando soube da decisão de anteontem de José Serra, que optou por não aceitar prévias. O governador mineiro, Aécio Neves, só pensa nele e em sua própria candidatura ao Planalto em 2010."
Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br)
Biossegurança
Marina Silva: "Identificação de transgênicos começa agora"
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, rebateu as críticas à proposta que o Brasil fará na 3ª Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3). A posição do governo brasileiro será defender a adoção do limite de 2010 para que todos os organismos vivos geneticamente modificados (OVMs) sejam idenficados com o rótulo de “contém” nas comercialização com outros países. A fala da ministra aconteceu no encontro com representantes da Fórum Brasileiro das Organizações Não-Governamentais (ONgs) e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), que ocorreu em Curitiba.
Para Marina, a fase de transição de quatro anos para a rotulagem dos OVMs não significa que o governo brasileiro vai esperar até o final do prazo para iniciar a exigência da identificação desses produtos. “A lei cria um processo cumulativo e processual. Ao mesmo tempo que vamos criando a estrutura e as condições necessárias para a segregação, vamos também fazendo a identificação”, garantiu.
A ministra explicou que o período de transição é necessário porque o Brasil não tem uma estrutura de silos, de portos e de transporte para fazer a segregação. “Mas isso não significa conceder um tempo para o início da identificação. Ela começa a partir de agora para todos que hoje já estão fazendo a segregação”, garantiu.
Marina lembrou ainda que a proposta brasileira é uma decisão do país não uma conquista de setores isolados do governo. Além disso, a regulamentação foi criada a partir de consultas e das necessidades de todos os setores envolvidos na discussão. “É uma posição que dialoga com o conjunto da sociedade e que cria um prazo para que se possa criar a estrutura logística para se fazer a segregaçao e a identificão".
“Estamos aprendendo que defender o meio ambiente também é fazer um ponte com o desenvovlimento do país”, completou.
Portal do PT
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, rebateu as críticas à proposta que o Brasil fará na 3ª Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3). A posição do governo brasileiro será defender a adoção do limite de 2010 para que todos os organismos vivos geneticamente modificados (OVMs) sejam idenficados com o rótulo de “contém” nas comercialização com outros países. A fala da ministra aconteceu no encontro com representantes da Fórum Brasileiro das Organizações Não-Governamentais (ONgs) e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), que ocorreu em Curitiba.
Para Marina, a fase de transição de quatro anos para a rotulagem dos OVMs não significa que o governo brasileiro vai esperar até o final do prazo para iniciar a exigência da identificação desses produtos. “A lei cria um processo cumulativo e processual. Ao mesmo tempo que vamos criando a estrutura e as condições necessárias para a segregação, vamos também fazendo a identificação”, garantiu.
A ministra explicou que o período de transição é necessário porque o Brasil não tem uma estrutura de silos, de portos e de transporte para fazer a segregação. “Mas isso não significa conceder um tempo para o início da identificação. Ela começa a partir de agora para todos que hoje já estão fazendo a segregação”, garantiu.
Marina lembrou ainda que a proposta brasileira é uma decisão do país não uma conquista de setores isolados do governo. Além disso, a regulamentação foi criada a partir de consultas e das necessidades de todos os setores envolvidos na discussão. “É uma posição que dialoga com o conjunto da sociedade e que cria um prazo para que se possa criar a estrutura logística para se fazer a segregaçao e a identificão".
“Estamos aprendendo que defender o meio ambiente também é fazer um ponte com o desenvovlimento do país”, completou.
Portal do PT
Imprensa ignora condenação da diretoria do Banco Central no governo FHC
Leia abaixo texto publicado nesta terça-feira (14) no site da revista Fórum (www.revistaforum.com.br):
O caixa tucano foi condenado, você sabia?
Por Fábio Jammal Mackoul
Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadista e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente despercebida até mesmo para os leitores mais atentos. Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto informava: “Condenados a 11 anos de prisão pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex-diretores dessa instituição. Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos feitos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1”.
Assim como IstoÉ, a grande imprensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto. Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. Eles foram condenados em primeira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou milhares de mutuários. Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente operações vencidas e não pagas.
(...)
O homem-bomba
A condenação de toda a diretoria colegiada do Banco do Brasil no primeiro mandato de FHC é a menor das preocupações do PSDB. O mais atemorizante é que, entre os condenados, um personagem se destaca. Trata-se do já conhecido Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do banco.
O economista ganhou notoriedade durante as privatizações promovidas por Fernando Henrique, especialmente nos casos da Companhia Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, dois dos maiores negócios do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi destaque ao ser flagrado confessando como agiam ao costurar negócios para o leilão das teles: “no limite da irresponsabilidade”.
Caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998), Ricardo Sérgio está envolvido em denúncias que vão desde pequenos problemas com a Receita Federal até a suposta cobrança de uma propina de R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch, para favorecê-lo no leilão da Vale e prejudicar os fundos de pensão dos funcionários de estatais. O empresário teria dito, à época, que estava convencido de que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB e decidiu pagar a propina.
O caixa tucano foi condenado, você sabia?
Por Fábio Jammal Mackoul
Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadista e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente despercebida até mesmo para os leitores mais atentos. Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto informava: “Condenados a 11 anos de prisão pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex-diretores dessa instituição. Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos feitos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1”.
Assim como IstoÉ, a grande imprensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto. Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. Eles foram condenados em primeira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou milhares de mutuários. Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente operações vencidas e não pagas.
(...)
O homem-bomba
A condenação de toda a diretoria colegiada do Banco do Brasil no primeiro mandato de FHC é a menor das preocupações do PSDB. O mais atemorizante é que, entre os condenados, um personagem se destaca. Trata-se do já conhecido Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do banco.
O economista ganhou notoriedade durante as privatizações promovidas por Fernando Henrique, especialmente nos casos da Companhia Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, dois dos maiores negócios do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi destaque ao ser flagrado confessando como agiam ao costurar negócios para o leilão das teles: “no limite da irresponsabilidade”.
Caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998), Ricardo Sérgio está envolvido em denúncias que vão desde pequenos problemas com a Receita Federal até a suposta cobrança de uma propina de R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch, para favorecê-lo no leilão da Vale e prejudicar os fundos de pensão dos funcionários de estatais. O empresário teria dito, à época, que estava convencido de que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB e decidiu pagar a propina.
quarta-feira, 8 de março de 2006
Direitos Humanos
Saiu o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre grupos de extermínios no Nordeste do Brasil
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a ação criminosa das milícias privadas e dos grupos de extermínio em toda a Região Nordeste do Brasil, presidida pelo deputado João Bosco da Costa (Partido da Social Democracia Brasileira/Sergipe) e cujo relator foi o deputado Luiz Couto (Partido dos Trabalhadores/Paraíba), finalizou sua investigação e divulgou o relatório final.
Entre a documentação alegada, o relatório reproduz na íntegra o depoimento na CPI do histórico militante dos Direitos Humanos do Rio Grande do Norte, Roberto de Oliveira Monte, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP) de Natal e da Rede Estadual de Direitos Humanos - RN. Seu depoimento, dado em dezembro de 2004, desvenda a complexa trama de cumplicidades que ligam os membros do maior e mais poderoso grupo de extermínio que agiu em terras norte-riograndenses, autor de diversos homicídios e chacinas na Região Metropolitana de Natal na década dos Noventa, e altos representantes do Poder Executivo, do Poder Judiciário e das grandes oligarquias do Estado.
Os resultados do relatório da CPI dos grupos de extermínio no Nordeste estão destinados, com toda certeza, a ter repercussão no desfecho do julgamento contra o Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em São José da Costa Rica, para o caso do assassinato do advogado Gílson Nogueira de Carvalho, ocorrido em Macaíba (Rio Grande do Norte) em 20 de outubro de 1996 por mão de membros do grupo de extermínio auto-denominado Meninos de Ouro.
A primeira audiência do caso (que foi coberta ao vivo, através de um mutirão digital internacional, pelo portal DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura e Tecido Social) teve lugar no passado 8 de fevereiro, onde a Corte ouviu as testemunhas da acusação e da defesa. A entrega das alegações finais está prevista para final de março e a sentença para junho. A expectativa de todo o movimento brasileiro de defesa e promoção dos Direitos Humanos, assim como da ampla rede internacional de apoio e solidariedade que surgiu ao redor do caso, é de que a Corte reconheça a responsabilidade do Estado brasileiro, na atitude da sua unidade federal do Rio Grande do Norte, na impunidade dos responsáveis do assassinato de Gílson Nogueira e determine, entre outras medidas, a reabertura do processo em condições de imparcialidade e a indenização da família da vítima.
Redação de Tecido Social (Boletim eletrônico Nº 179 - 06/03/2006)
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a ação criminosa das milícias privadas e dos grupos de extermínio em toda a Região Nordeste do Brasil, presidida pelo deputado João Bosco da Costa (Partido da Social Democracia Brasileira/Sergipe) e cujo relator foi o deputado Luiz Couto (Partido dos Trabalhadores/Paraíba), finalizou sua investigação e divulgou o relatório final.
Entre a documentação alegada, o relatório reproduz na íntegra o depoimento na CPI do histórico militante dos Direitos Humanos do Rio Grande do Norte, Roberto de Oliveira Monte, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP) de Natal e da Rede Estadual de Direitos Humanos - RN. Seu depoimento, dado em dezembro de 2004, desvenda a complexa trama de cumplicidades que ligam os membros do maior e mais poderoso grupo de extermínio que agiu em terras norte-riograndenses, autor de diversos homicídios e chacinas na Região Metropolitana de Natal na década dos Noventa, e altos representantes do Poder Executivo, do Poder Judiciário e das grandes oligarquias do Estado.
Os resultados do relatório da CPI dos grupos de extermínio no Nordeste estão destinados, com toda certeza, a ter repercussão no desfecho do julgamento contra o Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em São José da Costa Rica, para o caso do assassinato do advogado Gílson Nogueira de Carvalho, ocorrido em Macaíba (Rio Grande do Norte) em 20 de outubro de 1996 por mão de membros do grupo de extermínio auto-denominado Meninos de Ouro.
A primeira audiência do caso (que foi coberta ao vivo, através de um mutirão digital internacional, pelo portal DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura e Tecido Social) teve lugar no passado 8 de fevereiro, onde a Corte ouviu as testemunhas da acusação e da defesa. A entrega das alegações finais está prevista para final de março e a sentença para junho. A expectativa de todo o movimento brasileiro de defesa e promoção dos Direitos Humanos, assim como da ampla rede internacional de apoio e solidariedade que surgiu ao redor do caso, é de que a Corte reconheça a responsabilidade do Estado brasileiro, na atitude da sua unidade federal do Rio Grande do Norte, na impunidade dos responsáveis do assassinato de Gílson Nogueira e determine, entre outras medidas, a reabertura do processo em condições de imparcialidade e a indenização da família da vítima.
Redação de Tecido Social (Boletim eletrônico Nº 179 - 06/03/2006)
segunda-feira, 6 de março de 2006
Imprensa britânica chama Lula de "vigoroso presidente de esquerda"
Visita de Lula é destaque nos jornais britânicos
A visita do presidente do Luiz Inácio Lula da Silva ao Reino Unido, que se inicia hoje a noite e se estenderá até a próxima quinta-feira, é destaque nos jornais britânicos. Eles ressaltam que a Europa precisa prestar mais atenção no Brasil, que é uma das potências emergentes que vão dominar a economia mundial nas próximas décadas. Além disso, ressaltam que Lula soube contornar o escândalo de corrupção que se abateu sobre seu governo no ano passado. Elogiam também, de forma geral, o gerenciamento da economia brasileira.
Num editorial intitulado Gigante Emergente, o jornal The Times afirma que a Grã-Bretanha deveria estar mais interessada no Brasil não apenas quando um presidente sul-americano faz uma visita de chefe de Estado. "Ao longo dos próximos 25 anos, o Brasil, como outros, incluindo a Indonésia e o México, vão se tornar mais do que um poder emergente", afirmam. "Isso já está claro pelo papel crucial que o senhor da Silva vai ter nas negociações mundiais do comércio. Essa é uma nação que, se explorar seus ativos substanciais com inteligência, será muito mais do que uma superpotência do futebol."
Democracias
O tradicional diário britânico acrescenta que o Brasil tem uma das economias emergentes mais importantes do mundo. "A visita presidencial nesta semana do presidente Lula oferece uma exposição bem-vinda a uma localidade que vem sendo muito relegada a um segundo plano."
O jornal observa que a América Latina vem adotando regimes democráticos há anos, mas que o presidente venezuelano Hugo Chávez adotou uma linha populista. "É para o crédito do senhor Silva que ele tenha evitado a rota preguiçosa do populismo em favor do gerenciamento sólido da economia e da moderação política." O Times elogia a condução da economia brasileira. "Metas fiscais apertadas foram cumpridas, o país tem um superávit comercial saudável e a inflação foi domada", disse. "Pela primeira vez na história, a economia não será um tema em brasas neste ano eleitoral."
O diário observa que a média de crescimento do PIB nos últimos três anos, 2,6%, se comprada a outros emergentes, é decepcionante. "Mas, para seu crédito, o presidente tem insistido em que um crescimento constante e sustentável, baseado no investimento, prudência fiscal e maior igualdade social, oferece perspectiva muito melhor de longo prazo para retirar milhões de pessoas da pobreza do que as bolhas frágeis de expansão econômica do passado."
"Impacto"
O jornal The Independent, também em editorial, intitulado A Terceira Via de Lula, observa que a América Latina raramente é mencionada nos debates sobre quem vai dominar a economia mundial no futuro, Índia ou China. "Um erro nosso, porque alguns países naquele continente negligenciado estão avançando mais rapidamente do que nós na Europa percebemos, e estão destinados a ter um impacto também no nosso destino", disse o jornal. "Isso se aplica principalmente para o Brasil cujo vigoroso presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, inicia uma visita a Grã-Bretanha hoje." O Independent observa que "é um erro subestimar o potencial do Brasil". Numa reportagem, o jornal acrescenta que Lula "sobreviveu a um escândalo político e a circunstâncias econômicas austeras para ficar bem posicionado nas pesquisas de opinião".
O Financial Times, por sua vez, ressalta que Lula "está vivendo uma reviravolta em sua sorte" que sugere uma intervenção divina. "Tão recentemente como dezembro, ele parecia estar acabado" pelo escândalo de corrupção, diz o jornal. "Desde o ano novo, isso tudo mudou, O presidente minimizou o escândalo e o superou. Seus opositores políticos têm olhado desarmados os eleitores se concentrarem, em vez disso, na estabilidade econômica."
Trajetória
O FT faz um relato da trajetória da vida de Lula e afirma que ainda não está claro se o presidente sabe quais são os passos para que o Brasil alcance crescimento econômico mais acelerado. "Política monetária apertada não é suficiente", diz o jornal. "Apesar de todas as melhoras ao longo da última década nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, o crescimento anual em média foi pouco superior a 2%."
O FT afirma que Lula será recebido calorosamente em Londres. "A liderança brasileira no G-20 fortaleceu sua imagem com um defensor dos pobres no Brasil e ao redor do mundo", disse. Para isso, ele pode agradecer a sua inquestionável energia, gentileza e carisma e, claro, a Deus."
Agência Estado
A visita do presidente do Luiz Inácio Lula da Silva ao Reino Unido, que se inicia hoje a noite e se estenderá até a próxima quinta-feira, é destaque nos jornais britânicos. Eles ressaltam que a Europa precisa prestar mais atenção no Brasil, que é uma das potências emergentes que vão dominar a economia mundial nas próximas décadas. Além disso, ressaltam que Lula soube contornar o escândalo de corrupção que se abateu sobre seu governo no ano passado. Elogiam também, de forma geral, o gerenciamento da economia brasileira.
Num editorial intitulado Gigante Emergente, o jornal The Times afirma que a Grã-Bretanha deveria estar mais interessada no Brasil não apenas quando um presidente sul-americano faz uma visita de chefe de Estado. "Ao longo dos próximos 25 anos, o Brasil, como outros, incluindo a Indonésia e o México, vão se tornar mais do que um poder emergente", afirmam. "Isso já está claro pelo papel crucial que o senhor da Silva vai ter nas negociações mundiais do comércio. Essa é uma nação que, se explorar seus ativos substanciais com inteligência, será muito mais do que uma superpotência do futebol."
Democracias
O tradicional diário britânico acrescenta que o Brasil tem uma das economias emergentes mais importantes do mundo. "A visita presidencial nesta semana do presidente Lula oferece uma exposição bem-vinda a uma localidade que vem sendo muito relegada a um segundo plano."
O jornal observa que a América Latina vem adotando regimes democráticos há anos, mas que o presidente venezuelano Hugo Chávez adotou uma linha populista. "É para o crédito do senhor Silva que ele tenha evitado a rota preguiçosa do populismo em favor do gerenciamento sólido da economia e da moderação política." O Times elogia a condução da economia brasileira. "Metas fiscais apertadas foram cumpridas, o país tem um superávit comercial saudável e a inflação foi domada", disse. "Pela primeira vez na história, a economia não será um tema em brasas neste ano eleitoral."
O diário observa que a média de crescimento do PIB nos últimos três anos, 2,6%, se comprada a outros emergentes, é decepcionante. "Mas, para seu crédito, o presidente tem insistido em que um crescimento constante e sustentável, baseado no investimento, prudência fiscal e maior igualdade social, oferece perspectiva muito melhor de longo prazo para retirar milhões de pessoas da pobreza do que as bolhas frágeis de expansão econômica do passado."
"Impacto"
O jornal The Independent, também em editorial, intitulado A Terceira Via de Lula, observa que a América Latina raramente é mencionada nos debates sobre quem vai dominar a economia mundial no futuro, Índia ou China. "Um erro nosso, porque alguns países naquele continente negligenciado estão avançando mais rapidamente do que nós na Europa percebemos, e estão destinados a ter um impacto também no nosso destino", disse o jornal. "Isso se aplica principalmente para o Brasil cujo vigoroso presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, inicia uma visita a Grã-Bretanha hoje." O Independent observa que "é um erro subestimar o potencial do Brasil". Numa reportagem, o jornal acrescenta que Lula "sobreviveu a um escândalo político e a circunstâncias econômicas austeras para ficar bem posicionado nas pesquisas de opinião".
O Financial Times, por sua vez, ressalta que Lula "está vivendo uma reviravolta em sua sorte" que sugere uma intervenção divina. "Tão recentemente como dezembro, ele parecia estar acabado" pelo escândalo de corrupção, diz o jornal. "Desde o ano novo, isso tudo mudou, O presidente minimizou o escândalo e o superou. Seus opositores políticos têm olhado desarmados os eleitores se concentrarem, em vez disso, na estabilidade econômica."
Trajetória
O FT faz um relato da trajetória da vida de Lula e afirma que ainda não está claro se o presidente sabe quais são os passos para que o Brasil alcance crescimento econômico mais acelerado. "Política monetária apertada não é suficiente", diz o jornal. "Apesar de todas as melhoras ao longo da última década nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, o crescimento anual em média foi pouco superior a 2%."
O FT afirma que Lula será recebido calorosamente em Londres. "A liderança brasileira no G-20 fortaleceu sua imagem com um defensor dos pobres no Brasil e ao redor do mundo", disse. Para isso, ele pode agradecer a sua inquestionável energia, gentileza e carisma e, claro, a Deus."
Agência Estado
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
Mais de Bono
Reproduzo aqui texto enviado por Daniel Valença, coordenador da Ong Nova Mente, escrito por Mônica Simoni:
"Apoio de Bono à Lula irrita imprensa opositora
Quem leu a edição do jornal Folha de São Paulo de ontem (21) certamente se assustou com o tom de uma das principais chamadas da capa do jornal: "Bono acredita em duendes progressistas do 3º Mundo". A matéria, assinada pelo editor do caderno Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, ridiculariza desrespeitosamente as ações do líder do grupo U2, que é um reconhecido militante internacional na luta pela defesa dos direitos humanos.
Mas para Gonçalves, o problema é que Bono é um irritante líder "politicamente correto", que ele mesmo define da seguinte forma: "compulsão de chamar negros de 'afrodescendentes', falar em 'opção sexual', viver em permanente estado de solidariedade às minorias étnicas, colocar a culpa do terrorismo islâmico no Ocidente e recomendar filmes feitos nos cafundós do mundo sobre situações arcaicas e 'humanas'.
Com feroz indiferença e carregado de preconceito de classe, Gonçalves tenta convencer o leitor de tudo isso é falácia. E que, além disso, Bono é um equivocado. "Mal desembarcou no Brasil e já saiu correndo para emprestar seu prestígio a Lula".
A empolgação de Bono com o governo brasileiro e seus programas, com destaque para o Fome Zero (que, inclusive, vai receber a doação da guitarra do líder do U2), irritou o editor da Folha. "É um programa possível. Para ter um programa desses, é preciso organização, tem que ter estratégia. Também não pode ser visto como algo só da esquerda. Para acabar com a fome, todos os atores têm que participar", disse Bono à imprensa brasileira, que quase não repercutiu as declarações.
O problema é que esse monte de propaganda do governo brasileiro que o artista irlandês fez - inclusive no show que realizou na última >>segunda-feira, televisionado pela Rede Globo - coincidem com a divulgação das três últimas pesquisas de opinião consecutivas - Ibope, Datafolha e CNT/Sensus - que registram uma recuperação sólida da avaliação do governo Lula e de liderança inquestionável na disputa presidencial.
Do outro lado, a oposição tem que assistir às trapalhadas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e à intensa e crescente disputa interna entre os tucanos para definir quem disputará contra Lula, se o prefeito José Serra, que prometeu há dois anos que não faria isso, ou se o governador que está lá atrás nas intenções de voto.
"Bono faz parte daqueles formadores de opinião do Primeiro Mundo Maravilha que acreditam em duendes progressistas do Terceiro Mundo. Estão sempre achando que vai brotar algo novo por aqui", diz Gonçalves numa direta referência à nova conjuntura política na nossa América Latina, constituída por governos eleitos democraticamente, essencialmente anti-neoliberais e cujas propostas se fundamentam na construção de alternativas a este modelo. Aí estão inseridos Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia. E, neste ano marcado por eleições na região, podem ainda surgir novos atores.
O texto de Gonçalves também não é algo novo. É uma típica manifestação do desespero da oposição. Lamentável..."
"Apoio de Bono à Lula irrita imprensa opositora
Quem leu a edição do jornal Folha de São Paulo de ontem (21) certamente se assustou com o tom de uma das principais chamadas da capa do jornal: "Bono acredita em duendes progressistas do 3º Mundo". A matéria, assinada pelo editor do caderno Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, ridiculariza desrespeitosamente as ações do líder do grupo U2, que é um reconhecido militante internacional na luta pela defesa dos direitos humanos.
Mas para Gonçalves, o problema é que Bono é um irritante líder "politicamente correto", que ele mesmo define da seguinte forma: "compulsão de chamar negros de 'afrodescendentes', falar em 'opção sexual', viver em permanente estado de solidariedade às minorias étnicas, colocar a culpa do terrorismo islâmico no Ocidente e recomendar filmes feitos nos cafundós do mundo sobre situações arcaicas e 'humanas'.
Com feroz indiferença e carregado de preconceito de classe, Gonçalves tenta convencer o leitor de tudo isso é falácia. E que, além disso, Bono é um equivocado. "Mal desembarcou no Brasil e já saiu correndo para emprestar seu prestígio a Lula".
A empolgação de Bono com o governo brasileiro e seus programas, com destaque para o Fome Zero (que, inclusive, vai receber a doação da guitarra do líder do U2), irritou o editor da Folha. "É um programa possível. Para ter um programa desses, é preciso organização, tem que ter estratégia. Também não pode ser visto como algo só da esquerda. Para acabar com a fome, todos os atores têm que participar", disse Bono à imprensa brasileira, que quase não repercutiu as declarações.
O problema é que esse monte de propaganda do governo brasileiro que o artista irlandês fez - inclusive no show que realizou na última >>segunda-feira, televisionado pela Rede Globo - coincidem com a divulgação das três últimas pesquisas de opinião consecutivas - Ibope, Datafolha e CNT/Sensus - que registram uma recuperação sólida da avaliação do governo Lula e de liderança inquestionável na disputa presidencial.
Do outro lado, a oposição tem que assistir às trapalhadas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e à intensa e crescente disputa interna entre os tucanos para definir quem disputará contra Lula, se o prefeito José Serra, que prometeu há dois anos que não faria isso, ou se o governador que está lá atrás nas intenções de voto.
"Bono faz parte daqueles formadores de opinião do Primeiro Mundo Maravilha que acreditam em duendes progressistas do Terceiro Mundo. Estão sempre achando que vai brotar algo novo por aqui", diz Gonçalves numa direta referência à nova conjuntura política na nossa América Latina, constituída por governos eleitos democraticamente, essencialmente anti-neoliberais e cujas propostas se fundamentam na construção de alternativas a este modelo. Aí estão inseridos Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia. E, neste ano marcado por eleições na região, podem ainda surgir novos atores.
O texto de Gonçalves também não é algo novo. É uma típica manifestação do desespero da oposição. Lamentável..."
Parada Gay de SP desiste de participar de desfile com enredo tucano
A Parada do Orgulho GLBT (Gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) de São Paulo decidiu não participar do desfile da escola de samba paulistana Leandro de Itaquera, no Anhembi, na madrugada de sábado para domingo. O samba enredo irá homenagear grandes festas e eventos da cidade, entre eles, a Parada que reuniu cerca de dois milhões de pessoas em sua última edição (junho de 2005).
Os membros da APOGLBT - associação que organiza a Parada em São Paulo - apontam como motivo, segundo nota divulgada pela assessoria (veja íntegra abaixo), é que o desfile da escola trará simbologia partidária.
Reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (23) denunciou que a escola de samba, que tem como presidente um tucano, vai exaltar os dois presidenciáveis do PSDB: o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra, que estarão representados por bonecos gigantes. A agremiação, como as demais, recebe dinheiro dos cofres públicos para montar sua apresentação.
Segundo a Folha, o próprio enredo, aliás, aborda uma das principais vitrines eleitorais de Alckmin - as obras de rebaixamento da calha do Tietê. O carnavalesco Anderson Paulino diz que a escolha foi um "pedido" de Alckmin. O presidente, Leandro Alves Martins, nega.
Filiado ao PSDB, Martins comanda a Leandro desde a sua fundação, em 1982. Em 2002, também ano de eleições, a escola homenageou Mário Covas, governador tucano morto em 2001.
Em 2004, "seu Leandro" foi candidato derrotado do partido a vereador. Mas não desanimou e levou a bateria da escola de samba para a festa da vitória de Serra.
Martins nega a conotação política do desfile. "É tudo dentro do enredo. É a história concreta, não é nada abstrato. O presidente é partidário, mas a escola é apartidária", diz ele, que afirma ter feito um boneco com Lula anos atrás.
O carnavalesco Paulino não respondeu de imediato ao ser questionado sobre por que a escola preparou um boneco de Serra -já que a obra no Tietê é do governo. Em seguida, citou que ele teve um "desempenho" no projeto e, sem saber dar detalhes, que a prefeitura prometeu um terreno para a Leandro. Assim como a gestão Serra, Martins nega.
Mas por que, então, um boneco do Serra? "São Paulo tem duas grandes festas populares: parada gay e Carnaval. Elas são de responsabilidade da prefeitura."
Central de Informações Mix Brasil
Os membros da APOGLBT - associação que organiza a Parada em São Paulo - apontam como motivo, segundo nota divulgada pela assessoria (veja íntegra abaixo), é que o desfile da escola trará simbologia partidária.
Reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (23) denunciou que a escola de samba, que tem como presidente um tucano, vai exaltar os dois presidenciáveis do PSDB: o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra, que estarão representados por bonecos gigantes. A agremiação, como as demais, recebe dinheiro dos cofres públicos para montar sua apresentação.
Segundo a Folha, o próprio enredo, aliás, aborda uma das principais vitrines eleitorais de Alckmin - as obras de rebaixamento da calha do Tietê. O carnavalesco Anderson Paulino diz que a escolha foi um "pedido" de Alckmin. O presidente, Leandro Alves Martins, nega.
Filiado ao PSDB, Martins comanda a Leandro desde a sua fundação, em 1982. Em 2002, também ano de eleições, a escola homenageou Mário Covas, governador tucano morto em 2001.
Em 2004, "seu Leandro" foi candidato derrotado do partido a vereador. Mas não desanimou e levou a bateria da escola de samba para a festa da vitória de Serra.
Martins nega a conotação política do desfile. "É tudo dentro do enredo. É a história concreta, não é nada abstrato. O presidente é partidário, mas a escola é apartidária", diz ele, que afirma ter feito um boneco com Lula anos atrás.
O carnavalesco Paulino não respondeu de imediato ao ser questionado sobre por que a escola preparou um boneco de Serra -já que a obra no Tietê é do governo. Em seguida, citou que ele teve um "desempenho" no projeto e, sem saber dar detalhes, que a prefeitura prometeu um terreno para a Leandro. Assim como a gestão Serra, Martins nega.
Mas por que, então, um boneco do Serra? "São Paulo tem duas grandes festas populares: parada gay e Carnaval. Elas são de responsabilidade da prefeitura."
Central de Informações Mix Brasil
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Folha de S. Paulo surfa na onda da extrema direita
Sérgio Mamberti critica “editorial de direita” na Folha de S. Paulo sobre Bono, do U2
O secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, criticou duramente na noite de terça-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, o artigo “Bono personifica a chatice da correção política”, publicado na capa da Folha do mesmo dia. Embora tenha sido escrito pelo editor da Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, Mamberti disse que a Folha o “bancou como editorial” ao levá-lo para a capa do jornal.
Segundo o secretário, Gonçalves incorporou uma tendência que a própria Folha retratou recentemente, no caderno Mais!, sobre a “nova direita” mundial, que ele classificou de “extrema direita”. Ele se disse “assustado” com o teor do artigo, segundo ele discriminatório. “Estou assustado porque a Folha é um jornal importante”, afirmou, antes de comentar que não teria se surpreendido se o artigo tivesse sido publicado na revista Veja.
Falando para um público formado majoritariamente por ciganos, na cerimônia de lançamento do GT Cultural Cigano, Mamberti disse: “Que todos os atingidos se dirijam à Folha, para protestar contra a posição do jornal”. Segundo o secretário, essas “contestações autoritárias” à cultura da diversidade são “ameaças” a conquistas não só do governo do qual participa, afirma, mas estabelecidas há anos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Mamberti ficou particularmente horrorizado com a utilização irônica de expressões entre aspas, como “afrodescendentes”, “opção sexual” e “humanas”. “São pensamentos de extrema-direita, esses que consideram essas manifestações todas (de diversidade, tolerância), como arcaicas, como diz o próprio editor da Folha”.
Confira o artigo original de Marcos Augusto Gonçalves:
“Bono parece ser um sujeito legal. Está sempre do lado -como diria Rita Lee- dos frascos e comprimidos. Bono é a encarnação roqueira do politicamente correto. É uma espécie de Sting, o que faz dele, ao menos em parte, um chato. E também um equivocado: mal desembarcou no Brasil e já saiu correndo para emprestar seu prestígio a Lula. Nenhum questionamento, tudo beleza: a corrupção do PT e o faz-de-conta do presidente devem ser uma invenção da direita que não compra discos do U2.
Bono faz parte daqueles formadores de opinião do Primeiro Mundo Maravilha que acreditam em duendes progressistas do Terceiro Mundo. Estão sempre achando que vai brotar algo novo por aqui.
O "núcleo duro" de sua legião de fãs é a geração posterior à minha, hoje na faixa dos 35/40 e poucos. Um dos traços característicos dessa moçada é a correção política, aquela compulsão de chamar negros de "afrodescendentes", falar em "opção sexual", viver em permanente estado de solidariedade às minorias étnicas, colocar a culpa do terrorismo islâmico no Ocidente e recomendar filmes feitos nos cafundós do mundo sobre situações arcaicas e "humanas".
Bem, não deixa de ser um alívio ouvir de um artista dessa geração (Nuno Ramos, em entrevista publicada no sábado) que há muita arte de "cabeça baixa", tratando de questões imediatas: "Vivemos numa época extremamente controladora, e o pior é que aquilo que nos controla tem ótimos valores". Realmente, assistimos a um "boom" do que chamo de "arte ongueira", aquela produção ligada a ONGs, que se refugia no bom-mocismo para fazer sucesso.
Claro que Bono é "do bem". Irlandeses são gente fina. A África é pobre. O futebol brasileiro é mágico. E já que Bono quer dar uma força para o Terceiro Mundo, pode fazer um show na França contra os subsídios agrícolas. Aí diríamos: ao U2, as batatas!"
(Repórter Social - Alceu Luís Castilho - 22/02/2006)
O secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, criticou duramente na noite de terça-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, o artigo “Bono personifica a chatice da correção política”, publicado na capa da Folha do mesmo dia. Embora tenha sido escrito pelo editor da Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, Mamberti disse que a Folha o “bancou como editorial” ao levá-lo para a capa do jornal.
Segundo o secretário, Gonçalves incorporou uma tendência que a própria Folha retratou recentemente, no caderno Mais!, sobre a “nova direita” mundial, que ele classificou de “extrema direita”. Ele se disse “assustado” com o teor do artigo, segundo ele discriminatório. “Estou assustado porque a Folha é um jornal importante”, afirmou, antes de comentar que não teria se surpreendido se o artigo tivesse sido publicado na revista Veja.
Falando para um público formado majoritariamente por ciganos, na cerimônia de lançamento do GT Cultural Cigano, Mamberti disse: “Que todos os atingidos se dirijam à Folha, para protestar contra a posição do jornal”. Segundo o secretário, essas “contestações autoritárias” à cultura da diversidade são “ameaças” a conquistas não só do governo do qual participa, afirma, mas estabelecidas há anos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Mamberti ficou particularmente horrorizado com a utilização irônica de expressões entre aspas, como “afrodescendentes”, “opção sexual” e “humanas”. “São pensamentos de extrema-direita, esses que consideram essas manifestações todas (de diversidade, tolerância), como arcaicas, como diz o próprio editor da Folha”.
Confira o artigo original de Marcos Augusto Gonçalves:
“Bono parece ser um sujeito legal. Está sempre do lado -como diria Rita Lee- dos frascos e comprimidos. Bono é a encarnação roqueira do politicamente correto. É uma espécie de Sting, o que faz dele, ao menos em parte, um chato. E também um equivocado: mal desembarcou no Brasil e já saiu correndo para emprestar seu prestígio a Lula. Nenhum questionamento, tudo beleza: a corrupção do PT e o faz-de-conta do presidente devem ser uma invenção da direita que não compra discos do U2.
Bono faz parte daqueles formadores de opinião do Primeiro Mundo Maravilha que acreditam em duendes progressistas do Terceiro Mundo. Estão sempre achando que vai brotar algo novo por aqui.
O "núcleo duro" de sua legião de fãs é a geração posterior à minha, hoje na faixa dos 35/40 e poucos. Um dos traços característicos dessa moçada é a correção política, aquela compulsão de chamar negros de "afrodescendentes", falar em "opção sexual", viver em permanente estado de solidariedade às minorias étnicas, colocar a culpa do terrorismo islâmico no Ocidente e recomendar filmes feitos nos cafundós do mundo sobre situações arcaicas e "humanas".
Bem, não deixa de ser um alívio ouvir de um artista dessa geração (Nuno Ramos, em entrevista publicada no sábado) que há muita arte de "cabeça baixa", tratando de questões imediatas: "Vivemos numa época extremamente controladora, e o pior é que aquilo que nos controla tem ótimos valores". Realmente, assistimos a um "boom" do que chamo de "arte ongueira", aquela produção ligada a ONGs, que se refugia no bom-mocismo para fazer sucesso.
Claro que Bono é "do bem". Irlandeses são gente fina. A África é pobre. O futebol brasileiro é mágico. E já que Bono quer dar uma força para o Terceiro Mundo, pode fazer um show na França contra os subsídios agrícolas. Aí diríamos: ao U2, as batatas!"
(Repórter Social - Alceu Luís Castilho - 22/02/2006)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
Mais TV Digital
Deputados e entidades debatem TV digital
As estratégias para ampliar a participação da sociedadel no debate sobre TV digital serão discutidas hoje (21) durante reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O encontro vai reunir parlamentares e representantes de entidades ligadas à área de comunicação.
"A gente quer discutir as potencialidades da TV digital e a quem ela vai servir", explica Jonas Valente, integrante do coletivo de comunicação Intervozes.
O governo deve definir em um mês o modelo de TV digital a ser adotado no Brasil. Por meio dele, a televisão poderá se tornar mais interativa. Mas a participação da sociedade no debate vem sendo cobrada por deputados e organização não-governamentais.
Em manifesto divulgado há duas semanas, integrantes da campanha "Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania", da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pediram mais transparência sobre o modelo de concessão de canais e a adoção de um código de ética da programação, além da criação de um conselho gestor, formado pela sociedade, governo e profissionais da área.
Entre as entidades que participam hoje do debate estão: Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, coletivo de comunicação Intervozes, Rede Cris Brasil e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Agência Brasil
As estratégias para ampliar a participação da sociedadel no debate sobre TV digital serão discutidas hoje (21) durante reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O encontro vai reunir parlamentares e representantes de entidades ligadas à área de comunicação.
"A gente quer discutir as potencialidades da TV digital e a quem ela vai servir", explica Jonas Valente, integrante do coletivo de comunicação Intervozes.
O governo deve definir em um mês o modelo de TV digital a ser adotado no Brasil. Por meio dele, a televisão poderá se tornar mais interativa. Mas a participação da sociedade no debate vem sendo cobrada por deputados e organização não-governamentais.
Em manifesto divulgado há duas semanas, integrantes da campanha "Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania", da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pediram mais transparência sobre o modelo de concessão de canais e a adoção de um código de ética da programação, além da criação de um conselho gestor, formado pela sociedade, governo e profissionais da área.
Entre as entidades que participam hoje do debate estão: Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, coletivo de comunicação Intervozes, Rede Cris Brasil e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Agência Brasil
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
TV Digital
Ministro da Cultura e presidente da Câmara discutem TV digital
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), discutiram hoje (14) a implantação da TV Digital no país. Gilberto Gil disse que interessam ao Ministério da Cultura as implicações da nova técnica na cultura brasileira, na questão da regionalização e de aspectos como as TVs públicas e comunitárias.
"Não acredito que o Ministério vá se posicionar sobre o modelo a ser escolhido. Qualquer um deles poderá atender as demandas brasileiras. Falta muito pouco para o governo ter elementos para decidir sobre o modelo", disse Gilberto Gil.
"É importante que o governo tenha elementos suficientes para tomar uma decisão madura", afirmou o ministro. Segundo ele, o Brasil está amadurecendo a discussão sobre o assunto e deve tomar uma decisão em breve, talvez em um mês. Gil disse que todas as questões relativas à implantação e escolha do sistema de TV digital estão sendo amplamente discutidas. "Estamos há dois ou três meses participando das discussões", afirmou.
O deputado Aldo Rebelo ressaltou que a preocupação da Câmara com as negociações e os aspectos industriais da incorporação do padrão digital ao país estão contempladas na discussão do Congresso Nacional. Ele disse que a Câmara não vai recomendar ao governo a adoção de um ou de outro padrão. "Não creio que esse seja um assunto substantivo da Câmara. A Casa está mais preocupada com os desdobramentos resultantes da adoção do padrão digital", observou.
Agência Brasil
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), discutiram hoje (14) a implantação da TV Digital no país. Gilberto Gil disse que interessam ao Ministério da Cultura as implicações da nova técnica na cultura brasileira, na questão da regionalização e de aspectos como as TVs públicas e comunitárias.
"Não acredito que o Ministério vá se posicionar sobre o modelo a ser escolhido. Qualquer um deles poderá atender as demandas brasileiras. Falta muito pouco para o governo ter elementos para decidir sobre o modelo", disse Gilberto Gil.
"É importante que o governo tenha elementos suficientes para tomar uma decisão madura", afirmou o ministro. Segundo ele, o Brasil está amadurecendo a discussão sobre o assunto e deve tomar uma decisão em breve, talvez em um mês. Gil disse que todas as questões relativas à implantação e escolha do sistema de TV digital estão sendo amplamente discutidas. "Estamos há dois ou três meses participando das discussões", afirmou.
O deputado Aldo Rebelo ressaltou que a preocupação da Câmara com as negociações e os aspectos industriais da incorporação do padrão digital ao país estão contempladas na discussão do Congresso Nacional. Ele disse que a Câmara não vai recomendar ao governo a adoção de um ou de outro padrão. "Não creio que esse seja um assunto substantivo da Câmara. A Casa está mais preocupada com os desdobramentos resultantes da adoção do padrão digital", observou.
Agência Brasil
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
A chantagem da oposição
Do blog do Noblat (http://noblat1.estadao.com.br):
"O que teme a oposição? Por que ameaça convocar o ministro Márcio Thomáz Bastos, da Justiça, para depor na CPI dos Bingos caso o lobista mineiro Nilton Monteiro seja logo ouvido na CPI dos Correios?
Foi Monteiro que entregou à Polícia Federal cópia da suposta "Lista de Furnas", o papelório com os nomes de 156 políticos que teriam recebido R$ 36,5 milhões de mais de uma dezena de empresas brasileiras e multinacionais a título de ajuda para as eleições municipais de 2002.
A CPI dos Correios quer ouvir Monteiro nesta ou na próxima semana. Nesse caso, a oposição forçará a barra para que a CPI dos Bingos ouça de imediato o ministro da Justiça.
Foi o senador Agripino Maia, líder do PFL, que disse:
— Se decidirem antecipar o depoimento de um pseudo-chantagista, a convocação do ministro da Justiça será inevitável. E podem estar certos de que vamos encaminhar o requerimento no foro onde tivermos maioria. Não vamos votar para perder.
A Polícia Federal investiga a autenticidade da cópia da "Lista de Furnas" e está atrás do original. Ainda não concluiu que tudo não passa de uma fraude, embora pareça, sim.
Monteiro se dispõe a depor na CPI dos Correios e a ser acareado com Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, a quem aponta como o autor da lista.
Por que Agripino Maia se apressa a tratar Monteiro como um "pseudo-chantagista"? E se o desqualifica desde já, por que sugere chamar Thomáz Bastos para depor sobre o que tenta provar um desqualificado?
Se convidado, o ministro irá à CPI. Mas nada dirá que possa por em risco a investigação da Polícia Federal.
Quer dizer: sua presença, ali, será inócua.
A de Monteiro, talvez não. Ele se diz disposto a contar tudo o que sabe. Talvez por isso a oposição não queira ouvi-lo."
"O que teme a oposição? Por que ameaça convocar o ministro Márcio Thomáz Bastos, da Justiça, para depor na CPI dos Bingos caso o lobista mineiro Nilton Monteiro seja logo ouvido na CPI dos Correios?
Foi Monteiro que entregou à Polícia Federal cópia da suposta "Lista de Furnas", o papelório com os nomes de 156 políticos que teriam recebido R$ 36,5 milhões de mais de uma dezena de empresas brasileiras e multinacionais a título de ajuda para as eleições municipais de 2002.
A CPI dos Correios quer ouvir Monteiro nesta ou na próxima semana. Nesse caso, a oposição forçará a barra para que a CPI dos Bingos ouça de imediato o ministro da Justiça.
Foi o senador Agripino Maia, líder do PFL, que disse:
— Se decidirem antecipar o depoimento de um pseudo-chantagista, a convocação do ministro da Justiça será inevitável. E podem estar certos de que vamos encaminhar o requerimento no foro onde tivermos maioria. Não vamos votar para perder.
A Polícia Federal investiga a autenticidade da cópia da "Lista de Furnas" e está atrás do original. Ainda não concluiu que tudo não passa de uma fraude, embora pareça, sim.
Monteiro se dispõe a depor na CPI dos Correios e a ser acareado com Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, a quem aponta como o autor da lista.
Por que Agripino Maia se apressa a tratar Monteiro como um "pseudo-chantagista"? E se o desqualifica desde já, por que sugere chamar Thomáz Bastos para depor sobre o que tenta provar um desqualificado?
Se convidado, o ministro irá à CPI. Mas nada dirá que possa por em risco a investigação da Polícia Federal.
Quer dizer: sua presença, ali, será inócua.
A de Monteiro, talvez não. Ele se diz disposto a contar tudo o que sabe. Talvez por isso a oposição não queira ouvi-lo."
Ibope, Datafolha e CNT/Sensus mostram recuperação de Lula, mas tucanos duvidam das pesquisas...
Lula sobe, tucanos reclamam...
A mais recente pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira indica que o presidente Lula seria reeleito, caso as eleições fossem hoje, com uma vantagem de 10 pontos contra seu adversário mais forte, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). No segundo turno, Lula teria 47,6% dos votos contra 37,6% de José Serra.
Os tucanos, claro, não gostaram nada da notícia. Várias vezes, durante a crise política que começou no ano passado, a turma de FHC declarou o fim precoce do governo Lula e sua derrota iminente em 2006. O senador Arthur 'Estressadinho' Virgílio, líder dos tucanos no senado, deixou claro que o pessoal das aves de bico grande não estão conformados com a recuperação de Lula nas pesquisas.
Virgílio disse que o PSDB iria pedir ao STE uma auditoria na pesquisa CNT/Sensus, porque, segundo ele, o instituto não merece confiança, além do que, objeta o representante do tucanato, o governo pode ter adulterado o resultado da pesquisa.
O curioso é que antes, quando o mesmo instituto realizou outras pesquisas onde Serra venceria Lula, nenhum tucano reclamou abriu o bico. Agora, evidentemente, uma pesquisa favorável ao presidente Lula tem que ser colocada em xeque.
A mais recente pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira indica que o presidente Lula seria reeleito, caso as eleições fossem hoje, com uma vantagem de 10 pontos contra seu adversário mais forte, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). No segundo turno, Lula teria 47,6% dos votos contra 37,6% de José Serra.
Os tucanos, claro, não gostaram nada da notícia. Várias vezes, durante a crise política que começou no ano passado, a turma de FHC declarou o fim precoce do governo Lula e sua derrota iminente em 2006. O senador Arthur 'Estressadinho' Virgílio, líder dos tucanos no senado, deixou claro que o pessoal das aves de bico grande não estão conformados com a recuperação de Lula nas pesquisas.
Virgílio disse que o PSDB iria pedir ao STE uma auditoria na pesquisa CNT/Sensus, porque, segundo ele, o instituto não merece confiança, além do que, objeta o representante do tucanato, o governo pode ter adulterado o resultado da pesquisa.
O curioso é que antes, quando o mesmo instituto realizou outras pesquisas onde Serra venceria Lula, nenhum tucano reclamou abriu o bico. Agora, evidentemente, uma pesquisa favorável ao presidente Lula tem que ser colocada em xeque.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
Entre a cruz e a espada
"A Escolha de Sofia" do PT
Do Blog do MELLO (http://blogdomello.blogspot.com):
"As últimas atitudes do presidente Lula puseram o PT na mesma situação da protagonista do filme A Escolha de Sofia. Nele, Sofia, uma imigrante polonesa vivida por Meryl Streep, é obrigada por um oficial nazista a escolher qual de seus dois filhos sobreviverá.
No caso do PT a situação é ainda mais dramática: o partido pode estar decidindo não o futuro dos filhos, mas o seu próprio.
O PT era a favor da verticalização e Lula não. O presidente jogou pesado e a verticalização caiu, contra o voto do PT.
Agora o presidente já mandou avisar que o PT tem que abrir mão de candidaturas próprias em alguns estados para que Lula possa ter palanques fortes, que favoreçam sua reeleição.
No Rio, por exemplo, Lula quer apoiar o (na verdade quer o apoio do) senador Marcelo Crivella (PRB), que é sobrinho do bispo ‘Templo é Dinheiro’ Macedo. E há mais no saco de alianças: Quércia para o senado em São Paulo, em detrimento da candidatura de Eduardo Suplicy. Sem contar o PMDB de Jader Barbalho no Pará....
Como fica o PT? Faz o jogo de Lula e topa tudo pela reeleição ou enquadra o presidente em busca das raízes petistas e arrisca-se a perder a presidência?
De todos os partidos atingidos pelo chamado “escândalo do mensalão” o PT foi o que sofreu o maior desgaste.
Nesta eleição ele tem a oportunidade histórica de reconstruir sua história ou de definitivamente colar seu destino ao do presidente Lula, deixando de ser o Partido dos Trabalhadores e passando a ser apenas o Partido do Lula."
Comentário:
Como é que passa pela cabeça de alguém no PT apoiar Quércia, no lugar de Suplicy? E Jader 'Perereca' Barbalho? Esse maldito pragmatismo pode até levar o PT a ganhar as eleições, mas joga o nome e a história do partido na lama. Ninguém agrada a dois senhores, mas o PT insiste em vender a alma ao diabo e, ainda assim, recitar o 'Pai Nosso' todo dia.
Do Blog do MELLO (http://blogdomello.blogspot.com):
"As últimas atitudes do presidente Lula puseram o PT na mesma situação da protagonista do filme A Escolha de Sofia. Nele, Sofia, uma imigrante polonesa vivida por Meryl Streep, é obrigada por um oficial nazista a escolher qual de seus dois filhos sobreviverá.
No caso do PT a situação é ainda mais dramática: o partido pode estar decidindo não o futuro dos filhos, mas o seu próprio.
O PT era a favor da verticalização e Lula não. O presidente jogou pesado e a verticalização caiu, contra o voto do PT.
Agora o presidente já mandou avisar que o PT tem que abrir mão de candidaturas próprias em alguns estados para que Lula possa ter palanques fortes, que favoreçam sua reeleição.
No Rio, por exemplo, Lula quer apoiar o (na verdade quer o apoio do) senador Marcelo Crivella (PRB), que é sobrinho do bispo ‘Templo é Dinheiro’ Macedo. E há mais no saco de alianças: Quércia para o senado em São Paulo, em detrimento da candidatura de Eduardo Suplicy. Sem contar o PMDB de Jader Barbalho no Pará....
Como fica o PT? Faz o jogo de Lula e topa tudo pela reeleição ou enquadra o presidente em busca das raízes petistas e arrisca-se a perder a presidência?
De todos os partidos atingidos pelo chamado “escândalo do mensalão” o PT foi o que sofreu o maior desgaste.
Nesta eleição ele tem a oportunidade histórica de reconstruir sua história ou de definitivamente colar seu destino ao do presidente Lula, deixando de ser o Partido dos Trabalhadores e passando a ser apenas o Partido do Lula."
Comentário:
Como é que passa pela cabeça de alguém no PT apoiar Quércia, no lugar de Suplicy? E Jader 'Perereca' Barbalho? Esse maldito pragmatismo pode até levar o PT a ganhar as eleições, mas joga o nome e a história do partido na lama. Ninguém agrada a dois senhores, mas o PT insiste em vender a alma ao diabo e, ainda assim, recitar o 'Pai Nosso' todo dia.
sábado, 11 de fevereiro de 2006
Direitos Humanos
Ambientalistas e comunidade de Anapu lembram morte de Dorothy Stang e pedem paz na região
Os ambientalistas da organização não-governamental Greenpeace e a comunidade de Anapu (PA) realizaram, neste sábado, ato público para pedir paz na região. O município de pouco mais de 8 mil habitantes, cravado na chamada "Terra do Meio", ficou conhecido em todo o país e no exterior em 12 de fevereiro de 2005, quando foi assassinada com seis tiros a missionária norte-americana Dorothy Stang.
O pistoleiro Rayfran das Neves, conhecido como "Fogoió", e seu comparsa Clodoaldo Batista foram julgados e condenados a 27 e 17 anos de prisão, respectivamente. Os fazendeiros acusados de ordenar e intermediar o crime ainda aguardam o julgamento da Justiça brasileira.
Naturalizada brasileira, a irmã Dorothy vivia há mais de 30 anos na região da Transamazônica. Quase metade de sua vida foi dedicada à defesa dos trabalhadores rurais. Desde 1972, a missionária trabalhava com as comunidades rurais de Anapu e sua luta era pelo direito à terra e a adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável que promovesse melhor qualidade de vida para a comunidade.
Amanhã (12), uma comitiva do governo federal estará em Anapu para participar de outras homenagens ao primeiro ano da morte da missionária. Integrarão a comitiva o secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi; o secretário executivo do Ministério da Justiça, Luís Paulo Teles Barreto; a coordenadora da Secretaria da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Muriel Saragoussi, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart.
Agência Brasil
Os ambientalistas da organização não-governamental Greenpeace e a comunidade de Anapu (PA) realizaram, neste sábado, ato público para pedir paz na região. O município de pouco mais de 8 mil habitantes, cravado na chamada "Terra do Meio", ficou conhecido em todo o país e no exterior em 12 de fevereiro de 2005, quando foi assassinada com seis tiros a missionária norte-americana Dorothy Stang.
O pistoleiro Rayfran das Neves, conhecido como "Fogoió", e seu comparsa Clodoaldo Batista foram julgados e condenados a 27 e 17 anos de prisão, respectivamente. Os fazendeiros acusados de ordenar e intermediar o crime ainda aguardam o julgamento da Justiça brasileira.
Naturalizada brasileira, a irmã Dorothy vivia há mais de 30 anos na região da Transamazônica. Quase metade de sua vida foi dedicada à defesa dos trabalhadores rurais. Desde 1972, a missionária trabalhava com as comunidades rurais de Anapu e sua luta era pelo direito à terra e a adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável que promovesse melhor qualidade de vida para a comunidade.
Amanhã (12), uma comitiva do governo federal estará em Anapu para participar de outras homenagens ao primeiro ano da morte da missionária. Integrarão a comitiva o secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi; o secretário executivo do Ministério da Justiça, Luís Paulo Teles Barreto; a coordenadora da Secretaria da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Muriel Saragoussi, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart.
Agência Brasil
Economia Solidária
Brasil já tem 15 mil Empreendimentos Econômicos Solidários
Levantamento feito pelo Ministério do Trabalho indica a existência de 15 mil empreendimentos que se enquadram num ramo relativamente novo no Brasil: a economia solidária. O número é resultado do mapeamento feito pela Secretaria de Economia Solidária do ministério, juntamente com o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, realizado em todo o país.
A pesquisa teve início em 2004 e envolveu mais de 230 entidades governamentais e não-governamentais que atuam com economia solidária. Segundo as informações coletadas, a economia solidária se consolidou no Brasil a partir de 1990, com 85% dos empreendimentos criados entre aquele ano e 2005. São cerca de 1,25 milhão de trabalhadores reunidos em cooperativas, associações e organizações não-governamentais, chamados Empreendimentos Econômicos Solidários (EES).
Segundo o mapeamento, a atividade econômica predominante é a agricultura e a pecuária, realizadas por 64% dos EES. As têxteis, de confecções, calçados e produção artesanal em geral, correspondem juntas a 21% dos empreendimentos, a prestação de serviços corresponde a 14% e a alimentação a 13%.
Cerca de 44% dos Empreendimentos Econômicos Solidários estão localizados nos nove estados da Região Nordeste. Em seguida, destaca-se a Região Sul, com cerca de 17%.
O levantamento servirá de base para a implantação do Sistema de Informações da Economia Solidária (SIES) , que ajudará na formulação de políticas públicas para o setor.
Agência Brasil
Levantamento feito pelo Ministério do Trabalho indica a existência de 15 mil empreendimentos que se enquadram num ramo relativamente novo no Brasil: a economia solidária. O número é resultado do mapeamento feito pela Secretaria de Economia Solidária do ministério, juntamente com o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, realizado em todo o país.
A pesquisa teve início em 2004 e envolveu mais de 230 entidades governamentais e não-governamentais que atuam com economia solidária. Segundo as informações coletadas, a economia solidária se consolidou no Brasil a partir de 1990, com 85% dos empreendimentos criados entre aquele ano e 2005. São cerca de 1,25 milhão de trabalhadores reunidos em cooperativas, associações e organizações não-governamentais, chamados Empreendimentos Econômicos Solidários (EES).
Segundo o mapeamento, a atividade econômica predominante é a agricultura e a pecuária, realizadas por 64% dos EES. As têxteis, de confecções, calçados e produção artesanal em geral, correspondem juntas a 21% dos empreendimentos, a prestação de serviços corresponde a 14% e a alimentação a 13%.
Cerca de 44% dos Empreendimentos Econômicos Solidários estão localizados nos nove estados da Região Nordeste. Em seguida, destaca-se a Região Sul, com cerca de 17%.
O levantamento servirá de base para a implantação do Sistema de Informações da Economia Solidária (SIES) , que ajudará na formulação de políticas públicas para o setor.
Agência Brasil
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Olho no Estadão
| Manchete curiosa a do Estadão desta sexta-feira 10, sobre a lista de Furnas: "Mensalão de Furnas iria para PTB, PT e tucanos diz Jefferson". Curiosamente, o jornal inverteu a ordem das coisas. Segundo Jefferson, o principal beneficiado pelo esquema do caixa dois de Furnas em 2002 foi o PSDB. José Dirceu, ainda de acordo com Jefferson, teria herdado o esquema tucano. Pois bem, na ordem do Estadão, vem primeiro o PTB, depois o PT e, só então, os tucanos. Aqui, mais uma curiosidade. O jornal nominou os dois primeiros partidos, mas não fez o mesmo com o PSDB. Preferiu usar tucanos. Nas entrelinhas, esconde-se a intenção de associar mais facilmente as siglas PT e PTB ao esquema de caixa dois, suavizando as coisas para o PSDB. Cadê a tal isenção jornalística? |
A controvérsia de Furnas
| A lista é falsa ou verdadeira? A lista de Furnas tem tirado o sossêgo de muita gente em Brasília. Tucanos estão de plumagem em pé. Para quem ainda não sabe, a lista de Furnas é um relatório de supostas doações políticas por meio de caixa dois para 156 políticos de 12 partidos (PDT, PFL, PL, PMDB, PP, PPS, Prona, PRTB, PSB, PSC, PSDB e PTB). As doações millionárias teriam sido efetuadas nas eleições de 2002. O autor da lista seria o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo. A lista foi repassada à Polícia Federal pelo lobista Nilton Monteiro, que afirma ter recebido por intermédio de Dimas. Dimas Nega a autoria da lista. Em depoimento à PF nesta sexta-feira 10, ele disse que a lista não é autêntica. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), saiu em defesa de Dimas e também afirmou que a lista é falsa. Enquanto isso, o ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema de caixa dois de Furnas em 2002, em entrevista à revista Carta Capital, disse que recebeu sim R$ 75 mil de Dimas, conforme consta na lista. Diz mais, que Dimas Toledo ofereceu uma mesada de R$ 1,5 milhão do caixa dois de Furnas ao PTB, partido que Jefferson presidia antes de ter o mandato cassado. Roberto Jefferson diz que a lista "tem total lógica política e se assemelha à verdade". Na entrevista, ele afirmou que Dimas Toledo era o homem do PSDB em Furnas. Jefferson também acusou o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu de ter herdado o esquema do PSDB em Furnas. No começo da crise política, tudo o que Roberto Jefferson dizia era imediatamente publicado como verdade. E agora José? Devemos acreditar nas denúncias do herói sem caráter ou será que elas só valem quando são contra o PT? |
terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
Por que FHC perdeu o equilíbrio
Gilberto Dimenstein (Folha Online/Pensata - 07/02/06)
Se não surgir nenhuma nova e bombástica denúncia de corrupção, a tendência de Lula é crescer ainda mais nas pesquisas de opinião pública. Isso apenas mostra que a cúpula do PSDB, até pouco tempo tão segura sobre suas chances eleitorais, errou feio ao imaginar que o PT estava no chão, quase sem chance de levantar. Isso deve explicar o tom grosseiro das últimas declarações de Fernando Henrique Cardoso, parecendo não um ex-presidente, mas um chefe de torcida de time de futebol.
As razões do crescimento de Lula são óbvias. O efeito do aumento do salário mínimo ainda não ocorreu. Será ampliado o número de beneficiados dos programas de renda mínima. Há indicações de que, em próximos estudos, se registrem a queda na percentagem de pobres no país e a redução da desigualdade social. Não se vê crise internacional no horizonte, o que significa garantia de algum crescimento e redução do nível de desemprego. Estão sendo planejadas medidas para classe média e de intervenção nas regiões metropolitanas.
Tudo isso, claro, vendido pela mídia, numa espécie de horário eleitoral gratuito, bancado, claro, pelo contribuinte. Lula não sai do palanque e todos sabem de seu poder de comunicação. Some-se a isso que o PSDB não consegue escapar dos respingos dos escândalos do caixa 2, ajudando à tese daqueles que, para se salvar, dizem que todos estão no mesmo barco. Alem disso, o partido, apesar das aparências, está metido numa rede de intrigas internas e não ofereceu um projeto de nação alternativo ao do PT.
Se Lula vai se reeleger é outra discussão, mas que ele tende a ser um candidato fortalecido pelos fatos e factóides, não há dúvida.
Se não surgir nenhuma nova e bombástica denúncia de corrupção, a tendência de Lula é crescer ainda mais nas pesquisas de opinião pública. Isso apenas mostra que a cúpula do PSDB, até pouco tempo tão segura sobre suas chances eleitorais, errou feio ao imaginar que o PT estava no chão, quase sem chance de levantar. Isso deve explicar o tom grosseiro das últimas declarações de Fernando Henrique Cardoso, parecendo não um ex-presidente, mas um chefe de torcida de time de futebol.
As razões do crescimento de Lula são óbvias. O efeito do aumento do salário mínimo ainda não ocorreu. Será ampliado o número de beneficiados dos programas de renda mínima. Há indicações de que, em próximos estudos, se registrem a queda na percentagem de pobres no país e a redução da desigualdade social. Não se vê crise internacional no horizonte, o que significa garantia de algum crescimento e redução do nível de desemprego. Estão sendo planejadas medidas para classe média e de intervenção nas regiões metropolitanas.
Tudo isso, claro, vendido pela mídia, numa espécie de horário eleitoral gratuito, bancado, claro, pelo contribuinte. Lula não sai do palanque e todos sabem de seu poder de comunicação. Some-se a isso que o PSDB não consegue escapar dos respingos dos escândalos do caixa 2, ajudando à tese daqueles que, para se salvar, dizem que todos estão no mesmo barco. Alem disso, o partido, apesar das aparências, está metido numa rede de intrigas internas e não ofereceu um projeto de nação alternativo ao do PT.
Se Lula vai se reeleger é outra discussão, mas que ele tende a ser um candidato fortalecido pelos fatos e factóides, não há dúvida.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006
Escândalos da Era FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) voltou a fazer pesadas declarações contra o PT e o governo Lula, afirnando que "o presidente é omisso com a corrupção" e que "a ética do PT é roubar".
Para refrescar a memória dos tucanos e dos nossos leitores, o Portal do PT republica um trecho de documento elaborado pela Liderança do PT na Câmara, em junho de 2005, que lista os principais escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso e desmente as afirmações do ex-presidente.
Confira:
O governo Fernando Henrique Cardoso, além de ter aberto as portas para a pilhagem nacional e internacional, colocando o Brasil praticamente na condição de colônia, foi pródigo em abafar a corrupção. A implementação de seu projeto neocolonial ocorreu paralelamente a uma sucessão de escândalos. Abaixo, uma pequena amostra das dezenas de escândalos que marcaram a era FHC. O trabalho refresca a memória e serve de contra-veneno à insidiosa campanha que a oposição move contra o governo Lula, usando um caso de corrupção para tentar manchar a imagem de um governo que é o oposto do anterior.
ABRINDO AS PORTAS PARA A CORRUPÇÃO: Foi em 19 de janeiro de 1995 que o governo do PSDB/PFL fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. FHC extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se notabilizou por abafar denúncias. A CGU, no governo Lula, passou a ocupar um papel central no combate à corrupção.
CONCORRÊNCIA DO SIVAM/SIPAM: O contrato para execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam) foi marcado por escândalos. Denúncias de tráfico de influência e de corrupção derrubaram o Brigadeiro Mauro Gandra, da Aeronáutica, e serviram para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Foi ser embaixador do Brasil junto à FAO, em Roma, um exílio dourado. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia de Raytheon, foi extinta, por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.
UMA PASTA ROSA MUITO SUSPEITA: Foi em fevereiro de 1996 que a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente o conjunto dos processos denominados escândalos da pasta rosa. Era uma alusão a uma pasta com documentos citando doações ilegais, em dinheiro, de banqueiros para campanhas políticas de políticos que eram da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o Procurador-Geral da República era Geraldo Brindeiro, conhecido pela alcunha de "engavetador-geral da República".
A COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC: A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denuncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário daCâmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o, impedido a constituição de uma CPI para investigar o caso.
A ESCANDALOSA DOAÇÃO DA COMPANHIA VALE DORIO DOCE: Apesar da mobilização da sociedade brasileira em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas do mercado estimavam seu preço em pelo menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses globais do Brasil. A empresa detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, como navios, portos, ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa eqüivale, nos últimos tempos, ao lucro trimestral da CVRD. Foi um dos negócios mais criminosos da era FHC.
O ESCÂNDALO DA TELEBRÁS: Foi uma verdadeira maracutaia a privatização do sistema de telecomunicações no Brasil. Uma verdadeira sucessão de denúncias e escândalos. Foi uma negociata num jogo de cartas marcadas, inclusive com o nome de FHC citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” a que a imprensa teve acesso comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades do governo tucano. As fitas mostravam que informações privilegiadas eram repassadas aos “queridinhos” de FHC.
O mais grave foi o preço que as empresas estrangeiras e nacionais pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos 2 anos e meio anteriores à “venda”, o governo tinha investido na infra-estrutura do setor de telecomunicações mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES, nas mãos do tucanato, ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Uma verdadeira rapinagem cometida contra o Brasil e que o governo tucano impediu que fosse investigada.
A privatização do sistema Telebrás – assim como da Vale do Rio Doce — foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.
Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.
Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle de estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.
DENGUE, O FRACASSO NA SAÚDE: A população brasileira sentiu na carne a omissão de FHC com a saúde. Em 1998, com uma política tecnocrática, o governo reduziu a zero os empréstimos da CEF às autarquias e estatais da área de saneamento básico. Isto resultou em condições ideais para a propagação da dengue e de outras doenças, já que a decisão decepou um instrumento essencial no combate às doenças e proteção à saúde. Além da dengue, a decisão provocou surtos de cólera, leishmaniose visceral, tifo e disenterias. São doenças resultantes da falta de saneamento. No caso da dengue, o Rio de Janeiro foi emblemático. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil matamosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o Estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte. É preciso muita competência para organizar uma epidemia daquelas proporções.
O NEBULOSO CASO DO JUIZ LALAU: Quem não se lembra da escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, que levou para o ralo R$ 169 milhões? O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só surgiram em 2000, com todos eles alegando inocência. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.
Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo tucano surgiram no emaranhado de denúncias. O pior é que Fernando Henrique, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”. Além de ter pedido para esquecerem o que havia escrito, o ex-presidente tucano aparentemente queria também que a população esquecesse o que assinava durante o seu fracassado governo.
A FARRA DO PROER: O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.
DESVALORIZAÇÃO DO REAL: A desvalorização do real também faz parte do repertório de escândalo da gestão tucana. FHC segurou de forma irresponsável a paridade entre o real e o dólar, para assegurar sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões e bilhões de dólares das reservas brasileiras. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.
Há indícios, publicados pela imprensa, de que havia um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à patota de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1 bilhão e 600 milhões de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia.
Apesar da liberação, em um só dia, dessa grana toda, os dois bancos acabaram quebrando. O povo brasileiro ficou com o prejuízo. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por pouco tempo. Cacciola vive tranqüilamente na Itália e Lopes foi recentemente condenado pela Justiça, em primeiro instância, a 10 anos de prisão.
SUDAM E SUDENE , POUCO ESCÂNDALO É BOBAGEM: De 1994 a 1999, houve uma verdadeira orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Em vez de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.
Na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios da ordem de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC resolveu extinguir a Sudene, em vez de pôr os culpados na cadeia. O PT igualmente questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.
APAGÃO, UM CASO DE INCOMPETÊNCIA GERENCIAL:A incompetência dos tucanos, associada à arrogância, por não terem ouvido as advertências de especialistas, levou ao apagão de 2001. O problema foi provocado também pela submissão do PSDB/PFL aos ditames do FMI, que suspendeu os investimentos na produção de energia no país. O fato é que o povo brasileiro, extremamente prejudicado pela crise energética, atendeu, patrioticamente, à campanha de economizar energia, mas foi “premiado” pelo governo FHC com o aumento das tarifaspara “compensar” as perdas de faturamento das multinacionais e seus aliados locais que compraram a preço de banana as distribuidoras de energia nos leilões entreguistas realizados pelo tucanato. Por causa disso, o povo brasileiro foi lesado em R$ 22,5 bilhões, montante transferido para as empresas da área.
Portal do PT
Para refrescar a memória dos tucanos e dos nossos leitores, o Portal do PT republica um trecho de documento elaborado pela Liderança do PT na Câmara, em junho de 2005, que lista os principais escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso e desmente as afirmações do ex-presidente.
Confira:
O governo Fernando Henrique Cardoso, além de ter aberto as portas para a pilhagem nacional e internacional, colocando o Brasil praticamente na condição de colônia, foi pródigo em abafar a corrupção. A implementação de seu projeto neocolonial ocorreu paralelamente a uma sucessão de escândalos. Abaixo, uma pequena amostra das dezenas de escândalos que marcaram a era FHC. O trabalho refresca a memória e serve de contra-veneno à insidiosa campanha que a oposição move contra o governo Lula, usando um caso de corrupção para tentar manchar a imagem de um governo que é o oposto do anterior.
ABRINDO AS PORTAS PARA A CORRUPÇÃO: Foi em 19 de janeiro de 1995 que o governo do PSDB/PFL fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. FHC extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se notabilizou por abafar denúncias. A CGU, no governo Lula, passou a ocupar um papel central no combate à corrupção.
CONCORRÊNCIA DO SIVAM/SIPAM: O contrato para execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam) foi marcado por escândalos. Denúncias de tráfico de influência e de corrupção derrubaram o Brigadeiro Mauro Gandra, da Aeronáutica, e serviram para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Foi ser embaixador do Brasil junto à FAO, em Roma, um exílio dourado. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia de Raytheon, foi extinta, por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.
UMA PASTA ROSA MUITO SUSPEITA: Foi em fevereiro de 1996 que a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente o conjunto dos processos denominados escândalos da pasta rosa. Era uma alusão a uma pasta com documentos citando doações ilegais, em dinheiro, de banqueiros para campanhas políticas de políticos que eram da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o Procurador-Geral da República era Geraldo Brindeiro, conhecido pela alcunha de "engavetador-geral da República".
A COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC: A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denuncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário daCâmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o, impedido a constituição de uma CPI para investigar o caso.
A ESCANDALOSA DOAÇÃO DA COMPANHIA VALE DORIO DOCE: Apesar da mobilização da sociedade brasileira em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas do mercado estimavam seu preço em pelo menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses globais do Brasil. A empresa detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, como navios, portos, ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa eqüivale, nos últimos tempos, ao lucro trimestral da CVRD. Foi um dos negócios mais criminosos da era FHC.
O ESCÂNDALO DA TELEBRÁS: Foi uma verdadeira maracutaia a privatização do sistema de telecomunicações no Brasil. Uma verdadeira sucessão de denúncias e escândalos. Foi uma negociata num jogo de cartas marcadas, inclusive com o nome de FHC citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” a que a imprensa teve acesso comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades do governo tucano. As fitas mostravam que informações privilegiadas eram repassadas aos “queridinhos” de FHC.
O mais grave foi o preço que as empresas estrangeiras e nacionais pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos 2 anos e meio anteriores à “venda”, o governo tinha investido na infra-estrutura do setor de telecomunicações mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES, nas mãos do tucanato, ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Uma verdadeira rapinagem cometida contra o Brasil e que o governo tucano impediu que fosse investigada.
A privatização do sistema Telebrás – assim como da Vale do Rio Doce — foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.
Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.
Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle de estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.
DENGUE, O FRACASSO NA SAÚDE: A população brasileira sentiu na carne a omissão de FHC com a saúde. Em 1998, com uma política tecnocrática, o governo reduziu a zero os empréstimos da CEF às autarquias e estatais da área de saneamento básico. Isto resultou em condições ideais para a propagação da dengue e de outras doenças, já que a decisão decepou um instrumento essencial no combate às doenças e proteção à saúde. Além da dengue, a decisão provocou surtos de cólera, leishmaniose visceral, tifo e disenterias. São doenças resultantes da falta de saneamento. No caso da dengue, o Rio de Janeiro foi emblemático. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil matamosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o Estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte. É preciso muita competência para organizar uma epidemia daquelas proporções.
O NEBULOSO CASO DO JUIZ LALAU: Quem não se lembra da escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, que levou para o ralo R$ 169 milhões? O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só surgiram em 2000, com todos eles alegando inocência. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.
Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo tucano surgiram no emaranhado de denúncias. O pior é que Fernando Henrique, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”. Além de ter pedido para esquecerem o que havia escrito, o ex-presidente tucano aparentemente queria também que a população esquecesse o que assinava durante o seu fracassado governo.
A FARRA DO PROER: O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.
DESVALORIZAÇÃO DO REAL: A desvalorização do real também faz parte do repertório de escândalo da gestão tucana. FHC segurou de forma irresponsável a paridade entre o real e o dólar, para assegurar sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões e bilhões de dólares das reservas brasileiras. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.
Há indícios, publicados pela imprensa, de que havia um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à patota de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1 bilhão e 600 milhões de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia.
Apesar da liberação, em um só dia, dessa grana toda, os dois bancos acabaram quebrando. O povo brasileiro ficou com o prejuízo. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por pouco tempo. Cacciola vive tranqüilamente na Itália e Lopes foi recentemente condenado pela Justiça, em primeiro instância, a 10 anos de prisão.
SUDAM E SUDENE , POUCO ESCÂNDALO É BOBAGEM: De 1994 a 1999, houve uma verdadeira orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Em vez de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.
Na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios da ordem de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC resolveu extinguir a Sudene, em vez de pôr os culpados na cadeia. O PT igualmente questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.
APAGÃO, UM CASO DE INCOMPETÊNCIA GERENCIAL:A incompetência dos tucanos, associada à arrogância, por não terem ouvido as advertências de especialistas, levou ao apagão de 2001. O problema foi provocado também pela submissão do PSDB/PFL aos ditames do FMI, que suspendeu os investimentos na produção de energia no país. O fato é que o povo brasileiro, extremamente prejudicado pela crise energética, atendeu, patrioticamente, à campanha de economizar energia, mas foi “premiado” pelo governo FHC com o aumento das tarifaspara “compensar” as perdas de faturamento das multinacionais e seus aliados locais que compraram a preço de banana as distribuidoras de energia nos leilões entreguistas realizados pelo tucanato. Por causa disso, o povo brasileiro foi lesado em R$ 22,5 bilhões, montante transferido para as empresas da área.
Portal do PT
O CAIXA 2 DE FURNAS
TUCANOS NA LINHA DE TIRO
Confissão de Jefferson põe a lista em poder da PF na pauta da CPI
O ex-deputado Roberto Jefferson ofereceu, há noves meses, as pedras lançadas sobre o telhado do governo e do PT. Agora, talvez forneça a lápide que cobrirá a cova rasa da CPI dos Correios. Ao confirmar ter recebido R$ 75 mil “por fora” de Furnas, Jefferson obrigou os parlamentares a investigar a lista do suposto caixa 2 operado por Dimas Toledo, ex-diretor da estatal. O ânimo dos congressistas, principalmente os da oposição, em estender as apurações arrefeceu diante da publicidade dada ao documento que relata doações ilegais de R$ 40 milhões a mais de 150 políticos da antiga base aliada do governo Fernando Henrique Cardoso.
O episódio levou tucanos e pefelistas a acusar o golpe. Em mais um arroubo típico, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, deixou bem claro o jogo que move a oposição. “Duvido da autenticidade da lista e duvido de qualquer esquema de caixa 2 que não inclua políticos do PT”, disparou Virgílio.
Pelas regras virgilianas, se as acusações não servem para fustigar o governo e o PT, elas não têm validade. A bem do País, tucanos e pefelistas deveriam explicar didaticamente por que os brasileiros têm de acreditar que Fidel Castro fez doações clandestinas à campanha de Lula e repudiar tanto a lista de Furnas quanto o documento que detalha um caixa 2 de mais de R$ 90 milhões na campanha do hoje senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998. Ou por que devemos dar mais crédito às denúncias do doleiro Toninho da Barcelona, condenado por diversos crimes, que às de Nilton Monteiro, sujeito controvertido, mas cujas acusações até agora não foram desmentidas pelos fatos.
Carta Capital
Confissão de Jefferson põe a lista em poder da PF na pauta da CPI
O ex-deputado Roberto Jefferson ofereceu, há noves meses, as pedras lançadas sobre o telhado do governo e do PT. Agora, talvez forneça a lápide que cobrirá a cova rasa da CPI dos Correios. Ao confirmar ter recebido R$ 75 mil “por fora” de Furnas, Jefferson obrigou os parlamentares a investigar a lista do suposto caixa 2 operado por Dimas Toledo, ex-diretor da estatal. O ânimo dos congressistas, principalmente os da oposição, em estender as apurações arrefeceu diante da publicidade dada ao documento que relata doações ilegais de R$ 40 milhões a mais de 150 políticos da antiga base aliada do governo Fernando Henrique Cardoso.
O episódio levou tucanos e pefelistas a acusar o golpe. Em mais um arroubo típico, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, deixou bem claro o jogo que move a oposição. “Duvido da autenticidade da lista e duvido de qualquer esquema de caixa 2 que não inclua políticos do PT”, disparou Virgílio.
Pelas regras virgilianas, se as acusações não servem para fustigar o governo e o PT, elas não têm validade. A bem do País, tucanos e pefelistas deveriam explicar didaticamente por que os brasileiros têm de acreditar que Fidel Castro fez doações clandestinas à campanha de Lula e repudiar tanto a lista de Furnas quanto o documento que detalha um caixa 2 de mais de R$ 90 milhões na campanha do hoje senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998. Ou por que devemos dar mais crédito às denúncias do doleiro Toninho da Barcelona, condenado por diversos crimes, que às de Nilton Monteiro, sujeito controvertido, mas cujas acusações até agora não foram desmentidas pelos fatos.
Carta Capital
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