quarta-feira, 8 de março de 2006

Direitos Humanos

Saiu o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre grupos de extermínios no Nordeste do Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a ação criminosa das milícias privadas e dos grupos de extermínio em toda a Região Nordeste do Brasil, presidida pelo deputado João Bosco da Costa (Partido da Social Democracia Brasileira/Sergipe) e cujo relator foi o deputado Luiz Couto (Partido dos Trabalhadores/Paraíba), finalizou sua investigação e divulgou o relatório final.

Entre a documentação alegada, o relatório reproduz na íntegra o depoimento na CPI do histórico militante dos Direitos Humanos do Rio Grande do Norte, Roberto de Oliveira Monte, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP) de Natal e da Rede Estadual de Direitos Humanos - RN. Seu depoimento, dado em dezembro de 2004, desvenda a complexa trama de cumplicidades que ligam os membros do maior e mais poderoso grupo de extermínio que agiu em terras norte-riograndenses, autor de diversos homicídios e chacinas na Região Metropolitana de Natal na década dos Noventa, e altos representantes do Poder Executivo, do Poder Judiciário e das grandes oligarquias do Estado.

Os resultados do relatório da CPI dos grupos de extermínio no Nordeste estão destinados, com toda certeza, a ter repercussão no desfecho do julgamento contra o Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em São José da Costa Rica, para o caso do assassinato do advogado Gílson Nogueira de Carvalho, ocorrido em Macaíba (Rio Grande do Norte) em 20 de outubro de 1996 por mão de membros do grupo de extermínio auto-denominado Meninos de Ouro.

A primeira audiência do caso (que foi coberta ao vivo, através de um mutirão digital internacional, pelo portal DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura e Tecido Social) teve lugar no passado 8 de fevereiro, onde a Corte ouviu as testemunhas da acusação e da defesa. A entrega das alegações finais está prevista para final de março e a sentença para junho. A expectativa de todo o movimento brasileiro de defesa e promoção dos Direitos Humanos, assim como da ampla rede internacional de apoio e solidariedade que surgiu ao redor do caso, é de que a Corte reconheça a responsabilidade do Estado brasileiro, na atitude da sua unidade federal do Rio Grande do Norte, na impunidade dos responsáveis do assassinato de Gílson Nogueira e determine, entre outras medidas, a reabertura do processo em condições de imparcialidade e a indenização da família da vítima.

Redação de Tecido Social (Boletim eletrônico Nº 179 - 06/03/2006)

segunda-feira, 6 de março de 2006

Imprensa britânica chama Lula de "vigoroso presidente de esquerda"

Visita de Lula é destaque nos jornais britânicos

A visita do presidente do Luiz Inácio Lula da Silva ao Reino Unido, que se inicia hoje a noite e se estenderá até a próxima quinta-feira, é destaque nos jornais britânicos. Eles ressaltam que a Europa precisa prestar mais atenção no Brasil, que é uma das potências emergentes que vão dominar a economia mundial nas próximas décadas. Além disso, ressaltam que Lula soube contornar o escândalo de corrupção que se abateu sobre seu governo no ano passado. Elogiam também, de forma geral, o gerenciamento da economia brasileira.

Num editorial intitulado Gigante Emergente, o jornal The Times afirma que a Grã-Bretanha deveria estar mais interessada no Brasil não apenas quando um presidente sul-americano faz uma visita de chefe de Estado. "Ao longo dos próximos 25 anos, o Brasil, como outros, incluindo a Indonésia e o México, vão se tornar mais do que um poder emergente", afirmam. "Isso já está claro pelo papel crucial que o senhor da Silva vai ter nas negociações mundiais do comércio. Essa é uma nação que, se explorar seus ativos substanciais com inteligência, será muito mais do que uma superpotência do futebol."

Democracias

O tradicional diário britânico acrescenta que o Brasil tem uma das economias emergentes mais importantes do mundo. "A visita presidencial nesta semana do presidente Lula oferece uma exposição bem-vinda a uma localidade que vem sendo muito relegada a um segundo plano."
O jornal observa que a América Latina vem adotando regimes democráticos há anos, mas que o presidente venezuelano Hugo Chávez adotou uma linha populista. "É para o crédito do senhor Silva que ele tenha evitado a rota preguiçosa do populismo em favor do gerenciamento sólido da economia e da moderação política." O Times elogia a condução da economia brasileira. "Metas fiscais apertadas foram cumpridas, o país tem um superávit comercial saudável e a inflação foi domada", disse. "Pela primeira vez na história, a economia não será um tema em brasas neste ano eleitoral."

O diário observa que a média de crescimento do PIB nos últimos três anos, 2,6%, se comprada a outros emergentes, é decepcionante. "Mas, para seu crédito, o presidente tem insistido em que um crescimento constante e sustentável, baseado no investimento, prudência fiscal e maior igualdade social, oferece perspectiva muito melhor de longo prazo para retirar milhões de pessoas da pobreza do que as bolhas frágeis de expansão econômica do passado."

"Impacto"

O jornal The Independent, também em editorial, intitulado A Terceira Via de Lula, observa que a América Latina raramente é mencionada nos debates sobre quem vai dominar a economia mundial no futuro, Índia ou China. "Um erro nosso, porque alguns países naquele continente negligenciado estão avançando mais rapidamente do que nós na Europa percebemos, e estão destinados a ter um impacto também no nosso destino", disse o jornal. "Isso se aplica principalmente para o Brasil cujo vigoroso presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, inicia uma visita a Grã-Bretanha hoje." O Independent observa que "é um erro subestimar o potencial do Brasil". Numa reportagem, o jornal acrescenta que Lula "sobreviveu a um escândalo político e a circunstâncias econômicas austeras para ficar bem posicionado nas pesquisas de opinião".

O Financial Times, por sua vez, ressalta que Lula "está vivendo uma reviravolta em sua sorte" que sugere uma intervenção divina. "Tão recentemente como dezembro, ele parecia estar acabado" pelo escândalo de corrupção, diz o jornal. "Desde o ano novo, isso tudo mudou, O presidente minimizou o escândalo e o superou. Seus opositores políticos têm olhado desarmados os eleitores se concentrarem, em vez disso, na estabilidade econômica."

Trajetória

O FT faz um relato da trajetória da vida de Lula e afirma que ainda não está claro se o presidente sabe quais são os passos para que o Brasil alcance crescimento econômico mais acelerado. "Política monetária apertada não é suficiente", diz o jornal. "Apesar de todas as melhoras ao longo da última década nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, o crescimento anual em média foi pouco superior a 2%."

O FT afirma que Lula será recebido calorosamente em Londres. "A liderança brasileira no G-20 fortaleceu sua imagem com um defensor dos pobres no Brasil e ao redor do mundo", disse. Para isso, ele pode agradecer a sua inquestionável energia, gentileza e carisma e, claro, a Deus."

Agência Estado

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Mais de Bono

Reproduzo aqui texto enviado por Daniel Valença, coordenador da Ong Nova Mente, escrito por Mônica Simoni:

"Apoio de Bono à Lula irrita imprensa opositora

Quem leu a edição do jornal Folha de São Paulo de ontem (21) certamente se assustou com o tom de uma das principais chamadas da capa do jornal: "Bono acredita em duendes progressistas do 3º Mundo". A matéria, assinada pelo editor do caderno Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, ridiculariza desrespeitosamente as ações do líder do grupo U2, que é um reconhecido militante internacional na luta pela defesa dos direitos humanos.

Mas para Gonçalves, o problema é que Bono é um irritante líder "politicamente correto", que ele mesmo define da seguinte forma: "compulsão de chamar negros de 'afrodescendentes', falar em 'opção sexual', viver em permanente estado de solidariedade às minorias étnicas, colocar a culpa do terrorismo islâmico no Ocidente e recomendar filmes feitos nos cafundós do mundo sobre situações arcaicas e 'humanas'.

Com feroz indiferença e carregado de preconceito de classe, Gonçalves tenta convencer o leitor de tudo isso é falácia. E que, além disso, Bono é um equivocado. "Mal desembarcou no Brasil e já saiu correndo para emprestar seu prestígio a Lula".

A empolgação de Bono com o governo brasileiro e seus programas, com destaque para o Fome Zero (que, inclusive, vai receber a doação da guitarra do líder do U2), irritou o editor da Folha. "É um programa possível. Para ter um programa desses, é preciso organização, tem que ter estratégia. Também não pode ser visto como algo só da esquerda. Para acabar com a fome, todos os atores têm que participar", disse Bono à imprensa brasileira, que quase não repercutiu as declarações.

O problema é que esse monte de propaganda do governo brasileiro que o artista irlandês fez - inclusive no show que realizou na última >>segunda-feira, televisionado pela Rede Globo - coincidem com a divulgação das três últimas pesquisas de opinião consecutivas - Ibope, Datafolha e CNT/Sensus - que registram uma recuperação sólida da avaliação do governo Lula e de liderança inquestionável na disputa presidencial.

Do outro lado, a oposição tem que assistir às trapalhadas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e à intensa e crescente disputa interna entre os tucanos para definir quem disputará contra Lula, se o prefeito José Serra, que prometeu há dois anos que não faria isso, ou se o governador que está lá atrás nas intenções de voto.

"Bono faz parte daqueles formadores de opinião do Primeiro Mundo Maravilha que acreditam em duendes progressistas do Terceiro Mundo. Estão sempre achando que vai brotar algo novo por aqui", diz Gonçalves numa direta referência à nova conjuntura política na nossa América Latina, constituída por governos eleitos democraticamente, essencialmente anti-neoliberais e cujas propostas se fundamentam na construção de alternativas a este modelo. Aí estão inseridos Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia. E, neste ano marcado por eleições na região, podem ainda surgir novos atores.

O texto de Gonçalves também não é algo novo. É uma típica manifestação do desespero da oposição. Lamentável..."

Parada Gay de SP desiste de participar de desfile com enredo tucano

A Parada do Orgulho GLBT (Gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) de São Paulo decidiu não participar do desfile da escola de samba paulistana Leandro de Itaquera, no Anhembi, na madrugada de sábado para domingo. O samba enredo irá homenagear grandes festas e eventos da cidade, entre eles, a Parada que reuniu cerca de dois milhões de pessoas em sua última edição (junho de 2005).

Os membros da APOGLBT - associação que organiza a Parada em São Paulo - apontam como motivo, segundo nota divulgada pela assessoria (veja íntegra abaixo), é que o desfile da escola trará simbologia partidária.

Reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (23) denunciou que a escola de samba, que tem como presidente um tucano, vai exaltar os dois presidenciáveis do PSDB: o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra, que estarão representados por bonecos gigantes. A agremiação, como as demais, recebe dinheiro dos cofres públicos para montar sua apresentação.
Segundo a Folha, o próprio enredo, aliás, aborda uma das principais vitrines eleitorais de Alckmin - as obras de rebaixamento da calha do Tietê. O carnavalesco Anderson Paulino diz que a escolha foi um "pedido" de Alckmin. O presidente, Leandro Alves Martins, nega.

Filiado ao PSDB, Martins comanda a Leandro desde a sua fundação, em 1982. Em 2002, também ano de eleições, a escola homenageou Mário Covas, governador tucano morto em 2001.
Em 2004, "seu Leandro" foi candidato derrotado do partido a vereador. Mas não desanimou e levou a bateria da escola de samba para a festa da vitória de Serra.

Martins nega a conotação política do desfile. "É tudo dentro do enredo. É a história concreta, não é nada abstrato. O presidente é partidário, mas a escola é apartidária", diz ele, que afirma ter feito um boneco com Lula anos atrás.

O carnavalesco Paulino não respondeu de imediato ao ser questionado sobre por que a escola preparou um boneco de Serra -já que a obra no Tietê é do governo. Em seguida, citou que ele teve um "desempenho" no projeto e, sem saber dar detalhes, que a prefeitura prometeu um terreno para a Leandro. Assim como a gestão Serra, Martins nega.

Mas por que, então, um boneco do Serra? "São Paulo tem duas grandes festas populares: parada gay e Carnaval. Elas são de responsabilidade da prefeitura."

Central de Informações Mix Brasil

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Folha de S. Paulo surfa na onda da extrema direita

Sérgio Mamberti critica “editorial de direita” na Folha de S. Paulo sobre Bono, do U2

O secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, criticou duramente na noite de terça-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, o artigo “Bono personifica a chatice da correção política”, publicado na capa da Folha do mesmo dia. Embora tenha sido escrito pelo editor da Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, Mamberti disse que a Folha o “bancou como editorial” ao levá-lo para a capa do jornal.

Segundo o secretário, Gonçalves incorporou uma tendência que a própria Folha retratou recentemente, no caderno Mais!, sobre a “nova direita” mundial, que ele classificou de “extrema direita”. Ele se disse “assustado” com o teor do artigo, segundo ele discriminatório. “Estou assustado porque a Folha é um jornal importante”, afirmou, antes de comentar que não teria se surpreendido se o artigo tivesse sido publicado na revista Veja.

Falando para um público formado majoritariamente por ciganos, na cerimônia de lançamento do GT Cultural Cigano, Mamberti disse: “Que todos os atingidos se dirijam à Folha, para protestar contra a posição do jornal”. Segundo o secretário, essas “contestações autoritárias” à cultura da diversidade são “ameaças” a conquistas não só do governo do qual participa, afirma, mas estabelecidas há anos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Mamberti ficou particularmente horrorizado com a utilização irônica de expressões entre aspas, como “afrodescendentes”, “opção sexual” e “humanas”. “São pensamentos de extrema-direita, esses que consideram essas manifestações todas (de diversidade, tolerância), como arcaicas, como diz o próprio editor da Folha”.

Confira o artigo original de Marcos Augusto Gonçalves:

“Bono parece ser um sujeito legal. Está sempre do lado -como diria Rita Lee- dos frascos e comprimidos. Bono é a encarnação roqueira do politicamente correto. É uma espécie de Sting, o que faz dele, ao menos em parte, um chato. E também um equivocado: mal desembarcou no Brasil e já saiu correndo para emprestar seu prestígio a Lula. Nenhum questionamento, tudo beleza: a corrupção do PT e o faz-de-conta do presidente devem ser uma invenção da direita que não compra discos do U2.

Bono faz parte daqueles formadores de opinião do Primeiro Mundo Maravilha que acreditam em duendes progressistas do Terceiro Mundo. Estão sempre achando que vai brotar algo novo por aqui.

O "núcleo duro" de sua legião de fãs é a geração posterior à minha, hoje na faixa dos 35/40 e poucos. Um dos traços característicos dessa moçada é a correção política, aquela compulsão de chamar negros de "afrodescendentes", falar em "opção sexual", viver em permanente estado de solidariedade às minorias étnicas, colocar a culpa do terrorismo islâmico no Ocidente e recomendar filmes feitos nos cafundós do mundo sobre situações arcaicas e "humanas".

Bem, não deixa de ser um alívio ouvir de um artista dessa geração (Nuno Ramos, em entrevista publicada no sábado) que há muita arte de "cabeça baixa", tratando de questões imediatas: "Vivemos numa época extremamente controladora, e o pior é que aquilo que nos controla tem ótimos valores". Realmente, assistimos a um "boom" do que chamo de "arte ongueira", aquela produção ligada a ONGs, que se refugia no bom-mocismo para fazer sucesso.

Claro que Bono é "do bem". Irlandeses são gente fina. A África é pobre. O futebol brasileiro é mágico. E já que Bono quer dar uma força para o Terceiro Mundo, pode fazer um show na França contra os subsídios agrícolas. Aí diríamos: ao U2, as batatas!"

(Repórter Social - Alceu Luís Castilho - 22/02/2006)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Mais TV Digital

Deputados e entidades debatem TV digital

As estratégias para ampliar a participação da sociedadel no debate sobre TV digital serão discutidas hoje (21) durante reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O encontro vai reunir parlamentares e representantes de entidades ligadas à área de comunicação.

"A gente quer discutir as potencialidades da TV digital e a quem ela vai servir", explica Jonas Valente, integrante do coletivo de comunicação Intervozes.

O governo deve definir em um mês o modelo de TV digital a ser adotado no Brasil. Por meio dele, a televisão poderá se tornar mais interativa. Mas a participação da sociedade no debate vem sendo cobrada por deputados e organização não-governamentais.

Em manifesto divulgado há duas semanas, integrantes da campanha "Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania", da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pediram mais transparência sobre o modelo de concessão de canais e a adoção de um código de ética da programação, além da criação de um conselho gestor, formado pela sociedade, governo e profissionais da área.

Entre as entidades que participam hoje do debate estão: Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, coletivo de comunicação Intervozes, Rede Cris Brasil e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Agência Brasil

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

TV Digital

Ministro da Cultura e presidente da Câmara discutem TV digital

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), discutiram hoje (14) a implantação da TV Digital no país. Gilberto Gil disse que interessam ao Ministério da Cultura as implicações da nova técnica na cultura brasileira, na questão da regionalização e de aspectos como as TVs públicas e comunitárias.

"Não acredito que o Ministério vá se posicionar sobre o modelo a ser escolhido. Qualquer um deles poderá atender as demandas brasileiras. Falta muito pouco para o governo ter elementos para decidir sobre o modelo", disse Gilberto Gil.

"É importante que o governo tenha elementos suficientes para tomar uma decisão madura", afirmou o ministro. Segundo ele, o Brasil está amadurecendo a discussão sobre o assunto e deve tomar uma decisão em breve, talvez em um mês. Gil disse que todas as questões relativas à implantação e escolha do sistema de TV digital estão sendo amplamente discutidas. "Estamos há dois ou três meses participando das discussões", afirmou.

O deputado Aldo Rebelo ressaltou que a preocupação da Câmara com as negociações e os aspectos industriais da incorporação do padrão digital ao país estão contempladas na discussão do Congresso Nacional. Ele disse que a Câmara não vai recomendar ao governo a adoção de um ou de outro padrão. "Não creio que esse seja um assunto substantivo da Câmara. A Casa está mais preocupada com os desdobramentos resultantes da adoção do padrão digital", observou.

Agência Brasil

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

A chantagem da oposição

Do blog do Noblat (http://noblat1.estadao.com.br):

"O que teme a oposição? Por que ameaça convocar o ministro Márcio Thomáz Bastos, da Justiça, para depor na CPI dos Bingos caso o lobista mineiro Nilton Monteiro seja logo ouvido na CPI dos Correios?

Foi Monteiro que entregou à Polícia Federal cópia da suposta "Lista de Furnas", o papelório com os nomes de 156 políticos que teriam recebido R$ 36,5 milhões de mais de uma dezena de empresas brasileiras e multinacionais a título de ajuda para as eleições municipais de 2002.

A CPI dos Correios quer ouvir Monteiro nesta ou na próxima semana. Nesse caso, a oposição forçará a barra para que a CPI dos Bingos ouça de imediato o ministro da Justiça.

Foi o senador Agripino Maia, líder do PFL, que disse:

— Se decidirem antecipar o depoimento de um pseudo-chantagista, a convocação do ministro da Justiça será inevitável. E podem estar certos de que vamos encaminhar o requerimento no foro onde tivermos maioria. Não vamos votar para perder.

A Polícia Federal investiga a autenticidade da cópia da "Lista de Furnas" e está atrás do original. Ainda não concluiu que tudo não passa de uma fraude, embora pareça, sim.

Monteiro se dispõe a depor na CPI dos Correios e a ser acareado com Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, a quem aponta como o autor da lista.

Por que Agripino Maia se apressa a tratar Monteiro como um "pseudo-chantagista"? E se o desqualifica desde já, por que sugere chamar Thomáz Bastos para depor sobre o que tenta provar um desqualificado?

Se convidado, o ministro irá à CPI. Mas nada dirá que possa por em risco a investigação da Polícia Federal.

Quer dizer: sua presença, ali, será inócua.

A de Monteiro, talvez não. Ele se diz disposto a contar tudo o que sabe. Talvez por isso a oposição não queira ouvi-lo."

Ibope, Datafolha e CNT/Sensus mostram recuperação de Lula, mas tucanos duvidam das pesquisas...

Lula sobe, tucanos reclamam...

A mais recente pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira indica que o presidente Lula seria reeleito, caso as eleições fossem hoje, com uma vantagem de 10 pontos contra seu adversário mais forte, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). No segundo turno, Lula teria 47,6% dos votos contra 37,6% de José Serra.

Os tucanos, claro, não gostaram nada da notícia. Várias vezes, durante a crise política que começou no ano passado, a turma de FHC declarou o fim precoce do governo Lula e sua derrota iminente em 2006. O senador Arthur 'Estressadinho' Virgílio, líder dos tucanos no senado, deixou claro que o pessoal das aves de bico grande não estão conformados com a recuperação de Lula nas pesquisas.

Virgílio disse que o PSDB iria pedir ao STE uma auditoria na pesquisa CNT/Sensus, porque, segundo ele, o instituto não merece confiança, além do que, objeta o representante do tucanato, o governo pode ter adulterado o resultado da pesquisa.

O curioso é que antes, quando o mesmo instituto realizou outras pesquisas onde Serra venceria Lula, nenhum tucano reclamou abriu o bico. Agora, evidentemente, uma pesquisa favorável ao presidente Lula tem que ser colocada em xeque.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Entre a cruz e a espada

"A Escolha de Sofia" do PT

Do Blog do MELLO (http://blogdomello.blogspot.com):

"As últimas atitudes do presidente Lula puseram o PT na mesma situação da protagonista do filme A Escolha de Sofia. Nele, Sofia, uma imigrante polonesa vivida por Meryl Streep, é obrigada por um oficial nazista a escolher qual de seus dois filhos sobreviverá.

No caso do PT a situação é ainda mais dramática: o partido pode estar decidindo não o futuro dos filhos, mas o seu próprio.

O PT era a favor da verticalização e Lula não. O presidente jogou pesado e a verticalização caiu, contra o voto do PT.

Agora o presidente já mandou avisar que o PT tem que abrir mão de candidaturas próprias em alguns estados para que Lula possa ter palanques fortes, que favoreçam sua reeleição.

No Rio, por exemplo, Lula quer apoiar o (na verdade quer o apoio do) senador Marcelo Crivella (PRB), que é sobrinho do bispo ‘Templo é Dinheiro’ Macedo. E há mais no saco de alianças: Quércia para o senado em São Paulo, em detrimento da candidatura de Eduardo Suplicy. Sem contar o PMDB de Jader Barbalho no Pará....

Como fica o PT? Faz o jogo de Lula e topa tudo pela reeleição ou enquadra o presidente em busca das raízes petistas e arrisca-se a perder a presidência?

De todos os partidos atingidos pelo chamado “escândalo do mensalão” o PT foi o que sofreu o maior desgaste.

Nesta eleição ele tem a oportunidade histórica de reconstruir sua história ou de definitivamente colar seu destino ao do presidente Lula, deixando de ser o Partido dos Trabalhadores e passando a ser apenas o Partido do Lula."

Comentário:

Como é que passa pela cabeça de alguém no PT apoiar Quércia, no lugar de Suplicy? E Jader 'Perereca' Barbalho? Esse maldito pragmatismo pode até levar o PT a ganhar as eleições, mas joga o nome e a história do partido na lama. Ninguém agrada a dois senhores, mas o PT insiste em vender a alma ao diabo e, ainda assim, recitar o 'Pai Nosso' todo dia.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Direitos Humanos

Ambientalistas e comunidade de Anapu lembram morte de Dorothy Stang e pedem paz na região

Os ambientalistas da organização não-governamental Greenpeace e a comunidade de Anapu (PA) realizaram, neste sábado, ato público para pedir paz na região. O município de pouco mais de 8 mil habitantes, cravado na chamada "Terra do Meio", ficou conhecido em todo o país e no exterior em 12 de fevereiro de 2005, quando foi assassinada com seis tiros a missionária norte-americana Dorothy Stang.

O pistoleiro Rayfran das Neves, conhecido como "Fogoió", e seu comparsa Clodoaldo Batista foram julgados e condenados a 27 e 17 anos de prisão, respectivamente. Os fazendeiros acusados de ordenar e intermediar o crime ainda aguardam o julgamento da Justiça brasileira.

Naturalizada brasileira, a irmã Dorothy vivia há mais de 30 anos na região da Transamazônica. Quase metade de sua vida foi dedicada à defesa dos trabalhadores rurais. Desde 1972, a missionária trabalhava com as comunidades rurais de Anapu e sua luta era pelo direito à terra e a adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável que promovesse melhor qualidade de vida para a comunidade.

Amanhã (12), uma comitiva do governo federal estará em Anapu para participar de outras homenagens ao primeiro ano da morte da missionária. Integrarão a comitiva o secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi; o secretário executivo do Ministério da Justiça, Luís Paulo Teles Barreto; a coordenadora da Secretaria da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Muriel Saragoussi, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart.

Agência Brasil

Economia Solidária

Brasil já tem 15 mil Empreendimentos Econômicos Solidários

Levantamento feito pelo Ministério do Trabalho indica a existência de 15 mil empreendimentos que se enquadram num ramo relativamente novo no Brasil: a economia solidária. O número é resultado do mapeamento feito pela Secretaria de Economia Solidária do ministério, juntamente com o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, realizado em todo o país.

A pesquisa teve início em 2004 e envolveu mais de 230 entidades governamentais e não-governamentais que atuam com economia solidária. Segundo as informações coletadas, a economia solidária se consolidou no Brasil a partir de 1990, com 85% dos empreendimentos criados entre aquele ano e 2005. São cerca de 1,25 milhão de trabalhadores reunidos em cooperativas, associações e organizações não-governamentais, chamados Empreendimentos Econômicos Solidários (EES).

Segundo o mapeamento, a atividade econômica predominante é a agricultura e a pecuária, realizadas por 64% dos EES. As têxteis, de confecções, calçados e produção artesanal em geral, correspondem juntas a 21% dos empreendimentos, a prestação de serviços corresponde a 14% e a alimentação a 13%.

Cerca de 44% dos Empreendimentos Econômicos Solidários estão localizados nos nove estados da Região Nordeste. Em seguida, destaca-se a Região Sul, com cerca de 17%.

O levantamento servirá de base para a implantação do Sistema de Informações da Economia Solidária (SIES) , que ajudará na formulação de políticas públicas para o setor.

Agência Brasil

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Olho no Estadão

Manchete curiosa a do Estadão desta sexta-feira 10, sobre a lista de Furnas: "Mensalão de Furnas iria para PTB, PT e tucanos diz Jefferson".

Curiosamente, o jornal inverteu a ordem das coisas. Segundo Jefferson, o principal beneficiado pelo esquema do caixa dois de Furnas em 2002 foi o PSDB. José Dirceu, ainda de acordo com Jefferson, teria herdado o esquema tucano.

Pois bem, na ordem do Estadão, vem primeiro o PTB, depois o PT e, só então, os tucanos. Aqui, mais uma curiosidade. O jornal nominou os dois primeiros partidos, mas não fez o mesmo com o PSDB. Preferiu usar tucanos. Nas entrelinhas, esconde-se a intenção de associar mais facilmente as siglas PT e PTB ao esquema de caixa dois, suavizando as coisas para o PSDB.

Cadê a tal isenção jornalística?

A controvérsia de Furnas

A lista é falsa ou verdadeira?

A lista de Furnas tem tirado o sossêgo de muita gente em Brasília. Tucanos estão de plumagem em pé. Para quem ainda não sabe, a lista de Furnas é um relatório de supostas doações políticas por meio de caixa dois para 156 políticos de 12 partidos (PDT, PFL, PL, PMDB, PP, PPS, Prona, PRTB, PSB, PSC, PSDB e PTB). As doações millionárias teriam sido efetuadas nas eleições de 2002. O autor da lista seria o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo. A lista foi repassada à Polícia Federal pelo lobista Nilton Monteiro, que afirma ter recebido por intermédio de Dimas.
Dimas Nega a autoria da lista. Em depoimento à PF nesta sexta-feira 10, ele disse que a lista não é autêntica. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), saiu em defesa de Dimas e também afirmou que a lista é falsa.
Enquanto isso, o ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema de caixa dois de Furnas em 2002, em entrevista à revista Carta Capital, disse que recebeu sim R$ 75 mil de Dimas, conforme consta na lista. Diz mais, que Dimas Toledo ofereceu uma mesada de R$ 1,5 milhão do caixa dois de Furnas ao PTB, partido que Jefferson presidia antes de ter o mandato cassado.
Roberto Jefferson diz que a lista "tem total lógica política e se assemelha à verdade". Na entrevista, ele afirmou que Dimas Toledo era o homem do PSDB em Furnas. Jefferson também acusou o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu de ter herdado o esquema do PSDB em Furnas.
No começo da crise política, tudo o que Roberto Jefferson dizia era imediatamente publicado como verdade. E agora José? Devemos acreditar nas denúncias do herói sem caráter ou será que elas só valem quando são contra o PT?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Por que FHC perdeu o equilíbrio

Gilberto Dimenstein (Folha Online/Pensata - 07/02/06)

Se não surgir nenhuma nova e bombástica denúncia de corrupção, a tendência de Lula é crescer ainda mais nas pesquisas de opinião pública. Isso apenas mostra que a cúpula do PSDB, até pouco tempo tão segura sobre suas chances eleitorais, errou feio ao imaginar que o PT estava no chão, quase sem chance de levantar. Isso deve explicar o tom grosseiro das últimas declarações de Fernando Henrique Cardoso, parecendo não um ex-presidente, mas um chefe de torcida de time de futebol.

As razões do crescimento de Lula são óbvias. O efeito do aumento do salário mínimo ainda não ocorreu. Será ampliado o número de beneficiados dos programas de renda mínima. Há indicações de que, em próximos estudos, se registrem a queda na percentagem de pobres no país e a redução da desigualdade social. Não se vê crise internacional no horizonte, o que significa garantia de algum crescimento e redução do nível de desemprego. Estão sendo planejadas medidas para classe média e de intervenção nas regiões metropolitanas.

Tudo isso, claro, vendido pela mídia, numa espécie de horário eleitoral gratuito, bancado, claro, pelo contribuinte. Lula não sai do palanque e todos sabem de seu poder de comunicação. Some-se a isso que o PSDB não consegue escapar dos respingos dos escândalos do caixa 2, ajudando à tese daqueles que, para se salvar, dizem que todos estão no mesmo barco. Alem disso, o partido, apesar das aparências, está metido numa rede de intrigas internas e não ofereceu um projeto de nação alternativo ao do PT.

Se Lula vai se reeleger é outra discussão, mas que ele tende a ser um candidato fortalecido pelos fatos e factóides, não há dúvida.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Escândalos da Era FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) voltou a fazer pesadas declarações contra o PT e o governo Lula, afirnando que "o presidente é omisso com a corrupção" e que "a ética do PT é roubar".

Para refrescar a memória dos tucanos e dos nossos leitores, o Portal do PT republica um trecho de documento elaborado pela Liderança do PT na Câmara, em junho de 2005, que lista os principais escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso e desmente as afirmações do ex-presidente.

Confira:

O governo Fernando Henrique Cardoso, além de ter aberto as portas para a pilhagem nacional e internacional, colocando o Brasil praticamente na condição de colônia, foi pródigo em abafar a corrupção. A implementação de seu projeto neocolonial ocorreu paralelamente a uma sucessão de escândalos. Abaixo, uma pequena amostra das dezenas de escândalos que marcaram a era FHC. O trabalho refresca a memória e serve de contra-veneno à insidiosa campanha que a oposição move contra o governo Lula, usando um caso de corrupção para tentar manchar a imagem de um governo que é o oposto do anterior.

ABRINDO AS PORTAS PARA A CORRUPÇÃO: Foi em 19 de janeiro de 1995 que o governo do PSDB/PFL fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. FHC extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se notabilizou por abafar denúncias. A CGU, no governo Lula, passou a ocupar um papel central no combate à corrupção.

CONCORRÊNCIA DO SIVAM/SIPAM: O contrato para execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam) foi marcado por escândalos. Denúncias de tráfico de influência e de corrupção derrubaram o Brigadeiro Mauro Gandra, da Aeronáutica, e serviram para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Foi ser embaixador do Brasil junto à FAO, em Roma, um exílio dourado. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia de Raytheon, foi extinta, por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.

UMA PASTA ROSA MUITO SUSPEITA: Foi em fevereiro de 1996 que a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente o conjunto dos processos denominados escândalos da pasta rosa. Era uma alusão a uma pasta com documentos citando doações ilegais, em dinheiro, de banqueiros para campanhas políticas de políticos que eram da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o Procurador-Geral da República era Geraldo Brindeiro, conhecido pela alcunha de "engavetador-geral da República".

A COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC: A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denuncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário daCâmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o, impedido a constituição de uma CPI para investigar o caso.

A ESCANDALOSA DOAÇÃO DA COMPANHIA VALE DORIO DOCE: Apesar da mobilização da sociedade brasileira em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas do mercado estimavam seu preço em pelo menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses globais do Brasil. A empresa detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, como navios, portos, ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa eqüivale, nos últimos tempos, ao lucro trimestral da CVRD. Foi um dos negócios mais criminosos da era FHC.

O ESCÂNDALO DA TELEBRÁS: Foi uma verdadeira maracutaia a privatização do sistema de telecomunicações no Brasil. Uma verdadeira sucessão de denúncias e escândalos. Foi uma negociata num jogo de cartas marcadas, inclusive com o nome de FHC citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” a que a imprensa teve acesso comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades do governo tucano. As fitas mostravam que informações privilegiadas eram repassadas aos “queridinhos” de FHC.
O mais grave foi o preço que as empresas estrangeiras e nacionais pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos 2 anos e meio anteriores à “venda”, o governo tinha investido na infra-estrutura do setor de telecomunicações mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES, nas mãos do tucanato, ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Uma verdadeira rapinagem cometida contra o Brasil e que o governo tucano impediu que fosse investigada.
A privatização do sistema Telebrás – assim como da Vale do Rio Doce — foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.

Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle de estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

DENGUE, O FRACASSO NA SAÚDE: A população brasileira sentiu na carne a omissão de FHC com a saúde. Em 1998, com uma política tecnocrática, o governo reduziu a zero os empréstimos da CEF às autarquias e estatais da área de saneamento básico. Isto resultou em condições ideais para a propagação da dengue e de outras doenças, já que a decisão decepou um instrumento essencial no combate às doenças e proteção à saúde. Além da dengue, a decisão provocou surtos de cólera, leishmaniose visceral, tifo e disenterias. São doenças resultantes da falta de saneamento. No caso da dengue, o Rio de Janeiro foi emblemático. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil matamosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o Estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte. É preciso muita competência para organizar uma epidemia daquelas proporções.

O NEBULOSO CASO DO JUIZ LALAU: Quem não se lembra da escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, que levou para o ralo R$ 169 milhões? O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só surgiram em 2000, com todos eles alegando inocência. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.

Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo tucano surgiram no emaranhado de denúncias. O pior é que Fernando Henrique, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”. Além de ter pedido para esquecerem o que havia escrito, o ex-presidente tucano aparentemente queria também que a população esquecesse o que assinava durante o seu fracassado governo.

A FARRA DO PROER: O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.

DESVALORIZAÇÃO DO REAL: A desvalorização do real também faz parte do repertório de escândalo da gestão tucana. FHC segurou de forma irresponsável a paridade entre o real e o dólar, para assegurar sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões e bilhões de dólares das reservas brasileiras. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.

Há indícios, publicados pela imprensa, de que havia um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à patota de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1 bilhão e 600 milhões de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia.
Apesar da liberação, em um só dia, dessa grana toda, os dois bancos acabaram quebrando. O povo brasileiro ficou com o prejuízo. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por pouco tempo. Cacciola vive tranqüilamente na Itália e Lopes foi recentemente condenado pela Justiça, em primeiro instância, a 10 anos de prisão.

SUDAM E SUDENE , POUCO ESCÂNDALO É BOBAGEM: De 1994 a 1999, houve uma verdadeira orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Em vez de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.

Na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios da ordem de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC resolveu extinguir a Sudene, em vez de pôr os culpados na cadeia. O PT igualmente questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.

APAGÃO, UM CASO DE INCOMPETÊNCIA GERENCIAL:A incompetência dos tucanos, associada à arrogância, por não terem ouvido as advertências de especialistas, levou ao apagão de 2001. O problema foi provocado também pela submissão do PSDB/PFL aos ditames do FMI, que suspendeu os investimentos na produção de energia no país. O fato é que o povo brasileiro, extremamente prejudicado pela crise energética, atendeu, patrioticamente, à campanha de economizar energia, mas foi “premiado” pelo governo FHC com o aumento das tarifaspara “compensar” as perdas de faturamento das multinacionais e seus aliados locais que compraram a preço de banana as distribuidoras de energia nos leilões entreguistas realizados pelo tucanato. Por causa disso, o povo brasileiro foi lesado em R$ 22,5 bilhões, montante transferido para as empresas da área.

Portal do PT

O CAIXA 2 DE FURNAS

TUCANOS NA LINHA DE TIRO

Confissão de Jefferson põe a lista em poder da PF na pauta da CPI

O ex-deputado Roberto Jefferson ofereceu, há noves meses, as pedras lançadas sobre o telhado do governo e do PT. Agora, talvez forneça a lápide que cobrirá a cova rasa da CPI dos Correios. Ao confirmar ter recebido R$ 75 mil “por fora” de Furnas, Jefferson obrigou os parlamentares a investigar a lista do suposto caixa 2 operado por Dimas Toledo, ex-diretor da estatal. O ânimo dos congressistas, principalmente os da oposição, em estender as apurações arrefeceu diante da publicidade dada ao documento que relata doações ilegais de R$ 40 milhões a mais de 150 políticos da antiga base aliada do governo Fernando Henrique Cardoso.

O episódio levou tucanos e pefelistas a acusar o golpe. Em mais um arroubo típico, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, deixou bem claro o jogo que move a oposição. “Duvido da autenticidade da lista e duvido de qualquer esquema de caixa 2 que não inclua políticos do PT”, disparou Virgílio.

Pelas regras virgilianas, se as acusações não servem para fustigar o governo e o PT, elas não têm validade. A bem do País, tucanos e pefelistas deveriam explicar didaticamente por que os brasileiros têm de acreditar que Fidel Castro fez doações clandestinas à campanha de Lula e repudiar tanto a lista de Furnas quanto o documento que detalha um caixa 2 de mais de R$ 90 milhões na campanha do hoje senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998. Ou por que devemos dar mais crédito às denúncias do doleiro Toninho da Barcelona, condenado por diversos crimes, que às de Nilton Monteiro, sujeito controvertido, mas cujas acusações até agora não foram desmentidas pelos fatos.

Carta Capital

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Novo Jornal da Record

Record estréia "clone do JN"

Na última segunda 30, a Record estreiou a sua versão do "Jornal Nacional". O novo "Jornal da Record" é apresentado pela dupla de ex-globais Celso Freitas e Adriana Araújo. Eles substituem Boris Casoy, que não concordou com o projeto de "clonagem" e saiu da emissora no fim de 2005.

Em entrevista à Folha Online, Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da emissora, negou o projeto de clonagem. "A idéia não é fazer um clone do "Jornal Nacional". A gente quer ter um caminho próprio, com a cara da Record." Mas, em seguida, orgulha-se: "Montamos um time de jornalistas de primeira, todos da Globo. Entre produtores e editores, tiramos oito profissionais deles".

Qual será o caminho que o "JR" seguirá? Será que a "clonagem" do "JN" chegará também à linha editorial?

Boris Casoy se esforçava para conver o telespectador da sua imparcialidade (favas contadas, é claro!). Agora que não teremos mais que aturar os gritos de "isto é uma vergonha" do homem que deu uma "banana" no ar, vamos ver o que irão aprontar o casal de ex-platinados.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Mulheres Negras protestam contra "JK"

Lideranças repudiam agressões às mulheres negras na TV

Lideranças de Mulheres Negras estarão em Brasília nesta quarta-feira (1º), para entregar às ministras Nilcéia Freire e Matilde Ribeiro um manifesto de repúdio às agressões sofridas pelas mulheres negras, na mini-série “JK”, apresentada pela Rede Globo de Televisão. O encontro acontecerá às 9h, no edifício sede da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.

Várias entidades aderiram à causa, dentre elas estão o Núcleo de Estudantes Negras e Negros da UEFS, a Articulação Nacional de Ongs de Mulheres Negras Brasileiras e a Africanamente - Centro de Pesquisa, Resgate e Preservação de Tradições Afrodescendentes (RS).

Para as lideranças, a mini-série apresentou a mulher negra em cenas "agressivas e em constrangedora submissão ao homem branco", em cenas de estupro, violência doméstica e racismo.

"Até o momento não vimos manifestações de desacordo, repúdio ou um mero questionamento dos meios oficiais seja por parte do executivo federal, seja de parlamentares que nos representam na Câmara Federal e no Senado”, dizem.

Para as mulheres, “se não se manifestam discordando da degradação da honra e da imagem das mulheres negras, o silêncio é compreendido, indubitavelmente, como concordância”.

Fonte: Portal do PT

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

ACM e a tortura

Relato de incidente lembra o que não se pode esquecer


Pode não parecer, mas a atividade parlamentar a portas abertas, como na tomada de depoimentos em CPIs, é altamente coreografada – devido à presença da mídia.

Raras, nessas situações, são as manifestações verdadeiramente espontâneas dos políticos. Lembram-se de quando o senador petista Eduardo Suplicy foi à tribuna anunciar bombasticamente o seu apoio à CPI dos Correios? Eram 7 da noite, a tempo, portanto, de entrar no Jornal Nacional de logo mais.

À falta de um instrumento para medir objetivamente o oportunismo dos políticos quando se manifestam ou se exibem no Congresso, a imprensa não tem outro remédio a não ser registrar o que lhe é dado ver, e o leitor ou espectador que julgue por si.

Isso não quer dizer que não aconteçam no dia-a-dia do Legislativo fatos fora do script. Mas, por serem geralmente tidos como irrelevantes, não entram para a história.

É onde a mídia erra: irrelevante pode ser o fato em si, mas não o que eventualmente revela sobre o caráter do político que o protagonizou – ou confirma o que se sabe sobre.

Palmas para a Folha, portanto, por não ter “deletado” da edição de hoje o incidente entre o senador Antonio Carlos Magalhães e uma senhora, desempregada, cujo pai, segundo ela, foi torturado e morto pela ditadura.

Embora errasse ao colocar no mesmo saco o incidente da véspera e o bate-boca de cinco dias atrás entre ACM e o senador petista Aloizio Mercadante – porque este é da vida política e aquele é vida real –, só a Folha, entre os três grandes, noticiou que “senador xinga mulher que o acusa de ter apoiado a ditadura”.

Na sessão da CPI dos Bingos em que foram exibidas imagens do corpo do assassinado prefeito de Santo André, Celso Daniel, com marcas de tortura, ACM pediu um replay para depois deixar o senador Suplicy numa saia justa.

O PT sustenta que Daniel foi vítima de crime comum. A tortura indica o contrário. Exibidas as fotos, ACM voltou-se para Suplicy, perguntando-lhe se ele achava que o prefeito havia sido torturado. O petista disse acreditar que sim.

Depois, no momento em que saía da sala, ACM foi abordado por Rosa Cimiana dos Santos, de 46 anos. “Você não tem moral para falar em tortura porque você fez parte e apoiou a ditadura responsável pela morte e tortura de muitos brasileiros”, acusou-o Rosa, segundo a Folha.

ACM pode ter sido a favor ou contra a tortura. O certo é que, salvo prova em contrário, nunca a condenou enquanto era prática corrente no regime do qual era um dos baluartes civis.

A reação de ACM, de 78 anos, conforme registrada na matéria da Folha: “Venha conversar comigo aqui [fora da sala], sua p…" [no jornal o palavrão está por extenso].

Alguém poderá dizer que do quase octogenário político baiano não se poderia esperar outra coisa. Ainda assim, a Folha fez a coisa certa ao descrever o episódio, contar quem é a acusadora e fechar a matéria com estas irrefutáveis palavras:

Fiquei espantada com a posição do senador ACM, que disse ter ficado chocado com as imagens das torturas sofridas pelo prefeito Celso Daniel. Se ele e outros senadores quiserem saber o que é tortura, bastam cinco minutos de conversa com integrantes de famílias que tiveram parentes desaparecidos durante a ditadura.”

É também um alento quando um grande jornal, pela voz da protagonista de um episódio aparentemente sem importância, traz a valor presente as dívidas dos políticos que contribuíram para um passado cujos horrores não se podem esquecer.

Blog do jornalista Luiz Weis (Verbo Solto)

Salário Mínimo

Poder de compra do mínimo aumenta 70%

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse ontem (26) que o governo federal está perto de conseguir dobrar o poder de compra do salário mínimo.

"Estamos chegando muito próximo de dobrar", afirmou o ministro, em entrevista coletiva concedida a emissoras de rádio da Radiobras.

Marinho afirmou que a decisão de aumentar o mínimo de R$ 300 para R$ 350 reflete o compromisso de melhorar a distribuição de renda e a justiça social no país.

Segundo ele, em março de 2003, era possível comprar 1,3 cesta básica com o mínimo, que valia R$ 200. De acordo com o ministro, com R$ 350 o trabalhador poderá comprar 2,2 cestas básicas. O aumento no poder de compra é de 70%.

Outras comparações dizem respeito à relação entre o valor do salário mínimo e os preços do feijão, do arroz e do cimento. "Em janeiro de 2003, o salário mínimo comprava 63 quilos de feijão e passará a comprar agora 133 quilos; comprava 11 sacos de cimento, passará a comprar 20 sacos de cimento; comprava 131 quilos de arroz, passará a comprar 257 quilos", exemplificou.

Na entrevista, o ministro defendeu que "Estados em melhores condições" adotem outros valores para o mínimo, desde que não sejam inferiores ao piso nacional.

"Temos que ter um piso nacional e, a partir daí, cada Estado pode adequar a sua condição em caso de ter essa condição melhor", disse Marinho. Ele citou o exemplo dos governos do Rio Grande do Sul e do Paraná, que já definiram um valor regionalizado.

Agência Brasil

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Dois pesos, duas medidas

Cara de um, focinho de outro

Sairá caro para o PSDB o papelão que faz desde ontem no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Seus representantes ali foram orientados a votar contra o pedido de cassação do mandato do deputado Roberto Brant (PFL-MG).

O PFL apoiará o candidato do PSDB à sucessão de Lula. E os dois partidos movem dura oposição ao governo Lula.

Brant foi acusado de ter recebido R$ 108 mil da empresa Usiminas via Marcos Valério para sua campanha como candidato a prefeito de Belo Horizonte em 2004.

Não declarou o dinheiro à Justiça Eleitoral.

Membro da CPI dos Correios que recomendou a cassação do mandato de Brant, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) é também membro do Conselho de Ética.

Fruet foi chamado ontem à noite ao gabinete de Alberto Goldman (SP), líder do PSDB na Câmara. E ouviu dele que deveria votar pela absolvição de Brant.

- Como posso desfazer no Conselho de Ética o trabalho que ajudei a fazer na CPI dos Correios? Seria uma incoerência - argumentou Fruet.

Goldman insistiu para que ele fosse incoerente mesmo assim.

- Mas essa é uma posição do partido? O partido vai lançar nota oficial defendendo a absolvição de Brant? - perguntou Fruet.

- Não podemos chegar a tanto - respondeu Goldman.

Então Fruet pediu para ser substituído no Conselho. E acabou sendo pelo deputado Juthay Magalhães Jr., futuro líder do PSDB na Câmara.

- Estou aqui só para votar em favor de Brant - disse Juthay ao chegar esta manhã para a reunião do Conselho.

Uma vez que votou, deu seu lugar ao suplente do PSDB no Conselho, o deputado Mendes Thame (PSDB-SP), que faltou à reunião de julgamento de Brant porque estava em São Paulo cuidando da saúde.

Mas voltou a Brasília a tempo de votar no Conselho esta tarde pela cassação do mandato do deputado Professor Luizinho (PT-SP), acusado de ter embolsado R$ 20 mil de Marcos Valério.

Esse é o PSDB que bate duro no PT (com razão) e que se diz diferente dele (sem razão).

Fonte: Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br)

Entelinhas (o que Noblat esqueceu de dizer)...

Ricardo Noblat esqueceu de falar do discurso fajuto do PFL, que se arvora como defensor da moralidade pública, mas que, na verdade, é um partido que abriga as maiores ratazanas de nossa terra tupiniquim.

O que dizer do Rodrigo Maia (PFL-RJ), por exemplo? O dublê de deputado, que é filho do menino maluquinho (César Maia, prefeito do Rio de Janeiro), tentou de tudo para livrar a cara do pilantra do Brant, que recebeu mais de 100 mil reais de Marcos Valério. Depois vem acusar José Dirceu de ser chefe do "mensalão". Durma-se com uma dessas...

Ainda vem depois dizer que não houve tentativa de acordão para absolver Roberto Brant. Ta pensando que o povo é idiota?

Contra Lula, é Serra

Jogo de cena tucano

O alto comando do PSDB encena a peça “Como descer do muro e escolher afinal o melhor candidato para concorrer com Lula”.

Ela ficará em cartaz até meados de março, pelo menos. O governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra terão de largar seus respectivos cargos antes do fim de março se quiserem disputar as eleições de outubro.

Mas o desfecho da peça está na mente e nos corações dos seus autores – gente como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do partido, e o governador Aécio Neves.

E só será reescrito se o distinto público reagir por antecipação contra ele - é pouco provável.

Descerá o pano depois que o nome de Serra for anunciado como candidato à sucessão de Lula.

Em seguida, e tendo o povo como co-autor, começará a ser encenada a peça “A Peleja do Homem que Sabe Tudo contra o Homem que Não Sabia de Nada”.

Pois este é um dos defeitos de Serra: imaginar-se um sábio e derrapar na arrogância.

E este é um dos defeitos de Lula: jurar que não sabia de nada e se dizer traído. A ser apontado como cúmplice de irregularidades, prefere ser tido como um inepto. No mínimo, é o que ele é.

Há razões de sobra para que o candidato seja Serra. Em conversa recente com amigos, ele próprio confidenciou uma: “Nesse partido tem fila. E eu sou o primeiro da fila”.

Serra sacrificou-se pelo PSDB em 2002 disputando a eleição como candidato de um governo impopular. Não abre mão de tentar derrotar agora quem antes lhe derrotou.

Alckmin tem idade para esperar - Serra, não. Em 2010, haverá o próprio Alckmin, Aécio Neves e sabe-se lá mais quem na fila.

Sem falar que Serra abre larga vantagem sobre Alckmin nas pesquisas eleitorais quando ambos são confrontados com Lula.

Sem falar que Serra é o queridinho do PFL.

Sem falar ainda que Lula chegará a março mais forte.

Estão por refletir na imagem dele os efeitos positivos dos reajustes do salário mínimo e da tabela do Imposto de Renda, da operação tapa-buraco e de tantos outros mimos que Lula ainda distribuirá.

A recuperação de Lula selou dentro do PSDB a escolha de Serra para enfrentá-lo.

Fonte: Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

"Reeleição de Lula é fundamental para América Latina"

América Latina teme derrota de Lula, dizem petistas no Fórum Social Mundial


Dirigentes do PT admitiram nesta quarta-feira naVenezuela que perceberam a preocupação entre os participantes do 6º Fórum Social Mundial (FSM) com uma eventual derrota eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras.

O secretário-geral do PT, Raul Pont, disse à EFE que tem mostrado "aos preocupados" que pesquisas recentes apontam Lula como favorito, embora algumas indiquem um empate técnico com o prefeito de São Paulo, José Serra, do PSDB.

Pont acrescentou que, em breve, o PT fará suas próprias pesquisas e disse acreditar que o presidente se distanciará de Serra e outros candidatos nas eleições presidenciais de 1º de outubro.

Mais cedo, o chefe de Relações Internacionais do PT, disse, em entrevista coletiva, que "para a América Latina, a reeleição de Lula é fundamental". Ele também identificou temores de "uma regressão" da esquerda regional com a eventual derrota do partido do presidente brasileiro nas urnas.

De qualquer forma, Pomar reconheceu que o PT "já está em campanha". Ele duvidou que Lula tenha acusado seu partido de atrapalhar sua gestão, como afirmam versões da imprensa, que o chefe de Relações Internacionais do partido considera "exageradas". Os meios de comunicação brasileiros, segundo Pomar, consideram o presidente venezuelano, Hugo Chávez, "ditador e autoritário" e afirmam que ele acabou com a propriedade privada na Venezuela.

"No Brasil, se apresenta um Chávez muito diferente", acrescentou, e atribuiu às mesmas fontes jornalísticas uma tentativa de dividir "as forças progressistas" latino-americanas, ao chamar o governo Lula de "esquerda light" e o de Chávez de "esquerda radical". "Esta é a mesma intenção, muito clara", do Governo dos EUA e "nós não estamos nesse jogo", acrescentou.

O PT é uma das dezenas de organizações políticas e sociais brasileiras que participam do FSM em Caracas. Há aproximadamente 8.000 ativistas brasileiros entre os cerca de 70 mil de vários países que participam do encontro iniciado na terça-feira e que se estenderá até domingo na capital venezuelana.

Fonte: UOL Últimas Notícias

Bolsa Família

Comprovação da freqüência escolar no Bolsa Família ultrapassa meta, revela MEC

Nos meses de agosto e setembro do ano passado, 77% das crianças e adolescentes de 6 a 15 anos que recebem recursos do programa Bolsa Família tiveram a freqüência escolar acompanhada pelo Ministério da Educação (MEC).

O número ultrapassou a meta do programa, que era chegar ao fim do ano com 70% do acompanhamento da freqüência escolar. "Ultrapassamos a meta, o que é essencial para que possamos quebrar a desigualdade entre gerações investindo na educação", afirmou o secretário executivo do ministério, Jairo Jorge da Silva.

Dos 5.562 municípios brasileiros, apenas 15 deixaram de repassar os dados ao ministério. O número de escolas que informaram a freqüência dos alunos beneficiados pelo programa passou de 80% no levantamento anterior para 90,8% do total.

A freqüência escolar de pelo 85% de cada criança inscrita no Bolsa Família é uma das condições para receber o benefício. Atualmente, o programa atende 13,3 milhões de crianças com idade entre 6 e 15 anos.

Agência Brasil

Fórum Social Mundial 2006, Policêntrico

Esquerda desfila pelas ruas de Caracas

Marcha de abertura do sexto Fórum Social Mundial faz valer a máxima de que a rua é o lugar das massas - e da esquerda. Cerca de 20 mil pessoas tomaram as ruas de Caracas contra a guerra e o imperialismo.

A esquerda se apresentou às ruas de Caracas para abrir oficialmente a sexta edição do Fórum Social Mundial, na tarde desta terça-feira (24). Compacta em relação aos eventos anteriores, mas bastante efetiva, cerca de 20 mil pessoas manifestaram, com muita energia, descontentamento e insatisfação contra a guerra e o atual modelo neoliberal. Grande parte dos participantes não poupou esforços para gritar, principalmente contra o capitalismo. Muitos se apresentavam de maneira simbólica, apaixonada e descontraída, enrolados em bandeiras vermelhas da antiga União Soviética ou empunhando réplicas de facões, figuras tradicionais da luta no campo.

Defensores do meio ambiente, do direito das minorias, sindicalistas, feministas e militantes da comunicação comunitária, entre outros, deram um caráter de diversidade à manifestação, que foi ganhando volume e as vias da capital Venezuelana até chegar no Passeo los Próceres, onde uma série de concertos de música popular aguardava os manifestantes.

A marcha de abertura também marcou o início das 2.200 atividades oficiais do sexto Fórum Social Mundial, que começam hoje, em vários pontos da cidade.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Mainardi é um cara de pau

Mainardi defende secretário de Alckmim e pede votos para o tucano

Diogo Mainardi nunca escondeu seu ódio pelo PT nem sua admiração pelo neoliberalismo. Entretanto, o articulista da revista Veja nunca havia exibido tão claramente a plumagem tucana como o fez na sua coluna desta semana na publicação da Editora Abril.

A pretexto de exaltar o secretário de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, apresentado no título como "O intelectual de Alckmin", Mainardi aproveita o espaço que tem na revista mais lida do país para fazer campanha para os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin (preferido pelo dublê de jornalista), que disputam a vaga de candidato à Presidência da República pelo PSDB.

Segundo Mainardi, Gabriel Chalita "é o sábio de cartola do alckminismo". Como prova de tal sabedoria, o colunista de Veja cita que Chalita já publicou 39 livros em 36 anos de vida. Entre tantas obras, destaca-se o impagável Seis Lições de Solidariedade com Lu Alckmin, ninguém menos que a esposa do governador Geraldo Alckmin.

Outra pérola de Gabriel Chalita é a biografia da cantora Vanusa, A Vida Não Pode Ser Só Isso, escrita em 1997.

Mainardi também faz suas previsões políticas: "Seja quem for o candidato presidencial do PSDB, ele ganha de Lula. (...) Com Alckmin no Palácio do Planalto, Chalita será alçado à condição de Rasputin brasiliense. Alckmin tem grande consideração por ele".

Finaliza a coluna com uma indisfarcável declaração de amor ao tucano Geraldo Alckmin: "Fico enauseado só de ouvir falar em Lula e em lulistas. Para quem não agüentava mais essa gente, como eu, a chegada ao poder de Vanusa e do Visconde de Sabugosa (Chalita) é uma liberação".

O que Diogo Mainardi não diz é que o mesmo Geraldo Alckmin, generosamente, doou uma fazenda de 87 hectares a um grupo da Renovação Carismática Católica ligado a Gabriel Chalita. A fazenda que fica no município de Lorena, era pretendida pelo Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) para fins de reforma agrária.

A notícia sobre a doação da fazenda saiu na reportagem publicada no último sábado (20) pelo jornal Folha de S.Paulo. A edição 1940 da Veja é de 25 de janeiro de 2006. Providencial coincidência!

Vale à pena relembrar um trecho do livro de Mainardi, onde ele assume sua condição de vendido com todas as letras: "Hoje em dia, só dou opinião sobre algo mediante pagamento antecipado. Quando me mandam um e-mail, não respondo, porque me recuso a escrever de graça. Quando minha mulher pede uma opinião sobre uma roupa, fico quieto, à espera de uma moedinha. (Diogo Mainardi, "A tapas e pontapés", orelha, Editora Record, 2004)"

Quantas moedinhas Mainardi terá recebido de Geraldo Alckmin e Gabriel Chalita? Há algo de podre no reino dos bandeirantes...

Mídia Alternativa e Movimentos Sociais

Jornalista equatoriano defende união entre mídia alternativa e movimentos sociais

A reunião termina em uma das espaçosas salas do Hilton, em frente à Praça Venezuela, centro nervoso da capital e do 6º Fórum Social Mundial. O luxuoso e antigo hotel estatal acabava de abrigar um encontro entre repórteres de veículos alternativos latino-americanos. O coordenador da reunião passa para apagar luzes e recolher copos. Com estatura, cabelo e fisionomia incaicos, o jornalista Osvaldo Leon, nacionalidade equatoriana, senta-se para falar calmamente sobre políticas de comunicação em uma entrevista à Agência Brasil.

"Os movimentos sociais e os veículos alternativos de comunicação são como trilhos que caminham lado a lado, mas nunca se unem", compara. Para ele, ambos estão apenas em "estações", como os fóruns sociais, mas "ainda não têm fluxos de troca"."Queremos utilizar a força que o Fórum tem como espaço de convergência", afirma Leon, que prepara a Minga – rede de veículos unida para fazer uma cobertura conjunta do encontro, acessível pela página eletrônica http://movimientos.org/coberturas.php.

Na tradição inca, minga era a palavra usada para identificar o trabalho comunal nas aldeias. Hoje, o jornalista equatoriano usa a expressão para batizar o trabalho conjunto de seus colegas. Na visão de Leon, essa convergência de trabalho e de setores é o que falta para fortalecer a luta pelo direito à comunicação. "Não temos ainda alianças entre os observatórios das mídias e os sindicatos de jornalistas. Ou entre as associações de usuários de TV, que lutam pela melhoria de sua qualidade e os veículos alternativos", exemplifica.

Além do Fórum, outro espaço de convergência, segundo Leon, é a Campanha pelo Direito na Sociedade da Informação (Cris). Lançada internacionalmente no 2º FSM, a campanha pede a democratização dos meios de comunicação e trabalha pressionando a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (WSIS, pela sigla em inglês). A cúpula é a instância da Organização das Nações Unidas (ONU) de debater da comunicação.

Leon acredita que a campanha deve ganhar cores e caras latino-americanas. "Temos que trazer a Cris para temas que são próximos a nós, como a integração continental, políticas públicas para o setor e inserir o tema em assuntos regionais, como o Mercosul", defende o jornalista, que é diretor da Agência Latino-americana de Informação (Alai).

Agência Brasil

FSM debate comunicação

Fórum Social Mundial debate controle social dos meios de comunicação

A 6º Forum Social Mundial também discute até domingo (29) a questão do controle social sobre os meios de comunicação, a qualidade da programação dos meios públicos comunitários e alternativos, bem como o lançamento de uma campanha latino-americana pelo direito a comunicação.

Entre as entidades que estão organizando atividades sobre o tema no Fórum estão a Agência Latino-Americana de Informação (Alai), a Inter Press Service (IPS) e a Associacao Mundial de Radios Comunitarias (Amarc). "Tem crescido muito a consciência sobre a necessidade de trabalhar em conjunto. Está chegando o momento de que essa articulação se faça efetiva. Agora, temos que dar um passo", diz o ativista argentino Nestor Busso, da Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica (Aler).

"Os movimentos sociais em geral precisam assumir o tema da comunicação como um de seus eixos centrais de trabalho", diz Busso, lembrando que nos campos mais diversos, como as lutas pela reforma agrária ou pelos direitos humanos, a comunicação pode ter incidência decisiva.

Agência Brasil

E agora Bonner?

Agora está confirmado: novela da Record desbanca Jornal Nacional

As coisas não andam nada bem na emissora do Jardim Botânico. Depois da trapalhada da quarta-feira 18, veio a confirmação de que a novela Prova de Amor da Record ficou em primeiro lugar no Ibope, na quinta-feira 19, durante 17 minutos, no Rio de Janeiro, deixando para trás o outrora imbatível Jornal Nacional.

O detalha é que o Rio de Janeiro é a sede da Globo, o que faz a derrota ser ainda maior.

Com informações da Folha de S.Paulo

ACM e a ditadura militar

Desempregada acusa ACM de ter colaborado com a ditadura militar

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) foi acusado nesta terça-feira, pela desempregada Rosa Simiano dos Santos, de ter colaborado com o regime militar. Durante o depoimento do médico-legista Paulo Vasques à CPI dos Bingos, Rosa abordou o senador na saída do plenário e o acusou de ser um dos "mentores da ditadura militar".

Inicialmente, ele se aproximou dela sorrindo, imaginado tratar-se de uma eleitora, e ameaçou abraçá-la.

Neste momento, ela se apresentou como filha de Antônio Pereira da Silva, que segundo ela foi torturado pela ditadura, e disse que deveria ser apresentado um dossiê contra ACM.

O senador indagou: "Eu?". "Sim, o senhor. O senhor é responsável pela tortura no período da ditadura. Responsável pela morte do meu pai", respondeu a desempregada. O senador revidou a acusação com xingamentos.

"Causa espanto o ACM ficar indignado com fotos de tortura. Basta falar com a família de alguma vitima da ditadura ou ver alguma imagem do período que ele ajudou a construir", disse Rosa aos jornalistas.

Durante a sessão, o legista havia apresentado fotos da autópsia feita no prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002.

Folha de S. Paulo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

A Queda do JN

Homer Simpson abandona Jornal Nacional

A semana passada foi muito agitada lá pelas bandas da emissora do Jardim Botânico. Acontece que o Jornal Nacional, telejornal mais visto do país e principal produto da TV Globo, viveu o pior momento da sua história ao ser superado na audiência pela novela da Record, Prova de Amor, durante 5 minutos, na quarta-feira 18.

Na medição prévia feita na Grande São Paulo, enviada pelo Ibope em tempo real às emissoras, "Prova de Amor" chegou a abrir quatro pontos de vantagem sobre o "JN" (25 a 21 pontos, às 20h30).

Depois, no relatório com os dados consolidados, remetido pelo instituto às redes no dia seguinte, acontece o milagre: em nenhum minuto a Record vence a Globo. A "vantagem" de quatro pontos das 20h30 "virou" a favor da Globo: no consolidado, nesse momento o "JN" aparece com 26 pontos, contra 25 da Record. Cada ponto na Grande SP equivale a 52 mil domicílios.

Apesar da tentativa de manipulação dos resultados, a derrota do JN é uma resposta do público ao editor-chefe e apresentador William Bonner, para quem o telespectador médio do telejornal é como o Homer Simpson, pai folgado e bonachão da família do seriado "Os Simpsons". Ou seja, tem dificuldade de entender reportagens sobre temas mais complexos, como o jogo de interesses da política em Brasília e os números áridos da economia e finanças.

Parece que o Homer Simpson resolveu reagir e pegou a turma do JN de calças nas mãos. A derrota do JN é uma vitória para todos aqueles que estão cansados do jornalismo meia-boca da TV Globo. Imagino o que aconteceria se essa queda momentânea se consolidasse. Já imaginou não ter que aturar mais aquelas charges sem graça nem aquele tucanalha do Arnaldo Jabor e seu revoltismo ensaiado? Seria a glória...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Oposição reage contra CPI das privatizações

CONGRESSO
NÃO HÁ BALAS PERDIDAS

Nasce uma CPI para investigar as privatizações na era FHC. A oposição reage e quebra os sigilos de dois amigos de Lula

No início, era a CPMI dos Correios. Criada há sete meses para investigar denúncias de corrupção dentro da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), a comissão virou campo de batalha da oposição ao governo do presidente Lula. Nela, vieram à tona as ligações entre o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza. Transformada em palanque eletrônico, a CPMI dos Correios elevou a audiência da TV Senado e se transformou em fábrica de celebridades instantâneas, surgidas basicamente das bancadas de parlamentares tucanos e pefelistas disposta a sangrar o governo Lula a cada chamada do noticiário.

Para estancar a crise política e qualificar os acusadores, o governo contra-atacou com a CPMI da Compra de Votos, que ficou conhecida pelo apelido, mais conveniente à oposição, de “CPI do Mensalão”. A idéia era investigar as denúncias relativas a pagamento de propinas a parlamentares desde 1997. A estratégia governista era resgatar o escândalo de compra de votos para a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, providencialmente enterrada antes de ser investigada. À época, os tucanos conseguiram evitar uma CPI e resolveram a vida com o rápido expurgo dos envolvidos, graças, ainda, ao desinteresse da mídia. Quatro meses depois de criada, a comissão naufragou na burocracia e na falta de vontade política do relator, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), ele mesmo envolvido com pagamentos do Valerioduto. Foi encerrada sem que o relatório final fosse votado.

A contrapartida da oposição foi a criação da CPI dos Bingos, no Senado, alçada rapidamente ao status de “buraco negro” de acusações contra o governo do PT: passou a absorver desde a suposta doação de dólares de Cuba para a campanha presidencial de 2002 até os assassinatos dos prefeitos petistas Celso Daniel (Santo André) e Toninho do PT (Campinas), além do caso Waldomiro Diniz – o então presidente da Loterj envolvido com um empresário do ramo dos bingos. Por conta dessa diversidade, ganhou o apelido de “CPI do Fim do Mundo”. A comissão, ainda em vigor, continua sendo uma pedra no sapato do governo. Volta e meia, é acionada para retaliar as contra-ofensivas petistas.

Assim foi, na quarta-feira 18, a decisão de quebrar os sigilos bancário, telefônico e fiscal de Paulo Okamotto, presidente nacional do Sebrae. Amigo de Lula de longa data, Okamotto admitiu ter pago dívida pessoal do presidente (R$ 29,4 mil) referente a empréstimo tomado junto ao PT. A oposição acusa o partido de ter lançado mão de recursos do fundo partidário – dinheiro público, portanto – para emprestar dinheiro para Lula, em 2004. Mesmo tratamento deverá ter o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, acusado de ter comandado um esquema de caixa 2 do PT nos anos 90.

A ira da oposição voltou-se aos amigos de Lula depois que, no início da semana, os governistas conseguiram emplacar, na Câmara, a CPI das Privatizações. A comissão vai investigar o processo de privatização de estatais brasileiras de 1990 a 2002. Novamente, o alvo é o governo Fernando Henrique Cardoso. No processo de privatização, o tucanato prometeu sonho e entregou pesadelo. A venda das elétricas produziu dívidas, cobertas com o dinheiro do BNDES, e o apagão. As ferrovias também foram bater às portas do banco público e dos fundos de pensão em busca de fôlego. As teles encheram a burra com tarifas altas e pouca concorrência. Produziram-se fortunas instantâneas e engordou-se o maior bicho-papão do capitalismo brasileiro, o banqueiro Daniel Dantas (reportagem na edição impressa). Quanto à promessa de redução da dívida pública, nada. Entre 1995 e 2002, ela saltou de 30% para 62% do PIB.

A instalação da comissão foi decidida pelo presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Segundo ele, não houve intenção política. “Apenas segui a ordem da fila”, garante. Apesar da chiadeira e da vingança da oposição, tudo indica que a nova comissão seguirá o destino da CPI da Compra de Votos. Mal foi anunciada, recebeu bombardeios de todos os lados, inclusive de aliados do governo.

Carta Capital

A notícia que eles (PSDB, PFL e o resto do bando) não queriam ouvir

IBOPE: Lula volta a liderar intenções de voto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a liderar as pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial deste ano. Levantamento feio pelo Ibope para a revista IstoÉ, Lula larga na frente de todos os adversários no primeiro turno, em sete cenários possíveis. O percentual de votos da pesquisa, de acordo com o cenário, varia de 35% a 41%.

Os adversários batidos por Lula nas simulações foram: José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB), Aécio Neves (PSDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Antony Garotinho (PMDB), Germano Rigotto (PMDB), Heloísa Helena (Psol), Cristóvam Buarque (PDT) e Nelson Jobim (sem partido).

O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 143 municípios brasileiros, entre os dias 12 e 16 de janeiro. Não houve simulação para o segundo turno nem há dados sobre a evolução dos candidatos ao longo dos últimos meses. Segundo a revista, isso não foi feito devido à grande variação de cenários. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Entre os tucanos, os piores desempenhos são os do governador de Minas Gerais, Aécio Neto (com 9% das intenções) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (14%). Os dois perderiam não só para Lula, mas também para Garotinho.

Confira abaixo todos os cenários:

Cenário 1 (com Alckmin e Garotinho)
Lula – 38%
Alckmin – 17%
Garotinho – 16%
Heloísa Helena – 6%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 14%
Não sabem – 8%

Cenário 2 (com Serra e Garotinho)
Lula – 35%
Serra – 31%
Garotinho – 12%
Heloísa Helena – 5%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 10%
Não sabem – 6%

Cenário 3 (com FHC e Garotinho)
Lula – 38%
Garotinho – 15%
FHC – 14%
Heloísa Helena – 8%
Cristóvam – 1%
Brancos e Nulos – 16%
Não sabem – 7%

Cenário 4 (com Aécio e Garotinho)
Lula – 39%
Garotinho – 17%
Aécio – 9%
Heloísa Helena – 9%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 17%
Não sabem – 7%

Cenário 5 (com Alckmin, Garotinho e Jobim)
Lula – 37%
Alckmin – 16%
Garotinho – 15%
Heloísa Helena – 7%
Cristóvam – 1%
Jobim – 1%
Brancos e Nulos – 14%
Não sabem – 7%

Cenário 6 (com Alckmin e Rigotto)
Lula – 41%
Alckmin – 18%
Heloísa Helena – 10%
Rigotto – 3%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 16%
Não sabem – 9%

Cenário 7 (com Serra e Rigotto)
Lula – 38%
Serra – 32%
Heloísa Helena – 8%
Rigotto – 2%
Cristóvam – 2%
Brancos e Nulos – 12%
Não sabem – 7%

Fonte: Portal do PT

Sociedade se mobiliza contra desestabilização do Governo Lula

Vídeo e manifesto pedem fim da campanha de desestabiliação do governo Lula

A Rede Universidade Nômade — um grupo formado por segmentos sociais em prol da universalização dos direitos e do acesso aos meios de produção do conhecimento — lançou uma campanha pela radicalização democrática e contra a desestabilização do governo Lula.

Fazem parte da campanha um manifesto, que já tem cerca de 1.000 assinaturas, e um vídeo de seis minutos, com depoimentos de uma série de pessoas que expressam apoio ao governo Lula e discutem a ofensiva em curso contra a atual gestão.

O texto do manifesto defende que este é o governo mais democrático que o país já teve — não apenas por respeitar as instituições representativas ou pela moderação de sua política econômica, mas porque “apesar de todas as concessões e dos graves erros, cosntitui a expressão da multidão dos sem-direitos que construíram esse país”, diz o documento.

O manifesto afirma haver uma campanha desestabilizadora desencadeada a partir do “uso hipócrita e moralista do escândalo dos Correios” e a considera golpista, arrivista ou conservadora. “Essa campanha precisa ser derrotada pela mais ampla mobilização democrática, em suas mais diversas formas de expressão: social, intelectual e política.”

Vídeo

O vídeo, de seis minutos de duração, traz depoimentos de 20 pessoas - estudante, advogado, taxista, feirante, padre, comerciante, professor, desempregado e petroleiro, entre outros. Dois nomes famosos engrossam a lista: a rapper Negra Rô e o cineasta Ruy Guerra, para quem o atual governo é o mais democrático que o país já teve.

O vídeo e o manifesto podem ser acessados no site da Rede Universidade Nômade: www.universidadenomade.com.br.

Fonte: Portal do PT

Lula: "Não tenho a cara da avenida Paulista"

Lula é a cara do Brasil

Em discurso para cerca de 10 mil pessoas em Queimados, município da Baixada Fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou nesta sexta-feira (20) que faz um governo voltado para os mais pobres, com os quais disse ter grande identificação.

"Quando eu desci aqui, e me deparei com a fisionomia de vocês, eu disse a mim mesmo: essa é a minha gente, porque essa é a minha cara. A minha cara não é a cara da zona sul (do Rio), não é a cara da avenida Paulista (de São Paulo)”, disse. Depois, concluiu: “Minha cara é a cara do povo sofrido, que clama por justiça. Mais do que a cara, o sangue que corre nestas veias aqui é o de um retirante nordestino, que não esquece o sofrimento desse povo e que lamenta todo dia não poder ter feito muito mais. Mas com paciência, podem ficar certos: haveremos de fazer com que esse povo sofrido sinta orgulho de ter votado num igual a ele para ser presidente do país”.

O público exibia faixas e cartazes de apoio ao presidente e interrompeu seu discurso algumas vezes gritando "Ão, ão, ão, queremos reeleição!" e "Brasil pra frente, Lula presidente".

Fonte: Agências Reuters e Estado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Pacote de maldades dos tucanos está pronto

Tucanos querem retomar Alca e cortar direitos trabalhistas

Em texto publicado nesta segunda-feira (16) no site da Agência Carta Maior, o jornalista Marco Aurélio Weissheimer analisa as propostas de governo que os tucanos começam a gestar com vistas às eleições presidenciais deste ano. Entre elas estão a volta das privatizações; a reabertura de negociações para implantação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), em detrimento do Mercosul; e cortes "radicais" nos direitos trabalhistas.

Leia abaixo a íntegra do texto:

Reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais; fusão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário; adoção da política do déficit nominal zero; redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação; menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca): essas são algumas das idéias defendidas por um grupo de especialistas que vem se reunindo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com o objetivo de desenhar o esboço de um eventual programa de governo.

Em matéria publicada em 9 de janeiro, o jornal Valor Econômico anunciou: “Alckmin toma aulas para campanha”. Segundo a matéria, o ex-presidente do BNDES e ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros já se destaca como provável homem forte da “República dos Bandeirantes”.

Já participaram de reuniões da “República dos Bandeirantes”, entre outros: Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações de FHC), Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central), Paulo Renato de Souza (ex-ministro da Educação de FHC), Roberto Giannetti da Fonseca (empresário, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior), Sérgio Amaral (ex-ministro do Desenvolvimento e ex-porta-voz da Presidência da República durante o governo FHC), Xico Graziano (ex-presidente do Incra e ex-secretário da Agricultura de São Paulo), Arnaldo Madeira (ex-líder de FHC na Câmara e atual secretário da Casa Civil de SP), Raul Velloso (especialista em contas públicas) e José Pastore (sociólogo, especialista em relações do trabalho). As “aulas” deste grupo a Alckmin têm um objetivo claro: “o governador está em processo de entendimento dos problemas nacionais”, disse Mendonça de Barros ao Valor.

Déficit nominal zero

Repercutindo o mesmo tema, a Folha de São Paulo publicou em 10 de janeiro: “Alckmin já prepara plano econômico”. A matéria também fala das reuniões da “República dos Bandeirantes”, destacando conversas de Alckmin com Armínio Fraga e o economista Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo a Folha, “Alckmin pretende utilizar na campanha as lições que tem recebido”. “Ele tem defendido, por exemplo, a idéia de déficit nominal zero, uma proposta antiga de Yoshiaki Nakano, um dos seus interlocutores mais freqüentes”, acrescenta. Segundo essa proposta, o governo teria que ter receitas para pagar todas as suas despesas, incluindo aí os gastos com juros da dívida pública. Como não há espaço para aumento da carga tributária, a proposta prevê o corte de despesas pelo governo e o aumento do limite de desvinculação de receitas da União.

Além de procurar “entender os problemas nacionais”, Alckmin também teria como objetivo, através das reuniões, demarcar aquela que seria uma de suas principais diferenças em relação ao prefeito de São Paulo, José Serra, outro líder tucano que postula a candidatura à presidência da República. Serra seria centralizador e Alckmin um gestor moderno que governaria com especialistas.

As idéias dos especialistas ouvidos por Alckmin dão uma idéia da agenda tucana para o país que está em construção. Roberto Giannetti da Fonseca, por exemplo, segundo a reportagem do Valor Econômico, é “pouco simpático ao Mercosul no formato atual, cobra evolução mais rápida dos acordos comerciais com a Alca e as negociações com a União Européia”. Já o sociólogo José Pastore “propõe uma reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos”. Além disso, é um crítico da obrigatoriedade do abono de férias e o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no formato atual. O deputado Xico Graziano, por sua vez, defende a fusão dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e a criação de uma agência reguladora voltada exclusivamente para o agronegócio. E Raul Velloso propõe a redução de despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação.

"Choque de gestão" e privatizações

Apontado como “homem forte” do grupo, Luiz Carlos Mendonça de Barros defende uma redução mais rápida da taxa de juros para conter a valorização do real. Considerado um dos principais representantes da ala desenvolvimentista do governo FHC – que acabou derrotada pela ala do ex-ministro Pedro Malan – Mendonça de Barros não propõe mudanças profundas em relação ao modelo atual. Se, por um lado, é crítico da política de juros praticada hoje pelo Banco Central, por outro, ficou ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na recente polêmica com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, crítica da tese do déficit nominal zero e defensora do aumento de investimentos nas áreas social e de infra-estrutura. Caso Alckmin seja o candidato tucano, um dos carros-chefe de seu programa deve ser o discurso do “choque de gestão” a ser aplicado no Estado brasileiro, proposta que representa uma variação das teses do estado mínimo.

Outra proposta da agenda tucana para o país que caminha nesta direção diz respeito às privatizações. Em entrevista concedida ao jornal O Globo (edição de 15 de janeiro), ao ser indagado se pretendia retomar a política de privatizações implementada pelo governo FHC, Alckmin respondeu positivamente e citou os bancos estaduais entre suas prioridades. “A maioria já foi privatizada, mas deveriam ser todos. Tem muita coisa que se pode avançar. Susep, sistema de seguros, tem muita coisa que se pode privatizar”, respondeu. Perguntado se os Correios estariam nesta lista de empresas privatizáveis, o governador paulista foi mais cauteloso, mas não descartou a possibilidade. “Correios acho que teria que amadurecer um pouco. Tem muita coisa que não precisa privatizar”, afirmou sem especificar quais. E, além das privatizações, acrescentou que pretende valorizar as parcerias público-privadas em um eventual governo tucano.

Política Externa: prioridade para a Alca

Mas uma das principais diferenças em relação ao governo Lula aparece mesmo é no plano da política externa, onde os tucanos criticam a proximidade com o governo de Hugo Chávez, da Venezuela, e defendem a retomada das negociações da Alca com os EUA. Após a palestra realizada pelo presidente George W. Bush, durante sua visita a Brasília, no início de novembro, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) elogiou a fala do líder norte-americano, destacando a questão da Alca.

Na avaliação do senador tucano, essa aliança comercial é de interesse do Brasil e “deve ser buscada e perseguida e não suportada ou adiada”. Para Virgílio, a Alca surgirá com ou sem o Brasil. “Sem o Brasil, fará a alegria do México”, comentou, defendendo que a prioridade da política externa brasileira deveria fazer um pacto político com os EUA em troca de vantagens comerciais claras, incluindo aí a queda de barreiras alfandegárias.

Em relação ao governo Chávez, a posição tucana ficou muito clara nas palavras de Virgílio. Para ele, Chávez só se sustenta na Venezuela “graças às milícias que procuram intimidar as oposições e ao alto preço do petróleo”. A simpatia do PSDB em relação à Alca manifesta-se também através de outras iniciativas. Em 2003, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, encaminhou correspondência ao presidente Lula apresentando a candidatura de Belo Horizonte para abrigar a sede permanente da secretaria geral da Alca.

Na carta, Aécio defendeu, entre outras coisas, que o Brasil deveria incluir, na sua pauta de negociação sobre a criação da área de livre comércio hemisférica a proposta de trazer para cá a sede da organização. “A questão da cidade-sede da área de livre comércio torna-se particularmente estratégica. São evidentes os ganhos oriundos de abrigar a Alca não apenas para Minas Gerais, mas para todo o Brasil”, escreveu o governador mineiro. Essas são algumas das idéias e prioridades que estão sendo alimentadas no ninho tucano para disputar o voto dos brasileiros este ano.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Nova lei pune divulgação de grampo pela imprensa

A pedido do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Lula enviará ao Congresso em fevereiro um projeto que reformula a legislação da escuta telefônica no país. Contém regras para “conter abusos e desvios”. Em seu trecho mais polêmico, a nova lei abre brecha para a punição de jornalistas que divulgarem o conteúdo de grampos, mesmo os realizados com autorização judicial. O projeto pune a divulgação com prisão de um a três anos, além de multa.

A pena será agravada em um terço “se a divulgação se der por meio de jornais e outras publicações periódicas, serviços de radiodifusão e serviços noticiosos, bem como pela internet.” Uma novidade em relação à legislação em vigor. A lei atual (número 9.296), sancionada por Fernando Henrique Cardoso e por Nelson Jobim, então ministro da Justiça, já tipifica a quebra de sigilo de escutas como crime. A pena é inclusive maior: de um a quatro anos de prisão. Mas não há no texto nenhuma menção a meios de comunicação.

Fonte: Blog do Josias (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br)

Colocando os pingos nos is

CPI dos Correios não pode investigar "mensalão", diz relator

O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou nesta terça-feira que os integrantes da comissão não podem ser cobrados pela investigação de parlamentares acusados de envolvimento com o "mensalão". De acordo com o deputado, este era o objeto de trabalho da CPI do Mensalão, encerrada em novembro do ano passado.

"É preciso ressaltar essa situação para que os integrantes da CPI dos Correios não arquem com os custos de não investigar algo que não está sob sua alçada."

Esse argumento também fui utilizado por Serraglio para negar que a Receita Federal estivesse atrasando o envio de informações à CPI dos Correios. Segundo o relator, a Receita "não deve nada", uma vez que a foi a CPI do Mensalão e não a dos Correios que quebrou o sigilo fiscal das pessoas investigadas. "

Nesse sentido, a CPI da Compra de Votos [do Mensalão] significou a obstrução do nosso trabalho de investigação", afirmou.

Folha Online (17/01/06)

Caixa-preta das privatizações será investigada

Câmara cria CPI para investigar privatizações

Enquanto o governo Lula é investigado por duas CPIs --dos Correios e dos Bingos-- os governistas podem dar o troco político com a criação de uma comissão nesta segunda-feira para investigar as privatizações que ocorreram na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Hoje, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), assinou o ato de criação da CPI das Privatizações --que vai investigar o período de 1990 a 2002-- e deve dar o prazo de 48 horas para que os líderes indiquem seus integrantes. Aldo pode prorrogar o prazo, mas já avisou que irá determinar os membros da CPI caso os partidos não indiquem ninguém.

Além das privatizações, a comissão também deverá investigar os critérios adotados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nas operações de crédito com empresas que participaram dos processos de licitação.

Folha Online(17/01/06)